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BRASIL PNUMA

www Visite .bra noss silpn o si uma te .org Nº 98 .br DEZ 2007/JAN 2008

Informativo do Comitê Brasileiro do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente

Preservar o planeta é bom negócio Combate ao aquecimento global já gera milhões de novos empregos Arquivo Pnuma

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mbora os 180 países reunidos na Conferência do Clima da ONU, realizada em Bali (Indonésia), em dezembro passado, não tenham estabelecido metas radicais – e necessárias – de combate ao aquecimento global, novo estudo promovido pelo Pnuma revela boas notícias no front verde: a mobilização para lidar com esse grave desafio ambiental já está gerando milhões de novos empregos e oportunidades de negócios ao redor do planeta. Segundo especialistas, as novas indústrias que investirem na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas ficarão à frente do setor de tecnologias limpas. Calcula-se, por exemplo, que os investimentos em fontes de energia renovável já somam US$ 100 bilhões – representando 18% dos novos investimentos no setor energético. Recente relatório econômico publicado nos Estados Unidos concluiu que havendo corretos sinais governamentais e investimentos em pesquisa e no desenvolvimento de projetos, as indústrias de energia renovável e de eficiência energética poderão criar 40 milhões de empregos no país por volta de 2030. Com apoio da Organização Internacional do Trabalho e da Confederação Internacional de Sindicatos de Comércio, o estudo Green Jobs: Can the Transition to Environmental Sustainability Spur New Kinds and Higher Levels of Employment? deverá ficar pronto no primeiro semestre deste ano. Mas os primeiros levantamentos dão conta de que as vagas de empregos abertas incluem vários segmentos sociais – como operários da construção civil e pequenos agricultores – e não apenas setores das classes médias. Alguns dados iniciais indicam as boas oportunidades de empregos e de negócios que podem ser criadas a partir do envolvimento dos países no combate ao aquecimento global:

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O programa de etanol no Brasil já criou 500 mil empregos; Em 2005, a indústria ambiental nos Estados Unidos gerou mais de 5,3 milhões de empregos – dez vezes mais do que o número da indústria farmacêutica no país. Os programas de energia renovável na Alemanha e Espanha têm cerca de dez anos, mas já criaram centenas de milhares de empregos;

Os investimentos em fontes de energia renovável já chegam a US$ 100 bilhões

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Por volta de 2020, a Alemanha terá mais empregos no campo das tecnologias ambientais do que em toda a indústria automobilística; Na União Européia, 20% de aumento em eficiência energética poderiam gerar cerca de um milhão de empregos. O mesmo cálculo é aplicável em nações emergentes e em desenvolvimento; A cidade indiana de Déli está introduzindo novos ônibus movidos a gás natural que vão criar 18 mil empregos; A China é a líder mundial em sistemas de aquecimento solar. Com as vendas casadas já tendo gerado cerca de US$ 2,5 bilhões em 2005, pelo menos 1.000 fabricantes empregam mais de 150 mil pessoas.


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EDITORIAL Como ficou claro em Bali, infelizmente não obtivemos ainda o consenso necessário entre a maioria das nações para o estabelecimento de metas radicais de redução das emissões dos gases que provocam o aumento do efeito estufa. Mas felizmente, como revelamos nesta edição, vários países e cidades já estão à frente do seu tempo, dando exemplo de que salvar o planeta é não só necessário como pode se transformar em um bom negócio. Na capa, falamos dos milhões de novos empregos que estão sendo criados na área ambiental. Aqui ao lado, divulgamos relatório com 12 casos de cidades que estão combatendo o efeito estufa. Na página 3, publicamos o compromisso de três pequenos países com metas consistentes de redução de suas emissões de gases-estufa. No artigo das páginas centrais, o economista Izeusse Dias Braga Junior fala das ações de responsabilidade social e ambiental da Petrobras, empresa que vem marcando presença num mundo corporativo que, cada vez mais, se preocupa em dar respostas para os problemas que afligem o planeta. Por fim, em nossa contracapa, destacamos o projeto da Patrulha Ambiental, iniciativa da Associação dos Moradores e Amigos do São Lourenço, pequeno bairro de Curitiba, que dá um exemplo prático de como uma ação local – pela recuperação de um rio poluído – pode alcançar milhões de pessoas. Um abraço e até o próximo Haroldo Mattos de Lemos Presidente

