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Fisioterapia Publicação do Centro de Desenvolvimento Científico em Saúde e Social - Ano I - Nº 1 - Novembro / 2016

Carreira Você é o único responsável pela Gestão da sua Carreira!

Atendimento Rituais de Cordialidade na Clínica fazem a diferença para o sucesso

A missão do Fisioterapeuta O Fisioterapeuta é capaz de construir um mundo diferenciado, com menos dor, acompanhando a tecnologia, difundindo e defendendo os valores éticos e morais.

e Ciência


Missão do Fisioterapeuta

04 Carreira Você é responsável pela sua Carreira

06 Atendimento Rituais de Cordialidade na Clínica

07 5 perguntas Com Felipe Campos

08 Artigo

SUMÁRIO

Índice

03 Capa

Paralisia Facial no Pós-operatório de Schwannoma Vestibular

13 Artigo

Acessibilidade em goiânia sob o ponto de vista do cadeirante


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Capa

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Outubro, mês do fisioterapeuta

Missão do Fisioterapeuta Q

uando nascemos, recebemos diferentes missões. A nossa missão é de recuperar a função, as relações entre os vários sistemas e os desarranjos estruturais que estes podem sofrer! A nossa missão é sagrada, o focus existencial está no ser humano, no cuidar, na atenção profissional ao paciente. A fisioterapia é uma profissão que tem sustentação legal, tanto para os seus atos quanto para o seu exercício. O ato fisioterapêutico é complexo, necessita de grandes investimentos, de anos de estudos para que se possa ter a compreensão do gesto funcional, das relações que são estabelecidas entre os órgãos e sistemas do corpo humano. Fisioterapia é antes de tudo uma ciência. O bom profissional é capaz de desenvolver as abordagens diagnósticas, propedêuticas e terapêuticas de maneira articulada, propiciando uma prática profissional autônoma de alta resolutividade na assistência ao paciente. Felizmente, a Fisioterapia vem crescendo e oferecendo novos horizontes diagnósticos e terapêuticos. Pessoas como Philippe Souchard, Dominique Lippens, Bernard Bricot, Arthur Bellenzani, Maitland, Madame Meziere, Robin McKenzie, Fernando Vilhena, Carlos Alberto Azeredo, Maria Ignez Feltrin, Ruy Gallart, Oséas Florêncio e tantos outros vêm contribuindo para este avanço, avanço que significa a possibilidade de mostrar-se comparativa e cientificamente resultados positivos! Significa ainda agregar valor à prática assistencial com melhor possibilidade de retorno financeiro. Significa também abandonar o "achismo" e assumir uma assistência profissional com resultados mensuráveis. Por fim, significa amplo reconhecimento social. É muito importante que nos valorizemos não só no mês do Fisioterapeuta, mas hoje e sempre. Afinal de contas... Quanto vale viver sem dor? Quanto vale para um paciente hemiplégico voltar a cainhar? Quanto vale para um atleta voltar a competir? Quanto vale para um trabalhador com artrite voltar a trabalhar? Quanto vale para um

idoso com hérnia de disco livrar-se da dor? Quanto vale para um enfisematoso grave poder voltar a trabalhar? Quanto vale para um paciente intubado voltar a respirar? Quanto vale para um lesado medular voltar a controlar seu esfíncter? Quanto vale para um grande queimado voltar a se movimentar? Esse tipo de reflexão poderia durar horas, mas o importante é que todos os Fisioterapeutas possam obter habilidades e competências profissionais que se traduzam na sua missão de cuidar da saúde funcional humana com máxima resolutividade e no menor espaço de tempo possível. O Fisioterapeuta é capaz de construir um mundo diferenciado, acompanhando a tecnologia, difundindo e defendendo os valores éticos e morais. Por isso, sejamos sempre gratos e felizes por termos escolhido uma profissão tão nobre! carreira. Atitudes e habilidades como comunicação eficiente, poder de análise e interpretação de diferentes variáveis, liderança, próatividade, motivação, compromisso e engajamento, otimismo, tolerância aos riscos e capacidade de superação são bastante valorizadas nos profissionais modernos. Diante do exposto, fica evidente a importância de saber os pontos fortes que devem sempre ser potencializados e os pontos fracos para que sejam minimizados ou mesmo extintos. Portanto, desenvolver seu potencial empreendedor é a melhor opção para otimizar a empregabilidade e garantir maior longevidade para sua carreira. Alguns instrumentos têm a função de ajudar no planejamento de carreira exclusivo como exemplo o mapa de carreira onde após uma análise criteriosa do perfil profissional é possível a elaboração de um plano de ação que objetiva um gerenciamento da carreira personalizada para toda a sua vida. Abaixo é apresentado um plano de carreira. Pegue uma caneta e mãos à obra.

