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JORNAL-LABORATÓRIO SOBPRESSÃO DO CURSO DE JORNALISMO DA UNIFOR

OUTUBRO/NOVEMBRO 2010

ANO 7

N° 23

Saltando para ficar em forma O HOP BR é um novo treinamento, adotado pelas academias, que possui tecnologia IPS (Impact Protection System), protegendo a coluna e os membros inferiores Suiani Sales

As botas O equipamento surgiu na Europa, no começo do século XX, com o intuito de reabilitação de atletas. Anos mais tarde, ele chamou a atenção de um engenheiro suíço, que o aperfeiçoou para outro fim: a ginástica. Trata-se de um par de calçados parecidos com patins, mas que possuem uma tecnologia bem diferente que se utiliza de arcos e ligas e que permitem realizar saltos com estabilidade. As botas não exigem ha-

A técnica tem por objetivo estimular a perda de calorias e a tonificação dos músculos com o menor impacto possível Foto: DIVULGAÇÃo

bilidade de quem as calça na primeira vez. A sensação é de crescer pelo menos uns quinze centímetros. Outra sensação é de que o aluno cansa mais do que se estivesse usando tênis convencional. Segundo o site Kangoo Jumps, que comercializa as botas, o peso delas foi desenvolvido propositalmente para auxiliar no fortalecimento e resistência muscular, incluindo a região dos glúteos e abdômen. Cada uma das botas pesa 1,7 kg, mas, devido à absorção do impacto, o peso é sentido parcialmente. No Brasil, o HOP BR ainda é pouco conhecido, mas o calçado suíço que é utilizado nas aulas já marca presença em 18 países do mundo. Em Fortaleza, uma academia que funciona somente para mulheres oferece essa nova modalidade de aeróbica. “As aulas são totalmente seguras, pois a nossa preocupação é a boa funcionalidade do nosso programa”, garante a coreógrafa das aulas, Tatiana Trévia. O calçado, além de ser equipamento das aulas de HOP, pode ser também utilizado em corridas, exercícios em casa, treinamento de atletas, bem como em outras atividades. O equipamento encontra-se disponível para compra pela Internet.

Prós e contras De acordo com Tatiana, os benefícios para quem pratica

essa nova modalidade de exercício são inúmeros: diminuição da celulite, estimulação do sistema linfático, melhora do sistema cardiovascular, correção postural e realinhamento corporal natural. Trinta minutos de aula equivalem a uma hora de tênis convencional. As aulas também ajudam na motivação e combate à depressão, pois, durante o treinamento, a liberação de en-

dorfina, hormônio produzido pelo corpo, traz a sensação de satisfação e felicidade. Ajudam ainda na correção de pronação e supinação, ou seja, ajusta a pegada da pessoa, que pode ser para dentro ou para fora, e o uso do equipamento ajuda a corrigir a pisada. A aluna Maria Cristina, 40 anos, avalia positivamente a experiência com o HOP. “Participei apenas de algumas au-

Saiba mais

Preço varia conforme o modelo KJ-JA - R$ 399,00 Versão infanto-juvenil indicada para crianças a partir de 6 anos para condicionamento ou recreação infanil. KJ – XR3 – R$ 660,00 Nova versão do modelo do Kangoo Jumps com novas cores, nova tecnologia e muito mais resistente. KJ – XR2 - R$ 550,00 Indicado para pessoas de 32kg a 95kg. Ideal para os iniciantes no uso do Kangoo Jumps é o mais vendido. KJ – Armstrong – R$ 720,00 Design semelhante a um tênis. Mais leve, macio e ventilado, permite treinos de corrida e de longa duração. Fonte: www.kangoojumps.com.br

