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Divulgação

Mundo | pág. 6

Especial | pág. 8

Hacker manipulou processo eleitoral na América Latina

“Elite não vê como o país melhorou”

Em entrevista, Andrés Sepúlveda afirma ter interferido nas eleições do México e da Venezuela

Atriz Bete Mendes conversou com o Brasil de Fato no ato Mulheres pela Democracia

RIO DE JANEIRO

7 a 10 de abril de 2016

distribuição gratuita

Fechamento de UPAs agrava crise na saúde Cerca de 250 mil moradores da Ilha do Governador não contam mais com uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) para emergências. Desde a última sexta-feira (1), a unidade está em reformas e depois só atenderá crianças. O modelo de saúde no Rio de Janeiro foi alterado em 2011 e permite que empresas privadas administrem instituições públicas. No caso das UPAs, todas estão sob o comando das chamadas Organizações Sociais de Saúde (OSS). Cidades | pág. 4 Mídia Ninja

Especial | pág. 9

Brasil| pág. 7

Cunha é citado em mais um caso de corrupção Divulgação

Documentos revelam que presidente da Câmara teria usado offshore para lavar dinheiro Curta nossa página no Facebook

DEMOCRACIA

Cerca de duas mil mulheres se reuniram na última terça-feira (5), no Circo Voador, em um ato contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

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Ano 3 | edição 168


EXPEDIENTE

Desde 1º de maio de 2013 O jornal Brasil de Fato circula semanalmente em todo o país e agora com edições regionais em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Pernambuco. O Brasil de Fato RJ circula todas as segundas e quintasfeiras. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais. CONSELHO EDITORIAL: Alexania Rossato,Antonio Neiva (in memoriam), Joaquín Piñero, Kleybson Andrade, Mario Augusto Jakobskind, Nicolle Berti, Rodrigo Marcelino, Vito Giannotti (in memoriam) EDIÇÃO: Vivian Virissimo (MTb 13.344) SUB-EDIÇÃO: Fania Rodrigues REPORTAGEM: André Vieira, Bruno Porpetta, Mariana PItasse e Pedro Rafael Vilela REVISÃO: Sheila Jacob COLUNA SINDICAL: Claudia Santiago ESTAGIÁRIO: Victor Ohana ADMINISTRAÇÃO: Carla Guindani DISTRIBUIÇÃO: Kleybson Andrade DIAGRAMAÇÃO: Juliana Braga TIRAGEM MENSAL: 200 mil exemplares/mês

Rio de Janeiro, 7 a 10 de abril de 2016

EDITORIAL

Querem o golpe para tirar direitos dos trabalhadores

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stamos vivendo um importante momento da luta de classes no Brasil. Precisamos sair da confusão que tentam nos impor, para compreender os interesses em jogo. Ao mesmo tempo, lembrar que a polarização da sociedade sempre existiu, entre índios e colonizadores, escravos e donos de escravos, patrões e empregados, pobres e ricos. O povo sempre teve inimigos, e por isso até hoje o Brasil é muito desigual, e a maior parte da sua população não tem acesso a saúde, educação, cultura, transporte, lazer, terra e moradia. Não é que faltem essas coisas no Brasil, teríamos condições de atender essas demandas, mas, para isso, os que detêm as riquezas teriam que aceitar dividi-las. Leis devem ser feitas para isso, como para taxar grandes fortunas, heranças, as especulações, imóveis vazios, e por aí vai. POLARIZAÇÃO Porém, os trabalhadores estão em uma posição desfavorável em nível mundial e também no Brasil. Os nossos inimigos possuem os meios de comunicação, como a Globo, por exemplo, e setores alinhados no poder judiciário. Também no Congresso Nacional, os deputados e senadores foram eleitos com dinheiro de grandes empresas, e, portan-

to, não votam conforme o interesse da grande maioria.

A polarização da sociedade sempre existiu, entre índios e colonizadores, escravos e donos de escravos, patrões e empregados, pobres e ricos Há setores que estão decididos a tirar Dilma, custe o que custar. É o caso dos que se beneficiam dos juros altos,

PREVISÃO DO TEMPO (21) 4062 7105 redacaorj@brasildefato.com.br

Quinta-feira, 7 de abril, Rio de Janeiro, Brasil

da especulação financeira, e são contra reformas em nossa sociedade. Querem realinhar o Brasil com os interesses do imperialismo dos Estados Unidos, retirar direitos da classe trabalhadora e criminalizar as lutas sociais. Setores do judiciário e da Polícia Federal têm sido agentes políticos fundamentais dos interesses neoliberais. O núcleo central da Operação Lava Jato tem objetivos claramente golpistas, afrontando e colocando em risco garantias constitucionais da democracia. Além disso, temos frações da classe média que foram ganhas

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para o projeto de volta do neoliberalismo. É PRECISO REAGIR Se não queremos que a crise recaia sobre os trabalhadores e os mais pobres; se não queremos que os avanços dos últimos anos retrocedam; precisaremos combinar a mobilização de massas com a ampliação da organização popular. Os trabalhadores contam, hoje, no Brasil, com a Frente Brasil Popular como ferramenta de unidade e luta da classe trabalhadora. O momento exige firmeza e confiança política na capacidade e resistência do povo brasileiro.

