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I N S T I T U T O

FEV/MAR 2008

Informativo do Comitê Brasileiro do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente Arquivo Pnuma

PNUMA

BRASIL PNUMA

www Visite .bra noss silpn o si uma te .org Nº 99 .br

Trilhões de dólaresestão à espera de novas políticas e regras de mercado para investimentos em tecnologia limpa

Economia verde ganha fôlego no mundo ‘Year Book’ 2008 enfatiza investimentos no combate ao aquecimento global

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emergência da chamada economia verde é destaque na edição 2008 da publicação anual do Pnuma “Year Book”, lançada em fevereiro, que divulga uma série de iniciativas econômicas e de desenvolvimento tecnológico para lidar com as questões ambientais que afligem a humanidade, em especial o crescente aquecimento global. Lançada oficialmente na 10ª Sessão Especial do Conselho de Administração/Fórum Global de Ministros de Meio Ambiente, promovido pelo Pnuma no Principado de Mônaco, a publicação mostra que ainda há muito por fazer. Mas lideranças corporativas, financeiras e empreendedores, além de organizações do trabalho, de governo e até mesmo da ONU, vêm percebendo, crescentemente, que o combate ao efeito estufa já gera boas oportunidades de negócios e outras realizações. O “Year Book” enfatiza alguns elementos da economia verde em curso, como a elaboração de relatórios de

Responsabilidade Social Corporativa com a inclusão de conceitos ambientais por mais de 2.000 companhias em cerca de 90 países. Por sua vez, a Rede de Investidores sobre Mudança Climática, lançada em novembro de 2003, já envolve cerca de 50 investidores institucionais com ativos superiores a US$ 3 trilhões. E os Princípios para o Investimento Responsável, lançados em 2006, com apoio da Iniciativa Financeira do Pnuma e do Global Compact da ONU, contam com 275 instituições com ativos de US$ 13 trilhões. Inovações tecnológicas – A publicação enfatiza também que a emergência da economia verde vem incentivando invenções, inovações tecnológicas e a imaginação de engenheiros em escala talvez nunca testemunhada desde a Revolução Industrial, há mais de dois séculos. Como exemplo, cita o crescente interesse em projetos de geoengenharia, como coletores gigantes de dióxido de carbono para a absorção

de gases-estufa da atmosfera e depósito em solos geológicos adequados. O diretor-executivo do Pnuma e subsecretário-geral da ONU, Achim Steiner, assinalou, na reunião de Mônaco, que “centenas de bilhões de dólares estão agora fluindo para as tecnologias de energia renovável e limpa”. No entanto, “trilhões a mais de dólares” estão à espera de decisões governamentais sobre as novas metas de redução das emissões dos gases-estufa a serem adotadas após 2012 – prazo legal do Protocolo de Kyoto – e de “mecanismos criativos de mercado” para o alcance desses objetivos. Steiner alertou que ainda existem “barreiras formidáveis” para se garantir que esses recursos sejam efetivamente direcionados para a economia verde, como subsídios governamentais para o uso de combustíveis fósseis, em detrimento das energias renováveis, e regimes tarifários e de comércio que encarecem as (cont.na pg. 2) tecnologias limpas.


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EDITORIAL Em nossa capa, aqui ao lado e na página 3, informamos sobre o lançamento da edição 2008 da publicação do Pnuma Year Book, que destaca a emergência da economia verde. Para combater o efeito estufa, em várias partes surgem e se fortalecem ações, projetos e inovações tecnológicas para “descarbonizar” a matriz energética do planeta, ainda calcada no consumo dos combustíveis de origem fóssil. Mostramos assim que salvar o planeta dos efeitos do aquecimento global não traz prejuízos para a economia global. Pelo contrário. Como demonstrado pela economia verde, havendo apoios governamentais e regras modernas de mercado, muitos outros negócios vão surgir, movimentando trilhões de dólares, em benefício dos investidores e da humanidade em geral. Ainda nesse tema, publicamos, nas páginas centrais, artigo da secretária de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Thelma Krug, que fala dos objetivos e desafios dessa importante estrutura criada em 2007. Fechamos este número divulgando, na contracapa, a publicação de mais um livro do Instituto Brasil-Pnuma em parceria com o Sebrae. Em “Desenvolvimento Sustentável na Prática”, dirigido para micros e pequenas empresas, eu e Ricardo Luiz Peixoto de Barros discutimos esse conceito e descrevemos o que uma empresa precisa fazer para adotar os princípios do desenvolvimento sustentável. Um abraço e até o próximo, Haroldo Mattos de Lemos Presidente

