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2018 - V. 11 | N.69 Vencedora NE Ethnic Newswire Award 2008 Press Award 2010 | 2011 2012 | 2013

Estado age para evitar “fraudadores de Imigração” Campanha adverte sobre práticas ilegais que levam imigrantes, inclusive, à deportação

Imigração

ICE formaliza regra de prisão de indocumentados nas Cortes

Palavras de Mulher

Amor & Solidão

BM in English

Too soon to declare “victory” despite 2017 drop in opioid deaths


Direto da Redação

Expediente

Editor-chefe Marcony Almeida & Mark Puleo Repórter Especial – Guest Writer Flávio Perez Repórter Especial em Nova York - Guest Writer Manoela Maia McGovern Conselho Editorial Alvaro Lima, Eduardo Siqueira, Simone Elias Direção de Arte, Ilustrações e Publicidade Cícero Rodrigues

A Brazilian Magazine é uma publicação da empresa The Brazilian Journal, INC. Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião da Brazilian Magazine, sendo inteiramente de responsabilidade de seus autores. OPINE A Brazilian Magazine quer muito saber sua opinião. Envie comentários com nome completo e pelo menos duas formas de contato (telefone, e-mail, endereço) para The Brazilian Journal Magazine, P.O. Box 490543, Everett, MA 02149. Ou envie e-mail para: info@brazilianmagazine.net

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No meio do desespero pela falta de documentação para permanecer legalmente nos Estados Unidos, muitos imigrantes indocumentados optam por “qualquer ajuda ou promessa que aparecer”. Graças a esse desespero, esses imigrantes acabam, muitas vezes, em mãos de “ajudantes” inescrupulosos que usam da má fé e desespero dos indocumentados na “era Trump” para tirar vantagem e enriquecer ilicitamente. E muitos desses trapaceiros são, tristemente, outros brasileiros ou brasileiras, advogados registrados ou não, que enganam seus próprios compatriotas. Preocupada com o aumento constante de fraudes imigratórias, principalmente por aqueles nãoregistrados para exercer assistência jurídica, a Procuradoria-Geral de Massachusetts lança uma campanha pública de alerta aos imigrantes. Na reportagem especial dessa edição nossos leitores vão encontrar detalhes sobre a campanha e dicas de como se prevenir dos abusos desses “notários” ou “assistentes legais”. Na coluna Pensando em Nossos Dias, a jornalista Heloísa Galvão chama atenção para um problema discutido atualmente a nível nacional nos Estados Unidos, o abuso sexual. Já está na hora de dar um basta nisso! Em Trocando em Miúdos, o professor Eduardo Siqueira destaca com maior profundidade o grave problema da febre amarela e a degradação do sistema de saúde brasileiro. Já na coluna É Bom Saber..., a Dra. Elisa reflete no grave problema social e criminoso da pedofilia. Será que temos prestado atenção naquilo que nosso filhos nos dizem ou não? E a jornalista Zenita Almeida leva nossos leitores a uma “viagem interior” refletindo sobre amor e solidão. E em Política, o jornalista Flavio Perez escreve sobre “mais uma de Donald Trump” contra imigrantes, cuja administração está mirando agora prejudicar indocumentados que utilizam assistência pública. Tem muito mais nessa edição preparada com todo empenho por nossa equipe. Aproveite a leitura! E acompanhe também as notícias online no www.brazilianmagazine. net, e nas nossas mídias sociais pelo Facebook, Twitter e Instagram. And don’t forget to check our English section, BM in English! Happy New Year! Marcony Almeida & Mark Puleo

Nesta edição 4 e 5 Especial Estado age para evitar “fraudadores de Imigração” 6 Pensando em Nossos Dias As “Marias” dos abusos sexuais 7 É bom saber... Prestar atenção em nossos filhos, mesmo quando não os temos… 8 Palavras de Mulher Amor & Solidão 9 Trocando em Miúdos A crise da febre amarela revela o caos no sistema de saúde brasileiro 10 Política Governo Trump pode mirar imigrantes que usam benefícios 11 Imigração Imigração formaliza regra de prisão de indocumentados nas Cortes 12 Direto da Redação Suprema Corte rejeita apelação de Trump para acabar com o DACA 14 BM in English Too soon to declare “victory” despite 2017 drop in opioid deaths Brazilian Magazine | 3


