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Marcos Rodrigues

10 lições práticas para você desenvolver status e capital ainda na graduação


Marcos Rodrigues

10 lições práticas para você desenvolver status e capital ainda na graduação 1ª Edição Agosto – 2012 2


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Dedicatória Para todos os estudantes que desejam viver num Brasil que realmente invista e valorize a educação de qualidade. 4


Agradecimentos Aplaudo a coragem de todos aqueles que se disponham a aproveitar o material contido nesta obra e de todos os que já vêm empenhando-se no próprio desenvolvimento pessoal fundamentado em princípios éticos. Aqui faço um agradecimento especial a meu pai, pela brandura e compreensão, pela pessoa tranquila e serena que é. Com ele, desde pequeno, criei o hábito de questionar o porquê das coisas e principalmente do meu papel no mundo. Agradeço à minha mãe, escritora, que me deu total apoio na construção desta primeira obra. Graças a ela, aprendi a importância do ato de pedir. Quando era mais novo e precisava de algum dinheiro, ou do carro emprestado, tinha que fazer um verdadeiro projeto dizendo-lhe em que iria investir, por quê e para quê, além de estabelecer um prazo para a devolução do dinheiro ou do carro. Depois de muito tempo percebi o quanto isso foi importante para aprender a estabelecer e cumprir metas a curto, médio e longo prazo. Agradeço aos meus amigos e colegas que colocaram em prática as ideias deste papo de universitário e que me proporcionaram centenas de horas de discussão sobre todas as temáticas aqui abordadas. Agradeço ao Ryotiras, que cedeu gratuitamente suas charges que ilustram esta edição, mais trabalhos dele no www.ryotiras.com Avancemos.

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Introdução

01 A formação do capital social e o poder da comunicação 02 A escolha certa: O empreendedor de carreira 03 Um pouco sobre meu capital social. Dinheiro traz felicidade? 04 Afinal de contas, ter status é realmente importante? 05 As regras do jogo 06 Jogando o jogo 07 A dinâmica social e o erro como ponto de partida 08 Não ofusque os deuses 09 Proporcione oportunidades, aprenda a pedir 10 Visibilidade, popularidade e status 11 Revolucione no DCE / DA 12 Jogue na seleção da empresa júnior 13 Lidere associativamente 14 Crie seu dever de casa 15 Aprenda a atrair as pessoas certas 16 Supere a dúvida. Participe! 17 Crie suas regras 18 Social Networking 19 Referências 6


Introdução

“Herói, pessoa notável por seus feitos

ou capacidades que, em momentos de grande dificuldade, está pronta para agir, enquanto outras pessoas correm desesperadas ou ficam paralisadas. ( Marcos Rodrigues ) Diante dos desafios impostos pelo mundo do trabalho, você se sente paralisado ou pronto para a ação? Tem dúvidas ou acha que fez a escolha correta no momento de planejar sua carreira? Você já parou realmente pra pensar no que você quer pra sua vida? Você procura fórmulas para o sucesso enquanto ainda é estudante de graduação ou regras mágicas capazes de potencializar seu perfil acadêmico? Já percebeu que alguns dos grandes conselhos que recebeu na graduação, durante o ensino médio ou em qualquer fase importante de sua vida, dificilmente funcionaram? As pessoas são diferentes; logo, o que funciona para você pode não funcionar para mim mas, e se existissem regras que, apesar de não garantirem o sucesso, ao menos apontassem em direção confiável? Este livro se ocupa com elas. Avalie-as, levando em consideração o contexto atual: como essas regras se aplicam à sua realidade, de forma a tornarem-na mais produtiva e repleta de conquistas. As regras aqui contidas podem ajudá-lo a realizar seus sonhos. E enquanto você, leitor, estiver buscando realizá-los, busque também ajudar as pessoas que estão ao seu redor a realizarem os delas também. Sempre ao escutar ou ler algo relacionado a pessoas solidárias, lembro-me da figura do herói, pessoa com grande coragem para 7


enfrentar seus medos, que acabam inspirando modelos e exemplos a povos de diferentes culturas, constituindo-se em personalidades que traduz superação e inovação. Esse modelo é você? Antigamente, situações de guerra, conflitos ou competição eram as condições ideais para a realização de feitos heróicos. Hoje, com a mudança e evolução social, industrial e comercial dos povos e com o upgrade de códigos de ética, leis e normas de conduta, o herói está presente na figura do pai de família que sustenta mulher e filhos com um salário mínimo, no professor que leciona em quatro faculdades ou escolas para completar a renda familiar; no médico que vira plantão em cima de plantão sem comprometer suas atividades; nos estudantes submetidos a oito horas de trabalho para pagar a própria faculdade e ainda, forçados a não dormir durante a aula daquele professor enfadonho, à noite, no cônjuge fiel que vive em plena era do culto ao prazer, no qual as relações são descartáveis; no político honesto; no policial honesto; na mãe que também desempenha o papel de pai e, sozinha, educa e cria os filhos; enfim, em todas as pessoas que, pelo esforço pessoal, procuram desenvolver e dar sentido à vida de forma honesta e ética. Porém, a mídia tenta o tempo todo convecer-nos da ideia de o verdadeiro herói, por exemplo, ser alguém, tal como o participante do Big Brother, ou o político corrupto. Afinal, boa parte da mídia transforma essas personalidades em ícones de referência social, tornando-os verdadeiros heróis da geração pirata, ou anti-heróis. Além disso, usa e abusa da imagem feminina, transformando, com consentimento silencioso das próprias mulheres, seus corpos em objetos, com a erotização perversa e cada vez mais precoce, das crianças. Diante da corrida ao ouro, na qual cada pessoa parece ter seu preço, vivemos como loucos em busca de status e dinheiro para obter poder e, quase nenhum significado pessoal. Vendemos e

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trocamos nossa força de trabalho e tempo de vida por algumas migalhas da empresa de alguém ou por um cargo público algumas vezes medíocre porque nos dá a sensação de segurança financeira. Somos educados por um sistema educacional falido em que não somos incentivados a pensar e sim a repetir conhecimento, formando um verdadeiro exército de mentes medianas. Por consequência temos medo de nos rebelarmos, de participar; abaixamos nossas cabeças como ovelhas no pasto à espera do comando do pastor; esquecemos que somos líderes de nós mesmos e responsáveis pelas próprias escolhas; buscamos as respostas nos outros, deixando de viver nosso sonho, nosso momento; esquecemos a voz interior em troca do signo do jornal do dia seguinte ou do amigo virtual que inexplicavelmente, supomos saber mais sobre nós do que nossos parentes, com quem compartilhamos o mesmo teto durante anos. Vivemos na sociedade em que delegamos a terceiros o direito de nos dizer quem somos e pra que viemos ao mundo. No Egito antigo, a arma de dominação era a força; escravizavamse as pessoas pelo poder do mais forte. Na Idade Média, a escravidão, ou o domínio, era mediada pela coerção psicológica; o medo permeava as relações; o certo ou o errado, o preto ou o branco, o bem ou o mal transmitiam-se de modo dogmático; concebia-se o conhecimento como saber absoluto, sem lugar para a alteridade, a diferença; não se admitia discussão; o saber era ditado pela força do Estado teocrático. Depois, disseram aos escravos que seriam livres para, inclusive, oprimir e dominar outros escravos... Em plena era do conhecimento e da convergência, em vez de questionarmos a fonte da informação ou seja sua procedência se é confiável ou não, voltamo-nos, quase sempre, para o significado da mensagem, o que nos traz, muitas vezes, efeitos indesejáveis, 9


porque assimilamos todo tipo de informação como verdadeira sem filtros. Sabemos que os principais veículos da mídia constituem instituições de manipulação em massa, ditando normas, modas e crenças, criando ou descriando crises dos mais variados tipos. Dizem que a crise alimenta ou estimula o surgimento de ótimas oportunidades para os que têm comportamento empreendedor ou para aqueles que manifestam o sentimento de inconformismo com a realidade. As palavras da vez são inovação, mudança, quebra de paradigmas, “chutar o balde”, desobedecer, criar. Só há mudança para quem está inconformado, porque o satisfeito... está satisfeito. Meu objetivo aqui é convidar você, a fazer uma análise crítica da sociedade em que vivemos e da forma como o graduando diz “fazer” sua graduação, ou seja, o que está aprendendo realmente aí é relevante? Não estou preocupado com a geração que me sucederá, embora aposte alto nela. Preocupo-me aqui, agora, com minha geração, com nossa geração, porque ainda podemos fazer muito mais do que estamos fazendo. O jovem é o agora. O cenário atual não é fácil. A questão da empregabilidade é discussão certa nos centros acadêmicos em relação a qualquer faixa etária, mas não basta discuti-la em âmbito restrito, é preciso também cobrar dos governantes, projetos e ações que viabilizem mais oportunidades bem como meios para que cada um as utilize da melhor forma. Por mais que pareça óbvio, estamos em um cenário cada vez mais competitivo, aparentemente, com regras e leis claras que não passam de antigos paradigmas, prescindíveis no momento atual. O que escrevo aqui não é trabalho do acaso. Observei e explorei durante minha graduação oportunidades que, didaticamente, designo de “regras” completamente aplicáveis por você em qualquer instituição de ensino superior, e quanto mais cedo você 10


se tornar consciente delas, melhor. Penso os espaços acadêmicos como os principais ambientes de fomento para as futuras lideranças. Se você está satisfeito com sua atual situação social, este livro talvez nada lhe acrescente. Sugiro, pois, passá-lo para alguém não satisfeito com a vida que leva, já, se você for do tipo insatisfeito, vou te dar muitos motivos para a partir do momento em que concluir a leitura desse livro, nunca mais veja seu ambiente acadêmico com os mesmos olhos, o que te ofereço é a pílula vermelha, para que você possa começar a ver a matrix social em que estamos imersos o tempo todo. Aqui, abordarei alguns comportamentos direcionados àqueles que precisam dedicar-se mais às próprias vidas, que gostam de aprender novos caminhos e sentem-se responsáveis pelo protagonismo da própria história. Que o mundo se torne melhor, porque você está nele. Pense nisso.

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A Formação do Capital Social e o Poder da Comunicação

“Eu vejo aqui os homens mais

fortes e inteligentes. Vejo todo esse potencial, desperdiçado. Que droga uma geração inteira de garagistas, garçons. Escravos de colarinho branco. A propaganda põe a gente pra correr atrás de carros e roupas. Trabalhar em empregos que odiamos para comprar merdas inúteis de que não precisamos. Somos uma geração sem peso na história, sem propósito ou lugar. Não temos uma Guerra Mundial. Não temos a Grande Depressão. Nossa Guerra é a espiritual, nossa depressão são nossas vidas. Fomos criados através da TV para acreditar que um dia seríamos milionários, estrelas de cinema ou estrelas do Rock. Mas não somos. Aos poucos tomamos consciência do fato, e estamos muito, muito putos com isso. (Tyler Durden. Clube da Luta.) Todas as pessoas, ao longo da vida, herdam crenças e valores por meio da formação familiar, escolar e religiosa, transmitidos pelo convívio com amigos e pela sociedade em geral. Trata-se de uma série de experiências, de imagens sociais introjetadas a

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fundamentar o nosso comportamento. Essa herança é chamada de capital social. O capital social gera, inconscientemente, as crenças, as quais, por sua vez, determinam o comportamento que orienta a vida das pessoas. O comportamento parece singular, mas, na verdade, é mais grupal. O capital social predispõe alguns a tornarem-se mais ativos, mais decididos; outros a tornarem-se indiferentes às oportunidades, vítimas do sistema. Eu e você leitor conhecemos pessoas assim aos montes. A maior influência desse capital sobre as pessoas é geralmente exercida pelos pais ou cuidadores. O pai advogado pode influenciar o filho a seguir a carreira jurídica e jamais deixá-lo pensar em algo diferente. O pai empreendedor pode estimular o filho a assumir postura diferenciada diante do mercado, incentivando o comportamento empreendedor deste desde cedo. Uma família de empregados pode estimular os filhos a tornarem-se profissionais aptos a empregos bons, incentivando-os a trabalhar para outras pessoas, para grande empresa ou organização ou para o serviço público à busca da tão sonhada estabilidade. Talvez, leitor, você se enquadre em um desses casos. Na verdade, vivemos à procura de estímulos constantes. Nosso mundo está cheio de intenções e estímulos conscientemente manipulados por outras pessoas para fazermos alguma coisa. Meus avós educaram meus pais, que, consequentemente, me educaram. Entretanto, depois de identificá-los como transmissores de uma cultura tradicional, a qual nem sempre respondia às demandas exigidas pela atualidade em virtude da evolução social, econômica e tecnológica, pude perceber que é preciso, sem perder o respeito, desenvolver o olhar crítico para respondermos a essas demandas como sujeitos de nossa própria história, e não como sujeitos nela alienados ou figurantes de nossas próprias histórias. 14


A mídia – não há dúvida – constitui também um importante agente na formação do capital social: ela pode nos influenciar para comprar um carro ou para votar em determinado candidato; pode transformar-se num apelo para salvar crianças desabrigadas ou comprar mais chocolates na Páscoa; pode fazer-nos sentir bem por termos alguma coisa ou frustrar-nos por não termos alguma outra coisa da qual, na maioria das vezes, nem precisamos. Como você se sente, estando solteiro no dia dos namorados? De fato, o que caracteriza o mundo moderno é a persistência da persuasão. Estamos constantemente cercados por pessoas que detêm os meios, a tecnologia e o expertise a fim de nos persuadir a fazer alguma coisa com a qual não compactuamos ou da qual não precisamos, fumar ou tomar refrigerante, por exemplo. E essa persuasão tem alcance global. Enquanto isso, o acúmulo da riqueza por uma minoria e o empobrecimento da grande massa populacional do globo são o retrato acabado da desigualdade do sistema mundial moderno. Somos bombardeados, a todo momento, de informações sobre avanços tecnológicos e desenvolvimento econômico, porém não existe melhoria generalizada das condições de vida da população, porque a renda está concentrada. A contradição está justamente no contraste que o sistema capitalista produz entre o luxo e o lixo: a opulência do capital em contradição com a miséria, a fome, a violência crescente, frutos da concentração de renda. E somos condicionados e educados a acreditar que está tudo muito bem! Alguém cria imagens legais de uma realidade irreal. Ao final das notícias ruins no jornal temos os gols da rodada esportiva. Empresas com grande conhecimento sobre persuasão gastam milhões a fim de convencer o público de que fumar é atraente e desejável, ou que o país escolhido para sediar a próxima Copa do 15


Mundo beneficie realmente seu povo por exemplo. Só espero não lamentarmos no futuro que o mesmo dinheiro gasto na construção de excelentes campos de futebol poderia ter sido usado, por exemplo, para melhorar a qualidade da educação no Brasil. Usam-se propaganda perspicaz, imagens e sons inteligentes no sentido de colocá-lo, caro leitor, em estado positivo de sentimentos no qual fica mais fácil associar um produto qualquer a você. Graças à repetição continuada, a ideia de fumar se liga à fruição de vários estados desejáveis, o que traduz relação incongruente com a realidade do tabagismo. Não há nenhum valor positivo, quanto ao aspecto social, trazido pelo consumo desse tabaco enrolado num pedaço de papel, mas somos persuadidos pela mídia de que fumar é ser adulto e atraente. Portanto, não se admira que o consumo de cigarro tenha aumentado entre as mulheres. Afinal de contas, fumar é ser diferente, dono do próprio nariz. Certo? Errado. A relação de apego e necessidade que desenvolvemos com alguns objetos acaba submetendo-nos, escravizando-nos em virtude do valor emocional que lhes atribuímos. Certa vez, peguei um copo e o enchi de um refrigerante de cor preta e outro, de água! Quando joguei a água fora, as pessoas acharam normal o desperdício da água; mas, quando fiz o mesmo com o refrigerante, a reação foi de reprovação, claro. Agora, questionemos: O que o fato de colocar cancerígenos em nossos pulmões, em nosso estômago tem a ver com um estado desejável? De fato, os anunciantes criam imagens que, pela persuasão, nos levam a um estado receptivo, ensejando a experiência, implantando a mensagem em nós. Repetem isso na televisão, nas revistas ou no rádio. E assim criam moda, desenvolvem tendências e jogam as cartas marcadas para serem escolhidas “livremente”, pois na verdade, fomos condicionados à determinada escolha achando que escolhemos livremente. 16


Aprendi a fazer isso diversas vezes, terapeuticamente, de forma simples e direta, no curso de formação em PNL para curar fobias e desenvolver crenças positivas, por exemplo. A mesma técnica, porém, pode ser usada no sentido de promover justamente o contrário. Acredite, leitor: é mesmo possível! Por que a Coca-Cola gasta milhões em publicidade no produto conhecido em todo o mundo? Por que gostamos de futebol, fast-food e celulares do momento? Esses objetos simbólicos já são âncoras poderosas na cultura. Os anunciantes simplesmente transferem o nosso fascínio por pessoas famosas para seus produtos. Eles as usam no intuito de tornar-nos receptivos. Você, acha que os atores famosos usam produtos de terceira categoria que anunciam o tempo todo, nas mídias? Em qualquer propaganda efetiva ou campanha política, adota-se algo parecido com essa estrutura: primeiro, usam-se estímulos visuais e auditivos a fim de nos colocar no estado em que seus promotores desejam; em seguida, induzem-nos a adotar o produto ou a ação para a qual desejam persuadir-nos. Isso se faz reiteradamente, até o sistema nervoso relacionar o estado com o produto ou o comportamento desejado. Lembra-se da televisão? É ela a melhor fonte de distribuição de crenças a longo prazo. A boa propaganda vai atingir estes três sistemas sensoriais representativos: visual, auditivo e cinestésico. O ponto central aqui é: num mundo cheio de pessoas persuasivas, você também pode ser uma ou... aquela persuadida. Você pode dirigir sua vida ou deixá-la ser dirigida por outros. Mas convém lembrar, as pessoas que estão no poder são persuasivas. Quem não tem poder age conforme imagens e ordens de outros; submete-se ao desejo do outro, da matrix social que molda o seu capital social.

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Na sociedade contemporânea, o poder se traduz na capacidade de comunicar e persuadir. Se você for persuasivo sem possuir carro, convencerá alguém a dar-lhe carona; se não tiver dinheiro, convencerá alguém a emprestar-lhe algum; se não tiver como pagar a passagem do ônibus, poderá viajar nele, de graça. Há várias estratégias para conseguir quantas vezes forem necessárias! Duvida? Se não quiser esperar a fila do banco, poderá arrumar uma forma de ser atendido rapidamente. A questão é: você pode, mas deve? A persuasão parece constituir-se na melhor técnica para promover qualquer tipo de mudança. Assim, mesmo com um bom produto ou com a melhor ideia, nada conseguirá se não tiver poder de persuasão. A vida consiste em: comunicar o que temos a oferecer. E aqui vai o conceito central que sustento: você não precisa ter dinheiro, status, um carro ou qualquer coisa transmitida pela cultura como bem necessário para fazer de sua vida um case de sucesso. De fato, isso também integra o conceito de que a mídia quer, a todo momento, desenvolver nosso capital social com base nos seus objetos de consumo: puro poder do tipo de influenciação mais eficaz e sutil. As pessoas manifestam – é verdade - sentimentos interessantes e diferentes sobre o poder o qual a algumas causa medo, inveja, concebendo-o como algo negativo. Porém, no mundo moderno a persuasão não é uma escolha,e sim fato presente na vida das pessoas. Alguém está sempre persuadindo. Organizações gastam milhões no sentido de suas mensagens saírem com poder máximo e habilidade para atingir o consumidor ou o público-alvo: VOCÊ. A diferença no comportamento das pessoas talvez seja a diferença referida entre “quem” é o mais persuasivo: você ou o traficante de drogas (lícitas ou não).

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Se quiser controlar sua vida ou ser o modelo mais efetivo para aqueles com quem se preocupa, você terá de aprender como fazer. Se abdicar da responsabilidade, muitos outros estarão prontos para preencher a vaga. Em um dos diversos cursos de oratória, conheci um grande mestre que, falava sempre da importância de nunca se dar as costas à oportunidade de falar em público, por exemplo. O segredo, dizia, seria filtrar o que seria aprender a criar a oportunidade. Pelo exposto até aqui você pode imaginar o que esse comportamento de comunicação eficaz significará para você. Vivemos na era mais notável da história humana: mudanças que antes levavam décadas para ocorrer, hoje, levam poucos dias. Não há mais espaço para o paradigma fundamentado no argumento de que o sucesso financeiro exige necessariamente a conclusão de curso superior com notas excelentes, fluência em uma ou duas línguas estrangeiras, diploma de MBA, ou intercâmbio. Mais do que nunca, o mercado exige habilidades, e o poder está na mão de quem faz melhor e diferente. Além do mais, é evidente, temos mais estímulos e liberdade do que no passado e estamos todos conectados, interligados de alguma forma. Por isso devemos estar vigilantes, atentos naquilo que interiorizamos isso sustenta nossos objetivos, viabiliza nossos sonhos, estimula nossas crenças positivamente ou não sustenta nossos objetivos, inviabiliza nossos sonhos e desestimula nossas crenças positivas. Na era do conhecimento e da convergência, aquilo que representamos, conscientemente, tende a tornar-se interiorizado em grande número de pessoas. Essas representações afetam os futuros comportamentos de determinada cultura e do mundo. Assim, se queremos criar um mundo que fale de justiça, convém rever e planejar consistentemente aquilo que queremos fazer para 19


criar representações que nos fortaleçam em escala global sobre justiça. Durante a graduação de psicologia, percebi que poderia viver de duas maneiras: como os cachorros de Pavlov, respondendo a todas as ordens e mensagens, ou como sendo responsável pelas minhas próprias escolhas. Infelizmente, observei vários colegas de curso mais preocupados em utilizar as ferramentas do behaviorismo para a manipulação de pessoas do que de conhecerem a si mesmos. A propósito, alguém, certa vez, descreveu a propaganda como sendo “a ciência de controlar a inteligência humana o tempo suficiente para tirar dinheiro dela”. A realidade é que alguns de nós vivemos num mundo de inteligências permanentemente controladas seja pelo professor, pelo governo, pelos pais, pelos irmãos, pelos amigos, pela namorada(o) ou por qualquer pessoa com habilidade persuasiva suficiente para nos levar a não pensarmos por nós mesmos ou criar situações de dependência emocional. A alternativa é inovar e promover a quebra de paradigma. Tornandonos conscientes em relação ao fato de que estamos sendo enganados e controlados socialmente em algum nível. O controle social pode se caracterizar pela probabilidade de fazer ser obedecida uma ordem determinada, proveniente de uma parte ativa, endereçada a uma parte passiva, mesmo contra a vontade desta. Mas não basta à vontade de manipular, para que ocorra a manipulação, é necessário à disposição de obedecer dos destinatários das ordens. E que maneira melhor e mais prática de obter a disposição de obedecer dos destinatários das ordens, no dias atuais, do que manipulá-los através dos meios de comunicação em massa? A televisão, o rádio ou o jornal transmitem conhecimentos, valores, ideias, modos de pensar, agir e sentir, com poder sugestivo tal capaz de formar grupos de opinião pública.

