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Acompanhar as tendências

João Vilela Krypton Briefing | Como definiria o estado atual do sector da produção de filmes em Portugal? João Vilela | Sem dúvida que em Portugal as marcas continuam a apostar fortemente na produção publicitária, sabendo que essa continua a ser uma maneira eficaz de chegar aos seus públicos. Sentimos por isso que há menos atenção aos telediscos, vídeos institucionais ou mesmo grandes produções (cinema, curtas). A crise económica e as novas ferramentas de comunicação obrigam a uma viragem e adaptação dos conteúdos e é nesse sentido que temos vindo a trabalhar. A história da Krypton tem acompanhado esta evolução: iniciou a sua atividade produzindo e realizando telediscos e vídeos institucionais, mas rapidamente esta tendência foi combatida com a necessidade de produzir e realizar spots publicitários. Com o passar dos anos a área das produções publicitárias foi ganhando peso.

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Abril de 2013

Briefing | Quais as principais debilidades do mercado e como as estão a enfrentar? JV | A verdade é que já não há anos sem dificuldades, mas estas dificuldades têm de servir para nos tornar, a todos, mais fortes e têm de constituir um estímulo para encontrar soluções e outro tipo de respostas mais ajustadas às necessidades e condicionantes dos dias de hoje. Em 2011, a Krypton produziu para todas as principais agências e anunciantes, tendo consolidado este objetivo em 2012. Não quisemos fazer previsões para o ano de 2013, uma vez que fazer previsões num contexto económico destes, quer em Portugal, quer na Europa, é algo muito arriscado. Em 2013, a Krypton completa 25 anos de existência. Não há nenhuma produtora a operar no mercado com tanto tempo de existência. Iremos manter o espírito que nos caracteriza, a aposta em inovação e o trabalho de excelência a que habituámos os nossos parceiros e que sem o qual não teríamos sobrevivido. Briefing | A produtora tem mais ou menos trabalho do que há um ano? JV | A Krypton tem de reconhecer que atualmente a competição entre as produtoras é maior. Todas lutam para conseguir as melhores contas, os maiores anunciantes. No entanto, temos

conseguido consolidar o trabalho que realizámos até então. Nomeadamente estamos a alargar o negócio a nível internacional, por isso consideramos que estamos dentro daquilo que eram os nossos objetivos. Briefing | Quais os projetos de internacionalização da empresa? JV | A Krypton tem vindo a apostar na exportação, facto que consolidou a nossa posição nos mercados emergentes. A presença da Krypton no mercado africano tem vindo a aumentar – Angola representa 25 por cento da faturação da empresa e Moçambique é um mercado que tem vindo a ganhar importância. O mercado africano tem crescido, quer do ponto de vista quantitativo como qualitativo. As marcas têm procurado comunicar cada vez mais e de forma mais sofisticada. Há uma vontade cada vez maior de contacto com o target e de formas cada vez mais inovadoras. E tudo isto representa uma oportunidade para Krypton. Criámos, ainda, parcerias com diversos estúdios de pós-produção em Espanha, Inglaterra e Polónia e com um estúdio de som na Alemanha. Briefing | Como vê o futuro do sector? JV | As marcas terão sempre necessidade de comunicar e nós é que temos a obrigação de acom-

panhar as tendências. Como responsável pela Krypton, acredito que nesta área é necessário continuar a inovar todos os dias, uma vez que o mundo não para e são as novas tecnologias que se encarregam disto. É preciso, por esta razão, acompanhar o ritmo e estar constantemente a procurar novas soluções. O mais importante, neste sector, é estar atento às tendências e estar sempre um passo à frente. Não parar no tempo é o mais importante para que o futuro do sector seja positivo! Briefing | Considera que Lisboa se pode tornar num destino mundial para se fazerem filmes (comerciais e cinema)? JV | No mês de maio ficámos a saber que já este mês chegava a Portugal uma delegação de produtores e agentes de Bollywood para estudar potenciais locais de filmagem no país. Bollywood é a maior indústria cinematográfica do mundo, ao contrário do que se pensa. A verdade é que a indústria portuguesa depende muito da produção estrangeira que é realizada em Portugal. E isto são boas notícias para o nosso país. Lisboa é considerada uma das capitais europeias mais bonitas e ricas em paisagem, por isso penso que tanto Lisboa como as restantes cidades portuguesas se podem tornar num destino mundial para a realização de filmes, tanto comerciais como de cinema.

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Briefing nº 44