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2018 - V. 11 | N.73 Vencedora NE Ethnic Newswire Award 2008 Press Award 2010 | 2011 2012 | 2013

A REVOLUÇÃO NO MERCADO IMOBILIÁRIO

CONHEÇA ROBBIE ANTONIO, O GURU DO MERCADO DE ESTRUTURAS PRÉ-FABRICADAS, E O SUCESSO QUE PODE SER SEU

Saúde

Abertas inscrições para planos de saúde em Massachusetts

Direto da Redação Gripe matou número recorde de pessoas ano passado

BM in English

Meet Robbie Antonio, a real estate developer and the Founder and CEO of Revolution Precrafted


Direto da Redação

EXPEDIENTE

Editor-chefe Marcony Almeida & Mark Puleo Repórter Especial em Nova York - Guest Writer Manoela Maia McGovern Conselho Editorial Alvaro Lima, Eduardo Siqueira, Simone Elias Direção de Arte, Ilustrações e Publicidade Cícero Rodrigues

A Brazilian Magazine é uma publicação da empresa The Brazilian Journal, INC. Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião da Brazilian Magazine, sendo inteiramente de responsabilidade de seus autores. OPINE A Brazilian Magazine quer muito saber sua opinião. Envie comentários com nome completo e pelo menos duas formas de contato (telefone, e-mail, endereço) para The Brazilian Journal Magazine, P.O. Box 490543, Everett, MA 02149. Ou envie e-mail para: info@brazilianmagazine.net

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2018 - Nº 73

Os brasileiros no ramo da construção civil e arquitetura modernas estão aconstumados com projetos inovadores, mesmo nos Estados Unidos onde tudo parece vir “quase pronto” de lojas como a HomeDepot. Mas a “revolução” mesmo ainda pouco vista veio ao mercado através de Robbie Antonio. Ele foi reconhecido pela BuiltWorld como um dos 25 pioneiros que estão transformando a indústria conhecida como projetos pré-construídos, juntamente com Elon Musk, de Tesla, e Adam Neumann, co-fundador da WeWork. A pessoa mais jovem a se juntar à lista dos 50 mais ricos da Forbes nas Filipinas, Robbie Antonio é um pioneiro numa cruzada para revolucionar o mercado imobiliário. Seu segredo é o Revolution Precrafted, uma empresa que fornece propriedades préfabricadas de edição limitada por arquitetos, artistas e designers proeminentes. E ele concede entrevista exclusiva para a nossa edição desse mês, e fala sobre o mercado inovador imobiliário. A jornalista Heloisa Galvão traz em sua coluna Pensando em Nossos Dias uma reflexão sobre o resultado das eleições americanas, e como foi importante para todos, mas principalmente para as mulheres. A Dra. Elisa Tristan-Cheever escreve um alerta para a saúde do brasileiro. De quem será a culpa daquele “pesinho extra” que você ganhou? Vale à pena ler! E o professor Eduardo Siqueira escreve em sua coluna Trocando em Miúdos um paralelo entre o resultado das eleições americanas e a saúde dos brasileiros em Massachusetts. Nossos leitores também não podem deixar de ler as notas da coluna Direto da Redação, com detalhes sobre a decisão do Departamento de Justiça dos EUA de suspender o advogado de imigração Martin Liu do direito de advogar perante à Imigração. Tem muito mais nessa edição preparada especialmente para você. Aproveite a leitura! E acompanhe também as notícias online no www.brazilianmagazine. net, e nas nossas mídias sociais pelo Facebook, Twitter e Instagram. And don’t forget to read our BM in English! Marcony Almeida & Mark Puleo

Nesta edição 4 Trocando em Miúdos As eleições de 2018 nos Estados Unidos e a saúde do imigrante brasileiro 5 Especial Robbie Antonio está causando uma revolução no mercado de estruturas pré-fabricadas, com investimento nos EUA e Brasil 6 e 7 Special BM in English Meet Robbie Antonio, one of the 40 richest people in the Phillippines 8 É bom saber… O problema daquele excesso de peso no corpo 9 Palavras de Mulher Vale comparar a saúde no Brasil e américa 10 Pensando em Nossos Dias Fizemos história? Sim, mas a luta continua 12 Saúde Abertas inscrições para planos de saúde em Massachusetts 14 Direto da Redação Departamento de Justiça proibe advogado Martin Liu de exercer a função

