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2021 - V. 14 | N.88

Vencedora NE Ethnic Newswire Award 2008 Press Award 2010 | 2011 2012 | 2013

Governo Biden muda estratégia de prisão de trabalhadores imigrantes

Falando com Martha E que a virtude nos salve

Direto da Redação

Senador acusa brasileiros de cruzarem a fronteira com roupas de marca e bolsas da Gucci

BM in English

Brockton bakery to pay restitution and penalties and revise anti-discrimination policies


Grupo Espírita Caminho, Verdade e Vida

Allan Kardec Spiritist Society of Massachusetts Segundas

Quartas-feiras

7h às 8h da noite (Palestras Públicas e Passes – Português)

7h às 8h da noite (Palestras Públicas e Passes – Português e Inglês)

6h às 7h da noite (Atendimento Fraterno)

6h às 7h da noite (Atendimento Fraterno)

Quintas-feiras 7h às 8:30h da noite (Aulas do Estudo da Doutrina Espírita) As reuniões são presenciais

Todos são bem-vindos!

Sábados

10h às 11h da manhã (Atendimento Fraterno) 11h da manhã ao Meio-Dia (Palestras Públicas e Passes – Português) Evangelização Infantil e Mocidade

“Nascer, viver, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei”, Allan Kardec

www.akssma.com info@akssma.com

2 Elm Street Malden, MA 02148 (617) 657-3288


Direto da Redação

Expediente

Co-Editores Marcony Almeida & Mark Puleo Repórter Especial em Nova York - Guest Writer Manoela Maia McGovern Repórter Especial & Coordenador de Eventos - Guest Writer Fabiano Latham Colunistas Eduardo Siqueira Heloísa Galvão Zenita Almeida Elisa Tristan-Cheever Martha Vasconcellos Direção de Arte, Ilustrações e Publicidade Cícero Rodrigues

A Brazilian Magazine é uma publicação da empresa The Brazilian Journal, INC. Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião da Brazilian Magazine, sendo inteiramente de responsabilidade de seus autores. OPINE A Brazilian Magazine quer muito saber sua opinião. Envie comentários com nome completo e pelo menos duas formas de contato (telefone, e-mail, endereço) para The Brazilian Journal Magazine, P.O. Box 490543, Everett, MA 02149. Ou envie e-mail para: info@brazilianmagazine.net

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2021 - Nº 88

Imagina estar dentro do ambiente do trabalho e, de repente, chegam os agentes de imigração americana pedindo os documentos de todo mundo? Pois é, essa cena era corriqueira durante o governo do exPresidente Donald Trump. As chamadas “batidas de imigração” ocorriam nas grandes fábricas e empresas ao redor dos Estados Unidos. Mas agora a prioridade é outra. Na reportagem especial desta edição trazemos os detalhes do anúncio do governo Joe Biden que suspendeu as “batidas” e disse que o foco agora não será o trabalhador indocumentado que está no batente pra sustentar a família, mas sim os patrões que não pagam salários e exploram a mão-de-obra imigrante. Acompanhe! E na coluna Direto da Redação há várias notícias, e com destaque o senador de South Carolina que disse que os brasileiros cruzando a fronteira com o México não são mais pobres, e estão chegando aos Estados Unidos já vestidos com roupas de marca e bolsas Gucci. Acredita? Em Trocando em Miúdos, o professor Eduardo Siqueira traz duas convidadas e o início de uma super pesquisa sobre os brasileiros e a vacinação contra o COVID-19. E aí, os brasileiros querem ou não se vacinar? Confira na Coluna. E a jornalista Heloísa Galvão nos escreve sobre dois grandes momentos à nossa frente, as eleições americanas e brasileiras no ano que vem. Já pensou no impacto que as duas trarão às nossas vidas? E a Dra. Elisa Tristan-Cheever nos chama a uma pausa no COVID-19, mas nos alerta sobre os cuidados com a gripe nesta época de inverno. E nossos leitores e leitoras não podem perder ainda a coluna Falando com Martha, um texto sensacional da nossa eterna Miss Universo baiana. Acompanhe ainda as notícias online no www.brazilianmagazine.net, e nas nossas mídias sociais pelo Facebook, Twitter e Instagram. And don’t forget to check the section BM in English! Marcony Almeida & Mark Puleo