DIVULGAÇÃo

Já imaginou exercitar-se por meio de botas que fazem você pular? Essa é a mais nova atração para quem gosta de fazer algo diferente na academia. Conhecido como HOP BR, a nova modalidade é uma aula aeróbica pré-coreografada genuinamente brasileira. O programa inspirou-se numa tecnologia suíça que utiliza um calçado capaz de absorver até 80% do impacto dos saltos, porcentagem que nenhum tênis convencional possui. Por ser um treinamento aeróbico que se utiliza de técnicas do salto e amortecimento, este se baseia na teoria da gravidade de Albert Einstein, cujo princípio diz que em qualquer exercício físico que o ser humano faça, a força que se oporá será a da gravidade. Isso faz com que o gasto calórico seja bastante elevado. Em princípio, não há restrições de idade para a prática do exercício, mas é recomendável seguir sempre as orientações de um profissional. As aulas utilizam uma técnica chamada ginástica funcional, que trabalha várias partes do corpo simultaneamente, adaptando o exercício físico a treinamentos específicos, assim como prepara nosso corpo para uma melhor execução dos movimentos da rotina de cada um. Nos Estados Unidos e na Europa, um dos estímulos funcionais mais utilizados é o “Rebound”, exercício funcional aeróbico que estimula o fortalecimento de músculos centrais e mais profundos do corpo, o que melhora a saúde como um todo.

las, mas já estou notando a diferença no meu corpo. Também saio mais alegre da aula”. Para a jovem Sabrina Gurgel, 22 anos, foi difícil se acostumar com a bota, “mas agora é bastante divertido”. De acordo com os especialistas, mulheres que estejam em qualquer fase da gestação, portadores de labirintite não medicados, idosos com comprometimento motor, pessoas que possuem lesões osteo-musculares sem liberação médica e quem possua peso corporal acima de 120 kg não podem praticar o HOP BR por questões de segurança. Uma academia da Cidade fez um teste com dez alunas que se candidataram voluntariamente para um desafio que tinha como objetivo constatar os benefícios que podem ser alcançados com a prática do HOP BR. As candidatas deveriam comparecer a todas as aulas durante um mês. Antes dos testes, todas passaram por avaliações físicas. Ao final do desafio, 3 kg foi a quantidade menor de peso perdido por uma aluna e 8kg, a maior perda. Com relação ao percentual de gordura, 2% foi o menor valor perdido e 6%, o maior. “Pode não parecer, mas é uma porcentagem bem satisfatória”, comenta Tatiana Trévia. Um detalhe importante é que nenhuma das alunas fez dieta, ou seja, não houve restrição alimentar.

Foto: DIVULGAÇÃo

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O fotógrafo José Albano fala em entrevista sobre as várias viagens que fez na sua moto de 125 cc pelo Brasil afora e do seu livro “Manual do viajante solitário”. Página 4


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Mulheres são destaque no VI Trofeu Unifor de Esportes Participaram do evento 750 atletas representando 35 entidades nas modalidades arremesso de peso, atletismo, basquete, futsal, natação, voleibol, entre outras Gizela Farias

A ala feminina de atletas da Universidade de Fortaleza foi o principal destaque na sexta edição do Troféu Unifor de Esportes, realizado de 18 a 23 de outubro, no Parque Desportivo da Universidade. Elas conquistaram medalhas no voleibol contra Inace (Indústria Naval do Ceará), venceram a academia Energy no basquete e a UFC no Futsal, no atletismo universitário feminino ganharam da Faculdade Católica e, no adulto feminino, da ABI (Associação Beneficente Ideal). Já os rapazes venceram a UFC no futsal e no voleibol, no atletismo universitário masculino venceram a Escola Naval do Rio de Janeiro e, no adulto masculino, o CEUC (Centro Estadual de Unidades de Conservação). Outras instituições vencedoras foram a Faculdade Ateneu no futebol masculino e a Faculdade Christus na modalidade basquete masculino. A técnica do basquete feminino da Unifor, Tereza Braga, que participa do evento há quatro anos, afirmou que o empenho da equipe é fundamental para o sucesso. “A vitória que tivemos vem por conta do nosso trabalho, que é constante. Treinamos quatro vezes por semana”, lembra. Segundo Ivnna Lacerda, jogadora de voleibol da Unifor, as equipes da Unifor enfrentaram uma maratona intensiva de treinamento antes das competições, o que permitiu a vitória. A atleta afirma que a equipe da Inace era uma das mais fortes