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Trocando em Miúdos

Eduardo Siqueira *Professor Associado - College of Public and Community Service (CPCS) - UMass Boston

As eleições de 2018 nos Estados Unidos e a saúde do imigrante brasileiro

Passadas as eleições de novembro, conhecidas nos Estados Unidos como as da metade do mandato presidencial (mid-term elections, em inglês) de Donald Trump, já podemos tirar algumas conclusões parciais sobre os resultados das eleições e a saúde do imigrante brasileiro. O leitor poderá perguntar-se que relação existe entre as eleições federais e estaduais e a saúde do brasileiro em Massachusetts. Na verdade, a saúde do imigrante brasileiro tem relação direta e indireta com quem manda no estado e no país, e quais políticas de saúde são adotadas a nível federal e estadual para proteger ou atacar os imigrantes. Senão vejamos... Durante os comícios da recente campanha em que apoiou candidatos republicanos em todo o país, o presidente Trump usou a ameaça da chamada caravana de imigrantes centro-americanos como bandeira para amedrontar os cidadãos estadunidenses sobre uma “invasão” por potenciais criminosos e até terroristas. A referência a criminosos se deve ao fato da existência da gangue salvadorenha MS-13 (Mara Salvatrucha 13) e a terroristas se deve a possível infiltração de terroristas entre os participantes da marcha. Entretanto, não existe nenhuma evidência de que os participantes da marcha sejam uma ameaça real aos Estados Unidos, porque a maioria é composta de mulheres e crianças fugindo da pobreza e da violência que se tornou comum em vários países da América Central. Mais uma vez o presidente Trump usou e abusou da propaganda xenófoba anti-imigrante para convencer eleitores conservadores da sua base eleitoral a votar nos candidatos do Partido Republicano. Ele chegou inclusive a sugerir que filhos de imigrantes indocumentados nascidos no território dos Estados Unidos não tenham mais direito a cidadania americana e manifestou apoio a restringir a 4 | Brazilian Magazine

renovação do “green card”, caso imigrantes usem programas governamentais de apoio aos setores de baixa renda da população residente no país. Enfim, cada vez mais Trump tenta transformar todos os imigrantes, indocumentados ou não, em bola de futebol para ser chutada no período eleitoral. Criminaliza os imigrantes e atiça a xenofobia para ganhar votos, sem nenhuma preocupação com os enormes danos causados à saúde e às condições de vida das famílias cujos membros incluem imigrantes. Felizmente, a maioria do povo americano não acreditou nas mentiras veiculadas, votou contra o governo e apoiou majoritariamente o Partido Democrata, que agora terá maioria na Câmara de Deputados, embora continue minoritário no Senado. Tudo indica que daqui até as eleições de 2020 nenhuma lei anti-imigrante será aprovada porque o controle da Câmara pelos Democratas impedirá que qualquer medida repressiva contra os imigrantes, neles incluídos os brasileiros, se torne lei. Portanto, haverá um alívio temporário do stress a que estão submetidos os imigrantes brasileiros, cujos efeitos na saúde incluem depressão, suicídio, violência doméstica, hipertensão, insonia, ansiedade,

falta ou excesso de apetite, entre muitos outros sintomas do stress prolongado. As ameaças e boicote ao Obamacare tendem a diminuir até 2020, considerando que os Democratas bloquearão qualquer iniciativa do Presidente ou do Senado em reduzir o acesso a serviços de saúde voltados para as populações de baixa renda. Ao contrário do que pensa o presidente, a expansão do Medicaid na verdade foi aprovada em plebiscitos em três estados – Utah, Nebraska, e Idaho- mostra que o povo americano quer mais cobertura de serviços de saúde subsidiada pelo Estado para populações cuja renda está cerca do nível de pobreza, não menos. Se por um lado deverá haver certo grau de refresco, por outro não se vislumbra infelizmente uma reforma imigratória favorável aos imigrantes, já que os anti-imigrantes são maioria no Senado e o Presidente continua difamando os que vem para os Estados Unidos em busca de melhores condições de vida e trabalho. Provavelmente viveremos nos proximos dois anos uma situação ainda bem ruim, em que poucas mudanças de rumo serão aprovadas por um Congresso dividido e paralisado pelas grandes divergências entre os partidos. Em Massachusetts não tivemos nenhuma alteração no balanço de forças político-partidário. Continuaremos por mais 4 anos com o governador Baker, que tem adotado posições menos drásticas contra os imigrantes, embora também não os defenda abertamente. A nível estadual a situação nem melhorou, nem piorou. O resumo da ópera é o seguinte, como sempre tenho dito nas minhas colunas, a nossa luta pelos direitos dos imigrantes continua! 2018 - Nº 73


