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2021 - V. 14 | N.87

Vencedora NE Ethnic Newswire Award 2008 Press Award 2010 | 2011 2012 | 2013

Fim da moratória contra despejos preocupa inquilinos, mas ajuda financeira traz esperança É bom saber... Eu vou tomar a minha! E você?

Serviço

Governo federal aprova ajuda financeira para famílias com crianças

BM in English

Chelsea cannoli factory to pay over $100,000 for wage and earned sick time violations


CHA Cambridge hospital CHA Everett Hospital

Reconhecidos pela qualidade e segurança

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Direto da Redação

Expediente

Co-Editores Marcony Almeida & Mark Puleo Repórter Especial em Nova York - Guest Writer Manoela Maia McGovern Repórter Especial & Coordenador de Eventos - Guest Writer Fabiano Latham Colunistas Eduardo Siqueira Heloísa Galvão Zenita Almeida Elisa Tristan-Cheever Martha Vasconcellos Direção de Arte, Ilustrações e Publicidade Cícero Rodrigues

A Brazilian Magazine é uma publicação da empresa The Brazilian Journal, INC. Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião da Brazilian Magazine, sendo inteiramente de responsabilidade de seus autores. OPINE A Brazilian Magazine quer muito saber sua opinião. Envie comentários com nome completo e pelo menos duas formas de contato (telefone, e-mail, endereço) para The Brazilian Journal Magazine, P.O. Box 490543, Everett, MA 02149. Ou envie e-mail para: info@brazilianmagazine.net

brazilianmagazine.net /brazilianmag @brazilianmag brazilianmagazine DIRETÓRIO BM Redação, publicidade e anúncios: 617-388-2865 / 617-417-6587 Advertisement & Press Room

2021 - Nº 87

Desde o início da pandemia COVID-19 que o grave problema do aluguel trouxe ainda mais dor de cabeça para o inquilino imigrante. Quem trabalhava “full time” e pagava em dia seu aluguel tudo bem, mas para aqueles que de uma hora para outra perderam o emprego devido a pandemia, e não mais puderam arcar com as despesas da moradia, o pesadelo do despejo por parte de donos de imóveis trouxe desespero para as famílias. O governo Biden anunciou que prorrogaria até outubro a moratória federal que proibia os despejos. Mas no fim de agosto, os juízes da Suprema Corte Americana jogaram um “banho de àgua fria” ao suspenderem a decisão do governo. E agora? O jornalista Fabiano Latham foi em busca daqueles que trabalham defendendo inquilinos, e traz nesta ediçāo uma matéria especial sobre a ajuda financeira que o governo está oferecendo para todos, independente de status imigratório, para pagar o aluguel e bancar o próximo imóvel. Confira o texto! E os(as) nossos(as) colunistas estão de vento em polpa com textos fantásticos. A jornalista Heloísa Galvão nos escreve sobre a responsabilidade – ou não – de muitos brasileiros que ainda se recusam a tomar a vacina contra o COVID-19. E neste mesmo tema, a Dra. Elisa Tristan-Cheever nos brinda com uma super reflexão sobre a nossa responsabilidade pessoal nesta pandemia. Já o professor Eduardo Siqueira traz uma convidada nos escrevendo sobre as diferenças entre o vírus aqui e no Brasil. Há diferença mesmo? Confere lá. E falando em ajuda federal, a BM traz na editoria Serviço uma grande matéria tirando todas as dúvidas das famílias sobre a nova verba federal disponível para os pais ou responsáveis com crianças. O dinheiro pode chegar direto na sua conta. Esperamos que nossos leitores e leitoras aproveitem cada detalhe desta edição! Acompanhe ainda as notícias online no www.brazilianmagazine. net, e nas nossas mídias sociais pelo Facebook, Twitter e Instagram. And don’t forget to check the section BM in English!

