Brazilian Magazine - N. 94

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2022 - V. 15 | N.94

Vencedora NE Ethnic Newswire Award 2008 Press Award 2010 | 2011 2012 | 2013

Promessas de legalização, problemas com deportação… Por que o brasileiro perde tanto dinheiro com advogados corruptos, e falsos?

Trocando em Miúdo A saúde mental dos trabalhadores durante e após a COVID-19

Falando com Martha O indizível pode até nos adoecer

Turismo

Salve, Salvador! Reduto da brasilidade a capital da Bahia encanta os visitantes



Direto da Redação

A Suprema Corte Judicial de Massachusetts (SJC) proibiu, no verão deste ano, o advogado de imigração George C. Maroun Jr. de exercer advocacia no estado por dois anos. E para readiquir a licença terá que passar por um

teste de ética legal, conforme determinou a juiza Elspeth B. Cypher. Ele deverá ainda restituir os clientes que enganou com processos falsos de asilo e outras petições imigratórias, em sua maioria brasileiros. Mas por que a comunidade perde tanto dinheiro com advogados desonestos, e com Expediente

“notários” que nem são profissionais de advocacia? Essa é a principal pergunta que nossa reportagem

Co-Editores Marcony Almeida & Mark Puleo

especial desta edição tenta responder. Há centenas, e até milhões de dólares perdidos, entregues

Repórter Especial em Nova York - Guest Writer Manoela Maia McGovern

àqueles que além de não conseguirem legalizar os

Repórter Especial - Guest Writer Wilson Smith

de deportação.

Colunistas Eduardo Siqueira Heloísa Galvão Zenita Almeida Elisa Tristan-Cheever Martha Vasconcellos Fabiano F

ainda o professor Eduardo Siqueira nos falando

Direção de Arte, Ilustrações e Publicidade Cícero Rodrigues

clientes indocumentados, os colocam em processo E esta edição está mais do que especial porque traz sobre a vida mental após a pandemia da COVID-19. Você acha que o seu emocional não foi atingido nestes últimos três anos? Acompanhe a coluna do professor para saber mais. E para abrilhantar ainda mais esta edição, tem também a Dra. Elisa Tristan-Cheever nos escrevendo

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um importante alerta para que não caiamos “na

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com um texto fantástico sobre aquelas coisas que

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onda dos outros”, em sua coluna É Bom Saber… Tem Martha Vasconcellos na coluna Falando com Martha não dizemos e guardamos dentro da gente. A BM tem ainda o jornalista e escritor Fabiano F. que nos traz diretamente do nosso portal web uma ótima reflexão sobre a frustração. E não poderia faltar a coluna It’s Fun to Be a Mom, da nossa correspondente em Nova York, Manoela McGovern, e ainda uma super matéria de Turismo levando você

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até a Bahia, com nosso repórter Wilson Smith.

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brazilianmagazine.net, e nas nossas mídias sociais

DIRETÓRIO BM Redação, publicidade e anúncios: 617-388-2865 / 617-417-6587 Advertisement & Press Room

2022 - Nº 94

4 e 5 Especial Promessas de legalização, problemas com deportação… 6 Trocando em Miúdos A saúde mental dos trabalhadores durante e após a COVID-19 7 7 É Bom Saber… Cada ser é único e não um protótipo de um robô ou marionete 8 It’s Fun to Be a Mom Gratidão, e muita diversão durante o outono em Nova York

ainda a nossa eterna Miss Brasil e Miss Universo,

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Nesta edição

Acompanhe ainda as notícias online no www. pelo Facebook, Twitter e Instagram, e a Brazilian Magazine TV no YouTube (www.YouTube.com/

9 Falando com Martha O indizível pode até nos adoecer 12 e 13 Turismo Salve, Salvador! 14 Pense Bem Frustração: nem tudo é como a gente quer 15 BM in English AG urges FDA to approve country’s first over-the-counter birth control pill

BrazilianMagazineTV). And don’t forget to check the

section BM in English! Marcony Almeida & Mark Puleo

Imagens que ilustram a capa e matéria: unplash e pixabay

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ESPECIAL | Marcony Almeida

Promessas de legalização, problemas com deportação… Por que o brasileiro perde tanto dinheiro com advogados corruptos, e notários?