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Carreira |

Até algum tempo atrás era bem possível que os Fisioterapeutas apenas com uma boa formação acadêmica tivessem um bom desempenho no mercado de trabalho. Hoje já não é mais.

Você é o único responsável pela Gestão da sua Carreira!

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té algum tempo atrás era bem possível que os Fisioterapeutas apenas com uma boa formação acadêmica tivessem um bom desempenho no mercado de trabalho. Investir na educação continuada continua sendo uma estratégia importante para se destacar e construir uma carreira sólida, porém o profissional atual deve desenvolver outras competências essenciais como a capacidade de dar vida aos próprios projetos, a habilidade de identificar novas oportunidades, a necessidade de inovar, comunicar e se diferenciar num mercado global cada vez mais competitivo Olhar criticamente para serviços e processos, ter idéias, conseguir planejá-las e executá-las significa desenvolver o potencial empreendedor e consequentemente sua carreira. Atualmente ter capacidade técnica é um prérequisito, porém o sucesso depende também de habilidades pessoais que diferenciam o profissional, levam ao alto desempenho e ao crescimento da

Carreira |

carreira. Atitudes e habilidades como comunicação eficiente, poder de análise e interpretação de diferentes variáveis, liderança, pró-atividade, motivação, compromisso e engajamento, otimismo, tolerância aos riscos e capacidade de superação são bastante valorizadas nos profissionais modernos. Diante do exposto, fica evidente a importância de saber os pontos fortes que devem sempre ser potencializados e os pontos fracos para que sejam minimizados ou mesmo extintos. Portanto, desenvolver seu potencial empreendedor é a melhor opção para otimizar a empregabilidade e garantir maior longevidade para sua carreira. Alguns instrumentos têm a função de ajudar no planejamento de carreira exclusivo como exemplo o mapa de carreira onde após uma análise criteriosa do perfil profissional é possível a elaboração de um plano de ação que objetiva um gerenciamento da carreira personalizada para toda a sua vida. Abaixo é apresentado um plano de carreira. Pegue uma caneta e mãos à obra.

Ferramenta para o planejamento : o mapa de carreira Originalmente um mapa é uma representação gráfica bidimensional de um todo ou fração territorial. É também o meio físico que utilizamos para registrar destinos e traçar rotas, e que pode também nos auxiliar a otimizar jornadas. Planejar uma carreira é estabelecer um mapa que mostre não só os destinos como também os trajetos mais adequados para alcançá-los. Algumas carreiras possuem mapas claros e pré-estabelecidos: alguns anos de estudo entre graduação e pós-graduação, e um emprego aguardando na outra ponta são um começo bem interessante. Originalmente um mapa é uma representação gráfica bidimensional de um todo ou fração territorial. É também o meio físico que utilizamos para registrar destinos e traçar rotas, e que pode também nos auxiliar a otimizar jornadas. Planejar uma carreira é estabelecer um mapa que mostre não só os destinos como também os trajetos mais adequados para alcançá-los. Algumas carreiras possuem mapas claros e pré-estabelecidos: alguns anos de estudo entre graduação e pós-graduação, e um emprego aguardando na outra ponta são um começo bem interessante.

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Negócios |

Aceita um copo de água? Um cafezinho ou um suco? Importantes perguntas!!!Bastam essas palavrinhas para se estabelecer uma relação de cordialidade que com toda certeza acarretará na percepção de qualidade do cliente.

Rituais de Cordialidade na Clínica: seu diferencial

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ste ritual deixa o espaço mais agradável e confortável enquanto se espera pelo atendimento de Fisioterapia. Pequenos atos que fazem uma grande diferença devem virar rotina. Palavras mágicas como “Bom dia!”, “Boa tarde!”, “Por favor” e “Obrigado” devem ser uma constante na prestação de serviços e também na vida de cada um. Infelizmente, na maioria das vezes este não é um tema que está incluso nas preocupações cotidianas dos p ro f i s s i o n a i s f i s i o t e ra p e u ta s e secretárias, porem a cordialidade é uma das maneiras de encantar seu cliente. Indiscutivelmente, a conversa entre o cliente e a secretária é importante para ambos. Mas será que a secretária de sua clinica está preparada para este atendimento? Colaborar com a satisfação do cliente é uma das funções da secretaria, mas é preciso que ela saiba disso. Ensinar assistentes com disposição é tarefa importantíssima e como dizia Samuel Smiles: “A gentileza consegue tudo e não custa nada!”.

