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2020 - V. 13 | N.80 Vencedora NE Ethnic Newswire Award 2008 Press Award Vencedora 2010 | 2011 NE Ethnic Newswire 2012 2013 Award| 2008 Press Award 2010 | 2011 2012 | 2013

Vem aí um verão COVID O que será do nosso “novo normal”?

Falando com Martha

Você sabe sobre gratidão?

Trocando em Miúdos

Sobre estar perto, mesmo que não...

BM in English

Coalition outlines demands for next reopening stage


Como o monitoramento pode ajudar a parar o virus? Através do que chamamos contato de monitoramento, o time MA COVID vai identificar os casos confirmados de COVID-19 e chamá-los para conectar com suporte e recursos necessários durante a quarentena. Com a sua ajuda, o time MA COVID vai também contatar a todos que foram expostos ao virus.

www.mass.gov/matracingteam

Espalhe a notícia. Pare o vírus.


Direto da Redação

Expediente

Co-Editores Marcony Almeida & Mark Puleo Repórter Especial em Nova York - Guest Writer Manoela Maia McGovern Repórter Especial & Coordenador de Eventos - Guest Writer Fabiano Latham Colunistas Eduardo Siqueira Heloísa Galvão Zenita Almeida Elisa Tristan-Cheever Martha Vasconcellos Direção de Arte, Ilustrações e Publicidade Cícero Rodrigues

A Brazilian Magazine é uma publicação da empresa The Brazilian Journal, INC. Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião da Brazilian Magazine, sendo inteiramente de responsabilidade de seus autores. OPINE A Brazilian Magazine quer muito saber sua opinião. Envie comentários com nome completo e pelo menos duas formas de contato (telefone, e-mail, endereço) para The Brazilian Journal Magazine, P.O. Box 490543, Everett, MA 02149. Ou envie e-mail para: info@brazilianmagazine.net

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2020 - Nº 80

Parece que o pior da pandemia COVID-19 já passou, e o próximo passo agora é planejar o verão que vem por aí. Será? O governo de Massachusetts já anunciou a “segunda fase” de reabertura do comércio, e aqueles que perderam seus empregos, e outros vivendo no isolamento há mais de três meses, estão comemorando a vida de volta ao “normal”. Ou será um “novo normal”? Nessa edição especial de aniversário de 13 anos da nossa revista, trazemos como matéria principal uma análise da médica brasileira Dra. Elisa Tristan-Cheever, que trabalha no Cambridge Health Alliance na área de gerenciamento de voluntários e programas, e tem acompanhado de perto a crise que o COVID-19 trouxe para a saúde pública. E ela traz uma alerta para aqueles que acham que tudo agora já pode voltar ao normal. A colunista Martha Vasconcellos traz em sua coluna Falando com Martha um texto bastante reflexivo, principalmente para aqueles que encontram-se impacientes, e de certo modo com raiva de viver no isolamento. Já pensamos na importância de sermos gratos? Confira! Na coluna Palavras de Mulher, a jornalista Zenita Almeida escreve sobre um outro resultado triste dessa época de pandemia, o aumento significante no número de violência doméstica, tanto aqui nos Estados Unidos quanto no Brasil. E em Trocando Miúdos, o professor Eduardo Siqueira e seus convidados nos brindam com o texto poético da “distância não tão distante”. Ótimo convite à reflexão! Nesses 13 anos de Brazilian Magazine, nossa equipe tem trabalhado para levar à comunidade brasileira em Massachusetts, Nova York, e em todo o mundo a melhor notícia, os fatos apurados, e informação precisa para ajudar, mesmo que um pouco, nossos compatriotas a ficarem sempre informados dos fatos que são importantes para aqueles que vivem aqui na terra do Tio Sam. Isso não seria possível sem nossos fiéis leitores e anunciantes que acreditam no jornalismo profissional. Por isso, o nosso MUITO OBRIGADO! E obrigado, especialmente, a toda nossa equipe que faz a Brazilian Magazine! Quem venham mais 13, 14… e muitos mais anos. Convidamos você, também, a acompanhar as notícias online no www. brazilianmagazine.net, e nas nossas mídias sociais pelo Facebook, Twitter e Instagram.