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A Suprema Corte Judicial de Massachusetts (SJC) proibiu, no verão deste ano, o advogado de imigração George C. Maroun Jr. de exercer advocacia no estado por dois anos. E para readiquir a licença terá que passar por um teste de ética legal, conforme determinou a juiza Elspeth B. Cypher. Ele deverá ainda restituir os clientes que enganou com processos falsos de asilo e outras petições imigratórias, em sua maioria brasileiros. Mas por que a comunidade perde tanto dinheiro com advogados desonestos, e com “notários” que nem são profissionais de advocacia?

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m outubro de 2021, a Procuradora-Geral Maura Healey anunciou o resultado de um processo contra Maroun que durou anos, por executar um esquema de asilo na comunidade imigrante brasileira. Ele foi condenado pela justiça por desenvolver práticas injustas ou enganosas, e ordenado a pagar mais de US$ 240.000 em multas e restituição, e impedido de quaisquer futuros serviços de imigração ilegal. A ordem, emitida após um julgamento de 12 dias no Tribunal Superior de Middlesex, segue uma ação civil movida pela Procuradoria-Geral em 2018, alegando que George C. Maroun Jr. visava a comunidade imigrante brasileira e empregava rotineiramente práticas enganosas, e em violação da Lei de Defesa do Consumidor do estado. Maroun pratica a lei de imigração e mantinha escritórios de advocacia em vários locais, inclusive em Somerville, Woburn, Chelmsford e Stoneham. De acordo com o processo da Procuradoria-Geral, desde janeiro de 2013, Maroun apresentou petições e solicitações relacionadas à imigração em nome de mais de 1.000 residentes de Massachusetts, muitos dos quais são brasileiros e falam inglês limitado. A decisão da SJC segue recomendação e voto do Board of Bar Overseers (relativo a OAB no Brasil), que votou pela suspensão da licença advocatícia de Maroun Jr. em abril deste ano. Maroun é advogado formado, mas assim como eles existem muitos atualmente no mercado que fazem as mesmas ilegalidades que ele fez, e muitos deles contratando “assistentes brasileiras(os)” para enganar ainda mais os compatriotas. Por que o brasileiro “se deixa levar”? Segundo a advogada de imigração, Elizabeth Cannon, não são só os brasi-

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Lenita Reason, diretora-executiva do Centro do Trabalhador Brasileiro leiros que acreditam em advogados corruptos, e profissionais falsos. “Eu estou ativa em vários sites de Facebook e tem gente demais pedindo ajuda de pessoas que nem são advogados”, disse Cannon. A realidade é que tem muito advogado que não merece a licença que tem, não tem interesse em ajudar o imigrante, e outros que realmente nem sabem o que estão fazendo”, acrescenta. E Cannon diz ainda, “costumo ouvir de pessoas que ‘escultaram’ um de um amigo que aquela pessoa ‘ajudou muito’ e não entende talvez que o caso que eles têm é muito mais complicado, e que o ‘notário’ não vai fazer um trabalho correto”. Praticar lei de imigração sem a devida licença é ilegal, e além disso, o advogado licenciado que cobra quantias absurdas e não fazem o serviço, ou fazem documentação falsa, também quebram a lei. “É um crime, e se você está fazendo algo com essa pessoa, está trabalhando com um criminoso - e tem que entender que existe um risco com isso”, lembra a advogada Cannon. Órgãos como a Procuradoria-Geral de Massachusetts e a Boston Bar Association podem ajudar com reclamações de “notários” ou advogados inescrupulosos.

É dificil encontrar, no entanto, uma explicação plausível do porque o brasileiro perde tanto dinheiro com advogados corruptos e falsos advogados. O Centro do Trabalhador Brasileiro informa que um dos modos de precaver as fraudes tem sido buscar com cuidado por indicação de profissionais para a comunidade. “Antes de indicar um advogado entramos em contato com o profissional para saber sobre a experiência dele, quais as áreas que ele atende e avisamos que iremos indicá-lo para alguém da comunidade”, explica a diretora-executiva da instituição, Lenita Reason. “Também dizemos que se, futuramente, a pessoa nos procurar fazendo uma reclamação, entraremos em contato para saber se houve algum mal entendido, se a queixa procede, ou se o advogado não fez o que deveria ser feito”, acrescenta. Reason explica ainda que em muitas situações, culturalmente, a comunidade brasileira confia em alguém que tem um diploma. Há também pessoas que não têm um diploma, mas têm um conhecimento muito grande, se dizem doutor e por isso as pessoas confiam. “Muitas vezes, o notário não se apresenta como notário e sim como um advogado. E o que temos visto são pessoas sendo enganadas por acreditarem que quem tem um diploma vai fazer tudo certo. Há pessoas que ouvem algo que atende suas expectativas e por isso confiam e pagam pelo atendimento, sem mesmo saber se vai dar certo”, analisa. É preciso ficar atento porque mesmo um advogado tendo diploma, pode ser que sua licença já tenha sido cassada em outro estado e ele continua enganando as pessoas com muitas promessas. “Nossa sugestão é que a comunidade procure organizações que indiquem um profissional de confiança, pois se caso houver algum problema futuro, eles poderão recorrer”, finaliza a diretoria do Centro. Brazilian Magazine | 5


