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UNIVERSIDADE VILA VELHA CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO

BRUNA TOSI DALVI

REQUALIFICAÇÃO URBANA: O EIXO PAISAGÍSTICO DE CASTELO (ES)

VILA VELHA 2014


BRUNA TOSI DALVI

REQUALIFICAÇÃO URBANA: O EIXO PAISAGÍSTICO DE CASTELO (ES)

Trabalho de Conclusão de Curso graduação de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Vila Velha, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo. Orientador: Professora Ana Paula Rabello Lyra

VILA VELHA 2014


BRUNA TOSI DALVI

REQUALIFICAÇÃO URBANA: O EIXO PAISAGÍSTICO DE CASTELO (ES)

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Vila Velha, como requisito parcial para obtenção do grau em Arquitetura e Urbanismo. COMISSÃO EXAMINADORA ___________________________________ Prof.ª Ana Paula Rabello Lyra Universidade Vila Velha Orientadora ___________________________________ Prof. Clovis Aquino Cunha Universidade Vila Velha Avaliador Interno ___________________________________ Arquiteto João Paulo Dominguez Carvalho Avaliador Externo ___________________________________

Parecer da Comissão Examinadora em ___ de ________________ de 2014: ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ _____________________________________________


A minha famĂ­lia, pelo amor, compreensĂŁo e apoio.


“Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar. Onde leva? Não perguntes, segue-o!” Friedrich Nietzsche


Agradeço a Deus, pelas infinitas graças que me concedeu, renovando a cada dia a pessoa que sou. Agradeço aos meus pais, pelo total apoio durante esses cincos anos de estudos conquistados com muito esforço do meu Pai, muito carinho e compreensão da minha mãe, vocês são os meus exemplos de seres humanos mais puros. Á minha irmã Sarah, por ser um exemplo de profissional e me inspirar constantemente. Aos meus avós, Izabel, Zequinha e Mariquinha e Nico por terem passado seus conhecimentos de vida aos meus pais, podendo assim repassar à mim toda a sabedoria de vocês. Ao meu melhor amigo, Vinicius, por ser um companheiro para todos os momentos, bons e ruins, te amo eternamente. Às amizades que cultivei durante os anos de faculdade, em especial Pollyne, Amanda, Izabela, Luna e Lucas. Obrigada por terem feito minhas manhãs mais divertidas, e por terem me apoiado e ajudado quando mais precisei, amo vocês. Ao meu coorientador Clóvis, pelas sábias palavras e pela paciência com que cuidou do meu trabalho, obrigada por me motivar a fazer o melhor sempre E por fim, à minha orientadora Ana Paula, por ter acreditado no meu trabalho, ter emprestado seu conhecimento para que este projeto ganhasse vida, agradeço imensamente por isso.


RESUMO As cidades de pequeno e médio porte brasileiras vêem passando por alterações econômicas e morfológicas, ocasionando mudanças em relação à qualidade de vida dos seus habitantes. Os locais de uso público estão sendo suprimidos pela expansão das ocupações urbanas que privatizam os espaços livres da cidade tornando-se cenários secundários na vida dos seus moradores. Requalificar as áreas públicas no contexto destas cidades pode contribuir para a preservação das áreas de convivência públicas. O objetivo deste trabalho foi criar um Eixo Paisagístico a partir da requalificação da área que abrange a Avenida Ministro Araripe com intuito de preservar as áreas livres de uso público presentes na área central da cidade de Castelo, assim como as visuais significativos de seu entorno. Trata-se de uma região com forte apelo cultural e significativos remanescentes fragmentados da paisagem local. Buscou-se na revisão teórica, na investigação in loco e na análise dos dados coletados, obter as informações necessárias para caracterização da área de estudos. Foram destacados assim as legislações vigentes do município, a realidade do polígono de análise e as características ambientais e morfológicas dos espaços públicos existentes ao longo do eixo proposto. Esta investigação resultou em um mapa síntese das potencialidades e vulnerabilidades da área de intervenção que evoluiu para as posteriores fases de conceituação e desenvolvimento da proposta projetual final. O resultado deste projeto foi consolidado na forma de estudos compostos por propostas e idéias preliminares baseadas no cruzamento das informações teóricas e dos diagnósticos situacionais realizados. Palavras Chave: Espaço Público, Requalificação Urbana, Eixo Paisagístico.


ABSTRACT Brazilians small and medium-sized cities seen undergoing a economic and morphological changes, causing changes in the quality of life of its inhabitants changes in residents. Places of public utility are being suppressed by the city expansion of urban occupations that privatize the city's open spaces, becoming secondary scenarios in the lives of this residents. Requalify the public areas in the context of these cities can contribute to the preservation of the public living areas. The objective was to create a Landscape Axis from the redevelopment of the area comprising the Ministro Araripe Avenue with the intention of preserving the free areas of public use in the present downtown area Castelo, as well as the significant visual of their surroundings. This is a region with strong cultural appeal and fragmented remaining significant of the local landscape. Sought in the literature review, research on the ground and in the analysis of the collected data, obtain the necessary information to characterize the study area. So were highlighted existing laws of the municipality, the reality of the polygon analysis and environmental and morphological characteristics of existing public spaces along the proposed axis. This research resulted in a map overview of the potential and scope of action of the vulnerabilities that evolved into the later stages of conceptualization and development of the final architectural design proposal. The result of this project was consolidated in the form of studies consist of preliminary proposals and ideas based on the intersection of theoretical information and situational diagnoses. Keywords: Public Space, Urban Requalification, Landscape Axis.


LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Alterações do Perfil Viário utilizando Traffic Calming ............................................. 28 Figura 2 - Chicana em área urbana, Wulfstan St., Shepherds Bush, Londres, Inglaterra ........... 29 Figura 3 - Platô com travessia, Tuly St., Barnstaple, Inglaterra .................................................. 29 Figura 4 - Platô com estreitamento, Buntingford, Hertfordshire, Inglaterra ............................... 29 Figura 5 - Platô combinado com pavimentação .......................................................................... 29 Figura 6- Mapa com a localização da área de estudo .................................................................. 31 Figura 7 - Castelo e suas divisas. ................................................................................................ 32 Figura 8 - Ligações Rodoviárias entre Vitória e Castelo. ........................................................... 33 Figura 9 - Mapa das áreas verdes da Cidade de Castelo, polígono em amarelo delimitando área com presença de espaços verdes de uso público no centro da cidade. ........................................ 36 Figura 10 - Área do Polígono demarcando os espaços públicos presentes no centro da cidade. 37 Figura 11 - Bairro Independência e Bairro Centro. ..................................................................... 38 Figura 12 - Praça Ruy Barbosa – Inaugurada em 1940 ............................................................... 39 Figura 13 - Praça Ruy Barbosa recém-inaugurada, em 1949. ..................................................... 40 Figura 14 - Praça Ruy Barbosa em 1960, reformada e com sua área expandida. ....................... 40 Figura 15 - Praça Ruy Barbosa em 1980, logo após sua última intervenção. ............................. 41 Figura 16 - Praça Ruy Barbosa atualmente. ................................................................................ 41 Figura 17 - Planta Baixa esquemática indicando em cores as edificações presentes na Praça Três Irmãos .......................................................................................................................................... 42 Figura 18 - Localização da Avenida Ministro Araripe................................................................ 43 Figura 19 - Avenida João Pessôa, hoje, Ministro Araripe, na década de 40, Cinema em destaque. ..................................................................................................................................................... 44 Figura 20 - Avenida Ministro Araripe atualmente com o antigo cinema, que hoje, é a sede da Assembléia de Deus. ................................................................................................................... 44 Figura 21 - Parque Beira Rio atualmente. ................................................................................... 45 Figura 22 - Terreno do Parque Beira Rio antes da implantação.................................................. 45 Figura 23 - Praça do convívio na década de 80 (Rua de Pedestres). ........................................... 46 Figura 24 – Maquete 3D da nova Formatação da Praça do Convívio ......................................... 47 Figura 25 - Praça do Convívio (Rua de Pedestres) atualmente. Frequentadores utilizando mesas de bar, congestionando a passagem de pedestres. ....................................................................... 47 Figura 26 - Tapete de Corpus Christi na Avenida Ministro Araripe ........................................... 48 Figura 27 - Eixo Paisagístico de Castelo ..................................................................................... 51 Figura 28 - Parque Beira Rio nos dias atuais .............................................................................. 52 Figura 29 - Praça Três Irmãos, chafariz desabilitado .................................................................. 53 Figura 30 - Praça do Convívio (Rua de Pedestres) sendo densamente utilizada por transeuntes e pessoas que utilizam os bares e restaurantes. .............................................................................. 54 Figura 31–Mapa de Zoneamento abrangendo a área de estudos. ................................................ 56 Figura 32 - Tabela de índices e parâmetros urbanísticos e atividades. ....................................... 57 Figura 33 - Mapa de Uso e Ocupação do Solo ............................................................................ 58 Figura 34 - Mapa de Gabarito ..................................................................................................... 59 Figura 35 - Igreja Matriz de Castelo com visual obstruída por edificações ................................ 60 Figura 36 - Foto tirada de cima da Passarela da Beira Rio, indicando a edificação na margem do Rio Castelo. ................................................................................................................................. 61


Figura 37 - Edificação bloqueando visual para o parque ............................................................ 62 Figura 38 - Visual para a Praça Três Irmãos Bloqueada por edificação ..................................... 63 Figura 39 - Edifício obstruindo a visual para as montanhas dos arredores da Praça .................. 64 Figura 40 - Afastamento Frontal inexistente. .............................................................................. 64 Figura 41 - Mapa contendo as vias principais nos entornos das áreas verdes que formam o eixo paisagístico de Castelo. ............................................................................................................... 66 Figura 42 - Avenida Scandar Nemer ........................................................................................... 67 Figura 43 - Calçada paralela ao Parque Beira Rio, na Avenida Scandar Nemer. ....................... 67 Figura 44 - Calçada paralela ao Rio Castelo, na Avenida Scandar Nemer ................................. 67 Figura 45 - Mapa de Localização Avenida Scandar Nemer ........................................................ 67 Figura 46 - Mapa Esquemático da Avenida Scandar Nemer ...................................................... 68 Figura 47 - Passarela da Beira Rio com mapa de localização ..................................................... 69 Figura 48 - Entrada da Passarela da Beira Rio, construção abandonada com mapa de localização. .................................................................................................................................. 69 Figura 49 - Túnel Atravessando a Construção Abandonada com mapa de localização .............. 69 Figura 50 - Localização Passarela de Beira Rio .......................................................................... 69 Figura 51 - Rua Warley Costa. .................................................................................................... 70 Figura 52 - Localização Warley Costa ........................................................................................ 70 Figura 53 - Mapa esquemático da Rua Warley Costa ................................................................. 71 Figura 54–Calçada Avenida Ministro Araripe ............................................................................ 72 Figura 55– Calçada da Avenida Ministro Araripe ...................................................................... 72 Figura 56 - Avenida Ministro Araripe......................................................................................... 72 Figura 57 - Localização Ministro Araripe ................................................................................... 73 Figura 58 - Mapa esquemático da Avenida Ministro Araripe ..................................................... 73 Figura 59 - Avenida Getúlio Vargas. .......................................................................................... 74 Figura 60 - Calçada na Avenida Getúlio Vargas. ........................................................................ 74 Figura 61 - Localização Getúlio Vargas ..................................................................................... 74 Figura 62 - Rua Cruz Maia.......................................................................................................... 75 Figura 63 - Calçada na Rua Cruz Maia ....................................................................................... 75 Figura 64 - Localização Cruz Maia ............................................................................................. 75 Figura 65 - Mapa esquemático da Av. Getúlio Vargas e da Rua Cruz Maia .............................. 76 Figura 66 - Mapa Síntese Viário ................................................................................................. 77 Figura 67 - Mapa Indicando a existência e Boca-de-Lobo no entorno do Eixo Paisagístico de Castelo ......................................................................................................................................... 79 Figura 68 - Boca-de-Lobo e Meio-Fio depredado na Avenida Ministro Araripe ....................... 80 Figura 69–Meio-Fio inexistente na Av. Scandar Nemer ............................................................. 80 Figura 70 - Posteamento e Fiação na Avenida Ministro Araripe. ............................................... 80 Figura 71 - Poste Invadindo o passeio na Rua Cruz Maia nos arredores da Praça Três Irmãos. 80 Figura 72 - Poste menor integrado ao mobiliário no Parque Beira Rio. ..................................... 81 Figura 73 - Poste no Parque Beira Rio indicando sinais de vandalismo ..................................... 81 Figura 74 - Poste no Parque Beira Rio ........................................................................................ 81 Figura 75 - Localização Parque Beira Rio .................................................................................. 81 Figura 76 - Posteamento na Praça Três Irmãos. .......................................................................... 82 Figura 77 - Poste em escala Humana na Praça do Convívio (Rua de Pedestres) ........................ 82 Figura 78 - Posteamento na Passarela da Beira Rio .................................................................... 83 Figura 79 - Luminárias no túnel que liga a Avenida Ministro Araripe à Passarela da Beira Rio 83 Figura 80 - Planta Baixa do Parque Beira Rio indicando os mobiliários .................................... 83 Figura 81 - Banco no entorno da lagoa no Parque Beira Rio ...................................................... 84


Figura 82–Mesa com bancos no Parque Beira rio ....................................................................... 84 Figura 83 - Guarda-Corpo depredado da Lagoa no Parque Beira Rio ........................................ 84 Figura 84 - Quiosque do Parque Beira Rio ................................................................................. 85 Figura 85 - Bebedouro do Parque Beira Rio ............................................................................... 85 Figura 86 - Banheiros do Parque Beira Rio ................................................................................ 85 Figura 87 - Campo de Futebol do Parque Beira Rio ................................................................... 86 Figura 88 - Trave da Quadra de Esporte do Parque Beira Rio .................................................... 86 Figura 89 - Piso da Quadra de Esporte do Parque Beira Rio ...................................................... 86 Figura 90 - Rampa de Skate no Parque Beira Rio indicando sinais de descaso .......................... 86 Figura 91 - Rampa de Skate no Parque Beira Rio indicando sinais comportamentais ............... 86 Figura 92 - Piso do Playground apresentando poças de água da chuva no Parque Beira Rio ..... 87 Figura 93 - Brinquedo do Playground no Parque Beira Rio ....................................................... 87 Figura 94 - Lixeira no Parque Beira Rio ..................................................................................... 87 Figura 95 - Lixeiras caindo do suporte no Parque Beira Rio ...................................................... 87 Figura 96 - Lixeira em Concreto no Parque Beira Rio................................................................ 87 Figura 97 - Planta Baixa indicando os pontos de Táxi e ônibus nos arredores do Parque Beira Rio ............................................................................................................................................... 88 Figura 98 - Mobiliário da Praça do Convívio.............................................................................. 89 Figura 99 - Lixo depositado na calçada da Praça do Convívio ................................................... 89 Figura 100 - Lixeira na Praça Três Irmãos .................................................................................. 89 Figura 101 - Banco em madeira na Praça Três Irmãos ............................................................... 89 Figura 102 - Lixo depositado na calçada da Praça Três Irmãos, sinal comportamental. ............ 89 Figura 103 - Planta Baixa da Praça Três Irmãos indicando os pontos de Lynch e o ponto da viatura da polícia de trânsito ....................................................................................................... 90 Figura 104 - Mapa do Centro da Cidade indicando a relação das áreas verdes x áreas adensadas ..................................................................................................................................................... 91 Figura 105 - Corte esquemático indicando os níveis do Parque Beira Rio em relação ao Rio Castelo e a Avenida Scandar Nemer ........................................................................................... 92 Figura 106 - Rio Castelo passando por cima da Passarela da Beira Rio ..................................... 93 Figura 107 - Mapa indicando os ventos dominantes do Eixo Paisagístico de Castelo ................ 94 Figura 108 - Idosos sentados à sombra da árvore na Praça Três Irmãos. .................................... 95 Figura 109 - Idosos jogando cartas na Praça do Convívio, durante a manhã. ............................. 95 Figura 110 - Pessoas utilizando a Praça Três Irmãos como passagem........................................ 96 Figura 111 - Planta Baixa da Praça Três Irmãos indicando os usuários ..................................... 96 Figura 112 - Apropriações na Praça do Convívio. ...................................................................... 97 Figura 113 - Mesas de Bar obstruindo a passagem da Praça durante o final de semana ............ 97 Figura 114 - Crianças utilizando a pista de Skate do Parque Beira Rio que apresenta pichações ..................................................................................................................................................... 98 Figura 115 - Família utilizando o playground do Parque Beira Rio ........................................... 98 Figura 116 - Crianças utilizando a Quadra de esportes do Parque Beira Rio ............................. 98 Figura 117 - Planta Baixa do Parque Beira Rio indicando os usos e apropriações ..................... 98 Figura 118 - Mapa Síntese .......................................................................................................... 99 Figura 119 - Área com Potencial Paisagístico e Contemplativo ............................................... 100 Figura 120 - Lote Vazio ............................................................................................................ 100 Figura 121 - Edificação Comprometida .................................................................................... 101 Figura 122 - Áreas de Preservação entorno do Rio Castelo ...................................................... 102 Figura 123 - Região com áreas alagáveis na Avenida Ministro Araripe ................................... 102 Figura 124 - Área Residencial ................................................................................................... 103


Figura 125 - Estreitamento das Calçadas .................................................................................. 103 Figura 126 - Edifício não condizente na Praça Três Irmãos ..................................................... 104 Figura 127 - Rodoviária de Castelo........................................................................................... 104 Figura 128 - Visual Bloqueada 1 - Edifício bloqueando visual para o Parque Beira Rio ......... 105 Figura 129 - Visual Bloqueada 2 - Edificação obstruindo visual para a Igreja Matriz ............. 105 Figura 130 - Visual Bloqueada 3 - Edificações obstruindo a visual para a Igreja Matriz ......... 105 Figura 131 - Visual Bloqueada 4 - Edificação obstruindo a visual para as montanhas na Praça Três Irmãos................................................................................................................................ 105 Figura 132 - Visual Bloqueada 5 - Edificações bloqueando a visual para o Morro do Niterói. 106 Figura 133 - Visual Bloqueada 6 - Praça Três Irmãos .............................................................. 106 Figura 134 - Visual Bloqueada 7 - Praça Três Irmãos .............................................................. 106 Figura 135 - Visual Bloqueada 8 - Avenida Ministro Araripe .................................................. 106 Figura 136 - Visual Bloqueada 9 - Igreja Matriz ...................................................................... 106 Figura 137 - Visual Positiva 1 - Visual da área Residencial para Morro .................................. 107 Figura 138 - Visual Positiva 2 - Pontões do entorno de Castelo ............................................... 107 Figura 139 - Visual Positiva 3 - Praça Três Irmãos .................................................................. 107 Figura 140 - Visual Positiva 4 - Morro do Niterói .................................................................... 107 Figura 141 - Visual Positiva 5 - Praça Três Irmãos .................................................................. 107 Figura 142 - Visual Positiva 6 - Rua Arborizada ...................................................................... 107 Figura 143 - Casas com estilo Europeu ..................................................................................... 108 Figura 144 - Casa no Estilo Europeu ........................................................................................ 108 Figura 145 - Edifício Residencial na Rua sem saída ................................................................. 109 Figura 146 - Centralidade da Avenida Ministro Araripe em Relação às áreas de uso público . 112 Figura 147 - Pontões do entorno da Cidade de Castelo com a Avenida Ministro Araripe em vermelho....................................................................................................................................113 Figura 148 - Mirante integrado aos calçadões e ciclovia no Parque Mirante ........................... 113 Figura 149 - Mirante para as Montanhas ao Norte de Castelo .................................................. 114 Figura 150 - Praça Nova conexão eixo - parque ....................................................................... 115 Figura 151 - Circuito de Ciclovias e Passeios .......................................................................... 115 Figura 152 - Waterfront paralelo ao Parque Beira Rio ............................................................. 116 Figura 153 - Decks ribeirinhos .................................................................................................. 116 Figura 154 - Fôrma Metálica do Tapete de Corpus Christi ....................................................... 117 Figura 155 - Paginação de Piso inspirada nos Tapetes de Corpus Christi ................................ 118 Figura 156 - Mobiliários e Passarelas em Aço de Refugo ........................................................ 119 Figura 157 - Casarão próximo à santa casa de misericórdia ..................................................... 120 Figura 158 - Casarão onde foi confeccionado o primeiro tapete de Corpus Christi ................. 120 Figura 159 - Casarão Antigo reciclado como Cafeteria com espaço ao ar livre ....................... 120 Figura 160 - Parklets ................................................................................................................. 121 Figura 161 - Mapa esquemática com a Localização do Estacionamento .................................. 122 Figura 162 - Estacionamentos com Acesso ao Rio Castelo. ..................................................... 122 Figura 163 - Proposta de Traffic Calming para áreas Residenciais .......................................... 123 Figura 164 - Localização dos Pórticos e Molduras ................................................................... 124 Figura 165 - Casarão do primeiro tapete de Corpus Christi demarcado com moldura em Aço recortado.................................................................................................................................... 124 Figura 166 - Portal para os Decks Ribeirinhos na Rua Gourmet .............................................. 125 Figura 167 - Passarela da Beira Rio com Moldura para o Parque............................................. 125 Figura 168 - Implantação geral do projeto de intervenção ........................................................ 127 Figura 169 - Parque Mirante ..................................................................................................... 128