ESPECIAL | Manoela Maia McGovern

Robbie Antonio

está causando uma revolução no mercado de estruturas pré-fabricadas, com investimento nos EUA e Brasil Conheça o sucesso da Revolution Precrafted

Os brasileiros no ramo da construção civil e arquiteturas modernas estão acostumados com projetos inovadores, mesmo nos Estados Unidos onde tudo parece vir “quase pronto” de lojas como HomeDepot. Mas a “revolução” mesmo ainda pouco vista veio ao mercado através de Robbie Antonio. Ele foi reconhecido pela BuiltWorld como um dos 25 pioneiros que estão transformando a indústria conhecida como projetos pré-construídos, juntamente com Elon Musk de Tesla e Adam Neumann, co-fundador da WeWork.

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pessoa mais jovem a se juntar à lista dos 50 mais ricos da Forbes nas Filipinas, Robbie Antonio é um pioneiro numa cruzada para revolucionar o mercado imobiliário. Seu segredo é o Revolution Precrafted, uma empresa que fornece propriedades pré-fabricadas de edição limitada por arquitetos, artistas e designers proeminentes. 2018 - Nº 73

O projeto reúne mais de 80 arquitetos, artistas e designers proeminentes do mundo para criar uma série exclusiva de espaços pré-fabricados e habitáveis. O conceito de casa pré-fabricada oferece uma solução simplificando bastante o processo - escolhendo um projeto de uma seleção e entregando-o diretamente à sua porta. Robbie já morou também nos Estados Unidos. Depois de se formar na Northwestern University com um bacharelado em Economia, ele fundou a Antonio Development. A empresa de desenvolvimento sediada em Nova York é responsável pelo Centurion - o primeiro edifício residencial da Big Apple projetado pelo vencedor do Prêmio Pritzker, Pei Partnerships Architects. Ele também tem um MBA da Universidade de Stanford. “Eu me considero uma pessoa muito independente e também gosto de enfrentar desafios”, diz ele. “Construir algo do zero por conta própria e continuar a

empreender um novo negócio é particularmente emocionante e estou contente por ter conseguido fazê-lo”. Lançado em dezembro de 2015, o Revolution Precrafted está em ascensão meteórica. “Até o momento, eles estão presentes e têm projetos em 25 países com receita total consolidada de projetos de US$ 8,5 bilhões com parceiros nos próximos três a quatro anos”, enfatiza Robbie. “Esperamos entregar 35 mil unidades de nossos projetos. Isso não é pouca coisa, especialmente para uma empresa com menos de três anos ”. A Revolution Precrafted fez um acordo de US $ 460 milhões no Brasil para desenvolver a “The Farm”, uma propriedade privada onde o rei de Portugal passaria seus verões ao visitar o Brasil, em um resort privado ecologicamente correto. A Brazilian Magazine entrevistou Robbie Antonio, que fala sobre seu sucesso, além de porque investir nos Estados Unidos e Brasil. Brazilian Magazine | 5


BM IN ENGLISH | Manoela Maia McGovern

Meet Robbie Antonio, one of the 40 richest people in the Phillippines Brazil is one of his targets worldwide. Robbie Antonio is a real estate developer and the Founder and CEO of Revolution Precrafted, a global supplier of prefabricated homes, museums, pavilions, glamping, popups, condotel, and furniture exclusively designed by 81 of the world’s top architects, artists, and designers called revolutionaries including Sou Fujimoto, Daniel Libeskind, David Salle and celebrities such as Daphne Guinness, Helena Christensen+ Camilla Stærk and Amar’e Stoudemire.