Trocando em Miúdos

Eduardo Siqueira *Professor Associado - College of Public and Community Service (CPCS) - UMass Boston

A saúde mental dos trabalhadores durante e após a COVID-19

Relatório recente publicado pelo Cirurgião-Geral dos Estados Unidos fornece dados estarrecedores sobre a saúde mental dos trabalhadores americanos nos últimos dois anos. Inquéritos feitos em 2021 revelam que 76% dos entrevistados responderam que sofreram um sintoma de doença; 84% relataram que suas condições de trabalho contribuíram para pelo menos um sintoma; e 81% afirmaram que vão buscar empregos que promovam a saúde mental no futuro.

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m outras palavras, a saúde mental dos trabalhadores foi e continua sendo muito afetada pelas condições de trabalho. Os resultados dessas pesquisas tornaram claro para a autoridade máxima de saúde pública dos Estados Unidos, o Doutor dos Estados Unidos, como onde e como se trabalha são fundamentais para a saúde mental. Traduzindo para o nosso dia a dia, trabalho saudável e satisfatório faz bem para a saúde mental, enquanto trabalho perigoso e ruim faz muito mal!! Embora essa conclusão pareça óbvia para muitos, infelizmente grande número de pessoas não associa a sua saúde mental como influenciada pelo trabalho ou emprego. Aprendi essa lição há muito tempo quando ainda era estudante de medicina no Rio de Janeiro. E como tudo no Rio acaba dando samba, repito aqui parte da letra de um samba que ouvi em uma quadra de bloco de carnaval: “...Mas que trabalho é esse que mandaram me chamar, se for para carregar pedra, não adianta eu não vou lá.” Se a relação entre condições de trabalho, saúde mental, e bem-estar é tão importante, o que os empregadores ou patrões devem fazer para melhorá-las? Segundo o Cirurgião-Geral, cinco princípios essenciais devem ser observados: Não causar danos, isto é, criar condições de trabalho seguras para saúde física 6 | Brazilian Magazine

e psicológica, e bem-estar. Segurança no trabalho significa proteger os trabalhadores contra danos físicos e não físicos, incluindo doenças, lesões, discriminação, e assédio moral ou sexual. Além disso, trata-se de garantir que trabalhadores se sintam seguros financeiramente e no seu futuro como trabalhadores. Ter conexão e comunidade no trabalho, isto é, o ambiente de trabalho deve favorecer interações positivas e relacionamentos que apoiem o bem-estar do trabalhador. Aqui se trata de sentir-se aceito como parte do coletivo de trabalhadores e ter redes de apoio e relações que possam oferecer ajuda física e psicológica, e que possa diminuir sentimentos de isolamento e solidão. Criar harmonia entre trabalho e vida familiar, isto é, a vida profissional e pessoal podem criar conflitos relacionados ou não ao trabalho. A integração entre demandas do trabalho com outras demandas depende da autonomia dos trabalhadores e flexibilidade do trabalho. Trabalho bom tem que dar autonomia ou controle aos trabalhadores e flexibilidade nos turnos, horários, e locais de trabalho. Valorizar os trabalhadores, isto é, as pessoas gostam de saber que elas importam para os que estão ao seu redor e que o trabalho delas tem importância. Quando os trabalhadores sabem que são impor-