A vitória da ala feminina foi uma das marcas do evento, prova disso, foi a premiação de primeiro lugar na maioria das modalidades esportivas da competição Foto: CÁtIA CoeLHo

do evento, mas com todos os esforços que elas realizaram nos treinos, o pódio não podia ser de outra equipe senão a delas. Com esses resultados, a Unifor mantém a tradição dos primeiros lugares. Para o coordenador do evento, Ralciney Barbosa, os bons resultados na disputa se devem à qualidade dos profissionais que trabalham na preparação dos atletas. “Os treinadores são renomados, já participaram de seleções e este é um diferencial que classifica nossas equipes”, afirmou. A sexta edição do evento promoveu conquistas, não só da comissão organizadora, mas também dos alunos. Segundo

Marcelo Viana, coordenador de esporte da Unifor, “a principal diferença dessa edição foi a participação direta e o empenho dos alunos do curso de Educação Física da Universidade”. Em média, somando atletas e visitantes, o evento contou com um público diário de 1.500 pessoas. O que foi “bem considerável”, como destacou o coordenador Ralciney Barbosa. Todas as competições foram realizadas à noite, das 18h às 22h, nas dependências do Parque Desportivo, que incluem o ginásio poliesportivo, a piscina e o estádio de Atletismo.

O desporto em primeiro plano O Troféu Unifor de Esportes acontece todo ano, e é parte da programação do Mundo Unifor. Quando não há o Mundo Unifor, o evento acontece na Semana da Saúde. Foi idealizado em 2004 pela Divisão de Assuntos Desportivos, órgão subordinado à vice-Reitoria de Extensão. O evento tem como objetivos preencher as demandas do desporto universitário e promover competições entre empresas e instituições de nível superior. O critério utilizado para a participação do evento é desen-

volvido pela Federação Cearense de Desporto (FCD), em que as equipes de todas as modalidades que mais se destacam são selecionadas. Nessa edição, o VI Troféu contou com a participação de 35 instituições. Entre elas, além da Unifor, a Universidade Federal do Ceará (UFC), a Faculdade Christus, Faculdade Integrada do Ceará (FIC), Faculdade Ateneu, Instituo Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC), Instituto Federal do Ceará (IFCE), Universidade Estadual do Ceará (UECE),

Universidade do Vale do Acaraú, Faculdade Metropolitana, Náutico Atletico Cearense, BNB Clube, Círculo Militar de Fortaleza, Associação Amadora de Volêi do Tabapuá (AAVT), academia Energy, Indústria Naval do Ceará (Inace) e a empresa Esmaltec. A Divisão de Assuntos Desportivo e o comitê organizador do Trófeu Unifor de Esportes são os responsáveis em cumprir as normas de gestão do evento, bem como resolver situações que possam vir a dificultar a sua realização.

Arremesso de peso foi uma das modalidades disputadas no VI Troféu Unifor de Esportes Foto: CÁtIA CoeLHo

Caderno Fôlego - Fundação Edson Queiroz - Universidade de Fortaleza - Diretora do Centro de Ciências Humanas: Profa. Erotilde Honório - Coordenador do Curso de Jornalismo: Prof. Wagner Borges - Professor Orientador: Alejandro Sepúlveda - Projeto Gráfico: Prof. Eduardo Freire- Estagiário de Produção Gráfica: Bruno Barbosa - Supervisão gráfica: Francisco Roberto - Impressão: Gráfica Unifor - Tiragem: 500 exemplares - Edição: João Paulo de Freitas - Redação: Suiani Sales, Gizela Farias, Lia Girão, Ricardo Garcia, Julie Scott, Aline Veras.

