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2019 - V. 12 | N.76 Vencedora NE Ethnic Newswire Award 2008 Press Award 2010 | 2011 2012 | 2013

É Bom Saber... O importante é não desistir

Direto da Redação

Processo judicial tenta impedir acesso da Imigração às Cortes

BM in English

Report details shortcomings at local public health agencies

Alerta aos pais

Dobra número de crianças e adolescentes com pensamentos e tentativas suicidas nos EUA


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Direto da Redação

O número de crianças e adolescentes nos Estados Unidos que visitaram as salas de emergência devido a pensamentos e tentativas de suicídio dobrou entre 2007 e 2015, de acordo com uma nova análise. O fato é extremamente preocupante, e o problema afeta também os jovens brasileiros que vivem no país. Nessa edição, você vai acompanhar os detalhes da pesquisa, incluindo o que dizem os médicos, e os principais motivos que, talvez, levam ao aumento alarmante dos casos.

Expediente

Editor-chefe Marcony Almeida & Mark Puleo Repórter Especial em Nova York - Guest Writer Manoela Maia McGovern Conselho Editorial Alvaro Lima, Eduardo Siqueira, Simone Elias Direção de Arte, Ilustrações e Publicidade Cícero Rodrigues Colunistas Eduardo Siqueira Heloísa Galvão Zenita Almeida Elisa Tristan-Cheever Martha Vasconcellos A Brazilian Magazine é uma publicação da empresa The Brazilian Journal, INC. Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião da Brazilian Magazine, sendo inteiramente de responsabilidade de seus autores. OPINE A Brazilian Magazine quer muito saber sua opinião. Envie comentários com nome completo e pelo menos duas formas de contato (telefone, e-mail, endereço) para The Brazilian Journal Magazine, P.O. Box 490543, Everett, MA 02149. Ou envie e-mail para: info@brazilianmagazine.net

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Na Coluna Pensando em Nossos Dias, a jornalista e diretora do Grupo Mulher Brasileira, Heloísa Galvão, faz uma reflexão sobre as recentes notícias de violência que atingiram a comunidade brasileira em Massachusetts. Será que há recursos? A leitura está imperdível! Em Palavras de Mulher, a jornalista Zenita Almeida também debate sobre violência, mas dessa vez no Brasil com o aumento dos casos de feminicídios no país. É uma triste situação muito bem narrada pela jornalista. Já a Dra. Elisa Tristan-Cheever escreve em Pensando em Nossos Dias sobre a importância de não desistirmos diante dos empecilhos da vida, mesmo com as dificuldades. E em Trocando em Miúdos, o professor Eduardo Siqueira traz uma outra convidada refletindo sobre a educação, e a importância de novos programas que podem fazer um diferencial em nossas vidas. E a eterna Miss Martha Vasconcelos escreve em sua coluna Falando com Martha sobre os esforços que nós imigrantes fazemos em busca da “terra prometida”. Confira! Essa edição da BM está muito especial, principalmente porque comemoramos os 12 anos de fundação da revista. Nossa equipe tem preparado a revista por esses 12 anos com todo o profissionalismo e carinho para o brasileiro que vive na terra do Tio Sam. E agora, 12 anos depois, investimos em nossa área digital com acesso de notícias online exclusivo para assinantes. Acesse nosso website e saiba como assinar a revista que faz a diferença na vida dos brasileiros nos Estados Unidos! E para comemorar o nosso aniversário, presentearemos esse ano três heróis e heroínas com o prêmio Brazilian Heroes 2019. Confira a edição e descubra quem são os homenageados desse ano. Ao nosso time, nossos leitores, internautas, assinantes e anunciantes, nosso muito obrigado! Continuaremos investindo para trazer a melhor notícia e o melhor jornalismo para vocês! E acompanhe também as notícias online no www. brazilianmagazine.net, e nas nossas mídias sociais pelo Facebook, Twitter e Instagram. And don’t forget to read our BM in English! Marcony Almeida & Mark Puleo

