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Dossier

Encontrar territórios alternativos

Da esquerda para a direita: José Digo Quintela, João Miller Guerra, Filipa Reis e João Correia Pereira, a equipa da Vende-se Filmes Briefing | Como definiria o estado atual do sector da produção de filmes em Portugal? João Correia Pereira | Paralisado pelo pânico. Parece um coelho à frente dos faróis. A maior parte das empresas do sector estão paradas à espera de serem atropeladas pela crise. Não reagem, não oferecem alternativas, não se assumem como parceiros criativos das marcas na criação de conteúdos.

Briefing | Quais as principais debilidades do mercado e como as estão a enfrentar? JCP | A incapacidade de olhar para a sua oferta de forma criativa. A incapacidade de olhar para os seus próprios problemas de forma criativa. Com honrosas exceções, como por exemplo a Take it Easy, as empresas neste sector recusam-se a sair do seu quintal para tentar encontrar territórios alternativos. Não estão

dispostas a cruzar universos. A única alternativa que parecem ter à sua oferta é a mesma oferta, mas mais barata. Pela nossa parte estamos a utilizar o conhecimento que adquirimos na televisão e principalmente no cinema documental para oferecer às marcas novos conteúdos. Formatos que as ajudem a enfrentar os novos desafios que surgem. Formatos mais eficientes que consigam apresentar as marcas de forma mais relevante na vida das pessoas. Trabalhar com marcas que são parte ativa de uma sociedade, de uma cultura, que têm um papel marcante e que deve ser apresentado. Queremos contar histórias que inspirem as pessoas e outras marcas a seguirem estes exemplos. Briefing | A produtora tem mais ou menos trabalho do que há um ano? JCP | Felizmente até este momento estamos acima do ano anterior, tanto em número de projetos, como em faturação. Briefing | Quais os projetos de internacionalização da empresa? JCP | Através do nosso trabalho na área de cinema temos conseguido desenvolver alguns projetos noutros países de língua portuguesa, como o Brasil ou Angola. Temos também mostrado os nos-

sos filmes um pouco por todo o mundo, em diversos festivais e em mostras internacionais. O cinema português está num bom momento que pode e deve ser aproveitado internacionalmente. Há uma grande curiosidade e interesse em países onde éramos totalmente desconhecidos. No mês passado, por exemplo, mostramos um dos nossos filmes - Cama de Gato - na Eslovénia, em três dias totalmente dedicados ao cinema português. Hoje em dia faz todo o sentido olhar para o mundo como o nosso mercado. Briefing | Como vê o futuro do sector? JCP | Segundo um estudo da Nielsen, em 2016, 1/3 do planeta vai utilizar o vídeo no móvel. Cerca de 2,5 mil milhões de pessoas. Este é apenas mais um dado que mostra o crescimento exponencial que o vídeo tem na vida das pessoas. Com uma procura destas o futuro tem de ser bom. Briefing | Considera que Lisboa se pode tornar num destino mundial para se fazerem filmes (comerciais e cinema)? JCP | Temos boas condições para nos tornarmos um destino apetecível. Mas se o caminho for diferenciar pelos custos mais baixos, irá ser um destino temporário.

Ideias surpreendentes e produções criativas

Alberto Rodrigues Ministério dos Filmes Briefing | Como definiria o estado atual do sector da produção de filmes em Portugal? Alberto Rodrigues | Difícil, mas obviamente não poderia estar 24

Abril de 2013

em contraciclo com a situação económica, existe menos investimento de uma maneira geral e isso obviamente traz consequências. Acredito que até ao momento 30 a 40 por cento das pessoas passam por grandes dificuldades e algumas estão a procurar soluções profissionais fora da indústria. Briefing | Quais as principais debilidades do mercado e como as estão a enfrentar? AR | Falta de regulamentação,

concorrência desleal e uma total impunidade a práticas de ausência total de pagamento aos profissionais envolvidos, não existem que eu tenha conhecimento anunciantes devedores, existem agências e produtoras que não cumprem os compromissos de uma maneira vergonhosa e com total desrespeito pelo trabalho que lhes foi entregue. Em muitos casos são casos de polícia. Creio que existem alguns agentes que já não deveriam estar em atividade, sejam eles produtoras ou agências ou outros, são con-

taminadores de uma forma muito negativa das boas práticas e do bom trabalho. Briefing | A produtora tem mais ou menos trabalho do que há um ano? AR | No primeiro trimestre menos 40 por cento, mas creio que corresponde aos cortes anunciados pelos anunciantes de uma forma geral. Estamos a tentar encontrar dentro da Ministério formas de ajudar a viabilizar projetos de uma forma racional e realista para o período que atravessamos. www.briefing.pt

Briefing 44  

Briefing nº 44