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Para cada investidor, uma solução O mercado de investimentos Ê arriscado, mas pode contar com alguns produtos de seguro para minimizar seus impactos Amanda Cruz

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O

s investidores do mercado financeiro estão sempre rodeados de apostas, riscos, investimentos que nem sempre têm um retorno garantido. Alguns mais conservadores, outros mais agressivos. Embora os engravatados de Wall Street ou da Bovespa não tenham um seguro que cubra os riscos de suas grandes apostas, o mercado de investimentos, no Brasil e fora dele, pode contar com diferentes produtos, para diferentes perfis, que auxiliam transações de pessoa física ou jurídica e evitam que grandes perdas sejam desastrosas. Caso saibam apostar bem, claro.

Brincadeira de gente grande

À parte dos investimentos prazerosos, feitos para o lazer, existem aqueles que são motivo de tensão para seus investidores. Os seguros podem não fazer com que seu investimento aumente, nem promete garantias financeiras além dos valores estabelecidos para indenização de sinistro, mas esses dois mercados são muito próximos. “O seguro impede que investimentos feitos em ativos se percam por ocorrência de força maior, uma catástrofe, um acidente”, aponta Luciano Mendonça, da Euler Hermes. O melhor exemplo de risco entre investidores que pode contar com um seguro de crédito são os chamados recebíveis à prazo, como é o caso de títulos de dívida e ativos que venham da venda de mercadorias, serviços prestados que financiam os sacados e antecipam recursos aos cedentes. “Os recebíveis podem não ser honrados pelos sacados na data de vencimento e, assim, os investidores podem se proteger deste risco comprando uma apólice de seguro de crédito, que vai garantir o recebimento do título em caso de mora ou insolvência do sacado”, explica Mendonça. Ou seja, o seguro de crédito ajuda a cobrir os danos causados por inadimplência. Mendonça explica que quem procura por esse tipo de cobertura no mercado são, na maioria das vezes, empresas manufatureiras que possuem margens menores e precisam buscar novos clientes para alavancar essas vendas.

A preocupação está no core business. As empresas precisam focar no objeto principal de sua existência e por isso preferem deixar as avaliações de crédito, análises de clientes potenciais e o monitoramento dos créditos nas mãos de um especialista. Mendonça alerta para o fato de que os empresários costumam segurar veículos, imóvel, vida dos funcionários etc, mas a carteira das vendas a prazo é deixada sem qualquer proteção, ainda que represente 40% dos ativos de uma empresa. “Imagine uma empresa na qual a margem de vendas é bastante apertada: 5%. Se houver um calote, em uma venda de R$100, deve-se vender 20 vezes o mesmo valor para equalizar aquela perda. Assim, proteção contra calote é essencial para uma empresa que quer se manter competitiva no mercado”, aponta o executivo da Euler Hermes.

Entre empresas

Outra preocupação, que ultrapassa a área de atividade de uma empresa e preocupa todas de maneira geral, é investir em uma fusão ou aquisição e mais tarde encontrar irregularidades ou graves problemas que possam atingir sua reputação e seu capital financeiro. Há dois anos, uma seguradora trouxe ao Brasil um produto que quer proteger essas transações. “Apesar do mercado da América Latina ser novo, a demanda por esse produto vem crescendo consistentemente, por isso acreditamos que essa tendência continue nos próximos anos”, aposta Bruna Reis, líder da prática de Private Equity e Fusões

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Bruna Reis, da Marsh Brasil

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Luciano Mendonça, da Euler Hermes

e Aquisições da Marsh Brasil. Esse produto está disponível apenas para o comprador, cobrindo o passivo oculto da empresa comprada. “Caso surja um processo pós fechamento, referente a um ato desconhecido no momento da operação, o comprador será reembolsado”, afirma Bruna. Essa apólice foi desenhada semelhante ao que é oferecido nos EUA e na Europa, o que falta é a expansão que contemple uma apólice para o vendedor e também para contingências, cláusulas que já estão disponíveis lá fora. Ainda existem poucas apólices de proteção para fusões e aquisições e o mercado brasileiro não apresenta exclusões específicas. “Porém, com a crise política no País, as últimas cotações foram apresentadas com exclusão para reclamações relacionadas à corrupção”, esclarece Bruna. Mesmo assim, a executiva afirma que essa não é uma exclusão padrão e que poderá ser renegociada. Semelhante a essa iniciativa estão os produtos da Chubb voltados para proteger os gestores de investimento e as entidades responsáveis envolvidas nessa gestão. A apólice oferece cobertura em casos de responsabilização dos administradores por questões relacionadas com a gestão (D&O) e cobertura em casos de responsabilização das entidades envolvidas e dos seus gestores por questões relacionadas à prestação de serviços de investimento (E&O). “O IMI - Investment Menagement Insurance é um seguro de responsabilidade civil à base de reclamação. Um produto voltado 19