And don’t forget to read our BM in English! Marcony Almeida & Mark Puleo

Nesta edição 4 e 5 Especial Vem aí um verão COVID 6 Comunidade Estado anuncia regras, e ano escolar será diferente para todos 7 Palavras de Mulher Pandemia da violência 10 Trocando em Miúdos Sobre estar perto, mesmo que não... 11 Falando com Martha Você sabe sobre gratidão? 12 Serviço Análise mostra iminência de crise no setor imobiliário no verão 14 BM in English Coalition outlines demands for next reopening stage

Imagens que ilustram a capa e as matérias: freepik.com

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ESPECIAL | Dra. Elisa Tristan-Cheever

Vem aí um verão COVID

A temperatura na Nova Inglaterra vai subindo aos poucos e estamos vendo vingar a primavera e com ela a promessa de um verão a caminho. E mesmo com essa oscilação em temperaturas, as pessoas vão fazendo os planos para uma era pós-COVID-19. 4 | Brazilian Magazine

2020 - Nº 80


Mas será que é mesmo o fim do COVID e que a normalidade de dias calorosos, churrascos e abraços sem fim voltarão? Para isso, temos que verificar a história da humanidade o desfecho de outras pandemias, entender o que é o vírus e analisar a necessidade redobrada da atenção pelos gestores de saúde, especialistas em saúde pública e a comunidade científica mundial.

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e a gente for pesquisar a pandemia de gripe que foi detectada nos E.U.A, em 1918, veremos o número expressivo de mortes, a demora para se encontrar o agente causador, a presença de uma segunda leva de infectados e o que se aprendeu ou não com esse flagelo. Vamos ser realistas? Claro que não podemos passar o resto da vida isolados, dentro de casa. Mas, o ser humano não é conhecido por ter um comportamento exemplar e bom para seguir regras. Este que é o problema. Se nem o calor chegou e eu vejo pessoas andando sem máscaras, em festas, não obedecendo as ordens legais de usar a máscara e evitar a aglomeração de pessoas. Conseguiremos manter essa chama acessa do princípio de se cuidar e cuidar o próximo? Este vírus é inteligente. Não afeta somente as pessoas com um risco elevado, como idosos e portadores de doenças crônicas. Ele está afetando crianças e pessoas que até um tempo atrás seriam consideradas jovens ou saudáveis para isso. Outro mito. Se ele não atingiria os humanos no calor, como teríamos casos no nosso Brasil tropical sabendo que ele chegou lá em pleno verão? A questão não é o reabrir. É como fazê-lo e como fazer as pessoas respeitarem as regras. E o mais importante, fornecer as condições necessárias para que isto aconteça. Talvez você diga que se morre de vírus ou se morre de fome. Porém, você gos2020 - Nº 80

taria de se arriscar a adoecer? O Governador Baker mostrou o seu plano para reabertura em fases. Enfatizo que apesar de ele ter um grupo incluindo gigantes da saúde, construção e companhias, este grupo não nos representava pois não mostrava a diversidade que existe no estado de Massachusetts. O SARS-CoV2 afeta qualquer um, rico ou pobre, branco ou negro, imigrante ou não, documentado ou não. Mas ela definitivamente se gaba das desigualdades sociais, seja aqui ou no Brasil, para realmente estraçalhar física, mental e financeiramente os mais vulneráveis. O impacto é muito maior na população de cor, no trabalho informal, nos pequenos negócios e naqueles sem um status migratório. O novo normal tem que vir com restrições. Não à aglomeração! Reuniões não podem acontecer como antes e o nosso famoso beijinho no rosto e o aperto de mãos deverão ficar para o futuro. Você da construção, a distância deve existir mas entendemos que muitas atividades não podem ser feitas solitariamente. Mais uma vez a importância do uso de máscaras e uma higiene adequada das mãos. Hora do break? Nada de grupinhos juntos. Não é falta de educação mas sim de amor ao próximo. E as praias ou a pelada do fim de semana? Os jogos e esportes estão entre os últimos para retornar ao que chamaremos novo normal. Por isso, não use

