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Fisioterapia Publicação do Centro de Desenvolvimento Científico em Saúde e Social - Ano I - Nº 2 - Janeiro/ 2017

e Ciência

Carreira Me formei, e agora?

5 perguntas Sobre evidências científicas na atuação do fisioterapeuta

Envelhecimento populacional e a Fisioterapia:

Uma área de atuação em crescente expansão


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Editorial |

Humanizar-se: uma prática do dia a dia

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s vezes parece loucura conversar consigo. Porém existem algumas pesquisas cientificas que revelam que a prática de auto diálogo ajuda as pessoas a se humanizarem. Mas o que é humanizar? O que significa essa palavra tão usada na área da saúde, especialmente quando se fala de atendimento e de qualidade. De acordo com o dicionário Aurélio, a palavra humanizar significa: 1. Tornar humano; dar condições humanas a; humanar 2.Tornar benévolo, afável, tratável; humanar. 3. Fazer adquirir hábitos sociais polidos, civilizar 4. tornar-se humano, humanar-se. Pode se verificar portanto que se humanizar é se tornar tolerante e humilde. Compreender que o ser humano é passível de erros e limitações. É conseguir se colocar no lugar dos outros e tentar compreender as suas reações. Agora, é preciso pensarmos em nós mesmos. Será que conseguimos fazer essa viagem para nosso próprio ser? Será que conseguimos nos colocar como algo

valoroso e acima de todas as coisas? Será que somos humanizados? 2017 vem aí, e com ele várias indagações e planos. No final do ano as pessoas ficam mais confiantes, esperançosas e de certa forma, mais humanizadas. Quem sabe essa energia boa sentida no término de um ano e início de outro permaneça em nós? Quem sabe se os profissionais da saúde se preocuparem em se manterem motivados e confiantes se tornarão mais humanizados e com isso beneficiar seus pacientes? Na teoria tudo parece fácil, o difícil é praticar. Mas é ai mesmo que entra o desafio: a prática diária da humanização. Vamos tentar? O CDCS tem feito várias ações em prol de um mundo melhor para todos, e nesse sentido, desejamos que em 2017 as pessoas possam desenvolver a benevolência, a tolerância, a caridade, a paciência, o respeito e a gratidão. Que todos possam compreender que o sentir é mais importante que o ter, e que todos possam além de compreender, sentir a humanização.

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Envelhecimento populacional e a Fisioterapia: Uma área de atuação em crescente expansão

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envelhecimento populacional é um fato incontestável, fenômeno mundial e também brasileiro. De acordo com a OMS até 2025, o Brasil será o sexto país do mundo em número de idosos. Porém, a grande maioria dos profissionais da saúde ainda não estão completamente preparados para lidarem com os desafios do envelhecimento populacional. O aumento da expectativa média de vida deve ser acompanhado pela manutenção e/ou melhoria da saúde e qualidade de vida desses indivíduos. São necessários estratégias e ações que possibilitem uma forma mais saudável em todas as etapas da vida, do nascimento ao envelhecimento. Alguns comportamentos influenciam negativamente no envelhecimento e se tornam verdadeiros vilões: tabagismo, dieta desequilibrada, sedentarismo e alcoolismo. Outros comportamentos influenciam positivamente e otimizam o envelhecimento saudável: atividade física regular, dieta saudável e rica em frutas e legumes, boas relações afetivas e bom humor. A Gerontologia é uma área multidisciplinar e sua concepção científica visa a compreensão e a explicação do envelhecimento e da maturidade no curso da vida. São diversos os profissionais que hoje se dedicam a intervir especificamente neste grupo, profissionais das áreas biológica, social, psicológica e educacional. Dentre esses profissionais pode-se citar o Fisioterapeuta. O Fisioterapeuta é responsável por

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testar o condicionamento físico do paciente, determinando o potencial para a meta de funcionalidade, prescrevendo tratamento para distúrbios da função neuro-músculo-esquelética, ensinando técnicas de conservação de energia melhorando a força e a coordenação do idoso e supervisionando o programa de recuperação funcional como um todo. Faz uso de modalidades físicas e exercícios, treino de equilíbrio, treino de marcha e uso de recursos eletrotermoterapêuticos, além de promover a reabilitação cardiorrespiratória e genito-urinária. Auxilia ainda na independência, no autocuidado, e na prescrição de tecnologia assistiva. Neste novo milênio, é preciso ter consciência de que a assistência à saúde do idoso deve possibilitar melhor qualidade de vida a eles, e não apenas a cura de doenças. Para tanto, é necessário qualificar profissionais comprometidos com a busca de soluções para o tratamento fisioterapêutico de funções que foram perdidas em decorrência de danos fisiológicos e ou patológicos, e que, frente à diversidade de manifestações clínicas, possa planejar programas fisioterapêuticos destinados ao aumento da independência funcional e consequentemente melhora na qualidade de vida destes pacientes. Infelizmente a intervenção fisioterapêutica na saúde de idosos ainda é uma área de atuação pouco explorada, porém em crescente expansão devido a esse aumento da demanda.

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Me formei, e agora?

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á algum tempo que os especialistas em carreiras do mercado de trabalho vem afirmando que a grande maioria dos profissionais não definem com clareza as estratégias e plano de ação para desenvolverem suas carreiras de forma positiva e com alta performance, e por isso muitas vezes se perdem na trajetória e não conseguem alcançar seus objetivos. Por isso, aconselham a realização de um projeto de carreira bem estruturado que contemple metas, estratégias e planos de ação. Dessa forma é possível minimizar os erros e desvios. Para ser reconhecido como um profissional de sucesso é preciso que se constate em primeiro lugar o reconhecimento na profissão escolhida, ter diferenciais competitivos reais e o mais importante: a auto realização e prazer no que se faz. Os especialistas em carreira acreditam ainda que, a maturidade é um ponto importante na carreira e que os profissionais devem saber que experiência só se conquista com o passar do tempo. Uma pesquisa sobre a evolução da carreira profissional no Brasil e no mundo feita pelo BPI Group revelou que nos primeiros anos da carreira é importante aproveitar todas as oportunidades, favorecendo assim a experimentação para que com a maturidade se possa fazer um balanço das competências adquiridas e realizações. Independentemente da idade ou do momento profissional é necessário s e t e r e m m e n t e, exatamente aonde se quer chegar. Algumas dicas podem ajudar quem está começando a vida profissional e almeja sucesso: 1- faça uma auto avaliação e veja se o curso está adequado ao seu perfil, peça opinião dos pais, professores e amigos

mais experientes. 2- aproveite a época de estudante para aprender tudo sobre internet, seus programas e para estudar inglês, pois assim não ficará restrito no futuro profissional. 3- ainda na faculdade, se envolva no diretório acadêmico, pois o network social será útil na vida profissional 4- Para dar mais especificidade ao rumo da carreira e aprofundar os conhecimentos, curse uma especialização logo após a graduação. 5 – a busca do primeiro emprego é sempre um desafio, visto que a maioria dos empregadores dá preferência para quem tem experiência profissional. Para se ter êxito, é necessário ter perseverança e disposição já que o currículo será enxuto. Uma excelente dica são os estágios porque podem abrir a porta para o mercado de trabalho. Além disso, estar preparado para a entrevista é outro fator essencial para quem quer conseguir o primeiro emprego e se posicionar no mercado de trabalho.