Sugestões, comentários e críticas: equipelabjor@gmail.com


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Sprint

GP Brasil de Fórmula 1 Foto: Internet

Corrida que marca a penúltima etapa do Mundial ocorrerá no fim de semana, dos dias 5, 6 e 7 de novembro. Brigando pelo título estão os pilotos Mark Webber e Sebastian Vettel, ambos da Red Bull, além de Fernando Alonso (Ferrari), e Jenson Button (McLaren), atual campeão. Os brasileiros Felipe Massa (Ferrari) e Rubens Barrichello (Williams) não têm mais chances de título, e disputam posições intermediárias na temporada. Pelo título de construtores ainda estão na briga Red Bull, McLaren e Ferrari. A última etapa ocorrerá uma semana depois em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

Mundial de Vôlei Feminino Foto: Internet

A competição começou no dia 29/10 e vai até 14/11, no Japão. A seleção brasileira, comandada por José Roberto Guimarães, busca o seu primeiro título no torneio e tentará repetir o feito dos homens, recém campeões do mesmo torneio na Itália. O Brasil terá os desfalques de Paula Pequeno e Mari, que não participarão do torneio por causa de contusões, sofridas durante a disputa da fase final do Grand Prix, disputado na China, em agosto. A estreia será contra as africanas do Quênia, no dia 29 de outubro, em Hamamatsu. Além das quenianas, as brasileiras ainda enfrentarão República Tcheca, Holanda, Porto Rico e Itália, na 1ª fase.

Lia Girão

Para aqueles que procuram mais uma desculpa para comer chocolate, novos estudos, ainda não conclusivos, dizem que, além de todas as vitaminas, do ferro, dos sais minerais e do fósforo, os antioxidantes presentes no chocolate amargo combatem os radicais livres do corpo, combatendo, assim, o envelhecimento precoce. Quanto maior a concentração de cacau, mais benefícios o chocolate trará. Os flavonóides, substância presente na semente do cacau, ativam a produção de ácido nítrico no corpo, levando ao relaxamento dos vasos sanguíneos e à queda da pressão arterial.

Segundo a nutricionista e especialista em nutrição clínica Sara Moreira, é importante destacar que o chocolate, mesmo o amargo, deve ser consumido com moderação. Em excesso, pela quantidade de açúcar e manteiga de cacau, ele pode promover aumento na quantidade de gordura corpórea, ganho de peso, sobrecarga hepática e ainda o desenvolvimento de fatores para problemas cardíacos. Um bombom de 13 gramas tem 70 calorias. Um bom motivo para quem quer emagrecer é não exagerar na ingestão da guloseima.

Vida longa para o coração O coração também é beneficiado quando se ingere chocolate com um mínimo de 70% de cacau em sua fórmula, pois esses mesmos flavonóides reduzem a oxidação do LDL (mal colesterol), evitando que ele se deposite na parede dos vasos sanguíneos, reduzindo,

assim, o risco de doenças cardiovasculares. Pesquisa realizada na Universidade Hospital Colônia, na Alemanha, revelou que o consumo rotineiro de chocolate reduz os níveis da pressão arterial. O chocolate suiço é outro aperitivo que vem ganhando espaço no gosto dos brasileiros. A dona de casa e consumidora desse chocolate Rejane Cunha enfatiza que o chocolate suíço é completamente diferente dos produzidos no Brasil. “Acho o suíço mais consistente e macio. A sensação que ele dá na boca é melhor, é mais agradável”, ressalta Rejane. No Brasil, a legislação não exige que as indústrias divulguem a quantidade de cacau utilizada na fabricação dos chocolates. Por isso, é recomendado que o consumidor escolha aquele chocolate que apresente a cor mais escura, pois quanto mais escuro for o tablete, mais cacau ele terá.

