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2020 - V. 13 | N.83

Vencedora NE Ethnic Newswire Award 2008 Press Award 2010 | 2011 2012 | 2013

Biden-Harris no poder. E agora? As expectativas para os imigrantes nos próximos 4 anos

Trocando em Miúdos

O que o brasileiro pode esperar na área da saúde com a eleição de Joe Biden

Falando com Martha Quem sou

BM in English

Attorney General sues Boston Sports Clubs


Direto da Redação

Expediente

Co-Editores Marcony Almeida & Mark Puleo Repórter Especial em Nova York - Guest Writer Manoela Maia McGovern Repórter Especial & Coordenador de Eventos - Guest Writer Fabiano Latham Colunistas Eduardo Siqueira Heloísa Galvão Zenita Almeida Elisa Tristan-Cheever Martha Vasconcellos Direção de Arte, Ilustrações e Publicidade Cícero Rodrigues

A Brazilian Magazine é uma publicação da empresa The Brazilian Journal, INC. Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião da Brazilian Magazine, sendo inteiramente de responsabilidade de seus autores. OPINE A Brazilian Magazine quer muito saber sua opinião. Envie comentários com nome completo e pelo menos duas formas de contato (telefone, e-mail, endereço) para The Brazilian Journal Magazine, P.O. Box 490543, Everett, MA 02149. Ou envie e-mail para: info@brazilianmagazine.net

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2020 - Nº 83

Depois de quatro anos nunca vistos antes na presidência dos Estados Unidos, o americano finalmente acordou do pesadelo e demitiu Donald Trump. O imigrante, e o sistema imigratório de um modo geral, nunca sofreram um retrocesso tão grande. Pais foram separados dos filhos na fronteira, e mais de 500 deles nunca se reencontraram; imigrantes foram aprisionados em jaulas; o teste para a cidadania americana dobrou de preço e a prova ficou muito mais difícil… Se formos contar cada retrocesso imposto pela administração Trump não teríamos espaço nesta revista. Mas a partir de 20 de janeiro próximo, Joe Biden e Kamala Harris entram no poder. E agora, o que acontecerá com a imigração e com o brasileiro? Nosso repórter especial, Fabiano Latham, foi em busca da opinião de líderes e advogados brasileiros, e eles dizem se teremos ou dias melhores. Leia a matéria principal desta edição que está imperdível! Porém, temos ainda mais. Na coluna Palavras de Mulher, a jornalista Zenita Almeida nos escreve sobre a importância da eleição de Kamala Harris, a primeira mulher eleita vice-presidente dos Estados Unidos. Em Pensando em Nossos Dias, a jornalista Heloisa Galvão traz um texto de extrema importância sobre o feminicídio que atinge as brasileiras aqui nos EUA e no mundo. A Dra. Elisa, na sua coluna É Bom Saber, traz uma convidada especial nos dando super dicas de como ter uma boa noite de sono, mesmo nesse período difícil de pandemia. E o professor e doutor Eduardo Siqueira nos brinda com um texto cheio de esperança sobre o que podemos esperar do novo presidente em relação à nossa saúde. Sem saúde, tudo fica mais difícil, não é mesmo? E a nossa psicóloga e eterna Miss Brasil e Miss Universo, Martha Vasconcellos traz outro texto brilhante nos ajudando a refletir no “quem sou eu”. Nesta última edição de 2020, um ano tão difícil para a humanidade, queremos desejar aos nossos leitores um 2021 iluminado, com esperança, resignação e fé inabalável na Providência Divina para que tudo passe e dias venturosos estejam logo à nossa frente! Continuaremos juntos! Acompanhe ainda as notícias online no www.brazilianmagazine. net, e nas nossas mídias sociais pelo Facebook, Twitter e Instagram. And don’t forget to read our BM in English! Happy 2021! Marcony Almeida & Mark Puleo

Nesta edição 4 e 5 Especial Biden-Harris no poder. E agora? 6 É Bom Saber… Estresse da pandemia e a qualidade do sono 8 Serviço Treinamento para salvar vidas 9 Pensando em Nossos Dias Não é Não 10 Trocando em Miúdos A saúde do brasileiro na era Biden 11 Falando com Martha Quem sou 13 Palavras de Mulher Kamala Harris, a vitória do sufragismo 15 BM in English AG Healey sues Boston Sports Clubs

Imagens que ilustram a capa e as matérias: freepik.com

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ESPECIAL | Fabiano Latham

Biden-Harris no poder. E agora? Líderes da comunidade brasileira comentam a vitória democrata e revelam suas expectativas para os imigrantes para os próximos 4 anos A vitória da chapa democrata Joe BidenKamala Harris nas eleições presidenciais trouxe, no mínimo, um “alívio” para as comunidades imigrantes, que passaram os últimos 4 anos amedrontadas e perplexas com as decisões discriminatórias e o comportamento desrespeitoso do atual presidente Donald Trump.

