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EBC Memória

Temperatura mundial bate recordes

Flamengo tem mais um vexame para coleção

Mês de abril foi o mais quente da história

Colunista fala dos motivos para a desclassificação precoce na Copa do Brasil

Mundo, pág.8

Esportes, pág.15

RIO DE JANEIRO

23 a 25 de maio de 2016

distribuição gratuita

Divulgação

Ano 4 | edição 180

Justiça do Rio de Janeiro ordena reabertura da CPI das Olimpíadas Após ter sido suspensa por uma manobra política dos parlamentares do PMDB, a CPI das Olimpíadas da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro teve de ser reaberta imediatamente conforme a decisão da Justiça Federal do Rio. A determinação judicial, divulgada na última quinta-feira (19), estabelece multa diária de R$ 10 mil à Câmara caso o presidente, Jorge Felippe (PMDB), descumpra a ordem. | Cidades, pág.5 Divulgação

EBC Memória

ARTE DE RUA

Forte mobilização da classe artística conseguiu barrar um projeto de lei que pretendia limitar os espaços de apresentação de artistas de rua no Rio. Mas a batalha ainda não está vencida. A vereadora Leila do Flamengo, autora da proposta, afirmou que não vai desistir do projeto. | Cidades, pág. 6

Maioria das empresas de ônibus estão fora da lei Relatório aponta que direitos dos motoristas estão sendo desrespeitados Cidades, pág. 7 Curta nossa página no Facebook


2 | Opinião

EXPEDIENTE

Desde 1º de maio de 2013 O jornal Brasil de Fato circula semanalmente em todo o país e agora com edições regionais nos seguintes estados: Ceará, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Pernambuco. O Brasil de Fato RJ circula todas as segundas e quintasfeiras. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais.

Rio de Janeiro, 23 a 25 de maio de 2016

EDITORIAL

Ocupar, resistir, lutar:

os verbos mais importantes Divulgação

CONSELHO EDITORIAL: Alexania Rossato,Antonio Neiva (in memoriam), Joaquín Piñero, Kleybson Andrade, Mario Augusto Jakobskind, Nicolle Berti, Rodrigo Marcelino, Vito Giannotti (in memoriam)

SUB-EDIÇÃO: Fania Rodrigues REPORTAGEM: André Vieira, Bruno Porpetta, Mariana PItasse e Pedro Rafael Vilela ESTAGIÁRIO: Victor Ohana REVISÃO: Sheila Jacob COLUNA SINDICAL: Claudia Santiago ADMINISTRAÇÃO: Angela Bernardino e Marcos Araújo DISTRIBUIÇÃO: Kleybson Andrade DIAGRAMAÇÃO: Juliana Braga TIRAGEM MENSAL: 200 mil exemplares/mês

N

a sexta-feira, 13 de maio, tomou posse o governo golpista e interino de Michel Temer. Além de uma série de medidas econômicas, políticas e sociais que atacam o direito da maioria da população trabalhadora do país e a soberania nacional, no pacote de maldades de Temer e das forças golpistas estão duras mudanças em vários órgãos federais, como a Controladoria Geral da União e o Ministério da Cultura. A Controladoria funcionava como órgão com autonomia para investigar as contas públicas e para contribuir com o combate à corrupção. Assim, deixa de existir. Passa a estar subordinada a um dos ministros indicados por Temer e, portanto, perde a autonomia administrativa e política para apurar

crimes contra os cofres públicos. Na prática, o governo golpista deu uma “banda” na luta contra a corrupção. No caso do Ministério da Cultura, a situação é vergo-

A equipe do filme nacional “Aquarius” fez uma manifestação contra o golpe no festival de cinema de Cannes, na França nhosa. Para se ter uma ideia, a cada R$ 200,00 que o Estado brasileiro arrecada de impostos, menos de R$ 1,00 vai para o orçamento do Ministério da Cultura. Só a tí-

PREVISÃO DO TEMPO (21) 4062 7105 redacaorj@brasildefato.com.br

Segunda-feira, 23 de maio, Rio de Janeiro, Brasil

tulo de comparação, desses mesmos R$ 200,00, mais de R$ 80,00 vão para o “bolsa banqueiro”. Nem agiota ganha tanto dinheiro assim. Enquanto isso, saúde, educação, moradia, transporte, segurança, ciência e tecnologia, segurança, defesa nacional e cultura ficam à míngua. OCUPAÇÕES Desde segunda-feira (16), o Palácio Capanema, no Centro do Rio, está ocupado por trabalhadores da Cultura, por militantes populares, por cidadãos que protestam contra o duro golpe que nossa democracia recebeu recentemente. Mais 21 sedes regionais do extinto Ministério da Cultura também foram ocupadas em todo o país. Conforme manifesto lan-

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ºC|F

Chuvas com trovoadas

çado, sua luta não é pela volta do Ministério da Cultura, embora afirmem a importância que a cultura tem para o povo, para a identidade e para a economia nacionais, ou seja, para o país de um modo geral. O centro da luta é o respeito à soberania do voto popular. Essa semana, a equipe do filme nacional “Aquarius” fez uma manifestação contra o golpe no festival de cinema de Cannes, na França. Esses trabalhadores da cultura, como aqueles das ocupações, também denunciam que não existe regra no Brasil que os ricos e poderosos respeitem, nem mesmo a Constituição. Ocupar, resistir, lutar: oesses são os verbos mais importantes a ser conjugados nos próximos meses.

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QUA

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24° 18°

Fonte: Google

EDIÇÃO: Vivian Virissimo (MTb 13.344)


Rio de Janeiro, 23 a 25 de maio de 2016

FRASE DA SEMANA

mandou

BEM

Fora, Temer. Nós, mulheres, não somos do lar. Somos da vida

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Divulgação

Disse a atriz Andrea Beltrão na ocupação do Palácio Capanema. Ela criticou a extinção do Ministério da Cultura.

A atriz Fernanda Montenegro lamentou o fim do Ministério da Cultura. Ela afirmou que tal atitude “foi uma tragédia”, e disse que o governo interino de Temer vai pagar um preço alto por essa pouca visão. “A cultura é a base de um país”, disse.

mandou

MAL

Divulgação

Aprovada a lei que permite doulas nas maternidades O

Projeto de Lei 2.195/13, que permite o acesso de doulas em maternidades, casas de parto e hospitais das redes pública e privada de saúde do estado do Rio, foi aprovado na semana passada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) em discussão única. As doulas são profissionais que dão suporte físico e emocional à mulher antes, durante e após o nascimento da criança.