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Fonte: Google

2 | Opinião


Rio de Janeiro, 7 a 10 de abril de 2016

FRASE DA SEMANA

bem

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O adolescente André Lodi bombou nas redes sociais após participar do programa Altas Horas. Uma pessoa da plateia queria saber se “foi um choque” quando “ele descobriu que tinha duas mães”. E ele respondeu com uma pergunta: “Eu não descobri, eu sempre tive duas mães. Quando você percebeu que tinha um pai e uma mãe?”

mandou

mal

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mandou

“Todo mundo diz que quer um Brasil melhor, mas estoura a cara do outro que pensa diferente” Disse o cantor Criolo, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, sobre o crescimento do discurso de ódio na sociedade brasileira.

Saúde aumenta em 44% o número de agentes de combate ao Aedes

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Ministério da Saúde alterou os critérios para a contratação de agentes de combate a endemias em todos os municípios brasileiros, ampliando em 44% o número de profissionais que podem ser integrados às prefeituras com incentivo de custeio do governo federal. Com o novo limite de agentes que podem ser empregados pelas prefeituras por meio da Assistência Financeira Complementar, a capacidade de contratação dos

profissionais passa de 62.154 para 89.708 em todo o país. A portaria estabelece que os agentes de combate a endemia alcancem 800 imóveis mensalmente, sob regime de 40 horas semanais. O número mínimo de profissionais será por critério populacional – cidades com até 5 mil habitantes devem ter, pelo menos, dois deles; entre 5 mil e 10 mil habitantes, três; de 10 a 20 mil habitantes, quatro; e, a partir de

20 mil habitantes, cinco. Outra mudança é a necessidade de instituir um supervisor para cada grupo de dez agentes. A previsão é que cada agente receba R$ 1.014 mensais pelo trabalho. O valor será transferido aos municípios, que efetuam o repasse ao funcionário. Os salários dos profissionais que forem inscritos na nova etapa serão pagos com recursos orçamentários do ministério.

Divulgação Fernando Frazão/Agência Brasil

A Avianca mandou muito mal ao desrespeitar o ator Érico Brás. Ele foi retirado por agentes da Polícia Federal por representar uma “ameaça” aos outros passageiros. O ator processará a companhia aérea por racismo.

CICLOVIA No último final de semana, foi inaugurado um trecho de 600 metros da Orla da Guanabara Prefeito Luiz Paulo Conde. No total, a área de convivência terá 3,5 quilômetros de extensão em 287 mil metros quadrados, que vão desde o Armazém 8 até o Museu Histórico Nacional.

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EM FOCO

SERVIDORES 33 categorias aprovam greve unificada Os servidores estaduais declararam nesta quartafeira (6) greve geral de 33 categorias, em assembleia unificada no Largo do Machado, zona sul. O motivo principal da greve é o atraso dos salários e a possibilidade do parcelamento da remuneração no mês de abril. “Mais uma vez os servidores foram para as ruas e hoje todas as categorias presentes aprovaram uma greve histórica”, afirma Marta Moraes, do Sindicato dos Profissionais da Educação (Sepe).

GREVE Policiais Civis também aderem Os policiais civis, que já estavam em estado de greve, iniciam a paralisação a partir da meia-noite. O vice-presidente do Sindicato das Polícias Civis do Estado do Rio de Janeiro, Álvaro Luiz do Nascimento Costa, explica que a categoria precisa manter, por lei, um atendimento mínimo de 30% nas delegacias. “Então, o atendimento vai ser reduzido e o tempo de espera vai dobrar, no mínimo. Essa greve não é contra a população, é contra o descaso do governo do estado. Estamos pedindo à população que evite ir às delegacias, a não ser em casos extremos, como um homicídio, sequestro ou assalto a residência com uma vítima. Mas, em casos de menor potencial ofensivo, que aguardem até a próxima semana”.


4 | Cidades Mundo

Rio de Janeiro, 7 a 10 de abril de 2016

Fechamento de UPAs agrava crise na saúde CPI na Alerj deve ser instalada em breve para fiscalizar contratos de Organizações Sociais (OS) André Vieira do Rio de Janeiro (RJ)

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erca de 250 mil moradores da Ilha do Governador não contam mais com uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) para emergências. Desde a última sexta-feira (1), a unidade está em reformas e depois só atenderá crianças. O fim desta UPA faz parte do plano da Secretaria estadual de Saúde para “reestruturação” do projeto. Ou seja, UPAs de outros bairros também podem ser fechadas ou ter o atendimento reduzido. A atitude foi duramente criticada por usuários da UPA. “Hoje apenas um hospital público faz o atendimento aqui. Apesar de precária, a unidade estava atendendo muitas pessoas que precisavam de tratamento”, critica Sergio Ricardo,