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Antes da globalização por exemplo, haviam maiores choques culturais devido ao encontro de povos de costumes diferentes tendo cada qual sua cultura, moda, costumes e movimentos sociais. E com os choques de culturas era mais fácil a visualização das realidades sociais. Encontrando uma outra realidade torna-se mais fácil entender que a sua realidade não é a única maneira de se viver, o que é difícil de se imaginar quando se foi doutrinado desde o nascimento para viver assim. Os choques culturais entre europeus e ameríndios e europeus e africanos não representaram uma troca de cultura e conhecimento e sim mais imposição e dominação, resultando na cultura basicamente homogênea que conhecemos hoje, imposição da realidade do forte para o fraco. Vivemos num mundo onde parece haver uma direção a cada estação. Se você for persuasivo, tornar-se-á criador de direções, diferente de quem só reage a grande quantidade de mensagens. Direções produzem destinos; portanto, é importante você estar antenado na direção da correnteza, a fim de não chegar à beira das cataratas do Iguaçu e descobrir que está num bote furado, sem remos e sozinho. O trabalho do persuasor voltado para o bem constitui-se em fazer o mapa do terreno e encontrar o caminho que leve a objetivos melhores para o grupo. Entretanto em nossa sociedade, embora as tendências sejam criadas por indivíduos extremamente inovadores e persuasivos, infelizmente, a maioria, deles são egoístas e ególatras o bem de um sobrepuja o bem do grupo. Todos nós precisamos aprender a lidar com isso. Então fique atento às ideias que compra, aos programas televisivos e a qualquer tipo de mídia informativa. Comece criticando cada linha aqui escrita, cada pensamento aqui exposto. Não se preocupe em acreditar, e sim em conhecer.

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Dentro dos espaços acadêmicos não é diferente: encontramos um mundo perfeito, pronto, com ideias fechadas, onde mais se fala em inovar, mas normalmente se reprimem as iniciativas inovadoras; homens velhos vivem antigos paradigmas cristalizados em suas “perfeições”. Ali se acomodam alguns professores com suas fórmulas mágicas prontas, verdadeiras raposas prontas a dar o bote nas ideias de alunos criativos, aos quais, porém, falta o potencial necessário para tirá-los do papel. Qualquer tentativa de mudança incomoda-os e não é vista com bons olhos. Na maioria das vezes, também encontramos professores que dão a mesma aula há anos. Se você quer ser um graduando melhor, como um graduando melhor se comportaria? Observe seus colegas de graduação, boa parte deles faz exatamente a mesma coisa, como ser melhor se você também faz o que todo mundo faz? Talvez você tenha a resposta para essa pergunta na ponta da língua que é: estudar mais que os outros, certo? Errado. Pense nisso.

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A Escolha Certa: O Empreendedor de Carreira “A pergunta errada: O que você quer dizer? Uma pergunta melhor: O que você pretende alcançar? ( Michael Sheehan )

É muito comum o graduando terminar a graduação e ficar com o sentimento de vazio, achando que não aprendeu nem realizou nada satisfatoriamente, isso acontece porque ele não fora persuadido o suficiente por si mesmo e talvez estivesse muito contagiado por ideias alheias à sua formação ou pela ideia de que o mercado de trabalho seria difícil. Então, esperou ficar pronto, só que esperou muito. Conheci vários estudantes de fisioterapia que, terminado o curso de quase cinco anos de formação, corriam para outros, como direito ou administração, porque o mercado naquela área, diziam eles, “é difícil”, então é assim, é difícil aí você corre para algo mais fácil? Responda com sinceridade à seguinte pergunta: você gerencia a sua carreira ou é influenciado negativamente pela família ou por algum artista da televisão para fazer o que faz, em outras palavras: você, por exemplo, queria cursar música ou dança, mas escolheu direito ou medicina, porque alguém lhe falou que estes cursos lhe abririam mais oportunidades de sucesso financeiro? Mas acredite: a história de pessoas bem sucedidas tem mostrado que o sucesso financeiro vem para aqueles que executam o seu ofício com brilho nos olhos; está intimamente ligado à emoção envolvida na crença positiva de se chegar longe, de querer crescer e realizar aquilo que faz seu coração bater mais rápido. Logo, tenha paixão pelo que faz; 23


procure investir em sua carreira com o mesmo entusiasmo proporcionado pelo passatempo favorito. Sua rotina profissional deve transformar-se em aventura emocionante. Você pode estar fazendo o melhor curso, na maior e melhor faculdade do planeta, mas, se isso não fizer seus olhos brilharem quando falar sobre ele, dificilmente chegará a algum lugar. Já, se você estiver fazendo o curso dos seus sonhos (mesmo que alguns o considerem medíocre) na pior faculdade do planeta, mas com o comportamento empreendedor, observando multidisciplinarmente, o caminho para o sucesso estará aberto. Construir uma carreira de sucesso significa ir além do tradicional, requer análise, escolha, reflexão, tomada de iniciativas, perseverança e ação. Portanto, planeje seu desenvolvimento profissional com cuidado, e assuma atitude dinâmica e empreendedora sempre. Empregos são dados e tirados, muitas vezes, por forças fora do nosso controle, mas sua carreira pertence a VOCÊ. Durante o curso de psicologia (formei-me em dezembro de 2011), ouvia colegas e professores dizerem que empreendedorismo não tinha nada a ver com psicologia! Mas na realidade, é o perfil empreendedor que o mercado de trabalho está absorvendo. Esse perfil diferenciado é que me fez subir ao palco de mais de 100 eventos em várias cidades do Brasil, para falar a um público de mais de 45 mil pessoas de todo tipo de formação, só entre 2010 e 2012, sobre o tema aqui desenvolvido. A maioria dos universitários e professores - por que não dizer brasileiros? - acreditam que empreender é ser dono do próprio negócio. Mas, alguma vez, você já pensou que, mesmo antes de qualquer coisa, você é o seu principal e mais importante “próprio

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negócio”? Talvez você também acredite que ser empreendedor = ter empresa. E é o começo do equívoco. Para entender melhor o empreendedorismo vamos dividir em três modalidades: a) O empreendedor tradicional - o dono do próprio negócio, seja de alto impacto (cria novo serviço ou produto que acaba mudando a vida das pessoas), seja o mais comum faz o que alguém já faz; b) O intraempreendedor – o novo perfil dos empregados colaboradores ou como preferir chamar. Trata-se do profissional dos novos tempos. Para ele, não basta apenas trabalhar na empresa, é preciso vestir a camisa, entender os processos, melhorar os serviços ou produtos envolvidos, ou qualquer departamento da empresa. Esse funcionário está comprometido de corpo e alma com o negócio em que está envolvido, podendo mesmo criar ou associar-se a outras empresas, desenvolvendo departamentos novos. Normalmente tal perfil foca o resultado e prefere ganhar por isso – tema que caberia em outro livro; c) O empreendedor de carreira - indivíduo comprometido com a realização pessoal. Por exemplo: um estudante universitário. Ele sabe o que quer, e vai na direção dos sonhos e das metas enquanto constrói uma carreira de sucesso, entendendo e criando o diferencial competitivo na sua modalidade de atuação, aumentando seu índice de empregabilidade e gerando valor por onde passa. Fazendo aquilo que a maioria não está fazendo, quebrando paradigmas e criando o próprio dever de casa. Voltarei a isso mais adiante. Outro exemplo: alguém que estuda para concurso público. Você acha fácil obter classificação numa concorrência de cem para um? ou mil para um? Quem consegue faz alguma coisa que a maioria não faz, talvez seja estudar 25


enquanto outros se divertem. Afinal de contas, você encontrará pouca gente disposta a abrir mão de lazer em busca de sonhos, certo? Errado. Depende de sua rede de relacionamentos: você vai acabar atraindo para si aquilo que você é. Essas categorias quase sempre variam e misturam-se. O bom empreendedor de carreira, por exemplo pode tornar-se grande intraempreendedor, acumulando conhecimento suficiente que o transformará em empreendedor do seu próprio negócio. Em tudo isso, o que importa é entender que empreendedorismo implica em comportamento e comportamento é reflexo de habilidades e talentos natos ou não. A grande sacada consiste em desenvolvê-los ao longo de sua vida, de modo a gerar, seja onde for ou como for alguém pronto para agir. Quando motivados, conseguimos transformar ideias em ações. No entanto, não há necessidade de impor rigidez em nossas decisões. Devemo-nos permitir sempre a flexibilidade a fim de nos adequarmos, ao longo do processo de transformação, ao nosso plano de carreira, o qual deve ser coerente, de modo que todas as etapas de mudança se alinhem com a realidade profissional e com os desejos pessoais. Proponho, a seguir, algumas reflexões que podem ajudá-lo na escolha de sua carreira. Toda carreira deve ser vista como um negócio. Existe, sim, o objetivo de lucratividade, mas, antes disso, convém perguntar-se: “O que desejo realizar com paixão e amor?”. Só depois de responder claramente é que se deve estudar o mercado onde pretende atuar. Existem clientes para serem atendidos e toda uma estrutura de habilidades e competências que você precisa

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desenvolver e atualizar constantemente, para não ficar fora do “jogo”. Depois de escolher o curso, não saia da faculdade sem ter a ideia clara daquilo que espera por você no mercado, ou seja, envolva-se com o mundo do trabalho durante a graduação de preferência no primeiro período. Quando me refiro ao mundo do trabalho, não significa necessariamente estar empregado. Sugiro começar a treinar um olhar de quem deseja intervir na realidade. Em outras palavras, se você influencia tendências e tem clientes, está no jogo. Durante minhas graduações, costumava lanchar de graça na cantina da faculdade, como? Indicava colegas para escolherem determinada lanchonete. Previamente, fechara um acordo com a dona do estabelecimento: indicaria, por dia, 5 a 8 alunos a consumirem lá, e não no concorrente. Isso deu tão certo, que começamos a fazer rodízio: eu e vários amigos revezávamos em relação a quem iria lanchar de graça em determinado dia da semana, apenas indicando amigos e persuadindo-os a escolher a melhor cantina. E se fosse para comprar determinada marca de camisa, carro ou celular? Pense grande. Não focalize só um objetivo; junte continuamente capital intelectual. Lembre-se de que todos os outros estudantes estão fazendo a mesma coisa: assistindo às aulas, em sua maioria ultrapassadas, com conteúdos não mais absorvidos pelo mercado, para chegarem em casa com o boletim brilhando. Crie o diferencial. Invista em seu capital social invista em suas habilidades sociais, por exemplo, comunicação, liderança, negociação, marketing pessoal, resiliência, persistência, positividade, validação, a fim de, em relação às pessoas ao seu redor, tornar-se alguém diferente, positivamente atraente. Afinal de contas, se você estiver estudando e dedicando-se ao que lhe dar prazer, por que ser uma

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pessoa negativa? Pessoas negativas são insatisfeitas, porque não se encontraram, estão sonhando o sonho de outras pessoas. Não imagine apenas seu empregador como um cliente que deseja comprar algo útil de você, como seu tempo por exemplo. Imagine também sua namorada(o), seus amigos e familiares como algo parecido e, logo menos você vai entender como funciona. As pessoas buscam resultados positivos... o tempo todo! Então, seja bom em conseguir resultados positivos. Você pode estudar sua matéria preferida e apenas estudar sua matéria preferida. Você pode jogar seu jogo favorito e apenas jogar seu jogo favorito. Pode fazer café forte ou fraco e apenas fazer um café forte ou fraco, porém você pode aproveitar cada atividade dessas, para desenvolver habilidades pessoais que irão se tornar sociais e utiliza-las numa série de outras atividades em sua vida, e esse é o ponto. Pense nisso.

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Um Pouco Sobre Meu Capital Social. Dinheiro Traz Felicidade?

“-Como vai você? -Improvisando como sempre. (Marcos Rodrigues)

Nunca fui picado por aranha radioativa, nem meus pais foram assassinados por criminosos para que eu pudesse justificar uma máscara ou qualquer fantasia de super-herói. A verdade é que, durante o ensino médio, o mais mirabolante que fazia, como a maioria de nós nessa fase, era simplesmente existir de uma forma... simples! Nunca fui o mais popular. Meu maior superpoder na adolescência consistia em contar histórias. Adorava falar sobre os livros que lera e contar as histórias a meus amigos; consequentemente, falava muito, o que, com certeza, não me transformava em um bom comunicador mas me dava boas oportunidades para exercitar. Também não fui um nerd, ou seja, não integrava nem o time dos CDF, nem o dos populares; estava no meio, na massa de estudantes invisíveis que passam despercebidos pelos professores seja na graduação ou no ensino médio todos os anos. Nesse período, a maioria de nós acordávamos cedo, praticamente arrastados da cama pelos pais, o que não significava desamor, e sim o zelo de quem se preocupava com o futuro do filho. Eis aí o problema do zelo em excesso: criação de ruído demais, desnecessário: a escola, segundo minha mãe costumava aconselhar-me:

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Levante-se cedo. Arrume-se. Não chegue atrasado. Entre no carro e fique na escola, aí você vai aprender a ser alguém. Tire boas notas, você receberá uma educação de qualidade e poderá entrar em uma boa faculdade e, de preferência, na que não precisa ser paga; enquanto isso, a prenda uma ou duas línguas para conseguir ter o famoso diferencial competitivo. Submeta-se a estágios, para ganhar uma boa experiência e salário razoável, porque o importante nessa fase é adquirir experiência, pois, sem ela, você não terá nada. Depois de muito aprender, termine sua graduação e faça mais dois anos de pós-graduação ou, quem sabe? um MBA, caso seu pai ou sua mãe possam passar mais algumas horas sem dormir, para ganhar um pouco mais. Economia aqui, economia ali, quem sabe? sobre dinheiro suficiente para pagar sua pósgraduação ou seu mestrado naquele país legal, fora do Brasil, isso se você não conseguir uma bolsa de estudos. Finalmente, quando você terminar, aí, sim, vai ganhar muito dinheiro e ser feliz, porque, filho, embora todos procurem a felicidade numa sociedade capitalista, a felicidade é material. Eu acreditava nisso porque era o que ouvia em todas as reuniões de família. Via meus pais, diariamente, saírem de casa de manhã cedo e só voltarem à noite, a fim de proporcionar a qualidade de vida a mim e a meu irmão que eles mesmos não tiveram na nossa idade. Assim, nossa tarefa era relativamente fácil comparada a deles: acordávamos cedo, corríamos para a escola, fazíamos o dever de casa, aprendíamos tudo o que nos passavam e frequentávamos o curso de inglês. Tudo isso no sentido de obter classificação no vestibular e entrar em boa faculdade. Então, repetiríamos, de forma prática, todo aquele discurso ouvido o tempo todo. No entanto, eu era o tipo do adolescente problemático, que só fazia o que queria. Irresponsável, respondão, nem um pouco tímido,

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extremamente falante e conversador. Só queria mesmo me divertir. E você? Não? Que pena! Aos 17 anos, concluí mediocremente o 2º grau, inclusive com reprovação por falta no 3º ano, porque, no meu entendimento, o que ensinava era bobagem não me serviria de nada. Essa razão pela qual cansei de saltar sobre o muro da escola, “matando aula”. Mas, enquanto isso, fazia um curso técnico em desenvolvimento de software e análise de sistemas ao qual não faltava, bem como me considerava um dos melhores alunos da turma. Nessa época, já estagiando em algumas empresas de tecnologia, comecei a perceber que, embora trabalhasse mais do que meu chefe, ele sempre ficava com a maior parte do lucro que conseguíamos com os projetos, e tudo o que eu aprendia na escola não me servia de absolutamente nada! Meu chefe, apesar de não saber muito de informática nem o que todos fazíamos, é quem ficava com o verdadeiro lucro, pois ele tinha algo que nós não tínhamos: os clientes. Além do mais, claro, responderia por toda aquela burocracia para manter a empresa em funcionamento e, enfim, ficava com as dores de cabeça. Durante os intervalos para o almoço, conversávamos sobre como captar clientes e quem sabe montar nosso próprio negócio, conversei com dois amigos, pedi demissão e procurei meios para iniciar meu primeiro empreendimento, pelo menos em teoria. A verdade é que, depois de pedir demissão, voltei a tocar violão, montei uma banda e entrei para o curso superior de ciências da computação, sem muito esforço. Concluída a graduação iniciei a pós-graduação porém, abandonei-a, o que, obviamente, quase enfartou meus pais. Decidi não mais estudar sobre computadores, queria algo mais. O dinheiro me trazia, sim, felicidade, mas só até certo ponto. Surpreendia-me, refletindo sobre a relação entre as pessoas. 32


Então, resolvi tomar coragem de jogar tudo para o alto e recomeçar. Psicologia, essa foi a escolha. Meu pai achava na época que era essa formação destinava-se a pessoas que queriam morrer de fome ou ser perdedores sem futuro para viver à custa dos outros o resto da vida. De fato, existe um fundo de verdade nisso, mas, afinal de contas, nasci para fazer a diferença, pensava eu. No fundo, sabia que meu pai estava errado. Estudei mais um pouco e passei na melhor faculdade de psicologia da cidade, em último lugar e no período dos remanejados para o turno da tarde. Assim, aos 23 anos, comecei minha nova graduação a contra gosto de todos os amigos, parentes e pessoas que me conheciam como o nerdzinho da computação. Enquanto isso, primas e primos e, se não bastassem, meu irmão mais novo, já estavam iniciando suas especializações. Como ocorre em toda boa família, acabava sendo comparado com eles ou com qualquer outra pessoa da mesma idade que estivesse dando orgulho aos pais. Então, ouvia constantemente: “Gastei meu dinheiro com você e todo esse tempo jogado fora”; - era meu pai quando estava preocupado com alguma coisa ou com contas a pagar e eu o entendia. De qualquer forma na faculdade pela segunda vez, minha vida mudou não apenas quanto à escolha profissional mais principalmente quanto ao relacionamento com as pessoas e quanto aos caminhos que vislumbrei. E considero essa uma das melhores e mais difíceis decisões que tomei nessa vida. Embora as perspectivas de ganho financeiro - comparando-se com a realidade anterior como aluno de computação - fossem ridículas, agora, sentia-me realizado em ter seguido meu sonho e não ter ficado acomodado com medo de recomeçar. Aquela sensação de autorealização dinheiro nenhum no mundo poderia pagar! A verdade é que o dinheiro ajuda-nos a materializar nossos sonhos e 33


a transformar nossas ideias em realidade, sempre vi essa força como uma facilitadora para que eu pudesse desenvolver competências sociais, gosto de ver o dinheiro como uma mulher bonita e atraente, que quanto mais você aprende a lidar com ela, menos você cai em seus encantos e cede a seus caprichos. Ela nos proporciona o poder de escolha, ajuda a abrir algumas portas e pode funcionar como ferramenta para resolver necessidades reais ou não, porém, nunca será a única solução possível para nos realizarmos. A fim de entender as outras soluções, convém compreendermos dois conceitos básicos: o primeiro concerne à sociedade de consumo e o segundo, à sociedade carente por atenção ou sociedade do espetáculo e a palavra chave para esse segundo ponto é entender a força que tem as pessoas que são boas em criar entretenimento a outras. Seja por meio de uma boa conversa, uma música, um blog, vlog ou qualquer coisa que sua imaginação permita. O que buscamos quando saímos para a balada? Quando ligamos a TV? Quando ligamos o computador? Quando saímos com nossos amigos? Namorada(o)? As compras? Porque um jogador de futebol ganha cem vezes mais que um professor universitário? Entretenimento, é ele que te mantém horas no facebook sem cansar e é pra ele que vai boa parte do seu orçamento mensal e tempo. Segundo a wikipédia, entretenimento é: o conjunto de atividades que o ser humano pratica sem outra utilidade senão o prazer. É o desvio do espírito para coisas diferentes das que o preocupam. Pode ser uma distração, um passatempo ou um desporto. Hora sabendo que, buscamos o prazer em tudo o que fazemos, porque não se tornar uma pessoa boa em criar entretenimento naquilo que estiver envolvido ou criando? 34


Então ir ao barzinho se tornou mais do que ir apenas ao barzinho para beber com os amigos, pode ser além disso, assistir ao jogo preferido ou as lutas do UFC, afinal de contas, quanto mais entretenimento o ambiente tiver e você tiver acesso, mais prazer você tem, mais tempo ficará no ambiente e consequentemente mais dinheiro vai gastar. Vamos voltar um pouco, na época em que fazia o ensino técnico e a graduação em computação, aconteceu o BOOM da tecnologia, e os profissionais da área eram divididos em duas categorias, os estudantes de computação padrão e os melhores estudantes de computação que às vezes se intitulavam de hackers, eram bons em invadir sistemas operacionais e uma serie de outras habilidades que você pode encontrar facilmente numa busca rápida no google e não é tema deste livro, mas é importante, você entender, mais dois conceitos centrais, os de sistemas e o de invasão de sistemas. Vamos imaginar sistemas sociais com suas dinâmicas sociais. Imagine sua faculdade ou universidade por exemplo, como um sistema social com sua dinâmica social própria, existe todo um mundo de variáveis que se relacionam entre si num padrão que se repete ininterruptamente. Professores, graduandos veteranos, graduandos calouros, coordenadores, serventes dentre outros e seus espaços ou ambientes, sala de aula, sala da coordenação, biblioteca, lanchonetes, estacionamentos. Dentro de cada ambiente desses acontecem rotinas particulares, ou seja, existe uma dinâmica considerada normal e singular acontecendo naquele ambiente, por exemplo, você não estaciona seu carro dentro da sala de aula, da mesma forma que não assiste aula no estacionamento. Cada espaço desses contém um conjunto de regras, que as variáveis utilizam para coexistir de forma que todo o sistema funcione coerentemente nos horários pré-estabelecidos e dando os resultados esperados.

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Era dessa forma que via minha graduação de Psicologia, a pergunta que me fazia era: Como poderia hackear, aquele sistema educacional (social) e tirar o melhor proveito dele? Enquanto estudante de computação aprendera a programar o software para funcionar congruentemente e dar vida ao hardware, enquanto estudante de psicologia estava prestes a iniciar meu aprendizado em como programar o software (mente) para tirar o melhor desempenho do hardware (corpo). Como reconhecer, modificar e ajudar as pessoas a modificarem seus próprios softwares para versões melhores de si mesmas? (sistemas de crenças pessoais). Essas eram as metáforas que usava e foi dessa forma que esse livro surgiu, observar graduandos de sucesso e estudar a dinâmica social dentro das instituições de ensino superior, de modo que pudesse tirar o melhor proveito de minha graduação para promover meu planejamento de carreira baseado em metas pessoais. Enquanto estudante de tecnologia, aprendi as famosas linguagens de computação da época (C, C++, Delphi, Java, ASP, PHP dentre outras) para inserir dados e desenvolver softwares, enquanto estudante de psicologia, percebi a importância de se desenvolver uma comunicação interpessoal eficaz para inserir informações e aumentar meu poder de persuasão enquanto aprendia as teorias padrões da psicologia (Behaviorismo, Psicanálise, Gestalt, TCC dentre outras) , cada graduação tem sua linguagem própria, perceba qual faz sentido a sua formação e invista nela, porém independente disso, desenvolva sua comunicação inter-pessoal torne-se bom em lidar com pessoas. Pense nisso.

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Afinal de Contas, Ter Status é Realmente Importante?