Cidades contra o efeito estufa 12 casos de iniciativas locais são exemplos para o mundo

Presidente: Haroldo Mattos de Lemos Diretor Técnico: Carlos Gabaglia Penna Diretor Jurídico: Oscar Graça Couto Diretor Administrativo: Roberto Carrilho Padula Jornalista Responsável: Ronie Lima (MTb 15.415/RJ) Referências Bibliográficas: Lílian Döbereiner Arte e Diagramação: Eliana Mac Dowell Fotolito: Pigmento Conselho Consultivo: Adolpho de Marinho Pontes (exdeputado federal do Estado do Ceará), Aloisio Ferreira de Souza (ex-presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental/Abes,AL), Cândido Mendes de Almeida (diretorgeral da Faculdade Cândido Mendes/RJ), Carlos Alberto de Oliveira Roxo (gerente-geral de Meio Ambiente e Relações Corporativas da Aracruz Celulose S.A.), Carlos Henrique de Abreu Mendes (exsecretário de Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro), Carlos Minc (deputado estadual PT/RJ), Henrique Brandão Cavalcanti (ex-ministro do Meio Ambiente e da Amazônia Legal), Jean C. L. Dubois (presidente do Instituto Rede Brasileira Agroflorestal/Rebraf,RJ), João Augusto Fortes (presidente da Sociedade Civil Pró-Rio), Joaquim Falcão (ex-secretário-geral da Fundação Roberto Marinho), José Mário de Oliveira Ramos (vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro/Firjan), José Mendo Misael de Souza (vice-presidente-executivo do Instituto Brasileiro de Mineiração), Márcio Moreira Alves (jornalista e presidente da Brain Trust Consultors), Marcio Nogueira Barbosa (ex-diretor-geral do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais/Inpe), Nelio Paes de Barros (ex-diretor administrativo do Instituto Brasil PNUMA), Paulo Nogueira Neto (ex-secretário especial do Meio Ambiente), Paulo Protásio (Associação Comercial do Estado do Rio de Janeiro),

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Arquivo Pnuma

Várias estufa se cidades do originam nas mundo escidades. E tão à frente no mundo, ¾ dos seus dos assenpróprios paítamentos urses em probanos locagramas e lizados em ações para áreas cosdiminuir as teiras estão emissões de sob risco de gases que sofrer improvocam o pactos com agravameno esperado to do efeito aumento do 80% das emissões de gases-estufa estufa – alnível dos se originam nas cidades gumas chemares. gando a propor metas que vão além Exemplos muitas vezes criativos e das estabelecidas pelo Protocolo de baratos de serem adotados, como o Kyoto. Produzido pelo Pnuma e as caso da cidade cubana de Bayamo, organizações Cities Alliance e Iclei que enfrentou uma situação em que o (Local Governments for Sustainabitransporte motorizado era disponível lity), o relatório Liveable Cities: The Bepara apenas 15% dos seus habitannefits of Urban Environmental Planning tes. A partir de 2004, foi incrementado apresenta 12 exemplos de cidades um sistema de carruagens puxadas que estão fazendo o dever de casa por cavalos, que atualmente atende a para minimizar causas do aquecicerca de 40% das necessidades lomento global. cais. Uma importante demonstração O documento foi divulgado na Conde que o transporte motorizado não é ferência do Clima da ONU, realizada a única solução para o problema do em Bali (Indonésia), em dezembro, transporte público. durante as Sessões de Clima de GoNa cidade industrial de Taiyuan, verno Local, que contaram com a parno chamado Cinturão de Carvão, no ticipação de pelo menos 65 cidades e Norte da China, a má qualidade do governos locais. Ainda que numericaar está sendo combatida com a mente reduzidos, os casos citados no introdução de um sistema comercial relatório revelam bons exemplos de de emissões para reduzir a conpráticas que podem ser replicadas ao centração de dióxido de enxofre na redor do planeta. atmosfera. São exemplos importantes na luta O relatório pode ser acessado em www.unep.org/urban_environment/ para frear o aquecimento global, já que ou www.citiesalliance.org/. cerca de 80% das emissões de gases-