Nesta edição 4 e 5 Especial Dobra número de crianças e adolescentes com pensamentos e tentativas suicidas nos EUA 6 Trocando em Miúdos “Pequenos Corações Mudando Vidas”: Vamos conversar sobre educação? 7 Palavras de Mulher Cresce o número de feminicídios no Brasil 8 Pensando em Nossos Dias O lucro na prisão do imigrante 9 É bom saber…: O importante é não desistir 10 Falando com Martha Sem pão, sem teto, o imigrante 12 Direto da Redação Processo judicial tenta impeder acesso da Imigração às Cortes 14 BM in English Report details shortcomings at local public health agencies

Imagens que ilustram a capa e as matérias: freepik.com

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ESPECIAL | Direto da Redação

Dobra número de crianças e adolescentes com pensamentos e tentativas suicidas nos EUA O número de crianças e adolescentes nos Estados Unidos que visitaram as salas de emergência devido a pensamentos suicidas e tentativas de suicídio dobrou entre 2007 e 2015, de acordo com uma nova análise.

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Os pesquisadores usaram dados disponíveis publicamente do National Hospital Ambulatorial Medical Care Survey, administrado anualmente pelo US Centers for Disease Control and Prevention. Dos 300 pronto-socorros da amostra, os pesquisadores rastrearam o número de crianças entre 5 e 18 anos que receberam um diagnóstico de ideia ou tentativas de suicídio a cada ano. Os diagnósticos de qualquer condição aumentaram de 580 mil em 2007 para 1,12 milhões em 2015, de acordo com o estudo publicado, em abril desse ano, no JAMA Pediatrics. A idade média de uma criança no momento da avaliação foi 13, e 43% das visitas foram em crianças entre 5 e 11 anos. “Os números são muito alarmantes”, disse à imprensa o Dr. Brett Burstein, principal autor do estudo e médico do pronto-socorro pediátrico do Hospital Infantil de Montreal, no Centro de Saúde da Universidade McGill, no Canadá. “Também representa uma porcentagem maior de todas as visitas pediátricas ao departamento de emergência. Onde o comportamento suicida entre a população pediátrica foi de apenas 2% de todas as visitas, isso agora é de até 3,5%”. As descobertas não surpreendem os psiquiatras infantis. “Sabemos que o suicídio e a depressão têm aumentado significativamente”, disse à imprensa o Dr. Gene Beresin, diretor executivo do Centro Clay para Young Healthy Minds, no Hospital Geral de Massachusetts, e 2019 - Nº 76

professor de psiquiatria da Harvard Medical School, que não esteve envolvido no estudo. Depressão e uma tentativa prévia de suicídio são os dois maiores fatores de risco para o suicídio, e com as taxas de suicídio em ascensão, faz sentido que os fatores de risco também aumentem, explicou. O motivo? É complicado. Uma razão para o aumento da depressão e dos comportamentos suicidas pode ser mais estresse e pressão nas crianças, disse o Dr. Beresin. “As crianças estão sentindo mais

pressão na sociedade, pressão na escola, e estão mais preocupadas em ganhar a vida do que nos anos anteriores”, disse ele. Pais e cuidadores também estão mais estressados, acrescentou o médico, dizendo ainda que as taxas de suicídios aumentaram em todas as faixas etárias nos últimos 20 anos, e que o estresse é transmitido para crianças e adolescentes.

Outro motivo pode ser o aumento do uso das mídias sociais e o aumento das taxas de cyberbullying que vieram com elas, disse Beresin. Aproximadamente 15% dos estudantes do ensino médio dos EUA relatam que foram vítimas de bullying on-line no ano passado, de acordo com o CDC. Uma pesquisa do Pew Research Center descobriu que o número poderia ser ainda maior: 59%. “O cyberbullying pode ser especialmente difícil para as crianças”, explicou à imprensa a Dra. Neha Chaudhary, psiquiatra infantil e adolescente do Massachusetts General Hospital e da Harvard Medical School, e co-fundadora da Brainstorm: Stanford Lab for Brain Health Innovation and Entrepreneurship. “Ao contrário de ambientes como escolas, ele pode passar despercebido sem que ninguém saiba que isso está acontecendo e sem as mesmas repercussões para os agressores”. Isoladamente, nenhum desses fatores provou levar a um aumento nos comportamentos suicidas e, em última instância, ao suicídio, mas, em conjunto, um padrão começa a surgir, disse Beresin. E o país pode não estar adequadamente equipado para lidar com o problema. De acordo com dados da Academia Americana de Psiquiatria Infantil e Adolescente, há uma grave escassez nacional de psiquiatras infantis e adolescentes, com menos de 17 provedores disponíveis por 100 mil crianças. Brazilian Magazine | 5


