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2021 - V. 14 | N.84

Vencedora NE Ethnic Newswire Award 2008 Press Award 2010 | 2011 2012 | 2013

Esperança para o Green Card Os benefícios do projeto de legalização apresentado pelo novo Presidente

É Bom Saber...

Uma carta aberta à comunidade

Trocando em Miúdos As vacinas chegaram em Massachusetts: abrace a vacina!

BM in English

Colonial Automotive to pay $1 million for exploiting state unemployment system during the pandemic


Direto da Redação

Expediente

Co-Editores Marcony Almeida & Mark Puleo Repórter Especial em Nova York - Guest Writer Manoela Maia McGovern Repórter Especial & Coordenador de Eventos - Guest Writer Fabiano Latham Colunistas Eduardo Siqueira Heloísa Galvão Zenita Almeida Elisa Tristan-Cheever Martha Vasconcellos Direção de Arte, Ilustrações e Publicidade Cícero Rodrigues

A Brazilian Magazine é uma publicação da empresa The Brazilian Journal, INC. Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião da Brazilian Magazine, sendo inteiramente de responsabilidade de seus autores. OPINE A Brazilian Magazine quer muito saber sua opinião. Envie comentários com nome completo e pelo menos duas formas de contato (telefone, e-mail, endereço) para The Brazilian Journal Magazine, P.O. Box 490543, Everett, MA 02149. Ou envie e-mail para: info@brazilianmagazine.net

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2021 - Nº 84

O imigrante indocumentado já não consegue mais ouvir falar em projetos de lei de reforma imigratória. Parece algo impossível de acontecer, promessa de político em época eleitoral, ou briga entre democratas e republicanos. Mas mesmo assim, a chama da esperança para que uma nova lei seja aprovada sempre permanece acessa, e agora ainda mais. No primeiro dia de mandato do Presidente Joe Biden, ele não só assinou decretos em benefício do imigrante mas apresentou um projeto de lei que levaria os quase 11 milhões de indocumentados à tão sonhada cidadania americana. Nosso repórter especial, Fabiano Latham, traz na matéria especial desta edição os detalhes do texto. Quem se beneficia? Quanto tempo até o Green Card? Confira o texto especial! E enquanto a gente fala em legalização, temos a certeza que outra coisa passa neste momento pela mente de muitos imigrantes, a vacina para o COVID-19. E a vacina já chegou! A Dra. Elisa Tristan-Cheever, que já tomou a vacina, escreve sobre sua experiência e os benefícios que trouxe a ela, e que deverá trazer para você. No mesmo tema, o professor Eduardo Siqueira, que também está vacinado, nos traz em sua coluna Trocando em Miúdos um texto excelente esclarecendo as dúvidas de tantos de nós sobre a vacinação e proteção. Na coluna Palavras de Mulher, a jornalista Zenita Almeida dá as boas-vindas a Kamala Harris, a nova vice-presidente dos Estados Unidos. E a nossa psicóloga e eterna Miss Brasil e Miss Universo, Martha Vasconcellos, nos brinda com um texto super reflexivo sobre o isolamento durante a pandemia. Confira! Nossos leitores e leitoras encontrarão ainda uma matéria sobre uma clínica dentária que se recusou a oferecer um intérprete para uma possível cliente que nāo falava inglês. Leia qual a punição que a clínica sofreu! Esta edição está mais do que especial! Acompanhe ainda as notícias online no www. brazilianmagazine.net, e nas nossas mídias sociais pelo Facebook, Twitter e Instagram. Uma boa leitura! And don’t forget to read our BM in English! Happy 2021! Marcony Almeida & Mark Puleo

Nesta edição 4 a 6 Especial O que há na reforma imigratória proposta por Baker 8 Palavras de Mulher Bem-vinda Kamala Harris 9 É Bom Saber… Uma carta à nossa comunidade 10 Trocando em Miúdos As vacinas chegaram em Massachusetts: abrace a vacina! 11 Falando com Martha Prisioneira fisicamente, mas nunca espiritualmente 13 Serviço Clínica dentária leva multa por recusar intérprete e atendimento para paciente que não fala inglês 15 BM in English Colonial Automotive to pay $1 million for exploiting state unemployment system during the pandemic