Engorda só em olhar É bem mais agradável saborear uma barra de chocolate sem se atentar quais são os que mais engordam. Na lista dos mais calóricos, em primeiro lugar está o chocolate crocante, geralmente de cor escura. Esse chocolate é preparado com avelã, amendoim, flocos de arroz e castanha. São 553 calorias na ingestão de 100 gramas do crocante. Na segunda posição vem o chocolate branco, aquele em que o gostinho do leite realça mais que todos os outros. O branquinho carrega em 100 gramas o equivalente a 550 calorias. Em seguida vem

o chocolate ao leite, esse possui um baixo percentual de cacau em média 25% - sendo produzido por uma quantidade de leite muito alta. Esse elevado teor de leite faz das 540 calorias, ótimos motivos para não abusar tanto do doce. O chocolate amargo está no fim da lista, mas não é por isso que se deve abusar da guloseima. Comer 100 gramas desse bombom equivale a 537 calorias. Esse chocolate é feito com grãos de cacau torrados, sem a adição de leite. Se ganhar peso é fácil, perdê-lo não chega a ser tão difícil. A cada 100 gramas de chocola-

te que se ingere, a pessoa pode queimar as calorias contidas nesse chocolate andando, correndo, em seções de hidroginástica. Usarei como exemplo o chocolate ao leite, um dos mais calóricos. As 540 calorias obtidas nesse bombom podem ser gastas em 89 minutos a 5 km por hora. Ou, se preferir correr, vão ser gastos 57 minutos a 5 km por hora. Quem gosta de nadar vai levar 1 hora, em velocidade média. Na hidroginástica, serão 48 minutos em intensidade média. Esses valores foram calculados para uma pessoa de 70 kg.

Última rodada do Campeonato Brasileiro Um dos campeonatos nacionais de futebol mais disputados e acirrados do mundo chega a sua última rodada no domingo do dia 5 de dezembro. Na briga pela conquista estão o Cruzeiro, o Fluminense e o Corinthians. Santos e Internacional correm por fora e podem surpreender na reta final. A disputa também vai ser quente pelas vagas na Taça Libertadores da América, que com a mudança da Commebol, volta a classificar os quatro primeiros colocados. Na luta contra o rebaixamento, o tradicional Atlético Mineiro tenta escapar do descenso depois de uma reação nesta parte final do campeonato e vai brigar pela permanência contra Atlético-GO, Avaí, Vitória e Guarani.

Foto: Internet

Dados comprovam que o chocolate promove em nosso sistema fisiológico alterações positivas para a saúde. O coração é um dos mais beneficiados

Paradesporto em Fortaleza O Projeto Esporte Adaptado, da Secretaria de Esporte e Lazer de Fortaleza (Secel), foi lançado recentemente, mas já oferece iniciação esportiva para pessoas com deficiência nas modalidades de basquetebol em cadeira de rodas, natação, futsal e musculação, atividades realizadas no SESC Centro de Fortaleza. A iniciativa atende a mais de 200 participantes e a expectativa é que continue se expandindo por meio da criação de novos núcleos de funcionamento, operação realizada pela Prefeitura de Fortaleza em parceria com a APAE, Associação dos Cegos do Ceará e a UFC.

Foto: Internet

O gosto doce da saúde

Copa 2014

Foto: Internet

O chocolate possui nutrientes que ajudam na produção de endorfina, hormônio que promove o estado de alegria Foto: Internet

Acontece entre 18 e 20 de novembro, em Nova York, uma exposição, organizada pelo Instituto Americano de Arquitetos, sobre os projetos dos estádios da Copa da Fifa de 2014. O evento revelará imagens e informações dos 12 projetos que serão construídos ou reformados no Brasil, com debates acerca das melhorias que trarão às cidades-sede e o uso de tecnologias “limpas” que serão utilizadas em algumas arenas, como em Curitiba, Cuiabá, Belo Horizonte, Brasília e Salvador. Além disso, também serão apresentadas outras obras que serão realizadas até a copa.