Trocando em Miúdos

Eduardo Siqueira *Professor Associado - College of Public and Community Service (CPCS) - UMass Boston

“Pequenos Corações Mudando Vidas”: Vamos conversar sobre educação?

Para uma mente inquieta, não há tortura maior do que permanecer sentada, por horas, em uma mesma posição e “aprendendo” sobre um mesmo assunto. Amo a escola em que estudei minha vida toda, tenho respeito e admiração pela forma como minha educação foi conduzida. Porém, com relação à consolidação de conhecimento e aprendizagem, precisei desenvolver estratégias próprias para conseguir “passar” pelo ensino básico, ensino fundamental e ingressar na faculdade de Medicina. Aprendi a gastar pouco tempo absorvendo muito. Nunca aprendia na escola, sentada em cadeiras enfileiradas e observando o quadro negro. Porém, como a maioria, eu sempre precisei de nota para “passar de ano”. O que fazer então? Descobri que meu pai sempre estudaria comigo na manhã do dia da prova. Resumindo: ele me explicava a matéria através de metáforas, uma única vez. Quando íamos para a segunda leitura, eu já precisava ter tudo na ponta da língua! Aprendia deste jeito! E ensinava a minha amiga Gisela, sentada da escada da minha casa, utilizando a mesma técnica. Foi esta a primeira estratégia que entendi como eficiente para a minha sobrevivência, em um mundo em que eu era avaliada por notas e não por outras habilidades. Nunca fui boa em “fazer prova”, mas se me pedissem para fazer um projeto, faria de forma criativa e eficiente! Eu aprendo e ensino através da construção de projetos reais e da utilização da arte. E, não pense que a teoria fica para trás, esquecida. Para 6 | Brazilian Magazine

escrever os mais inocentes poemas, utilizo o conhecimento científico, mitologia, filosofia, etc . Através do método Kumon (que estudei após os 30!), aprendi a “escutar” o meu cérebro, escolhendo inclusive o melhor horário de estudo para a maior absorção de conhecimento. Conto isto porque na próxima coluna vou mostrar pra vocês a história do projeto “Pequenos Corações Mudando Vidas”. A ideia central deste projeto de intervenção comunitária é utilizar o conceito de Aprendizagem Criativa para, por exemplo, realizar a capacitação de professores com o objetivo de influenciar crianças a compreenderem conceitos relacionados à medicina preventiva e a potencializar o desenvolvimento de habilidades importantes para a formação de cidadãos conscientes.

Esta consciência sobre doenças cardiovasculares, como o enfarte do miocárdio, o diabetes, a pressão alta, etc., permite que as crianças entendam a necessidade de adotar comportamentos saudáveis sobre a sua dieta, o tabagismo, e a atividade física, e com isso sejam capazes de prevenir aa principais causas de mortalidade no mundo ocidental. Através do novo conhecimento, podem também influenciar os seus pais para que também mudem de comportamento na direção de uma vida mais saudável. Comecei um projeto de extensão em Minas Gerais na Universidade Federal de Juiz de Fora, fui depois para a Universidade Federal do Paraná em Curitiba e hoje estou em Massachusetts, através de parcerias com o Consulado-Geral do Brasil em Boston e colaborações com pesquisadores brasileiros de universidades como a UMass Boston, com o professor Eduardo Siqueira, e o Massachusetts Institute of Technology (MIT), com o pesquisador Léo Burd. Acredito em metodologias que tenham o potencial de mudar a história de cada um de nós. Só precisamos do feliz encontro com aquela que mais se adeque às nossas aptidões e necessidades. *Dra. Camila Maciel de Oliveira é escritora, poetisa, médica e professora universitária. Escreve em rima peças de teatro para crianças sobre medicina preventiva, entre outros temas. Atualmente faz pós-doutorado no MIT.