“Nunca é demais dizer obrigado. (Jeff Zucker, presidente da NBC Universal.) Certamente você, leitor, já deve ter visto ou ouvido falar alguma coisa sobre marketing pessoal. Por sua vez, a universidade nos seduz com a ideia de que a vida real é um oásis no qual o puro talento e bom curso são o suficiente. A atriz Meryl Streep, em entrevista, afirmou: “Pensei que a vida seria como a universidade, mas não é. É como o ensino médio”. Sim, a vida é como o ensino médio. De fato, as coisas que nos tornavam populares começam a ter novamente importância. O graduando competente e agradável atrairá muito mais colaboradores do que o brilhante, o nota 10, mas socialmente deficiente. Portanto, para adquirir status, antes de nos tornarmos profissionais, precisamos ser agradáveis àquelas pessoas com as quais nos sentimos bem. Sucesso hoje é muito mais uma questão que implica personalidade e comportamento do que necessariamente capital intelectual. O status é reflexo de atenção e, consequentemente, atração. E parece evidente que a mídia trabalha com esses conceitos o tempo todo. O produto mais vendido é aquele que gera no cliente o conceito de status e valor agregado à compra. As mídias televisivas precisam o tempo todo manter a atenção do consumidor a fim de vender seus produtos e criar “conexão”. Em nossa sociedade, o valor atribuído ao carro do ano, ao melhor celular, à melhor roupa é compartilhado com aqueles que se utilizam desses objetos, os quais conferem status social a determinado público. Ao mesmo 37


tempo em que consumimos tais produtos, mesmo sem precisar deles, automaticamente atraímos a atenção de outros que desejam os mesmos objetos. É como atualizar seu perfil no facebook, constantemente, com fotos interessantes e frases de efeito que, no fundo, induzem as pessoas a acharem que você é aquilo, quando, na maioria das vezes, não é. Imaginemos que, no ambiente acadêmico (universitário), essa sociedade de consumo e carente por atenção está aí o tempo todo. O estudante que conseguir desenvolver habilidade para transitar em vários espaços, desde a sala dos professores até as salas de aula, com outros alunos de outros cursos, certamente estará expondo-se mais e, consequentemente, abrindo portas para a promoção de atividades inimagináveis. Quanto mais se tornar diferente e “especial” dentro desse espaço compartilhável com outros estudantes, professores e empresários em diversas atividades, geralmente, no mínimo, por dois anos, melhor para seu desempenho profissional, independente do curso escolhido. O ponto aqui é aprenda a investir no seu marketing pessoal; aprender a poupar e a investir em si mesmo; aprender a economizar e a estabelecer orçamento adequado a sua realidade. Para poupar, é preciso cortar o supérfluo. Mas o conceito de supérfluo é bastante relativo, porque ele que nos dá, de certa forma, a graça na vida. Ninguém sente prazer de pagar juros, atrasar um pagamento ao banco; porém conversar com os amigos após o término das aulas, no barzinho da esquina, sim! O dinheiro gasto com esse supérfluo é o objeto de desejo da maioria das empresas do prazer a curto prazo e da propagadora do “tenha status”. Por exemplo, você, algum dia, caro leitor, possuiu um celular simples que fazia basicamente a mesma coisa que o modelo mais moderno faz por um valor muito maior? Investimos no

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supérfluo, porque, além de nos trazer satisfação, gera status pelo poder do consumo. É bem verdade que, em nossa vida pessoal, não somos muito racionais. As emoções, muitas vezes sobrepõem à razão. A faculdade afetiva interfere nas decisões o tempo todo. Daí a diferença significativa entre querer e desejar algo. O desejo é dimensão inconsciente da subjetividade; é ele que move muitas decisões. Sabemos, por exemplo, que não devemos fazer algo, mas acabamos fazendo por desejar. Isso se sobrepõe à razão. Já querer refere-se à ordem consciente da subjetividade, requer responsabilidade. Assim, após avaliarmos se algo é realmente necessário, decidimos adquiri-lo ou não. O segredo não é evitar o desejo, mas pensar de forma responsável e consciente sobre o querer. Há muito de psicologia na gestão das finanças. E você, caro leitor, por acaso, duvida de que os sistemas bancários e as mídias de divulgação de serviços e produtos não sabem disso? Além de saberem, usam o tempo todo o conceito básico do marketing “atividade humana dirigida para satisfazer necessidades e desejos por meio de troca.” (Kotler) e dele abusam para atingir todos os públicos, sobretudo os jovens, que tendem a ser menos racionais, pelo menos em tese. Observamos o tempo todo o marketing superando a verdade e a vontade. A sociedade de consumo, carente de atenção, está diariamente ligada a isso. Entender o funcionamento do jogo social para aprender a lidar com essa sociedade é a regra de ouro. Você, leitor, só poderá jogar bem se souber como agir e como transformar tal realidade em algo a seu favor. Status é algo importante para nossa sociedade porque te permite acessar locais e ser visto de maneira diferenciada, esse status se conquista com resultados positivos 39


dentro de sua área de atuação ou através de comportamento adequado. Pense nisso.

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As Regras do Jogo

“A forma mais significativa de diferenciar sua empresa da concorrência, a melhor forma de destacar você da multidão é realizar um trabalho excepcional com as informações. A maneira como você coleta, gerencia e utiliza as informações determina se você vai vencer ou perder. ( Bill Gates, presidente da Microsoft.) Uma das dificuldades da maior parte das pessoas é implementar o que boa parte dos gurus das finanças ou “grandes jogadores” têm a dizer, como, por exemplo, Kiyosaki, escritor do best-seller Pai rico e pai pobre. Ele recomenda que as riquezas sejam acumuladas na forma de imóveis, invenções que gerem royalties. É fácil dar um conselho assim: “Em vez de ir trabalhar todo dia, compre uma padaria, coloque funcionários e um gerente e faça o dinheiro trabalhar para você”. Mas a distância entre as pequenas economias da classe média predominante e o capital necessário a fim de fazer grande investimento - comprar um imóvel ou alugá-lo para montar um negócio, por exemplo - é praticamente inviável. Vivemos numa verdadeira “matrix” social, processo que nos aprisiona e nos condiciona a ser o que somos. Ficamos sem alternativa, continuamos comparecendo ao emprego diariamente para pagar contas, investir em coisas fúteis e perpetuar o processo pessoal de limitação de riqueza. E, por trás de boa parte do discurso de estímulo ao empreendedorismo, da superação pessoal e das políticas públicas 42


medíocres, existem verdadeiros truques de marketing e de psicologia, por meio dos quais somos educados durante a vida e, por intermédio da mídia, condicionados a manter, por exemplo, a classe média onde ela está. Vamos imaginar, por breve momento, que a vida é um jogo. Quando estamos envolvidos na luta diária da existência, tendemos a não considerar o fato de que há alegria em viver. Duvidamos da existência de algo como divertimento quando estamos trabalhando, por exemplo. É muito fácil ver um jogo em termos de futebol, mas não é fácil ver a vida como um jogo quando nos obrigam a levantar cedo, ganhar pouco e trabalhar muito. A vida, independente do seu tom, pode ser vista como um jogo, no qual os elementos da própria vida constituem os elementos desse jogo. Então, a eficiência em qualquer atividade poderia ser definida como a capacidade de jogar o jogo à nossa disposição; a ineficiência, ao contrário, a incapacidade de jogá-lo. Assim, a entrevista de emprego, a busca por notas boas na faculdade, os relacionamentos, a falta de educação financeira para os brasileiros, a falta de educação de qualidade, todos têm regras que exigem dos participantes habilidades específicas para vencer ou controlar a situação até o fim do embate. Todo jogo consiste basicamente de três elementos - liberdade, barreiras e propósitos - e nele sempre existe a necessidade de haver um oponente ou inimigo. Assim, é necessário o jogador manifestar singularidade suficiente para lidar com determinada situação e desenvolver um propósito para jogar, o que, exige oposição ou propósitos que impeçam sua realização, pois precisamos estar em relação de alteridade. Sempre existem os parceiros e os concorrentes, todos com o mesmo objetivo: ganhar.

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Num jogo, o oponente atua como fator descontrolador; se não, saberíamos exatamente como o iria desenrolar-se e acabar. E isso não seria jogo nenhum! Se uma equipe de futebol fosse completamente capaz de controlar a outra equipe, não haveria jogo ou competição. O detalhe importante aqui é: abra seus olhos e comece a questionar “Quais são as regras do jogo que estamos dispostos a jogar? Como podemos nos dar bem? O que é preciso fazer? Quem está jogando também? Como os outros jogam? Quem é o melhor jogador? Podemos modelar o comportamento dele? Como? O jogador mais experiente pode nos ensinar? Os jogadores trapaceiam? Se sim, como trapaceiam? Existe a carta saída livre da prisão”? Se sim, como conseguir?” Quando estamos prestes a participar de um novo jogo, temos duas opções: aprender com um jogador mais experiente ou aprender lendo o manual do jogador. Meu jogo, por exemplo, é me tornar um dos psicólogos mais influentes de minha geração. Então, quem são os melhores jogadores ou onde conseguir os melhores manuais para aprendê-lo? Existem cursos de qualificação que podem ensinar-me a jogar melhor ou me proporcionar cartas na manga? Posso aliar-me a outros jogadores e fazer parcerias? Outro detalhe importante é que, em nossa sociedade, o fato de não haver tempo disponível dá certo ar de importância aos jogadores, porque criamos a ideia de que, se temos tempo, isso não é suficientemente interessante. Então é preciso mesmo trabalhar muito e ganhar muito, a fim de conquistar independência financeira, pra fazer sobrar tempo. As regras são simples. A maioria das pessoas, no Brasil e no mundo, levanta-se cedo em busca da tão sonhada independência financeira ou da realização pessoal - ou você tem isso, ou está fora. É essa a máxima que escutamos e pela qual somos bombardeados a todo momento.

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Vivemos num clima de tensão de desemprego, que termina, de certa forma, assustando-nos, estressando-nos, criando mal-estar não só naqueles que estão fora do mercado como também nos que já estão dentro. O desemprego faz os menos preparados submeterem-se a trabalhos medíocres, ganhando pouco, e em alguns casos, a humilhações. Esse é um dos preços que paga por não saber jogar adequadamente ( querendo ou não, sabendo ou não). A palavra trabalho vem do latim, tri palium, “três paus”, que é um instrumento de tortura. O sistema dominante fez do trabalho seu principal valor. Nós, os escravos sociais, devemos trabalhar cada vez mais para pagar a crédito nossa vida, que, na maioria das vezes, é sem graça e a prazo. Esgotamo-nos no trabalho, perdemos com ele a maior parte de nossa força vital e caímos na ciranda do consumo: trabalhar para consumir. Nosso desejo de ter produtos e serviços cada vez mais caros - carros do ano, celular da moda, roupa de marca, dentre outros - vai aumentando gradativamente. O sistema entende a regra do jogo tão bem, que, no sentido de manter tudo funcionando capitalisticamente oferece até a forma de pensar pronta, ou seja, não precisamos pensar por nós mesmos, porque a persuasão propagandística nos diz: “Compre a prazo e use cartões de crédito”. Encontramos em canais de televisão aberta o que devemos vestir, comer; como nos devemos comportar; e o principal: a sugestão subliminar de que devemos aceitar tudo, não reclamar de nada, ser passivo, obedecer sem reclamar. Ainda quanto ao desemprego, o que dizer da situação financeira dos estudantes no Brasil? Você, leitor, já percebeu a dificuldade de encontrar um espaço no mercado de trabalho, razão pela qual o 45


estudante precisa aprender a desenvolver, independentemente do curso, comportamento empreendedor, já que a maioria dos estudantes acredita no velho paradigma do mito do sucesso: apenas só depois de concluir cursos exaustivos de graduação, de falar fluentemente várias línguas e terminar uma pós-graduação, aquele jovem poderá realmente ganhar dinheiro. Na verdade, porém, a graduação vai acabando e a angustia vai aumentando. Entretanto, enquanto alguns graduandos aguardam a conclusão desse ciclo, existem outros que ainda no inicio da graduação ganham muito mais dinheiro e reconhecimento por meio de seus próprios projetos. Conheço vários graduandos que, ainda na faculdade, conseguiram mudar sua realidade em curto espaço de tempo, por meio de ideias e de ações próprias. Acredite em você mesmo e faça diferente. Se tiver tênis surrado, calça jeans rasgada e uma ideia brilhante, poderá tornar-se o “cara”. Uma outra estratégia no jogo da vida largamente utilizada pelo governo e empresas é o FALSO paradigma da empregabilidade. É muito comum escutarmos coisas assim: “Se fulaninho que era pobre, miserável, saiu de onde saiu e hoje ganha milhões, você também pode”. Certo? Errado. Esse argumento tenta esconder a triste realidade mundial, no qual governos corruptos não promovem condições de educação, saneamento básico, condições mínimas de existência entre todas as classes sociais, por exemplo. E aí nos iludimos quando, no universo de um milhão de pessoas, uma consegue se dar bem. Dessa forma o governo transfere para você, cidadão que paga impostos altíssimos, total responsabilidade pelo sucesso ou fracasso de sua vida, quando, na verdade, o governo é quem deve exercer o papel fundamental no que tange a disponibilizar oportunidades para todos de forma justa. O mesmo acontece dentro das empresas, quando se transfere toda a responsabilidade aos funcionários pelo sucesso ou fracasso em suas carreiras profissionais. Como se percebe, é necessário termos 46


um olhar amplo, afinal tal questão compete a ambos: governo e cidadão. Ao cidadão cabe criar e aproveitar, da melhor forma possível, todo seu potencial; ao governo compete criar condições favoráveis ao aperfeiçoamento e à criação de oportunidades legítimas. Portanto, devemos exigir de nossos respectivos representantes políticos projetos e investimentos adequados à realidade de nossa cidade. Quando certos líderes nos ensinam a não nos rebelarmos ou não reinvidicarmos um direito, a não exigir, estão recorrendo a mecanismos que o sistema usa para manter o jogo sempre a favor de uma minoria que continua ditando as regras. A propósito disso, quantos colegas e amigos estão estagiando de forma irregular, mas aceitam essa situação calados, coniventes, porque parece ser a única oportunidade ou alternativa de se manterem empregados? Enquanto isso, infelizmente a maioria das IES (instituições de ensino superior) ainda não mostraram a importância da multidisciplinaridade aos estudantes e do desenvolvimento de habilidades empreendedoras. Então cabe aos próprios estudantes saírem de sua zona de conforto e decidir o que deseja. No geral, o que se chama de empreendedorismo não passa de uma disciplina na qual se aprende a elaborar plano de negócios, o que, no final das contas, é o menos importante. Na verdade, você tem aula de negócios com professores que nunca tiveram um empreendimento na vida - pessoas teóricas dando aulas para uma realidade prática, que é bem diferente. Se você não tiver uma ideia interessante nem comportamento agregador, o melhor plano de negócios do mundo não irá levá-lo ao outro lado da esquina. E mais: a maioria das IES entende que o empreendedorismo se restringe a alunos de administração ou de engenharia, porque esquece, como já discutimos, que existe o intraempreendedor, o novo perfil

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comportamental dos empregados, ou o empreendedor de carreira. A maioria dos calouros entram nas faculdades cheios de sonhos e sem informação suficiente sobre os cursos; então, argumentos como “Não gostei do curso”, “Vou trocar”, ou “Pensei que fosse A e é B” são comumente ouvidos. Esse é o comportamento típico do estudante padrão, contaminado com o antigo paradigma do “Tire notas boas e você será alguém”. É como o jogador que pede dicas a outros jogadores medíocres e despreparados. E o tempo vai passando, chega-se ao término do curso e a maioria se dá conta de que não fez nada ou não fez o suficiente - o professor finge que ensina e o estudante finge que aprende. Além do mais, boa parte dos professores adota métodos de ensino ultrapassados, são péssimos jogadores. Quantas vezes encontramos aquele professor poço de conhecimento, mas que não sabe ministrar a aula? Nossa geração não mais aceita o costumeiro “café com leite”, só aula não basta. O desafio da empregabilidade atinge todas as classes sociais, ao mesmo tempo, muitas pessoas sentem que podem fazer mais e percebem a necessidade pulsante de transformação pessoal. Essas vão entender melhor as regras do jogo, a importância de afinar seus instrumentos constantemente. Ser bem-sucedido, depois de formado, conforme a imagem culturalmente vigente, é quase obrigação de todo graduando, embora isso não corresponda à realidade, o que gera sentimento de frustração na maioria dos estudantes. O desafio e o diferencial consistem em o estudante procurar dar-se bem ainda na condição de estudante, comportando-se como profissional - DENTRO DO MERCADO DE TRABALHO, porque é dentro dele e fora das 48


universidades que ele encontrará a maioria dos melhores jogadores para trocar experiências e aprender jogadas mais interessantes. Desenvolver status e adquirir capital social e intelectual são inegociáveis para o sucesso profissional nesta sociedade de conceitos e valores distorcidos. Por que um jogador de futebol ganha cem vezes mais que professores graduados com mestrado, doutorado e pós-doutorado? Isso acontece porque ele tem maior habilidade de criar atração e status sobre si mesmo, ao mesmo tempo em que gera entretenimento. Em outras palavras o jogo do jogador de futebol cria mais entretenimento e atrai mais atenção do que o jogo do professor pós-doutor na maioria dos casos. No curso de oratória que ministro, destaco quatro pilares básicos para qualquer apresentação, comunicação ou abordagem eficaz: entretenimento, ensinamento, informação e motivação. Mais de 90% dos professores fazem uso apenas de informação, nas aulas e apresentações em sala, em geral, focalizam-se o ensinar e o informar despreza-se o motivar e o entreter, diferenciais de qualquer bom comunicador. Essa é uma razão por que aprender através da Internet se torna, por vezes, muito mais interessante do que assistir à maioria das aulas. Gerar entretenimento é a principal característica procurada pelos serviços de Internet e a mídia de uma forma geral. Informar e ensinar com motivação e entretenimento criam seguidores e fidelizam clientes. Hoje se fala muito em inovação. Sempre que ouço alguém falando sobre esse tema, questiono-me: como inovar? Saber que precisamos inovar é a modinha do momento. O desafio é ensinar o real conceito de inovação ou recriar produtos e serviços, a famosa destruição criativa que o empreendedorismo clássico tanto defende. Para criar, é necessário estar informado sobre o que se 49


deseja mudar; estar de olhos abertos a novos modelos e, sobretudo, estar inconformado com a realidade vigente. Pessoas conformadas não inovam, porque a realidade momentânea lhes satisfazem. Mas, como querer uma geração inovadora, se somos educados a todo momento para SERMOS JUSTAMENTE CONFORMADOS? Quer inovar? Então coloque, caro leitor, um pouco de inconformismo no seu repertório, é impossível ser inovador e conformista ao mesmo tempo. Você terá que escolher... Embora a criatividade seja uma habilidade extremamente importante, pouco se fala nos ambientes acadêmicos, as ementas de alguns cursos de graduação são medíocres, limitantes e desestimulantes. Sendo assim, por que as IES não investem nos estudantes, em cursos de extensão no sentido de promover habilidades quanto à empregabilidade, liderança, negociação, a vendas, à comunicação e a tantos outros temas importantes para qualquer graduação? Devo as minhas conquistas pessoais 80% não às disciplinas do curso, mas justamente àquelas que procurei fora do espaço acadêmico. Se você, leitor, cursar dois, três ou quatro anos de uma graduação qualquer e, ao final, perceber que não seria aquilo que gostaria de seguir, quem será o maior beneficiado: você ou a instituição, que faz parte desse conceito “excelente” de educação no Brasil? Como em todo bom jogo, o fator sorte também é condição importante para a vitória ou derrota de qualquer player, porém, no jogo do mercado de trabalho, quanto mais preparado você estiver, mais você terá. Informação de qualidade lhe poupa dinheiro e tempo. Pense nisso.

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Jogando o Jogo

“O patrimônio de uma empresa desce pelo elevador cada noite. (Faifax Cone, publicitário.)

Educação, na verdade, é um negócio lucrativo, e você precisa aprender a tirar proveito dele. Observe como o número de faculdades particulares tem aumentado consideravelmente, em todo canto do pais. Concorrentes entre si, precisam, a todo instante, criar diferenças competitivas a fim de, mais uma vez, gerar atração e entretenimento ou motivar e entreter bem como manter o estudante matriculado. Mas é esse estudante que vai dar o reflexo real da qualidade do serviço oferecido por determinada faculdade, ou seja, quanto mais estudantes brilhantes, mais sucesso ela terá. Caiu a ficha? Ainda não? Então, vamos lá! Exemplo simples: quantos amigos seus estudantes do 2º grau passaram no vestibular de faculdades públicas, com as melhores notas e rapidamente a escola ou o cursinho tratou de tirar sua foto, fazer entrevistas com eles e aplicar sua imagem em outdoors, panfletos ou cartazes? Com a faculdade é a mesma coisa. Fato: o garoto-propaganda da faculdade A, B ou C é o próprio estudante de sucesso que ali está matriculado. Conheço vários casos de alunos que obtiveram o 1º lugar em algum concurso, ou em campeonato de conhecimento, por isso foram convidados por faculdades particulares a estudar em seu campus, de graça ou com um belo desconto. Você duvida disso? Então, se 52


você estuda em IES particular, procure saber qual a forma de pagamento dos alunos-estrela. Se não pagam menos do que a maioria, não estão sabendo utilizar seu status de forma rentável; se ainda pagam os 100% referentes à mensalidade, está na hora de começar a pensar “fora da caixa”. Então, se você é um ótimo estudante, com um diferencial no mercado de trabalho em relação aos outros, escolha onde quer estudar e quanto vai pagar à instituição para tê-lo ai dentro. A ideia é ser patrocinado por ela para agregar valor a sua estrutura acadêmica tal qual os esportistas fazem com empresas de produtos esportivos. Caiu a ficha? É o graduando que forma a faculdade ou a faculdade que forma o graduando? Depende do graduando... e da faculdade. Para o graduando “fazer” a faculdade, precisará ser diferente. Harvard, por exemplo, é altamente conceituada, porque, um dia, um professor universitário, que tinha sido um aluno habilidoso, juntou outros professores habilidosos e resolveram fundar uma universidade onde só entrariam estudantes com potencial de dominar, persuadir e influenciar outros. Mas, aqui no Brasil, a história é diferente: um professor habilidoso ou não, convida outros professores, com algumas habilidades ou não, para criar faculdade ou cursinho particular a fim de ensinar pessoas a continuar sendo controladas, formar o velho e bom empregado, porque sabem que a educação no Brasil é um negócio rentável. Já viu, como se processa a seleção de estudantes em boa parte das IES particulares? Vestibular agendado ou vestibular na HORA! Já observou o mercado lucrativo dos cursinhos preparatórios para concursos? Eles ganham muito dinheiro, alimentando o sonho da tão amada e idolatrada segurança financeira prometida pelos concursos públicos. Então, para tornar determinada instituição mais atraente, tentam agregar a seu serviço valores e conceitos. Você já ouviu falar sobre 53


cursos a distância, a famosa EAD? Fórmula mágica para se ganhar muito, investindo pouco. A massa estudantil não absorvida pelas IES públicas busca as particulares e começa o desafio da escolha face à grande diversidade. Qual o critério de seleção? Qual faculdade particular seguir? A mais perto de casa (comodidade)? A com melhor conceito no mercado (status)? Ou a mais adequada a sua condição financeira (valor das mensalidades)? A melhor faculdade particular é aquela que consegue agregar boa localização a bom conceito, que tem professores capacitados e oferecer condições de pagamento flexíveis. Já percebeu a quantidade de IES que estão mudando para o modelo Escola de Negócios? Trata-se da tentativa de atrair mais alunos, prometendo estágios e empregos garantidos no mundo dos negócios (ri alto quando escrevi isso). Daí, a estratégia secundária será captar os alunos talentosos e se possível, os líderes associativos. Isso porque que onde há um aluno com o diferencial, existem outros, pelo menos teoricamente, formadores de opiniões, que conseguem levar para sua faculdade amigos e colegas que admiram suas realizações e, frequentemente, colocam o mérito na instituição de ensino, embora essa tenha contribuído muito pouco. Assim, o graduando não poderá ser apenas mais um no meio do campus de sua universidade ou faculdade; precisará tornar-se alguém e deixar claro, por meio de atitudes, de palavras e de projetos, o motivo por que veio e onde quer chegar. Portanto, se ainda não sabe a resposta para tais questões, deve começar a procurá-la, porque esse é o primeiro passo a dar, no sentido de gerar atitudes reais. Se você não sabe para onde quer ir, qualquer caminho dará em qualquer lugar e isso não o fará ser alguém. Alice no país das maravilhas aprendeu este conceito básico: direção, saber para onde se deseja ir. Não saber aonde se quer 54


chegar não é o caminho para um bom graduando que deseja empreender em sua carreira. Então, é preciso tornar-se um observador ativo e entender o conceito central a fim de poder visualizar as oportunidades ou criá-las. Qual tema você defende? O que faz você levantar pela manhã? Que tema faz seus olhos brilharem quando você fala sobre ele? O que o medo te impede de fazer? No contexto do aluno de mente mediana e da universidade contemporânea, toda liberdade de pensar e de criar é inadvertidamente reprimida, tornando os alunos meros participantes passivos ou, pior, instrumentos a desempenhar meras funções nos sistemas de entretenimento bem parecidas com o papel de algumas mulheres bonitas em nossa sociedade: entreter homens mais velhos com dinheiro. Em vez de agentes de transformação social e seres ativos no processo da aprendizagem criativa, tornam-se meros repetidores de conhecimentos perfil inaceitável em qualquer período de graduação. Pense em seus professores como POSSÍVEIS caminhos de sucesso. Existe uma infinidade de outros. Antes de prosseguir a leitura, tente responder à pergunta: Como estarei em minha área de atuação daqui a três anos se continuar fazendo o que faço? Pense nisso.