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5 PERGUNTAS

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perguntas Com

Aurélio Barbosa

Fisioterapeuta com atuação em Neurologia, Terapias Integrativas e Complementares, Docência Universitária, Pesquisa Científica e Bioestatística. Coordenador de Gestão de Projetos e do Comitê de Ética do Centro de Excelência em Ensino, Pesquisas e Projetos Leide das Neves Ferreira da Secretaria da Saúde do Estado de Goiás. Professor na graduação em Fisioterapia da Universidade Estadual de Goiás. Email: innamoratto@hotmail.com

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Qual o papel das evidências científicas na atuação do fisioterapeuta? O fisioterapeuta, enquanto profissional e cientista, necessita fundamentar sua atuação em evidência científicas. Muitos fisioterapeutas se esquecem que a fisioterapia se tornou uma profissão de nível superior no Brasil, há 47 anos atrás, porque abrange vários conhecimentos científicos, tanto de Biologia, Epidemiologia e Saúde Pública, Ciências Médica, Humanas, Sociais e Exatas. Para que a fisioterapia traga benefícios reais para promoção, prevenção e aperfeiçoamento das capacidades físicas, mantendo e melhorando a saúde, obrigatoriamente dever ser informada por evidências.

O que são evidências científicas? Evidências científicas são os dados da literatura científica que, analisados de maneira crítica e com rigor metodológico, demonstram a eficácia de um recurso diagnóstico ou terapêutico para uma dada situação clínica. Em ensaios clínicos randomizados, para pesquisar tratamentos, ou estudos de acurácia, para exames diagnósticos, é possível demonstrar que um determinado recurso tem bons resultados para a maioria dos pacientes. Também apresentam os riscos à saúde, efeitos adversos maléficos, custo econômico, relação custoefetividade, etc. Assim as evidências são os dados obtidos dessas pesquisas clínicas. Os profissionais deveriam incorporar esses conhecimentos resultante de pesquisa, as evidências, na prática clínica e oferecer o melhor tratamento possível, com menor custo e maior resultado, à população.

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Mas porque evidências científicas em Fisioterapia? Muitos recursos fisioterapêuticos, tanto para avaliação quanto para tratamento, são recomendados para a prática profissional fundamentados na opinião de especialistas, não em pesquisa de ponta. Vários profissionais, observando poucos casos que obtém resultados excelentes, recomendam um determinado tipo de tratamento ou técnica. Porém ao se analisar o contexto de vários casos, comparados a controles, numa situação de pesquisa clínica, chega-se à conclusão que aquele tratamento não é tão bom assim como os especialistas recomendam. Por isto é importante que toda técnica terapêutica ou diagnóstica deve passar pelo crivo da pesquisa clínica. É a pesquisa clínica que demonstra, usando de rigor científico e métodos experimentais adequados, que aquele recurso é eficaz para dada situação clínica.

Qualquer estudo experimental (ensaio clínico) pode ser considerado evidência? Toda informação científica é evidência em algum grau, mas nem todo estudo clínico, inclusive publicado em periódico científico de renome internacional, é confiável. Ao se analisar os estudos, na perspectiva do rigor metodológico, clínico e estatístico, percebe-se que boa parte das pesquisas tem viés (erros sistemáticos) e falhas metodológicas, diminuindo sua confiabilidade. Assim, é importante que o fisioterapeuta busque as evidências em revisões sistemáticas da Cochrane, DARE, ou outras agencias internacionais de evidências, pois essas revisões da literatura utilizam de metodologia rigorosa para avaliar a qualidade e confiabilidade dos estudos, e sintetizam os resultados, permitindo aos profissionais informações científicas resumidas e avaliadas, facilitando a incorporação das evidências à prática clínica. Todo o tratamento fisioterapêutico deve ser baseado em evidências? Particularmente gosto de utilizar o termo "Prática informada por evidências" em lugar de "Prática baseada em evidências". O profissional deve ser informado, ter conhecimento das evidências. Mas não necessariamente irá aplicá-las sempre. Nem toda evidência é aplicável a todos os casos clínicos. Há casos em que a evidência, os resultados da pesquisa, não são aplicáveis, pois é um caso complicado, muito específico ou raro. Por isto, além de ciência, a Fisioterapia é uma arte. O fisioterapeuta deve desenvolver sensibilidade, senso crítico, raciocînio acurado, perícia técnica e habilidades práticas que permitam oferecer o melhor a cada cliente. Cada caso é singular. A avaliação e o tratamento também devem ser singulares, adaptados ao indivíduo. Porém, informados por evidências. Janeiro / 2017 | REVISTA FISIOTERAPIA E CIÊNCIA

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Ciência

Artigo Científico

Efeitos da reabilitação Vestibular em idosos DA M A R IS CR IS T IN A DOS SA N T O S BO IT A R ES T E F Â N IA DO PR A D O OL IV E IR A FE R N A N D A PR E S T E S DOS SA N T O S JÉ S S Y K A KA T R IN N Y DA SIL V A OL IV E IR A

Resumo Sistematizar os resultados de estudos sobre reabilitação vestibular (RV) em indivíduos idosos que apresentavam algum distúrbio vestibular. Materiais e métodos: A busca de publicações sobre a RV em indivíduos com distúrbios vestibulares foi realizada nas bases de dados CAPES, LILACS, SCIELO, MEDLINE, SCOPUS, PEDRO, GOOGLE ACADÊMICO, PUBMED, e bibliotecas virtuais de teses e dissertações. Foram selecionados ensaios clínicos aleatórios e controlados dos últimos 10 anos em língua inglesa e portuguesa. A análise dos resultados dos estudos foi feita por meio de revisão crítica dos conteúdos. Foram identificadas 44 publicações relacionadas com os descritores. Na primeira etapa foram selecionados 29 estudos potencialmente elegíveis para esta revisão, e foram excluídos 15 estudos, por não atenderem aos critérios de inclusão. Na segunda etapa, foram selecionados 10 estudos. Resultados: Dos 10 estudos selecionados, 8 utilizaram o protocolo de Cawthorne e Cooksey para reabilitação vestibular. Os outros estudos utilizaram como intervenção protocolo de Apley e orientação postural. Conclusão: As manobras de reabilitação vestibular em indivíduos idosos com vestibulopatias e alteração de equilíbrio foram eficazes, proporcionando melhora no quadro de equilíbrio e qualidade de vida.