Figura 170 - Praça da Nova Passarela contendo áreas de alongamento .................................... 129 Figura 171 - Academia ao ar Livre e área livre de esportes ...................................................... 129 Figura 172 - Passarela da Praça da União ................................................................................. 130 Figura 173 - Imagem aérea da Praça da União ......................................................................... 131 Figura 174 - Áreas de contemplação da Praça da União ........................................................... 131 Figura 175 - Entrada da Passarela ............................................................................................. 131 Figura 176 - Área de Piquenique da Rua Gourmet ................................................................... 132 Figura 177 - Imagem aérea da Rua Gorumet ............................................................................ 132


LISTA DE SIGLAS APA – Áreas de Proteção Ambiental IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IDF –Índice de Desenvolvimento das Famílias IDHM – Índice de Desenvolvimento Humano Municipal IDU– Índice de Desenvolvimento Urbano IJSN– Instituto Jones dos Santos Neves NBR – Norma Brasileira de Redação PDM – Plano Diretor Municipal PIB –Produto Interno Bruto PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PMC – Prefeitura Municipal de Castelo FTP - Faixa de Travessia de Pedestre


SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO..........................................................................................................16 2 REQUALIFICAÇÃO URBANA ATRAVÉS DE ESPAÇOS PÚBLCO...............20 2.1 INTERVENÇÕES URBANAS: REVITALIZAR X REQUALIFICAR..................22 2.2 IMPORTÂNCIA DOS ESPAÇOS PÚBLICOS PARA A REQUALIFICAÇÃO DAS CIDADES...............................................................................................................24 3 ESPAÇOS PÚBLICOS NO MUNICÍPIO DE CASTELO.....................................30 3.1

EVOLUÇÃO

SOCIO

ESPACIAL

DO

MUNICIPIO

DE

CASTELO

.........................................................................................................................................31 3.2 DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL E MORFOLÓGICA DO LAZER URBANO .........................................................................................................................................35 3.3 ESPAÇOS DE VIVÊNCIA E CULTURA .............................................................. 48 4 DIAGNÓSTICO DA ÁREA DE ESTUDOS............................................................50 4.1 CONDICONANTES LEGAIS..................................................................................55 4.2 CONDICIONANTES MORFOLÓGICAS...............................................................65 4.3 CONDICIONANTES AMBIENTAIS......................................................................90 4.4 POTENCIALIDADES E VULNERABILIDADES LOCAIS..................................95 5 PROPOSTA DE PROJETO PRELIMINAR DO EIXO PAISAGISTICO DE CASTELO....................................................................................................................110 5.1 CONCEITO E PARTIDO.......................................................................................111 5.2 PROJETO ...............................................................................................................126 6 CONCLUSÃO ..........................................................................................................133 7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................136 ANEXOS ......................................................................................................................144


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O crescimento de cidades de pequeno e médio porte brasileiras tem sido importante para a economia das regiões em que estas se inserem. Entretanto, alguns autores como Jan Gehl e Jane Jacobs tem alertado para o crescimento cujo adensamento excessivo e descontextualizado em relação as qualidades intrínsecas da região e as necessidades da população, tem comprometido os valores locais e a qualidade de vida de seus habitantes. Os momentos de convivência e socialização estão sendo substituídos por condomínio com clubes recreativos. Os espaços públicos, antes de suma importância para a convivência na cidade, foram sendo suprimidos e as características de socialização e integração, foram limitadas a locais de transição e curta permanência. A cidade passou a ser comercializada visando o lucro (ARANTES; VAINER e MARICATO, 2000). Praças e parques que antes uniam a população e cumpriam sua função social, tornaram-se cenários secundários dentro das cidades. Diante deste cenário e da preocupação com o crescimento vivenciado na cidade de Castelo em detrimento de suas áreas livres, o objeto de estudo deste trabalho focou no espaço público da área central deste município, pequena cidade em crescimento localizada no interior do Espírito Santo com uma identidade religiosa e festiva muito forte. O estudo proposto visa a valorização da cidade através de um eixo paisagístico que conecte áreas públicas existentes na área central e preserve visuais significativas da paisagem da cidade. Tais áreas estão presentes e fazem parte do dia a dia da população como principal eixo de socialização e integração dos seus habitantes. O trabalho proposto visa a qualidade das áreas livres de uso público identificadas neste trabalho como eixo paisagístico. A proposta identifica a Avenida Ministro Araripe como elo estruturante de conexão entre o Parque Beira Rio, a Praça Três Irmãos e a Praça do Convívio, principais áreas verdes do centro da cidade. A intervenção proposta justifica-se pela necessidade de considerar os valores locais como a festa de Corpus Christi, que leva todo ano a esta área central da cidade 60 mil turistas, os hábitos de convívio em áreas públicas da população, a proteção das visuais significativas da paisagem do entorno além de estabelecer uma relação entre os edifícios existentes na região e o espaço de uso público adjacente a estes. Para embasar a fundamentação teórica deste trabalho, foram adotados conceitos dos autores como Ângelo Serpa, com sua visão comparativa entre as cidades Brasileiras e do Mundo destaca a valorização dos bairros através dos espaços de uso público; Tim Waterman que enfatiza a importância do entorno para a melhoria dos espaços públicos; Sun Alex e Jan Gehl que descrevem a importância dos espaços públicos para as cidades e para a convivência


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da população e Jane Jacobs que ressalta as vantagens da diversidade de usos, no processo de qualificação de lugares, colaborando para o enriquecimento da pesquisa e abrindo as possibilidades para o projeto de requalificação. Para as informações sobre a área de estudos foram realizadas alem das visitas em campo para a elaboração do diagnóstico, entrevistas com usuários do local, com funcionários da Prefeitura Municipal de Castelo e com o Sr. Frei Egisto Cansian, ex pároco da Igreja Matriz de Castelo. As informações pesquisadas para este trabalho foram estruturadas em quatro partes conforme descrição a seguir. A primeira parte apresenta as alternativas de intervenções para valorização de áreas de uso público através da Requalificação e Revitalização urbana. Explica as alternativas de intervenções urbanas, ressaltando as diferenças entre requalificar e revitalizar seguindo os conceitos da Carta de Lisboa e da Geógrafa Ana Marina Ribeiro Silva. Identifica a requalificação urbana como a estratégia de intervenção ideal neste caso, para o resgate dos espaços públicos através da utilização de usos diversificados e dinâmicos. As características atuais dos espaços de uso público e de lazer do município de Castelo bem como a distribuição de tais áreas no município estão presentes na segunda fase deste trabalho. Inicia com a contextualização da região Castelense situando esta em relação a região Serrana do Estado. Segue apresentando os espaços de vivência e cultura existentes na cidade, indicando suas características, localizações e áreas de interferência. E encerra com a relação do desenvolvimento sócio espacial e o surgimento dos espaços públicos, bem como a relação desses espaços com a festa de Corpus Christi utilizando autores castelenses como referência. A terceira parte dedica-se ao diagnóstico da área de estudos, indicando com mais precisão o Eixo Paisagístico em questão. Nesta etapa fica evidenciada a escolha da Avenida Ministro Araripe como eixo estruturante da área de intervenção. Apresenta as condicionantes legais do município, através do estudo do PDM e do Código de Obras de Castelo, além de mapas elaborados a partir de dados da Prefeitura Municipal de Castelo e de estudos realizados em campo. Tais mapas indicam as características relevantes para as particularidades da área de projeto, como as de uso e ocupação do solo e aquelas relacionadas aos equipamentos urbanos e potencialidades e vulnerabilidades da área de estudos. Para isso, estudos no entorno das áreas públicas foram realizados com o auxílio de fotografias e mapas sínteses elaborados pelo autor.


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A quarta parte do trabalho apresenta o desenvolvimento do projeto em nível de estudo preliminar de requalificação da Avenida Ministro Araripe e seu entorno imediato que foi elaborado através da análise e interpretação das informações das etapas teóricas e de diagnóstico precedentes. Na seqüência, são apresentados os fatores determinantes para a elaboração do conceito e partido utilizados resgatando elementos como cultura, visuais e historia na requalificação proposta. E por fim, é apresentado o projeto do Eixo Paisagístico de Castelo.


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A vulnerabilidade das áreas urbanas fragilizadas pelos adensamentos excessivos, quase sempre resultantes de uma política de uso e ocupação do solo que favorece a especulação imobiliária, tem sido objeto de críticas e preocupações de vários autores. Arantes;Vainer e Maricato (2002) nos mostram como a cidade atual tornou-se um centro de interesses econômicos, muito mais ativo do que os interesses voltados a humanização e a qualidade do espaço construído. “... Pode-se afirmar que, transformada em coisa a ser vendida e comprada, tal como constrói o discurso do planejamento estratégico, a cidade não é apenas uma mercadoria mas também, e sobretudo, uma mercadoria de luxo, destinada a um grupo de elite de potenciais compradores: capital internacional, visitantes e usuário solváveis.” (ARANTES; VAINER e MARICATO 2000, p.83)

Outros pensamentos, como o de Jan Gehl (2010) indicam a importância dos espaços públicos para a cidade, o porquê da valorização de tais espaços contribuírem para a melhoria dos locais de uso público. Ele defende a vida ao ar livre, a vida como uma atração urbana, como neste trecho: “Estudos de cidades do mundo todo elucidam a importância da vida e da atividade como uma atração urbana. As pessoas reúnem-se aonde as coisas acontecem e espontaneamente buscam outras pessoas [...] Ao longo da história, o espaço da cidade funcionou como ponto de encontro para os moradores, em vários níveis.” (GEHL, 2010, p.25).

O espaço público, além de promover a socialização entre os moradores e visitantes da cidade, ainda contribui para a liberdade de expressão das pessoas e de grupos alternativos, “A gama de atividades e atores demonstra as oportunidades do espaço público de reforçar a sustentabilidade social”. (GEHL, 2010). Este capítulo apresenta as possibilidades de intervenções para a valorização de áreas urbanas, destacando vantagens e importâncias das áreas públicas para toda a cidade, não somente destinada a uma parcela da população, mas a todos que nela vivem e visitam.


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2.1 INTERVENÇÕES URBANAS: REVITALIZAR X REQUALIFICAR

A crescente preocupação em resgatar os espaços públicos e devolve-los aos cidadãos fez surgir à necessidade de se buscar novas alternativas de valorização destas áreas, como a requalificação e a revitalização urbana. Segundo a Carta de Lisboa de 1995, “Revitalização engloba operações destinadas a relançar a vida econômica e social de uma parte da cidade em decadência”. Esta noção, próxima da reabilitação urbana, aplica-se a todas as zonas da cidade sem ou com identidade e características marcadas. Revitalização ainda é empregada no âmbito de oferecer nova forma e função à arquitetura e contexto urbano, sempre respeitando e se incorporando a paisagem existente e o contexto histórico, já que é de suma importância a recuperação e a preservação do patrimônio histórico urbano. (SCHICCHI, 2005). Portando, é correto afirmar que a revitalização pretende resgatar o uso que existia em locais que se tornaram obsoletos e sem atividades que chamassem a atenção dos usuários, através de intervenções com novas propostas de uso e desenho urbano, criando lugares que tenham ligação com o contexto atual em que o espaço público se encontra, sempre resgatando as raízes históricas do lugar. A requalificação Urbana, por sua vez, é destaca na Carta de Lisboa de 1995 como operações destinadas a tornar a dar uma atividade adaptada a um local, no contexto atual, considerando o estilo de vida dos usuários e o entorno em que a área esta inserida. Definição está complementada por Silva (2011), ao escrever que requalificação urbana visa a qualidade ambiental e de vida nas cidades, envolve a integração de diversos componentes como a habitação, a cultura, a coesão social e a mobilidade. Além disso, prioriza a reutilização de infraestrutura e equipamentos pré-existentes em detrimento da construção nova e da reutilização de espaços urbanos que estejam abandonados ou degradados, com objetivo de dar melhores condições de uso e função ao espaço trabalhado. A autora mantém o pensamento afirmando que: “Através do planejamento torna-se exequível (re)pensar as cidades em função das características físicas e dos elementos simbólicos que estabelecem uma ligação com o passado e despertam sentimentos de pertença. Além do


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planejamento, importa destacar a requalificação urbana como processo planejado que pretende a valorização e competitividade das cidades, a salvaguarda e a valorização de elementos (humanos e naturais) considerados fulcrais para a construção e a percepção da imagem, e para a consolidação da identidade individual ou coletiva.”. (SILVA, 2011, p. 18).

Desta maneira, Requalificar é reutilizar o espaço e a infraestrutura existente para adaptar um novo uso ao local mantendo em vista as características intrínsecas do entorno e Revitalizar consiste em valorizar o espaço já existente respeitando as características históricas do sitio em que o mesmo encontra-se. Através desses conceitos, optou-se pela proposta de Requalificação como a melhor opção de intervenção para o projeto que será proposto neste trabalho, devido a constante preocupação com o entorno em que a área está inserida, como por exemplo a valorização das visuais e a integração das áreas existentes. As cidades brasileiras vêm passando por processos de requalificação a partir de sua paisagem construída, não somente para melhorar as relações com as características históricas, geográficas e culturais do local, mas também para ganhar espaço nos mercados regional, nacional e global. (DEL RIO e SIEMBIEDA, 2009). Além dessas relações, talvez a mais importante de todas seja a do espaço com o usuário e as relações humanísticas impressas nos espaços públicos. Os espaços públicos segundo Fátima Loureiro de Matos (2010) são os principais elementos de valorização e qualidade de vida de uma cidade. “As áreas públicas formam elementos estruturantes da vida urbana, dado a maneira como cria interesse no uso coletivo, estimulando assim o desenvolvimento urbano, valorização e qualidade da vivencia urbana e a fixação de recursos humanos qualificados, além de terem função de estruturação e coesão da malha e o espaço a cidade. [...] Devido a todas as vantagens econômicas, atrativas, visuais e de qualidade de vida social, muitos municípios têm procurado investir na requalificação desses espaços.” (MATOS, 2010).

O conceito de requalificação aplicado às áreas públicas torna-se um forte condicionante para a melhoria da cidade, através de atividades que tenham influência direta com o entorno, ou seja, o contexto onde tal espaço está inserido é de suma importância para que a requalificação seja bem sucedida. Waterman (2010) apresenta como o contexto interfere diretamente na qualidade dos espaços públicos. “A paisagem determina o contexto para tudo que é construído e para as atividades cotidianas de nossas vidas. Qualquer coisa que é construída na paisagem precisa levar em consideração o seu entorno e sua inserção no


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meio, para que possa ser bem-sucedida e sustentável, e isso é essencial para a prática da arquitetura paisagística.” (WATERMAN, 2010, p.52).

O contexto de uma paisagem, portando, pode apresentar o marco central da requalificação de uma área através de seus espaços públicos. Muitas vezes cenário de um lugar é o espaço público, onde as atividades giram em torno de uma praça, um parque ou até mesmo uma via, já os edifícios com seus diferentes usos (residencial, comercial, institucional...) devem preceder a requalificação de um espaço urbano à medida que as intervenções instigadas por tais usos podem influenciar a vitalidade dos espaços públicos. A Requalificação de tais áreas deve trazer melhorias para seu entorno imediato e adjacências. Jane Jacobs (1960) descreve as vantagens desses espaços públicos com diversidade de usos no processo de qualificação de lugares, como uma forma de estimular a permanência e frequência de pessoas que garantem a vitalidade dessas áreas: “A calçada por si só não é nada. É uma abstração. Ela só significa alguma coisa junto com os edifícios e os outros usos limítrofes a ela ou a calçadas próximas. Pode-se dizer o mesmo das ruas, no sentido de servirem a outros fins, além de suportar o trânsito sobre rodas em seu leito. As ruas e suas calçadas, principais locais públicos de uma cidade, são seus objetos mais vitais [...] Aparentemente despretensiosos, desprovidos e aleatórios, os contatos nas ruas constituem a pequena mudança a partir da qual pode florescer a vida pública exuberante da cidade” (JACOBS, 1960, p.29-78).

2.2 A IMPORTÂNCIA DOS ESPAÇOS PÚBLICOS PARA A REQUALIFICAÇÃO DAS CIDADES

Os espaços públicos da cidade são por natureza os locais onde os habitantes demonstram suas relações interpessoais, criando uma ideia de conjunto, aonde entende-se que tais áreas são direito de todos e para todos e que podem possuir a função de unir o traçado da cidade e os próprios usuários. Segundo Jane Jacobs (1960) os lugares públicos, se bem observados e utilizados proporcionam segurança para os usuários, além disso, as calçadas e outros espaços de cunho público são responsáveis por reunirem pessoas que não se conhecem social ou intimamente e que por muitas vezes não teriam interesse em se conhecerem dessa maneira. A privacidade é uma característica urbana, a maioria da população a considera preciosa, mas se os contatos de


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uma cidade se limitassem apenas a vida privada, não existiria serventia para ela. Portando, os contatos feitos nas ruas e parques são fundamentais, pois revelam uma compreensão da identidade pública das pessoas. Uma rede de respeito e confiança mútuos. Ângelo Serpa (2007), apresenta o exemplo da cidade de Paris, indicando seus parques urbanos, como espaços que já nascem para valorizar os novos bairros da cidade aos quais equipamentos sociais e culturais são agregados. E que segundo ele, são como “produtos de operações urbanas que buscam vantagens comparativas e atrativas para as áreas requalificadas.” (SERPA, 2007, p.53). Insinuando assim que a implantação de parques na cidade europeia visa à valorização dos bairros, na medida em que mantém uma harmonia e criam igualdade entre as áreas das cidades, destacando o verdadeiro objetivo dos espaços públicos, em unir as pessoas e o tecido urbano, agregando áreas verdes, cultura e lazer. Um exemplo de requalificação bem sucedida e levando em consideração as características do local foi citada por Vicente Del Rio e William Siembieda (2009), aonde eles apontam o estudo de caso de Porto Alegre, em que foi feito um redesenho de “Brownfields”, que segundo os autores são: “... Vastas porções de solo urbano ocupadas por construções que, na evolução das grandes metrópoles, acabaram por se tornar obsoletas, como antigas estações ferroviárias, docas portuárias e, em maior número, as grandes extensões de solo central ocupado por fábricas e equipamentos destinados à produção industrial que se tornaram progressivamente esvaziados”. (DEL RIO e SIEMBIEDA, 2009, p.162).

No caso de Porto Alegre, o “Brownfield” redesenhado encontrava-se no distrito dos navegantes, onde uma antiga fábrica da Renner existia. O projeto buscou a diversidade de usos, acrescentando novos pavilhões aos já existentes. Estudos de marketing feitos pela empresa apontaram que a melhor solução seria a criação de um outletmall, o que, segundo o autor “... Motivou a implementação de reformas dos edifícios históricos e subdivisões de galpões para abrigar pequenas lojas que operavam como lojas da fábrica”. O projeto reciclou prédios antigos industriais e para integrá-los com as novas construções, criou ruas de pedestres que configurava o “Distrito Comercial Navegantes”, um espaço de compras de escala urbana que soube manter a imagem fabril predominante, porém com novos usos e funções. Neste caso, as ruas de pedestres abertas e as áreas para eventos


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criadas, foram fundamentais como estratégias que aliavam o espaço público às atividades onde o espaço passou a ser formado por galpões nos arredores, utilizados para sediar exposições, bienais e concertos internacionais. (DEL RIO e SIEMBIEDA, 2009). A solução das diretrizes projetuais usadas foram algumas mudanças na qualidade do ambiente, como é descrito no seguinte trecho: “A atratividade do novo lugar já se estendia para além das vizinhanças mais imediatas. Talvez a essência de seu projeto conceitual – a de estruturá-lo a partir de uma ideia de “mainstreet” de uma pequena cidade – tenha sido o que lhe conferiu a magia com que hoje conta. Os frequentadores são transportados ao “mundo de antigamente”, no qual podem desfrutar de um passeio ameno, enquanto fazem suas compras com tranquilidade, como se estivessem numa ruazinha de um vilarejo qualquer. [...] Embora minimalista, seu projeto urbanístico encerra uma riqueza surpreendente, manifesta em vários sentidos e numa diversidade de facetas, que abrangem desde a dimensão sensorial à dimensão histórica [...] Sensorial, porque foi capaz de incorporar a atmosfera industrial que permeia todo o ambiente local, além disso é receptivo aos vários grupos sociais, de modo que seus usuários se sentem bem a vontade naquele território, que oferecem um ambiente no qual podem replicar práticas espontâneas e atitudes que só costumam adotar nos lugares que lhes são mais familiares. Essa dinâmica é demonstrada, por exemplo, pelo fato de que tanto estudantes do campus próximo como trabalhadores das fábricas do entorno o utilizam como área de lazer e se comportam como se estivem nas calçadas em frente às suas próprias residências.” (DEL RIO e SIEMBIEDA, 2009, p.169).