Imagens que ilustram a capa e as matérias: freepik.com

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ESPECIAL | Fabiano Latham

REFORMA IMIGRATÓRIA

Esperança renovada para 11 milhões de imigrantes indocumentados

A posse do presidente Joe Biden e sua vice Kamala Harris, no último dia 20 de janeiro, trouxe de volta a esperança de legalização para cerca de 11 milhões de imigrantes indocumentados que vivem nos Estados Unidos. 4 | Brazilian Magazine

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epois de 4 anos com Donald Trump no poder, e sua perseguição aos imigrantes com centenas de ordens executivas e o início da construção de um muro na fronteira com o México, os ventos começam a mudar de direção. Já em seu primeiro dia no comando do País, cumprindo uma promessa de campanha, Biden assinou ordens executivas mais favoráveis aos imigrantes e enviou ao Congresso uma proposta de mudança na legislação 2021 - Nº 84


imigratória, que vem sendo considerada uma das mais progressistas na história dos Estados Unidos (veja mais nesta página). A chamada “Lei de Cidadania” pode abrir caminho para que imigrantes que chegaram ao País antes de 1 de janeiro de 2021 possam se legalizar. Analistas políticos afirmam que o contexto atual apresenta diferenciais um pouco mais favoráveis em relação à última tentativa de reforma, quando Barack Obama estava no poder. Entre elas, está o fato de que os democratas são maioria na Câmara e no Senado, o que é positivo. No entanto, deve-se levar em conta que o projeto precisa ser aprovado na Câmara dos Representantes e ter pelo menos 60 dos 100 votos no Senado. No geral, a proposta de Biden é tida como uma das mais progressistas da história, pois envia a mensagem de que a imigração é um dos motores do crescimento do País.

O QUE DIZ O PROJETO DE LEGALIZAÇÃO • Imigrantes indocumentados que já estivessem morando nos EUA antes de 1 de janeiro deste ano, poderão aplicar para a residência temporária (Green Card), que pode se tornar permanente após cinco anos.

OUTROS PONTOS DO PROJETO DE BIDEN: Green Card para Dreamers: Os cerca de 700 mil beneficiários do DACA (Ação Diferida para Chegadas na Infância) e imigrantes que integram o programa de Status de Proteção Temporária (TPS) se qualificam imediatamente para residência permanente e em três anos podem aplicar para naturalização Vistos e reunificação familiar: Mudança no sistema de imigração família, reduzindo a espera e aumentando vagas para as famílias, de acordo com seu país de origem. A proposta contempla imigrantes com petições familiares já aprovadas, permitindo que se reúnam temporariamente com seus parentes nos EUA, enquanto aguardam a emissão de sua residência permanente.

Proteção para Trabalhadores: Ações para proteger trabalhadores imigrantes vítimas de exploração, aumentando o número de vistos de diversidade de 55 mil para 80 mil (sorteio entre pessoas de países com baixa taxa de migração para os EUA). Combate à Discriminação: A proposta contempla ações para eliminar a discriminação contra famílias LGBTQ+ e à imigrantes com diferentes crenças religiosas. Segurança na Fronteira: Trocar investimentos para aumentar o policiamento na fronteira ou a construção de cercas, por sistemas de tecnologia para agilizar a identificação de drogas e contrabando. Pedidos de Asilo: Criar meios seguros e legais para requerentes de asilo e refugiados, com centros de dados para registrar e processar pessoas deslocadas.

Legalização impactaria economia As iniciativas de Biden consideradas favoráveis aos imigrantes não têm efeitos imediatos. Ainda há um caminho para o projeto ser discutido e eventualmente aprovado. Mas entre advogados e entidades que apoiam imigrantes existe uma expectativa positiva.

• Depois de receber a residência temporária, o imigrante poderá dar entrada no processo de Cidadania • Os aplicantes terão seus antecedentes criminais verificados • Serão exigidas comprovações do pagamento de impostos (indocumentados podem usar o ITIN Number para pagar impostos). 2021 - Nº 84

Para Eva Millona, Presidente e CEO da MIRA (Massachusetts Immigrant and Refugee Advocacy Coalition), Brazilian Magazine | 5


nunca houve um momento melhor para aprovar uma reforma de imigração abrangente. “É politicamente inteligente, economicamente responsável e simplesmente a coisa certa a se fazer. A reforma tem apoio esmagador e bipartidário do povo americano, com 71% relatando que apoiam um caminho ao status legal”, afirma Millona. Na opinião dela, esse cenário existe porque os americanos estão mais propensos a reconhecer as contribuições de imigrantes sem documentos para as comunidades e a economia, especialmente porque muitos deles são trabalhadores essenciais na linha de frente da pandemia da COVID-19. “Além disso, um caminho para a cidadania para os indocumentados acrescentaria $ 1,5 trilhão ao PIB. O povo americano apoia um caminho para a cidadania, e agora é hora de o Congresso seguir seu exemplo”, ressalta.