tantes tem menos stress; quando sentem que não tem importância para seus patrões, tem risco maior de depressão. Trabalho digno e valorizado são necessidades essenciais dos seres humanos. Quando não se é respeitado como trabalhador, o risco de adoecer aumenta. Comento aqui que quando escuto tanta preocupação com depressão na comunidade brasileira, tendo estudado e ouvido de muitos que o trabalhador brasileiro imigrante em Massachusetts comumente não é respeitado nem valorizado, tenho certeza de que as más condições de trabalho contribuem negativamente para a saúde mental dos brasileiros. Criar oportunidades para crescimento e realizações. Quando empregadores criam mais oportunidades para trabalhadores alcançar objetivos baseados nas suas habilidades e seu crescimento, os trabalhadores se tornam mais otimistas sobre suas capacidades e mais entusiasmados para contribuir para as empresas onde trabalham. Todos nós temos necessidade de aprender e nos sentirmos realizados no trabalho. Trabalho monótono e repetitivo, no qual somos tratados como auxiliares ou complementos de máquinas ou equipamentos, onde não aprendemos nada de novo que nos faça crescer e alcançar novas realizações, faz muito mal à saúde mental. Embora há muito tempo já se sabe que esses princípios são fundamentais para um trabalhador e trabalho saudável, a pandemia da COVID-19 deixou claro para muitos trabalhadores que é melhor parar de trabalhar em um emprego que não faz bem do que continuar no emprego e adoecer. A tal escassez de mão de obra nos Estados Unidos com certeza está associada com essa percepção dos trabalhadores. Acredite quem quiser!!! 2022 - Nº 94


É bom saber…

Dra. Elisa Tristan-Cheever

Cada ser é único e não um protótipo de um robô ou marionete

Todos lembramos durante a campanha eleitoral brasileira a fala machista, degradante, sobre adolescentes venezuelanas “arrumadinhas” que seriam sinônimo de prostituição. Deixando de lado a politicagem, sabemos que palavras podem ajudar ou totalmente destruir uma pessoa, quanto mais falando-se de adolescentes e pré-adolescentes.

S

em contar a opinião alheia que machuca e dói, palavras destrutivas, estigmas, percepções erradas podem acabar de minar a confiança e o amor-próprio desses que estão caminhando para a idade adulta. E ainda temos a mídia social caluniando e comentando, causando um impacto ainda maior nesses “menines”. Sofre o adolescente, a família e amigos, sofre a comunidade. Dessa maneira criamos uma ansiedade desnecessária, ajudamos a deprimir a esta população, principalmente os mais novos. A adolescência já e um período desafiante de descobertas e desafios. Ainda, o adolescente pode apresentar um comportamento que varia do mais agressivo até o mais retraido. Sabemos que como pais erramos muitas vezes na educação de nossos filhotes. Afinal, não se nasce com um

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manual de ensino, mas após as nossas próprias experiências, podemos notar que algumas coisas não devem ser ditas nessa idade e que sim orientação e até certa disciplina também seria necessária. É a época de se enfatizar e apreciar cada esforço e de relembrar aos que necessitam que esforços são necessários para vencer, para estudar, para ter uma vida melhor. É o período de deixar dar algumas cabeçadas, mas sabendo que a família está presente para apoiar e ajudar. E não para alguém querer enfiar minhoquinhas na sua cabeça e acabar de vez com os seus planos e sonhos. Como podemos avaliar o outro, a uma criança em desenvolvimento pelo prisma da malícia, do desrespeito e até por causa de como fomos criados? Intolerância, discriminação, assédio, ódio não devem ser usados NUNCA contra outro ser humano,

quanto mais referindo-se a crianças, adolescentes, pessoas incapacitadas ou idosas. Gravei o que Robin Sharma escreveu, “Palavras podem inspirar e palavras podem destruir. Escolha bem as suas”. Isso mesmo, estamos para trazer positividade para este mundo, não para julgar e acabar com a autoestima de ninguém! É vergonhoso presenciar que em pleno século 21 ainda não aprendemos a ser sábios e calar quando preciso for! Vamos encorajar os nossos adolescentes a crescerem de forma adequada, aceitando, valorizando e respeitando as diferenças e não se enganado com más palavras proferidas por aqueles que só querem viver do sofrimento do outro. Que sejam adultos conscientes, empoderados e que ajudem a outros a serem também. Que possam expressar as suas ideias, mas que possam entender críticas construtivas para que aprendam e tenham a maturidade para tomar as suas decisões corretamente. Que salvem o que ainda resta do planeta Terra não somente com “posts”, mas com ações e atitudes. Depende de cada um de nós o futuro de nossos filhos e netos. Que entendam que palavras ao léu podem ser daninhas e terem consequências. E que cada pessoa possa se arrumar, se sentir bem e ser feliz, independente do que políticos e a sociedade querem que seja. Cada ser é único e não um protótipo de um robô ou marionete nas mãos de outros. Brazilian Magazine | 7


It’s Fun to Be a Mom | Manoela Maia McGovern

Manoela Maia McGovern Repórter Especial em Nova York

Gratidão, e muita diversão durante o outono em Nova York

O outono é uma das épocas mais bonitas para se visitar Nova York. A folhagem multicolorida das árvores e as abóboras por toda parte, mostram que a estação chegou na big apple. Além disso, o clima começa a esfriar à medida que as famílias vão apple picking e se preparam para o feriado do Thanksgiving.

