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Haikal

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ENTREVISTA Wave: Por que a família resolveu se estabelecer em Edmonton? Rita Espechit: Escolhemos Edmonton pelo seu tamanho e economia forte. Aqui é fácil de ir e vir, e gente que não te conhece te cumprimenta na rua, puxa conversa. Há uma tradição de ajudar uns aos outros. Gosto muio daqui. Só o conservadorismo é que às vezes me deixa aflita, mesmo sendo um conservadorismo mais brando, diferente, ele está presente e às vezes incomoda.

“NÃO SOU VISIBLE MINORITY, MAS SOU AUDIBLE MINORITY”. Wave: E em relação ao país, ao Canadá, do que você gosta e desgosta? Rita Espechit: No Brasil, a gente vive em clima de alta tensão, e no Canadá a voltagem é outra, e eu gosto disso. Também acho positivo o multiculturalismo, apesar de sentir que o conceito, em termos de política cultural, é confuso. O governo faz do multiculturalismo uma salada meio maluca nesta área. Um exemplo é a definição de “visible minority”. Ninguém bate o olho em mim e nota que não sou daqui. Mas sou “audible minority”. Basta eu abrir a boca que a discriminação aparece. (risos) Sei que comparado ao que acontece em outros países, o Canadá é um paraíso para imigrantes, mas há ainda muito espaço para melhorar. Mas o que me incomoda de fato é o sistema eleitoral . Você vota só na sua região e, se a pessoa em que você votou não ganhar, o seu voto vai para o lixo. Isto gera uma distorção incrível. O poder é representado pelo número de cadeiras no parlamento. O total de votos do partido NDP, por exemplo, pode ser, em porcentagem, muito maior que a porcentagem de cadeiras que eles conseguiram. O sistema é desenhado para manter o status quo. Wave: Qual foi seu maior desafio para se estabelecer no Canadá? Rita Espechit: Acho esse negócio de fronteira bobagem. Então, me sinto muito em casa aqui. Mas tenho um problema grave que é a minha profissão, que é baseada na língua portuguesa. Estava acostumada a ser Rita Espechit e aqui virei “a mãe da Alice”. Mas gosto deste desafio. Vim aos 40 anos, largando emprego estável, uma vida confortável e previsível. A mudança me revitalizou. Eu estava cristalizando e tive que quebrar tudo de novo. E isso faz bem à inteligência da gente. Aprendi muita coisa mudando de país.

“SINTO MUITA FALTA DE ÁGUA DE FILTRO DE BARRO “

filtro de barro. Quero trazer um... E sinto falta das pessoas. Eu também achava que vivia uma vida universal e descobri que muitas coisas são só nossas, brasileiras. A gambiarra, por exemplo, que a gente julga uma coisa ruim, também demonstra nossa capacidade criativa e eu só fui entender isso melhor aqui. Wave: Quais foram os desafios específicos em relação à adaptação da Alice, sua filha? Rita Espechit: Alice tinha dez anos na época e acho que estava no limite da idade. Mais velho que isso, começa a ficar complicado. Ela teve problemas no começo porque era a única imigrante em uma escola que tinha um professor conivente com a intimidação pelos colegas. Mas bastou passar para uma escola onde havia mais diversidade que o problema acabou. Alice aprendeu a língua rápido e fez vários amigos. Agora. ela está terminando o curso secundário, e deve passar um ano viajando pelo Brasil e Europa. Depois, quer estudar para ser bibliotecária. Wave: Nestes seus anos de Canadá, o que você considera um passeio imperdível para quem está chegando? Rita Espechit: Concretizei aqui algumas fantasias norte-americanas da minha vida de “colonizada”: fui ver filme em drive-in e dirigir um motor-home por Quebeque, Nova Escócia, Nova Brunswick... Muito legal! As Rochosas também são imperdíveis. A gente acha que Minas tem montanha, mas as Rochosas são enormes e muito bonitas. Em termos culinários, aqui em Edmonton, ninguém pode deixar de experimentar a comida ucraniana. Uma delícia! Em sua carreira, Rita Espechit já vendeu mais de 1 milhão de livros. Conquistou com seus escritos vários importantes prêmios no Brasil, como o João de Barro e o Prêmio Jabuti e tem nas prateleiras das livrarias brasileiras três coleções de poesia, 13 volumes de literatura infantil, um dicionário escolar e uma série de oito livros didáticos. Agora a autora está dando seus primeiros passos na conquista do público canadense. Rita foi escolhida como Escritora em Residência do programa Writer in Exile da PEN Canada em Edmonton e também já faturou o primeiro lugar do concurso Poetry by New Canadians com seu poema A Guide for an ESL-Friendly Language. A escritora teve uma peça de teatro (They’re Not Like You and Me) encenada no Sprouts New Play Festival for Kids em Edmonton e também colaborou no livro The Story that Brought me Here, além de ter publicado poemas em diversas revistas literárias do país.

Wave: Sente falta de alguma coisa do Brasil? Rita Espechit: Sinto muita falta de água de 7

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All Things Brazilian in Canada. All Things Brazilian. Bilingual bi-monthly magazine targeting all people interested in the Brazilian cultur...