BM issue 89

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2021 - V. 14 | N.89

Vencedora NE Ethnic Newswire Award 2008 Press Award 2010 | 2011 2012 | 2013

Trabalho, estudo… Que tal mudar a rotina com as festas de fim de ano? Dicas especiais para um passeio inesquecível, e sair da rotina, lembrando que a vida na américa não é só para trabalhar

Artes & Estilo de Vida

Livro conta a jornada de fé e coragem de uma brasileira nos EUA em busca da doação de um rim

Comunidade

Prefeita de Boston fala aos brasileiros

BM in English Boston outdoor dining extended



Direto da Redação

Expediente

Co-Editores Marcony Almeida & Mark Puleo Repórter Especial em Nova York - Guest Writer Manoela Maia McGovern Repórter Especial & Coordenador de Eventos - Guest Writer Fabiano Latham Colunistas Eduardo Siqueira Heloísa Galvão Zenita Almeida Elisa Tristan-Cheever Martha Vasconcellos Direção de Arte, Ilustrações e Publicidade Cícero Rodrigues

A Brazilian Magazine é uma publicação da empresa The Brazilian Journal, INC. Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião da Brazilian Magazine, sendo inteiramente de responsabilidade de seus autores. OPINE A Brazilian Magazine quer muito saber sua opinião. Envie comentários com nome completo e pelo menos duas formas de contato (telefone, e-mail, endereço) para The Brazilian Journal Magazine, P.O. Box 490543, Everett, MA 02149. Ou envie e-mail para: info@brazilianmagazine.net

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Se você perguntar a maioria dos brasileiros nos Estados Unidos sobre a rotina diária a resposta quase sempre é a mesma, trabalho e estudo, ou só trabalho. E diversão e bemestar? Quando sobra tempo. Mas será que vale a pena morar no país mais rico do mundo, ainda que temporariamente, e só viver trabalhando? Se você perguntar a qualquer médico ou terapeuta, a resposta será não. Então siga a orientação dos profissionais de saúde e embarque numa viagem de fim de ano com a reportagem especial desta edição. Nossa correspondente em Nova York, Manoela McGovern, preparou uma matéria especial com dicas fantásticas para um final de ano na Big Apple. E o melhor, um passeio que pode sair super barato, principalmente para aqueles que moram em Massachusetts ou até mesmo já em Manhattan. Leia, e aproveite que a vida é curta! Na Coluna Pensando em Nossos Dias, a jornalista Heloísa Galvão traz uma super mensagem sobre o que nos espera, e o que precisamos fazer, no novo ano. Como poderá ser 2022? Em Falando com Martha, a nossa eterna Miss Universo baiana escreve sobre a hipocrisia, muito comum, ainda que infelizmente, em muitas pessoas. Veja como detectar, e se precaver desse sentimento e ação tão ruins. Já o jornalista Fabiano Latham nos brinda com uma entrevista exclusiva aos brasileiros com a nova prefeita de Boston, Michele Wu. A chefe do executivo encontrou com a imprensa imigrante, e a Brazilian Magazine foi o único veículo brasileiro de imprensa a participar. Wu falou aos nossos compatriotas sobre um assunto que mais os preocupa, moradia. Acompanhe na editoria Comunidade. Em Artes & Estilo de Vida, nossa equipe escreve sobre o lançamento de um livro bilíngue fantástico contando a trajetória de fé e coragem de uma brasileira nos EUA em busca da doação de rim. E a Dra. Elisa Tristan-Cheever nos traz um assunto extremamente importante. Você sabia que o governo brasileiro planeja ter apenas 1 local de votação em Boston para as eleições presidenciais brasileiras em 2022? Vai ser difícil votar. Aprenda mais e saiba o que fazer. Acompanhe ainda as notícias online no www.brazilianmagazine.net, e nas nossas mídias sociais pelo Facebook, Twitter e Instagram, e a Brazilian Magazine TV no YouTube. Um super e Feliz Natal e Ano Novo para nossos leitores e leitoras, e nossos anunciantes e internautas. Estaremos juntos com fé, amor, e profissionalismo em 2022! And don’t forget to check the section BM in English!

