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paraciclo Por Brunno de Bortoli, Caio lima, daniel theyr e yuri guerra


índice Introdução Conceito do projeto Desenvolvimento Primeiro protótipo Segundo Protótipo Protótipo final Materiais para o projeto Inspirações e pesquisas Conclusão


1 Introdução A inclusão da bicicleta nos deslocamentos urbanos deve ser abordada como elemento para a implementação do conceito de Mobilidade Urbana Sustentável como forma de redução do custo da mobilidade das pessoas, inclusão social, de redução e eliminação de agentes poluentes e melhoria da saúde da população. Sua integração aos modos coletivos de transporte é possível, principalmente nos sistemas de grande capacidade, e já ocorre, ainda que em estado embrionário e até espontâneo, em muitas das grandes cidades, através da construção de bicicletários, junto às estações de trem. Dentro desta nova ótica, a bicicleta deve ser considerada como elemento integrante do novo desenho urbano, incorporando-se a construção de ciclovias e ciclofaixas, principalmente nas áreas de expansão urbana. Torna-se necessária também a ampliação da abordagem para incluir as vias cicláveis, que são vias de tráfego compartilhado que podem ser adequadas ao uso da bicicleta. O Brasil possui 70 milhões de bicicletas e aumentou a busca por bikes para pedalar nas cidades, segundo dados da pesquisa “O uso de bicicletas no Brasil: Qual o melhor modelo de incentivo?”, fruto de parceria da Abraciclo com a Rosenberg Associados. As categorias que possuem bikes com maior valor agregado, voltadas para esportes ou mobilidade urbana, em 2013 representavam 40,5% das vendas de magrelas. Em 2006, essa fatia era menor – 26,6%. Já as vendas de bikes mais básicas, usadas no interior e por população com renda menor, caiu quase pela metade. Com o crescimento em um segmento e queda no outro, na conta total, as vendas de bicicletas no Brasil caíram – enquanto em 2008 foram vendidas 5,5 milhões de magrelas, em 2013 o total caiu para 4,3 milhões. Para alavancar ainda mais o uso da bicicleta como modal de transporte nas cidades, a pesquisa aponta um item básico: o corte de impostos. A campanha


2 #BicicletaParaTodos defende que as bicicletas sejam mais baratas e acessíveis em todo o Brasil para, assim, a mobilidade urbana ser alavancada por deslocamentos mais sustentáveis. A pesquisa aponta que a média de valor dos 10 modelos de bike mais vendidos no Brasil, atualmente, é de 730 reais. Além disso, o estudo ressalta a economia óbvia que é pedalar: enquanto o custo da locomoção de carro a gasolina é de R$ 0,73 por quilômetro, de bike, o ciclista investe cerca de R$ 0,12 na mesma distância. No Mundo Diferente do Brasil, alguns países já estão bem desenvolvidos em relação a ciclovias. Como por exemplo, a cidade de Bogotá, que possui 359 km de ciclovia, Nova York 675 km e Berlim 750 km. Em Tóquio e na Holanda, 25% dos trajetos são feitos de bicicleta. Portanto, esses países procuram além das ciclovias, outras iniciativas para estimular o uso da bicicleta. Na França, 20 empresas e instituições somando mais de dez mil funcionários, pagam 25 centavos de euro a cada quilômetro percorrido de bicicleta no trajeto casa-trabalho. Ainda na França, em Paris, o P’tit Vélib’, terceiro maior serviço de compartilhamento de bicicletas do mundo, vai oferecer 300 bicicletas para crianças de 2 a 10 anos de idade em diferentes tamanhos. No Reino Unido, o governo criou um sistema de vendas de bicicleta em conjunto entre funcionários e empregados, chamado Cycle to Work, que oferece preços menores e descontos nos impostos para aqueles que usam bicicleta para ir ao trabalho. Já na Alemanha o projeto é ainda maior, o governo alemão preocupado em reduzir o congestionamento e a poluição, pretende trocar carros e caminhões por bicicletas de carga. Segundo o porta-voz do ministério dos Transportes, Birgitta Worringen, o projeto é viável porque mais de 75% dos trajetos no país