No entanto, ela ressalta que é importante que as pessoas entrem em contato com os representantes e exijam apoio para a reforma. A advogada também lembra que é necessário que os imigrantes se preparem para caso a reforma imigratória se torne uma realidade. “Desde já é preciso atualizar documentos como passaporte, certidões de casamento, divórcio, nascimento, entre outras, além de pagar os impostos e manter todos os recordes para comprovar a boa conduta mesmo durante o período em que se esteve indocumentado”, sugere.

Impasses políticos Mesmo havendo a possibilidade de aprovação de uma reforma imigratória, é certo que haverá muitos impasses políticos, como lembra a advogada Lizz Cannon, da Flórida. DIGNIDADE E JUSTIÇA

Imigrante deve se preparar

“Aplaudo o presidente por priorizar os imigrantes, emitindo ordens executivas e apresentando um projeto de lei que modernizará nosso sistema de imigração. Ao criar um caminho para a cidadania para os imigrantes que viveram em nossas comunidades por anos, esta proposta reconhece suas contribuições, mantém as famílias unidas e demonstra nosso compromisso com os valores americanos de dignidade humana e justiça.”

Quem também está otimista é a advogada brasileira Rafaela Garreta, de Massachusetts. “Estou com bastante esperança de que a administração Biden-Harris consiga a aprovação de uma reforma imigratória. O cenário agora é mais favorável, pois a maioria na Casa dos Representantes é democrata e, no Senado, temos o voto da vice-presidente em caso de empate”, diz.

“O Senado precisa da maioria para passar a lei, mas já estamos escutando vários senadores afirmarem que não concordam com uma mudança tão grande. Alguns usam termos racistas e dizem que os imigrantes não merecem anistia, mas essa proposta de lei não trata de anistia. Infelizmente, se eles não fizerem mudanças nas regras 6 | Brazilian Magazine

parlamentárias, não irá ocorrer uma mudança”, avalia Cannon. Mas ela reforça que os brasileiros e outros imigrantes não devem perder a esperança. Assim com a advogada Rafaela Garreta, Cannon acredita que o melhor caminho é os imigrantes ligarem para os deputados e senadores, contarem sua história e pedirem que eles aprovem a reforma. “Já trabalhei na área legislativa e posso afirmar que para eles 15 ligações já significam muito. Portanto, usem sua voz!”, sugere.

Yusufi Vali, Diretor do Gabinete do Prefeito para o Avanço do Imigrante 2021 - Nº 84


Palavras de Mulher

Zenita Almeida Jornalista e consultora em cerimonial e eventos

Bem-Vinda Kamala Harris

Cinquenta anos atrás, era comum ouvir que mulheres fossem menos capazes do que os homens de trabalhar, de pensar, de fazer escolhas. Hoje, quando o privilégio nos permite assistir uma mulher negra, afrodescendente assumir como Vice-Presidente de uma nação mais poderosa do mundo, a emoção me toma conta de tal forma que se torna difícil até mesmo expressar o meu sentimento de vitória.

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esde os meus dez anos de idade, ainda morando em uma cidadezinha do interior do nordeste brasileiro, eu já tinha a certeza do meu lugar no mundo. De uma família de oito filhos (todas mulheres) eu fui a única sobrevivente. Para completar os desafios do meu futuro, perdi minha mãe ainda muito jovem, em seguida, depois de três anos foi á vez do meu pai. Como estudante, continuei meus estudos na capital e nunca mais parei. No percurso da minha vida, sempre desejei construir uma família, mas nunca com objetivo de ser desrespeitada no meu propósito de ser o que eu desejava para o meu futuro e de ser o que queria ser, sem intervenção de ninguém. Comecei cedo como ativista do feminismo, sem medo de censura ou preconceito do mundo machista. Fiz uma carreira brilhante, me formei em três graduações (Letras,