Nesta edição 4 e 5 Especial Indocumentados no trabalho não são mais prioridades 6 É Bom Saber… E tem também a gripe 9 Falando com Martha E que a virtude nos salve 10 Pensando em Nossos Dias… Vamos falar de democracia? 11 Trocando em Miúdos Brasileiro quer ou não se vacinar? 13 Direto da Redação Senador acusa brasileiros de cruzarem a fronteira com roupas de marca e bolsas da Gucci 14 Imigração Vacinação COVID-19 se torna obrigatória para o Green Card 15 BM in English Brockton bakery to pay restitution and penalties and revise anti-discrimination policies

Imagens que ilustram a capa e as matérias: freepik.com

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Da Redação

Indocumentados no trabalho não são mais prioridades Governo Biden muda estratégia de prisão de trabalhadores imigrantes

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Imagine estar trabalhando e, de repente, chegar um grupo de policiais federais solicitando o seu status imigratório? As famosas “batidas de imigração” eram comuns nas grandes e pequenas empresas nos Estados Unidos durante a administração do Presidente Donald Trump. Mas a administração de Joe Biden está mudando a regra. O governo anunciou que não realizará prisões em massa de trabalhadores que vivam no país sem documentos legais durante as operações de fiscalização nas empresas, uma reversão das políticas, e o mais recente sinal para milhões de imigrantes trabalhadores de que eles não são prioridades para deportação.

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onhecidas como “batidas no local de trabalho”, essas prisões são criticadas há muito tempo por defensores de imigrantes por espalharem o medo e dissuadirem os trabalhadores de denunciarem violações trabalhistas por medo de serem presos. Até o momento, essas batidas não têm acontecido durante o governo Biden. Alejandro N. Mayorkas, Secretário de Segurança Interna, disse em um comunicado que os esforços de fiscalização nos locais de trabalho se concentrariam em “empregadores inescrupulosos que exploram trabalhadores não-autorizados, conduzem atividades ilegais ou impõem condições de trabalho inseguras”. Ele também pediu recomendações das agências de imigração do departamento nos próximos 60 dias para identificar políticas e acordos que afetaram a aplicação das leis trabalhistas, e como “aliviar ou mitigar” preocupações e temores que trabalhadores sem status legal tinham sobre empregadores exploradores. 2021 - Nº 88

Os líderes e defensores da comunidade imigrante celebram. “Essa decisão é muito importante para toda a comunidade imigrante. Funcionários poderão trabalhar sem medo de serem abordados ou questionados sobre status imigratório, e em contrapartida, (alguns) patrões não poderão mais usar ameaças como forma de colocar medo em seus funcionários. Acredito que foi um grande passo para mudanças que esperamos na administração atual”, disse a diretora-executiva do Centro do Trabalhador Brasileiro, em Boston, Lenita Reason. A nova política surge durante uma escassez crítica de mão-de-obra nos Estados Unidos, precipitada pela pandemia do coronavírus, e oferece garantias de que os trabalhadores sem documentos não correm o risco de serem deportados em massa. A nova estratégia também reflete as promessas que o presidente Biden fez sobre uma abordagem mais branda à política de imigração do que seu antecessor.

Algumas empresas que dependem desses trabalhadores pagam abaixo da taxa de mercado para empregos, explorando os imigrantes e reduzindo os concorrentes. A advogada especializada em leis de imigração, Lizz Cannon, acredita que a decisão do governo é sábia, e contribui para a economia do país. “Eu queria que mais americanos entendessem que as batidas de imigração no local de trabalho são verdadeiros gastos de dinheiro público”, disse. “O que eles não entendem é que quando um bocado de gente é presa, eles são incluídos no sistema do governo, e muitos terminam encontrando modos de ficarem aqui legalmente. Alguns podem até ter o direito ao Green Card, dependendo da situação deles. O governo deveria concentrar seus esforços em prender criminosos”, conclui. E é exatamente isso que o governo federal anunciou que vai fazer. Os republicanos criticaram a nova política. “Isso torna nosso país MENOS SEGURO”, escreveu o Comitê Nacional Republicano, no Twitter. Brazilian Magazine | 5


É bom saber…

Dra. Elisa Tristan-Cheever

E tem também a gripe

Estamos começando a sentir o efeito do outono, com as folhas caindo e aquele ventinho frio que nos visita algumas vezes durante a semana. E vamos lidando com a luta contra a COVID-19, o reforço através da terceira dose de vacinas e a incansável conversa com aqueles que não acreditam em vacinação ou na ciência, para que entendam a importância de receber essa picadinha que facilita e protege a vida de muitos. Mas já é tempo de nos lembrar que não somente a luta tem que ser contra o SARS- Cov-2- mas que a Influenza, a famosa gripe já vem de mansinho, querendo nos abocanhar de uma só vez no inverno.