Ricardo Boechat (diretor de jornalismo da Band Rio), Roberto Klabin (presidente da SOS Mata Atlântica,SP), Roberto Messias Franco (ex-assessor do diretor regional do PNUMA para América Latina e Caribe e ex-secretário especial do Meio Ambiente) Conselho Fiscal: Joper Padrão do Espirito Santo, Roberto de Faria Almeida, Telma de Avellar Guimarães (titulares), João Alfredo Noronha Viegas, Saint Clair Zugno Giacobbo, Vicente Hermogerio Schmall (suplentes). Publicação bimestral. Permitida a reprodução total ou parcial, desde que citada a fonte. INSTITUTO

www.brasilpnuma.org.br

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COMITÊ BRASILEIRO DO PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O MEIO AMBIENTE

PNUMA INSTITUTO BRASIL PNUMA

O interessado em tornar-se sócio do Instituto BRASIL PNUMA e receber este informativo deve fazer contato pelo nosso telefone ou pelo e-mail.

Av. Nilo Peçanha 50, sala 1.708 – Centro CEP 20.044-900 – Rio de Janeiro – RJ – Brasil Tel.: (21) 3084-1020 – Telefax: (21) 2262-7546 CGC: 40.200.230/0001-19 e-mail: brasilpnuma@domain.com.br

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Vanguarda ecológica pelo planeta Costa Rica, Noruega e Nova Zelândia combatem aquecimento global

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a Conferência do Clima da ONU, realizada em Bali (Indonésia), em dezembro, os países participantes não conseguiram chegar a um consenso sobre metas concretas de redução de suas emissões dos gases-estufa. Mas Costa Rica, Noruega e Nova Zelândia deram bons exemplos ao assumir compromissos consistentes de combate às causas das mudanças climáticas. O chefe da delegação da Costa Rica, Paulo Manso, reafirmou a promessa do país em colocar as mudanças climáticas no topo de sua agenda de ações, argumentando inclusive que uma economia neutra em emissões de carbono pode ser competitiva. O objetivo é alcançar a meta de neutralidade por volta de 2021, para coincidir com o aniversário de 200 anos da independência da nação. Meta que começou a ser viabilizada com a adoção, em 1996, de taxação de 3,5% na comercialização de combustíveis de origem fóssil – alocando-se a verba no National Forestry Financing Fund. Esse fundo de reflorestamento e outros aportes financeiros, como empréstimos e doações, integram uma estrutura de pagamento de programas ambientais de manejo florestal, de produção de água e de preservação da biodiversidade e da paisagem cênica do país. Em 2007, por conta da campanha do Pnuma Plant for the Planet: Billion Tree Campaign, foram plantadas na Costa Rica mais de 5 milhões de árvores. Neutros em carbono – Já o ministro do Meio Ambiente e Desenvolvimento Internacional da Noruega, Erik Solheim, reafirmou o compromisso do país em se tornar neutro em emissão de gases-estufa por volta de 2050, apoiando ações de economia e maior eficiência energética que vão além das metas estabelecidas no Protocolo de Kyoto. Anunciou ainda investimento inicial de US$ 820 mil no sistema do Pnuma que visa ao fortalecimento do mercado de carbono no mundo. DEZEMBRO 2007/JANEIRO 2008 – Nº 98

Por sua vez, o ministro responsável pelas questões de mudanças climáticas da Nova Zelândia, David Parker, confirmou o objetivo da nação de se transformar na primeira sustentável do mundo. Para alcançar essa meta, uma importante iniciativa é o plano de se tornar neutra em carbono com a geração de 90% da eletricidade a partir de fontes renováveis de energia, por volta de 2025, e com o corte pela metade das emissões do setor de transportes, em 2040, ao introduzir carros

elétricos e a exigência de uso de biocombustíveis. Para incentivar o comportamento sustentável da população, está sendo introduzido na Nova Zelândia um sistema de comercialização de emissões de gases-estufa. Ao falar da importância econômica para o país da agricultura e dos seus rebanhos, Parker disse que as pesquisas agrícolas nacionais estão se voltando para formas de redução das emissões de gases-estufa, como o metano liberado pelos animais. Arquivo Pnuma

