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BRUNA NATÁLIA DOS SANTOS RODRIGUES

UMA ESTRATÉGIA COMPETITIVA 1ª Edição


Logística Reversa – Uma estratégia competitiva OBJETIVO GERAL ................................................................................................................... 6 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ..................................................................................................... 6 JUSTIFICATIVA ....................................................................................................................... 6 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................... 7 CONCEITO DE LOGÍSTICA.................................................................................................... 8 HISTÓRIA DA LOGÍSTICA ..................................................................................................... 9 A IMPORTÂNCIA DA LOGÍSTICA ...................................................................................... 10 A LOGÍSTICA NA ATUALIDADE ....................................................................................... 11 LOGÍSTICA REVERSA .......................................................................................................... 12 APLICAÇÃO DA LOGÍSTICA REVERSA ........................................................................... 13 LOGÍSTICA REVERSA NO BRASIL E LEGISLAÇÕES .................................................... 14 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO REVERSOS (CDRs) ............................................................. 16 Canais de Distribuição Reversos de Pós-Venda (CDR-PV) .................................................... 17 Canais de Distribuição Reversos de Pós- Consumo (CDR-PC) ............................................... 18 LOGÍSTICA VERDE ............................................................................................................... 18 Ferramentas da Logística Verde ............................................................................................... 19 ASPECTOS AMBIENTAIS .................................................................................................... 21 Recursos, funções, responsabilidades e autoridades ................................................................ 22 Monitoramento e medição ........................................................................................................ 22 LOGÍSTIVA REVERSA DE PÓS-VENDA............................................................................ 23 O PRODUTO LOGÍSTICO DE PÓS-VENDA ....................................................................... 24 FLUXOS REVERSOS DE PÓS-VENDA ............................................................................... 25 CATEGORIAS DE FLUXOS REVERSOS DE PÓS-VENDA .............................................. 26 Retorno Comercial .................................................................................................................... 26 Retorno Comercial Não Contratual .......................................................................................... 27 Retorno Comercial Contratual .................................................................................................. 27 Retorno por Garantia/Qualidade ............................................................................................... 27 Retorno por Substituição de Componentes .............................................................................. 28 SELEÇÃO E DESTINO DOS PRODUTOS DE DEVOLUÇÃO ........................................... 28 Venda no Mercado Primário..................................................................................................... 29 Reparações e Consertos ............................................................................................................ 29 Doação ...................................................................................................................................... 29 Desmanche (canibalização) ...................................................................................................... 29 Remanufatura............................................................................................................................ 30


Logística Reversa – Uma estratégia competitiva Reciclagem Industrial ............................................................................................................... 30 Disposição Final ....................................................................................................................... 30 OBJETIVOS ESTRATÉGICOS DA LOGÍSTICA REVERSA DE PÓS-VENDA ................ 31 Objetivo econômico .................................................................................................................. 31 Objetivo Competitivo ............................................................................................................... 31 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PÓS-VENDA .................................................................. 33 RETORNOS DE PÓS-VENDA — ASPECTOS LOGÍSTICOS ............................................. 35 COLETA DOS BENS DE PÓS-VENDA ................................................................................ 36 CENTROS DE DISTRIBUIÇÃO REVERSOS ....................................................................... 36 TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO NA LOGÍSTICA REVERSA ................................... 37 IMPORTÂNCIA DAS EMBALAGENS NA LOGÍSTICA REVERSA ................................. 38 Plástico-Bolha........................................................................................................................... 38 Características ........................................................................................................................... 39 Formatos ................................................................................................................................... 39 Cores ......................................................................................................................................... 39 Aplicação/utilização ................................................................................................................. 39 Isopor ........................................................................................................................................ 40 Papelão ..................................................................................................................................... 40 Palha ......................................................................................................................................... 41 REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 42


Logística Reversa – Uma estratégia competitiva RESUMO

Este estudo será sobre uma das áreas da Logística, a Logística Reversa, e dentro desta será a abordado o subtema Pós-Venda com abrangência consideravelmente maior. A escolha do tema foi baseada na relevância que os processos logísticos reverso estão tendo maior destaque atualmente, devido à globalização, onde a demanda de marcado cresce continuamente. O problema é o índice de devolução dos produtos que está crescendo bastante, havendo a necessidade da aplicação da logística reversa de pós-venda. Visamos, com a abordagem deste tema, apontar sua importância nas empresas atualmente. Mostrando a aplicação deste, objetivamos propor soluções para o problema em destaque com base no assunto discorrido, e para isto mostraremos estes dados e processos na prática dentro de um estudo de caso na empresa Luvidarte, que atua no segmento vidraceiro. Nossas pesquisas terão base em livros, artigos de revistas e visitas técnicas, onde os principais autores são Leite, Boechat e Bowersox. Portando, dentro do enfoque central, serão abordados diversos tópicos explicativos sobre como o pós-venda pode ser utilizado da melhor maneira dentro de uma empresa, otimizando processos empresariais.

Palavras-chave: Logística-Reversa, Pós-Venda, Processos.


Logística Reversa – Uma estratÊgia competitiva ABSTRACT

This study lays on one of the areas from Logistics named Reverse Logistics, and through it the subtheme Post Sales will be deeply analyzed with considerably dedication. The choice of the selected theme was based on the relevance that the Reverse Logistics processes have been acquiring nowadays due to the globalization which the market demand grows continuously. The problem considered is the Product Return index which has been highly increasing, generating the need of the Post Sales Reverse Logistics applicability. Through this theme, we intended to portrait its importance on companies at the present moment. Displaying its applicability, we aimed to propose solutions in order to solve the related problems based on the subject once analyzed. Therefore, we show data and processes at a real state case inside one study case at the Luvidarte company which is present at the glazier segment. Our researches are based on books, magazines articles and technical visits. Through the documentation presented, the main authors are Leite, Boechat, and Bowersox. Thus, inside the central focus of the study, a variety of explanatory topics are analyzed, providing details concerning how the Post Sales may be used and explored at its best conception at a company, optimizing business processes.

Key-words: Reverse Logistics, Post Sale, Processes.


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OBJETIVO GERAL Com este trabalho, nós visamos propor otimizações nos processos logísticos reversos de pós-venda dentro da empresa em que o estudo de caso prático será feito, com base em todas as pesquisas feitas e todos os assuntos discorridos no decorrer do estudo.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS Em um primeiro momento, visamos um estudo profundo em relação ao tema central do trabalho, para que assim possamos realizar uma análise na empresa que será focada como estudo de caso, com base nos estudos. Feito isto, visamos detectar uma problemática em que nosso tema será objeto de solução, e que dê resultados práticos. Com as soluções propostas, construiremos um projeto de aplicação prática do que foi sugerido por nós previamente, para a empresa. Por fim, visamos uma análise de resultados bastante específica.

JUSTIFICATIVA Foi escolhido o tema Logística Reversa, pois, além de ser uma área Logística que nos chamou atenção no decorrer do curso, ainda é muito carente em algumas empresas. Mas, sobretudo a escolha foi feita por motivos de esta ser uma área que vem sendo necessária a nível empresarial e social, uma vez que devido a diversos motivos o consumo aumentou e as empresas precisam destinar corretamente seus produtos, o que não acontece como deveria. Portanto visamos ilustrar como e por que aplicar uma eficaz logística reversa nas empresas.


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INTRODUÇÃO Vivemos em um momento nunca visto antes na historia da humanidade, este momento que tem por nome globalização, é assunto que faz parte do cotidiano de todos em qualquer sociedade. A globalização, que é um fenômeno social de avanço tecnológico em termos de economia, sociedade, cultura e política, dá-se em escala global devido a avanços em transportes e telecomunicações, o que faz diminuir distâncias para importação, exportação e simplesmente distribuição de produtos, e isso eleva a rapidez em processos, assim a empresa os executa em maior quantidade e em tempo reduzido, e quanto maior a escala de processos, maior o nível de crescimento em termos econômicos da instituição. As organizações visam sempre crescer e manter-se ativas no mercado produtivo. Seja qual oferece produtos e/ou serviços, todas querem ser globalizadas. Ou seja, procuram sempre novos métodos para se atualizar, os quais sempre envolvem tecnologias de ponta, estratégias e técnicas que dão resultados. Englobando processos como armazenagem, estocagem, fluxo de informações, movimentação de materiais e, sobretudo, transportes, a logística vem ganhando espaço no mercado gradativamente. Grandes empresas estão aderindo técnicas logísticas e ganhando resultados com isso, enquanto outras ainda terceirizam esse serviço. Mas de uma maneira ou outra, ela vem sendo aplicada como arma de competitividade e, sobretudo, à fim de otimizar processos. Existe então a área da Logística que está diretamente empenhada na preservação do meio ambiente, este ramo então é intitulado Logística Reversa. Seu conceito está relacionado à sustentabilidade, a qual nos remete uma nova visão da gestão de negócios, importando-se principalmente com a redução dos impactos ambientais, e, levando em consideração também, aspectos sociais e econômicos, gerando assim uma forma “limpa” de competitividade.


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CONCEITO DE LOGÍSTICA O termo Logística vem sendo abertamente usado para tratar de processos e estratégias, tanto no campo empresarial como no campo de eventos em geral. Com o aumento disparado da Globalização, outro termo bastante utilizado na sociedade atual, o uso da logística é indispensável quando se trata de realizações de processos. Entretanto, o que de fato significa esse terno tão abrangente? Vejamos a seguir: De acordo com Bowersox (2009, p.19): A logística moderna também é um paradoxo. Existe desde o início da civilização: constitui de modo algum uma novidade. No entanto a implementação das melhores práticas logísticas tornou-se uma das áreas operacionais mais desafiadoras e interessantes da administração nos setores privado e público.

