Brazilian Magazine - issue 93

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2022 - V. 15 | N.93

Vencedora NE Ethnic Newswire Award 2008 Press Award 2010 | 2011 2012 | 2013

Grupos republicanos conseguem incluir questão para voto nas eleições de novembro. E lei poderá ser revogada.

Palavras de Mulher

Consumismo traz felicidade?

It’s Fun to be a Mom

COVID-19 e as recomendações na volta às aulas

Turismo

Marechal Deodoro, um match entre mar, arquitetura colonial e muita história



Direto da Redação

Expediente

Co-Editores Marcony Almeida & Mark Puleo Repórter Especial em Nova York - Guest Writer Manoela Maia McGovern Repórter Especial - Guest Writer Wilson Smith Colunistas Eduardo Siqueira Heloísa Galvão Zenita Almeida Elisa Tristan-Cheever Martha Vasconcellos Fabiano F Direção de Arte, Ilustrações e Publicidade Cícero Rodrigues A Brazilian Magazine é uma publicação da empresa The Brazilian Journal, INC. Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião da Brazilian Magazine, sendo inteiramente de responsabilidade de seus autores. OPINE A Brazilian Magazine quer muito saber sua opinião. Envie comentários com nome completo e pelo menos duas formas de contato (telefone, e-mail, endereço) para The Brazilian Journal Magazine, P.O. Box 490543, Everett, MA 02149. Ou envie e-mail para: info@brazilianmagazine.net

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2022 - Nº 93

Os imigrantes indocumentados em Massachusetts estão contando os dias para, finalmente, conseguir a tão sonhada carteira de motorista e dirigir livremente, sem medo de ser parados pela polícia no estado, correto? Depois que os legisladores aprovaram a “lei da carteira”, a euforia pela espera de chegar julho do próximo ano tomou conta de todos. No entanto, mesmo com a lei aprovada, uma nova barreira poderá colocar fim ao sonho e revogar a tão sonhada lei. Grupos anti-imigrantes se mobilizaram para levar o texto a referendo eleitoral nas eleições de novembro próximo visando revogar o que já foi aprovado. Referendo, como isso funciona? Acompanhe na reportagem especial desta edição. E nossos leitores terão ainda a jornalista Heloisa Galvão em sua coluna Pensando em Nossos Dias nos alertando sobre o voto do brasileiro no exterior para as próximas eleições brasileiras, e americanas. O professor Eduardo Siqueira traz um texto fantástico sobre a nova tão discutida varíola do macaco. O que é? A gente precisa se precaver? Nossos leitores e leitoras terão ainda o prazer de ler reflexões na coluna Palavras de Mulher, com a jornalista Zenita Almeida nos escrevendo sobre o grande problema que o consumismo exagerado pode nos trazer. E como não poderia faltar, a Dra. Elisa Tristan-Cheever nos brinda em sua coluna É Bom Saber… com um alerta aos nossos compatriotas e o famoso “jeitinho brasileiro”. E a revista tem ainda uma reportagem da nossa correspondente em Nova York, Manoela McGovern, sobre o perigo e precaução que os pais precisam ter e ficar alertas com a volta dos filhos às aulas, e o COVID-19 que ainda anda por aí. E como não poderia faltar, a editoria Turismo com nosso correspondente no Brasil, Wilson Smith, nos levando a outro passeio magnífico num paraíso brasileiro. E é claro, a nossa eterna Miss Brasil e Miss Universo, Martha Vasconcellos, na coluna Falando com Martha, dando-nos uma “warning” sobre a degradação humana. Vira a página aí, e corre pra ler porque esta edição está imperdível! Acompanhe ainda as notícias online no www. brazilianmagazine.net, e nas nossas mídias sociais pelo Facebook, Twitter e Instagram, e a Brazilian Magazine TV no YouTube (www.YouTube.com/ BrazilianMagazineTV). And don’t forget to check the section BM in English! Marcony Almeida & Mark Puleo

Nesta edição 4 e 5 Especial Referendo definirá futuro da carteira de motorista em Massachusetts 6 Trocando em Miúdos E a Varíola do Macaco ou Monkeypox? O que precisamos saber sobre ela? 7 É Bom Saber… Pare com o “jeitinho brasileiro” na américa! 8 Palavras de Mulher Consumismo traz felicidade? 9 Falando com Martha Degradação humana 11 Pensando em Nossos Dias… Brasileiro no exterior também tem voto 12 e 13 Turismo Marechal Deodoro, um match entre mar, arquitetura colonial e muita história 14 It’s Fun to Be a Mom COVID-19 e as recomendações na volta às aulas

Imagens que ilustram a capa e as matéria: pinteres.com

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ESPECIAL | Marcony Almeida

Referendo definirá futuro da carteira de motorista em Massachusetts Grupos republicanos conseguem incluir questão para voto nas eleições de novembro. E lei poderá ser revogada.