Palavras-chaves: Doenças vestibulares, Reabilitação, Modalidades de Fisioterapia, Tontura, Equilíbrio postural, Idoso, Envelhecimento.

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Ciência INTRODUÇÃO É evidente o aumento da expectativa de vida populacional tanto no Brasil quanto em outros países, estima-se que em 2050 o número de idosos no Brasil alcance cerca de 38 milhões, correspondendo aproximadamente 18% da população. No Brasil a partir dos 60 anos de idade o indivíduo é considerado idoso. O processo de envelhecimento é natural, se manifestando por uma série de alterações fisiológicas e consequentes alterações funcionais e /ou estruturais. Com o crescimento na prevalência de doenças crônico-degenerativas, esse processo ocorre de modo acelerado. Essa é uma fase da vida marcada por muitas perdas, sobretudo na saúde. Múltiplas comorbidades surgem, resultando em quedas, iatrogenia, demência, dor e imobilismo, isso afeta a independência destes indivíduos gerando incapacidades, fragilidade e até morte. 13 26 A deterioração progressiva do sistema nervoso e de outros sistemas, inerentes ao envelhecimento conduz a danos, resultando em prejuízo na capacidade cognitiva, perda de memória, alteração de sensibilidade à dor, redução da capacidade auditiva, restrições na fala e alterações cardiorrespiratórias. Além disso pode afetar todos os componentes do controle postural - sensorial (visual, somatossensorial e vestibular), efetor (força, amplitude de movimento, alinhamento biomecânico, flexibilidade). A integração dos vários sistemas corporais sob o comando central é fundamental para o controle do equilíbrio corporal. 25 26 29 A alteração do equilíbrio é uma das principais causas de limitação da vida do idoso e, em 80% dos casos, não pode ser atribuída a uma única causa, diversos são os fatores que em conjunto podem ocasioná-la. Como já foi dito, o envelhecimento prejudica o processamento central de sinais vestibulares, visuais e proprioceptivos, e quando este processamento é perdido ou distorcido, ocorre uma restauração central, de modo que as informações sensoriais remanescentes são usadas para desencadear reações posturais de forma alterada, levando ao desequilíbrio. Nessa fase também pode haver diminuição da capacidade de modificações dos reflexos adaptativos. Esses processos degenerativos são responsáveis pela ocorrência de vertigem e/ou tontura na população geriátrica. 25 26 29 Em quase 20% das pessoas acima de 60 anos, as atividades diárias são comprometidas pela tontura, que pode favorecer a quedas e complicações secundárias a elas. A vertigem e outras tonturas de origem vestibular estão presentes em 65% dos indivíduos com 65 anos ou mais, em aproximadamente 60% dos idosos que vivem na comunidade ou em 81% dos idosos atendidos em ambulatórios geriátrico. 25 26 O aumento da idade é diretamente proporcional à presença de múltiplos sintomas otoneurológicos associados, tais como vertigem e outras tonturas, perda auditiva, zumbido, alterações do equilíbrio corporal. Alguns autores consideram a tontura como síndrome geriátrica, condição de saúde multifatorial que ocorre do efeito

acumulativo dos déficits nos múltiplos sistemas. Dentre eles destaca-se a redução da mobilidade da coluna vertebral, contraturas na região cervical, redução do fluxo sanguíneo arterial, diminuição da capacidade proprioceptiva, degeneração auditiva, vestibular e visual, dificuldade de alimentação e transtornos emocionais, como a depressão, dentre outros quadros que afetam direta ou indiretamente o equilíbrio do paciente. 13 25 26 29 A vestibulopatia é caracterizada como uma disfunção no equilíbrio corporal devido a alteração do sistema vestibular podendo ser de origem central ou periférica. Neste quadro existe uma desarmonia entre as informações vestibulares com as visuais e proprioceptivas. No sistema periférico a estrutura atingida pode ser o labirinto e o nervo cocleovestibular. O labirinto é uma estrutrura muito sensível, portanto uma afecção orgânica de origem vascular, hormonal ou metabólica pode refletir também no sistema vestibular. Já no sistema central podem ser atingidos os núcleos,as vias e inter-relacões do Sistema Nervoso Central (SNC) O equilíbrio normal é multifatorial e utiliza as informações de 3 sistemas: o sistema vestibular, a propriocepção e a visão. Quando o conjunto destas informações não é integrado corretamente no sistema nervoso central (SNC), origina-se uma perturbação do estado de equilíbrio.9 26 27 28 O sistema vestibular está localizado no ouvido interno, e é o responsável pela manutenção do equilíbrio geral dos indivíduos. Ele envia ao sistema nervoso central (SNC), por meio do nervo vestibular, informações sensitivas a respeito do posicionamento da cabeça em relação ao corpo, a sua velocidade e a sua aceleração em relação ao eixo gravitacional em todos os eixos e planos. Na visão a sensação de profundidade dá ao corpo uma percepção rápida sobre o movimento do corpo e assim permite ajustes corporais adequados. 27 29 A reabilitação vestibular age fisiologicamente sobre o sistema vestibular, se constituindo um recurso terapêutico que envolve estimulações visuais, proprioceptivas e vestibulares, como intuito de manter o equilíbrio corporal dos pacientes com sintomas vertiginosos. Ela visa acelerar a compensação vestibular através de uma associação entre um programa de exercícios físicos e mudanças de hábitos, proporcionando assim um aumento na qualidade de vida dos mesmos. O tratamento para vestibulopatias pode ser medicamentoso, cirúrgico e fisioterapêutico. Em alguns casos todos eles estão associados para melhor resposta vestibular.9 29 A reabilitação vestibular através da fisioterapia tem sido reconhecida como tratamento de escolha para pacientes com persistência da vertigem em decorrência de vestibulopatias, proporcionando acentuada melhora na sua qualidade de vida. O tratamento facilita a adaptação para substituir ou alterar a função vestibular; melhora a estabilidade da marcha (incluindo controle cinético em resposta a perturbações mal antecipadas); melhora os sintomas desencadeantes pelo movimento; corrige dependências exageradas (seleção sensorial inapropriada) Janeiro / 2017 | REVISTA FISIOTERAPIA E CIÊNCIA