O atual modelo de saúde no estado promete eficiência, mas as unidades estão cada vez mais sucateadas Ana Carolina Souza, assessora parlamentar morador do bairro. “Em nenhum momento o governo sentou para conversar e ouvir nossa opinião. Soubemos do fechamento da UPA pela imprensa”, destacou. Moradores do bairro entraram com uma ação no Ministério Público para que o órgão cobre do estado explicações e providências sobre a saúde na Ilha do Governador. AS “OSS” Desde 2011, o modelo de saúde no Rio de Janeiro permite que empresas privadas administrem instituições pú-

blicas. No caso das UPAs, todas estão sob o comando das chamadas Organizações Sociais de Saúde (OSS). Por meio de um contrato, o estado repassa mensalmente recursos para essas “OSS” e elas são responsáveis pelo funcionamento das UPAs. Transferir dinheiro público para instituições privadas não é o melhor modelo, de acordo com a assessora parlamentar Ana Carolina Souza, do mandato do deputado estadual Flavio Serafini (PSOL). Especialista no tema saúde, a assessora lembrou que está para ser instalada na Assembleia Legislativa (Alerj) uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, que analisará, inclusive, esses contratos com as “OSS”. “É preciso saber mais detalhes sobre esses contratos até para que a população possa acompanhar com transparência a prestação desses serviços. Esse modelo promete eficiência e tem uma lógica de mercado, mas as unidades estão cada vez mais sucateadas”, destaca Ana Carolina.

Outras UPAs também serão modificadas, diz secretaria Por meio de sua assessoria, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que desde o dia primeiro de abril deste ano tem realizado uma reestruturação na rede estadual de urgência e emergência e que a UPA da Ilha do Governador foi a primeira a ter seus serviços paralisados para a readequação. Segundo o órgão, o pra-

zo máximo para a conclusão das obras é de 45 dias e depois ali será aberta uma UPA pediátrica, que atenderá apenas crianças de 0 a 14 anos. No entanto, a secretaria não informou quais serão as próximas unidades que serão readequadas e nem adiantou um planejamento da ação. Segundo a SES, o planejamento será divulgado nos próximos meses.

A atitude do governo estadual também quer cortar o financiamento para essas entidades, estabelecendo o valor de um milhão de reais mensais para o funcionamento de cada UPA especializada, como será o caso da unidade na Ilha do Governador, que terá reduzido cerca de R$ 800 mil em seu orçamento mensal.

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Reestruturação das UPAs atinge unidade na Ilha do Governador


Rio de Janeiro, 7 a 10 de abril de 2016

Cidades l 5

“Não há motivos legais para tirar Dilma”, afirmam religiosos e juristas em ato contra o golpe Artistas, intelectuais e militantes de movimentos populares também participaram de manifestação no Teatro Casa Grande, no Rio Fotos: Mídia Ninja

Mariana Pitasse do Rio de Janeiro (RJ)

Um ato contra o impeachment e a favor da democracia, organizado pela Frente Brasil Popular, lotou o Teatro Casa Grande, na última segunda-feira (4). Este local é considerado um palco histórico da resistência durante a ditadura militar. Os participantes manifestaram apoio à presidente Dilma, mas também pediram mais espaço para os movimentos populares no governo. No palco, cerca de 20 convidados se revezaram em discursos, entre eles, o filósofo Leonardo Boff, a cantora Beth Carvalho, a cineasta e atriz Bete Mendes e a atriz Tereza Seiblitz.

Ariovaldo Ramos, pastor

Não existirá a democracia pela qual lutamos se a mídia continuar sendo dominada por cinco famílias. Se não conseguiram ainda derrubar o governo é porque as pessoas estão se mobilizando. É importante que a classe artística se levante, sem medo de não ter espaço na TV e nos jornais.” Tico Santa Cruz, cantor

O congresso, que tem quase todos seus membros investigados por corrupção, está tentando tirar uma presidente que não está envolvida em corrupção. A argumentação para o impeachment são as pedaladas fiscais, que foram utilizadas também por todos os outros presidentes. Isso não é justiça, é golpe.” Ricardo Lodi, professor da UERJ

Saí do PT há sete anos, mas diante dessa crise não poderia me omitir. Tivemos progressos no governo Dilma, com o reconhecimento da nossa luta e do direito dos negros, mas ainda temos muito que avançar. Precisamos continuar seguindo em frente”. Ivanir dos Santos, babalaô

O governo Dilma ficou dois anos só fazendo gol contra, então, ninguém quer torcer para esse time. Mas é preciso. Nós temos a obrigação de bloquear o golpe. Estamos conseguindo reverter o jogo, mas ainda não ganhamos, porque o povo não foi às ruas. É preciso pensar em um projeto para depois da crise. Vamos exigir um novo governo Dilma. Precisamos recompor os ministérios com pessoas comprometidas com o povo.” João Pedro Stedile, do MST

EBC Memória

Quem está contra a democracia está contra Jesus, porque a vontade do povo é a vontade de Deus. Eles não podem dizer que nosso voto não vale nada e derrubar a presidente eleita pela maioria. As vozes que se levantam contra Dilma querem flexibilizar as leis trabalhistas, tentando restabelecer a senzala. Quem quer o golpe está atacando a população pobre, as mulheres, os negros, os trabalhadores. Temos que nos posicionar. Que os vitoriosos governem”, afirmou.”