desse tempo bonito para acabar quebrando os protocolos, lembrando que talvez aqueles minutos de confraternização podem render dias de aflição e enfermidade. A minha mensagem é clara. O vírus não vai sumir por completo. E uma vacina não é uma coisa que aparece de um dia para outro. Bato na mesma tecla, ainda sabemos pouco sobre ele e temos que aguardar por mais estudos e dados para verificar a existência de imunidade ou não, poder de reinfecção e como enfrentaremos as futuras ondas da doença. Temos que ser cautelosos, temos que oferecer condições para todos. Vejam bem, TODOS para que tenham acesso à proteção, treinamento na língua adequada, fiscalização correta e principalmente apoio financeiro para quem necessita e não somente para as grandes corporações. Espaço físico e áreas delimitadas entre as pessoas para higiene das mãos, máscaras disponíveis, álcool em gel se possível. E tempo.... Mudanças não ocorrem de imediato, e pelo lado da saúde emocional, ainda teremos que nos dar a nós próprios a compreensão e o período adequado para poder digerir o que está acontecendo e para a adaptação aos novos hábitos. Até agora, estudos mostram em certos países que um número pequeno de pessoas teria anticorpos contra o COVID-19. De toda maneira, tem muita gente aí que nem sabe se foi exposto à doença, ou se ainda está virgem e em risco de desenvolvê-la na próxima vez que esse coronavírus vier com tudo. Precisamos de mais testes, informação e apoio. O primordial é a calma, o monitoramento da situação, o rastreamento de contatos e planejamento. Planeje a sua vida pessoal e profissional com calma, siga as recomendações corretas dos órgãos certos, e não de dirigentes que não entendem de nada e não se importam com a saúde da comunidade. E mantenha a fé e a certeza que voltaremos diferentes, mas esperamos que mais fortes. Brazilian Magazine | 5


Comunidade |

Estado anuncia regras, e ano escolar será diferente para todos Classes menores e “isoladas”, máscaras em alunos e funcionários, lavagem frequente das mãos e espaçamento de um metro e meio entre as mesas estão entre os elementos necessários para reabrir com segurança as escolas no outono, de acordo com as novas diretrizes estaduais.

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comissário de educação primária e secundária de Massachusetts, Jeff Riley, enviou aos superintendentes das escolas orientações sobre as novas normas de segurança para ajudá-los a se preparar para reabrir os prédios escolares que estão fechados para os alunos desde março, observando que alguns itens podem levar mais tempo que outros para serem adquiridos. O departamento recomenda a encomenda de suprimentos suficientes para as primeiras 12 semanas de escola, com base nas estimativas atuais, e afirma que as autoridades estaduais “estão comprometidas em fornecer apoio aos distritos na aquisição dos suprimentos necessários”. Dentre os itens necessários incluem-se máscaras, luvas e aventais descartáveis; protetor ocular; protetores faciais; desinfetante para as mãos e quantidades menores de máscaras de ventilação N-95, apenas para serem usadas quando a equipe estiver em contato com um caso de COVID-19 positivo suspeito ou dedetizando os ambientes constantemente. Suprimentos como luvas, roupas e proteção para o rosto destinam-se a funcionários, como enfermeiros e alguns professores de educação especial, que podem ter contato “de alta intensidade” com os alunos ou com os funcionários da limpeza que lidam com o lixo. Além de fornecer os suprimentos para equipar as escolas para a educação 6 | Brazilian Magazine

durante uma pandemia, a mensagem de Riley também descreve uma série de outras medidas de saúde e segurança que ele acredita ser necessárias para uma reabertura no outono, com base nas atuais recomendações estaduais e federais. A orientação exige a manutenção de seis pés (1.8m) de separação “em todos os momentos”, incluindo a forma como as mesas são organizadas. “A implementação bem-sucedida de 6 pés de distanciamento social exigirá turmas significativamente menores e taxas reduzidas de funcionários para alunos”, disse o memorando. “Além disso, sem-

pre que possível, os programas devem isolar grupos individuais de alunos com um professor designado de forma consistente, e os grupos não devem se misturar com outros alunos ou funcionários. Atualmente, o tamanho dos grupos é restrito a um máximo de 10 alunos, com um limite de 12 pessoas na sala, incluindo estudantes e funcionários”. Estudantes e funcionários devem ficar em casa quando estiverem doentes ou tiverem algum sintoma de COVID-19, sendo assim, as escolas irão precisar de “protocolos aprimorados” para gerenciar ausências, segundo a orientação. Os alunos e os funcionários precisarão cobrir o rosto, com os pais fornecendo as máscaras para os alunos e “máscaras descartáveis de reserva” disponíveis na escola para as crianças que precisarem delas. Quem não puder usar uma máscara com segurança não irá precisar, mas será necessário um distanciamento social nesses casos. Uma sala precisará ser reservada para os alunos que ficarem doentes durante o dia escolar, de acordo com as orientações, e as escolas precisarão desenvolver novos protocolos de limpeza e desinfecção. Haverá lavagem frequente das mãos, inclusive na chegada à escola, mas não são recomendadas verificações de temperatura para os alunos que chegam, “devido ao número significativo de resultados falso-positivos e falso-negativos”. Informações adicionais sobre a triagem de sintomas “serão fornecidas nas próximas semanas”, afirmou o documento. “Pode haver necessidade de instrução pessoal e aprendizado remoto, e o que estamos fazendo é criar modelos sobre todas as possibilidades que podemos oferecer aos distritos, à medida que nos preparamos para começar o verão e depois pensar novamente em como podemos começar no outono”, disse ele. 2020 - Nº 80