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5 PERGUNTAS

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perguntas Com

Felipe Campos

Fisioterapeuta com atuação em ortopedia e no esporte, professor universitário e maratonista nas horas vagas. Email: felipe@labormednet.com.br

Como está o mercado de trabalho da Fisioterapia Esportiva ? A Fisioterapia Esportiva é uma especialidade reconhecida pelo COFFITO desde 2011 e o Fisioterapeuta do Esporte atua diretamente na prevenção e tratamento/reabilitação de disfunções relacionadas ao esporte, atividades e exercícios físicos, por isso o campo de atuação é amplo. Além disso, com o aumento do número de praticantes de atividades físicas de forma recreacional ou competitiva, juntamente com o país tendo sido sede de grandes eventos esportivos como a Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas, o mercado de trabalho tem aberto cada vez mais espaço. Existem duas realidades, a do esporte de alto rendimento na qual o mercado é mais restrito e a do esporte recreacional, que tem muito campo a ser explorado e tende a aumentar.

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Na sua opinião quais as características de um profissional de sucesso na Fisioterapia Esportiva ? O profissional de sucesso na Fisioterapia Esportiva deve ter em seu arsenal terapêutico, as mais diversas técnicas, conceitos e formações da fisioterapia, visto que o tempo de retorno de um atleta ao esporte, após uma lesão, deve ser o menor possível. Deve conhecer profundamente o movimento humano, conhecer a regras das diversas modalidades esportivas e principalmente viver e vivenciar o esporte. No meu caso por exemplo, trabalho principalmente com avaliação de corredores e sou maratonista. Você acha que o fato do Brasil ter sediado as olimpíadas e paralimpíadas contribuirão para o desenvolvimento da Fisioterapia Esportiva ? Existe desde os Jogos do Rio 2016 um divisor de águas no campo da Fisioterapia Esportiva. Para as Olimpíadas e Paralimpíasas foram inscritos 5000 fisioterapeutas para trabalhar como voluntários, destes, 500 foram selecionados para atuar nos jogos, após várias etapas de treinamento e capacitação que começaram aproximadamente 2 anos antes, por meio de uma parceria entre os Sistemas CREFITO/COFFITO e a Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva – SONAFE. Desde a capacitação e o treinamento que ficaram como legado, passando por reconhecimento profissional no âmbito nacional e internacional e chegando à convites para participação dos envolvidos, nos maiores eventos científicos do mundo, podemos dizer que a Fisioterapia Esportiva é outra após os jogos, reconhecida e valorizada.

Como a evolução tecnológica contribui na sua área específica de atuação ? A tecnologia é nosso aliada em todas as áreas de atenção, desde a área primária por meio de avaliações detalhadas de gestos esportivos e biomecânica do esporte em geral, na atenção secundária por meio de equipamentos que podem auxiliar na recuperação acelerada de atletas e também na área terciária, como o uso de realidade virtual nos esportes, sejam eles adaptados ou não, por exemplo. Que conselho você daria aos jovens que estão entrando no mercado de trabalho da Fisioterapia Esportiva ? O conselho seria buscar sempre se atualizar, participar de eventos esportivos e vivenciar o esporte, mas principalmente frequentar os eventos científicos da Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva em suas regionais por todo país. Aproveitando o espaço, uma grande oportunidade de estar no mesmo local que os maiores nomes da Fisioterapia Esportiva Mundial, como Shirley Sahrmann, Timothy Hewett, Maria Constantinou, Felipe Tadiello entre tantos outros está bem próximo à nós. De 11 a 15 de outubro de 2017 acontecerá em Caldas Novas o VIII Congresso Brasileiro e VI Congresso Internacional da SONAFE.Vale a pena dar uma conferida, trata-se de uma oportunidade única, o site do evento é www.sonafe2017.com.br . Outubro / 2016 | REVISTA FISIOTERAPIA E CIÊNCIA

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Ciência

Artigo Científico

Acessibilidade em goiânia sob o ponto de vista do cadeirante POR Gisselle Alves, Larissa Frauzino Pereira, Raquel Braga, Sarah Regina Borges

Objetivos Avaliar a acessibilidade da Região Metropolitana de Goiânia sob o ponto de vista do cadeirante; classificar os locais públicos da Grande Goiânia por meio de entrev i s ta , a va l i a n d o o s critérios: desníveis, e l e v a d o re s , ra m p a s , s a n i t á r i o s e e s t acionamentos e também avaliar a influência da acessibilidade na socialização do cadeirante.