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Palavras de Mulher

Zenita Almeida Jornalista e consultora em cerimonial e eventos

Cresce o número de feminicídios no Brasil

O número de feminicídio no Brasil cresceu assustadoramente desde o início do ano de 2019, de forma que a Lei Maria da Penha já estava obsoleta e muito branda com relação a esses crimes.

H

oje, o governo brasileiro sancionou um Projeto de Lei que dar permissão a autoridade policial de conceder medidas protetivas de urgência a mulher com a vida ou a integridade física ameaçadas, na ausência de um juiz de plantão e/ ou indisponibilidade de uma delegacia em seu município. Esse Projeto de Lei tem como objetivo o amparo imediato á mulher nesse tipo de situação. Segundo levantamento organizado por Jefferson Nascimento, doutor em Direito Internacional pela USP, com base no noticiário nacional, o número por feminicídio no Brasil no ano de 2019 já ultrapassa a 200 mortes. Nascimento registrou ainda, que 344 casos de feminicídio, foram 207 episódios consumados e 137 tentativas. A taxa de letalidade é de 60%, com 222 vítimas identificadas, em crimes cometidos em todos os estados brasileiros, além do Distrito Federal. A média é de 5,31 casos por dia, ou um caso a cada quatro

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horas e 31 minutos nos primeiros 64 dias do ano. Pelo menos 40% de todos os casos que compilei desde o início do ano, contando tentativas e feminicídios consumados, tiveram como instrumento as armas brancas: facas, facões, foices e também casos com arma de fogo. Nas situações em que houve morte, cerca de 60% delas, as vítimas eram golpeadas várias vezes pelos agressores, que em sua maioria são parceiros ou ex-parceiros — afirma Nascimento, que ainda aponta a maior ocorrência de casos durante os fins de semana e feriados. A diretora da ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), Samira Bueno, calcula que em 2017 foram cerca de 1.100 casos de feminicídio no país. Ainda segundo Bueno, boa parte dos feminicídios que temos visto no Brasil são os chamados feminicídios íntimos, quando a vítima tem algum vínculo com o agressor. A grande utilização de armas brancas nesses crimes,

ainda segundo a diretora da FBSP, vem por conta da praticidade desses instrumentos, disponíveis em ambientes domésticos. Já a advogada e diretora da ONG de direitos humanos Cepia, Leila Linhares, liga a “resposta misógina” dos homens a suas companheiras ao fato de mulheres estarem cada vez menos dispostas a suportar relacionamentos abusivos. Ela credita a visibilidade que esses casos vêm tomando, como o da paisagista Elaine Caparroz e Jane Cherobin, espancadas por parceiros, têm funcionado para que mulheres tenham mais capacidade de questionar as atitudes de seus companheiros. O fato é que mesmo com todas as medidas e proteção policial, os homens ainda não aceitam a independência feminina, continuam achando-as suas propriedade e continuam exalando seu ódio e frustração cometendo seus bárbaros crimes, simplesmente pelo ego do poder de posse. Brazilian Magazine | 7


Pensando em Nossos Dias

Heloísa Galvão Jornalista e Diretora-Executiva do Grupo Mulher Brasileira

Nossa comunidade testemunhou duas tragédias neste mês de maio, uma com dias de diferença da outra. A primeira, o assassinato da portuguesa Telma Bras, 43 anos, morta a facadas pelo companheiro, o brasileiro Ilton Rodrigues, 48 anos. Os dois filhos do casal, um menino de 7 anos e uma menina de 17, estavam em casa. O menino dormia no sofá da sala, enquanto o pai apunhalava a mãe a três passos dele. O casal mudou de Portugal para Stoughton em 2014 em busca de uma vida melhor. Para Telma era também uma tentativa de salvar o casamento