Nesta edição 4 e 5 Especial Moradia em Risco 6 É Bom Saber… Eu vou tomar a minha! E você? 9 Falando com Martha Convivendo com a culpa 10 Pensando em Nossos Dias… Vacina, vacina, vacina. Máscara, máscara, máscara 11 Trocando em Miúdos Variante Delta: Novos riscos, mesmas precauções 13 e 14 Serviço Governo federal aprova ajuda financeira para famílias com crianças 15 BM in English Chelsea cannoli factory to pay over $100,000 for wage and earned sick time violations

Imagens que ilustram a capa e as matérias: freepik.com

Marcony Almeida & Mark Puleo

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Da Redação

Membros do Comitê de Inquilinos de Somerville e equipe da CAAS: ações para ajudar moradores que enfrentam problemas de moradia

Moradia em risco

Fim da moratória federal contra despejos coloca em risco a estabilidade habitacional de milhares de famílias de baixa renda; Programas como o RAFT ainda tem ajuda disponível

O

s Estados Unidos têm avançado no combate à pandemia da COVID-19, com vacinação em massa e retomada gradual da economia e empregos, mas há um setor que ainda preocupa: o da estabilidade habitacional.

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Depois que o Governo Biden anunciou a prorrogação da moratória federal contra despejos para 3 de Outubro, garantindo às famílias com aluguel atrasado que permanecessem em suas casas, uma decisão da Suprema Corte, no último dia 26 de Agosto, antecipou o risco de centenas de milhares de inquilinos perderem abrigo. Um pedido para anulação da moratória foi feito pelas Associações de Corretores de Imóveis do Alabama e Geórgia, com o apoio da Associação Nacional de Corretores de Imóveis. Os juízes que votaram a favor do cancelamento justificam que os Centros de Controle de Prevenção de Doenças (CDCs) excederam seu campo de atuação e que somente o Congresso poderia regulamentar a questão aprovando uma lei. A disputa judicial e o fim da proteção federal ocorrem exatamente no

momento em que a variante Delta tornou-se motivo de preocupação para as autoridades de saúde. O cenário é incerto e quem mais sofre são as famílias de baixa renda, imigrantes e pessoas de cor que ainda lutam para retornar ao mercado de trabalho e colocar as contas em dia, principalmente o aluguel. Sem a moratória que havia sido emitida pelos CDCs, landlords (proprietários de imóveis) poderão acionar a justiça para emitir ordens de despejo. A esperança é de que 11 milhões de famílias em situação de vulnerabilidade consigam obter ajuda dos programas do governo, embora a burocracia seja o fator que mais atrapalha. Para se ter ideia, apenas cerca de US $ 5,1 bilhões dos US $ 46,5 bilhões em ajuda foram liberadas​​ até o final de Julho. Mais do que nunca, as famílias em dificuldade devem procurar ajuda o mais rápido possível. 2021 - Nº 87


Procuradoria evita despejo ilegal

Programas ajudam a pagar aluguel e mortgage

Agência auxilia moradores de Somerville

A Procuradoria Geral de Massachusetts (AGO) tem orientado e ajudado famílias vítimas de despejos ilegais. Só no ano passado, o órgão fez 80 intervenções para evitar despejos fora dos padrões estabelecidos pela lei. Para quem está em situação de risco, a dica é obter orientações em Português no site da entidade e preencher um formulário para solicitar ajuda (www. mass.gov/forms/formulario-de-solicitacao-de-ajuda-para-despejo) Logo após o anúncio da antecipação do fim da moratória federal, a AGO usou suas redes sociais para divulgar algumas dicas para quem está ameaçado de despejo:

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- Você não precisa sair de casa e não pode ser despejado sem uma ordem judicial

Quem perdeu o emprego ou renda durante a crise da Covid-19 pode solicitar ajuda para pagar aluguel ou mortgage atrasados. Em Massachusetts, o Departamento de Habitação e Desenvolvimento Comunitário (DHCD) tem programas para ajudar famílias de baixa renda. Um dos recursos disponíveis é o Programa Federal de Assistência a Aluguel de Emergência, que pode liberar até 18 meses de ajuda com aluguel vencido após março de 2020, além de benefícios para custear serviços públicos. Os requerentes precisam comprovar terem passado por dificuldades financeiras relacionadas à pandemia. Quem não se qualifica para esta opção pode se cadastrar nos programas de Assis-