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A Dinâmica Social e o Erro como Ponto de Partida

“Comandantes fracassados dão ordens e depois retornam ao seu jogo de cartas no quartel-general. Eles acreditam que o simples ato de dar uma ordem fará com que tudo se arranje e que a batalha esteja ganha. Eles esperam que tudo ocorra exatamente de acordo com seus planos. Isso é tão irreal quanto estúpido. Um comandante de sucesso dá uma ordem e depois se certifica de que, além de ser cumprida, ela está gerando resultados planejados. Se as coisas derem errado ou a situação mudar, o comandante logo saberá e poderá reagir dando novas orientações. Não tire conclusões precipitadas nem pressuponha nada. Faça o acompanhamento de tudo. ( General George S. Patton) Todos nós precisamos nos alimentar, respirar e descansar para sobreviver; porém a forma de fazer tudo isso difere de uma pessoa para outra. Buscamos no espaço de vida, ou como vou chamar ao longo deste manual, no campo, a cidade em que está a faculdade e seus respectivos cenários ou sets, como fila de ônibus, dentro do ônibus, no carro, dentro de casa, nos grupos de estudos, no grupo de professores, dentre outros. O campo psicológico é o que se denomina espaço de vida. É considerado totalmente dinâmico, isto é, os fatos aí coexistem, são interdependentes, além disso, compreende tanto a pessoa quanto o meio onde ela vive. Quando digo, portanto, que o comportamento depende do estado da pessoa e de seu meio, a pessoa A e o meio B têm que ser 57


considerados variáveis mutuamente dependentes ou, em outras palavras, um agrupamento de variáveis independentes. Segundo Lewin, em seus estudos sobre a dinâmica de grupos, a estrutura do espaço de vida refere-se às posições que as partes mantêm entre si. Uma das condições básicas para determinar-se a estrutura do espaço de vida é estabelecer a POSIÇÃO da pessoa DENTRO desse espaço. Em outras palavras, precisamos entender que a forma de as pessoas se comportarem tem uma razão de ser, particular e inerente a cada indivíduo. Elas relacionam-se em determinado campo, fazendo o que fazem e como fazem em busca de algo. A forma como nos comportamos hoje no campo onde estamos inseridos diz respeito à posição em que nos colocamos e à posição que as outras pessoas se colocaram ou foram colocadas diante de nós. O estudo da dinâmica social consiste em observar essas posições, em entender o que motiva as pessoas a fazer o que fazem e como fazem. Devemos questionar como e onde podemos tirar proveito e vantagens do cenário que observamos e do qual participamos. É o mesmo que observar atentamente o manual com as regras do jogo, antes de jogar, e tentar conhecer os jogadores. Normalmente, em processos seletivos, um profissional de classe A seleciona um de classe B, que, por sua vez, seleciona um de classe C, que, provavelmente, irá selecionar um de classe D. As pessoas em determinado cargo ou com determinado status dificilmente contratam ou colocam outra de potencial igual ou superior nas proximidades ou onde, de alguma forma, ameace a posição delas no futuro. Via de regra, é isso que acontece nos processos seletivos. Por tal razão, empresas de sucesso e grandes empresas terceirizam o recrutamento ou envolvem profissionais de ponta (a elite da organização) no processo seletivo, de alguma forma, a fim de identificar e selecionar os profissionais de talento igual ou superior.

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O principal conceito que irei trabalhar ao longo das 10 regras é o do empreendedor de si mesmo ou o empreendedor de carreira, do ideal de destruição criativa a que você - e por que não dizer qualquer profissional que se preze - deve estar disposto a promover com suas próprias crenças e valores, na conquista de si mesmo. Antes de irmos direto às regras, convém compreender que o erro faz parte do processo de aprendizagem. Na verdade, sem a fórmula erro + persistência = aprendizagem, nenhum homem teria feito nada notável. Mas muitos de nós criamos crenças reducionistas e uma delas é a de que o ato de errar é pecado, socialmente considerado algo abominável. Assim aprendemos na nossa formação de ensino médio! Já percebeu a dificuldade de lidar com a rejeição ou com os próprios erros e de nos perdoar para dar um passo adiante? É preciso entender primeiro que ninguém vira um profissional exemplar da noite para o dia e que a construção é gradual, diretamente proporcional ao esforço que desprendemos em direção a nossos objetivos, para, então, começar interiorizando a ideia de que, enquanto estudante, e dentro do campus universitário, é necessário permitir-se errar para construir realmente habilidades importantes ao desenvolvimento pessoal e profissional. Então, se, você leitor, tem medo de falar em público, se não sabe trabalhar em equipe, se não consegue estabelecer relações saudáveis com os colegas de sala, esse é o ambiente ideal para desenvolver competências proveitosas para o resto de sua vida. Lembre-se de que como estudante tem a desculpa de que, estando em processo de aprendizagem, pode errar o quanto for preciso para aprender. Já o profissional formado não poderá, tecnicamente, usar isso como desculpa. Por um lado, a possibilidade do fracasso ou erro é um fantasma que nos persegue e provoca ansiedade; por outro, parece

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impossível fazer algo de grande impacto sem correr riscos. Eventualmente, por medo, poderemos escolher o caminho mais fácil, mais seguro ou mesmo mais cômodo. Agindo assim, correremos o risco de não deixar um legado, algo a ser lembrado, se essa for sua vontade obviamente. Quando estiver realizando algo, busque procurar comportar-se como profissional, mesmo que seja iniciante. As 10 regras nos capítulos subsequentes destinam-se às pessoas que acreditam em si mesmas, que acreditam que hoje podem ser melhores do que ontem e que seu destino, depende única e exclusivamente, da força de suas atitudes em direção a seus sonhos, e não de deuses, pais ou qualquer tipo de autoridade externa à própria consciência. Escolher e criar o próprio destino é um ato de coragem e amor próprio que deve ser baseado em informação de qualidade, vontade e confiança em si mesmo. A 10 regras e os aspectos comportamentais importantes, pude compartilhá-los com centenas de outros colegas e outros estudantes de diversos cursos e faculdades, em diversos lugares do Brasil. Aí pude perceber a significativa diferença no curso da história desses estudantes, por estarmos recriando e inovando, ainda que dentro da graduação, e, assim, contagiando outras pessoas no sentido de mudarem suas vidas para melhor. As regras poderão ser utilizadas em qualquer espaço ou campo, porém o foco aqui é o ambiente acadêmico. Não tenhamos medo de cometer erros. Grandes líderes aprendem com seus erros, sem remoê-los. Logo, esteja disposto a reconhecêlos quando estiver errado. Aborte o projeto malsucedido, aprenda com os erros prossiga com mais experiência, mude de projeto se for necessário mais nunca, nunca desista. Seja otimista. Minimize o 60


lado negro da força e focalize o que poderia dar certo. Todo herói sabe que... cada machucado é uma lição e cada lição o faz melhor. Pense nisso.

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Regra I - Não Ofusque os Deuses

“Quem

determina o nosso futuro: o destino, os deuses ou nós próprios? (Peter Bernstein) Não sei se você teve a oportunidade de conhecer o Mister M: O mascarado que fazia diversas mágicas e, no final, revelava o truque daquela supermágica que achávamos impossível de realizar, mas quando revelada parecia brincadeira de criança. Essa figura ilustre sempre me chamou muita atenção por um motivo simples: em nossa sociedade, é muito difícil encontrar mágicos ou profissionais que revelem seus verdadeiros truques. Se a vida é um jogo - e essa é a primeira regra do jogo durante a graduação -, pare e pense. Quantos professores em sua graduação, na verdade, são pessoas de sucesso? Quantos fazem mágica e depois “revelam o truque” da empregabilidade? Raros. Talvez por um motivo bem óbvio: quanto menos profissionais no mercado houver, realizando o mesmo número de mágica, mais interessante e menos saturado ficará o mercado. Se você fosse detentor de grande segredo relativo a uma mágica poderosa, revelaria seus truques para outros tirarem proveito também? Acredito que não. Porém, se prestar atenção, vai perceber que somos exatamente aquilo que compartilhamos com outras pessoas. O Mister M sabia disso e fez o que nenhum outro mágico havia feito: revelou os segredos. Assim, para começar sua jornada com o pé direito, procure esse tipo de profissional, a fim de ter acesso a conhecimento diferenciado, raramente compartilhado em sala de aula. Ademais, você precisa ficar atento para saber como lidar com a classe detentora do conhecimento ( os professores ) dentro da 63


universidade / faculdade. Depois você vai perceber que, em sua maioria, os melhores jogadores ou players estão fora de seu campus a não ser que você tenha estudado na UFPE e tenha tido Silvio Meira como um de seus professores por exemplo. Você já percebeu como funciona a maioria das relações dos professores universitários com os estudantes? O olhar de cima para baixo, o desdém, a falta de tempo e de consideração, a superficialidade, quase deuses! Obviamente, nem todos procedem assim, mas boa parte deles, sobretudo quando trabalham em faculdades públicas, comportamse dessa forma. Já nas particulares, a situação é bem diferente, pois deve-se levar em consideração que o próprio mercado de trabalho para os professores é competitivo e nelas os estudantes têm mais voz e vez. A crítica destrutiva de um cliente, ou de um grupo de clientes/alunos, poderá comprometer a permanência desse tipo de professor na instituição particular, razão por que é mais fácil encontrar aí professores abertos e mais interessados, (escrevi interessados e não interessantes). Porém nosso foco não é identificar problemas relativos aos professores e sim entender e tirar proveito dessa relação, que, quase sempre, se estabelece de forma natural - embora muitos professores procurem ofuscar os alunos. Essa atitude desencadeia boa parte dos problemas. A ideia aqui é a que chamamos em psicologia de rapport. Na psicologia, trata-se de uma técnica usada para se estabelecer conexão entre pessoas. Estabelecida a conexão, a pessoa sente-se segura e confiante para relacionar-se, de modo mais ativo e confiante com a outra. O rapport é importante em todo tipo de relação, seja de amizade, profissional ou amorosa. O desafio é criar a sensação de afinidade. Lembra-se de quando você conheceu alguém e, dali a poucos minutos, teve a sensação de já tê-lo 64


conhecido há muito tempo? Assim, ter acesso aquele ao conhecimento velado, a que me referi no início, de determinado profissional de sucesso exige de você conquistar a simpatia dele. Embora façamos isso o tempo inteiro, de forma inconsciente, quando descobrimos o modo consciente de criar essa conexão nossas relações ganham chances maiores de tornarem-se eficientes. O graduando, por exemplo, deve estabelecer tal tipo de relação com os colegas de sala. Imagine, leitor, o quanto seria proveitoso o professor desenvolvê-lo com você! Em relação às pessoas hierarquicamente acima de nós, é essencial que se sintam confortavelmente superiores; logo, convém ter o cuidado no querer agradar ou impressionar, ou seja, não exagerar. Quanto ao professor, por exemplo, cuide-se de não lhe ofuscar o brilho; considere que sua relação com ele vai durar um semestre inteiro, no mínimo! Então, a melhor postura é colocar-se na posição de aprendiz. Em outras palavras, comportamentos destrutivos, como humilhar ou fazê-lo ficar com “cara de palhaço” diante da turma, podem manchar sua carreira, salvo raríssimas exceções. É preciso, em certos casos, torná-lo mais brilhante e de certa forma, parte da construção de sua história, de seu crescimento como aprendiz. Não existe satisfação maior para o professor quando percebe que é responsável pelo crescimento pessoal ou profissional de um determinado estudante, ainda mais quando este lhe parece ter um futuro promissor. Na verdade, o brilho alheio ressalta em nós nossas limitações e isso de certa forma nos incomoda. Portanto, tome cuidado com os sentimentos que você desperta nas pessoas, principalmente quando estiverem acima de você. É preciso entender que, quando se trata de poder, brilhar mais do que o professor talvez seja o maior erro, pelo menos enquanto estiver sobre a orientação dele.

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Aquele que conquista alto status na vida, geralmente, procede como os reis: quer sentir-se seguro na sua posição e superior aos que o cercam em inteligência e carisma. Esse modelo de educação padrão predominou durante muito tempo e ainda tem seus resquícios. Ai daquele que vai de encontro ao que o professor está dizendo! Erra, por exemplo, o estudante quando acredita que, exibindo talento, está conquistando o professor. Quanto mais o graduando se aproxima do término do curso de graduação, mais essas diferenças se acentuam, porque, logo em breve, será outro profissional no mercado disposto a concorrer, também, por alguma vaga. Assim, você sem querer, acaba criando alguns desafios, sendo simplesmente você mesmo. Existem professores - e conheço vários - mais inseguros do que os próprios alunos. Por tudo isso, sugiro que você deva aprender a lidar com a vaidade ou descobrir um jeito de gerenciar suas boas qualidades quando estiver na presença dos professores. Se você é mais inteligente do que seu professor, aparente o oposto: deixe-o parecer ser mais inteligente; deixe-o cometer erros inofensivos, que não o afetarão a longo prazo, mas que darão chance de pedir ajuda. Os mais velhos adoram essas solicitações. Você se lembra de como seu professor de matemática foi prestativo quando você chegou com aquela dúvida no 2º grau? O professor que não consegue presentear o estudante com sua experiência poderá deixar cair sobre este a sua má vontade. E mais: se suas ideias são mais criativas do que as do professor, tente, da maneira mais pública possível atribuir a ele a parte do mérito, ou seja, deixe claro que o conselho do professor está servindo de ajuda. Não se trata de ser uma coisa e aparentar outra; trata-se de conceitos básicos relacionados à dinâmica social. A ausência dessa dinâmica, infelizmente, entrava o processo de crescimento de vários bons estudantes que têm ideias brilhantes 66


mas esmagados por alguns professores destrutivos, não comprometidos com a finalidade da educação. O ponto principal é cativar os professores e torná-los seus principais parceiros dentro da instituição. Muitos deles são donos do espaço ou sócios, ou têm contato com donos de empresas que podem ajudar você, a curto ou médio prazo, às vezes, até a longo prazo. Ademais, há ainda aquele que tem cargo estratégico na instituição, por exemplo, o professor coordenador do curso. É muito importante também a forma de você relacionar-se com outros alunos: criar entraves ou favorece-lhes os caminhos? Por vezes, a turma gosta do professor e demonstra uma forma eficaz de cativá-lo. Ao mesmo tempo, o graduando não pode preocuparse em não aborrecer todos os professores que cruzam seu caminho, mas deve estar seletivamente atento a isso. Se seu superior for uma pessoa de bastante reconhecimento, não há perigo nenhum em brilhar mais do que ele. A relação ideal entre professor e aluno é a que desenvolve uma construção legítima de parceria, de ganho recíproco, sobretudo quanto aos orientadores de trabalhos acadêmicos. Em relação a parceiros em projetos, todos os lados devem ser beneficiados, razão por que você deve buscar as reais necessidades dos professores e o que os motiva: status? dinheiro? reconhecimento? Descubra isso e use a seu favor. Lembre-se: a posição do mestre é a de orientador, e, tecnicamente, você estará sempre na posição subalterna, ainda mais – ressalvemos aqui -, no modelo de educação padrão do Brasil. Conheço professores maravilhosos (há muitos deles por aí), que sabem construir uma relação duradoura, extraindo e estimulando o que os educandos possuem de melhor; entretanto, o educando precisará fazer sua parte. Observe uma coisa curiosa que ocorre com os professores. De modo geral, eles vivem em suas cabeças, ou seja, literalmente 67


saíram do corpo e veem seus corpos como forma de transportar sua cabeça. É um jeito de levar suas cabeças para as salas de aula. Dentro das universidades e faculdades, consideramos os professores como figuras de autoridade máxima nas salas, onde a maioria repete conhecimentos distantes da realidade do mercado. Isso se deve ao próprio modelo de ensino no Brasil, à formação desses professores, que, em sua maioria, é muito acadêmica e pouco mercadológica. Já imaginou ter aula de psicologia do trabalho com alguém que nunca pisou numa organização ou de plano de negócios com profissional que só conheceu teorias? É com esse tipo de player que você vai querer aprender a jogar seu jogo? Portanto, busque criticar a autoridade, pois a maioria está cristalizada em conhecimentos e paradigmas da época do mercado de trabalho dos nossos pais, que já não servem como modelos para o mercado atual, que possui grande demanda de informação e geração de conteúdo cada vez mais veloz. Lembre-se: se a vida é um jogo, com quem você aprende melhor sobre suas regras? Com professores que ministram a mesma aula há cinco, seis anos? Alô. Convém você imaginar o espaço acadêmico como local onde pode adquirir o conhecimento básico sobre o jogo que pretende jogar. No entanto, boa parte do trabalho depende de você buscar e garimpar a melhor informação e formação para o seu jogo, que normalmente está fora de sua universidade e do seu curso. Procure informações em outras áreas de conhecimento; pense multidisciplinarmente. Boa parte de meus amigos e sócios de empreendimentos não são do curso de psicologia, porque eu sei a importância de uma equipe multidisciplinar. Lembra-se dos Xmen? Imagine, por um instante, se todos eles tivessem os mesmos superpoderes. Qual o seu superpoder? Qual equipe precisa do seu superpoder? Qual superpoder você precisa para sua equipe? Pense grande. 68


Nosso sistema educacional contemporâneo se baseia na ideia da habilidade acadêmica. E existe uma razão para isso: no mundo todo, não existiam sistemas públicos de educação antes do século XIX e, quando foram criados, serviam para atender à demanda das indústrias. Assim, a hierarquia apoiou-se em duas ideias. A primeira é a de que as disciplinas mais úteis para o trabalho estão no topo. A criança na escola era afastada de certas coisas de que gostava porque nunca iria conseguir um emprego fazendo aquilo. Não faça música, você não vai ser músico. Não faça arte, você não vai ser artista. Conselho benigno. Hoje profundamente errado. O mundo inteiro está envolto numa revolução. A segunda ideia é a da aptidão acadêmica, que dominou nossa visão de inteligência, porque as universidades planejaram o sistema à sua própria imagem. Todo o sistema de educação ao redor do mundo é uma extensão do processo de ingresso na universidade. Por consequência, muitas pessoas altamente talentosas, brilhantes e criativas pensam que não o são, porque aquilo de que eram capazes na escola não era valorizado ou era até estigmatizado. Nos próximos três anos, de acordo com a UNESCO, mais gente ao redor do mundo irá se formar do que ocorreu desde o princípio da história, ou seja, diplomas e mais diplomas serão entregues em todo canto do planeta e, de repente, não valerão mais nada! Quando meu pai estudava, o diploma garantia um emprego. Mas, agora, vejo meus amigos diplomados voltarem para casa para jogar video game e acessar as mídias sociais. Hoje, pede-se mestrado na atividade ou função que antes exigia bacharelado; pede-se doutorado no que se exigia mestrado. Trata-se de um processo de inflação acadêmica e indicativo de que toda a estrutura educacional está mudando na frente do nosso nariz. Precisamos repensar radicalmente nossa visão sobre o sistema educacional. 69


A criatividade que perdemos ao longo do ensino médio, obrigandonos a replicar e reproduzir aquilo que diziam ser o ideal de sucesso profissional é justamente o que faz cada um de nós ser diferente e alcançar o sucesso profissional hoje. Pense nisso. Boa parte dos professores do meu ponto de vista, dividem seus alunos em três categorias básicas: graduando apenas graduando, graduando problema e graduando promissor.

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Graduando apenas graduando

Normalmente pontuais, um e outro têm o nome lembrado. Ainda vivem no modelo do estudante clássico do 2º grau. Participam das atividades propostas de forma coerente, mas cumpridas as tarefas ficam naquilo mesmo, não vão além do conteúdo apresentado em sala. Em geral, não atrapalham as aulas, são mais tranquilos e têm um comportamento que os faz passar quase despercebidos. Costumam escolher temas de pesquisas que gerações passadas já cansaram de pesquisar e comumente são os acomodados de plantão. Acreditam no paradigma clássico: notas boas + notas boas = futuro promissor. 2.

Graduando problema

Não importa se chegam cedo ou tarde, se participam ou não das aulas. A característica principal deles é que, quase sempre, têm habilidade para liderar, mas seu comportamento não é visto de forma positiva, sobretudo porque comumente se sentem mais “sabidos” que os professores e tentam deixar isso bem claro dentro 70


da sala de aula. Embora sejam “bons” alunos, os seus traços de comportamento acabam por sabotar as próprias realizações. Além disso, demonstram o tempo todo que seu tempo é mais importante que qualquer outra atividade. Os professores, por sua vez, para se livrarem, barganham com eles ou, várias vezes, o embate vira verdadeiras novelas dentro das salas. Estou falando daquele aluno que se levantou no meio da aula, bateu de frente com o professor e foi convidado a retirar-se de sala. Alguns professores têm verdadeira ojeriza a esse tipo de comportamento. Entretanto, trata-se de estudantes que já detêm algum tipo de experiência de mercado e precisam de algo além do simples conhecimento acadêmico para se destacarem, ou seja, notas boas + atitude = futuro promissor, fórmula presente apenas no discurso pois, na prática, são semiacomodados e acabam perdendo mais tempo com atividades banais e fúteis dentro e fora da academia. Salvo exceções, alguns alunos-problema se depararam, de fato, com certos desafios em suas vidas os quais passaram a interferir em seu comportamento em sala de aula. Porém, vale lembrar, as pessoas de modo geral, não querem saber de problemas pessoais e a tentativa de justificá-los acaba baixando o valor pessoal. Portanto, se você identificar problemas pessoais que o coloquem nessa categoria, trate de resolvê-los ou procurar ajuda apropriada. 3.