3 são para cobrir distâncias menores do que dez quilômetros. A empresa de logística, UPS, já realiza entregas em seis cidades alemãs usando bicicletas. Entretanto, o representante da empresa, Lars Purkarthofer, ressalta que a estrutura no país ainda não é a ideal, as ciclovias são estreitas e em alguns pontos faltam estacionamentos para guardar as bicicletas. Além de manter uma população mais saudável e diminuir a poluição e os congestionamentos das grandes metrópoles, outros dados chamam a atenção para os diferentes benefícios do uso da bicicleta como transporte diário. Segundo um estudo realizado em Nova Iorque, as vendas das lojas de rua aumentaram em até 49% após a construção de ciclovias. O estudo argumenta que um ciclista tem menos barreiras para entrar numa loja local que, ao contrário do carro, é mais fácil encontrar um ponto para prender a bicicleta. Outro fator interessante é a questão da segurança. É quase unanimidade entre os ciclistas que pedalar nas grandes vias além de atrapalhar o trânsito, aumenta o risco de acidentes. Porém, um estudo feito na Universidade do Colorados em Denver, nos Estados Unidos, mostra o contrário. O estudo afirma que o aumento de bicicletas nas estradas reduz o número de acidentes de trânsito e ainda torna o tráfego mais seguro. O professor e coautor do estudo, Wesley Marshall, trabalha com a hipótese de que quando existe um grande número de ciclistas na estrada, o motorista fica mais atento. Portanto, cidades com grande volume de bicicletas, não são seguras apenas para os ciclistas, mas para os carros também. O fato é que qualquer tipo de incentivo ao uso da bicicleta é importante, as ruas no Brasil se encontram em situação precária. As grandes capitais estão congestionadas e sem previsão alguma de melhora. O trabalhador quando não espremido no transporte público, está isolado no carro esperando o trânsito andar. Então, a bicicleta vem se tornando uma importante alternativa onde a sociedade ganha como um todo por ter uma cidade mais humana e saudável, e menos congestionada e poluída.


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5 Conceito do projeto Paraciclos são em sua maioria, comuns. Hoje, em São Paulo existe uma lei pela CET que padroniza o formato e medidas. Em forma de U, os paraciclos atuais são poucos utilizados, Não possuem envolvimento com o ambiente e deixam a desejar quanto ao design. Buscamos atender o ciclista paulistano, sendo esse, conhecedor dos benefícios da prática do esporte e da boa relação com a cidade, relação que pode melhorar quando o mobiliário público é inovador, criativo e funcional. A busca pela organicidade é o ponto de partida para os mock-ups. Paraciclos que se estendem das paredes com formas organicas, remetendo as veias de arvóres, atende visualmente, a demanda por natureza que foi retirada das grandes metrópoles.


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7 Desenvolvimento O processo de criação foi tomado por várias etapas até chegar em seu formato final. Enquanto pensávamos em como o paraciclo deveria ser, fazíamos algumas experimentações. Nosso objetivo era que o formato fosse orgânico em sua maioria, que tivesse uma aparência contemporãnea e que gastasse pouco em relação a matéria prima para fabricação e produtos para manutenção. Em nossas experimentações, fizemos o uso do software Maya para a modelagem 3d do projeto, chegando em vários formatos iniciais diferentes.


8 No exemplo da página ao lado mostramos o modelo exportado para o software 123D Make, que transforma o projeto em um arquivo próprio para o corte a laser, onde ele planifica as peças e as torna encaixáveis.


9 E então com as peças recortadas, fizemos o nosso primeiro protótipo experimental, onde pudemos ter uma noção física de como o produto realmente deveria ser. Nesta etapa nos deparamos com mais idéias e problemas que ainda não tinhamos pensado, como a sustentação do paraciclo. A produção de um protótipo fez-se extremamentre útil, pois reconhecemos onde haviam erros, programamos novas soluções para problemas que ainda não tinhamos pensado, e descobrimos como poderia ser feita a construção do produto.