ESPECIAL | Marcony Almeida

Estado age para evitar “fraudadores de Imigração” Procuradoria lança campanha sobre práticas ilegais que levam imigrantes, inclusive, à deportação 4 | Brazilian Magazine

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A Procuradora-Geral de Massachusetts, Maura Healey, lançou uma campanha de educação para proteger residentes de serem vítimas da prática nãoautorizada da lei de imigração, uma fraude comum também conhecida como “fraude de notários”. A campanha educacional multilíngue tem o objetivo de fornecer aqueles que moram em Massachusetts ferramentas necessárias para se proteger daqueles que tentam extorquir dinheiro de imigrantes oferecendo assistência imigratória fraudulenta.

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uitas vezes, os residentes que procuram assistência jurídica estão sendo enganados por indivíduos que não estão autorizados a praticar a lei, e que estão cobrando centenas ou milhares de dólares por serviços que são inúteis,” disse a Procuradora-Geral Healey. “Esta prática é ilegal e o meu escritório está trabalhando para educar residentes em todo o estado sobre como reconhecer e evitar esses artistas fraudulentos.” A Procuradoria-Geral do estado está advertindo os moradores a tomarem as seguintes medidas preventivas para evitar as fraudes cometidas por “notários”, “assistentes legais” ou até mesmo alguns advogados de Imigração: • Certifique que seu advogado é licenciado. Somente um advogado licenciado - ou alguém especialmente autorizado pelo governo federal - pode representar você em tribunal, ou perante um juiz administrativo; aconselhar se você deve ou não aplicar para benefícios ou proteções de imigração; expli2018 - Nº 69

car suas opções legais e dar conselhos legais. • Nunca pague por quaisquer formulários de imigração. Eles estão disponíveis gratuitamente no website www.uscis.gov. • Nunca deixe o escritório do seu advogado sem recibos para todos os pagamentos efetuados pelo seu processo; nunca pague pelo atendimento ou processo em “cash”! • Nunca assine nenhum formulário em branco. • Mantenha com você todos os seus documentos pessoais originais. • Obtenha cópias de todos os documentos que se referem ao seu processo. Exija essas cópias do escritório que está cuidando do seu caso. A Procuradoria tomou medidas anteriores contra indivíduos para a prática não-autorizada da lei de imigração. Em setembro

Maura Healey Procuradora-Geral do estado de Massachusetts

2016, Gerson Barahona, um homem da cidade de Waltham, foi ordenado por um juiz a pagar mais de $155 mil em restituição às vítimas que enganou, penalidades civis e honorários advocatícios depois que ele se declarou falsamente como advogado especializado em leis de imigração, e cobrava a indivíduos ilegalmente centenas ou milhares de dólares para assessoria e serviços jurídicos. A Procuradoria obteve uma liminar que ordenou Barahona impedido de prestar serviços relacionados a assuntos de imigração. O órgão está lançando um website, disponível em português, com dicas adicionais para se prevenir de fraudes imigratórias, além de oferecer links com endereços de organizações de assistência legal de imigração autorizadas pelo governo. Há ainda acesso para checar o registro legal de advogados licenciados. Acesse www.mass. gov/upil. E para denunciar fraudes de imigração, ligue para a Divisão de Direitos Civis da Procuradoria-Geral no (617) 963-2170 ou 617963-2917. Brazilian Magazine | 5


Pensando em Nossos Dias

Heloísa Galvão Jornalista e Diretora-Executiva do Grupo Mulher Brasileira

Já se passaram mais de 10 anos mas a violência é vívida, como se estivesse acontecendo nesse exato momento. Maria não precisa fazer nenhum esforço para reviver aqueles momentos de terror e nojo. “Eu não sei quanto tempo eu fiquei ali no chão me sentindo suja, pequena e paralisada”. Maria é uma das milhões de vítimas de abuso sexual no trabalho. Ela trabalhava como housecleaner, confiava e gostava dos patrões, um casal, até o dia em que foi induzida a fazer uma limpeza sozinha com o patrão. Maria é também uma sobrevivente. Sofre altos e baixos; ainda não consegue recontar os fatos sem chorar, mas sobreviveu e venceu. Como Maria, milhares de outras mulheres vítimas de abuso sexual sobrevivem e compartilham suas histórias de terror mas também de resiliência. Por isso, falar de abuso e as-