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ale a pena lembrar que no ano passado os casos registrados foram menos do que o ano anterior. Devemos isto ao uso de máscaras e da higienização correta das mãos, aliados à permanência nos nossos lares. Ou seja, quando estávamos tentando evitar o contato com a COVID, estávamos paralelamente nos protegendo de outros microrganismos, e, entre eles, o da gripe! Santo, fácil e barato remédio! Talvez já saiba que a famosa gripe é uma doença contagiosa que afeta nossos pulmões, garganta e nariz, e que o idoso, a criança, pessoas com certas doenças crônicas como asma e cardiopatias têm um maior risco de desenvolver complicações mais graves devido a doença. É isso mesmo, uma gripe pode variar de algo mais leve até uma forma mais complexa e pode levar à morte! E é diferente de um resfriado, usualmente vindo de repente, com sintomas que variam de febre, tosse, dor de garganta até chegar a vômitos e diarreia em algumas pessoas, geralmente crianças. Aí você me pergunta, como sei que tenho COVID ou gripe? Na verdade, 6 | Brazilian Magazine

as duas doenças têm sinais e sintomas similares como tosse, dor de garganta, dores musculares, febre, diarreia, perda do olfato ou do paladar (mais em COVID), entre outros. Mas o que pode nos dar uma luz quanto ao diagnóstico são características, e como a doença se instalou. Por exemplo, a pessoa que tem gripe aparece com sintomas 1-4 dias depois do contágio. Enquanto que com a COVID, geralmente, se a pessoa tem sintomas, estes aparecem 5 dias após ser contaminada pelo vírus, mas pode variar de 2-14 dias após ter sido infectada. Na gripe, o indivíduo já pode estar contaminando outros um dia antes de começar a ter sintomas. Na COVID, tudo indica que até 2 dias antes (até antes!) de algum sintoma aparecer, a pessoa pode estar espalhando o vírus, e pode permanecer com essa disseminação pelo menos até 10 dias após ter aparecido o sintoma. Sem contar os com COVID e assintomáticos, que podem estar distribuindo vírus por aí ao menos por 10 dias após ter testado positivo. Ou os que foram admitidos no

hospital com COVID severa ou tem sistema imune enfraquecido, que podem contagiar outros por 20 dias ou mais. Resumindo, a COVID é mais contagiosa e pode se alongar mais e dar doenças mais severas do que a gripe. De todas maneiras não podemos deixar de lado a prevenção da gripe. Muitos que estão gripados se recuperaram após dias ou semanas, mas existe a possibilidade de alguns acabarem com alguma infecção bacteriana secundária, e até ser hospitalizado. A mensagem que queremos deixar é da importância de se cuidar, de não ir para a escola ou ao trabalho se está doente. Assim você evita piorar o seu estado de saúde e contaminar as pessoas ao seu redor, seja com gripe, com COVID ou qualquer outra enfermidade. Ressaltamos a importância das vacinas e no caso da gripe, que esta é feita para prevenir contra os 4 tipos de influenza mais esperados durante o ano. E que demora 14 dias para que o seu corpo possa ter os anticorpos (proteção!) contra a doença. Às vezes, você já pode estar com gripe quando for tomar a sua vacina. Nesse caso, não é a vacina a responsável pelo seu quadro gripal e sim porque já tinhas o vírus incubado no seu corpo. Nenhuma vacina é 100%, mas o que nos ajuda é o uso dela associado à manutenção de nosso corpo saudável. E como? Com uma nutrição adequada, horas de sono de qualidade, sabendo como lidar com o estresse da vida diária, usufruindo de momentos de lazer e principalmente pensando que se cada um fizer a sua parte, podemos sim combater mutos males, incluindo a gripe e a COVID-19. Então, o que estás esperando? Vacine-se! 2021 - Nº 88


“Eu sou mãe, filha de imigrantes, e acredito fortemente que podemos resolver os nossos desafios mais profundos através da construção do sentimento de comunidade.”