Nesta edição 4 e 5 Especial Trabalho, estudo, e trabalho... Como sair da rotina e aproveitar as festas de fim de ano 6 É Bom Saber… Ajude a termos mais de uma seção eleitoral para Presidente do Brasil 9 Falando com Martha Convivendo com a Hipocrisia 10 Pensando em Nossos Dias… O que precisamos para 2022 13 Comunidade Nova prefeita de Boston fala aos brasileiros 14 Artes & Estilo de Vida Livro conta a jornada de fé e coragem de uma brasileira nos EUA em busca da doação de rim 15 BM in English Boston outdoor dining extended

Imagens que ilustram a capa e as matéria: freepik.com

Marcony Almeida & Mark Puleo

Brazilian Magazine | 3


ESPECIAL | Manoela McGovern

Trabalho, estudo, ou trabalho… Que tal mudar a rotina nos EUA com as festas de fim de ano?

Dicas especiais para um passeio inesquecível na Big Apple, e sair da rotina, lembrando que a vida na América não é só para trabalhar 4 | Brazilian Magazine

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Parece que todo grande filme de Natal ou memória de infância está associada a Nova York. A cidade fica deslumbrante nessa época, exatamente do jeito que vemos nas telinhas. As lojas são enfeitadas com capricho, família e amigos reunidos em volta da lareira, e várias opções de eventos, não só em Manhattan, mas em toda cidade de Nova York. E se você ainda não teve a chance de passar o feriado natalino na Big Apple, ou só pensa em trabalhar nos EUA, ou tem planos de visitar um dia, aqui vão algumas dicas do que fazer em NYC.

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lém de botas confortáveis, gorro, cachecol e luvas, você vai precisar de muita disposição para explorar a cidade. Uma caminhada pela Quinta Avenida (5th Avenue) é um bom começo para entrar no clima de Natal, sem falar que as vitrines são de tirar o fôlego. A decoração das grandes lojas de departamento começa geralmente em novembro, e vai até o dia primeiro de janeiro. Macy’s foi a pioneira a enfeitar a vitrine em 1874, e mantém a tradição até hoje. Porém outras lojas como Bloomingdale’s, Bergdorf Goodman, Saks Fifth Avenue também encantam os nova iorquinos e turistas com suas vitrines incríveis e festivas. Uma delas costuma apresentar show de luzes e outras até colocam elementos interativos, portanto é importante levar o celular carregado para aproveitar ao máximo a experiência. Outra opção ao ar livre são as feirinhas de Natal. Lá, você encontra presentes diferentes como suéteres, gorros, enfeites e outras lembrancinhas. Sem falar nas comidas deliciosas oferecidas em alguns quiosques que atraem qualquer um pelo cheiro. As feirinhas mais conhecidas são as que ficam na Union Square, Columbus Circle e Rockefeller Center. E ainda pela região, não podemos esquecer que a árvore de natal mais famosa da cidade chegou no Rockfeller Center dia 13 de novembro e, que as mais de 50 mil luzes foram acesas no dia primeiro de dezembro. É um espetáculo à parte e imperdível. A árvore fica ligada 24 horas até a véspera do ano novo, facilitando a vida de quem quer ter esse gigantesco 2021 - Nº 89

símbolo no fundo das fotos com a família. No Brooklyn, um dos distritos que fazem parte da cidade de NY, tem Papai Noel gigante, bonecos de neve, trenó e até música em alto falante. Dyker Heights, considerada uma das atrações mais visitadas da região durante o feriado de fim de ano, os moradores decoram as suas casas anualmente com extravagância. Sendo considerado um dos costumes americano mais tradicionais nos meses de novembro e dezembro, o show das Rockettes está em cartaz por quase um século no Radio City Music Hall, e é sem dúvida uma das apresentações mais icônicas da cidade. Muitas pessoas têm a falsa ideia de que o show seja apenas as dançarinas levantando as pernas e dançando em sincronia, mas o show é muito mais do que isso! São 90 minutos de puro encanto não só das rockettes, mas também dos patinadores no gelo deslizando e dos flocos de neve rodopiando. O espetáculo conta uma história de Natal e que com certeza fará com que o espírito natalino fique para sempre na memória de toda a família. Outra atração bastante procurada é o The Nutcracker Ballet, em cartaz no Lincoln Center. Com uma produção conhecida mundialmente, o show inclui uma árvore de Natal de uma tonelada que cresce durante a apresentação, uma tempestade de neve no palco, centenas de fantasias incríveis e um show de luzes no final que faz valer cada centavo investido. E que tal pegar carona no trem de natal mais famoso do mundo? Do lado de Nova York, em Nova Jersey

