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2017 - V. 10 | N.67 Vencedora NE Ethnic Newswire Award 2008 Press Award 2010 | 2011 2012 | 2013

Retaliação do governo Trump contra imigrantes

Advogados denunciam que agentes de Imigração estão em busca de indocumentados nas Cortes de Massachusetts

Pensando em Nossos Dias Está nas nossas mãos reverter esta situação que vivemos

É bom saber...

O que fazer com aquela gripe ou dor que sempre voltam

BM in English

Retailers see sales boost, urge people to “shop like jobs depend on it”


Direto da Redação

Expediente

Editor-chefe Marcony Almeida & Mark Puleo Repórter Especial em Nova York Manoela Maia McGovern Repórter-Colaborador em Massachusetts Flávio Perez Conselho Editorial Alvaro Lima, Eduardo Siqueira, Simone Elias Direção de Arte, Ilustrações e Publicidade Cícero Rodrigues A Brazilian Magazine é uma publicação da empresa The Brazilian Journal, INC. Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião da Brazilian Magazine, sendo inteiramente de responsabilidade de seus autores. OPINE A Brazilian Magazine quer muito saber sua opinião. Envie comentários com nome completo e pelo menos duas formas de contato (telefone, e-mail, endereço) para The Brazilian Journal Magazine, P.O. Box 490543, Everett, MA 02149. Ou envie e-mail para: info@brazilianmagazine.net

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Donald Trump realmente não gosta de quem vai contra as ações dele. E isso já é notório desde a época de sua campanha e após sua posse. E agora, seus agentes de Imigração não estão felizes com a decisão da Suprema Corte Judicial de Massachusetts (SJC) de proibir que seus funcionários colaborem com os agentes federais para prender imigrantes indocumentados. A organização Lawyers Committee for Civil Rights descobriu que os agentes federais estão retaliando e agindo em alguns tribunais estaduais em busca de indocumentados que tenham violado, também, leis estaduais. E isso, em retaliação contra a decisão da SJC. A reportagem dessa edição traz a opinião do advogado e diretor-executivo, Iván Espinoza-Madrigal, sobre o que fazer antes de comparecer à Corte. Na coluna É Bom Saber, a doutora Elisa Tristan-Cheever escreve sobre aquelas dores, gripes e outros problemas que sempre “voltam a aparecer” no nosso corpo. O que será? Vale a pena ler! Em Trocando em Miúdos, o professor Eduardo Siqueira descreve um outro modo migratório que tem chamado a atenção no Brasil. E em Palavras de Mulher, a jornalista Zenita Almeida traz uma lição sobre a maternidade, e o papel da mulher como mãe. Já a jornalista Heloísa Galvão nos lança um desafio: está em nossas mãos mudar a situação em que nos encontramos! E na coluna Direto da Redação, nossos leitores encontrarão notas especiais como a pesquisa brasileira em destaque em Massachusetts; e uma nova esperança para os “Dreamers”.

Leia a revista que é feita com carinho e profissionalismo para você, e aproveite a leitura! Acompanhe-nos também online no www.brazilianmagazine.net, e siga-nos no Facebook e Twitter. Nesses 10 Anos de revista, nosso maior presente é você, nosso leitor! And don’t forget to check our English section, BM in English! Marcony Almeida & Mark Puleo

Nesta edição 4 e 5 Especial Retaliação do governo Trump contra imigrantes 6 Direto da Redação Brasileiros no poder político americano 7 É bom saber... O que fazer com aquela gripe ou dor que sempre voltam 8 Trocando em Miúdos A migração haitiana para o Brasil e a consolidação de uma rota para o Sul 9 Pensando em Nossos Dias Está nas nossas mãos reverter esta situação que vivemos 10 Palavras de Mulher Mãe sem limite 14 BM in English Retailers see sales boost, urge people to “shop like jobs depend on it”

