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jeto Leopard. Este poderoso software permite potenciar a ação administrativa da Manutenção, com melhorias significativas na requisição de sobressalentes ou gestão de pedidos de Manutenção e Ordens de Trabalho.

Fig. 3 - Pormenor de um dos esquemas elétricos, e manual de teste FLOK. A maioria das avarias nos subconjuntos é identificada com recurso a esta informação.

nas sombras”. A Manutenção da Brigada foca-se em manter o estado operacional de um sistema, desenvolvendo tarefas que se centram em dois pilares: Manutenção Preventiva e Manutenção Corretiva. Enquanto a primeira se caracteriza pela substituição e afinação de componentes e lubrificantes antes do fim da vida útil, a segunda centra-se em mitigar um desgaste ou acidente imprevisto. No âmbito da Torre, as Manutenções Preventivas começam com as guarnições, na Manutenção de Unidade, onde são intervencionadas e detetadas a maioria das avarias. “O mecânico no GCC tem também uma função de mentoria. Os utilizadores são quem cuida realmente na viatura, e os primeiros a detetar anomalias. São a primeira linha de intervenção. “O custo e tempo da manutenção preventiva são muito menores quando comparados às intervenções corretivas” refere o 1SAR Gonçalo Lino, que, colocado no QCav, mais tempo acompanhou as guarnições. A sua função era a de detetar avarias e encaminhá-las para a CMan/BApSvc quando a sua resolução não era possível na Unidade.

A segunda linha de manutenção é o Apoio Direto. Em Portugal, é atualmente a última linha de intervenção dos equipamentos para os Leopard. É na Secção de Armamento e Torre (SecArmTor) da Companhia de Manutenção (CMan) que se encontra a maioria da informação relativa à Torre do CC Leopard, e é comum depararmo-nos com largas folhas de esquemas elétricos dos componentes espalhadas pelas mesas, a maioria em alemão. “WNA”, “FCU”, “PERI GRT”, são siglas largamente faladas pelo “Torrês”, e chegam a ser alvo de humor pelas restantes secções da CMan. As siglas descritas dizem respeito a subconjuntos que completam a Torre do Leopard

Atoleiros

Nº32 - abril 2018

2A6, e são normalmente o máximo que se faz em Portugal, para voltar a dar “garras à fera”. Se o problema se identifica num destes conjuntos, o destino do mesmo são as empresas especializadas, normalmente na Alemanha, a cargo da Direção de Material e Transportes (DMT).

A Secção de Controlo Oficinal (SCO) modera todas estas operações. Responsável pelo controlo da manutenção na BrigMec, é uma entidade fundamental na articulação dos trabalhos realizados pela CMan. O SAJ Nuno Ferreira é o responsável pelos Leopard. Integrou a equipa inicial, como técnico de Casco. Atualmente, gere as capacidades da SecArmTor e Secção de Lagartas, as potencialidades do PelReab, as necessidades do QCav e as orientações do Escalão Superior, do Comandante da CMan à DMT. Entre cliques de rato, vai dominando o ManWinWin, a plataforma de gestão de manutenção utilizada no pro-

Diogo Alves é a entidade final na cadeia de distribuição do material Leopard. Soldado no Pelotão de Reabastecimentos (PelReab), tem há anos a tarefa de atribuir os sobressalentes e consumíveis para o projeto Leopard. A sua experiência, aliada ao conhecimento quase enciclopédico, dão um forte apoio à Manutenção, caracterizados pela flexibilização dada ao fornecimento de material. O SAJ Joaquim Gomes (Cmdt PelReab) garante que toda esta flexibilidade e prontidão não chocam com as diretrizes do Escalão Superior, em matéria de Reabastecimentos. O trabalho vai-se desenrolando ao longo do ano. Entre as manutenções corretivas, vão-se realizando as manutenções preventivas, também apelidadas de sistemáticas, que nos permitem uma identificação atempada de muitas avarias, uma vez que a lista de itens a avaliar ultrapassa as 200 verificações distintas, por viatura. O trabalho é considerável, com uma média de 3 dias por viatura. As manutenções corretivas são a “alma do negócio” e as que necessitam de maior emprego de meios, e as que mais retêm o Leopard 2A6. São recorrentes num sistema desta complexidade, e são a parte mais desafiante do nosso trabalho. As bases que nos foram ministradas são constantemente testadas, e o apoio das equipas da manutenção de algumas empresas que desenvolveram o projeto (maioritariamente a RLS e a KMW) são ajudas preciosas na resolução das avarias mais

Fig. 4 - Controlos do apontador do CC Leopard 2A6. A troca de conjuntos é uma atividade fundamental para garantir a operacionalidade do sistema.

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Revista Militar da Brigada Mecanizada

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