As “Marias” dos abusos sexuais sédio sexual e de violência de gênero é tão importante. Por anos as mulheres se calaram e viveram com o pânico e a vergonha de “alguém descobrir” o que lhes acontecera. Quem deve ter vergonha, no entanto, é o abusador e eu tomo a liberdade aqui de usar a forma masculina porque mais de 80% dos casos de abuso sexual e violência de gênero são perpetrados por homens, embora a gente não possa deixar de reconhecer que alguns homens são vítimas. É preciso, também, estabelecer que gays, lésbicas, transgêneros sofrem abusos indescritíveis que beiram a discriminação e o preconceito. A campanha #metoo que tomou conta do país ano passado trouxe o assunto para o centro da discussão e, melhor ainda, deu forças a tantas mulheres, jovens e idosos, famosas e desconhecidas, de denunciarem, contarem suas histórias. Vocês acompanharam o caso do médico das Olimpíadas que usufruiu da sua posição, carisma e prestígio para abusar de mais de 100 crianças e adolescentes? Imagine você mãe ou pai de uma das vítimas, sem saber de nada e até proporcionando a oportunidade para o abuso

porque é você que leva a criança e adolescente para a consulta. Como nós, mães e pais, prevenimos estes crimes? Quais os sinais? Nunca devemos duvidar do que nossos filhos nos dizem. Devemos sempre deixar a porta aberta para que nos contem o que acontece. É importante não julgarmos, nem partimos do pressuposto de que mentem, inventam, fantasiam. Crianças e adolescentes têm maneiras criativas de nos deixarem saber o que se passa. Quando não ouvimos, podem partir para comportamentos destrutivos, violentos. Outra ideia é sempre se colocar no lugar do outro e se lembrar como éramos naquela idade. Manter uma mente aberta, informada e capaz de passar informação. Não há uma fórmula, ainda, capaz de prevenir casos de abuso e violência porque infelizmente está na natureza humana de determinados indivíduos mas quanto mais falarmos e denunciarmos mais difícil é ficar impune. Não vamos deixar que a violência, a impunidade, o crime vençam. Criminosos devem ser julgados, condenados e sentenciados. Vítimas devem ser amparadas para que possam superar e recomeçar. Siga-nos no:

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Onde tem brasileiro, tem Brazilian Magazine 6 | Brazilian Magazine

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É bom saber…

Dra. Elisa Tristan-Cheever

Prestar atenção em nossos filhos, mesmo quando não os temos…

Toda forma de amar é realmente uma forma de amor? Tem gente que acha que tudo é válido. Porém, nem tudo se enquadra no verdadeiro sentido do amor. O amor de mãe, por exemplo, é um amor inexplicável que transcende qualquer entendimento. E, mesmo assim, encontramos algumas “mães” maltratando, rejeitando os seus filhos. Isso não é amor, nem carinho ou respeito. Outros usam desse sentimento lindo para distorcê-lo do seu verdadeiro significado ou até mesmo tentar confundir o desejo sexual incontrolável com a fachada de ser apenas um caso de “amor excessivo”. E para alguns, a libido é responsável por ações que nada tem a ver com a profundidade de um verdadeiro amor. E quando falo de amor e respeito, não tenho como deixar de comentar sobre o tópico do momento. Como parte de qualquer jornal ou revista, cena de um seriado de TV ou assunto principal no telejornal, a pedofilia virou parte do cotidiano. Mesmo antes dos casos dos sacerdotes abusando dos coroinhas, desde que a humanidade existe, alguém já havia se aproveitado da inocência e fragilidade do mais fraco ou do mais novo. Como você já deve saber, um pedófilo é aquele adulto que apresenta atração sexual por crianças que não atingiram a puberdade, ou seja, menores de 13 anos de idade. Aí você para e analisa: não dá para entender o que um marmanjo quer com uma pirralha ou pirralho! Mesmo com estudos falando que nem todo pedófilo vai acabar violentando um menor e que alguns poderiam controlar esses desejos e procurar ajuda, é muito difícil para nós acreditar que isso seja possível. A pornografia infantil, outro mal do milênio, está pipocando por aí e não é só do uso de pedófilos, infelizmente. Alguns estudiosos afirmaram que o cérebro destas pessoas teria menos substância branca, e que poderia ser um dos fatores responsáveis por esse distúrbio de comporta2018 - Nº 69