VO

DI TE N NO A 2 D O VEM E B RO

Apoiada por: A congressista Ayanna Pressley; a Prefeita de Boston, Kim Janey; a Senadora estadual Sonia Chang-Diaz; o Escrivão de sucessões Felix D. Arroyo; o Vereador Ricardo Arroyo e a Vereadora Lydia Edwards PAID FOR BY THE WU COMMITTEE

MICHELLEFORBOSTON.COM

@wutrain

/michelleforboston

@wutrain


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2021 - Nº 88


Falando com Martha

Martha Vasconcellos

Psicóloga, com Mestrado nos EUA, e Miss Universo 1968. Última brasileira a ganhar o título de mulher mais bela do mundo.

E que a virtude nos salve

Segunda a teologia escolástica, a virtude é uma graça espiritual. Lembro-me de que quando criança, minha avó materna tocava piano, não que fosse talentosa, apenas um indivíduo devidamente educado conforme os padrões da época em que viveu, fazia referência aos artistas que apreciava como “virtuosos”.

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em ter acesso a um dicionário - acho que nem sabia o que era um dicionário - na época, até porque acredito era ainda muito pequena, cresci achando que a virtude era algo excepcional. Fico imaginando como agiria minha avó, ao escutar aos padrões e valorização dos músicos e artistas atuais, cantores de pagode, dançarinos de requebrados e rebolados, no lugar do ballet clássico e da ópera. Vejo minha neta caçula de 11 anos dançando “o quadradinho”, sem acreditar no que estou vendo. Não posso negar que é até engraçado. Quadradinho para os que não sabem, é um tipo de dança sensual - nenhum problema para mim com a sensualidade, a arte é repleta de sensualidade - que consiste em fazer um quadrado imaginário com os quadris, girando-o em quatro lados. Tento ensinar, tento não discriminar, mas fico sem achar as palavras

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exatas para conversar com ela. Na verdade, minha filha até tentou, colocando-a em uma escola de música. Beatriz até se apresentou em alguns recitais de final de ano, mas não foi adiante. Já sem esperanças, minha filha contratou um professor de dança, ou seja, um professor de “danças de ruas” para dar aulas em casa e estão evoluindo: pelo menos, fazem algum exercício físico, nessa época de pandemia. Fico pensando que estamos regredindo culturalmente, mas afinal, o que deve significaria para os jovens, a palavra virtude, já que a virtude faz parte da hierarquia dos anjos. Acredito que arte, cultura e religião caminham juntas, estão interligadas. Na Jamaica, nos anos 50, os músicos começaram a misturar ritmos caribenhos com o jazz e blues e foi quando surgiram os DJs e posteriormente os MCs, que literalmente fa-

lando, são Mestre de Cerimônia, ou seja, pessoas responsáveis por manter as festas animadas. Essas festas são basicamente de funkeiros, rap, hip hop e SKAs, cujas letras musicais falam da indignação social, marginalização e injustiças sociais. Na verdade, tudo que escuto quando acidentalmente ouço esse tipo de manifestação cultural são as batidas de um tambor em um ritmo contínuo e perturbador. Na minha cabeça, vem a imagem do pesadelo do que seja o inferno, tocando esse ritmo, onde as pessoas não conseguem parar de dançar em um círculo. As festas onde essas músicas são tocadas, aqui no Brasil são chamadas de “paredão” e são patrocinadas por gangs de drogas. Acontecem durante os finais de semana. Normalmente são interditadas pela polícia e o saldo é de mortos, feridos e encarcerados por desordem pública. Acredito que estou precisando me reciclar, para me atualizar e caber no mundo. Enfim, dito isso, não posso antever o nosso futuro como civilização. Penso que estamos “involuindo” em vez de evoluindo. Penso em Sodoma e Gomorra, em Pompéia, Atlantida, Helike e a lista segue, com o nome de “10 cidades perdidas que emergiram do passado”. E assim caminha a humanidade… O problema é com a vulgaridade. E que a virtude nos salve! Brazilian Magazine | 9


Pensando em Nossos Dias

Heloísa Galvão Jornalista e Diretora-Executiva do Grupo Mulher Brasileira

Vamos falar de democracia?