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mundo. Mesmo com o processo da Revolução Industrial, para continuar girando a economia a mão de obra feminina continuou sendo necessária. Com a morte e inabilidade do homem consequente da segunda guerra mundial, a mulher teve seu papel fundamental, e assim foram tantos outros fatores. O movimento sufragista jamais será esquecido e será sempre lembrado em momentos como da posse de Kamala Harris. E mesmo sendo uma meramente desconhecida diante da magnitude do mundo em que pousa Kamala Harris, eu vibrei, Turismo e Comunicação Social). me emocionei e agradeci a Deus Por muitos anos escrevi e publiquei está viva para vê com meus próvários artigos na imprensa defen- prios olhos, e mesmo com minha dendo os direitos femininos. Criei pequena gotinha de participação um Sindicato de classe, fui presi- como fez o pássaro “bem te vi” em dente do Conselho da Mulher Exe- algum lugar do mundo tem mulhecutiva, escrevi um livro, participei res assim como eu, que desafiou o de vários eventos, dei palestras, dei machismo e construiu sua história. cursos, assumi diversos cargos púSeja bem-vinda, Kamala Harris, blicos, assessorei em nome de todas políticos e execunós, mulheres, protivos. Nunca me fissionais, mães, permitir à falta de esposas, compaO movimento respeito, sempre nheiras, indepensufragista jamais fui determinada a dentes de gêneros, dizer e fazer o que raça, cor, nível soserá esquecido penso. cial, batalhadoras, e será sempre Cada vez que guerreiras e deterlembrado em estudo e pesquiminadas a deixar os so no assunto do momentos como nossos exemplos feminismo, mais da nossa melhor da posse de me aprofundo versão. Que você Kamala Harris no quanto somos possa cumprir sua importantes para missão com a graça a construção do e bênçãos de Deus. 2021 - Nº 84


É bom saber…

Dra. Elisa Tristan-Cheever

Uma carta à nossa comunidade

Hoje a minha coluna chega a você como uma carta a cada um da nossa comunidade, contando a minha experiência e o que tenho vivido com a vacina contra a COVID-19. Chega sem palavras complicadas ou termos médicos, mas sim com um ar de tranquilidade que talvez te faça refletir e entender a importância desta vacina. No dia 18 de dezembro de 2020 tomei a minha primeira dose da vacina Pfizer contra a COVID-19. Alegria e esperança encheram a minha alma, pois senti que não o estava fazendo apenas pelo meu bem-estar ou por causa das minhas obrigações na área da saúde. Senti que estava cumprindo um dever cívico e que esta minha atitude ajudaria a tornar minha família, amigos, colegas de trabalho e a comunidade mais saudável. Vejo tantas dúvidas e mitos espalhados na população. Mas por quê? Sabemos que as vacinas têm salvado o mundo e evitado mortes e sequelas por décadas e mesmo assim o uso das mesmas se tornou um assunto controverso e cheio de “fake news. Lembro dos meus pais desde cedo cuidando das minhas irmãs e de mim, sempre de olho nas nossas vacinas, mesmo mudando de país, estado ou escola. Falando agora como mãe sempre olhei como minha responsabilidade a de zelar pela saúde dos meus filhos e mesmo com horas extensivas de trabalho, a vacina deles era primordial. Era um tal de caderneta de vacinação, fila para ver o Zé Gotinha, chororô no consultório médico. Porém, a presença da vacina imperava. Talvez você me fale que vacinas fazem parte da estratégia das grandes companhias farmacêuticas para controlar a humanidade e aumentar seu poderio financeiro. Pode até ser que alguém ganhe com isso, mas o mais importante é que você ganha também, proteção! É muito fácil se deixar levar por ideias conspiratórias se você não entende sobre 2021 - Nº 84