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Os imigrantes indocumentados estão contando os dias para chegar julho de 2023 e conseguir receber a tão sonhada carteira de motorista de Massachusetts, não é? Pois é, mas uma grande barreira, agora, tenta impedir a realização do sonho. A campanha para revogar a nova lei através de um referendo na eleição de 8 de novembro chegou à sua reta final com vitória para os grupos anti-imigrantes e o Partido Republicano, que conseguiram o número de assinaturas suficientes de eleitores para levarem a questão às urnas. Se a maioria dos eleitores do estado disserem não, a lei será revogada jogando por água abaixo os planos de obter o tão almejado documento.

“Fomos informados pelo gabinete do secretário de estado que temos o número de assinaturas qualificadas que precisamos para a inclusão da questão nas cédulas”, disse à imprensa Wendy Wakeman, administradora do comitê Fair And Secure Massachusetts. Eles precisavam reunir 40,000 assinaturas de eleitores para criar o referendo. Foi uma reviravolta apertada para a coleta de assinaturas, que começou em junho, depois que o Legislativo anulou o veto do governador Charlie Baker à chamada Lei de Mobilidade de Trabalho e Família (H 4805). A lei deve entrar em vigor em 1º de julho de 2023, quando todos os residentes de Massachusetts maiores de idade - independentemente do status de imigração - estarão qualificados para solicitar carteiras de motorista padrão. Para imigrantes sem status legal, vários documentos ainda serão necessários para provar identidade, data de nascimento e residência no estado. O porta-voz da Aliança Fiscal de Massachusetts, Paul Diego Craney, elogiou o “marco” da campanha de revogação em um comunicado como prova de que “o processo de referendo é uma tática viável que pode ser usada no futuro para manter os políticos da Câmara do Estado responsáveis perante o público”. Por que revogar a lei? A Constituição de Massachusetts autoriza cidadãos a revogarem leis aprovadas pelos legisladores através de referendo eleitoral. Para isso, eles precisam coletar pelo menos 40 mil assinaturas certificadas de eleitores. Dado este pas2022 - Nº 93

Geoff Diehl, republicano candidato a governador so, o próximo é colocar a questão para todos os demais eleitores. Como a próxima eleição acontecerá em 8 novembro, a pergunta vai entrar na cédula de votação para os votantes escolherem. Se a maioria dos eleitores que votarem dia 8 disserem sim, que a nova lei deve ser revolgada, os legisladores não terão escolha, e a revogação acontecerá antes mesmo que os documentos tenham sigo emitidos pela Register of Motor Vehicle. Wendy Wakeman, que está liderando a campanha junto com o presidente do Partido Republicano em Massachusetts, Jim Lyons, e o candidato republicano a governador Geoff Diehl, teve o filho morto por um imigrante que estava dirigindo sem a carteira de motorista. Desde aquele dia ela se juntou a qualquer campanha que favoreça imigrantes indocumentados. Mas a luta ainda não está perdida, é o que afirma uma das líderes da campanha em prol do documento para o imigrante, a diretora-executiva do Cen-

tro do Trabalhador Brasileiro, Lenita Reason. “Eu sempre digo para nossa comunidade que é preciso que nos mantenhamos unidos e fortes. Nenhuma luta é fácil, a lei da carteira de motorista, por exemplo, demorou 20 anos para ser aprovada, mas nós conseguimos, muitos já não acreditavam que seria possível”, disse Reason. “Ouvi muitas vezes que a carteira de motorista não sairia do papel e hoje é lei! Nossa comunidade precisa estar junta nesta luta, para que juntos possamos vencer mais esta batalha. Há uma célebre frase que diz: ‘a única luta que se perde é a que se abandona’, e nós não abandonamos a luta nunca”, acrescentou. Outra líder comunitária brasileira concorda com Reason, e culpa aqueles que mentem contra imigrantes. “Essa iniciativa de tentar impedir todos os residentes do estado de terem uma carteira de motorista é a campanha mais sórdida e mesquinha que eu já vi. Está baseada em mentiras e ódio, e eu culpo o Governador Baker por dar asas a mentira de que se indocumentados tirarem uma carta de motorista vão se alistar para votar, e votar”, disse a diretora-executiva do Grupo Mulher Brasileira, Heloísa Galvão. “Isso é uma mentira, e ele sabe que é mentira. Além disso ele já declarou que vai votar a favor de cancelar a lei. Não deve ter nada mais importante no estado para ele tratar!”, afirmou Galvão. Os republicanos prometem investir milhões de dólares em propagandas em TV, rádio e mídias sociais para convencer os eleitores a revogarem a lei. E aqueles que são a favor de manter a lei em vigor vão precisar fazer o mesmo. Brazilian Magazine | 5


Trocando em Miúdos

Eduardo Siqueira *Professor Associado - College of Public and Community Service (CPCS) - UMass Boston

E a Varíola do Macaco ou Monkeypox? O que precisamos saber sobre ela?