O ano de 2022 é muito importante para as brasileiras que moram no exterior. É ano de eleições. No Brasil teremos eleição presidencial, e aqui nos Estados Unidos teremos eleições midterm, ou de meio de mandato. Eu quero escrever sobre as eleições brasileiras, mas antes de concentrar nisso, quero lembrar que as eleições norte-americanas vão determinar se teremos o apoio dos democratas no Congresso ou se os republicanos vão ganhar a maioria na Câmara e no Senado. Se isso acontecer, bye, bye reforma imigratória em qualquer nível. E se você acha que agora está ruim porque a parlamentária do Senado está bloqueando as propostas e os democratas não estão reagindo a altura, imagina se os republicanos tiverem o controle das duas Casas?

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ós já vimos este filme antes. Com relação ao Brasil, eu espero que todas as brasileiras e os brasileiros que moram no exterior tenham consciência da importância de votarmos para Presidente. Nós precisamos de um Presidente que recoloque o Brasil nos trilhos, restitua a dignidade e o respeito do povo brasileiro, e governe com sabedoria e competência. Cada um de nós deve votar na(o) candidata(o) que for capaz de restituir a democracia à nossa pátria. A primeira coisa que devemos fazer é exigir – isso mesmo, exigir

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- que o Tribunal Superior Eleitoral tenha várias zonas eleitorais na jurisdição do Consulado de Boston. Imaginem que em 2018 haviam cinco zonas eleitorais – Boston, Stoughton, Framingham, Cape Cod e Nashua. Mais de 14,000 brasileiros votaram em 2018. Em alguns locais, como na Brighton High School, as filas foram longas e a espera grande. Imaginem com uma única zona eleitoral. Isso é tentativa de supressão do voto. Tentativa criminosa de impedir as pessoas de votarem. Criminosa, sim, porque no Brasil o voto é

obrigtório, se não votamos, temos de justificar, o que é uma dor de cabeça extra. Então nós temos uma luta árdua pela frente e eu espero que toda a comunidade brasileira se engaje. Um grupo de brasileiras e brasileiros lançaram no dia 25 de outubro a Frente Vota Brasil-USA 2022, com o objetivo de aumentar o número de brasileiras e brasileiros no pleito do ano que vem. A Frente se define como democrática e progressista com o objetivo de mobilizar a comunidade brasileira e seus apoiadores nos Estados Unidos para a defesa da democracia, e contra as ameaças recentes ao estado de direito no Brasil. “Rejeitamos vigorosamente as ameaças do atual Presidente da República e suas declarações pela não realização das eleições e/ou não aceitação dos seus resultados. Defendemos a realização plena das eleições de 2022 e a aceitação incondicional dos resultados eleitorais, qualquer que seja o vencedor, como defendido pelo Presidente do TSE, em nota de 9 de julho de 2021”, diz o documento de fundação da Frente. Se você ainda não transferiu seu título para votar nos Estados Unidos, você tem até maio de 2022 para fazer isso. Não pense que você tem muito tempo pois o processo demora um pouquinho. Melhor começar logo. Juntxs podemos garantir um Brasil onde todxs podemos viver com dignidade. O voto é um passo importante para isso. 2021 - Nº 88


Trocando em Miúdos

Eduardo Siqueira *Professor Associado - College of Public and Community Service (CPCS) - UMass Boston

Brasileiro quer ou não se vacinar?

A pandemia de COVID-19 agravou as iniquidades de saúde, vindas de longa data, no mundo inteiro. Nos Estados Unidos (EUA), a maioria (55%) dos casos ocorreu entre negros e latinos, apesar de representarem apenas 30% da população. Além disso, as comunidades com maior número de imigrantes tiveram mais casos de COVID-19. Essas desigualdades enfatizam a importância de se priorizar o acesso à vacina entre as comunidades imigrantes marginalizadas.

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uitas pessoas - líderes comunitários, cientistas e funcionários do governo - têm trabalhado para aumentar a vacinação nessas comunidades. A equipe de pesquisa da Dra. Jennifer Allen faz parte dessa luta e resolveu fazer estudo sobre como os brasileiros nos EUA foram afetados pela pandemia e como responderam a possibilidade de vacinar-se. Esse estudo foi o resultado de uma parceria entre a Universidade Tufts, o Grupo Mulher Brasileira, e autoridades municipais de Somerville, Massachusetts. O objetivo do estudo foi avaliar as intenções dos imigrantes brasileiros de tomar uma vacina contra a COVID-19 e reunir informações para informar futuras campanhas de vacinação. Escolhemos nos focar nas mulheres porque muitas vezes elas são as “guardiãs” dos cuidados de saúde para suas famílias, marcando consultas médicas para seus filhos e esposos. Além disso, estudos anteriores relataram que as mulheres têm menor probabilidade de querer ser vacinadas contra a COVID-19 do que os homens. 364 pessoas responderam a questionário online entre junho e agosto de 2020, antes que as vacinas contra a COVID-19 estivessem disponíveis. A maioria (73%) relatou não ter feito o teste para detectar infecção por Coronavirus e apenas 4% relataram ter sido diag2021 - Nº 88