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do sistema visual e somatossensorial; facilita o retorno normal das atividades de vida diária; e melhora ou restaura a condição neuromuscular. 26 Na intervenção fisioterapêutica são utilizadas diversas formas de detecção e mensuração dos desequilíbrios corporais, os sintomas e como estes interferem no cotidiano dos pacientes. Entre os mais usuais estão o Diziness Handicap Inventory (DHI), a escala de mensuração de equilíbrio e testes funcionais, que auxilia a detectar o sistema deficitário ajudando no diagnóstico. Entre os objetivos dos exercícios de reabilitação na fisioterapia, estão promover e melhorar a estabilidade visual, estática e dinâmica durante a movimentação da cabeça. E também melhorar o controle postural, com intuito de melhorar o equilíbrio, diminuindo os riscos de quedas. Com isso pode se potencializar a plasticidade neural do SNC estimulando a adaptação aos impulsos vestibulares anormais, melhorando a qualidade de vida, e a noção espacial chegando o mais próximo do normal. 9 27 Os exercícios que foram desenvolvidos por Catwhorne e Cooksey e que são bastante utilizados nos protocolos de reabilitação vestibular, consistem numa série de movimentos de olhos, cabeça e tronco, exercícios de controle postural em várias posições e exercícios com olhos fechados, entre outros. Trata-se de um programa de exercícios físicos associados a um conjunto de medidas e mudanças de hábitos que visam a acelerar a compensação vestibular. 26 29 Em alguns casos os indivíduos desenvolvem o nistagmo como resposta as patologias associadas as vestibulopatias juntamente com outros sintomas comumente vistos como, vertigem, visão embaçada e náuseas. A execução do movimento repetitivo através dos exercícios levam a diminuição dessas respostas vestibulares deficientes ou anormais e também diminuem a amplitude do nistagmo.27 28 É importante ressaltar que o tratamento das alterações vestibulares é feito de forma multidisciplinar e o paciente deve estar atento em relação ao uso dos medicamentos antivertiginosos, ter orientação nutricional, mudar hábitos agravantes e muitas vezes ter o acompanhamento psicológico. Sendo assim a

reabilitação vestibular traz ao paciente um controle nos sintomas e sinais clínicos, reduzindo os desiquilíbrios e a possibilidade de quedas. 9 25

MATERIAIS E MÉTODOS O presente estudo consiste em uma revisão de literatura que aborda a reabilitação vestibular em indivíduos idosos. O processo de pesquisa e levantamento de dados foi realizado na biblioteca da Universidade Federal de Goiás (UFG) e na Faculdade Cambury no período de agosto de 2014 a julho de 2015. A busca por artigos foi realizada nos periódicos da CAPES, LILACS, SCIELO, MEDLINE, SCOPUS, PEDRO, GOOGLE ACADÊMICO, PUBMED e BIREME.. Nas buscas utilizou-se o cruzamento entre os seguintes descritores nas línguas portuguesa e inglesa, de acordo com a lista de Descritores em Ciências da Saúde (DECS) bem como as seguintes palavras-chaves: Doenças vestibulares, Reabilitação, Modalidades de Fisioterapia, Tontura, Equilíbrio postural, Idoso, Envelhecimento. Os artigos incluídos nessa revisão foram selecionados em duas etapas: Etapa 1: estudos que abordassem os seguintes critérios: a) artigos publicados de 2005 a 2015; b) artigos com temas relacionados a alterações vestibulares e/ou artigos associados a alterações de equilíbrio na população idosa. Etapa 2: a) artigos originais, ensaios clínicos randomizados, estudos coorte ou revisão bibliográfica, que abordassem o uso de técnicas de reabilitação vestibular no tratamento de pacientes idosos.

RESULTADOS Após o procedimento de pesquisa nas bases de dados, inicialmente foram identificadas 44 publicações relacionadas com os descritores. Na primeira etapa foram selecionados 29 estudos (65,90 %) potencialmente elegíveis para esta revisão, e foram excluídos 15 estudos (34, 09 %), por não atenderem aos critérios de inclusão. Na segunda etapa, foram s e l e c i o n a d o s 10 e s t u d o s ( 2 2 , 7 2 % ) apresentados na tabela a seguir, expostos de acordo com: Autoria, Tipo de estudo, Amostra, Intervenções e Resultados.

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ECR: Ensaio clínico controlado randomizado ECP: Ensaio clínico prospectivo ET: Estudo transversal ECARV: Estudos clínicos aleatórios controlados com intervenção por RV MRO: Manobras de reposição otolítica VPPB: Vertigem posicional paroxística benigna GO: Grupo de Otoneurologia GA: Grupo ambulatório geral GM: Grupo com labirintopatia de origem metabólica

GV: Grupo de labirintopaia de origem vascular GC: Grupo controle GI: Grupo de intervenção GI2: Segundo grupo de intervenção GI3: Terceiro grupo de intervenção M+E: Terapia medicamentosa com anti-depressivos tricíclicos e exercícios RS: Revisão Sistemática RVC: Reabilitação vestibular classica RVO: Reflexo vestibulo-ocular Fonte: os próprios autores.