A

s árvores dos parques e estradas do estado parecem uma pintura quando estão mudando de cor. O verde das folhas vira amarelo, laranja, vermelho e dependendo da posição do sol, até dourado. Definitivamente um cenário de tirar o fôlego. Talvez por isso, o motivo das muitas sessões de fotos facilmente avistadas nos parques da cidade e, também, a razão de muitos casamentos acontecerem durante a estação. Afinal, todo mundo merece ter uma foto com a família jogando folhas coloridas para o alto. Mas à medida que as folhas caem e o clima esfria, as pessoas começam a se agasalhar e, os cafés e padarias iniciam a produção das tradicionais delícias feitas de abóboras, maçãs e muita canela. Isso porque é a temporada delas e muita gente espera ansiosamente o ano todo por esse momento. São tortas, cafés saborizados, panquecas, drinks e itens de pastelarias feitos especialmente para a temporada. Sem falar que algumas famílias fazem questão de ir

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pegar as suas próprias abóboras nas fazendas das redondezas para decorar a frente das suas casas. As pessoas também se divertem com a tradição de ir apple picking, ou seja colher maçãs nas fazendas mais próximas da cidade. Esse é um costume muito bacana entre os americanos que geralmente acontece entre o fim de setembro e começo de outubro. Na entrada do pomar, os valores das sacolas são de acordo com o tamanho, você escolhe a que quer e sai em busca das maçãs. No pomar, é permitido fazer picnic e comer quantas maçãs desejar. Tem gente que garante que isso ajuda muito na hora de escolher de qual árvore você colher as que vai levar para casa. A variedade é grande. São vários tipos, tamanhos e cores. Tem as que servem para fazer tortas e bolos, e também, que são mais doces e servem para consumo. Nessa mesma época é impossível se esquecer do Thanksgiving, Dia de Ação de Graças. E falando em Thanksgiving, virou moda há uns

anos o Friendsgiving, obviamente a junção da palavra “friends” com Thanksgiving, onde o feriado de Ação de Graças é comemorado no mesmo dia ou nao, mas apenas com os seus amigos, ao invés da família. No Thanksgiving as famílias se reúnem com uma grande ceia para confraternizar e agradecer por tudo que tem. Muitas pessoas enviam cartões para os amigos e familiares dizendo o quanto são gratos por eles existirem. A ceia do feriado de Ação de Graças tem que ter peru e, na maioria das vezes também tem o mais americano de todos, o mac and cheese e o mais controverso de todos, a batata doce com marshmallows gratinados por cima. E lembra das abóboras? Elas viram tortas, e muitas outras sobremesas indispensáveis durante a comemoração. O feriado é uma homenagem aos primeiros colonos e nativos americanos que se reuniram para comemorar uma enorme colheita que ficou para a história. E mesmo quem não nasceu nos EUA, acaba incorporando o costume. Afinal, quem não quer parar um pouco a correria do dia a dia e agradecer por tudo que tem, como saúde, amigos e parentes? Portanto, seja colhendo maçãs, pulando nos montes de folhas secas com a criançada ou, até mesmo em casa bebendo algum drink quente em frente da lareira, o outono sempre será a estação das tradições mais doces e divertidas para compartilhar com os amigos e familiares. 2022 - Nº 94


Falando com Martha

Martha Vasconcellos

Psicóloga, com Mestrado nos EUA, e Miss Universo 1968. Última brasileira a ganhar o título de mulher mais bela do mundo.

O indizível pode até nos adoecer

Indizível, de acordo com o dicionário de definições Oxford Languages, significa o que não deve ser traduzido em palavras. O que foge ao esperado, o que é extraordinário ou incomum, o impossível de se descrever. Palavra muito utilizada na poesia e no amor, também é traduzida na emoção de ter a ilusão de sentir a beleza e algumas vezes se refere ao sagrado. Na minha humilde opinião, o indizível pode estar também reprimido no nosso inconsciente, ou seja, em uma parte da nossa mente que não temos acesso, ou seja, no “Id”. O indizível algumas vezes aflora a consciência e por sabedoria ou talvez precaução, não achamos conveniente deixar escapar e colocamos na prateleira do que está recalcado ou escondido.