A varíola do macaco está hoje presente em mais de 90 países e já foram contados mais de 32,000 casos, com quase um terço deles nos Estados Unidos. Em 23 de julho a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou o vírus como emergência mundial de saúde pública e em 4 de agosto o Presidente Biden declarou a varíola do macaco com emergência de saúde pública. Essa varíola tem causado preocupação porque o vírus é da mesma família da varíola humana que foi erradicada há décadas. Os sintomas são parecidos, mas mais leves.

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varíola do macaco se transmite diretamente ou indiretamente por fluidos do corpo ou lesões da pele como cicatrizes ou erupções e por contatos com objetos, tecidos de roupas, toalhas ou lençóis, e superfícies contaminadas que foram usadas por alguém com a doença. Ainda não se sabe se pode ser transmitida por esperma, urina, fezes, ou fluidos vaginais. Já há suspeita de transmissão por aerossóis ou gotículas respiratórias (tosse ou espirro) durante contato cara a cara prolongado, porém essa não é forma mais comum do vírus se transmitir de pessoa a pessoa. Grávidas podem transmitir o vírus para fetos via a placenta. Essa varíola pode ser transmitida de animais para seres humanos e vice-versa caso haja contato íntimo. Os sintomas e sinais incluem erupção na pele, talvez com bolhas ou espinhas dolorosas ou que coçam, nos órgãos genitais ou perto deles (pênis, testículos, vagina) ou ânus, mas que podem também estar nas mãos, pés, peito, face ou boca. Pessoas com a varíola do macaco podem ter febre, calafrios, gânglios linfáticos inchados, cansaço, dores muscula-

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res e nas costas, dor de cabeça e sintomas respiratórios como garganta inflamada, nariz entupido ou tosse. Podem também sentir sintomas parecidos com a gripe e uma vermelhidão na pele até 3 semanas depois da exposição ao vírus. Uma pessoa com a varíola do macaco pode transmitir o vírus desde que os sintomas começam até que a erupção da pele feche e uma nova camada da pele se forme. A doença tipicamente dura 2 a 4 semanas. A maioria das pessoas que tem a varíola do macaco se recupera dentro de 2 a 4 semanas mesmo sem tratamento médico. Atualmente não existe tratamento específico para essa varíola. Entretanto, remédios antivirais para a varíola humana talvez possam ser úteis. O Tecovirimat (TPOXX), aprovado nos Estados Unidos para o tratamento da varíola humana talvez seja recomendado para aqueles que podem ter casos graves, como os que tem alguma deficiência imunológica. Embora exista uma vacina para a varíola humana, ainda não se sabe se ela também protege contra a varíola do macaco quando uma pessoa se vacina antes de se

expor ao vírus ou depois da exposição e por quanto tempo a proteção dura. A vacinação antes da exposição é recomendada para pessoas em certas profissões porque estão provavelmente expostas, como trabalhadores em laboratórios e profissionais de serviços de saúde. A vacinação depois de uma exposição conhecida ou presumida, idealmente dentro de 4 dias após a exposição ao vírus, é recomendada para os que tiveram exposição ao vírus e para aqueles que tem maior probabilidade de ficar doente, isto é, pessoas que tem alguns fatores de risco e experiências recentes que os tornam mais prováveis de terem sido expostos. Em resumo, ainda não se trata de vacinação em massa para todos. A vacina preferida é a JYNNEOS, administrada em duas doses. Demora 14 dias para que se obtenha proteção máxima depois da segunda dose. A ACAM2000 é uma vacina de dose única que leva 14 dias depois da vacinação para se obter a máxima proteção, mas pode causar mais efeitos colaterais. O Centro de Controle de Doenças e Prevenção (CDC) dos Estados Unidos recomenda que trabalhadores devem se proteger da infecção pelo vírus evitando contatos próximos com a pele de alguém que tem a varíola do macaco. Ainda não se sabe muito sobre a doença para termos certeza de tudo que é necessário saber para controlá-la. O que sim sabemos é que será preciso muito investimento do governo dos EUA para educar a população e financiar pesquisas para obtermos vacinas eficazes e novos tratamentos. Conforme escrevi antes em outras colunas, viveremos novas pandemias e essa da varíola do macaco é a mais nova. Felizmente, até agora não se mostrou tão séria quanto a COVID-19. Sigamos alertas! 2022 - Nº 93


É bom saber…

Dra. Elisa Tristan-Cheever

Pare com o “jeitinho brasileiro” na américa!