Nova economia precisa de apoio Pnuma defende que governos estimulem negócios verdes

Presidente: Haroldo Mattos de Lemos Diretor Técnico: Carlos Gabaglia Penna Diretor Jurídico: Oscar Graça Couto Diretor Administrativo: Roberto Carrilho Padula Jornalista Responsável: Ronie Lima (MTb 15.415/RJ) Referências Bibliográficas: Lílian Döbereiner Arte e Diagramação: Eliana Mac Dowell Fotolito: Pigmento Conselho Consultivo: Adolpho de Marinho Pontes (exdeputado federal do Estado do Ceará), Aloisio Ferreira de Souza (ex-presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental/Abes,AL), Cândido Mendes de Almeida (diretorgeral da Faculdade Cândido Mendes/RJ), Carlos Alberto de Oliveira Roxo (gerente-geral de Meio Ambiente e Relações Corporativas da Aracruz Celulose S.A.), Carlos Henrique de Abreu Mendes (exsecretário de Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro), Carlos Minc (deputado estadual PT/RJ), Henrique Brandão Cavalcanti (ex-ministro do Meio Ambiente e da Amazônia Legal), Jean C. L. Dubois (presidente do Instituto Rede Brasileira Agroflorestal/Rebraf,RJ), João Augusto Fortes (presidente da Sociedade Civil Pró-Rio), Joaquim Falcão (ex-secretário-geral da Fundação Roberto Marinho), José Mário de Oliveira Ramos (vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro/Firjan), José Mendo Misael de Souza (vice-presidente-executivo do Instituto Brasileiro de Mineiração), Márcio Moreira Alves (jornalista e presidente da Brain Trust Consultors), Marcio Nogueira Barbosa (ex-diretor-geral do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais/Inpe), Nelio Paes de Barros (ex-diretor administrativo do Instituto Brasil PNUMA), Paulo Nogueira Neto (ex-secretário especial do Meio Ambiente), Paulo Protásio (Associação Comercial do Estado do Rio de Janeiro),

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Arquivo Pnuma

A edição deste ano do Pnuma “Year Book”, lançada em fevereiro, na 10ª Sessão Especial do Conselho de Administração/ Fórum Global de Ministros de A diminuição dos subsídios aos combustíveis fósseis Meio Ambiente, poderia reduzir as emissões de CO2 de 5% a 6% por ano promovido pelo Segundo especialistas, para se alPnuma no Principado de Mônaco, cançar a meta de estabilização de emisenfatiza que os governos dos países são de CO2 em 550 partes por milhão, o precisam desempenhar forte papel de apoio a inovações tecnológicas precisa estímulo e de facilitação de negócios aumentar de US$ 30 bilhões para US$ para que os investimentos e ações em 90 bilhões, por volta de 2015, e alcançar prol de uma economia verde ganhem US$ 160 bilhões em 2025. escala e dimensão necessárias. Investimentos públicos são também Dentre as medidas mais importannecessários para se alavancar os finantes, assinala que a remoção dos subciamentos para as adaptações tecsídios aos combustíveis fósseis podenológicas necessárias à criação de uma ria reduzir as emissões de CO2 de 5% economia verde em escala mundial, a 6% anuais. E faz uma comparação: pois os mecanismos desse mercado os subsídios para combustíveis fósemergente se encontram na infância. seis ultrapassam US$ 200 bilhões por Outras ações de transição para ano, enquanto que para tecnologias de essa nova economia incluem a aprobaixa emissão de carbono estão em vação de regulamentos que limitem torno de US$ 33 bilhões anuais. a vulnerabilidade de novos investiPara o Pnuma, os governos precimentos ecológicos e a proibição de sam também estimular a pesquisa e o construções em áreas propensas a desenvolvimento de tecnologias limenchentes. pas. A Agência Internacional de EnerO ‘Year Book’ pode ser encontrado gia estima que as pesquisas e o deem www.unep.org. Em forma de lisenvolvimento em projetos inovadores vro, nas seis línguas oficiais da ONU de baixa emissão de gases-estufa, (árabe, chinês, espanhol, francês, incomo fontes renováveis e de economia glês e russo), a publicação pode ser de energia, declinaram em 50% entre adquirida em www.earthprint.com. 1980 e 2004.