os detalhes, sobre células, biologia, e se você não interage todos os dias com aquelas pessoas, que por não terem tomado uma vacina, hoje apresentam consequências físicas e psicológicas e tem uma vida muito difícil. Eu sei o que é ver uma criança com paralisia, um idoso tendo complicações respiratórias por causa de uma “simples gripe”, um adulto sofrendo de dores intercostais por causa do Herpes Zoster. E com a COVID-19, ver aquele paciente falecer e a família se desesperar. Não vejo a hora de abraçar os meus entes queridos, de não ter o meu rosto amassado após um dia de uso de uma máscara. Mas eu entendo que a paciência é necessária e perseverança é a palavra de ordem. Quando tomei a minha primeira dose da vacina fui sabendo da ciência atrás das vacinas, mas também fui como humano, ansioso para saber como seria. A aplicação da vacina foi rápida, indolor e nem uma sensação diferente ou reação adversa tive. O que eu senti, e no meu caso é o que sempre sinto com qualquer vacina, foi o braço dolorido no dia seguinte e um pouco de dores musculares. E só! Nem uma febrezinha, que geralmente tenho quando tomo vacina, aconteceu. Tive sim uma sensação de alívio sabendo que poderia ficar imunizada num futuro próximo e que esta picadinha salvadora estará chegando aos meus pais já idosos e a muitas famílias neste ano. Com convicção tomei a minha segunda dose no dia 7 de janeiro de 2021. E não tive nada! Apenas aquela felicidade e a ideia

de compartir a minha experiência com todos. Através do Conselho de Cidadãos de Boston, através de muitas “lives”, por meio de conversas virtuais e telefônicas, tenho sido porta-voz dessas boas novas de que sim podemos ganhar esta batalha contra o vírus se aceitamos essa vacina. E falo não apenas como alguém que trabalha com prevenção de infecções e como alguém da área da saúde, mas sim como uma pessoa que recebeu agradecida esta vacina e que 15 dias depois da última dose está confiante nos resultados. Isto não significa deixar de lado as medidas de manter a máscara, ótima higienização das mãos evitar aglomerações. Ainda é cedo pois necessitamos que a grande maioria da população seja vacinada. Aí sim conseguiremos controlar este coronavírus e viver dias “mais normais”. Dessa maneira poderemos ganhar esta guerra. Ainda assim, esta batalha da imunização já está ganha se você considerar ser vacinado. Você não vai se transformar num “alien”, nem o seu DNA mudará. Não criarás chifres ou um rabo nem adoecerás. Não requebrarás como um grilo saltitante, mas talvez dances de júbilo ao saber que este infame vírus não terá vez com você ou com as pessoas as quais amas. Informe-se com pessoas e órgãos corretos, não com os vídeos que circularam nas redes sociais, muitas vezes sem base científica. Quer falar comigo? Entre em contato conosco e terei o prazer de tirar as suas dúvidas. O mês de janeiro passou e eu continuo a mesma, nada mudei. Eu me sinto mais forte e segura para enfrentar esta situação da pandemia e feliz por saber que o meu corpo e os meus anticorpos estão se fortificando para enfrentar este coronavírus. E espero que quando seja a sua vez, você se vacine. É por isso que estamos lutando para que todos tenham o acesso e retomem as suas vidas com menos incerteza, menos momentos tristes e mais saudáveis. Vacine-se! Brazilian Magazine | 9


Trocando em Miúdos

Eduardo Siqueira *Professor Associado - College of Public and Community Service (CPCS) - UMass Boston

As vacinas chegaram em Massachusetts: abrace a vacina!

Afinal, depois de meses de espera, as vacinas da Pfizer e a da Moderna foram aprovadas para serem aplicadas ao longo de 2021 em Massachusetts. Agora se trata de manter-se informado sobre quando e onde elas estarão disponíveis para a população brasileira no estado. Para contribuir com o que sabemos sobre estas vacinas, gostaria de esclarecer alguns pontos.

As vacinas são fundamentais para diminuir o número de mortes e casos graves da pandemia de COVID-19, que já passam de 25 milhões e 415 mil respectivamente nos Estados Unidos em fins de janeiro de 2021. As vacinas foram testadas por cientistas em vários países e aprovadas depois de análise minuciosa sobre o efeito delas em dezenas de milhares de voluntários. Muitas pessoas que não conhecem este processo em detalhe acham que a aprovação das vacinas foi rápida demais, porém isto não é verdade. As pesquisas sobre Coronavirus já existiam em vários países há muitos anos. Além disto, o governo dos EUA deu bilhões de dólares para empresas farmacêuticas para acelerar os testes e a produção das vacinas. Como já havia bastante conhecimento anterior sobre o vírus, elas ficaram prontas em tempo recorde, mas respeitando regulamentos normalmente adotados nos EUA e em vários outros países para aprovação pelos órgãos competentes. Com certeza se trata de aprovação emergencial, mas a comunidade científica internacional confia que as vacinas são seguras e demonstra10 | Brazilian Magazine