Todos os dias nos deparamos com notícias sobre a COVID-19, a varíola do macaco, suicídios, acidentes de carros, deportações e por aí vai. E cada dia vemos que muitas dessas situações poderiam ter sido prevenidas através do “combo” educação, recursos, apoio das autoridades/governo e da disposição individual de cada um na comunidade.

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acinas são importantíssimas e a ciência mostra por A+B que surtem efeito e protegem. Mas de nada valem se as pessoas não as recebem ou impedem e boicotam outros a usar as mesmas. E se falamos da COVID, nada acontece se também não se tiver a boa vontade e cuidado com o outro, lavando ou usando álcool em gel nas mãos e se isolando e usando máscara, se doente, para evitar contaminar outras pessoas. Se parares para pensar sobre a varíola do macaco, vale a mesma regra, se o indivíduo está com problemas de saúde, com erupções cutâneas, feridas, por que você vai querer se envolver com outros se o seu instinto e o seu próprio corpo dão sinais de que não estão bem? Entendemos que muitos ficam 2022 - Nº 93

à deriva devido a falta de apoio de políticas sociais que permitam que se possa receber o salário se estiver doente, e não o que infelizmente vemos muito, trabalhadores enfermos se matando trabalhando exaustivamente por não receberem benefícios e não terem o “luxo” de tirar os dias de folga. Luxo, que na verdade é direito de todo ser humano, e se enquadra nos requisitos para se ter uma vida digna e saudável e com acesso a condições vitais, incluindo poder se afastar, quando necessário, para tratar uma doença. Contudo, existem também casos onde não se segue o que deve ser pregado e impera a vontade de dar um “jeitinho brasileiro”. Pessoal, não se pode estar neste país e em muitos outros achando que é um

Brasil sem lei, e que para tudo há um quebra-galho. Se dirigiu bêbado e foi pego, vai pagar. Se agrediu o parceiro ou parceira, vai dar polícia. Se abusou, não existe como fugir. Se atacou, entrou numa briga e feriu alguém, nem se fala! O respeito ao outro e às leis não deveria ser definido como algo de um país ou estado e sim algo universal. Enquanto tantos lutam para ter um lugar ao sol e sonham com a documentação para poder ir e vir sem problemas, outros acabam denegrindo e arrasando todo esforço de muitos que vem tentando sobreviver nos EUA e que tentam fazer as coisas da melhor maneira possível. O tal do “jeitinho” aqui não dá. E não é apenas uma questão de leis, mas de ter bom senso. Você gostaria que alguém chegasse na sua casa já fazendo algazarra, se sentindo dono do pedaço? Ou você ainda pensa que tem que passar a perna no outro para poder ser um vitorioso? Pára com isso! Temos organizações comunitárias e tantos compatriotas que estão para te apoiar e dividir conhecimento com você. Porém, quem escolhe o caminho que quer seguir e decide o padrão de vida é você! Cai-Cai, turista, documentado ou não, cada um tem a sua história e pode reescrevê-la ou mudá-la e escrever uma nova vida a partir de hoje. Pense bem antes de fazer uma tolice pois consequências estarão batendo a sua porta quanto menos esperar. Brazilian Magazine | 7


Palavras de Mulher

Zenita Almeida Jornalista e consultora em cerimonial e eventos

Consumismo traz felicidade?

Sair comprando como se não houvesse boletos no amanhã, é mesmo capaz de trazer felicidade? Quem nunca sucumbiu ao desejo de comprar alguma coisa porque se encantou com aquilo ou porque o preço estava atraente demais para perder a oportunidade? Não tem como negar que fazer compras é muito satisfatório. Quem nunca sucumbiu ao desejo de comprar alguma coisa porque se encantou com aquilo ou porque o preço estava atraente demais para perder a oportunidade? Não tem como negar que fazer compras é muito satisfatório.

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e acordo com Denize Svi, psicóloga e especialista em Ciência da Felicidade, de fato o consumismo desencadeia uma sensação de bem-estar, mas ele, por si só, não faz ninguém feliz, pelo contrário, ele pode configurar uma fuga. Muitas pessoas consomem para mascarar frustrações. “Consumir, em si, não é o problema. Todos nós precisamos dos mais variados produtos e serviços para suprir as necessidades da nossa vida cotidiana, o problema é quando passamos dos limites, adquirimos coisas a mais, sem precisar, compramos por impulso ou para sentir satisfação”, afirma. Comprar por impulso é um ato difícil de controlar porque o mercado de consumo induz à necessidade de ter, possuir, obter, ostentar, impondo, cotidianamente, novos produtos que oferecem todo tipo de vantagens: conforto, praticidade, satisfação, beleza, exclusividade e até felicidade, e os anúncios do marketing contribuem muito para essa necessidade de consumo. No entanto, quando chegam as faturas dos cartões, a felicidade acaba e vira pesadelo. Segundo a psicóloga, estado de felicidade não depende de consumo e constitui um pensamento equivocado, o ato de 8 | Brazilian Magazine