Ricardo Boechat (diretor de jornalismo da Band Rio), Roberto Klabin (presidente da SOS Mata Atlântica,SP), Roberto Messias Franco (ex-assessor do diretor regional do PNUMA para América Latina e Caribe e ex-secretário especial do Meio Ambiente) Conselho Fiscal: Joper Padrão do Espirito Santo, Roberto de Faria Almeida, Telma de Avellar Guimarães (titulares), João Alfredo Noronha Viegas, Saint Clair Zugno Giacobbo, Vicente Hermogerio Schmall (suplentes). Publicação bimestral. Permitida a reprodução total ou parcial, desde que citada a fonte. INSTITUTO

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www.brasilpnuma.org.br COMITÊ BRASILEIRO DO PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O MEIO AMBIENTE

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O interessado em tornar-se sócio do Instituto BRASIL PNUMA e receber este informativo deve fazer contato pelo nosso telefone ou pelo e-mail.

Av. Nilo Peçanha 50, sala 1.708 – Centro CEP 20.044-900 – Rio de Janeiro – RJ – Brasil Tel.: (21) 3084-1020 – Telefax: (21) 2262-7546 CGC: 40.200.230/0001-19 e-mail: brasilpnuma@domain.com.br

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Rede na internet difunde ação ecológica Países, cidades e companhias se unem em projeto contra efeito estufa

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países, cidades e uatro países, companhias a partiquatro cidades e cincipar da iniciativa reco corporações – dentre elas, a brasileira presentam uma diNatura – foram os funversidade de desadadores da pioneira fios e oportunidades rede na internet Clicom potencial para mate Neutral Network ser replicado integral(CN Net) – uma audamente ou em parte ciosa iniciativa para por outros parceiros lidar com as mudanda rede ecológica. ças climáticas em Cada um dos pioneiros integrantes curso no planeta e a da CN Net tem um urgente necessidade exemplo a comparde “descarbonizar” a tilhar com todos que economia global. buscam alternativas Lançada em feveenergéticas para a reiro pelo Pnuma, em atual matriz mundial cooperação com o Grupo de Manejo baseada na queima Ambiental da ONU, de combustíveis fósdurante a 10ª Sesseis. A Islândia, por são Especial do Conexemplo, planeja reselho de Administraduzir sua rede de ção/Fórum Global de emissão de gasesMinistros de Meio estufa em mais de Ambiente, promovi75% por volta de do no Principado de 2050. Atualmente, Mônaco, a CN Net 99% de sua geração de eletricidade e objetiva reunir, de 75% do total de proforma crescente, nadução de energia já ções, autoridades são oriundas de fonlocais e companhias tes geotérmicas e que estejam comA Climate Neutral Network é uma pioneira rede de informações para hidrelétricas. promissadas com divulgar projetos e iniciativas para ‘descarbonizar’ a economia global A chinesa Rizhao, uma redução significativa – em direção por sua vez, está firmemente implementando sua transição para um cidade a zero – das emissões que provocam o aquecimento com baixa emissão de carbono a partir uma série de global do planeta. iniciativas, como investimentos em energia solar em resiA CN Net – formada por Costa Rica, Islândia, Nova dências e escolas. O sistema de calefação por energia Zelândia e Noruega; as cidades de Arendal (Noruega), solar, por exemplo, já é empregado em 90% das casas Rizhao (China), Vancouver (Canadá) e Växjö (Suécia); e as urbanas e em 30% das residências rurais. companhias Co-Operative Financial Services (Reino UniDe forma pioneira, em 1997, a multinacional de cosmétido), Interface Inc (EUA), Natura (Brasil), Nedbank (África cos brasileira Natura converteu para gás natural sua frota de do Sul) e Senoko Power (Cingapura) – está fazendo um veículos de distribuição de produtos na Grande São Paulo. chamamento mundial para que participem do trabalho E dentre outros compromissos, estabeleceu o compromisorganismos intergovernamentais, organizações, grupos so de alterar os elementos básicos dos seus produtos da sociedade civil e até mesmo indivíduos. cosméticos, retirados do petróleo, para materiais naturais Iniciativas exemplares – A troca internacional de inextraídos de plantas e minerais. formações, viabilizada pela CN Net, dará importante apoio Mais informações sobre a CN Net em www.unep.org/ a iniciativas de combate ao aquecimento global. Para o climateneutral. diretor-executivo do Pnuma, Achim Steiner, os primeiros FEVEREIRO/MARÇO 2008 – Nº 99