O incentivo ao uso de biocombustíveis é um dos exemplos de ações contra o efeito estufa

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Lideranças Globalmente Responsáveis: Novas abordagens para antigos problemas IZEUSSE DIAS BRAGA JUNIOR

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atuação com responsabilidade social e ambiental, discutida hoje em todo o mundo, não é novidade para a Petrobras. Quando detinha o monopólio do petróleo no Brasil, já era responsável nesses âmbitos. Fazia chegar seus produtos com os menores custos à sociedade brasileira. Repassava ganhos de produtividade obtidos graças a sua capacitação tecnológica aos clientes. Além disso, pagava dividendos sociais aos brasileiros, patrocinando projetos ambientais, culturais e esportivos nas áreas de influência de suas operações, bem como a construção e a reforma de escolas e seu aparelhamento. Nos tempos de abertura de mercado, estruturou programas sociais e ambientais focados em necessidades da sociedade brasileira. E passou a convidar especialistas de todo o país para, em seleções públicas transparentes, auxiliarem-na a escolher projetos para patrocinar. A estruturação de programas com enfoque específico evitaria patrocínios não criteriosos e falta de sintonia com objetivos estratégicos. Além disso, negociadas as ações da companhia em bolsas de valores internacionais, investidores estrangeiros cientes das questões globais valorizariam mais os papéis de empresas-cidadãs.

dos consumidores de água, comida, moradia, educação e saúde, como também a produtos e serviços de empresas, sendo inseridos na economia formal. Com essa mentalidade, a Petrobras integrou o Dow Jones Sustainability World Index, de 2006 a 2007 e de 2007 a 2008, e abriu perspectivas para captar recursos de fundos de investimentos internacionais responsáveis. Ciente de que não basta cumprir leis, vai além. De forma estruturada, muda paradigmas sociais e ambientais. Iniciativa nessa linha é o Programa Desenvolvimento & Cidadania Petrobras. Por seleção pública, serão escolhidos projetos que gerem renda e oportunidade de trabalho, promovam a educação para a qualificação profissional e garantam os direitos de crianças e adolescentes. O investimento da Petrobras será de R$ 1,2 bilhão, de 2008 a 2012. Cerca de 45 milhões de pessoas

Na província petrolífera de Urucu, na Amazônia, participantes da Iniciativa da Liderança Globalmente Responsável viram como a Petrobras produz petróleo e gás em um santuário ecológico

Empresa-Cidadã No caso de muitos projetos patrocinados pela Petrobras, predadores da natureza viraram seus protetores. O Projeto Tamar, de preservação de tartarugas marinhas, é um exemplo. Ex-caçadores de tartaruga localizam seus ovos hoje, para que possam ser protegidos até eclodirem. Mais de 9 milhões de tartaruguinhas já foram soltas no mar. Com a expansão da atuação da Petrobras no exterior, no upstream, que pressupõe transações entre empresas, e depois no downstream, em que as relações são entre empresas e consumidores, o diálogo com esse público se fez mais necessário. Procurou-se aumentar a percepção mundial sobre o compromisso da companhia com questões sociais e ambientais, o que foi e tem sido feito. Na reunião do Fórum Econômico Mundial de 1999, na Suíça, o então secretário-geral da ONU, Kofi Annan, propôs um Pacto Global a empresas de todo o mundo para ajudarem a solucionar problemas sociais e ambientais. Cada uma contribuiria em sua área de influência. Assim, em 2003, a Petrobras aderiu ao pacto, entendendo que empresas podem melhorar a vida dos menos favorecidos. Basta criarem condições para que eles tenham acesso a merca-

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Divulgação

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Liderança Globalmente Responsável Líderes de governos, de empresas e da sociedade civil, como o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli (3º à esquerda), e o presidente do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, Oded Grajew (1º à direita), participaram da reunião do Conselho do Pacto Global da ONU, em Genebra (Suíça), em julho

serão atendidas, direta ou indiretamente. As diretrizes serão priorizar a juventude; buscar resultados sustentáveis; manter sinergia com políticas públicas; implementar ações estratégicas, sistêmicas e multiinstitucionais; estimular o protagonismo social, a co-responsabilidade, o associativismo, o cooperativismo e o trabalho em rede; contribuir para erradicar o analfabetismo; e levar desenvolvimento às áreas de influência do Sistema Petrobras. Paralelamente, a Petrobras se empenha em tornar questões ambientais e sociais parte do seu negócio. No caso dos biocombustíveis, compra de produtores rurais a produção e mescla à de refinarias próprias. Assim, fixa o homem à terra e gera renda para seu sustento, promovendo inserção social, e preserva o meio ambiente ao produzir combustíveis mais limpos. Divulgação