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ESPECIAL | Marcony Almeida

Retaliação do governo Trump contra imigrantes

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Advogados alertam que estão em busca de imigrantes nos tribunais judiciais espalhados por Massachusetts A organização não-governamental formada por advogados de direitos civis, Lawyers Committee for Civil Rights, em Boston, está denunciando à imprensa que agentes de Imigração estão agindo num lugar até então ignorado por eles: a corte ou tribunal estadual. As autoridades federais de imigração, tradicionalmente, evitavam envolver leis federais de imigração nos tribunais, conhecidos também como cortes, órgãos judiciais destinados a resolver violações de leis estaduais, como dirigir sem carteira de motorista ou solucionar um problema entre inquilino e proprietário de imóvel.

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pós a eleição do presidente Donald Trump, em novembro de 2016, no entanto, os defensores dos direitos dos imigrantes começaram a ouvir rumores sobre um aumento sem precedentes nas atividades de fiscalização da Imigração em tribunais estaduais. Posteriormente, o Supremo Tribunal Judicial de Massachusetts emitiu uma decisão em julho de 2017 (Commonwealth v. Lunn), proibindo os funcionários estaduais de deter pessoas com base exclusivamente em violações federais de imi2017 - Nº 67

gração civil. “Isso foi feito em reconhecimento ao fato de que nós, como nação, somos mais fortes se as famílias de imigrantes não forem impedidas de participar de processos judiciais”, disse o advogado e diretor-executivo da Lawyers Committee for Civil Rights, Iván Espinoza-Madrigal. Para ele, se os indivíduos temem que os tribunais os sujeitem ou às suas famílias à aplicação das leis federias de imigração, eles ficarão relutantes em denunciar crimes ou servir como testemunhas em pro-

cessos judiciais. As mulheres maltratadas ficarão com medo de buscar ordens de restrição contra seus abusadores e, em geral, o senso de segurança do público em acessar a justiça é prejudicado. A Lawyers Committee resolveu então averiguar a veracidade dos rumores através da apresentação de solicitações de registros públicos ao departamento de Imigração (ICE, sigla em inglês) quanto as suas ações nos tribunais de julgamento de Massachusetts. E descobriu que houve casos em que agentes federais realmente agiram nas cortes locais. A ação é uma nova tática federal empregada em resposta direta às decisões judiciais de Massachusetts que desagradou ao ICE. E o pior, as ações do ICE em alguns tribunais não se limitaram às pessoas acusadas de crimes violentos, mas aqueles também acusados de violações menores como dirigir sem a carteira de motorista. Os juízes locais estão expressando preocupações significativas sobre o efeito que esses esquemas do ICE terão sobre a capacidade das vítimas e testemunhas de usar efetivamente os tribunais. No entanto, alerta Madrigal à imprensa, “mesmo quem esteja indocumentado, os tribunais existem para servir. Então, ninguém deve faltar sua audiência na corte. Procure, antes, orientação legal para saber o que fazer antes de comparecer ao órgão judicial”. Brazilian Magazine | 5


Direto da Redação

Pesquisa brasileira em destaque em Massachusetts Marcony Almeida

Esperança para os “Dreamers” Vinte republicanos assinam carta de democratas pedindo ao presidente da Câmara Federal americana, Paul Ryan, que proteja os “Dreamers” e legalize os estudantes imigrantes indocumentados. Ryan, ainda não se pronunciou, e o futuro de milhares de jovens imigrantes que chegaram aos Estados Unidos ainda crianças é incerto. 2018 será um ano decisivo para eles.