Metodologia

Conclusão:

Trata-se de uma pesquisa de campo, exploratória, de abordagem quantitativa, baseada no método empírico indutivo e utilizando a técnica de entrevista estruturada. Fez parte do estudo uma amostra de conveniência pertencente à Associação dos Deficientes do Estado de Goiás (ADFEGO), ou seja, foram avaliados todos os cadeirantes que consentiram em participar voluntariamente da pesquisa e se enquadraram nos critérios de inclusão (sem critérios de exclusão). Resultados: A amostra da pesquisa foi composta por 39 sujeitos, sendo 19 mulheres e 20 homens, com idade média de 43,79 ± 16,569 anos; sendo a idade mínima de 22 anos e a máxima de 91 anos.

De maneira geral, a maior parte dos itens foi avaliada entre 'bom' e 'ruim'. Poucos foram ditos como 'ótimos' ou 'péssimos'. Por meio deste estudo podemos concluir que muitas mudanças na estrutura urbana da cidade de Goiânia já foram realizadas, porém ainda há muito a ser feito, pois nem todos os locais públicos estão preparados para receber pessoas com mobilidade restrita, principalmente os bairros mais periféricos, feiras livres e igrejas

Palavras-chaves: Acessibilidade, cadeirantes, espaços públicos, saúde pública.

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Ciência

INTRODUÇÃO A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) define acessibilidade como sendo a "possibilidade e condições de alcance, percepção e entendimento para utilização com segurança e autonomia de edificações, espaço, mobiliário, equipamento urbano e elementos" (ABNT/NBR 9050, 2003). A acessibilidade ao meio físico é considerada como o acesso ao ambiente sem barreiras. Assim como descrevem Araújo, Alves e Sá (2003) tornar o espaço acessível a todos significa eliminar obstáculos físicos, naturais ou de comunicação que existam tanto nas cidades, como nos equipamentos e mobiliários urbanos, nos edifícios, nas várias modalidades de transporte público que impeçam ou dificultem a livre circulação das pessoas. Sarraf (2007) define como acessibilidade o processo de eliminação de barreiras, não só físicas, mas do campo das informações, das atitudes. Ressaltando o direito de ir e vir e ao lazer de todos os cidadãos brasileiros, conforme é previsto na Constituição Federal de 1988, possibilita-se desta forma, destacar a utilização dos espaços públicos como uma das maneiras de que o cidadão dispõe para usufruir seu direito. Segundo dados do IBGE 2000, cerca de 24,5 milhões de brasileiros, ou seja, 14,5 % da população brasileira é portadora de alguma deficiência: físicomotora, cognitiva ou sensorial. Grande parte dessa população não tem acesso e efetiva participação nas diversas atividades que ocorrem nos espaços públicos. A palavra "deficiente" consiste em uma serie de interpretações, normalmente utilizada para se referir as pessoas com alguma "anormalidade", podendo ser do domínio cognitivo, motor ou afetivo. Cada pessoa por meio de seus valores interpreta a palavra de maneira diferente (CARMO, 1989). Segundo o Ministério do Turismo (BRASIL, 2006), deficiência física é uma: alteração completa ou parcial de alguns ou mais segmentos do corpo humano, acarretando comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membros, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida,exceto as deformidades estéticas e as que não produzem dificuldades para o desempenho de funções. Entende-se por restrição toda a dificuldade que

