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BRASÍLIA Utopia

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om ângulos certeiros no torto cerrado, os pais fundadores de Brasília traçaram juntos nosso futuro em comum. Cada qual com sua própria quimera, encravariam no íntimo de um país-imensidão sua utopia de cidade moderna. A vida em Brasília, ela própria, seria obra-prima. Trabalhadores e governantes embarcariam no mesmo avião, o Plano Piloto, onde compartilhariam escolas, clubes e comércios, cruzariam motorizados suas largas avenidas margeadas de verde e vivenciariam a arte no seu cotidiano, ao ar livre.


Gente de todo o Brasil constituiu lar entre seu solo vermelho e o manto de liberdade do céu do Planalto Central. Vieram sonhados, cada um à sua maneira. O sonho de uns era concreto. Viveriam nos apartamentos funcionais de linhas austeras, térreo livre e horizonte garantido. Criariam raízes onde acreditavam nada haver. Outros enxergariam seu futuro em cores nativas. Suas brasílias utopias não se extinguiriam nos limites retângulos do Distrito Federal, nem no mito de uma civilização erguida num vácuo simbólico. Tantos foram aqueles seduzidos por tais sonhos que a cidade inchou. Projetado para acolher 600 mil habitantes em 2000, na virada do milênio, o Distrito Federal já ultrapassava a marca dos 2 milhões, e, uma década mais tarde, já contava com outro meio milhão. A especulação imobiliária expulsou trabalhadores do Plano Piloto e a opção pelo transporte rodoviário se provou excludente e ineficaz. A ocupação da terra no DF seguiu desordenada, desafiando o princípio de seu Plano Diretor original.

Olivier Boëls

Felizmente, nossa veia utópica também transbordou os desígnios dos fundadores da cidade.


Olivier Boëls Olivier Boëls


Brasília Utopia retrata um pouco da arquitetura humana da cidade-monumento a partir das utopias vividas hoje por seus habitantes. Nossa Brasília é um rico mosaico de novas e tradicionais socialidades. Elas se expressam em diversas formas de relacionar-se com outros humanos e com o ambiente, de interagir com o espaço e de produzir cultura e política. São essas experiências que nos constituem e que ajudam a reinventar cotidianamente a cidade. Afinal, como toda utopia, Brasília é devir. Lena Tosta curadora

Glossário Utopia – projeto inovador e / ou revolucionário, geralmente vinculado à concepção de uma civilização ideal. Quimera (fig.) – sonho, utopia. Vácuo simbólico – tempo / espaço desprovido de referências culturais. Plano Diretor – diretrizes municipais que norteiam a política de ordenamento do solo urbano. Devir - processo de vir a ser.


“Museu é o Mundo”* O Museu Nacional (MUN), numa programação extramuros, tem realizado exposições temáticas de grande visibilidade pública ao ar livre, na praça do Conjunto Cultural da República. A centralidade do MUN e a sua grande visitação diária deve-se também aos passantes, em sua maioria usuários da Rodoviária do Plano Piloto, que recebe diariamente cerca de 900 mil pessoas. Acreditamos que a mostra fotográfica BRASÍLIA UTOPIA, com a curadoria de Lena Tosta, além de reunir imagens de profissionais de grande qualidade, contribui para ampliar o acesso do público à cultura. Ela oferece aos inúmeros observadores, dos mais atentos aos mais distraídos, a visão de importantes marcos da natureza desse museu a céu aberto, Brasília e seu entorno, traduzidos aqui em expressivas imagens de seus símbolos primordiais. Wagner Barja

Diretor do Museu Nacional

* Hélio Oiticica


Museu Nacional Olivier BoĂŤls


A concepção dos expositores partiu da tentativa de traduzir esta cidade, que encanta pela sua aparente simplicidade e falta de floreios estéticos, mas que desenvolve uma complexidade perceptível somente àqueles olhares mais desatentos. Brasília surpreende quem ingenuamente começa a sentir o pulsar das relações de seus convivas com os planos cegos de concreto, as curvas das cúpulas, a brisa que alisa as canelas nuas dos edifícios, as esculturas em forma de árvores tortas e o horizonte salpicado pelas cores da aquarela solar que as janelas em fita tentam em vão abraçar. A melhor tradução para os expositores é aquela que o poeta Carlos Drummond de Andrade utilizou para descrever o projeto urbanístico de Lúcio Costa “era rabisco e pulsava”. Os expositores devem ser apenas isso, pequenos rabiscos sutis que emolduram e dão suporte à verdadeira obra de arte: a vida. Rudi Sato arquiteto