Primeiro Protรณtipo completo

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11 Após a construção do primeiro protótipo e com os acertos localizados e feitos, aprimoramos a idéia e fizemos um segundo protótipo experimental, onde algumas partes já foram modificadas. Pensamos em fazer o próximo protótipo com formatos vazados, aonde trariam mais sensação de movimento e funcionalidade, aonde o ciclista poderia passar a corrente na bicicleta com rapidez e segurança. Também atualizamos o pensamento de como seria o suporte ao chão, fazendo uma base mais reta para que o paraciclo pudesse se sustentar bem. Pensamos desta vez na utilização de algum metal para a sustentação de cada peça do paraciclo.


12 segundo Protรณtipo completo


13 Feito o segundo protótipo, mais uma vez aprendemos como daria e como não daria certo. Concluímos que metal não seria o melhor material para ser usado por causa de custos, mas com este protótipo aprendemos que é positivo que as peças sejam vazadas para que possam ser encaixadas as bikes. O nosso terceiro e último protótipo é a conclusão evolutiva do projeto. Nós queriamos mesmo fazer as peças com fluidez e continuidade, por causa disso, decidimos que as peças teriam formatos bem fluidos e liquidos, e a sustentação seria feita com um cano de metal sustentando toda a base das peças. As etapas para o desenvolvimento desta peça final foram:

o projeto em 2d de cada peça O desenho de cada peça foi pensado de forma em que juntos se tornassem um formato fluido. fizemos alguns modelos até que chegamos no final, e fizemos o modelo 3d do paraciclo para termos uma noção de como ficaria realmente.


Render do projeto

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15 Com o modelo 3d pronto, preparamos mais uma fez o arquivo para ser enviado a Router e ter as peรงas recortadas para a montagem do mesmo.

Materiais para o projeto Para compor o projeto, estaremos utilizando os seguintes materiais: -Madeira MDF a prova d`agua -canos de pvc -tinta spray cor cromo. -parafusos


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17 Inspirações e pesquisas sobre o projeto 1) O que é um bicicletário adequado? .. É um estacionamento de bicicletas, em local visível, preferencialmente delimitado, com quantidade de vagas suficiente para a demanda, dotado de suportes que acomodem todos os tipos de bicicletas sem danificá-las e que possibilitem que as bicicletas sejam cadeadas no quadro, bem como que atenda a que atendam as demais orientações abaixo • Quanto melhores as condições técnicas e financeiras da empresa, maior será a exigência de qualidade e menor será a tolerância às adaptações para o bicicletário ser considerado adequado. 2) Por quê construir um bicicletário adequado Demonstra o respeito do empresário pelos ciclistas • Oferece um alento para os ciclistas, que enfrentam duras condições no trânsito da cidade • Oferece mais segurança ao patrimônio dos seus clientes • As empresas são polos geradores de tráfego e precisam contribuir para melhorar as condições de mobilidade urbana • A promoção do ciclismo (e da mobilidade sustentável em geral) não é dever apenas do poder público, mas de toda a sociedade, incluindo a iniciativa privada • Contribui para a democratização do espaço público • Atrai e fideliza clientes • Possui baixo custo e alta eficiência, sendo possível estacionar 10 bicicletas no espaço de estacionamento de um carro. 3) Localização e delimitação do bicicletário adequado O bicicletário deve ser estar localizado o mais próximo possível da entrada do estabelecimento, de modo a ser visível por todos (usuários e funcionários) para a segurança das bicicletas • O acesso ao bicicletário não pode ser impedido por entulhos, mercadorias ou outros materiais • Deve haver sinalização indicativa (cartaz, placa ou similar) de que o local é destinado exclusivamente ao estacionamento de bicicletas • A área do bicicletário não pode ser invadida por automóveis ou motocicletas; portanto, caso haja este risco, uma simples pintura demarcatória não é suficiente e o bicicletário deverá ser segregado e protegido por mureta, cerca ou estruturas similares


18 4) Pavimento do bicicletário adequado Recomenda-se que o pavimento do bicicletário seja confeccionado em concreto, asfalto, lajota ou cerâmica antiderrapante – o pavimento não pode ser liso e escorregadio • O pavimento deve ser plano, sem saliências ou cavidades; • O pavimento pode apresentar desnível de até 5% no sentido transversal dos suportes; • O pavimento pode apresentar desnível de até 5% no sentido longitudinal dos suportes, desde que seja acrescentada barreira (mureta, meio-fio etc.) para impedir que as bicicletas se desloquem • Se não houver telhado, o pavimento do bicicletário deve ser desnivelado (máximo de 5%), dotado de canaletas ou de outras medidas para o escoamento da água da chuva.