Modular Glass House by Philip Johnson Alan Ritchie

Brazilian Magazine – Who is Mr. Robbie Antonio and how do you like to be known? Mr. Robbie Antonio: I want to be known as a disruptor in everything that I do. BM - When do You started Revolution Precrafted and how you had the idea of creating prefab housing?  Mr. Robbie Antonio: Revolution Precrafted was borne out of my dream of creating something groundbreaking and unique in the real estate industry. It was something that I felt was needed 6 | Brazilian Magazine

Hedera by Kenneth Cobonpue in Batulao Artscapes

to break the routine and norms, change the status quo and make branded residential projects more accessible to the people. BM – You have a network of cuttingedge technologies and cost-efficient production systems, were you tired of the old fashion way of building houses? Mr. Robbie Antonio: Tired is too strong a word. But I’ve always believed that the global real estate industry is about to undergo massive changes. It can still evolve and there remains several

Volu Pavilion by Zaha Hadid

aspect that we can look into. Prefab structures are already available even before we launched the company but I thought that it can be more beautiful and aesthetically impressive that they usually are. That’s how I thought of mixing branded architecture and fabrication. BM - Revolution Precrafted is democratizing high-design and architecture by introducing designed spaces in exclusive collaboration with industry leading creatives. What is next? 2018 - Nº 73


Mr. Robbie Antonio: Yes, this is just the beginning for us. We are aware of the opportunities available in our particular niche. For example, we can explore prefab schools, clinics, hotels and offices. We are also in the process of looking into home by products such as furniture, furnishings. Our company is experiencing exponential growth and we know that we need to sustain this growth and one way we can do this is by exploring new and additional revenue streams. BM – At the age of 28 you had the idea of positioning buildings in a proper format in New York. Which one was the most important project? Mr. Robbie Antonio: I am very proud of the work we’ve done on Centurion, it’s an upscale tower in Manhattan. I had the wonderful opportunity of working with Pei Partnerships and I.M. Pei on this project from the ground up. BM – After NYC, can we assume you became Global and started to dominate the market world wise? Mr. Robbie Antonio: After New York, I came back to the Philippines and helped lead branded developments. I worked with some of the best brands in the world to create outstanding towers and residential projects. The brands include Missoni Home, Versace Home, Armani Casa, yoo by Philip Starck, and Trump Organization, among others or a total of $2.1 billion in branded projects. BM – Your work is spread in many countries so far. Is your dream to multiply your prefab houses all over the world?  Mr. Robbie Antonio: Our end goal to become as ubiquitous as possible. We want to have projects all of the world. At the moment, we have footprint in 27 countries, with gross market value of $8.7 billion. We want to be able to expand to 85-100 2018 - Nº 73

Billboard House by David Salle in Collaboration with AA Studio in Batulao Artscapes

countries by the year 2020. BM – Any future projects in Brazil?  Mr. Robbie Antonio: We are supplying medium sized resort villas to be located on a 80-hectare property. We are in the process of finalizing the masterplan and the project timetable. BM – How do you see the Brazilian consumers?  Mr. Robbie Antonio: The Brazilian market is actually quite an important market for us. As one of the largest countries in South America, we are very optimistic that there could be a substantial market for prefab structures here. The gap in the price points between Brazil and Asia, is not that wide. So that’s also a plus factor. BM – How do you manage 82 million square feet worth of developed, in-progress, manage properties, also manage to be the founder and president of Antonio Development in New York, director of Century Properties based in Asia, and the founder and CEO of Revolution Precrafted? Mr. Robbie Antonio: By setting a goal and working hard to achieve it. Over the years, I have always known what I wanted to accomplish with the companies I have worked and continue to work for starting with Antonio Development, which allowed me to

engage into New York development. For Century properties, I wanted to revolutionize the Philippine real estate by introducing branded towers, which are not very common in Asia. My sole focus now is Revolution Precrafted. BM – How is it to have under your belt names of 13 Pritzker Prize Architects/ firms such as Zaha Hadid, Philip Johnson Alan Ritchie, Jean Nouvel, Paulo Mendes da Rocha, and Christian de Portzamparc, as well as designers such as Ron Arad, Campana Brothers, Tom Dixon, Philippe Starck, and Marcel Wanders? Mr. Robbie Antonio: Working with architects, designers and artists with the caliber of our revolutionaries is always a pleasure.  It’s not every day that you get to work with people who are considered the best in world. You learn so much, and you see so much beauty. BM – What is coming after working with over 103 notable brands in various fields—including fashion, Hollywood, luxury, design, and art. Mr. Robbie Antonio: We are expanding our revolutionaries and brand partnerships to include out of the box personalities and artists. This way, we can create unique, but beautiful homes. We are looking into mixing architecture with sports, music, etc. Brazilian Magazine | 7