Tal trabalho precisa ser conduzido por líderes globalmente responsáveis, que aliem questões sociais e ambientais a seu negócio sem comprometer a rentabilidade. Com esse fim, 1.200 empresas e 350 escolas de negócio foram convidadas a integrar um processo seletivo para, no âmbito da ONU, participar da inédita Iniciativa da Liderança Globalmente Responsável. Os selecionados, unindo teoria e prática, sob a coordenação da European Foundation for Management Development (EFMD), desenvolveriam uma metodologia de formação desses líderes. Também discutiriam como atrair e reter talentos, gerenciar riscos mediante diálogo com atores relevantes, transformar desafios sociais e ambientais em oportunidades de negócios, resguardar valores e reputação por meio da responsabilidade social pró-ativa, gerar valor pelo bom desempenho social e ambiental. Foram selecionadas sete empresas – Petrobras (Brasil), Aviva (Reino Unido), Barloworld (África do Sul), Caisse d’Epargne e Lafarge (França), IBM (EUA) e Telefónica (Espanha) – e 14 escolas de negócio – Bordeaux Business School, Essec e Insead (França), China-Europe International Business School (China), Fundação Dom Cabral (Brasil), Iese e Instituto de Empresa (Espanha), London Business School e Oasis School of Human Relations (Reino Unido), Pepperdine University (EUA), Queen’s University, School of Business (Canadá), Responsible Business Initiative e University of Management and Technology (Paquistão) e University of South Africa, Corporate Citizenship Center (África do Sul). Organizaram-se seis reuniões presenciais, uma no Brasil. No país, no bairro da Maré, no Rio de Janeiro, perto do centro de P&D da Petrobras, viu-se o contraste entre precárias condições de vida da comunidade e a vanguarda tecnológica, desafio para líderes do futuro. Já na província petrolífera de Urucu, operada pela Petrobras na Amazônia, viu-se como se produz petróleo e gás em um santuário ecológico e se mantém excelência em SMS e ampla integração com comunidades locais. O relatório final foi entregue em 2005 a Kofi Annan. Lido o documento, o Escritório do Pacto Global e a EFMD convidaram a Petrobras, por meio de sua universidade corporativa, a formular o projeto-piloto de aplicação da nova metodologia, adaptada a gerentes junto com a EFMD e a Fundação Dom Cabral. Consolidada, a metodologia será disseminada a executivos da Petrobras no Brasil e no exterior e posta à disposição de empresas e escolas de negócio de todo o mundo. Mais uma vez, a Petrobras terá contribuído para construir um futuro melhor para as próximas gerações. Mais detalhes: www.globallyresponsibleleaders.net Izeusse Dias Braga Junior é economista e atua como gerente de Comunicação Internacional da Petrobras e como representante da companhia no Pacto Global da ONU

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Parte das publicações, periódicos e DVDs recebidos pela biblioteca

Cadeia Produtiva do Milho. MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO. Secretaria de Política Agrícola, Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura; Coordenador Luiz Antônio Pinazza. Brasília: IICA: Mapa/SPA, 2007. 108p. (Série Agronegócios; Volume I). Cadeia Produtiva da Soja. MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO. Secretaria de Política Agrícola, Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura; Coordenador Luiz Antônio Pinazza. Brasília: IICA: Mapa/SPA, 2007. 116p. (Série Agronegócios; Volume II). Coelho, V., Baía de Guanabara – Uma história de agressão ambiental. Publicação: Casa da Palavra Produção Editorial, Rio de Janeiro, 2007, 278 p. DÉCADA Sustentável das Nações Unidas da Educação para o Desenvolvimento Sustentável, 2005-2014: documento final do plano internacional de implementação. Brasília: Unesco, Orealc, 2005.120p. SEG