PARACICLO abaixo CRIADO PELA OVO DESIGN De GERSON OLIVEIRA


19 Conclusão sobre o projeto Em uma época na qual é estético enriquecer, o Design tem sido uma imprescindível aliado nesse processo de acumulação de bens. A ascensão econômica de uma nova classe pode se expressar, se exibir e ser acompanhada de grandes transformações nos espaços das cidades. Nascidos para ver, encarregados de olhar, consagrados à câmara, enfeitiçados pelas telas, eis um dos traços do contemporâneo. Não que tal fenômeno tenha surgido recentemente, nasce junto com a história, a época moderna, quando as cidades também passaram pelas tão estudadas transformações, mas quais as diferenças entre aquelas e essas atuais? Todas elas têm em comum pelo menos dois aspectos: são áreas tradicionais consolidadas e são habitadas por uma população, segundo as categorias censitárias e socioeconômicas, de médio e baixo poder aquisitivo. Cara nova, cidade nova, assim como um novo modelo de negócio, são para esses ambientes que o desenvolvimento do produto, design, está chegando, como exemplo Uber, a fórmula da vez recebe o nome de “economia compartilhada” diante de tantas mercadorias produzidas que ficam encalhadas, por que não compartilhar esse excedente? Ou seja: por que não usar aquele carro que fica parado na garagem para transportar outras pessoas, que agora pensarão duas vezes antes de também comprar um veículo? Além de promover maior sustentabilidade ambiental, essa nova atitude também promove uma diluição da receita. “No passado, você tinha uma rede de táxis que concentrava as receitas em cada país, por meio das cooperativas. Hoje, cada pessoa que dirige um Uber no mundo gera uma pequena receita para si mesmo, tornando-se um microempreendedor”, explica Maurício Benvenutti, que vive no Vale do Silício e é sócio da Startse, uma plataforma brasileira de fomento ao empreendedorismo. Quando se fala em uberização é isto: algumas empresas dominavam um setor e, hoje, tal dominação é diluída. O Uber causou uma disrupção no modelo de transporte individual, rompendo o monopólio dos taxistas. O design paramétrico baseia-se em uma ideia-chave de projetar com código, considerando que a representação geométrica tridimensional dos elementos construtivos é associada a comportamentos específicos ou atributos denominados parâmetros. tal forma de pensar e projetar pauta-se no sistema de gestão de informações e modelagem da construção BIM- Building Information Modeling, que permite a concepção através de Parametrics, uma atitude mental que procura a expressar e explorar relações. Essa "atitude de espírito que busca expressar e explorar relações", segundo Woodbury, deixa de lado o tradicional processo TOP DOWN ("Em que formula-se um conceito de design geral e, em seguida, refina-se o projeto em níveis sucessivamente