É bom saber…

Dra. Elisa Tristan-Cheever

O problema daquele excesso de peso no corpo

Quem não engordou quando veio para os Estados Unidos? Com algumas exceções, a queixa quanto ao peso existe na comunidade imigrante. Idades, sexos, raças, todos entoam o mesmo som de reclamação, fato que acarreta frustração e até sentimento de culpa pela mudança da forma do corpo de muitas pessoas. Sabemos de fatores que transformam o imigrante, por exemplo, o consumo maior de “fast food” comidas pré-preparadas, para nos ajudar a lidar com a correria do dia a dia. Um dia onde existe uma sobrecarga de trabalho, alterações do sono, da nossa saúde mental e das atividades físicas e sociais. Lendo no website www.wbur. org, me deparei com este artigo escrito por Maanvi Singh que necessito compartir com você, leitor. Foi publicado no jornal científico Cell, um estudo realizado observando a saúde digestiva de refugiados no estado de Minessota que vieram do sudeste asiático.

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Nesse estudo um dos autores, Dan Knights, diz que “quando pessoas mudam pros Estados Unidos, imediatamente começam a perder alguns dos seus micróbios nativos” Alguns desses micróbios ajudam na digestão e na extração de nutrientes de alimentos dessa parte da Ásia que contém muita fibra, tipo o côco e o tamarindo. Mudando para cá, facilita a aquisição pelo organismo de microbiomas americanos, que são menos diversos que os daqueles da Ásia. Apesar de não saberem se a perda da diversidade causaria obsesidade, os estudiosos pensam que ela está, pelo menos, associada a mais obesidade.

A comida americana tem menos fibras e mais açúcares processados que atrapalhariam os microbiomas imigrantes. Contudo, é bom lembrar que não só a comida seria responsável pelo aumento de peso. E que certos indivíduos para aqui vieram e sem mudarem muito a sua alimentação subiram de peso. Ainda devem ser feitas outras pesquisas sobre este tópico e com outros grupos de imigrantes e refugiados. Mas o que realmente me tocou é o trabalho de educação que estão fazendo para que a comunidade volte às suas origens, e continue usando as formas tradicionais ao cozinhar e ao se alimentar. Comemos aqui muitas vezes como fazemos no Brasil mas, além disso, incorporamos à nossa dieta muitas coisas que não precisariam fazer parte de nossa vida e muito menos aquelas que causam um impacto terrível nossa saúde. Abra o olho!

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Palavras de Mulher

Zenita Almeida Jornalista e consultora em cerimonial e eventos

Vale comparar a saúde no Brasil e América

Curiosidade em informações de interesse social e cultural sempre foi o meu forte, assim como deve ser de todo cidadão de qualquer nacionalidade. Como jornalista, meu interesse se torna maior nas minhas viagens, onde procuro conhecer e conversar com pessoas da região. No meu círculo de amizade no Brasil, conheço famílias que tem filhos, sobrinhas e netos residindo a muitos anos na Flórida e em outros estados da América, o que os obrigam estar sempre os visitando. Foi através desses meus contatos que tomei conhecimento do sistema de saúde naquele país e em outros estados da América. Mesmo amando o Brasil como a sua nação de origem, os brasileiros que residem na América deveriam tomar conhecimento o que acontece com (SUS) Sistema Único de Saúde, no Brasil e plano de saúde particular, como Unimed, Caci, Bradesco, BB entre outros, e fazer um comparativo do quanto são privilegiados com o plano de saúde oferecido pelo governo americano. Matéria tem sido exibida quase que diariamente em canal de TV assim como em revistas e jornais, casos que ocorre com pacientes em Clínicas e Hospitais do Brasil, enfrentando filas numéricas, virando noite para ser atendido com consulta e se for urgência, muitos vem a falecer nas filas sem assistência, como se fossem um cão abandonado nas calçadas. São casos estarrecedores, como o que foi alvo de uma matéria no Fantástico de uma jovem senhora do interior paulista, esperou um ano para fazer uma ma2018 - Nº 73