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esmo se não houver uma reforma imigratória, tão esperada por milhares de estrangeiros que vivem aqui, só o fato de ter no poder um presidente com um discurso mais democrático e inclusivo já traz um sopro de esperança por tempos melhores. Junte-se a isso, o feito histórico de ter na Casa Branca a primeira mulher negra como

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vice-presidente. Kamala Harris, atual Senadora e ex-Procuradora da Califórnia, é filha de mãe indiana-americana e pai jamaicano, e tem um passado de defesa de trabalhadores e mulheres. E isso, segundo analistas, deverá surtir algum efeito nos rumos das políticas públicas. Mas o que de fato pode significar a mudança do poder das mãos de Trump para Biden? Os imigrantes podem ter algum tipo de benefício? As respostas ainda são incertas. No entanto, pelo menos com base em sua proposta de campanha, nos primeiros 100 dias como presidente, Biden promete reverter algumas decisões de Trump que prejudicaram bastante os imigrantes nos últimos anos. Entre elas, a separação de pais e filhos na fronteira EUA-México; o limite para pedidos de asilo e a proibição da entrada de pessoas de vários países, principalmente os muçulmanos. Se cumprir o que disse, o novo presidente voltará a proteger os “Dreamers” (Sonhadores), jovens que foram trazidos ilegalmente por seus pais aos Estados Unidos e que no governo Obama receberam autorização para trabalhar e auxílio federal para estudar. Em Massachusetts, a expectativa em torno da mudança é positiva. Biden obteve 2,316,338 votos (65.6%), contra 1,148,777 votos do seu adversário (32.6%). Para se ter ideia do crescimento democrata no Estado, em 2016, a candi-

data Hilary Clinton alcançou 60.8% do eleitorado (1,964,768 votos). Mesmo com as dificuldades causadas pelo atual governo, os procedimentos para a transição já começaram e a contagem regressiva agora é para a posse em 20 de janeiro de 2021, o chamado “Dia da Inauguração”. Para repercutir o resultado das eleições, a Brazilian Magazine ouviu a opinião e expectativas de lideranças da comunidade brasileira.

8 PROMESSAS DE BIDEN 1 - SAÚDE: Programa nacional de testes e rastreamento do Coronavírus 2 - TRABALHO: Aumento do Salário Mínimo e investimento em energia renovável 3 - QUESTÃO RACIAL: Reforma do Sistema Judicial Penal 4 - CLIMA: Reingressar os EUA no Acordo Global Climático 5 - POLÍTICA EXTERNA: Recuperar a reputação do país e lidar melhor com a China 6 - SAÚDE: Ampliar o atendimento do Obamacare 7 - IMIGRAÇÃO: Desfazer as políticas radicais de Trump 8 - EDUCAÇÃO: Oferecer pré-escola universal e expandir as faculdades gratuitas 2020 - Nº 83


ADEUS AO OBSCURANTISMO E RETROCESSO “Não tenho grandes expectativas para o Governo Biden. Acho que a importância é que sairemos desse período de obscurantismo da política, dos valores e de um retrocesso de séculos que passamos nos últimos anos. A expectativa é que aconteça algo na área de Imigração. Mas é importante que a comunidade brasileira entenda que não dependerá somente de Biden, mas também do Senado, e que não temos a maioria, pois perdemos quatro cadeiras. Então, vai depender de nós, da nossa capacidade de organização, ativismo e luta. Se os imigrantes, indocumentados ou não, continuarem com medo de falar, lutar e reivindicar, vai ser mais difícil. Entendo, mas nós vamos ter que vencer esse medo para conseguir um direito, pois uma Reforma de Imigração não vai ser dada de presente, nem por Biden nem por ninguém que exerça a função de presidente dos Estados Unidos. Acredito que o Biden tenha coragem de fazê-la, mas ele precisará ser pressionado. Então, a luta tem de continuar”. Heloisa Maria Galvão, Jornalista e Co-fundadora do Grupo Mulher Brasileira

RETORNO DA DIGNIDADE E RESPEITO “Ter Joe Biden no governo significa o retorno da dignidade, respeito e civilidade à Casa Branca, e a esperança de tempos melhores para todo o País. A escolha de Biden e Kamala demostra o desejo do 2020 - Nº 83

eleitorado de uma política colaborativa entre conservadores e progressistas. Espero que os Senadores e Congressistas escutem e entendam esta escolha e encontrem denominadores comuns, que possibilitem assegurar a estabilidade política, social e econômica do País. Para nós imigrantes, a eleição de Biden traz o sentimento de alívio pela certeza de que não estaremos mais ouvindo palavras derrogatórias nem sendo criminalizados diariamente pelo indivíduo que ocupa o cargo de presidente atualmente. Espero que os serviços de Imigração voltem a ter a agilidade que tinham no final do Governo Obama e que o governo não continue aumentando os fundos financeiros para o ICE. Estas ações nos darão condições de retomar nossa agenda prioritária, que é a luta pela reforma imigratória”. Margareth Shepard, Vereadora na cidade de Framingham