mento. Outros nos relembram que nem toda criança foi estuprada por alguém que seja pedófilo. Contudo, quando nos deparamos com um caso de abuso sexual não serão as provas científicas e pesquisas que removerão a imagem de “monstro” desses indivíduos na sociedade. A pedofilia acontece mais no sexo masculino mas isso não descarta que até uma mulher seja uma pedófila e um monstro também. A questão não é só definir. Não é o culpar os pais por não prestarem atenção nas crianças, ou a televisão e novelas que exacerbam a sexualidade, colocando lindas crianças numa postura de um mini-adulto. Não são somente esses agentes causadores, mas sim a falta de amor entre os seres humanos. Ou melhor, insanidade e falta de respeito. Pedófilos ou não, quem abusa de uma crianca está abusando do mundo inteiro. E o pior, muitos desses casos não são reportados. Agora mesmo podemos ter uma criança à mercê dessas pessoas. E pode ser a pessoa que toma conta do menor, o professor, o pai da amiga ou até o próprio pai! Em 2010, de acordo com o National Sexual Violence Center, 1 em cada 4 meninas, e 1 em cada 20 meninos foram abusados sexualmente antes de completarem 18 anos de idade. E 34% das pessoas que cometem esses abusos são familiares. Ou seja, o perigo pode morar ao lado. Toco de novo no assunto do amor. Amor é confiança e só de saber que alguém está tirando vantagem disso é revoltante. A sociedade tem o dever de orientar e zelar por cada membro da comunidade. É dever tam-

bém de pais e familiares alertarem as crianças para informar sobre qualquer pessoa que se insinue, que as faça tocar o que não querem or não entendem. É da nossa incumbência tentar reconhecer quando as coisas não estão indo bem com os nossos garotos. O mais importante é manter intacto o amor e estabelecer uma relação verdadeira, confiável e de total transparência com o seu filho. É saber que ele ou ela tem a liberdade de falar o que sente, perguntar o que não sabe ou compreende. É deixar claro que eles têm voz também e devem ser ouvidos. Ensinar a saber dizer não quando é necessário, Entendemos que o pedófilo tem essa fixação pela criança e usa de artimanhas para ficar em contato com ela. Pois, vamos dar mais atenção aos nossos queridos, compartilhar juntos momentos de qualidade. Não se esqueça que a cultura também pode pesar. Aqui nos Estados Unidos desde mais cedo se ensina que cada um tem que ter sua individualidade e também manter certa distância física do outro. Com isto não estou querendo dizer que aqui aconteçam mais ou menos casos de abuso sexual. O que quero mostrar é que como latinos e brasileiros, nós somos muito afetivos e o contato através de um abraço ou beijo é parte da relação de amizade que temos uns com os outros. Mas nem todos o fazem com essa intenção. É difícil de notar ou mesmo aceitar que alguém, às vezes, tão próximo, possa estar através de um simples abraço se aproveitando de um dos nossos filhos, sobrinhos ou netos. Converse, explique, preste atenção aos seus instintos e não deixe de escutar. É muito difícil para uma criança inventar tudo. Algumas ainda podem estar em estado de choque ou totalmente controladas e ameaçadas por esse adulto criminoso. Nunca deixe que esse menor sinta que não pode se abrir com você. Busque ajuda e conforte a quem precisa. Uma vítima de abuso sexual ou de qualquer outra forma de abuso é alguém que precisará de apoio e, principalmente, de verdadeiro amor. Brazilian Magazine | 7