A

outra tragédia foi a morte por esmagamento do trabalhador Elvis Ribeiro, 49, que viera para Boston tentar a vida, fazer algum dinheiro para ajudar a mulher e os filhos no Brasil. Elvis era um homem dedicado à família, alegre, do tipo que todo mundo gosta, fazia amigos fácil. Nos seus últimos dias de vida contava as horas

Não importa a situação, há socorro para a chegada de um dos filhos. Em Massachusetts, pesquisa da Coalizão de Saúde e Segurança Ocupacional (MassCOSH) revela que, em 2018, 69 trabalhadores morreram vítimas de acidentes de trabalho. Em 2017, foram 74 fatalidades. Não houve registro de brasileiros entre as fatalidades nestes dois anos. Ano que vem, quando MassCOSH honrar os trabalhadores mortos em acidentes de trabalho, o nome e a foto do Elvis vão estar na escadaria da State House. Essa não é uma estatística que a gente quer engrossar. Ilton está preso. Violência doméstica é crime e mesmo que ele fosse residente legal neste país, mesmo assim, ele seria passível de deportação. E se for julgado e condenado, é provável que fique preso aqui e cumpra sua sentença aqui. A responsabilidade e punição legal do assassino pode mitigar a dor da família, mas não restitui a mãe aos filhos, nem desfaz o trauma. Como nós, como comunidade, podemos prevenir que outros casos ocorram? Como podemos ajudar e amparar as tantas vítimas que leram sobre este caso, estão em situação igual ou pior que Telma,

mas não sabem o que fazer, onde ir e não conseguem sair do círculo vicioso de uma relação violenta? Nenhuma mulher tem obrigação de permanecer em um relacionamento abusivo, violento e perigoso porque casou. O casamento deve ser dissolvido quando a relação não é igual, não há respeito e um quer controlar o outro. Ciúme exagerado, o controle, a violência não são normais em uma relação e muito menos são prova de amor. Mas só quem passa por uma situação de opressão e terror sabe como é difícil fazer a decisão de sair, principalmente quando tem criança envolvida. A atual política nacional da Casa Branca não ajuda imigrantes, mulheres, negros, membros da comunidade LGBTQ. O pânico permeia nossa comunidade. Mas vítimas de violência precisam saber que existem organizações que ajudam, dão assistência legal e psicológica e que para as autoridades não interessa o status imigratório da vítima. Vítima é vítima e precisa ser protegida. Informe-se, não espere. Neste caso, o tempo pode ser seu atestado de óbito.

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É bom saber…

Dra. Elisa Tristan-Cheever

O importante é não desistir

Quando o mundo nos dá um limão, realmente a melhor forma é fazer uma limonada? Até certo ponto, porque quem cala, consente e quem se conforma não alcança os seus objetivos. Por isso que ainda continuamos aqui, na nossa coluna, batendo na mesma tecla para ver se conseguimos que todos entendam, busquem auxílio e tenham uma vida mais saudável.

É

muito difícil acordar e dar de cara com as notícias do mundo, Brasil e Estados Unidos, principalmente atingindo a nossa comunidade. Alguém que se suicida, outro que mata sem dor. Aquele trabalhando honestamente e morrendo, ou o malandro querendo dar uma de “esperto” afundando a sua vida e causando um grande impacto na de muitos outros. Sofre a pessoa, sofrem os entes queridos, sofrem todos os imigrantes brasileiros. Reparamos que em nosso país de origem não existe calmaria e aqui, cercado de restrições, muitas vezes depositamos o nosso destino nas nossas orações. Eu o faço e tenho fé. Porém, ao mesmo tempo, muitas vezes cruzamos os braços e esperamos até que venha a “próxima vítima”. O que leva alguém a se descontrolar e matar uma pessoa tão próxima? Talvez somos tão cegos que não percebemos o perigo, e só