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Entrevista

Realizado, José Albano, fala das alegrias e dos desafios de aventurar-se sobre duas rodas pelo território nacional Foto: Internet

Histórias de um fotógrafo viajante No ano de 1984, o fotógrafo José Albano comprou uma moto Honda ML 125cc e ganhou asas para ir aonde quisesse. Em 20 anos, ele contabiliza mais de 50 viagens pelo Brasil. Depois de milhares de quilômetros percorridos, Albano reuniu histórias, experiências e fotografias no livro lançado recentemente por ele que se chama “Manual do Viajante Solitário”. O Fôlego entrevistou Albano, que conta sobre o livro, as viagens e as aventuras vividas pelo Brasil Aline Veras

Fôlego: Quando e por que você decidiu sair de moto pelo Brasil? José Albano: Eu fui fazer um trabalho em Teresina que durou dois meses. Fui de ônibus. Como não queria ficar sem a moto, despachei-a em um trem com destino a Teresina. Levou duas semanas para chegar até o Piauí. Quando o trabalho terminou, fiquei pensando que se fosse mandar a moto de volta por trem , iria passar mais duas semanas em Fortaleza sem ela. Então decidi que ia voltar para o Ceará nela mesmo. Foi a primeira viagem que eu fiz. Demorei três dias para chegar. Fiquei pensando que era a moto que era inadequada. Não sabia como me defender dos desconfortos. Dormi mal nos hotéis. No dia seguinte, eu ficava com sono na estrada. Muito difícil! Depois, mandei buscar nos Estados Unidos um livro sobre como viajar de moto (“Motorcycle Touring”, do jornalista americano Bill Stermer). Eu participo, todo ano, do encontro nacional das comunidades alternativas porque vivo em uma. Esse livro me deu dicas que me permitiram passar a usar a moto para ir a esses encontros (pessoas de todo o País se reunem para debaterem assuntos referentes à cultura da convivência alternativa). E foi assim que eu passei a

andar de moto pelo Brasil, todo ano fazendo viagem longa. F: Você diz, num trecho do livro, que detestava motos antes de comprar uma. E hoje, depois de tantas aventuras tendo a moto como companheira, o que ela significa? JA: Eu considero a minha moto um prolongamento das minhas pernas. Hoje, ela é parte do meu corpo. E a afeição que eu criei por essa motocicleta foi tanta, que ela é a mesma. Tenho ela há 25 anos. Não me interessa comprar uma moto nova porque não tem alma, não tem a ligação. Eu aprendi nela, comecei a viajar com ela. Parece que é só romantismo, teimosia, mas não. É porque tem um sentido prático e econômico também. Criei uma equipe de amigos que são mecânicos e eles cuidam da minha moto. Então, eles a mantêm sempre em bom estado, sempre pronta para sair, para viajar. Então não há necessidade de ter uma nova. F: Quais são os problemas inevitáveis ou que surgem com mais frequência quando viaja de moto? JA: Levo ferramentas, mas nem tudo eu sei fazer ou nem tudo eu consigo fazer. Quando não consigo, procuro as oficinas ao longo do caminho. Uma das vantagens de viajar na minha moto é que ela é uma moto popular. Tem mecânico e peça em qualquer lugar do Brasil. Todo mundo entende dela. Alguém sempre diz: “o que você faz para prevenir