O acesso estava proibido por uma resolução do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj), sendo o Rio de Janeiro o único estado com essa norma. Com o projeto em tramitação, ativistas do parto huma-

nizado reuniram-se com deputados para explicar a importância do projeto e pressionaram para a aprovação, inclusive com sugestões para aprimorar a redação. O texto segue para o governador em exercício, Francisco Dornelles, que tem 15 dias úteis para sancionar ou vetar. Depois, a lei precisa de decreto para ser regulamentada. (ABr)

Marcelo Camargo/ABr EBC Memória

A atriz Regina Duarte declarou que concorda com a extinção do Ministério da Cultura e ainda manifestou apoio ao governo interino e golpista de Michel Temer. A atriz está na contramão da maioria da classe artística.

AUMENTO NA CONTA DE LUZ Na primeira sessão de votações após o vice-presidente, Michel Temer, assumir a Presidência da República, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou uma medida provisória que poderá representar um aumento na conta de luz dos brasileiros.

Geral l 3

EM FOCO

SEGURANÇA Mortes violentas crescem 12% no Rio em 2016 O número de mortes violentas provocadas por assassinatos e intervenções policiais no Rio de Janeiro cresceu 12% nos quatro primeiros meses deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. De acordo com o Instituto de Segurança Pública, foram registradas 2.036 mortes violentas no estado neste ano ante as 1.818 mortes do mesmo período do ano passado. Dessas 2.036 mortes violentas, 238 foram provocadas pela polícia – número 8,8% inferior ao mesmo período do ano passado. O número de policiais mortos em serviço também caiu: foram oito mortes neste ano, ante as nove de 2015. Os roubos de rua aumentaram 23,7% e chegaram a 38.461 casos neste ano. Os roubos de veículo também tiveram crescimento, de 19,7%. Neste ano, foram registrados 13.704 roubos de carro no estado.

FORÇA NACIONAL Jogos receberão 2 mil agentes A segurança durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro vai contar com dois mil agentes da Força Nacional que estão no estado de São Paulo. A informação foi divulgada pelo ministro da Defesa, Raul Jungmann. O contingente será necessário para completar o total de cerca de 9,6 mil homens da Força Nacional previsto no planejamento da segurança nos Jogos.


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Cidades l 5

Justiça do Rio ordena reabertura da CPI das Olimpíadas na Câmara EBC Memória

As investigações tinham sido suspensas após uma manobra política dos parlamentares do PMDB

rio. Na atual composição da Câmara, 28 deputados estão no bloco “Por um Rio melhor”, que reúne partidos em aliança governista, a maioria deles do PMDB.

Mariana Pitasse do Rio de Janeiro (RJ)

A

pós ter sido suspensa por uma manobra política dos parlamentares do PMDB, a CPI das Olimpíadas da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro teve de ser reaberta imediatamente conforme a decisão da Justiça Federal do Rio. A determinação judicial, divulgada na última quinta-feira (19), estabelece multa diária de R$ 10 mil à Câmara caso o presidente, Jorge Felippe (PMDB), descumpra a ordem. Na terça-feira (17), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foi suspensa depois de a vereadora Teresa Bergher (PSDB) encaminhar um recurso para questionar a composição da comissão de vereadores. A partir do recurso, o vereador Jimmy Pereira (PRTB) indicou que o plenário votasse a suspensão da CPI.  Os vereadores da oposição tentaram impedir a votação, já que o tema não constava na pauta do dia, porém, o presidente da casa manteve a votação que somou 25 votos favoráveis à suspensão da CPI das Olimpíadas. “Foi aberto um precedente gravíssimo de que a qualquer momento o vereador levante o braço na sessão e consiga colocar para votação algo que não o agrade, esmagando a decisão dos outros parlamentares. Eles não querem que as investigações andem. Estão admitindo que

CPI das Olimpíadas foi reaberta após decisão judicial

O prefeito Eduardo Paes está muito preocupado, a Procuradoria Geral da União já pediu a sua investigação. Quem tem medo da CPI que se prepare Jefferson Moura, vereador suspendem a CPI porque estão morrendo de medo, não querem permitir que o esgoto das Olimpíadas transborde”, afirmou o vereador Re-

nato Cinco (Psol) na sessão seguinte à que aprovou a paralisação das investigações. INVESTIGAÇÃO A manobra para derrubar a CPI não foi a primeira tentativa para interromper as investigações. Ela aconteceu depois de um pedido de impedimento e dois recursos judiciais contra o seu andamento movidos pelo presidente da Câmara. Solicitada pelo vereador Jefferson Moura (Rede), a CPI das Olimpíadas tem por objetivo investigar todos os contratos fechados com as empreiteiras denunciadas pela Operação Lava-Jato, os gastos e os incentivos fiscais concedidos para a construção dos equipamentos esportivos e do legado do megaevento, incluindo a Linha 4 do Metrô.

Quando a proposta para abertura do inquérito foi apresentada no plenário, 17 dos 51 vereadores votaram a favor de sua instalação. O número é suficiente para aprovação, porém configura apenas um terço do plená-

MANOBRA “Tentaram uma manobra absurda, rasgando a constituição para parar as investigações. O prefeito Eduardo Paes está muito preocupado, a Procuradoria Geral da União já pediu a sua investigação. O ex-governador Sérgio Cabral, padrinho político do Eduardo Paes e parceiro do Eduardo Cunha, está nessa com eles. Essa página será passada a limpo, por isso estão tão preocupados. Os documentos do Parque Olímpico já chegaram aqui e nós estamos investigando. Quem tem medo da CPI que se prepare”, declarou o vereador Jefferson Moura em sua página no facebook. A Comissão Parlamentar de Inquérito é composta pelos vereadores Átila Nunes, Thiago K. Ribeiro, Jorginho da SOS e Eduardão, todos do PMDB. Por ser autor, Jefferson Moura é o presidente do grupo.


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Mobilização retira de pauta lei contra artistas de rua

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Projeto da vereadora Leila do Flamengo pretendia limitar espaços de apresentação André Vieira do Rio de Janeiro (RJ)

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poucos dias de completar quatro anos de existência, a Lei 5429/2012, conhecida como a Lei da Arte Pública, ainda sofre pressões para ser substituída. No início deste mês, a vereadora Leila do Flamengo chegou a colocar na pauta da Câmara dos Vereadores do Rio um projeto que alteraria a legislação em vigor e limitaria os espaços de apresentação dos artistas de rua. Após intensa mobilização da classe artística, a vereadora decidiu retirar o projeto da pauta, mas não descarta apresentá-lo mais adiante. A vereadora Leila do Flamengo usou a justificativa de que as manifestações culturais não poderiam virar “bagunça generalizada” e por isso deveriam ser limitadas. Com essa afirmação, ela conquistou a antipatia de artistas que denunciaram o projeto como uma tentativa de criminalizar as apresentações públicas. A parlamentar dá como exemplo a praça São Salvador, um de seus redutos eleitorais. Antes de entrar em votação, o projeto de Leila do Flamengo ainda recebeu duas emendas: uma que proibia apresentações próximas à residência e outra que apresentações na zona sul do Rio poderiam ser feitas somente com autorização prévia da Prefeitura.