Ou seja, a logística acompanha ativamente toda a vida útil do produto, partindo assim desde o ponto da elaboração até o fim deste, atuando nos mais diversos setores de acordo com a necessidade. [...] a logística envolve a integração de informações, transporte, estoque, armazenamento, manuseio de materiais e embalagem. Todas essas áreas que envolvem o trabalho logístico oferecem ampla variedade de tarefas estimulantes. Combinadas assim, essas tarefas tornam o gerenciamento integrado da logística uma profissão desafiante e compensadora. Devido à importância estratégica de desempenho logístico, crescente número de executivos bem-sucedidos na área de logística está sendo promovido para posições de alta gerência. (BOWERSOX, 2009, p.20)

Já na concepção de Ballou (2008, p.17), [...] a logística empresarial estuda como a administração pode prover melhor nível de rentabilidade nos serviços de distribuição aos clientes e consumidores, através de planejamento, organização e controle efetivos para as atividades de movimentação e armazenagem, que visam facilitar o fluxo de produtos.

Para Fleury (2009.p.27): O que vem fazendo da Logística um dos conceitos gerenciais mais modernos são dois de mudanças, o primeiro de ordem econômica, e o segundo de ordem tecnológica. As mudanças econômicas criam novas exigências competitivas, enquanto as mudanças tecnológicas tornam possível o gerenciamento eficiente e eficaz de operações logísticas cada dia mais complexas e demandantes.

Resumidamente, pode-se dizer que a função da logística é colocar o produto certo, no local correto, no momento adequado e ao menor preço possível, partindo assim das fontes de matéria-prima até o consumidor final.


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HISTÓRIA DA LOGÍSTICA O termo logística esteve por muito tempo ligado à áreas meramente operacionais. Sobre este fato, Martins et al (2005, p.251) comentam que “[...] até poucos anos atrás, o termo logística continuava associado à transportes, depósitos regionais e atividades ligadas a vendas [...]”. Segundo Ballou (2008, p.29), “O período entre os anos 50 até a década de 60 representa a época de decolagem para a teoria e a pratica da logística. O ambiente era propício para novidades no pensamento administrativo. [...]” Ballou (2008, p. 21) afirma que: Como incentivo adicional, começou-se a reconhecer que os custos logísticos eram substanciais. Em meados dos anos 50, poucas firmas tinha uma ideia cala de quanto eram seus custos logísticos. Quando analistas iniciaram suas pesquisas, os níveis de custo mostraram-se surpreendentes. Antes que as empresas em geral mostrassem muito interesse em administrar atividades logísticas de forma coletiva, a área militar do governo federal americano estava bem organizada para desempenhar estas funções. Havia muito tempo que os militares tinham conhecido a importância da coordenação das atividades logísticas. Mais de uma década antes do mundo dos negócios interessar-se pelo assunto, os militares já haviam executado aquela que foi chamada de mais sofisticada e mais bem planejada operação logística da história – a invasão da Europa. (BALLOU, 2008 p. 34)

Segundo Ballou (2008, p.34) A logística militar inclui atividades como aquisição, estoque, definição de especificações, transporte e administração de estoques, a maior parte das quais esta incluída na definição de logística. O alto grau de interesse acabou levando à logística integrada. Apesar de a distribuição física ter sido tema dominante nas décadas de 50 e 60, um tema similar estava sendo desenvolvido em torna das compras (BALLOU, 2008 p. 35) A logística empresarial, como campo da administração de empresas, entrou na década de 70 em estado descrito como de semimaturidade. Os princípios básicos estavam estabelecidos e algumas firmas estavam começando a colher benefícios do seu uso. (BALLOU, 2008 p.34)

Assim, Ballou (2001, p.21) também se refere à logística na mesma visão como sendo: O processo de planejamento, implementação e controle do fluxo eficiente e economicamente eficaz de matérias-primas, estoques em processo, produtos acabados e informações relativas desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o propósito de atender as exigências dos clientes.


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No atual concepção de Ballou (2008, p. 36), a logística foca principalmente operações manufatureiras ou miliares. À medida que a economia continue seu deslocamento da manufatura para serviços, haverá maiores oportunidades para adaptar os atuais princípios e conceitos logísticos para empresas que produzem e distribuem serviços ao invés de produtos tangíveis. Também enquanto o comércio internacional e a exportação de manufaturados continuam a crescer, maior numero de executivos de logística serão envolvidos na administração de suprimentos e distribuição internacionais. Isso não apenas alargará o escopo da logística como também enriquecerá os conceitos nos quais ela se baseia.

A IMPORTÂNCIA DA LOGÍSTICA A logística vem ganhando espaço nas empresas, pois os gestores estão cada vez mais percebendo a vitalidade que ela tem dentro da organização. Na distribuição, movimentação, gestão de estoques, transportes, informações, e, também, na economia, vê-se que é importante ter uma boa logística para ter um bom funcionamento nestas áreas, o que quando não feito, pode desencadear elevados custos e até mesmo prejuízos para a empresa. “A logística também tem importância numa escala global. Na economia mundial, sistemas logísticos eficientes formam bases para o comércio e a manutenção de um alto padrão de vida nos países desenvolvidos. [...]” (BALLOU, 2008. P. 19) Vimos que a logística abrange além de uma única empresa em questão. Ela engloba toda a economia mundial, por ser uma ferramenta de suma importância (quando usada devidamente) para explorar as vantagens inerentes produtivamente em produtos para exportação, logo que sabemos que uma empresa sempre necessita de outra para manter-se no mercado: para vender e suprir-se, como precisa de fornecedores para adquirir matéria-prima para a produção, precisa de clientes para adquirir seus produtos, por vezes necessita de intermediários para que se realizem tais processos e pode até requerer distribuidores se não tiver um sistema de distribuição próprio. Tudo isso faz parte da Cadeia de Suprimentos, e toda empresa precisa dela, ou então torna-se incapaz de sobreviver no mercado global e/ou regional. “[...] O sistema permite então que o custo do país (custos logísticos e de produção) e a qualidade desse produto sejam competitivos com aqueles de qualquer região. [...]” (BALLOU, 2008. P. 19)


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Ou seja, além de ser importante para facilitar os processos da empresa, a logística também pode ser uma vantagem competitiva entre duas ou mais organizações. Por exemplo, uma empresa de móveis que tem o sistema de distribuição próprio (que não terceiriza esse serviço) pode conquistar a confiança do consumidor ao ir entregar em sua casa o produto adquirido com comprometimento, pois muitas vezes as empresas terceirizadas não dedicam-se à satisfação do cliente da loja de móveis, e sim ao seu cliente unicamente, que é a própria loja de móveis. E o consumidor sente-se seguro quando é bem atendido em algum comércio, e passa a ser fiel à ele. A logística é importante para gerir diversos setores da empresa e age também como vantagem competitiva. Contudo, é importante destacar que, quando mal gerida, ela pode ser prejudicial aos processos da organização. Pode acarretar prejuízos e perda de clientes, o que é estritamente ruim para a empresa como um todo. Por isso cabe aos administradores fazer um bom uso dela.

A LOGÍSTICA NA ATUALIDADE Basta uma breve análise da história da logística (tópico 2.1.) e relacioná-la com sua importância (tópico 2.2.) para notar sua indiscutível evolução. Para facilitar o discernimento de tal evolução e podermos enfim chegar aos dias de hoje, é interessante dividir o histórico logístico em 3 fases, dadas por Ballou (2008, p. 28): [...] o transporte era encontrado frequentemente sob o comando gerencial da produção; os estoques eram responsabilidade de marketing, finanças ou produção; e o processamento de pedidos era controlado por finanças ou vendas. Isto resultava o conflito de objetivos e de responsabilidades para as atividades logísticas. [...]

Ballou nos mostra que, antes de 1950, as atividades no campo logístico estavam em estado de dormência. As atividades da empresa que atualmente são geridos pela logística, antes eram feitos por outros diversos setores, por isso estes anos são considerados “adormecidos”.

1950-1970: o período de desenvolvimento “O período entre início dos anos 50 até a década de 60 representava a época de decolagem para a teoria e a prática da logística. O ambiente era propício para novidades no pensamento administrativo. [...]” (BALLOU, 2008, p. 29)


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Neste tempo, até a década de 70, o mundo passou por diversas transformações que elevaram o aparecimento da logística empresarial, como as alterações dos padrões e atitudes da demanda dos consumidores; a pressão por custos nas indústrias; os avanços na tecnologia de computadores; e a experiência militar. “[...] Os princípios básicos estavam estabelecidos e algumas firmas estavam começando a colher os benefícios de seu uso. [...]” (BALLOU, 2008, p. 34) Neste trecho, Ballou refere-se sobre a logística empresarial que entrava em estado de semimaturidade. Ou seja, as empresas que passaram a usar a logística no campo de administração de empresas começaram a ter resultados positivos que desencadearam a continuidade de sua utilização, e mais: uma própria divulgação. A partir dos anos 70, e daí até os dias atuais, a logística vem ganhando espaço nas organizações, bem como no mercado comercial e empresarial. Atualmente, é usada a fim de otimizar processos, reduzir custos se tornando um diferencial competitivo. Podemos até mesmo arriscar que a tendência é que tal crescimento e evolução, que acompanhamos anteriormente, continuam a concretizar-se no mundo. Nesse meio, há um ramo da logística que visa o diferencial, contribuindo não só com a redução de custos, mas com o meio ambiente, este é denominado logística reversa, o qual estaremos nos aprofundando mais no capitulo a seguir.

LOGÍSTICA REVERSA A Logística Reversa é um recurso que vem sendo adotado por empresas de porte nacional, internacional e multinacional. Portanto, logo sabe-se que é uma área da Logística emergente no mercado mundial, onde há o conhecimento desta há bastante tempo, porém só ganhou grande repercussão atualmente provavelmente pela situação caótica na qual o planeta se encontra, em questões ambientais. Assim, analisando a situação de maneira geral, vê-se que o processo reverso da logística, ou Logística Reversa, vem sendo aplicado não apenas uma arma competitiva, mas sim como uma necessidade de interesse global. Com o notório crescimento da Logística Reversa, o assunto passou a ser tema de estudo por grandes especialistas da área. Assim surgiram, ao decorrer dos infindáveis anos de pesquisas, diversas definições e conceituações para tal ramo. Esse processo, de forma prática, é definido por Stock, 1998, apud Boechat et al, p. 13: “Logística Reversa: refere-se a papel da logística no retorno de produtos, redução na fonte,


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reciclagem, substituição de materiais, reuso de materiais, disposição de resíduos, reforma, reparação e remanufatura...” Já para Muller, 2007, apud Boechat et al, p. 14: Logística Reversa pode ser classificada como sendo apenas uma versão contrária da logística como a conhecemos. A Logística Reversa utiliza os mesmo processos que um planejamento convencional. Ambos tratam de nível de serviço e estoque, armazenagem, transporte, fluxo de materiais e sistemas de informação, em resumo trata-se de um novo recurso para a lucratividade.