problemas?” Eu saio com a moto arrumada, dou um banho de oficina, mas não saio com a garantia de que não vai acontecer nada. Quando saio, estou pronto para o que acontecer. F: Quais são os comentários mais freqüentes que você costuma ouvir das pessoas sobre as inúmeras viagens que fez de moto? JA: “Mas que coragem!”, 90% das pessoas dizem isso. Falam tantas vezes, que eu resolvi desenvolver uma resposta para dar a eles: “Coragem é a sua de ver a vida passar dentro de casa! Como é que você tem coragem de gastar a vida desse jeito?” O que me estimulou foi o livro comprado nos Estados Unidos (“Motorcycle Touring”). A partir daí, desenvolvi um sistema prático e viável de viajar de moto para qualquer lugar do Brasil. E, com esse livro, espero estimular outros a tomarem o mesmo rumo, desmitificar, perder o medo. F: Quais foram as maiores dificuldades que você enfrentou? JA: É difícil responder isso porque cada viagem é diferente, tem um episódio de aprendizado. Em uma das viagens, o motor da moto praticamente se desmanchou. Subi a montanha que separa a Rio-Santos da praia de Trindade. Isso forçou muito o motor da moto. Já tive quedas, doenças, confronto com bandidos, fui assaltado, atacado por insetos, quase morri queimado porque a minha barraca ia incendiando num episódio que eu botei álcool para ferver pensando que era água. Muita história. Nem tudo está contado no livro, mas muitas delas estão como exemplo. F: Em 20 anos foram cerca de 50 viagens feitas. Existe alguma que marcou mais, seja por situações enfrentadas, pessoas que conheceu, ou lugares inusitados? JA: Todas as viagens foram maravilhosas, todas foram encantado-

ras, nenhuma trouxe problemas sem solução, algumas foram mais difíceis porque foram mais longas ou mais caras, ou porque passei muito tempo fora de casa. A mais marcante foi a do Rio Grande do Sul porque foi o lugar mais longe que fui. Foi uma viagem realmente muito longa e ela mereceu um álbum de fotos. De nenhuma outra fiz um álbum da viagem, só dessa. Então, vamos dizer que a do Rio Grande do Sul foi a que mais marcou. F: Quais os principais cuidados a se ter com a moto em viagens tão longas? JA: A moto tem que estar com os pneus bons, a transmissão, que é a corrente, tem que estar em bom estado, os pneus inflados corretamente, lubrificada e nada mais. Não tem que ter outros cuidados específicos. O fato de viajar ou estar na cidade, dá no mesmo, não tem diferença. F: O que se deve planejar antes de pegar a estrada? O que você considera essencial? JA: Eu acho essencial você ter um equipamento de apoio na estrada. Por exemplo, eu não vou planejar as dormidas eu vou sair de um lugar e dormir em outro. Jamais faço isso. Levo uma barraca e a barraca eu armo quando escurece. Quanto mais longe da cidade, melhor para mim. Então, o planejamento é do equipamento que você vai levar, é mais importante que o planejamento de estrada, de roteiro, de qualquer outra coisa. Eu preciso ter acesso ao munServiço Manual do Viajante Solitário: Rodando de 125cc nas estradas do Brasil Autor: José Albano Preço sugerido: R$ 45,00 Editora: Terra da Luz Formato: 24 x 18 cm Páginas: 112 Ano: 2010

do de fora, senão eu vou pirar, ficar completamente isolado e sozinho sem saber o que acontece. Então, eu levo um rádio. É essencial? Não, mas para mim é importante. Eu levo o MP3 porque música é importante pra mim. Então são coisas que você pode considerar luxos, mas na minha visão tem importância. F: Qual o conselho que você daria para um motociclista que sonha em fazer o mesmo que você fez? JA: Posso dar um conselho bem sem vergonha? Meu conselho é: “leia meu livro!” Porque aí tem um resumo de tudo o que eu aprendi nesses vinte e tantos anos de moto e eu abro as portas completamente. Não soneguei informação. Tudo o que eu aprendi está no livro. Eu não estou narrando as minhas viagens. Estou dizendo o que você faz ou pode fazer para dar certo. Claro que eu uso fatos que aconteceram comigo para ilustrar situações que vivenciei e que podem servir de alerta para quem vai viajar. F: Planeja fazer outra viagem em breve? JA: Planejo. Quero ir à Recife. Acho que vou em novembro, mas não tenho certeza. Quero ir à Feira de Caruaru, que eu nunca fui. Tenho vontade de conhecer as cachoeiras do Rio São Francisco. Minha vida é fluida, não planejo nada com antecedência. Eu vou sentindo.

Fôlego nº 23  

Uma publicação do Laboratório de Jornalismo da Unifor - Labjor | Outubro/Novembro de 2010

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