VICE NEGRA IMPACTA NA IDEOLOGIA “A eleição foi uma grande vitória, principalmente porque a vice é uma mulher de cor, e isso tem um peso enorme na ideologia e na identidade de mulheres negras. Estamos saindo de um governo da extrema direita para um governo mais à esquerda, o que impactará bastante a vida dos imigrantes. A vitória significa mudanças positivas para o indocumentado, mas para que elas aconteçam provavelmente ele precisará de uma ordem executiva. Não é a primeira vez que ouvimos promessas de Reforma Imigratória ou de criação de políticas mais inclusivas, reconhecendo as contribuições dos imigrantes. Então, é importante que não cruzemos os braços esperando que ele trabalhe nisso; temos de fazer pressão. A esperança é de que ele cumpra o que

prometeu, independentemente do apoio do Congresso, criando um caminho para os portadores do Daca obterem Green Card e Cidadania, além de aprovar uma Reforma Imigratória e trabalhar para unir o país, que está muito dividido”. Dra Natalícia Tracy, PhD, Diretora Executiva do Centro do Trabalhador Brasileiro, e Socióloga da UMass Boston

MODERNIZAÇÃO DO SISTEMA IMIGRATÓRIO “Acredito que o governo Biden-Harris levará muito tempo para reverter as políticas adotadas pela gestão Trump. Será um longo caminho para recuperar a confiança de imigrantes, que hoje se encontram amedrontados. Tenho esperança de que Biden consiga aprovar uma legislação abrangente, para que imigrantes possam se regularizar e terem um caminho para a cidadania americana. Espero que sejam cumpridas as medidas do plano de governo, como a de buscar vigorosamente políticas que protejam a segurança americana, forneçam um sistema justo, que ajude a crescer e aprimorar a economia, protegendo os valores americanos. Estou na expectativa de que ele cumpra promessas como a de desfazer os danos do Governo Trump, modernizar o Sistema de Imigração, além de reafirmar o compromisso da América com os requerentes de asilo e refugiados. Espero que combata também as causas da imigração irregular e adote uma triagem de fronteira mais eficaz”. Dra Rafaela Garreta, Advogada, Mestre em Direito Americano e Internacional pela Northeastern Universidade School of Law Brazilian Magazine | 5


É bom saber…

Dra. Elisa Tristan-Cheever

Estresse da pandemia e a qualidade do sono

No dia a dia, estamos expostos a uma série de estressores, seja no trabalho, na vida social ou em preocupações diárias, como financeiras, familiares, com a saúde, entre outras. O estresse é uma resposta natural do organismo aos estressores ambientais, que se manifesta de várias formas, como em sensações de medo, irritação, preocupações e frustrações. Quando ficamos em contato com o agente estressor por um longo tempo, nosso corpo passa a não conseguir mais se adaptar a ele, levando ao desenvolvimento de alguns problemas de saúde, como hipertensão, ansiedade, depressão e alterações no sono (insônia e qualidade ruim do sono).

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omando aos estressores que já encontramos normalmente no cotidiano, o ano de 2020 acrescentou em nossas vidas o medo, a preocupação e angústias geradas pela pandemia da Covid-19, o que, segundo o CDC, pode desencadear em grande parte da população: aumento de sintomas mentais como ansiedade e depressão; medo e preocupação relacionados à própria saúde e à saúde dos familiares, bem como à situação financeira familiar; mudanças na alimentação e no sono; e dificuldade para dormir ou piora na dificuldade para dormir. Acrescenta-se ainda, o risco de desenvolvimento do estresse pós-traumático em pessoas que tiveram a Covid-19, em especial entre aquelas que apresentaram a forma grave da doença, bem como alterações na qualidade do sono. O sono é essencial para o corpo e quanto melhor sua qualidade, melhor será a sensação de bem-estar, descanso físico e mental. Vários benefícios são observados quando temos uma boa qualidade do sono, como a restauração energética do corpo, consolidação do aprendizado, melhora da saúde mental e aumento da imunidade. Nosso organismo lida melhor com situações estressantes quando o corpo está bem descansado, sendo o sono de boa qualidade essencial no combate ao estresse. Por isso, dormir bem e ter um sono de boa qualidade é fundamental na prevenção de vários 6 | Brazilian Magazine