Dentre tantas outras definições, Bowersox e Closs, 2001, apud Boechat et al, 2012, p. 14 definem a Logística Reversa como sendo “[...] um dos objetivos operacionais da logística moderna, referindo-se sua extensão além do fluxo direto dos produtos e materiais constituintes e à necessidade de considerar os fluxos reversos de produtos em geral.”. Como vimos, a logística reversa é definida com distintas palavras por grandes autores e especialistas na área, mas todas estas maneiras diferentes nos levam à entender, de forma simples, que logística reversa é o caminho revertido dos processos logísticos.

APLICAÇÃO DA LOGÍSTICA REVERSA Vimos que a Logística Reversa, além de despertar o interesse global quando levada às questões socioambientais, é usada como arma competitiva por grandes corporações. Mas além destes aspectos, ela é necessária quando há casos onde é preciso, por exemplo, que a transportadora devolva a mercadoria que estaria dirigida ao cliente à fábrica por problemas de defeitos ou avarias de uma forma geral. Aí temos um exemplo de um caso claro do processo logístico que precisa ser reverso. Isto é, temos como o processo logístico comum o fluxo do produto desde a extração de sua matéria prima até o consumidor final. No caso reverso, é do consumidor final até retornar à indústria de produção. A partir desta necessidade, todo um canal de distribuição (reverso) está diretamente relacionado à tal processo. Mas não esqueçamos que a logística reversa atua não apenas com canais de distribuição reversos como neste caso citado acima; ela abrange além: toda uma Cadeia de Suprimentos e, como toda Cadeia de Suprimentos, se torna necessário fazer a gestão da mesma, desempenhando um papel estratégico em todo o planejamento em tomada de decisões, planejamento na execução de processos produtivos e fluxo de informações. A logística empresarial assume um papel relevante no planejamento e controle do fluxo de materiais e produtos desde a entrada na empresa até sua saída como um produto finalizado. O processamento dos pedidos e o serviço oferecido aos clientes


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são diferenciais estratégicos nas empresas, regulando, dessa forma, as quantidades a serem produzidas e os modelos a serem fabricados, sua sequência de fabricação, as quantidades e as datas de entrega das matérias primas e os componentes diretos da fabricação, os estoques de insumos e de produtos intermediários e acabados, dentre outros, tornam-se fundamentais para o cumprimento das estratégias empresariais. (LEITE, 2009, p. 3)

Neste trecho, Leite nos mostrou de forma simples como é realizado um processo logístico. Basta reverter a ordem dos processos para que se entenda a logística reversa em termos econômicos, pois existe também outro ramo específico deste, que é a Logística Verde, a qual abordaremos no decorrer deste capítulo. Vejamos agora um exemplo deste fluxo na imagem abaixo:

Figura 1: LEITE, 2009, p.4

LOGÍSTICA REVERSA NO BRASIL E LEGISLAÇÕES Em âmbito ambiental e empresarial, existe um fator de grande importância que contribuiu para o grau de utilização de aceitação da Logística Reversa no Brasil, que é o grau de organização da sociedade civil. Num país em que grande parte do século passado foi regido pela ditadura militar, subtraindo liberdades individuais, os projetos implantados pelo governo e empresas não tiveram impactos ambientais divulgado, tampouco objeto de atenção populacional e governamental, devido ao contexto da sociedade na época. Somente a partir de 1980, com a situação mais amena, começou-se a atribuir atenção aos problemas ambientais. Foi justamente neste período que houve aumento dos problemas ambientais gerados pela concentração populacional nas grandes metrópoles, como a questão do acesso à água, o tratamento do esgoto e a coleta do lixo. Hoje, os assuntos ambientais são tratados de forma mais abrangente pela Constituição Federal Brasileira, que reserva à união,


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aos estados, ao distrito federal e aos municípios, a tarefa de proteger o meio ambiente e de controlar a poluição. Mesmo nossa legislação ser considerada uma das mais vigorosas e atualizadas do mundo — teoricamente — ainda não dispõe de um dispositivo ideal para o descarte de materiais, somente em alguns casos, por resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (2005), que determina a destinação de resíduos de descarte. Em âmbito estadual, já existem algumas normas mais rigorosas para o gerenciamento de resíduos sólidos como a lei 11.387 de 2003 de São Paulo e a lei 12.493 de 1999 do Paraná. Tratando-se de legislação, não se pode deixar de mencionar o Código de Defesa do Consumidor, lei 8.078 do ano de 1990, que garante ao consumidor Brasileiro direitos após a aquisição de bens e serviços, seja de troca, reparo ou devolução, atribuindo um prazo de sete dias para o consumidor se manifestar. É um assunto de extrema relevância quando se trata da necessidade da aplicação da logística reversa, pois foi uma lei que influenciou bastante nos índices de devoluções de produtos lançados no mercado, uma vez que o consumidor final passa a ter direitos legais sobre o retorno dos bens adquiridos quando necessário e/ou quando convier. O código é atualizado frente à questão das vendas realizadas através da rede mundial. Com este novo tipo de relacionamento entre produtor/varejo-consumidor, onde há uma ausência do contato físico com o produto, o cliente encontra-se amparado através do artigo 49 desta lei, garantindo também o ressarcimento do valor monetariamente atualizado. Além disto, tal regulamento garante o direito de arrependimento da compra efetuada, sem entrar no mérito da qualidade do produto que, se estiver danificado, amplia os direitos de troca do cliente. Isto gerou um aumento no fluxo reverso dos produtos, exigindo das empresas brasileiras uma política de retorno bem estruturada e claramente explicitada aos consumidores e exige também que elas estejam preparadas para tratar corretamente o fluxo aleatório gerado especificamente pelas causas nela previstas. Ou seja, as empresas que se encontram no Brasil, de uma maneira ou outra, devem ter uma estrutura mínima capaz de atender ao fluxo reverso crescente. Pode-se ressaltar também a existência de outras leis que tratam de poluição ambiental e que não necessariamente estão relacionadas às práticas da logística reversa por parte das empresas brasileiras. Nisto tudo, existe um fator bastante importante que gera a diminuição do interesse dos empresários na busca do reaproveitamento de materiais descartados no seu processo de fabricação, que é a múltipla tributação dos produtos/materiais. Qualquer objeto que hoje se


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encontre descartado já sofreu diversas tributações ao longo do fluxo direto. Quando retornado à indústria para reaproveitamento, através dos canais reversos, incidem novos impostos federais, estaduais e até municipais, como o imposto sobre produtos industrializados (IPI), o imposto sobre circulação de mercadorias e prestação de serviços (ICMS) e o imposto sobre serviços (ISS ou ISSQN), desde a coleta até as mãos do reciclador. Esses impostos que incidem em cascata desencorajam o bom funcionamento do ciclo de retorno de materiais às indústrias. Atualmente, esta prática representa 10% de tudo o que é vendido no país, movimentando mais de 20 bilhões de reais ao ano, segundo a pesquisa do ano de 2011.

CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO REVERSOS (CDRs) Como já dito anteriormente, para a execução prática da Logística são necessários Canais de Distribuição (CDs) para consolidar a distribuição física de produtos acabados partindo das fábrica até o consumidor final. Na logística reversa o quadro é o mesmo: também há a necessidade de canais de distribuição, mas como o uso deles são reversamente proporcionais ao fluxo logístico, são denominados Canais de Distribuição Reversos (CDRs). Há aspectos econômicos implícitos na distribuição, seja na parte mercadológica ou nas operações da distribuição em si. A importância econômica da distribuição, seja sob o aspecto conceitual mercadológico, seja sob o aspecto concreto operacional da distribuição física, revela-se cada vez mais determinante às empresas, tendo em vista os crescentes volumes transacionados, decorrentes da globalização dos produtos das fusões de empresas, e a necessidade de se ter o produto certo, do local e tempo certo, atendendo a padrões de níveis de serviços diferenciados ao cliente e garantindo seu posicionamento competitivo no mercado. (LEITE, 2009, p.5)

Para que as operações de distribuição em geral sejam bem executadas, são popularmente usadas técnicas visando além da operação e si; visando o que a gratificação do processo gerará, que é a satisfação do cliente devido ao serviço de entrega prestado dentro do prazo estabelecido. Técnicas e filosofias empresarias modernas, como qualidade total, Just-in-time, tecnologia de informação em logística, sistemas integrados de gerenciamento do fluxo logístico e gerenciamento da cadeia de suprimentos, dentre outras, que visam ao aumento da velocidade de resposta e serviço aos clientes, por meio da velocidade do fluxo logístico e da redução de custos totais de operação, têm oferecido apoio às empresas para a realização desses objetivos. (LEITE, 2009, p.6)


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Mas antes de forçarmos nos CDRs, convém primeiramente retomar o conceito de Canais de Distribuição Diretos (CDD). Boechat et al, 2012, p.14 define os CDDs de forma precisa e clara: “O canal de distribuição direto refere-se ao fluxo dos produtos na cadeia de distribuição, ou seja, matérias-primas virgens ou primárias, até o mercado consumidor, nesse caso, o mercado primário.” Englobado no fluxo de produtos, existe também um forte fluxo de informações. Todos os fluxos processam-se em etapas, por exemplo, onde os produtos estão no mercado atacadista, seguindo aos distribuidores, em seguida chegam ao varejista onde, enfim, o produto passa a ser mais acessível a chega ao consumidor final. No canal de distribuição direto o fornecedor de matéria-prima realiza a primeira etapa, seguida de transporte e armazenagem inicial. A fase seguinte corresponde ao transporte do armazém para o beneficiamento subsequente. Já na terceira fase, identifica-se o transporte da fábrica para os subsistemas de atacado-varejo, e, finalmente, o transporte de produtos aos clientes/consumidores finais. (BOECHAT et al, 2012, p. 15)

Com a nova aérea da logística empresarial, surgida devido ao surgimento de um novo perfil de consumidor consciente, a logística reversa forçou os empresários a acompanhar com suas empresas este novo perfil exigente. Assim deu-se outra forma de fluxo de distribuição, que são os já citados CDRs. Composto por atividades diretas de retorno, reuso, reciclagem, fins ecologicamente corretos de materiais sem vida útil e retorno de produtos com avarias, os CDRs são classificados de duas formas: Canais de Distribuição Reversos de Pós-Venda (CDR-PV) e Canais de Distribuição Reversos de Pós- Consumo (CDR-PC).