O espaço público não é somente um espaço fisicamente aberto, mas, sobretudo, um espaço que deve estar integrado ao tecido urbano e possuir um significado social. Sua importância pode estar em seu valor histórico, bem como em sua participação na vida e desenvolvimento da cidade. É portando, um ambiente de convívio social da cidade que relaciona suas ruas, arquitetura e pessoas. O espaço público possui inúmeras formas e tamanhos, podendo ser desde uma calçada até a paisagem vista das janelas, além disso, abrange locais designados ao uso cotidiano, aos quais os mais conhecidos são as ruas, as praças e os parques. O “público” significa que os locais que formam tal espaço devem ser abertos e acessíveis, sem exceção, a todas as pessoas. (ALEX, 2008). Outras medidas de requalificação do espaço público estão sendo popularizadas ultimamente, como a utilização dos Parklets/Vaga Viva, que segundo a Gestão Urbana da Prefeitura de São Paulo, são: "Extensões temporárias de calçada que promovem o uso do espaço público de forma democrática, permitindo à comunidade construir seu próprio espaço de convívio, resgatando as narrativas locais, melhorando a paisagem urbana e


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transformando espaços em lugares melhores conviver."(PREFEITURA DE SÃO PAULO, 2014).

para

se

viver

e

Em suma, trata-se de um ampliação da calçada ou utilização de vagas de veículos realizada por meio da implantação de uma plataforma com bancos, floreiras, mesas e outros elementos de mobiliário com função de valorizar o usuário, a escala humana. Além das vagas vivas, outra alternativa para a melhoria das ruas em detrimento dos pedestres e ciclistas são o chamado Traffic Calming, que segundo a TrafficCalming.Org (2014), consiste em medidas operacionais como a aplicação reforçada do policiamento,e um programa de observação da velocidade dos veiculos, bem como as medidas físicas e construtivas, como a implantação de pavimentação trepidante e faixas de pedestre elevadas, que consequentemente, impedem que a velocidade dos carros seja alta. Esta definição é complementada por Esteves (2003) como uma "técnica (ou um conjunto de técnicas) para reduzir os efeitos negativos do trânsito ao mesmo tempo em que cria um ambiente seguro, calmo, agradável e atraente". Este método, ainda segundo Esteves, vem sendo implantado principalmente em países europeus, mas que vem ganhando força em cidades brasileiras, como Belo Horizonte e Rio de Janeiro por ser uma técnica capaz de proteger áreas urbanas dos efeitos do alto tráfego de veículos, desde que seja aplicada de forma adequada ao ambiente. As ruas, com a utilização do Traffic Calming, passam a ser mais calmas e seguras, retornando o espaço para os usuários e moradores do local (Esteves apud Tolley). Esteves defende que a estratégia de traffic calming ainda transformam não só as vias, mas também o contexto em que está inserida. " [...] medidas de Traffic Calming acabam por requalificar de forma positiva o ambiente e, por extensão melhorar a qualidade de vida dos habitantes e visitantes da unidade de vizinhança urbana. De certa forma pode ser considerada uma nova abordagem na concepção e uso dos espaços públicos da cidade (Esteves, 2003, p.51)

A aplicação deste tática se dá através de alterações horizontais e verticais nas vias. Segundo Esteves (2003), as alterações horizontais podem ser desde calçadas mais largas, alterações do perfil viário até refúgios centrais para pedestres, que ocasionam a diminuição da presença de veículos de grande porte, a velocidade dos carros, além de reduzir a distância da


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travessia dos pedestres. As alterações verticais, por sua vez, possuem a mesma destinação das horizontais e são feitas através de platôs elevados, lombadas, almofadas antivelocidade entre outros. A tabela abaixo indica algumas opções de alterações no perfil viário.

Figura 1 - Alterações do Perfil Viário utilizando Traffic Calming

Fonte: Fonte: Esteves, Ricardo (1996)

As imagens abaixo demonstram a utilização destas técnicas em áreas urbanas da Inglaterra.


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Figura 2 - Chicana em área urbana, Wulfstan St., Shepherds Bush, Londres, Inglaterra

Figura 3 - Platô com travessia, Tuly St., Barnstaple, Inglaterra

Fonte: County Surveyors Society (1994) – Traffic Calming in Practice

Fonte: Hass-Klau et allii.(1992), Civilised Streets: a guide to traffic calming.

Figura 4 - Platô com estreitamento, Buntingford, Hertfordshire, Inglaterra

Figura 5 - Platô combinado com pavimentação

Fonte: County Surveyors Society (1994) – Traffic Calming in Practice.

Fonte: Road Directorate (1993) – An Improved Traffic Environment: A catalogue of ideas.


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Este capítulo tem como objetivo apresentar os espaços de lazer e cultura de Castelo (ES), através de um breve histórico, e como o estilo de vida castelense influenciou no uso e ocupação das áreas públicas para fins culturais e turísticos, além do próprio usufruto da população, localizando a Cidade de Castelo em relação a região em que está inserida.

3.1 EVOLUÇÃO SÓCIO ESPACIAL DO MUNICÍPIO DE CASTELO

Castelo é um município brasileiro do estado do Espírito Santo. Localiza-se ao sul do estado, mais precisamente na Região Serrana, local este com grande influência de grupos étnicos vindos da Europa no século XIX cuja área mantém até os dias atuais remanescentes da mata atlântica, apesar da proximidade com as áreas conurbadas da região metropolitana de Vitória (LYRA 2007), distante cerca de 140 km (Figura 6).

Figura 6- Mapa com a localização da área de estudo

Fonte: IJSN - Adaptado pelo autor. Acesso em: Maio de 2014

O município faz divisa com os municípios de Conceição do Castelo, Cachoeiro de Itapemirim, Vargem Alta, Alegre, Domingos Martins, Muniz Freire e Venda Nova do Imigrante (Figura 7). Estando a uma altitude de 100 metros, Castelo possui clima ameno e


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uma extensão territorial de 670 km². Na área rural do município, práticas de esportes radicais são comuns, que conta com rampas para voo de paraglider e muitas cachoeiras para rapel. O nome da cidade deu-se pelas formações montanhosas que contornam toda a cidade, o que na visão dos primeiros habitantes, pareciam muros de castelos medievais.

Figura 7 - Castelo e suas divisas.

Fonte: IJSN - Adaptado pelo autor. Acesso em: Maio de 2014

As principais ligações da Capital com a região de Castelo são a BR 101, que corre paralela ao litoral e passa pelos Municípios de Guarapari, Anchieta, Iconha, Rio Novo do Sul e Cachoeiro do Itapemirim, passando pela rodovia Fued Nemer até chegar a Castelo e a BR 262, que tem sua extensão através da região Montanhosa do Estado, passando por Domingos Martins, Marechal Floriano, Venda Nova do Imigrante e que se interliga com a Rodovia Pedro Cola, principal ligação entre Castelo e Venda Nova. Ademais, as ligações entre Cachoeiro do Itapemirim e Venda Nova do Imigrante passam por dentro do perímetro urbano


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de Castelo, atravessando parte da Avenida Ministro Araripe no sentindo Venda Nova do Imigrante a Cachoeiro do Itapemirim, essa via é a principal avenida de comercio da cidade. Além dessas ligações, há também as vias secundárias, que ligam o município aos municípios vizinhos (Figura 8).

Figura 8 - Ligações Rodoviárias entre Vitória e Castelo.

Fonte: IJSN - Adaptado pelo autor. Acesso em: Maio de 2014

Castelo é uma das cidades mais progressistas do estado, a partir de observações dos mapas e dados disponibilizados pelo Instituto Jones dos Santos Neves, o índice de desenvolvimento das famílias abaixo da linha da pobreza (IDF) em maio de 2010 foi de 0,610,65 (alto), o PIB per capita em 2007 foi de 8.907 reais, a carência em esgotamento sanitário em 2000 era baixo, a carência em saneamento era 0,933, ficando na 5ª posição em relação ao estado, e o índice de desenvolvimento urbano (IDU) em 2009 foi de 0,457, ficando na 22ª


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posição no ranking do estado. Possui população predominante de descendentes italianos, contendo 34.826 habitantes (IBGE, 2010) com um IDHM, de 0,726, ficando na posição 1133º dentro todos os municípios brasileiros (PNUD, 2010) e em 16ª posição em relação ao estado do Espírito Santo (IJSN, 2010). O município é o segundo polo econômico do sul do estado, perdendo apenas para Cachoeiro de Itapemirim. Sua encomia baseia-se em diversas áreas, como indústrias de confecções, tinta, minérios, café e pedras ornamentais, sendo a última a maior força econômica da região. Além disso, possui o maior e mais completo frigorífico do estado e uma faculdade. A região contempla remanescentes de mata atlântica nas áreas rurais do município como o Parque Estadual do Forno Grande, localizado a 14 km do centro da cidade, que segundo o Espírito Santo em foco, possui uma área de 730 hectares e Infraestrutura dotada de um portal/guarita, auditório e museu. Encontra-se a uma altitude de 2.039 metros do nível do mar e abriga animais que estão na lista de extinção. Além disso, conta com o Parque Estadual da Mata das flores, que fica a poucos minutos do centro da cidade (5 km). O parque é um resquício da Mata Atlântica, que possui 800 hectares de mata preservada, tombada pelo patrimônio estadual. No parque ainda pode-se encontrar o Pico do Cruzeiro do Caxixe, com mais de 1500 metros de altura (Espírito Santo em foco, 2010). Além dos parques naturais, há ainda o Santuário de Aracuí, localizado no distrito urbano de Aracuí, no qual, segundo a Prefeitura Municipal de Castelo, ocorreu uma aparição de Nossa Senhora no dia 13 de Maio de 1994, a partir daí, o santuário se tornou famoso, e todo dia 13 de maio de cada ano é celebrada uma Missa que reúne cerca de 3 mil visitantes e fiéis. O santuário é a céu aberto e possui esculturas em Mármore e Granito, abundante na região (PMC, 2013). Um ponto importante na história da cidade foi o grande número de imigrantes italianos, que encontraram em Castelo a terra prometida, com bom clima para o plantio, terras férteis e várias nascentes em todo lugar. (VIEIRA, 2004). Outro Fator relevante dos grupos de italianos que ajudaram na colonização do território Castelense, segundo Vieira foi o “sistema de trabalho em comunidade, com todos os membros da família se empenhando em todas as tarefas exigidas pela propriedade”.


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Lyra (2007), também cita em sua dissertação de Doutorado que essa herança cultural é uma qualidade intrínseca à região, não somente pela tradição, mas também pela atitude que se estabelece. Segundo a autora, os grupos de imigrantes tem capacidade cooperativa para trabalhar a favor de suas comunidades. Essa capacidade e força deu origem as pequenas propriedades de agricultura, que foram mantidas apenas com o trabalho dos membros da família e com a ajuda de seus compatriotas. Tais heranças concebidas pelos imigrantes, fez da cidade de Castelo e de sua cultura, um fator de sucesso, pois permanece uma forte relação de vizinhança entre os moradores da região. Estes mantêm tradições que demandam espaços de convívio público. O espírito colaborativo da comunidade e sua capacidade de equipe podem ser conferidos na festa de Corpus Christi do município. A paisagem natural que enquadra a cidade também é um fator importante que forma uma identidade singular para a região, devido as montanhas e a vegetação abundante, as visuais formadas pela mistura de componentes feitos pelo homem e naturais proporcionam um cenário propicio para a valorização da cidade.

3.2 DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL E MORFOLÓGICA DO LAZER URBANO

Castelo, como muitas cidades pequenas em crescimento, ainda possui em sua extensão remanescentes de áreas verdes de uso público. A presença de tais áreas é distribuída de maneira centralizada, já que a grande parte encontra-se no centro da cidade. Como pode ser visto na imagem aérea do município, percebeu-se que grande parte das áreas públicas de importância presentes na cidade, encontram-se no polígono que forma a parte central (Figura 9 e 10), onde estão presentes os principais serviços, como comércio, hospitais e escolas, além da parte administrativa do município (Prefeitura, Secretarias, entre outros). A cidade em crescimento começa a demonstrar sinais de adensamento nesta região central, causando pressão sobre as áreas públicas remanescentes e consequentemente sobre o estilo de vida saudável de seus moradores.


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Figura 9 - Mapa das áreas verdes da Cidade de Castelo, polígono em amarelo delimitando área com presença de espaços verdes de uso público no centro da cidade.

Fonte: IJSN - Adaptado pelo autor. Acesso em: Maio de 2014

Dentre tais remanescentes de áreas públicas, estão as áreas que abrangem o Parque Beira Rio, a Praça Três Irmãos e a Rua de pedestres conhecida como “Pracinha do Convívio” (Figura 10). Tais áreas são representativas para a comunidade com potenciais de conexões favoráveis a criação de um eixo paisagístico para o município.


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Figura 10 - Área do Polígono demarcando os espaços públicos presentes no centro da cidade.

Fonte: Prefeitura Municipal de Castelo - Adaptado pelo autor

O polígono abrange a Praça Três Irmãos que possui influência histórica e paisagística com área de 1770 m², o Parque Beira Rio com 17543 m² de áreas verdes e a Praça do Convívio (rua de pedestres) com 777 m². A Praça Três irmãos e a Rua de pedestres (Praça do Convívio) localizam-se no bairro Centro e o Parque Beira Rio no Bairro Independência, vizinho ao centro (Figura 11). Os dois bairros tem como divisa o Rio Castelo, que corta paralelamente a extensão dos bairros.


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Figura 11 - Bairro IndependĂŞncia e Bairro Centro.

Fonte: IJSN - Adaptado pelo autor. Acesso em: Maio de 2014


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Para melhor entendimento, o histórico do desenvolvimento desses espaços serão apresentados em ordem cronológica, situando cada área e seu contexto. A praça três Irmãos é a principal praça do centro da cidade de Castelo, foi construída em 1940, com o nome de Praça Ruy Barbosa, o local de construção original era um criador de marrecos da fazenda do Sr. Antônio da Rosa carvalho machado. Em 1939, a prefeitura adquiriu terras de Cola Moras e Cia, um total de 650 m². Foram Construídos Jardins, um coreto e a instalação de luz elétrica (VIEIRA, 2004). Pode-se observar que a configuração da praça era delimitada por ruas, tendo aparência de canteiro central, bancos de madeira, iluminação com postes baixos e vegetação rasteira, além disso, sua extensão era compacta, ocupando apenas o trecho correspondente a uma quadra da rua (Figura 12). Figura 12 - Praça Ruy Barbosa – Inaugurada em 1940

Fonte: Prefeitura Municipal de Castelo

Após 9 (nove) anos desta construção, em 1949, a praça foi reconstruída, tendo seus jardins renovados, a inauguração ocorreu em sete de novembro de 1949 (VIEIRA, 2004). Apesar da reconstrução, pouco se alterou na formatação da praça, mantendo as características anteriores, como os bancos e os canteiros. A maior alteração foi o Coreto, que Segundo Vieira, em seu livro Castelo, origem, emancipação e desenvolvimento, era utilizado pela banda musical da prefeitura todos os domingos, além disso, na parte de baixo do mesmo foi instalado um café, antes dessa utilização, o espaço estava sendo ocupado pela Prefeitura como parte do arquivo municipal. O Coreto foi implantado em um anexo à praça, separado através da passagem de uma via (Figura 13).


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Figura 13 - Praça Ruy Barbosa recém-inaugurada, em 1949.

Fonte: Descubra Castelo. Acesso em: Abril de 2014

Ao longo dos anos, a praça foi sofrendo alterações significativas, ela manteve sua formatação até a década de 60, quando novamente foi reformada (Figura 14). A forma de canteiro central foi substituída, fundindo a área do Coreto com a Praça, eliminando a rua que os separava, essa alteração resultou em um novo desenho assimétrico, com uma base maior, criando novos canteiros de tamanhos desiguais, que irradiavam a partir de um ponto central, onde estava situado.

Figura 14 - Praça Ruy Barbosa em 1960, reformada e com sua área expandida.

Fonte: Descubra Castelo. Acesso em: Abril de 2014.

A praça se manteve com essa configuração (Figura 14) até a década de 80, quando mais uma vez sofreu intervenções, além disso, tornou-se a Praça Três Irmãos, como é conhecida até hoje. No Lugar do Coreto, surgiu uma grande fonte, com canteiros maiores,


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simétricos e árvores mais altas (na imagem as mesmas ainda encontravam-se pequenas), um teatro foi construído para atender as necessidades culturais da cidade e novas ruas foram fechadas e integradas à área. Essas mudanças resultaram em um espaço mais amplo, com acessos e percursos largos que favoreceram a apropriação de moradores e visitantes habituados ao convívio público (Figura 15).

Figura 15 - Praça Ruy Barbosa em 1980, logo após sua última intervenção.

Fonte: Descubra Castelo. Acesso em: Abril de 2014

Atualmente, quase trinta anos após a última reforma, a praça encontra-se sem nenhuma alteração (Figura 16), salvo apenas alguns usos do entorno da praça, que passaram a ocupar áreas que fazem divisa direta com a área do espaço público em questão (Figura 17).

Figura 16 - Praça Ruy Barbosa atualmente.

Fonte: Descubra Castelo. Acesso em: Abril de 2014


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Figura 17 - Planta Baixa esquemática indicando em cores as edificações presentes na Praça Três Irmãos

Fonte: Prefeitura Municipal de Castelo - Adaptado pelo autor

Atualmente, a Três irmãos é a maior e principal praça da cidade, ponto de encontro de idosos e local de pequenas quermesses e sarais musicais, além disso, em épocas de espetáculos, é utilizada como apoio ao público que utiliza o teatro, ficando repleta de comerciantes informais vendendo comidas e bebidas. Não há locais de lazer infantil, apenas alguns brinquedos infláveis que são montados eventualmente, devido a isso a praça é mais utilizada por idosos que sentam em seus bancos em dias de final de semana para conversar e passar o tempo. Além da Praça três Irmãos, a Avenida Ministro Araripe, talvez seja a rua com maior importância para a cidade por concentrar comércios e serviços e estar inserido na grande maioria dos trajetos de Corpus Christi, evento cultural de relevância nacional. Esta avenida conecta as principais áreas do eixo paisagístico em questão (Figura 18). Por ser uma das principais avenidas da cidade, possui um grande uso comercial, sendo considerada como o coração pulsante do município. É onde todas as principais lojas e supermercados se encontram, além de manter um uso bem diversificado, se dividindo entre comercio, residências e áreas institucionais, demandando assim, uma especial atenção em relação ao adensamento de seu entorno imediato


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Figura 18 - Localização da Avenida Ministro Araripe

Fonte: Prefeitura Municipal de Castelo- Adaptado pelo autor

A avenida inicialmente chamava-se Avenida João Pessôa e já possuía grande importância, sendo o centro da vida social de Castelo nas décadas de 30 e 40. Possuía em sua extensão vários comércios (assim como hoje) e um cinema (Figura 19), que era, sobretudo utilizado pelos jovens castelenses. Hoje o antigo cinema tornou-se uma Igreja que continua atraindo usuários. Por ser uma avenida com predominância comercial, alguns letreiros escondem as fachadas das construções históricas, de estilo eclético de inspiração déco vernacular. (Figura 20).


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Figura 19 - Avenida João Pessôa, hoje, Ministro Araripe, na década de 40, Cinema em destaque.

Fonte: Descubra Castelo. Acesso em: Abril de 2014

Figura 20 - Avenida Ministro Araripe atualmente com o antigo cinema, que hoje, é a sede da Assembléia de Deus.

Fonte: Google Maps. Acesso em: Maio de 2014.

Outro Ponto importante de lazer e cultura de Castelo é o Parque Beira Rio, que mesmo não estando no circuito da festa de Corpus Christi, está inserido nas proximidades do mesmo com potencial de integração para qualificar a área para o uso da população e para o turismo da cidade. Fica localizado no bairro Independência, que faz divisa com o bairro Centro. Consiste em um grande Parque com dimensões pouco vistas em cidades pequenas (17543 m²), conta com um lago, uma quadra poliesportiva coberta, um campo de futebol, área de viveiros de pássaros, parquinho infantil, banheiros públicos, rampa de Skate e áreas de piquenique (Figura 21).


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Segundo Vieira (2004), trata-se de: “Uma área verde privilegiada implantada no Bairro Independência, importante para o lazer da população, junto a Beira Rio, inclusive com lago artificial, infraestrutura semelhante, somente existente na cidade de vitória”.