Vista da Torre de TV Arthur Monteiro


Vista da Rodoviรกria Joรฃo Paulo Barbosa


Congresso Nacional Arthur Monteiro


Memorial JK Isabela Lyrio


Memorial dos Povos IndĂ­genas Arthur Monteiro


Tesourinhas Jo達o Paulo Barbosa


SQS 204 Isabela Lyrio


SQS 105 Arthur Monteiro


SQS 308 Jo達o Paulo Barbosa


Panteรฃo da Pรกtria Isabela Lyrio


Colônia Agrícola Águas Claras Olivier Boëls


Guariroba, Ceil창ndia Arthur Monteiro


Núcleo Bandeirante João Paulo Barbosa


Tambor de Crioula de Seu Teodoro, Sobradinho Isabela Lyrio


Grupo Ryukyu Koku Matsuri Daiko, Vargem Bonita Arthur Monteiro


Adeilton Lima, ator R么mulo Andrade, artista pl谩stico Nicolas Behr, poeta Arthur Monteiro


Cl茅sio da Cruz Alves, fot贸grafo amador, surdo Isabela Lyrio


Maurício Martins, high line, SEPS 912 João Paulo Barbosa


Leandro Valente, canionismo, Brazl창ndia Jo찾o Paulo Barbosa


Donaldo de Souza e João Ungarelli, parkour, Asa Sul Olivier Boëls


Eix達o do Lazer, Asa Norte Isabela Lyrio


Grupo de Capoeira Sol Nascente, Praça do Conjunto Cultural da República Olivier Boëls


Campo do Tupi, Setor Sul do Gama Isabela Lyrio


Esplanada dos MinistĂŠrios Isabela Lyrio


Exército de Palhaces Autônomos Rebeldes e Insurgentes Olivier Boëls


au t o res CURADORIA

Lena Tosta é doutora e mestre em Antropologia pela Universidade de Brasília (UnB), com experiência de campo no

Brasil, Índia, Canadá e França. Atuou como professora por seis anos na Faculdade de Educação da UnB e no IESB/Brasília. Atualmente, conclui uma especialização em Antropologia e Cinema na Universidade Paris X, trabalha com pesquisa antropológica conjugada à produção de imagens em curadorias, publicações, exposições e em atividades de ensino.

Participou de 17 mostras em locais como a Aliança Francesa de Toronto; Centro Cultural da Caixa (SP, DF e BA); Museu Nacional e Teatro Nacional, em Brasília; Musée du Quai Branly, em Paris; CCBB (SP, RJ e DF); Embaixada da França no Brasil e India Habitat Centre, em Nova Délhi, na Índia. É cofundadora do coletivo Etnofoco (etnofoco.com) e tem variadas publicações nacionais e internacionais, entre periódicos e revistas não acadêmicas. É detentora do prêmio Pierre Verger de Antropologia Visual 2002 e da melhor dissertação da Associação Brasileira de Antropologia/Fundação Ford, em 1997.

FOTOGRAFIA

Olivier Boëls

é cofundador do coletivo Etnofoco. É detentor de um prestigiado prêmio internacional, o World Press Photo 2000. Foi finalista do prêmio Smithsonian 2011 e 2013, nos Estados Unidos, e do prêmio Memorial Maria Luisa 2011, na Espanha. Entre os prêmios nacionais, ganhou o 1° Foto Arte 2004, na categoria Política e Social, e o Pierre Verger 2002, com a antropóloga Lena Tosta.