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Meadows, D., Randeres, J., Meadows, D., Limites do Crescimento – A Atualização dos 30 anos. Publicação: Capítulo Brasileiro do Clube de Roma, Qualitymark Editora, Rio de Janeiro, 2007, 335 p. Mussak, E., Uma Coisa de Cada Vez – atitudes para viver melhor. Publicação: Revista Vida Simples, Editora Gente, São Paulo, 2006, 131 p. Parente, J., Gelman, J.J., Varejo e Responsabilidade Social no Brasil – Visão Estratégica e Práticas no Brasil. Publicação: FGV – Gvcev, Bookman Companhia Editora, Porto Alegre, 2006, 182 p.

Um bilhão de árvores A campanha internacional pelo plantio, em 2007, de um bilhão de árvores ao redor do planeta atingiu sua meta. Em 28 de novembro, o Pnuma e o World Agroforestry Centre (Icraf), promotores da Plant for the Planet: Billion Tree Campaign, anunciaram o cumprimento de promessa feita na Convenção do Clima da ONU de 2006. Acredita-se que o plantio da bilionésima árvore tenha ocorrido na Etiópia, na África, onde, como parte da festa nacional Comemoração do Milênio 2007, cerca de 700 milhões foram plantadas.

Rebello Filho, W., Bioética, Biodireito e Direitos Humanos – Noções Gerais e questões controvertidas. Publicação: Instituto de Estudos dos Direitos Humanos e do Meio Ambiente, LetraCapital Editora, Rio de Janeiro, 2007, 159 p. Terceiro Relatório Nacional para a Convenção sobre Diversidade Biológica: Brasil/ MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Secretaria de Biodiversidade e Florestas. Brasília: MMA, 2006. 368p. (Série Biodiversidade, 21). Trigueiro, A., Kioto, O Protocolo da Vida. Publicação: DVD Globo News, Programa Cidades e Soluções, Rio de Janeiro, 2007.

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Grau Neto, W., O Protocolo de Quioto e o mecanismo de desenvolvimento limpo – MDL – Uma análise crítica do Instituto. Publicação: Editora Fiúza, São Paulo, 2007, 238 p.

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BENCH MAIS: as 85 melhores práticas em gestão socioambiental do Brasil/ [organizado por] Marilena Lino de Almeida Lavorato, Adalberto Wodianer Marcondes, Rogério Raupp Ruschel. – 1ed. São Paulo: Mais projetos: Instituto Envolverde; Cotia: ruschel e Associados marketing Ecológico, 2007. 328p.

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AGENDA

10ª Seção Especial do Conselho de Administração do Pnuma/Fórum Global de Ministros de Meio Ambiente – De 20 a 22 de fevereiro, no Principado de Mônaco. Realização: Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Informações pelo tel. (61) 3038-9233 ou pelo email unep.brazil@undp.org.br. 54º Encontro do Comitê-Executivo do Fundo Multilaterial para a Implementação do Protocolo de Montreal – De 7 a 11 de abril, em Montreal (Canadá). Realização: Secretariado do Fundo Multilateral do Pnuma. Informações pelo tel. (61) 329-2113 ou pelo email unep.brazil@undp.org.br. 9º Encontro da Conferência das Partes da Convenção de Diversidade Biológica – De 19 a 30 de maio, em Bonn (Alemanha). Realização: Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Informações pelo tel. (61) 329-2113 ou pelo email unep.brazil@undp.org.br.

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O total de árvores plantadas no mundo ainda não havia sido fechado em dezembro, com os números aumentando a cada dia. Mas no topo das nações que mais se mobilizaram por esse belo exemplo de mitigação das mudanças climáticas aparecem, depois da Etiópia, o México (217 milhões de árvores), Turquia (150 milhões), Quênia (100 milhões), Cuba (96,5 milhões), Ruanda (50 milhões), República da Coréia (43 milhões), Tunísia (21 milhões), Marrocos (20 milhões), Myanma (20 milhões) e, por último, o Brasil, com 16 milhões de árvores contabilizadas. DEZEMBRO 2007/JANEIRO 2008 – Nº 98