Figura 21 - Parque Beira Rio atualmente.

Fonte: Castelo.es. Acesso em: Maio de 2014

O parque é relativamente novo, se comparado a Praça Três Irmãos. Foi construído em 1977 e tem seu nome devido à proximidade com o Rio Castelo, que passa paralelo ao parque (Figura 22). Sua formatação permanece praticamente igual à original, apenas com algumas alterações, tendo sido implantados viveiros de pássaros e um quiosque.

Figura 22 - Terreno do Parque Beira Rio antes da implantação.

Fonte: Acervo da Secretaria Municipal de Cultura – Prefeitura Municipal de Castelo - Adaptado pelo autor.


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Segundo a Prefeitura Municipal de Castelo (2013), o Parque sofrerá intervenções para a melhoria do campo de futebol e da quadra poliesportiva, além da reforma do parquinho infantil. Além das áreas de lazer e espaços verdes citados, outra muito importante é a Praça do Convívio, uma rua de pedestres localizada no centro da cidade, fazendo interseção com a Av. Ministro Araripe (Figura 18), bastante utilizada pelos moradores e em época de Festa de Corpus Christi recebe um contingente de turistas elevado, sendo utilizada como ponto de encontro, praça de alimentação e espaço de descanso. Na Década de 20, a Rua de Pedestres tinha função de leito carroçável que foi alterado em 1980, quando foi fechada e reformulada como uma pequena praça linear, possuindo canteiros centrais e espaço para circulação dos pedestres em ambos os lados. Sua Formatação original (Figura 23) foi alterada em meados dos anos 2000, passando a ter nova paginação de piso, novos canteiros, mobiliário urbano reformulado e a retirada de ombrelones que obstruíam o passeio público (Figura 24).

Figura 23 - Praça do convívio na década de 80 (Rua de Pedestres).

Fonte: Prefeitura Municipal de Castelo – Secretaria de Cultura.


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Figura 24 – Maquete 3D da nova Formatação da Praça do Convívio

Fonte: Autor (2014)

A Rua de Pedestres tornou-se a principal passagem dos consumidores, facilitando o fluxo de pessoas nos finais de semana, a rua é utilizada pelos moradores da cidade como ponto de encontro, mesas de bar são postas no centro da rua, ocupando a área de circulação de pedestres (Figura 25).

Figura 25 - Praça do Convívio (Rua de Pedestres) atualmente. Frequentadores utilizando mesas de bar, congestionando a passagem de pedestres.

Fonte: Autor

Todas essas áreas agregam valor à cidade, formando um eixo de cultura e lazer no entorno da Avenida Ministro Araripe, seja através das festividades religiosas ou da presença forte do comércio no local. Portanto, pode-se afirmar que a presença de espaços públicos na região central da cidade persiste até hoje devido ao costume local de socialização e dos serviços e comércios da região.


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3.3 ESPAÇOS DE VIVÊNCIA E CULTURA

Castelo é uma cidade que possui pouco mais de 34 mil habitantes, sendo 21.817 moradores das áreas urbanas (IBGE de 2010). Porém, em épocas de festividades, o número de visitantes é grande, segundo o governo do estado, cerca de 60 mil pessoas visitam a cidade durante a festa de Corpus Christi, sobrecarregando a área central da cidade que está desprovida de infraestrutura adequada. Situação esta que vem preocupando moradores e dirigentes em virtude do crescimento identificado nos últimos anos e das carências em períodos festivos da cidade, devido a isso, a Festa pode ser considerada um exemplo de vulnerabilidade local. Teve início no município na década de 50, quando pequenos palcos eram montados em vários pontos da cidade e uma procissão era realizada, para decorar as ruas, folhas de mangueira eram usadas. Em 1963, foi registrado o primeiro quadro confeccionado em terra de diversas cores, que eram aplicadas em desenhos geográficos, criando assim a identidade que hoje faz da festa, umas das principais do País (CELLIN, 2013) (Figura 26).

Figura 26 - Tapete de Corpus Christi na Avenida Ministro Araripe

Fonte: Autor (2014).


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As ruas que recebem os tapetes nem sempre foram as mesmas, o trajeto foi se alterando conforme os anos e as mudanças na configuração da cidade, além disso, a popularidade da festa colaborou para a mudança do percurso, já que cada vez mais a população se dedicava na confecção dos tapetes e a extensão dos mesmos foi aumentando. Segundo informações fornecidas em conversa com Sr.Frei Egisto Cansian, pároco da Igreja Matriz de Castelo de 1996 a 2002, através de questionário realizado pessoalmente, o trajeto é alterado pela própria Igreja, que escolhe, na maioria das vezes, o caminho com menores problemas quando se diz respeito a distância e a situação física das ruas, já que os tapetes precisam de uma superfície plana para serem confeccionados. Para indicar a relação das ruas com os tapetes ao longo dos anos, foram elaborados vários mapas em anexo tendo como ponto de referência a Igreja Matriz de Castelo, palco principal da festa (Anexo 01). Percebe-se que as ruas escolhidas ao longo dos anos tiverem como ponto importante a Praça Três Irmãos e a Avenida Ministro Araripe, dois locais que apareceram em quase todos os trajetos oficiais da festa. Essa relação é forte devido a centralidade da Avenida e da Praça, de maneira que o trajeto dos tapetes foi atraído à passar em tais áreas, decorrente de sua forte influência na cidade.


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O eixo paisagístico presente neste capítulo abrange a Avenida Ministro Araripe que integra os três principais pontos de lazer e cultura da cidade descritos no capítulo anterior. A referida avenida recebe a maior extensão dos percursos de tapetes do Corpus Christi, reunindo as principais áreas para alimentação e socialização de turistas e moradores durante o evento. O eixo acompanha ainda o Rio Castelo, importante afluente natural da cidade, paralelo à Avenida, cujas margens apresentam áreas com potencial paisagístico. A importância histórica da Avenida foi decisiva para a identificação desta área como eixo paisagístico de Castelo que cresceu em torno da mesma, sendo desde o princípio um ponto de encontro dos habitantes da cidade atraídos pelo uso misto e pelas áreas livres públicas disponíveis no local (Figura 27). Figura 27 - Eixo Paisagístico de Castelo

Fonte: Google Maps - Adaptado pelo Autor. Acesso em: Maio de 2014

As três áreas livres de uso público que integram o Eixo Paisagístico proposto são compreendidas pelo Parque Beira Rio, que é um parque natural urbano, a Praça Três Irmãos, principal praça da cidade e a Praça do Convívio, que é uma rua de pedestres. O Parque Beira Rio hoje encontra-se subutilizado, salvo os finais de semana, quando os pais levam seus filhos para alimentar os peixes da lagoa e utilizar os brinquedos do local. A manutenção de algumas partes do parque está precária, a Prefeitura organiza mutirões de


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limpeza algumas vezes, aonde os próprios moradores ajudam no serviço, porém não é suficiente, dado a quantidade de árvores frutíferas que deixam frutas e folhas no caminho, além disso, a lagoa artificial, segundo a Prefeitura Municipal de Castelo, está com infiltrações graves. Intervenções passadas tentaram trazer o parque ao uso dos habitantes novamente, criando áreas de viveiros e revitalizando as áreas de descanso e de lazer, mas a intervenção não foi bem sucedida, devido à falta de usos, além disso, enchentes devastaram o parque inúmeras vezes (Figura 28).

Figura 28 - Parque Beira Rio nos dias atuais

Fonte: Autor (2014).

Em relação à Praça Três Irmãos, esta por sua vez tornou-se durante a semana um local de passagem, onde os habitantes da cidade apenas transitam em direção a outros pontos da cidade. Nos finais de semana, entretanto, a praça se torna um espaço de permanência para os idosos que sentam em seus bancos a sombra de suas árvores que estão no local. O chafariz do centro da Praça foi desabilitado, formando uma grande piscina vazia. A manutenção é razoável, os canteiros e jardins são podados e a pavimentação encontra-se intacta, porém, a falta de uso e atividades que chamem atenção dos usuários transformou a praça em um espaço livre obsoleto dentro da cidade.


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Mesmo contendo em seu interior o Teatro Municipal de Castelo, a falta de incentivo cultural prejudica o uso da praça, sendo poucos os programas culturais que acontecem na sala de espetáculos. A dimensão da referida praça fica sacrificada durante a festa de Corpus Christi por comportar área de alimentação e música durante o evento, aonde muitos turistas aproveitam para descansar e se alimentar às sombras das árvores (Figura 29).

Figura 29 - Praça Três Irmãos, chafariz desabilitado

Fonte: Autor (2014).

A área da rua de pedestre, conhecida como Praça do Convívio tem a função de bloquear a circulação de veículos e foi reformada recentemente. É intensamente utilizada por pessoas de todas as idades nos horários comercial e noturno. Passou a ser ponto de encontro de adolescentes durante a noite e de idosos e crianças durante o dia atraídos por seus bares, restaurantes e lojas. Além disso, é uma área de muita importância, pois promove apoio aos turistas e peregrinos durante a festa de Corpus Christi, devido à forte presença de comércio de alimentação e de sua proximidade dos tapetes (Figura 30).


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Figura 30 - Praça do Convívio (Rua de Pedestres) sendo densamente utilizada por transeuntes e pessoas que utilizam os bares e restaurantes.

Fonte: Autor (2014).

Todas essas áreas serão analisadas de maneira a identificar as condicionantes projetuais através do diagnóstico aprimorado das características morfológicas e das necessidades locais. A proposta depende de uma criteriosa investigação sobre os problemas e potencialidades existentes nos espaços livres de usos públicos identificados. A qualidade de uma proposta projetual necessita de uma clara definição das premissas e condicionantes da área de estudos. Esta etapa investigativa segue princípios de análise de Lynch (1997) para a identificação das potencialidades e vulnerabilidades locais através de observações dos fatores naturais, visuais e sociais que culminará na criação de um eixo paisagístico que integre as áreas livres de uso público na área central da cidade e proteja visuais significativas da paisagem urbana. Isso se dará através da requalificação da Avenida Ministro Araripe que contribuirá para a valorização das áreas livres de uso público existentes em seu entorno tomando medidas de proteção das visuais significativas para a identidade da cidade.


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4.1 CONDICIONANTES LEGAIS

Toda cidade necessita de parâmetros legais para organizar e controlar o uso e ocupação do solo de seu município. Dentre os instrumentos urbanísticos vigentes destacam-se o PDM (plano diretor municipal) e o Código de Obras. O Plano Diretor Municipal (PDM) é o instrumento urbanístico que através de seu zoneamento e respectivos modelos de assentamentos ajudam a definir a morfologia das cidades. “Seria um plano que, a partir de um diagnóstico cientifico da realidade física, social, econômica, política e administrava da cidade, do município e de sua região, apresentaria um conjunto de propostas para o futuro desenvolvimento socioeconômico e futura organização espacial dos usos do solo urbano, das redes de infraestrutura e de elementos fundamentais da estrutura urbana, para a cidade e para o município, propostas estas definidas para curto, médio e longos prazos, e aprovados por lei municipal”. (VILLAÇA,1999, p. 238)

Através ainda de outros parâmetros, diretrizes e normas, o PDM deve também fornecer ajuda para o cumprimento de ações que, de alguma maneira, auxiliem no desenvolvimento urbano. Tais ações podem ser desde a construção de uma nova via até uma nova residência. Todas essas ações, trabalhadas em conjunto, proporcionam o desenvolvimento do meio urbano. (SABOYA, 2008) Já o código de Obras do Município de Castelo, visa estabelecer normas de projeto e construção em geral, disciplinando a fiscalização das obras nos parâmetros técnicos, visando o aperfeiçoamento da construção, voltado principalmente para a paisagem urbana e arquitetura das edificações (CÓDIGO DE OBRAS, 1991). No Código de Obras Castelense, o capítulo III, em sua seção I art. 5º ressalta que “a Prefeitura Municipal promoverá estudos para um plano de urbanização de Castelo, de acordo com as verdadeiras necessidades do Município.” Ainda no capítulo III, seção I art. 7º o código pretende estabelecer um conjunto de equipamentos urbanos que são necessários para atender a população. Em relação às vias e logradouros, a Seção VI do capítulo III estabelece que “todas as ruas, avenidas, travessas ou praças deverão ser alinhadas e niveladas em conformidade com o código de obras preestabelecido.


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Ademais, o art. 21 ainda destaca que a prefeitura poderá sempre que julgar necessário abrir, alargar ou prolongar vias e logradouros, mantendo sempre acordo com os proprietários dos terrenos marginais. O código de obras classifica os tipos de edificações segundo o Art. 65 em residenciais, não residenciais e mistas. As edificações residenciais podem ser privadas ou coletivas, ou seja, multifamiliares e unifamiliares. Já as não residenciais são aquelas destinadas ao uso industrial, locais de reunião, comércio, hospitais, escolas e usos especiais diversos (CÓDIGO DE OBRAS, 1991). O código ainda define as edificações mistas como aquelas destinadas a abrigar as atividades de diferentes usos. Segundo o Plano Diretor Municipal de Castelo, a área que abrange o eixo paisagístico proposto está compreendida em três zonas do macrozoneamento municipal. O zoneamento é uma diretriz utilizada nos planos diretores, através da qual a cidade é dividida em áreas de acordo com as características que apresentam e sobre as quais incidem os modelos de assentamento e respectivos índices urbanísticos (SABOYA, 2007). A partir desse zoneamento, são identificadas as áreas com potencial paisagístico e garantidos os percentuais de áreas de uso público dos bairros. Principal artéria do eixo paisagístico proposto, Avenida Ministro Araripe e a Praça do Convívio estão localizadas na zona ZM-2, a via integra o parque Beira Rio que está localizado na Zona ZR-2 e a praça Três Irmãos na zona ZR-1 (Figura 31).

Figura 31–Mapa de Zoneamento abrangendo a área de estudos.

Fonte: PDM de Castelo - Adaptado pelo Autor. Acesso em: Maio de 2014.


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Como dito, a Avenida Ministro Araripe e a Praça do Convívio estão localizadas na Zona Mista 2 (Figura 31). Os usos desta zona consistem, nas atividades do grupo 1 (G1) que são “atividades de pequeno porte que não causam incômodos significativos à vizinhança ou poluição ambiental, quando adotadas as medidas adequadas para o seu controle, e nem atraem tráfego pesado ou intenso” e do grupo 2 (G2), que são “atividades de médio porte que, embora necessárias ao atendimento aos bairros, podem causar algum tipo de incomodidade ao entorno, demandando um maior controle para sua implantação” que consistem em comércio, atividades institucionais, aluguel de objetos, associações, fabricas de porte pequeno, laboratórios, criação de animais domésticos, cursos de idiomas, depósito de material de construção, educação, fábricas de médio porte, locação de veículos, entre outros (PDM, 2001). Os usos permitidos na zona Zona Residencial 2 onde encontra-se o Parque Beira Rio (Figura 31) também são do grupo 1 (G1) e 2 (G2) e a Praça Três Irmãos, localizada na Zona Residencial 1 são atividades do Grupo 1 (G1) (Figura 31). O PDM de Castelo ainda incentiva o uso de Equipamento de Infraestrutura Urbana para as zonas com usos do grupo 1 (Figura 32).

Figura 32 - Tabela de índices e parâmetros urbanísticos e atividades.

Fonte: PDM de Castelo – Adaptado pelo autor. Acesso em: Maio de 2014

A partir de análises realizadas in loco, o mapa a seguir foi elaborado para indicar a presente situação do uso e ocupação do solo dessas zonas. Analisando o mapa, percebe-se que a avenida Ministro Araripe é predominantemente comercial, contendo comércio nos pavimentos térreos das edificações e residência nos demais pavimentos, sendo por sua vez o principal centro de compras da cidade. Já é densamente ocupada, porém, ainda podemos observar alguns terrenos vazios em suas mediações.


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Já a Zona que abriga o Parque Beira Rio é predominantemente residencial e apenas alguns comércios ainda permanecem no local, isso devido à proximidade com a Avenida Ministro Araripe, que como dito, tem cunho comercial e atende a demanda dos bairros próximos. A Praça Três Irmãos por sua vez está rodeada de construções de uso misto, com edifícios contendo comercio no térreo e residência nos demais pavimentos, entretanto, possui uso predominantemente residencial por conter ainda muitas residências nos arredores.

Figura 33 - Mapa de Uso e Ocupação do Solo

Fonte: Prefeitura Municipal de Castelo - Adaptado pelo Autor

Em relação aos gabaritos e aos índices urbanísticos, o PDM diz que o gabarito das Zonas ZR1, ZR-2 e ZM-2 é de 7 pavimentos, o coeficiente de aproveitamento é de 1,50 para residências unifamiliares e de 4,00 para residências multifamiliares nas zonas ZR-1 e ZR-2 e de 1,20 para residências unifamiliares e 2,80 para residências multifamiliares na Zona ZM-2. O potencial construtivo das Zonas ZR-1 é 1,00 e da ZR-2 é de 1,20, já na zona ZM-2 o potencial


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construtivo é isento. A taxa de permeabilidade das zonas residenciais 1 e 2 é de 15% e na zona mista 2 é de 20%. A taxa de ocupação de todas as três zonas é de 75%. Os afastamentos de todas as zonas aqui analisadas são, segundo o PDM: frontal de 1,5 m, afastamento lateral isento em lotes com até 12 m de testada, em lotes com até 15 m de testada o afastamento lateral é de 1,5 em um dos lados, e em lotes com testada maior que 15 m o afastamento é de 1,5 em ambos os lados, já o afastamento de fundo sem vão de ventilação é de 1,5 m e com vão de iluminação e ventilação de 1,5 m progressivo em relação ao nº de pavimentos, somando-se 0,15 a 1,5m.

O mapa abaixo indica a situação atual em relação ao gabarito dessas zonas.

Figura 34 - Mapa de Gabarito

Fonte: Prefeitura Municipal de Castelo - Adaptado pelo Autor

Observa-se que há uma predominância de edificações com gabaritos de 1 a 3 pavimentos, entretanto, é possível identificar construções que vão além de 3 pavimentos,


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chegando até a ultrapassar o permitido pelo PDM. Esse crescimento vertical se deu pela influência que as metrópoles têm sobre as cidades menores. A ideia do vertical muitas vezes remete ao crescimento econômico, e a Cidade de Castelo vem ganhando força em sua economia nos últimos anos. Todavia, esse tipo de ocupação, prejudica as qualidades intrínsecas da região, como a paisagem singular da cidade, que é rodeada por montanhas. A situação atual da Zona que abrange a Avenida Ministro Araripe e a Praça do Convívio indica que o gabarito da região é baixo, sendo que as edificações possuem em sua grande maioria gabarito de 1 a 3 pavimentos, salvo alguns prédios residenciais com mais de cinco pavimentos (Figura 34). Entretanto, é possível observar um edifício com gabarito maior que o permitido pelo PDM (de 7 pavimentos). Mesmo possuindo um gabarito relativamente baixo, as visuais ficam prejudicadas devido aos afastamentos dos prédios, que em sua grande maioria é inexistente, formando assim uma barreira ininterrupta (Figura 35). O plano diretor municipal, não possui medidas de proteção às visuais do entorno.

Figura 35 - Igreja Matriz de Castelo com visual obstruída por edificações

Fonte:skyscrapercity. Acesso em: Setembro de 2014.

A grande maioria das edificações não possuem afastamento, ocupando totalmente o lote, o que desrespeita a taxa de ocupação e de permeabilidade, dificultando assim o escoamento das águas das chuvas, além de grande parte do passeio público ser prejudicado devido a apropriação indevida pelo comércio de rua, diminuindo assim a área que efetivamente pertence ao pedestre. Além de ser uma área praticamente adensada, podemos perceber através do mapa de uso e ocupação do solo (Figura 33) que há construções nas margens do Rio Castelo, que possui cerca de 50 (cinquenta) m de largura, e que segundo o PDM, “é proibido edificação de qualquer natureza nas Áreas de Proteção Ambiental (APA).” Portanto, essas áreas ribeirinhas


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não estão de acordo com as leis municipais. Além disso, o Novo Código Florestal lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012, Art. 4º diz que: “[...] Considera-se Área de Preservação Permanente, em zonas rurais ou urbanas, para os efeitos desta Lei: I - as faixas marginais de qualquer curso d'água natural, desde a borda da calha do leito regular, em largura mínima de: a) 30 (trinta) metros, para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; b) 50 (cinquenta) metros, para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura [...]”.

A imagem abaixo demonstra a situação do afastamento das margens do Rio Castelo, que não são respeitados, como o Edifício que está construído a poucos metros do afluente, que não possui Habite-se segundo a Prefeitura Municipal de Castelo. Além disso, fica evidente a ausência de uma ocupação que privilegiasse a relação da cidade com o rio, mesmo que possa ser identificados remanescentes verdes em suas margens.

Figura 36 - Foto tirada de cima da Passarela da Beira Rio, indicando a edificação na margem do Rio Castelo.