problemas de saúde e pode contribuir no tratamento e recuperação da Covid-19 e dos sintomas do estresse desencadeados por ela. Mas como podemos melhorar a qualidade do sono? Algumas dicas podem ajudar a dormir melhor e evitar o uso de medicamentos: 1. Horários regulares para deitar-se e para acordar: É importante estabelecer horários para dormir e acordar e mantê-los como rotina. Nos dias em que não houver trabalho ou estudo, ou que os horários modifiquem e nos levem a acordar mais tarde por exemplo, é importante se levantar no máximo uma ou duas horas após o horário habitual, porque caso contrário, a sonolência durante o dia será maior quando precisarmos retomar o horário habitual. 2. A duração do sono deve ser apenas o suficiente para nos sentirmos bem, ou o quanto pudermos dormir, mas nada que ultrapasse esse tempo necessário para o nosso bem-estar. 3. Cochilos durante o dia devem ser evitados, mas caso sejam necessários, devemos limitá-los para apenas um cochilo, e com uma duração menor do que 30 minutos e antes das 15 horas para não prejudicar o sono noturno. 4. Uma temperatura agradável no quarto também é importante, bem como que

esse seja um ambiente limpo e sem umidade, silencioso e com uma iluminação adequada (evitando as lâmpadas fortes e brancas ou azuis, pois elas inibem nossa produção da melatonina, que é o hormônio que nos ajuda a dormir). 5. A luz emitida por aparelhos como TV, computador e celular, também prejudica o sono. Reduzir o uso desses aparelhos duas horas antes de dormir. Nesse horário, dê preferência às atividades que diminuam a tensão, ajudem no combate ao estresse e facilitem o sono, como respiração profunda e meditação. 6. Evite dormir sentindo fome, mas também não coma em excesso. O consumo de bebidas estimulantes (café, chocolate, refrigerante, chá preto ou qualquer outra que contenha cafeína) deve ser evitado 4 horas antes de dormir, bem como o uso de cigarros durante a noite e dentro do quarto. Bebidas alcoólicas também não devem ser consumidas antes do sono (de 4 a 6 horas antes), uma vez que o álcool, além de prejudicar a qualidade do sono, pode piorar os sintomas de depressão. 7. Estabeleça uma rotina antes de se deitar, seguindo sempre a mesma preparação: ir ao banheiro, tomar banho morno, alimentar-se de forma leve, escovar os dentes, colocar uma roupa adequada para dormir e preparar a cama da forma que mais nos agrade. Essas são dicas de profissionais especializados em problemas do sono, visando melhorar sua qualidade e combater os sintomas do estresse da pandemia. No entanto, se os problemas com o sono persistirem após quatro a seis semanas, é essencial procurar orientação médica e nunca usar remédios sem orientação e acompanhamento médico. *Texto de Talita Monsores Paixão, Enfermeira, MSc., doutoranda em Saúde Pública e Meio Ambiente na Fiocruz - Laboratório do Sono e Eletrofisiologia (LABSONO) (CESTEH/ENSP/Fiocruz). Research Scholar na UMass Boston. 2020 - Nº 83


Muitas pessoas nessas comunidades tiveram resultados positivos no teste para COVID-19

EVERETT, FRAMINGHAM E REVERE VOCÊ TEM O PODER DE SALVAR UMA VIDA Use máscara.

Lave as mãos.

Mantenha um distanciamento.

Não compartilhe alimentos, bebidas ou utensílios.

Sente-se doente? Fique em casa.

Faça o teste.

Saiba mais em mass.gov/PareCOVID19


Serviço | Fabiano Latham

Treinamento para salvar vidas Brasileiros recebem aulas práticas para prevenção de quedas na construção civil

Garantir que os trabalhadores da construção possam desempenhar seu trabalho com saúde e segurança. Esta é a meta do Centro do Trabalhador Brasileiro (CTB), que há seis anos tem uma aliança com a OSHA (Occupational Safety and Health Administration) para ministrar o curso de “Prevenção de Quedas na Construção Residencial” (Fall Prevention). Este ano, mesmo com a pandemia da Covid-19, o CTB conseguiu ultrapassar a marca de 600 trabalhadores treinados, o que é considerado um ótimo resultado.