é possível fazer algo bem inusitado e diferente. O Polar Express, assim como no filme e no livro de Chris Van Allsburb, oferece uma viagem fascinante para as crianças e adultos. Os passageiros chegam vestidos em seus pijamas para reviver a magia dessa história clássica. No trem, que transporta todos a bordo para o Polo Norte, chocolate quente e cookies são servidos pelos chefs dançarinos, além de souvenirs entregues pelo Papai Noel. Os mais aventureiros chegam com a ideia fixa de passar o réveillon na Times Square. Mesmo sendo considerada uma experiência meio maluca pelos locais, os turistas parecem não se importar com o frio durante as apresentações musicais e nem muito menos com a espera da famosa bola que cai logo após a contagem regressiva da passagem de ano. Quem vem a Nova York para curtir o inverno, diz que a aventura vale à pena, e acaba explorando as opções geladas ainda mais. Alguns procuram por estações de ski na parte alta do estado, enquanto a maioria acaba escolhendo uma das badaladas pistas de patinação que ficam no Central Park, Rockefeller Center, e Bryant Park. Vale lembrar que a última vez que Nova York ficou coberta de neve durante o Natal foi em 2009, mas apesar da chance disso acontecer de novo seja pequena, a torcida pelo famoso “White Christmas” ainda é grande. E caso os flocos de neve não caiam na manhã de Natal, só nos resta assistir filmes clássicos, como “Esqueceram de Mim”, por exemplo, para se encantar com as cenas do Central Park coberto de neve e todo branquinho. Brazilian Magazine | 5


É bom saber…

Dra. Elisa Tristan-Cheever

Ajude a termos mais de uma seção eleitoral para Presidente do Brasil

Nossa coluna em 2021 vem trazendo diversas informações, muitas delas ligadas à área da saúde e relacionadas a um assunto que muitos já estão cansados de escutar, a COVID-19. A luta continua e o vírus trata de nos passar a perna, mas com o avanço da vacinação e com a presença da dose de reforço para mais pessoas, ainda vemos uma luz no fim do túnel.

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e todas maneiras, a nossa rotina não para, nem o destino de nossas vidas e de nossos países. E mesmo de longe, o imigrante brasileiro está sempre a par do que acontece no nosso amado Brasil e mantém a esperança de que melhores tempos estão por vir. Contudo, não é apenas o “querer e pedir”, é necessário o “agir”. E uma maneira para que o futuro melhor se concretize é fazer a escolha sábia dos novos dirigentes que venham a trazer melhorias e uma decente infraestrustrutura à nossa nação. Para que isto aconteça é fundamental que todos os brasileiros, na terra natal e no exterior, possam exercer o seu direito cívico de votar e escolher o Presidente do Brasil. Além de ser um direito de todos, deveria ser proporcionado condições para que um grande número de pessoas em diferentes locais possa fazê-lo. 6 | Brazilian Magazine

Ao que tudo indica, para o brasileiro em dia com seu título de eleitor que mora nas regiões de Massachusetts ou New Hampshire, corre o perigo de não votar. Isso é devido a possívelmente não se repetir a façanha de possuir, como na eleição passada, vários locais de votação espalhados nos dois estados. A presença de diversos locais facilitou a vida de milhares de brasileiros que não precisaram se deslocar, perder o dia de trabalho, ou até mesmo não votar devido a distância. Até o momento do fechamento desta coluna, o que se tem de informação é que apenas existirá 1 local de votação para a eleição presidencial de 2022, em Boston. Não estamos falando de partidos políticos, a sua escolha ou a minha, mas a liberdade de escolher quem queremos sentado no volante dessa máquina que é o Brasil. E que terá muito o que fazer!