20 mais detalhado" (RAHIM, A. 2009) ) para constituir-se segundo o processo BUTTON UP ("Cada passo no processo remodela e redireciona o próximo (...) Parâmetros são utilizados na geração de formas diferentes, porém com as mesmas características fundamentais" (CELANI, 2003)). Assim, o desgin paramétrico se torna possível graças aos meios digitais, nos quais é possível trabalhar com todos os elementos desde o começo , além de poder alterar e consertar de forma mais integrada. dessa forma, constitui-se como uma concepção e gerenciamento de informações de forma integrada, reutilizável e automatizada. Como softwares que permitem o desenvolvimento do design paramétrico, tem-se o Rhino (visualização) e o Grasshopper (parametrização e programação). Graças ao Parametrismo, este novo estilo internacional, novas habilidades são desenvolvidas, como pensar com abstração, pensar matematicamente, pensar algoritmicamente, desenvolvimento de um modelo dinâmico. Além disso, torna o processo de projeto mais colaborativo, com a inserção de múltiplos atores trabalhando em conjunto em um software no qual as informações por estarem conectadas anulam a necessidade de revisão. Não se trata de uma questão estética: o design é uma forma de melhorar a qualidade de vida das pessoas. Transformar cidades em lugares mais agradáveis e atraentes para a população. Sua metodologia consiste em priorizar pedestres, ciclistas e a ocupação dos espaços públicos. Pode parecer uma ideia óbvia, mas, na história, o planejamento urbano negligenciou a vida na cidade: espaços públicos cresceram avessos a seus moradores e ruas foram dispostas priorizando o deslocamento de carros. Um bom exemplo dessa lógica foi Brasília, erguida em 1950 e considerada símbolo da modernidade e progresso, mas cujos espaços públicos são esvaziados ou inexistentes. A mudança de ênfase do design não só é possível como necessária e deve ser feita a partir de estudos esmiuçados sobre os comportamentos e necessidades de uma população, sobre as interações entre a vida pública e os espaços públicos. Cidades levam pessoas a passarem a maior parte do tempo sentadas: em seus carros, seus trabalhos, suas casas - algo responsável por grandes problemas de saúde entre seus habitantes. Para o designer, isso acontece graças a disponibilidade de gasolina a preços baixos, que permitiu, em países desenvolvidos, o surgimento de gigantescos subúrbios, distantes das áreas centrais, considerados locais agradáveis de se viver, mas que exigem longos deslocamentos - feitos prioritariamente em automóveis. Quando gasolina não for mais uma commodity barata, porém, os subúrbios deixarão de fazer sentido. É necessário parar de planejar esses espaços com base nisso. A VIDA PÚBLICA Mais caminhadas, mais tempo em espaços públicos, menos tempo em casulos. É isso que as cidades devem, de alguma forma, incentivar. Pessoas passarem mais tempo nos espaços públicos, eles se tornam locais mais seguros, mais interessantes e mais inclusivos. OS DIFERENTES SENTIDOS Não só promover caminhadas, uma boa cidade é construída em torno do corpo e dos sentidos humanos, de forma que as pessoas usem ao máximo suas capacidades para se locomover e experimentar o espaço ao seu redor. TRANSPORTE MAIS IGUALITÁRIO A regra é quase geral: regiões mais afastadas da área central de uma cidade apresentam renda per capita menor e boa parte do orçamento


21 familiar é gasto em deslocamentos. Acesso a transportes mais eficientes, financeiramente acessíveis e alternativos é essencial para promover a igualdade social nas cidades. ABANDONE CARROS Os tempos de ouro dos automóveis acabaram. Design de cidades centrado em carros não faz mais sentido para as grandes metrópoles: não há mais espaço para as vias necessárias a este tipo de deslocamento. Numa cidade densa, é possível chegar a todos os lugares caminhando ou usando bicicletas, carros autônomos. A partir dessa pesquisa o paraciclo se torna figura participativa de uma metrópole mas claro, não um simples lugar para colocar sua corrente, a cidade contemporânea conversa com o design contemporâneo. Nas últimas décadas, houve um avanço extraordinário no desenvolvimento de ferramentas de desenho paramétrico. Originalmente desenvolvidas nas indústrias aeroespacial e automotiva, essas ferramentas há muito vêm tendo um forte impacto no processo de projeto de edifícios. Todavia, apenas, nos últimos anos, vêm sendo transladadas para o urbanismo, constituindo o que vem sendo chamado de urbanismo paramétrico – uma nova corrente de desenho urbano, visando identificar seus limites e apontar aprimoramentos futuros. É verificado que apesar das potencialidades, o urbanismo paramétrico explora apenas parâmetros formais ambientais e funcionais para promover ambientes urbanos vibrantes. Parâmetros de configuração do espaço também poderiam ser incorporados como forma de promover a vitalidade de áreas urbanas. Essencialmente, o trabalho argumenta que criar vida urbana é um problema especial de desenho da configuração espacial e urbanidade é parametrizável e pode ser utilizada como um critério de desempenho para o projeto de formas urbanas desde a fase inicial. Esse novo modelo de urbanismo se fundamenta essencialmente em sistemas de desenho paramétrico nos quais o foco de interesse não está na forma em si, mas em seus parâmetros geradores. Nesses sistemas, “pela atribuição de diferentes valores aos parâmetros, objetos ou configurações podem ser gerados [ou modificados simultaneamente]” (Kolarevic 6, p.17). O desenho paramétrico mantém a capacidade de o modelo alterar-se durante todo o processo de projeto, permitindo gerar e testar grande quantidade de versões. De fato, a introdução do desenho paramétrico no urbanismo tem grande potencial porque “aspectos como densidade, uso, forma, espaço e tipologia que, por natureza pertencem, ao desenho urbano podendo ser definido parametricamente. A bicicleta vem ganhando espaço no cotidiano do brasileiro não só como mais uma opção de lazer, mas como um importante meio de transporte diário. Hoje, no Brasil, são mais de 60 milhões de bicicletas, metade são usadas pela população para ir ao trabalho. Segundo a pesquisa Origem e Destino do metrô, aplicada na Região Metropolitana de São Paulo, o uso desse tipo de deslocamento aumentou 18% entre 1997 e 2008. Sendo que 22% das viagens de bicicleta têm por motivo o alto custo da condução e 57%, a pequena distância da viagem. Maiores reféns do trânsito, as grandes capitais já recebem algumas iniciativas. Por exemplo, as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo contam com o sistema de aluguel de bicicleta – Bike Rio e Ciclo Sampa – resultado da parceria entre as prefeituras e bancos. O projeto vem atraindo um grande número de adeptos, no Rio, a Bike Rio aumentou o número de postos e bicicletas para atender a demanda. Vários estudos apontam para