Graduando promissor

Esses não precisam tirar notas excelentes, muito menos ser sempre pontuais, pois sua presença na sala de aula é notável e a ausência faz falta. Sempre têm perguntas pertinentes; são participativos e dinâmicos. Não se deixam limitar pelas notas boas nem pelo entendimento do que diz o professor, além do mais, em geral são líderes natos; sabem o que querem; pelo comportamento diferencial, trafegam em vários grupos dentro da própria sala, 71


articulando positivamente os colegas. Os professores, constantemente, procuram sua participação e sabem que com eles podem contar. Na verdade, esses alunos conseguem transformar o conteúdo aprendido em atitudes e atividades interessantes e sabem perfeitamente a importância de respeitar estrategicamente, ou não, aqueles que fizeram o caminho antes deles. São vistos, costumeiramente, mais próximos dos professores do que das demais pessoas, compartilhando, por exemplo, o horário de almoço ou outros espaços de conhecimento, e não se restringem a circular pela faculdade ou universidade. Falaremos mais disso adiante. Podemos acrescentar a categoria do graduando flutuante, ou seja, aquele que trafega nas categorias, dependendo do comportamento ou da disciplina com a qual tenha afinidade ou do reflexo do comportamento do professor em sala. Importa o aluno perceber que, assim como rotula seu professor, este também o rotula com expressiva projeção, porque somos todos humanos e isso faz parte da forma básica como a maioria se relaciona. O ponto forte deste capítulo, caro leitor, é entender a importância de criarem-se relações positivas com pessoas-chave e investir nos seus talentos de forma criativa. Ache a escassez, que o sucesso vem atrás. Algumas formas de se estabelecer rapport com seus professores: • Faça de uma a duas perguntas no mínimo por aula referentes ao tema, demonstre interesse. • Seja solícito na chegada e saída do professor(a) em ajudar a ligar um computador ou datashow, pois a maioria ainda possui dificuldade. • Elogie o final da aula sempre que realmente valer a pena, 72


• • •

“Nosso professor essa aula hoje foi d+” valida a atuação dele e provavelmente ele vai se esforçar para ministrar sempre aulas bacanas. Enquanto o professor estiver ministrando a aula, sutilmente enquanto presta atenção, valide a performance dele balançando a cabeça para a frente lentamente repetidas vezes. ( demonstra interesse e cria conexão a nível inconsciente, não fique surpreso se você começar a ter a atenção do mesmo só para você ou seu lado da sala. ) Vá além do conteúdo exposto em sala. Evite dormir na sala ou atender celular. Vez por outra converse com seu amigo ao lado de modo que atrapalhe casualmente e provoque no professor a curiosidade sobre o assunto conversado entre vocês, logo em seguida faça uma pergunta e diga que estava conversando sobre o assunto. Usando algumas dessas dicas durante o semestre, as chances de você ser indicado para vaga de emprego/estágio que seu professor tenha acesso sobem consideravelmente.

Uma infinidade de outras dicas serão discutidas no fórum do www.papodeuniversitario.com faça sua contribuição, compartilhe você também suas dicas.

Pense nisso.

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Regra II – Proporcione Oportunidades. Aprenda a Pedir.

“Como

conseguir aquilo que quero: Peça, eu digo. E é só. (Anthony Robbins)

Vivemos em grupos e eventualmente você vai precisar de colaboração, boa vontade, dinheiro, favores ou qualquer outra coisa que determinada pessoa possua e você ainda não. De fato, você tentara conseguir o que quer, mas para isso precisa saber o que quer, a fim de viabilizar as formas de conseguir. Ao lado disso, a arte de influenciar a vontade dos outros envolve mais habilidade que determinação. É preciso saber qual a porta de acesso a ela. Cada pessoa tem seu foco de interesse particular, o qual varia de acordo com o gosto. Porém boa parte das pessoas são idólatras: umas do dinheiro; outras, da estima; a maioria, do prazer. Então, tente transformar o verbo pedir por outro como oferecer, proporcionar, gerar, somar, ganhar. Determine o benefício que a pessoa que realizará seu pedido irá receber. Para dominar o diferencial, o jump the cat, torna-se indispensável identificar as necessidades capazes de motivar os indivíduos; atingir mesmo a motivação básica, que nem sempre consiste em algo elevado e importante, infelizmente. Nesse sentido, primeiramente, avalie as necessidades; só depois, toque no ponto essencial. É como se você se preparasse para conquistar aquela garota dos seus sonhos ou aquele rapaz. Em outras palavras analise os identificadores de valor daquela pessoa em relação a você, as necessidades dela e, depois, invista nisso, como se 75


pudesse suprir ou dar aquilo que falta ao outro. Nós vendemos sonhos o tempo todo. Torne-se um negociador e bons negócios acontecerão. Uma pergunta muito importante que devemos fazer antes de pedir qualquer coisa é: o que quero conseguir? E depois: quais são minhas alternativas? Sem dúvida, a primeira pergunta é muito intuitiva e mais fácil de ser respondida, enquanto a segunda define o poder de nosso networking e o quanto somos antenados e criativos. Irei falar disso mais à frente. O importante aqui é não cometer o engano de pedir algo erroneamente como por exemplo pedir certo a pessoa errada, ou seja, aquela incapaz de oferecer o que você busca. E aqui temos três pontos importantes: saber o que pedir, perceber como pedir e falar sobre o que a realização do pedido vai agregar de valor ao realizador. Assim, evita-se “queimar cartucho” sem necessidade. Quando observamos o comportamento de pessoas de sucesso, encontramos muitos atributos comuns entre elas. Um dos mais importantes é o emprego da técnica precisa referente ao modo de se comunicarem. Elas não imploram a alguém alguma coisa, não se queixam, muito menos esperam que façam algo por eles. Quando querem, pedem. Procure pedir de uma forma que ajude a definir e a realizar seus objetivos. Esteja convicto do que vai pedir; do contrário, como convencer alguém de alguma coisa na qual você mesmo não acredita? Transmita seu pedido com vontade, expressando-o também pela fisionomia. Mostre que está certo do que deseja e, sobretudo, crie valor não só para você mas também para a pessoa ou instituição a quem faz o pedido. Utilize, ao máximo, a linguagem corporal coerente com a ideia que você defende. Quando ouvir “não” como resposta, não desista; continue pedindo. Cedo ou tarde, alguém vai ouvir; então, conseguirá aquilo 76


que busca. Aqui está o princípio do patrocínio para projetos, ideias, eventos e afins: pense grande. Troque de pessoa, mude a forma de pedir e jogue com as regras da entrevista de emprego. Muitos candidatos, por falta de experiência, quando vão entregar o famoso curriculum vitae, ou seja, quando vão pedir oportunidade de estágio ou emprego, entregam o mesmo currículo a diferentes empresas, mas esquecem que cada empresa, cada instituição tem valores, metas e objetivos diferentes. O pedido deve ser estrategicamente planejado para a realidade de cada uma, embora se queira a mesma coisa: oportunidade de emprego. Lembre-se de observar ativamente seus alvos, sobretudo suas necessidades; procure adequar-se a essa realidade. Paquere aquela vaga de estágio, entenda sua real necessidade e, quando se sentir preparado para pedir, avance. Alguns anos atrás, quando queria sair com os amigos no carro dos meus pais, imaginava como seria importante aprender a lidar com a vida, uma vez que eles não estariam vivos o tempo todo para proteger-me. Logo, precisava aprender a me virar sozinho. Sendo assim costumava prometerlhes que deixaria o celular ligado e avisaria para onde iria e com quem iria. Combinado um horário para estar de volta, procurava honrar o acordo, porque isso reforçaria a confiança deles em mim e, posteriormente, eu conseguiria o carro outras vezes. Assim, conquistei a confiança deles e já não tinha que lhes dar tantas satisfações. O mesmo vale para qualquer outra atividade ou outro pedido que vamos realizar. Crie valores, transmita confiança e observe o que o outro deseja. Desenvolva a empatia e tente posicionar-se no lugar do outro para entender suas reais necessidades. Observe a dinâmica social. Se o pedido for para alguém que detém determinado tipo de conhecimento, pesquise sobre este; leia, capacite-se, informe-se sobre ele e use-o a seu 77


favor. Na pior das hipóteses, quando conversar sobre o mesmo conteúdo, pelo qual seu alvo se interessar, estará criando conexão. Nós nos aproximamos das pessoas não pelo que elas têm de diferente de nós, mas justamente pelo que têm de semelhante. Dê boa olhada em seus amigos e perceba o grau de semelhança que você tem com eles. Como as empresas de produtos e serviços pedem, diária e sutilmente, para que consumamos seus produtos e solicitemos seus serviços, como cinemas, livros, comida, entretenimento? O que criam em você? Como induzem você a consumir? Boa parte dos graduandos terminam suas graduações com grande dificuldade em se expressar em público, a forma como você se comunica pode se fator determinante no sucesso ou fracasso de sua carreira, lembre-se, tudo o que você conquistou ou deixou de conquistar foi única e exclusivamente adquirido através do que saiu ou não saiu de sua boca. Algumas formas de exercitar sua comunicação: • Converse com graduandos de sua sala que você ainda não conhece ou conhece pouco. • Converse com graduandos de cursos diferentes do seu. • Não fuja dos trabalhos expositivos . • Faça 01 curso de oratória diferente por ano. • Estude e invista em sua habilidade como negociador. • Se for homem, seja bom em conversar com mulheres. • Invista em sua habilidade com vendas, entenda os conceitos básicos. • Perceba e desenvolva o quão bom você é em fazer pessoas aceitarem suas ideias. • Nos trabalhos de sala aprenda a trabalhar em equipe não seja o escorão em hipótese alguma.

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Pense nisso.

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Regra III – Visibilidade, Popularidade e Status

“Se seu objetivo é fazer com que todos gostem de você, acabará evitando tomar decisões difíceis por medo de contrariar seus amigos. (David Cottrell)

A visibilidade é conquistada com menos exposição inconveniente e com mais resultados de um trabalho bem feito. Se você disser que sabe fazer bem isto ou aquilo, sua voz terá pouco poder para convencer; mas, se várias pessoas falarem a mesma coisa, porque tiveram uma experiência de satisfação com você, o impacto será muito maior. O segredo, portanto, não é falar de si, mas criar condições para que os outros comentem sobre você. Com a tecnologia da informação isso ficou mais fácil, porque as pessoas podem comunicar-se instantaneamente, com milhares de amigos. Já percebeu o poder do “curtir” ou do “compartilhar” do facebook? Quando leva benefício a alguém, essa pessoa irá divulgar e você, de forma natural, ganhará visibilidade por exemplo, como você chegou até esse livro? Observe que a maior parte das conversas dentro e fora da faculdade, nas mesas de bar, costumam ser superficiais e subjetivas - subjetividade frívola, conversas inúteis, em que ficamos escutando ladainhas, fofocas, desfechos de novelas, big brother, maledicência sobre a vida alheia. A conversa típica de

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quem não sabe o que quer da vida. Pessoas assim são consideradas pouco atraentes por alguns e massa de manipulação por outros. Dentre as características referentes à popularidade positiva, por exemplo, há a objetividade racional, a firmeza do caráter, a profundidade no discurso, o carisma. Por tal razão, pessoas que têm certo nível de visibilidade se tornam populares, consequentemente conquistam certo status. Como anda seu marketing pessoal? Pessoas populares são automaticamente associadas a pessoas superiores, reflexo natural de indivíduos que conseguiram realizar algo notável. Seu sucesso vai incomodar muita gente, já seu fracasso... Aqui pretendo mostrar-lhe a importância em aprender a lidar e a gostar de lidar com pessoas. Dentro de sua graduação, aprenda a relacionar-se com todo tipo de pessoa: do porteiro até o diretor acadêmico; da dona da cantina ao dono do estacionamento ou ao flanelinha. Na verdade, o campus oferece ótimas oportunidades de se manterem e se criarem relacionamentos positivos. Entretanto, parece que o maior problema social é justamente o de haver pessoas que não gostam de pessoas ou das que só gostam de si mesmas. Isso ocorre, porque somos bombardeados, diariamente, com informações que gera comportamento narcisista e individualista massificado. De fato, estamos muito mais preocupados conosco do que com os outros. Eis aí o grande diferencial entre aqueles que sabem trafegar em todos os espaços e os que se isolam submersos na própria realidade. Encontramos pessoas que gostam mais de seus livros, tratando-os melhor, do que do colega de turma; outras amam a instituição, suas salas, a estrutura física, mas odeiam, não suportam as pessoas que aí trafegam. A regra aqui é simples: tornar-se bem informado e aberto; permitase aprender a ouvir os outros e filtrar o que for interessante, 82


respeitando e contribuindo para a formação dos demais. Pense nos políticos por um momento e veja aonde a popularidade os levou. Pense no mercado de trabalho no Brasil: aqui a meritocracia raramente funciona, ou seja, é muito mais fácil arrumar indicação de um amigo para trabalhar em determinada empresa do que fazer valer o currículo e vencer naquele processo seletivo. Se você sabe que, no Brasil, o “quem indica” é tão forte, por que não se tornar alguém popular? Pense nisso. Evite fechar-se em suas opiniões, como, por exemplo, quando discutir sobre música, time de futebol e religião. Não estou dizendo que não tenha religião ou sua preferência pelo time de futebol do coração; apenas sugiro se torne mais tranquilo e aberto a outras possibilidades, diante da necessidade dos outros. Assim, você vai poder compreender cada um, o que é um ponto importante para estabelecer qualquer tipo de relação. Admiramos aqueles que comungam, mesmo pouco, com nossos pontos de vista. Estamos sempre em busca de nós mesmos nos outros, daqueles que nos são semelhantes. Responda rápido: de quem falamos quando julgamos ou criticamos outra pessoa? Na maioria das vezes, não estamos dizendo nada a respeito da pessoa em si, e sim, sobre algo ainda desconhecido em nós mesmos. Quando criticamos alguém, o que isso diz sobre nós? E quando alguém nos critica, o que, na verdade, está realmente sendo revelado? Se alguém nos faz um ataque pessoal ou simplesmente usa palavras destrutivas contra nós, talvez as críticas não sejam sobre nós. Quando sentir vontade de criticar, perguntese por que vai fazer isso. Ao criticar algo, lembre-se de que está atacando a si mesmo e reforçando seu comportamento hostil. Ao contrário sugiro elogiar de forma honesta; nada melhor do que elogiar alguém que fala mal de você. Pagar o mal com o bem é uma forma de quebrar o ciclo de comportamentos negativos com 83


uma pessoa que aparentemente não nos admira. Não devemos responder da forma como alguém espera; sigamos em frente. Não se tornar reativo é uma excelente forma de nos relacionarmos, de demonstrarmos caráter nobre. Aprendamos a dar feedback e não fodeback. Sejamos sinceros e verdadeiros em nossas relações. Se não for possível, paciência, pelo menos estaremos a um passo de começar a criar um status positivo. Caro leitor, permita que outras pessoas façam suas próprias escolhas. Compartilhe com elas seus momentos de alegria e tristeza de forma autêntica. Se tiver dificuldades com isso, a faculdade é um ótimo lugar para educar-se. Perceba a importância de aprender a lidar com pessoas, torne-se alguém bom em lidar com pessoas. Não permita que seja tarde demais, quando dentro de uma empresa ou no estágio, pois aí dentro as regras são um pouco diferentes. Então, aprenda a se comunicar bem, a controlar a timidez para falar em público e a gostar das pessoas. Sempre que houver oportunidade de falar em público, aproveite. Não fuja! Tudo isso será extremamente importante para você, no mercado de trabalho e em vários aspectos de sua vida, embora nem sempre seus professores lhe digam isso. Desenvolver sua comunicação é vital. Se você tiver apenas boa conversa, for apenas agradável, o resultado será tornar-se a (o) legal, gentil e agradável, mas muito pouco atraente. Não será uma pessoa diferente. Do mesmo modo, poderá cair em situação ridícula, se tentar ser engraçado para todo mundo, pois será tratado como um alegre e bem intencionado palhacinho. Acredite, conheço desses aos montes! Saiba dosar as coisas, sobretudo, saber a hora certa para chegar e sair. Faça o seguinte teste: procure três bons amigos ou colegas e solicite-lhes que o definam em única palavra. Se essa palavra não for a que espera ouvir, você deverá começar a mudar seu comportamento 84


para as pessoas começarem a defini-lo com aquela palavrinha que deseja ouvir. Isso reflete a forma como gostaria de ser visto e a real forma pela qual está sendo observado - modo simples de receber feedback comportamental. Evite entrar em discussões inúteis. Resista ao magnetismo da língua viperina e ignore reclamações inúteis. Se sua contribuição não for positiva, fique calado. Porventura, já viu algum político falar mal de seu adversário sem ser em época de eleição? Ou, em algum discurso, ou mesmo em via pública, já o viu tratando mal ou falando mal de alguém? Pelo menos os bons políticos sabem que, para angariar boa reputação e popularidade, convém conectar-se com as pessoas rapidamente. Um abraço envolvente e aperto de mão, sempre fazem isso no primeiro contato. A primeira impressão é a que fica. Será? Evite todavia, tornar-se o tipo assediador: pessoas assim são incapazes de obter algo mais importante na vida. Assédio comunica fraqueza, submissão, desespero e urgência. Portanto, não busque atenção, seja lá de quem for, o tempo todo, perseguindo alguém. Seu movimento deve ser justamente o contrário: você é quem deve escolher. Um exemplo, noutra esfera: as mulheres bonitas acostumadas à bajulação durante todo o tempo, a ser sempre o foco da atenção, a receber presentes, elogios, favores, tratamentos especiais e privilégios, levam um choque quando um homem as ignora. Isso também serve para os homens populares: sentem-se diminuídos, pequenos, então começam a questionar-se sobre o real valor daquela pessoa que “absurdamente” os ignora. Tão importante quanto vender o produto é saber a satisfação do cliente depois da compra. Todas as pessoas, inexoravelmente,

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buscam felicidade e, naturalmente, ficam atraídas por aquelas que aparentam estarem felizes. Quando conseguir transmitir, em situações adversas, a calma e a tranquilidade fundamentadas em segurança real, então terá alcançado o ponto máximo de sua atração. A pessoa mais carismática num grupo está sorridente e confiante. O herói é aquele personagem que, diante da adversidade, está confiante, pronto para a ação, enquanto todos os outros correm amedrontados, desesperados. Certa vez, em entrevista para determinada rádio local em 2010, fui questionado sobre a melhor maneira de nos tornarmos, cada vez, mais atraentes. A resposta foi simples: sempre que você fizer algo de que gosta por exemplo, andar com o cachorro, aguar plantas, praticar atividades físicas, ler um bom livro, dançar ou qualquer coisa que fizer – e se sentir melhor, satisfeito, isso o tornará mais atraente. Também é importante não confundir ser bom com ser fraco, e sim aprender a tornar-se forte. Conheço pessoas maravilhosas, de coração elevado, mas fracas; confundem bondade com ingenuidade. Indecisas, não sabem comunicar-se efetivamente; são tímidas e de baixa autoestima. Já a maioria das pessoas consideradas “malvadinhas”, por exemplo, em geral sabem o que querem, são bem comunicativas, expansivas e líderes. O segredo é aprender a ser bom e forte. Jesus foi um excelente exemplo de força e bondade. Pense nisso. A maioria das pessoas de sucesso quase sempre estão com um sorriso no rosto, transmitindo felicidade e confiança. Porém pior do que se tornar uma pessoa deprimida, é ficar procurando transmitir algo que não sente ou aparentar ter o que não possui. Podemos até tentar transmitir felicidade, estando triste, mas dificilmente conseguiremos. O ponto fundamental aqui é buscar o autoconhecimento a fim de facilitar um caminho para a 86


autenticidade. Transformemo-nos em uma pessoa de ação corajosa. Enfrentemos nossos medos. Saiamos e conquistemos essa área de nossa vida. Se você deseja ser alguém popular, comece a agir como se já o fosse. Considero de vital importância em minha vida o fato de ter percebido que poderia abordar qualquer pessoa, em qualquer ambiente, desde que realmente deseja-se isso. A partir de então, vislumbrei o poder que desenvolvemos quando ousamos transformar nossos pensamentos em ações. Essa habilidade permite, por exemplo, um vendedor abordar seus possíveis clientes em qualquer lugar. Hoje, escolho quem desejo conhecer, independente de onde esteja. Se considero alguém importante ou interessante para qualquer projeto ou atividade que realizo, ou simplesmente acho que determinada pessoa possa contribuir, de alguma forma, com meu crescimento pessoal, abordo-a. Se não conseguir realizar meu intento, viabilizo outras formas. A forma de abordar as pessoas é de essencial importância. Esse é um dos meus temas preferidos de estudo. Aprender a abordar pessoas ou a se aproximar delas de modo seguro equivale a aprender a criar oportunidades, em vez de ficar esperando que as coisas aconteçam. Dessa forma, percebi que a observação atenta do funcionamento do outro, além de nossos condicionamentos pessoais, pode limitar-nos e colocar-nos na posição passiva, de quem espera a oportunidade “cair do céu”, ou na de quem fica esperando que aquela pessoa especial apareça, ou, ainda, no aguardo de que as situações propícias surjam do nada a fim de que algo mágico e inesperado venha transformar nossa vida da noite para o dia. Na verdade, nós mesmos é que funcionamos como agentes de construção ou destruição de nossas próprias conquistas. Se os amigos ou as pessoas ao seu redor não o respeitam, como isso vai repercutir em sua carreira profissional? 87


Lembre-se popularidade vem de fora para dentro e não de dentro para fora. Ser popular é apenas reflexo de como as pessoas nos veem e de como os resultados das ações que promovemos repercutem em outras pessoas e no mundo. Comunicação, empatia, carisma, gentileza e atenção aos outros, nada disso somará se essas habilidades não forem direcionadas para algo maior, para nossos sonhos e metas. Elas são importantes para alcançarmos nossos sonhos por meio de forma positiva e saudável de nos relacionarmos com a vida. Busque, portanto; em seus projetos, formas de contribuir com o crescimento social, local, individual e do grupo que esteja inserido. Pessoas satisfeitas geram comentários satisfeitos a seu favor. Tal qual a necessidade de filtrar o que escutamos, devemos saber também filtrar as atividades realizáveis ou não realizáveis. Convém observar que só se torna popular aquele que não tem medo de ousar e de expor-se. A exposição é o segredo do sucesso ou do fracasso, por isso devemos transformar nosso comportamento em algo proveitoso. A segurança nasce das atividades realizadas com sucesso. Quanto mais você, acertar em algo que faz, mais seguro e confiante se tornará em relação a essa atividade. Aproveite, pois cada momento de exposição para exercitar sua habilidade social, consequentemente, aprendendo a criar oportunidades. Lembrome das primeiras vezes que subi ao palco para falar em público e do quanto me beneficiei por investir em minha oratória, em cursos de formação especializados. Supere as próprias limitações, investindo em seu potencial. A popularidade vai trazer-lhe pessoas que acreditam em você, no seu ideal. Essa é uma forma eficaz de atrair colaboradores e futuros sócios a qualquer empreendimento. Não se importe com o que as pessoas andam falando de você e sim QUEM fala de você.