adquirir algo não abrange fatores cognitivos importantes, como amor, carinho, saúde mental e física, entre outros tantos requisitos necessários para se obter ou alcançar a felicidade. Falar de felicidade é desafiador, ainda mais com as emoções colocadas a prova ao longo dos últimos dois anos. O tema é bastante subjetivo e de difícil mensuração. Somos mais de 7 bilhões de pessoas no mundo e cada um tem um conceito próprio de felicidade. Não há nada de errado em consumir, mas dependendo da frequência desse consumo, se a todo instante você sente necessidade de adquirir novos produtos, isso é considerado consumismo. O consumismo é um perigo para a saúde mental, porque estimula a inveja, a autodepreciação e a ânsia de querer além do que precisa. Há mulheres que compram todos lançamentos de bolsas, trocam constantemente de celulares cada ano. Isso é necessidade ou ostentação? Comprar desenfreadamente pode se caracterizar numa doença chamada oneomania, classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um transtorno do controle de impulso. Dra. Denize Savi, listou algumas dicas para evitar compras por impulso:

Dê uma voltinha. Antes de comprar questione se você realmente precisa daquilo. Uma dica é dar um tempo para pensar melhor na compra. Se estiver num shopping vá dar uma volta e se estiver na internet feche o site e vá fazer outra coisa. As chances de você voltar na loja são mínimas. A não ser que você realmente precise daquele produto. Compre pela manhã De acordo com um estudo publicado na revista científica Proceeding of the National Academy of Sciences comprar pela manhã pode ajudar a reduzir o tempo de permanência na loja e evitar as tentações expostas nas vitrines, muitas das decisões tomadas por impulso têm relação com a fadiga decorrente das diferentes atividades realizadas ao longo do dia. Planeje seus sonhos Uma solução que pode ajudar muito a frear o impulso de compra desnecessária é planejar o futuro e a realização de sonhos. Quando colocamos nossos sonhos no papel e fazemos um planejamento financeiro para realizá-los, ficamos muito mais conscientes com os nossos gastos. Como por exemplo, uma viajem, uma casa nova, uma transição de carreira. Metas grandiosas como essas exigem bastante responsabilidade e disciplina com o orçamento. Ajude o próximo De acordo com estudos, se envolver em causas sociais também estimula o centro de recompensa do cérebro. Dessa forma, você pode substituir uma tarde no shopping por uma tarde fazendo sopão para moradores de rua ou lendo historinhas para crianças num orfanato. A satisfação será muito maior do que comprar algo de que você não está precisando. 2022 - Nº 93


Falando com Martha

Martha Vasconcellos

Psicóloga, com Mestrado nos EUA, e Miss Universo 1968. Última brasileira a ganhar o título de mulher mais bela do mundo.

Degradação humana

Na maioria das vezes em que assisto ao noticiário da TV fico pensando a que nível nós, os humanos, estamos nos degradando. Penso na beleza da natureza criada por Deus e em nós, humanos. Como nossa natureza humana está vinculada com a ação de destruir tudo que está à nossa volta. Penso que podemos estar vinculados com a pulsão de morte, ou seja, com o que descreve Freud sobre o desejo inconsciente de voltar ao estado inanimado, ou a morte.

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á sabemos que somos partícipes da erosão e destruição das florestas, rios, mares e ar. Não querendo ser radical, também penso na nossa evolução através das criações de ordem tecnológicas e avanços biológicos. Será que com nossa inteligência e capacidade seremos também competentes para restaurar a ordem de tudo que destruímos? Penso na nossa degradação, depravação moral e ética. Deus nos deu o livre arbítrio, mas, parece-me que estamos sempre preferindo caminhar na dire2022 - Nº 93

ção do que é mal, pulsão ou desejo, desde Eva ou Lilith, com a tentação da maçã. Vemos nós, humanos, muito interessados em seguir os caminhos das perversões: além da destruição da natureza, também a degradação do Espírito. Estamos sempre almejando o poder imaginário que pensamos que o dinheiro e a posição social nos darão. Políticos inescrupulosos se elegendo com a aprovação e discurso do que acredito que venham das trevas, sem o que entendo por moral e ética. Perversões sexuais,

antes muito veladas para a privacidade da família, agora vindo ao conhecimento de todos, o que acho até que seja válido, para ficarmos alertas aos comportamentos de nossas crianças, quando pedem na linguagem delas, por socorro. Na verdade, não sei qual será nosso limite. Acredito que de tempos em tempos temos que nos reciclar, para recomeçarmos tudo outra vez, vendo se aprendemos as lições com nosso passado e se evoluiremos das barbáries humanas. “Que Deus nos guarde!” Brazilian Magazine | 9


Participe na conversa

Massachusetts será muito diferente em 2050, causando mudanças nas necessidades de transporte das pessoas. Beyond Mobility é uma iniciativa de planeamento a longo prazo do Departamento de Transportes de Massachusetts com o objetivo de saber de você sobre as suas necessidades e prioridades de transporte. Faça parte do futuro de Massachusetts. Escaneie o código para participar ou visite mass.gov/Beyond-Mobility para mais informações.