iversas entidades em Massachusetts têm ajudado famílias com dificuldades durante a pandemia. A CAAS (Agência de Ação Comunitária de Somerville), por exemplo, já prestava assistência a moradores de baixa renda da cidade em risco de serem despejados e intensificou suas ações nos últimos 18 meses. Por meio do Programa de Defesa da Habitação (HAP), a agência está auxiliando pessoas com dificuldades para pagar o aluguel a se inscreverem em programas como o RAFT (Assistência Residencial para Famílias em Transição) e outros fundos disponíveis em Somerville. Muitos brasileiros já foram beneficiados com cheques para aluguel ou assistência jurídica em processos de despejo. Segundo Nicole Eigbrett, Diretora de Organização Comunitária, a CAAS também coordena a Rede de Resposta a Despejos de Somerville (ERN), um coletivo de moradores e aliados que oferece apoio para inquilinos que enfrentam ações de despejo, especialmente as ile-

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tência Residencial para Famílias em Transição (RAFT) e Aluguel de Emergência e Assistência Hipotecária (ERMA). Ambos podem fornecer às famílias qualificadas até $ 10.000 para pagar aluguel vencido ou futuro, hipoteca ou serviços públicos. Existe uma inscrição para os três programas e as agências regionais é que vão determinar a elegibilidade do aplicante, de acordo com a renda e outros critérios. Para saber mais, acesse: www.mass.gov/ info-details/emergency-housing-payment-assistance-during-covid-19.

gais, por meio de prospecção, advocacia, mediação e ações diretas não-violentas. “As moratórias de despejo têm sido a salvação para inquilinos. Embora estejamos horrorizados com a decisão da Suprema Corte, a Cidade de Somerville ainda tem uma proibição municipal de despejos em vigor até 15 de Setembro. Precisamos de mais tempo para garantir que todas as famílias que precisam possam receber ajuda. Estamos empenhados em lutar pela justiça habitacional e uma extensão da moratória local”, afirma Nicole. Além de diversos serviços oferecidos através do HAP, a CAAS, por meio do Comitê de Inquilinos, também promove reuniões mensais (com tradução simultânea para Português) para orientar inquilinos sobre seus direitos e onde encontrar ajuda. Recentemente, o comitê promoveu três fóruns com candidatos a Prefeito e Vereadores para questioná-los sobre seus planos em relação à moradia. Aplicação para assistência: https:// www.caasomerville.org/hap-application

- Encontre assistência judicial gratuita do Programa de Ajuda Legal contra Despejos durante a Covid (www. evictionlegalhelp.org) - Você não pode ser despejado se tiver uma aplicação de ajuda de aluguel pendente - Saiba mais sobre os diferentes tipos de assistência para aluguel em: bit.ly/ rental-assistance-ma - Se precisar de ajuda para se inscrever para receber ajuda com aluguel, entre em contato através do site: mass-gov/evictionform-port (em Português)

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É bom saber…

Dra. Elisa Tristan-Cheever

Eu vou tomar a minha! E você?

Neste momento estamos todos vivenciando um impasse com a COVID se alastrando em todos os estados americanos e ainda encontrando a resistência de se tomar a vacina. Apesar da mesma estar disponível, e que até o momento desta coluna ser escrita o país ter mais de 170 milhões de pessoas totalmente vacinadas, ou seja, que tomaram as 2 doses das Vacinas Pfizer ou Moderna, ou a dose única da Johnson and Johnson (J&J), os EUA estão lidando com estados onde uma vacinação aceitável não foi conseguida, e de ter visto crescer o número de casos de pessoas contaminadas com este vírus. E o pior, os que são contra o uso delas agora usam do artifício de falar que casos da nova variante Delta estão acontecendo nos já vacinados e que isto mostraria a ineficácia da vacina. Lêdo engano!

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emos visto que mesmo contra o desejo daqueles que não se importam com a saúde da população, o número de pessoas que está se vacinando vem crescendo, incluindo estados com que tinham baixa incidência do uso da mesma. O que pode estar acontecendo? Talvez o que os profissionais da saúde observam todos os dias; aqueles que se negaram a receber a vacina chegando aos hospitais, muitos em situação crítica e pedindo para recebê-la quando já não é possível. Ou os que antes de falecer ou se recuperar a duras penas, choram para que a família e amigos sejam vacinados. Infelizmente quando esta doença nos atinge ou a alguém próximo é que vemos a dimensão e a dor que este vírus nos proporciona. E que não é Fake News. Como toda vacina, esta não é diferente; ela não é 100% eficaz. Casos de “breakthrough”, como falado aqui nos EUA, são esperados e vem acontecendo. Estes casos seriam pessoas que foram vacinadas mas que acabam se contaminando pelo vírus, sendo a grande maio6 | Brazilian Magazine