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quando a gota extravasa do copo é que entendemos? Por que a relutância de não querer procurar ajuda, informações corretas ou expandir o seu mundo? Ou, quem sabe, a nossa natureza humana nos faz

esconder de nós mesmos, deixar de lado que não queremos ver. A violência está em todas as partes, em todas as etnias e classes sociais. Seja na “palavra dita ou efetuada” seja na ação dos nossos governantes, seja na pressão nos oprimidos pela condição imigratória. E como prevenir efeitos desas-

trosos? Pare, repare e pense. Estás sentindo a tensão se acumulando no seu ambiente, nas suas relações seja com o seu parceiro ou com o seu filho? O temperamento explosivo, a atitude agressiva contra si ou contra os outros. Muitas vezes estão aí os primeiros indícios. Tentas conversar com a pessoa e nada acontece? Busque ajuda! Estás num trabalho novo? Ou já o vem fazendo mas sem o devido treinamento? Não se arrisque. Você tem o direito de receber treinamento e diminuir os riscos do seu emprego. Lida com alguém violento? Não abaixe a sua guarda. Observe, procure estar a salvo. Lembre-se que não adianta tentar uma de herói e se dar mal. Acredite no que você sente, no seu sexto sentido. Temos as respostas mas não a procuramos. Temos direitos mas também deveres. Temos apoio mas não apoiamos. O que mais terá que acontecer para que acordemos? Brazilian Magazine | 9


Falando com Martha

Martha Vasconcellos

Psicóloga, com Mestrado nos EUA, e Miss Universo 1968. Última brasileira a ganhar o título de mulher mais bela do mundo.

Sem pão, sem teto, o imigrante

Ao assistir o noticiário da TV, fiquei consternada ao ver uma família brasileira, inclusive com duas crianças, que ao atravessar a fronteira entre México e Estados Unidos a pé, foi presa e rendida por uma patrulha americana de fronteira. O grupo foi colocado de joelhos com ambas as mãos na cabeça. Imaginei como estariam os outros membros dessa família aqui no Brasil, ao verem tal cena. O que motiva seres humanos a passarem por tantos sacrifícios e constrangimentos, é uma questão para pensar, se estariam em busca do “paraíso” dado aos humanos por Deus e depois perdido pela transgressão ou da “terra prometida”, também prometida por Deus para o povo judeu, escravizado pelos egípcios como aprendemos no Antigo Testamento, ou se somos mesmo por natureza nômades, sempre em busca da sobrevivência e melhores oportunidades. Ainda seguindo a mesma linha de pensamento, não somos donos de nada. O planeta Terra nos foi dado e está aí para todos usufruírem. Nós criamos barreiras, fronteiras, sentimento imaginário e legal de propriedade e línguas diferentes para comunicação. No Brasil, acolhemos meio sem jeito os venezuelanos, que chegam fugindo de um regime político, da fome, da miséria, da falta de trabalho, escolas e assistência médica e social. Que bom que apesar das dificuldades financeiras, econômicas e políticas que também passamos, ainda podemos acolhê-los, embora reconheça que nem 10 | Brazilian Magazine

todos os recebem com boa vontade. Muitas vezes ficamos amedrontados com os desconhecidos. Aprendemos que a origem do humano tal qual conhecemos hoje, com a caixa craniana e o cérebro maiores principalmente na região frontal, a face menor e as mandíbulas e dentes menores aconteceu no Kenya, e é datada de 1.5 milhões de anos. Partindo da África, o Homo Erectus imigrou para a Europa. Essas afirmações científicas chegaram até nós através de fósseis encontrados por arqueólogos. A variação humana racial, segundo Roger Lewin “são controversas e