Vamos derrubar o impeachment e partir para cima do monopólio da Rede Globo. Também não queremos mais saber do ajuste fiscal, nós queremos é o dinheiro na mão da população para fazer o Brasil crescer.” Lindberg Farias, senador


6 | Mundo

Rio de Janeiro, 7 a 10 de abril de 2016

Presidente da Argentina é citado em caso de corrupção internacional erca de 11 milhões de documentos do escritório de advocacia Mossak Fonseca, do Panamá,vazaram e caíram nas mãos de um grupo de jornalismo investigativo. Esses documentos denunciam dezenas de empresas fantasmas e revelam como o escritório teria auxiliado clientes a evitar o pagamento de impostos e a lavar dinheiro. Segundo o canal britânico BBC, 72 chefes de Estado atualmente no poder, ou que já ocuparam o cargo, são citados nos

documentos do Panama Papers. Entre eles, um presidente latino-americano: Mauricio Macri, da Argentina. A notícia, divulgada em vários jornais, revistas e TVs internacionais, caiu como uma bomba no país. Por meio de um comunicado, o presidente da Argentina diz que “nunca teve nem tem” participação nas empresas citadas na denúncia. Entretanto, Macri aparece como sócio da empresa Fleg Trading Ltd, nas Bahamas. Além dele, também

são citados seu pai e o irmão, Mariano Macri. No Brasil, os documentos revelam 107 novas offshore (empresas fantasmas) ligadas a pessoas citadas na Operação Lava Jato. A prática não é ilegal se tiver sido declarada à Receita Federal. Entre os envolvidos estão o presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), o usineiro e ex-deputado federal João Lyra (PTB) e o ex-ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB). (Opera Mundi)

Hacker diz que manipulou eleições na América Latina Divulgação

Em reportagem publicada pela revista norte-americana Bloomberg Businessweek, o colombiano Andrés Sepúlveda diz que entre seus feitos está a vitória do presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, nas eleições realizadas em 2012. Ele também disse ter promovido ataques virtuais a Hugo Chávez, Nicolás Maduro e Diosdado Cabello, então presi-

O hacker Sepúlveda diz que foi contratado para atacar o governo chavista

Macri é o único presidente latino-americano citado no escândalo

dente da Assembleia Nacional venezuelana, em 2012. “Trabalhei com presidentes, personalidades públicas com muito poder e fiz muitas coisas de que não me arrependo, porque fiz tudo com convicção plena e com um objetivo claro: acabar com as ditaduras e os governos socialistas na América Latina”, declarou Sepúlveda. Sepúlveda, 31 anos, diz ter viajado durante oito anos pela América Latina manipulando eleições em pelo menos nove países: Nicarágua, Panamá, Honduras, El Salvador, Colômbia, México, Costa Rica e Guatemala. (Opera Mundi) Marcelo Hide

JAPÃO Na região central do Japão, o final de semana foi marcado pelo Hanami contemplação das flores de cerejeiras. Os parques ficaram cheios de visitantes que disputavam espaço debaixo das copas das árvores.

TURQUIA Europa deporta milhares de migrantes Divulgação

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Divulgação

A primeira embarcação com migrantes que estavam em território grego foi enviada essa semana aos portos Dikili e Cesme, na Turquia. O envio do primeiro grupo de migrantes que entraram na Europa, incluindo os refugiados provenientes da Síria, é uma das medidas previstas no acordo entre a União Europeia e a Turquia, assinado em 18 de março. Esse primeiro grupo é composto por 500 pessoas. Em 2015, cerca de um milhão de pessoas atravessou o Mar Egeu em direção à Grécia, mas segundo as autoridades gregas e após a entrada em vigor do acordo UE-Turquia, o fluxo diminuiu de forma significativa. (Abr)


Rio de Janeiro, 7 a 10 de abril de 2016

Panamá Papers: como ricos e poderosos escondem fortunas em paraísos fiscais Políticos, empresários e celebridades utilizaram empresa panamenha para fugir de impostos, lavar dinheiro ou ocultar patrimônio Redação de Brasília (DF)

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semana foi marcada pela revelação de um escândalo mundial que está sendo chamado de Panamá Papers. O Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo (ICIJ) está liberando mais de 11,5 milhões de documentos do escritório Mossack Fonseca, do Panamá. Esses advogados, ao longo de mais de 40 anos, ajudaram clientes a abrirem empresas (as chamadas offshores) em paraísos fiscais. O objetivo principal seria esconder patrimônio, lavar dinheiro ou evitar o pagamento de impostos na compra de imóveis e bens de luxo. A firma possui escritórios em mais de 30 países e é “uma especialista na criação de empresas de fachada, que podem ser usadas para esconder os bens de seus donos”, de acordo com o ICIJ. Os papéis mostram informações de mais de 214 mil offshores ligadas a cidadãos em mais de 200 países. LISTA INCLUI POLÍTICOS Os documentos revelam, por exemplo, ligações com mais de 70 chefes ou ex-chefes de Estado e de governo, incluindo

políticos como o novo presidente da Argentina, Maurício Macri e o presidente da Rússia, Vladimir Putin. A lista também traz membros da realeza e ditadores, como o presidente da Síria, Bashar Al-Assad e o rei da Arábia Saudita, Salman bin Abdulaziz, além do ex-líder da Líbia, Muanmar Gaddafi e o ex-presidente do Egito, Hosni Mubarak.

