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BRUNO GUILHERMO NUNES SILVA

GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ


UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ CENTRO DE TECNOLOGIA DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA E URBANISMO

GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

MARINGÁ 2013


BRUNO GUILHERMO NUNES SILVA

GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

Monografia apresentada como requisito parcial para obtenção do título de bacharel em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Estadual de Maringá.

Orientador: Prof. Roberto Estevam Coordenador: Prof. Msc. Tânia Galvão Verri

MARINGÁ 2013

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BANCA EXAMINADORA

_______________________________________________________ PROF. MSc. ANÍBAL VERRI PRESIDENTE DA BANCA

_______________________________________________________ PROF. MSc. LEONARDO CASSIMIRO BARBOSA

_______________________________________________________ PROF. MÁRCIO LORIN CONVIDADO DA BANCA


DEDICATÓRIA

À Leoni Bueno Silva e Gercina Caetano Nunes.

_4


AGRADECIMENTOS

A Gabriel Santin, meu norte. À minha família, por acreditar na minha capacidade; e mesmo com todos os contratempos, continuar me apoiando para que eu finalizasse o curso de Arquitetura e Urbanismo. À Professora Tânia Galvão Verri pelas palavras no começo de 2013. Fizeram toda a diferença para que este trabalho se tornasse realidade. Aos professores, e acima de tudo mestres, Aníbal Verri Jr. e Roberto Estevam, que pacientemente ensinaram o que é a arquitetura de verdade. Ao amigo-irmão e arquiteto, Renan Passos, pela força dada a cada dia nestes 10 anos e pela enorme contribuição neste trabalho. Ao arquiteto Carlos William Hara, por todas as dicas e força e direcionamento neste presente trabalho. À Techno Arquitetura, onde descobri a verdadeira paixão pela arquitetura e seus valores. Aos professores André de Almeida Alves e Layane Alves Nunes pela paciente co-orientação entre 2012 e 2013.

_5


EPÍGRAFE

“Por que temos uma mente se não para fazermos as coisas à nossa maneira?” [Fiódor Dostoiévski]

_6


RESUMO

Este trabalho tem como objetivo desenvolver um espaço de cultura e comércio de arte para a cidade de Maringá. São feitas análises correlatos de galerias de arte para a criação de um edifício icônico para a urbe, além de tipologias construtivas contemporâneas sobre o tema. São apresentadas análises de tipologias construtivas de espaços expositivos de arte, além de normas construtivas para o desenvolvimento do projeto arquitetônico. Ao fim da pesquisa, é proposta uma galeria de arte localizada entre as Avenidas Laguna e Néo Alves Martins, nas proximidades do Parque do Ingá. É analisado o entorno e as normas técnicas, requisitos básicos para o desenvolvimento de projetos culturais e também norma específica para o uso de container marítimo agregado à estrutura mista em concreto e aço. Palavras-Chave: Hub Galeria, Galeria de Arte, Espaços Expositivos de Arte, Arquitetura em Container.

_7


1 INTRODUÇÃO

10

TEMA, OBJETIVOS GERAIS E OBJETIVOS ESPECÍFICOS

10

JUSTIFICATIVA E METODOLOGIA

11

2 A GALERIA DE ARTE

12

2.1 DEFINIÇÃO

12

2.2 FUNCIONAMENTO DAS GALERIAS DE ARTE

14

2.3 BREVE HISTÓRICO

SUMÁRIO

DA GALERIA DE ARTE NO BRASIL

14

2.4 O MERCADO DA ARTE NO BRASIL

18

3 TIPOLOGIAS E SOLUÇÕES

20

3.1 FACHADA E INTERIORES DE ESPAÇO EXPOSITIVO

20

3.2 ORGANIZAÇÃO FORMAL

22

3.3 RELAÇÃO COM O ENTORNO

23

4 OBRAS CORRELATAS 4.1 CORRELATOS PRIMÁRIOS

25 27

4.1.1 Zipper Galeria

27

4.1.2 Galeria Leme

32

4.2 CORRELATOS SECUNDÁRIOS

41


GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

4.2.1 GAD Container Gallery

41

4.2.2 Edifício Colombia 325

47

4.2.3 Loja Decameron Design

54

5 CONDICIONANTES

58

5.1 TERRENO E ENTORNO

59

5.2 CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

64

5.3 DIRETRIZES PROJETUAIS

66

6 O PROJETO

VOLUME 2

70

6.1 CONCEITO

70

ANTEPROJETO

6.2 PARTIDO ARQUITETÔNICO

70

IMAGENS DO PROJETO MEMORIAL DESCRITIVO

7 ANTEPROJETO

VIDE VOLUME 2

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS

74

9 REFERÊNCIAS

75

10 ANEXOS LEI COMPLEMENTAR 941/2011

77

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GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

1 INTRODUÇÃO

rânea. Foca-se neste trabalho o desenvolvimento de uma derivação do formalismo arquitetônico brasileiro, utilizando materiais característicos dos exemplares modernistas agregados a

1.1 TEMA O presente trabalho propõe a elaboração de um espaço de ex-

elementos contemporâneos, como o bronze e os containeres marítimos.

posição e produção de obras artísticas e eventos culturais na cidade de Maringá. O espaço será executado a partir de estrutura mista metálica e em concreto, com o desafio de agregar o uso de contêineres marítimos como complemento construtivo. Sua locação é na Zona Central (ZCC), entre as Avenidas Néo Alves Martins e Avenida Laguna, Quadra Fiscal 044, Lotes 001 e 001A (reintegrados), nas proximidades do Parque do Ingá.

1.3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Especificamente, pretende-se desenvolver um projeto icônico e simbólico para a urbe, que dialogue com a cidade em uma relação harmônica de fluxos e usos, além de se conformar como um espaço flexível para eventos e difusão da cultura contemporânea na região de Maringá. A relação da cidade com o edifício é um dos intentos deste projeto, já que será a partir das variá-

1.2 OBJETIVOS GERAIS

veis do entorno que o edifício será criado. Levando em conside-

Objetiva-se com este trabalho conceber um exemplar arquite-

ração o objetivo de permitir a rápida e racional execução dos

tônico e icônico para a cidade de Maringá adequado ao seu en-

elementos constitutivos, serão utilizadas, como partido, estru-

torno; um espaço para a fruição e fomento de arte contempo-

turas pré-fabricadas em aço e concreto.

_10


GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

1.4 JUSTIFICATIVA

1.5 METODOLOGIA

A cultura da arte na cidade de Maringá é incipiente, já que fal-

Para a elaboração deste trabalho, cumprindo-se os objetivos

tam estruturas para cursos livres e fomento em artes plásticas

propostos, serão feitas pesquisas bibliográficas sobre o tema e

em toda a região noroeste do estado do Paraná. Percebe-se

reunião de correlatos de campo na cidade de São Paulo (Galeria

também a inexistência de espaços para eventos artísticos que

Leme e Galeria Zipper). Serão analisados correlatos internaci-

viabilizem expressões contemporâneas na região. Por essas

onais primários e secundários, consulta a normas técnicas de

ausências, o projeto se justifica como uma ferramenta cultural

segurança, normas de luminotécnica, conforto luminoso apli-

eficiente para difundir a arte contemporânea e suas múltiplas

cado e normas internacionais para Centros e Museus de Arte

linguagens dentro da urbe. Conforma-se assim um equipamen-

Contemporânea adaptados para galerias de arte, além de con-

to metropolitano para a região.

templar a legislação local e normativas de combate e prevenção de incêndio. Para o desenvolvimento do anteprojeto arquitetônico, usa-se de volumetria gerada por programa de modelagem tridimensional, além de plug-ins adicionais para a criação de uma forma arquitetônica icônica, facetada, além de análises solares e de sombreamento no projeto.

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GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

2 A GALERIA DE ARTE

Além de se tornarem ambientes comuns entre artista e público, as galerias cumprem a função de abrigar adequadamente as obras de arte. As galerias contemporâneas se configuram co-

2.1 DEFINIÇÃO

mo um espaço procedente dos antigos ateliês de artistas mo-

Segundo o Dicionário Aurélio, galeria de arte é definida como

dernos dos anos 30 e 40, época de crise no mercado artístico.

um “corredor extenso que [...] se dispõe quadros, estátuas etc.;

Atualmente, as galerias de arte são muito mais do que simples

coleção de quadros [...] organizada esteticamente”. Ou ainda

espaços de exposição, compra e venda de arte: atuam como

um “estabelecimento que expõe e/ou vende obras dessa natu-

marchands 2, agregando o escritório de arte, assessoria de im-

reza” 1. Portanto, galeria de arte é um espaço arquitetônico em

prensa e investidor para novos artistas em um mesmo espaço.

que obras de arte são exibidas para apreciação, venda e negociação, sendo de grande importância sua disposição espacial, iluminação e flexibilidade para abrigar múltiplas expressões artísticas como exposições de pintura, escultura e fotografia, instalações e tantas outras manifestações artísticas para fins

Ressalta-se que a galeria de arte e o museu são peças-chave no desenvolvimento de um circuito de arte e, por consequência, um mercado. Entretanto, é preciso diferenciar a função social do museu, como entidade cultural, e a da galeria de arte, como entidade mercantil.

mercantis e expositivos.

Marchand: termo de origem francesa que designa o profissional que tem como atribuição intervir no processo de distribuição da produção de um artista.

2 1

FERREIRA, Aurélio Buarque de Hollanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.

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GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional

se parte da construção identitária, artística e comercial locais.

(IPHAN) 3, museu é definido como uma “instituição com perso-

Consolida também, como já dito, a interface artista-comprador

nalidade jurídica própria ou vinculada a outra instituição com

no mercado de arte. Além de sua função social, a galeria de

personalidade jurídica, aberta ao público, a serviço da socieda-

arte tem como objetivo o armazenamento e segurança das

de e de seu desenvolvimento”. Deve possuir acervos e exposi-

obras, divulgação comercial e, atualmente, agrega também a

ções abertas ao público visando a construção de identidades

função de escritório de arte.

sociais, a leitura crítica, a produção de conhecimentos e oportunizar o lazer. Além disso, deve apresentar disposições “para a comunicação, exposição, documentação, investigação, interpretação e preservação de bens culturais em suas diversas manifestações”. Portanto, museus são instituições ou processos museológicos que cumprem funções democráticas e promovem o desenvolvimento sociocultural em uma determinada comunidade ou espaço social.

Segundo Lázaro Donizeti Ferreira, no artigo “Galeria e Centro de Arte”, não existe norma técnica disponível que regularize o funcionamento das galerias de arte, isto é, não existem exigências legais específicas às galerias; quando, em verdade, essas são comuns às demais empresas. Desse modo, cabe salientar que muitas das bibliografias consultadas na elaboração deste trabalho, específicas para o espaço do museu, foram adaptadas ao espaço expositivo da galeria de arte. Assim, procurou-se

Já nas galerias de arte, a função social versa sobre o fomento e

basear o programa e tipologia expositiva expressos aqui de

consolidação de novos artistas e paradigmas na arte, tornando-

maneira análoga ao espaço expositivo de museus de arte, salvo a escala e flexibilidade necessárias ao projeto aqui proposto.

3

Ver IBRAM - Instituto Brasileiro de Museus. Disponível em: <http://www.museus.gov.br/museu>

Para complementar tal embasamento, será incorporado ao

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GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

presente trabalho um programa específico para galerias, defi-

O espaço da galeria de arte funciona como espaço expositivo

nido através de visitas a galerias-chave na cidade de São Paulo

para os artistas e obras catalogados, e deve valorizar ao máxi-

e contato direto com os galeristas de cada estabelecimento.

mo o espaço expositivo, permitindo a visualização das obras com fácil legibilidade e reprodução fiel de cores através da luminotécnica, parte primordial no projeto de galerias.

2.2 FUNCIONAMENTO DAS GALERIAS DE ARTE Para o entendimento da conformação programática atual das Atualmente, grande parte das galerias foca em segmentos es-

galerias, é importante o resgate de um breve histórico do de-

pecíficos, mesmo trabalhando com artistas e públicos comuns.

senvolvimento das galerias no Brasil – a partir do recorte que

Isso se deve ao formato de recepção aos visitantes, configura-

vislumbra o eixo Rio-São Paulo – ao longo do tempo, bem como

ção dos espaços físico e expositivo, preço e negociação pratica-

sua importância na consolidação da arte contemporânea brasi-

dos, identidade e contexto ideológico do galerista proprietário,

leira.

entre outros motivos. 2.3 BREVE HISTÓRICO DA GALERIA DE ARTE NO BRASIL Acrescenta-se à função de galeria a dinâmica comercial e lo-

Segundo Bueno, a história das galerias de arte no ocidente re-

gística das obras, seja em exposições ou na entrega ao consu-

monta ao ano de 1870, quando Paul-Durand Ruel modificou a

midor final. O espaço de armazenamento, definido como ‘reser-

praxe de sua galeria de arte em Paris, divulgando obras im-

va técnica’, deve ser pensado com cuidado, já que é um local de

pressionistas e inaugurando, assim, novas formas de concep-

extrema importância para proteção, venda e visualização do

ção e comercialização artísticas, alinhadas ao universo em que

acervo pertencente ao estabelecimento.

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GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

surgiram: a cultura urbana e a vida moderna. Essa tipologia

anos 20, recintos alternativos de exposição, como ateliers, pe-

“instituiu um novo modus operandi – o mercado de arte moder-

quenas galerias e livrarias foram substituídos por espaços re-

na –, distinto tanto do acadêmico que o precedeu, quanto das

cém-criados, específicos para a arte contemporânea, como ga-

diversas modalidades de comércio de arte que se desenvolve-

lerias e museus. Espaços como o Palácio das Indústrias, atual

ram a partir do século XIX”. Ainda segundo a autora, nesse am-

prédio da prefeitura de São Paulo, abrigaram exposições de

biente de grandes transformações, os marchands tinham como

novos artistas da época, até a criação, em 1939, do Salão de

incumbência vender formas estéticas transgressoras e novas

Maio, por fim instalado em uma galeria privada.

visões de mundo.