Palavras de Mulher

Zenita Almeida Jornalista e consultora em cerimonial e eventos

Pandemia da violência

A pandemia do COVID-19 veio de modo devastador, trazendo grandes transformações para o mundo de forma global. O isolamento social foi recomendado pelas autoridades de saúde como medida mais eficaz à contaminação e da propagação do vírus. Porém, uma das consequências da recomendação do “FiqueEmCasa” tem trazido grandes consequências para a violência doméstica contra as mulheres, crianças, e no tocante a pedofilia que acontece dentro dos lares.

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egundo a neuropsicóloga Dra. Roselene Espirito Santo Wagner , no Rio de Janeiro houve um aumento de 50% de casos de violência durante esse confinamento. Em Maceió, AL, a Dra. Julia Nunes, presidente da Associação para Mulheres da OAB, afirmou que, entre março e abril, a associação recebeu 402 vítimas entrou com 15 pedidos de medidas protetivas e 60 denúncias formalizadas, isso significa o dobro dos meses anteriores ao isolamento. De acordo com El País Brasil, a Colombia conta com mais de 2.700 casos confirmados de COVID-19 e 109 mortes, apenas entre 20 de março a 4 de abril. E no período, 12 mulheres foram assassinadas, e um aumento de 79% de pedidos de ajuda. O serviço de emergência 137 para vítimas de abuso da Argentina, apoiado pelo Departamento de Justiça, afirma um aumento de 67% nos pedidos de ajuda em abril comparado ao ano anterior, desde o isolamento de 20 de março. Em um relatório divulgado pela ONU Mulheres, registrou indícios de um aumento contra mulheres no México, no Brasil e na Colombia, e uma duplicação de número de feminicídios na Argentina, durante esse período de quarentena, citando um observatório de mulheres de Mar del Plata.

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segundo os dados do ligue 180. Para reforçar o alerta sobre a necessidade de proteger meninas e mulheres durante a pandemia, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) publicou um documento intitulado “COVID-19 Um olhar para Gêneros-Proteção da Saúde e dos Direitos Sexuais e Reprodutivos e Promoção da Igualdade de Gênero”. No Chile, a ministra de Assuntos das Estamos em um cenário mundial Mulheres disse que as ligações de de- adverso, em situação de confinamennúncia de abusos domésticos aumen- to as mulheres estão trancadas com taram 70% no primeiro fim de semana seus próprios abusadores. A violência da quarentena. O governo reforçou os doméstica passa a ser outra pandemia, canais de aconselhamento e procurou explica a Maria Noel Baeza, diretora manter os abrigos para mulheres em regional da ONU Mulheres. risco abertos. Evelyn Matthei, prefeiO governo brasileiro, através da ta de Providencia, um bairro de classe Secretaria de Políticas para as Mualta de Santiago, disse à Reuters que lheres, tem um canal de comunicação as chamadas para um escritório local para as mulheres vítimas de violência que oferece ajuda legal, que vivem nos Estados psicológica e social auUnidos. Esse canal funmentaram ao menos ciona 24h e atende Estamos em um 500% durante o isotambém a violência cenário mundial lamento. do tráfico de pessoas, adverso, em situação e violência de gêneNa Colômbia, as ligações diárias para ros. A ligação para o de confinamento denunciar a violên180 internacional é as mulheres estão cia doméstica a um serviço gratuito trancadas com seus um disque-denúncia nae será direcionado á próprios abusadores. central de atendimencional das mulheres aumentaram quase to às mulheres da SPM 130% durante os 18 em Brasília, e encamiprimeiros dias da quanhado a Rede Consular rentena, segundo cifras do governo. O brasileira de serviços de assistência no isolamento do país foi prorrogado até exterior ou para a Polícia Federal, de 11 de maio aguardando os próximos acordo com o teor da ligação recebida. índices da expansão do vírus. Os Consulados locais poderão conNo Brasil, de acordo com Damares tatar a vítima para prestar-lhe assisAlves, ministra da Mulher, da Família tência ou acionar as autoridades loe dos Direitos Humanos, houve um cais. Para maiores informações acesse aumento de 12% no volume de de- o serviço National Domestic Violence núncias na semana de 23 de março, Hotline no site www.thehotline.org. Brazilian Magazine | 7