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para fundos de investimento que tem como principal característica o fato de ser a junção de dois produtos: D&O e E&O”, explica Rafael Domingues, diretor de Financial Lines da companhia. Esses fundos, chamados FIDC – Fundo de Investimentos em direitos creditórios – funcionam da seguinte maneira: eles compram os direitos dos créditos que um portador tem sobre determinados títulos da dívida quem vêm de vendas de mercadorias ou prestação de serviços. Esses compradores têm, portanto, seus títulos segurados contra eventuais inadimplências. Mendonça, da Euler Hermes, explica que “embora não haja proteção para a taxa de retorno – yield - que um investidor espera de um fundo de crédito desse tipo, há proteção para os ativos que o compõem. Isso acaba mitigando o risco de perda do fundo que pode ser causado pelo calote”, elucida. Já no caso de seguro de fusões e aquisições, as empresas de Private Equity podem vender suas alavancadas e precisar encerrar esses fundos. Bruna, da Marsh, afirma que a apólice dá a garantia ao comprador sem precisar deixar os recursos da empresa bloqueados. Isso faz com que exista um fluxo do capital adquirido, com o qual o comprador poderá contar assim que fizer a aquisição.

uma máquina de cartão de crédito em sua loja de varejo e vender a prazo. Uma boa maneira de entender como funciona esse mercado de compra, venda, investimentos e título de crédito é o filme norte-americano The Big Short – A Grande Aposta – de 2014. Ele trata sobre a grande bolha imobiliária que surgiu no mercado dos EUA após o país liberar uma quantia grandiosa de crédito à população sem verificação de perfil, sem saber se elas poderiam arcar com suas dívidas – os chamados subprime. Com essa realidade, havia muitos imóveis com preços muito baixos. Ao não conseguirem arcar com as hipotecas, os norte-americanos abandonaram suas dívidas e aqueles que detinham os títulos dessas dívidas ficaram com um grande rombo financeiro em suas mãos. Muitos deles estavam segurados, mas devido ao tamanho da crise, perderam seu valor e até mesmo as seguradoras não tinham como arcar com esses gigantescos sinistros. “Proteção contra esta variação do preço de mercado dos ativos é uma coisa que muitas empresas buscam, mas não existe proteção de apólice de seguro que cubra essa diferença”, explica Mendonça, que completa: “geralmente, esse tipo de proteção está ligada aos investimentos que flutuam na contra-mão da tendência destes ativos. Aparece aqui a figura importante do corretor para buscar a melhor solução”. Hoje, os corretores que vendem esses tipos de seguro são, em sua maioria, altamente especializados e capacitados para lidar com essas complexidades. Para Domingues, da Chubb, esses produtos constituem uma ótima oportunidade para o profissional da corretagem. “É um mercado em franco desenvolvimento e ainda com poucos corretores atuando nesse nicho. Os corretores de seguro que buscam o conhecimento podem colher bons frutos, já que há uma demanda represada, além de já existirem seguradoras com apetite para aceitar esse tipo de risco”, aponta.

Olhar ao seguro de crédito

Cada um a seu modo

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Rafael Domingues, da Chubb

As equações são complexas mas abrangem qualquer empresário, do mais entendido de captação de recursos e investimento até aquele que decide colocar 20

Nem todos os investidores vivem de comprar e vender ações na bolsa. Alguns são pessoas com outras profissões que trazem os negócios como investimento, es-


colhendo imóveis ou fundos com retornos menores, mas com ganhos certos, outros ainda praticam o investimento também como hobby. É o caso daqueles que optam por ter como patrimônio obras de arte. Obras consagradas são leiloadas e vendidas aos colecionadores que sabem que o valor artístico e histórico de algumas peças é imensurável, mas que fazem questão de tê-las em suas paredes. Nessa questão, o mercado de seguros aposta na cobertura All Risks, ou seja, que qualquer tipo de risco que a obra corra estará coberto caso o investidor tenha uma apólice, conforme explica Midiã Borges, consultora em Riscos e Seguros para Entretenimento e Obras de Arte da Aon Brasil. “A cobertura é mundial, a partir do período que as obras são retiradas dos locais até o seu retorno ao lugar de origem ou o local indicado pelo proprietário”, explica. Exposição doméstica e internacional, transporte e até terremotos e furacões fazem parte

dos riscos cobertos. Obra de arte não é apenas um quadro ou escultura de um artista famoso; antiguidades, prataria e objetos de estanho, jóias, tapetes antigos, livros raros, manuscritos e fotografias, moedas e medalhas entram no escopo de bens segurados. A apólice, geralmente, custa 2% do valor dos bens e conta com flexibilidade para se adequar à realidade e necessidade do colecionador, que pode ser discutida com um bom corretor de seguros. “A consultoria adequada para garantir a cobertura de seguros para as obras de arte é um dos desafios desse mercado, que já é bem mais maduro em outros países. É preciso uma equipe especializada, com conhecimento técnico e rápido retorno”, opina a executiva. A evolução para esses investidores está em acompanhar o mercado lá fora. Midiã conta que em mercados como o dos EUA, que têm um produto chamado Art Plus para acervos de museus que

atendem o pacote completo de seguros, o patrimônio, responsabilidade civil, D&O, crime, entre outros. Os seguros podem ser desenhados de acordo com a necessidade ou característica, cobrindo coleções particulares e corporativas através de uma apólice anual até exposições temporárias onde o seguro garante a cobertura chamada prego a prego incluindo a cobertura de RCTRC, de Seguro Transporte, que é obrigatória. De uma forma ou de outra, os corretores podem ter grande papel de destaque dentro desse nicho. A consultoria especializada é importante em qualquer carteira, mas é mais fácil de ser percebida nesta por sua elevada necessidade de conhecimento dos pormenores que envolvem cada apólice e cada operação de crédito. Os corretores são responsáveis por levar soluções de prevenção e cobertura de risco enquanto investidores são completamente avessos a qualquer possibilidade de perdas em investimentos.

Revista Apólice - outubro de 2016  
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