Page 32

Pa r te I I I - Meios O per aci onai s

E s q u a d r ã o de Reconheci mento A Po n t a d a L a n ç a d a Fo rç a D e c is iv a

Alf Cav Daniel Valério - Cmdt 2Pel/ERec/BrigMec

Ciclo de Decisão O papel do Comandante é Decidir. Para atingir o seu propósito é apoiado por um Estado-Maior que lhe garante as possibilidades e informações para a sua Decisão. Um modelo que representa de forma simples um ciclo de Decisão1 é o OODA-Loop2, Observar-Orientar-Decidir-Agir. Este modelo baseia-se no princípio em que para alguém executar uma ação necessita inicialmente de fazer uma observação de algo (Observar), ordenar o que viu ou soube segundo os seus modelos e parâmetros (Orientar), conseguindo tomar uma Decisão sobre esse facto/ação e a forma como o associou (Decisão) e Agir para se adaptar a esse facto. Quanto mais rápido este processo decorrer, mais rápido se atinge a Execução e se garante a adaptação perante a nova situação. Este modelo pode ser adaptado a uma Não se pretende aludir ao Processo de Tomada de Decisão Militar, mas sim a um modelo mental das fases da Decisão. Conceito criado pelo Coronel da Força Aérea Americana John Boyd no seu Briefing “Patterns of Conflict”, disponível em http://www.ausairpower.net/JRB/poc.pdf.

1

2

30

guarnição de um Carro de Combate (CC) que observa e reage perante uma ameaça individualmente, como a uma Companhia de Atiradores (CAt) que tem de adaptar o seu dispositivo para reagir a uma ameaça que ponha em causa a sua missão, como ao nível de um ERec que recolhe notícias e responde às necessidades da Brigada, garantindo-lhe a possibilidade de reagir à M/A do Inimigo. O conceito prescreve que a todos os níveis existe este ciclo de decisão e que o Inimigo o executa de igual forma. Para nos superiorizarmos a ele basta-nos reduzir o tempo do nosso ciclo para que seja menor que o dele, e se conseguirmos repetir isto vezes suficientes, então garantimos que a nossa Ação seja cada vez mais rápida e adaptada à nova realidade, o que nos garante o sucesso. Todas as fases são essenciais, e o ideal seria executá-las todas de forma mais rápida que o Inimigo, no entanto basta que executemos uma delas de forma mais rápida e as outras no mesmo tempo para que eventualmente nos superiorizemos. Guerra de Manobra Com vista a superiorizarmo-nos ao Inimigo falamos hoje no conceito de Guerra de Manobra que é descrito como “Uma maneira de lutar de forma inteligente, de pensar melhor que um oponente que não conseguimos destruir por força bruta.”3 (Lind, 1985, p. 2) e que segundo o mesmo autor para ser atingido com sucesso deve basear-se em três filtros, “Ordens Tipo Missão”, “Superfícies e Espaços” e “Schwerpunkt”. As “Ordens Tipo-Missão” centram-se sobre o Comandante dizer o que pretende, sob a forma de uma Missão e Intenção e dar liberdade aos subordinados para planear a Execução, atingindo-se o princípio do Comando-Missão sendo que o presente artigo não se centra neste conceito. O conceito de “Schwerpunkt” define-se livremente por Ponto de Esforço, não se centra especificamente num local, mas sim numa unidade e na sua missão. A definição da unidade que é o “Esforço” garante o foco de toda a força para apoiar a concretização da missão daquela unidade num determinado local, segundo Lind (1985). O local onde o “Esforço” vai ser empregue deve ser o ponto onde nos garante mais sucesso, onde o Inimigo se apresenta mais débil. É aqui que entra o conceito de “Superfícies e Espaços”. 3

Tradução livre do autor.