Palavras de Mulher

Zenita Almeida Jornalista e consultora em cerimonial e eventos

Amor & Solidão

A solidão é um monstro assustador. Mais cedo ou mais tarde ela acaba nos assustando, sobretudo, quando olhamos para a vida e encontramos um imenso vazio. Falamos, gritamos e na maior parte das vezes escutamos tão somente o nosso eco como reposta. Diante de um mundo que nos amedronta, estar só torna-se um problema. E, assim, surgem muitas relações, não por amor, não por vontade de estar com alguém que enternece o coração, mas apenas pelo medo de ficar sozinha. Vivemos em um mundo em que cada vez mais estamos isolados em nossas ilhas afetivas e, consequentemente, temos a solidão instalada. Além disso, não existem mais referências sólidas para que possamos nos apoiar. Tudo é fluído, está constantemente em movimento e muda a cada instante. Desse modo, estamos gradativamente mais necessitados de algo que nos ajude a suportar um mundo seco e duro, que parece ter sempre uma surpresa a apresentar. Estranhamente, esse algo tem sido direcionado para as relações afetivas. Ou seja, a solidão, a carência e o medo de encarar a vida estando só têm sido o combustível de muitos relacionamentos. Mas, será que vale a pena estar com alguém apenas por medo da solidão? Será que o amor é apenas algo que duas pessoas que não conseguem viver sozinhas inventam para ficarem juntas? Embora, existam inúmeras interpretações acerca do amor, não acredito que ele seja somente um 8 | Brazilian Magazine

subterfúgio de indivíduos incapazes de encarar seus medos e fobias. Do mesmo modo, também não acredito que valha a pena estar em uma relação dessa forma. O que consigo observar são relacionamentos frios, sem brilho no olhar e risos sinceros compartilhados. Relacionamentos marcados por traições em todas suas possibilidades e sem qualquer tipo de profundidade. Obviamente, todo tipo de relacionamento trará contrapesos e muito trabalho, entretanto, o que existem em relacionamentos fundados pela carência de duas pessoas que não conseguem assumir a sua singularidade é a comodidade e a preguiça que não os permitem ter relações vivas, marcadas pelo esforço de fazer a relação dar certo. Aliás, a singularidade do outro pouco importa, já que a única coisa importante é estar com qualquer pessoa, ainda que esta não me comunique nada. Dessa maneira, como é possível dizer que esses tipos de relaciona-

mentos são fundados em amor ou afirmar que o amor seja isso? Amor é intimidade, é ter interesse em conhecer os cantos mais longínquos de um coração. As suas dores mais ocultas, as suas alegrias mais gratuitas, os seus desejos mais ardentes. Amor é conhecer cada detalhe que forma o ser amado. O jeito como sorri, a forma como penteia os cabelos quando está com pressa, a piada que vai contar em determinada situação ou a maneira engraçada que canta enquanto está no chuveiro. Amor é ter profundidade, é saber de cada idiossincrasia que forma a singularidade daquele que amamos. É amar cada detalhe que torna essa pessoa única e insubstituível e que faz com que a amemos em cada suspiro da nossa alma. Amor é quando mesmo podendo voar, escolhemos ficar. Amor é jogar conversa fora enquanto os ponteiros dos relógios se juntam sem que possamos perceber. Amor é quando somos um, mas queremos ser dois. Amor é ir além da superficialidade e ter coragem de mergulhar em águas profundas. O que foge disso não é amor, é tão somente solidão compartilhada, que pode em alguns dias até afugentar o medo e a angústia, mas jamais trará a sensação de estar completamente vulnerável e ainda assim ter o seu coração terno, algo que só sentimos quando estabelecemos um espaço de conexão entre dois corações, onde há terra arada e adubada para que raízes de amor floresçam das sementes de coragem e poesia. 2018 - Nº 68 69


Trocando em Miúdos

Eduardo Siqueira *Professor Associado - College of Public and Community Service (CPCS) - UMass Boston

Volto a escrever de novo sobre a febre amarela porque conforme alertei em coluna anterior, a doença se alastrou por vários estados brasileiros em 2017, causando a morte, só em 2018, de 43 pessoas em Minas Gerais (17), São Paulo (14) e Rio de Janeiro (12). Quase metade das mortes em Minas Gerais ocorreram na Região Metropolitana de Belo Horizonte; em São Paulo, um pouco mais da metade (8 óbitos) ocorreu no município de Mariporã, localizado a 40 Km da capital. Além destes estados, a febre amarela está também causando mortes no Espírito Santo, Brasília, e Bahia. Nesta coluna tratarei de questões que não abordei antes, porque só havia enfocado o controle do mosquito Aedes aegypti.