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No dia 2 de dezembro próximo acontecerá na Boston University, o SciBr Summit 2017, reunindo cientistas e líderes em inovação interessados em discutir a ciência do Brasil e como colocá-la cada vez mais em evidência. O evento tem como objetivo nutrir uma rede de colaborações e parcerias e mobilizar todos os participantes a pensar e trabalhar pelo Brasil, convocando-os a propor alternativas para promover a ciência brasileira. A reunião, organizada pela SciBr Foundation, visa atrair não só brasileiros, mas também pesquisadores e empreendedores de todas as nacionalidades em um dia de atividades dinâmicas e muito debate (de-

sign thinking, cocriation). Os temas em destaque incluem: fortalecimento de colaboração na ciência; investimento em pesquisa; a importância da divulgação científica; diversidade na academia; além de destacar o trabalho de brasileiros em posições de liderança nos EUA. Liderando algumas das discussões estarão a astrônoma da NASA, Duília Mello; o professor de Harvard, Sidney Chalhoub; o físico de Dartmouth College, Marcelo Gleiser; o executivo da Bioverativ, Rogerio Vivaldi; a cientista e designer do Google, Fernanda Viégas; e o gerente de mentorias e parcerias do MassChallenge, Artur Souza.

Brasileiros no poder político americano das onze vagas de City CounFramingham elegeu sua primeira brasileira vereacilor At Large, também em dora. Foram 587 votos que Framingham, ficou na quarta posição e não conseguiu se deram a Margareth Basílio eleger. Outra candidata brasiShepard a posição de vereleira que perdeu a vaga como adora no sétimo distrito da cidade. Com esse feito, ela vereadora no Distrito 2 em entra para a história como a Everett (Massachusetts), por primeira vereadora brasileium placar bem apertado, foi ra eleita nos Estados Unidos. a mineira Stephanie Martins. Natural de Goiânia (GO) O alagoano que assina essa e residente nos EUA há 25 Margareth Basílio coluna, e co-editor dessa reanos, Margareth Shepard é Shepard vista (Brazilian Magazine), filiada ao Partido DemocraMarcony Almeida, conseguiu tas desde 2008. a posição de School Committee Member, O empresário do ramo imobiliário Pa- sendo o primeiro brasileiro na história da blo Maia, que estava concorrendo a uma cidade a ocupar um cargo político.

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É bom saber…

Dra. Elisa Tristan-Cheever

O que fazer com aquela gripe ou dor que sempre voltam…

As paisagens lindas do outono estão começando a dar espaço para dias mais frios, como se fosse uma forma de chamar a nossa atenção para o fato de que o inverno está chegando. E eu toda animada, esperando aproveitar o dia lindo de outono e, de novo, pego um resfriado daqueles! Nesse momento, surgiu na minha cabeça o que minha mãe sempre fala, que a “sua imunidade está baixa”. Mas, como? Por quê eu? A idéia desta coluna surgiu imediatamente. É necessário trazer mais informação para a comunidade. Porque quando falamos de baixa imunidade, logo de cara pensamos em uma pessoa completamente debilitada e portadora de doenças mais agressivas, como o câncer e a AIDS. Porém, até mesmo uma pessoa que constantemente está ficando gripada ou pegando resfriado tem náuseas ou diarréia, pode estar tendo dificuldade em se defender. Ou até mesmo aquela, que vira e mexe apresenta herpes labial ou genital pode estar com as suas defesas comprometidas. Muitas pessoas acham que um sistema imunológico mais fraco só ocorre devido ao organismo ter sido exposto à radiação. O que muitos também não sabem é que uma alimentação muito gordurosa, o abuso do álcool ou mesmo a falta de ativida2017 - Nº 67

des físicas e a obesidade, podem ser fatores que estão afetando como o seu corpo reage às infecções. Não é somente após o uso de alguns medicamentos que o seu corpo pode ficar mais fraco e propenso a outras doenças oportunistas. Fumar o seu cigarro diariamente, o estresse que te consome no dia a dia e a falta daquelas preciosas horas de sono podem ser a resposta para aquele quadro de cansaço, fraqueza ou aquela dor de garganta que vai e volta. Ainda pode estar relacionado com aquelas unhas fracas ou a queda do seu cabelo. Todos estes sintomas e outros que não falamos devem ser conversados com o seu médico. Talvez seja feito um exame físico e o seu doutor pode acabar pedindo exames laboratoriais. Contudo, você pode começar a aprimorar a sua imunidade com certas mudanças no seu estilo de vida, in-