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Efeito estufa: guerra e paz O combate às mudanças climáticas terá papel central em uma política pela paz no mundo ao longo do século 21. É o que se depreende do estudo Climate Change as a Security Risk, preparado por acadêmicos do conselho alemão German Advisory Council on Global Change e divulgado durante a Conferência do Clima da ONU, em Bali (Indonésia), em dezembro. O relatório indica quatro problemas ambientais que irão estimular conflitos entre nações: a degradação das fontes de água doce; o declínio da produção de alimentos; o aumento das tempestades e das enchentes; e as migrações impulsionadas por danos ambientais. Algumas áreas de potencial conflito foram apontadas pelo estudo: Norte e Sul da África; Ásia Central; Paquistão e Bangladesh; China; partes do Caribe e do Golfo do México; e a região dos Andes e da Amazônia. O rápido derretimento de glaciais andinos provocará problemas de suprimento de água. O colapso da Floresta Amazônica, se não for controlado a tempo, irá alterar radicalmente o meio ambiente da América do Sul, que conseqüências econômicas e sociais imprevisíveis. O estudo está disponível em www.wbgu.de ou em www.earthscan.co.uk.

Queima de turfa

Jogos de Inverno verdes

Foi divulgado na Conferência do Clima da ONU, em Bali, o primeiro estudo global que liga a degradação da vegetação de turfa com as mudanças climáticas em curso no planeta. A limpeza, a drenagem e a queima dessa vegetação liberam anualmente mais de 3 bilhões de dióxido de carbono para a atmosfera – o equivalente a 10% das emissões mundiais provenientes dos combustíveis de origem fóssil. De acordo com o estudo Assessment on Peatlands, Biodiversity and Climate Change, esse ecossistema úmido – presente em 180 países e cobrindo 400 milhões de hectares, equivalentes a 3% da superfície do planeta – acumula matéria vegetal e forma uma densa camada de solo de turfa de 20 metros, estocando em média 10% a mais de carbono por hectare do que outro tipo de ecossistema. O problema é grave, até pelo custo de recuperação das áreas degradadas. Especialistas avaliam que os investimentos para a conservação e restauração das turfas podem ultrapassar cem vezes o custo efetivo de outras medidas de seqüestro de carbono. Representantes do Pnuma, da Convenção sobre Diversidade Biológica, do fundo ambiental GEF, do Global Environment Centre e da Wetlands International conclamaram a comunidade internacional a adotar ações urgentes de proteção e de restauração das terras de turfas, a partir da integração de estratégias de mitigação e de adaptação de clima.

Mais uma vez, desportistas do mundo darão exemplo sobre a importância de se contribuir para o aumento da consciência ambiental. Em acordo assinado na sede da ONU, na Cidade de Nova York, pelo Pnuma e o Comitê Organizador de Vancouver para os Jogos de Inverno Olímpicos e Paraolímpicos, que serão realizados no Canadá em 2010, foi estabelecida a promoção de ações para reforçar a performance ambiental das competições, aumentando-se assim a consciência pública sobre a importância da proteção ao meio ambiente e do desenvolvimento sustentável.

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Arquivo Pnuma

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Pós-graduação em gestão ambiental Estão abertas as inscrições para mais uma turma do Curso de PósGraduação em Gestão Ambiental promovido, desde 2000, pela Escola Politécnica da UFRJ e pelo Comitê Brasileiro do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Instituto Brasil Pnuma). Atualmente, são formadas duas turmas por ano, com a primeira de 2008 começando suas aulas em 18 de março. As aulas da segunda começarão em 16 de agosto. As aulas presenciais da primeira turma serão realizadas às terças, quartas e quintas-feiras, das 18h às 22h, no Centro Cultural da Sociedade de Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro (Seaerj), na Rua do Russel, 1, na Glória (ao lado da estação do metrô); com estacionamento gratuito para os alunos. As aulas terminam em 15 de dezembro, e as monografias devem ser entregues até 15 de março de 2009. As aulas da segunda turma começam em 16 de agosto, no mesmo local, às sextas-feiras, das 18h às 22h, e aos sábados, das 8h às 12h e das 13h às 17h. As aulas presenciais terminarão em junho de 2009, com as monografias devendo ser entregues até 15 de agosto de 2009. A ementa do curso – com informações sobre professores, matérias e conteúdo, o investimento necessário e como se inscrever – está disponível no site www.brasilpnuma. org.br. Como tem havido muita procura pelos cursos, com listas de préinscrição, o interessado deve fazer logo seu pedido.