Na década de 40, já existia em São Paulo um mercado de arte

No Brasil, durante o século XIX, apenas salões de artes plásti-

consolidado e um mercado de bens de luxo em ascensão. A

cas eram realizados. Segundo Fioravante (2001), a primeira

partir da Segunda Guerra Mundial, o mercado de arte no Brasil

galeria de arte do país é a Galeria Jorge, localizada na Rua do

foi forçado a se profissionalizar. Isso porque a nova leva de imi-

Rosário, no Rio de Janeiro. Fundada em 1907, o local se tornou,

grantes trouxe colecionadores e marchands, dentre eles, Pietro

rapidamente, ponto de encontro de artistas e intelectuais da

Maria Bardi e sua mulher Lina Bo, que fomentaram um consi-

cidade.

derável mercado cultural no país. Segundo Bueno, grande parte

Em São Paulo, no início do século XX, artistas começaram a alugar espaços para criarem suas exposições, como foi o caso do pintor e escultor lituano-brasileiro Lasar Segall. A partir dos

dos galeristas e colecionadores de arte nas décadas de 50 e 60 eram estrangeiros que se refugiaram no Brasil por conta das intempéries da guerra. Estes estrangeiros desempenharam um papel fundamental na construção e consolidação de uma cultu-

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GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

ra artística e atualizada nas várias esferas artísticas: teatro,

Petit Galerie, ainda como um misto de antiquário, galeria e loja

cinema, televisão etc. Tal configuração criou condições para

de móveis, foi logo se conformando como um centro de reuni-

que artistas enfim pudessem sobreviver a partir de suas cria-

ões de personalidades da época. Durante o período das déca-

ções, profissionalizando-os.

das de 50 e 60, surgiram e fecharam grandes galerias: Bonino e

Na história das galerias e suas modificações espaciais ao longo do tempo, é interessante notar o exemplo da Petite Galerie 4, do

marchand e poeta Franco Terranova, no Rio de Janeiro. Fioravante (2001) a descreve como “uma pequena loja na Avenida

Seleart são alguns exemplos. Consolida-se nesta época a galeria Mirante das Artes, de Bardi, localizada à esquina da Rua Estados Unidos com Augusta (hoje, o espaço abriga a Zipper Galeria, presente como correlato primário deste trabalho).

Atlântica, com 5 m x 4 m, onde o visitante tinha que baixar a

Nos períodos de 60 e 70, surgem novos modelos de galerias de

cabeça para poder entrar. Ali expôs Volpi, Dacosta, Maria Leon-

arte, focados em jovens artistas da época, como a Art Art, de

tina, Krajcberg, Pancetti e outros.” Nesse momento, a arte, e

Ralph Camargo; jovens artistas que hoje conhecemos como

por consequência o mercado artístico, passaram por um pro-

contemporâneos. Fomentadora de novos modelos de vernissa-

cesso de democratização. A partir disso, as galerias de arte

ge, a galeria em questão durou pouco tempo, e segundo Ca-

começam a se multiplicar no eixo Rio-São Paulo, gerando

margo, os artistas contemporâneos, hoje categorizados como

grande valorização do espaço da galeria nos anos seguintes. A

neoconcretos, proporcionavam grandes despesas sem retorno econômico.

Petite Galerie, inaugurada em 1953 pelo pintor Mario Agostinelli, é batizada como "pequena galeria", tradução literal do francês, em função de seu espaço reduzido. Posteriormente foi comprada por Franco Terranova, sendo um dos grandes marcos do mercado de arte do Rio de Janeiro. 4

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GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

Algumas propostas irreverentes também surgiram nesta épo-

80 6, como a Galeria Thomas Cohn, com artistas como Adriana

ca, como a Rex Gallery 5. Como uma cooperativa de artistas,

Varejão, Sérgio Romagnolo e Leonison. Outra galeria de desta-

questionava o sistema de comercialização e falta de espaços

que é a Saramenha, expondo artistas como Cildo Meirelles e

alternativos de exposição para experiências de vanguarda.

Antonio Dias.

Dentro desse recorte, é possível analisar o surgimento de “ar-

A Galeria Subdistrito, hoje o Gabinete de Arte Raquel Arnaud,

térias” nas ruas onde as galerias de arte se fixaram, fato que

inaugurou o avanço nos anos 80 ao investir no artista jovem.

pode ser visto até hoje. Ruas concentradoras de galerias em

Revelou grandes nomes como Beatriz Milhazes 7, que expôs

São Paulo, como a Rua Estados Unidos, Alameda Gabriel Mon-

algumas de suas obras na edição de 2012 da exposição SP-

teiro da Silva, a região dos Jardins e Jardim Europa reúnem

ARTE, valorando a casa dos milhões. Hoje, grandes nomes de

grande parte das lojas focadas em design de alto padrão (hoje

galerias, como a Galeria Luisa Strina, têm como base esta con-

abrigando, por exemplo, a Decameron Design e Kartell) como

solidação formada há 30 anos. As galerias de arte e os artistas

herança da efervescência artística dos anos 60-70.

hoje catalogados tiveram seu desenvolvimento pautado pela

Nos anos 80, década em que as artes plásticas ganharam maior

valoração de suas obras de arte dentro do mercado desta épo-

prestígio, as galerias têm papel vital na legitimação da Geração 6

A Rex Gallery (1966-1967) durou pouco tempo e encerrou suas atividades com a mostra “Exposição Não-Exposição”, de Nelson Leirner, em que o espectador podia levar para casa as obras ali expostas e que estavam presas com correntes ou chumbadas na parede. 5

Geração 80: Designação para classificar um grupo de jovens artistas, quase todos do eixo Rio-São Paulo, que praticaram uma arte neoexpressionista e figurativista, utilizando geralmente o papel como suporte, abundância de cores brilhantes e liberdade de expressão. 7 Beatriz Milhazes: pintora, gravadora, ilustradora e professora brasileira, destaca-se em exposições no exterior. Sua obra é caracterizada pela utilização de cores e formas geométricas.

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GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

ca. Portanto, o mercado de arte tem papel essencial como fo-

investimento seguro. Muito mais do que um simples ornamen-

mentador e legitimador da arte contemporânea, além de possi-

to, a arte, economicamente, possui valor; e como investimento,

bilitar sua inserção no circuito cultural de artes plásticas.

possui valorização, sem perda ao longo dos anos, mas suscetí-

As galerias de arte sempre estiveram ligadas ao valor econô-

vel a um mercado de valores flutuantes.

mico da arte e ao investimento conservador, e os museus e bie-

Segundo Bueno, nos primeiros anos do comércio de arte no

nais serviam, à época dos anos 40 aos 60, como os principais

Brasil, inexistia uma política de exposições, não havia empenho

centros de exposição, legitimação e consagração dos artistas.

na classificação da produção. A seleção de artistas baseava-se

No entanto, de forma modesta e lenta, o hábito do consumo da

apenas na popularidade alcançada pelo nome. Como resposta

arte, sobretudo da arte contemporânea, ao longo dos últimos

espontânea, marchands e galerias reagiam à demanda de con-

anos, foi se conformando e criando um consolidado e dinâmico

sumo de arte contemporânea da época disponibilizando apenas

mercado.

as obras de nomes populares, sem haver uma categorização ou separação de estilos artísticos.

2.4 O MERCADO DA ARTE NO BRASIL

O museu, não apenas como um elemento catequizador da arte,

Atualmente, o fomento de novos mercados de arte descentrali-

também foi utilizado como infraestrutura para a valoração das

zados do eixo Rio-São Paulo é uma medida salutar para que o

obras e transformação de produtos sem valor comercial em

conhecimento cultural da sociedade possa se desenvolver de

artigos de alto luxo, retomando a ideia de que ele próprio (o

forma democrática, transformando a arte em moeda de troca e

museu), como instituição, apenas legitima o artista no merca-

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GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

do. O museu, até os dias de hoje, configura-se como um ins-

dela que a história das artes pode ser escrita para, com o dis-

trumento de valorização comercial, além de cumprir sua função

tanciamento histórico necessário, chegar até os acervos muse-

social com acervo próprio, com obras de artistas de importân-

ológicos.

cia histórica já catalogadas para exposição permanente.

A partir desta diferença, este trabalho usa como base outras

No comércio das artes, são distinguíveis três pilares que movi-

galerias com programa e foco de mercados similares às dire-

mentam este mercado: o museu, a crítica e a galeria de arte. O

trizes deste projeto aqui proposto. É importante salientar a im-

museu e a crítica formam o valor econômico e o embasamento

portância da criação de um mercado de artes no interior do Pa-

artístico, e o espaço mercantil (galeria) possibilita a comerciali-

raná, porém, o projeto desta galeria pode ser movido para ou-

zação dessa produção como bem econômico. Existe a necessi-

tras localidades no interior do estado, não se vinculando total-

dade tanto do museu, como instituição, para o desenvolvimento

mente ao mercado de arte local. É prevista a flexibilidade caso

do conhecimento artístico da sociedade local, quanto das Gale-

seja necessário transferir a outra cidade, se o retorno do mer-

rias para o fomento e valorização dos artistas que estão produ-

cado local não movimentar suficientemente capital para a ma-

zindo e entrando neste mercado.

nutenção da galeria.

Enquanto, por um lado, existe a importância histórica do museu

Apenas com a produção local e a criação de um espaço especí-

como elemento fundamental para que manutenção da identida-

fico para exposição e venda de obras de arte locais e também

de cultural esteja assegurada em um espaço próprio, a galeria

exposições temporárias que é possível criar interesse no mer-

de arte tem sua importância no fomento artístico local. Através

cado de arte na região. Já existem formações específicas, que

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GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

em poucos anos produzirão obras de interesse do mercado de

neste rápido capítulo algumas das referências visuais utilizadas

luxo para a venda, tanto na região, quanto como interlocutor de

no desenvolvimento do projeto.

exportação de produção de arte local.

3.1 FACHADA E INTERIORES DE ESPAÇO EXPOSITIVO Extensão do museu municipal de Rapperswil-Jona, :mlzd architects.

Neste projeto recente do escritório suíço :mlzd, o grande des-

3 TIPOLOGIAS E SOLUÇÕES

taque do projeto é a utilização de elementos poligonais em sua

Neste sucinto capítulo, é promovida uma contextualização so-

Com fachada executada em chapas de bronze sobre quadro

bre a produção atual dos elementos que norteiam o desenvol-

metálico, o projeto procura de destacar entre dois edifícios his-

vimento do projeto produto da pesquisa aqui apresentada. São

tóricos (figura 01). A escolha do bronze no projeto se dá pelo

apresentados projetos e soluções de galerias de arte executa-

desejo de contraste entre o edifício e o entorno, uma das dire-

das ou não, que a partir dos elementos existentes, servem de

trizes básicas do restauro e implantação de anexos a edifícios

base projetual anteriormente à análise dos correlatos primá-

históricos. Além disso, desejou-se uma intrínseca relação do

rios e secundários. São projetos de novos escritórios, que usam

material da fachada escolhido com o bronze das obras expostas

de diferentes linguagens formais, nos quais houve alguma ins-

em seu interior. A paginação da fachada em placas vazadas em

piração para resoluções dentro do partido. Estão condensados

bronze ainda cria dinamismo, além de filtrar a tomada solar do

fachada, e responsivamente em seu interior.

interior.

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GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

Dentro deste anexo, é de relevância analisar a criação de um

provaram que o espaço expositivo não precisa necessariamente

interior branco, hermético (figura 02), entretanto não regular,

ser regular para a visualização de obras de arte, e novas ex-

fugindo do típico paralelepípedo proposto por Brian O’Dorherty

pressões artísticas contemporâneas rompem com a rigidez

em seu livro No interior do cubo branco, uma das bases museo-

promovida pela tela, um campo estritamente bidimensional.

lógicas modernas. O’Dorherty normatiza em seu livro que o

Novas tecnologias permitem uma exploração mais livre dos

melhor espaço expositivo para a visualização de obras de arte

espaços, e também novas expressões em arte possuem escala

em museus é sempre o cubo branco, isto é, um espaço tridi-

e soluções de execução variadas, desde instalações a happe-

mensional retangular, sem quebras, para que a arquitetura não

nings e performances.

se sobreponha à arte. Entretanto vários críticos e arquitetos já

Figura 01 – Fachada da Extensão Fonte: Archdaily.com

Figura 02 – Galerias de exposição Fonte: Archdaily.com

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GALERIA DE AR RTE PARA A A CIDADE DE MARINGÁ

3 3.2 ORGANIZAÇ ÇÃO FORMAL M MoCAPE: Muse eu de Arte e Exibição E Culturral, SearleXWa aldron A Architecture.

solvid do o edifício e seu entorno. Este E projeto de concurso esco olhido foi contempla ado com o prim meiro lugar, sendo a segund da coloc cação projeto do d escritório au ustríaco Coop Himmelbl(a)u H . Com um edifício to otalmente ortogonal, o projeto se concentrra em sua s extensão ao longo de 8 mil m metros, com m picos (ou collinas sintéticas) s ao lo ongo desta praça criada pelo desenvolvimen nto do programa em nível abaixo do o solo.