22 a mudança de tendências no consumo de transporte urbano entre gerações mais jovens no mundo desenvolvido. Em linhas gerais, estas tendências refletem uma mudança nas preferências que eram antes pelo carro, para a adoção da caminhada, de andar de bicicleta, de usar transporte público e serviços de transporte compartilhado.Dados sobre viagens familiares dos Estados Unidos entre 2001-1009 indicam que a média anual de milhas percorridas em viagens motorizadas por pessoas entre 16-34 anos diminuiu mais drasticamente do que em qualquer outro grupo de idade, de 10.300 (cerca de 16.500 km) para 7.900 milhas (cerca de 12.700 km) – um declínio de 23%. Além disso, dados mostram um declínio dos índices de direção entre jovens com emprego e renda estáveis, indicando que além da recessão econômica global, mudanças de estilo de vida contribuíram para isso. Na Europa, as vendas de automóveis têm diminuído por muitos anos, e uma das principais razões é a mudança de preferência das gerações mais jovens. Em um estudo que abrangeu motoristas de quinze países, os resultados revelaram que a quantidade de carteiras de habilitação entre as gerações mais jovens diminuiu significativamente entre os anos 1980 e final da década de 2000 nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Alemanha, Japão e Suécia. Gerações mais jovens também são mais propensas a abraçar a economia do compartilhamento em comparação com outros grupos de idade, devido à preferência por “facilidade” em vez de “propriedade” de recursos. Em uma pesquisa do Zipcar, conduzida nos Estados Unidos em 2011, as pessoas de 18 a 34 anos indicaram a maior preferência, 70%, para a utilização de modais alternativos de transporte ao carro de propriedade individual, incluindo transporte público, partilha de automóveis e o carpooling. Na Europa, muitos fabricantes de automóveis alemães estão se concentrando na tendência do carsharing, na esperança de revitalizar a fórmula antiga e aumentar vendas, com foco especialmente nos clientes jovens. Estes fatores chave para a mudança de padrões no consumo de transporte urbano entre as gerações mais jovens nos países desenvolvidos são mais influenciadas por mudanças essenciais ao estilo de vida e preferências do que impactos de curto prazo, como os ciclos econômicos e preços de combustíveis. Dado o grande impacto que as escolhas dos mais jovens podem ter sobre os níveis agregados de motorização, é possível que a motorização nas economias desenvolvidas já tenha atingido o pico uma revelação que marca a mudança fundamental do cenário do transporte urbano nos países desenvolvidos. Poderia esta mudança estar vindo também ao mundo em desenvolvimento? Tal possibilidade ressalta a necessidade de políticas, programas e investimentos em países em desenvolvimento que promovam o transporte sustentável e o desenvolvimento urbano, fugindo dos padrões tradicionais de crescimento “carrocêntrico”, ou seja, em torno da cultura do carro. Os paraciclos são caracterizados como estacionamentos de curta ou média duração (até 2h, em qualquer período do dia), com até 25 vagas (correspondente à área de duas vagas de automóveis), de uso público e sem qualquer controle de acesso. A facilidade de acesso constitui uma das principais características dos paraciclos. Em virtude dessa condição, devem se situar o mais próximo possível do local de destino dos ciclistas, e também do sistema viário ou do sistema cicloviário. Dentre os fatores fundamentais à garantia da maior sensação