LEI DA ARTE PÚBLICA A lei em vigor determina que “as manifestações culturais de Artistas de Rua no espaço público aberto, tais como praças anfiteatros, largos, boulevards, independem de prévia autorização dos órgãos públicos municipais”. Para isso, ela determina uma série de quesitos: as apresentações não podem ser cobradas; não podem passar das 22h; não devem atrapalhar o trânsito; e não podem ter patrocínio privado. Artistas se reunirão no dia 6 de junho para comemorar os quatro anos da Lei da Arte Pública

Não precisamos de uma nova legislação. É uma visão muito apequenada da vereadora Leila Reimont (PT-RJ), vereador “A lei atual consagra um direito constitucional de livre manifestação. Ela já estabelece todas as condições para as apresentações públicas. Não precisamos de uma nova legislação. É uma visão muito apequenada da vereadora Leila”, disse o vereador Reimont (PTRJ), autor da Lei da Arte Pública, ao criticar sua colega de Câmara. Reimont chama atenção para que a classe artística fique alerta, já que a vereadora pode apresentar novamente o Projeto de Lei.

RESISTÊNCIA ARTÍSTICA Referência da arte pública brasileira, o teatrólogo Amir Haddad foi um dos principais críticos à proposta de Leila do Flamengo e qualificou a atitude da parlamentar como “meramente eleitoreira”. “Ela queria resolver algo pequeno [sobre as reclamações dos moradores da Praça São Salvador] e iria criar um problema grande para os artistas. Depois de quatro anos de nossa lei aprovada estamos com mais consciência e não vamos permitir esse retrocesso”, criticou. No próximo dia 6 de junho, a partir das 16h na praça da Cinelândia, no centro do Rio, artistas se reunirão em um ato para comemorar os quatro anos da Lei da Arte Pública. Na ocasião, também irão denunciar as tentativas de derrubar essa legislação e co-

brarão da Prefeitura avanços na regulamentação da lei. O Brasil de Fato conversou por telefone com a vereadora Leila do Flamengo. Segundo a parlamentar, o projeto foi interpretado de forma errada pela classe artística. Ela in-

formou também que se reunirá com moradores da zona sul em sua casa para debater as áreas que estão com “conflitos”. Disse ainda que não descarta a possibilidade de apresentar um novo projeto mais adiante.


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Cidades l 7

Empresas de ônibus usam trabalho semelhante à escravidão no Rio Ex-superintendente Regional do Trabalho, Robson Leite denuncia situação precária dos trabalhadores do transporte Pablo Vergara

Tempo de Serviço (FGTS) e todas apresentavam jornada excessiva de trabalho, entre outras irregularidades.

Fania Rodrigues do Rio de Janeiro (RJ)

C

argas excessivas de trabalho, descontos ilegais na folha de pagamento e demissões sem respeitar os direitos trabalhistas são algumas das ilegalidades identificadas por auditores-fiscais do trabalho da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Rio de Janeiro. A situação precária dos trabalhadores rodoviários foi denunciada pelo ex-superintendente regional do Trabalho, Robson Leite, em relatório de 20 páginas. “Durantes as fiscalizações, verificamos situações muito próximas à escravidão”, confirma Robson Leite. Funcionários confirmam a situação. “Empresários, como Jacob Barata, estão fazendo fortuna às custa da exploração do trabalhador. Nós nunca recebemos o salário integral, devido a descontos ilegais que eles fazem na nossa folha de pagamento”, denuncia a cobradora Maura Gonçalves. Ela foi uma das líderes da greve dos rodoviários de 2014, que paralisou o Rio. Maura explica que esses descontos vêm em forma de “vale-filmagem” cada vez que alguém entra pela porta de trás dos ônibus, mesmo o passageiro pagando a passagem. A lei que regula as gratuidades prevê que as pessoas que têm esse direito podem usar o transporte coletivo portando apenas a identidade, sem a necessidade do cartão. Entretanto, quando isso acontece as empresas descontam o valor da passagem do salário do motorista. “Tem muito trabalhador

Empresas de ônibus operam com jornada de trabalho de até 12 horas por dia

que no final do mês recebe quase nada. Isso é trabalho escravo”, critica Maura. Além disso, a jornada contratual dos motoristas é de

Empresários, como Jacob Barata, estão fazendo fortuna às custa da exploração do trabalhador Maura Gonçalves, cobradora de ônibus sete horas diárias. Mas a fiscalização constatou que a prática habitual em todas as empresas avaliadas é de jor-

nadas superiores a nove horas por dia. Muitas vezes chegam a ser superiores a 12 horas, segundo o relatório da Superintendência. “Outro problema identificado é a falta de banheiros na maioria dos pontos-finais. Ouvi relatos de trabalhadores que tiveram que fazer suas necessidades na roupa, para não ter que parar o ônibus e ser prejudicados. Isso é inadmissível, fere a dignidade humana”, critica Robson Leite. PRÓXIMOS PASSOS O relatório que aponta uma série de irregularidades trabalhistas foi entregue à Prefeitura do Rio de Janeiro, que mantém às concessões de empresas de ônibus, e também ao Ministério do Trabalho. Entre os meses de setem-

bro do ano passado e abril deste ano, os auditores aplicaram mais de 900 multas às empresas de ônibus que apresentavam irregularidades trabalhistas. Foram fiscalizadas 30 empresas de ônibus e nenhuma estava em dia com o repasse do Fundo de Garantia do

RESPOSTA O consórcio Rio Ônibus esclarece que apresentou à Superintendência Regional do Trabalho uma proposta para a definição de um período de adequação que permita que as empresas realizem os ajustes necessários para o cumprimento de todas  as determinações estabelecidas. A entidade informa ainda que vem mantendo contato com os auditores e que  foi  solicitada uma mesa de entendimento, para a discussão e definição de ajustes, junto ao Ministério do Trabalho e a Procuradoria Regional do Trabalho.   Sobre a denúncia citada pelo ex-superintendente regional do Trabalho, o Rio Ônibus diz que tratase de acusação muito grave e que, a despeito dos encontros de entendimento para solucionar os problemas nas empresas, não foi comunicada em momento algum ao sindicato.