mografia pelo Sistema Unificado de Saúde/SUS, quando conseguiu, seu diagnóstico de câncer de mama já estava avançado. Como se não bastasse, seu tratamento em quimioterapia foi outra longa história. Outro caso estarrecedor foi de um senhor que passou mal dentro de um ônibus, socorrido pelo motorista que parou na porta do primeiro hospital do coração, com o atendimento recusado, o mesmo veio a falecer, deitado no chão para todo Brasil ver em rede nacional. Se o sistema de saúde pública no Brasil é humilhante e vergonhoso, os planos de saúde particular por ser de altíssimo valor, nem todo brasileiro pode pagar, pior ainda se tiver idade acima de 50 anos. Para se ter uma ideia, uma pessoa de 60 anos paga mensalmente R$ 1.100,00 (hum mil e cem reais) isso mesmo que você está lendo, só de início, com carência de seis meses, anualmente reajustado de acordo com Agência Nacional de Saúde, em percentuais variáveis de 20% a 30%. Os planos de saúde no Brasil tem sido outra tragédia ao usuário. Visando milhões em lucro, aumenta o fluxo de associados, exigindo mensalidades milionárias e repassam valores irrisórios em consulta médica, exames e outros tipos de tratamento, o que in-

centivam clínicas e médicos desistir do credenciamento e passar atender particular, sacrificando o orçamento do brasileiro já apertado com tantos outros compromissos prioritários de sobrevivência. Entre outras doenças que afetam o mundo, muitas mulheres brasileiras têm sido vítima do câncer de mama. Segundo a Organização Mundial de saúde, a incidência foi de 24% e a estimativa para até o fim do ano de 2014 é 57.120 casos novos, com um risco estimado em cada 100 mil mulheres, sem contar os tumores de pele melanoma, câncer do útero entre outros mais frequentes. Esperar para se tratar pelo SUS/ Sistema Unificado de Saúde, é ter sua sentença de morte, considerando o caos do sistema de saúde brasileira. Basta ler os casos acima, ou assistir diariamente noticiários brasileiros. Além da doença, as mulheres sofrem a discriminação dos planos de saúde, recusando autorizar exames, exigindo relatórios desnecessários, às vezes tendo que recorrer da justiça. Sem qualquer outra opção, e para não morrer na fila do SUS, por falta de assistência, os brasileiros preferem apertar o orçamento e continuar pagando um plano de saúde, porque no mínimo tem como garantia assistência hospitalar, nem que para alguns casos tenha de recorrer á justiça para ter seus direitos garantidos. E quando o assunto for consulta médica e exame exercita a paciência para ficar na fila de 20 a 40 dias. Esta é a realidade da saúde no Brasil. Brazilian Magazine | 9


Pensando em Nossos Dias

Heloísa Galvão Jornalista e Diretora-Executiva do Grupo Mulher Brasileira

Pela primeira vez na história da Câmara norte-americana teremos mais de cem mulheres no plenário. Nove outras mulheres foram eleitas para o Senado, inclusive Ayanna Pressley, a primeira mulher negra a representar Massachusetts no Congresso dos EUA, e sete mulheres assumem o governo de seus estados.

Sem dúvida temos motivo para comemorar e nos orgulharmos, mas não vamos perder a perspectiva. Apesar de representarem mais de 50% da população norte-americana, as mulheres compõem apenas cerca de 23.4% da Câmara Federal, e 9% do Senado. Mais importante do que os números, a meu ver, é o fato de que temos várias pioneiras. O podcast “Democracy Now” lista

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Fizemos história? Sim, mas a luta continua algumas: Rashida Tlaib, no Michigan, e Ilhan Omar, em Minnesota, são as primeiras muçulmanas eleitas para o Congresso. A socialista Alexandria Ocasio-Cortez, 29, de Nova York, é a deputada federal mais jovem de toda a história do país. E tem mais: duas indígenas, Sharice Davids (Democrata do Kansas) e Deb Haaland (Democrata do Novo Mexico), entram para a história como as primeiras índias eleitas para a Câmara dos Estados Unidos. Como Deb lembrou em seu discurso de vitória, há 70 anos os cidadãos indígenas não podiam votar no Novo México. O pleito de 2018 marca ainda um número recorde de eleitores indo às urnas e este número cresce por causa das mulheres latinas. Elas votam em maior número do que os homens latinos. Os latinos hoje representam um quarto do eleitorado norte-ameriano que comparece às urnas. Nós temos muito trabalho para fazer em 2019 e 2020 quando haverá eleições para a Presidência dos Estados Unidos.