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Mudanças Climáticas e os desafios de uma nova secretar

THELMA

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m abril de 2007, foi criada a Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental na nova estrutura regimental do Ministério do Meio Ambiente (MMA), consagrando a importância da temática de mudança no clima no âmbito das ações do ministério. As competências específicas da secretaria incluem a proposição de políticas e definição de estratégias relacionadas às diferentes formas de poluição, degradação ambiental e riscos ambientais; a formulação de políticas para a promoção da qualidade ambiental do ar, do solo, do mar e da zona costeira; os resíduos danosos à saúde e ao meio ambiente; a avaliação de impactos ambientais e o licenciamento ambiental; a promoção da segurança química; o monitoramento da qualidade do meio ambiente; o desenvolvimento de novos instrumentos de gestão ambiental; o desenvolvimento de matriz energética ambientalmente adequada; a formulação, proposição e implementação de políticas de prevenção e atendimento a situações de emergência ambiental; e coordenação das ações do ministério relacionadas à mudança do clima. A secretaria subsidia e assessora diversas unidades do ministério e entidades vinculadas nos assuntos relacionados com a mudança do clima, assim como desenvolve políticas e estratégias para a mitigação e a adaptação aos seus impactos, apóia a ampliação do uso de alternativas energéticas ambientalmente adequadas e implementa o Protocolo de Montreal no Brasil. As ações da secretaria incluem aquelas voltadas a atender os compromissos do Brasil junto a duas convenções internacionais: a Convenção de Viena para a Proteção da Camada de Ozônio e seu Protocolo de Montreal e

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Divulgação

Em fóruns internacionais, como a Conferência das Partes da Convenção de Mudanças Climáticas, a secretária de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Thelma Krug, defende as ações do governo para atender aos compromissos das convenções voltadas para a proteção da camada de ozônio e para a mitigação dos efeitos do aquecimento global

a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima e seu Protocolo de Kyoto. A proteção à camada de ozônio é realizada por duas linhas básicas de atuação: a condução dos processos de eliminação das substâncias que destroem a camada de ozônio e o gerenciamento do passivo existente dessas substâncias no país. A secretaria coordena o Comitê Interministerial para Proteção da Camada de Ozônio (Prozon), composto por sete ministérios. O protocolo obriga seus signatários a eliminar a produção e o consumo de SDOs – substâncias produzidas pelo ser humano que destroem a camada de ozônio, incluindo os clorofluorcarbonos (CFCs), tetracloreto de carbono, hidroclorofluorcarbonos e brometo de metila. Os CFCs eram os gases mais usados em aparelhos domésticos – como geladeiras e condicionadores de ar, comerciais e industriais, além da área de transportes. Nas duas últimas décadas, o Brasil reduziu significativamente a produção e o consumo de SDOs. Os resultados em 2006 indicam a eliminação de 95,4% no uso de CFCs no país.

A fase atual do Plano Nacional de Eliminação de Clorofluorcarbonos (PNC) inclui 14 projetos em execução, e conta com um montante de US$ 26,7 milhões aprovados em 2002 pelo Fundo Multilateral do Protocolo de Montreal. O PNC prioriza o banimento dos CFCs até janeiro de 2010, com foco em projetos de conversão industrial; gerenciamento do passivo de CFC com a instalação de centrais de regeneração, treinamento de refrigeristas e distribuição de equipamentos para recolhimento de CFC. Também foram definidas atividades para os setores de refrigeração automotiva e industrial, visando ao recolhimento e reciclagem de gases durante manutenções periódicas e eventuais. Até setembro de 2007, 14.875 profissionais haviam sido treinados em boas práticas de refrigeração. O Brasil antecipou-se aos prazos do Protocolo de Montreal e, por meio da Resolução 267/00 do Conama, eliminou o consumo de CFCs a partir de janeiro de 2007, excetuando os inaladores de Dose Medida, para uso médico. Esta redução voluntária evitou a emissão de 38 mil toneladas de CFC. FEVEREIRO/MARÇO 2008 – Nº 99


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e Qualidade Ambiental: ria no Ministério do Meio Ambiente