Pensando em Nossos Dias

Heloísa Galvão Jornalista e Diretora-Executiva do Grupo Mulher Brasileira

Brasileiro no exterior também tem voto

No domingo 2 de outubro, brasileiras e brasileiros vão às urnas para escolher seus representantes nos poderes Executivo e Legislativo, governadores, prefeitos e vereadores. Nós, que vivemos no exterior, só podemos votar para Presidente da República, o que é injusto pois deputados e senadores fazem leis que nos afetam.

E nós temos número suficiente para eleger toda uma bancada! Dados do Tribunal Superior Eleitoral, de 15 de julho último, atestam que 697.078 brasileiros e brasileiras estão aptos a votar no exterior, um aumento de 39.21% em relação às eleições presidenciais de 2018. Comparado a 2014, o número de eleitores aumentou 96.81% (354.184). Dado espantoso. Será que entre 2014 e 2022 o número de brasileiros emigrando aumentou quase 100%? Ou será que a consciência do direito cívico falou mais forte? Para mim a questão principal é: o governo brasileiro não acompanhou 2022 - Nº 93

esse crescimento e não criou condições para ampliar o número de urnas no exterior. Resultado, muitos não votam porque não têm como chegar ao local de votação. Na jurisdição do consulado de Boston, por exemplo, cerca de 37 mil estão aptos a votar em apenas duas zonas eleitorais, Malden e Framingham. Quer dizer, tem gente que vai dirigir horas e ficar na fila mais horas. Será que vai? Eu chamo isso de supressão de voto. Vejamos agora a discrepância em relação ao número de imigrantes brasileiros. O Migration Policy Institute, organização que pretende

melhorar políticas de imigração e de integração através de pesquisa e análise, cita que entre 2010 e 2019 a população brasileira nos Estados Unidos cresceu 50%, passando de 340 mil para 502 mil. De acordo com a patrulha da fronteira, em 2016, 3.100 brasileiros foram pegos tentando entrar nos Estados Unidos. Em 2021, esse número explodiu para 57 mil. Os números da imigração são razoavelmente confiáveis mas os dados relativos a número de imigrantes são do Censo, e nós sabemos que muitos em nossa comunidade não respondem ao Censo. Por exemplo, na distribuição de cidades de destino dos imigrantes, a área metropolitana de MA-NH teria 57 mil brasileiros e a área de Worcester outros 10 mil. Quem acredita que MA e NH têm 67 mil brasileiros? E se 67 mil responderam ao Censo, quantos não responderam? Mas o ponto que quero fazer aqui é o seguinte: Independente de números e de zonas eleitorais ou de quanto tempo vamos ficar na fila, nós temos de votar dia 2 de outubro. Essa é a eleição mais importante da história do Brasil e temos de votar sabendo em quem votamos. Não tem desculpa de dizer que se iludiu porque os dois candidatos com chances de se eleger já exerceram a Presidência, e nós sabemos exatamente quais são suas políticas. Brazilian Magazine | 11


TURISMO | Wilson Smith

Marechal Deodoro, um match entre mar, arquitetura colonial e muita história As ruas com construções históricas e a Praia do Francês formam um combo inesquecível para os turistas que visitam a região O município de Marechal Deodoro é um destino que marcou a história de Alagoas e do Brasil, já que foi a primeira capital da então província do Estado, é o berço de nascimento do primeiro presidente do Brasil, que dá o nome a cidade. Em sua formação arquitetônica está um conjunto colonial composto por igrejas, sobrados e coloridas casas do século 18. O acervo dessas construções coroou a cidade com o título de Patrimônio Histórico Nacional em 2006, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e passou a integrar o roteiro das cidades nordestinas do Brasil colonial. 12 | Brazilian Magazine