Isso não quer dizer que não temos motivos para comemorar. Temos. Mas não podemos ficar descansadas e pensar que, como as eleições já aconteceram, estamos all set. Nada disso. A luta continua mais ferrenha do que nunca. Massachusetts tem motivos para arregaçar as mangas. Nós elegemos ou reelegemos candidatos democratas mas isso não quer dizer que não temos com que nos preocupar. Lembrem-se que a Assembleia Legislativa de Massachusetts nunca aprova medidas pró-imigrantes para proteger nossas famílias. A deputada estadual eleita, Nika Eluardo, e o senador estadual, James Eldridge, entre outros, em Boston, e Ayanna Pressley, em Washington, são um exemplos de renovação e uma esperança de conseguirmos mudanças justas, dignas e significativas. Mas se não colocarmos o nosso esforço, talvez nada aconteça. Quer dizer, o futuro está nas nossas mãos.

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SAÚDE |

Abertas inscrições para planos de saúde em Massachusetts O Massachusetts Health Connector iniciou as inscrições para planos de saúde oferecendo aos moradores do estado a oportunidade de escolher um seguro de saúde para o ano de 2019, e dando início oficialmente a uma campanha de educação e inscrição, em português, para seguro em todo o estado. Massachusetts tem a maior taxa de segurados do país, com 97,5% dos residentes do estado cobertos de acordo com o Censo dos EUA. Consistente com a missão do Health Connector, um órgão público de acesso a seguros de saúde, de apoiar o acesso a uma cobertura acessível para todos, a campanha enfatiza o alcance e a visibilidade em comunidades com taxas mais altas sem seguro, o que inclui os brasileiros.

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“Massachusetts é um líder em cobertura e continuamos comprometidos em alcançar a todos e fornecer acesso a cuidados de saúde”, disse à imprensa Louis Gutierrez, diretor executivo do Massachusetts Health Connector. “Através de nossas Navegadoras, divulgação comunitária, eventos de inscrição e outros métodos, estamos trazendo a mesma energia para o Open Enrollment como temos nos últimos anos”.

O período de inscrição começou, ontem, 1 de novembro, e vai até 23 de janeiro de 2019. O Health Connector está planejando uma série de atividades de suporte de divulgação e inscrição para planos de saúde este ano. O Health Connector continuará a atingir as comunidades com taxas mais altas de não segurados, semelhante ao ano passado, e iniciou uma campanha em massa em português direcionada aos brasileiros, principalmente na região do Metrowest e Cape Cod. É necessário lembrar que ter plano de saúde é obrigatório em Massachusetts e em todo os Estados Unidos. Para se inscrever para ter seguro, acesse www. mahealthconnector.org/connectorcare ou ligue para 1 (800) 272-4232.

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Direto da Redação

Marcony Almeida

Uber concorda em pagar US$ 148 milhões por violação aos usuários A Procuradoria Geral de Massachusetts anunciou um acordo nacional de US$ 148 milhões com a Uber, após investigação descobrir que a empresa tentou encobrir um ataque cibernético em seu sistema de dados, em 2016, que comprometia os nomes, endereços de e-mail e telefones celulares de 57 milhões de usuários, e as carteiras de 600 mil motoristas. Massachusetts liderou uma coalizão de Procuradores-gerais de todos os 50 estados e do Distrito de Columbia na investigação e acordo final de US$ 6,5 milhões apenas para o estado. No valor, US$ 600 mil serão destinados a ajudar consumidores e empresas e financiar programas para proteger vítimas de violações de dados na internet. “A Uber não divulgou imediatamente esta violação de dados às autoridades e aos seus clientes, e tentou esconder pagando aos hackers que violaram o sistema”, disse num comunicado a Procuradora-Geral, Maura Healey. “Esse acordo deve ser uma lição para outras empresas porque os consumidores têm o direito de saber quando suas informações pessoais foram comprometidas”. O Tribunal Superior de Suffolk aprovou o acordo, que também exige que a Uber siga as leis estaduais de violação de dados e proteção ao consumidor, e tome medidas para garantir a proteção das informações pessoais do consumidor e do Uber. Em sua denúncia, a Procuradoria acusou a Uber de tentar esconder a violação de dados seguindo ordens de seus principais executivos, pagando US$ 100 mil aos hackers em troca de um acordo de não divulgação do problema. A Uber não informou a violação ou notificou seus usuários e motoristas até um ano após o incidente.