A KRUG

Quanto ao brometo de metila, o Brasil acelerou voluntariamente seu cronograma por meio da Instrução Normativa Conjunta n° 1/2002, assinada pelo Mapa, Ibama e Anvisa, que eliminou o uso da substância na agricultura a partir de dezembro de 2006. A prioridade para 2007 será a construção do Plano Nacional para Eliminação dos HCFCs, de acordo com a decisão do Protocolo de Montreal, tomada em setembro de 2007, de acelerar o abandono do uso desses gases. Tal decisão contou com participação ativa do Brasil e trará consigo benefícios significativos para a camada de ozônio e para o regime climático global. Com relação às mudanças climáticas, o Brasil, por sua matriz energética limpa, fortemente apoiada em geração hidrelétrica, tem a maior parte de suas emissões de gases de efeito estufa (GEE) associada ao setor Uso da Terra, Mudança do Uso da Terra e Florestas. Em 1994, as estimativas contidas na Comunicação Nacional Inicial do Brasil junto à Convenção sobre Mudança do Clima apontaram para uma contribuição percentual desse setor para as emissões totais de dióxido de carbono no Brasil da ordem de 75%. A maior parte delas associadas à conversão de florestas para outros usos, particularmente agricultura e pastagem. Apesar de o governo federal trabalhar no sentido de reduzir as emissões por desmatamento em seu território, com ênfase na Amazônia brasileira, detentora de um estoque de carbono altamente significativo nas suas formações florestais, não havia até o final de 2007 uma indicação clara das ações de governo dentro de uma política nacional para mudança do clima. A construção de uma política e de um Plano Nacional sobre Mudança do FEVEREIRO/MARÇO 2008 – Nº 99

Clima foi indicada no Decreto 6263/07 de criação do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM), em novembro de 2007. Fazem parte do CIM 15 ministérios, a Casa Civil e o Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Sob o CIM, foi criado o Grupo-Executivo sobre Mudança do Clima, com as tarefas de elaborar a proposta preliminar da Política Nacional sobre Mudança do Clima e a versão preliminar do plano nacional, assim como empreender ampla consulta pública e estabelecer os mecanismos para o desenvolvimento de seus trabalhos. A política nacional norteará o Plano Nacional sobre Mudança do Clima, bem como planos, programas, projetos e ações relacionados, direta ou indiretamente, à mudança do clima. Está em fase final de revisão pelo grupo-executivo, após considerações do CIM e do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, em resposta à primeira versão encaminhada para análise. O grupo-executivo vem trabalhando também nos potenciais instrumentos econômicos, políticos, técnicos e aspectos institucionais para implementação da Política Nacional. São objetivos gerais da política nacional ações de mitigação no território nacional, entendendo-se por mitigação a redução de emissões de gases de efeito estufa ou o fortalecimento das florestas, assim como medidas de adaptação aos impactos da mudança do clima. Como instrumentos para essas ações e medidas incluem-se a recém criada Rede Brasileira de Pesquisa em Mudança Climática Global do Ministério de Ciência e Tecnologia, que desenvolverá pesquisas visando a gerar e disseminar conhecimentos e tecnologias para que o Brasil possa

responder aos desafios da mudança do clima. A rede também será responsável pela realização de estudos sobre os impactos da mudança do clima, em níveis regional e global, assim como na identificação das vulnerabilidades do país à mudança do clima e potenciais medidas de adaptação dos sistemas sociais, econômicos e naturais do país a essas mudanças. A Política Nacional sobre Mudança do Clima tem como diretrizes gerais o cumprimento dos compromissos assumidos pelo Brasil junto à Convenção sobre Mudança do Clima; adotar ações de mitigação que sejam mensuráveis, passíveis de ser informadas e verificáveis, no contexto do desenvolvimento sustentável; adotar medidas de adaptação para reduzir os impactos e a vulnerabilidade dos sistemas ambiental, social e econômico; garantir e estimular a participação dos governos, da sociedade civil organizada e dos setores acadêmico e privado; promover a pesquisa, o desenvolvimento e a difusão de tecnologias; utilizar mecanismos financeiros e econômicos para promover ações de mitigação e adaptação; promover a cooperação internacional e aperfeiçoar e garantir a observação sistemática e precisa do clima. O plano nacional deverá ser fundamentado em quatro eixos principais que incluem ações nacionais de mitigação (redução de emissões e fortalecimento das florestas); identificação das vulnerabilidades e potenciais impactos da mudança do clima, e medidas de adaptação; pesquisa e desenvolvimento; e ações nas áreas de educação, capacitação e divulgação. Thelma Krug é secretária de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente

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E S T A N T E

Parte das publicações, periódicos e DVDs recebidos pela biblioteca A iniciativa privada e o espírito público: um retrato da ação social das empresas do Sudeste brasileiro. Anna Maria T. Medeiros Peliano (coord). Brasília: Ipea, 2000. 80p.