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importante destacar que a cidade reúne um rico patrimônio material e também imaterial, no que concerne à formação cultural do município em questão. Merece destaque especial o importante complexo do Centro Histórico de Marechal Deodoro, formado por igrejas, conventos e museus; e no âmbito imaterial destaque para os trabalhos das rendeiras da cidade, que são encontrados no Espaço Cultural Santa Maria Madalena e sua rica gastronomia. Entre as construções históricas vale a visita ao Museu de Arte Sacra, o Con-

vento de São Francisco e a igreja de Santa Maria Madalena, o conjunto do Carmo foi totalmente restaurado. Completam o roteiro as igrejas do Senhor do Bonfim e a de Nossa Senhora do Amparo; e o Palácio Provinciano. Também está preservada a casa onde nasceu o primeiro presidente brasileiro. As belezas naturais A natureza presenteou o Município, que abriga a concorrida praia do Francês. Com mar calmo - no trecho protegido por recifes - que vai do verde claro ao 2022 - Nº 93


azul intenso - tons tão variados quanto seu público, composto por turistas e moradores que movimentam a região o ano inteiro. É uma das praias mais conhecidas de Alagoas, que fica apenas 20 quilômetros de Maceió. Uma faixa da praia do lado esquerdo é protegida por recifes que formam piscinas naturais, os passeios de barco com fundo de vidro ou de jangada que levam os visitantes até os recifes são experiências únicas que agradam bastante os turistas,. outras opções de entretenimento também são possíveis, como por exemplo, o aluguel de caiaques, de pranchas de stand up paddle e de equipamentos para snorkeling. Os adeptos do jet-ski e dos esportes à vela também podem desfrutar das águas mornas. Já o rústico lado direito da enseada é o point dos surfistas, tomado por ondas fortes e emoldurada por coqueiros, mais afastada do agito, a área garante um ambiente mais calmo. Boa parte dos turistas ficam hospedados em Maceió e visitam a praia, mas a praia do Francês dispõe de boa infraestrutura de pousadas, restaurantes e lo-

jas. Uma vez hospedado na região, vale também visitar a praia do Saco da Pedra, uma reserva natural repleta de piscinas naturais, barracas simples e um visual encantador. Ainda entre os highlights de Marechal Deodoro está a vila de pescadores de Massagueira, ótima opção para um

almoço pós-praia regado a muitos frutos do mar. O polo gastronômico também é famoso por suas doceiras, composto por barracas que dispõem de quitutes preparados artesanalmente. As cocadas são a maioria, mas não aparecem apenas nas versões originais - branca e coco queimado, sabores como banana, goiaba, maracujá, jaca e amendoim encantam os paladares. Marechal Deodoro acaba se destacando pela riqueza cultural, significativamente marcada pela cultura barroca nas construções, sem contar na vasta cultura imaterial, responsável pelos diferentes saberes manuais que se perpetuam em todo estado de Alagoas. Marechal é uma daquelas pequenas cidades onde você pode encontrar o que é de melhor para um turista, cultura, história, praias e lagoas, são atributos difíceis de explorar em um único dia, entretanto você pode escolher por onde começar, no pacato centro histórico-cultural ou diretamente com o pé na areia de suas praias e lagoas, não importa onde começar, o difícil será sair de lá do mesmo jeito que chegou. Fotos Roger Silva

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It’s Fun to Be a Mom | Manoela Maia McGovern

Manoela Maia McGovern Repórter Especial em Nova York

COVID-19 e as recomendações na volta às aulas

Com o início do ano letivo e o outono se aproximando, o que acaba aumentando o número de doenças infecciosas entre as crianças, pais e responsáveis estão naturalmente preocupados de os filhos terem um retorno seguro à escola. Já são quase três anos de pandemia e, mesmo a situação sendo muito melhor hoje com a maioria da população vacinada e os médicos mais preparados para tratar a COVID-19, novas variantes estão surgindo trazendo questionamentos sobre o assunto novamente como o uso de máscaras nas escolas.

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uitas cidades dos Estados Unidos já retornaram às aulas, e nos estados de Nova York e Massachusetts os alunos voltaram na primeira semana do mês de setembro, após o feriado do dia do trabalhador, o Labor Day. No país, já são mais de 93 milhões de casos, com cerca de um milhão de vítimas fatais. Só em Nova York, 70 mil pessoas morreram entre os quase

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seis milhões de casos da doença. Já no Brasil, o número total de pessoas contaminadas até agora é de um pouco mais de 34 milhões, com quase 700 mil vítimas fatais. Todos nós sabemos que as crianças são menos propensas a serem infectadas do que os adultos e, que além disso, o número de mortes e hospitalizações é bem menor na faixa etária dos menores

de 18 anos. No entanto, isso não impede de que exista uma cautela sobre como lidar com a situação de uma maneira mais segura. A médica pediatra e vice-presidente da Americares, Julie Varughese diz que para proteger a família da infecção por COVID-19 é preciso ter uma abordagem que envolve vários fatores. Primeiro, para evitar casos agudos da COVID-19 2022 - Nº 93