Fonte: Autor (2014).

Em relação à zona que abrange o Parque Beira Rio (Figura 33), se todos os índices urbanísticos do PDM fossem seguidos e utilizados, o parque poderia ser um local aberto, sem edificações contornando e obstruindo seu entorno, isso valorizaria o espaço público. O que se percebe é um Parque com grande potencial que está sendo obstruído pelas construções em sua volta, passando a ser uma área obsoleta e sem atrativos dentro da cidade devido a exclusão ocasionada pela barreira edificada existente. Para a cidade de Castelo, um parque público como o Beira Rio, localizado em uma área central da cidade, poderia ser melhor aproveitado pelos moradores se esses espaços tivessem uma integração maior com as ocupações do seu


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entorno. Hoje, estes, aparecem como fragmentos isolados no contexto da malha urbana existente. A taxa de ocupação da zona ZR-2 é de 75%, entretanto, há lotes em que essa taxa sobrepõe-se ao permitido, com construções sem afastamento entre si. Por decorrência disso, a qualidade espacial/ambiental e a salubridade ficam prejudicadas pela falta de vãos de abertura entre um edifício e outro que impedem a circulação natural do ar e bloqueiam visuais identificadas da paisagem local, além de ícones locais, como a igreja Matriz e o próprio parque. Além disso, o passeio público torna-se desvalorizado por conta da ausência de afastamentos e a maioria dos lotes que fazem divisa com o parque estarem localizados no limite do mesmo, obstruindo a visual e possíveis conexões entre o parque e o centro da cidade (Figura 37). O coeficiente de aproveitamento da zona, se utilizado, poderia amenizar essa ocupação demasiada dos edifícios e liberar as laterais e testadas dos lotes, criando assim visuais positivas para o espaço público em questão, valorizando o local, já que ocupação atual obstrui e impede a integração visual da cidade com o rio e o parque.

Figura 37 - Edificação bloqueando visual para o parque

Fonte: Google Earth. Acesso em: Setembro de 2014

De acordo com a análise feita, as edificações existentes ao redor do parque seguem as recomendações do PDM, com construções que vão de 1 pavimento até 7 pavimentos. Há


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construções nas margens do Rio, o que não é permitido segundo o Novo Código Florestal 1 (2012). As edificações já existentes não respeitam as taxas de permeabilidade e os afastamentos, o que compromete o percentual de absorção do solo na região afetando o sistema público de drenagem que passa a não comportar o volume da água da chuva que escorre durante as precipitações. O Parque Beira Rio é uma das poucas áreas permeáveis da zona ZR-2, fazendo com que fique alagado durante épocas de chuva. E por fim a Zona ZR-1 que abrange a Praça Três Irmãos é cercada por edifícios que não respeitam as normas do PDM, ocasionando assim um adensamento excessivo sem integração com seu entorno imediato, apesar de estar localizado em uma área de constante movimentação de pessoas e comércio. A taxa de ocupação é alta, 75%, porém, grande parte das construções ultrapassam esse valor. Os afastamentos também não são respeitados, ocasionando assim uma linha edificada sem interrupção que obstruem a visual para a praça (Figura 38). O local não sofre diretamente com as cheias do rio devido ao nível elevado em relação a outros pontos da área. Além da Praça, há algumas áreas permeáveis remanescentes nos fundos dos lotes, local onde os proprietários fazem seus quintais, podendo ser alterados pelos mesmos se seguirem as tendências de adensamento e impermeabilização do solo de outras cidades.

Figura 38 - Visual para a Praça Três Irmãos Bloqueada por edificação

Fonte: Google Earth. Acesso em: Setembro de 2014.

No que diz respeito ao gabarito da região, a análise feita no local comprovou que a área possui edifícios com mais de 7 (sete) pavimentos, que não estão conforme o PDM.Os 1

São considerável áreas de preservação permanente as faixas marginais de qualquer curso d'água, desde a borda da calha do leito regular, em largura mínima de: 50 metros para cursos d'água que tenham 10 a 50 metros de largura.


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demais edifícios são em sua grande maioria edificações baixas, com 1(um), 2 (dois) e 3 (três) pavimentos, e alguns edifícios de 4 a 7 pavimentos (Figura 34). Podemos observar a presença de edificações com altura elevada nas mediações da Praça. A existência desses edifícios obstrui parcialmente a visão do pedestre ao espaço público em questão, além de prejudicar a passagem dos ventos dominantes, criando assim uma barreira edificada. (Figura 39).

Figura 39 - Edifício obstruindo a visual para as montanhas dos arredores da Praça

Fonte: skyscrapercity. Acesso em: Setembro de 2014

Como a região da Zona ZR-1 já é consolidada, as edificações presentes, em sua maioria, não possuem afastamento frontal, tendo a calçada como alinhamento, limitando a largura do passeio público, irregular segundo as normas de acessibilidade, que determina uma largura mínima de 1,20 m, sendo recomendada uma largura ideal de 1,50 m livres (Figura 40).

Figura 40 - Afastamento Frontal inexistente.

Fonte: Autor (2014).


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Conforme descrito, as áreas de intervenção do projeto são predominantemente de uso misto (comercial e residencial), com a maioria dos gabaritos segundo as normas do PDM, salvo algumas edificações que não seguem o recomendado. Há uma incompatibilidade a respeito das leis ambientais para a proteção das margens do Rio Castelo, o que dificulta a vazão natural do rio nos períodos de cheia, ocasionando alagamentos em toda a extensão do afluente. Os afastamentos também não são respeitados em grande parte das edificações, criando assim um adensamento desordenado na área de projeto que prejudica as visuais para o entorno da cidade.

4.2 CONDICIONANTES MORFOLÓGICAS

O conjunto que torna capaz a qualidade de uma cidade e o bom funcionamento da mesma possui a infraestrutura Urbana como um ponto relevante, que tem como base a junção de vários equipamentos, que dão apoio a estrutura da cidade, um deles são as Vias, que são caracterizadas através da Hierarquia Viária. A infraestrutura Urbana da área de estudos foi analisada através de pesquisas in loco com base em fotografias e mapas elaborados com o auxílio da Prefeitura Municipal de Castelo, já que o PDM da cidade não possui um estudo elaborado a respeito das larguras das vias e sua hierarquia. Através das análises realizadas nesse subcapítulo, foram elaborados mapas do sistema viário do eixo paisagístico de Castelo, composto de Ruas e Avenidas que dão acesso às áreas verdes do centro da cidade. Conforme a imagem abaixo, são 3 (três) avenidas e 2 (duas) ruas no total (Figura 41).


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Figura 41 - Mapa contendo as vias principais nos entornos das áreas verdes que formam o eixo paisagístico de Castelo.

Fonte: Prefeitura Municipal de Castelo - Adaptado pelo Autor.

A Avenida Scandar Nemer que faz divisa com a parcela sul do Parque Beira Rio, possui 8 (oito) metros de largura, calçadas de ambos os lados, sentido duplo e ausência de ciclovia ou ciclofaixa. O fluxo de veículo é baixo, sendo a avenida utilizada principalmente por moradores do bairro. Carros e Motos estacionam em toda a extensão da via, diminuindo assim a passagem livre do leito carroçável (Figura 42), a pavimentação da via é composta de material asfáltico que sofre nas épocas de cheia do Rio Castelo, que passa paralelo à via e transborda, ocasionando alagamentos na extensão da Avenida.


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Figura 42 - Avenida Scandar Nemer

Figura 43 - Calçada paralela ao Parque Beira Rio, na Avenida Scandar Nemer.

Figura 44 - Calçada paralela ao Rio Castelo, na Avenida Scandar Nemer

. Fonte: Autor (2014).

Fonte: Autor (2014).

Fonte: Autor (2014)

Figura 45 - Mapa de Localização Avenida Scandar Nemer

Fonte: Autor (2014).

As calçadas apresentam dimensões incompatíveis com a norma NBR 9050 de acessibilidade, apresentando pavimentação não adequada para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. Encontram-se em estado crítico, com rachaduras em sua extensão e pavimentação não adequada (Figura 43). O tamanho de gola das árvores menor do que o recomendado mínimo de 80 cm, além disso, sua largura também não está de acordo com a norma, que prevê largura recomendável de 1,50 m e mínima de 1,20 m livres, sem barreiras


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ou objetos que possam prejudicar o passeio. Outro ponto que não condiz com as normas é a presença de barreiras na faixa que deveria ser destinada a rota acessível, onde são identificados diversos obstáculos como árvores e postes, além da falta de sinalização tátil de alerta e direcional. Além de tais fatores, a calçada de acesso ao parque, que fica do lado esquerdo em relação ao rio não contém guias rebaixadas para travessia de pedestres. Já a calçada paralela ao rio também possui paginação de piso inadequada e trepidante incompatível com a NBR 9050 e tamanho insuficiente (Figura 44), além de não possuir guarda-corpo de proteção no limite com o rio, que possui um desnível considerável. Observase também a ausência de guias rebaixadas de acesso de pedestres em toda a extensão da via. O mapa esquemático abaixo ilustra as potencialidades e vulnerabilidades identificadas ao longo da Avenida em questão. Figura 46 - Mapa Esquemático da Avenida Scandar Nemer

Fonte: Prefeitura Municipal de Castelo - Adaptado pelo Autor

A passarela que conecta o centro da cidade ao parque (Figura 47) atravessa o Rio Castelo. Essa conexão é feita através de um túnel que passa por uma construção abandonada


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(Figura 48) e um edifício com uso comercial (Figura 49). A sequência de imagens a seguir demonstra o estado de abandono da principal ligação de pedestres do parque com o centro da cidade, que está com sua estrutura debilitada devido às inúmeras enchentes do Rio Castelo, possui pouca iluminação durante o período da noite e cabeamento com riscos. A pintura do guarda-corpo encontra-se desgastada, além de rachaduras em sua extensão. Este edifício surgiu com o adensamento do centro da cidade, criando uma barreira física e visual para o parque e isolando assim a área de uso público à área adjacente do centro. Figura 47 - Passarela da Beira Rio com mapa de localização

Figura 48 - Entrada da Passarela da Beira Rio, construção abandonada com mapa de localização.

Figura 49 - Túnel Atravessando a Construção Abandonada com mapa de localização

Fonte: Autor (2014).

Fonte: Autor (2014).

Fonte: Autor (2014).

Figura 50 - Localização Passarela de Beira Rio

Fonte: Autor (2014).


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Outra via de Acesso ao Parque Beira Rio é a Rua Warley Costa, que possui 6 (seis) m de largura, sentido duplo e pavimentação em paralelepípedo de pedra (Figura 51).

Figura 51 - Rua Warley Costa.

Fonte: Autor (2014).

Figura 52 - Localização Warley Costa

Fonte: Autor (2014).

É uma Rua de uso residencial, que faz divisa direta com o parque,cujos acessos de veículos avançam sobre a calçada e as construções não respeitam as normas de afastamento


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frontal. A largura do passeio de ambos os lados não respeita a norma de acessibilidade e a falta de bom senso da população também pode ser notada, onde é possível observar barreiras atitudinais, como carros estacionados na faixa do passeio público. O Parque Beira Rio possui 2 entradas principais, uma delas localiza-se na rua em questão, entretanto, este acesso ao parque não possui um tratamento de paginação de piso e paisagismo que valorize e atraia o olhar de usuário, as calçadas de acesso são estreitas e obstruídas por árvores e postes. O esquema a seguir ilustra as potencialidades e vulnerabilidades do entorno da rua Warley Costa através de desenhos esquemáticos.

Figura 53 - Mapa esquemático da Rua Warley Costa

Fonte: Prefeitura Municipal de Castelo - Adaptado pelo Autor.

A Avenida Ministro Araripe, que conecta as áreas livres de espaço público identificadas no eixo do paisagismo de castelo, por sua vez é provida de calçadas largas, com 3,5 (três, cinco) m e 4 (quatro) m, porém, sem a delimitação da faixa de serviço, utilizada para comportar os equipamentos urbanos, essencial em uma Avenida com o comércio como principal uso, e sem pavimentação adequada de piso conforme a norma NBR 9050, que muda constantemente durante o percurso, indo de pedra portuguesa à piso tátil de alerta, além de


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possuir muitos trechos com sérias rachaduras (Figuras 54 e 55). Possui mão única no trecho central da via e mão dupla nas duas extremidades, tendo 12 (doze) m de largura (Figura 56). Dispõe de estacionamento de carros em ambos os lados, o que, em dias de intenso movimento, dificulta a passagem de carros e pedestres. Apresenta arborização em toda sua extensão que proporciona sombreamento para os usuários, entretanto, tais árvores não são podadas com frequência e devido a isso conflitam com a fiação de energia que passa por cima da via e com os letreiros das lojas. A avenida é a principal via de acesso a Praça Três Irmãos e a Praça do Convívio (rua de pedestres), e recebe a maior extensão dos tapetes de Corpus Christi. Possui uma boa arborização que proporciona sombreamento para os transeuntes. A via não possui locais apropriados para o descanso dos usuários, como pequenas áreas de parada com bancos e floreiras, comuns em algumas ruas com uso comercial. Os lojistas utilizam as calçadas para fazer propaganda com cartazes e cavaletes, obstruindo assim a faixa livre do passeio. É um área predominantemente construída, porém, ainda é possível observar áreas vazias com potencial paisagístico e público. A avenida possui um dos lados totalmente obstruído por uma barreira edificada ininterrupta, o que bloqueia a visual da via para o Parque Beira Rio, que localiza-se do outro lado do Rio Castelo, que em épocas de cheia, invade boa parte da extensão da Avenida. (Figura 58).

Figura 54–Calçada Avenida Ministro Araripe

Figura 55– Calçada da Avenida Ministro Araripe

Fonte: Autor (2014).

Fonte: Autor (2014).

Figura 56 - Avenida Ministro Araripe

Fonte:Autor (2014).


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Figura 57 - Localização Ministro Araripe

Fonte: Autor (2014).

Figura 58 - Mapa esquemático da Avenida Ministro Araripe

Fonte: Prefeitura Municipal de Castelo - Adaptado pelo Autor.

A Avenida Getúlio Vargas (Figura 59) que faz divisa com a Praça Três Irmão, possui 10 (dez) m de largura, calçadas com 2,5 (dois, cinco) e 3 (três) m, porém sem pavimentação acessível, apresenta rachaduras em sua extensão devido à ausência da faixa de serviço para


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incorporar as golas das árvores e os postes de iluminação pública (Figura 60). Possui sentido único e duplo, sendo duplo até o cruzamento com a Rua Aguilar Freitas e único no resto da extensão. É uma Avenida com uso predominantemente misto, composto por comércio, residência e uso institucional.

Figura 59 - Avenida Getúlio Vargas.

Figura 60 - Calçada na Avenida Getúlio Vargas.

Fonte: Autor (2014).

Fonte: Autor (2014).

Figura 61 - Localização Getúlio Vargas

Fonte: Autor (2014).

As Ruas Cruz Maia encerra o entorno da Praça Três Irmãos. A Rua Detém mão única e uma largura de 12 (doze) m, contendo estacionamento de veículos em ambos os lados (Figura 62). Suas calçadas são bastante irregulares, fora dos padrões da NBR 9050 com dimensões inferiores ao recomendável de 1,20 (Figura 63) e por possuir parte de sua extensão


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em uma ladeira, acompanha a inclinação da rua, criando um passeio desconfortável para as pessoas com deficiências ou com mobilidade reduzida.

Figura 62 - Rua Cruz Maia

Figura 63 - Calçada na Rua Cruz Maia

Fonte: Autor (2014).

Fonte: Autor (2014).

Figura 64 - Localização Cruz Maia

Fonte: Autor (2014).

O mapa abaixo ilustra através de desenhos esquemáticos essas características.


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Figura 65 - Mapa esquemático da Av. Getúlio Vargas e da Rua Cruz Maia

Fonte: Prefeitura Municipal de Castelo - Adaptado pelo Autor

Para um melhor entendimento do sistema viário da região do eixo paisagístico, foi elaborado um mapa síntese contendo informações dos principais acessos à cidade sentido Venda Nova do Imigrante e Cachoeiro do Itapemirim, além dos sentidos dos fluxos e do funcionamento das vias da área de estudos. A partir destas informações, podemos observar que a área central do eixo paisagístico não possui ligação direta com os principais acessos às cidades vizinhas, pois, os mesmo são feitos pelas vias perimetrais à área de projeto.


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Figura 66 - Mapa Síntese Viário

Fonte: Autor (2014).

Além das vias, outros equipamentos urbanos, que são os elementos que dão sustentação às funções urbanas, foram analisados com o intuito de identificar os pontos fortes e vulneráveis do local, como os sistemas de drenagem pluvial, sistema de distribuição de energia, o mobiliário urbano, as patologias e os sinais comportamentais dos usuários das áreas públicas de Castelo. A NBR 9284 define equipamentos urbanos como:


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“Todos os bens públicos e privados, de utilidade pública, destinados à prestação de serviços necessários ao funcionamento da cidade, implantados mediante autorização do poder público, em espaços públicos e privados”. (NBR 9284, 1986, p.1)

A respeito do sistema de Drenagem Pluvial, as áreas que correspondem ao entorno do eixo paisagístico de Castelo contém pontos de coleta das águas da chuva que foram observados através de estudos feitos no local com o auxílio de fotografias. Segundo a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (2014), o sistema de drenagem e retenção das águas da chuva é formado por: - Guia ou meio-fio que é a faixa longitudinal que separa o passeio do leito carroçável. - Sarjeta que se traduz em um canal localizado entre a guia (meio-fio) e o leito carroçável, destinado a coletar e conduzir a água da chuva superficial até os pontos de coleta - Bocas-de-lobo ou bueiros que são elementos destinados a coletar as águas superficiais transportadas pelas sarjetas. - Galerias que são condutos destinados ao transporte das águas coletadas pelas bocas-de-lobo para os pontos de lançamento - Poços de visita que são formados por câmaras a permitir a inspeção e a limpeza dos condutos. - Trecho de galeria que é a parte da galeria situada entre dois poços de visita consecutivos. - E Bacias de amortecimento que são grandes reservatórios construídos para o armazenamento temporário das chuvas, que liberam esta água acumulada de forma gradual. Porém, o que podemos observar, no contexto da Cidade de Castelo, é que o sistema de drenagem Pluvial não está de acordo com o conceito mostrado acima. Através de pesquisa in loco, foi feito um levantamento das Bocas-de-lobo existentes no entorno do Eixo Paisagístico, demonstrando que a distância de uma boca-de-lobo para outra é de aproximadamente 100 (cem) metros, o que não condiz com o indicado, que seria de 60 (sessenta) m, e que em alguns trechos há a ausência desses elementos (Figura 67).


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Figura 67 - Mapa Indicando a existência e Boca-de-Lobo no entorno do Eixo Paisagístico de Castelo

Fonte: Prefeitura Municipal de Castelo – Adaptado pelo autor.

As sarjetas por sua vez não estão dimensionadas corretamente ou são inexistentes e as guias ou meio-fio estão depredados em sua grande maioria. Devido a isso, Castelo vem enfrentando problemas, principalmente na época de chuvas, quando a cidade vivencia períodos de enchentes cada vez mais frequentes. Além disso, através de entrevistas feitos com os funcionários do Setor de Projetos da Prefeitura Municipal de Castelo, concluiu-se que o município não possui nenhum projeto de melhoria para o sistema de drenagem Pluvial, e que também não possui projeto atual desse sistema. Abaixo podemos observar a situação das Bocas-de-Lobo, sarjetas e Guias (Meio-Fio) de algumas vias nos arredores do eixo paisagístico.


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Figura 68 - Boca-de-Lobo e Meio-Fio depredado na Avenida Ministro Araripe

Figura 69–Meio-Fio inexistente na Av. Scandar

Fonte: Autor (2014).

Fonte: Autor (2014).

Nemer

No âmbito da iluminação pública, a fiação é aérea e os postes são em grande maioria de concreto armado, salvo os mais novos que são metálicos. O cabeamento e posteamento encontram-se por muitas vezes degradados, com folhagem das árvores do entorno e consumindo parte do passeio público devido à ausência da faixa de serviço nas calçadas, há casos do poste de iluminação estar ocupando totalmente a faixa livre do passeio, criando assim uma barreira física para o transeunte (Figuras 70 e 71).

Figura 70 - Posteamento e Fiação na Avenida Ministro Araripe.

Figura 71 - Poste Invadindo o passeio na Rua Cruz Maia nos arredores da Praça Três Irmãos.

Fonte: Autor (2014).

Fonte: Autor (2014).

Os cabos estão em sua grande maioria embolados, criando poluição visual no entorno das praças e parques de Castelo.


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O Parque Beira Rio por sua vez possui iluminação insuficiente no período noturno devido ao grande número de lâmpadas quebradas ou queimadas, o que torna a área vulnerável a ocorrências de ações antissociais. O posteamento do parque é antigo, possuindo postes com menos de 3 (três) m, que integram o mobiliário do parque, tais postes sofrem diretamente com o mau uso e a depredação, devido a isso, quase todos se encontram sem lâmpada (Figura 72 e 73).