Canais de Distribuição Reversos de Pós-Venda (CDR-PV) Constituem-se pelas diferentes modalidades de retorno de uma parcela de bens/produtos com pouca ou nenhuma utilização à sua origem, ou seja, tem seu fluxo inverso/reverso do comprador, usuário final ao atacadista, varejista ou fabricante pelo simples fato de defeitos, não conformidades erros de emissão de pedidos. (BOECHAT et al, 2012, p. 16)

Como dito por Boechat et al, os CDRs-PV são requeridos em casos onde o consumidor final não consolidou o uso do bem/serviço que adquiriu do mercado primário, por motivos de particularidades em cada caso. E após o(s) produto(s) em questão retornarem pelos CDRs-PV, são devidamente concertados ou manufaturados de forma a poderem retornar à um mercado secundário.


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Canais de Distribuição Reversos de Pós- Consumo (CDR-PC) Leite, 1996, apud Boechat et al, p. 17 define a categoria de CDRs-PC da seguinte maneira: “É constituído por diferentes modalidades de retorno do ciclo de produção/geração de matéria-prima de uma parcela de bens/produtos ou de seus materiais constituintes após o fim de sua vida útil. O CDR-PC subdivide-se em: (a) Reúso; (b)Desmanche; (c) Reciclagem.” Ou seja, esse canal é utilizado quando há produtos que esgotaram sua vida útil pelo uso de seus consumidores, então são encaminhados através dos CDRs-PC para uma das etapas (a, b ou c) descritas acima e então, depois de co-recriados, são disponibilizados outra vez para consumo em um mercado secundário.

LOGÍSTICA VERDE Dentre esse grande ramo empresarial da Logística e todas as suas aplicações, temos como referencia por ser socioambiental juntamente com a Logística reversa a denominada Logística verde, que visa compreender e minimizar os impactos ecológicos gerados pelas atividades logísticas. Para entende-la melhor é preciso voltar ao tempo, quando ainda não se falava em catástrofes ambientais, pois esse assunto não possuía tanta repercussão na mídia. Outro “novo termo” que vem sendo muito utilizado, e na maioria das vezes, utilizado sem conhecimento, é a sustentabilidade, aquela que faz uso da natureza sem agredi-la. É prudente evidenciar também que muitas atividades da logística verde não estão relacionadas de forma direta com a logística reversa, porém há relação indireta ao considerarmos os aspectos de marketing e produção, utilização, reuso, reciclagem, entre outros. (BOECHAT et al, 2012, p. 18)

Nesta citação, Boechat reforça a ideia de que a Logística Verde é diferente da Logística Reversa, nosso campo de estudo, e ainda afirma: O ambiente legal que trata das questões atinentes a resíduos esta intrinsecamente relacionado aos impactos que estes causam ao meio ambiente e seu retorno. O tratamento jurídico dado por vários países tem por objetivo regulamentar, intervir, orientar, disciplinar e controlar as diversas fases diretas e reversas de forma a possibilitar não só o equilíbrio ambiental, mas também a redução da exploração de matérias primas na fonte e o aumento das condições de oferta e demanda e por produtos reutilizáveis e/ou recicláveis. (BOAECHAT et al, 2012, pp.19-20)


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Ferramentas da Logística Verde A Logística Verde desenvolve uma série de ferramentas socioambientais, as quais vem sendo utilizadas e incentivadas tanto pelo governo quanto por grandes corporações privadas através da mídia, que utiliza algumas dessas ferramentas como forma de autopromoção. Os produtos que são descartados em aterros sanitários urbanos variam de acordo com as características de cada município. Há também aterros especiais onde são recebidos resíduos específicos de indústrias, hospitais, etc. e que necessitam de cuidados especiais. Contudo, o crescimento desordenado e acelerado das cidades e o descarte de resíduos domésticos e industriais, os aterros sanitários passaram a ser, ao invés de uma solução, um problema, uma vez que cada aterro tem sua capacidade e vida útil limitada. (BOECHAT et al, 2012, pp. 18-19)

Dentre essas ferramentas, destaca-se a reciclagem de produtos, sejam eles acabados ou não. Assim, como forma de incentivo, foram implantados cestos de lixos por toda parte do mundo, cada um com sua devida cor e figura representativa, que representa o material que pode ser reutilizado e ali depositados. Contudo, os mais comuns são: Os metais Os metais são classificados como bens econômicos escassos e não renováveis e são utilizados para a fabricação de uma serie de produtos: bens capital (maquinas e equipamentos), embalagens (latas, latões, barris) etc. As embalagens metálicas são constituídas de ligas de aço e/ou alumínio (laminados de aço revestidos com estanho, cromo, laminados de alumínios e outros), utilizados na fabricação de latas conservas alimentícias, óleos, tintas e vernizes, cervejas, sucos e refrigerantes. O consumo de energia e reservas naturais não renováveis de minérios aceleram o desenvolvimento de processos de reciclagem de matais. (BOECHAT et al, 2012, p.8)

Mesmo sem a definição de Boechat é possível assimilar a ideia de metal a partir do nosso conhecimento de mundo, pois é possível construir inúmeros outros bens, além dos citados por Boechat. Contudo, esse tipo de recurso natural pode ser utilizado não só por empresas, mas donas domesticas também, que podem ser consideradas são boas “recicladoras” desse material, que além de ser de fácil acesso, é, dependendo do caso, de fácil manuseio também.

Os vidros

Muito presente no nosso cotidiano, seja para nos entreter como na televisão, para nos proteger assim como as janelas e inúmeras outras utilidades nela presente.


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Os vidros são matérias obtidos pela fusão de componentes inorgânicos (areia, barrilha, calcário e feldspato) a uma temperatura de aproximadamente 1.500 ºC, sendo seu principal componente a sílica (SiO2). São utilizados para armazenamento e conservação de alimentos, como potes, garrafas, garrafões, compôs; para proteção, como janelas, para-brisa de automóveis, etc. (BOECHAT et al, 2012, p.9)

O papel O papel é um composto de fibras celulósicas de madeira. É classificado de acordo com seu peso em gramas por m², sua espessura e sua rigidez. (...) Seu processo de reciclagem conta com a coleta, separação, classificação, consolidação, unitilização (enfardamento), transporte, formação de massa celulósica com desfribilamento de grandes quantidades de agua, compressão cilíndrica e retransformação em diferentes tipos de papeis, tais como: papel ondulado, papel kraft e papel saco de cimento, os quais geram caixas para embalagens. (BOECHAT et al, 2012, p.9)

O papel, assim como os demais recursos naturais citados, é fundamental em nossa vidas, e assim como os demais recursos, é de grande valor natural, pois milagres de arvores são derrubadas por dia e além da derrubada, há casos de avarias, o que só faz aumentar o numero de desperdício de suprimentos, influenciando diretamente nos impactos ambientais no nosso planeta.

O plástico

O plástico é outro dos recursos oferecidos pela natureza de extrema importância em nossas vidas, ele pode ser definido como um material a base de polímeros, que são classificados em dois grandes grupos quando sofrem processos de aumento de temperatura: - Termoplásticos: polímeros que se fundem por aquecimento e solidificam-se por resfriamento, como o polianeto e o PET ( politereftalto de etileno). - Termorrigidos: polímeros que sofrerão reações químicas por aquecimento transformando-se em substancias insolúveis e infusíveis, como resinas de fenólicas e borracha vulcanizada. Com isso, Boechat et al (2009, pp.10-11) afirma que: “a reciclagem dos plásticos é realizada de diversas formas, considerando-se a origem da matéria prima ou o respectivo processo de reciclagem.” Assim, pudemos conhecer um pouco mais dos recursos que são assunto principal dessa importante ferramenta da Logística Verde, no caso, a reciclagem que além de trazer benefícios para o meio ambiente trás inovação ao mercado consumidor que esta a cada dia mais exigente. O avanço dos sistemas de produção, de informação e de tecnologia aliados a escassez de matéria-prima básica, bem como questões de ordem ecológica e


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ambiental possibilitou o surgimento de um novo perfil de consumidor, um consumidor mais consciente e exigente. Esse novo perfil de consumidor forçou agentes públicos e privados a acompanharem a tendência que, de forma pontual, possibilitou o desenvolvimento dessa nova área. (BOECHAT et al, 2012, p. 16)

ASPECTOS AMBIENTAIS Um dos ramos dessa norma, sendo esta os aspectos ambientais, visam prover um processo que permita a uma organização identificar os aspectos ambientais significativos, recomendando-se que sejam tratados prioritariamente pelo sistema de gestão ambiental da organização. É recomendado que uma organização identifique os aspectos ambientais dentro do escopo de seus sistema de gestão ambiental, levando-se em consideração as entradas e saídas (tanto internacionais quando nacionais) associadas a suas atividades, produtos e serviços, relevantes presentes, passados, modificados. Recomenda-se que este processo considere as condições operacionais normais e anormais, condições de parada e partida, assim como situações de emergência razoavelmente previsíveis. As organizações não tem que considerar que cada entrada de produto, componente ou matéria prima individualmente. Elas podem selecionar categorias de atividades, produtos e serviços para identificar seus aspectos ambientais. Muito embora não existia uma abordagem única para se identificar aspectos ambientais, a abordagem poderia, por exemplo, considerar: a) Emissões atmosféricas; b) Lançamentos em corpos d’agua; c) Lançamentos no solo; d) Uso de matérias primas e recursos naturais; e) Uso de energia; f) Energia emitida, por exemplo, calor, radiação, vibração, etc. g) Resíduos e subprodutos; h) Atributos físicos, por exemplo, tamanho, forma, cor, aparência. Mudanças no meio ambiente, prejudiciais ou benéficas, que resultem total ou parcialmente dos aspectos ambientais, são chamados impactos ambientais. A relação entre aspectos ambientais e impactos ambientais é uma relação de causa e efeito. Um a vez que uma organização pode ter muitos aspectos ambientais e impactos associados, é recomendado que ela estabeleça critérios e um método para determinar aqueles


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impactos que seroa considerados significantes. Não há um único método para que os aspectos ambientais significativos sejam determinados. Contudo, recomenda-se que o método utilizado forneça resultados coerentes e inclua o estabelecimento e a aplicação dos critérios de avaliação, tais como aqueles relativos às questões legais e às preocupações das partes interessadas internas e externas.