ria por causa da variante Delta. Mas isto acontece com uma porcentagem menor de indivíduos, dos quais pouquíssimos ficam muito doentes, são admitidos no hospital ou morrem. O grande número que está infectado é na verdade composto daqueles que optaram por não se vacinar No mundo ideal e com foco na saúde pública teriamos que ter pelo menos 70% de vacinados, e não somente neste país ou no Brasil, mas no mundo já que não vivemos numa bolha e sim somos seres globais, que vem e que vai. O trânsito de pessoas para todos os cantos de mundo deveria ser de uma forma segura para todos. Em resumo, vacina é direito de todos. Contudo, não é a realidade e muitos dos países do “Global North” já começaram a oferecer a terceira dose para os seus residentes. Nos Estados Unidos, a terceira dose da Pfizer e Moderna estão disponíveis para pessoas que têm uma imunidade comprometida de forma moderada a severa. Segundo o CDC, estas pessoas têm um risco maior de

contraírem a doença com uma forma mais séria ou mais prolongada. E quem são essas pessoas? Pacientes em tratamento de câncer ativo (tumores, câncer do sangue), as que receberam um transplante e estão tomando remédios para suprimir o sistema imune. Também as que receberam transplante de célula-tronco nos últimos 2 anos, imunodeficiência moderada ou severa, ou com HIV avançada ou não tratada. E aqueles com tratamento com alta doses de corticóides ou outros medicamentos que atingem a resposta imunológica. O governo americano planeja também oferecer a partir de 20 de setembro para os completamente vacinados e com pelo menos 8 meses da vacina, a dose de reforço. Eu vou tomar a minha! E como fazer? Não podemos obrigar as pessoas a tomarem uma vacina, mas para quem vive lidando com os dissabores desta doença, podemos lhe dizer que toda oportunidade de evitá-la dever ser agarrada! Você que já tomou as suas doses (ou a única da J&J), não abaixe a guarda e nem pense que é invencível. Ainda assim pode se infectar e até ser assintomático e contaminar outros! Se você não se vacinou, lembre-se de que não só os portadores de doenças crônicas, alguém com câncer ou idoso deve recebê-la. Cuide-se, tome a sua vacina e mantenha as suas medidas de prevenção. E se você se qualifica pra tomar a sua terceira dose ou tem dúvidas quanto a mesma, não vá pela cabeça dos outros, mas converse com o seu médico. Somente com as informações corretas e um trabalho em conjunto conseguiremos vencer não só a batalha, mas a guerra e controlar a fúria deste vírus da Covid-19. 2021 - Nº 87


Grupo Espírita Caminho, Verdade e Vida

Allan Kardec Spiritist Society of Massachusetts Segundas

Quartas-feiras

7h às 8h da noite (Palestras Públicas e Passes – Português)

7h às 8h da noite (Palestras Públicas e Passes – Português e Inglês)

6h às 7h da noite (Atendimento Fraterno)

6h às 7h da noite (Atendimento Fraterno)

Quintas-feiras 7h às 8:30h da noite (Aulas do Estudo da Doutrina Espírita) As reuniões são presenciais

Todos são bem-vindos!

Sábados

10h às 11h da manhã (Atendimento Fraterno) 11h da manhã ao Meio-Dia (Palestras Públicas e Passes – Português) Evangelização Infantil e Mocidade

“Nascer, viver, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei”, Allan Kardec

www.akssma.com info@akssma.com

2 Elm Street Malden, MA 02148 (617) 657-3288


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Falando com Martha

Martha Vasconcellos

Psicóloga, com Mestrado nos EUA, e Miss Universo 1968. Última brasileira a ganhar o título de mulher mais bela do mundo.