cluíndo a sua dieta. De início, evitar corantes, pesticidas nos alimentos. Alimentar-se saudavelmente, com alimentos ricos em vitaminas C, B6, E, Ômega 3 e 6. Vegetais verde-escuro, sementes como a linhaça, frutas cítricas, grãos integrais, antioxidantes como a castanha do Pará, salmão são alguns exemplos de alimentos para aumentar a imunidade. Dormir melhor, saber como evitar ou lidar com o estresse são bons aliados. Ande, faça exercícios físicos, se movimente e tente manter um peso saudável. Afaste-se das bebidas alcoólicas e drogas. Busque maneiras de se distrair e deixar o estresse de lado. O estresse aumenta o nivel do Cortisol, um hormônio que ajuda a enfraquecer o nosso sistema imunológico. Então, mãos à obra! Yoga, dança, risos e outros têcnicas podem ajudar a combatê-lo. Parece fácil? Claro que não. Mas é possível. Lendo estas recomendações e identificando as áreas que necessitam da minha atenção, me fez traçar um plano para combater esses resfriados frequentes, pois já sei aonde estou errando e o que devo fazer. Dessa maneira conseguirei aprimorar a minha capacidade de me defender de invasores como virus ou bactéria, evitando assim o desenvolvimento de infecções e outros problemas. E você, já tomou a iniciativa? Brazilian Magazine | 7


Trocando em Miúdos

Eduardo Siqueira *Professor Associado - College of Public and Community Service (CPCS) - UMass Boston

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A migração haitiana para o Brasil e a consolidação de uma rota para o Sul

s Estados Unidos, de modo geral, e a Grande Boston, em particular, têm atraído brasileiros há diversas décadas, que buscam aqui se estabelecer à procura de oportunidades. De meados dos anos 80 até meados da década de 90, a crise econômica do Brasil foi responsável pela saída de muitos brasileiros para os Estados Unidos. Porém, a partir de 2010 o Brasil começou a atrair imigrantes de origens não antes vistas, e se inseriu no cenário migratório internacional de uma forma diferente. Embora muitos brasileiros ainda continuem deixando o país, o Brasil também passou a receber imigrantes senegaleses, ganeses e, sobretudo, haitianos. Diversos fatores contribuíram para essa entrada desses imigrantes, mas o fator principal foi a recuperação econômica do Brasil entre os anos 2004 e 2008. Naqueles anos, a produção e a oferta de empregos cresceram e a construção civil intensificou suas atividades, demandando mais trabalhadores. Justamente naquela época, a mão de obra de baixa qualificação pode de financiar o estudo superior no Brasil, através de programas como o Fundo de Financiamento de Estudantes do Nível Superior (FIES). Como resultado, muitos jovens brasileiros optaram pela universidade ou graduação tecnológica, e não se candidataram para cargos de menor qualificação. Os imigrantes que começaram a chegar ao Brasil ajudaram a preencher esta lacuna, trabalhando na construção civil e na indústria. Os haitianos lideraram esta migração para o Brasil porque foram atraídos pelas oportunidades de trabalho ao mes8 | Brazilian Magazine

mo tempo em que o terremoto de 2010 devastou a fraca economia do Haiti. O governo brasileiro facilitou a entrada desses imigrantes, concedendo vistos para eles trabalharem e viverem no Brasil, eliminando o temido risco de deportação. Assim, a migração haitiana para o Brasil tornou-se atrativa: o Haiti os expulsava, a economia brasileira os demandava, e o visto para o Brasil oferecia risco mínimo para o projeto migratório. Segundo dados do Conselho Nacional de Imigração e da Polícia Federal, mais de 77 mil haitianos entraram no Brasil entre 2012 e 2016. O fluxo de haitianos foi concentrado e cresceu muito rapidamente naqueles cinco anos. Os registros mostram que, em 2012, pouco mais de 4.000 haitianos entraram no país, enquanto em 2016, foram mais de 40.000. Esse aumento foi provocado, em grande parte, pelo incentivo que os primeiros imigrantes exerceram sobre seus parentes, amigos e conhecidos, que podiam contar com o apoio logístico, financeiro e emocional dos que migraram antes. O interesse pelo Brasil foi tão grande que o número de vistos semanais concedidos aos haitianos no Consulado Brasileiro em Porto Príncipe não foi suficiente para atender à grande demanda para imigrar para o Brasil. Então, eles