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Popularidade, visibilidade e status são importantes porque te permitem criar mais oportunidades, ter acesso a muitas outras e poder usar tudo uso para o beneficio da coletividade, sem contar que determinam qual o seu poder de influenciação e na era da conexão pessoas populares são assediadas o tempo todo para defender aquela ideia ou divulgar aquele produto. Existe grande valor em ser uma pessoa gostável. Boas coisas acontecem quando as pessoas gostam de você. Algumas formas de se tornar popular dentro da graduação: Representante de turma Presidente do DA ou membro atuante Presidente do DCE ou membro atuante Presidente de Empresa Jr. ou membro atuante Atividades realizadas com distinção Organização de eventos ou amigo do organizador Boa comunicação interpessoal Traçar metas semestrais ou anuais relevantes a sua carreira, de modo que seja perceptível que você esta em constante desenvolvimento. • Escreva um livro em editor de texto de sua preferência, procure ilustrações gratuitas na Internet que representem sua ideia, salve em pdf e compartilhe com outras pessoas, receba os feedbacks, melhore seu livro e lance uma 2º edição com as correções, você tem algo a ensinar, pare de arrumar desculpas.

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Regra IV – Revolucione no DCE/DA

“Ser subdesenvolvido não é “não ter futuro”; é nunca estar no presente. (Arnaldo Jabor) “Maconheiros”, “baderneiros”, “revolucionários frustrados” ou “grupos terroristas” são alguns dos “atributos” associados, infelizmente, ao DCE (diretório central dos estudantes). Na verdade, existem vários setores da sociedade que possuem características e interesses próprios à busca de meios para tornar suas ideias e propósitos realizáveis. O segmento estudantil dispõe do DCE - entidade representativa dos estudantes nas universidades a qual tem a finalidade de defender os direitos deles. O DCE representa o corpo discente na reitoria e nos governos, levando reivindicações, propostas e ideias. Por meio dele, os estudantes contribuem para a conquista de uma sociedade mais justa e de ensino de melhor qualidade (pelo menos na teoria). Se o estudante acredita que sua faculdade/universidade precisa melhorar e pensa que entender política é importante para sua formação, esse é seu lugar. Porém, lamentavelmente, alguns participantes, por mau comportamento ou falta de experiência para lidar com pessoas ou representar grupos, acabam passando a imagem negativa sobre a mencionada organização estudantil, tão importante na integração dos alunos universitários. De fato, o DCE deve estar aberto às ideias, aos trabalhos, às pessoas e às experiências, criar projetos e eventos que congreguem toda a heterogeneidade e multidisciplinaridade da universidade. 91


Compete-lhe, ainda, garantir o direito dos alunos, primar pela qualidade do ensino, advogar mensalidades justas e respeito à classe estudantil, ou seja, constituir-se em espaço de luta pela consolidação da democracia e pela construção de uma sociedade crítica e consciente, permitindo-lhes desenvolver valores e observar melhor os movimentos políticos e sociais. Além disso, cabe ao DCE promover a aproximação da universidade com as principais demandas da sociedade: dar apoio à produção científica e tecnológica, à valorização da assistência estudantil e à ampliação do acesso dos jovens ao ensino superior. Deve funcionar como o órgão regulador de direito do aluno, para que este tenha acesso ao consumo dos produtos e serviços da instituição. Quanto ao oferecimento de serviços de qualidade, esse é o ponto que você pode usar a seu favor. Existem dois fatores que nunca poderemos esquecer: primeiro, o fato de que a maioria das faculdades particulares ou públicas do Brasil tem alguma irregularidade, ou várias; segundo, você pode usar tais irregularidades a seu favor. Lembra-se dos advogados e das leis brasileiras? A pior coisa que pode acontecer a qualquer IES, em qualquer lugar do planeta, é a manifestação estudantil denunciar pelos jornais as irregularidades que ali acontecem. Se você estuda em uma faculdade particular que não permite a criação do DCE, desconfie, porque é justamente esse órgão regulador que irá fiscalizar e – denunciar - as coisas erradas. Por isso, caberá ao graduando participar dele ativamente e votar em candidatos que tenham a coragem de se expor. Se a instituição não tiver DCE, ótimo! É sua chance de criar. Pense grande. Se você aprendeu a aliar-se aos seus professores, está aprendendo a pedir com maior clareza e eficiência, trabalhando, por exemplo, os aspectos relacionados à 92


popularidade, a sua rede social dentro da universidade vai literalmente triplicar. Desse modo, por meio do DCE ou DA (Diretório Acadêmico), você terá acesso a todas as salas de aulas e a outros estudantes que pensam ou, teoricamente, têm um comportamento diferenciado. Se sua faculdade estiver irregular, a última pessoa com quem a direção acadêmica ou professores e afins, gostariam de ter algum problema seria com você, membro do DCE ou DA bem articulado dentro da instituição com outros estudantes mobilizadores. A propósito, conheço vários casos de manifestações de DCE/DA que mudaram toda a direção acadêmica dentro de uma IES, do diretor geral aos professores. Como? O aluno, pagante ou não, tem muito mais poder do que a instituição. A questão é tornar-se líder associativo. Falarei mais sobre isso adiante. Se o Brasil, por exemplo, vive com expectativas de mudanças, muitas delas somente serão conquistadas se a sociedade organizar-se, sobretudo, em relação àquelas transformações que levam melhoraria, na realidade da maioria do povo. Exercitar isso dentro da faculdade também será ótimo para operar um diferencial competitivo. Acredite. O segredo reside em saber trafegar nos espaços de poder que geram símbolos sociais dentro da instituição, como diria um amigo meu advogado: “Aprenda a colecionar medalhas”. Fazer parte do DCE ou do DA deixa bem claro para alunos e profissionais da instituição que você não é mais um aluno qualquer. Todos procuram a popularidade, embora os hipócritas digam dela não precisar. Aprenda a usá-la a seu favor. Outro ponto importante: em geral, os encontros dos estudantes ocorrem em vários lugares diferentes do Brasil. Nessas ocasiões, você poderá, além de participar das atividades, conhecer membros de outras instituições, compartilhar das dificuldades e soluções conquistadas por outros grupos estudantis, promovendo verdadeira troca de experiências e adoção de procedimentos para 93


solucionar dificuldades na sua ou em outros centros acadêmicos. Você perceberá o jogo político existente nos bastidores das instituições de ensino. De fato, vale lembrar, os jovens estão mais ligados a questões políticas, e os políticos sabem disso. Os jovens constituem uma fatia de mercado que representa muitos votos e podem ser influenciados pela propaganda partidária dentro das instituições. Ademais, via de regra, a maioria dos jovens votam nos candidatos dos pais por falta de educação política adequada. Nas eleições de 2010, o que mais vi foi a propaganda eleitoral na porta das instituições e o grande assédio que os presidentes de DCE e DA receberam para apoiar candidato A, B ou C. Que tal também tirar proveito disso? Como sugestão, procure informação na Internet sobre o movimento estudantil no Brasil. Grandes instituições de ensino superior particular têm como sócios ou colaboradores políticos e grandes advogados. Preste atenção no momento das eleições: algumas faculdades particulares têm nos seus quadros de funcionários estudantes da própria instituição que, às vezes, se candidatam ao DCE por influência da própria coordenação para manter o DCE sob controle ou vigiado de perto. Benefícios em se engajar no movimento estudantil: • Educação política mesmo se a gestão for a partidária. • Conhecer e agrupar os graduandos mobilizadores. • Contato com membros do DCE/DA de outras instituições ampliando seu networking. • Exercício da liderança. • No caso do DCE, representar as necessidades de todos os graduandos da instituição e ter voz junto à coordenação da IES.

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• No caso do DA, representar as necessidades de todos os graduandos de determinado curso na instituição e ter voz junto ao coordenador do curso da IES. • Esse espaço conquistado juntamente a coordenação da IES e o coordenador do curso, pode lhe permitir benefícios dos mais variados. • Facilita o acesso a todas as salas da IES, sendo direito do DCE/DA, a instituição que não colaborar com a fundação do mesmo pode ser passível de punição judicial. • Ter a oportunidade de deixar um legado na IES de ações e atitudes realmente agregadoras para o beneficio de todos os graduandos, além de ter a oportunidade de usar o movimento estudantil realmente como algo positivo que ajude na integração entre calouros e veteranos.

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Pense nisso.

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Regra V – Jogue na Seleção da Empresa Júnior

“ A vida não consiste em ter boas cartas na mão e sim em jogar bem as que se tem. (Josh Billings) Participar de empresa júnior (EJ) enquanto se cursa a graduação é uma das práticas mais proveitosas para quem deseja desenvolver o comportamento empreendedor ou ingressar, com qualidade, no mercado de trabalho. Isso já constitui um diferencial. Não se trata de ganhar dinheiro enquanto membro de empresa júnior, mas de tornar-se um profissional mais caro para o mercado. Tal tipo de empresa existe há bom tempo - o primeiro grupo surgiu na França, em 1967 -, porém só recentemente é que a experiência ganhou credibilidade, passou a ser respeitada pelas organizações. Hoje, ser membro de uma delas significa experiência e diferencial competitivo; participar delas deixou de ser apenas um trabalho acadêmico. Formadas dentro das universidades, atendem à comunidade estudantil. Na maioria das vezes, estão articuladas com os cursos de administração, mas existe também a interface com qualquer outro curso, como geologia, estatística, psicologia e história, em geral interligados a atividades relacionadas à consultoria. Como o tema “empreendedorismo” está sendo debatido nos centros acadêmicos, encontrarmos, com freqüência, empresas juniores multidisciplinares, ou seja, um lugar onde todos os alunos 97


dos cursos oferecidos por determinada IES possam participar de determinado departamento. Atualmente, leva-se mais a sério o assunto. Os membros efetivos podem concorrer a cargos na presidência na diretoria e na gerência. Uma vez no exercício de cargo, o estudante já pode passar o comportamento e a experiência adquiridos para o membro novato em training. Assim, diante de tanta concorrência e novos profissionais formados diariamente, nada melhor do que sair da graduação mais preparado para enfrentar o mercado em diversas particularidades, como, por exemplo, negociação, planejamento, prazos, plano de negócio, estratégia, mercado, precificação, consultoria dentre outros. A EJ coloca o estudante no cenário real, e os seus membros, em geral mais pró-ativos, percebem desde cedo o que significa “mercado de trabalho”; desenvolvem competências quanto ao capital humano, como habilidades em trabalho de equipe, liderança; aprendem a portam-se em reuniões, a promover feedback, dentre outras atividades. Na prática, os desafios de trabalhar dentro de uma EJ se assemelham aos que o estudante vai encarar no cenário, fora da universidade. Um dos elementos de tal cenário é o ego inflado. O ser humano tem a necessidade natural de se sentir superior. Fazer parte de empresa júnior no Brasil ainda é privilégio de poucos, em razão da reduzida quantidade à disposição de jovens empreendedores. Os estudantes que conseguem chegar ao final do processo de seleção se sentem como se tivessem jogando na Seleção Brasileira, um verdadeiro encontro de estrelas. E as adversidades surgem das mais variadas fontes: membros desmotivados depois da empolgação inicial; presidentes se utilizando de membros para se promoverem no lugar de promover a equipe realizadora do projeto; jogos de interesse e a busca constante por status e cargos, como gerente de projetos, gerente

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de marketing, dentre outros. Tudo isso o graduando vai encontrar fora do ambiente acadêmico. Há duas diferenças básicas entre empresas juniores de faculdades privadas e de públicas. Nas privadas, a EJ tende a ter mais dificuldades, uma vez que os alunos, como pagam as mensalidades tendem a buscar remuneração em outros espaços, o que as faz desvalorizar o voluntariado. Já nas públicas, ocorre o contrário, boa parte dos alunos trocam a remuneração (pois não precisam pagar mensalidades) por um tempo no voluntariado pela oportunidade de adquirir experiência. Lembre-se: o importante é fazer, e as empresas juniores constituem ótimos espaços para a ação. Mas, se a IES que você estuda não tiver empresa júnior? Talvez seja ótima oportunidade para você criar ou motivar outros a criarem. O fato de algumas IES privadas terem empresa júnior aumenta consideravelmente seu conceito diante do MEC – Ministério de Educação e Cultura. Na verdade, com a EJ o cliente apresenta um desafio para o aluno e ganha com o baixo investimento, já que o foco incide no aprendizado, não no lucro; o membro, por sua vez, ganha em desenvolvimento profissional e pessoal; a instituição também ganha, pois seu nome é divulgado por meio dos projetos dos participantes bem sucedidos. Há algum tempo, acreditava-se em que o profissional soubesse apenas de sua área, não entenderia o desenvolvimento de uma empresa de modo geral? Hoje, conhecer todo o processo da organização deve fazer parte da formação do profissional que deseja ser dono de próprio negócio ou formação do colaborador antenado, com perfil de intraempreendedor. Eis por que, o movimento de empresa júnior no Brasil só tende a crescer. E isso é fantástico!

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Esse tipo de empresa permite, ainda, a aproximação do professor ao aluno quanto à orientação profissional diretamente relacionada ao mercado de trabalho. Em vários encontros de empresas juniores do Nordeste, conheci jovens espetaculares, de longe, mais capacitados que muitos profissionais formados. Trata-se, também do espaço ideal para o estudante adquirir feeling de mercado e ver aonde pode chegar com o seu conhecimento. Nesse espaço, há cenários que favorecem conhecer outros alunos, de perfil diferenciado, como parceiros ou no futuro, como sócios, além de desenvolver forte networking com profissionais da área. Conheço vários exemplos de sociedades que começaram dentro de empresas juniores. E, para quem já faz parte do movimento de empresa júnior, fica a dica: você pode sempre ser melhor no trato com as pessoas. Não é o simples fato de estar na empresa júnior de sua instituição que fará você mudar a forma de tratá-las. Por fim, o que conta para o currículo de estudantes que tiveram tal experiência não é apenas o cargo que ocuparam nem as funções exercidas, mas a oportunidade, ainda dentro da graduação, em um espaço totalmente composto por estudantes e professores mentores, quando necessário. Benefícios em se engajar no movimento de empresas juniores: • Começar a praticar cedo algumas coisas apreendidas na IES além de outras que você não tem como calibrar fora do mercado. • Ter contato direto com graduandos que pensam em planejamento de carreira, lembrando que às vezes o ambiente adequado te ajuda a se desenvolver com mais velocidade. • Entendimento do negócio da empresa como um todo tendo acesso a vários departamentos.

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• Exercer a autonomia uma vez que a empresa é toda formada por estudantes da IES. • Exercitar e sentir como a sensação de se ter concorrentes te faz dormir mais tarde e acordar mais cedo. • Entender a importância de se desenvolver projetos. • Ter acesso aos eventos promovidos pelo Movimento de Empresas Juniores ou mesmo participar da organização desses eventos. • Entender a importância de se trabalhar em equipe desde cedo. • Agregar experiências diversas a seu currículo que são exigidas no ambiente fora da EJ. Uma infinidade de outras dicas serão discutidas no fórum do www.papodeuniversitario.com faça sua contribuição, compartilhe você também suas dicas. Pense nisso.

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Regra VI – Liderança Associativa

“ Estamos criando uma classe de executivos que acredita que tem o direito de liderar porque passou alguns anos estudando. Não se cria um líder numa sala de aula. (Henry Mintzberg, professor de administração, Universidade McGil.) Certifique-se de que as pessoas saberão quem você é. Você tem seu próprio cartão de apresentação para trocar quando for de seu interesse? Pessoas com grande poder de rede agem como líderes associativos, ou seja, são integradores de outras pessoas, sobretudo de lideranças, criam pontes entre grupos, organizações e nichos de mercado. Se você for indicado para determinada atividade por recomendação do líder, isso é muito mais vantajoso de que a do subalterno ou de outro membro. Por exemplo: já tentou marcar uma reunião, pelo contato direto, com alguma organização? E, depois, fez o mesmo por indicação do presidente ou do supervisor? A recepção é diferente, porque você foi indicado pelo “cara”. Mas o ideal é aprender a chamar atenção de forma positiva “desses” caras. Convém lembrar que, segundo os especialistas, a maioria das pessoas acredita que qualquer iniciativa de divulgação do próprio trabalho represente uma atitude

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egocêntrica. Existem formas adequadas de comunicar bons resultados sem você parecer exagerado ou pretensioso. Enquanto graduando, busque ocupar posição singular; aprenda a reunir pessoas a sua volta; compartilhe conhecimento e informação de qualidade, de uma maneira que sem você não seria possível da mesma forma. Aprenda a construir elos singulares em sua rede de relacionamentos; dessa forma, você vai aproveitar melhor as oportunidades que outros membros da mesma rede talvez tenham dificuldade em perceber. Além disso, os líderes integradores ou associativos assumem a posição de criar oportunidades para outras pessoas. As lideranças intermedeiam o fluxo de informações entre as pessoas e acabam influenciando-as de forma direta ou indireta. Os líderes que fecham canais conhecem as oportunidades recompensadoras; têm-nas em seu poder e exercitam mais controle sobre elas; dispõem de mais acesso às informações por causa dos variados contatos. Isso significa, que muitas vezes, estão cientes das novas oportunidades às quais têm acesso mais fácil do que seus pares – mesmo aqueles detentores de capital humano semelhante ou maior. Por essa razão, também terminam saindo como candidatos com mais frequência e mais fortes, no sentido de aproveitar novas oportunidades e ter mais probabilidade de mostrar competência. Você já percebeu como as empresas buscam desesperadamente por líderes? Às vezes, 20 segundos é o tempo disponível para nos apresentar dizer “a que viemos” e “por que viemos” -, antes de entregar o cartão de apresentação. Por isso, aprender a estabelecer conexão a curto prazo é importante. Dentro da graduação, isso se torna mais fácil, uma vez que normalmente as pessoas que aí exercem suas atividades costumam realizá-los a longo prazo. Assim, você

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sempre poderá conhecer alguém que conhece alguém, até chegar naquele outro alguém especial. A liderança é, em essência, aquisição de poder, uma forma de unirse a outros e ajudá-los a compreender algo, ou unir forças para determinada atividade. O principal aspecto da liderança, a meu ver, decorre do líder que lidera a si mesmo, sem querer impor o próprio modelo como padrão a ser seguido pelos outros. Em vez disso, procura agir como um modelo de possibilidades (a proposta deste livro), permitindo que cada individuo sirva de exemplo a outros. Assim, grande parte da liderança resulta da autoliderança, que, em última análise, consiste em plantar sementes e proporcionar inspiração aos liderados! O líder é responsável pela tomada de decisões que afetam o grupo, mas o líder ideal estimula cada um a adquirir o próprio poder. A necessidade aqui é manter essa ligação e esse equilíbrio. Além disso dentro do mesmo grupo, poderá e deverá existir mais de um líder representando outros grupos que não estão presentes, mas comungam do mesmo ideal. Antigamente, vale lembrar, o mercado de trabalho exigia apenas líderes; hoje, se alguém é líder de líderes, torna-se mais valioso. Esse é o principal conceito da liderança associativa, liderança de lideranças. A soma dos grupos aumenta a própria força e a atuação do ideal compartilhado. Por que, em época de eleição, os governadores visitam as prefeituras das cidades menores? Qual a sua peça no quebra-cabeça da vida? Onde estão seus talentos? O lugar de cada pessoa nesse quebra-cabeça é conquistado por meio de conhecimentos gerais, ações, capacidade de liderança e talento específico. Todavia, importa perceber, ninguém é capaz de preencher todas as lacunas desse quebracabeça chamado equipe, time ou vida. Cabe, portanto, a cada um perceber a peça que desempenha. Como líder; em vez de motivar pessoas, busque pessoas já motivadas para fazer parte de sua

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equipe. O ego sempre nós leva a comparações. Estamos o tempo todo comparando o que temos com o que os outros têm. Todos querem ser o líder; ninguém quer ser liderado, mas lembre-se: aprender a ser liderado em algum momento também é uma qualidade referente à liderança. Convém perceber que alguns caminhos se fazem para serem seguidos; outros, apenas para serem recomendados. Cada um de nós deve descobrir sua forma particular de liderar e influenciar pessoas. Se você quiser liderar, primeiro, busque ser responsável por si mesmo, procure superar alguns medos e desenvolver a capacidade para ocupar posição de evidência. Trabalhe positivamente sua timidez e se concentre no projeto ou ideia que defende. Lembrese: se alguém tiver que se expor ou representar e defender a ideia em questão, essa pessoa poderá ser você. Quando nos expomos ao olhar público, estamos visados por microscópio, consequentemente qualquer desequilíbrio ou deslize, alguém o perceberá e irá criticar vivamente. A razão disso é interessante: a maioria das pessoas é dirigida por aspecto negativo da personalidade. O jogo praticado por esse aspecto oscila entre a inferioridade e a superioridade. Então, quando uma pessoa passa a exercer posição de liderança, cada qual forma uma opinião diferente sobre ela. Quando o observador se orienta pelo aspecto negativo, diz ao líder que este não está à altura do seu papel; depois, aponta as discrepâncias, com a intenção de atacá-lo e criticá-lo. Com isso, sente-se satisfeito e em condições de ocupar posição superior. Isso faz parte da natureza humana. O ataque e a crítica promovem a autoestima. Portanto, se você procura uma posição de liderança ou de visibilidade, terá que lidar com tal situação, cedo ou tarde. Então, convém aprender a criar uma couraça contra esse tipo de 106


comportamento. Cada um de nós é que causa a nossa própria realidade, as próprias emoções; a ninguém mais deve ser atribuído esse poder. Aprenda a agir, e não a reagir. Podemos dizer, então, que a liderança envolve não apenas o compromisso e a aquisição de poder mas também a necessidade de o líder ir além da consciência de si mesmo. Para isso, ele terá que superar seus medos, uma vez que nós mesmos é que os criamos influenciados pelas nossas crenças reducionistas. Assumir a liderança exige coragem, pois o líder passa a ser responsável por muitas pessoas e abraça numerosas responsabilidades profissionais. Se você estiver na linha de frente, consegue imaginar? A coragem é mesmo o tema do momento para a promoção de qualquer transformação social. Então, se deseja mudar sua vida, o bairro, a cidade ou o país, vai precisar de coragem e muito de liderança. Sugiro perseverança e tenacidade, uma vez que o caminho da liderança quase sempre se transforma em uma escalada ou maratona: muitos líderes são animados no começo, mas não conseguem manter o entusiasmo e a perseverança ao longo de todo o trajeto. Dificilmente você chegará a algum lugar sozinho ou realizará seus sonhos sem a ajuda de outras pessoas. Pense nisso quando estiver respondendo para si mesmo o seguinte questionamento: por que eu precisaria me tornar um líder? No caminho de qualquer pessoa que deseja lutar pelos seus sonhos, existirão outras que, por amor ou inveja, tentarão ajudar, dando conselhos: “Não faça isso que não vai dar certo”. “Vá por aqui, e não por ali”. “Desista, você não vai conseguir... A verdade é que tudo isso, positivamente ou não, funciona como ruídos de informação os quais você precisa aprender a filtrar, para seguir em frente com sonhos, metas e objetivos. Imagine-se você não for confiante, determinado, comprometido com seus sonhos, no primeiro feedback negativo