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Ciência Discussão Assim como indicado no critério de inclusão, todos os artigos selecionados realizaram estudos a cerca da reabilitação vestibular em idosos, sendo que diversos estudos apontam a prevalência do acometimento vestibular na população senescente (Bittar et al.7, Mantello et al.9, Zanardini et al.10). Tal fato se dá em decorrência do envelhecimento dos sistemas sensorial, proprioceptivo, vestibular. Como observado por Ricci et al.5 grande parte dos estudos utilizaram o protocolo de Cawthorne e Cooksey, o que corrobora com o presente estudo. O mesmo encontrou artigos que empregaram outras manobras como Manobra de Apley e exercícios de adaptação da Herdmam. Essas propostas tem como objetivo promover a estabilização visual aos movimentos da cabeça, melhorar a estabilidade postural em situações que surgem os conflitos sensoriais, minimizar sensibilidade à movimentação cefálica, melhorar o equilíbrio corporal estático e dinâmico 8. Entre os estudos que utilizaram o protocolo de Cawthorne e Cooksey, houve melhora significativa após o uso das manobras. Ribeiro e Pereira.12 realizaram um estudo com idosas com idade entre 60 e 69 anos, sendo os exercícios aplicados 3 vezes por semana com duração de 60 minutos no período de 9 semanas. Observaram através da Escala de Equilíbrio de Berg melhora significativa no grupo experimental com redução da possibilidade de queda. O estudo de Mantelo et al.9 avaliou o efeito da Reabilitação Vestibular como tratamento das labirintopatias de origem vascular e metabólica bem como a influência na qualidade de vida de idosos. A média de idade foi de 70,2 anos e o diagnóstico prevalente do grupo metabólico foi de diabetes melitus e no grupo vascular foi de hipertensão arterial sistêmica (GM: 20 idosos; GV: 20 i d o s o s ) . O s i d o s o s p a s s a ra m p o r a n a m n e s e, aconselhamento e avaliação da qualidade de vida através da escala de quantificação da tontura e Dizziness Handicap Inventory (DHI). A autora utilizou como intervenção o protocolo de Cawthorne e Cooksey, sendo a frequência de 4 a 10 sessões terapêuticas, onde os pacientes foram orientados a repetir em casa cerca de 2 a 3 vezes ao dia. Em ambos os grupos houve melhora nos aspectos avaliados através das escalas DHI (físico, emocional, funcional e geral) e escala de quantificação de tontura após a reabilitação vestibular. Dessa forma, a autora destacou que a reabilitação vestibular com o uso dos protocolos de Cawthorne e Cooksey podem ser utilizados para promover uma melhora em idosos com afecções otoneurológicas de origem vascular e metabólica. Trazendo inclusive impacto positivo na qualidade de vida dos mesmos9. Simoceli 17 realizou um ensaio clínico randomizado em idosos de ambos os sexos, entre 65 e 85 anos com queixa de desequilíbrio corporal por mais de 3 meses e com indicação de reabilitação vestibular. A autora dividiu a amostra por intervenção utilizada, sendo grupo de reabilitação vestibular clássica (RVC- 16 idosos) e adaptação de reflexo vestíbulo- ocular (RVO- 16 idosos). Para teste e reteste foram utilizados o teste de integração sensorial (TIS) e o limite de estabilidade corporal (LE). As manobras de

intervenção eram realizadas 2 vezes ao dia com 10 manobras por vez. Os idosos foram avaliados no primeiro dia, 30 dias e 90 dias após a primeira avaliação. Quanto à eficácia foi semelhante em ambos os grupos. No estudo de Peres e Silveira15 foram analisados os resultados da aplicação do protocolo de Cawthorne e Cooksey para RV em idosos institucionalizados com queixas de distúrbios de equilíbrio. A intervenção foi realizada 2 vezes por semana durante 90 dias e os mesmos foram avaliados pré e pós tratamento com a Escala de Equilíbrio de Berg e o DHI. No grupo experimental foi observado aumento no equilíbrio estático e dinâmico dos idosos e também nos relatos sobre melhoria na independência e segurança no cotidiano dos mesmos. Bittar et al. 7 realizaram um estudo com 52 idosos, divididos em dois grupos, sendo um do ambulatório geral e outro do ambulatório otoneurológico geriátrico. Teve como objetivo avaliar o impacto do tratamento adequado das doenças coexistentes ao desequilíbrio corporal na Reabilitação Vestibular. A intervenção foi realizada baseada nos protocolos de Cathworne e Cooksey, além do trabalho de reflexo vestíbulo-ocular e Norré. Os exercícios foram domiciliares, cerca de 1 a 2 vezes ao dia, com retornos quinzenais ou mensais a cada 4 ou 5 sessões, em um tempo total de 3 meses. Observou-se melhora de 26,02% de remissão sintomática no grupo de estudo. Eles concluíram que o tratamento da etiologia associado à Reabilitação Vestibular constitui-se na melhor opção no tratamento desses indivíduos. No estudo de Basseto et al.14 buscou analisar a efetividade dos exercícios de reabilitação vestibular (RV) por meio de avaliação pré e pós-aplicação do questionário Dizziness Handicap Inventory (DHI). A amostra consistiu de 8 idosos divididos em dois grupos, o grupo A utilizou o protocolo de Cawthorne e Cooksey e o grupo B utilizou o protocolo de Herdman. Os exercícios foram realizados durante 2 vezes por semana durante 3 meses. Na comparação entre os protocolos utilizados observou-se melhora significativa no grupo A, quando utilizado o protocolo I em relação à utilização do protocolo II, no grupo B. Lança et al.24, realizou uma pesquisa com 21 idosos, com idade entre 60 e 79 anos, de ambos gêneros, comparando resultados obtidos na posturografia estática antes e após Manobras de Reposição Otolítica (MRO), e após um intervalo de 12 meses do tratamento inicial para Vertigem Posicional Paroxistica Benigna (VVPB). A posturografia estática quando comparada nos momentos pré e pós manobra, apresentou melhora significativa no equilíbrio corporal, demonstrando eficácia das manobras de reposição otolítica, embora os autores não tenham descrito quais técnicas utilizaram. Porém após 12 meses do tratamento os resultados mostraram alteração do equilíbrio corporal semelhantes ao momento pré tratamento, demonstrando que no período sem a realização das manobras, houve regressão no quadro de equilíbrio. André et al.23, realizou um estudo de coorte pela USPRibeirão Preto, utilizando o Dizziness Handicap Inventory (DHI) brasileiro pré e pós tratamento em pacientes Janeiro / 2017 | REVISTA FISIOTERAPIA E CIÊNCIA

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Ciência diagnosticados de VPPB de canal posterior por ductolitíase. A amostra dividida em 3 grupos com de 53 voluntários com idade acima de 60 anos. No Grupo 1 utilizaram manobras de Apley com uso de colar cervical e orientação postural; no Grupo 2, manobra de Apley sem uso de colar e sem orientação postural e no Grupo 3, manobra de Apley com o uso de minivibrador no mastóide do lado acometido de VPPB sem uso de colar e sem orientação postural. O estudo concluiu que independente da técnica pós manobra de Apley todos os grupos tiveram resultados satisfatórios quando se comparado com Dizziness Handicarp Inventory brasileiro pré e pós tratamento. O estudo de Zanardini et al.10 teve como objetivo verificar os benefícios dos exercícios de RV por meio da avaliação pré e pós-aplicação do questionário Dizziness Handicap Inventory (DHI), também utilizado por Basseto et al. 14, André et al. 23, Mantelo et al 9 . Participaram do estudo oito idosos com queixa de tontura, na faixa etária de 63 a 82 anos, três do sexo masculino e cinco do sexo feminino. Realizaram-se os seguintes procedimentos: anamnese, inspeção otológica, avaliação vestibular, aplicação do questionário DHI e dos exercícios de RV de Cawthorne e Cooksey. Constatou-se melhora significativa dos aspectos físico, funcional e emocional após a realização dos exercícios de RV, sendo que o protocolo utilizado de RV promoveu melhora na qualidade de vida dos idosos e auxiliou no processo de compensação vestibular.