Convivendo com a culpa

A culpa, psicologicamente falando, é um sentimento subjetivo, relacionado com o remorso, quando acreditamos que rompemos nossos padrões éticos e morais. A culpa surge primeiramente no nosso superego, e se apresenta posteriormente no nosso consciente, trazendo sentimentos de falhas, onde falhamos conosco e com nossos semelhantes. A culpa pode gerar depressão, estresse ou pensamentos intrusivos. No momento atual, onde universalmente estamos passando por varias catástrofes em diferentes segmentos, me detenho a pensar da maneira como sou privilegiada, quando a culpa me afeta fortemente.

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ssistindo aos noticiários, vejo quantas tragédias assolam nosso planeta: enchentes deixando povos desabrigados que perdem todos os bens materiais que foram conquistados com muito suor durante anos; evasão de povos de seus territórios, de onde nasceram, que se transformam em refugiados em outros países, humilhados e mal queridos pelos habitantes locais que se acham

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os donos das terras; os que passam fome de verdade, excluo daqui os que utilizam a fome como bandeira política, mas os que não têm mesmo o que comer pelas circunstâncias de suas vidas; os enfermos, sofrendo dores e não sabendo como se curar de suas misérias, sem médicos e sem hospitais; os que também tem que se evadir de suas moradias por causa de incêndios. É quando a culpa me pega.

O que acontece que alguns são imensamente bem aventurados enquanto outros têm que administrar o sofrimento? Eu não consigo entender e muitas vezes brigo com Deus: onde estás? Não estais vendo tudo isso? Somos todos seus filhos. No meu grupo social, já presenciei várias “colegas” que viveram no apogeu e na glória e que hoje enfrentam a convivência de divergências em um abrigo para desalentados. Ricas, maridos bem sucedidos e prósperos, família bonita, que de uma hora para outra perdem tudo materialmente que levaram uma vida para conquistar. Uma dessas amigas, hoje é sustentada pelas três filhas. Que ótimo que teve três filhas responsáveis e acolhedoras! Ocorre-me lembrar da história de Jó: “O Senhor me deu e o Senhor me tirou. Bendito seja o nome do Senhor!” Não consigo elaborar e compreender bem essas situações e a pergunta rola: por que para mim todos os privilégios e para meus semelhantes o inferno? Não convivo bem com essa culpa. Em tempo, vou ficando com minha culpa por aqui, para não ser a causa da sua tristeza, que pensa um pouco além de si mesma e que ler esse texto. Momentos difíceis estamos vivendo. Que Deus nos guarde! Brazilian Magazine | 9


Pensando em Nossos Dias

Heloísa Galvão Jornalista e Diretora-Executiva do Grupo Mulher Brasileira

Vacina, vacina, vacina. Máscara, máscara, máscara

Você está cansada desta pandemia? Das restrições e do vai-e-vem de decisões, cada um dizendo uma coisa? Eu também! E estou mais cansada ainda e mais zangada, mas muito mais zangada, com a irresponsabilidade e falta de companheirismo e senso de comunidade de algumas pessoas que se negam a tomar a vacina. Na verdade, eu me sinto traída, desapoiada, se é que esta palavra existe, eu me sinto largada para trás para morrer a míngua.

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iz tudo que as autoridades médicas me aconselharam a fazer e fiz não apenas porque médicas e médicos disseram para eu fazer. Fiz porque me informei com quem sabe. Fiz porque acredito na ciência. Fiz porque não quero morrer, nem pegar o vírus mesmo que não sofra sintomas sérios. Fiz pelos meus filhos, pelos meus netos, pelas minhas amigas e amigos, fiz pelos

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meus vizinhos e pela minha comunidade. E você, o que você fez? Final de agosto, duas medidas importantes foram tomadas pelo governo. O FDA – Food and Drug Administration - o equivalente a nossa ANVISA, deu aprovação final a vacina Pfizer, que desde final de 2020 vinha sendo aplicada graças a um processo de aprovação temporária de emergência. A aprovação