ram que geram imunidade ao vírus. Ainda não sabemos por quanto tempo esta imunidade durará, mas sabemos que não cura a doença. O que resultará da vacinação é grande diminuição de casos e talvez ainda em 2021 imunidade da grande maioria da população ao Coronavirus. Enquanto não houver cerca de 60-70 % da população de Massachusetts vacinada, não atingiremos a chamada “imunidade de rebanho,” quando se espera que a transmissão da COVID-19 praticamente acabe ou fique em níveis muito baixos. Infelizmente circulam muitas notícias falsas nas mídias sociais sobre as vacinas. Por exemplo, se fala que elas poderiam alterar o DNA de quem receba a vacina, que teriam pedaços de fetos abortados, que teriam um chip incluído nelas, etc. Nada disto é verdade!!! É compreensível e razoável que existam dúvidas sobre até que ponto as vacinas serão eficazes, ou seja, até que ponto controlarão o vírus, sobre os efeitos colaterais da vacina como febre, dores no corpo, dores no braço e alergias. Afinal de contas, tivemos que fabricar as vacinas para lidar com uma emergência e nem tudo

que precisamos conhecer está claro. O que temos certeza é que as vacinas têm muito menos risco do que a COVID-19, que além de causar centenas de milhares de óbitos, deixa marcas ou cicatrizes em diferentes órgãos como o pulmão, o coração, ou o cérebro, que levam a sequelas de longa duração. Muitas pessoas que tiveram a COVID-19 levaram meses para se recuperar e já existem casos de pessoas com problemas cardíacos e pulmonares muitos meses depois de terem se recuperado da fase aguda da doença, que parece uma gripe forte. A campanha “Abrace a Vacina” começou no Brasil em janeiro para estimular todos a dar “o braço a torcer” e tomar as vacinas. Em Massachusetts também é necessário abraçar as duas doses das vacinas disponíveis até agora. Adiante teremos outras, como a da Johnson e Johnson. Todas serão gratuitas. Em 2021, continuaremos a usar máscaras, evitar aglomerações em ambientes fechados, testar os contatos de quem foi infectado, e isolá-los. Eu, que como quase todos já fui vacinado contra cerca de 10 doenças diferentes, já tomei a minha primeira dose da vacina da Moderna. Como muitos não tive nenhum problema sério além de dor moderada por 2 dias no braço onde a vacina foi aplicada, como pode acontecer com qualquer vacina. Tudo indica que a vacinação em massa vai ocorrer a partir de abril. Até lá a prioridade foi vacinar os que trabalham em hospitais, os residentes em asilos (nursing homes), e os maiores de 65-70 anos. Termino repetindo o tema central da campanha “Quem Ama, Vacina. Abrace a Vacina.” Para maiores informações sobre vacinas, procure o site http://conselho. saude.gov.br/ultimas-noticias-cns/1569-abrace-a-vacina-lancada-a-campanha-para-incentivar-a-populacao-a-se-vacinar. 2021 - Nº 84


Falando com Martha

Martha Vasconcellos

Psicóloga, com Mestrado nos EUA, e Miss Universo 1968. Última brasileira a ganhar o título de mulher mais bela do mundo.

E já começa um Ano Novo (2021) no calendário cristão e as restrições da nossa liberdade de ir e vir continuam severas, por causa do avanço da pandemia do Covid-19 no mundo inteiro, e a falta de vacinas suficientes para imunizar a todos. De nada adiantam a raiva, revolta e a agressividade para melhorar o meu temperamento ansioso, então sigo com a oração de São Francisco, usando minhas próprias palavras e compreensão: Senhor, dá-me inteligência, paciência e tolerância para aceitar o que não entendo e o que não posso mudar.