CONCLUSÃO Perante os estudos encontrados, conclui-se que as manobras de Reabilitação Vestibular em indivíduos idosos com vestibulopatias e alteração de equilíbrio, foram eficazes, proporcionando redução nos quadros de vertigem, melhora no quadro de equilíbrio e na qualidade de vida. Ressalta-se ainda a importância de divulgar esta forma de tratamento não invasivo, com finalidade de levar conhecimento à diferentes profissionais de saúde que atuem no tratamento de idosos e à comunidade científica.

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Artigo Científico

Uso da acupuntura no tratamento da hipertensão arterial Estudo de caso POR ALANA LEYSA SILVA GODOI

Resumo: A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é uma doença crônica, sendo um fator de risco para doenças cardiovasculares como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral. Ela é determinada por elevados níveis de pressão sanguínea nas artérias, fazendo com que o coração tenha que exercer um esforço maior do que o normal para fazer circular o sangue através dos vasos sanguíneos. A acupuntura é um método dentro da Medicina Tradicional Chinesa, responsável pela prevenção e tratamento das patologias a partir do equilíbrio do QI (energia) e Xue (sangue) nas ordens físicas, emocionais e espirituais. A partir de dados da literatura atual é possível relacionar o uso desse método oriental à melhora na prevenção e no tratamento da HAS e os efeitos sobre essa terapia já são conhecidos e cada vez mais difundidos aos tratamentos no ocidente. O presente estudo teve como objetivo avaliar a evolução de uma paciente voluntária, submetida ao tratamento intensivo de acupuntura por 90 dias com predominância de dois dias na semana, com a sintomatologia da HAS, que após iniciar essa prática, a partir de uma avaliação criteriosa, pôde-se chegar ao diagnóstico e aos consequentes desequilíbrios, gerados a partir de desordens emocionais e físicas, causando sua queixa principal e outras alterações que serão relatados nesse presente texto. Os resultados e a progressão do tratamento foram muito satisfatórios, com significativa diminuição dos sintomas reclamados e evolução do equilíbrio corporal da pessoa avaliada.

Palavras-chaves: Acupuntura; Hipertensão; Equilíbrio; Saúde.

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INTRODUÇÃO A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é uma doença crônica, que acomete cerca de 30% da população adulta, associada a elevados níveis de pressão arterial e sério causador de limitações ao paciente. Segundo Borges e Colaboradores (2008) é um dos principais determinantes de morbidade e mortalidade cardiovasculares estando associadas às causas de doenças como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral, insuficiência renal e cardíaca e doença arterial coronariana além de ter relação direta à redução da expectativa e qualidade de vida dos hipertensos. Está ligada a alterações estruturais e/ou funcionais de órgãos como coração, rins, vasos sanguíneos e encéfalos, além de alterações metabólicas. Segundo o DELGADO et al, (2011), é considerado hipertenso o indivíduo que tem uma pressão arterial (PA) sistólica maior ou igual a 140 mmHg e uma PA diastólica maior ou igual a 90 mmHg. Considera-se a HAS como síndrome por ser associada a diversos distúrbios metabólicos, tais como obesidade, aumento da resistência à insulina, entre outros. Existindo fatores de risco relacionados à ocorrência dessa patologia tais como idade, gênero e etnia, excesso de peso e obesidade, ingestão de sal, alimentação inadequada, ingestão de álcool, sedentarismo, fatores socioeconômicos, genética, e fatores psicossomáticos com sobrecargas emocionais como ansiedade, preocupação e depressão, como afirma DELGADO (2011). Segundo SANTOS et al, (2005) a pressão arterial aumenta de forma linear com a idade devido ao depósito de cálcio nos vasos sanguíneos; os homens têm taxas de hipertensão mais elevadas após os 50 anos enquanto as mulheres apresentam maior prevalência após os 60 anos. O menor nível sócioeconômico também é um fator de risco para incidência da pressão arterial, implicando em questões como hábitos da dieta, estresse, dificuldade de acesso a serviços de saúde, sedentarismo e ingestão de álcool e sal. O principal objetivo do tratamento da HAS é a redução da morbidade e da mortalidade cardiovasculares por meio de medidas farmacológicas, uso de medicamento, e não farmacológicas, tais como redução do peso corporal, dieta hipossódica e balanceada, aumento da ingestão de frutas e verduras, redução de bebidas alcoólicas, realização de exercícios físicos, cessação/ atenuação do tabagismo e a substituição da gordura saturada por poliisaturados e monoinsaturados, como afirmam SANTOS et al, (2005). Na visão ocidental, o tratamento para o controle

da HAS inclui a utilização de medicamentos que são diuréticos, simpaticolíticos, vasodilatadores e bloqueadores do canal de cálcio, sendo que o objetivo principal não é reduzir sintomas, mas prevenir complicações cardiovasculares, segundo SANTOS et al, (2005). A acupuntura é um ramo dentro da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) responsável pelo processo de prevenção e tratamento de doenças, que consiste em estímulos produzidos a partir da puntura de pontos específicos distribuídos no corpo humano (HICKS, 2007). De acordo com Silva (2007), a acupuntura se baseia no princípio de que o homem deve estar em harmonia com as forças primordiais da natureza, sendo que essa harmonia gera um equilíbrio que pode ser traduzido como saúde e o desequilíbrio, como doença. O equilíbrio é mantido no corpo humano por meio do fluxo suave de uma energia denominada pelos chineses como QI, bem como pelo fluxo, também suave pelo corpo, do sangue, denominado pelos chineses como Xue. Problemas ambientais, alimentares, emocionais ou espirituais podem causar algum tipo de alteração na circulação do QI e do Xue no organismo, originando assim algum tipo disfunção ou patologia. Hicks (2007) afirma que as causas das doenças surgem no interior das pessoas e afetam os órgãos e os elementos. São a raiva, a alegria, a tristeza, o excesso de pensamentos, o pesar, o medo e o choque. As causas externas de doenças são decorrentes de condições climáticas, como vento, frio, umidade, secura e calor. As causas mistas estão ligadas ao estilo de vida da pessoa como excesso de trabalho, falta de exercícios físicos e dieta. Segundo Boleta-Ceranto, Alves e Alende (2008), a técnica da acupuntura baseia-se na busca da harmonia entre o corpo e a mente, através de canais conhecidos como Meridianos de Energia, que correspondem às linhas imaginárias que percorrem todo o corpo, ligando órgãos e vísceras, por onde trafega a energia corporal, denominada QI. O tratamento é feito com a inserção de agulhas nos pontos de acupuntura com estimulação que permite a tonificação ou sedação da energia que circula ao longo do seu respectivo meridiano. A MTC está apoiada em três teorias que sustentam a prática da acupuntura: Teoria do Yin Yang, Teoria dos Cinco Elementos e Teoria dos Zang Fu (órgãos e vísceras). O Yin Yang são princípios de tudo o que existe no universo, sendo aspectos opostos que representam uma coisa única e se completam como quente e frio (CINTRA, 2010). A Teoria dos Cinco Elementos representam os