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2016 teve o mês de abril mais quente da História N

ovo recorde de temperaturas foi registrado pela Agência Espacial Americana. Essa é a terceira vez consecutiva que essa agência registra as temperaturas mais quentes de todos os tempos. Em fevereiro, os cientistas começaram a falar de uma emergência climática. Foi o primeiro mês em que a diferença de temperatura também foi recorde. Ou seja, esquentou mais do que já tinha esquentado em feve-

reiro de qualquer outro ano. E isso se repetiu em março. CALOR SEM FIM O alerta vermelho já estava ligado. Agora, quando a Nasa fechou os dados do mês de abril, os cientistas descobriram que a temperatura média foi 0,24 graus Celsius mais alta do que a de abril de 2010, o recorde anterior. Pode parecer pouco, mas não é. Um recorde desses só deveria ser registrado a cada 150 anos.

Isso mostra que a “febre” da Terra não baixa. O ar quente trazido pelo El Niño pode ter contribuído para este superaquecimento, mas o fenômeno não pode ser a única causa que vem empurrando o acelerador do aquecimento global. De acordo com o climatologista da Nasa, Gavin Schmidt, se continuarmos neste ritmo, há 99% de chance de 2016 vir a ser o ano mais quente já registrado de todos os tempos.

Venezuela pode elevar nível do estado de emergência

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O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse na última semana que pode elevar o nível do estado de emergência decretado, depois da violência ocorrida nos protestos feitos pela oposição em várias cidades. Numa reunião com apoiadores do governo, Maduro afirmou que, se os cenários de violência aumentarem, poderá decretar estado de emergência de segurança nacio-

Situação política da Venezuela se agrava e opositores fazem protesto

Aquecimento global pode aumentar a seca e a fome em regiões áridas

nal. “Vamos lutar pela paz e segurança do país”, destacou. Na segunda-feira passada o presidente já havia decretado “estado de exceção e de emergência econômica” em todo o país por 60 dias. A oposição não aceita o estado de exceção decretado. Manifestantes contra o governo de Maduro protestaram no centro de Caracas, na última quarta-feira (18). Alguns grupos inclusive usaram a violência para ultrapassar as barreiras policiais e se dirigirem ao prédio do Conselho Nacional Eleitoral. (Abr) Daniel Espiniza/ABI

BOLÍVIA Operários da empresa têxtil nacional fazem protesto em La Paz para pedir melhores condições de trabalho e o fim das demissões da maior empresa do setor, a Enatex. 800 trabalhadores foram mandados embora esse ano. A indústria de tecido é uma das que mais empregam na Bolívia.

GRÉCIA Governo anuncia novos cortes no orçamento Divulgação

8 | Mundo

O governo grego entregou no parlamento o mais recente pacote de ajuste fiscal. O executivo, liderado por Alexis Tsipras, quer arrecadar anualmente mais 1,8 bilhão de euros. Para isso, propõe aumentar a taxa máxima do imposto sobre mercadorias, de 23 para 24 por cento, e subir as taxas na gasolina, nas bebidas alcoólicas, no café, no acesso à internet ou no jogo. O ministro grego das finanças, Euclid Tsakalotos, tenta convencer os parlamentares do partido do governo, o Syriza, que esta é a melhor solução.


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Brasil l 9

Movimentos vão intensificar mobilizações contra cortes no Minha Casa, Minha Vida EBC Memória

Decisão do Ministério das Cidades suspende construção de 11 mil novas unidades do programa habitacional José Eduardo Bernardes de São Paulo (SP)

O

novo ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB-PE), revogou na última terça-feira (17) a decisão da presidente Dilma Rousseff que autorizava a construção de mais de 11 mil unidades do Minha Casa, Minha Vida na modalidade Entidades. O programa é voltado para famílias da faixa 1, com renda mensal de até R$ 1.800, e as construções são administradas por cooperativas habitacionais, associações e movimentos de moradia. O tucano já havia anunciado, ao assumir o ministério, que faria uma auditoria na pasta, “para libertar amarras ideológicas”. “Isso faz parte de uma série de ataques que estão, nos últimos dias, sendo anunciados por diversos ministros”, afirma Natália Szermeta, da coordenação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). O presidente interino, Michel Temer (PMDB), no entanto, havia garantido que programas populares do governo seriam mantidos. “O Minha Casa, Minha Vida é um programa importante, que precisa de melhorias, e não de medidas que o tornem cada vez pior. Nós vamos organizar a luta e a resistência nas ruas. Vamos intensificar nossas mobilizações”, apontou Natália. Segundo Evanize Rodrigues, da União Nacional por Moradia Popular (UNMP), os cortes na faixa de renda 1

Michel Temer deixará de construir 11 mil moradias populares. Famílias com renda mensal de até R$1.800 serão as mais afetadas

são mais graves pela falta de atendimento que estas famílias recebem em outras áreas populares. “É onde se concentra mais de 90% do déficit. Essa é a faixa mais difícil de atender, porque, além da moradia, ela tem outras deficiências, então é justamente onde você precisa de um trabalho fundamental para reverter a situação de exclusão”. Ao atacar o Minha Casa, Minha Vida – Entidades, é perceptível “um claro combate aos movimentos populares que se organizam para fazer esse enfrentamento. É uma pauta conservadora, reacionária e que não dá à sociedade o papel que ela tem”, diz Evanize. Segundo ela, “tanto as declarações, quantos as ações, especialmente na habitação, são muito significativas e mostram o caráter desse governo golpista que a gente não reconhece e que julga ilegítimo”.