VOCÊ TAMBÉM CONTA O número de moradores de cada cidade determina o valor de verbas para:

ESCOLAS

HOSPITAIS

ESTRADAS

REPRESENTAÇÃO POLÍTICA

Os dados do Census são sigilosos Em alguns casos, 10 minutos são suficientes para responder

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Internet: www.my2020census.gov Telefone: (844) 474-2020


Criamos nosso plano de saúde em torno de você. A Steward Health Choice acredita numa abordagem pessoal aos cuidados de saúde diretamente na sua comunidade. Estamos aqui para facilitar o acesso e a utilização de cuidados de saúde com qualidade. Steward Health Choice é um plano do MassHealth. Nosso objetivo é oferecer cobertura de saúde de qualidade, programas, serviços, e benefícios extras para apoiar você no seu caminho para o bem-estar. SUAS NECESSIDADES, SUA SAÚDE, SUA VIDA.

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Trocando em Miúdos

Eduardo Siqueira *Professor Associado - College of Public and Community Service (CPCS) - UMass Boston

Sobre estar perto, mesmo que não...

Que rasteira levamos com esta estória de um vírus ainda indecifrável! Não temos certeza de nada, absolutamente nada. Não sabemos como realmente surgiu, quanto tempo permanecerá nocivo naquela bolsa de plástico que acabei de trazer da farmácia. Nem sei se ele está lá, na verdade. Não posso vê-lo!

N

ão sabíamos que éramos capazes de vivermos isolados fisicamente uns dos outros, porque tínhamos certeza que não saberíamos sobreviver sem o nosso convívio social. Cada um entre suas quatro paredes e, de repente, estamos mais conectados uns aos outros que nunca. Passamos a nos preocupar até com aqueles que aparentemente não impactavam nossa rotina: será que a menina do caixa do café está bem? E aquele senhor que se sentava na cadeira do canto? Será que todos estarão lá ainda quando recobrarmos nossa consciência? Será mesmo que estamos acordados? São tantos “serás” que prefiro já nem expressar mais minhas verdades. A poesia segue entorpecida. Sigo na incerteza. E a irmã do duvidoso é o medo. Isso. Aquele mesmo que eu senti quando fui à rua hoje. Não tive medo de sair ou de pegar a doença, já estou mais habituada à minha máscara, etc. Tive medo de lembrar como 10 | Brazilian Magazine

era a minha vida e não saber voltar àquela que tenho agora e que ainda segue sem perspectiva de mágica a curto e médio prazos. Tenho pensado há alguns anos sobre a história de Ulisses, aquele cara que lutou na guerra por dez anos. Depois, durante mais dez tentou voltar para casa em meio a um milhão de turbulências e contratempos. Foi por causa dele que o estresse relacionado à condição migratória ganhou o nome de “Síndrome de Ulisses.” O imigrante aprende a conviver com sentimentos muito peculiares e inerentes à jornada de alguém que deixou uma vida para abrir o peito para uma outra realidade, um outro trabalho e um outro mundo. Aprendemos a nos entender conosco mesmos e com o diferente. Aprendemos a ceder quando preciso, a flexibilizar, a entender o outro pelo gesto ou pela expressão; a língua é um desafio mesmo para mim que estou