uma pessoa possa apresentar na realização das atividades da vida diária, podendo ser oriunda ou não de alguma deficiência. Assim, restrição é resultado da relação entre as condições do indivíduo e do ambiente, já que este pode limitar seus usuários se não for projetado adequadamente (ELY et al., 2006). Re s t r i ç ã o f í s i c o - m o to ra re f e re - s e a o impedimento, ou às dificuldades encontradas em relação ao desenvolvimento de atividades que dependam de força física, coordenação motora, precisão ou mobilidade (ELY et al., 2001). A acessibilidade para os portadores de deficiência física é lei no Brasil e deve existir em todos os lugares. Mas nem sempre o que faz um portador de deficiência se inibir e não querer sair de casa é a falta de acessibilidade, mas sim o preconceito, o medo de encarar as outras pessoas, vergonha de todos ao seu redor ficarem olhando-o como um anormal (BURJATO, 2004). Para o presente estudo foram selecionados como sujeitos os portadores de deficiência física que necessitam de cadeira de rodas, pois o foco principal é avaliar a acessibilidade em locais públicos. Os espaços livres públicos possuem grande importância no contexto das cidades, já que esses atuam como elementos de lazer e socialização, contribuindo para o aumento da qualidade de vida da população. A existência de barreiras físicas, informativas e comportamentais muitas vezes restringe o uso desses espaços. Logo, devido ao seu suposto caráter democrático, toda e qualquer pessoa deveria ter acesso garantido (Ely et al. 2006). Almejando-se melhorar a cidadania dos cadeirantes, busca-se uma maior convivência social, percebida nas últimas décadas, que deixou de esconder a deficiência como se ela fosse uma vergonha familiar e social, passando a considerá-la como uma situação normal que não tem razão para se ocultar (AGUIRRE et al., 2003). A publicidade voltada às causas sociais não é um fenômeno atual no Brasil. Entretanto, pouco é abordada a questão do cidadão que possui necessidades especiais, dependente da cadeira de rodas para sua locomoção. Em um estudo explanatório de campo Nogueira e Costa (2010) apresentam uma proposta que tem como objetivo a conscientização da sociedade aos direitos de cidadania do cadeirante. A percepção de um indivíduo baseia-se na sua capacidade de produzir informações das relações do ambiente a que se está inserido, que ocorrem através de estímulos psicológicos que geram opiniões e atitudes, passíveis de serem mensuradas. As atitudes

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são ligadas ao comportamento (experiências e personalidade) do indivíduo em relação ao ambiente em que vive e as opiniões referem-se ao julgamento em relação a um determinado fato, pessoa ou objeto (FERREIRA e SANCHES, 2005). Por tratar-se de um assunto de interesse público, a entrevista com o grupo formado por cadeirantes, possibilitou a observação dos processos de consenso e divergências em relação às atitudes, opiniões e comportamentos dos mesmos em relação às questões de acessibilidade. A entrevista é um método que consiste em conversas orais, individuais ou de grupos, com pessoas selecionadas cuidadosamente a fim de obter informações acerca do que as pessoas sabem, crêem, esperam, sentem e desejam (Ketele, 1999). A Lei complementar nº 177/98 dispõe sobre o Código de Obras e Edificações do Município de Goiânia (GOIANIA, 2008). A sessão III, Capítulo VII, Da Acessibilidade e da Pessoa com Deficiência e com Mobilidade Reduzida, traz, no artigo 78, que: Para as edificações destinadas ao desempenho de atividades com atendimento e circulação de uso e de atendimento de público ou de uso coletivo, deverá ser garantido pelo menos 01 (um) acesso para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida aos compartimentos de atendimento e circulação de público, bem como as rotas de interligação às principais funções da edificação, em conformidade com o art. 18, do Decreto n.º5.296, de 02 de dezembro de 2004.

AGRONOMIA, 2008). A acessibilidade é um tema bastante atual e está cada dia mais presente nas cidades, com isso podemos ver mudanças na estrutura urbana, porém ainda há muito a ser feito, pois nem todos os locais públicos estão preparados para receber pessoas com mobilidade restrita. Alguns locais considerados como acessíveis por quem não possui deficiência física podem ser vistos como inacessíveis por aqueles que possuem limitações de mobilidade, sendo então interessante compreender como os próprios portadores de necessidades especiais classificam os locais em acessíveis ou não. A falta de acessibilidade adequada pode influenciar negativamente a socialização do cadeirante, pois o mesmo deixa de sair de sua casa por se sentir desconfortável em ambientes públicos que são inacessíveis. O estudo em questão pretendeu mostrar como é vista a acessibilidade em Goiânia pelos próprios cadeirantes e também atrair a atenção da comunidade científica, sociedade e governo para esse tema. Teve como objetivos avaliar a acessibilidade da Região Metropolitana de Goiânia sob o ponto de vista do cadeirante e classificar os locais públicos da Grande Goiânia por meio de entrevista, avaliando os critérios: desníveis, elevadores, rampas, banheiros e estacionamentos; avaliar a influência da acessibilidade na socialização do cadeirante.