O Minha Casa, Minha Vida é um programa importante, que precisa de melhorias, e não de medidas que o tornem cada vez pior Natália Szermeta, do MTST

CONTRAPONTO À LÓGICA DE MERCADO A interrupção do Minha Casa, Minha Vida – Entidades, segundo Orlando Júnior, professor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR) da UFRJ, significa “o fortalecimento da lógica de exclusão das classes populares do mercado habi-

tacional”. “O Minha Casa, Minha Vida – Entidades é um contraponto ao Minha Casa, Minha Vida, que tem sua lógica de produção habitacional subordinada ao mercado imobiliário, ou seja, quem decide sobre a construção dos conjuntos habitacionais está muito vinculado ao mercado”, explica o professor. Essa lógica de mercado, segundo Orlando, levou as construções de casas populares para as periferias das grandes cidades, para fugir dos altos valores nas regiões centrais. Com os cortes das novas unidades, a possibilidade de construção de habitações populares urbanisticamente qualificadas, “sobretudo da produção habitacional bem estruturada, bem localizada”, estaria ameaçada, diz Orlando. Para o professor da UFRJ, há uma forte intenção do governo interino na mercantilização das cidades. “Fica evidente, nos anúncios e na ló-

gica privatizadora, a proposta de aprofundar a criminalização dos movimentos populares e o endurecimento do controle da ordem pública. Basta olhar o perfil do ministro da Justiça e as medidas que estão sendo tomadas. O que vai sobrar são cidades mais desiguais e uma ampliação dos conflitos populares”, conta o professor. O formato Entidades “é legitimo e demonstrou bons resultados”, afirma Natália, para quem o modelo garantiria unidades de maior qualidade. “O próprio MTST já entregou algumas unidades construídas por construtoras, devido ao tamanho, mas que tiveram total controle da entidade. Os trabalhadores da obra eram os futuros moradores dos apartamentos. E o resultado é completamente diferente dos apartamentos construídos pelas construtoras, sem relação nenhuma com as famílias”, completa.


10 | Cultura

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RECEBA O BRASIL DE FATO RJ POR E-MAIL WWW.E.EITA.ORG.BR/ASSINEBRASILDEFATORJ AGENDA CULTURAL DA SEMANA | agendarj@brasildefato.com.br

Agreste Malvorosa

O quê: Workshop de hip hop promete ensinar todo mundo a arrasar bastante em uma das danças urbanas mais conhecidas do país. Onde: Igreja Apostólica Cristã – Rua Jambuaçu (antiga 25), Quadra 53, Santa Margarida. Quando: Sábado (28), 16h30. Quanto: R$ 10

O quê: Espetáculo teatral conta história de casal de lavradores que descobre o amor, mas pressente que algo de perigoso paira sobre os dois. Onde: Arena Carioca Dicró – Parque Ary Barroso, Penha. Entrada pela Rua Flora Lobo.

Divulgação

Quando: Domingo (29), 17h. Quanto: 0800

O quê: Espetáculo teatral conta história de Victor James, um menino que passa seus dias em frente à tela, jogando videogame sem limites. Onde: Sesc Nova Iguaçu – Rua Dom Adriano Hipólito, 10, Moquetá. Quando: Domingo (29), 16h. Quanto: R$ 8 (R$ 4 meia)

Rap Free Jazz O quê: Evento de rap conta com batalha de MCs, que tem como prêmio uma tatuagem no valor de R$ 600. Haverá também apresentações culturais e exposições. Onde: Estrada do China, 100, Parque Fluminense, Duque de Caxias. Quando: Quinta-feira (26), 19h. Quanto: 0800 Mídia Ninja

Social dos Primos

Swing Suburbano Divulgação

Reprodução

O Menino que Virou Robô de Video Game

O quê: Em comemoração ao aniversário de Madureira, o grupo musical Swing Suburbano se apresenta com o melhor do soul e samba funk com participação do compositor Dhema. Onde: Sesc Madureira – Rua Ewbanck da Câmara, 90, Madureira. Quando: Quarta (25), 17h. Quanto: 0800

O quê: Uma das festas mais bombadas da zona oeste promete muito funk, eletro e sertanejo, com a participação de DJs do cenário musical carioca. Onde: Botequim Quintal do Produto – Praça Guilherme da Silveira, s/n/, Bangu. Quando: Quinta (26), 17h. Quanto: R$ 10 a R$ 15 Divulgação

Circuito Saideira Musical Divulgação

Work Dance

O quê: Espaço cultural recebe show do cantor Bernardo Bravo na quarta e o Bailinho do Arlindinho na quinta. Onde: Centro Municipal de Cultura e Cidadania Calouste Gulbekian – Rua Benedito Hipólito, 125, Praça Onze. Quando: Quarta (25) e quinta (26), 19h. Quanto: R$ 1

Feira Orgânica do Grajaú Divulgação

Divulgação

O quê: Feira agroecológica comercializa alimentos como legumes, frutas, grãos, doces, entre outros itens, tudo sem agrotóxico, vendido de produtor para consumidor. Onde: Praça Edmundo Rego, s/n, Grajaú. Quando: Toda quinta-feira, de 7h às 13h. Quanto: 0800


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Filmes refrescam a memória sobre a época da ditadura Três produções retratam o clima de medo e estão disponíveis no Youtube de graça

Fotos Divulgação

No longa O ano em que meus pais saíram de férias toda angústia do país é retratada através de uma criança

te Brasil, de Roberto Farias, que se passa no ano de 1970. Mesmo sendo lançado no final da ditadura, ele é proibido de passar no cinema por quase um ano. Durante a Copa de

Rogerio Cavalcante de Castro do Rio de Janeiro (RJ)

I

magine esse nosso Brasil que você já acha injusto. Além de se desdobrar para pagar aluguel, contas, passagens de ônibus e mercado, você ainda acorda cedo, dorme pouco e passa por muito mais insatisfações. Imagina isso tudo somado a um clima de medo, perseguição e sem liberdade para dizer o que pensa. Assim era na época da ditadura militar. Sem nenhuma explicação, as pessoas eram paradas na rua, revistadas, humilhadas. Algo muito parecido ao que acontece atualmente em comunidades ocupadas por Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), com a diferença de que em algumas favelas os moradores ainda podem denunciar e protestar contra os abusos. Naquele tempo, isso era impossível. O cinema brasileiro nos mostrou isso de maneira muito forte. Há três filmes que ajudam a entender o que foi a ditadura militar e como ela afetou a vida das pessoas comuns. Tudo acontecia em meio a um clima de poucas explicações, mas com certo aspecto de normalidade. O futebol, por exemplo, era um grande aliado no disfarce desse clima.