da Pfizer é para a faixa etária a partir dos 16 anos. Para crianças entre 12 e 15 anos e para quem tem o sistema imunológico comprometido, a aprovaçõa ainda é temporária. A aprovação do FDA signfica não haver dúvidas que a Pfizer é uma vacina que preenche altos níveis de segurança, eficiência e qualidade. Então, se você é uma das pessoas que não se vacinou, alegando que a vacina não era aprovada, agora, amiga, você não tem mais desculpa. Quanto a aprovação pela Diretoria de Educação do Estado de exigir o uso de máscaras nas escolas, já chega tarde a meu ver. Em meados de agosto, a agência de notícias Reuteurs disse haver um número recorde de crianças doentes com COVID-19: 1.900. Sally Goza, ex-presidente da Academia Americana de Pediatria, alertou sobre o perigo da variante Delta e disse que as crianças seriam muito afetadas. Na mesma época, o CDC – Centro de Controle de Doenças dos EUA, alertou que o número de pacientes com COVID-19 nas faixas etárias dos 18-29, 30-39 e 40-49 havia aumentado muito. Se você continua querendo negar este vírus e brincar com sua vida, pense duas vezes porque o seu negacionismo talvez não te mate, mas pode matar sua fiha, sua mãe, uma amiga ou namorada. E como você vai viver sabendo que matou gratuitamente alguém que ama? E será que ama? 2021 - Nº 87


Trocando em Miúdos

Eduardo Siqueira *Professor Associado - College of Public and Community Service (CPCS) - UMass Boston

Variante Delta: Novos riscos, mesmas precauções

“Então a vacinas não servem para nada?” Essa é a pergunta que tem sido feita, em silêncio ou em alto e bom som, com diferentes níveis de desconfiança, por populações que veem o crescimento de uma nova onda dos casos da COVID-19, impulsionada pela variante Delta que, em junho deste ano, já respondia por 82% dos casos de infecção por coronavírus no Estados Unidos, segundo dados disponibilizados pela universidade Johns Hopkins, através do Centro de Pesquisas do Coronavirus.

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o Brasil, a variante Delta também vem se disseminando de forma rápida, como no resto do mundo, devido à sua alta transmissibilidade, ao relaxamento de medidas de proteção e à baixa cobertura vacinal. Dados do Ministério da Saúde do Brasil mostram que, até 17 de agosto, 1.051 casos de infecção por essa variante haviam sido confirmados – alta de 84% em relação aos 570 diagnósticos positivos para a variante Delta na semana anterior. A sensação de desconfiança em relação às vacinas é compreensível. Com um ano e meio de pandemia, após quarentenas e abertura gradual de atividades de trabalho e de lazer, com uso de máscaras e distanciamento físico, estávamos todos prontos para, depois de dar o braço à vacina ou o braço a torcer, voltar à “vida como era antes.” As vacinas, apesar dos problemas de acesso e distribuição em países como o Brasil, trouxeram esperança de que afinal sairíamos dessa, e de que imagens de valas coletivas em cidades tão diferentes quanto Nova York e Manaus ficariam nos livros de história e na memória de um período sombrio. 2021 - Nº 87

Como explicar, por exemplo, que o Reino Unido, primeiro país do mundo a administrar uma vacina contra o coronavírus, em dezembro de 2020, e onde quase 63% da população já recebeu a imunização completa, esteja agora com novos casos de coronavírus? 98% dos casos estudados na terra da Rainha Elizabeth foram causados pela variante Delta, seguindo uma recente tendência mundial. A frustração e a sensação de “um passo atrás” depois de vermos a vida gradualmente voltar ao que era no Brasil e em Massachusetts, é solo fértil para conclusões sem cabimento e reforço de ideias negacionistas e anti-ciência. É esperado que se busque soluções rápidas e explicações que parecem óbvias para uma situação que nos aflige. Daí a aplicar a lógica falha de que “se as pessoas estão mais vacinadas que nunca e o novos casos voltaram a aparecer, então a vacina não funciona” é um passo pequeno, mas perigoso. Embora não haja ainda muitos estudos sobre a variante Delta, o que existe por enquanto indica exatamente o contrário:

os casos não têm aumentado apesar das vacinas, mas porque ainda não temos cobertura vacinal suficiente para garantir imunidade coletiva e reduzir a mutação do coronavírus em variantes ainda mais transmissíveis. Ou seja, o surgimento desta variante e de outras que circulam mundo afora torna ainda mais importante o aumento da vacinação em Massachusetts e em todos os países. Estudo recente do Ministério da Saúde Pública do Reino Unido testou a eficácia das vacinas aplicadas lá contra as formas mais severas de infecção pela variante Delta. Os achados são animadores, sugerindo que a vacina da Pfizer-BioNTech tem 94% de eficácia com uma dose apenas e 96% de eficácia para pessoas com imunização completa. Para a Oxford-AstraZeneca, o estudo sugere eficácia de 71% com uma dose e de 92% com duas. A grande preocupação agora é com as pessoas não-vacinadas, especialmente menores de 12 anos e pessoas imunodeprimidas, que podem ser infectados por indivíduos vacinados. Agora voltamos para onde nunca deveríamos ter saído: uso de máscaras e distanciamento social, independente de quantas doses e de qual vacina tenhamos tomado. Essas são medidas que podemos e devemos praticar enquanto indivíduos para manter nossas comunidades seguras. Para quem ainda vê motivo para recusar vacinação, é muito importante entender o que a ciência vem provando dia após dia e dar, enfim, o braço a torcer e às vacinas- primeira, segunda ou terceira dose!!! Abrace as vacinas!!! Use proteção facial!! Evite aglomerações!!! *Texto da Dra. Clarissa Carvalho, Pesquisadora Visitante no Instituto Mauricio Gastón para Desenvolvimento Comunitário e Políticas Públicas da Universidade de Massachusetts Boston.

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Serviço

Governo federal aprova ajuda financeira para famílias com crianças O congresso americano e o governo Joe Biden aprovaram uma assistência financeira para crianças que moram nos Estados Unidos. O Crédito Tributário para Crianças é depositado da conta de famílias com crianças em diversas idades, com pagamentos mensais, dependendo da renda familiar. A Brazilian Magazine preparou Perguntas & Respostas para ajudar nossos leitores a entenderem o processo, e como se beneficiar.

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1. O que é o crédito tributário para crianças?

O Crédito Tributário para Crianças apoia as famílias com os custos de criação dos filhos. Se você for elegível, receberá metade do pagamento adiantado, na forma de parcelas mensais até dezembro de 2021. Você pode reivindicar o restante do crédito quando fizer seus impostos de 2021. Por causa do Plano de Resgate Americano, o Crédito Tributário para Crianças é maior do que nos anos anteriores. 2. Quanto dinheiro devo esperar receber?

As famílias receberão pagamentos mensais de até $300 para cada criança elegível com menos de 6 anos, e pagamentos mensais de até $250 para Brazilian Magazine | 13


Serviço cada criança elegível entre 6 e 17 anos. Somando os pagamentos mensais e o valor aplicado à sua declaração de imposto, as famílias podem receber até $3.600 ou até $3.000 no total por criança elegível. O valor que cada família recebe depende da renda familiar. 3. O que devo fazer se um cobrador de dívidas tentar obter o pagamento do meu Crédito Fiscal Infantil?

O pagamento do Crédito Fiscal Infantil está fora dos limites para cobradores de dívidas. A orientação da Procuradoria-Geral de Massachusetts para cobradores de dívidas, que você pode compartilhar com agências de cobrança de dívidas ou um tribunal, se necessário, está aqui: https://www. mass.gov/doc/ag-guidance-for-childtax-credit-payments. Se um cobrador de dívidas tentar receber o pagamento do seu Crédito Fiscal Infantil, você pode ligar para a Procuradoria-Geral no 617-727-8400, ou registrar uma reclamação pelo www.mass.gov/ago/ consumercomplaint. 4. O IRS ou qualquer outra pessoa me ligará para pedir meu número de seguro social ou outras informações para que eu receba o crédito tributário infantil?

O IRS não entrará em contato com você por telefone, e-mail ou texto para obter o seu número de seguro social ou outras informações. Se alguém entrar em contato com você, não fale com essa pessoa e nem dê informações. 5. Tenho que fazer algo para receber os pagamentos mensais?

O Crédito Fiscal Infantil deve ser depositado em sua conta bancária ou enviado como cheque ou cartão de débito pelo correio automaticamente, a menos que o IRS não tenha suas informações completas. Se você não declarou os impostos de renda de 2019 ou 2020 ou não forneceu ao IRS suas informações para receber um 14 | Brazilian Magazine

cheque de estímulo em 2020, então o IRS não saberá para onde enviar o dinheiro. No entanto, você ainda pode se qualificar. Você pode encontrar mais informações aqui: https://www. irs.gov/credits-deductions/child-taxcredit-non-filer-sign-up-tool. 6. Se eu acreditar que sou elegível para os pagamentos, mas não os recebi, onde posso obter ajuda?