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indizível pode ser alguma coisa que pensamos durante uma conversa ou argumentação e que por precaução, sabedoria ou até mesmo por educação, devemos reter no nosso pensamento, ficando de boca fechada. Se pensamos mal de alguém ou se temos uma opinião controversa em uma reunião social melhor mesmo será sairmos do grupo e conversar com o indivíduo com que temos uma questão separadamente. Para nos sentirmos melhores conosco mesmo, podemos até avisar ao grupo que pensamos diferente.

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O indizível também pode ser um ato que presenciamos ou vivenciamos quando da infância é que se torna uma lembrança indesejável e traumática, ficando assim colocada “embaixo do tapete” do recalque. Para sobrevivermos psicologicamente, optamos por encobri-la, escondendo-a no nosso inconsciente, no ID, ao mesmo tempo que a cobrimos com uma espécie de véu imaginário. É como se tivéssemos um depósito com uma porta, colocamos lá o que nos traumatiza e nos incomoda nesse nosso depósito mental e fechando hermeticamente essa porta. Va-

mos pensar que a frase, com sua entonação, sustente a lembrança encobridora. Ela seria então a insistência da memória e da imagem, que se torna Indizível. O indizível na maioria das vezes nos adoece. Freud descobriu o indizível ao tratar suas clientes histéricas, com o que ele chamou de “Talking Cure” ou a “Cura pela Palavra”. Desenvolvemos as doenças chamadas psicossomáticas, tão conhecidas dos médicos como persistentes, porque a causa ou carga da emoção não foi drenada e evacuada para fora do nosso sistema. Para nos livrarmos dessa enorme carga de energia, precisamos de ajuda de um profissional da área psique. As doenças psicossomáticas se apresentam fisicamente de infinitas maneiras. Ao nos livrarmos da carga de energia, nos livramos também dos efeitos e da doença. E que a cada dia guardemos menos traumas ou sujeiras embaixo do nosso tapete psíquico, para termos mais equilíbrio e saúde. De certo, não podemos abrir a boca e dizer tudo que sentimos e pensamos, pois vivemos em sociedade, mas devemos procurar pessoas ou um grupo que nos aceite por semelhança de maneira de pensar. Vamos afastar da nossa convivência tudo que nos faz mal. Com essa atitude, reconheço que ficamos cada dia mais isolados, mas é o preço que pagamos pela nossa sanidade mental. Brazilian Magazine | 9


Participe na conversa

Massachusetts será muito diferente em 2050, causando mudanças nas necessidades de transporte das pessoas. Beyond Mobility é uma iniciativa de planeamento a longo prazo do Departamento de Transportes de Massachusetts com o objetivo de saber de você sobre as suas necessidades e prioridades de transporte. Faça parte do futuro de Massachusetts. Escaneie o código para participar ou visite mass.gov/Beyond-Mobility para mais informações.


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TURISMO | Wilson Smith

Salve, Salvador! Reduto da brasilidade a capital da Bahia encanta os visitantes pela rica cultura e incontáveis belezas naturais Praias, festas tradicionais, vasta gastronomia, igrejas e construções seculares. Salvador, é a capital da Bahia, o território que emana brasilidade garante diversos atrativos turísticos para que o viajante tenha uma imersão cultural na cidade. A influência portuguesa ainda é bastante presente em Salvador. O município foi fundado em 1554 e, pela localização próxima ao mar, até 1763 foi a capital do Brasil, está localizada no Nordeste do país e tem uma extensão de 693 km².

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uitos bairros e ruas apresentam características arquitetônicas da época do Brasil colônia. Por isso, os aspectos europeus são bem perceptíveis por todo o território. Então, visitar esse destino é conectar-se com o passado. Atualmente, a região recebe turistas nacionais e internacionais para explorar detalhes da cultura baiana. Salvador tem o maior percentual de negros do Brasil e agrega o maior número de descendentes africanos do mundo, sendo assim um local de conecção ancestral para muitos. Quem nasce em Salvador é soteropolitano, gentílico que nomeia um povo alegre e acolhedor. Entre os destaques que não podem faltar no itinerário da viagem estão:

Farol da Barra Símbolo de Salvador, o Farol da Barra é imperdível por diversos motivos como, por exemplo, o fato de abrigar o Museu Náutico e uma exposição de artefatos de navegação e de um naufrágio, ocorrido em 1668; por ser o farol mais antigo do continente americano, com a construção finalizada em 1698; e por sua vista capaz de deixar qualquer um apaixonado. Além disso, esse importante ponto histórico também é rodeado por uma praia de águas mansas, translúcidas e quentes. Elevador Lacerda Ligando a cidade alta e a cidade baixa desde 1873, o Elevador Lacerda tem 73,5 metros de altura e uma vista inesquecí2022 - Nº 94


Fotos Roger Silva

vel. Com quatro cabines, o percurso dura 22 segundos e é perfeito para aqueles que querem descer do Pelourinho para o Mercado Modelo ou vice-versa. Atenção, antes de embarcar vale apreciar a vista com o Forte de São Marcelo ao fundo e a Baía de Todos-os-Santos Pelourinho Dispondo de uma vista sensacional para o mar e fixado no alto de um paredão de pedras, o Pelourinho foi construído para ser um local de defesa da cidade logo que ela foi fundada, em 1549. Repleto de construções históricas, principalmente dos séculos 17 e 18, o point abriga ícones como, por exemplo, a Igreja de São Francisco, toda banhada em ouro. Tombada como Patrimônio da Humanidade pela Unesco, a região ainda apresenta diversas manifestações culturais, que fazem suas apresentações ou têm suas sedes ali, como é o caso do Olodum, um dos grupos de música afro mais tradicionais do país. 2022 - Nº 94

Dique do Tororó Único manancial natural da cidade de Salvador tombado pelo IPHAN, o Dique do Tororó é um dos cartões postais de Salvador e bastante popular entre os moradores. Passeios arborizados, pistas de corrida, decks de pesca, raias para remo, pedalinhos, restaurantes, anfiteatro, playground e as lindas esculturas que representam os Orixás do Candomblé, assinadas pelo artista plástico Tati Moreno, flutuam no espelho d’água da lagoa conferindo especial beleza ao Dique. Defronte à Arena Fonte Nova, um passeio lindo de dia e especialmente charmoso no final da tarde e noite, quando a iluminação da lagoa é acionada. Basílica Nosso Senhor do Bonfim Oficialmente chamada de Santuário Senhor do Bonfim, a igreja é de 1772 e digna dos holofotes. Um dos principais cartões-postais da capital baiana, neste local acontece a Lavagem do Bon-

fim, evento memorável que marca a lavagem das escadas pelas baianas com água de cheiro e muita alegria. Por fim, esse endereço também é famoso pelas fitinhas coloridas amarradas em seu portão. Solar do Unhão Um dos mais belos conjuntos arquitetônicos às margens da Baía de Todos os Santos, o Solar do Unhão atualmente sedia o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM), considerado o principal espaço para a arte contemporânea do estado e um dos mais importantes do país. O local ainda possui uma exposição externa e oferece diversos eventos artístico e culturais. Quem visita o Solar do Unhão pode aproveitar um restaurante com mesas ao ar livre e apreciar um pôr do sol fantástico. Com paisagens paradisíacas e excelente estrutura hoteleira, o Estado baiano tem uma imensa extensão litorânea e muito a oferecer aos seus visitantes. Brazilian Magazine | 13


Pense Bem

Fabiano F. Repórter Especial

Frustração: nem tudo é como a gente quer

É difícil aceitar. A gente reluta, tenta controlar, manipular e persuadir, e nisso gastamos rios de energia… Mas a verdade é uma só: nem tudo é como a gente quer. O outro não é como a gente quer, o chefe não é como a gente quer, o governo não é como a gente quer, o “sistema” não é como a gente quer. Nem nós mesmos somos do jeitinho que projetamos em nossa mente.

Q

uando amadurecemos de verdade (e isso pode ser bem custoso e demorar um bom tempo), percebemos que o mundo não é tão “comercial de margarina” como já pintaram para a gente. A vida é como é: recheada de momentos bons e outros bem ruins, alegrias e tristezas, saúde e perrengues, dinheiro no bolso em um dia e, no outro, conta negativa no banco, amores sinceros e desafetos ferrenhos. Os governos, a publicidade, as religiões e até aquele nosso vizinho mais despretensioso insistem em nos “vender” um mundo perfeitinho que não existe na realidade. A vida não é justa e é difícil aceitar isso. Mas tudo bem, o mundo não foi feito para nos servir: somos nós que lutamos para nos encaixar nele. Não, caro leitor, este texto não é para desencorajá-lo ou colocá-lo para baixo. O que proponho é uma reflexão