Figura 03 – Perspectiva e eletrônica do projeto Fon nte: SearleXWaldron

O pavvilhão elevado cria uma forte e conexão com a cidade, abrin ndo visuais para o entorno, e enquanto cria um co onjunto de volu u-

E Este projeto é resultado de um u concurso promovido para a a ci-

mes positivos e neg gativos no projjeto. Dentro de este projeto, de e-

d dade de Shenzh hen, China, o qual q completa o centro cívico o pro-

senvo olve-se uma paisagem p sintét ética a partir da a criação de um

p posto pelo plan no diretor da cidade. Dentro deste plano diretor,

terre eno sobre o sub bsolo do pavilhão de exposiçã ão (figura 04).

sserá executada a também uma biblioteca, p projeto do arquiteto ja aponês Arata issozaki. C Com, 36 mil metros quadrados, o objetivo do concurso é criar d dois equipamen ntos culturais interligados, e dentro desta análisse de organizaçção formal, aca aba por ser rellevante como ffoi reFigura 04 – Corte esquemáticco do projeto Fonte: SearleXWaldron S

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GALERIA DE AR RTE PARA A A CIDADE DE MARINGÁ

3 3.3 RELAÇÃO COM O ENTORN NO C CAIXAFORUM M Madrid, Herzog g & De Meuron.

cidad de de Madrid. A partir de uma a antiga central elétrica, o pro ojeto inicia a ideia de e picos e paisa agens sintéticas, uma caracte erístic ca das obras dos mestres su uíços. Este prrojeto tem com mo

A CaixaForum, concentrador cultural c e inicia ativa do banco fede-

relevvância toda sua a estrutura, com m enfoque na sua s relação com

ral espanhol La a Caixa, também é resultado de concurso e exe-

o enttorno e caráter icônico da co onstrução. Den ntre as referên n-

ccutada no ano d de 2008. Projetto do escritório o Herzog & De Meu-

cias a serem utiliza ados neste projjeto a ser dese envolvido, está o

ron, este projeto é uma amp pliação e readequação de ed difício

paine el vegetal utilizado para amenizar a face cega do edifíccio

h histórico, conce ebido para ser um imã de cu ultura e artes p para a

lindeiro, além dos materiais m utilizados para a crriação do volum me do ed difício, o aço Corten. Além do o aspecto volumétrico, o ediffício ta ambém se utilliza de espaço os não regulares, poligonais e um pluralismo p ling guístico no inte erior e em suas fachadas. Re etoma ando a análise do d primeiro projeto, os espaçços de exposiçã ão tamb bém ultrapasssam o limite dogmático ilustrado po or O’Doherty sobre o cubo branco, fragmentand do e tornando--o multifacetado, anállogo à sociedad de contemporânea. O pro ojeto se eviden ncia multifaceta ado em sua co obertura a parttir do aç ço Corten, e esste é desenvolvvido formalmente com um vo o-

Figura 05 – CAIXAForum Madrid, vista externa Fonte: Europacconcorsi.com

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GALERIA DE AR RTE PARA A A CIDADE DE MARINGÁ

vo, um simulaccro de seu entorno transforrmado metálico. uitetônico dos três projetos a acima apresenttados, métodos projetuais são referências utilizadas eto a ser desen nvolvido, não ccomo mero passtiche mas como boas soluções forrmais de respo osta a existente, bem como na lingu uagem contem mporâem desenvolvim mento no Brassil e no exteriior na quitetônica. concentrador cultura, ou “íma a”, como é pro oposto mbém inspira ao nome da galleria proposta neste ada de hub gale eria.

Figura 06 – Gale erias de exposição CAIIXAforum Fonte: Dezeen.ccom

Fig gura 07 – Acesso Expo osição em Vìdeo Fonte: Dezeen.com

Figura 08 – Àtrio À CAIXAforum Fonte: Dezeen.com

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GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

4 OBRAS CORRELATAS

Para os correlatos primários, foram feitas visitas técnicas in

loco na cidade de São Paulo, em galerias focadas no perfil de artistas plásticos jovens, de 20 a 35 anos. As galerias visitadas,

A partir das análises das tipologias arquitetônicas contemporâneas, segue-se para um conhecimento mais aprofundado de correlatos, pesquisados de acordo com a necessidade de conhecimento formal e soluções técnicas para o projeto apresentado.

Zipper Galeria e Galeria Leme, localizam-se em áreas consolidadas, próximas às áreas residenciais com população de grande poder aquisitivo no centro da cidade. Com as visitas técnicas, foi possível conhecer o circuito das artes na cidade, bem como as necessidades específicas programáticas, como tamanhos de

Foram utilizados para este trabalho alguns exemplares arqui-

ambientes e correto dimensionamento espacial no projeto de

tetônicos nacionais e internacionais, Os correlatos primários

galerias de arte.

envolvem a compreensão do espaço de galerias de arte, bem como o desenvolvimento do programa de necessidades do projeto. Como correlatos secundários foram escolhidos obras para compreensão do uso da tecnologia empregada, bem como das etapas de projeto e cuidados necessários na criação do desenho arquitetônico. Dentro dos correlatos secundários há exemplos de experimentação formal com o concreto e espacialidade versátil, pretendido para o produto final deste trabalho.

Os correlatos secundários envolvem projetos já conhecidos e também visitados in loco, consolidados como exemplares arquitetônicos contemporâneos, sendo estes o edifício COLOMBIA, projeto do escritório franco-brasileiro Triptyque, e também a loja Decameron, projeto do escritório paulistano Studio MK27, dirigido pelo arquiteto Márcio Kogan. A escolha de uma loja de

design para correlato do projeto dá-se pelo programa arquitetônico de uma galeria de arte, sendo esta um misto de loja de

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GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

quadros com espaço cultural. E a escolha específica do edifício

realidade da construção civil e ao clima brasileiro. Apenas o

projetado pelo escritório franco-brasileiro define-se aqui neste

correlato da GAD Container Gallery, único exemplar internacio-

trabalho por seu resultado icônico como exemplar arquitetôni-

nal, não se adapta às necessidades e legislações brasileiras,

co e flexibilidade de plantas. O projeto do escritório Triptyque

sendo apenas utilizando para o correto entendimento do espaço

desvencilha-se de programa de necessidade específica por se

expositivo com o uso dos contêineres, eficácia como espaço de

tratar de empreitada própria do escritório, sem um uso especí-

exposição e seu desenvolvimento técnico.

fico pensado no partido arquitetônico, sendo este apenas um resultado formal para uma experimentação arquitetônica. O projeto possui plantas neutras, sendo uma galeria comercial experimental. O prédio comporta qualquer uso, e este autor acredita que com as devidas modificações o edifício comportaria perfeitamente o programa de uma galeria de arte.

Além da adaptação dos projetos à realidade e ao bioclima, o autor também acredita que é uma forma de conhecer mais a fundo os exemplares arquitetônicos brasileiros sobre o tema. Projetados por arquitetos reconhecidos mundialmente e que hoje criam alguns dos mais interessantes edifícios e elementos de design brasileiro atual, estão aqui neste trabalho o Studio

A galeria de arte conforma-se com uma interface entre uma

MK27, Rosembaum Arquitetura e o franco-brasileiro Triptyque.

loja e um fomentador cultural, possuindo elementos programá-

Este último que, mesmo em sua formação francesa, consegue

ticos que envolvem museologia e arquitetura comercial. Por

captar o brutalismo paulista e remixar elementos tipicamente

conta desta especificidade, são analisados a seguir exemplares

brasileiros com as novas tecnologias internacionais.

comerciais e institucionais. Priorizaram-se exemplares arquitetônicos em sua maioria brasileiros por estarem adaptados à

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4.1 CORRELATOS PRIMÁRIOS 4.1.1 Zipper Galeria Rua Estados Unidos, 1494 Jardim Paulista - São Paulo/SP Rosenbaum + Estúdio Guto Requena www.zippergaleria.com.br

Com um aparente despojamento, a Zipper Galeria localiza-se à Rua Estados Unidos, no bairro Jardim Paulista. Via arterial histórica, a Rua Estados Unidos abriga algumas galerias ao longo de sua extensão. E no cruzamento com a Rua Colômbia (continuação da Rua Augusta), está o edifício que, segundo a 208ª edição da Revista aU 8, é “um grande contêiner estacionado no terreno”. A analogia se faz pela fachada cega em telha metálica corrugada, elemento que a diferencia das edificações em seu entorno (figura 10). Em planta (figura 11), o edifício se configura como um grande galpão, remodelado de um antigo escritório de advocacia. Neste mesmo prédio, funcionava o Mirante das Artes, galeria de Pietro Maria Bardi. Local com imensa relevância histórica para as artes, este grande container guarda uma importante herança. O conteúdo programático da galeria envolve o acesso pela

Figura 09 – Zipper Galeria Fonte: www.zippergaleria.com.br

lateral direita do lote, o qual dá ligação direta com o galpão de exposições e o hall principal. 8

Revista aU – ed. 208. São Paulo: Pini. jul. 2011.

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GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

Em programa no pavimento térreo, está o hall de exposições (figura 10), com aproximadamente 200m² e pé-direito de 7,5m. Em uma planta fluida, o espaço de recepção se conecta com o hall de exposição e também diretamente com a reserva técnica, espaço para mostra de obras em estoque aos clientes. O hall expositivo, centro do projeto, abre-se para um jardim privativo,

Figura 10 – Fachada Galeria Zipper Fonte: Acervo do autor

espaço para contemplação e também área multiuso de uso dos artistas se necessário. Contabilizando aproximadamente 300m² de área interna no térreo, o espaço possui pouca compartimentação, exatamente para a flexibilidade necessária de circulação do visitante. Também é possível perceber em planta dois banheiros para uso público, sendo um de uso acessível. A partir do hall expositivo também é possível ver o mezanino superior, onde funciona a parte administrativa da galeria e também uma pequena sala de exposições multiuso de 40m². Neste segundo pavimento, com aproximadamente 150m², desenvolvem-se em sua grande parte o conteúdo administrativo, Figura 11 - Desenhos técnicos FONTE: Revista Au 208. Julho 2011. Editora Pini

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GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

com uma pequena cozinha, uma sala de departamento finan-

mente com a curadoria e o artista, e todo o espaço do salão po-

ceiro, o escritório de arte no acesso imediato da escada do pri-

de ser utilizado de forma bastante flexível para comportar todo

meiro pavimento e também uma sala de reuniões.

tipo de exposição. Alguns artistas utilizam todo o espaço, ou-

A partir da sala de reuniões, existe uma escada metálica externa que dá acesso ao solarium, na cobertura do edifício. De pequena proporção, este solarium é bastante utilizado em vernis-

tros propõem desde o layout interno a intervenções na fachada de telhas corrugadas, demonstrando o perfil jovem e experimental da galeria.

sages, porém dividindo espaço com casa de máquinas e caixa

O acesso de obras se dá pela porta de acesso ao salão de expo-

d’água.

sição, que é organizado em horário comercial, preferencial-

Sobre o espaço expositivo, foi possível observar a grande quantidade de iluminação natural que chega até o salão expositivo

mente pela manhã, e também durante os domingos, dia em que a galeria não possui funcionamento.

através dos sheds, visíveis no Corte BB (figura 6). A iluminação

A reserva técnica9, localizada no piso térreo, facilita a carga e

natural chega de forma totalmente difusa e em quantidade

descarga de obras, bem como a modificação do espaço exposi-

adequada ao espaço de arte. Uma parede móvel (é possível ver,

tivo. Apenas as obras em exposição temporária, definida com

na planta do térreo da figura 6 duas paredes móveis, porém

programação mensal, ficam expostas no salão principal. As

apenas uma foi executada), no centro do salão, permite a seto-

obras em venda de exposições anteriores ficam armazenadas

rização caso haja necessidade. Em entrevista com a curadoria

na reserva técnica, com altura máxima de 2,80m.

da galeria, o layout expositivo de obras é pensado conjunta-

9

“Reserva Técnica” é o espaço destinado à armazenagem de obras não expostas para venda e visualização.

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com divisões em cabos de aço. A curadoria relatou que esta não é a melhor opção de armazenagem, já que pode danificar as obras. Algumas obras inclusive ficam armazenadas em plástico-bolha para que não haja danos nas molduras. No caso deste trabalho, a resolução que será Figura 12 – Salão de Exposição Fonte: www.zippergaleria.com.br

Figura 13 – Vista para a entrada Fonte: www.zippergaleria.com.br

apresentada na Galeria Leme ainda é uma forma mais eficaz de armazenagem.

Figura 14 – Recepção Fonte www.zippergaleria.com.br

Sobre o espaço físico da galeria, hoje para a curadoria já acabou ficando limitado apenas o salão de 200m². A parede móvel ajuda a ganhar parede para exposição, porém Figura 15 – Detalhe Mezanino Fonte: Acervo do autor

também tem sido utilizado por toda a galeria áreas para exposição. Na sala multiuso, primeiramente focada para a exposição de vídeos, hoje ela acabou por ser utilizada também como um espaço alternativo de exposição de obras, e não apenas de vídeos. O acesso para a parte superior de obras se dá por uma abertura lateral ao mezani-

Figura 16 – Recepção e acesso ao segundo pavto Fonte: www.zippergaleria.com.br

no de madeira (figura15) sendo içado internamente por cabeamento. A galeria não possui monta-cargas para esta

Para a armazenagem, foi executada uma estrutura metálica, _30


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tarefa. Um problema de fluxo é citado quando há eventos, em que para o acesso ao solarium, é preciso passar pela sala de reuniões da área administrativa, o que acaba por dificultar a circulação àquele pavimento. Sobre a iluminação, é possível verificar na figura 17 o uso de luminárias corrediças de foco variável, e também agregado a luz difusa, o que permite uma flexibilidade grande em diferentes tipos de layout. Nas outras áreas da galeria, é utilizada a

Figura 17 – Detalhe Mezanino e Salão Fonte: Acervo do autor

iluminação embutida indireta, formando cenas climáticas para trabalho e eventos noturnos. A Zipper Galeria é projeto de Marcelo Rosenbaum em parceria com o Estúdio Guto Requena. Pertencente ao galerista Fabio

Figura 18 – Escritório de Arte Fonte: Acervo do autor

Cimino, a galeria possui um programa bastante enxuto. Sua tipologia está bastante ligada ao caráter do artista jovem, e os espaços flexíveis se encaixam harmoniosamente no ambiente construído, entretanto, é necessário pensar no crescimento da galeria, algo limitado na tipologia deste edifício.