O Conselho de Cidadãos de Boston, um grupo apartidário constituído de voluntários da nossa comunidade, já começou uma petição online, requerendo que esta posição do governo brasileiro seja reexaminada e que mais locais de votação sejam abertos para atender a demanda desta comunidade imigrante brasileira da região, a segunda em número de brasileiros nos Estados Unidos da América. Esta batalha não é só do conselho, mas de cada um de nós. Cada um nos EUA tem uma ligação com o Brasil, deixou algum ente querido ou amigo e se preocupa com a situação do país. Afinal, não é somente a COVID que mata, mas sim a desatenção, a falta de liderança, e programas sociais. Nada mais justo do que cada brasilier@, residente ou não influencie nessa decisão. No final, todos sofremos as consequências. Que este 2022 seja um ano de saúde, controlando a COVID, a gripe e outras doenças. Um ano de aprimoração da saúde mental e física. Um ano de mudanças e de construção ao mesmo tempo. E que sejamos sensatos ao tomar as nossas decisões. E que o nosso voto seja o instrumento para que estes planos se efetuem! Junte-se a nós e vote, exigindo do governo brasileiro mais de um local de votação para as eleições presidenciais brasileiras em 2022. O site para assinar a petição é https://chng.it/ LWWjrRXQFz. 2021 - Nº 89



Nossos sinceros desejos de um 2022 mais próspero, e confiante na vitória do bem.

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Imagem de congerdesign por Pixabay

Mais um ano… Dificuldades superadas… Resiliência necessária… Fé sempre…

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Falando com Martha

Martha Vasconcellos

Psicóloga, com Mestrado nos EUA, e Miss Universo 1968. Última brasileira a ganhar o título de mulher mais bela do mundo.

Convivendo com a Hipocrisia

A hipocrisia é entendida e traduzida como falsidade, mentira ou fingimento. Os homens desde sempre disputam entre si para provarem quem é o melhor, mesmo que diante do seu Criador, diante de quem os conhece bem, como foi o caso entre Caim e Abel, os primeiros filhos de Adão e Eva. A hipocrisia se caracteriza pelo ato de fingir ter crenças, virtudes, ideias e sentimentos que a pessoa na verdade não possui.

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hipócrita frequentemente exige que os outros se comportem dentro de certos parâmetros de conduta moral, que a própria pessoa extrapola ou deixa de adotar. Acredito que o hipócrita na maioria das vezes age inconscientemente, quero dizer que nem se dá conta de que copia e imita as ideias e crenças de outras pessoas, sem realmente se consultar internamente e perguntar-se se está ali, naquele pensamento, ação, ou contexto. É como alguém interpretando, vivendo na arte de atuar. Encontramos hipocrisias em diversos segmentos da sociedade, tais como na nossa própria família, em grupos religiosos, políticos, educacionais, sociais e a lista segue, quando se trata de hipocrisia. Como humanos somos imperfeitos, então penso, como poderei lidar comigo mesma, para ficar atenta a minha hipocrisia. Quando se aperta um hipócrita sobre suas ideais em uma discussão, ele/ela se atrapalha completamente, 2021 - Nº 89

se enrolando e não tendo argumentos para sair do embaraço. Percebemos a hipocrisia através de comportamentos contraditórios, das incoerências e das mentiras. Por melhores que sejamos, tendemos sempre a aprender e evoluir com nossos familiares, mestres, líderes e amigos. Nesses momentos de interiorizarão dos nossos valores é quando devemos nos questionar sobre o que realmente é nosso, do nosso fórum intimo, e o quanto estamos imitando os outros para sermos aceitos, apreciados e pertencermos a um grupo. Para mantermos a hipocrisia longe de nós, vamos tentar focar no nossos desejos e metas de desenvolvimento. Todos os indivíduos são iguais como humanos, mas com características especificas pelas suas aptidões. Nada soa mais frágil que comentários e colocações hipócritas. Devemos ficar atentos aos sentimento de que somos melhores do que os outros. Somos apenas diferentes, porque nascemos de um casal de pais diferente.

Somos humanos que fatalmente erramos. Estamos aqui na Terra para aprendermos e evoluir. Nada melhor do que reconhecermos nossos erros e pedirmos desculpas. Um hipócrita nunca pede desculpas e nem tem empatia pelos outros. A culpa de tudo que acontece de errado é sempre do outro. O hipócrita se acha perfeito. Escolher sempre a verdade é uma opção para passarmos longe da hipocrisia. O fingimento e a mentira são forma de hipocrisia, e não se sustentam por muito tempo. Como exemplo lembro de uma amiga. Ela vivia defendendo um candidato para ocupar a presidência da república do Brasil. Não conseguia enxergar o sujeito com isenção ou pensamento crítico. Brigava com várias amigas, defendendo o tal candidato. Um dia depois da eleição, perguntei a ela em que sessão teria ido votar e a resposta: “sabe que não fui votar?” A minha decepção foi enorme. Cansei de tanta hipocrisia e lições de moral vindas dessa falsa amiga. Finalizando, acho que seria ótimo conseguirmos manter um alerta ligado no nosso cérebro, não só para não sermos hipócritas, como também para nos livramos da falsidade, mentira e fingimento. Certos amigos, melhor não tê-los, para evitarmos mais problemas do que já temos no nosso cotidiano. O hipócrita, e consequentemente a hipocrisia, são danosos para nós mesmos e para o nosso em torno. Brazilian Magazine | 9