É sabido há muito tempo no Brasil e no mundo que o principal método de controle de curto prazo de uma epidemia de febre amarela é a vacinação em massa da população urbana para evitar a expansão da doença de áreas silvestres para áreas urbanas. Quando há vacinação em massa, a população adqui-

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A crise da febre amarela revela o caos no sistema de saúde brasileiro re imunidade e a febre amarela não se dissemina mais, tanto em áreas urbanas quanto rurais. Nessas, entretanto, pode continuar matando macacos na sua versão silvestre. Para haver vacinação em massa, é óbvio que o Brasil tem que estocar vacinas contra a febre amarela para fazer uso delas quando necessário. Infelizmente, o que se viu nos últimos meses é que o Ministério da Saúde, atualmente dirigido por um ministro incompetente que tem grande interesse em privatizar serviços de saúde, não conseguiu lidar com a epidemia quando ela se esboçou no inverno de 2017. De lá para cá a situação piorou e as insuficiências estruturais do SUS estão escancaradas para toda a população brasileira. Por que a população teve que enfrentar enormes filas para se vacinar com um quinto da vacina, também chamada vacinação fracionada, comumente utilizada no país? Por que o Ministério da Saúde não foi capaz de preparar a resposta necessária para uma epidemia que começou em 2017? Por que o Brasil não produziu vacinas contra a febre amarela em quantidade suficiente? A resposta mais curta a estas perguntas é a crônica falta de verbas para o setor de saúde no Brasil durante pelo menos 40 anos e a enorme transferência de recursos para os banqueiros. O governo paga juros estratosféricos para satisfazer a ganância dos bancos e corta recursos essenciais para garantir o bem-estar da população. Portanto, não é surpresa que mais uma epidemia transmitida pelo mesmo mosquito cresceu e apareceu inclusive nos estados mais ricos do país. O Bio-Manguinhos, laboratório público do Ministério da Saúde faz parte

da Fiocruz, no Rio de Janeiro, e exporta milhões de doses da vacina para todo o mundo. Aliás, esse laboratório é o maior produtor de vacinas contra a febre amarela no mundo. O outro fabricante da vacina é o laboratório multinacional Sanofi, que tem sede na França. Segundo reportagem recente do site G1, enquanto a vacina produzida pela Fiocruz custa R$ 3.50 e é distribuída de graça para toda a rede do Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina produzida pela Sanofi é vendida por cerca de R$ 150.00 ao setor privado. No momento atual, há falta de ambas, mas quem de fato garante a produção de vacinas é o Bio-Manguinhos, sustentado por verbas federais. Em tempos normais, se exige vacinação apenas para as pessoas que vivem em áreas onde a febre amarela silvestre ocorre e para turistas que viajam para estas áreas. Havia suficiente produção e estoque de vacinas no Brasil para dar conta desta rotina. Porém, ficou claro desde o ano passado que o Brasil não estava preparado para situações de crise. Aliás, se trata de crise bastante previsível já que o mosquito também transmite os virus da dengue, Zika e chikungunya. Desde 2003 pesquisadores da Universidade de São Paulo alertaram sobre o perigo da reintrodução da febre amarela em áreas urbanas no estado de São Paulo (http://www.journals.usp. br/rsp/article/view/31618). Portanto, como escrevi antes, é um mosquito muito brasileiro e só com profundas mudanças nas políticas de saúde e no financiamento da saúde pública poderemos prevenir e controlar as epidemias que assolam o país nos últimos anos. Brazilian Magazine | 9


POLÍTICA

Flávio Perez Repórter Especial

Governo Trump pode mirar imigrantes que usam benefícios

O governo de Donald Trump está considerando dificultar que estrangeiros que vivem nos Estados Unidos recebam residência permanente caso tenham recebido certos benefícios públicos, como assistência alimentar, em uma ação que pode restringir acentuadamente a imigração legal. O Departamento de Segurança Nacional esboçou novas regras propostas vistas pela Reuters que irão permitir que autoridades da Imigração analisem o uso por parte de possíveis imigrantes de certos benefícios, financiados pelos contribuintes, para determinar se eles podem se tornar um fardo público. Por exemplo, autoridades dos EUA