Uma “Superfície”, segundo Lind (1985) é um local onde o Inimigo é forte e um “Espaço” é um local onde o Inimigo é fraco. No entanto deve analisar-se as “Superfícies e Espaços” segundo o tipo de força que somos. Uma Bateria de Artilharia Antiaérea para uma esquadrilha de F-16 é uma “Superfície”, no entanto para um Subagrupamento forte em CC é um “Espaço”, já que não representa uma ameaça significativa. Como outro exemplo, podemos pensar que uma posição sumária com Armas Anticarro representa uma “Superfície” para um Pelotão de CC mas para um Pelotão de Atiradores apeado, que se consiga aproximar sem ser detetado, não representa uma ameaça substancial. As “Superfícies e Espaços” devem ser vistas como um conceito flexível mediante os nossos meios, sendo que idealmente devemos aproveitar os Espaços para garantir o sucesso, ou no limite criar condições para as “Superfícies” se tornarem “Espaços”, como é o caso de uma Abertura de Brecha. A visão de Guerra de Manobra de William S.Lind preconiza que se Procure os “Espaços” com vista a definir o “Schwerpunkt” para aumentar a probabilidade de sucesso. Aliando a esta visão, o conceito de OODA-Loop em que a primeira fase é Observação, percebemos facilmente que se executarmos a Observação de forma eficiente e rápida, procurando os “Espaços” garantimos a capacidade ao Comandante de definir o “Schwerpunkt” de forma eficiente. Na combinação destes conceitos entendemos que “Primeiro, precisamos de planear um ataque de uma posição de vantagem relativamente ao inimigo. Em segundo lugar, temos de identificar através de operações de reconhecimento essa posição de vantagem de onde pretendemos atacar”4 (Hastings, 2017) e concluímos assim que “A Vitória não escapa a quem a procura”5. Operações de Reconhecimento As operações podem ser categorizadas em Reconhecimento Furtivo ou Agressivo (EME, 2016, p. 1-20) segundo a Doutrina Nacional. Sendo o Reconhecimento Furtivo caracterizado por ser mais demorado e apoiar-se nos sensores e forças apeadas para garantir segurança à força de reconhecimento enquanto, o Agressivo se foca na velocidade e na reação ao contato com o Inimigo procurando esclarecer a Tradução livre do autor. Lema do Esquadrão do Reconhecimento da Brigada Mecanizada. Brigada

4 5

Mecanizada

EM Ó RI A

No presente Ambiente Operacional que se caracteriza por ser Volátil, Incerto, Complexo, Ambíguo e Urbano torna-se vital para o Comandante ter acesso à realidade que o espera ou que está prestes a enfrentar para garantir a sua Decisão com base em sólidas informações, respeitando o princípio milenar enunciado por Sun-Tzu “Se conheceres o teu inimigo e a ti próprio, não tens que temer o resultado de mil batalhas[…]”. Tendo como base este conceito, o Reconhecimento representa uma parte essencial do planeamento e da execução da manobra de uma unidade garantindo rapidez no ciclo de decisão e a informação sobre o inimigo e terreno. Para garantir o sucesso desta missão no Ambiente Operacional atual é essencial que as unidades de Reconhecimento possuam o poder de fogo, proteção e mobilidade para que possam “Combater pela Informação” e garantir as necessidades de informação das unidades para as quais trabalham. O presente artigo vai centrar-se no papel das unidades de Reconhecimento para a Decisão, o que procuram no decurso das suas missões, como as cumprem e na comparação da evolução e atual organização das unidades de Reconhecimento, Reconnaissance Squadron e das suas subunidades, das Armored Brigade Combat Team (ABCT), nas quais a Brigada Mecanizada se molda, com a organização do Esquadrão de Reconhecimento (ERec) da Brigada Mecanizada.

1978-2018

FEITOS FARÃO TÃ

OS IGN OD

DE

M

Atoleiros Nº 32  

Revista Militar da Brigada Mecanizada

Atoleiros Nº 32  

Revista Militar da Brigada Mecanizada

Advertisement