O objetivo principal seria esconder patrimônio, lavar dinheiro ou evitar o pagamento de impostos Os líderes apontados negam irregularidades e alegam que as empresas foram abertas dentro da legalidade. Porém, o escândalo já fez sua primeira vítima: o agora ex-primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur Gunnlaugsson, que renunciou ao cargo nesta terça-feira (5), em meio a protestos causados pela divulgação dos Panamá Papers. Ao tomar posse, ele não declarou sua participação na empresa.

Brasil l 7

Fotos: Divulgação

EDUARDO CUNHA No Brasil, políticos também aparecem em documentos do escândalo Panamá Papers. Encabeça a lista como sócio de uma empresa de fachada o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), acusado pela Procuradoria Geral da República de manter contas ilegais na Suíça e réu na Lava Jato por corrupção e lavagem de dinheiro. Cunha nega ter empresa offshore em paraíso fiscal. Segundo o jornalista Fernando Rodrigues, do UOL, os papéis mostram que políticos de partidos que defendem o impeachment, como PMDB, PSB, PSDB e PTB, também figuram entre clientes da Mossack Fonseca, além de PDT, PP e PSD.

JOAQUIM BARBOSA Embora nem todas as empresas abertas no exterior sejam operações ilegais, elas escondem o desejo de seus beneficiários em evitar o pagamento de impostos. Foi o caso do ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, um dos principais clientes brasileiros da Mossack Fonseca, segundo o Panama Papers. Ele abriu empresas offshore para adquirir um apartamento em Miami (EUA) pagando menos impostos.

LIONEL MESSI Os documentos também chamaram atenção por envolver celebridades do mundo do futebol e das artes. Nomes como o do craque do Barcelona, Lionel Messi, também são associados a empresas de fachada em paraísos fiscais. Também aparecem no escândalo, como supostos acionistas, o cineasta espanhol Pedro Almodóvar e o ator nascido em Hong Kong, Jackie Chan.

ROBERTO CARLOS O cantor Roberto Carlos também aparece como sócio da Happy Song, empresa aberta pela Mossack Fonseca, em 2011. O cantor diz que a empresa está devidamente declarada à Receita Federal e ao Banco Central. Apesar de a Happy Song ter sido criada em 2011, o nome de Roberto Carlos só aparece nos registros em 2015.


8 | Especial

Rio de Janeiro, 7 a 10 de abril de 2016

Bete Mendes: “A elite não vê como o país melhorou nos últimos anos”

Durante o ato das Mulheres pela Democracia, realizado no Circo Voador, na terça-feira (5), a atriz Bete Mendes concedeu entrevista ao Brasil de Fato e falou sobre o atual momento que o país vive. Ela ainda comentou as críticas machistas feitas pela grande imprensa à presidente Dilma Rousseff. Bete é mais que uma artista, também é militante política. Foi presa e torturada durante a ditadura militar. Na época era estudante de sociologia e teve que abandonar o curso. Por isso defende com tanto vigor a democracia e condena o que ela classifica como “golpe contra a presidente eleita por 54 milhões de brasileiros”. Fotos: Divulgação

governando para milhões de brasileiros. Não é só para a classe média da cidade.

Fania Rodrigues do Rio de Janeiro (RJ) Brasil de Fato - Como você avalia a atual situação política do Brasil? Bete Mendes - Nós melhoramos muito nos últimos anos. Temos uma presidenta que foi eleita por 54 milhões de brasileiros. Nesse enorme Brasil, muita gente está tendo condições de alimentação, de trabalho, de sistema de irrigação, luz. Quase ninguém vê que o governo está

Brasil de Fato - O que mais te preocupa no atual cenário político? Esse modelo de governo tem atenção especial para os mais pobres. É isso que incomoda a elite. Ela não está olhando para o Brasil inteiro. A elite não vê como o país melhorou nos últimos anos. O que mais me preoPara atriz, revista IstoÉ cometeu “duplo crime” ao agredir presidente Dilma cupa é essa elite raivosa.

Brasil de Fato - Qual é sua opinião sobre a reportagem da revista IstoÉ, que fez críticas machistas à presidente Dilma Rousseff? Essa revista merece um processo porque ela agrediu a presidenta da República. Se agredisse uma mulher comum já era um crime, agredir a presidenta é um duplo crime. Então essa capa não merece nem ser comentada, não merece nada a não ser um processo.