nosticadas com COVID-19. A maioria (71%) disse que aceitaria tomar uma vacina contra COVID-19 e 18% não tinha certeza. Aquelas que disseram que não seriam vacinados relataram os seguintes motivos: • preocupações de que a vacina não tenha sido totalmente testada (31%) • possibilidade de se ter efeitos colaterais graves (18%) • ineficácia da vacina (9%). Os participantes também disseram que não seriam vacinados por desconfiarem do governo (9%), dos sistemas que apoiam a produção da vacina (10%), e das vacinas em geral. Por exemplo, 9% responderam que “... eu nunca tomei nenhuma vacina na minha vida” (9%). Alguns dos fatores que ajudam a explicar as decisões das pessoas de se vacinarem são a percepção delas sobre a pandemia, onde elas obtêm suas informações mais confiáveis, ​​e há quanto tempo residem nos EUA. Participantes da pesquisa que achavam que a pandemia era apenas “um pequeno problema” em vez de “uma crise significativa,” e aqueles que mais confiavam nas informações de fontes de notícias privadas e redes sociais (família e amigos) eram mais propensos a relatar que não tomariam a vacina, em comparação com participantes que obtinham suas informa-

ções de profissionais da saúde. Além disso, aqueles que residiam nos EUA há mais de 19 anos tinham menor probabilidade de querer receber a vacina, em comparação com aqueles que estavam nos EUA há 4 anos ou menos. Outro achado importante foi que 71% das mulheres imigrantes brasileiras pretendiam ser vacinadas, percentagem maior do que as pesquisas nacionais do verão de 2020 indicavam. Pesquisas daquela época estimavam que cerca de 50% dos adultos americanos pretendiam ser vacinados. É provável que o alto índice de intenção de se vacinar em nosso estudo esteja relacionado ao alto nível de aceitação da vacina no Brasil. Por exemplo, 73% dos adultos com 60 anos ou mais que vivem no Brasil receberam vacina contra a gripe em 2015-2016, em comparação com apenas 63% dos adultos dos EUA com a mesma idade naqueles anos. Pesquisa da Datafolha no Brasil em agosto de 2020 revelou que 89% dos entrevistados pretendiam adquirir vacina COVID-19 quando ela fosse disponibilizada. O alto nível de aceitação da vacina no Brasil (em oposição aos EUA) sugere nosso resultado de que o número de anos vivendo nos EUA associou-se negativamente com a intenção de tomar a vacina. Considerando que conduzimos este estudo antes da disponibilidade de qualquer vacina contra a COVID-19, precisamos realizar mais estudos para entender quantos imigrantes brasileiros receberam as duas doses da vacina e as razões pelas quais ainda não as receberam. Nossa equipe está iniciando nossa próxima fase de coleta de dados, que inclui entrevistas e grupos focais com brasileiros em Massachusetts sobre saúde mental e vacinação. Também estamos procurando pessoas interessadas em participar de conversas sobre a nossa pesquisa. Se você tiver interesse, ligue para (617) 863-0385 e deixe uma mensagem em português ou inglês com suas informações de contato. Texto de Rebecca Rose e Sophia Costa - estudantes do Departamento de Saúde Comunitária da Universidade Tufts.