Figura 19 – Reserva técnica Fonte: Acervo do autor

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4.1.2 Galeria Leme

Leme originalmente à Rua Agostinho Cantu, Butantã, Zona oes-

Av. Valdemar Ferreira, 130

te da capital paulista. Em 2011, foi demolida para a construção

Butantã - São Paulo/SP

da nova sede, com projeto de Paulo Mendes da Rocha em par-

METRO Arquitetos + Paulo Mendes da Rocha

ceria com Metro Arquitetos Associados. Após negociação, o ter-

www.galerialeme.com

reno da galeria foi incorporado pela Odebrecht Incorporadora para a construção de um edifício vertical. Em 2011, o referido escritório de arquitetura é novamente requisitado para a reprodução do projeto em novo terreno, sendo adicionado um anexo à antiga estrutura, sito à Avenida Valdemar Ferreira. O projeto original (figuras 21 e 22) foi realizado visando atender exclusivamente às necessidades de uma galeria de arte. Fugindo da configuração usual de apenas um grande salão e mezanino, o espaço expositivo funcionava, naquele, como uma grande Figura 20 – Vista Av. Valdemar Ferreira Fonte: Metro Arquitetos Associados

ampola trapezoidal que atingia 9 metros de altura do chão. Desta forma, eram formados dois alvéolos invisíveis no piso superior, dando origem a salas administrativas: uma aberta para a fachada frontal, abrigando reserva técnica e área admi-

A Galeria Leme foi fundada em 2004 pelo galerista Eduardo

nistrativa, e outra para a fachada oposta, funcionando como

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apartamento para acomodar artistas visitantes. Tais características estruturais foram mantidas no novo projeto de 2011, mantendo sua antiga proposta. Somou-se a esse novo projeto (figura 24) um anexo que aumentou a área de exposição, denominado Estúdio Leme. O resultado final é um novo projeto e uma nova configuração de fachada, com um pátio visitável entre os dois blocos de edifícios (figura 25). Ocupando um espaço de esquina, exibe toda

Figura 21 – Antiga Fachada Estúdio Leme Fonte: Metro Arquitetos Associados

Figura 22 – Antiga Fachada Galeria Leme Fonte: Metro Arquitetos Associados

sua lateral como um grande paredão de concreto para a Avenida Valdemar Ferreira. Segundo Martin Corullon, sócio do escritório Metro Associados, em entrevista à Revista AU

, a

10

transposição do projeto foi considerada pelo fato de a identidade da galeria estar intrinsecamente ligada à sua estética, na

Figura 23 – Antiga disposição à R. Agostinho Cantu Fonte: Metro Arquitetos Associados

qual artistas e público se relacionam dialogicamente com a identidade do projeto arquitetônico, que é bastante forte. A

10

Revista aU – ed. 218. São Paulo: Pini. maio 2012. Figura 24 – Nova disposição em lote de esquina à Av. Valdemar Ferreira, 130 Fonte: Metro Arquitetos Associados

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partir da figura 21 é possível visualizar a antiga e a nova configuração da galeria. Com 420m² e 9m de pé-direito, a grande caixa de concreto é formada por planos dobrados (ver ficha técnica, pagina 33) que configuram planos inclinados de concreto, e permitem que o pé-direito da sala principal seja duplo ou triplo, com ganho de luz natural. Monumentais portas metálicas permitem o acesso Figura 25 – Fachada Galeria Leme Fonte: http://leonardofinott.com/

de grandes obras para o interior dos espaços expositivos. O bloco principal possui pequenas modificações no novo lote. 60 cm. mais estreito que o original, pouca coisa de sua estrutura foi modificada, à exceção das portas e da retirada do apartamento para artistas visitantes, que hoje abriga uma reserva técnica no piso superior. Neste primeiro bloco, o salão principal de exposições ocupa grande parte da área construída, com acabamento interno em concreto aparente, revelando a técnica construtiva (figura 25). Com paredes estruturais maciças de 15

Figura 27 – Sala Principal: Iluminação Fonte: Acervo do autor

cm, estas foram erguidas em apenas três meses. A rápida con-

Figura 26 – Vista da Sala de Exposição Principal Fonte: http://leonardofinotti.com/

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cretagem foi garantida pelo sistema de fôrmas em módulos metálicos, mais duráveis, que permitiram um processo ininterrupto. Ainda no bloco principal, existe uma pequena recepção próxima à escadaria, seguida por uma pequena copa e acesso ao segundo pavimento. Inserido nos alvéolos formados pela estrutura (ver ficha técnica, página 39), estão as salas administrativas e reserva técnicas, a qual não foi permitida a obtenção de imagens pela curadoria da galeria. As paredes inclinadas

Figura 28 – Escadaria e Recepção Fonte: http://leonardofinotti.com/

promovem iluminação zenital nos ambientes, e também na sala principal, com controle de iluminação de acordo com o tipo de exposição. Apenas no segundo pavimento existem banheiros, sendo um de uso público e o segundo de uso de funcionários, não acessível. Entre o primeiro e o segundo piso também existe banheiros masculino e feminino, de uso público, em um meza-

Figura 29 – Sala Administrativa Fonte:http://leonardofinotti.com/

Figura 30 – Sala Administrativa Fonte: http://leonardofinotti.com/

nino utilizado como pavimento técnico (ver ficha técnica, página 39). A partir do segundo pavimento, é possível acessar o corredor em concreto que dá acesso ao anexo. Executada em concreto, a passarela e o anexo têm matriz formal análoga à da Figura 31 – Vista para Passarela Fonte: http://leonardofinotti.com/

Figura 32 – Vista interna fechamento Passarela Fonte: http://leonardofinotti.com/

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galeria, vencendo um vão de 9m. Utilizar o material promoveu uma ligação entre os dois volumes sem que houvesse ruptura estética, e a viga que vence o vão é a própria parede lateral da passarela. Cega para um lado da estrutura e translúcida para a face voltada para a rua, é protegida por malha expandida metálica de chapas de 25mm x 50mm, espessura de 1,9m e cordão de 8mm. Concretada depois dos dois volumes maiores, a passarela está apoiada em ambos os lados sobre junta de neoprene, e, no perfil da viga em forma de C, o teto sustenta o balanço do piso por pendurais metálicos (Sobral, 2012).

Figura 33 – Monta-cargas hidráulico Fonte: Acervo do autor

Figura 34 – Acesso Monta-cargas Fonte: Acervo do autor

O edifício anexo proporciona uma área 50% maior em comparação à antiga galeria. Sendo também um cubo de concreto armado com mesma construção do edifício principal, possui função expositiva e de armazenamento de obras, além do transporte para o segundo pavimento. Internamente este espaço possui pintura em tinta branca, com teleiros de grande dimensão para obras maiores que 2,5m de altura. Aqui são exibidas exposições em vídeo e também obras em meio bidi-

Figura 35 – Anexo: Detalhe porta basculante Fonte: Acervo do autor Figura 36 – detalhe do contrapeso da porta basculante Fonte: Acervo do autor

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mensional. Com uma área de metade do salão principal, é possível perceber a proposição em projeto de monta-cargas hidráulico, porém in loco, foi possível observar um modelo de monta-cargas mais flexível, que pode ser mudado de lugar sem grandes problemas, além de uma plataforma no segundo pavi-

Figura 37 – Detalhe teleiros Fonte: Acervo do autor

mento para recepção das obras neste segundo nível. Um segundo portão basculante, além da porta principal, facilita a entrada de obras de grandes dimensões, aumentando ainda mais a flexibilidade do edifício. Com um sistema de contrapeso, o

Figura 38 – Reserva técnica e teleiros

portão abre-se para carga e descarga, além de permitir a en-

tipo de armazenamento e teleiro como ideal para galerias de

trada de um veículo de pequeno porte. Tais soluções facilitam a

arte. Com uma estrutura corrediça, o teleiro em estrutura me-

logística da galeria, e promovem uma facilidade e flexibilidade

tálica e grade em cordão metálico formam uma ótima e flexível

necessária a galerias que recebem grandes obras, de artistas

forma de disposição das obras, com corrediças que permitem

de toda a América latina e do mundo, como é o caso da Leme.

puxar como gavetas cada uma das paletas do teleiro. Os telhei-

A reserva técnica da galeria leme se resume a uma das salas

ros expositivos do edifício anexo possuem estrutura similar,

administrativas dentro do edifício principal e também o anexo,

porém fixa e com conexão de piso a teto na galeria. Eles for-

onde há um teleiro para armazenamento e uma segunda área

mam um painel onde fica escondidos a escada metálica e o

expositiva. A galeria leme possui o que pode ser considerado o

monta-cargas hidráulico. No projeto luminotécnico, lâmpadas

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fluorescentes iluminam os planos verticais das paredes, deixando os spots focados em zonas pontuais no piso das salas de exposição. Com as lâmpadas fluorescentes acesas em conjunto com os spots, cria-se uma iluminação difusa e bastante homogênea em todas as paredes, não influenciando no tom de branco da obra de arte. Este é um aspecto importante, o tipo de iluminação deve ser específico para o uso em galerias, permitindo

Figura 39 – Projeto Luminotécnico da Sala Principal e Anexo Fonte: Acervo do autor

precisão colorimétrica. Os spots possuem foco variável, permitindo que o cone de iluminação seja utilizado tanto para esculturas ou instalações no centro do salão, como para as obras nas paredes. Todos os spots têm circuito independente, para que seja possível criar

Figura 40 – Detalhe Sistema de Iluminação Fonte: Acervo do autor

penumbras nas duas salas durante a exposição de vídeo-arte. Durante o dia, na sala principal é utilizado cortinas-rolo com

blackout para controle da iluminação do salão. A claraboia é formada por perfil metálico e vidros temperados com selamento em silicone e neoprene. Figura 41 – Iluminação Zenital Fonte: Acervo do autor

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GALERIA LEME FICHA TÉCNICA DE CORRELATO

PLANTA DE SITUAÇÃO 1 PLANTA DE COBERTURA

2 PLANTA SEGUNDO PAVIMENTO

1 COLEÇÃO 2 ATELIER 3 ESCRITÓRIO DE ARTE

4 PASSARELA 5 BANHEIRO 6 COPA

3 PLANTA TÉRREO

1 RECEPÇÃO 2 COPA

3 SALA DE EXIBIÇÃO 4 PÁTIO DE ACESSO

FONTE: Archdaily.com.br / Metro Arquitetos


1 ELEVAÇÕES LATERAIS

2 ELEVAÇÃO PRINCIPAL AV. VALDEMAR FERREIRA

4 DETALHE COBERTURA PASSARELA

5 DETALHE COBERTURA PASSARELA

3 CORTES TRANSVERSAIS 6 DETALHE FECHAMENTO METÁLICO FONTE: Archdaily.com.br / Metro Arquitetos


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4.2 CORRELATOS SECUNDÁRIOS 4.2.1 GAD Container Gallery Oslo, Noruega

A GAD Container Gallery foi concebida sob a premissa de criar uma galeria semi-temporária, que possa ser facilmente desmontada, removida e remontada em qualquer localidade em poucos dias. Dez unidades de containers comuns, com tama-

MMW Architects

nhos de 20 e 40 pés, formam a base do projeto. Cinco contai-

Ano do projeto: 2005

ners de 20 pés high-cube formam o piso térreo, e envolvendo o

www.mmw.no

vazio central, três containers de 40 pés em forma de U criam o pavimento elevado. Por fim, o segundo pavimento é conformado por mais dois containers de 40’, sobre o balanço formado pelo pavimento anterior, que dão acesso ao terraço e permitem apreciar a vista da área portuária de Tjuvholmen11, onde houve a primeira montagem do projeto. Concebido pelo escritório norueguês MMW, o conceito deste edifício envolve o desejo primário da cliente de conceber uma

Figura 42 – GAD Container Gallery Fonte: MMW Architects – www.mmw.no

Tjuvholmen: área portuária na capital Oslo. Pertencente a uma montadora de navios, a península foi criada para abrigar indústrias marítimas e funcionar também como pátio portuário no século XIX. Atualmente sofre remodelagem urbana com inserção de habitação e retrofit urbano (tradução do autor). Fonte: Wikipedia <http://en.wikipedia.org/wiki/Tjuvholmen> 11

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GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

galeria semi-temporária, e tendo como base o sítio proposto, uma área portuária em transformação, cercada por escritórios, lojas, edifícios, e vizinhança imediata formada por antigos prédios portuários. O resultado mais óbvio foi utilizar as mesmas formas que tradicionalmente ocuparam o espaço em que está localizada: containers marítimos.

Figura 43 – Vista Lateral e Entorno Fonte: MMW Architects – www.mmw.no

A partir da construção com containers comuns, pouco modificados, foi possível chegar à estrutura montada no píer, a qual é possível ser totalmente desmontada e remontada em um intervalo de tempo de uma a duas semanas. Fazem parte da estrutura escadas marítimas, apoios tubulares metálicos para o balanço e janelas circulares, típicas de embarcações, remetendo à linguagem marítima do local e também em ligação com a origem dos containers, a linguagem naval do seu entorno. Sua

Figura 44 – Maquete 3d com estrutura Fonte: MMW Architects – www.mmw.no

estrutura possui poucos reforços, e utiliza um sistema de sapatas em formato circular, que pode ser retirado e levado para qualquer localidade. Apenas para distribuir o esforço que recebe das estruturas com seção menor no edifício, as sapatas são

Figura 45 – Detalhe Sapatas Fonte: MMW Architects – www.mmw.no

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GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

apenas depositadas sobre o solo, assim liberando as cargas

O acesso à galeria se dá pelo segundo pavimento, com um ter-

estruturais em uma área de maior distribuição.

raço expositivo que faz a ligação de todos os ambientes deste nível. Juntamente com o acesso, está a recepção da galeria, o escritório, banheiro não acessível, reserva técnica com 17m², pequena copa e pequena sala técnica. O acesso ao terceiro pavimento se dá através de uma sala de projeção, com 24m², específica para exposição em vídeo. Os três containers de 40 pés formam toda a estrutura do pavimento, e janelas remetendo à linguagem naval promovem iluminação para o escritório e recepção. Neste projeto, os locais onde originalmente possuíam

Figura 46 – Vistas da GAD Container Gallery em nova implantação Fonte: GOOGLE, Google Street View

as portas metálicas do container, são modificados para receber as janelas de piso a teto em vidro de segurança. A sala de projeção se conforma como um mezanino, centralizando as escadas de acesso para o piso térreo e para o terceiro pavimento. No piso térreo, cinco containers de 20’ formam a galeria principal, com 81m². Em suas laterais estão o acesso principal e escada de acesso ao segundo pavimento. Pela figura 48 é possível verificar o pé-direito da galeria, adequado à escala das obras

Figura 47 – Planta Primeiro Pavimento: Acesso Fonte: MMW Architects – www.mmw.no

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expostas. O salão principal conforma-se como um espaço flexível, de acordo com o conceito de museu moderno. Com acabamento branco em seu interior, suas paredes são formadas por isolamento interno de placas de compensado resinado (plywood12) e placas de gesso acartonado (GWB), seguido pelo uso de isolamento interno de lã de rocha. Uma das limitações em salas formadas a partir de containers é a altura para colocação de trilhos metálicos, os quais neste projeto são embutidos na estrutura interna de gesso. A iluminação lateral da galeria, formada por esquadria metálica e planos envidraçados com vidro

Figura 48 – Sala de exposição no térreo Fonte: MMW Architects – www.mmw.no

de segurança, permite a entrada de iluminação natural de forma difusa no ambiente, não afetando a iluminação focal nos elementos expositivos. A partir da sala de projeção do segundo pavimento, é possível acessar diretamente a terceira sala de exposição, localizada no último pavimento.