Experiência Sebrae/DF na aplicação da metodologia Sebrae 5 menos que são Mais, Redução de desperdício no Distrito Federal. Brasília: Sebrae. 2007. 112p.

Bioética, Biodireito e Direitos Humanos: Noções gerais e questões controvertidas. Wanderley Rebello Oliveira Filho. Rio de janeiro: Letra Capital, 2007. 94p. ISBN: 9788577850051.

Grau Neto, W., O Protocolo de Quioto e o mecanismo de desenvolvimento limpo – MDL – Uma análise crítica do Instituto. Publicação: Editora Fiúza, São Paulo, 2007, 238 p.

Cadeia Produtiva da Soja. MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO. Secretaria de Política Agrícola, Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura; Coordenador Luiz Antônio Pinazza. Brasília: IICA: Mapa/ SPA, 2007. 116p. (Série Agronegócios; Volume II).

Limits to Growth: the 30-year update. Donella Meadows; Jorgen Randers; and Dennis Meadows. 2004. ISBN: 1931498512.338p.

Cadeia Produtiva do Milho. MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO. Secretaria de Política Agrícola, Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura; Coordenador Luiz Antônio Pinazza. Brasília: IICA: Mapa/SPA, 2007. 108p. (Série Agronegócios; Volume I).

O desenvolvimento sustentável na prática. Rio de janeiro: Comitê das Nações Unidas para o meio ambiente. 2007. SEBRAE. 40p.

Carbon Disclosure project report 2006 global FT500: On behalf of 225 investors with of $31 trillion. 2006. 59p.

O ataque à razão/ Al Gore; tradução Ana Ban. SP: Manole editora, 2008. ISBN: 9788520426715. 279p.

Rebello Filho, W., Bioética, Biodireito e Direitos Humanos – Noções Gerais e questões controvertidas. Publicação: Instituto de Estudos dos Direitos Humanos e do Meio Ambiente, Letra Capital Editora, Rio de Janeiro, 2007. 159 p.

Crateras da cobiça: um desastre ambiental provocado pela mineração subterrânea de zinco em Vazante, MG. J.Carlos de Assis. Rio de Janeiro: MECS editora: 2002.96p.

Reduzindo, reutilizando, reciclando a indústria ecoeficiente. André Vilhena e Elie Politi. São Paulo: Cempre: Senai, 2000. 83p.

Encontro águas de março 2007. Ciclo de mesas-redondas. DVD-ROM/NTSC/ 120min.

Uma coisa de cada vez: atitudes para viver melhor. Eugenio Mussak. São Paulo; Editora Gente: Vida simples, 2006. ISBN: 8573124881. 131p.

Engema: Encontro Nacional sobre Gestão Empresarial e Meio Ambiente: VIII Engema; Responsabilidade socioambiental num Mundo Globalizado. Rio de janeiro: FGV.09 a 11 de novembro de 2005.310p.

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Trigueiro, A., Kioto, O Protocolo da Vida. Publicação: DVD Globo News, Programa Cidades e Soluções, Rio de Janeiro, 2007.

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No Ano Internacional do Saneamento 2008, a ONU decidiu enfatizar questões relacionadas ao saneamento durante as comemorações, em 20 de março, do Dia Mundial da Água. A ONU quer chamar a atenção para o desafio de estimular ações de saneamento básico nos países, em apoio a cerca de 40% da população mundial que ainda não possuem condições sanitárias adequadas. Estima-se que 88% das doenças no mundo sejam decorrentes do suprimento de água imprópria para consumo, da falta de saneamento e de condições de higiene – problema na maior parte concentrado nas crianças dos países em desenvolvimento. Diariamente, essa situação contribui para a morte de 5.000 crianças, vitimadas por doenças como diarréias e parasitas. O desenvolvimento de iniciativas de saneamento – que incluem não só a coleta e tratamento de esgoto e o fornecimento de água potável, mas o tratamento do lixo e ações de higiene, entre outras – demandaria investimentos de cerca de US$ 10 bilhões anuais. Por outro lado, cada dólar investido em saneamento implica em um retorno de US$ 9,1 à sociedade, devido ao que se deixa de gastar, por exemplo, com tratamentos de saúde. Arquivo Pnuma