Pensando em Nossos Dias

Heloísa Galvão Jornalista e Diretora-Executiva do Grupo Mulher Brasileira

O que precisamos para 2022

Tenho dois assuntos importantes para tratar com vocês neste final do ano: COVID-19 e imigração. Quem diria que no final de 2021 estaríamos falando de uma quarta onda de coronavírus! Mas estamos, e estamos por três razões fundamentais. A primeira é a teimosia de 40% da população dos Estados Unidos em não se vacinar. A segunda é a desigualdade. Enquanto países ricos têm três vacinas para cada um dos seus residentes, países considerados pobres, como a África, não têm nem para um terço. A terceira razão é a incapacidade de grande parte do povo de entender que este vírus só será controlado se nos comportarmos com o cuidado que ele requer.

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ste fim de ano dá medo porque muita gente se confia que está vacinado e, portanto, totalmente protegido e liberado para as festas. O índice de contaminação em Massachusetts aumentou nas últimas semanas 59%. Na semana do Thanksgiving o Governador Baker mandou suspender todas as cirurgias que não são consideradas de urgência. É bem a terceira vez que isso acontece e, quem sabe, quando vocês lerem esta coluna, esta ordem já terá sido suspensa. Tomara, porque o outro grande problema provocado pela pandemia é o aumento de casos de doenças graves, como câncer, coração e AVCs, que 10 | Brazilian Magazine

não foram detectados durante todo o ano passado e parte desse ano porque os check-ups anuais foram suspensos. Nós já vimos este filme várias vezes. O vírus faz de conta que vai embora, a gente se desarma, e ele volta com tudo, na forma de alguma variante mais contagiosa e perigosa do que a anterior. Mas tem como enfrentar esta situação e nós sabemos bem a receita: vacina, máscara, distanciamento social e, em caso de dúvida, depois de ajuntamento e possível exposição, teste. Nossa meta é entrarmos 2022 com saúde, deixando o coronavírus no passado. Se seguirmos esta regra

simples, temos uma grande chance de vencermos. O segundo assunto que quero tratar é imigração. E este, como no COVID, não depende somente da gente, mas nós temos uma grande parcela de responsabilidade sobre o que acontece. A última lei de reforma imigratória que este país já teve é de 1986, no governo Ronald Reagan. De lá para cá, tivemos alguns remendos que permitiram que centenas de pessoas regularizassem sua situação imigratória, mas foram remendos. O que nós queremos, precisamos e merecemos é uma reforma ampla e irrestrita que incluía cidadania. DACA e TPS são medidas que beneficiaram muitos e foram bem vindas quando anunciadas mas são bandaids que mantêm as pessoas com o pescoço na forca só esperando alguém empurrar a cadeira. O Senado pode e deve corrigir esta injustiça mas pelo andar da carruagem, a gente não chega lá. Os republicanos não estão dispostos a votar em nada que favoreça Biden, a parlamentária do Congresso já rejeitou duas propostas e pelo jeito vai fazer a mesma coisa com a última proposta de alívio, e os democratas não estão afim, nem têm cacife, de passar por cima da parlamentária. Nosso dever-de-casa este fim de ano é ligar e mandar e-mail para nossos senadores e deputados federais com uma mensagem simples e clara: Ajam. Façam jus ao mandato que exercem. Nada de medidas tampão. Nós estamos de olho em vocês. 2021 - Nº 89


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COMUNIDADE | Fabiano Latham

Michelle Wu e os desafios da moradia Nova prefeita de Boston falou à comunidade brasileira em entrevista à Brazilian Magazine, em que destacou a urgência de imigrantes acessarem verbas de alívio para moradia