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irá desistir. Persista, se você acredita mesmo em seu ideal. Por isso, o líder LIDERA seus sonhos; não é liderado por ele, por mais redundante e óbvio que isso pareça. Os verdadeiros líderes são constantes nos seus esforços e sabem quando descansar, mas nada conseguirá deter seu empenho. Nada, de fato, poderá detê-los, não importa o desafio. Não minam a si mesmos e, diante de qualquer obstáculo, encontram um modo de fazer ajustamento. Entendem a importância de dar instruções claras e práticas aos membros da equipe e de não sobrecarregálos. São constantemente otimistas, mesmo que alguém fale o contrário. Sabem filtrar os ruídos na linguagem para suportar as pressões sociais e, literalmente, remar contra a maré. Portanto, busque sempre o bom humor, porém não o confunda com falta de responsabilidade. Outro aspecto importante: a liderança quase sempre é situacional, isso significa. Em outras palavras, tendo comportamento que denote personalidade disposta a assumir riscos e estar na linha de frente, você eventualmente se verá na situação de liderado - ótima oportunidade para aprender a tornar-se um colaborador eficaz, ajudando outros líderes a atingirem seus objetivos. Certa vez fui questionado sobre como conseguia relacionar-me tão bem com tantas lideranças jovens e, ao mesmo tempo, integrar todos em uma única sala de reunião. A minha resposta: respeito as diferenças e procuro entender o que motiva cada um, o que quer, o porquê de estar ali; daí procuro um consenso pelo qual todos possam ganhar juntos, direta ou indiretamente. Ao mesmo tempo, visualizo o principal: a atmosfera da reunião precisa ser voltada para a prática do desenvolvimento pessoal e da troca de expertise. É preciso falar de visão? 108


Era uma vez um grande lorde que, em determinado momento de sua vida, foi convidado a discorrer um pouco sobre a origem de sua riqueza, o que tinha feito para ter conseguido tanto sucesso. Enquanto as pessoas presentes esperavam ansiosas por sua resposta, assim falou, ao mesmo tempo em que apontava para o teto da sala de reuniões, fazendo com que todos voltassem a atenção para o teto da sala: “Vocês conseguem observar aquela maravilhosa luminária? Vale uma fortuna. Foi exatamente assim que fiquei rico, vendo primeiro uma oportunidade que valia muito.” Permita-se, leitor, que os problemas coloquem uma vírgula na realização de seus sonhos; se continuarem persistindo, por mais difícil que possa parecer, coloque um ponto e virgula, mas jamais um ponto final. Como exercitar a liderança na graduação: • Comece a exercitar a postura de “lócus interno”, seja responsável por tudo aquilo que fizer de bom ou de ruim, assuma a responsabilidade dos seus atos publicamente. • Lembre-se de que todos gostam de um elogio. • Lembre-se de que seus seguidores geralmente querem acreditar que agem conforme suas próprias ideias e, o mais importante, que isso realmente faz a diferença. • Evite dar ordens, prefira pedir, indicar ou sugerir. • Não aja de má-fé com ninguém. • Seja o melhor orador de sua turma. • Aproveite os trabalhos em grupo para praticar. • Busque sempre que possível ser o primeiro a começar as atividades e o último a sair. • Não se detenha apenas em entrar bem nos lugares, também aprenda a sair.

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Uma infinidade de outras dicas serão discutidas no fórum do www.papodeuniversitario.com faça sua contribuição, compartilhe você também suas dicas. Pense nisso.

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Regra VII – Crie Seu Dever de Casa

“ Na vida, não existem soluções. Existem forças em marcha: é preciso criá-las e, então, a elas seguem-se as soluções. (Antoine de SaintExupéry) A maioria de nós, foi educado a ser medíocre e repetitivo. Mas, de repente, alguém grita para você inovar, criar, fazer diferente. E agora? Fomos educados a esperar pelo dever de casa do professor; na ausência desse dever, você era condicionado a gozar de sua liberdade, depois de se livrar daquele maldito fardo. Eu também não gostava do dever de casa, porque a felicidade só viria depois de terminá-lo. Quantos de nós não ouvimos, durante nosso ensino fundamental: “Você só vai brincar com seus amiguinhos depois de terminar o dever de casa. Chato, não? As coisas começaram a mudar quando percebi que poderia criar os meus próprios deveres de casa em meu tempo livre. Sabemos que empresas de sucesso estão reconhecendo e privilegiando profissionais com características empreendedoras, mas, no Brasil, boa parte das empresas ainda não vê funcionários empreendedores com bons olhos, porque a tendência natural deles é permanecer pouco tempo vinculados às organizações logo empreender seus próprios sonhos ou buscar algo melhor, esses

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perfis são bem inconformados e buscam sempre mais. Num mercado cada vez mais competitivo, as organizações passam a exigir de seus profissionais mais pró-atividade, liderança, espírito de equipe, capacidade de auto-aprendizagem, visão de negócios, dentre outros. Ao lado disso, as pessoas com perfil empreendedor inconformados com a realidade é que têm maior chance de criar oportunidades e empreendimentos de alto impacto, inovando e transformando o mundo ao redor delas. Durante as férias, no Brasil, temos o hábito de curtir o ócio improdutivo, aproveitar e fazer exatamente tudo aquilo que não fazemos durante o período letivo. A maioria dos estudantes corre para o prazer do ócio, não produtivo. Particularmente, acredito que a maneira como você aproveita seu “tempo livre” é um dos maiores determinantes para o sucesso pessoal. Observemos o seguinte: os grandes empresários, músicos, artistas de um modo geral e pessoas dedicadas a projetos pessoais, todos aprenderam a desenvolver o seu próprio dever de casa. Então, enquanto a maioria das pessoas “normais” perde tempo com o tempo ocioso, aquela minoria corre para desenvolver seu hobby, que, quando bem executado, com propósitos claros, costuma ser o primeiro passo de uma caminhada para a liberdade financeira. Você já pensou em transformar seu talento ou passatempo em algo lucrativo, rentável ou que o(a) ajude a dar um passo à frente em sua carreira? Vamos aos fatos. Facebook, Microsoft, Mac Donald, FORD, Johnny Walker e artistas de sucesso! Você eventualmente vai comprar, usar, alugar ou consumir um determinado serviço ou produto que, na verdade, um dia, já foi o passatempo de alguém. Já parou para pensar onde estava aquele seu músico preferido nas férias ou o que ele fazia no tempo livre? Provavelmente estava na garagem ou em algum estúdio 113


desenvolvendo seu passatempo. Ele criou o próprio dever de casa. Pense grande. Um dos meus sonhos, por exemplo, é poder de alguma forma colaborar com uma melhora na educação do Brasil. Meu desafio enquanto graduando era promover um passatempo condizente e à altura do meu propósito. Esse passatempo me mantinha conectado com a graduação o tempo todo, e num círculo de amizades onde eu tinha a oportunidade de conhecer outras pessoas interessadas no mesmo tema, onde poderia compartilhar e desenvolver minhas habilidades sociais. Essa forma de interagir com meu tempo livre fez total diferença em minha formação. Uma vez que na graduação todos os meus colegas de classe aprendiam exatamente a mesma coisa, onde estaria o meu diferencial? • Participei de empresa júnior, onde tive oportunidade de viajar e conhecer de perto a realidade de uma empresa, além de me comunicar com vários estudantes com perfil profissional já avançado. • Fui membro efetivo do DCE, onde aprendi a importância de ser politizado e adquirir visão mais ampla sobre meu papel como agente de mudança social. Desenvolvi ótima relação com professores-chave, dentre os quais os coordenadores do curso e a direção da instituição. • Consegui bolsa integral para minha graduação por meio da realização desse mesmo “passatempo”. • Viajei para fora do Nordeste diversas vezes, com tudo pago. • Consegui descontos em cursos de extensão com empresas parceiras, porque eu podia oferecer o que elas desejavam. • Aprendi, no Google e com amigos a promover eventos. Realizei vários para mais de oito mil pessoas, com patrocínio da própria instituição e da concorrência, obviamente. 114


• Participei de dezenas de entrevistas em rádio e televisão. • Fui capa de revistas; depois, convidado para ser colunista de uma outra. • Ministrei palestras em mais de 60 eventos, em várias cidades do Brasil. • Montei quatro cursos de extensão para segmentos específicos de mercado, no qual percebia grande demanda e pouca oferta. • Fui membro da Câmara de Vereadores Jovens de minha cidade, onde conheci vários políticos, que ampliaram minha rede de relacionamentos. • Estagiei em órgão público e em empresas privadas. Quando me senti preparado, montei minha primeira empresa com estudantes de outros cursos que me completavam naquilo que me faltava em habilidade para avançar. • Colecionei boa variedade de certificados e prêmios por iniciativas baseadas na forma de aproveitar meu tempo livre. • Fiz muito mais amigos e colegas em outras graduações e encontrei muitas respostas para perguntas que a psicologia não respondia, pensando multidisciplinarmente. O mais importante durante a graduação foi definir claramente meu propósito. No início, criei uma espécie de fogo interior que me mantinha avançando e querendo fazer mais do que me era solicitado. Esse fogo, chamo-o de meta. Decidi tornar-me um dos psicólogos mais influentes de minha geração ainda na faculdade e não depois dela, como havia cansado de ouvir em várias ocasiões, de professores, familiares, amigos e colegas que não fizeram 1/3 do que eu fizera ainda como universitário. Assim, enquanto isso, boa parte de meus colegas de curso trabalhavam em empresas de call center, disputando uma vaga de estagiário para ganhar, quando muito, um salário mínimo. Eles haviam aprendido, durante toda a

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graduação, que psicologia não dava dinheiro a curto prazo e repetiam isso inconscientemente. Enquanto viam as práticas psicológicas apenas no ambiente da clinica e dentro das organizações, eu as via em todos os lugares por onde passava. Na verdade, estudantes de outras graduações, como administração, direito, educação física, fisioterapia, publicidade, marketing, medicina e várias outras acreditam e vivem o mesmo velho paradigma. Agora, deixe-me contar-lhe algo interessante! Durante minha graduação, estava passando próximo ao auditório, da instituição quando vi o anúncio de um evento de tecnologia da informação. Entrei no auditório para dar uma olhadinha no tema do evento e ver se o que ensinavam sobre tecnologia tinha mudado tanto desde minha graduação anterior em informática. Deparei-me com o professor Genésio, que falava sobre seu projeto inovador chamado Células empreendedoras. Sentei e assisti à apresentação até o final. O projeto consistia basicamente em promover uma iniciativa simples, por intermédio de um estudante qualquer que teria como objetivo identificar um tema que fizesse seus olhos brilharem. Mesmo que o tema não fosse abordado por sua graduação, o desafio seria montar um grupo de estudo transdisciplinar. Para tanto, o aluno interessado reservaria uma sala em horário agendado, determinaria como abordar o tema e convidaria estudantes de outras graduações para participar, desde que esses tivessem também interesse pelo mesmo tema. Naquele momento, de pronto, pensei no tema “empreendedorismo”, que minha graduação não abordava. Três semanas depois, estava com uma sala reservada aos sábados e cartazes do meu grupo de estudo espalhados pela faculdade. Convidei os colegas interessados em participar; usei de minha influência no DCE e na empresa júnior, para passar nas salas onde julgava necessário divulgar o grupo de estudo. No primeiro encontro, contei seis 116


participantes; no segundo, encontro 17; ao final de um semestre, meus encontros tinham mais de 50 estudantes de diversos cursos, discutindo e debatendo sobre o tema do empreendedorismo. Então, pensei: se consigo colocar 50 alunos nessa sala, num sábado pela manhã, conseguirei colocar dois mil em um teatro - e cobrar por isso durante um final de semana. Foi assim que, idealizei e tirei do papel a 2 anos atrás, quando mal se falavam em empreendedorismo nas graduações do estado de Pernambuco ( muito menos na minha graduação em Psicologia ) o 1º Congresso Pernambucano de Empreendedorismo: Jovens & Empreendedores, que hoje, em sua 3º edição, reuniu um público total de mais 6.000 pessoas, entre estudantes e empresários de vários segmentos e palestrantes como Marcelo Tas, Silvio Meira, Jussier Ramalho, David Portes, Alessandro Barbosa da E.life e dezenas de outros grandes empreendedores, hoje o mesmo evento acontece em outros estados do Nordeste. Obviamente, durante a execução do projeto, quase ninguém acreditava, inclusive minha família, porém, depois, muitos dos que me diziam que não daria certo eram os mesmos que me davam tapinhas nas costas, dizendo que, na verdade, sempre acreditaram. Engraçado, não? Na verdade, a vida é assim. Se você deseja mudar sua realidade, criar contribuições reais em sua cidade ou em qualquer lugar, esteja pronto para as resistências. A grande parte das pessoas resistem às mudanças. Em 2011 idealizei e promovi o Fórum Nordeste de Jovens Lideres e Alta Performance, em pleno feriado de 15 de novembro, o evento que aconteceu em 2 dias, reuniu lideranças jovens de várias cidades do Nordeste totalizando um público de mais de 800 pessoas, sua segunda edição acontece na mesma data agora em Maceió ainda esse ano. Mobilizar para transformar. Lembre-se: provavelmente você foi educado a ser medíocre e 117


repetitivo, mas, de repente, alguém grita para você inovar, criar, fazer diferente. E agora? Pense grande. Quanto vale seu sonho? Quanto vale seu tempo? Quanto vale seu passatempo? Durante o caminho, deixe que digam, deixe que falem. Ninguém sabe até aonde você pode chegar. Dicas para criar seu dever de casa: • Descubra o que você realmente gosta de fazer nas horas vagas. • Já se imaginou ganhando dinheiro com essa atividade que você gosta de fazer em seu tempo livre? Ex: gosta de dançar? já se imaginou ministrando aulas de dança? Curte escrever num blog? Alguém pagaria para você divulgar algo nele? • Em que você é realmente bom? • Em que você é realmente ruim? • Como você se imagina daqui a 1 ano? 3 anos? 5 anos? • Quando for escovar os dentes, com a torneira desligada e estiver se olhando no espelho, pergunte-se, “era aí que você se imaginava estar quando mais novo?” • Não se deixe contaminar pelo sucesso ou fracasso dos outros, não compare sua vida com a de seu irmão, parente ou amigos, você é você e eles são eles, cada um tem seu tempo e forma uma peça diferente do quebra-cabeça.

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Uma infinidade de outras dicas serão discutidas no fórum do www.papodeuniversitario.com faça sua contribuição, compartilhe você também suas dicas. Pense nisso, pense grande.

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Regra VIII – Atraindo as Pessoas Certas

“ A tarefa mais importante que você tem é desenvolver sua equipe, dando às pessoas uma chance de concretizar seus sonhos. (Jack Welch, expresidente e CEO da GE e autor de Paixão por vencer.)

Atração é algo de que as pessoas não se dão conta no primeiro momento. Em verdade, escolhemos para nos relacionar afetivamente com quem nos atrai, seja por atributos físicos ou comportamentais, na maioria das vezes não sabemos como acontece mais, alguma coisa dentro de nós identifica que ele ou ela são pessoas com as quais desejamos ter em nosso meio social, e aí, começamos a tentar atrair ou seduzir no sentido mais amplo da palavra. Observe as pessoas, caro leitor (e se coloque no lugar). A maioria está, o tempo todo, tentando promover-se. Digamos que a vida é um grande espaço onde tentamos convencer os outros, a todo o momento, de que somos bons e competentes o suficiente para sermos aceitos. Já observou como os homens e as mulheres se exibem para os futuros parceiros? Observe uma balada, por exemplo: todo mundo com um copo de cerveja ou uma latinha na mão, as quais, no contexto, funcionam como muletas psicológicas (experimente ir para uma festa, seja ela qual for e não ficar segurando nada em suas mãos). Os homens, a maioria, entram no 121


estado de “brilho” para entrar no “clima” e criar coragem para aproximarem-se das mulheres, que, por sua vez, entram no brilho para ficarem mais desinibidas. Paralelamente, as pessoas de poder e famosas comportam-se de maneira diferenciada. Estão num nível que podemos chamar de clientes e não de vendedores como no exemplo anterior. Então, em vez de se preocuparem em ir atrás de alguém, filtram quem vai entrar em suas vidas, ter-lhes acesso e compartilhar de sua rede de relacionamentos. As mulheres muito bonitas normalmente tentam aproximar-se, de forma indireta, de homens que detêm o poder, tentando não demonstrar, contudo, essa necessidade e vice-versa. Quando nos tornamos confiantes e seguros de nós mesmos, sabemos o que buscamos ou procuramos. Automaticamente, colocamo-nos na posição de cliente, escolhendo e decidindo quem entra e quem sai de nossa vida. Parece fácil? Mas não é. A verdade é que, o tempo todo, alternamos nossa posição entre vendedor e cliente, dependendo de nossa intenção e necessidade. Se nos tornamos conscientes de nossos superpoderes, o caminho já estará claro. A grande questão é saber que qualidades raras são essas. Somente a cada um de nós compete descobri-los. Precisamos parar e fazer uma análise da nossa vida; sondar no fundo do nosso baú as qualidades mais atraentes, de forma que possam refletir o que desejamos encontrar nas pessoas. Por exemplo, observe, caro leitor, sua rede de amigos, pois ela fala muito de você. Seus amigos não querem nada com a vida ou são empreendedores de suas próprias realidades? Eles gostam do que fazem, encontraram sentido em suas vidas ou são dispersos e vivem reclamando das coisas ao redor? Isso reflete muito a vida que você mesmo leva.

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Aqui, no Brasil, temos o hábito de comemorar o culto ao ócio: ficamos de férias e achamos natural passar um mês de pernas para cima, sem fazer nada de positivo. No Japão e em países do Primeiro Mundo, a situação é bem diferente: o profissional com perfil de empregado comemora a sexta-feira e idolatra o final de semana; o de perfil empreendedor que tem o próprio negócio não tem hora para levantar nem para dormir e entende que o final de semana, dependendo do serviço ou produto, pode ser prejudicial para os negócios. Todos querem ficar ricos, mas, de fato, poucos estão dispostos a pagar o preço em busca da riqueza material ou de realizações pessoais. Eis aí uma boa dica para aqueles que desejam tornar-se pessoas atraentes: desenvolver um estilo de vida interessante. Encontro muitos homens e mulheres de boa índole queixando-se da vida. Você já ouviu alguma coisa como: “pessoas boazinhas sempre se ferram” ou “mulher nenhuma quer um homem bonzinho”? Certo? Errado. Não se trata de ser bonzinho ou mauzinho, e sim de ser forte ou fraco. Pessoas boazinhas quase sempre não sabem se comunicar, são inseguras, não têm uma linguagem corporal que transmita vontade, força, disposição. Já os mauzinhos, pelo contrário... Você se lembra dos vilões de novela? Sempre estão dispostos a acordar cedo, não dormir, correr atrás daquilo que almejam, normalmente dinheiro ou um amor não correspondido. Não admiramos as pessoas boas, e sim as fortes. O ideal é alinhar ser bom com ser forte, o que facilita a atrair as pessoas certas. Quando nos tornarmos conscientes da necessidade de nos tornarmos socialmente fortes, entenderemos por que nossa rede de amigos traduz nossa situação atual. Dize-me com quem andas e eu te direi quanto ganhas. Saber separar as amizades é tão importante quanto não trocar os livros na hora de estudar para uma prova - estudar matemática

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para fazer prova de português, por exemplo. Tenha definidos seus amigos da balada e seus amigos de projetos e realizações. Separe seus horários, organize sua agenda. Existe tempo para tudo na vida. Respeitamos as pessoas que se respeitam. Imponha-se limites e coloque limites nas pessoas, o que lhe proporcionará condições de filtrar as pessoas que se aproximarem de você e a forma de se aproximarem. Até onde você está disposto a seguir uma pessoa que não tem absolutamente nada a ver com seus sonhos? Mais especificamente: que regras pessoais você tem para selecionar as pessoas que devem fazer parte de sua vida, como amigos, colegas, parceiros de trabalho, dentre outras? Por exemplo: eu, particularmente, odeio cigarros de qualquer tipo. Então, quando procuro alguém para relacionar-me afetivamente, a minha regra nº 1 é: essa pessoa não pode fumar. A regra nº 2 é gostar de crianças, razão por que jamais me envolveria afetivamente com uma mulher que não gostasse de crianças. Quais são as suas regras? Vejo mulheres lindas e inteligentes, com homens trogloditas e violentos; da mesma forma, homens inteligentes com mulheres lindas e vazias. É o que você procura? O que você busca? Encontre essa reposta. Então, suas chances para atrair as pessoas certas para sua realidade tendem a aumentar consideravelmente. Pense um pouco sobre sua realidade antes de continuar. Para algumas pessoas, ser cordial, por exemplo, ou não fumar é um diferencial. Se trata de relacionamentos, considero isso uma característica básica que não conta como comportamento diferencial. Há alguns anos em nossa empresa de consultoria tivemos vários problemas. Esses desafios ajudaram-me a perceber melhor como filtrar e entender o comportamento necessário para que o negócio pudesse dar certo. Falo de comportamento empreendedor e, acima de tudo, baseado na ética - o mínimo que 124


exijo de qualquer pessoa para associar-se comigo em qualquer tipo de projeto. Quais são suas regras pessoais? Outra questão: prazos. Se você juntar-se com pessoas que não têm a mesma pró-atividade que você ou o mesmo ritmo; que não estão apaixonadas tanto quanto você pelo negócio ou projeto, sugiro procurar as apaixonadas pelo que realizam. Há um elemento simples no jogo da conquista ou da atração que precisa ser percebido: interações são propósitos dirigidos. Em outras palavras, tudo o que você faz enquanto interage com outra pessoa é produto de dois elementos: a) o que você quer alcançar; b) como você acha que vai alcançar isso. Pare e pense um pouco sobre isso, antes de prosseguir. Tudo o que você faz e a forma como o faz é produto do que está tentando alcançar e o modo como acha que pode adquirir isso. Ao observarmos, por exemplo, o comportamento dos animais, percebemos que, no seu modo de viver, tudo o que fazem desde o acordar, até o próximo descanso é, exatamente, aperfeiçoar suas habilidades para um único propósito: sobreviver! Quando estão com fome, procuram comida; quando estão com sede, procuram água. Mas, o tempo todo, estão aperfeiçoando e desenvolvendo as habilidades naturalmente e sendo congruentes com sua natureza. Eles não pensam em como fazer ou quando fazer. Simplesmente… fazem! Aonde quero chegar com esse exemplo? Se você começar a eliminar de seu comportamento, pouco a pouco, a perda de tempo com coisas fúteis, que não o(a) levam a nada, começará a dar direção à sua vida e a tornar-se consciente do que importa e não importa para você; começará, realmente, a tornar-se

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congruente com suas metas e sonhos, com aquele você que ainda não é. Você tem, um mapa dentro de sua cabeça, que diz: “Se fizer isto, e isto e isto, então, você terá o resultado que deseja”. Mas pergunto: por que, ainda assim, tendo o mapa e os métodos, você não consegue atingir seus resultados? Você apenas pensa! Se você soubesse disso, não mais faria mais assim, mudaria seu comportamento. Tudo que você tem é a informação flutuando dentro de sua cabeça no momento. Não é real para você é apenas informação só será real quando você partir para a ação. Já observou os viciados em álcool que dizem saber que realmente a bebida faz mal e vão parar? Você não percebeu ainda, nem eles. Se quiser tornar-se capaz de mudar todos os elementos que vêm atrapalhando o aperfeiçoamento de sua vida, mude o que você está fazendo na forma como acha certo fazer. Para isso, primeiro precisa saber onde está agora. Não há mais perguntas hipotéticas. Para considerar os resultados que obteve até hoje, fazendo o que faz, pergunte-se: esses resultados são satisfatórios para mim? Se você apenas tentar tratar os sintomas externos, só vai continuar batendo a cabeça contra a mesma parede; vai manter-se lutando na mesma batalha, inúmeras vezes. Poderia levar meses, poderia levar anos, quem sabe? até perceber haver perdido seu tempo e desejar voltar atrás. Se quiser ir além de todas essas questões, para sempre, está na hora de tomar uma abordagem diferente. Uma vez que você trabalhou para fora, então poderá começar a mudar isso. Afinal de contas, comportamento diferente cria resultado exclusivo. O propósito de sua ação precisa estar claro ANTES de realizá-lo. Direcione as energias para atividades verdadeiramente produtivas. Seja congruente com seus anseios e metas. Esse é o melhor

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caminho para atrair as pessoas que podem acrescentar brilho a sua vida. Estavam um dia o porco e a galinha (2 colegas de classe numa graduação qualquer) passeando pela fazenda (universidade/faculdade), quando chegou o fazendeiro (professor) e lhes propôs um desafio: eles seriam responsáveis por preparar um café da manhã diferente a cada dia da semana pelas próximas duas semanas (atividade complementar). No caso de falha, definida pela falta de um cardápio variado em um desses dias, o café da manhã (atividade) seria preparado pelo próprio fazendeiro que, sem opção, prepararia bacon com ovos para começar o dia (nota baixa para os 2). Estavam ambos motivados, o porco e a galinha, a cumprir a missão e entregar um cardápio diferente a cada dia pelas próximas duas semanas (empolgação inicial do grupo formado). Nos primeiros dias tudo correu bem, o porco sempre de maneira pró-ativa começava o dia a pensar no cardápio para o dia seguinte, dividia as tarefas necessárias para separar os ingredientes para a nova receita, pensava em formas inovadoras de cumprir as metas (líder do grupo que de forma pro-ativa toma a liderança) e era ajudado pela galinha que cumpria as tarefas a ela atribuídas (liderado). Com o passar dos dias, as receitas ficaram cada vez mais elaboradas e o porco gastava grande parte do seu dia preparando os pratos que seriam servidos ao fazendeiro ( fazia maior parte das pesquisas, fechava o tema e ficava sobrecarregado). Com isso não tinha tempo para atribuir as tarefas para a galinha. Que por sua vez aproveitava o tempo livre para ciscar o chão e procurar minhocas (estudante liderado que não quer por@# nenhuma). Isso limitava o tempo disponível ao porco que trabalhava ainda mais para cumprir as metas.