Prêmio Fiesp Estão abertas até 24 de janeiro as inscrições e a entrega dos projetos do 3º Prêmio Fiesp de Conservação e Reuso de Água. Tendo como público alvo indústrias com sede no Estado de São Paulo, o prêmio tem o objetivo de incentivar boas práticas do uso eficiente de água nas empresas, com a redução do seu consumo e custos, para aumentar a competitividade do setor e gerar benefícios ambientais, sociais e econômicos. Mais informações no Portal Fiesp, no www.fiesp.com.br.

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Patrulha Ambiental recupera rio urbano Ação ecológica em Curitiba se expande para outras bacias hidrográficas

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om o objetivo básico de lutar pela recuperação dos rios urbanos, a Associação dos Moradores e Amigos do São Lourenço – um dos menores bairros de Curitiba (PR) – está dando exemplo, desde 2000, de como a mobilização local pode fazer diferença, formando uma grande rede comunitária de gestão ambiental. Após oito anos de lançamento do projeto Viva Belém, que formou a Patrulha Ambiental em defesa do Rio Belém, o pequeno sonho de moradores do bairro de São Lourenço já soma, segundo a associação, 116 parceiros em pelo menos 150 cidades, algumas fora do Paraná, com mais de 500 ações socioambientais realizadas. E o foco principal da mobilização inicial já apresenta resultados positivos: a água do Rio Belém, que era cinzenta e mal cheirosa junto as suas nascentes, está chegando praticamente limpa no Lago do Parque São Lourenço. – Hoje sabemos que a recuperação dos rios urbanos é possível e necessá-

ria. E vamos continuar contribuindo com a melhoria das águas dos rios urbanos e com todas as comunidades que estão no caminho desses rios. Com esse grande esforço voluntário em andamento, sabemos que a participação das escolas e das comunidades é essencial para que o trabalho ambiental tenha os melhores resultados possíveis – diz o presidente da AMA São Lourenço, César Paes Leme. Viva Belém – A história dessa mobilização começou em 2000, quando moradores de dez bairros da região das nascentes do Rio Belém se mobilizaram para despoluí-lo, formando o projeto Viva Belém. Um desafio enorme, já que nunca havia sido realizado um grande projeto comunitário de despoluição ao longo de 30 anos de forte crescimento populacional e urbanização de Curitiba. Surgiram então os primeiros projetos ambientais, agregando escolas, grupos de escoteiros, associações e clubes de serviço dos bairros em torno do São Lourenço – formando-se então

a Patrulha Ambiental. As ações do grupo acabaram por chamar a atenção do poder público municipal e estadual, que passaram a dar apoio ao projeto. Projetos comunitários semelhantes foram então sendo promovidos em diversas bacias hidrográficas de várias partes do país. Em 2007, em um importante reforço das ações ambientais, os 116 parceiros da AMA São Lourenço se juntaram aos 60 clubes de Lions do Distrito LD1 do Lions Internacional – levando o modelo da Patrulha Ambiental para cerca de 5 milhões de pessoas no Estado do Paraná. – Se levarmos em conta que cada clube agregará pelo menos cinco novas instituições no seu Arranjo Local, teremos nada menos do que uma rede de 416 instituições de ensino e do terceiro setor envolvidas num único projeto ambiental – avalia Paes Leme. Um dos pilares da filosofia de atuação da AMA São Lourenço é a consciência de que a partir de pequenos esforços locais podem ser melhorados um bairro, uma cidade e, por extensão, o país e o planeta. Mais informações sobre a AMA São Lourenço, o projeto Viva Belém e a Patrulha Ambiental no site www.superviadigital.com.br/ projetos/patrulha/abertura.htm. Divulgação

Promovido anualmente pela AMA São Lourenço, o Abraço no Rio Belém e no Parque São Lourenço é uma emocionante manifestação de amor à Natureza que reúne milhares de pessoas

Apoio Cultural 8

DEZEMBRO 2007/JANEIRO 2008 – Nº 98


Pnuma 98