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e acordo com a Coordenadora dos Projetos de Saúde e Segurança, Lenita Reason, os treinamentos tiveram início em janeiro, com aulas presenciais, e depois foram adaptados com sucesso para o ambiente virtual. “Tivemos uma boa adesão e até maior participação pela facilidade de poder fazer o curso de qualquer lugar”, afirma. Nos últimos meses, seguindo todas as regras de distanciamento e uso de máscaras, algumas aulas voltaram a ser ministradas pessoalmente. O curso “Prevenção de Quedas na Construção Residencial” tem duração de quatro horas e é focado em instruir sobre os cuidados essenciais para evitar acidentes no ambiente de trabalho. Os participantes aprendem sobre o posicionamento correto de escadas; como usar o cinto de segurança; regras para manusear equipamentos, entre outras instruções para evitar quedas. “Ao fazer o treinamento, o trabalhador tem mais chances de emprego e obtém todas as informações para fazer o que é correto”, ressalta a coordenadora. O CTB é a única organização nos EUA que tem aliança formal com a OSHA para desenvolver materiais específicos para os treinamentos, com uma linguagem acessível ao público-alvo. Anualmente, o Centro produz materiais educativos em Português, Inglês e Espanhol para distribuir entre os participantes. Cerca de 60% deles são brasileiros e os demais são hispânicos, de diferentes cidades dos estados de Massachusetts, Connecticut, New Hampshire, Maine, Vermont e Rhode Island. 8 | Brazilian Magazine

Além dos trabalhadores, muitos empregadores também recebem o treinamento, o que aumenta a chance de que todas as regras de segurança sejam cumpridas e multas sejam evitadas.

MAIS INFORMAÇÕES Registre-se para a próxima turma do curso de “Prevenção de Quedas na Construção Residencial”, com aulas em Português e certificado. Atendimento de segunda à sexta-feira, das 10h da manhã às 4h da tarde, telefone (617) 783-8001. 2020 - Nº 83


Pensando em Nossos Dias

Heloísa Galvão Jornalista e Diretora-Executiva do Grupo Mulher Brasileira

Não é Não

O dia 25 de novembro é o Dia Internacional da Luta contra a Violência à Mulher. A data foi criada em 17 de dezembro de 1999, pela assembleia geral da Organização das Nações Unidas para lembrar o assassinato, em 25 de novembro de 1960, na República Dominicana, das três irmãs Mirabal (Pátria, Minerva e Maria Teresa), conhecidas como as Mariposas. Elas foram mortas a mando do ditador Rafael Trujillo.

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violência contra a mulher se manifesta de várias formas. A mais conhecida é a agressão física, mas a mulher é violentada todos os dias, todos os minutos. No Brasil, ocorrem 180 estupros por dia, geralmente dentro de casa, por uma pessoa da família ou íntima da família. O ano de 2018 registrou um recorde: 66 mil casos de estupro, a maioria das vítimas tinham menos de 13 anos. O Brasil é o país que mais mata LGBTQ, e o quinto país em feminicídio. Um caso que ficou na história é o de Angela Diniz, morta com quatro tiros no rosto, em 1976, pelo ex-companheiro Doca Street, que alegou defensa da honra. Foi absolvido no primeiro julgamento. A violência é ensinada e perpe2020 - Nº 83

chora e é considerada fraca, nervosa, e descontrolada. A violência não se expressa apenas com tapas e socos. A doutora em psicologia Vasleska Zanello, da Universidade de Brasília, com pesquisas na área de gênero e saúde mental, diz que raramente recebe uma mulher em seu consultório que não tenha, pelo menos uma vez, feito amor sem vontade. Foi forçada. Isso é violência. A gente sabe que a mulher é penalizada pelo simples fato de ser mulher. Desde que nasce, tem um papel reservado, uma moldura na qual tem de caber. Quando se rebela, é castigada. Exemplo: Marielle Franco. A professora e advogada criminalista Luciana Boiteux, da Universidade Federal do trada desde que nascemos, quando Rio de Janeiro, chama atenção para aprendemos, por exemplo, que a mu- uma pesquisa de genoma, que mostra lher precisa de um homem. Um dos que o DNA do Brasil está estruturado questionamentos contra a presidenta com base no estupro de mulheres neDilma Roussef, por exemplo, é que gras e índias. Como acabar com a cultura do havia “algo de errado com ela” porque estupro? A psicóloga Vasleska era só. Não importa acha que os homens que tenha chegado a também têm que enocupar o posto mais trar nesta luta. Não alto do país. Os homens demonstram basta não estuprar. Os homens brinNão basta não pratisentimentos de cam de jogar bola, car violência. É precarrinho, médico. À forma agressiva e ciso denunciar e conmulher se dá uma são considerados denar publicamente, boneca e se ensina machos; e a mulher chamar os amigos à a ser dona de casa. chora e é considerada responsabilidade. Os homens demonstram sentimentos E hoje é um bom fraca, nervosa, e de forma agressiva dia para começarmos descontrolada. e são considerados a denunciar a violênmachos; e a mulher cia em todos os níveis. Brazilian Magazine | 9


Trocando em Miúdos

Eduardo Siqueira *Professor Associado - College of Public and Community Service (CPCS) - UMass Boston