Atrizes manifestaram seu apoio à presidente Dilma Rousseff. Veja o que elas falaram nos eventos em defesa da democracia e à imprensa Mídia Ninja

Eu não sou petista, mas sou a favor desse projeto de governo de inclusão. Eu acredito que nesse momento não dá mais para brincar, para esconder que tem um Brasil atento à trama que está sendo armada na nossa cara e que não vai passar despercebida. A gente sabe que tem uma extrema direita, muito incomodada com os avanços sociais, vendo preto pegar avião, preto na universidade

Eu me coloco a favor da democracia, com medo de que a democracia seja ameaçada se houver este processo de impeachment fora do processo legal exigido. Isso me preocupa, porque eu cresci sob a ditadura militar, vi pais de amigos presos e torturados e acho um grande perigo

Nas bancas de jornais, quando vejo as capas da IstoÉ e da Veja, eu fujo, porque fico enojada. Há 15 anos não via Jornal Nacional e assisti um dia desses, fiquei agoniada. O que me acalenta é encontrar pessoas nas ruas. Precisamos ir para as ruas gritar para garantir que não vai ter golpe

Elisa Lucinda

Débora Bloch

Tereza Seiblitz


Especial l 9

Rio de Janeiro, 7 a 10 de abril de 2016

Fotos: Mídia Ninja

Ato das Mulheres pela Democracia reúne duas mil pessoas no Circo Voador

Mulheres de movimentos populares dizem “não” ao golpe

Mulheres fazem ato em defesa da democracia Artistas, intelectuais, lideranças de movimentos populares e figuras públicas se unem contra impeachment Fania Rodrigues do Rio de Janeiro (RJ)

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erca de duas mil mulheres se reuniram na última terça-feira (5), no Circo Voador, em um ato contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Elas leram e assinaram um manifesto em defesa dos direitos conquistados pelo povo brasileiro nos últimos anos. O documento pede mais inclusão e diz “não” ao retrocesso e aos ataques machistas contra a presidenta Dilma. Várias mulheres puderam falar e manifestar sua preocupação com o atual momento político do país e também prestar o apoio à presidente da República. A representante do Movimento Nacional de Catadores, Claudete Costa, foi uma das mais aplaudidas. Negra e líder de um dos maiores grupos de trabalhadores pobres do Brasil, ela destacou a dificuldade e as pressões que as mulheres têm que enfrentar

quando são escolhidas para um cargo de liderança. “Sou a primeira mulher eleita como representante dos catadores. Ainda tem muito preconceito e a gente sofre pressão o tempo todo. Mas sou igual a Dilma, não vou sair. Vou até o final”, relata a catadora que cita a presidenta como inspiração. “Vejo na Dilma uma mulher de fibra, muito forte, firme na sua decisão. Ela está com a consciência tranquila, não fez nada de errado para ter que sair. A Dilma precisa ir até o fim. O povo brasileiro e nós mulheres estamos apoiando a presidente”, afirma Claudete. RESPEITO ÀS MULHERES A presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, Adriana Nalesso, falou sobre as ofensas machistas que Dilma vem sofrendo. “Nós temos uma mulher na Presidência da República. Gostando ou não dela, foi um processo democrático. Ela foi eleita, ela tem que ser respeitada. Um ataque à presiden-

sa que precisa mudar? Tem. O governo deve se aproximar mais dos movimentos”, diz a moradora da Cidade de Deus, Andréia Regina Pimentel, representante da União de Moradia Popular (UMP).

Participantes discordam com a forma que oposição quer derrubar Dilma

A Dilma tem que ir até o fim. O povo brasileiro e nós mulheres estamos apoiando a presidente Claudete Costa, do Movimento Nacional de Catadores te, da forma que está sendo feito, é uma ofensa a todas nós. Se eles não respeitam a

máxima autoridade do país, como é que vão nos respeitar?”, questiona a sindicalista. Também não faltaram representantes de movimentos populares e organizações de mulheres da periferia. Estavam lá mães, donas de casa e lutadoras que, de alguma maneira, não concordam com a forma como a oposição está querendo derrubar a presidente Dilma. “Nossa preocupação é com o golpe. O que eles estão tentando aplicar realmente é um golpe, a gente tem noção disso. Eles não aceitam que depois do governo Lula muita coisa melhorou. Tem coi-

CONQUISTAS A líder popular afirma ainda que as conquistas sociais dos últimos anos tiveram impacto direto na vida da sua família. “Mesmo com todos os problemas, tivemos muitas conquistas. A classe média alta não se conforma com isso. A realidade é essa. Meus sobrinhos hoje estão todos formados, mas eles só conseguiram entrar na faculdade depois desse governo. Um deles foi da primeira turma de cotistas do Rio de Janeiro”, relata Andréia Regina. O ato das Mulheres pela Democracia foi organizado pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que reúnem mais de 60 organizações, sindicatos e movimentos populares, partidos, pastorais da igreja católica, entre outros.