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leita por uma coalizão multirracial, multilíngue e multigeracional, a nova Prefeita de Boston, Michelle Wu, representa a possibilidade de renovação para a cidade, tendo como um dos símbolos de inclusão e diversidade o fato de ser a primeira mulher de cor eleita para o cargo. À frente da Prefeitura desde 16 de Novembro, Wu participou de uma maratona de entrevistas após ser eleita, ocasiões em que detalhou seus planos de campanha e reforçou compromissos com a população. Uma das conferências de imprensa aconteceu em Chinatown, com a participação a mídia étnica. A Brazilian Magazine teve exclusividade, sendo o único veículo de comunicação da comunidade brasileira a participar da mesa redonda com a prefeita eleita. Michelle Wu respondeu a perguntas de representantes da mídia de 12 diferentes comunidades. Com a Brazilian Magazine, a nova Prefeitura falou sobre moradia, um dos temas mais relevantes do setor público. Em Boston existe uma grande comunidade de brasileiros vivendo nos bairros de Allston e Brighton, e como outros imigrantes, enfrentando desafios de moradia, principalmente causados por fatores econômicos ligados à pandemia da Covid-19. De maneira geral, Wu afirmou que as questões envolvendo moradia, especialmente para comunidades imigrantes, classe trabalhadora e de baixa renda, continua sendo um dos mais urgentes problemas que a Cidade de Boston enfrenta. “Tenho tido muitas reuniões sobre como a Prefeitura pode abordar a questão da moradia, algo que requer mais esforços e voz sobre os recursos que precisamos do governo. 2021 - Nº 89

Durante minha campanha, me propus a traduzir planos em ações imediatas sobre como obter fundos federais disponíveis e implantá-los para criar mais moradias acessíveis, além de acelerar os processos de zoneamento e aprovações. De acordo com a nova prefeita, uma das propostas é impulsionar o acesso à casa própria. Ela destacou que a ex-prefeita Kim Janey já havia dado início à facilitação de recursos, ampliando os valores de alívio financeiro para proprietários que compraram sua primeira casa, e que pretende dar continuidade. Em vários momentos da entrevista, Wu ressaltou que seu estilo de governo é sempre focar nas grandes metas, porém agir no passo a passo, com pequenas ações que possam trazer resultados a médio e longo prazo. “Mesmo havendo programas de ajuda, sabemos que existem barreiras para comunidades imigrantes. Já ouvi da comunidade muçulmana, por exemplo, que por causa de exigências muito específicas para empréstimos, embora houvesse credores, eles não conseguiram aprovação. Já na comunidade judaica, algumas sobreposições prazos para a obtenção recursos não permitiram que as pessoas fossem elegíveis a tempo”, exemplificou a prefeita. Ela afirmou à Brazilian Magazine que está ciente sobre as barreiras de linguagem e cultura no acesso geral aos

recursos, mas que será responsabilidade da administração da Cidade garantir que estes obstáculos sejam superados. “Pela primeira vez, em muito tempo, as verbas estão disponíveis. Por isso precisamos realmente conhecer as necessidades, através de interação diária, e assim fazer com que estes programas ajudem a comunidade. PRIOPRIDADES DE WU Michelle Wu também afirmou que tem três prioridades para seu mandato, sendo que o primeiro deles é pensar grande e ao mesmo tempo agir em questões específicas do dia-a-dia como manter as ruas limpas e seguras, por exemplo. Ela citou o planejamento de manutenção da Cidade durante o período de neve que se aproxima. A segunda prioridade é colocar a Prefeitura e sua estrutura para fora, aproximando o trabalho administrativo das necessidades dos moradores de diferentes partes da cidade. Uma das ações neste sentido é tornar mais fácil o acesso das pessoas quando elas vão até a Prefeitura em busca de orientações e serviços públicos. Já terceira prioridade é absorver o sentimento dos moradores para conduzir a cidade e a administração pública para onde eles querem, dando maior sentido de coletividade e pertencimento. Brazilian Magazine | 13


Artes & Estilo de Vida | Da Redação

Livro conta a jornada de fé e coragem de uma brasileira nos EUA em busca da doação de um rim

Dor, esperança, superação e solidariedade estão entre os elementos que compõem uma história real de batalha pela vida. No último dia 13 de Novembro foi lançado nos Estados Unidos, em Português e Inglês, o livro “Valéria Falstad – A Vida Venceu” (The Journey to Find a Donor), escrito pelo jornalista Fabiano Latham. Trata-se da trajetória de uma brasileira cuja vida esteve por um fio por causa dos rins policísticos, doença hereditária incurável, mas que por meio de uma campanha pelo Facebook conseguiu uma doadora.