é preciso manter-se sempre atualizado com a vacina, que é extremamente útil para evitar que as crianças fiquem gravemente doentes. “Agora, nos EUA todas as crianças acima de 6 meses podem receber a vacina contra COVID-19. E crianças com 5 anos ou mais, além de poderem ser vacinadas também podem receber uma dose de reforço 5 meses após o término das duas primeiras doses. Ou 3 meses depois, se tiverem alguma doença autoimmune”, relata Dr. Varughese. A doutora Julie Varughese diz também que além das vacinas, os pais devem incentivar os filhos a lavar as mãos com frequência na escola e mantê-los em casa quando estiverem doentes. Além da vacinação, usar máscaras em ambientes internos e públicos é outra medida importante para ajudar a reduzir a infecção e prevenir doenças graves. O SARS-CoV 2 é um vírus respiratório e o uso de máscaras pode reduzir a disseminação do vírus que é transmitido pelo nariz e a boca. “Se seu filho estiver indo para a escola em uma área que tenha um alto índice de casos de COVID-19, ou se alguém morando na mesma casa for idoso ou tiver uma saúde fragilizada, como por exemplo, tiver alguma doença autoimune, o CDC - Centro de controle de doenças dos EUA - recomenda que a criança use máscara em espaços internos, principalmente na escola porque isso irá oferecer uma maior proteção contra uma possível infecção por COVID-19, embora elas possam optar por usar mesmo sem a influência desses fatores”, afirma. A médica pediatra conta que os requisitos de uso de máscara variam de estado para estado e de distrito escolar para distrito escolar. Portanto, seria necessário primeiro verificar quais são as regras da escola do seu filho. Ainda na escola, outra questão relevante entre os pais são as atividades extracurriculares. A novaiorquina, médica e mãe de duas filhas em idade escolar, Ruth Sarmiento, fala da importância das crianças voltarem a ter uma vida o mais normal possível. “Eu sou a favor das minhas filhas se envolverem em atividades extracurriculares, com certeza! Mas, 2022 - Nº 93

quem não estiver se sentindo 100% seguro, pode optar por uma atividade ao ar livre, por exemplo. Vale lembrar que essa opção se tornará um pouco difícil à medida em que o tempo começar a esfriar com o inverno chegando. Nesse caso, eu diria que seria interessante considerar o uso de máscara para ambientes internos. Mas acredito que este vírus não vai a lugar nenhum. Existem outros coronavírus circulando que causam doenças respiratórias como o resfriado comum, e do mesmo jeito que todos os anos lidamos com a gripe, agora estamos aprendendo a conviver com o SARS-CoV2”, diz Ruth. Ela ainda desabafa dizendo que é preciso que os pais tomem precauções para mitigar riscos da doença, mas que isso não impeça dos filhos aproveitarem os poucos anos que eles têm na infância para crescer, explorar e prosperar. Já no Brasil, assim como nos EUA, o médico infectopediatra Victor Horácio, também reforça a importância de da máscara e de ficar atualizado com o calendário de vacinação. “Se pegarem o vírus as crianças podem até desenvolver a doença, mas se estiverem vacinadas não vão ter a forma grave da doença. Ressalto a importância das famílias vacinarem seus filhos para impedirem a forma grave da doença e evitar um desfecho desfavorável, que seria o óbito. Portanto, vacinem seus filhos”, recomenda Horácio. O médico menciona também que algumas

medidas ajudam na prevenção de uma possível contaminação da COVID-19. “Dependendo da taxa epidemiológica da cidade, comportamentos como o do uso do álcool gel e da máscara, podem evitar que as pessoas sejam contaminadas. E além disso, a gente sabe que hoje a tendência é você ter cada vez mais frouxidão das medidas de contenção e isolamento pelas autoridades, mas na medida do possível é importante evitar a aglomeração. Nós temos consciência que número de casos tende a diminuir, e já está diminuindo, mas ao mesmo tempo a gente sabe que a pandemia ainda não acabou”, finaliza. Portanto, cabe aos pais e responsáveis usarem o bom senso no retorno às aulas. Se a criança já tiver sido vacinada há mais de 5 meses, já pode tomar a dose de reforço para garantir uma proteção maior contra a COVID-19. Se ainda não tiver recebido a vacina, seria de extrema importância seguir as recomendações da maioria dos médicos, do CDC e também da Organização Mundial da Saúde de usar máscara, manter o distanciamento social e o uso do álcool gel, para evitar contaminação de um possível quadro grave da doença. Afinal, mesmo sabendo da importância da ciência e das pesquisas, no fim sabemos que cada indivíduo quer o melhor para os seus filhos e cuida deles como acha mais prudente, especialmente no retorno às aulas. Brazilian Magazine | 15