confusas na antropologia, por razões sociais…. a evolução e características geográfica são tipicamente consideradas adaptações específicas de condições tais como cor da pele por causa da intensidade da luz solar”. As diferenças são cientificamente explicadas como adaptações de sobrevivência. Como ocorreram diferenças de cores de pele para adaptação do humano ao meio ambiente, também ocorreram diferenças no comportamento e cognição. Mas, deixemos as questões científicas de lado, e voltemos a nossa questão inicial: a “terra prometida” e “o pão nosso de cada dia, nos dai hoje”. Para os que vivem no continente americano, a “terra prometida” e sonhada seria os Estados Unidos da América, o paraíso da imaginação, onde há fartura de bens de consumo, teto, alimentos e de liberdade. Alguns humanos nascidos nos países asiáticos também pensam assim. Para os nascidos no Oriente Médio, a Europa seria o caminho mais natural, dada a proximidade. E assim caminha a humanidade, sempre em busca do “paraíso perdido”. Enfrentando oceanos, continentes, fome, frio, sede e todas as formas de humilhações e preconceitos, mas com a fé de que encontrarão dias melhores para si e para a sobrevivência de suas famílias. Pagando muitas vezes com a própria vida, seguem seu curso, sem pão e sem teto, carregando como bagagem a esperança: o imigrante, nômade, segue sua marcha. 2019 - Nº 76


Direto da Redação

Marcony Almeida

Saúde Pública alerta para a temporada de mordidas de carrapatos

Os funcionários do Departamento de Saúde Pública de Massachusetts (DPH) recomendam que os moradores estejam atentos aos carrapatos enquanto participam das atividades ao ar livre da primavera e do verão, já que a temporada de carrapatos chegou. Nesta época do ano, as visitas médicas relacionadas aos carrapatos começam a aumentar e permanecerão elevadas durante o verão. Este ano, a DPH acompanhará essas tendências e publicará um relatório mensal de “mordidas on-line”. Os carrapatos são pequenos insetos encontrados em áreas com sombra, úmidas, arbustivas, arborizadas ou gramadas (especialmente em grama alta), incluindo quintais. Os carrapatos mais comuns são os de patas negras (veados) e carrapatos de cães encontrados em Massachusetts, e podem disseminar germes que causam doenças quando mordem. As doenças mais comuns transmitidas por carrapatos em Massachusetts são a doença de Lyme, babesiose e anaplasmose. Outras doenças que são mais raras, mas ainda ocorrem, são a tularemia, a febre maculosa das Montanhas Rochosas, a Borrelia miyamotoi e o vírus de Powassan.

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Processo judicial tenta impedir acesso da Imigração às Cortes Duas promotoras de justiça em Massachusetts estão unindo forças com defensores públicos e organizações de direitos de imigrantes para impedir que agentes do Departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês) prendam imigrantes ao visitar os tribunais estaduais. A promotora da comarca de Suffolk, que inclui a cidade de Boston, Rachael Rollins, e Middlesex, Marian T. Ryan, entraram com ação na Justiça pedindo a um juiz federal que ordene os agentes do ICE de se manterem fora da propriedade das Cortes, incluindo estacionamentos e adjacências. “O ICE está usando os tribunais estaduais como um fórum para conduzir trabalho de prisão que causa medo em muitos de nossos mais vulneráveis imigrantes, impedindo-os de acessar nossos tribunais. Isso não é justiça. Isso não torna nossas comunidades mais seguras. O que está claro para mim é que, para fazer uma mudança significativa e positiva, todos precisamos trabalhar juntos. Este processo representa a primeira vez que promotores, defensores públicos

e advogados privados entraram com uma ação judicial com o objetivo de encerrar formalmente essa prática. Como o nosso país lida com o complexo problema do sistema de imigração, não podemos permitir que o acesso dos imigrantes às Corte seja afetado de forma prejudicial”, disse em nota à imprensa a promotora Ryan. “Nosso sistema de justiça criminal só pode funcionar adequadamente quando as pessoas se sentem seguras ao chegarem aos tribunais. Quando vítimas, testemunhas e réus temem que entrar em um tribunal possa colocá-los em risco de consequências imigratórias, isso nos impede de garantir a justiça para as pessoas que servimos”, disse à imprensa a promotora Rollins. “Iniciar um processo de deportação antes que um réu seja responsabilizado pelo dano que causou no condado de Suffolk não faz nada para servir ao interesse da justiça ou da segurança pública. Em vez disso, cria um ambiente de medo e desconfiança e prejudica toda a nossa comunidade”, disse à imprensa a promotora Rollins.