Filme Pra frente Brasil, lançado no final da ditadura, ficou proibido

Dois desses filmes se passam na Copa do Mundo de 1970 e um deles um pouco depois. O longa-metragem O ano em que meus pais saíram de férias, do diretor Cao Hamburger, passa exatamente durante toda a Copa. Toda angústia do país é retratada através de uma criança deixada na casa do avô, por um mês, porque os pais supostamente tinham saído de férias. O pai promete voltar a tempo de ver os jogos com ele. O filme foi feito em 2006, mas a reconstituição de 1970 é perfeita. Esse foi o momento mais endurecido da ditadura quando as pessoas eram mortas, desaparecidas, torturadas ou fugiam do país. Essa realidade também é retratada no filme Pra fren-

Cultura l 11

Há três filmes que ajudam a entender o que foi a ditadura militar e como ela afetou a vida das pessoas comuns 70, enquanto a população estava concentrada no futebol, pessoas eram sequestradas e torturadas até a morte. O clima era de terror e crueldade. Já o filme Nunca fomos tão felizes, do diretor Murilo Salles, conta a história de um adolescente que é tirado do colégio de padres e vai morar com o pai em Copacabana. De vez em quando o pai some e aparece sem dar nenhuma explicação ao rapaz,

com a justificativa de que o silêncio é para protegê-lo. O título do filme foi inspirado ironicamente em uma propaganda repetida na televisão pela ditadura militar. Dessa forma, o cinema brasileiro retratou a realidade dessa época sombria, que muitos não têm ideia do que foi. É o cinema mostrando que esse tempo não pode se repetir. Como disse Chico Buarque recentemente: “de novo, não. Não vai ter golpe”.


12 | Opinião

Rio de Janeiro, 23 a 25 de maio de 2016

Leandro Gaspar Scalabrin

NO OLHO DA REVOLUÇÃO | Tico Santa Cruz

Fim do licenciamento ambiental Voltamos à época em significará mais crimes que artista era visto como ‘vagabundo’ EBC Memória

EBC Memória

Trabalhadores da arte lutam contra o fim do Ministério da Cultura

A ausência de licenciamento ambiental poderá causar outros desastres como o de Mariana (MG)

O

licenciamento ambiental no Brasil tem sido o freio de mão para projetos de grandes empresas que produzem catástrofes ambientais e sociais, como foi o caso das obras da Copa, das Olimpíadas, do PAC e das barragens. Através do licenciamento ambiental são analisados os impactos causados por obras que afetam o meio socioambiental, sejam elas uma estrada, aeroporto, indústria, barragem e de saneamento básico. Nesse processo são realizados estudos técnicos e audiências públicas com a população dos locais que serão impactados. A sociedade também pode pedir alterações no projeto, apresentar alternativas, reivindicar medidas de compensação e reparação pelos prejuízos que podem ser causados. Entretanto, o licenciamento  ambiental ainda é bem deficiente no Brasil.

Contudo, o meio empresarial não está contente e quer ainda menos regras. Para defender seus interesses, colocou em campo Michel Temer, Romero Jucá, Blairo Maggi, Acir Gurgacz e Renan Calheiros. No dia 27 de abril, um projeto de lei que praticamente acaba com o licenciamen-

Quem defende esse tipo de iniciativa mostra de que lado está e que interesses representa to ambiental, nomeado de PEC 65/2012, foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Além disso, o ministro do Planejamento interino, Romero Jucá, apresentou outro projeto de lei no Senado,

o 654/2015, criando um tipo de licenciamento  ambiental “especial” para grandes obras de “interesse nacional”, dificultando a participação popular nas audiências. Essa proposta de Jucá integra a chamada  Agenda Brasil  (atual “Ponte para o Futuro”), defendida por Renan Calheiros e Michel Temer. Estes projetos prejudicam o meio ambiente e todos aqueles que são atingidos por essas obras. Pessoas que perderam suas casas e suas terras, que são expulsas de onde moram, a maioria delas sem qualquer tipo de reparação social. Quem defende esse tipo de iniciativa mostra de que lado está e que interesses representa. Também está claro a que veio o atual governo, golpista e ilegítimo. Leandro Gaspar Scalabrin é advogado, membro da Rede Nacional de Advogados Populares

Antigamente as pessoas que queriam viver de arte eram chamadas de vagabundas. Diziam que era coisa de drogado, de quem não tinha capacidade de arrumar um emprego “decente”. Só não era vagabundo quem era famoso. Os artistas de novela, os cantores famosos, quem estivesse na TV, ou nos jornais e revistas, tinham outro tratamento. Já a turma do teatro, pintores, artistas plásticos e toda uma gama de pessoas que produziam arte, que lutavam para viver disso, não tinham qualquer reconhecimento. Pois bem, voltamos no tempo e estamos parados no passado. As pessoas estão gritando aos quatro cantos que “artista é vagabundo”, que se sustenta das “tetas públicas”, de leis de incentivo, e mais um monte de barbaridades. Não vou tentar convencer ninguém. Só quero dizer uma coisa.  Cuidado com quem vocês estão acariciando nesse momento. Cuidado com o que estão tomando como verdade para descarregar o ódio que tomou conta de parte da população.

A arte é objeto de transformação, é um dos pilares da humanidade na formação das civilizações, dos povos, das sociedades. Sem arte a vida seria um tédio completo, e nossa existência seria resumida a doutrinas que nos tornariam apenas escravos. 

Sem arte a vida seria um tédio completo, e nossa existência seria resumida a doutrinas que nos tornariam apenas escravos SEM ARTE Faça uma coisa. Passe uma semana sem ouvir uma música, sem assistir uma novela, sem ir ao teatro, sem ler um livro, ver um filme, olhar para uma escultura, ou para um quadro. Fique um tempo sem dançar, sem recitar uma poesia e me diga o que resta da sua vida. Talvez assim você entenda qual é o valor da arte no seu dia a dia e o valor de um artista na formação da sociedade. 


Rio de Janeiro, 23 a 25 de maio de 2016

Variedades l 13

ANDRÉ DAHMER | malvados.com.br

DICAS MASTIGADAS Enviado pela leitora Uschi Silva, de Paraty (RJ)

Quibe de Abóbora Divulgação

AMIGA DA SAÚDE Ingredientes • 500 g de trigo de quibe • 500 g de abóbora (qualquer tipo) • Suco de 2 limões • 3 dentes de alho • 1 maço de hortelã • Meio copo de azeite • 2 cebolas pequenas • Sal • Pimenta do reino

Modo de preparo

Deixe o trigo de quibe de molho numa bacia com água e deixe hidratando por cerca de uma hora. Ao mesmo tempo, coloque a abóbora para cozinhar, sem os caroços. A casca pode ser removida após o cozimento, ou usada, caso seja fininha. Pique as cebolas e o alho em pedaços pequenos, separe as folhas do hortelã. Com as mãos, ou se preferir com um pano de prato limpo e seco, esprema o trigo retirando o excesso de água, e deixe reservado. Junte a abóbora e o trigo com as mãos, formando uma massa homogênea. Junte o restante dos ingredientes e continue misturando com as mãos. Unte uma assadeira com azeite, e coloque a massa. Para enfeitar, faça cortes diagonais bem de leve. Deixe por cerca de 40 minutos no forno baixo, até verificar que se formou uma casquinha no topo. Após retirar do forno, coloque mais alguns ramos de hortelã e sirva. Acompanha bem uma salada de folhas.