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Ano do Saneamento

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AGENDA

54ª Reunião do Comitê Executivo do Fundo Multilateral para a Implementação do Protocolo de Montreal – De 7 a 11 de abril, em Montreal (Canadá). Realização: Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Informações pelo tel. (61) 3292113 ou pelo email unep.brazil@undp.org.br. 9ª Reunião da Conferência das Partes da Convenção da Diversidade Biológica (COP 9) – De 19 a 30 de maio, em Bonn (Alemanha). Realização: Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Informações pelo tel. (61) 329-2113 ou pelo email unep.brazil@undp.org.br.

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Responsabilidade social

Sustentabilidade Telecom

Campeões da Terra

O Instituto Brasil Pnuma foi agraciado, em fevereiro, com o I Prêmio Rotary de Responsabilidade Social, na categoria de “Amigo do Rotary na Preservação do Meio Ambiente”, em reconhecimento pelos relevantes serviços prestados na promoção e participação da sociedade em atividades de educação e conscientização ambiental.

A Telecom (Associação Brasileira de Telecomunicações) promoveu, em fevereiro, na Cidade do Rio de Janeiro, a terceira edição do Telecom Social, com a apresentação dos resultados de 2007 do Balanço Social das Telecomunicações e a cerimônia de assinatura da Carta de Sustentabilidade Telecom Brasil. Versão da carta implementada na União Européia, a Carta de Sustentabilidade Telecom Brasil engloba os compromissos com o desenvolvimento sustentável a serem perseguidos por empresas como Embratel, Oi, Vivo e TIM. Com o endosso do presidente do Instituto Brasil Pnuma, Haroldo Mattos de Lemos, a carta defende o fornecimento sustentável de produtos e serviços com benefícios ambientais, sociais e econômicos significativos e um “esforço resoluto” para integrar as atividades das empresas do setor “com as responsabilidades ambientais, sociais e econômicas, minimizando, quando possível, qualquer impacto negativo que essas atividades possam gerar”.

O príncipe Alberto II de Mônaco, o ex-senador norte-americano Timothy E. Wirth e a primeira-ministra da Nova Zelândia, Helen Clark, estão entre os sete agraciados com o prêmio da oitava edição do Champions of the Earth. Uma promoção anual do Pnuma, a prestigiada cerimônia de premiação será realizada em 22 de abril, em Cingapura.

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Criado para celebrar o aniversário de fundação do Rotary International, há 103 anos, a cerimônia de entrega do prêmio foi realizada no Salão Nobre do Museu Militar Conde de Linhares, na Quinta da Boa Vista. O presidente do Instituto Brasil Pnuma, Haroldo Mattos de Lemos (à esq. na foto), recebeu o prêmio das mãos do governador eleito 200910 do Distrito 4570 do Rotary International, o coronel de Exército e engenheiro militar Alcio Augusto Carpes de Athayde. O regulamento do prêmio anual está disponível no site www. premiorotary.org. A premiação tem como objetivo prestar reconhecimento a empresas, profissionais, acadêmicos, autoridades governamentais e organizações cívicas que contribuíram ou apoiaram ações como a de preservação do meio ambiente, erradicação do analfabetismo, difusão das normas de ética profissional, melhoria da comunidade e a cooperação pela paz entre as nações.

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Tecnologia em bioenergia e biodiesel Com apoio do Instituto Brasil Pnuma, será realizado, em junho, no ExpoTrade Pinhais, em Curitiba (PR), o 3º Congresso Internacional de Bionergia e a BIOTech Fair 2008 – Feira Internacional de Tecnologia em Bionergia e Biodiesel. Uma promoção da Remade, com realização da Porthus Eventos, os eventos deverão atrair cerca de 600 congressistas e milhares de visitantes. O congresso e a feira têm o objetivo de ser o principal fórum de discussões sobre o aproveitamento racional desses resíduos, além de colocar frente a frente tecnologias brasileiras adequadas a diferentes regiões e padrões de projetos. Mais informações em www.porthseventos.com.br, bioenergia@porthuseventos ou (41) 33621180.