12 Plywood: fabricados de painéis de madeira feitos de folhas finas de folheado de madeira. É um dos produtos de madeira mais amplamente utilizados.

Figura 49 – Planta térreo Fonte: MMW Architects – www.mmw.no

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Com área de 52 m2, esta sala possui iluminação zenital difusa, promovida pelas claraboias. Suas dimensões são favoráveis para a exposição de quadros e vídeo arte, como é possível verificar na figura 50. A iluminação zenital desta sala expositiva complementa a iluminação focal presente, permitindo focar as obras e ainda possuir uma visão do entorno do edifício.

Figura 50 – Sala de Exposição no terceiro pavto Fonte: MMW Architects – www.mmw.no

Figura 51 – Vista escadaria terceiro pavto Fonte: MMW Architects – www.mmw.no

Por esta sala expositiva, é possível acessar o solarium, importante elemento para exposição de esculturas e vernissages, evento importante para potenciais clientes e a mídia especializada manterem contato direto com os artistas das obras. Acima dos containers do segundo pavimento, o terraço superior tem 53 m², com fechamentos metálicos formando corrimãos e piso em placas cimentícias desmontáveis sobre estrutura metálica. Figura 52 – Planta Terceiro Pavimento Fonte MMW Architects – www.mmw.no

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Uma dos pedidos do cliente foi a possibilidade de o edifício poder ser desmontado entre uma a duas semanas e ser remontado em outra localidade. Na figura 54 é possível visualizar a desmontagem da estrutura, facilmente carregada por içamento para um caminhão. A partir do içamento das estruturas, também é possível remontar o edifício em novo sítio, salvaguardada as necessidades de tamanho e permissão de altura de três pavimentos no novo local. Dentro deste correlato, pode-se conhecer um pouco mais do

Figura 53 – Vista Solarium com Exposição de Esculturas Fonte: MMW Architects

processo da cargotechture, como é chamada a linguagem utilizando containeres metálicos remanufaturados na construção civil. Muito mais que apenas o reuso de estruturas recicláveis, o

cargotechture é uma linguagem já bastante explorada no Brasil e no mundo.

Figura 54 – Desmontagem e transporte da estrutura Fonte: MMW Architects

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GALERIA DE AR RTE PARA A A CIDADE DE MARINGÁ

4 4.2.2 Edifício Co olombia 325

Este projeto, conce ebido pelo esccritório franco--brasileiro Trip p-

R Rua Colombia, 325 5

tyque e possui relevâância não pelo o seu conteúdo programático,

Jardim América – São Paulo/SP

mas sim por sua totalidade arquittetônica e resoluções técnicas.

Triptyque T

Com planta livre em m seu interiorr, este projeto não possui pro o-

trriptyqueblog.blogsspot.com.br

ma de necessid dades específicco, restringindo-se ao mínim mo gram para o funcionamento de qualquer atividade. Salvo S resoluçõe es de ac cessibilidade, o edifício pode e comportar qu ualquer uso, in nclusivve, pelo seu altto valor imobiliiário, uma gale eria de arte. Localizado na Rua Colômbia, conttinuação da Ru ua Augusta, este e proje eto localiza-se próximo a grrandes obras arquitetônicas a lojas de design, com mo a Casa Elecctrolux – loja conceito c que mim

xa sh howroom e exp posição de novvas tendências da Electrolux – além de sua proximidade ao Ja ardim Europa,, conhecido po or abrig gar projetos residenciais de e grandes nom mes, como Ru uy Ohtake, Marcio Kog gan e Isay Wein nfeld. Fiigura 55 – Fachada do Colombia 325 Fo onte: Triptyque/ Fran Parente

O pro ojeto dialoga com c o brutalismo paulista em m sua essência, sendo uma releiturra dos elementtos brutos utiliizados pelos exx-

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GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

poentes deste movimento arquitetônico. Bastante conhecido na mídia por abrigar a Agência Loducca, uma agência de publicidade paulistana, hoje o edifício é um escritório de advocacia. Entretanto este projeto é uma empreitada própria do escritório, justificativa esta para as plantas neutras e salão interno amplo, com o mínimo de divisórias. Mesmo com destaque para o brise

soleil curvo em madeira da fachada, o projeto possui sua relevância nesta pesquisa pelos elementos construtivos e esta mesma flexibilidade de plantas, o qual permite grandes vãos livres.

Figura 56 – Recepção e escadarias Fonte: Triptyque/ Beto Consorte

Construído em concreto usinado maciço, o projeto visa utilizar a essência dos materiais em sua forma pura, restringindo-se a uma ‘paleta’ de concreto aparente, madeira, e vidros (estrutural e temperado), além de pintura preta nos fundos. Sua estrutura demonstra-se bastante rígida, com pilares internos também em concreto aparente, o qual é repetido em todo o seu interior. A leveza do projeto encontra-se no painel de madeira curvado, executado em grandes chapas de cumaru. Cortado por Figura 57 – Fundos do edifício Fonte: Triptyque/ Beto Consorte

_48


GALERIA DE AR RTE PARA A A CIDADE DE MARINGÁ

frresadora CNC13, o brise-sole eil foi modelad do com o grassshop-

p per14, plug-in paramétrico do Rhinoceros qu ue permite cria ar estrruturas complexas a partir de d variáveis e cconstrução de parâm metros a partir de funções ma atemáticas, dissponíveis no so oftware através de blocos pré-prrogramados. C Chamado de w waffle

rribs15, esta estrrutura também m foi calculada para reagir àss méd dias de insolaçã ão e sombream mento do entorno, criado denttro do g grasshopper através do plug--in DIVA16, espe ecífico para cállculos d de insolação e cconforto térmicco. E Em sua estrutu ura principal, o edifício é conformado a parrtir de u um grande para alelepípedo, o qual forma o g grande salão d de pé-

Fig gura 58 – Axonométricca do projeto Fonte: Triptyque

d direito duplo em m seu interior, além de um volume laterall para á áreas molhadass, serviços e elevadores. Sob b o terreno, em m toda 13 3

Fresadora CNC:: Máquina de usin nagem para corte e a partir de prog gramas C CAD/CAM. 14 4 Grasshopper: Pr rograma de mode elagem algorítimicca e paramétrica para o software de modellagem Nurbs Rhin noceros. 15 5 Waffle Ribs: Sem melhante a um waffle w tipicamente americano, é um m parâm metro pré-definido o dentro do grassshopper que perm mite dividir uma superfície curva em ripas no eixo XY. 16 6 DIVA: Plug-in de os. cálculo solar e efficiência energéticca para Rhinocero

Fig gura 59 – Esquema de e pavimentos do edifíciio Fonte: Modelagem pelo autor

_49


GALERIA DE AR RTE PARA A A CIDADE DE MARINGÁ

ssua extensão, cconforma-se o subsolo do ed difício, e sobre ele é

s em se eu Sobre a estrutura, ainda cabe informar que o solarium

m mantido uma grande área verrde. Em sua facchada emblem mática,

p piso drenante em ripad do de cumaru, o quartto pavimento possui

u um volume em concreto (um paralelepípedo subtraído de e suas

que mantém m a esté ética pura da forma pretendida, além de se e-

fa aces laterais) u une o meio interno e externo o, funcionando como

guir o quarto ponto o dos cinco po ontos da arquittetura moderna,

u um portal de lig gação entre os dois meios.

concebido por Le Corbusier: O Terraço Jardim. No caso um árrido terraço jardim, que q permite vissualizar todo o skyline dos jardins e os edifícios da d Avenida Paulista. O ediifício Colombia a 325 possui um ma arquitetura simples e marcante e, e a forma co omo o edifício é compartimen ntado, com plan ntas fllexíveis e forma a icônica são grandes referên ncias no produto final deste trabalho o. Visitado in loco lo , o edifício possui uma esspacia alidade bastantte interessante e, e o detalham mento primorosso do prrojeto arquitetô ônico também serve de referrência dentro da d meto odologia de trab balho da galeriia de arte proposta pelo autorr.

Figura 60 – Detalhe co onstrução do Edifício Fonte: Archdaily.com

_50


A

COLOMBIA 325

B

FICHA TÉCNICA DE CORRELATO

B

DESENHOS TÉCNICOS

A

Seguem para análise os projetos técnicos do Colombia 325, gentilmente cedidos para a análise deste trabalho pelo escritório Triptyque Architecture.

A

mezzanine

B

A

B

B

A

B

A

A

first floor

B

ground floor 0

1

5

10

A

FONTE: Press Kit Loducca, Triptyque Architecture. 2012.

B

N

top floor - solarium 0

1

5

10 N


section aa

FONTE: Press Kit Loducca, Triptyque Architecture. 2012. section bb 0

1

5

10


0.86

0.53

0.91

0.96

1.01

1.05

0.74

0.71

0.68

0.66

0.49

0.45

0.42

0.39

1.09

0.36

1.13

1.17

1.20

1.22

0.61

0.59

0.57

0.54

0.34

0.32

0.30

0.29

1.24

0.29

1.24

1.24

1.22

1.20

0.50

0.50

0.51

0.53

0.29

0.29

0.29

0.30

1.17

0.32

1.14

1.10

1.07

1.03

0.60

0.65

0.70

0.75

0.34

0.37

0.40

0.44

0.99

0.49

0.95

0.92

0.89

0.86

0.87

0.93

0.99

1.04

0.63

0.67

0.53

0.58

0.84

0.72

0.81

0.79

0.77

0.75

1.11

1.13

1.15

1.16

0.75

0.79

0.82

0.84

0.73

0.86

0.71

0.69

0.68

0.66

1.16

1.15

1.14

1.12

0.88

0.89

0.89

0.89

0.64

0.89

0.63

0.62

0.61

0.60

1.09

1.07

1.06

1.05

0.89

0.89

0.88

0.87

0.60

0.86

0.59

0.59

0.59

0.60

1.01

1.00

0.98

0.97

0.85

0.83

0.82

0.81

0.60 0.90

TABLE N°_50

1.26

TABLE N°_35

1.10

TABLE N°_25

0.80

0.51

0.69

PILIER MÉTALIQUE

A

0.77

0.85

0.91

0.96

0.18

0.19

0.21

0.23

0.25

0.27

0.29

0.31

0.33

0.35

0.36

0.37

0.38

0.38

0.38

0.37

0.35

0.33

0.31

0.28

0.26

0.68

0.50

0.95

0.44

0.61

1.02

0.76

0.44

1.03

0.90

0.53

1.03

1.00

0.60

1.02

0.83

0.47

1.00

0.74

0.90

1.06

B1

C

D

E

F

0.24

1.20

0.43

1.26

1.39

1.42

1.45

G

1.46

1.47

1.46

1.45

1.43

H

1.40

1.35

1.30

1.22

1.13

I

1.02

0.91

0.81

0.72

0.64

J

0.57

0.43

0.42

0.41

0.38

0.51

0.47

0.43

0.41 0.71

K1

TABLE N°_15

TABLE N°_05

L

FONTE: Press Kit Loducca, Triptyque Architecture. 2012.

détail pilier métalique x brise de bois


GALERIA DE AR RTE PARA A A CIDADE DE MARINGÁ

4 4.2.3 Decamero on Design

A Lojja de Design Decameron, D sito à Alameda Gabriel G Monteirro

A Alameda Gabriel M Monteiro da Silva, 2136

da Silva, localiza-se e em uma vizin nhança de lojas s importantes de d

P Pinheiros – São Pa aulo/SP

desig gn e decoração o de São Paulo. Com projeto do d Studio MK27,

S Studio MK27 (Marccio Kogan)

de Marcio Kogan, o que definiu a concepção do o programa foi a

http://www.decamerondesign.com.b br/

consttrução com máxima velocida ade e baixíssim mo custo para a regiã ão, sem deixarr de lado a esstética impacta ante necessárria para uma loja de de esign de primeira linha. Com 252 m² de prrojeto, a organização do projjeto foi pensad da dentrro de dois tune eis de contêinerres tirando pro oveito da linearridade de seus espaçços internos (figura 62). A con nstrução é com ma por seis conttêineres – são utilizados qua atro contêinere es posta de 40 0 pés (12m) e quatro q contêine eres de 10 pés s (3m) – um ga alpão de d concreto de estrutura metálica com pé-d direito duplo qu ue confo orma uma sala a de estar para a a loja, além de d um anexo ho o-

Figura 61 – Detalhe ccontainers Fonte: Studio MK27

rizontal aos fundoss com uso adm ministrativo. Co om uma lingua agem industrial, o projeto da Decameron Design fomenta a inte eo descontraída a entre o tran nseunte e a loja, l permitind do ração grand des aberturas e elementos focais f formado os pelos contê êi-