passaram a utilizar uma forma alternativa de entrada no país, que consistia em solicitar refúgio na fronteira do Brasil com o Acre. Os haitianos viajavam de avião, chegavam ao Equador e, em seguida, iam por várias semanas de ônibus, táxi e barco, até chegarem à fronteira brasileira. No trajeto, contavam com a “ajuda” de coiotes, que passaram a agir, sobretudo, no Peru. Com o tempo, a consolidação dessa rota na América do Sul atraiu a atenção de imigrantes de outras nacionalidades, como ganeses e senegaleses, que passaram a buscar refúgio no Brasil utilizando o mesmo trajeto percorrido pelos haitianos. Este movimento migratório consolidou então uma rede de migração na América do Sul, semelhante a que já atua nos Estados Unidos há várias décadas. Embora na América do Sul o número de imigrantes envolvidos seja menor e suas nacionalidades menos variadas, o mecanismo de funcionamento é semelhante. Essa rede mostra a tendência dos fluxos migratórios internacionais de atrair diferentes nacionalidades para uma mesma rota, bem como o interesse que a travessia desperta naqueles que tentam “lucrar” com a concretização dos sonhos dos imigrantes. Até bem pouco tempo atrás, essa realidade era conhecida pelos imigrantes brasileiros para os Estados Unidos. Hoje, o próprio Brasil passou a fazer parte deste sistema, como local de destino de imigrantes de outros países, que buscam atravessar as fronteiras brasileiras em busca de uma vida melhor. * Texto de Patrícia Rodrigues Costa de Sá, doutoranda pela PUC Minas Gerais, Pesquisadora Visitante na UMass Boston.

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Pensando em Nossos Dias

Heloísa Galvão Jornalista e Diretora-Executiva do Grupo Mulher Brasileira

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e você não está prestando atenção às notícias, não está conectando os pontos e não está assustada, é bom começar. Desliga a TV, informese em meios de comunicação sérios, converse com amigas e parentes. Preste atenção no que acontece aqui e no mundo. Não faça isso para entrar em pânico ou pensar que tudo está ruim e sem solução. Não. Faça isso para ficar atenta, raciocinar e preparar-se para a luta.

Está nas nossas mãos reverter esta situação de terror que vivemos. Não dá para viver em uma bolha de ar, como se estivéssemos imunes as tragédias que atingem pessoas desconhecidas, perto ou longe de nós. Reflita. Primeiro, as denúncias de abuso sexual contra o magnata e produtor de

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Está nas nossas mãos reverter esta situação que vivemos Holywood, Harvey Weiseman, um dos homens mais poderosos da indústria cinematográfica, desencadearam milhares de denúncias, colocando o assunto bem no centro da discussão no país inteiro, com repercussões até na Europa. Nos Estados Unidos a cada 98 segundos uma mulher ou menina sofre abuso sexual. Segundo, as matanças cada vez mais frequentes nos Estados Unidos revelam uma ligação perigosa entre o matador e a violência doméstica (1/3 da população feminina norte-americana é vítima da violência doméstica). O grupo Everytown for Gun Safety aponta que, entre 2009 e 2016, em 54% dos casos de matança, os matadores tinha uma história de violência doméstica. Terceiro, nos Estados Unidos, ao contrário do que acontece na maioria dos países, o porte de arma é um direito garantido na Constituição. Os Estados Unidos têm 4.4% da população do mundo e 50% da população mundial que possui porte de arma. É interessante notar que na pequena cidade de Suther-