Em 2015, anos depois de ter perdido o avô e a mãe, vitimados pela doença, Valéria começou a ter sérias complicações renais. Foi quando os médicos chegaram à conclusão de que somente um transplante poderia salvar sua vida. Começava, então, uma jornada incansável em busca de um doador com seu tipo sanguíneo. Valéria enfrentou inúmeros desafios, incluindo uma campanha na internet, em rádios e jornais comunitários no estado americano de Massachusetts, além de testes de compatibilidade, internações, cirurgias inesperadas e um turbilhão de sentimentos e incertezas. O livro também relembra a história de Valéria antes de chegar aos Estados Unidos, sua infância no Rio de Janeiro e a primeira vez que ela ouviu falar sobre a doença de rins policísticos, quando a avô faleceu, e depois o sofrimento da mãe, que também acabou morrendo em função do problema. Para contar os fatos, o jornalista Fabiano Latham gravou dezenas de horas de entrevistas com Valéria, além de en14 | Brazilian Magazine

trevistar amigos, familiares e o médico responsável por sua cirurgia, Dr. Jeffrey Cooper. Um capítulo inteiro é dedicado à doadora do rim, a brasileira Daniela Braga, que por seu gesto grandioso mudou o curso da história de vida de Valéria e de todos ao seu redor. Valéria Falstad – A Vida Venceu” é um registro inspirador, que visita desde os momentos mais dramáticos a situações inusitadas, além de mostrar a

importância da doação de órgãos, principalmente por doadores vivos. Uma leitura para refletir sobre a vida e suas surpresas. Serviço: VALÉRIA FALSTAD – A VIDA VENCEU (The Journey to Find a Donor) Autor: Fabiano Latham | Editora: Fhouse | Versões: Português (144 Págs) e Inglês (136 Págs) Preço: $20 2021 - Nº 89


BM IN ENGLISH |

Boston outdoor dining extended to December Boston’s Mayor Michelle Wu announced the extension of the outdoor dining season to December 31, 2021. The extension of outdoor dining on private patios and city streets had previously been set to expire on December 1.

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ith the announcement, in coordination with the Licensing Board, Boston Fire Department, Inspectional Services Department, Boston Transportation Department, Public Improvement Commission, Disabilities Commission, Public Works, Office of Economic Development, and the Mayor’s Office of of Neighborhood Services, Mayor Wu has extended the Temporary Outdoor Dining Program for all restaurants, except for those in the North End, to December 31, 2021. “Activating public spaces to expand outdoor dining helps bolster our local businesses during pandemic recovery and creates connected communities spaces for residents, visitors, and families. I’m excited to extend this program through our holiday season and look forward to supporting our small businesses as anchors for our neighborhoods. Expanding to winter outdoor dining will help our communities stay safe, healthy, and vibrant,” said Mayor Michelle Wu. In June, Governor Baker extended a series of waivers, originally enacted during the pandemic, to allow for expanded outdoor dining

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at restaurants. The City of Boston previously issued local regulations for restaurants with outdoor seating located on private ways and lots and in the public right-of-way, imposing an end date of November 1, 2021 for restaurants in the North End, and December 1, 2021 for all other restaurants. The City has already permitted outdoor dining on public sidewalks to continue until the expiration of state waivers. The City of Boston’s existing prohibition on tents and similar structures on public property, the prohibition on extension cords running across sidewalks, and requirement for appropriate permitting for propane heaters and fuel storage remain in effect. Snow removal regulations still apply. Restaurants that received portable ramps from the Disabilities Commission can keep them until further notice. Mayor Wu also announced that she

would work with City departments and state legislative partners to implement a longer-term outdoor dining plan for Boston and advance creative placemaking strategies, with clear guidelines to ensure full accessibility, emergency vehicle access, and snow removal. Pursuant to the revised policy, restaurants in the City of Boston that are currently authorized under the Temporary Outdoor Dining Program may continue operating outdoor dining space, as follows: • On private patios until December 31, 2021. • On public streets until December 31, 2021. Restaurants in the City of Boston with outdoor seating located on public sidewalks are authorized under the Temporary Outdoor Dining Program until April 1, 2022. Brazilian Magazine | 15



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