Recursos, funções, responsabilidades e autoridades A implementação bem-sucedida de um sistema de gestão ambiental requer o comprometimento de todas os empregados da organização ou que atuam em seu nome. Recomenda-se que as funções e responsabilidades ambientais não sejam vistas como confinantes à função da gestão ambiental, mas que também cubram outras áreas de uma organização, tais como a gerencia operacional ou outras funções de apoio de cunho não ambiental. É também importante que as principais funções e responsabilidades do sistema de gestão ambiental sejam bem definidas e comunicadas e todas as pessoas que trabalhem para a organização ou atuem em seu nome.

Monitoramento e medição As operações de uma organização podem ter uma variedade de características. Por exemplo, as relativas ao monitoramento e medição de descarga de esgoto podem incluir demanda biológica de oxigênio e química por oxigênio, temperatura e acidez. Os dados coletados a partir do monitoramento e medição podem ser analisados para identificar padrões e obter informações. O conhecimento adquirido com essas informações pode ser utilizado para implementar ações corretivas e preventivas. As características principais são aquelas que a organização necessita considerar para determinar como ela esta gerenciando seus aspectos ambientais significativos, atingindo seus objetivos e metas e melhorando seu desempenho ambiental. Quando necessário para assegurar resultados validos, recomenda-se que os equipamentos de medição sejam calibrados ou verificados a intervalos especificados ou antes do uso, contra padrões de medição rastreáveis, a padrões de medições internacionais ou


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nacionais. Se não existem tais padrões, recomenda-se que a base utilizada para calibração seja registrada.

LOGÍSTIVA REVERSA DE PÓS-VENDA Vimos que dentro da Logística Reversa existem duas subdivisões que diferenciam os processos. São estas a Logística Reversa de Pós-Venda e de Pós-Consumo. A tipologia de ambas, de modo geral, é simples: na de pós-venda, os produtos retornam ao ciclo produtivo sem ou com pouco uso, por diversos motivos que partem dos clientes ou mesmo em outras etapas do processo de distribuição; em pós-consumo, o produto já foi consumido e perdeu sua vida útil, e só então neste ponto retorna à cadeia de processos. Denominamos logística reversa de pós-venda a área específica de atuação da logística reversa que se ocupa do planejamento, da operação e do controle do fluxo físico e das informações logísticas correspondentes de bens de pós-venda, sem uso ou com pouco uso, que por diferentes motivos retornam pelos elos da cadeia de distribuição direta. [...] (LEITE, 2009, p. 187)

A implantação da Logística Reversa causa grande impacto dentro de uma empresa, gerando fidelização de clientes e adicionando excelência em fluxos de vendas, uma vez que a aplicação dos Canais Reversos seja eficiente. A assistência técnica de pós-venda, constituída pelas redes de logística reversa interna e externa, é uma das atividades de grande impacto na fidelização do cliente, na imagem de marca e empresarial. Seu equacionamento eficiente e sua organização, nesses casos, revelam-se de grande importância para empresas de bens duráveis em geral, tais como as dos setores de eletroeletrônicos, automotivos, comunicações etc., transformando-se em um dos objetivos de implantação de logística reversa. (LEITE, 2009, p. 186)

A boa implantação da logística reversa de pós-venda pode agregar grande valor ao cliente, pois quando se fala de gerar fidelização, significa que o cliente passa a confiar mais na empresa na qual compra produtos sabendo que esta prestará serviços à ele caso haja alguma variável dentro do processo de distribuição ou se houver avaria direta no produto vendido. É natural se sentir seguro ao fazer uma compra quando se sabe que haverá assistência após o ato da compra, pois já se tornou frequente um consumidor adquirir um produto e por algum motivo não utilizá-lo, assim reencaminhá-lo aos canais diretos de vendas. “A chave para o sucesso da logística reversa é tratar o retorno do mesmo modo como se trata o produto original, mas muitas empresas ainda não conhecem seus custos de retorno.” (LEITE, 2009, p. 192)


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Quando há a necessidade de devolução de bens, é mais comum que o consumidor entre em contado com a empresa fabricante do que com o varejo, pois o varejista nem sempre dispõe de garantia nos produtos que vende. Essa garantia varejista é mais comum em bens duráveis como eletroeletrônicos. Nesse tipo de produto, geralmente já há garantia, mas muitas empresas varejistas estão aderindo técnicas de garantia estendida ao cliente, o que é opcional, e isto consequentemente causa mais segurança na compra e, logo, confiança na empresa.

O PRODUTO LOGÍSTICO DE PÓS-VENDA Os produtos que são devolvidos por diversos motivos, pelo consumidor final ou pelo canal de distribuição direto, podem ser de vários segmentos. O produto logístico de pós-venda, de natureza durável, semidurável ou descartável, constitui-se de bens comercializados por meio de diversos canais de distribuição mercadológicos e que são devolvidos sem uso ou com pouco uso, por diferentes motivos, pela própria cadeia de distribuição direta ou pelo consumidor final. (LEITE, 2009, p. 187)

Ou seja, os produtos que retornam para a cadeia produtiva podem ser classificados como: duráveis, como eletroeletrônicos de metais, que duram muitos anos; semiduráveis, como calçados, que vão se desgastando aos poucos e; não duráveis, que são os produtos consumidos imediatamente, como alimentos e bebidas. Porém, um fator bastante relevante é o tempo de retorno destes produtos a partir do momento em que são levados à distribuição até o ponto em que retornam à produção, pois alguns produtos requerem cuidados especiais de manuseio ou então sofrem rápida obsolescência, e isso gera perda de mercadorias. As quantidades e produtos que fluem nos canais reversos de pós-venda variam de acordo com o tipo de produto, ou seja, de características como sazonalidade, ciclo de vida comercial, giro de estoques, sistema de comercialização estabelecido, obsolescência, impacto do retorno no resultado operacional, condições tecnológicas de remanufatura ou reforma, entre outros motivos. (LEITE, 2009, p. 188)

Vimos acima que as quantidades de produtos devolvidos variam de acordo com alguns critérios. Tais critérios devem ser considerados quando trata-se de percentuais de devolução de produtos de diversos segmentos de mercado. Algumas causas das devoluções de produtos, segundo Boechat et al (2012, p. 24), podem ser: “Prazo de validade expirado; erro de processamento de pedidos; falhas/defeitos;


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avarias no transporte (transbordo, redestinação, baldeação etc); problemas de estoque; garantias; políticas de marketing; outros motivos (extravio, furto, roubo, sinistros etc)”.

FLUXOS REVERSOS DE PÓS-VENDA O destino de produtos de pós-venda podem ser diversos. Podem sofrer remanufatura, ir para o mercado primário, secundário ou mesmo passa a ser descartado por não ter mais chances de reaproveitamento. Existem alguns fluxos reversos de pós-venda dentro dos processos reversos logísticos, que são bem explicados na imagem a seguir:

Figura 2: LEITE, 2009, p. 190

Vimos na imagem acima que os fluxos reversos de pós-venda são complexos e nem sempre em linha. Também é possível visualizar tanto a sua ordem “natural”, tendo seu inicio no fornecedor, indo ao fabricante e assim sucessivamente. Para explicar o fluxo reverso, podemos enfatizar as setas laterais, indicando seu caminho de volta ao fornecedor, que é o responsável pela ação reversa.


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Ao retornarem a um dos agentes da cadeia de distribuição direta, esses produtos poderão ser submetidos a consertos e reformas que permitirão seu retorno ao mercado como produtos novos, ou poderão ser dirigidos a mercados diferenciados, denominados mercados secundários, recapturando valor comercial. Nos casos em que não são possíveis consertos ou reformas, são destinados ao desmanche, como produtos de pós-consumo. (LEITE, 2009, p.196)

É o que ocorre nos processos de Pós-venda, onde primeiramente é feito a coleta do material para sua consolidação e enfim, a seleção de seu destino. Após definido seu destino, o mesmo pode ser encaminhado para a remanufatura, seguido pelo mercado secundário de componentes, do mesma forma que ele pode ser encaminhado para o setor de reparos ou consertos, onde é feito o retorno ao consumidor final. No entanto, conforme a danificação do produto, o mesmo pode ser dirigido ao desmanche, onde acontece a reciclagem industrial.

CATEGORIAS DE FLUXOS REVERSOS DE PÓS-VENDA As categorias de fluxos reversos de pós-venda, segundo Leite (2009, p. 191), são subdivididas em três categorias: Comerciais; garantia/qualidade e; substituição de componentes. O surgimento destas categorias deu-se pois existem muitas e distintas causas de devoluções de produtos, e com tais subdivisões torna-se mais fácil e prático a avaliação da necessidade da forma com a qual deve ser utilizados canais reversos para a coleta destes bens de pós-venda.