Criado em 2004 para premiar pessoas ao redor do mundo que tenham feito significativas e reconhecidas contribuições para a proteção e o monitoramento sustentável do meio ambiente, o Campeões da Terra não tem valor monetário. Os laureados recebem um troféu feito de metal reciclado desenhado pelo escultor queniano Kioko, que representa os elementos fundamentais para a vida no planeta: Sol, ar, terra e água. Helen Clark foi premiada pelo estabelecimento de uma meta de neutralidade de emissões de carbono para a Nova Zelândia, com a adoção de políticas e estratégias ambientais. O príncipe de Mônaco tem sido uma das grandes vozes mundiais para divulgar ações ambientais, tendo adotado como um dos seus primeiros atos, ao assumir o trono, a assinatura do Protocolo de Kyoto. Advogado de causas ecológicas, o ex-senador Wirth tem sido um incentivador para a assinatura do protocolo pelo governo dos EUA. Mais informações sobre a premiação em www.unep.org/champions.

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Desenvolvimento sustentável em debate Livro do Sebrae e Instituto Brasil-Pnuma ajuda modernização de empresas

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irigido para micros e pequenas empresas, a nova publicação do Sebrae e do Instituto Brasil-Pnuma “Desenvolvimento Sustentável na Prática” tem como estratégia abordar um tema amplo e complexo de forma simples e direta, descrevendo todas as etapas necessárias para que uma empresa adote os princípios do desenvolvimento sustentável. Osautores,oengenheiro Haroldo Mattos de Lemos e o biólogo Ricardo Luiz Peixoto de Barros iniciaram essa parceria com o Sebrae em 2006, com a publicação do livro “Avaliação do Ciclo de Vida do Produto, Certificação e Rotulagem Ambiental”, sobre a gestão ambiental de produtos. Ainda em 2008, a série sobre ciclo de vida será aumentada com uma publicação de um guia prático de como preparar uma micro e pequena empresa para uma certificação de ciclo de vida do produto. Com a repercussão crescente do tema ambiental entre os empresários, a diretoria técnica do Sebrae Nacional decidiu transformar em uma cartilha a palestra do presidente do Instituto Brasil Pnuma, Haroldo Mattos de Lemos, sobre o desenvolvimento sustentável, para os superintendentes regionais da organização. Assim, com a publicação de “Desenvolvimento Sustentável na Prática”, ampliou-se a divulgação para toda a comunidade do Sebrae.

Divulgação

Qualidade organizacional – Segundo Peixoto de Barros, “uma bemsucedida gestão do desenvolvimento sustentável ajuda a garantir que as micro e pequenas empresas tenham qualidade contínua nas decisões, promovendo a inovação e o sucesso da governança. No futuro, qualquer organização empresarial dependerá da integração das políticas econômica, ambiental e social, envolvendo todos os aspectos da operação”. Na introdução do livro, os autores abordam os grandes desafios do desenvolvimento sustentável: a garantia da disponibilidade dos recursos naturais, que transformamos em bens e serviços, para as próximas gerações; o não-lançamento sobre a biosfera do planeta de substâncias tóxicas e poluição em quantidades

e velocidades superiores à capacidade de autodepuração da natureza, decorrentes do uso dos bens e serviços produzidos; e a redução da pobreza em todo o mundo. Após uma retrospectiva histórica do problema da sustentabilidade, os autores comentam as críticas ao conceito do desenvolvimento sustentável, da forma como é compreendido pelas empresas, e as novas formas de negócios do mundo globalizado. Na seção final, o tema passa a ser analisado sob o prisma operacional, relacionando, de forma didática, os compromissos que as empresas e todas as partes interessadas passam a adotar nos negócios modernos. Inclusão, integridade, liderança e transparência são alguns desses compromissos fundamentais. Segundo os autores, o progresso sustentável das micro e pequenas empresas brasileiras só poderá ser atingido por meio do fortalecimento dos relacionamentos das cadeias produtivas; do aprofundamento do nível de compreensão e da forma como a empresa está se relacionando com os seus funcionários, estimulando o aprendizado e a inovação; do desenvolvimento da confiança e responsabilidade e, principalmente, da compreensão e gestão dos riscos e oportunidades.

Apoio Cultural 8

FEVEREIRO/MARÇO 2008 – Nº 99


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