em Boston há 3 anos completos. Treinamos nosso cérebro a reagir rápido e a absorver muita informação de uma vez só. Somos diferentes. Estamos habituados a encarar com fé aqueles desafios todos que já deixamos pra trás, e assim como Ulisse, não estivemos ou estamos sozinhos em nossa odisseia. Sempre alguém esteve presente para dar aquele empurrãozinho que fez e faz toda a diferença. Muitas das vezes, aquele ser único nem percebeu o quanto dividiu águas de um mar em ressaca. Obrigada amigas da festa junina da Igreja de Santo Antônio, serei eternamente grata! Dentre as verdades que já não assumo, penso que a resiliência seja a lição desta pandemia: a rápida adaptação ao necessário à sobrevivência. Nós, brasileiros no exterior, somos o retrato vivo da valentia diante das adversidades. Vamos superar mais essa, pois já chegamos até aqui! Só precisamos abusar da sociabilidade - mesmo que distantes fisicamente - e nos curvar à solidariedade para sairmos do outro lado mais convictos de nossa missão. Que a COVID-19 seja a nossa melhor professora e não nossa maior inimiga.

*Dra. Camila Maciel de Oliveira é escritora, poetisa, médica e professora universitária. Escreve em rima peças de teatro para crianças sobre medicina preventiva, entre outros temas. Atualmente é pesquisadora visitante no Global CoCreation Lab, Instituto de Engenharia Médica e Ciências, MIT.

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Falando com Martha

Martha Vasconcellos

Psicóloga, com Mestrado nos EUA, e Miss Universo 1968. Última brasileira a ganhar o título de mulher mais bela do mundo.

Você sabe sobre gratidão?

Ainda vivenciando tempos de pandemia, trancada dentro de casa com janelas bem abertas, tão necessárias para a circulação do ar, sem muito “o que fazer”, além das tarefas domésticas diárias. Tempo de reflexão, para que possa sair dessa crise, que me tirou da ilusão da permanência como um ser humano melhor. E os amigos mandam mensagens perguntando como estou, ao que sempre respondo: aqui, na minha trincheira, com a metralhadora em punhos, esperando o Coronavírus passar, para metralhá-lo.

T

ento fazer piada, para distrair as ideias e a monotonia que se instalou de repente na minha vida, longe fisicamente de todos que amo, e não sei por quanto tempo. Também me ocorre pensar na letra da música de Raul Seixas, “com a boca cheia de dentes, esperando a morte chegar”. Quem poderia prever uma situação dessas? Alguns querem se consagrar como previsores de um futuro que agora se torna presente, e enviam textos de livros com mensagens inteligentes e apocalípticas. Na televisão, exibem filmes do como Noé, contando a história do Dilúvio. Estaria o Criador cansado da sua criação e achando que é tempo de exterminação para que os que sobreviverem possam começar e estruturar um novo planeta? Na verdade, somos testemunhas de como o mundo tem mudado, purificado da nossa daninha presença. O ar mais puro da poluição dos meios transporte e dejetos de fábricas. Os mares e os rios cheios de vida, depois que paramos de atormentar os que lá habitam com a nossa insistente e danosa presença. O planeta Terra se regenerando. Vem na minha mente a palavra GRATIDÃO. Gratidão por tudo que ganhei gratuitamente das mãos desse Criador 2020 - Nº 80

e não dei nenhum valor, justamente por ter sido gratuito, sem nenhum esforço para consegui-lo. O sentimento de gratidão nos traz equilíbrio, paz e felicidade, nos faz sentir privilegiados. Sim, a nossa mente se acalma, a ansiedade e depressão vão embora e se instala nesse lugar mental a quietude e plenitude. A valorização do que temos e que na maioria das vezes conquistamos com alguns sacrifícios e a valorização do que temos porque nos foi dado, não são “coisas sem valor,” somente porque já as temos, já as conquistamos. Gratidão com as mínimas coisas diárias, tais como um dia de sol ou mesmo um dia de chuva. Sempre com o contentamento e apreciação do aqui e agora, no momento presente. Aprendendo a agradecer por tudo a todos, nos dá uma sensação de preenchimento, inclusão e propósito de vida. Como por exemplo, às vezes assistindo ou lendo o noticiário, dou-me conta do meu privilégio: tenho um teto para me abrigar, enquanto outros sofrem com guerras, intolerâncias, desabrigo causado por bombardeios ou mesmo por desastres ambientais. Tenho alimento, para saciar a minha fome, muitas vezes até em exagero.