_54


GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

neres, além da interação com a Alameda Gabriel Monteiro da Silva, ponto de encontro de artistas, arquitetos e decoradores desde a década de 70, quando as primeiras galerias de arte chegaram à região. Sobre a escolha de contêineres neste projeto, KOGAN reflete: "Os contêineres me permitiram aproveitar um objeto pré-fabricado reciclável para uma construção simples, rápida, limpa e barata. Esses objetos seriam descartados caso não tivessem esse novo fim. Um desperdício, pois é uma estrutura potente, com visual low tech e um espaço interno linear de proporções interessantíssimas. Sem contar, é claro, que demoraria séculos para serem biodegradados”

Figura 62 – Detalhe containers Fonte: Studio MK27

Os containers utilizados no projeto são provenientes do porto de Santos – pela abundância nos pátios de importação – e receberam os primeiros ajustes por técnicos especializados em modificação de containers especificamente para arquitetura

O conceito de Low Tech, empregado neste projeto, é uma con-

ainda no porto.

trapartida ao movimento High tech dos anos 70, com o uso de 17

materiais de baixa energia e custos reduzidos, além do uso de

Fazendo o trajeto de Santos a São Paulo através de caminhões,

materiais recicláveis e com disponibilidade abundante.

foram empilhados por içamento e soldados no canteiro de obras, interligando-se para conformar os corredores inferiores e superiores, formando grandes túneis, com as portas originais

17

High Tech é uma estetização da dimensão tecnológica da arquitetura. Os arquite-

tos que aderiram a essa corrente conseguem gerar as aparências de suas obras a partir dos elementos de elementos estruturais e técnicos das edificações

das peças mantidos em cada extremidade. Internamente, fora afixado um painel cromado com vidro temperado para formar

_55


GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

os fechamentos inferior e superior, que podem ora ser totalmente abertos ou fechados. Em visita in loco, foi observado o revestimento em MDF branco na estrutura interna do container (Figuras 65 e 66). Ao contrário da proposta de projeto, a estrutura em container acaba por re-

Figura 63 – Detalhes dos conteineres Fonte: Studio MK27

ter bastante calor, sendo necessário o uso intenso do sistema de ar condicionado mesmo em dias mais frios. Como já foi observada anteriormente, a estrutura de containers possui uma inércia térmica pequena, absorvendo muito calor, mesmo com a ventilação promovida por grandes aberturas. Durante a visita, foi observada a junção dos containers, promovido por um perfil metálico provavelmente de perfil I, e isolamento técnico interno em lã de vidro (Figura 65). Problemas de infiltração no momento da visita evidenciaram a estrutura interna, além da fixação da estrutura elétrica com espuma expansiva de fixação, a qual permite rápida execução. Cabeamento elétrico segue o mesmo parâmetro do resto da edificação, Figura 64 – Desenhos técnicos Decameron Design Fonte: Revista AU 207, Abril 2011.

_56


GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

com calhas metálicas. Foi relatado um problema de conforto térmico na estrutura de container, a qual possui um aquecimento inclusive em dias frios, e cabe um cuidado com o isolamento térmico em projetos do gênero. O grande trunfo do projeto é o impacto visual, bastante causado pela linearidade dos contêineres em contraposição com o galpão em concreto. A amplitude do edifício e a integração com o jardim central forma um contraste com as cores vivas dos corredores expositivos, convidando os passantes a descobrirem os espaços expositivos do container, focados especificamente na grife holandesa de mobiliário Droog, além de exposições temporárias de fotografia no segundo pavimento. A Decameron Design é um dos melhores exemplos de arquitetura em container na cidade de São Paulo, entretanto sua utilização limita-se ao aspecto estético e econômico da estrutura, mas ainda assim válido como estudo de caso para a construção do partido arquitetônico para o projeto.

Figura 65 – Ligações e detalhe isolamento Fonte: Acervo do Autor

Figura 66 – Detalhe isolamento Fonte: Acervo do Autor

_57


GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

5 CONDICIONANTES

equipamento comercial concentrador de pessoas, no caso o Shopping Maringá Park. A proximidade com um eixo de comércio e serviços concentrador como a Avenida São Paulo também

Como o título deste trabalho sugere, é proposto no anteprojeto produto desta pesquisa, a implantação de uma galeria de arte na cidade de Maringá. Em um primeiro momento, este projeto seria proposto dentro da Zona Armazém, por sua potencialidade de crescimento e expansão dentro da urbe. Entretanto, para uma implantação imediata do mesmo, decidimos implantá-lo em uma área já consolidada da cidade, ao contrário da proposição anterior de implantação em área não consolidada como a Zona Armazém. A partir da pesquisa e correlatos, pode-se per-

foi um fator determinante para a escolha. Dentro desta pesquisa e para estas análises, foi considerada, por sua vez, a proximidade com espaços públicos, fluxo de usuários, zonas de convergência e também o uso de Outorga Onerosa, instrumento da lei aprovado pela LC 941/2011 na Zona Central de Comércio de Maringá. Este instrumento acaba, no resultado final do partido arquitetônico, a ser uma condicionante determinante na metragem quadrada e possibilidade de contemplar todo o programa de necessidades do equipamento cultural proposto.

ceber a natural necessidade de implantação de um projeto de alto valor imobiliário em uma área já cristalizada e abundante

A seguir são apresentadas análises das condicionantes que le-

em concentradores e serviços urbanos. Além disso, por um de-

varam à escolha do terreno implantado, e também normas le-

sejo arquitetônico, escolheu-se um lote já construído, dentro da

gislativas vigentes e o uso do instrumento da outorga onerosa

Zona Central de Maringá (ZCC), por sua facilidade de locomo-

neste projeto.

ção, abundância de serviços e proximidade com área residencial de grande valor imobiliário e também a proximidade com um

_58


GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

5.1 TERRENO E ENTORNO

torga Onerosa, o que permitiu o uso de terceiro embasamento neste projeto e metragem quadrada de 1300m².

Implantado dentro da malha urbana do município de Maringá, o

A localização privilegiada do terreno escolhido permite conexão

terreno a ser escolhido deveria dialogar diretamente com a ci-

com os setores comerciais da cidade, bem como a relação com

dade e ser de fácil acessibilidade de pedestres. Dentro deste

um equipamento paisagístico da cidade, o Parque do Ingá, além

parâmetro, foi escolhido um terreno dentro da Zona de Comér-

de fácil acesso. Dentro desta escolha, são analisados o entorno

cio Central deste município, por sua necessidade de proximida-

imediato ao terreno, bem como legislação específica para o lote

de com concentradores de pessoas. A escolha de um terreno já

nos esquemas a seguir apresentados.

edificado deve-se ao potencial de sua forma e localização, garantindo destaque do edifício, visuais internas para o projeto e ligação com seu entorno. Também permite fácil visualização do interior do edifício para os transeuntes, instigando o conheci-

O projeto desenvolve-se como o resultado da análise deste entorno, dialogando com a cidade e permitindo visuais internas para o parque e para toda a cidade.

mento pela arte e apropriação de espaços urbanos ociosos, no

As análises se aplicam na escala da cidade, do bairro, entorno

caso a praça anexa ao edifício. A necessidade de uma praça

imediato e lote escolhido pelo projeto. Desta forma é possível

anexa se dá desde as primeiras ideias do projeto, unindo um

entender seus fluxos principais, insolação e impacto na cidade.

espaço urbano para exposição de esculturas artísticas e uso intensivo da mesma. Escolhido os lotes 01 e 01A da Quadra fis-

Estas análises são apresentadas a seguir na forma de mapas e esquemas desenvolvidos pelo autor.

cal 044 dentro da ZCC, pôde-se utilizar do instrumento de Ou-

_59


GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

AVENIDA SÃO PAULO

SHOPPING MARINGÁ PARK

TERRENO ESCOLHIDO

RUA NÉO ALVES MARTINS

SUPERMERCADO MERCADORAMA

TERRENO ESCOLHIDO NA GU LA IDA N E AV

AVENIDA XV DE NOVEMBRO

PRAÇA DA CATEDRAL

PARQUE DO INGÁ

PARQUE DO INGÁ

1 O ENTORNO E LOTE ESCOLHIDO

2 ENTORNO IMEDIATO

ANÁLISE MORFOLÓGICA Foram escolhidos dois lotes para abrigar o projeto da galeria de arte. Os mapas acima demonstram o entorno e forma de ocupação lindeira aos lotes. Com a união dos lotes 001 e 001A, da Quadra fiscal 044, o endereçamento para o lote se mantém como Avenida Laguna, numeração 22, que se configura como fachada principal. Possui fundos para a Rua Néo Alves Martins.

TERRENO ESCOLHIDO

3 ISOMÉTRICA DO ENTORNO

60


GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

USO E OCUPAÇÃO DO SOLO

OUTORGA ONEROSA PERMISSIVEL NA ZCC PARA COMPRA DE

LOTE ESCOLHIDO

TERCEIRO EMBASAMENTO

FONTE: PMM/2011 LC 914/2011 - LEI DE USO E OCUPAÇÃO DO SOLO

TERCEIRO EMBASAMENTO MÁX 10,00m FONTE: PMM/2011 LC 888/2011 - LEI DE USO E OCUPAÇÃO DO SOLO

REQUISIÇÕES QUANTO AO USO DO SOLO ANEXO I - LC 888/2011 ZONA ZCC

USO PERMITIDO

USO PERMISSÍVEL

USO RESIDENCIAL UNIFAMILIAR, BIFAMILIAR E MULTIFAMILIAR. ATIVIDADES AUTORIZADAS PELA LC 951/2013 REGULAMENTADA ATRAVÉS DO DECRETO Nº 1880/2013

ESTATÍSTICAS DE USO E OCUPAÇÃO

USO PROIBIDO

-

-

TERRENO ESCOLHIDO

PARAMETROS DA OCUPAÇÃO DO SOLO ANEXO II

ZONAS

ZCC

DIMENS. MÍNIMA DE LOTES MEIO DE QUADRA / ESQUINA TESTADA (m) / ÁREA (m²)

13 / 520 15 / 600

AFASTAMENTO MÍNIMO DAS DIVISAS (m) ALTURA MÁXIMA DE EDIFIC.

COEFIC MÁXIMO DE APROV.

(m)

(un.)

(%)

4,5 C/ OUT. 6,0

TÉRR. E 2º PAV. 90 TORRE 50

COTA 610, C/ OUT. COTA 650

TAXA MÁXIMA DE OCUPAÇÃO DO LOTE (1)

LATERAIS FRONTAL R=RES C=COM.

R=5 C=DISP. 5

713,5m2

COEFICIENTE DE APROV. MÁX

4,5 = 3210,75m2

TAXA DE OCUPAÇÃO MÁX

térreo 90 = 642,15m2 torre 50 = 356,75m2

FUNDOS

ATÉ 02 PAV. S/ ABERT C/ ABERT.

ATÉ 08 PAV

ATÉ 15 PAV

ATÉ 20 PAV

+ 20 PAV

ATÉ 02 PAV. S/ ABERT. C/ ABERT.

+ 2 PAV.

SEM=DISP COM=1,5.

2,5

3

4

5

SEM=DISP COM=1,5.

5

TERRENO ESCOLHIDO

a partir do 4o. pavto c/OUTORGA

61


GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

PRAÇA ANEXA

RUA NÉO ALVES MARTINS +0,60

41,15m

ÁRVORE

ÁRVORE

ÁRVORE

+0,20

8,00m

28,60m

O terreno escolhido possui dimensões de 713,5m2, sendo dois lotes desmembrados anteriormente que estão sendo remembrados para este projeto. Os dois lotes estão ocupados atualmente, entretanto suas arquiteturas serão desconsideradas neste projeto. Para um uso institucional, foi necessário o remebramento para que o terreno pudesse implantar o projeto proposto. Um desejo do projeto também é utilizar a praça anexa, a qual hoje não possui apropriação urbana das pessoas que transitam diariamente pelo Parque do Ingá. No projeto proposto, prioriza-se a criação de um volume aberto, voltado para a cidade e sem cercas de fechamento no lote, sendo possível o livre trânsito através do mesmo.

+0,30

ÁREA LOTES 001 E 001A

713,5m2

PRAÇA

+0,10

05m 42, a had fac -0,20

A UN G A AL NID E V A

LOTE ESCOLHIDO

FONTE: GOOGLE EARTH/2013 DIGITAL GLOBE IMAGEM DE SATÉLITE DO TERRENO E ENTORNO

O TERRENO ESCOLHIDO

62


TERRENO + ENTORNO

GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

VISTA DA AVENIDA LAGUNA fachada principal

visuais para o entorno

VISTA DA RUA NÉO ALVES

fachada lateral + praça anexa

visuais

PRAÇA ANEXA AO LOTE Praça anexa ao lote, ao qual sofrerá intervenção no projeto. Atualmente apenas utilizado paisagismo de baixa altura.

visuais

63


GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

7. ESCRITÓRIO DE ARTE: Para trabalho administrativo e criação de materi-

que o galerista exerça, com aquisição de obras ou consignação

ais dos artistas em exposição, além de servir como assessoria de imprensa

diretamente com os artistas. Portanto, é necessário ter em

e manutenção de mídias digitais, criação de releases e editorial. 8. SALAS DE EXPOSIÇÃO EM VÍDEO: Para exposição específica em vídeo e

mente tais particularidades para dimensionar a reserva técnica, bem como as salas de exposição.

exposições multimídia, espaço flexível que também pode ser utilizado como salão alternativo. 9. SALA DE REUNIÕES: Para reunião com clientes e artistas, além de espaço de reunião para pessoal interno da galeria. Pode ser utilizado também para entrevistas. 10. SOLARIUM: Através dos correlatos, foi possível perceber a importância do solarium em vernissages e eventos, sendo um espaço de convívio e au-

A partir deste esboço, é possível criar o conteúdo programático da galeria de arte, levando em consideração o cálculo de áreas e da legislação vigente neste trabalho. Com o conhecimento dos correlatos, a localização da galeria de arte na cidade deve estar preferivelmente em Avenida de grande circulação, e próximo a áreas residenciais de alto padrão. A

mentando a área da galeria nos eventos de lançamento de exposições, além de também poder ser utilizado como área para exposição de esculturas.

proximidade com o público alvo facilita a circulação de mercadorias dentro da galeria, entretanto acolher todas as classes

Também é preferível ter espaço para estacionamento próprio, não sendo um requisito básico para a galeria de arte.

sociais e culturas em geral destaca o empreendimento com tal diferencial.