Você pode encontrar mais informações, incluindo uma ferramenta para verificar sua elegibilidade, aqui: https://www.irs. gov/credits-deductions/advancechild-tax-credit-payments-in-2021. Para obter mais ajuda, você pode encontrar recursos de assistência fiscal aqui: https://www.mass. gov/service-details/find-a-taxprofessional-to-help-with-your-taxes. 7. O que eu preciso para me inscrever?

Serão solicitados os números do seguro social dos seus filhos e números seguro social ou de identificação do contribuinte individual (ITINs) para si (e o seu cônjuge), um endereço de correio, e-mail, e as informações da sua conta bancária (se tiver 1). Você pode se inscrever aqui: https://www.irs.gov/ credits-deductions/child-tax-credit-

non-filer-sign-up-tool e encontrar ajuda aqui: https://www.mass. gov/ service-details / find-a-taxprofessional-para-ajudar-com-seusimpostos. 8. Preciso de uma conta bancária ou endereço permanente para receber o Crédito Fiscal Infantil?

Não, se você não tiver uma conta em banco, poderá receber um cheque pelo correio. Cartões de débito prépagos ou aplicativos de pagamento móvel com roteamento e números de conta também podem ser uma opção. Você pode listar o endereço de um amigo, parente ou abrigo onde gostaria de receber temporariamente seus cheques mensais. 9. E se eu não tiver um número de seguro social, mas meu filho tiver?

Se o seu filho tiver um número de seguro social, tudo que você precisa é um Número de Identificação de Contribuinte Individual (ITIN). Se você ainda não tem um ITIN, pode encontrar informações e um formulário de inscrição aqui: https://www.irs.gov/individuals/ how-do-i-apply-for-an-itin. Receber pagamentos de Crédito de Imposto Infantil não afeta seu status de imigração ou o status das pessoas com quem você vive. 2021 - Nº 87


BM IN ENGLISH |

Chelsea cannoli factory to pay over $100,000 for wage and earned sick time violations Freepik

A Chelsea cannoli factory will pay $105,000 in restitution and penalties for violations relating to wage theft, earned sick time, and retaliation against employees, Attorney General Maura Healey announced.

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olden Cannoli Shells Co., Inc., President Valerie Bono, and Treasurer Edwin Bresciani have agreed to pay four citations issued by the AG’s Office for failing to pay employees for all hours worked, not providing proper notice of earned sick time, failing to produce true and accurate payroll records, and retaliating against certain employees for asserting their rights. “My fair labor team works hard to make sure our state’s strong wage and hours are enforced, and that employees are aware of the rights they have under the law,” said AG Healey. “With this settlement, workers who were harmed by this company’s illegal practices will be paid the wages they earned.” 2021 - Nº 87

“When workers’ rights are protected, they’re able to earn a living and help contribute to the community at large,” said Gladys Vega, Executive Director of La Colaborativa. “We thank the AG’s Office for their work to get these employees their wages and protect their right to earned sick time. We stand with the workers who came forward to demand the wages and rights they’re entitled to and will continue to support those efforts.” Golden Cannoli is a baked goods manufacturing, wholesale, and retail company with a principal place of business at 99 Crescent Avenue in Chelsea. The AG’s investigation determined that from January 2018 through December 2020, the company failed to pay workers for all hours worked; failed to provide notice of a compliant earned sick time policy; retaliated

against workers who tried to exercise their rights by firing them; and failed to furnish true and accurate timekeeping and payroll records to the Attorney General. As part of the settlement, Golden Cannoli has agreed to abide by all applicable wage and hour laws, and to submit copies of its timekeeping, payroll, and earned sick time records to the AG’s Office for one year. Any workers who worked for Golden Cannoli for more than 90 days between January 2018 and December 2020 are encouraged to send a text message to Investigator Huong Phan with the AG’s Fair Labor Division at 617963-2308 or an email with their name and contact information to fldsettlement@mass.gov. Please reference “Golden Cannoli Settlement” in the text or email. Brazilian Magazine | 15


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