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Departamento de Justiça proíbe advogado Martin Liu de exercer a função O Departamento de Justiça dos Estados Unidos proibiu o advogado de Imigração de origem brasileira, Martin Liu, de exercer a função pelos próximos quatro anos, segundo comunicado do governo emitido dia 23 de agosto passado. A decisão do Departamento escreve que em novembro de 2014, Liu recebeu ação disciplinar e foi declarado “administrativamente inelegível” para praticar juridicamente no estado de New Jersey. Ainda segundo o documento, mesmo sendo proibido de advogar naquele estado, Martin Liu deu entrada com pelo menos 13 petições de clientes no Departamento de Imigração, e indicou nos formulários que ele não tinha “nenhum problema” que o impedisse de representar legalmente um cliente. A ação disciplinar contra o advogado alega também que de acordo com os arquivos da Imigração, existiam 3.691 processos impetrados pelo advogado no período de 17 de novembro de

2014 a 6 de junho de 2018, período que ele estava proibido de representar clientes. A ordem de proibição de advogar perante a Imigração pelos próximos quatro anos, a partir de agosto passado, e em qualquer estado americano, foi emitida depois que

Martin Liu ignorou o pedido do Departamento de Justiça para esclarecimento sobre as acusações. Liu é cidadão brasileiro, e representava clientes também em Massachusetts. Brazilian Magazine | 13


Gripe matou número recorde de pessoas ano passado

Direto da Redação

A gripe matou e hospitalizou mais pessoas nos Estados Unidos no inverno passado do que qualquer influenza sazonal em décadas, de acordo com novos dados divulgados pelo governo federal americano. É o retrato mais detalhado do alcance devastador do vírus respiratório, que deixou milhões de pessoas doentes em hospitais sobrecarregados para tratar pacientes. Com o início da nova temporada de gripe, as autoridades de saúde pública dizem que o número de vítimas do ano passado ressalta a importância de se obter uma vacina contra a gripe a cada ano. A vacina pode prevenir infecções e reduzir a gravidade das complicações da doença. A gripe matou cerca de 80 mil pessoas na temporada 2017-2018, de acordo com dados divulgados pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, em inglês). O número representa um aumento de 56 mil mortes quando comparado em análises de mais de três décadas. “O ano passado foi uma temporada horrível”, disse à imprensa Daniel Jernigan, chefe da divisão de influenza do CDC. “O virus resultou numa enorme quantidade de doenças”. Houve níveis recordes de doença e, também, altas taxas de hospitalização. A gripe matou 180 crianças na última temporada. Apenas a pandemia de gripe suína de 2009, que matou 358 crianças, foi pior, nos 14 anos desde que as autoridades de saúde começaram a rastrear as mortes de crianças por gripe. 14 | Brazilian Magazine

Democratas ganham controle da Câmara após conturbada eleição Os democratas tomaram o controle da Câmara enquanto os republicanos mantiveram a liderança no Senado na eleição nacional, em um referendo nacional sobre o presidente Trump, que atraiu um número recorde de eleitores às urnas e abriu as portas para uma supervisão mais rígida da Casa Branca nos próximos dois anos. A dramática conclusão das urnas é um amplo repúdio de Trump desejado pelos democratas e pelo movimento de “resistência”, oposição às políticas do Presidente. Mas a aquisição do poder dos democratas na Câmara ainda significa mudan-

ças sérias em Washington, enquanto o partido se prepara para bloquear a agenda de Trump e investigar suas finanças pessoais e potenciais laços com a Rússia. “Graças a vocês, amanhã será um novo dia na América”, disse a líder democrata da Câmara, Nancy Pelosi (Califórnia), que está pronta para retomar a presidência da casa, cargo que perdeu há oito anos. A vitória democrata, disse ela, “é sobre a restauração dos pesos e contrapesos da Constituição para a administração Trump”, bem como um cheque sobre os republicanos do Senado. 2018 - Nº 73


Brazilian Magazine - issue 73  
Brazilian Magazine - issue 73  
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