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começamos a viver em uma atmosfera mais real, e não naquela paralela que construímos e, ao mesmo tempo, alimenta-nos nas redes virtuais. Nos últimos tempos, tenho vivido uma experiência de observação profunda dos comportamentos, acontecimentos e da maneira como respondemos aos mais diversos de[1]safios da vida humana. Estou de fato muito satisfeito com as novas janelas de pensamento e interpretação que estão se abrindo por meio desse exercício. É reconfortante entender que nem tudo é do jeito que a gente quer. Em alguns momentos pode ser até muito melhor do que a gente queria. O que não dá certo agora encontra explicação no futuro. O que não funciona hoje tem um sentido maior lá na frente. A vida é um pouco mais profunda sobre nossas sábia, o Universo é perfeito. Ainda bem que nem tudo é como expectativas e a realidade dos fatos. Demorou muito tempo para cair minha fi- imaginamos, pois, muitas vezes, queremos coisas que a cha de que “nem princípio parecem ser tudo é como a boas e essenciais, mas gente quer”. Prique, tempos depois, meiro sonhamos, percebemos que não depois trabalhaDemorou muito passavam de bobagens mos (e muito), que em nada iriam nos pl a ne j a mos e tempo para cair agregar. projetamos. minha ficha de Que continuemos a Vamos à luta, sonhar, planejar, projegastamos nosso que “nem tudo é tar e esperar. Mas que capital de hucomo a gente quer”. também saibamos lidar manidade nos com as reviravoltas que mais diversos Primeiro sonhamos, a vida dá e aceitar que projetos, causas depois trabalhamos é preciso deixar espae ações e, de reço para o inesperado pente, boom!: acontecer. Tudo pode percebemos que ser bem melhor do que é preciso reajusachávamos que pudestar as expectativas, reconhecer limitações, valorizar se ser. Mas para isso precisamos nos o que antes passava batido e, aí sim, preparar. Dá trabalho, mas vale a pena. 2022 - Nº 94


BM IN ENGLISH |

AG urges FDA to approve country’s first over-the-counter birth control pill Massachusetts Attorney General Maura Healey joined a coalition of 20 attorneys general in calling on the U.S. Food and Drug Administration (FDA) to approve the country’s first overthe-counter birth control pill. The coalition states that making birth control available without a prescription will improve access to safe and timely contraception for millions of people in the United States.

T

he FDA is currently reviewing an application to approve a birth control pill, named Opill, for over-the-counter use. In a comment letter submitted to the FDA, the coalition states that approving an over-the-counter birth control pill will reduce barriers to contraception, giving people agency and helping them reduce unintended pregnancies, which are associated with poor health and economic outcomes. “One in three adults face obstacles in accessing safe and timely prescription contraception, and these barriers are even greater for vulnerable communities,” said AG Healey. “Making birth control available over-the-counter will go a long way toward empowering people to take control of their health, their lives, and their future.” The attorneys general specifically say Opill should be approved because:

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It has been found to be safe and effective for most users. Birth control pills, including Opill, have been used safely for decades and are the most popular non-permanent birth control method in the United States. Nearly 37 percent of all women ages 18-49 have used the birth control pill in the last year with minimal side effects. The nation’s major medical organizations – including The American College of Obstetricians and Gynecologists, the American Medical Association, and the American Academy of Family Physicians — all agree that birth control pills, like Opill, are generally safe and support making Opill available over-the-counter. It would remove barriers to obtaining birth control faced by vulnerable populations. One-third of adults in the U.S. who have ever tried to obtain prescription contraception have reported accessing barriers, including getting an appointment, having to travel for clinic visits, navigating restrictions on the amount they can buy monthly, or obtaining the contraception before their prescription expires. Furthermore,

one-third of birth control users say they have missed taking their birth control because they could not get their next supply in time. These barriers disproportionately impact people of color, low-income people, transgender and nonbinary people, and individuals living in rural areas, who are more likely to be underinsured or uninsured. The coalition states that making birth control available over-the-counter will help reduce these barriers, which in turn will improve physical and mental health and economic outcomes, particularly in vulnerable populations, and lower maternal mortality rates associated with unintended pregnancies. The attorneys general also write that, in the wake of the U.S. Supreme Court’s decision overturning Roe v. Wade earlier this year, many states have banned or restricted abortion care, narrowing the choices for those seeking reproductive care and making access to birth control even more critical nationwide, including for residents of Massachusetts who may be traveling, living, working, or studying in anti-abortion states. Brazilian Magazine 2022 - Nº| 91 15