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Prisioneira fisicamente, mas nunca espiritualmente

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ois, sigamos no confinamento físico, mesmo sabendo que o “inimigo” pode entrar pela nossa porta, sem nem percebermos, através de um delivery ou de uma correspondência, assim dizem os cientistas. Entretanto, o meu espírito, esse continua livre para pensar, aprender, orar e se comunicar. Utilizo de várias artimanhas para manter meu espírito livre, tais como leitura, principalmente sobre espiritualidade sem ser piegas, leituras sérias sobre pesquisas e sobre psicanálise, filmes e diversos documentários, assim vou seguindo dia após dia. Mente e espírito ocupados! Escrever também é uma ótima maneira de confrontar a ansiedade, como também o pensar. Então penso: o que posso fazer por mim hoje. Meus escritos servem para uma re-leitura a “posteriori”, para mim mesma ou para enviar para algum amigo angustiado, sempre alerta que cada indivíduo é único, sem querer interferir no livre-arbítrio dos amigos, sem querer julgá-los e sem nenhuma cobrança. Temos um cérebro muito rico de experiências e recordações vividas. Posso acessá-lo sempre, em busca de respostas ao que me aflige. As recordações também são importantes, acompanhadas da pergunta de como posso fazer melhor, se determinada situação de vida se repetir.

Outra coisa importante é chegar na minha janela ou varanda e olhar para o lado de fora. Vejo a vida se movimentando, pássaros cantando, micos nas árvores, algumas crianças brincando. Sinto o vento fresco batendo no meu rosto, o barulho de carros e ônibus circulando no meu bairro. Ouço o barulho dos vizinhos e dos seus animais de estimação. Sim, isso é a vida passando, indiferente a minha ansiedade e ao vírus que tanto me assusta. Que bom que tenho uma janela! Os amigos são muito importantes, aliás, sempre foram importantes, principalmente aqueles que temos afinidades. Trocamos mensagens de apoio, fotos, textos e informações sobre o lugar onde moramos. Política, assunto muito perigoso por causa dos diferentes pontos de vista e paixões. Não tenho paciência para participar de Lives, quero dizer, programa de entrevistas sobre diferentes assuntos e não gosto de chamadas de vídeo, exceção feita apenas para os netos. Geralmente estou desarrumada e descuidada da minha aparência física, já que vivo sozinha. Engraçado é que às vezes recebo solicitações desses contatos, o que sempre recuso sem titubear, pois acho invasão da minha privacidade. É a vida que segue seu curso, monótona, mas estável, na paz e sem nenhuma dor, talvez por mais um ano. Brazilian Magazine | 11


É só entrar CHA Somerville Campus Urgent Care 33 Tower Street Aberto todos os dias, das 9 às 21 horas Quando não puder consultar seu médico, venha se consultar com a gente. Atendemos doenças de menor gravidade, lesões e serviços de saúde gerais. Mantemos você em segurança com limpezas frequentes, uso de equipamentos de proteção e assentos com distanciamento social.

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2021 - Nº 84 GR120_259


Serviço |

Clínica dentária leva multa por recusar intérprete e atendimento para paciente que não fala inglês Reprodução

Uma clínica dentária, em Lowell, será obrigada a desenvolver e implementar regras e procedimentos para garantir o acesso de pacientes que não falam inglês, fornecer treinamento aos seus médicos, e pagar restituições para resolver alegações de que sua equipe discriminou uma paciente com base em sua nacionalidade, anunciou a Procuradora-Geral de Massachusetts, Maura Healey. O processo judicial alega que Merrimack Valley Oral Surgeons, Inc. (MVOS) violou as leis de acomodações públicas do estado e de proteção ao consumidor ao se recusar a fornecer serviços médicos para um paciente que precisava de um intérprete devido a proficiência limitada em inglês. A clínica se recusou, ainda, a permitir que o potencial paciente, uma menor desacompanhada do país africano da Eritreia, tivesse seu próprio intérprete para ajudar na interpretação de tigrínia para o inglês, sem nenhum custo para o local. “Refugiados e imigrantes já enfrentam sérias barreiras no acesso aos serviços de saúde de que precisam, e a falta de acomodação de pessoas com proficiência limitada em inglês agrava essas disparidades”, disse a Procuradora-Geral Healey. “Devemos fazer tudo o que pudermos para garantir que todos os nossos residentes tenham igual acesso a cuidados médicos”. Segundo a Procuradoria, em junho 2021 - Nº 84