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Direto da Redação

Força-Tarefa não recomenda mais aspirina para prevenir doenças cardíacas e derrames Marcony Almeida

Custo médio da gasolina está US$ 17 acima do ano passado Os preços da gasolina continuam a contribuir para as preocupações com a inflação, subindo nove centavos por galão, recentemente, e afetando ainda mais os orçamentos familiares em Massachusetts. A empresa AAA Massachusetts relatou que o preço médio de um galão de gasolina atingiu US$ 3,27 em sua última pesquisa semanal. Isso é acima de US$ 3,10 há um mês, e US$ 2,10 comparado com o mesmo período do ano passado. “Em comparação com o preço da gasolina há um ano, agora custa aos consumidores cerca de US$ 17 a mais para abastecer seus veículos”, disse Mary Maguire, da AAA. “E, infelizmente, não parece que os motoristas encontrarão alívio na bomba em um futuro próximo”. 2021 - Nº 88

A Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA está considerando fazer várias mudanças em suas orientações sobre a ingestão diária de aspirina para prevenir doenças cardíacas e derrames. O grupo federal publicou um esboço de declaração recomendando que adultos com idades entre 40 e 59 anos que estão em maior risco de doença cardiovascular - mas não têm histórico da doença - decidam com seu médico se começam a tomar aspirina,

com base em suas circunstâncias individuais. Esta é a primeira vez que a forçatarefa recomenda que adultos na faixa dos 40 anos conversem com seus médicos sobre se devem tomar aspirina para a saúde do coração. O projeto também diz que adultos com 60 anos ou mais não devem começar a tomar aspirina para prevenir doenças cardíacas e derrames porque novas evidências mostram que danos potenciais anulam os benefícios.

Senador acusa brasileiros de cruzarem a fronteira com roupas de marca e bolsas da Gucci O senador da South Carolina, Lindsey Graham, afirmou, que imigrantes do Brasil estão entrando nos Estados Unidos pela fronteira mexicana “vestindo roupas de grife e bolsas Gucci”. Graham fez esta declaração ao apresentador da Fox News, Sean Hannity, enquanto criticava a política de fronteira do governo Biden. “Tivemos 40.000 brasileiros que passaram pelo Setor Yuma, sozinhos, indo para Connecticut e vestindo roupas de grife e bolsas Gucci”, afirmou à Fox News. “Isso não é mais migração econômica. As pessoas veem uma américa aberta. Eles estão se aproveitando de nós. E não demorará muito para que um terrorista entre nesta multidão”. Graham reiterou essas afirmações em uma entrevista ao The Washington Post, elaborando suas declarações a Hannity, enquanto recontava ao The Post o que ele

disse ter observado durante sua recente viagem à Yuma, no Arizona. “Normalmente, quando você vai para a fronteira, você vê pessoas que estão vestidas de forma muito abatida e que parecem ter passado pelo inferno”, disse ele ao Post. “Desta vez em Yuma, havia dezenas que pareciam estar se hospedando em um hotel, e elegantemente vestidas”. Não está claro de onde Graham obteve o número de 40.000 imigrantes, ou de onde obteve a indicação de que esses migrantes estavam a caminho de Connecticut. No entanto, é verdade que um número recorde de brasileiros foi preso na fronteira sul dos Estados Unidos neste ano. De acordo com dados do Departamento de Alfândega e Proteção de Fronteiras, mais de 46.200 brasileiros foram detidos na fronteira sul durante o ano fiscal de 2021 até o momento. Brazilian Magazine | 13


Imigração

Vacinação COVID-19 se torna obrigatória para o Green Card De acordo com uma nova política dos Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, que entrou em vigor em 1º de outubro, a vacina COVID-19 está incluída na lista de vacinas exigidas para os candidatos obterem residência permanente legal, ou “Green Card”. De acordo com a Lei de Imigração e Nacionalidade (INA), seção 212 (a) (1) (A) (ii), os estrangeiros considerados admissíveis nos Estados Unidos como residentes permanentes devem comprovar que estão vacinados contra doenças evitáveis por vacinação. Desde de 1º de outubro, os estrangeiros também devem comprovar que foram vacinados contra COVID-19, além dos requisitos de vacinação atuais. A nova exigência de vacinação COVID-19 se aplica igualmente a estrangeiros que solicitam um visto de imigrante no exterior, ou que buscam ajustar o status para residente permanente nos Estados Unidos por meio de solicitações enviadas aos Serviços de Cidadania e Imigração (USCIS, em inglês). As vacinas COVID-19 aprovadas são aquelas autorizadas para uso nos EUA ou aquelas listadas para uso de emergência pela Organização Mundial de Saúde. O atestado pessoal de um indivíduo de que foi vacinado não é suficiente. Além disso, mostrar imunidade ou recuperação de infecção anterior 14 | Brazilian Magazine

por COVID-19 não será bases permissíveis para uma dispensa de vacinação. Será necessária documentação confirmando a vacinação.