Retorno Comercial Dentro das categorias de fluxos reversos de pós-venda, existe uma denominada Retorno Comercial. Dentro desta, existem duas subdivisões para caracterização e melhor compreensão: Retorno Comercial Não Contratual e Retorno Contratual Comercial. Primeiramente, antes de dissertar sobre estes, é válido definir o Retorno Contratual em si. Boechat (2012, p. 26), define: “[...] Tais eventos ocorrem em função de erros de expedição, excesso de estoques no canal de distribuição, vendas em designação, liquidações entre estações de vendas, pontas de estoque, e serão redimensionados a outros canais de vendas.”.


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Retorno Comercial Não Contratual Este tipo de retorno é onde há devoluções em vendas diretas ao consumidor final, ou seja, não há contrato entre intermediários, e sim venda direta por meio de varejistas, ou venda por catálogo, internet etc. Tal evento vem sendo mais aderido nas empresas como uma forma de flexibilização do retorno de seus produtos de forma menos frustrante, independente da legislação que regulam tal prática, a fim de manter e/ou aumentar sua competitividade no mercado.

Retorno Comercial Contratual Este tipo de retorno ocorre quando há acordo prévio entre ambas as partes da negociação de venda, normalmente este acordo é formal. Alguns destes acordos, segundo Leite (2009, p. 193), “[...] justifica maiores prazos entre o recebimento e o retorno do bem, acordos relativos a quantidades predeterminadas de estoques em excesso, acordos relativos à responsabilidade pelo estoque excedente, entre outras modalidades.”. Quando isto ocorre, o processo de retorno deve ser uma operação logística reversa planejada para ser operada.

Retorno por Garantia/Qualidade Leite (2009, p. 196), classifica este tipo de devolução por garantia/qualidade como sendo: “[...] aquelas que ocorrem por defeitos de fabricação ou de funcionamento (verdadeiros ou falsos) dos produtos, por avarias no produto ou na embalagem e outros problemas relacionados aos aspectos de qualidade intrínseca aos produtos vendidos. [...]”. Ou seja, o retorno por garantia/qualidade é o qual geralmente o produto já chegou ao consumidor final, mas apresentou problemas funcionais e então o consumidor entra em contato com a empresa fabricante, normalmente por call-centers, e, com a qualidade comprometida, usa-se a garantia como assistência para assegurar este retorno. Vale frisar que a garantia é um elemento bastante relevante quando trata-se de fidelização de clientes pois, como dito anteriormente, ela gera segurança no consumidor no ato da compra, pois se o produto apresentar problemas diversos, o comprador saberá que pode


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trocar ao invés de perecer com o produto sem utilidade, o que significa dinheiro parado e perdido.

Retorno por Substituição de Componentes O retorno de produtos pelo canal reverso de substituição de componentes decorre da substituição de componentes de bens duráveis e semiduráveis em manutenções e consertos ao longo de sua vida útil, entrando nos canais reversos de remanufaturados. Quando tecnicamente possível, são remanufaturados e retornam ao mercado primário ou secundário, ou são enviados à reciclagem ou ainda a um destino final na impossibilidade de reaproveitamento. (LEITE, 2009, p.197)

Este tipo de retorno normalmente é requerido no segmento de produtos que são constituídos por diversos itens (componentes), eletrônicos, ou automotivos, pois dá-se quando há a necessidade de manutenção, remanufatura ou troca de apenas um dos componentes que formam o produto em si. Algumas empresas, como Cannon e Xerox, utilizam deste serviço e após a remanufatura, envia seus produtos ao mercado como novos.

SELEÇÃO E DESTINO DOS PRODUTOS DE DEVOLUÇÃO Vimos que existem diversas causas de devoluções e meios pelos quais os produtos retornam. Agora veremos qual a seleção e destino específico destes produtos, de acordo com a necessidade. Estas operações podem ser realizadas no varejo, por especialistas em logística reversa ou por fabricantes do bem. Tal operação deve ser realizada com excelência para não perder o valor agregado do bem ou da operação de negociação envolvida. Para isto, é preciso uma avaliação do caso em questão, para ter certeza de que o procedimento escolhido é o ideal. [...] Esta avaliação é uma das fases mais difíceis de realizar, pois os transportes de retorno dos bens oneram o processo de revalorização, e por vezes não compensa retornar ao longo da cadeia um produto que não oferece condições de reutilização, mesmo com remanufatura ou reforma. [...] (LEITE, 2009, p.197)

O destino dos bens não é algo padrão, pois cada tipo de produto requer cuidados diferentes. Vejamos alguns dos mais comuns destinos dados à produtos de pós-venda.


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Venda no Mercado Primário Este tipo de venda normalmente ocorre quando há ajustes em estoques de canais de distribuição direto, onde o produto em si, tampouco sua embalagem, são afetados, então apresentam condições adequadas para serem reenviados ao mercado primário, que é o mercado original de venda, possuindo a marca do fabricante, através de redistribuição.

Reparações e Consertos Neste tipo de retorno, ocorre quando os produtos são destinados à reparações por exigências funcionais, e podem ser comercializados no mercado primário dependendo das condições, porém mais frequentemente é comercializado no mercado secundário pois neste caso o produto por vezes não apresenta mais todos os critérios absolutos que um produto novo.

Doação Leite (2009, p. 198), define este tipo de destino como sendo: “A doação normalmente é o destino de produtos retornados quando existe interesse de fixação da imagem por parte do fabricante e em geral é associada a produtos com certo grau de obsolescência.”. Tal tipo de destino geralmente é comum em caso de computadores, por exemplo, que tem vida útil média curta por baixa capacidade de atualização (ou seja, como este tipo de produto é reinventado frequentemente com tecnologias mais elevadas, perde-se o valor dos mais antigos), mais que ainda causam interesse em lugares onde, mesmo ultrapassados, são necessitados, como países pobres.

Desmanche (canibalização) Neste caso, é onde o produto em si como um todo não apresenta mais funcionalidade, mas é portador de peças (componentes) que podem ser reutilizados apresentando valor de uso. Um exemplo desta categoria é de peças de veículos que retornam ao mercado secundário.


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Remanufatura O processo de remanufatura ocorre quando os componentes do desmanche de bens retornados apresentam defeitos e devem ser refeitos para encaminhamento ao mercado secundário. Muitas empresas de grande porte utilizam os sistemas de desmontagem de componentes e revisão para alimentar seu mercado de peças de reposição, recuperando importantes valores. (LEITE, 2009, p. 198)

Muito citamos o processo de remanufatura acima nos tópicos anteriores, e Leite faz uma definição bastante clara em relação à este processo bastante utilizado na logística reversa de pós-venda.

Reciclagem Industrial Os produtos que retornam à cadeia produtiva sem estarem consumidos, os de pósvenda, também podem ser enviados à reciclagem industrial como os produtos já consumidos, denominados de pós-consumo. Isto pode ocorrer quando o produto é enviado ao cliente sem estar devidamente conferido e não apresenta funcionalidade alguma e não é interessante para a empresa remanufaturá-lo, ou quando ocorrem acidentes de carga no momento da distribuição e os produtos, ou algumas peças, são bastante danificadas e perdem sua funcionalidade. São nestes momentos que a empresa pode ver mais interesse comercial ou de valor na reciclagem de bens ou componentes do que veria na remanufatura. Pode haver contratos entre empresas produtoras com empresas especializadas em reciclagem. Um bom exemplo é o caso dos metais, que são matérias-primas bastante usadas em reciclagem, pois é uma matéria utilizada em grande escala, a qual também sofre bastante danos durante processos de manufatura incorretos ou manuseio por parte de empresas ou consumidores.

Disposição Final Leite (2009, p. 198), descreve o processo de destino de disposição final de produtos como sendo “Não havendo outra solução para agregar valor de qualquer natureza ao produto retornado ou a suas patês ou materiais, eles são destinados a aterros sanitários ou ao processo de incineração, dependendo as peculiaridades de cada país ou região.”.


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OBJETIVOS ESTRATÉGICOS DA LOGÍSTICA REVERSA DE PÓS-VENDA No decorrer deste estudo, até aqui, pudemos ver os diversos objetivos estratégicos da logística reversa de pós-venda. Dentre alguns deles, de forma clara, Leite (2009, p. 203), destaca alguns: “[...] podemos considerar principalmente a revalorização econômica dos bens retornados, a obediência às legislações ecológicas e a busca de competitividade, por meio de diferenciação de serviços. [...]”. Ou seja, a prática da logística reversa de pós-venda traz benefícios práticos tanto para as empresas quanto para os clientes, no ponto de vista de serviços prestados. Abordaremos tais objetivos em alguns tópicos separadamente, para melhor compreensão.

Objetivo econômico As empresas visam sempre qualidade, espaço no mercado e, sem hipocrisia, lucratividade. Na prática da logística reversa de pós-venda, também há interesse econômico intrínseco. As empresas visam a recuperação de valor através dos bens de pós-venda, de alguma maneira. Esta recuperação de valor, consequentemente, faz com que surja revalorização econômica no investimento de capital em suprimentos. É válido enfatizar outra vez que o tempo é um fator-chave para a recuperação de valor, pois muitos produtos não resistem ao tempo quando perecem fora de uso, e então tornam-se inúteis tanto para o consumidor quanto para o fabricante.

