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Dossier

Mais trabalho, mais seriedade tar essas dificuldades é com ainda mais trabalho, ainda mais seriedade, ainda mais esforço e, se possível, com um sorriso nos lábios, porque, já dizia o ditado, tristezas não pagam dívidas.

Alexandre Montenegro Show Off

Briefing | Como definiria o estado atual do sector da produção de filmes em Portugal? Alexandre Montenegro | Acho que a melhor definição é mesmo a indefinição que o mercado atravessa e que nada mais é que o reflexo da atualidade do nosso País. Briefing | Quais as principais debilidades do mercado e como as estão a enfrentar? Alexandre Montenegro | A queda brusca de orçamentos, falta de seriedade e concorrência desleal são na minha opinião o que de muito mal a crise gerou nesse momento no nosso mercado. A única maneira que encontramos para enfren-

Briefing | Quais os projetos de internacionalização da empresa? AR | Estamos a pensar como nos podemos posicionar para responder de uma forma consistente, tal como o fazemos no mercado interno. Briefing | Como vê o futuro do sector? AR | Com alguma preocupação. Acredito que as marcas terão que continuar a comunicar sob pena de cair no esquecimento, creio que estarão a rever formas de o www.briefing.pt

Briefing | A produtora tem mais ou menos trabalho do que há um ano? AM | A Show Off é felizmente uma produtora séria, organizada, estável e cumpridora das suas obrigações, o que faz com que tenhamos agências e clientes igualmente sérios, que continuam a prestigiar-nos com os seus filmes e sobretudo a sua confiança. O haver mais ou menos produções acompanha o ritmo de investimento dos nossos clientes.

pectativas. O meu copo meio vazio vê com a óbvia preocupação de quem tem respeito por toda uma indústria que, nesse momento de crise, vê o desabrochar do pior no sector. Falta de compromisso, falta de seriedade, a prática de não pagar como “sistema”, o oportunismo desenfreado que gera quebra de qualidade e investimento. Porém, o meu copo meio cheio vê um momento de regulamentação e limpeza no sector. O eminente fim de empresas devedoras e pouco sérias, o desaparecer de produtoras de vão de escada que têm na premissa de não honrar seus compromissos como forma de gestão e até a eventual organização de todo um sector que, após um grande sismo como esse, possa se reconstruir sobre

bases muito mais sólidas do que as atuais.

existem duas formas e as duas por experiência dão resultados - ideias surpreendentes e produções criativas; quando as duas se conjugam o resultado só pode ser positivo.

fosse, tanto a nível material como humano, em Portugal, porque obviamente não se filma só em Lisboa. É fundamental que as entidades percebam o potencial financeiro que a indústria pode trazer a Portugal, baixar a fasquia da burocracia e aligeirar os prazos das autorizações é urgente, penso que a Lisbon Film Comission é um passo e deveria ser alargada ao território nacional. De qualquer forma é honesto registar que existe um esforço nos últimos tempos para que tudo seja mais ágil.

Briefing | Considera que Lisboa se pode tornar num destino mundial para se fazerem filmes (comerciais e cinema)? AM | Lisboa tem tudo para ser um grande destino de produção, e de carta maneira já o é, mas ainda com grande potencial a ser explorado. Boas locações, excelentes técnicos e atores, além da tão afamada e maravilhosa luz. Agora com a Film Comission espero que o grande e histórico entrave para a produção de filmes publicitários deixe de existir, ou seja, que nossas autoridades camarárias se tornem menos burocráticas e mais ágeis nas autorizações e cedências que esse sector necessita.

Briefing | Quais os projetos de internacionalização da empresa? AM | Nesse momento estudamos duas parcerias sérias para a internacionalização. Uma em África, outra na América do Sul. Briefing | Como vê o futuro do sector? AM | Tenho por esse período uma dualidade de opinião e ex-

fazer e a lidar com os cortes nos orçamentos que é transversal a todos os sectores da sociedade. Quero continuar otimista e a lutar para que o trabalho que a Ministério entrega aos clientes se destaque por resultados práticos acima das expectativas e surpreendentes na forma. Sempre que me dão oportunidade de falar sobre o futuro desta indústria, acredito que tem que se relacionar mais de perto com as pessoas, ser mais observadora da sociedade e falar com os consumidores de uma forma mais próxima, acredito que

Briefing | Considera que Lisboa se pode tornar num destino mundial para se fazerem filmes (comerciais e cinema)? AR | Sem dúvida, tanto em comerciais como no cinema, existem provas dadas. Depois de bastantes experiências por esse mundo fora nunca senti que não seria possível executar o que quer que

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Briefing 44  

Briefing nº 44