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assim, benefícios múltiplos com mais-valias para a sociedade em geral, para os voluntários, para as organizações sociais que intervêm localmente e para as próprias empresas. Em suma, estabelece-se uma relação win-win entre todos os envolvidos”, sustenta, adiantando que esta é uma perspetiva que a própria Santa Casa tem vindo a incorporar, de um modo mais sistemático, no desenvolvimento da sua atividade. As intervenções são, assim, apadrinhadas por empresas, que suportam os respetivos custos, nomeadamente os que decorrem da execução de trabalhos preparatórios ou do fornecimento de materiais, pequenos eletrodomésticos ou objetos de decoração que ajudam a dar um maior conforto às habitações. E disponibilizam o tempo dos seus colaboradores, voluntários por um dia em tarefas como pintura de paredes, renovação de mobiliário, pequenas reparações elétricas ou de canalização ou tão só limpeza e organização dos espaços. À SCML compete, através do Departamento da Qualidade e Inovação, a coordenação da REPARAR, identificando e caracterizando as casas beneficiárias. E, com os Arquitetos sem Fronteiras e outros dois parceiros – Grace e Sair da Casca –, procura empresas que apadrinhem o projeto, apadrinhando ela própria algumas reparações. Na primeira edição – em 2011 – foram intervencionadas 26 habitações de pessoas idosas, todas elas apoiadas pelo Serviço de

Apoio Domiciliário e pelos centros de dia da SCML. O mesmo número de casas deverá ser abrangido pela edição este ano. Mas, Teresa Grácio não tem dúvidas de que “mais importante do que os resultados quantitativos, foi o impacto que esta iniciativa teve na vida das pessoas”: “Além da melhoria das condições de habitabilidade conseguidas nas casas intervencionadas, estes utentes sentiram-se mais acompanhados durante todo o programa, devido à preocupação

demonstrada pelos voluntários”. Auchan, Delta Cafés, EDP, Eurest, Galp Energia, Grupo Brodheim, H-Tecnic, Montepio, SCML e Servilusa foram os padrinhos das reparações solidárias de 2011, que envolveram um custo global de 105 mil euros. Para a coordenadora do Departamento de Qualidade e Inovação da SCML, “é este o caminho – das empresas e organizações exemplares em sustentabilidade e responsabilidade social”.

Teresa Grácio Coordenadora do Departamento de Qualidade e Inovação da SCML “Mais importante do que os resultados quantitativos, foi o impacto que esta iniciativa teve na vida das pessoas”: “Além da melhoria das condições de habitabilidade conseguidas nas casas intervencionadas, estes utentes sentiram-se mais acompanhados durante todo o programa, devido à preocupação demonstrada pelos voluntários”

vidas

À espera da REPARAR Vive no rés-do-chão de um pequeno prémio de Alfama desde 1975, ano em que regressou de Luanda com a família, num apartamento onde já tinham residido os seus sogros e nascido o seu marido. Tem três filhos, todos fora de Lisboa. Costureira na vida activa, dedica-se hoje aos trabalhos manuais num dos centros de dia da SCML de que é utente. E é da Santa Casa que espera apoio para ver reabilitada a sua casa que há muito que aguarda por obras de manu-

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tenção que a sua condição económica não tem permitido. Paredes com fissuras, pintura envelhecida ou desaparecida, manchas de humidade são algumas das marcas que o tempo deixou e que a REPARAR pode minimizar ou eliminar. Esta é apenas uma das muitas histórias de vida de quem anseia por ver a sua casa apadrinhada. Há muitas mais. Na primeira edição da ação foram 26 as habitações que beneficiaram das 2.200 horas de trabalho dos 267 voluntários.

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Briefing 44  

Briefing nº 44