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uma relação de Colegas que se estimavam. Sucedeu-me, pelo meio, o que inexoravelmente acontecia a todos os “mancebos” da minha geração que não fossem incapazes, “afilhados” ou não fossem para Paris. Assentei praça por 3 anos, como cadete primeiro e alferes depois. E lá ia ouvindo: “Oh doutor, chuva civil não molha militar!”; “Na tropa, você é alferes e não advogado”. Regressei à advocacia e aos julgamentos. Às petições, contestações e alegações. Aos contratos. Aos acordos e desacordos com tantos colegas. E que grandes colegas com quem tive o privilégio de lidar em Lisboa ou na província que de tudo sabiam porque de tudo tinham que tratar e estudar. Verdadeiros “Senhores” da advocacia, na elegância da conduta e no low profile. Na definição de Paul Valery eram elegantes porque tinham a arte de se impor sem se porem em “bicos de pés”. Aprendi tanto com eles do ponto de vista técnico e deontológico! Também havia os outros que, então, não faziam grande mossa porque eram poucos e conhecidos. No tribunal sentia nos julgamentos a ansiedade inicial, mas tranquilizavam-me o respeito e a lealdade que existiam, de um modo geral, entre colegas e magistrados. “Tem V. Exa. a palavra, Sr. Dr. Com a devida vénia, Sr. Dr. Juiz” Barroco? Pois seria. Mas vivia-se o respeito, a urbanidade e a sadia convivência! E surge a Associação Internacional dos Jovens Advogados e o empenho na eleição do Querido Amigo Hugo Pinheiro Torres que foi o primeiro presidente português da Associação. Já não está entre nós, mas há-de estar bem porque era um rapaz sério e honrado! O “Xico” Arruda de Andrade empurra-me em 1980 para o Conselho Distrital de Lisboa da Ordem. O “Xico” que também está bem, O agregador da advocacia

por ter sido um homem sério e honrado! Em 1984 surge a aventura! Os apelidados “jovens turcos”, conseguem, contra tudo e contra todos, impor uma candidatura nas eleições para a Ordem: a do Dr. Mário Marques Mendes, homem sério e honrado que também há-de estar bem! Perdemos nas urnas, mas ganhámos muito em dignidade, força moral e respeito próprio. Porque o que nos movia não era o poder ou a exposição mediática, mas a luta pelo que, em nosso entender, devia ser o exercício da profissão. Em 1993, outra vez a Ordem. Como Vice-Presidente do CDL, calcorreei quilómetros em Lisboa, com a Cristina Salgado e Ana Dias, para arranjar locais onde os colegas estagiários pudessem frequentar a primeira fase do estágio. O Largo de Santa Bárbara só havia de aparecer algum tempo depois. No escritório, sempre a mesma pressão, a mesma responsabilidade e as mesmas urgências e canseiras. E as mesmas dúvidas. “Oh “divino mestre”, o prazo é a 15? Ora veja lá, é mesmo a 15? “É Bessinha” E contava outra vez. “É Bessinha” E o “Xico” Marques Bom com amizade e bonomia lá ia aturando e sossegando as minhas inseguranças. Ele que só podia ser advogado! Um excelente advogado! O telex foi-se e surgem os e-mails, os iPad, as conferências de vídeo e a voip. O ritmo acelera, mas o desafio alicia. Agora, o Outono é inevitável. No calendário, como na vida e na profissão. “Com quem trabalha, Colega?” “Trabalho na XPTO & Associados” “Não é isso! Com quem trabalha?” E a resposta vem repetitiva e inequívoca: “Na XPTO & Associados” E, dou comigo a pensar: “mas que raio, já não há advogados?!”

Benção das pastas do curso de 1961-66

No CDL, entre 1981 e 83

*Artigo escrito segundo as regras anteriores ao atual acordo ortográfico. Abril de 2013

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