Não estou doente ou sentindo nenhuma dor, meu cérebro está funcionando espontaneamente e posso mexer qualquer parte do meu corpo físico que desejar. Não estou encarcerada em um presídio estadual ou federal, por ter cometido algum delito. O meu delito foi contra a humanidade e o Planeta que habito, vale ressaltar; um delito muito sério. No meu encarceramento físico por causa da pandemia (COVID-19) estou rodeada das “minhas coisas”: dos meus livros, tenho a minha confortável cama, eletrodomésticos e eletrônicos e essa sensação do que me é conhecido, estabiliza-me. Hora de contar as bênçãos e agradecer pelos privilégios, refletindo e agradecendo porque tenho tanto, enquanto o meu irmão sofre por nada ter. Há alguns dias, recebi uma mensagem em um aplicativo de telefone celular, sugerindo arrumar uma caixa ou um jarro com tampa, mas vazia e nele colocar todos os dias três notas para mim mesma, expressando três razões pelas quais eu sou grata. Achei um exercício bom e fácil. Por causa do sentimento de gratidão, a paz que me habita libera positividade para meu cérebro e o hormônio Ocitocina, também conhecido como o hormônio do amor, hormônio produzido pelo hipotálamo e armazenado na hipófise, responsável por desenvolver o apego e a empatia entre os humanos, que consequentemente aumenta os neurotransmissores para tomadas de decisões melhores. Então, sugiro fazer o exercício de presumir das pessoas o melhor, ao invés do pior. Vamos fazer o exercício de nunca prejulgar (esse, muito difícil) e vamos administrar esses comportamentos de gratidão diariamente, para o nosso próprio equilíbrio mental, paz e felicidade. Brazilian Magazine | 11


Serviço |

Análise mostra iminência de crise no setor imobiliário no verão A crise da COVID-19 provocou a perda de um milhão de empregos em Massachusetts desde o início de março. Os trabalhadores da área de preparação de alimentos, vendas e assistentes de escritório, que já são áreas de salários baixos, estão entre os mais atingidos. Se a crise continuar durante o verão, mais de 178.000 famílias em Massachusetts não poderão fazer os pagamentos do aluguel e da hipoteca, de acordo com um conjunto de pesquisas recém-atualizado do Conselho de Planejamento da Área Metropolitana (MAPC, por sua sigla em inglês) apresentado em Boston.

C

om as estatísticas de pedidos de seguro-desemprego atualizadas semanalmente pelo governo de Massachusetts, o MAPC está estudando continuamente os efeitos do desemprego generalizado no já restrito mercado imobiliário da região, e as análises mostram uma crise iminente no verão. Os trabalhadores de Massachusetts entraram com mais de 777.000 pedidos de seguro-desemprego padrão, entre 16 de março e 2 de maio, enquanto 185.000 trabalhadores autônomos e prestadores de serviços independentes entraram com pedidos de Assistência ao Desemprego devido à Pandemia (PUA, por sua sigla em inglês) entre 20 de abril e 2 de maio. O MAPC estudou o impacto do desemprego nos trabalhadores que se registraram para receber o seguro-desemprego padrão e constatou o seguinte: Depois do fim do pagamento direto único estabelecido pela lei federal CARES (US$1.200 por contribuinte, dependendo da renda recebida antes da COVID), 15.500 residências em Massachusetts terão problemas para pagar o aluguel ou a hipoteca, ao mesmo tempo em que precisam prover as outras necessidades básicas. A crise real ocorrerá depois que o pagamento único se encerrar. Vivendo exclusivamente no desemprego, indivíduos de 178.000 residências em Massachusetts terão problemas para pagar a hipoteca ou o aluguel. As residências que são desproporcionalmente afetadas são as constitu12 | Brazilian Magazine

ídas por famílias com crianças, pessoas que falam um idioma que não o inglês, e aquelas com trabalhadores não brancos. Os locatários serão afetados desproporcionalmente, antes e depois do término do pagamento único. Embora os locatários representem apenas 38% de todas as residências em Massachusetts, pouco mais da metade das residências que não poderão pagar seus custos de moradia constitui-se de pessoas que são locatárias. Estimamos que 40% dos pedidos de seguro-desemprego padrão provêm de apenas três ocupações: preparação de alimentos e serviço de atendimento ao cliente, suporte administrativo e assistente de escritório, e vendas. Portanto, é provável que grande parte do ônus do setor imobiliário recaia sobre os trabalhadores dessas três categorias. As condições provavelmente serão muito piores para os trabalhadores sem documentos legais, que não são elegíveis para receber nenhum dos benefícios ofe-