Figura 72 - Poste menor integrado ao mobiliário no Parque Beira Rio.

Fonte: Autor (2014).

Figura 73 - Poste no Parque Beira Rio indicando sinais de vandalismo

Figura 74 - Poste no Parque Beira Rio

Fonte: Autor (2014).

Fonte: Autor (2014).

Figura 75 - Localização Parque Beira Rio

Fonte: Autor (2014).

Além disso, há postes mais altos contendo três lâmpadas que ficam localizados próximos ao playgrond do parque (Figura 74).


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A praça três Irmãos conta com iluminação noturna de boa qualidade, com postes mais novos e contendo 4 (quatro) lâmpadas cada (Figura 76), assim como a praça do convívio, que por sua vez possui ainda postes menores (com 3 m), que auxiliam na iluminação (Figura 77).

Figura 76 - Posteamento na Praça Três Irmãos.

Fonte: Autor (2014).

Figura 77 - Poste em escala Humana na Praça do Convívio (Rua de Pedestres)

Fonte: Autor (2014).

A Passarela da Beira Rio, principal ligação de pedestre do parque com o centro da cidade, está com a iluminação precária, criando assim um espaço que os transeuntes evitam utilizar durante a noite (Figura 78), além disso, o túnel de ligação da passarela com a Avenida Ministro Araripe conta com apenas luminárias de lâmpadas fluorescentes, que poderiam ser substituídas por lâmpadas de LED, com maior durabilidade e economia em longo prazo (Figura 79).


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Figura 78 - Posteamento na Passarela da Beira Rio

Fonte: Autor (2014).

Figura 79 - Luminárias no túnel que liga a Avenida Ministro Araripe à Passarela da Beira Rio

Fonte: Autor (2014).

Em relação a infraestrutura de mobiliário urbano, o Parque Beira rio é composto por bancos de concreto moldados in loco, lixeiras, uma rampa de skate, uma quadra poliesportiva, um playground para as crianças, viveiros de pássaros, deck de madeira, um campo de futebol e um quiosque de alimentação (Figura 80).

Figura 80 - Planta Baixa do Parque Beira Rio indicando os mobiliários

Fonte: Prefeitura Municipal de Castelo – Adaptado pelo autor.


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As observações indicaram que os bancos de concreto estão depredados e obsoletos, sendo os mesmos desde a construção do parque. Ficam localizados no entorno de toda a lagoa (Figura 80). Sua grande maioria encontra-se com pintura inadequada, demonstrando acúmulo de sujeira provocado pelo desgaste da paginação de piso, que expôs o solo (Figura 81). O parque

possui mesas de concreto com bancos integrados que estão sem uso devido a

localização e a falta de sombreamento (Figura 82).

Figura 81 - Banco no entorno da lagoa no Parque Beira Rio

Figura 82–Mesa com bancos no Parque Beira rio

Fonte: Autor (2014). Fonte: Autor (2014).

O guarda-corpo da lagoa é composto de material metálico, sendo que a trama que o forma está destorcida e encontra-se em mal estado, com problemas em sua extensão. Há momentos em que este elemento não existe, criando um risco para as pessoas que utilizam o local (Figura 83) Figura 83 - Guarda-Corpo depredado da Lagoa no Parque Beira Rio

Fonte: Autor (2014).


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O quiosque por sua vez foi implantado na última revitalização do parque, em 2008 (Figura 80), porém, encontra-se fechado, sem cumprir com a sua função (Figura 84).

Figura 84 - Quiosque do Parque Beira Rio

Fonte: Autor (2014).

O bebedouro e os banheiros do parque estão abandonados, com problemas de infiltração e manutenção (Figura 80). Os banheiros tornaram-se ponto de encontro de usuários de drogas, sendo por muitas vezes evitados pelos usuários do parque por serem considerados perigosos. Em conversa com moradores do bairro, os mesmos informaram que os banheiros estão quase sempre fechados, impossibilitando o uso dos visitantes. (Figuras 85 e 86).

Figura 85 - Bebedouro do Parque Beira Rio

Fonte: Autor (2014).

Figura 86 - Banheiros do Parque Beira Rio

Fonte: Autor (2014).

A quadra de esportes e o campo de futebol (Figura 80) estão sem manutenção, sendo que o campo atualmente está sem delimitação e a grama está mal cuidada, contendo áreas de


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chão de terra batida. A quadra por sua vez está com as traves enferrujadas e o piso com problemas na pintura e no material, que é de concreto (Figuras 87,88 e 89).

Figura 87 - Campo de Futebol do Parque Beira Rio

Figura 88 - Trave da Quadra de Esporte do Parque Beira Rio

Figura 89 - Piso da Quadra de Esporte do Parque Beira Rio

Fonte: Autor (2014).

Fonte: Autor (2014).

Fonte: Autor (2014).

A rampa de Skate do Parque Beira Rio (Figura 80) é utilizada pelas crianças como escorregador, por ter sido construída de maneira errada, com uma inclinação superior à recomendada, o que impossibilitou os skatistas de praticar o esporte. A área também é utilizada por moradores sem teto, e apresenta sinais comportamentais, além de estar sem manutenção e apresentar pintura com patologias (Figuras 90 e 91).

Figura 90 - Rampa de Skate no Parque Beira Rio indicando sinais de descaso

Figura 91 - Rampa de Skate no Parque Beira Rio indicando sinais comportamentais

Fonte: Autor (2014). Fonte: Autor (2014).


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O playground do parque (Figura 80) também apresenta sinais de falta de manutenção no piso, que está com buracos ocasionando poças de água (Figura 92). Já os brinquedos propriamente ditos estão em bom estado de conservação, devido aos moradores do bairro que sempre fazem mutirões para manter os equipamentos seguros (Figura 93).

Figura 92 - Piso do Playground apresentando poças de água da chuva no Parque Beira Rio

Figura 93 - Brinquedo do Playground no Parque Beira Rio

Fonte: Autor (2014).

Fonte: Autor (2014).

O parque conta com um número suficiente de lixeiras, porém, estão em sua grande maioria apresentando acúmulo de sujeira (Figura 94). Algumas ainda estão caindo de seu suporte (Figura 95). O parque não possui um padrão desse tipo de equipamento, sendo que algumas lixeiras são de concreto e outras de plástico (Figura 96). O que percebemos é a tentativa dos funcionários do parque em manter as lixeiras próprias para o uso, sempre trocando os sacos plásticos que forram os equipamentos.

Figura 94 - Lixeira no Parque Beira Rio

Figura 95 - Lixeiras caindo do suporte no Parque Beira Rio

Fonte: Autor (2014).

Fonte: Autor (2014).

Figura 96 - Lixeira em Concreto no Parque Beira Rio

Fonte: Autor (2014).


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A presença de ponto de ônibus e ponto de taxi foi constatada na Rodoviária de Castelo, que faz divisa com o parque (Figura 97) e que é o único ponto que possui esse tipo de serviço nos arredores do Parque Beira Rio. O Rio Castelo que passa paralelo ao parque, por sua vez, se torna um limite físico para a área pública em questão, que segundo Lynch (1997) é considerada uma quebra na continuidade do tecido urbano que pode funcionar como caminho com áreas de conexão se valorizado, por exemplo, como parque linear com um desenho que ressalte as conexões entre as duas margens do rio.

Figura 97 - Planta Baixa indicando os pontos de Táxi e ônibus nos arredores do Parque Beira Rio

Fonte: Prefeitura Municipal de Castelo – Adaptado pelo autor

O mobiliário da Praça do Convívio conta com mesas com cadeira acopladas de concreto, contendo marcação de xadrez no tampo, estão em bom estado, pois foram trocados na última revitalização da praça, em 2008 (Figura 98). Lixeiras são inexistentes, fazendo com que os usuários depositem o lixo nas calçadas, demonstrando assim um sinal comportamental (Figura 99). A paginação da praça é feita com piso intertravado de concreto nas cores vermelho, amarelo e cinza, e ainda pode-se observar a presença de pedra portuguesa da primeira intervenção realizada na praça. A arborização do local recebe podagem periódica, e a limpeza da praça também é realizada com frequência.


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Figura 98 - Mobiliário da Praça do Convívio

Figura 99 - Lixo depositado na calçada da Praça do Convívio

Fonte: Autor (2014).

Fonte: Autor (2014).

E por fim o mobiliário da Praça Três Irmãos, que é formado por bancos de madeira pintados na cor branca e por lixeiras de plástico (Figuras 100 e 101). Os bancos estão em bom estado, isso devido o constante uso por parte dos moradores da cidade, em especial, os idosos. As lixeiras são encontradas nos canteiros da praça, fixadas através de uma estaca de madeira. Porém, mesmo contendo lixeiras em toda sua área, ainda há sinais comportamentais de depósito de lixo em local inapropriado (Figura 102). A presença de ponto de ônibus e ponto de taxi não foi constatada, apenas uma viatura da guarda de trânsito possui ponto na praça. Essa viatura monitora o trânsito no cruzamento entre a Avenida Ministro Araripe, a Rua Cruz Maia e a Avenida Aristeu Borges de Aguiar (Figura 103) que segundo Lynch (1997) pode formar um ponto nodal por sua concentração de carros e pedestres. O teatro municipal de Castelo também fica localizado na Praça Três Irmãos e é hoje um Marco Visual local para a cidade e compartilha dos mesmos mobiliários urbanos da praça.

Figura 100 - Lixeira na Praça Três Irmãos

Fonte: Autor (2014).

Figura 101 - Banco em madeira na Praça Três Irmãos

Figura 102 - Lixo depositado na calçada da Praça Três Irmãos, sinal comportamental.

Fonte: Autor (2014).

Fonte: Autor (2014).


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Figura 103 - Planta Baixa da Praça Três Irmãos indicando os pontos de Lynch e o ponto da viatura da polícia de trânsito

Fonte: Prefeitura Municipal de Castelo – Adaptado pelo Autor

Os equipamentos Urbanos do Eixo Paisagístico de Castelo estão como visto nas análises acima, necessitando de reparos ou de retirada. O que podemos constar é que há um suporte ao lazer, especialmente no Parque Beira Rio, mas que necessita de melhorias para que assim passem a ser utilizados com sua verdadeira função. A praça do convívio é a área com menores problemas de infraestrutura, pois conta com manutenção periódica, devido a centralidade e ao constante uso por parte dos moradores. Já a praça três irmãos não apresenta muitos problemas, porém, conta com poucas atividades que atraiam atenção, criando assim um espaço que não abrange todos os tipos de usuários.

4.3 CONDICIONANTES AMBIENTAIS

Neste subcapítulo, serão tratados assuntos que dizem respeito as condicionantes ambientais da área de estudo, como vegetação existente, topografia, risco de enchentes e


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ventos dominantes, essas análises serão demonstradas através de imagens e mapas que indicarão a presente situação ambiental do eixo paisagístico da Castelo. Em termos ambientais, a área do eixo paisagístico de Castelo é um espaço densamente construído que conta de certa maneira com os serviços necessários para suporte urbano, ainda que esses serviços não estejam totalmente de acordo com as leis. As áreas verdes presentes ali formam o objeto desse estudo assim como a vegetação no entorno do Rio Castelo, além da arborização das ruas da cidade e a presença de vegetação nativa. O mapa abaixo indica a presença das manchas verdes tanto naturais, como remanescentes da mata atlântica, quanto públicas, como as praças e parque (Figura 104).

Figura 104 - Mapa do Centro da Cidade indicando a relação das áreas verdes x áreas adensadas

Fonte: Prefeitura Municipal de Castelo – Adaptado pelo Autor

Podemos perceber que o Rio Castelo possui fragmentos remanescentes da mata nativa. Esses remanescentes possuem largura diminuta, pois, a mancha de adensamento supera seus limites. Um dos problemas desse tipo de adensamento desordenado é a ausência de espaço


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para a vazão das águas do rio em épocas de cheia, ocasionando enchentes nas margens do afluente. Há ainda manchas verdes presentes nas áreas altas do centro da cidade, elas são formadas, principalmente, por remanescentes de vegetação nativa que ainda não sofreram com a devastação do homem. As ruas do centro da cidade são predominantemente arborizadas, criando assim espaços sombreados para os pedestres. Podemos observar que além do adensamento estar presente nas baixadas, a mancha ainda alcança as áreas de topo de morros e colinas, o que, segundo o Novo Código Florestal (2012) é considerado área de preservação permanente. Portanto, o centro da cidade possui áreas verdes tanto naturais quanto feitas pelo homem, porém, a mancha de adensamento é muito maior e por muitas vezes ocupa áreas que deveriam ser preservadas. Em relação a topografia, o eixo paisagístico está localizado em uma área predominantemente plana, salvo o Parque Beira Rio, que está a um nível mais baixo em relação às outras áreas verdes, e exatamente devido a isso, sofre com as cheias do Rio Castelo, que passa paralelo a ele. A cidade de Castelo encontra-se em uma altitude de 100 m, devido a isso, sua altimetria acontece entorno deste valor. O Rio Castelo está localizado na cota 96,1 m, a Avenida Scandar Nemer, via que passa paralela ao Parque e ao Rio está em uma altitude de 100,09 m e o Parque Beira Rio está mais abaixo, na cota de 99,4 m (Figura 105). Devido a isso, o parque se torna um grande bolsão de escoamento durante as cheias do Rio, ficando totalmente imerso pelas águas.

Figura 105 - Corte esquemático indicando os níveis do Parque Beira Rio em relação ao Rio Castelo e a Avenida Scandar Nemer

Fonte: Autor (2014).


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Um dos motivos do descaso em que o parque se encontra, com sua paginação de piso em chão de terra batida é devido a última enchente em 2009 que devastou a cidade. O parque ficou imerso durante semanas, isso ocasionou na morte de algumas plantas e até mesmo dos animais que ficavam nos viveiros. O Rio Castelo chegou a passar por cima da passarela que dá acesso ao parque (Figura 106).

Figura 106 - Rio Castelo passando por cima da Passarela da Beira Rio

Fonte: Porem. Acesso em: Junho de 2014.

Devido à proximidade do Parque com o Rio, situações como essa são inevitáveis. Mesmo sendo um espaço público concebido para o bem estar da população, sua localização está em uma faixa Non Aedificandi, que em linhas gerais são áreas destinadas à proteção ambiental, as águas possuem um ciclo natural, que quando precisam, invadem o espaço do parque ocasionando danos à estrutura do local. Portanto, respeitar as legislações ambientais é de suma importância para evitar esse tipo de problema. Os parâmetros naturais são essenciais para a boa qualidade de um projeto, seja ele urbano ou não. Ter ciência da funcionalidade dos ventos em uma região com características climáticas extremas pode proporcionar conforto térmico para os locais de intervenção. A implantação das áreas, em parâmetros projetuais, deve seguir a orientação correta para que esse fator natural seja valorizado, proporcionando qualidade ambiental para o meio inserido. Castelo é uma cidade predominantemente quente, isso devido sua localização em baixa altitude e por estar rodeada de montanhas, o que torna a área urbana um vale. Devido a isso, os ventos são raramente sentidos. Os ventos dominantes de Castelo são os Norte e Nordeste (Figura 107), que podem ser observados nas áreas rurais e com maior altitude do município. Esse fato fez da região um cenário propício para a prática de esportes como o


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Paraglider. Castelo possui a quinta melhor rampa de salto do esporte do Brasil, sendo essa considerada a mais bela entre todas as existentes no país (PMC, 2013).

Figura 107 - Mapa indicando os ventos dominantes do Eixo Paisagístico de Castelo

Fonte: Prefeitura Municipal de Castelo – Adaptado pelo autor.

Em linhas urbanas, as áreas verdes do eixo paisagístico de Castelo estão diretamente ligadas com a presença do rio e com a existência de árvores, o que pode proporcionar uma melhor qualidade térmica. Porém, os ventos, além de raros, sofrem com o adensamento do local em questão. Os prédios dos arredores das áreas do eixo paisagístico interferem na passagem da brisa norte e nordeste, ocasionando assim uma piora no cenário climático dessas regiões.


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4.4 POTENCIALIDADES E VULNERABILIDADES LOCAIS Para o bom funcionamento de um projeto, é fundamental conhecer o local de implantação. Para isso, os pontos fracos e fortes existentes precisam ser levados em consideração, assim, vulnerabilidades podem ser sanadas e potencialidades otimizadas. O estudo de uso e apropriação do solo por parte dos habitantes e turistas da cidade é importante para que questões como horários de maior e menor permanência, além dos tipos de usos sejam identificados. A partir disso, estudos feitos in loco foram realizados. Através de observações nas praças e parques de estudo, conclui-se que em dias de semana, há uma concentração de idosos nas praças Três Irmãos e do Convívio na parte da manhã, quando os mesmos se juntam para sentar à sombra das árvores e jogar cartas nas mesas de jogos (Figura 108 e 109).

Figura 108 - Idosos sentados à sombra da árvore na Praça Três Irmãos.

Figura 109 - Idosos jogando cartas na Praça do Convívio, durante a manhã.

Fonte: Autor (2014).

Fonte: Autor (2014).

A praça três irmãos tem caráter contemplativo, já que possui apenas bancos nos quais os idosos ficam. O que se percebe é a grande quantidade de pessoas que a utilizam apenas como forma de cortar caminho (Figuras 110). Em épocas festivas, a praça se torna uma grande área de alimentação e descanso, e a frente do teatro se transforma em um palco para os sarais.


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Figura 110 - Pessoas utilizando a Praça Três Irmãos como passagem

Fonte: Autor (2014).

O mapa abaixo indica através de formas esquemáticas os usos e apropriações da Praça Três Irmãos. Figura 111 - Planta Baixa da Praça Três Irmãos indicando os usuários

Fonte: Prefeitura Municipal de Castelo – Adaptado pelo Autor.

Em relação à praça do convívio, além de receber os idosos na parte da manhã, ganha novos usos em horário de almoço, devido ao grande contingente de pessoas das lojas nos arredores que utilizam os restaurantes da praça, e na parte da noite, os mesmo restaurantes abrem suas portas para servir aos clientes durante toda a semana (Figura 112).


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Figura 112 - Apropriações na Praça do Convívio.

Fonte: Prefeitura Municipal de Castelo – Adaptado pelo Autor

Durante o final de semana, a Praça do Convívio recebe os consumidores das lojas que sentam nas muitas mesas espalhadas pelos baristas do local, isso ocasiona uma obstrução na passagem da praça (Figura 113). Outro uso constante nos finais de semana é o de lazer infantil, quando comerciantes montam brinquedos infláveis para a diversão das crianças (Figura 112).

Figura 113 - Mesas de Bar obstruindo a passagem da Praça durante o final de semana

Fonte: Autor (2014).

O parque Beira Rio por sua vez, fica grande parte do dia vazio, com apenas dois senhores que administram o quiosque de alimentos, alguns praticantes de caminhada e algumas crianças que utilizam a quadra e a pista de skate do local, que apresenta sinais


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comportamentais, como pichações (Figuras 114, 115 e 116). A presença de moradores sem teto também foi constatada (Figura 117).

Figura 114 - Crianças utilizando a pista de Skate do Parque Beira Rio que apresenta pichações

Fonte: Autor (2014).

playground do Parque Beira Rio

Figura 116 - Crianças utilizando a Quadra de esportes do Parque Beira Rio

Fonte: Autor (2014).

Fonte: Autor (2014).

Figura 115 - Família utilizando o

Figura 117 - Planta Baixa do Parque Beira Rio indicando os usos e apropriações

Fonte: Prefeitura Municipal de Castelo – Adaptado pelo autor.

Já no final de semana, o parque ganha um maior número de usuários, pais e crianças utilizam o lugar para o lazer, e para alimentar os peixes da lagoa.


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O parque e as praças, portanto, tem suas áreas mais utilizadas durante os finais de semana, sendo que em dias úteis, apenas a Praça do Convívio é densamente desfrutada durante todos os horários do dia. A partir das análises das condicionantes legais e ambientais, das potencialidades e vulnerabilidades, e do uso e apropriação dos locais de projeto, um mapa síntese foi elaborado para identificar através de esboços essa síntese das análises realizadas, para auxiliar na elaboração da proposta de requalificação. Para um melhor entendimento, os pontos foram enumerados e serão abordados mais profundamente neste subcapítulo. O mapa abaixo ilustra os dados relatados dentro do perímetro da Avenida Ministro Araripe identificada por sua centralidade e características como o eixo paisagístico estruturante do município. Figura 118 - Mapa Síntese

Fonte: Autor (2014).


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Como indicado no mapa, há áreas que possuem um potencial paisagístico e de ligação. Essas áreas são grandes massas verdes com qualidades para integração existentes no contexto dentro do eixo proposto. O fator ambiental impresso nessas regiões é de suma importância para a preservação e a formação da paisagem da cidade, além de terem um grande potencial contemplativo, como a área da bolha maior, que está localizada em um plano inclinado com visual privilegiada, podendo assim ser utilizada como mirante (Figura 119).