Saúde do brasileiro na Era Biden

Na coluna da edição anterior escrevi sobre duas tragédias preveníveis nos Estados Unidos e no Brasil. Nela resumi os erros cometidos nos dois países no controle da COVID-19. A maioria do povo dos EUA parece concordar com minhas observações ao ter votado contra o Presidente Trump e sua resposta para lidar com a epidemia. Agora que Joe Biden foi eleito, o que podemos esperar do novo governo? Para começar, já está claro que o enfoque sobre a epidemia começou muito diferente mesmo antes da posse do futuro presidente. Biden leva a pandemia a sério, sempre usa máscara em público, mantém distância física em todo lugar que vai, não partidariza o vírus nem nega a gravidade da doença. Cientistas comprometidos com a verdade estarão no posto de comando no combate a esta epidemia. Biden acaba de nomear uma comissão composta por médicos, pesquisadores e administradores de Saúde Pública experientes para avaliar o péssimo atual panorama de transmissão do Coronavírus e sugerir medidas sanitárias para reduzir o número de casos e mortes causadas. Nada de tomar cloroquina ou beber água sanitária para “curar” a doença. Estas mentiras não farão mais parte das entrevistas do novo presidente e não teremos que perder mais tanto tempo para combater estes absurdos. Embora o resultado desta nova política de controle do vírus vá demorar alguns meses, já que o número de casos e mortes têm aumentando rapidamente em todo o país, é provável que medidas baseadas em dados e análises científicos serão adotadas em nível federal. A partir disso, espera-se que os estados 10 | Brazilian Magazine

tomará as seguintes medidas favoráveis à comunidade brasileira assim que for oficialmente empossado: 1. Eliminará os Decretos de Trump que paralisaram o chamado DACA, que permite temporariamente milhares de jovens brasileiros terem acesso ao Ensino Superior. 2. Cancelará os decretos do governo Trump, via a malfadada agência ICE, que permitiram a separação de mães e crianças na fronteira com o México. Apesar de apenas algumas famílias brasileiras terem sido afetadas, a perseguição aos imigrantes foi constante nos últimos 4 anos. Esperamos que o governo Biden dê menos ênfase nesta política anti-imigrante. 3. Os Estados Unidos voltarão a fazer parte e contribuir financeiramente para a Organização Mundial da Saúde (OMS), que tem papel fundamental no controle da pandemia no mundo inteiro. O governo Trump acusou a OMS de ser pró-China e se recusou a reconhecê-la como a única organização capaz de unificar os países no enfrentamento da pandemia.

e municípios recebam apoio para fazer mais testes, distribuir Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e recursos humanos, além de rastrear os casos de COVID-19 para saber onde o vírus está em cada local. Portanto, os brasileiros poderão ter mais confiança que o enfrentamento da pandemia é para valer daqui para a frente e verão luz no fim do túnel! Segundo declarou o futuro presidente, ele

4. Os Estados Unidos voltarão a fazer parte do Acordo de Paris, pois quase todos os países concordaram em adotar planos para reduzir a emissão de gases que contribuem para a mudança climática. Como um dos países que mais polui o Planeta com gases derivados do consumo de petróleo e carvão, os EUA não podem fugir de suas responsabilidades. Biden disse que nos próximos anos vai cumprir sua parte neste acordo. 5. O Presidente Bolsonaro não terá mais apoio para continuar o verdadeiro genocídio da população brasileira ao repetir em português as mentiras de Trump. Ficará cada vez mais difícil para Bolsonaro boicotar o que tem que ser feito para controlar o novo crescimento de casos de Covid-19 no Brasil. 2020 - Nº 83


Falando com Martha

Martha Vasconcellos

Psicóloga, com Mestrado nos EUA, e Miss Universo 1968. Última brasileira a ganhar o título de mulher mais bela do mundo.

Essa questão, acredito que comece a fazer parte intensa das nossas vidas quando entramos na adolescência. Como e quando começamos a ver o mundo em torno de nós, ideias, valores, gostos, desgostos, interesses e o que é verdadeiramente nosso e o que foi nos ensinado por nossa família, religião, escola e grupo social.

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sses grupos citados acima, são os formadores do nosso Superego ou Supereu, onde aprendemos com Freud que são os representantes e supervisores perpétuos das nossas ações, quase sem nenhuma mudança do nosso caráter, no decorrer da nossa existência. Alguma vez ou em algum tempo conseguiremos nos livrar dessas influências positi2020 - Nº 83