recidos pela lei federal CARES, apesar do fato de muitos pagarem impostos. Os trabalhadores sem documentos legais representam cerca de 5,1% da mão de obra do estado e, provavelmente, serão os mais afetados do que outros trabalhadores pelas demissões, licenças e redução de salários. O MAPC estima que pelo menos 41.000 trabalhadores sem a devida documentação perderam seus empregos nos primeiros dois meses da crise e correm alto risco de serem afetados pela fome e de ficarem sem moradia, sem algum tipo de assistência federal. Quando os benefícios expandidos voltados ao desemprego oferecidos pela lei federal CARES se encerrarem no final de julho, a análise do MAPC estima que 30% das residências ainda afetadas pela demissão precisarão de assistência financeira adicional para cobrir os custos de moradia. Ainda que as medidas recentes adotadas pelo legislativo e pelo governador para evitar despejos e execuções hipotecárias até um mês após o encerramento da declaração do estado de emergência impeçam que muitas famílias sejam despejadas agora, os números mais recentes sobre o desemprego e a crescente diferença entre a renda que foi perdida e os custos de moradia prenunciam um sentimento generalizado de insegurança e incerteza econômica para o futuro. Mais uma vez, a situação mostra-se mais grave para os locatários. O ato de despejo e a execução da hipoteca permitem que os proprietários realoquem os pagamentos de hipotecas vencidos para o final do prazo estabelecido, mas essa proteção não existe para os locatários, cujo aluguel vencido é devido e será pago quando a proteção criada pelo ato expirar, o que pode acontecer em meados de agosto ou 45 dias após o encerramento da ordem de emergência emitida pelo governador, o que acontecer primeiro. 2020 - Nº 80


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BM IN ENGLISH |

Coalition outlines demands for next reopening stage Gov. Charlie Baker announced the next phase of reopening from its COVID-19 lockdown. But before that step is taken, a group of doctors, union leaders and community and public health advocates demanded that at-risk populations, including people of color, be adequately protected. The State House News Services reported that the Massachusetts Public Health Association and other groups have come together to produce a set of criteria that they insist should be met before the state moves to Phase Two of its reopening. Several of their benchmarks would preclude Baker from reopening the next group of businesses, including restaurants and retail shops. The demands include a significant boost in testing activity and a demonstrated decline in infection rates among populations for which the state has incomplete or zero data on the spread of the coronavirus. “We will not accept a reopening at the expense of workers, particularly low-wage workers and Black and Latinx communities,” said Carlene Pavlos, the executive director of the Massachusetts Public Health Association. The demands for equity in the state’s reopening strategy come as thousands of people in cities across Massachusetts have been demonstrating for days against police brutality and institutional racism, which advocates said can also be observed in the impact of COVID-19 in minority communities. Dr. Regina LaRocque, an infectious disease specialist at Massachusetts General Hospital, said the COVID-19 epidemic has been “supercharged” 14 | Brazilian Magazine

by other public health epidemics in poorer, racially diverse communities where air quality and other factors have made health outcomes worse. “Coronavirus is going to be with us for a long time here in Massachusetts and the criteria that the Massachusetts Public Health Association is laying out is the underpinning of an equitable and safe response that we need in Massachusetts,” LaRocque said. The MPHA is part of a task force that was brought together in March to examine issues of equity in the state’s response to the spread of coronavirus. The task force released a set of criteria Thursday that it wants to see met before Baker moves the state further

along its path to reopening, including documented declines in transmission in communities of color, greater worker protections and substantially more testing. The list of demands has been signed onto by more than 100 people and organizations, including the ACLU of Massachusetts and elected leaders like Boston City Councilor Andrea Campbell. “The challenge is we as people have not been deemed essential, just our work,” said Atyia Martin, of the Black Boston COVID-19 Coalition. The groups specifically want to see a sustained reduction in infections over a two-week period for both the overall state population, but also subgroups like people of color, seniors, the disabled and those working in high-risk occupations. While the state publishes data on the effects of COVID-19 on minorities, race and ethnic data was still missing for 39.5 percent of total cases, and for 38.4 percent of patients hospitalized with the disease. The race of 41.8 percent people who have died from COVID-19 is also unknown. Many of the task forces’ participants said they have requested time to discuss these issues with the governor, and sent letters to the administration, but have been greeted mostly with silence from the administration. 2020 - Nº 80


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Brazilian Magazine - Issue 80  

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