Surto de sarampo nos EUA já ultrapassa anos anteriores As autoridades sanitárias americanas aumentaram a lista de casos confirmados de sarampo do ano, elevando o total para 555 - já o maior número nos últimos cinco anos. Se os surtos não forem controlados, especialistas em saúde pública temem que os casos em 2019 atingirão um recorde, quase duas décadas após o sarampo ter sido “eliminado” nos Estados Unidos. O número de pessoas doentes pela doença altamente contagiosa e potencialmente mortal aumentou em 90 durante a segunda semana de abril, com

20 estados relatando casos em 2019. Em 2000, autoridades de saúde anunciaram que haviam livrado o país do sarampo. Os estados que relataram casos para os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, em inglês) são Arizona, Califórnia, Colorado, Connecticut, Flórida, Geórgia, Illinois, Indiana, Kentucky, Maryland, Massachusetts, Michigan, Missouri, Nevada, New Hampshire, New Jersey, New York, Oregon, Texas e Washington. O total até agora é o segundo maior número de casos reportados desde 2000. 2019 - Nº 76


Massachusetts Alliance of Portuguese Speakers Servindo as comunidades de Língua Portuguesa de Massachusetts desde 1970

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BM IN ENGLISH |

Report details shortcomings at local public health agencies Local health departments in Massachusetts have a limited ability to deliver on their statutory requirements in the areas of housing code violations and restaurant and septic system inspections, lack workforce standards, and face inequities in funding, according to a new special commission report. The State House News Service reported that Massachusetts Public Health Commissioner Monica Bharel, who chaired the Special Commission on Local and Regional Health, visited Beacon Hill to release a summary of the report and the commission’s recommendations. The report acknowledges the unique nature of the state’s decentralized system of 351 boards of health, local agencies charged with ensuring the wellbeing of residents in public, in restaurants, at schools, in their homes and at work. Each city and town must fund its own board of health and their budgets, “often bare bones, are the sole responsibility of individual cities and towns with no dedicated state funding,” the report said. Many local health departments struggle to meet traditional mandates to deal with communicable diseases, food safety, housing, sewage, and environmental hazards. But the report said the responsibilities of local health agencies are expanding and adding more stress. “But in the 21st century, their list of duties has ballooned to include protecting the environment, planning for natural and manmade disasters, preventing new insect and tick-borne diseases, reducing substance addiction, reducing the prevalence of chronic 15 | Brazilian Magazine

diseases, and improving mental health. The Commonwealth’s local public health system has mostly been unable to keep up with these new demands,” the commission found. The inability of local departments to keep up with rigorous national health standards and expanding state and local mandates comes while policymakers are searching for ways

to reduce the cost of health care. The special commission report said wellresourced local health departments can be part of the health care cost solution. “If local health departments can forestall just one in 1000 preventable hospitalizations in Massachusetts, it would represent a savings of hundreds of thousands of dollars,” the report

said. “If they can, by educating the public and providing opportunities to eat right and exercise, steer those at risk for chronic diseases to healthier paths, the savings could be millions more.” The commission recommends that Massachusetts allow local health departments to join together to form comprehensive public health districts, enter into formal shared services agreements and otherwise arrange to share health services across municipal lines. Resource sharing would help boards of health “strengthen the service delivery capabilities of local public health departments, take advantage of economies of scale, and coordinate planning,” the report said. The report also recommends raising the standards for local health departments as a way to improve performance, and establishing education and training standards for local public health officials and expanding professional development opportunities. Reps. Hannah Kane and Denise Garlick and Sen. Jason Lewis plan to use the report to call for passage of legislation (H 1935/S 1294) creating an incentive grant program to support communitydriven regional collaborations to share services and meet higher standards. “Every day about 200 lives begin in Massachusetts. Another 150 end,” the report said. “Between those two bookmarks, there is no other entity more important to ensuring the health and wellbeing of residents than their local boards of health.” 2019 - Nº 74


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Brazilian Magazine - Issue 76  

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