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No dia seguinte, ela tocou à campainha, abri-lhe a porta e expliquei-lhe quem eu era, a minha história, a nossa situação e dei-lhe emprego e habitação. Charity começou a morar lá em casa apaixonando-nos cada vez mais, a cada dia que passava. Anos passaram e já nos conhecíamos completamente um ao outro, já não havia segredos entre nós, exceto um! Sempre escondi qual era o meu criador e pelo qual tinha esta personalidade. Num dia calmo e frio de Inverno, para minha surpresa, o meu pesadelo tornou-se realidade. Milton chegou a casa, voltando depois de 7 anos na prisão! - Olá novamente, eu próprio! – grita Milton, todo contente. - Olá! – respondo-lhe eu, nervoso. - Como foram estes anos sem mim, meu caro colega? - Bons… Bons… A Charity morou cá, mas ontem, foi mesmo ontem, em que ela me disse que estava farta e para eu não lhe perseguir através do meu sistema complexo. (Estou com medo, é a primeira vez que lhe minto… O que irá acontecer?...) - Oh, OK. Perdi a oportunidade de uma vida. Milton vai para a cozinha, de cabeça baixa, preparar um lanche para si, até que o ouço a berrar: - Tens a certeza que a Charity se foi embora? - Tenho! O que é que aconteceu?! - Está aqui um relógio e parece-me de senhora… - Deve-se ter esquecido! – respondi-lhe eu. De repente, ouço o rodar da maçaneta da porta da frente e entra a Charity, acabando de chegar do seu emprego. (FUI APANHADO! E AGORA?! Eu nunca menti ao meu criador…) - Quem é esta senhora? – perguntou-me ele. - Eu sou a Charity… Olá… Bem-vindo à nossa casa! – responde a Charity, nervosa, não conhecendo Milton.


- O quê? NOSSA CASA?! – revolta-se Milton. - Eu explicar-lhe-ia mais tarde! – digo-lhe eu, tentando acalmá-lo. - Não quero explicações! TU NUNCA ME MENTISTE, não foste programado para isso…! - Desculpe, Milton… – estava assustado. Vejo Milton a meter a mão às costas e aponta-me uma pistola… Serei eu destruído?! Terei eu um funeral? A Charity grita e começa a correr em direção a mim. Sinto algo em mim… e, sem querer, digo “Dispositivo desconhecido encontrado”. ERA UMA PEN! Consegui transferir a maioria dos meus “genes” para a pen, salvando-me e assim… … - Porquê?! Por que o mataste?! – ouço eu a voz da Charity, como se estivesse muito longe. - Ele agora é um humano e não um simples software…


Final 'Verdadeiro Amor'