O Etnofoco apresentou, em 2010, o curta-metragem Cinzas Sagradas na Era de Kali, no Musée du Quai Branly, em Paris, durante o colóquio internacional Arrêts sur Images. O curta também integrou a exposição Índia, apresentados no CCBB (SP, RJ e DF), em 2012. Um trabalho híbrido, de fotografia e vídeo, resultado da pesquisa e tese de doutorado em Antropologia Iogues Dissidentes: Pedagogia de uma in-disciplina emancipatória. Participou de 33 exposições em lugares como o Museu Nacional, em Brasília; CCBB; Conjunto Cultural da Caixa; Musée du Quai Branly, em Paris; Harbourfront Center, em Toronto, no Canadá; India Habitat Centre, em Nova Délhi, na Índia; e Museu Nacional da Coreia do Sul. É representado pela galeria Zone Zero, no México, e pela galeria A Casa da Luz Vermelha, em Brasília.


João Paulo Barbosa é fotógrafo profissional e historiador pela UnB. Recebeu o

prêmio Special Mention do Banff Mountain Photography Competition 2010, no Canadá. Em 2011, foi finalista do prêmio Smithsonian. Coordenou o projeto dos 50 anos do Parque Nacional de Brasília, que resultou em livro e exposição no Museu Nacional, em Brasília. Ganhou o 2º prêmio do National Geographic Photo Contest/IMS, em 2012, na Itália. Realizou 66 exposições em países das Américas, África, Ásia e Europa. Publicou seis livros e colaborou com 33 revistas, no Brasil e no exterior. Dentre os lugares em que expôs, estão o National Museum of the American Indian, em Washington, nos Estados Unidos; Korean Foundation Gallery ; Museu Nacional da Coreia do Sul; India Habitat Centre, em Nova Délhi, na Índia; e galeria Bentara Budaya, em Jacarta, na Indonésia. É representado pela NOVICA e pela galeria A Casa da Luz Vermelha.

Arthur Monteiro

é fotojornalista e fotodocumentarista há mais de 15 anos. Especialista em retratos, estudou Jornalismo na Universidade Católica de Brasília. Profissional premiado, fundador dos coletivos Lúdica Luz (ludicaluz.com) e Punctum. Tem projetos autorais em países da Ásia e América Latina.

Expôs no Musée Malraux, na França; Museu Nacional da Coreia do Sul; Guangdong University of Foreign Studies, na China; Museu Nacional, em Brasília e em diversos festivais, como o FotoRio, Mês da Fotografia, Paraty em Foco e Foto Arte. Participou de workshops e exposições ao lado de fotógrafos como Walter Firmo e Cristiano Mascaro. É representado pela galeria A Casa da Luz Vermelha e pelo banco de imagens Samba Photo, em São Paulo.

Isabela Lyrio é formada em Comunicação pelo Centro Universitário de Brasília e estudou Ciências Sociais na

UnB. Fotógrafa profissional há 12 anos, dedica-se especialmente à documentação social - que considera obra essencial para a memória e instrumento de conhecimento. Participou de 23 exposições em países como: Brasil, China e Coreia do Sul, e nos festivais FotoRio, Mês da Fotografia e Foto Arte. Faz parte dos coletivos Lúdica Luz e Punctum. Suas fotografias integram o acervo da galeria A Casa da Luz Vermelha e o banco de imagens Samba Photo.


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Ficha técnica 47 º5 5'O

Coordenação Geral

Arquiteto

Projeto Gráfico

Olivier Boëls

Rudi Sato

Produção Executiva

Iluminação

Nísia Sacco

Caco Tomazzoli

Lena Tosta Olivier Boëls Sandrine Boëls

Conceito, Curadoria e Textos

Artesãos

Lena Tosta

Damião Araújo da Silva Sérgio Inês de Souza

Fotógrafos

Mediadora em Libras

Arthur Monteiro Isabela Lyrio João Paulo Barbosa Olivier Boëls

Maria Conchita Villafane Supervisora DO EDUCATIVO

Luana Ferreira

(61) 9122-0520/8180-4044

brasiliautopia@gmail.com www.facebook.com/BrasiliaUtopia www.projetobrasiliautopia.blogspo t. com. b r

Assessoria de Imprensa

Letícia Verdi Assessoria de Comunicação

Isabela Lyrio RevisÃo de textos

Aline Bacelar


PRODUÇÃO

APOIO

Administração Regional de Brasília

Secretaria de Educação

PATROCÍNIO


Catálogo Brasília Utopia  
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