Quem sou vas ou negativas de como vamos nos transformando ao longo dos anos? Duvido muito, pois que esses valores funcionam como um pai severo, com suas ideias de moralidade, que nos enche de culpa e nos adoece quando vamos de encontro a esses princípios. Mas também, somos certamente humanos em evolução, até o nosso último suspiro. Ao pensar sobre “quem sou”, me deparei com um escrito de minha mãe quando ela tinha 10 anos, onde descreveu no seu trabalho escolar suas características físicas e seu núcleo familiar, ao responder “Quem sou”. Talvez ela era ainda muito pequena para pensamentos elaborados e conflitos de identidade. Também me ocorreu pensar nas teorias do desenvolvimento Infantil em várias fases, dos estudos de Piaget. Outro aspecto a acrescentar, seria o que, e quem somos, talvez seja bem diferente do que as pessoas pensam sobre quem somos. Quem será que nos conhece na nossa essência, além de nós mesmos? Será que realmente nos conhecem? Na verdade, não sabemos. Será que no nosso inconsciente, onde somos quem não sabemos quem somos, encontro a resposta? “Penso, logo existo”, ou em francês “Je pense, donc je suis”. Essa é a famosa frase do filósofo René Descartes escrita em 1637 e está no livro Discurso do Método, anos depois Freud irá reformular essa frase dizendo “Existo onde não penso”, trazendo o primeiro esboço teórico do que viria a ser o objeto de estudo da psicanálise: a noção do inconsciente, aquele que guardaria a nossa real identidade. O inconsciente é uma instância psíquica, que pouco sabemos sobre ele e só podemos acessá-lo através da

interpretação dos nossos sonhos. O inconsciente também é o responsável pela formação dos sintomas neuróticos. São os nossos impulsos e necessidades instintuais, que buscam as satisfações, quando então entram em conflito com o Superego. Tendo estudado isso, como saberei com certeza quem sou? O inesperado inconsciente pode sempre nos fazer uma surpresa. Também temos que pensar que o inconsciente muitas vezes nos trai, através dos “atos falhos” e da “pulsão ou desejo de morte.” Algumas vezes tomamos atitudes corajosas, espontâneas e impulsivas, que nem sabemos de onde vieram, mas certamente vem do nosso inconsciente. Difícil tarefa a de procurar entender quem somos ou “conhece-te a ti mesmo”, aforismo atribuído a Sócrates, que se encontra no templo de Apolo, em Delfos, na Grécia. O fato é que, acredito que a família, os que estão no nosso “entorno,” e as nossas experiências vividas são as ferramentas necessárias para nossa sobrevivência no Planeta Terra. Nossas origens estão sempre na nossa essência e formaram nosso caráter. As experiências negativas servem como reflexão e fazem parte da nossa decisão: eu não quero isso para mim. Subimos os degraus da escada de nossas vidas e muitas vezes somos empurrados para baixo, mas com uma boa fundação, começaremos outra vez e tentamos acertar no próximo degrau, seguindo nosso desenvolvimento. Quem sou? Sou um projeto divino e humano, que reza todos os dias para fazer o melhor que sabe e pede a ajuda de Deus para me livrar do mal e de todas as tentações. Sou frágil, insegura e cheia de defeitos. Sou, onde não sei quem sou. Brazilian Magazine | 11


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Como o monitoramento Kamala Harris, a pode ajudar a parar vitória do sufragismo o virus? Palavras de Mulher

Zenita Almeida

Jornalista e consultora em cerimonial e eventos

A história da independência feminina já existe desde o começo do mundo. Não custa lembrar a rebeldia do quevítima chamamos contato de Através Maria Madalena, da perseguição machista de monitoramento, MA COVID conservadora de um grupoodetime falsos moralistas, vai identificar os casos oconfirmados querendo seu apedrejamento, que teria sido consumado se não fosse à interferência de COVID-19 e chamá-los parade Jesus.