10 | Cultura

Rio de Janeiro, 7 a 10 de abril de 2016

AGENDA DA SEMANA

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The Hunting Ground

Funk-se O quê: Baile com muito funk reúne DJs como MC Theus, MC GB, DJ Yago Gomes, DJ Diego da Brasília, DJ Nando, e ainda tem roda de samba. Onde: Recanto da Pedra – São Gonçalo. Quando: Domingo (10), 15h. Quanto: R$ 10 (fem), R$ 20 (masc), com nome no evento do facebook

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Bumtcha

Mostra exibe acervo arqueológico de Teresa Cristina Divulgação

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O quê: Festa idealizada para que o termo “aceitação” seja colocado em prática, com muito passinho, coreografia, sorrisos, além de bastante pop, trap, funk e hip hop. Onde: Teatro Odisseia – Avenida Mem de Sá, 66, Lapa. Quando: Quinta (7), 20h. Quanto: 0800

Diálogos no escuro

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O quê: Exposição faz com que visitantes, munidos de bengalas e guiados por deficientes visuais, sintam-se como é viver sem enxergar. Onde: Praça Mal. Âncora, s/n – Centro. Quando: De terça a sexta, das 10h às 17h30. Sábado e domingo, das 14h às 18h. Quanto: R$ 12

Exposição Modernidades Fotográficas reúne obras de 1940 a 1964

Antologia do remorso Divulgação

É tudo verdade

O quê: Cineclube do curso de Jornalismo da Rural exibe filme que aborda casos de estupro nas universidades americanas. Onde: Instituto de Ciências Humanas da Universidade Rural – BR 465, km 7, Seropédica. Quinta: Quinta-feira (7), 18h. Quanto: 0800

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O quê: Festival Internacional é dedicado à produção de documentários na América Latina. Onde: Centro Cultural Banco do Brasil – Rua Primeiro de Março, 66, Centro. Quando: De 8 a 17/4. Ver programação de horários em etudoverdade.com.br Quanto: 0800

O quê: Espetáculo tragicômico se cria a partir de contos literários que abordam a violência e a passionalidade das relações amorosas. Onde: Arena Carioca Dicró – Parque Ary Barroso, Penha. Entrada pela Rua Flora Lobo. Quando: Domingo (10), 19h. Quanto: 0800

Um conjunto de 90 peças do mais importante acervo de arqueologia greco-romana da América do Sul já pode ser visto no Rio de Janeiro. Nunca antes expostas, as peças integram a exposição temporária Teresa Cristina: A Imperatriz Arqueóloga, que foi inaugurada no dia 31 de março, no Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, zona norte do Rio. A mostra homenageia a Imperatriz Teresa Cristina Maria de Bourbon (18221889), esposa de Dom Pedro II e grande responsável pela formação da coleção de Arqueologia Clássica do museu, atualmente vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Com cerca de 700 objetos, a Coleção Teresa Cristina tem parte de seu acervo em exposição permanente no museu e

o restante mantido na reserva técnica da instituição. “Pretendemos, com essa exposição, valorizar a contribuição cultural da Imperatriz Teresa Cristina. Ela sempre foi vista como uma pessoa apagada,

Registros vão desde paisagens da Amazônia até fábricas e usinas voltada para o marido e a família. Na verdade, ela tinha um grande interesse pela arqueologia”, explica uma das curadoras da mostra, a arqueóloga e pesquisadora do Museu Nacional Sandra Ferreira. Provenientes de escavações ou achados fortuitos em vários sítios arqueológicos da Itália, algumas das peças da Coleção Teresa Cristina vieram para o Brasil com a própria imperatriz.

A exposição Teresa Cristina: a Imperatriz Arqueóloga ficará em cartaz até setembro e pode ser visitada de terça-feira a domingo, das 10h às 17h, e às segundas-feiras, das 12h às 17h. Os ingressos custam R$ 6, a inteira, e R$ 3, a meia-entrada. Crianças até 5 anos e pessoas com deficiência têm gratuidade.


Rio de Janeiro, 7 a 10 de abril de 2016

Cultura l 11

Curso oferece aulas gratuitas de produção de alimentos orgânicos Pablo Vergara / Brasil de Fato

Quatro aulas ao serão lecionadas ao ar livre na Cinelândia

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omeça nesta sexta-feira (8), na Cinelândia, um curso básico que ensina a produção de alimentos livres de agrotóxicos em sua própria casa. A proposta é que os participantes se reúnam ao ar livre e, sentados em roda, aprendam técnicas de produção orgânica em espaços pequenos. Haverá tempo também para perguntas e debates. O curso é gratuito e acontecerá em quatro sextas-feiras, das 19h às 20h. Cada dia será um tema diferente. No dia 8 de abril, a proposta é dar introdução ao curso, falar um pouco da história de nossos alimentos, além de debater

Aulas ensinam técnicas que respeitam o meio ambiente

Alimentos orgânicos são aqueles isentos de qualquer contaminante que ponha em risco a nossa saúde

sobre permacultura e autogestão. Já no dia 15 de abril, os temas serão a importância do preparo do solo, tipos de adubo e compostagem.