As evidências aceitáveis incluem: - Um registro oficial de vacinação; - Um prontuário médico com registros médicos relativos à vacinação; ou, - Atestado de pessoal médico adequado. De acordo com as orientações do CDC, o médico designado que realiza o exame necessário para a aprovação da residência permanente deve confirmar, revisando a documentação original, que o requerente recebeu todas as doses da vacina COVID-19. Se a vacina COVID-19 estiver disponível, o cirur-

gião designado ou médico que realiza o exame de saúde também pode vacinar os candidatos parcialmente vacinados. Se o candidato comparecer ao exame médico obrigatório não-vacinado o processo pode atrasar, pois os candidatos devem receber todas as doses da vacina COVID-19 antes que o exame médico possa ser concluído. A orientação do CDC lista as razões para a isenção deste requisito da seguinte forma: - Candidatos que são muito jovens para receber a vacina; - Candidatos com contra-indicação médica para a vacina; - Candidatos que não têm acesso a uma das vacinas COVID-19 aprovadas; ou, - Os candidatos também podem solicitar a isenção da exigência da vacina com base em convicções religiosas ou morais. Renúncias com base em convicções religiosas ou morais são consideradas individualmente. O USCIS determinará se uma isenção individual será concedida, não o médico ou o CDC. E os candidatos ao Green Card não podem recusar uma vacina COVID-19. Se um requerente recusar uma ou mais doses de uma série de vacinas COVID-19 e não for elegível para uma isenção, o médico designado documentará que os requisitos da vacina não estão completos. Como resultado, o requerente provavelmente será considerado inadmissível e inelegível para o status de residente permanente legal. 2021 - Nº 88


BM IN ENGLISH |

Brockton Bakery to Pay Restitution and Penalties and Revise Anti-Discrimination Policies A Brockton-based bakery will pay up to $95,000 in penalties and restitution, require anti-bias training for employees, and revise its anti-discrimination policies in a settlement reached with Attorney General Maura Healey’s Office over allegations that an employee was repeatedly exposed to racial slurs in the workplace.

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he settlement, filed in Plymouth Superior Court, resolves a lawsuit brought by the AG’s Office alleging that White’s Bakery in Brockton violated the state’s antidiscrimination law by creating a racially hostile work environment in which one of its long-time supervisors repeatedly used racial epithets and slurs in front of subordinate employees, including the victim. According to the AG’s complaint, the victim’s repeated exposure to racially charged language in the workplace caused him to suffer severe emotional harm and eventually forced him to quit his job. “Workers should be able to do their job in an environment safe and free from harassment,” AG Healey said. “Employers need to ensure that they have the right training, policies and accountability to make sure things like this don’t happen in their workplaces.” 2021 - Nº 88

Reprodução

“Discrimination anywhere should not be tolerated,” said Phyllis Ellis, President of the Brockton Area Branch NAACP. “White’s Bakery and its management have been held accountable for creating an unacceptable and racially hostile work environment. I was hopeful that this lawsuit would bring change in policy at White’s Bakery, and I think it has.” The AG’s complaint alleged that, in the four months the victim was employed at White’s Bakery in 2018, he was routinely subjected to hateful language by his supervisor, including the use of variations of the N-word. The victim is of mixed racial descent. The AG’s Office further alleged that the bakery management knew that this supervisor routinely used racial slurs in front of employees, but took no action to correct it. The Massachusetts AntiDiscrimination Law, M.G.L. c. 151B, prohibits harassment, retaliation, and other forms of discrimination in the

workplace based on race, color, religious creed, national origin, sex, gender identity, sexual orientation, disability, genetic information, or ancestry. Under the terms of the settlement, White’s Bakery will pay $65,000 to the victim and up to $30,000 to the Commonwealth, $15,000 of which will be suspended pending compliance with the agreement. The bakery will also retain an external consultant to review its policies and procedures, training programs, and its culture and climate more broadly. Additionally, White’s Bakery will require all of its employees to complete anti-bias, antidiscrimination and anti-harassment training annually for three years, and its management will take an annual enhanced unconscious bias training for three years. It must also revise its antidiscrimination, anti-harassment and equal employment opportunity policies. The former supervisor, who is no longer employed at White’s Bakery, will also be required to take anti-bias training. Brazilian Magazine | 15



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