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podem analisar se um solicitante inscreveu uma criança em programas pré-escolares do governo ou recebeu subsídios para contas de energia ou prêmios de seguro de saúde. As regras esboçadas são uma diferença acentuada das diretrizes atuais, que estão em vigor há quase duas décadas e especificamente proíbem autoridades de considerar benefícios

não monetários ao decidir a elegibilidade de uma pessoa para imigrar aos EUA ou permanecer no país. “Não-cidadãos (dos EUA) que recebem benefícios públicos não são autossuficientes e estão dependendo do governo dos EUA e de entidades estaduais e locais para recursos ao invés de suas famílias, patrocinadores ou organizações privadas”, diz o documento. Receber tais benefícios pode pesar contra um solicitante, mesmo se forem para crianças cidadãs norte-americanas filhas de imigrantes, de acordo com o documento. O esboço ainda não foi aprovado, e é apenas uma proposta atualmente.

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IMIGRAÇÃO |

Imigração formaliza regra de prisão de indocumentados na Cortes O Departamento de Imigração (ICE) emitiu um comunicado a todos os agentes federais do órgão sobre a prisão de imigrantes indocumentados nas Cortes federais, estaduais e municipais em todo o país. No documento, o órgão determina que agentes federais prendam imigrantes indocumentados procurados por estarem no país sem documento, mas a prisão não deve se estender às vitimas, testemunhas ou pequenos casos a serem resolvidos, geralmente, nas cortes de família e pequenas causas. O documento, obtido pela Brazilian Magazine, cita que as ações nas cortes se fazem necessárias devido a relutância de algumas polícias locais se recusarem a ter parceria com o governo federal para prender indocumentados. Ainda segundo a ordem do ICE, os agentes devem priorizar imigrantes com violação criminal, como membros de gangues, tráfico de drogas, os que tenham entrado nos Estados Unidos sem inspeção (pela fronteira), e os que reentraram no país após serem deportados. O documento também sugere aos agentes que evitem prisões em públicos, como na entrada ou saída públi-

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ca das cortes, e que limitem o tempo de permanência dentro dos prédios. No entanto, a diretiva deixa claro que isso não significa que os agentes não podem prender indocumentados acusados apenas de violações civis. “Cada caso deve ser analisado individualmente”, descreve o documento distribuídos para todos os agentes ao redor do país. Organizações de defesa de imigrantes estão denunciando publicamente casos em que os agentes federais es-

tão aguardando imigrantes fora das cortes, para então prendê-los. “Isso causa pavor geral, e afasta a possibilidade de imigrantes cooperarem com a polícia na investigação de crimes, ou denúncias de vítimas de violência doméstica”, disse Ronnie Miller, diretor-executivo do Irish International Immigrant Center, em Boston. Por determinação judicial, em Massachusetts, os agentes judiciários estão proibidos de prender imigrantes para entregá-los à Imigração.

Brazilian Magazine | 11


Direto da Redação

Marcony Almeida

Suprema Corte rejeita apelação de Trump para acabar com o DACA Os juízes da Suprema Corte dos EUA rejeitaram, hoje, o pedido de apelação do governo de Donald Trump para cancelar ordem judicial de Nova York e Califórnia e acabar com o programa conhecido como DACA, que protege de deportação estudantes imigrantes indocumentados que entraram no país ainda criança. O programa foi implementado pelo ex-presidente Barack Obama, mas Donald Trump anunciou que cancelaria a ordem executiva de seu antecessor e o DACA terminaria próximo dia 5 de março. Juízes federais de Nova York e Califórnia decidiram recentemente que o programa não deve expirar porque o governo federal não mostrou evidência suficiente que mostre que o programa prejudica o país. O Departamento de Justiça pediu então à Suprema Corte que cancelasse as ordens dos juízes e autorizasse o governo a terminar o programa em março, como determinado pelo Presidente. A decisão de hoje significa que o DACA deve continuar além de março, até que o processo de apelação do governo siga os trâmites judiciais nas cortes de apelação.