23 de conforto dos ciclistas, cita-se como essenciais os seguintes: visibilidade, sinalização, elmentos de projeto do paraciclo e adequação em número de vagas. A visibilidade é aspecto essencial à garantia de um estacionamento rápido dos ciclistas. O uso de pintura com cores vivas é um dos aspectos favoráveis. Iluminação noturna também é importante. A sinalização deve ser executada, quaisquer que sejam as condições de visibilidade. É imprescindível a colocação de placas indicativas (preferencialmente observando o padrão vigente - consulte o órgão responsável pelo trânsito na sua cidade, ou o Manual de Planejamento Cicloviário). No projeto dos paraciclos, deve-se evitar o uso de soluções complexas com as quais a população não está acostumada, como travas especiais e encaixes não-comuns. Também no projeto, deve-se considerar a necessidade do ajustamento do número de vagas, conforme a demanda. Tanto é prejudicial o excesso quanto a falta de vagas. Muitas das exigências definidas para implantação dos paraciclos são também necessárias à organização dos bicicletários. Uma das diferenças significativas em relação aos paraciclos, além do tempo da guarda, são os picos de movimentação dos ciclistas - aspecto fundamental a considerar na elaboração do projeto, pois interfere diretamente no dimensionamento dos acessos e da circulação interna do próprio bicicletário. Os bicicletários devem ser, preferencialmente, cobertos, vigiados e dotados de alguns equipamentos como, por exemplo: bombas de ar comprimido, borracheiro e, eventualmente, banheiros e telefones públicos. Se os paraciclos se caracterizam por serem gratuitos e pulverizados nos espaços urbanos, os bicicletários, devido aos seus custos, somente se viabilizam no caso de utilização intensa por grande número de ciclistas. Nesse caso, admite-se que sejam pagos, mesmo aqueles localizados em áreas públicas. Ao mesmo tempo em que nada mais é absoluto e que existem várias verdades, que tudo é relativo, percebem-se, nos manifestos das vanguardas, uma definição, um estilo, uma redescoberta e revelações categóricas. Sendo que cada vanguarda procura, a partir do zero, ir mais além do que as outras, numa sucessão de verdades estéticas ininterruptas, baseadas em uma nova concepção de arte. Em alguns manifestos há a procura da essência universal, a pureza da forma, libertando a arte de narrativas e de acessórios. Em outros manifestos, ironizam, descontextualizam e apropriam-se de formas, sublimando o ordinário ready-made, transfigurando objetos em ícones a uma experiência cultural comum. Como exemplo clássico no caso dos ready mades cabe citar „A fonte (1917) de Duchamp. Foram movimentos efervescentes: “A era em que artistas e pensadores lutavam para definir precisamente a verdade filosófica da arte, um problema que não havia sido sentido verdadeiramente na história da arte anterior". Superar a estética comum e trazer o diferente para nosso cotidiano, duas tendências para um produto, o paraciclo paramétrico conversa com a nova cidade, tempo, o design é essencial para fabricação rápida e prática, passando por campos como esses nos deparamos com uma pergunta, pode um paraciclo ser Open Source ? Pode um produto comum como uma mesa ser Open Source ? Essa frente que representa o projeto pode ser considerada estranha mas nos tempos de hoje tudo que produzimos acaba se diluindo fácil, o mistério de se fazer um produto não é mais mistério, um projeto online ganha mais peso e mais visibilidade com um único objetivo o bem maior, qual


24 a diďŹ culdade de uma pessoa morando completamente diferente do seu ambiente ? Juntar respostas de todos os cantos do mundo pode ser a nova chave para um bom negĂłcio.


Paraciclo - Brunno Caio Daniel Yuri