Figura 119 - Área com Potencial Paisagístico e Contemplativo

Fonte: Google Earth. Acesso em: Setembro de 2014.

A partir da análise feita identificou-se a presença de um lote vazio que por sua vez possui uma gama de possibilidades, desde áreas de contemplação e lazer, à áreas de ligação entre as duas margens do rio (Figura 120).

Figura 120 - Lote Vazio

Fonte: Google Maps. Acesso em: Setembro de 2014.


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Conforme descrito nas etapas de diagnostico, a Avenida Ministro Araripe possui estacionamento em ambos os lados da via, entretanto, analisando mais a fundo, foi possível observar a presença de estacionamentos privados que podem suprir a demanda da avenida caso esses estacionamentos sejam retirados. Outro ponto importante identificado, foi a presença de uma edificação comprometida, que abriga um túnel de ligação à passarela da Beira Rio. Esta construção está a muitos anos abandonada e corre riscos de desabamento, colocando a vida dos usuários em perigo (Figura 121). Figura 121 - Edificação Comprometida

Fonte: Google Earth. Acesso em: Setembro de 2014.

A área da edificação possui potencial para a implantação de uma praça. Esta praça teria a função de ligar a Avenida Ministro Araripe ao Parque Beira Rio, levando em consideração a requalificação da passarela. Essas ações integrariam o parque à avenida, trazendo vitalidade para a região. Podemos perceber também a presença de barreiras edificadas em ambos os lados da via. As edificações são coladas umas nas outras, impossibilitando assim as visuais favoráveis ao parque e aos pontões que circundam a cidade. Foi identificado ao longo do rio, áreas com potencial para a criação de um "WaterFront" 2, essas áreas, segundo o PDM de Castelo, são áreas de proteção ambiental, 2

Linhas de frente a água (orlas, áreas ribeirinhas) valorizadas através de intervenções como parques lineares .


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portanto, devem ser preservadas, pois são bolsões de vazão para as épocas de cheia do rio. O uso de um waterfront de maneira sustentável poderá proporcionar uma melhoria ambiental e adicionar novos usos compatíveis para essas áreas. Espaços para pesca esportiva, contemplação e áreas de paisagismo são algumas opções favoráveis para essas linhas de frente do rio (Figura 122).

Figura 122 - Áreas de Preservação entorno do Rio Castelo

Fonte: Google Earth. Acessado em: Setembro de 2014.

Áreas alagáveis são um grande problema da região, uma vez que em épocas de cheia, inevitavelmente o nível de água do Rio Castelos sobe, ocasionando alagamentos em alguns pontos da Avenida (Figura 123). Isso se agrava pelo fato das construções não terem respeitado o afastamento mínimo de 50 metros proposto pelo Novo Código Florestal.

Figura 123 - Região com áreas alagáveis na Avenida Ministro Araripe

Fonte: Skyscrapercity. Acesso em: Novembro de 2014.


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O eixo ainda passa por uma área residencial, que deve ser tratada com atenção, já que a circulação de pessoas e crianças é intensa. Para isso, ações de traffic Calming 3 podem ser consideradas para amenizar a velocidade dos carros que passam pela via (Figura 124).

Figura 124 - Área Residencial

Fonte: Google Earth. Acesso em: Setembro de 2014.

O estreitamento das calçadas foi identificado em alguns pontos. A causa é a utilização indevida das edificações do espaço destinado ao passeio público. O desrespeito dos afastamentos não condiz com as leis do PDM da cidade, portanto, estão irregulares (Figura 125). Figura 125 - Estreitamento das Calçadas

Fonte: Google Earth. Acesso em: Setembro de 2014.

3

Soluções construtivas e educativas com intenção de amenizar a velocidade dos carros no trânsito.


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Na região da Praça três irmãos, em meados de 2008, iniciou-se a construção de uma edificação de uso misto, com 8 pavimentos. Esta edificação por sua vez, depois de pronta, mostrou-se não condizente com seu entorno, além de obstruir a visual da praça para as montanhas dos arredores (Figura 126).

Figura 126 - Edifício não condizente na Praça Três Irmãos

Fonte: Autor.

O mapa indicou a presença da Rodoviária de Castelo, que está localizada próxima ao parque beira rio e a única ligação direta com a Avenida Ministro Araripe é a Passarela de Pedestres, a integração com a avenida traria melhorias para o entorno da rodoviária, que encontra-se pouco utilizado (Figura 127).

Figura 127 - Rodoviária de Castelo

Fonte: Google Earth. Acesso em: Setembro de 2014.


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Para isso, possíveis conexões podem ser implantadas, uma delas ligando a avenida e o parque a partir do lote vazio localizado no diagnóstico. Esta conexão pode ainda gerar espaços que emoldurem essa passagem, valorizando assim a passarela de pedestres. As visuais foram abordadas no mapa através de desenhos enumerados, e divididos entre Visuais Bloqueadas e Visuais Positivas. Foram identificadas cinco visuais bloqueadas. Este impedimento da visualização se deu por fatores como edificações muito altas e sem afastamento, arborização sem cuidados com podagem e fiação elétrica. As imagens abaixo indicam essas visuais bloqueadas e seus respectivos números identificados, conforme o mapa síntese da pagina 99: Figura 128 - Visual Bloqueada 1 - Edifício bloqueando visual para o Parque Beira Rio

Figura 129 - Visual Bloqueada 2 - Edificação

Fonte: Google Earth. Acesso em: Setembro de 2014.

Fonte: Google Earth. Acesso em: Setembro de 2014.

Figura 130 - Visual Bloqueada 3 - Edificações obstruindo a visual para a Igreja Matriz

Figura 131 - Visual Bloqueada 4 - Edificação obstruindo a visual para as montanhas na Praça Três Irmãos

Fonte: Google Earth. Acesso em: Setembro de 2014.

Fonte: Google Earth. Acesso em: Setembro de 2014.

obstruindo visual para a Igreja Matriz


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Figura 132 - Visual Bloqueada 5 - Edificações bloqueando a visual para o Morro do Niterói

Fonte: Google Earth. Acesso em: Setembro de 2014. Figura 134 - Visual Bloqueada 7 - Praça Três Irmãos

Fonte: Google Maps. Acesso em: Setembro de 2014.

Figura 133 - Visual Bloqueada 6 - Praça Três Irmãos

Fonte: Google Earth. Acesso em: Setembro de 2014. Figura 135 - Visual Bloqueada 8 - Avenida Ministro Araripe

Fonte: Google Maps. Acesso em: Setembro de 2014.

Figura 136 - Visual Bloqueada 9 - Igreja Matriz

Fonte: Google Maps. Acesso em: Setembro de 2014


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Já as visuais positivas somaram seis no total. Essas visuais se mantiveram perante o crescimento da região graças ao gabarito mais baixo e à topografia da área, além de edificações antigas preservadas até hoje. As imagens abaixo ilustram essas visuais: Figura 137 - Visual Positiva 1 - Visual da área Residencial para Morro

Fonte: Google Earth. Acesso em: Setembro de 2014.

Figura 139 - Visual Positiva 3 - Praça Três Irmãos

Figura 138 - Visual Positiva 2 - Pontões do entorno de Castelo

Fonte: Google Earth. Acesso em: Setembro de 2014. Figura 140 - Visual Positiva 4 - Morro do Niterói

Fonte: Google Earth. Acesso em: Setembro de 2014. Figura 141 - Visual Positiva 5 - Praça Três Irmãos

Fonte: Google Maps. Acesso em: Setembro de 2014.

Fonte: Google Earth. Acesso em: Setembro de 2014. Figura 142 - Visual Positiva 6 - Rua Arborizada

Fonte: Google Maps. Acesso em: Setembro de 2014.


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O mapa também indica a presença de um cul-de-sac (Rua sem Saída) que possui características singulares, tendo pequenas casas estilo romântico eclético e com inspirações vernaculares (Figura 143 e 144). Está rua fica próxima ao rio, contém alguns lotes vazios com vegetação abundante. Um edifício residencial de oito pavimentos foi construído próximo a essas áreas verdes. Este edifício contrasta com as residências térreas que predominam na rua (Figura 145). A área já possui alguns restaurantes temáticos, o quê poderia ser valorizado com a implantação de bares, bistrôs, áreas para piqueniques, ou seja, uma rua gourmet, que traria para a cidade restaurantes com culinária típica italiana, que é tradição da região.

Figura 143 - Casas com estilo Romântico Déco Vernacular

Fonte: Google Maps. Acesso em: Setembro de 2014.

Figura 144 - Casa no Estilo Romântico Déco Vernacular

Fonte: Google Maps. Acesso em: Setembro de 2014.


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Figura 145 - EdifĂ­cio Residencial na Rua sem saĂ­da

Fonte: Google Maps. Acesso em: Setembro de 2014.


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Todos os capítulos anteriores, formaram uma base teórica e situacional para a criação desta proposta de projeto. Neste capítulo, procurou-se descrever o conceito utilizado para a elaboração da requalificação da Avenida Ministro Araripe, eixo paisagístico do Centro de Castelo. O partido também foi abordado neste capítulo, assim como o projeto preliminar. Para tanto, os potencialidades e vulnerabilidades diagnosticadas serão utilizadas para o processo de qualificação dos espaços públicos do centro da cidade de Castelo. O conceito proposto resulta da observação de algumas vertentes, são elas: Posição estratégica e central, Paisagem Natural, Integração e Conexão, Cultura e Identidade, História e Memória, Lazer e Contemplação e Marcos Locais. Estes conceitos e seus respectivos partidos darão forma para o projeto de intervenção proposto neste trabalho.

5.1 CONCEITO E PARTIDO

- Posição estratégica e central A Avenida Ministro Araripe, aqui tratada como Eixo Paisagístico, é uma via central da Cidade de Castelo. Ao seu longo, foram destacadas áreas de uso público já existentes. Sua característica cultural e comercial mencionada nos capítulos anteriores fez com que a Avenida se tornasse um ponto de referência, tanto para os moradores quanto para os visitantes da área urbana Castelense. Portanto, foram criados novos espaços de uso público com a intenção de agregar os espaços existentes através da criação de um circuito cultura e de lazer (Figura 146).


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Figura 146 - Centralidade da Avenida Ministro Araripe em Relação às áreas de uso público

Fonte: Croquis conceituais elaborados pelo Autor (2014).

- Paisagem Natural Um fator importante para a elaboração do conceito foram as visuais. A cidade é rodeada por montanhas que preservam remanescentes da Mata Atlântica , e as mesmas estão sendo bloqueadas pelo crescimento e adensamentos desproporcionais inspirados nas metrópoles que tem ignorado os potenciais intrínsecos da região. Para conter esta situação, o projeto propõe a manutenção dos índices urbanísticos a partir do eixo paisagístico para garantir as visuais da paisagem do entorno através de cones de preservação, além de propostas de conexão com as áreas de uso público identificadas. Para isso, além dos cones, o projeto contará com mirantes integrados à calçadões e ciclovias, além de espaços gourmets com restaurantes e quiosques na área em que se deu o nome de Parque Mirante, localizado na proporção sudeste do polígono de projeto, aonde desníveis foram aproveitados criando assim uma qualificação da paisagem da cidade, valorizando o que naturalmente a região possui (Figuras 147, 148 e 149).


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Figura 147 - Pontões do entorno da Cidade de Castelo com a Avenida Ministro Araripe em vermelho

Fonte: Descubra Castelo. Acesso em: Setembro de 2014.

Figura 148 - Mirante integrado aos calçadões e ciclovia no Parque Mirante

Fonte: Croquis conceituais elaborados pelo Autor (2014).


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Figura 149 - Mirante para as Montanhas ao Norte de Castelo

Fonte: Croquis conceituais elaborados pelo Autor (2014).

- Integração e Conexão A integração de novas áreas na extensão do eixo paisagístico identificadas com potencial de uso público às áreas já existentes foi outra proposta para a qualificação do eixo paisagístico. Um das intervenções de integração foi a "Praça da União". Esta praça surgiu da necessidade de valorizar a, até então, única conexão do Parque Beira Rio com a Avenida Ministro Araripe. Para isso, foi utilizado o espaço que antes abrigava um grande edifício abandonado, que foi desapropriado através de parcerias público-privadas. No lugar desta construção, foi implantada uma paginação de piso, que tem a intenção de levar o olhar do usuário até a passarela, que por sua vez passará a ser metálica, com desenhos inspirados nas formas dos tapetes de Corpus Christi, com guarda-corpo em aço de refugo das formas, cabos estaiados e maior, formando uma espécie de platô de 10 m com pontos de estar e contemplação. A praça contém ainda quiosques para apoio e espaços com bancos e mesas arborizados, além de sua paginação priorizando pisos drenantes, visando a sustentabilidade e a garantia do percentual permeável, ajudando na vazão do Rio durante épocas de cheia. A praça ainda abre as visuais para o parque, que antes eram bloqueadas por uma linha ininterrupta de construções (Figura 150).


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Figura 150 - Praça Nova conexão eixo - parque

Fonte: Croquis conceituais elaborados pelo Autor (2014).

Para incentivar ainda mais a integração destas áreas, o proposto também previu a criação de caminhos para pedestres e ciclovias interligando todas as áreas de uso público e de lazer do polígono do projeto. A ciclovia e os caminhos partem do Parque Mirante, descem até a nova passarela, seguem pelo Parque Beira Rio, direcionam-se para a Praça da União e assim seguem para as Praças do Convívio e Três Irmãos, criando uma circuito de integração entre estas áreas (Figura 151). Figura 151 - Circuito de Ciclovias e Passeios

Fonte: Croquis conceituais elaborados pelo Autor (2014).

Para proporcionar a integração da margem do Rio Castelo paralela ao Parque Beira Rio ao eixo paisagístico, foram propostas algumas intervenções que valorizassem a frente do


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rio ao uso público, mantendo sempre a preservação das áreas ribeirinhas. Para tanto, foram criados Decks na projeção do Waterfront ampliando trechos do passeio público existente para contemplação e estar da população e visitantes (Figura 152).

Figura 152 - Waterfront paralelo ao Parque Beira Rio

Fonte: Croquis conceituais elaborados pelo Autor (2014).

Decks de madeira ribeirinhos ao redor da margem do Rio Castelo também foram implantados seguindo a sinuosidade da orla, fortalecendo o conceito das visuais para os elementos naturais da cidade e resgatando o uso da frente do rio que passa a ser reconhecido e valorizado pelos novos fragmentos de frentes "abertas" ao longo do eixo paisagístico proposto (Imagem 153). Figura 153 - Decks ribeirinhos

Fonte: Croquis conceituais elaborados pelo Autor (2014).


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O parque Beira Rio, através da proposta da intervenção, será reformado seguindo os conceitos utilizados para a elaboração do projeto. Esta reforma terá como base a junção de iniciativas público-privadas.

- Cultura e Identidade A área que compreende a Avenida Ministro Araripe possui grande importância para a cidade. Durante a festa de Corpus Christi a região passa a reunir turistas e por abrigar grande extensão dos tapetes, inspirou uma paginação de piso que remetesse aos desenhos da festa. A inspiração veio das fôrmas metálicas utilizadas para a confecção dos tapetes e quadros. (Figura 154). Figura 154 - Fôrma Metálica do Tapete de Corpus Christi

Fonte: Autor (2014).

Esta inspiração foi decisiva para a criação do conceito de integração. Para isso, foi idealizada a criação de uma identidade visual na paginação de piso capaz de unir os elementos identificados no diagnóstico como representativos da memória e cultura dos moradores da região. As praças, parque, Igreja Matriz e a Avenida Ministro Araripe integram o eixo paisagístico através de desenhos e texturas diferenciadas, como o uso de ladrilho hidráulico liso e estampado, refugos de granito visando a sustentabilidade e pisos monolíticos como as placas cimentícias. O granito possui influência na região, devido as pedreiras e serrarias existentes tanto na cidade de Castelo, como na cidade vizinha de Cachoeiro do Itapemirim,


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tornando assim o material acessível, adicionando o conceito de sustentabilidade ao projeto, onde emprega-se materiais e recursos da própria região. O uso do ladrilho hidráulico remetese a identidade interiorana da cidade, e a cultura regional, já que na cidade vizinha está localizada uma das primeiras fábricas de ladrilho hidráulico do estado, a Ladrilhos Grafanassi, que segundo a Revista Leia (2011) foi fundada em 1927, o que facilita a obtenção de materiais. O desenho será inspirado nos tapetes de Corpus Christi, utilizando formas geométricas e simétricas, formando um negativo das fôrmas utilizadas para a confecção dos tapetes. (Figura 155).

Figura 155 - Paginação de Piso inspirada nos Tapetes de Corpus Christi

Fonte: Croquis conceituais elaborados pelo Autor (2014).

Estas fôrmas possuem vários tamanhos e estilos. Para inserir este conceito ao projeto, as passarelas que ligam os dois lados do rio serão feitas utilizando os refugos das formas metálicas com recortes geométricos, assim como os mobiliários de toda a área de intervenção, que também serão elaborados com estes refugos, mesclando peças de aço soldadas com chapas lisas e ripas de madeira. Todo o mobiliário reformulado será utilizado também nas áreas públicas existentes, e a iluminação pública será subterrânea, evitando assim a poluição visual (Figura 156).


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Figura 156 - Mobiliários e Passarelas em Aço de Refugo

Fonte: Croquis conceituais elaborados pelo Autor (2014).

- História e Memória A história está presente no eixo paisagístico através dos casarões antigos, com estilo eclético romântico de inspiração vitoriana e déco vernacular que se tornaram cenário secundário devido ao grande número de edificações comerciais que se apropriaram das fachadas ocultando as características históricas com placas e letreiros de divulgação e identificação. Para valorizar o passado da área, os mesmos serão restaurados e reciclados, implantando assim novos usos integrados a nova realidade proporcionada pela criação do novo eixo paisagístico, com apoio do município para incentivos fiscais a usos compatíveis com a nova área. A valorização da tipologia Arquitetônica do inicio de século XX também foi implantada através do tombamento municipal destes imóveis e a adequação dos índices urbanístico do eixo ao gabarito das edificações sugeridas para tombamento, com o intuito de garantir uma uniformidade morfológica da área de requalificação. (Figuras 157 e 158).


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Figura 157 - Casarão próximo à santa casa de misericórdia

Fonte: Google Maps. Acesso em: Setembro de 2014.

Figura 158 - Casarão onde foi confeccionado o primeiro tapete de Corpus Christi

Fonte: Google Maps. Acesso em: Setembro de 2014.

Foi identificada na área de projeto a presença de uma rua sem saída com potencial, como a presença de três casarões antigos. Neste rua, as casas antigas seriam recicladas com usos diversos, dando ênfase à culinária, pois a intenção projetual desta área foi transformá-la em uma Rua Gourmet, aproveitando a tendência existente no local. Para isso, foram criados no limite da via com a frente do rio espaços de piqueniques ao ar livre (Figura 159). O brechó já existente seria mantido, dando uma característica alternativa à Rua. Usos como o comércio de artesanatos e cafés gastronômicos seriam incentivados pela prefeitura aos comerciantes, através da diminuição dos impostos pagos para o funcionamento do estabelecimento.

Figura 159 - Casarão Antigo reciclado como Cafeteria com espaço ao ar livre

Fonte: Croquis conceituais elaborados pelo Autor (2014).


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- Lazer e contemplação Espaços de descanso e estar também contribuíram para reforçar o conceito de lazer e contemplação, já que a área da Avenida Ministro Araripe possui um contingente de usuários e acompanhantes que por vezes necessitam de locais de descanso, espera e lazer próximo aos comércios da região. Requalificar o espaço de maneira a priorizar o usuário faz parte do conceito deste projeto. Valorizar o passeio público portanto é de suma importância para a qualidade de um ambiente que é utilizado constantemente por pedestres. Para isso, algumas vagas de estacionamento foram removidas para a criação de espaços inspirados em Parklets4 nos pontos com maior presença de comércio através da ampliação da calçada, incorporando um espaço que antes era destinada ao estacionamento de veículos para o uso e estar dos pedestres nos trechos limitados pelas ruas Aristeu Borges e Frei Manoel, mantendo no lado oposto os estacionamentos, preservando vagas para pessoas com deficiência física e mobilidade reduzida (Figura 160). O mobiliário destas Vagas Vivas será composto por Aço de refugo das formas dos tapetes e madeira, criando espaços com a sensação de aconchego e modernidade simultaneamente. Figura 160 - Parklets

Fonte: Croquis conceituais elaborados pelo Autor (2014).