Objetivo Competitivo Os objetivos de competitividade desta área da logística reversa, pós-venda, já foram pincelados acima. Mas vamos nos aprofundar um pouco mais. Uma empresa que oferece serviços de pós-venda de seus produtos, consequentemente passa a ter um diferencial em relação as que não o fazem, principalmente seus concorrentes. Desta forma, tal organização passa a ganhar preferência — ao menos quanto trata-se de atendimento e prestação de serviços. Mas não é apenas isto. Existem outros aspectos de grande relevância no campo competitivo empresarial. Leite (2009, p. 205), nos dá uma explicação sobre isto: “[...] Critérios como qualidade do produto, funcionalidade dos modelos,


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recursos adicionais e tantos outros tornam-se qualificadores no mercado, deixando de constituir diferenciais efetivamente perceptíveis aos clientes.”. Portanto, existem outros critérios que nos permitem visualizar na prática o quê a logística reversa de pós-venda objetiva e visa, através de sua aplicação. As vantagens da logística reversa de pós-venda podem variar de acordo com o quê a empresa visa quando adota esta prática. A logística reversa de pós-venda, por seu turno, permite à empresa oferecer serviços que a tornem mais competitiva no mercado, acrescentando valor perceptível a seus clientes, pelo gerenciamento do retorno dos produtos de pós-venda, reduzindo os excessos de mercadorias retornadas, equacionando seu retorno e realocando os estoques excedentes do cliente. Essas atitudes propiciam maior espaço de loja para produtos de alto giro, garantem estoques de produtos com tempo mais curto de vida e reduzem as áreas de estocagem de produtos devolvidos, entre outras possibilidades. (LEITE, 2009, p. 206)

Existem alguns casos práticos dos objetivos estratégicos da logística reversa de pósvenda disponíveis para avaliação. Vejamos um deles. De acordo com Boechat et al (2012, p. 206), nos Estados Unidos, foi realizada uma pesquisa entre uma quantidade bastante grande de empresas de diversos segmentos, onde foi solicitado que, considerando a importância da logística reversa, escolhessem algumas categorias de objetivos da mesma. As categorias escolhidas foram: 

Aumento da competitividade — objetivando alcançar um diferencial competitivo entre outras empresas;

Limpeza de canal — visando auxiliar clientes no sentido de manter os níveis de estoques controlados;

Respeito às legislações — Implantação da logística reversa visando preservação e obediência legal ecológica;

Recuperação econômica — Esta categoria trata-se da revalorização econômica do bem que retorna, visando canais reversos alternativos, para obter um interessante valor residual;

Valorização de ativos — Objetivo que visa remanejar ativos ou estoques para recuperação de valor.

O resultado desta pesquisa, em percentuais, segue abaixo:

MOTIVO ESTRATÉGICO

PORCENTAGENS DE EMPRESAS RESPONDENTES


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Aumento de competitividade

65,2%

Limpeza de canal — estoques

33,4%

Respeito às legislações

28,9%

Revalorização Econômica

27,5%

Recuperação de Ativos

26,5%

Fonte: LEITE, 2009, p. 2006 apud. Rogers e Tibben-Lembke (1999)

PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PÓS-VENDA Ao desempenhar operações de produção, a empresa visa alguns objetivos. Alguns autores destacam cinco deles como os mais emergentes e predominantes: qualidade, rapidez, confiabilidade ou eficácia, preço e flexibilidade operacional. Leite disserta sobre estes: [...] Observe-se que, dentre esses diversos objetivos que poderão dirigir as ações estratégicas das organizações, dois deles (qualidade e preço) referem-se a condições intrínsecas ao produto ou serviço oferecido aos clientes, enquanto três (rapidez, confiabilidade e flexibilidade) referem-se às condições de prestação de serviços aos clientes. (LEITE, 2009, p. 207)

Muitas empresas estão valorizando mais a prestação de serviços pós-venda por relevarem mais suas vantagens, já citadas no tópico anterior. Coma quantidade alta de empresas existentes no mundo de mesmo segmento, cada vez mais se torna difícil para o cliente perceber características individuais que diferencie um produto de marca X em comparação a um de marca Y. Por isso, vê, sendo necessário que as empresas adotem práticas que as diferencia, para conquistar a fidelização de seus clientes e consumidores. Os tipos de prestação de serviços podem ser diferenciados por: serviços anteriores à venda, onde permite que o cliente entenda toda a funcionalidade do produto, através de uma assistência, antes de consumar o ato da compra; serviços durante a venda, que referem-se a flexibilidade de vendas, cuidados de atendimento durante a venda etc.; e serviços de pósvenda, quando o cliente já aderiu o produtos, que tratam-se de aspectos como atendimento ao consumidor, garantia, conserto ou reparo mesmo fora da garantia etc. Destaca-se, desta forma, um fluxo logístico reverso externo à empresa, que é organizado para captar e consolidar os produtos a serem consertados e que é planejado levando em consideração os aspectos logísticos de dimensionamento e localização dos recursos próprios ou de terceiros disponíveis e um fluxo logístico reverso interno à organização, que deve garantir a alimentação de pecar de reposição para os consertos. (LEITE, 2009, p. 207)


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Podemos entender este fluxo da seguinte maneira: Por exemplo, há um aparelho (de segmento e marca irrelevantes) com defeito > o cliente entra em contato com a assistência técnica (selecionada por nível do problema do aparelho) > sendo complexo o defeito, o produto vai para um centro especializado > passa ao fabricante > há a reparação, substituição de peças novas e retorno de peças defeituosas substituídas. Tendo este fluxo, onde os aparelhos já estando concertados, as etapas repetem-se reversamente, ou seja, partindo do fabricante até o cliente. Quando se trata de prestação de serviços ao consumidor, é de extrema relevância falar sobre o código de defesa do consumidor. Leite (2009, pp. 209-210) cita artigos que retratam isso. Vejamos alguns desses artigos a seguir. •

Art. 6° São direitos básicos do consumidor: a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade e preço, bem como sobre os riscos que apresentem.

Art. 8° Os produtos e serviços colocados no mercado de consumo não acarretarão riscos à saúde ou segurança dos consumidores, exceto os considerados normais e previsíveis em decorrência de sua natureza e fruição, obrigando-se os fornecedores, em qualquer hipótese, a das as informações necessárias e adequadas a seu respeito.

Art. 10° O fornecedor não poderá colocar no mercado de consumo produto ou serviço que sabe ou deveria saber apresentar alto grau de nocividade ou periculosidade à saúde ou segurança.

Art. 12° O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador respondem, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos.

Art. 18° Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade, com as indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as


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variações decorrentes de sua natureza, podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciadas. •

Art. 21° No fornecimento de serviços que tenham por objetivo a reparação de qualquer produto considerar-se-á implícita a obrigação do fornecedor de empregar componentes de reposição originais adequados e novos, ou que mantenham as especificações técnicas do fabricante, salvo, quanto a estes últimos, autorização em contrário do consumidor.

RETORNOS DE PÓS-VENDA — ASPECTOS LOGÍSTICOS Os produtos, como já visto, têm necessidades mercadológicas pelo fato de as empresas precisarem equacionar racionalmente seus fluxos de produtos, no caso, fluxos reversos. Contudo, nos processos logísticos, existem muitas peculiaridades decorrentes, talvez, de ausência de cuidados importantes no manuseio de produtos. Quando os produtos retornam pelos canais reversos, muitas vezes chegam com embalagem danificada ou sem embalagem alguma. Até este ponto, se considerarmos um produto que já havia estado em mãos do consumidor, é até compreensível que a embalagem não esteja integra, pois o natural é que o consumidor já tenha tido contato direto com o produto antes de ter a necessidade de devolvêlo. Entretanto, existem outras peculiaridades decorrentes de processos logísticos, como a falta de identificação no produto, causando diversidade de modelos em mesma carga, diferentes volumes de produtos em uma mesma carga, entre outros. Estas heterogeneidades fazem com que os processos logísticos precisem ocorrer com planejamento para só assim alcançarem a eficiência. A concepção da cadeia reversa de pós-venda varia em função das origens dos produtos e seus destinos, mas enquadra-se nas características gerais que envolvem a coleta dos produtos a retornar, consolidações geográficas e de quantidade, seleção de destino dos produtos retornados, redistribuição dos produtos reaproveitados. (LEITE, 2009, p. 211)

Como visto na citação acima, a cadeia reversa de pós-venda possui algumas características gerais, e isto facilita o entendimento desta, logo facilita o planejamento das operações que são desde as origens na fase de coleta dos produtos, podendo ser útil para determinar recursos de transporte e instalações de consolidação de retorno.


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COLETA DOS BENS DE PÓS-VENDA Os bens de pós-venda que são coletados, geralmente terão retorno pelos mesmos canais diretos, que são os mesmos integrantes da cadeia que vai desde o fabricante até o consumidor. O número de pontos de coleta, função da dispersão geográfica da distribuição direta, condicionará o número de consolidações e os custos correspondentes do transporte, fator fundamental das coletas. Em geral, as quantidades de retorno não constituem cargas completas, acrescentando-se os custos devidos à falta de escala econômica e à heterogeneidade da relação peso/volume e preço/volume dos produtos. [...] (LEITE, 2009, p. 211)

Estas condições especiais tratando-se de processos de logística reversa muitas vezes tornam-se sugestivas quanto à contratação de especialistas neste ramo logístico. Assim, o serviço pode tornar-se mais eficiente, pois estes terceirizados transportam os bens para centros de consolidação reversos onde terão destino adequado, e essa eficiência de processo gera aumento econômico.

CENTROS DE DISTRIBUIÇÃO REVERSOS Falemos agora sobre o tema Centros de Distribuição Reversos. Segundo Leite (2009, p. 212), “Um centro de distribuição reverso tem como objetivo o recebimento de todas as mercadorias retornadas por diferentes motivos e de diferentes regiões para que sejam identificadas, selecionadas e destinadas ao canal reverso para melhor solução de recaptura de valor.”. Antigamente, as empresas recebiam suas mercadorias de retorno nos próprios centros de distribuição diretos. Entretanto surgiu a necessidade da criação de centros de distribuição reversos, pois as quantidades retornadas de bens aumentaram devido à diminuição do tempo de vida útil dos produtos em geral. O uso destes centros de distribuição podem trazer algumas vantagens administrativas e práticas. Dentre tantas destas vantagens, Leite (2009, p. 212), enfatiza algumas das principais como: “[...] consolidar quantidades, permitindo economias de escala em revalorizações dos produtos e economia de espaço de estoques nas origens do retorno, obter feedback de qualidade e performance de seus produtos e de estabelecimento da decisão do destino a ser dado ao lote.”.