DICA

Esta é uma ótima alternativa ao quibe frito. Primeiro, porque é feito com abóbora, um legume bastante nutritivo e abundante no nosso estado, produzido majoritariamente pela agricultura familar. Depois, porque a fritura produz a chamada gordura trans, relacionada com o aumento de doenças cardiovasculares e contribui para a formação de uma substância cancerígena chamada acroleína.

Amiga da Saúde, ouvi dizer que os materiais que as manicures utilizam podem transmitir muitas doenças. Estou preocupada, pois frequento periodicamente a manicure. O que faço? Alexandra, 36 anos, garçonete.

C

ara Alexandra, os materiais utilizados pelas manicures podem mesmo transmitir doenças. As de mais fácil transmissão são as micoses, que espalhamse pelo uso comum de alicates, lixas, toalhas, espátulas, bacias, etc. Pelo risco de exposição sanguínea pode-se contrair outras, principalmente hepatite e HIV. Para prevenir esses riscos, as manicures devem lavar os instrumentos com água e sabão com o auxílio de uma escova, secar e esterilizar em estufa, à temperatura de 170°C. Os objetos

Divulgação

devem permanecer por uma hora sem abertura da estufa. Vale a pena ter  seu mate-

Dúvidas? amigadasaude@brasildefato.com.br

rial, de uso individual, para evitar tais doenças. Fique atenta e previna-se.

Sofia Barbosa | Coren MG 159621-Enf


14 | Variedades

Rio de Janeiro, 23 a 25 de maio de 2016

HORÓSCOPO Áries (21/3 a 20/4) Você não deve sentimentos ou inibir-se de sentimentos, o dia tem uma conjuntura provisória.

Touro (21/4 a 20/5) Não deixe avolumar desgaste emocional, procure formas de evasão. Um passeio é uma boa pedida.

Gêmeos (21/5 a 20/6) É tempo de deixar para trás situações que já não podiam evoluir para dar início a novos projetos.

Câncer (21/6 a 22/7) Você não deve impor restrições numa relação. Também não conseguirá manter sentimentos pela força.

Leão (23/7 a 22/8) Pode sentir-se muito perturbado com pequenos desentendimentos que mostram, contudo, diferenças.

Virgem (23/8 a 22/9) Seja preciso no que manifesta, pois os outros podem ver nos seus gestos intenções que não existem.

Libra (23/9 a 22/10) Não tome iniciativas neste dia, aguarde os acontecimentos para saber dar a resposta mais adequada.

Escorpião (23/10 a 21/11) Momento propício para criar situações mais harmoniosas na sua vida sentimental.

Sagitário (22/11 a 21/12) Não deixe de falar sobre seus anseios, algumas respostas podem deixá-lo surpreendido.

Capricórnio (22/12 a 20/1) Dia muito intenso. Alguns desafios aparecerão, mas felizmente você tende a superá-los.

Aquário (21/1 a 19/2) Saia um pouco mais de si e dos comportamentos habituais, o seu parceiro necessita ser surpreendido.

Peixes (20/2 a 20/3) Tende a comportamentos instáveis e nem sempre conseguirá mostrar aos outros o que realmente quer.

FASES DA LUA Cheia 23/5

Minguante 29/5

Nova 5/6

Crescente 12/6


Rio de Janeiro, 23 a 25 de maio de 2016

Brasil atende a pedido australiano e veta Volkers nos Jogos Olímpicos Treinador de natação do Minas é acusado de abuso sexual nos anos 80 Divulgação/ CBDA

Scott Volkers treinou, dentre outros, o campeão olímpico Cesar Cielo

O

treinador australiano Scott Volkers não estará na delegação brasileira dos Jogos Olímpicos do Rio 2016. Sua participação no evento foi vetada pelo Comitê Olímpico Brasileiro atendendo a pedido da Austrália, onde Volkers é acusado de abuso sexual contra atletas nos anos 80. O COB informou ao Comitê Australiano na última terça-feira (17) que Volkers está

fora da delegação, em resposta ao pedido feito por escrito pelo país da Oceania, onde o treinador foi julgado. Scott acabou se livrando das acusações por falta de provas, mas está proibido de trabalhar com menores de 16 anos na Austrália. Em 2011, Volkers se mudou para o Brasil, onde se tornou treinador do Minas Tênis Clube, trabalhando com as principais estrelas da equipe brasileira. (BP)

BINÓCULO

NBA de olho no vírus Zika Apesar de não vetar nenhum atleta de participar da disputa do basquete masculino nos Jogos Olímpicos do Rio 2016, a NBA está monitorando a situação brasileira com relação ao vírus Zika, além de outras doenças, como a gripe transmitida pelo vírus H1N1. Responsável por dois terços dos atletas que estarão na disputa por suas seleções nacionais, a liga profissional dos Estados Unidos vem mantendo contato com autoridades brasileiras, tanto do governo quanto da organização dos Jogos, para tratar da questão. Em evento no Museu do Amanhã, os brasileiros Nenê e Raulzinho, do Washington Wizards e Utah Jazz, respectivamente, confirmaram que respondem a muitas perguntas sobre as doenças que vêm assolando o país, além de questões sobre a segurança no Rio. Alexandre Loureiro/ NBA Inovafoto

Lei Olímpica altera venda de ingressos para os Jogos Ingressos para deficientes ou com mobilidade reduzida foram ampliados No último dia antes de seu afastamento da Presidência da República, Dilma Rousseff assinou a sanção da Lei Olímpica. Na lei ficou estabelecido o percentual de ingressos destinados a deficientes e pessoas com mobilidade reduzida. Pela lei, houve um aumen-

to de 1% para 4% o percentual de ingressos para pessoas com deficiência, além do acréscimo de 1% para 2% para torcedores com mobilidade reduzida. Estes ingressos devem ser disponibilizados em qualquer setor das arenas que receberão as disputas, com ampla visão garantida.

