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8de equipas de formação militar23 na vertente de FIBUA (Bernardino, 2014). Posteriormente, e por inferência à transferência da EUTM-S para Mogadíscio, o contingente Português foi alvo de uma restruturação, com a mesma configuração que possuía até ao início do presente ano.

Fig.7 - Trainee empenhando uma blue gun - Fonte: EUTM-S

Train the Trainers (TtT) course e o 1st Flame Coy Course. O TtT, destinou-se a formar os futuros instrutores do SNA, no âmbito das táticas, técnicas e procedimentos de um Pelotão de Infantaria. Desta forma, no final do curso, todos os trainees deverão estar aptos a constituir e instruir Pelotões de Infantaria de forma autónoma. Em concordância com o que foi referido ao longo deste artigo, o TtT destaca-se por ser o fundamento do sistema de treino do SNA, dado que irá possibilitar a sustentabilidade e autonomia deste mesmo. Por sua vez, o 1st Flame Coy Course, visou a constituição de uma Companhia Ligeira de Infantaria, disciplinada, coesa e capaz de ser empenhada num futuro próximo em todo o TO da Somália. Como tal, todo o programa de instrução passou por habilitar os trainees a desencadearem ações no âmbito das Operações Ofensivas, Operações Defensivas, FIBUA e Checkpoint Operations. A efetivação das ações de treino por parte da TT, foi sempre muito afetada pelas frequentes adversidades de índole logística, social e operacional que o SNA apresentou à EUTM-S e que em associação com o complexo TO da Somália, fizeram com que estas ações fossem eficazes, mas nem sempre eficientes. A nível logístico, evidenciou-se a carência de equipamentos e condições que permitissem aos trainees obterem o rendimento esperado nas instruções. A título de exemplo, salientou-se a utilização de uma arma de madeira (vulgo blue gun), cujo emprego substancia-se na simulação da arma orgânica do SNA, a AK-47. No domínio logístico, é ainda de destacar o desprovimento de alimentação com a regularidade exigida no GDTC, bem como o atraso de pagamento de salários aos trainees. No que diz respeito ao campo social, a maioria dos trainees são indivíduos que além de viverem em situações muito precárias, são, na sua maioria, iletrados e não têm qualquer

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Nº32 - abril 2018

tipo de conhecimento militar. Seria desejável que, um futuro trainer do SNA que possuisse um grau de alfabetismo e conhecimento que lhe permitisse ministrar instrução, o que na maioria dos casos não se verificou. Por último, a nível operacional, salientou-se a ausência de qualquer emprego por parte dos recursos humanos recém-formados pela EUTM-S. Nesta linha de pensamento, a Pilot Infantry Coy (PLIC)22 dentificou-se como o melhor exemplo deste desaproveitamento, na medida em que se encontrou formada e sem empenhamento durante um período de 8 meses. Contigente Português Desde 2010 que Portugal tem participado na missão da EUTM-S, no apoio à formação e treino das forças

No período compreendido entre fevereiro e agosto de 2017, a participação militar Portuguesa nesta missão foi constituída por 4 militares: dois Oficiais Superiores, um Tenente-Coronel de Engenharia e um Tenente-Coronel de Infantaria, que desempenharam cargos no HQ da EUTM-S, JEngineer and Infrastructure e J2 Intelligence Head, respetivamente, por um Capitão de Cavalaria que exerceu o cargo de trainer 7 e por um Tenente de Cavalaria que desenvolveu as suas atividades enquanto trainer 5. Relativamente ao JEngineer and Infrastructure, é o responsável primário pelos projetos infra-estruturais que visam a proteção da força, bem como, pela monitorização dos trabalhos que concorram para este propósito, a que acresce o papel relevante nos trabalhos de engenharia que visam a melhoria das condições de vida dos militares da EUTM-S. Por outro lado, o J2 Intelligence Head, realiza a avaliação precisa e atempada sobre a ameaça existente no TO. É um órgão de apoio e consulta por parte do comandante, utiliza todos os seus meios de pesquisa na procura de notícias e informações, que estejam relacionadas com o ambiente operacional e que possam ter o impacto na condução das atividades por parte da EUTM-S. No que concerne aos trainers Portugueses, e como explanado anteriormente, estes integraram a equipa de trainers da TT na condução dos cursos anteriormente referenciados, do trainer 7 como comandante do 3º Pelotão do 1st Flame Coy Course e o 5, team leader do TtT. Conclusões

Fig. 8 - Trainers Portugueses - Fonte: Autor

de segurança da Somália. Em conformidade com toda a estrutura da EUTM-S, a participação militar Portuguesa iniciou-se no Uganda, com a projeção A PLIC, identifica-se por ter sido a primeira Companhia a ser formada por trainers da EUTM-S. Sendo constituída por 143 trainees, tem capacidade para ser empenhada em todo o TO da Somália, no espectro das missões inerentes a uma Companhia Ligeira de Infantaria. Desta forma, poderá desenvolver ações no âmbito das Operações Ofensivas, Operações Defensivas, FIBUA e Checkpoint Operations. 22

A República Federal da Somália caracteriza-se como um país extremamente precário e volátil, no qual a insegurança e a violência permanecem constantemente no quotidiano dos seus habitantes. Não obstante, a Somália enfrenta uma profunda crise humanitária, que a par de todas as problemáticas existentes, figuram-na como o país que apresenta o segundo maior índice de fragilidade a nível Mundial. Numa tentativa de inverter e apoiar edificação deste país, são inúmeras as organizações, instituições e países que 23 Constituída por 17 militares oriundos da arma de Infantaria, a sua missão consistia em “ministrar, fundamentalmente, técnicas, táticas e procedimentos relacionadas com o combate urbano” (Bernardino, 2014).

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Revista Militar da Brigada Mecanizada

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