land Springs, no Texas, tão pequena que seu nome aparece bem poucas vezes na midia, apesar da tragédia do último dia 4 de novembro, todos os 400 moradores têm porte de arma. Você já ligou os pontos? Violência gera violência e muitas vezes a violência é fruto da necessidade de se exercer o poder. Assusta, certo? Assusta mais ainda saber que é quase impossível prever quando e onde será a próxima matança, quando o príncipe encantado vai mostrar seu verdadeiro ego ou quando os políticos vão cair na real e fazer algo de concreto para regular o porte de arma. Então só nos resta educar. A educação é a base sólida que pode nos ajudar a mudar estas estatísticas. Educação sobre o que é abuso sexual e como e por que denunciar. Educação sobre a violência doméstica e educação sobre como resolver situações de conflito sem arma. E esta educação começa em casa, com nossos filhos e filhas, conosco, e sem tolerância com piadas sem graça e grosseiras sobre situações embaraçosas, humilhantes e perigosas para as mulheres.

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Palavras de Mulher

Zenita Almeida Jornalista e consultora em cerimonial e eventos

Mãe sem limite ponsabilidade é sua. A tarefa de educar, como dizia D. Bosco, é obra do coração, é obra do amor, está no papel da mãe ensinar aos seus filhos valores como honestidade, bondade, gentileza, respeito com as pessoas, humildade, caridade, obediência, tolerância, responsabilidade e disciplina. O líder indiano Mahatma Gandhi dizia que a verdadeira educação consiste em por a descoberta o melhor de uma pessoa. Para isso é preciso a arte de educar. Diz o adágio popular que “palavras comigo, minha solidão eu curto sozinha, falam, mas o exemplo arrasta”. No meu como nunca tive uma vida fútil e vazia, caso, eu dei palavras e exemplo. Sempre preenchi minha solidão com o que exis- trabalhei fora, estudei e me graduei em tia de mais importante: meus dois filhos. três cursos, fora outras especialidades. Nesse mundo moderno, às vezes per- Meus finais de semana, feriados e folverso pela mídia sorrateira que entra ga eram eles minha melhor companhia, diariamente em nossas casas como pro- cobrança acirrada nos deveres da escola, fundos influenciadores de valores, tem nunca perdi uma reunião escolar, ainda trazido graves consequências na educa- que para isso fosse necessário fugir alção dos filhos, somado ainda o deslei- gumas horas do trabalho, ensinei-os vaxo da mulher no seu papel principal de lores como lutar pelos seus sonhos educar seus filhos. Em entrevista sem medo de fracasso, ser de um site americano, a eshumilde e respeitado, cocritora e filósofa Elisabeth ragem para se erguer nas Badinter, autora do livro quedas da vida, levantando Aquele que “O Conflito – A Mulher e também ao seu semelhante, Mãe”, fala sobre da possiama o seu filho, estudar, sempre buscando bilidade de escolhas que o e liberdade corrige-o com conhecimento mundo de hoje oferece a para não se curvar as injustimulher, o que não deixa de frequência, para ças de poderosos inescrupuser um avanço substancial, losos. Servir aos seus semeporém essa sobrecarga afe- que se alegre com lhantes e ser obediente aos taram profundamente no de Deus. O livro isso mais tarde princípios cumprimento dos seus dedo Eclesiástico, capítulo 30, veres maternos. versículo 1, ensina aos geniO mundo inteiro tem tores: “Aquele que ama o seu assistido o comportamento rebelde filho, corrige-o com frequência, de jovens nas escolas, nas universidades para que se alegre com isso mais tarde”. e nos meios sociais em que frequentam. Assim eu fiz, nunca me arrependi e hoje As mães modernas delegam para as es- continuo vivendo e participando com colas a responsabilidade da educação eles cada etapa de suas vidas. dos filhos, quando na realidade essa res-

Eu adoro filme, alguns me emocionam de tal forma que sempre se repete na minha memória. Os filmes, “Nunca sem minha filha”, “Busca sem Limite”, “Rezando para Bob” são filmes emocionantes por se tratarem da força feminina sem limite do amor materno pelos filhos.