No entanto, para a organização dos Jogos, a lei não reflete a realidade da demanda e a intenção do Comitê é rediscutir com o Ministério dos Esportes a adequação da legislação, para que não sejam necessárias tantas mudanças na estrutura das arenas. (BP)

Esportes l 15

TOQUES CURTOS | Bruno Porpetta

Com todo o respeito Divulgação/Flamengo

A reciclagem de Muricy Ramalho não está dando certo no Flamengo

O Flamengo adquiriu mais um vexame para sua coleção feita ao longo da última década, especialmente. A eliminação para o Fortaleza, apenas na segunda fase da Copa do Brasil, não é só vexatória por se tratar de um fato inédito, como também por se tratar de um time que, por mais que tenha mostrado um excelente futebol nas duas partidas, está na terceira divisão. Foi uma disputa entre um time organizado, consciente e bem treinado contra um bando. Não há dúvida de que os jogadores do Flamengo são melhores que os do Fortaleza, mas o futebol não é um esporte individual. A organização tática equilibra forças desiguais. Mesmo o maior talento individual dos rubro-negros sucumbiu ao posicionamento dos jogadores do time cearense. Depois de uma pausa para se cuidar, Muricy assumiu o rubro-negro com um discurso renovado e, segundo o próprio, a saúde em dia. Sua passagem por Barcelona teria sido muito proveitosa, onde ele teria aprendido muita coisa. Mas já estamos em maio e nada se viu de positivo, fora alguns espasmos de bom futebol contra adversários fracos ou em grandes jogos em início de temporada.

O futebol não permite que um jogador precise dar passes de mais de 20 metros para encontrar o companheiro mais próximo. Os jogadores devem permanecer agrupados o tempo todo, fazendo com que os passes sejam mais curtos e o índice de erro, por consequência, menor. Foi essa diferença de conceito de futebol que se viu nas duas partidas. Mesmo que torçamos para que

Se observarmos o time de Muricy e o de Marquinhos Santos, veremos que não é preciso ir a Barcelona para ter uma aula de futebol Muricy se recupere prontamente, nos perguntamos se não é o caso de admitir que não está dando certo e a vida seguir seu curso tanto para Muricy como para o Flamengo. Nada apaga a história que Muricy tem no futebol, mas o esporte é dinâmico. Se observarmos o time dele e o de Marquinhos Santos, veremos que não é preciso ir a Barcelona para ter uma aula de futebol.


16 | Esportes

Rio de Janeiro, 23 a 25 de maio de 2016

Lucas Uebel/Grêmio.net

Fluminense empata com Santa Cruz em jogo polêmico Mailson Santana/Fluminense FC

Pênalti mal marcado pela arbitragem prejudica equipe tricolor Elen Cristina do Rio de Janeiro (RJ)

O primeiro time carioca a disputar a segunda rodada do Campeonato Brasileiro foi o Fluminense. O tricolor das Laranjeiras enfrentou o time do Santa Cruz, no estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda (RJ). O Fluminense começou o jogo atacando, porém quem deu o primeiro chute a gol foi o time nordestino após uma falha de Pierre que deixou a bola livre pro atacante Keno. O jogador do Santa Cruz se enrolou e acabou facilitando a vida de Diego Cavallieri. Vale lembrar que a equipe pernambucana voltou para a elite do futebol brasileiro nesta temporada após terminar a competição em segundo lugar. Mas foi no segundo tempo que os gols apareceram. O time de Levir Culpi teve maior posse de bola, mas aos sete minutos o la-

Fred faz o Gol da vitória do Grêmio sobre o Flamengo

Flamengo perde para o Grêmio por 1 a 0 Times chegaram aos quatro pontos no Campeonato Brasileiro

teral Thiago Costa fez boa jogada pela esquerda e numa tabela com Keno cruzou para Grafite fazer 1 a 0. Porém a alegria durou pouco, pois aos 12 minutos Scarpa empatou para o time tricolor com um gol de falta. E não demorou para que o Fluminense virasse o jogo. Aos 14, depois de um escanteio, o zagueiro Gum marcou o seu. E foi aí que a polêmica começou. Gerson estava impedido mas para a arbitragem o jogador não esta-

va participando da jogada. Aos 37, outro lance de muita polêmica, mas não há a menor dúvida de que foi um erro a marcação de pênalti para o Santa Cruz. A arbitragem marcou a penalidade máxima numa jogada em que Grafite, ao tentar um cruzamento, esbarrou nas pernas de Wellington Silva e caiu. O próprio lateral cobrou o pênalti e acertou no canto direito de Cavalieri e o jogo acabou empatado em 2 a 2.

O Grêmio recebeu o Flamengo, na Arena, em Porto Alegre, e acabou derrotando o time carioca. Sem Muricy Ramalho, que continua afastado por problemas de saúde, o rubro-negro foi inferior ao rival durante quase toda a partida. O interino Jayme de Almeida fez mudanças na escalação, mas não foi suficiente para corrigir os erros. Desde o começo do jogo, o Grêmio pressionou o Flamengo, porém a equipe tricolor não conseguia criar chances de gol. Edilson e Giuliano deram um susto em três oportunidades, mas Paulo Victor saiu bem. Aliás, o destaque do

Flamengo foi o goleiro, que salvou o clube várias vezes com ótimas defesas. O segundo tempo começou com pressão do Grêmio. Aos 8 minutos, Luan cobrou um escanteio, e o zagueiro Fred, de cabeça, colocou a bola no canto, sem chance de defesa para o goleiro, abrindo o placar e marcando 1 a 0. No final do segundo tempo, o Flamengo tentou reagir e teve algumas oportunidades de fazer gol. Nos acréscimos Guerrero fez um gol, mas estava impedido. Com isso o Grêmio conseguiu segurar o resultado e conquistar os três pontos atuando em casa. (EC)

Com gols perdidos Botafogo e Sport empatam em 1 a 1 Ilha do Retiro, em Recife, foi o palco do jogo entre Sport e Botafogo. Quem começou balançando a rede foi o time da casa. Aos 16 minutos o goleiro alvinegro saiu mal do gol e Diego Souza fez o seu. O time pernambucano continuou atacando, mas o Botafogo partiu pra cima. Aos 28

minutos Victor Luis cruzou foi a vez de Fernandes fazer o gol do empate. No final por pouco o Botafogo não virou o jogo no lance que Luis Ricardo finalizou na trave. Já no segundo tempo o Botafogo desperdiçou várias chances de virar o jogo. Logo no início Ribamar, Fernan-

Divulgação

Fernandes, autor do gol de empate do Botafogo contra Sport

des e Neílton falharam na conclusão. Anderson Aquino acertou no travessão. Já nos minutos finais o Sport começou a reagir. Túlio de Melo forçou Hélton Leite a grande defesa, e minutos depois, o goleiro alvinegro espalmou, e a bola ainda tocou o travessão. (EC)

Brasil de Fato RJ - 180  
Brasil de Fato RJ - 180  
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