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cinco movimentos energéticos diversos com ciclos de geração e dominação dos elementos Madeira, Fogo, Terra, Metal e Água. Cada um desses elementos têm sabores, órgãos, função, estação, cor, emoção e sentidos relacionados a si, segundo Silva (2007). Quando o QI das pessoas se torna deficiente ou excessivo ocorrem mudanças em vários aspectos do corpo físico, bem como na mente e no espírito (HICKS, 2007) A Teoria dos Zang Fu designa o conjunto de órgãos e vísceras do corpo humano. Os cinco Zang são coração, fígado, baço pâncreas, rim e pulmão, que armazenam a essência e tem como função produzir,

transformar e armazenar energia (QI), o sangue (Xue), os líquidos orgânicos (Jing Ye) e o espírito vital (Shen). O sistema Fu é composto por intestino grosso, intestino delgado, triplo aquecedor, estômago, vesícula biliar e bexiga que tem ação de digerir, transformar e excretar os resíduos (JUNIOR, 2014). Segundo Nery (2015), a acupuntura pode agir em três níveis principais, nos sintomas, nas síndromes e nos indivíduos, gerando uma movimentação das energias do corpo e da mente, buscando sempre tratar a causa a qual o sintoma está relacionado.

A Hipertensão Arterial Sistêmica segundo a MTC Ao contrário da medicina ocidental que analisa os sintomas e sinais um por um, a acupuntura forma um quadro geral tomando todos os sintomas e sinais para a identificação da desarmonia subjacente, em todas as suas ordens físicas e emocionais. Nesse aspecto, a medicina oriental não busca causa, mas padrões. Após a identificação dos padrões, a medicina chinesa vai adiante para tentar identificar a causa da desarmonia (MACIOCIA, 2007). Conforme a MTC, a HAS ocorre devido a desequilíbrios energéticos em alguns Zang Fu (órgãos e vísceras), onde os órgãos causadores são principalmente o fígado e o rim (JUNIOR,2014). Ao relacionar o desequilíbrio energético, da alta da pressão arterial, aos órgãos fígado e rim, é possível afirmar que os mesmo possuem uma raiz comum dentro da Teoria dos Cinco Elementos, onde no ciclo de geração um gera o outro (rim gera fígado), onde consequentemente a deficiência de um afeta o outro. A ascensão do Yang do fígado pode resultar na deficiência de Yang do rim. Os rins são as fontes de toda energia Yin Yang do corpo humano onde fica localizada a energia ancestral. A raiva também causa ferimento do fígado e consequente desequilíbrio do respectivo órgão. O medo, assim como a raiva tem influência na HAS, pois esse sentimento lesiona o rim (MACIOCIA, 2007). A MTC classifica a HAS como desarmonia entre o Yin e Yang do fígado e rins, e também pode ser causada pela presença de umidade-calor ou mucosidade no baço e estômago (MACIOCIA, 2007). A síndrome de calor excessivo do fígado é caracterizada por estagnação do QI do fígado que se transforma em fogo, que por sua vez assalta a cabeça causando vertigens e cefaléias, gerando hipertensão e insônia (JUNIOR, 2014).

A síndrome da mucosidade é provocada por alimentação inadequada, excesso de trabalho e estresse que prejudicam o baço e estômago produzindo umidade e fleuma. Estagnada a fleumaumidade, impedem a ascensão pura do QI causando manifestações primárias como hipertensão, cefaléia e tonturas acompanhadas por sensação de peso na cabeça e no corpo, sensação de plenitude e opressão no peito. (JUNIOR, 2014). A síndrome de Yang do fígado, causado quando o Yin do fígado e do rim estão vazios, é seguida com excitação de sentimentos como raiva, ansiedade, preocupação, pavor, onde QI se acumula e transforma em fogo, que esgota os líquidos do sangue, assim o Yin não pode mais controlar o Yang. (JUNIOR, 2014). Neste tipo de síndrome, a HAS é acompanhada de dor de cabeça, rubor facial, olhos avermelhados, sede, angústia, irritabilidade, constipação, saburra amarela, pulso em corda e forte (CINTRA, 2010). Na deficiência de Yin do fígado e dos rins, a HAS está associada à vertigem e tontura, tinidos, lombalgia e lassidão nos membros inferiores, palpitações, insônia, língua vermelha, pulso em corda e rápido (CINTRA, 2010). Além disso, se houver a presença de umidadecalor, o indivíduo apresenta-se também com a opressão torácica, taquicardia, intumescimento nos membros, obesidade, línguavermelha e pulso em corda e escorregadio (CINTRA, 2010). A síndrome de calor no sangue ocorre a partir do excesso de atividade congnitiva gerado por alterações emocionais como ansiedade e preocupação, fato que aumenta a velocidade energética, aquecendo a energia do coração e aumentando o ritmo cardíaco. Esse calor, sendo repassado ao sangue, consome os líquidos orgânicos

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Ciência tornando o sangue mais denso e difícil de ser mobilizado, p ro m o ve n d o m a i o r re s i s t ê n c i a a o c o ra ç ã o e consequentemente a HAS. Com o coração em excesso e o rim debilitado, o elemento água do rim não consegue mais controlar o elemento fogo do coração, surgindo então os sintomas característicos da HAS (NERY, 2015). Assim sendo, para reverter esse quadro, optou-se essencialmente pelo tratamento recomendado na MTC, por Junior (2014), Nery (2015) e Maciocia (2007) E Cintra (2010), que é acalmar o coração, tratar o fogo do fígado, remover a mucosidade do baço pâncreas e fortalecer o rim por meio da inserção de agulhas em pontos dos meridianos de acupuntura.