A lei dispõe ainda, art.82, que "Para os casos omissos e as dúvidas suscitadas na aplicação deste capítulo, o órgão municipal de planejamento consultará o Grupo de Trabalho de Acessibilidade do CREA - GO ou outra Comissão de acessibilidade se houver." No ano de 2008 foi elaborada a segunda edição do Guia de acessibilidade de Goiânia, que informa o nível de acessibilidade dos estabelecimentos, que é mensurado pela presença de adaptações que permitam melhor utilização dos espaços urbanos e das edificações. A classificação foi dividida em três itens: Acessíveis, Semi-Acessíveis e Inacessíveis. Para definir estes itens de classificação foram utilizados três critérios: tipo de estabelecimento, o tempo de permanência nele e a obrigatoriedade estabelecida por lei. Por meio do Guia, as pessoas portadoras de necessidades especiais ou com mobilidade reduzida saberão quais são as reais condições de acesso em órgãos públicos, parques, clínicas, hospitais, academias, shoppings, restaurantes, cinemas, teatros e etc. (CONSELHO REGIONAL DE ENGENHARIA, ARQUITETURA E

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RESULTADOS A amostra da pesquisa foi composta por 39 sujeitos, sendo 19 mulheres e 20 homens, com idade média de 43,79 ± 16,569 anos; sendo a idade mínima de 22 anos e a máxima 91 anos. O perfil dos indivíduos participantes está detalhado na Tabela 1.

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METODOLOGIA Tratou-se de uma pesquisa de campo, exploratória, de abordagem quantitativa, baseada no método empírico indutivo e utilizando a técnica de entrevista estruturada. Essa pesquisa foi realizada conforme as Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisa Envolvendo Seres Humanos (Resolução 196/1996 do Conselho Nacional de Saúde) e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital de Urgências de Goiânia (Parecer N°: 022/11, CAAE: 0011.0.171.00011). A entrevista foi realizada na Associação dos Deficientes do Estado de Goiás (ADFEGO), situada na Av. Independência nº 3026 Setor Vila Nova, GoiâniaGO. Foi selecionada para o estudo uma amostra de conveniência, sendo avaliados todos os indivíduos que utilizavam a cadeira de rodas como meio de locomoção no momento da coleta de dados; que obtivessem pontuação superior a 24 no Mini Exame do Estado Mental (Anexo 1), ou seja, com cognição preservada; idade superior a 18 anos; do sexo feminino ou masculino; que fosse morador de Goiânia e/ou região metropolitana; e consentisse participar voluntariamente da pesquisa através do termo de consentimento livre esclarecido (Apêndice A).Foram excluídos da amostra os indivíduos que não utilizavam a cadeira de rodas como meio de locomoção no momento da coleta de dados; que obtivessem pontuação inferior a 24 no Mini Exame do Estado Mental; idade inferior a 18 anos; que não fosse

morador de Goiânia e/ou região metropolitana; grupos vulneráveis (como indígenas, militares, etc.); e que não consentissem participar voluntariamente da pesquisa. O s i n d i v í d u o s fo ra m a b o rd a d o s p e l a s pesquisadoras colaboradoras e informados sobre a pesquisa. Aqueles que concordaram em participar assinaram o termo de consentimento, e responderam às perguntas, que foram feitas oralmente por uma das entrevistadoras e suas respostas anotadas na entrevista impressa (Apêndice B). A entrevista teve duração média de 20 minutos. A entrevista foi composta de 27 perguntas, sendo 25 objetivas e 2 discursivas. Da pergunta número 1 à pergunta número 4 foram abordados dados epidemiológicos. A pergunta número 5 refere-se á principal dificuldade encontrada pelo cadeirante na locomoção por ruas e calçadas. Da pergunta número 6 à pergunta número 25 os indivíduos foram questionados se freqüentam determinados ambientes. Nos casos em que a resposta foi afirmativa, o cadeirante avaliou os itens: desníveis, elevadores, rampas, estacionamento e banheiros e os classificou em ótimo, bom, razoável, ruim e péssimo. As perguntas número 26 e 27 eram discursivas e referiam-se ao motivo pelo qual o cadeirante não freqüenta algum dos estabelecimentos citados e se existe algum tipo de estabelecimento que não foi relacionado na entrevista, onde o cadeirante gostaria de freqüentar, porém não o faz devido à falta de acessibilidade. Os dados obtidos foram analisados através de estatística descritiva com o uso do software Statistical Package for Social Sciences (SPSS), versão 15.0.

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Revista Fisioterapia e Ciência (11/2016)  
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