Após o sucesso das sufragistas inglesas, várias mulheres lideraram movimentos pelo mundo. No Brasil, o direito ao voto feminino foi reconhecido em 1932. A última das grandes potências modernas liberais europeias a reconhecer tal direito foi a França, no ano de 1945. A vitória de Kamala Harris a vice-presidência dos Estados Unidos conectar com suporte e recursos foi á vitória de todas nós mulheres, necessários durante a quarentena. independente de nacionalidade. Foi ssa perseguição persiste até das Mulheres, se juntando as demais mais uma conquista de luta de muCom suaacompanhar ajuda, oo time MA promovendo COVID manifesta- lheres que não se curvaram aos demilitantes, hoje, a basta ções, greves que e campanhas publicitá- safios da sua liberdade, da valorizanúmero da violência e as- a vai também contatar todos sassinato de grandes números de rias, o que lhe custou várias prisões, ção da sua condição feminina capaz foram expostos inclusive de Anne Kenny uma das de contribuir tanto quanto, seja na mulheres. O mundo mudou eao vemvirus. mudando gradativamente, graças sufragistas. politica ou qualquer outro nível de Foram anos de lutas desse mo- valores para o bem da humanidade. as grandes guerreiras sufragistas que vêm conquistando o mundo, vimento, para provar sua capaciAs mulheres sempre tiveram um derrubando muralhas e alcançando dade de participar ativamente da papel importante na história da política e da força do seu trabalho vida. Além da sua participação na vitória. Se hoje nós temos mulheres no como todo, inclusive em cargos ex- economia no fim da Primeira Guerwww.mass.gov/matracingteam poder com direito ao voto, essa pressivos. E nesse processo cons- ra, na era industrial, foram elas que conquista nós devemos as batalhas tante, veio fim da Primeira Guerra também contribuíram com a ecode tantas mulheres guerreiras que Mundial, onde grande nomia através do seu deram origem aos grandes movi- parte dos homens trabalho manufamentos feministas, e um deles foi mor re ram e os turado. o “movimento sufragista”, no início que retornaram Que outras Kado século XX, liderados por mulhe- em estado de incamala Harris sejam res de todos os países do mundo, pacidade. A Inglavitoriosas, provanreivindicando seus direitos, inclu- terra reconheceu do para o mundo No Brasil, o que necessitava da sive o de votar e ser votada. q u e o s p ad rõ e s O “movimento sufragista” foi força da mulher femininos de ladireito ao voto liderado por mulheres militantes para reerguer-se var, passar roupa, feminino foi como a inglesa Millicent Fawcett, econom ic a me n fogão, cozinha e que em 1897 fundou a União Na- te, fator decisivo submissão ficaram reconhecido em cional pelo Sufrágio Feminino, for- para ser atendidas num passado retró1932. talecendo ainda mais o movimento. em suas reivindigado que não exisEmmeline Pankhurst também foi cações. Ganhou o te mais, porém se uma ativista ativa. Em 1903 fundou direito ao voto e o mundo precisar, a WSPU (Women’s Social and Poli- participação em nós faremos isso tical Union) União Social e Política cargo politico. tudo e muito mais.

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AG Healey sues Boston Sports Clubs After repeated failures by Boston Sports Clubs (BSC) to honor cancellation requests and stop charging for unwanted memberships, Attorney General Maura Healey has sued the company for violating state laws and refusing to follow through on previous commitments with the AG’s Office to provide refunds to thousands of affected consumers.

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he complaint, filed in Suffolk Superior Court against Town Sports International LLC d/b/a Boston Sports Clubs, alleges that BSC misled its members about their rights and continues to charge members who requested cancellation in violation of Massachusetts consumer protection laws. “From the start of this pandemic, Boston Sports Clubs has shown a total disregard for its members, for good business practices, and for the law,” AG Healey said. “This company claimed it wanted to do the right thing, but it reneged on its promises. We are taking action today to secure relief for the thousands of people who have been cheated by BSC.” After BSC closed all its locations on March 16 and substantially changed operations in response to the COVID-19 pandemic, the AG’s Office has received more than 2,000 complaints from members who have tried and failed to cancel their contracts with the company to avoid paying for facilities they could not access. Consumers report that they have called, emailed and sent social media messages to BSC in an effort to cancel their contracts, all without receiving any response. Consumers also allege BSC continued to charge for memberships 2020 - Nº 83

even after receiving cancellation notices. BSC facilities remained closed until early July 2020, and multiple facilities in Massachusetts have since closed again. Under Massachusetts law, consumers have a right to cancel a contract with a health club without penalty when the club “substantially changes the operation of the health club or location.” The indefinite closure of all BSC clubs as a result of the COVID-19 epidemic qualifies as a “substantial change” and gives BSC’s members the right to cancel their contracts. Despite being closed, BSC charged members the full April membership fee. Members who attempted to cancel their contracts in March and April were rebuffed and told they needed to cancel with 30-45 days’ notice, in person and/or by certified letter, and pay a cancellation fee, despite being unable to access or use the facilities. As the result of a demand letter from the AG’s Office sent in April, BSC agreed to stop billing their members while their gyms are closed, place a no-cost freeze on all accounts, and allow members to cancel their contracts without paying a fee. However, many members who submitted cancellation requests in April, May and

Reprodução

June still were not cancelled. In July, when BSC resumed limited operations, memberships that were automatically frozen were unilaterally unfrozen and accounts were automatically debited without consent. BSC also sent emails to its members trying to persuade them not to move forward with their cancellations. According to the AG’s complaint, BSC refused to process new cancellations unless members paid a $10 cancellation fee. If they did not pay the fee, BSC continued to charge them monthly. BSC also threatened to refer members to debt collection agencies when members did not continue to pay for the memberships they had previously canceled. Most recently in October, while the bankruptcy was pending, BSC agreed to a deal with the AG’s Office to provide refunds to its members and ensure that everyone who wanted could cancel their contracts without penalty as long as the clubs were operating at substantially reduced capacity. But BSC has since refused to make any effort to live up to the terms of the agreement. The AG’s complaint seeks injunctive relief, civil penalties and other appropriate relief pursuant to the state’s consumer protection law. Brazilian Magazine | 15


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