MATERIAIS E MÉTODOS Este trabalho é um estudo de caso da paciente L. H. S. G., de 57 anos, casada e mãe de três filhos, que foi encaminhada por um médico cardiologista com a queixa principal de HAS para o tratamento com acupuntura no dia 15/04/2016. Neste mesmo dia, foi realizada a anamnese completa, e com base na entrevista realizada e na palpação dos pulsos, foi identificado o diagnóstico de coração em excesso, baço pâncreas com umidade e rim bastante deficiente. A língua apresentava saburra branca e coloração pálida, além de fissuras na região do coração. Levantou-se a hipótese, dentro da perspectiva da MTC, de que a HAS ocorria em virtude de alterações emocionais e de acordo com Junior (2014) e Nery (2015), por excesso de fogo no coração, possível umidade no baço pâncreas, fogo no fígado e deficiência de rim, onde dentro da teoria de dominação dos cinco elementos, onde a água não conseguia apagar o excesso do elemento fogo ocasionando todo equilíbrio energético na paciente. Dentro da investigação do histórico de vida pregressa da paciente em questão, foi possível identificar a predominância Yin da constitucional água, a partir da análise de sua aparência física com estatura baixa, pele clara, membros superiores e inferiores brevilíneos e mãos curtas, rosto redondo com muitas marcas de expressão e cabelo com quedas e coloração branca. Dentro do aspecto emocional, demonstrou ser uma pessoa com muita insegurança onde afirmava que o sentimento de medo a atrapalhava nas tomadas de decisões ao longo da sua vida. Sua queixa principal teve relação direta à HAS, onde relatou picos de alta na pressão arterial principalmente no período noturno com variações de 13/8mmHg a 16/9mmHg com sensações de palpitação cardíaca, insônia e ansiedade. Relata que mesmo com o uso do medicamento Olmetec HCT 20 mg essas variações de pressão ocorrem e foram mais intensificadas a partir de um fato que ocorreu no ano anterior, a morte de sua mãe e falência do seu marido, que aumentou o quadro de ansiedade e preocupação. A paciente relata ainda sentir muitas dores na coluna vertebral, onde já realizou cirurgia de hérnia de disco nas vértebras L4 e L5. Apresenta sinais de vitiligo, relatada por ela que a quantidade de manchas aumentaram no último ano. No tratamento dos sintomas da paciente, foram realizadas duas sessões de acupuntura

por semana no período de um mês, logo após sessões com intervalos de 15 dias por mais dois meses, onde foram utilizados os seguintes pontos para o agulhamento conforme suas funções estabelecidas por NERY (2015): os vasos maravilhosos (BP4-CS6 e P7-R6) para equilíbrio emocional e energético, R7 para tonificação dos rins, C7 para sedação do coração e calor no sangue, E36 para equilíbrio do baço e estômago para eliminar umidade e reequilíbrio do QI, VG20 e F3 para acalmar e descongestionar o fígado. A pressão arterial foi aferida no início de cada sessão de atendimento.

RESULTADOS A paciente submetida ao tratamento de acupuntura para HAS desse estudo de caso apresentou melhora significativa nos sintomas relatados a partir da segunda sessão realizada. A mesma relatou diminuição dos sintomas que a trouxeram ao atendimento, informou sentir grande alívio das sensações desagradáveis que sentia antes como palpitações, ansiedade e insônia. Porém foi possível analisar que o quadro de pressão arterial ainda continuava acima do considerado normal, mas com oscilações entre 13/8mmHg a 14/8 mmHg, com uso do medicamento com prescrição médica. A partir da terceira semana de tratamento foi possível avaliar a evolução do tratamento de acupuntura onde os níveis de pressão arterial não ultrapassaram 12/8mmHg naquela semana. A paciente ainda relatou sua evolução nos aspectos emocionais, onde afirmava apresentar mais força de vontade, menos tristeza e ansiedade no seu dia a dia, além de mais segurança no seu tratamento. Foi possível verificar a diminuição da palidez na língua e na face, além da mesma relatar não apresentar mais dificuldades para dormir, nem sensação de tristeza e peso na cabeça. Na quinta semana de tratamento foi relatado pela paciente que não houve alterações em sua pressão arterial, ficando sempre dentro do limiar de 12/8mmHg. Informa que não sente mais dores na coluna, está mais disposta nas suas atividades do dia a dia e com menos ansiedade e preocupação. Dentro do diagnóstico do pulso foi possível analisar a sedação do coração e tonificação do rim. Dentro dessa evolução, por ordens médicas, a paciente ainda continua com o uso do medicamento, mas as sessões de acupuntura foram colocadas com intervalos de 15 em 15 dias para manutenção e equilíbrio do seu quadro evolutivo de tratamento.

DISCUSSÃO O tratamento realizado pela acupuntura não proporciona curas milagrosas ou o fim das patologias dos pacientes como afirmam Silva (2007) e Nery (2015). Esse tratamento ocorre de forma processual, porém completa, atingindo níveis de equilíbrio físico, emocional e espiritual. O restabelecimento da saúde se dá de modo gradual e está diretamente relacionado a condições externas (ambientais, climáticas, sociais) e internas (alimentação, estados emocionais e espirituais) com as

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Ciência quais a paciente se relaciona (SILVA, 2007). Para alguns autores como Junior (2014) e Silva (2007) ao usar a acupuntura para tratamento da HAS, primeiro é realizado um tratamento para o estresse, uma vez que essa desordem psicológica pode ser fator causal ou agravante da alteração de pressão arterial. Há variações de protocolos e uso de pontos no atendimento da acupuntura para o tratamento da HAS. Maciocia (2007), Nery (2015) e Hicks (2007) afirmam que variados pontos podem contribuir para o sucesso no tratamento realizado, a partir da identificação de cada síndrome que gerou essa desordem como plenitude de calor no fígado, mucosidade no aquecedor superior, vazio de Yin e Yang do rim. No caso dessa paciente, o tratamento se baseou principalmente no equilíbrio do rim, seu órgão choque e com predominância de maiores alterações usando, entre outros, o ponto R7 para sua tonificação. Foi possível observar a evolução do tratamento da acupuntura, se comparando ao tratamento ocidental com medicamentos. O tratamento com a MTC buscou a eliminar a desordem que causava a HAS com desequilíbrios nos elementos madeira (fígado), fogo (coração) e água (rim). Trabalhando assim no ajuste integral de todo o organismo e diversas outras queixas e sintomas, emocionais e físicos, reclamadas pela paciente.

CONCLUSÃO Observando-se como ocorre o processo da HAS dentro dos pontos de vista ocidental e oriental, conclui-se que o tratamento com a acupuntura, tem efeitos importantes no combate do aumento da pressão arterial e no equilíbrio do paciente a partir do tratamento da causa das desordens físicas, energéticas e emocionais, e não apenas nos seus sintomas gerados. Foi notória a evolução gradativa e contínua do equilíbrio da pressão arterial e de outros sintomas relatados pela paciente como insônia, ansiedade, tristeza, falta de força de vontade, dores na coluna lombar e manchas na pele resultado de vitiligo, a partir das primeiras sessões de uso da acupuntura como técnica responsável para equilibrar o organismo interno com suas funções e emoções relacionadas.

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Revista fisioterapia e ciência - Edição 2 - janeiro 2017  

Revista especializada em Fisioterapia, ciência e carreira.

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