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Espaços de estar itinerante Criados através da utilização de Vagas de Estacionamentos


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Para suprir a carência de vagas compensando as destinadas aos Parklets, novas áreas de estacionamento foram projetadas nas adjacências da Avenida Ministro Araripe. Estes projetos incorporaram soluções que permitissem a preservação da drenagem e contingente de áreas verdes através de pisos drenantes como o concregrama e a criação de canteiros arborizados. Este estacionamento ganhará

acesso direto aos decks ribeirinhos e à Rua

Gourmet (Figura 161 e 162).

Figura 161 - Mapa esquemática com a Localização do Estacionamento

Croquis conceituais elaborados pelo Autor (2014).

Figura 162 - Estacionamentos com Acesso ao Rio Castelo.

Fonte: Croquis conceituais elaborados pelo Autor (2014).


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A valorização do pedestre foi um ponto importante para este conceito,Foi identificada no prolongamento da Avenida Ministro Araripe, uma área com predominância de uso residencial unifamiliar. Esta realidade foi considerada no projeto que previu um desenho de transição que preservasse a intensidade de fluxos diferenciada ao longo do eixo da Avenida Ministro Araripe neste sentido, o desenho adotou conceitos de "Traffic Calming", como a utilização de paralelepípedo no leito carroçável, o alargamento das calçadas em pontos de interseção, como esquinas, e a elevação das faixas de pedestres nestes trechos (Figura 163).

Figura 163 - Proposta de Traffic Calming para áreas Residenciais

Fonte: Croquis conceituais elaborados pelo Autor (2014).

As faixas de travessia de pedestres foram reorganizadas dentro do projeto conforme o recomendado pelo DENTRAN: "A Faixa de Travessia de Pedestre deve ser utilizada em locais onde haja necessidade de ordenar e regulamentar a travessia de pedestres.[...] A FTP deve ser utilizada em locais, semaforizados ou não, onde o volume de pedestres é significativo nas proximidades de escolas ou pólos geradores de viagens, em meio de quadra ou onde estudos de engenharia indicarem sua necessidade." (CONTRAN, sinalização horizontal,2007, p. 47)

Para tanto, faixas de travessia foram implantadas nos meios das quadras e nas entradas das áreas públicas existentes e das novas áreas projetadas.


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- Marcos Locais A marcação das visuais significativas também foram utilizadas como conceito para o projeto. Para marcar o início da requalificação do projeto, implantara-se um monumento construído através da utilização de refugos das fôrmas dos tapetes com desenho geométricos em frente ao casarão em que foi confeccionado o primeiro tapete de Corpus Christi. Este monumento não apenas indicará o início do projeto, como também informará a população e aos turistas a importância do Casarão para a cultura e história da festa religiosa (Figura 164 e 165). Figura 164 - Localização dos Pórticos e Molduras

Fonte: Croquis conceituais elaborados pelo Autor (2014).

Figura 165 - Casarão do primeiro tapete de Corpus Christi demarcado com moldura em Aço recortado

Fonte: Autor (2014).

Uma moldura também em Aço de refugo e com formas retilíneas foi instalada no final da Rua Gourmet marcando o acesso aos Decks Ribeirinhos e criando uma identidade visual


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para a área (Figura 166). Marcações de eixo passarão a atrair a curiosidade dos usuários, aguçando a vontade de estar em determinado lugar, além de valorizar os espaços urbanos de uso público. Para esta área de projeto deu-se o nome de Portal do Rio.

Figura 166 - Portal para os Decks Ribeirinhos na Rua Gourmet

Fonte: Fonte: Croquis conceituais elaborados pelo Autor (2014).

A passarela da Beira Rio também recebeu uma moldura, desta vez, integrada à estrutura da passagem de pedestres através de cabos estaiados no sentido do Parque, dando a sensação de se estar passando por um túnel aberto, o que direciona o olhar para o Parque Beira Rio (Figura 167).

Figura 167 - Passarela da Beira Rio com Moldura para o Parque

Fonte: Fonte: Croquis conceituais elaborados pelo Autor (2014).


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Todos estes conceitos foram utilizados para a elaboração da proposta preliminar de intervenção no Eixo Paisagístico estudado neste trabalho. Para isso, o partido foi de suma importância para tornar efetivas as ideias e intenções projetuais desejadas e assim ser possível agregar qualidades ambientais e construtivas ao projeto.

5.2 O PROJETO

Neste subcapítulo, a proposta a nível de estudo preliminar da intervenção ficará em evidência. A área de projeto é extensa, contemplando oito quadras no total. A implantação em anexo ilustra o resultado final da proposta, aonde pode-se observar a paginação de piso, ciclovias e calçadões integrando todas as áreas de projeto, tanto as Praças três irmãos, aonde a configuração dos canteiros foi mantida preservando a memória do local, a Praça do Convívio que manteve sua morfologia e o parque Beira Rio, que será reformado com apoio de iniciativas privadas e públicas, quanto os novos espaços públicos adicionados ao eixo paisagístico. Áreas com maior demanda de consumidores dos comércio adjacente tiveram suas calçadas alargadas seguindo os conceitos dos Parklets, criando espaços de descanso sombreados, valorizando o uso do pedestre. Estacionamentos foram adicionados em pontos estratégicos dentro do projeto, suprindo a demanda das vagas retiradas para a criação das vagas vivas. A parcela leste do projeto, onde está inserida a Santa Casa de Misericórdia recebeu um café bistrô, reciclando uma construção em estilo Romântica Vitoriana, dando apoio aos usuários do hospital. Os conceitos de Traffic Calming foram utilizados na parcela oeste, com uso residencial em evidência, para tanto, as esquinas foram alargadas, diminuindo a distância efetiva de travessia entre os dois pontos, blocos de paralelepípedo foram utilizados para a paginação do leito carroçável e a faixa de pedestres foi elevada. Para um melhor entendimento, quatro áreas da intervenção serão detalhadas e explicadas mais profundamente. A implantação a seguir indica as áreas que serão ampliadas e detalhadas. Estas áreas possuem cunho integrador, turístico, visual e de lazer. São elas: Parque Mirante, Praça da União (em anexo como ampliação 01), Portal do Rio (em anexo como ampliação 02) e Nova Passarela (em anexo como ampliação 03).


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A3 DO PROJETO!

Figura 168 - Implantação geral do projeto de intervenção

Fonte: Autor (2014).


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O Parque Mirante é uma grande área de lazer dentro do projeto. Localiza-se em um morro, que possibilitou a implantação de diversos mirantes para as montanhas ao norte da cidade, incentivando a valorização da paisagem natural. O parque conta ainda com ciclovias e calçadões com platôs de descanso e contemplação que se integram com as outras áreas do projeto. Restaurantes e quiosques com banheiros foram posicionados de maneira a contemplar os usuários, diversificando o uso do local. O parque também conta com um anfiteatro para apresentações escolares e públicas, criando uma identidade cultural para o local. O paisagismo visou preservar ao máximo a vegetação existente, mantendo as grandes árvores e adicionando arbustos com coloração roxa, branca e verde, além de forrações diferenciadas. O paisagismo que foi adicionado buscou utilizar vegetações comuns em áreas públicas, como a Canafístula, árvore de grande porte e a Acácia Mimosa, utilizada para sombrear calçadas. Os desníveis provenientes da topografia do local foram vencidos com rampas com inclinação inferior a 8,33 % e escadarias integradas, portanto, todas as áreas do parque são acessíveis às pessoas com deficiência e mobilidade reduzida (Figuras 169).

Figura 169 - Parque Mirante

Fonte: Autor (2014).

A Nova Passarela por sua vez foi criada para integrar a Avenida Ministro Araripe à Rodoviária de Castelo. Para isso, foram utilizados dois lotes em ambos os lados do Rio, o que possibilitou a criação de visuais para as frentes da água, que antes eram obstruídas por


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edificações. Com a proximidade com o Parque Mirante, as duas praças resultantes da abertura dos lotes foram trabalhadas com áreas livres, academia pública e espaços para alongamentos, visando a demanda dos usuários do calçadão e da ciclovia. A área de academia ao ar livre, localizada paralela a Avenida Scandar Nemer, conta ainda com uma estrutura escalonada itinerante para a prática de esportes aeróbicos e para descanso. Pergolados em madeira foram posicionados na praça localizada paralela à Avenida Ministro Araripe, para que os esportistas possam realizar seus alongamentos. Além disso, há um posto de informações turísticas (Figura 170 e 171). O projeto detalhado encontra-se em anexo. Figura 170 - Praça da Nova Passarela contendo áreas de alongamento

Fonte: Autor (2014).

Figura 171 - Academia ao ar Livre e área livre de esportes

Fonte: Autor (2014).


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A Praça da União é o ponto central do projeto. Localizada onde antes havia um grande edifício abandonado, ela liga a Avenida Ministro Araripe ao Parque Beira rio. A passarela foi reformulada, contemplando uma moldura inspirada nos elementos sacros com cabos estaiados e ciclovias, além de mirantes integrados para o rio, reforçando a valorização da paisagem natural. A praça contém quiosques com banheiros e muitas áreas de contemplação. Uma área de feira livre também foi integrada ao projeto, criando assim uma diversidade de usos à praça, podendo ser utilizada por artesãos e comerciantes durante as festividades religiosas e em outras ocasiões. A ciclovia passa pela praça, interligando-se a Avenida Ministro Araripe e seguindo para as outras áreas de intervenção. A praça conta com postos de informações turísticas, pois a intenção é que o local seja densamente utilizado por visitantes e moradores da cidade. Durante a festa de Corpus Christi, a praça poderá auxiliar na distribuição de turistas entre os horários de alimentação e estar dos mesmos. Para tanto, a praça possui mesas e cadeiras, além de bancos, posicionados por toda área, criando espaços de contemplação e descanso. O paisagismo foi pensado de maneira a resgatar as cores da festa de Corpus Christi, que por tradição é composto por amarelo e branco. Portanto, os arbusto e árvores presentes no projeto seguem estas colorações (Figuras 172,173,174 e 175). O projeto detalhado encontra-se em anexo.

Figura 172 - Passarela da Praça da União

Fonte: Autor (2014).


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Figura 173 - Imagem aérea da Praça da União

Fonte: Autor (2014).

Figura 174 - Áreas de contemplação da Praça da União

Figura 175 - Entrada da Passarela

Fonte: Autor (2014).

Fonte: Autor (2014).

E por fim o Portal do Rio, que juntamente com a Rua Gourmet, formam uma área cultural e de lazer próximo as áreas de preservação do Rio Castelo. Um casarão foi reciclado e implantado como Museu da Cultura Castelense. Neste museu, há áreas de descaso e contemplação, com cafés ao ar livre. A rua é conhecida por conter restaurantes temáticos, então, suas calçadas foram alargadas para valorizar o comércio existente. No final da rua, uma moldura foi posicionada de maneira a marcar a entrada para os decks ribeirinhos, localizados ao pé do Rio Castelo. Esta moldura poderá ser vista da interseção da rua com a Avenida Ministro Araripe, chamando atenção do transeunte.


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Caminhos sinuosos foram posicionados entre as árvores já existentes, ligando a rua ao rio, e ao decorrer destes caminhos, áreas de piqueniques foram implantadas, podendo ser utilizadas por moradores e turistas ou até para feiras gastronômicas, reforçando assim a ideia de área gourmet do centro da cidade (Figuras 176 e 177). O projeto detalhado encontra-se em anexo.

Figura 176 - Área de Piquenique da Rua Gourmet

Fonte: Autor (2014).

Figura 177 - Imagem aérea da Rua Gorumet

Fonte: Autor (2014).


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Nos dias atuais, os espaços públicos podem ser considerados obsoletos e perigosos. As pessoas deixaram de usar tais espaços para se enclausurarem em espaços fechados e mais “seguros”. Esse comportamento tem se repetido em várias cidades, das menores as maiores, ocasionando o abandono do espaço urbano concebido para a socialização e para a integração da população. Empreendimentos como edifícios comerciais e shoppings centers estão ganhando cada vez mais espaço nas cidades, além de condomínios fechados que oferecem o “lazer completo”. Essa ocupação tem limitado as áreas livres das cidades e os resíduos de uso público tem eliminado a presença de pessoas, comprometendo uma das funções da cidade descritas no estatuto das cidades e presentes nos planos diretores – o lazer público. Diante deste cenário, muitas cidades brasileiras estão passando por intervenções de requalificação, visando atrair o usuário novamente para a rua, para a calçada, para as praças, para o convívio social. A requalificação urbana através do espaço público incentiva novos usos aos espaços urbanos que foram negligenciados, degradados ou tornaram-se obsoletos. Esse conceito também defende a utilização e valorização da memória local, tendo em vista que sua identidade é importante para a manutenção da lembrança coletiva da história local. Atento a isso, o presente trabalho buscou trazer, inicialmente, uma abordagem sobre essa realidade através de uma investigação da temática. Através da requalificação do espaço público a cidade passa a ser valorizada, agregando novamente as inter-relações pessoais e sociais entre os moradores e visitantes do lugar. Um dos motivos relevantes para a escolha do projeto foi o fato do Município de Castelo – ES, receber um grande contingente de turistas durante as festividades religiosas, uma vez que, esse público necessita de infraestrutura adequada para se instalar no período da festa. Em virtude disso, foi de grande importância enfatizar as características peculiares do centro da cidade, tendo em vista que é nessa área que estão os espaços públicos de maior influência da área urbana. O projeto de requalificação da Avenida Ministro Araripe identificada como o eixo paisagístico da cidade, teve como base todos os estudos realizados durante a elaboração deste trabalho. A consideração das potencialidades e vulnerabilidades do local fizeram com que o projeto resgatasse o conceito da requalificação urbana através da integração das áreas verdes de uso público existentes na cidade, como o Parque Beira Rio e as praças do Convívio e dos Três Irmãos, revelando as visuais exuberantes que a cidade de Castelo possui, criando


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mirantes e abrindo as frentes do rio, a historia impressa na Avenida em questão, o resgate de elementos festivos, como os tapetes de Corpus Christi, a revisão das políticas de uso e ocupação do solo e a valorização do usuário, tanto dos moradores, quanto dos visitantes. Para isso, foi de suma importância proporcionar espaços para todos os tipos de pessoas, com usos diversos e atrativos, como áreas para praticar esportes, espaços de pura contemplação e caminhos integradores, como ciclovias e pistas de caminhada que correm por todo o projeto. A cultura religiosa da cidade foi amplamente utilizada como inspiração, tanto para a paginação de piso, quanto para a escolha dos materiais constituintes dos mobiliários, assim como a valorização de edifícios históricos de importância através de molduras posicionas estrategicamente, incentivos fiscais e a manutenção dos índices urbanísticos. Em suma, o projeto buscou resgatar a qualidade de vida das cidades interioranas, perdidas devido a constante busca pela metropolização, e agregar novos usos condizentes com a proposta da Avenida Ministro Araripe, transformando-a em um eixo paisagístico e turístico, um ponto de referência dentro da cidade para os visitantes e moradores. Este fato poderá trazer para a cidade novos turistas, novos investimentos e por conseqüência, uma identidade renovada para a região.


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GOOGLE MAPS. Figura 156 - Casarão próximo à santa casa de misericórdia. Disponível em: https://www.google.com.br/maps/place/Castelo,+ES/@-20.6026178,41.2022383,3a,75y,36.11h,90t/data=!3m4!1e1!3m2!1sxyqD3VoMAF9a9NMom0rOhg!2e0!4 m2!3m1!1s0xb97c7ec4a2f7c3:0x4ab593d3dbee486a. Acesso em: Setembro de 2014. GOOGLE MAPS. Figura 157 - Casarão onde foi confeccionado o primeiro tapete de Corpus Christi. Disponível em: https://www.google.com.br/maps/place/Castelo,+ES/@20.6027147,41.2017479,3a,75y,90.48h,90t/data=!3m4!1e1!3m2!1sveEgFnywkXo4D9eM3mGlTw!2e0!4 m2!3m1!1s0xb97c7ec4a2f7c3:0x4ab593d3dbee486a. Acesso em: Setembro de 2014. IBGE.Castelo, Espirito Santo – ES, 2010. Disponível em:http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/dtbs/espiritosanto/castelo.pdf. Acesso em: Maio de 2014. IBGE. Figura 9 - Mapa da Cidade de Castelo, polígono em amarelo delimitando área com presença de espaços verdes de uso público no centro da cidade. Disponívelem:http://www.ijsn.es.gov.br/Sitio/index.php?option=com_wrapper&view=wrappe r&Itemid=109. Acesso em: Maio de 2014 IBGE.População – Castelo (ES), 2010. Disponível em:http://www.censo2010.ibge.gov.br/sinopse/webservice/frm_urb_rur.php?codigo=320140. Acesso em 13 de maio de 2014 IBGE.População Urbana – Castelo (ES), 2010. Disponível em:http://www.censo2010.ibge.gov.br/sinopse/webservice/frm_pu_hom_mul.php?codigo=32 0140. Acesso em 13 de maio de 2014 IJSN. Figura 6 - Mapa com a localização da área de estudo. Disponível em: http://www.ijsn.es.gov.br/Sitio/index.php?option=com_wrapper&view=wrapper&Itemid=109 . Acesso em: Maio de 2014 IJSN. Figura 7 – Castelo e suas divisas. Disponível em: http://www.ijsn.es.gov.br/Sitio/index.php?option=com_wrapper&view=wrapper&Itemid=109 . Acesso em: Maio de 2014 ISJN. Figura 8 - Ligações Rodoviárias entre Vitória e Castelo. Disponível em:


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ANEXOS

Anexo 01 - Trajetos dos tapetes de 1964 a 2014..........................................................145 - 148 Anexo 02 - Parque Mirante....................................................................................................148 Anexo 03 - Pórtico de entrada na Praça da União..................................................................149 Anexo 04 - Espaço de Contemplação na Praça da União.......................................................149 Anexo 05 - Passarela na Praça da União.................................................................................150 Anexo 06 - Praça da União, vista aérea..................................................................................150 Anexo 07 - Áreas de Piquenique na Rua Gourmet.................................................................151 Anexo 08 - Museu da Cultura Castelense na Rua Gourmet...................................................151 Anexo 09 - Praça Esportiva na Nova Passarela......................................................................152 Anexo 10 - Praça com áreas de alongamento na Nova Passarela...........................................152 Anexo 11 - Prancha 01/04 - Planta Baixa Implantação..........................................................153 Anexo 12 - Prancha 02/04 - Planta Urbanística ampliações 01,02 e 03.................................154 Anexo 13 - Prancha 03/04 - Planta Paisagismo ampliações 01,02 e 03.................................155 Anexo 14 - Prancha 04/04 - Planta Geométrica ampliações 01,02 e 03.................................156


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Anexo 01 - Primeiro trajeto dos tapetes, em 1964.

Fonte: Livro "Corpus Christi 1964. Castelo – ES. 2013” - Adaptado pelo autor

Anexo 01 - Segundo trajeto dos tapetes.

Fonte: Livro "Corpus Christi 1963. Castelo – ES. 2013” - Adaptado pelo autor


146

Anexo 01 - Terceiro trajeto dos tapetes.

Fonte: Livro "Corpus Christi 1963. Castelo – ES. 2013” - Adaptado pelo autor.

Anexo 01 - Quarto trajeto dos tapetes

Fonte: Livro "Corpus Christi 1963. Castelo – ES. 2013” - Adaptado pelo autor


147

Anexo 01 - Quinto trajeto dos tapetes

Fonte: Livro "Corpus Christi 1963. Castelo – ES. 2013” - Adaptado pelo autor.

Anexo 01 - Sexto trajeto dos tapetes

Fonte: Livro "Corpus Christi 1963. Castelo – ES. 2013” - Adaptado pelo autor.


148

Anexo 01 - Sétimo trajeto dos tapetes, que perdura até os dias atuais.

Fonte: Livro "Corpus Christi 1963. Castelo – ES. 2013” - Adaptado pelo autor.

Anexo 02 - Parque Mirante.

Fonte: Autor (2014).


149

Anexo 03 - Pórtico de entrada da Praça da União

Fonte: Autor (2014).

Anexo 04 - Espaço de Contemplação na Praça da União

Fonte: Autor (2014)


150

Anexo 05 - Passarela da Praça da União.

Fonte: Autor (2014).

Anexo 06 - Praça da União, vista aérea.

Fonte: Autor (2014).


151

Anexo 07 - Ă reas de Piquenique na Rua Gourmet

Fonte: Autor (2014).

Anexo 08 - Museu da Cultura Castelense na Rua Gourmet.

Fonte: Autor (2014).


152

Anexo 09 - Praรงa esportiva da Nova Passarela.

Fonte: Autor (2014).

Anexo 10 - Praรงa com รกreas de alongamento na Nova Passarela.

Fonte: Autor (2014).


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TCC arqurbuvv Requalificação Urbana - O eixo Paisagístico de Castelo (ES)  

2014-02 - Bruna Tosi Dalvi

TCC arqurbuvv Requalificação Urbana - O eixo Paisagístico de Castelo (ES)  

2014-02 - Bruna Tosi Dalvi

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