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O final dessa história você já pode prever: o fazendeiro não é atendido nas suas solicitações, o porco vira bacon e a galinha, depois de ceder um ovo e de cacarejar bastante, continua ciscando e procurando minhocas como se nada tivesse acontecido: – tiramos nota baixa, relaxa, depois recuperamos. A história da galinha e do porco fala sobre envolvimento e comprometimento. Você é do tipo galinha que está envolvido com sua graduação? Ou do tipo porco que está comprometido? Nas empresas, na sociedade, em tudo, há esses dois grupos: os envolvidos e os comprometidos e qual a diferença básica? Envolvimento é ato de envolver, que seria o mesmo que cobrir, enrolar ou misturar. Já o comprometimento é ato de comprometer-se ou assumir uma obrigação ou promessa firmada com outra parte. Exemplificando para o ambiente universitário: os estudantes envolvidos em suas carreias fazem parte do grupo e trabalham pelos seus objetivos. Para os estudantes comprometidos, o grupo faz parte dele e ele trabalha com os objetivos coletivos. Os envolvidos apontam os sintomas e muitas vezes fazem parte do problema. E quando resolvem, o fazem da forma mais prática. Já os comprometidos compram problemas e resolvem da melhor forma. Os envolvidos assumem somente as responsabilidades da sua função e quando recebem mais funções reclamam que estão sendo explorados e não têm interesse, pois isso não fecha com seu objetivo pessoal. Os comprometidos assumem as responsabilidades necessárias para atingir os objetivos coletivos e veem novas tarefas como ótimas oportunidades de aprenderem mais. Os envolvidos sempre querem ser reconhecidos pelo que fazem. Os comprometidos sempre reconhecem quem faz. Para os 128


envolvidos sempre há problemas e dificuldades. Para os comprometidos, sempre há soluções e energia. O envolvido toma espaço. O comprometido constrói o seu espaço. A relação com um envolvido é de curto prazo, enquanto que com o comprometido consegue-se manter uma relação de longo prazo. Se você tem uma meta e deseja atingir em tempo hábil junte-se aos porcos e evite as galinhas, torne-se consciente de sua situação e comece desde o 1º período a mudar seu comportamento na direção dos comprometidos com suas carreiras e sonhos, crie filtros para separar as galinhas da sua vida e atrair os porcos. Eugenio Mussak, em seu livro Caminhos da Mudança (2008), identifica as cinco condições básicas para que ocorra o comprometimento, em qualquer tipo de relação: 1. 2. 3. 4. 5.

Admiração Respeito Confiança Paixão Intimidade Isso significa que só ficamos ao lado de alguém que admiramos, e da admiração surge o respeito, que gera a confiança e a paixão e com todos estes ingredientes juntos queremos continuar convivendo com esta pessoa e sendo íntimos ou seja é a soma destes fatores que sustenta uma relação, seja ela profissional ou pessoal é dessa forma, que você se torna cada vez mais atraente. Quanto mais assumimos e mantemos nossos compromissos, mesmo os pequenos, fortalecemos a nossa integridade e nos tornamos cada vez mais eficiente. Parte do desenvolvimento desse comprometimento é fruto da busca constante por aquilo que eu falo e aquilo que faço. 129


Fique esperto, as galinhas vão te ensinar que você pode viver com pouco, vão te falar para não sair do galinheiro porque lá fora existe uma raposa a todo momento pronta para te devorar, irão te ensinar a viver comendo vermes com medo de todo estímulo externo e de qualquer forma geométrica que seja diferente de seu galinheiro. Algumas dicas para começar a exercitar-se: • Escreva uma lista com alguns comportamentos que para você seriam inaceitáveis para alguém que se diz ser seu amigo(a)? • Quais características comportamentais você admira em uma pessoa? • Quais características comportamentais você não admira? • Deixe claro para seu círculo de amigos, o que você não aceita que outras pessoas façam em sua presença, exemplo: maltratar animais. Dessa forma você começa a filtrar e criar regras de convivência, quem age assim normalmente é o líder do grupo e todo grupo tem seu líder. • Seja bom em perceber qual a verdadeira motivação das pessoas, normalmente não é o que elas dizem ser no primeiro momento. • Lembre-se, no primeiro momento, a maioria das pessoas é feliz, fieis, verdadeiras e otimistas. O convívio é que verdadeiramente vai dizer quem é quem. • Admiração, respeito, confiança, paixão e intimidade; pense em como você pode exercitar no seu dia-a-dia o desenvolvimento dessas habilidades sociais.

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Uma infinidade de outras dicas serão discutidas no fórum do www.papodeuniversitario.com faça sua contribuição, compartilhe você também suas dicas. Pense nisso, pense grande.

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Regra IX – Supere a dúvida. Participe!

“ Aqueles que defendem o conhecimento como a bola da vez promoveram a ideia de que as empresas precisam de mais capital intelectual. Embora isso seja verdade, é apenas meia verdade. O que esses defensores estão esquecendo é que o conhecimento só é útil quando se faz algo com ele.( Jeffrey Pfeffer, professor da Standford Graduate School of Business )

Em nossa cultura, a participação é percebida de forma limitante e limitada: “Seja um bom pai de família e o resto virá por acréscimo”. “Seja um bom estudante que os outros cuidarão de sua vida”. “Seja um cidadão que vota a cada quatro anos e o Estado fará o resto. Não participe de tudo nem busque ampliar seus compromissos, isso só lhe trará dor de cabeça!” No fundo, a mensagem conformista e excludente é esta: “Cuide de sua vida e esqueça-se de todo o resto!” Não é à toa que escutamos frequentemente: “Não é da minha conta!” ou “Não é de sua conta; portanto, não se intrometa!” Um dos cinco princípios da democracia é a participação, sem a qual não se pode, transformar nem fazer nada. Nenhum dos outros princípios, como igualdade, liberdade, diversidade e solidariedade, existe sem participação. Falo aqui de participação em todos os

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níveis, sem exclusão prévia de nenhum grupo social, sem limitações que restrinjam o direito e o dever de cada pessoa tomar parte e responsabilizar-se pelo que acontece no planeta (ainda mais quando ouvimos tanto falar de aquecimento global e responsabilidade social). Em resumo, cada um de nós é responsável pelo que acontece nas questões regionais, nacionais e internacionais e, por que não dizer institucionais? Durante todo o tempo, você talvez tenha percebido que este livro fala de participação, conhecimento transformado em ação, atitude para ir em direção às dificuldades, superação, mudança de crenças. Somos co-responsáveis por tudo o que ocorre. A única forma de transformar seu direito em realidade é pela participação. Quando era mais novo, lembro-me de ter tido um vizinho que batia na mulher com certa frequência. Se não bastasse ouvir o choro dela e os pedidos suplicantes dos filhos, no outro dia, antes de ir à escola, vez por outra eu a via passar na rua com o olho roxo. Todos, porém, fingiam que não viam. Quando ia brincar com os filhos em outro momento qualquer e perguntava às pessoas sobre, aquelas ocorrências, todas fingiam que não tinha acontecido nada. E eu perguntava-me o tempo todo por que alguém não fazia alguma coisa, por que meu pai, meu herói, não intervinha, por que algum vizinho ou alguém não fazia nada. Eu, pequeno, magro, fraco, quando questionava alguém sobre o que acontecia ali, era repreendido: “Cuide de sua vida!” A doença do momento é a normose: é normal ver pessoas deitadas nas calçadas, crianças sem roupas, idosos sem abrigos, bêbados errantes a pedir esmola. Em minha cidade, a coisa mais normal do mundo é encontrar, nos principais semáforos jovens saltando sobre os carros para limpar o vidro, jovens com a minha ou a sua idade. Não fazemos nada, porque o problema não é nosso, correto? Errado. 134


Falamos mal do governo, criticamos os políticos e esquecemos que fomos nós que os elegemos. E aí o que fazemos? Esperamos quatro anos e escolhemos errado novamente. Educação política inexiste em nosso país. Por quê? Diminuir e inibir a participação popular... A participação, portanto, deve ser companheira da informação, para tornar-se realmente de direito e coerente; deve ser possibilidade aberta a todas as pessoas, não apenas a alguns poucos privilegiados que têm condições de estudar em boas faculdades e em escolas particulares; ela deve ser uma oportunidade efetiva acessível a todos. A participação portanto, deve ser companheira da informação, para tornar-se realmente de direito e coerente; de ser possibilidade aberta a todas as pessoas, não apenas a alguns poucos privilegiados que têm condições de estudar em boas faculdades e em escolas particulares; ela deve ser uma oportunidade efetiva acessível a todos. A participação, pode consistir em uma simples ação pessoal ou na formação de um grupo. Lembre-se, da liderança associativa. Só com ampla participação, podemos lutar pelos princípios da democracia, neutralizando as formas de autoritarismo frequentes em nossa sociedade ou dentro de sua faculdade, por exemplo. Conversamos, no início, sobre mudança de regras. É por meio dessas que acabamos com a desordem do status quo injusto, que produz a marginalização. E superamos a resignação e o medo de ousar fazer diferente. A questão toda consiste em chamar à responsabilidade, puxá-la em nossa direção, assumir riscos e compromissos. As sociedades autoritárias fazem tudo para limitar, restringir e desestimular a participação. Olhe o planeta nesse exato momento e perceba o quanto a participação popular tem ganhado força. Por medo e comodismo, participar, em vez de ser regra geral, tornou-se exceção. Resultado: cidadão fechado, sem iniciativa.

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Mesmo assim, pela participação, está surgindo nova juventude, novo cidadão e novas condições para o Brasil superar a miséria e a exclusão e chegar à condição de sociedade democrática de fato. Por meio da participação, podemos exigir do governo cargas tributárias menores e justas. Em palestras e seminários, costumo fazer, uma metáfora com os palitos de uma caixa de fósforos. Todos nós somos palitos de fósforos andando por aí. É necessário apenas um palito aceso queimando, iluminando, para que outros possam ser acesos também. Qualquer proximidade faz acender outro que, por sua vez, irá acender outros. Esse fósforo pode e deve ser você! Acenda-se, queime, ilumine! Instigue-se. Se tiver que se rebelar, comece contra você mesmo, contra seus velhos costumes e comportamentos limitantes, porque, com certeza todos morreremos em breve: uns, daqui a 10 anos; outros, daqui a 20; outros, muito mais ou muito menos. E o que ficará? Quem foi você? Se tem dúvida de que deve ou não ir àquele evento bacana, vá! Participe! Se possível, frequente também eventos de outros cursos; guarde uma parte de suas economias para conhecer pessoas e ver o que os profissionais do mercado estão falando sobre a situação atual do seu curso ou escolha profissional. Estude o seu segmento de mercado e participe dele ativamente. Conheci diversos estudantes universitários em fim de curso que nunca foram a, sequer, um encontro regional, ou melhor, nunca saíram de dentro dos muros da universidade. Procure saber o que outros centros acadêmicos estão pesquisando ou desenvolvendo em sua área. Construa informações e rede de relacionamentos com estudantes de outras graduações ou IES. Participe, sempre que possível, de cursos de extensão e de formação em outros espaços. Não se limite a conhecer apenas a sua realidade.

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Se desejar realmente promover mudanças reais em sua cidade, estado ou país, precisa participar, aprender as regras do jogo, jogar com elas, vencer e assumir, sim, cargos de chefia e liderança. A partir daí olhar para baixo e mudar o que for necessário. Algo me diz que o sistema capitalista não vai mudar tão cedo, a não ser que pessoas éticas, coerentes, idealistas tomem o controle da situação, assumindo os riscos e as responsabilidades inerentes a suas metas e sonhos. Busque, sim, muito dinheiro, busque, sim, ter poder, mas o mais importante: utilize isso para o bem da coletividade. Pense nisso, enquanto participa. As dicas desse capitulo vou me limitar a compartilhar apenas no fórum, que a essa altura do campeonato, você já deve saber qual é.

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Regra X – Crie Suas Regras

“ A dor é apenas temporária. Pode durar um minuto, uma hora, um dia ou um ano, mas, por fim, chega o momento em que diminui e desaparece. Porém, se eu desistir, ela dura para sempre, porque o ato de entregar os pontos, por menor que seja, permanecerá sempre comigo. Por isso, quando sinto uma vontade de desistir, me faço a seguinte pergunta: com o que prefiro viver, com a dor ou com a consciência torturante de que derrotado desisti? Diante de tal questão, sempre dou um jeito de seguir em frente, e esse é o melhor prêmio, melhor do que qualquer título ou troféu. (Lance Armstrong)

A mãe, com apenas 26 anos, parou ao lado do leito de seu filhinho de seis anos, que estava morrendo de leucemia. Embora o coração dela estivesse pleno de tristeza e angústia, carregava também um forte sentimento de determinação. Como qualquer outra mãe, gostaria de que seu filho crescesse e realizasse seus sonhos. Agora, isso não mais seria possível por causa da leucemia terminal.

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Mesmo assim, ela ainda queria que o sonho dele se transformasse em realidade. Tomou-lhe a mão e perguntou: Billy, você alguma vez pensou sobre o que gostaria de ser quando crescer?Você já sonhou com o que gostaria de fazer com sua vida? Mamãe, eu sempre quis ser um bombeiro quando eu crescer. A mãe sorriu e disse: Vamos ver se podemos transformar esse sonho em realidade. Mais tarde, naquele mesmo dia, ela foi ao corpo de bombeiros local na cidade de Phoenix, Arizona, onde encontrou Bob, um bombeiro de enorme coração. Ela explicou a situação do filho e seu último desejo. Por fim, perguntou se seria possível o menino dar um passeio em torno do quarteirão, no carro dos bombeiros. O bombeiro Bob respondeu: Veja, NÓS PODEMOS FAZER MAIS QUE ISSO! Se você estiver com seu filho pronto, às sete horas da manhã, na próxima quarta-feira, faremos dele bombeiro honorário por todo o dia. Ele poderá vir para o quartel comer conosco, sair para atender as chamadas de incêndio! E, se nos der as medidas dele, conseguiremos um uniforme verdadeiro para ele, com chapéu, com o emblema de nosso batalhão, um casaco amarelo, igual ao que vestimos e botas também. São todos confeccionados aqui mesmo, na cidade, e vamos consegui-lo rapidamente. Três dias depois, Bob pegou o garoto, vestiu-o em seu uniforme de bombeiro e escoltou-o do leito do hospital até o caminhão dos bombeiros. Billy ficou sentado na parte de trás do caminhão e foi levado até o quartel central. Ele estava no céu! Ocorreram três chamados naquele dia, na cidade de Phoenix, e Billy acompanhou todos os três. Em cada chamada, deslocava-se 140


em veículo diferente: no caminhão tanque, na van dos paramédicos e até no carro especial do chefe do corpo de bombeiros. Também foi filmado pela emissora de televisão local. Sonho realizado, todo o amor e atenção a ele dispensados acabaram por tocá-lo tão profundamente, que viveria três meses mais que todos os médicos haviam previsto. Uma noite, todas as suas funções vitais começaram a cair dramaticamente. A enfermeira-chefe, que acreditava no conceito de que ninguém deveria morrer sozinho, começou a chamar ao hospital toda a família. Também se lembrou do dia em que o pequeno Billy vivera o seu momento de bombeiro. Então, ligou para o chefe e perguntou-lhe se seria possível enviar algum bombeiro ao hospital para ficar com Billy.

O chefe dos bombeiros respondeu: Nós podemos fazer muito mais que isso! Estaremos aí em cinco minutos. E faz-me um favor?Quando você ouvir as sirenes e vir as luzes de nossos carros, avise no sistema de som que não se trata de um incêndio; é apenas o corpo de bombeiros vindo visitar, mais uma vez, um de seus mais distintos integrantes. E você poderia abrir a janela do quarto dele? Obrigado! Cinco minutos depois, uma van e um caminhão com escada Magirus chegaram ao hospital. Estendida a escada até o andar onde o garoto agonizava, 16 bombeiros subiram até o quarto de Billy. Com a permissão da mãe, eles o abraçaram, seguraram-no e disseram-lhe o quanto o amavam. Com muito esforço, o menino olhou para o chefe e perguntou: - Chefe, eu sou mesmo um bombeiro? 141


- Billy, você é um dos melhores. Billy sorriu e fechou seus olhos pela última vez. E você, diante das dificuldades da vida, tem respondido: “Eu posso fazer mais do que isso?” O empreendedor de si mesmo, na busca de realizar suas metas, é aquele que consegue fazer o melhor com o que tem aqui e agora. Se hoje você tem pouco, procure fazer o máximo com o que tem; não importa o que seu vizinho tem. Concentre-se nos seus esforços, em suas possibilidades... É assim que as pessoas, aparentemente, sem nada e com pouca esperança conseguem realizar grandes sonhos. Numerosas são as maneiras de avaliarmos nossas realidades dentro das instituições das quais fazemos parte e de nossa sociedade. Podemos e devemos lutar por um ensino de qualidade. Podemos e devemos bater de frente sempre que não nos sentirmos bem com o que escutamos e aprendemos em qualquer lugar. Jesus não foi passivo, muito pelo contrário, foi um exemplo de liderança e participação impecável. Tenho vivido grandes momentos em minha vida e compartilho alguns deles neste livro. Em alguns momentos, precisei ser incisivo no que se refere a algumas habilidades que sugiro ao leitor adquirir para tirar proveito das oportunidades da melhor maneira possível. Acredito que possamos criar em nossa sociedade instituições responsáveis, através de lideranças éticas e materializar em nosso planeta a sociedade dos nossos sonhos, mais justa, com um sistema de saúde adequado e educação de qualidade.

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VOCÊ PODE FAZER MUITO MAIS DO QUE ISSO. CRIE SUAS PRÓPRIAS REGRAS E COMPARTILHE CONOSCO, VOCÊ SABE ONDE.

GRADUANDOS DOS NOVOS TEMPOS, É HORA DE AÇÃO!

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Social Networking Para aqueles que desejam aprofundar mais sobre tudo o que foi exposto ou conhecer outros graduandos que estejam passando pelos mesmos desafios em seus centros acadêmicos, participem do fórum oficial no nosso portal www.papodeuniversitario.com ou acompanhem nossas postagens semanais, e se você acha que tem alguma história bacana para compartilhar, envie e-mail para contato@papodeuniversitario.com queremos te conhecer. A nossa proposta é juntar inconformados que desejam de verdade fazer diferença em suas graduações, promovendo, inclusive, quem sabe? Uma nova forma de pensar a educação no Brasil. Em breve serei professor universitário e sei o tipo de professor e de educação que desejo promover. Liberte-se da caixa. E-mail: marcos@papodeuniversitario.com

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Sobre o Autor MARCOS RODRIGUES é Psicólogo comportamental, cursando Especialização em Terapia Cognitivo Comportamental com foco no desenvolvimento de habilidades sociais, palestrante, tendo palestrado em dezenas de eventos em várias cidades do Brasil. Para encontrá-lo basta seguir no twitter: @manualdoheroi ou inscrever no www.facebook.com/manualdoheroi

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Referências • BECKWITH, Harry. Vendendo o Invisível. Best Seller, 2008. • BECK, Judith. Terapia Cognitiva Teoria e Prática. Artmed, 1997. • COMPANY, Fast. The Rules of Business. Sextante, 2005. • GREENE, Roberto / ELFFERS, Joost. As 48 Leis do Poder, • PESCE, Bel. A Menina do Vale Como o Empreendedorismo Pode Mudar sua Vida, 2012. • ROBBINS, Anthony. Poder Sem Limites. Best Seller, 2003. • THOMPSON, Leigh L. O Negociador. Pearson Prentice Hall, 2009 • TOLLE, Eckhart. O Poder do Agora. Sextante, 2002. • WHITE, Curtis. A Mente Mediana. Francis, 2004. • http://rinapri.wordpress.com/2012/01/02/a-galinha-e-oporco-ou-a-diferenca-entre-estar-envolvido-ecomprometido/ • http://www.efetividade.net/2010/06/22/comprometimentoe-a-vontade-de-fazer-parte-de-uma-historia/

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Para fazer o download deste livro, acesse: www.papodeuniversitario.com Esta obra está licenciada sob Creative Commons – Atribuição – Uso não-comercial – Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Brasil. Você pode:

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