de 2018, a paciente estava sentindo fortes dores dentárias e seu dentista a encaminhou para a MVOS para que seus dentes do siso fossem removidos. Um assistente social de um programa de assistência ao paciente ligou para MVOS para marcar uma consulta, mas foi informado pelo gerente do escritório que a prática não poderia acomodar um intérprete. Devido a recusa da clínica, a paciente foi forçada a esperar um mês por uma consulta inicial com outro medico, e outro mês adicional para ter os dentes removidos. De acordo com a lei de acomodações públicas do estado, uma clínica médica não pode discriminar ou recusar o acesso a alguém que busca serviço devido à sua origem nacional. O ato viola a lei de direitos do consumidor do estado, De acordo com os termos do acordo judicial, a MVOS agora é obrigada a fornecer serviços médicos aos pacientes, independentemente de sua proficiência em inglês; fornecer serviços de interpretação precisos e

oportunos a todos com proficiência limitada em inglês que solicitem esses serviços; obter traduções de documentos vitais para pacientes; publicar uma declaração multilíngue notificando sobre a disponibilidade de serviços de acesso a idiomas no website e em seus escritórios; e desenvolver e implementar um plano de acesso ao idioma para aprovação da Procuradoria-Geral. Além disso, a clínica deverá, também, treinar seus médicos e equipe sobre o cumprimento dessas leis e regulamentos e publicar avisos de não-discriminação em seus escritórios. A empresa também deve manter seu status atual nos painéis de provedores do MassHealth e Medicare pelos próximos cinco anos, e pagar US$ 5 mil em restituição ao paciente. A MVOS também deve cumprir todas as leis estaduais e federais antidiscriminação, bem como os regulamentos que regem o MassHealth, Medicare, Medicaid e o Affordable Care Act. Brazilian Magazine | 13


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BM IN ENGLISH |

Colonial Automotive to pay $1 million for exploiting state unemployment system during the pandemic Colonial Automotive Group, Inc. (Colonial) has agreed to pay $1 million in penalties to settle claims that it took advantage of state unemployment benefits during the COVID-19 pandemic, Attorney General Maura Healey announced. Following the state’s mandated closure of car dealership showrooms during the public health crisis, the company encouraged furloughed employees to apply for benefits through the state Department of Unemployment Assistance (DUA), and then requested that those employees continue to work without pay. “Colonial Automotive planned and carried out an illegal scheme to cheat our unemployment system and avoid paying its workers in order to maximize its profits during the COVID-19 crisis,” AG Healey said. “This is a brazen attempt at exploiting workers and the state’s unemployment system, and we will take action against those who defraud our state agencies and try to steal taxpayer dollars.” The assurance of discontinuance, filed in Suffolk Superior Court, settles allegations that Colonial violated the Massachusetts False Claims Act when it furloughed the majority of its sales employees at its 16 car dealerships throughout the state, encouraged them to apply for unemployment benefits, and then 2021 - Nº 84

Reprodução

asked them to perform certain aspects of their jobs despite being furloughed despite collecting state benefits from DUA. The AG’s Office alleges the company directed its furloughed employees to perform various jobs including calling prospective sales leads, setting appointments with prospective customers, delivering cars to customers, and finalizing sales, and it did not pay these employees’ salaries for the work they performed during this period. The AG’s Office alleges that in the months following the state ordered closure of the dealership’s showrooms, the company sold approximately 366 cars in April and approximately 455 cars in May that were attributed to employees who were on furlough and collecting unemployment benefits at the time of the sales. Under the terms of the assurance of discontinuance, Colonial will pay $1 million that will go to the state’s general fund. The company will also enact policies and procedures to

ensure that furloughed employees do not perform any functions related to their job or Colonial’s business and, in any instance where furloughed employees do perform these duties, the company will compensate them in accordance with state employment regulations. Colonial is also required to amend any prior inaccuracies in its Employment and Wage Detail Reports filed with DUA. Colonial’s 16 car dealerships include Colonial Cadillac of Woburn, Colonial Chevrolet of Acton, Colonial South Chevrolet Dartmouth, Colonial West Chevrolet Fitchburg, Colonial Chrysler Jeep Dodge Ram Hudson, Colonial South Jeep Dodge Ram Dartmouth, Colonial Ford of Plymouth, Colonial Ford of Marlborough, Colonial Honda of Dartmouth, North End Mazda of Lunenburg, Colonial Nissan of Medford, Cityside Subaru of Belmont, North End Subaru of Lunenburg, Colonial Volkswagen of Westborough, Colonial Volkswagen of Medford, and Wellesley Volkswagen. Brazilian Magazine | 15


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Brazilian Magazine - Issue 84  

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