Sobre as exposições, cada exposição de artista fica em cartaz de 3 a 4 semanas no salão principal. Salas alternativas podem ter agenda diferente ou acervo fixo, dependendo do trabalho

_65


GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

5.3 DIRETRIZES PROJETUAIS A partir dos requisitos básicos para uma galeria de arte, é possível traçar o programa de necessidades e fluxograma do projeto proposto a seguir. Dentro das diretrizes projetuais, está o programa de necessidades da galeria, definido através das análises dos correlatos anteriormente apresentados e suas respectivas áreas em projeto. Através da definição de áreas, foi possível utilizar um gráfico de porcentagens de área sobreposto, o qual foi reestruturado para a organização bidimensional do programa da galeria. Dentro deste programa, foi possível perceber a necessidade do uso da outorga onerosa para um terceiro pavimento, como citado no capítulo anterior. A partir da reorganização das áreas que cada compartimento do projeto ocupa em sua área total, foi possível construir um fluxograma básico, o qual é demonstrado com o arranjo final do projeto da galeria. Existe também o desafio de usar, juntamente com a

estrutura, containers de 40 pés, os quais através da área foi possível designar sua função neste projeto. A seguir são demonstrados, através de esquemas conceituais, o método organizacional utilizado para o anteprojeto. Para a construção do gráfico de áreas, simplesmente foi utilizado em gráfico linear a quantidade de área utilizada por cada setor do projeto. Também foi possível estimar uma área aproximada da área final do projeto, a qual no fim deste trabalho final de graduação, é possível perceber que está muito próximo do resultado final. A metodologia de esquema para definição de programa ajudou muito a visualizar a configuração final do projeto durante os estudos volumétricos, bem como definir um núcleo para circulação vertical, já utilizado no correlato do escritório Triptyque, o edifício Colombia 325. Além de útil para o estudo, também foi uma experimentação observada em outros projetos internacionais como método projetual, o qual serviu de base para os cortes e plantas da galeria de arte aqui proposta.

_66


GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

ESPAÇO EXPOSITIVO

GALERIA PARA ARTISTA PRINCIPAL GALERIA EXPOSIÇÃO SECUNDÁRIA EXPOSIÇÃO EM VIDEO NOVOS ARTISTAS (ESPAÇO MISTO GALERIA) BANHEIROS

ADMINISTRAÇÃO

PARÂMETROS

PROGRAMA DE NECESSIDADES E ÁREAS TERRENO ESCOLHIDO COEFICIENTE DE APROV. MÁX

713,5m2

4,5 = 3210,75m2

OUTORGA ONEROSA PERMISSIVEL NA ZCC PARA COMPRA DE

TERCEIRO EMBASAMENTO

SALA DE DIREÇÃO ESCRITÓRIO DE ARTE BANHEIRO FUNCIONÁRIOS

470m2 200m2 120m2 30m2 80m2 40m2

40m2 80m2 30m2

60m2

OPERAÇÃO

200m2

SOLARIUM

180m2

ESTACIONAMENTO

450m2

NÚCLEO CIRCULAÇÃO VERTICAL 5 PAVIMENTOS

150m2

TOTAL DO PROJETO

1660m2

ÁREA EXTERNA COPA DE APOIO BANHEIROS

12 VAGAS + CIRCULAÇÃO

estacionamento

150m2

RECEPÇÃO RESERVA TÉCNICA ÁREAS TÉCNICAS DOCA (CARGA E DESCARGA)

circulação

solarium operação recepção administração espaço expositivo

80m2 80m2 40m2

120m2 30m2 30m2

PROJETO MÍNIMO 1600m2

300m2

67


GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

FLUXOGRAMA solarium

estacionamento

administração

solarium operação recepção

operação

circulação

circulação

espaço expositivo

LINHA DE SOLO

administração

espaço expositivo

ÁREAS DO PROJETO

LINHA DE SOLO

recepção

ESTACIONAMENTO

estacionamento

REORGANIZAÇÃO E FLUXOGRAMA DO PROJETO

RESULTADO DO FLUXOGRAMA EM PROJETO

68


GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

FLUXOGRAMA EXPANDIDO

administração

operação

circulação

solarium

espaço expositivo

recepção LINHA DE SOLO

estacionamento

69


GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

6 O PROJETO

6.2 PARTIDO ARQUITETÔNICO VOLUME

6.1 CONCEITO

O partido arquitetônico do projeto inicia-se com a escolha do terreno. A partir da inserção de um paralelepípedo programá-

O conceito do projeto parte de sua implantação e relação com o entorno. O desejo arquitetônico inserido neste projeto é a criação de um concentrador de artes para a cidade de Maringá, um espaço flexível e o qual permite uma visual interessante para o projeto. Partindo de um paralelepípedo, a forma do projeto age como uma reação ao seu entorno, permitindo diferentes perspectivas para os transeuntes. Os materiais escolhidos no projeto são um contraponto com a mancha verde do parque, uma paisagem artificial, relacionando-se com o entorno através do painel vegetal. Rochas artificiais trazem insolação para o subsolo, e um generoso solarium permite a vista de todo o entorno.

tico no lote, decidiu-se expandir este paralelepípedo para um terceiro pavimento, agregado a um solarium no topo do edifício. Este paralelepípedo programático foi elevado sessenta centímetros do solo, permitindo que o volume possa ter uma soltura do solo, e também permitir ventilação no subsolo, utilizado para estacionamento e reserva técnica. Modificando o paralelepípedo, criou-se uma superfície poligonal, triangulada, na lateral do edifício de encontro com a praça existente no local, criando interesse e tensão neste ponto. Um container de 40 pés é inserido nesta face, focado para a perspectiva criada para o entorno do parque em sua frente.

_70


GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

POLIGONAIS

MÉTODO CONSTRUTIVO

A partir da criação do volume básico, é feito experimentações

O método construtivo para esta galeria de arte une estrutura

formais no solo, criando troncos de pirâmide elevados do solo,

metálica em aço e concreto aparente. O projeto possui subsolo

permitindo insolação natural no subsolo, e através de respiros

em concreto, e o volume do edifício envolve o uso de modulação

sob o volume, ventilação natural. O tronco de pirâmide se refle-

metálica para pilares internos e sustentação de lajes, e uma

te também no topo do edifício, criando uma tomada de luz natu-

moldura de 40cm em concreto, definindo os materiais básicos

ral para seu interior. Sua fachada em chapas de bronze vazada

dentro deste. Internamente, possui fechamento em contra pa-

controla a quantidade de iluminação natural para dentro do edi-

rede em gesso nas áreas expositivas e alvenaria na fachada

fício, e também criam contraste com os elementos utilizados no

para rua Néo Alves Martins. Sua cobertura é impermeabilizada,

projeto, como o concreto aparente e chapa em aço preto. A re-

com piso drenante no solarium e cascalho sobre áreas não

lação com o entorno é criada a partir de um painel verde o qual

transitáveis. O fechamento do volume do edifício é feito com

demarca o edifício, refletido pelo bronze. Este volume facetado

esquadrias de vidro temperado, e fachada vazada em bronze e

reflete as mais variadas possibilidades de expressão em arte, e

aço sobreposta para controle solar. São utilizados na fachada

demarca um ponto focal na cidade que prioriza a arte e acima

dois containers de 40 pés, os quais conformam os espaços de

de tudo, as expressões humanas.

exposição em vídeo e vitrine expositiva. Para fixação dos painéis em bronze, é criado uma estrutura em tubos de aço, que sustentam também os containers na fachada do edifício.

_71


DIAGRAMA DE PARTIDO ARQUITETÔNICO

1 LOTE ESCOLHIDO

4 ‘DOBRAR’ A FACE DO VOLUME

2 CRIAÇÃO DE SUBSOLO

5 ‘ADIÇÃO DE ELEMENTOS E CONTAINERS

GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

3 CRIAÇÃO DO VOLUME E RECORTE DO TERRENO

6 ADIÇÃO DE CLARABÓIAS

72


GALERIA DE AR RTE PARA A A CIDADE DE MARINGÁ

A ANTE EPROJETO O O capítulo 7 desste trabalho fin nal de graduaçã ão segue como o vvolume 2 do me esmo, contendo o pranchas téccnicas do projetto da g galeria de arte, perspectivas 3d 3 e memorial descritivo.

_7 73


IMAGENS DO PROJETO

01

06

SHOPPING MARINGÁ PARK

PRAÇA ANEXA

AVENIDA LAGUNA

1 FACHADAS + ENTORNO

VISUAL A PARTIR DA AVENIDA LAGUNA, SENTIDO AVENIDA PEDRO TAQUES.

PROPOSTA DE GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ


IMAGENS DO PROJETO

02

06

PARQUE DO INGÁ

AVENIDA LAGUNA

2 FACHADA PRINCIPAL

ACESSO PRINCIPAL E ACESSO DE VEÍCULOS

PROPOSTA DE GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ


03

IMAGENS DO PROJETO

06

SUPERMERCADO MERCADORAMA

PRAÇA DE EXPOSIÇÃO

PRAÇA ANEXA

AVENIDA LAGUNA

3 IMPLANTAÇÃO 3D

VISTA AÉREA IMPLANTAÇÃO GERAL DO PROJETO + PRAÇA DE EXPOSIÇÃO

PROPOSTA DE GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ


IMAGENS DO PROJETO

4 VISTA NOTURNA

SIMULAÇÃO DE ILUMINAÇÃO ARTIFICIAL E FACHADA VAZADA + PRAÇA ILUMINADA

04

06

PROPOSTA DE GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ


05

IMAGENS DO PROJETO

06

FECHAMENTO DA FACHADA EM VIDRO PELE DE CONTROLE SOLAR PLACAS METÁLICAS EM BRONZE PERFURADAS

CONTAINERS 40”

ESTRUTURA TUBULAR APOIO DE CONTAINERS E PLACAS EM BRONZE

5 VISTA EXPLODIDA

PELE METÁLICA E ESTRUTURA DA FACHADA EM BRONZE

PROPOSTA DE GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ


06

IMAGENS DO PROJETO

06

5 1

2

1 PELE SOLAR EM BRONZE 2 ESTRUTURA PORTANTE DA FACHADA

3

3 FECHAMENTO EM VIDRO 4 ESTRUTURA PRINCIPAL DO EDIFÍCIO EM METÁLICA 5 MOLDURA EM CONCRETO

4

6 VISTA EXPLODIDA

ESQUEMA DE CAMADAS DE FECHAMENTO E ESTRUTURA METÁLICA

PROPOSTA DE GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ


PRAÇA ANEXA COM ESCULTURA

SHOPPING

SUPERMERCADO MERCADORAMA/WALMART

ACESSO PRINCIPAL

AG

AL NID

A

UN

AVE ACESSO

VER FOLHA 02

ESTACIONAMENTO

N

1

ESCALA 1/500

AVENIDA XV DE NOVEMBRO

PROPOSTA DE GALERIA DE ARTE

TFG 2013/DAU/UEM BRUNO GUILHERMO NUNES ORIENTADOR

ROBERTO ESTEVAM COORDENADORIA DE TFG

PROJETO

HUB GALERIA - GALERIA DE ARTE ASSUNTO

SITUAÇÃO ESQUEMÁTICA E ENTORNO ESCALA INDICADA

DATA 30/11/2013

R01

BANCA FINAL

08


AVENIDA LAGUNA

ACESSO DOCA

+0,60 +0,20 +0,30

+0,10

RA MP D= A i=2 13 ,00 0% m

S

S

0,00

ACESSO PRINCIPAL

AVENIDA LAGUNA CENTRO

-0,20

ACESSO

PROPOSTA DE GALERIA DE ARTE AVENIDA LAGUNA

TFG 2013/DAU/UEM

ZONA 03

BRUNO GUILHERMO NUNES ORIENTADOR

ROBERTO ESTEVAM COORDENADORIA DE TFG

PROJETO

HUB GALERIA - GALERIA DE ARTE N

2

ESCALA 1/200

ASSUNTO

IMPLANTAÇÃO E ENTORNO IMEDIATO ESCALA INDICADA

DATA 30/11/2013

R01

BANCA FINAL

08


2

A

1

3

4

TOMADA AR DUTO VENT.

12.74

7

5

8

4

9

4.95

P. CONCRETO RESINADO

-2,80

8.42

2.55

4.97

P. CONCRETO RESINADO

S

ESCADA ENCLAUS.

ELEVADOR

B

6

P. CIMENTADO

1.15

MONTA CARGAS

2.60

2.25 5.54

DUTO VENT.

RESERVA ESCULTURAS

15.50

4.70

B

1.76

4.79

3 2 5.65

ESTACIONAMENTO SUBSOLO P. CONCRETO RESINADO

-2,80

1 5.95

12

4.0

0

DE MANOBRA

74 23.

A

AN

RA

P.

MP D= A i=2 13 ,00 0% RA m MP

10 0 3.8

Ai =2 0% TID ER D= RA 13, PA 00m NT E

11

PROPOSTA DE GALERIA DE ARTE N

1

ESCALA 1/100

TFG 2013/DAU/UEM

-0,20

BRUNO GUILHERMO NUNES ORIENTADOR

ROBERTO ESTEVAM COORDENADORIA DE TFG

PROJETO

HUB GALERIA - GALERIA DE ARTE ASSUNTO

PLANTAS PLANTA SUBSOLO ESCALA INDICADA

DATA 30/11/2013

R01

BANCA FINAL

08


2

3

4

A

1

ACESSO DOCA

LIMITE DO LOTE 3.05

1.78 BWC FNC.

1.78

BWC VIS.

COPA

P. PORCELANATO RETIF.

P. PORCELANATO RETIF.

10.52

P. PORCELANATO RETIF.

+0,10

2.75

PLATAFORMA

1.40

3.33 DML.

1.40

7.05

P. CONCRETO RESINADO

1.00

10.72

CIRC SERV.