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Aumenta em 50% deportações de imigrantes nos EUA O Presidente Donald Trump está cumprindo sua promessa de campanha, pelo menos em relação a imigrantes indocumentados. Com o fechamento do ano fiscal federal, em outubro passado, os dados do governo mostram que o número de deportações aumentou 50% em relação ao ano anterior. Na Grande Boston, o US Immigration and Customs Enforcement prendeu 2.834 imigrantes, entre os meses de outubro de 2016 até 2017. No ano anterior, as apreensões chegaram a 1.858 pessoas presas. O aumento significativo dá-se pela triplicação do número de indocumentados presos que não tinha

nenhuma violação criminal, ou seja, estavam no país apenas com o prazo de permanência vencido. Os números oficiais mostram um total de 1.106 presos, comparado a 343 no ano anterior. Em pronunciamento à imprensa, o órgão disse que “continua priorizando indocumentados que representam risco para o país, principalmente aqueles com violação criminal”. No entanto, continua a nota, “ICE não exime nenhuma classe ou categoria para remoção. Todos aqueles encontrados violando as leis de imigração americana podem estar sujeitos à prisão e remoção do país”.

Presidente sugere armar professores para prevenir massacres em escolas

O Presidente americano, Donald Trump, disse hoje na Casa Branca que uma das soluções para prevenir futuros massacres em escolas americanas é comprar armas para professores.

Além disso, o chefe do executivo acredita que oferecer pagamento extra (bonus) para os docentes é outra forma de incentivá-los a receber treinamento para uso de armas de fogo. As sugestões de Trump foram duramente criticadas por professores e administradores escolares. O superintendente das escolas públicas de Boston, Tommy Chang (foto) definiu a ideia do Presidente de “ilógica”. “A simples noção de armar educadores para prevenir violência é ilógica e só serviria para gerar mais violência”, disse. “O problema não é trazer mais armas para as escolas, mas sim restringir o acesso e uso das mesmas por aqueles que nunca deveriam ter acesso à armas”. No Twitter, professores e educadores ao redor do país criticaram o pronunciamento do Presidente como irresponsável. 2018 - Nº 69


BM IN ENGLISH |

Too soon to declare “victory” despite 2017 drop in opioid deaths The number of opioid-related overdose deaths in Massachusetts fell an estimated 8.3 percent from 2016 to 2017, marking the first year-over-year decline in several years, the Department of Public Health announced last month, according to the State House News Service. A total of 1,977 people died of suspected or confirmed opioid overdoses in 2017, accounting for 178 fewer deaths than the 2,155 logged the previous year. From 2015 to 2016, the opioid overdose death rate increased 22 percent. “It is a promising trend that for the first time last year we saw overdose deaths actually decrease,” Health and Human Services Secretary Marylou Sudders said in a statement. “The report is a welcome development, however, there is so much more work to do to increase access to treatment - particularly for individuals who are Hispanic.” According to the DPH report, the rate of confirmed opioid-related overdose deaths for Hispanics doubled over a three-year period, from 15.6 deaths per 100,000 people in 2014 to 31.4 in 2016. A new state information campaign, which includes Spanish-language TV ads, targets Latino parents of teens in hopes of raising awareness about prescription opioid 14 | Brazilian Magazine

addiction and helping them learn to talk to their kids about the dangers of opioid misuse, the DPH said. Since 2013, there has been an increasing trend both in the percentage of opioid-related emergency medical service calls and in EMS calls involving administration of the overdose reversal drug naloxone, according to DPH data released Wednesday. The Department of Public Health’s data on EMS incidents in-

volving the administration of naloxone, also known as Narcan, show the number of such calls more than doubled from the 8,035 reported in 2013 to 18,355 in 2016. In the first three quarters of 2017, there were 13,785 EMS incidents involving naloxone, down slightly from the 13,917 in the same period of 2016, according to the DPH data. Governor Charlie Baker told reporters he would “not declare victory” over opioid addiction “until we get to the point where we don’t have multiple people dying every day here in the commonwealth of an overdose.” “Let’s face it, there’s still far too many people dealing with this horrible addiction and this epidemic and losing their lives to it, but at least after 15 years of nothing but really bad news, at least we did see a reduction,” Baker said. “Significant reduction in prescriptions, a drop in the number of people who died, and some leveling off in overdoses, and I think that does speak to many of our initiatives around prescription monitoring, provider education, prescriber education and more significant availability of Narcan and a series of other initiatives including eleven hundred more treatment beds and a big increase in state support for treatment generally, but we still have a long way to go on this one.” 2018 - Nº 68 69


Brazilian Magazine - Issue 69  
Brazilian Magazine - Issue 69  
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