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crença de que ser mulher é difícil nunca coube no meu dicionário, menos ainda de ser mãe. Ser mãe é assumir de Deus o dom da criação, da doação, do amor incondicional de encarnar a divindade na terra. Deus não pode estar em todos os lugares e por isso fez as mães. Certa vez quando um dos meus filhos se graduou em Direito, eu lhe agradeci o privilégio de ser sua mãe, quando ouvi a resposta mais bela em toda minha vida. “Eu sou quem devo lhe agradecer o privilégio de ser seu filho, porque geralmente as mães têm filhos se quiser e quando quer, já os filhos não escolhe a mãe que deseja ter, e Deus me concedeu o privilégio de tê-la. O homem que eu sou hoje, devo ao seu amor sem limite, a sua rigidez disciplinar e toda minha formação intelectual”. Sempre fui feminista de carteirinha, independente desde criança, filha única e, ainda adolescente perdi meus pais. Fui à luta em busca da minha felicidade, consciente que tudo só dependia de mim, queria sim construir minha família, mas na vida nem tudo é possível, e o tempo me ensinou que existem homens para “complemento”, e quando não há mais parceira, precisa ser descartado. Essa coisa de solidão a dois nunca combinou 10 | Brazilian Magazine

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BM IN ENGLISH |

Retailers see sales boost, urge people to “shop like jobs depend on it” Sometimes timing is everything. Massachusetts retailers are buoyant about the impending holiday shopping season, heartened by a favorable calendar that gives shoppers five full shopping weekends between Thanksgiving and Christmas, according to the State House News Services.

The Retailers Association of Massachusetts is estimating a retail sales increase of 3.1 percent over the same period in 2016, based on year-to-date trends and a survey of 4,000 member businesses. “Massachusetts retailers are prepared for the 2017 holiday sales season, and they are optimistic that the sales trends for the year to date will continue, albeit with tighter margins and profitability,” RAM President Jon Hurst said in a statement sent to SHNS ahead of RAM’s 99th annual meeting in Waltham on Thursday. Holiday retail sales took a hit in 2016, dropping 1 percent even whi14 | Brazilian Magazine

le national sales increased 4 percent. Again in 2017, RAM is projecting a sales increase less than the national estimate. The National Retail Federation is expecting a national sales increase of 3.6 percent to 4 percent.

mers to dedicate some of their shopping budgets towards local retailers and to “shop like jobs depend on it, because they do.” As shoppers hit the mall this holiday season, the Senate Task Force on Strengthening Massachusetts Local Retailers will be holding listening sessions to gather information on the retail sector and the challenges presented by the ubiquity of online commerce. RAM said online holiday sales are expected to increase by 10 percent this year, hitting $109 billion nationally and accounting for 16 percent to 18 percent of total holiday sales. The internet will be the most popular shopping destination for 59 percent of shoppers, RAM said.

November and December retail sales in Massachusetts are expected to total about $17 billion, RAM said, and the holiday sales season represents an average of almost 20 percent of annual retail sales. This shopping season could be a good one for consumers as retailers try to lure shoppers with deals as they compete against online commerce for consumers who this season have a high level of confidence. “Given a very competitive marketplace, consumers will once again enjoy an environment of extensive promotions and value from a multitude of shopping options,” Hurst said. RAM urged Massachusetts consu-

The task force took shape earlier this fall as RAM prepares to move forward with a potential 2018 ballot question reducing the state sales tax from 6.25 percent to 5 percent and instituting an annual sales tax holiday, an idea the Legislature has supported over the years but not with consistency. Competing against tax-free sellers in New Hampshire and online, store owners have had to budget in a minimum wage increase, rising health care costs and some of the highest energy costs in the United States. And activists are gearing up to raise the minimum wage to $15 per hour via the 2018 ballot. 2017 - Nº 67


Brazilian Magazine - issue 67  

Edição 67 da Brazilian Magazine

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