ESCULTURA JEFF KOONS Balloon Dog

P. CONCRETO RESINADO

6.93

ANEXA

5.54

DUTO VENT.

1.30

GRAMA ESMERALDA

+1,00

DESCARGA DE OBRAS

DOCA

ESCADA ENCLAUS.

GALERIA DE

S

B

ELEVADOR

2.55

2.15

SUBSOLO

MONTA CARGAS

B

P. CONCRETO RESINADO

5.63

P. CONCRETO RESINADO P. ELEVADO REVESTIDO COM

ACESSO DOCA 1.46

PLACAS DE CONCRETO

CIRC. 4.67

ESTAR

PROJ

+1,00

2.57

P. CONCRETO RESINADO

CONT

AINE

R

4.68

P. CONCRETO RESINADO

TELEIROS PARA DESCARGA

2.42

P. CONCRETO RESINADO

P. CONCRETO RESINADO

P. CONCRETO RESINADO

PORTA DE ACESSO 2.65 1.43

7.99 2.42

6.05

.98

8.36 VITRINE EXPO.

4.08

4.02

SUBSOLO

RESERVA

+1,00

PLATAF. PNE

ACESSO PRINCIPAL ABA DE ACESSO AO SUBSOLO

A

A SU CESS BS O OL O

+0,00

GRAMA ESMERALDA GRAMA ESMERALDA

PROPOSTA DE GALERIA DE ARTE N

2

TFG 2013/DAU/UEM

ESCALA 1/200

BRUNO GUILHERMO NUNES ORIENTADOR

ESCALA GRÁFICA

ROBERTO ESTEVAM COORDENADORIA DE TFG

0

1

2.5

5

10m PROJETO

HUB GALERIA - GALERIA DE ARTE ASSUNTO

PLANTAS PLANTA TÉRREO ESCALA INDICADA

DATA 30/11/2013

R01

BANCA FINAL

08


A 1.40

VAZIO P/

2.55

2.57

BWC VIS.

BWC PNE.

P. PORCELANATO RETIF.

CIRC.

3.50

2.31 DML. P. PORCELANATO RETIF.

P. PORCELANATO RETIF.

P. PORCELANATO RETIF.

CIRC.

1.00

P. CONCRETO RESINADO

11.24 1.39

2.35

1.40

1.78

1.50

5.40

1.40

A

P. PORCELANATO RETIF.

DUTO VENT.

1.30 MONTA CARGAS

B

GALERIA DE

S

ESCADA ENCLAUS.

ELEVADOR

2.85

3.05

2.15

2.50

P. ELEVADO REVESTIDO COM

10.69

8.37

NOVOS ARTISTAS

10.87

P. CONCRETO RESINADO

PLACAS DE CONCRETO

B

CIRC. P. ELEVADO REVESTIDO COM

+5,00

PLACAS DE CONCRETO

P. ELEVADO REVESTIDO COM PLACAS DE CONCRETO

S

10.83

2.01

3.93

B 6.21

C

4.60 8.38 2.19

EXPO. VIDEO P. EM COMPENSADO NAVAL REVESTIDO COM PLACAS DE CONCRETO

11.76

3

A

N

PLANTA 1o PAVIMENTO - NIVEL +5,00 ESCALA 1/100

2

3

4 A

1

1.53

BWC VIS.

DML.

BWC PNE.

P. CONCRETO RESINADO

P. PORCELANATO RETIF.

P. PORCELANATO RETIF.

P. PORCELANATO RETIF.

1.00

P. PORCELANATO RETIF.

BWC PNE.

3.36

PORTA ORIGINAL CONTAINER

CIRC. 2.03

BWC VIS.

P. PORCELANATO RETIF.

1.78 1.40

1.40

10.81

1.88

ARQUIVO

2.35

2.35

1.40

1.78

5.40

2.55

A

P. CONCRETO RESINADO

5.54

DUTO VENT.

1.30

PASSARELA E MIRANTE

11.46

CIRC.

B

2.17

P. CONCRETO RESINADO

CIRC.

2.85

2.55

2.15 ELEVADOR

P. CONCRETO RESINADO

P. PORCELANATO RETIF. P. PORCELANATO RETIF.

+8,00

TFG 2013/DAU/UEM S

4.15

MEZANINO GALERIA 2 P. EM PLACAS DE CONCRETO

+8,00

DE ARTE

BRUNO GUILHERMO NUNES ORIENTADOR

3.06

3.85

3.54

B P. CONCRETO RESINADO

ROBERTO ESTEVAM COORDENADORIA DE TFG

P. CONCRETO RESINADO

1.50

7.94

VITRINE EXPOSITIVA

PROJETO

8.36 1.67

C

PROPOSTA DE GALERIA DE ARTE

1.46

B

DIRETORIA

ESCADA ENCLAUS.

S

4.73

P. EM PLACAS DE CONCRETO

MONTA CARGAS

P. EM COMPENSADO NAVAL REVESTIDO COM PLACAS DE

HUB GALERIA - GALERIA DE ARTE ASSUNTO

CONCRETO

11.76

4

PLANTA 2o PAVIMENTO - NIVEL +8,00 ESCALA 1/100

A

N

PLANTAS PLANTA PRIMEIRO E SEGUNDO PAVTOS ESCALA INDICADA

DATA 30/11/2013

R01

BANCA FINAL

08


A 1.43

8.45

2.10

DUTO VENT.

MONTA CARGAS

ESCADA ENCLAUS.

SOLARIUM

6.22

COPA + ACESSO SOLARIUM

SUBSOLO

B

10.17

CONDENSADORAS AR CONDICIONADO MULTISPLIT

LAJE IMPERM. i=1%

P. CONCRETO RESINADO

5.24

B

S

ELEVADOR

P. DRENANTE EM CUMARU

2.49

+9,95

P. CONCRETO RESINADO

+10,00

3.3 5 18.75

PLANTA SOLARIUM - NIVEL +10,00 ESCALA 1/100

A

5

A

N

LAJE IMPERM. i=1%

B

LAJE IMPERM. i=1%

CONDENSADORAS AR CONDICIONADO MULTISPLIT

SOLARIUM LAJE IMPERM. i=1% CAIXA D'AGUA INOX CAP. 5.OOOL

SUBSOLO

B

PROPOSTA DE GALERIA DE ARTE

P. DRENANTE EM CUMARU

CAIXA D'AGUA INOX CAP. 5.OOOL

TFG 2013/DAU/UEM BRUNO GUILHERMO NUNES ORIENTADOR

ROBERTO ESTEVAM COORDENADORIA DE TFG

PROJETO

HUB GALERIA - GALERIA DE ARTE i=1%

N

6

PLANTA COBERTURA - NIVEL +14,50 ESCALA 1/100

ASSUNTO

PLANTAS PLANTA TERCEIRO PAVTO E COBERTURA A

i=1%

ESCALA INDICADA

DATA 30/11/2013

R01

BANCA FINAL

08


LIMITE DO LOTE

CONDENSADORA AR CONDICIONADO TIPO MULTISPLIT

CAPAC. 5.000L

+14,50

+14,50

GUARDA-CORPO EM VIDRO TEMPERADO h=1,10m

+13,40

FECHAMENTO EM VIDRO TEMPERADO 15MM +10,30 +10,00

CONTAINER 40" COM PINTURA PRETA, FECHAMENTO EM VIDRO TEMPERADO 10mm

+9,40

CONTAINER 40" REVESTIDO COM PLACA

CONTAINER 40" PINTURA PRETA, FECHAMENTO EM VIDRO TEMPERADO 10MM +7,80

ESTRUTURA EM PERFIL TUBULAR / CHAPA EM BRONZE VAZADA

ESTAR COM TOTEM EM VIDRO TEMPERADO 20MM

PAREDE POLIGONAL EM

+6,00

FECHAMENTO EM CHAPA *jeff koons - balloon dog PRETA VISUAL EM LETRA-CAIXA ACRILICO LEITOSO, C/ BACKLIGHT

MOLDURA EM CONCRETO USINADO APARENTE

MARQUISE ENTRADA DE

ELEVADO C/ GRAMA

PLATAFORMA

APARENTE +1,00

1

3

4

FACHADA PRINCIPAL - AV. LAGUNA

+14,50

E CX ELEVADORES

+13,40

GUARDA-CORPO EM VIDRO TEMPERADO h=1,10m 4.50

CAPAC. 5.000L

LIMITE DO LOTE

ESCALA 1/200

LIMITE DO LOTE

1

2

CONTAINER 40" COM PINTURA PRETA, FECHAMENTO EM VIDRO TEMPERADO 10mm +10,00

ESTRUTURA EM PERFIL TUBULAR / CHAPA EM BRONZE VAZADA

CONTAINER 40" REVESTIDO COM PLACA

+7,80

OUTORGA ONEROSA 10.00m

EMPENA EM CONCRETO PAREDE POLIGONAL EM

MOLDURA EM CONCRETO USINADO APARENTE PLATAFORMA

VISUAL EM LETRA-CAIXA ACRILICO LEITOSO, C/ BACKLIGHT

GUARDA CORPO EM VIDRO TEMPERADO 20MM INCOLOR

CONCRETO APARENTE COM FECHAMENTO SUPERIOR EM VIDRO TEMPERADO 20MM

1.00

+1,00

2

*jeff koons - balloon dog

SOLTURA ,60m DO SOLO (DE ACORDO COM COTAS DO TERRENO)

ESCALA 1/200

PROPOSTA DE GALERIA DE ARTE

+14,50

TFG 2013/DAU/UEM

+13,40

BRUNO GUILHERMO NUNES ORIENTADOR +10,30

ROBERTO ESTEVAM COORDENADORIA DE TFG

PROJETO

HUB GALERIA - GALERIA DE ARTE +6,00

ASSUNTO

FACHADAS +1,90

3

FACHADA PRINCIPAL, FACHADA LATERAL E FUNDOS ESCALA INDICADA

DATA 30/11/2013

R01

BANCA FINAL

ESCALA 1/200

08


A

B

2.60

.20 2.49

2.86

VITRINE EXPOSITIVA

PROPOSTA DE GALERIA DE ARTE

+5,00

TFG 2013/DAU/UEM 3.51

ORIENTADOR +1,00

.40

GALERIA NOVOS ARTISTAS

ROBERTO ESTEVAM

-3,80

1

CORTE AA - GALERIAS

ESTACIONAMENTO SUBSOLO

COORDENADORIA DE TFG +0,50

PROJETO

3.40

2.60

2.27

.80

.80

+0,00

+0,05

BRUNO GUILHERMO NUNES

.40

VOLUME ACESSO

2.00

2.20

+1,00

.35

3.06

2.60

.20

.77

7.98

1.40

1.41

.49

GALERIA PRINCIPAL

9.60

.45 2.55

.15

+8,00

2.90

4.15

.70

+10,00

.43

.59

+10,00

.63

1.10

3.37

1.10

LIMITE DO LOTE

LIMITE DO LOTE

C +14,50

HUB GALERIA - GALERIA DE ARTE ASSUNTO

CORTES CORTE AA ESCALA INDICADA

DATA 30/11/2013

R01

BANCA FINAL

ESCALA 1/100

08


GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS O desejo inicial deste trabalho final de graduação, concluído em A partir da análise dos correlatos, foi possível chegar ao resul-

nível de anteprojeto, foi desenvolver todas as ideias iniciadas

tado de uma volumetria icônica para uma galeria de arte na

dentro da academia nestes anos.

cidade de Maringá.

Este trabalho encerra uma década de busca por uma lingua-

Esta pesquisa foi fundamental para o desenvolvimento do pro-

gem arquitetônica. Mudanças nas tecnologias e softwares utili-

jeto arquitetônico deste Trabalho Final de Graduação. A partir

zados neste trabalho, bem com a facilidade de acesso à infor-

dos dados técnicos e visita in loco, foi possível traçar o partido e

mação e utilização destes recursos tecnológicos permitiram o

programa do projeto aqui apresentado, pautando-se nos corre-

desenvolvimento deste trabalho neste momento. O projeto aqui

latos abordados e bibliografias consultadas.

apresentado reflete o início do desenvolvimento de uma linguagem arquitetônica que seja brasileira e atual, relacionada com

A galeria de arte responde ao conceito e diretrizes básicas de um espaço de exposição flexível, e também sua volumetria é resultado do entorno analisado, bem como da linguagem a ser trabalhada neste experimento. A Pesquisa é concluída na fase de Anteprojeto, onde as respos-

as tendências em arquitetura mundiais, sem perder o caráter original criado pelos mestres brasileiros. Após várias tentativas frustradas em criar uma linguagem própria, este trabalho demonstra o início de uma nova fase, e a satisfação de executar um projeto enfim alinhado com os desejos do autor.

tas à problemática deste trabalho são, de fato, apresentadas.

_74


GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

9 REFERÊNCIAS AGOSTINHO, Luis. Galeria de Arte. Maringá: Cesumar, 2009. 97 p. Monografia (Graduação) - Curso de Arquitetura e Urbanismo, Centro de Ensino Superior de Maringá, Maringá, 2009. ASSOCIAÇÃO Brasileira De Normas Técnicas. NBR 6023. Informação e Documentação – Referências – Elaboração. Rio de Janeiro: ABNT, 2011. _____. NBR 142724. Informação e Documentação – Trabalhos Acadêmicos – Apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2011.

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PUMA City // Container Retail // Lot-Ek. ArchiCenter. 2008. Disponível em: <http://www.archicentral.com/puma-city-container-retail-bylot-ekcity-290/>. Acesso em 02 junho 2013. REALI, Heitor; REALI, Silvia. Arte Natural: Galeria Zipper. In: Revista aU. São Paulo: Pini. n. 208. p.34-37, jul. 2011. SAIEH , Nico . Platoon Kunsthalle / Platoon + Graft Architects. Ar-

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GALERIA DE ARTE PARA A CIDADE DE MARINGÁ

10 ANEXOS Em anexo segue a LC 941/2011, que dispõe sobre o instrumento da Outorga Onerosa e seus parâmetros para cálculo dentro do projeto.

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GALERIA DE AR RTE PARA A A CIDADE DE MARINGÁ

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