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TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO NA LOGÍSTICA REVERSA Nesta era tão globalizada em que vivemos, tecnologias de informação vêm sendo aplicadas em todos os ramos de mercado de trabalho, pois além de facilitarem e controlarem melhor as operações, elas vêm sendo necessárias pelo aumento de demanda da maioria dos segmentos mercadológicos. Já existem diversos sistemas de informação que são usados em processos logísticos, e para a logística reversa existe a mesma necessidade. Estes sistemas de fluxos de informação devem prever escalas para que assim trabalhe-se com mais precisão a heterogeneidade de produtos que são retornados. Contudo, não existem muitos softwares comerciais que se adaptam a qualquer tipo de empresa, então muitas delas implantam seu próprio sistema de informação. Este fato ocasionou a criação de empresas especializadas apenas na criação de softwares para este ramo. Principalmente tratando-se de logística reversa, tema emergente nos últimos anos, a disponibilidade de softwares ainda é precária. Com exceção de empresas líderes no mercado, para a maioria das empresas, os produtos de retorno são considerados ainda, em grande parte, um ‘problema’ a ser resolvido, e geralmente os sistemas de informações de distribuição direta não incluem os retornos de pós-venda, o que dificulta o controle dos fluxos de toda a cadeia reversa. (LEITE, 2009, p. 213)

Pela complexidade do retorno de produtos, por todos os fatores já mencionados antes como heterogeneidade de embalagens, existem códigos de identificação específicos para os casos mais frequentes. Os códigos utilizados em situações de retorno são, em linhas gerais, os seguintes: reparos na fábrica, manutenção, erro de pedido, erro de entrada, erro de expedição, embarque incompleto, quantidade errada, pedidos duplicados, avaria no produto, produto sem funcionamento, produto defeituoso, estoque em excesso, ajustamento de estoque, estoque obsoleto etc. (LEITE, 2009, p. 213)

Vimos, portanto, que para que a execução de operações reversas de logística de pósvenda sejam exitosas, é preciso uma série de requisitos, muitos deles disponíveis. Entretanto, é válido enfatizar outra vez que a base para que este e qualquer outro processo sejam devidamente realizados é planejamento. Sem planejamento de tarefas, o que é algo teórico, as coisas na prática não funcionam tão bem quanto poderiam funcionar — ao menos com uma boa dose de sorte. Mas, no mercado de trabalho, sorte é um fator extremamente incerto com o qual não se pode contar.


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IMPORTÂNCIA DAS EMBALAGENS NA LOGÍSTICA REVERSA A embalagem faz parte de todas as funções da logística. Abrangendo as áreas de armazenamento, movimentação de materiais, manuseio e transporte. Desta interação podemos então conseguir redução significativa dos custos, a redução tempo na entrega final do produto, redução de perdas e avarias e aumento do nível de serviço ao cliente. A utilização de uma boa embalagem ajuda a vender o produto a um melhor preço e contribui para o aprimoramento a qualidade. A utilização de uma embalagem deficiente pode ser uma visão míope de quem está desenvolvendo o produto, pois a embalagem deve ter satisfação técnica e exercer as funções necessárias. (GURGEL, 2008, p. 299)

A interação da embalagem com essas operações logísticas deve se iniciar no planejamento da mesma, pois nesta etapa são definidos aspectos fundamentais, que irão influenciar todo o processo, como: dimensões, tipo de material, design, custo e padronização dessas embalagens. Dentro dessa interação entre as embalagens e a logística, existem as principais funções anexadas às embalagens, que são as funções de contenção, comunicação e proteção. A função de contenção está relacionada à contenção – como o próprio nome diz – do produto, servir de receptáculo para que não ocorra nenhum vazamento de dentro dessa embalagem. A função de comunicação que permite levar informação sobre o produto para seus intermediários e clientes, utilizando de ferramentas como símbolos, cores e impressões. E por fim, porém não menos importante, a função de proteção. Essa função possibilita o manuseio adequado do produto até o seu ponto de venda e/ou até o consumidor final, sem que ocorram danos na embalagem, e/ou produto. Também com relação a esta função deve-se estabelecer o grau desejado de proteção a determinado produto, para que dessa forma aja a proteção minuciosa do produto a ser embalado. Um tipo de embalagem primária, bastante conhecida e utilizada em processos de movimentação física é o plástico-bolha. Vejamos a seguir.

Plástico-Bolha Comumente conhecido como embalagem primária de produtos de alta sensibilidade física, sobretuno no momento do transporte, o plástico-bolha foi criado em 1957, por acidente,


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por dois engenheiros que tentavam criar um plano de fundo de plástico texturizado com um verso facilmente limpado. O termo popular é marca registrada da Sealed Air Corporation (EUA) que foi fundada em 1960 por estes inventores e teoricamente só pode ser usado pelos produtos desta companhia. Ele é produzido em filme de polietileno de baixa densidade, com bolhas de ar prensadas.

Características Proteção contra choques mecânicos. Fácil manuseio, leveza, atóxico, impermeável, flexível, termo-soldável, resistente à maioria dos produtos químicos comerciais, transparente e reciclável.

Formatos Medidas comercializadas: Largura: 1300 mm; Comprimento: 100 mm; Diâmetro da Bolha: 5 a 25 mm; Disponível em Bobina.

Cores Transparente, Verde, Azul, Rosa, Vermelha, Amarela, Prateada, Roxo.

Aplicação/utilização Embalagem de proteção para indústrias de automobilística, moveleira, metalúrgica, alimentícia, eletroeletrônica, vidraceiro e supermercados. É essencial para proteger peças como lustres, louças e metais sanitários.


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Isopor EPS é a sigla internacional do Poliestireno Expandido, de acordo com a Norma DIN ISSO-1043/78. No Brasil, é mais conhecido como "Isopor®", marca registrada da Knauf Isopor Ltda. É um material constituído de Poliestireno, derivado do petróleo. Trata-se de uma resina classificada como termoplástico, de fácil flexibilidade ou mobilidade sob ação do calor. Descoberto por Eduard Simon, em Berlim em 1839, é uma termo plástico duro e quebradiço, com transparência cristalina, semelhante ao vidro, descoberto acidentalmente a partir de uma resina de âmbar destilada. Elas são produzidas a partir de projetos específicos, de acordo com as necessidades de cada cliente e de cada produto, garantindo assim, uma proteção eficiente durante o transporte, manuseio, armazenamento e distribuição das mercadorias. Assim, possui como vantagens: 

Permite maiores níveis de empilhamento;

Pode ser transportado em qualquer posição;

Redução no custo final da embalagem;

Facilidade ao desembalar;

Baixo peso.

Contudo, o EPS não é biodegradável, porem é um material reciclável. Desta forma, existem varias formas de reciclar o isopor, tanto mecanicamente quanto quimicamente, e a utilização do material reciclado pode ser usado em blocos de construção, solados de sapato, colas, solventes, molduras e etc.

Papelão O papelão é um tipo mais grosso e resistente de papel, geralmente utilizado na fabricação de caixas, podendo ser liso ou enrugado. É produzido dos papéis compostos por fibras da celulose, que podem ser virgens ou reciclados. Por este motivo o papelão e seus produtos são frequentemente alvo de processos de reciclagem, gerando toda uma indústria deste processo, desde sua coleta até a sua logística e reprocessamento na indústria de produção de papelão.


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O tipo mais comum de papelão é o papelão ondulado, composto de três camadas. Tomando como exemplo uma caixa de papelão, teremos a camada mais externa, que tem função de proteção e revestimento. A camada intermediária, também conhecida como "enchimento", é a camada mais volumosa, geralmente composta de um papel grosso disposto de forma ondulada. Finalmente, temos a camada mais interna, com função de revestimento da mesma forma que a primeira camada, porém sendo de um material menos grosseiro.

Palha A palha é basicamente um subproduto vegetal, derivado de algumas gramíneas, sobretudo cereais que, após desidratadas, são geralmente utilizadas para absorver e evitar impacto entre peças como porcelana, vidro, cristais, lâmpadas, enfim, pecas que são frágeis e requerem cuidados especiais. A palha é prática, econômica e resistente, comportando-se como um amortecedor, realiza o enchimento de caixas para evitar o choque entre as peças, reduzindo, assim, a incidência de danos durante o transporte.


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REFERÊNCIAS MARTINS, Petronio G.; LAUGENI, Fernando P./ Administração da produção – 2. ed. rev., aum. e atual – São Paulo: Saraiva, 2005. GURGEL, Floriano C. A./ Administração do produto – 2. ed. – 3. reimpr. – São Paulo: Atlas, 2008.

DOS SANTOS, Pablo Silva Machado / Guia prático da política educacional no Brasil: ações, planos, programas e impactos – São Paulo: Cengage Learning, 2012.

FOSSATI, Kleber; FLEURY, Paulo Fernando; WANKE, Peter / Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos: planejamento do fluxo de produtos e dos recursos – 1. ed. – 4. reimpr. – São Paulo : Atlas, 2008. – (Coleção Coppead de Administração)

FLEURY, Paulo Fernando; WANKE, Peter; FOSSATI, Kleber / Logística empresarial: a perspectiva brasileira – 1. ed. – São Paulo: Atlas, 2009. – (Coleção COPPEAD de Administração)

BOWERSOX, Donald J.; CLOSS, David J. / Logística empresarial: o processo de integração da cadeia de suprimento / tradução Equipe do Centro de Estudos em Logística, Adalberto Ferreira das Neves; coordenação da revisão técnica Paulo Fernando Fleury, Cesar Lavalle. 1. ed – São Paulo: Atlas, 2009.

BALLOU, Ronald H. / Logística Empresarial: transportes, administração de materiais e distribuição física / tradução Hugo T. Y. Yoshizaki – 1. ed. – São Paulo: Atlas, 2008. LEITE, Paulo Roberto / Logística Reversa: meio ambiente e competitividade – São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. LOPES, Edson Pereira / Trabalho Científico – teorias e aplicações – São Paulo: Editora, 2009.


Logística Reversa