No terceiro dia de atividade, 22, o curso já começa a falar sobre consórcio de plantas e escolha de mudas. Por fim, no dia 29, os assuntos se-

Feijoada comemora bicampeonato de escola

Divulgação

A escola de samba Vizinha Faladeira comemora seu bicampeonato com uma bela feijoada neste sábado (9), às 14h. O evento será na Rua da Gamboa, no 345, na Gamboa. A atividade promete muita diversão e muito samba. Na ocasião, haverá ainda o lançamento do enredo oficial de

pode ser adiada. Quem estiver interessado no curso é só procurar o evento no Facebook pelo nome “Produção de alimentos orgânicos”. Não é necessário se matricular com antecedência.

2017 e a entrega da sinopse para os compositores. Outro detalhe é que a comemoração contará com a participação da escola de samba Unidos da Tijuca. A entrada na festa é gratuita. Quem quiser saborear um bom prato de feijoada paga apenas R$ 15.

rão o cuidado com as mudas, a infestação de insetos, repelentes naturais e controle ecológico de insetos. Em caso de chuva, a aula

Os alimentos orgânicos são aqueles isentos de qualquer tipo de contaminante que ponha em risco a saúde ambiental ou humana. Em todos os seus processos de produção, utilizam-se técnicas que respeitam o meio ambiente e visam a qualidade do alimento.


12 | Opinião

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Reimont Otoni

No campo e na cidade, nossa luta vai continuar

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luta pela reforma agrária está na pauta de reivindicações dos movimentos populares há décadas. Em 2014, o governo assentou 32 mil famílias. Desde 2011, início do governo Dilma, foram 107 mil famílias assentadas. Nos primeiros quatro anos de mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assentou 232 mil famílias. Estamos vivendo um tempo muito complicado da política brasileira, onde alguns se colocam ao lado do Estado Democrático de Direito querendo o fortalecimento da democracia e dos valores republicanos. Outros se colocam a favor da interrupção do mandato da presidenta Dilma com um instrumento que já é conhecido da política brasileira, o golpe. Para nós, este momento de crise é também momento de criatividade que nos levará a fazer uma firme autocrítica. Não

podemos nos esquecer do discurso de Jango na Central do Brasil a proclamar as reformas de base. Lá, o clamor pela reforma agrária era não só legítimo, como também norteador do país que desejávamos. PRECISAMOS AVANÇAR O PT, governando o país nos últimos 13 anos, não conseguiu avançar como queríamos e, como ele queria também, na pauta do povo do campo que clama por reforma agrária. Muitos assentamentos foram feitos, mas ainda estão longe de debelar a injustiça estabelecida pela grilagem e pela injustiça que mantém um fosso entre ricos e pobres e, mais que isso, entre quem produz e quem especula com a terra. Em recente celebração na Câmara de Vereadores, na ocasião em que realizamos o Ato Compromisso com a

Reforma Agrária, a Agricultura Familiar e a Consolidação dos Territórios Quilombolas, no dia 30 de março, reforçamos nosso compromisso com essa luta. Durante o evento a defensora pública Maria Lúcia de Pontes, do Núcleo de Terras e Habitação (Nuth), foi empossada como Superintendente Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA/RJ). NOSSA LUTA Mais direitos é o que queremos. A reforma agrária é a ferramenta para estancarmos a sangria de tantas injustiças. O campo e a cidade estão unidos e clamam por reforma agrária. Nossa luta é saber que quando chegarmos à terra, lembraremos que temos ainda muitos passos a dar. Reimont Otoni (PT) é vereador do Rio de Janeito

OPINIÃO | Renato Cinco

Vítimas de uma guerra Divulgação

Na última semana, mais mortes durante incursões policiais viraram notícia. Em Acari, foram cinco; em Magé, mais um. Entre eles, uma criança. Matheus Moraes, de 5 anos, brincava na rua quando foi baleado na cabeça por um fuzil. Infelizmente, isso não é novidade e nem exceção no Rio de Janeiro. E esses casos foram apenas os que tiveram visibilidade, entre tantos outros que permanecem muito longe dos olhos de grande parte da população. EXTERMÍNIO Jovens, que têm em comum o fato de serem negros e moradores de áreas pobres, são as principais vítimas da violência policial. Segundo a Anistia Internacional, dos 30 mil jovens assassinados no Brasil, 77% eram negros. E, diante dessas tragédias cotidianas, não podemos perder de vista o que tem legitimado tal extermínio: o discurso da guerra às drogas. Os corpos que têm sido deixados pelo caminho não são vítimas ocasionais: o proibicionismo é racista por essência. Desde a proibição do “pito de pango” (maconha) para “os escravos e demais pessoas”, o combate às drogas, na verdade, eviden-

ciou um combate a pessoas com perfil bem determinado, os indesejáveis, ou melhor, os matáveis. O combate ao tráfico de drogas tem sido a principal justificativa para a crescente militarização dos espaços urbanos e das vidas de milhares de pessoas. São veículos blindados, ocupação de favelas, armas de guerra, policiais treinados para exterminar o inimigo... Mas quem será o inimigo? CRIME DE ESTADO É impossível dimensionar quantas pessoas são impactadas direta e indiretamente por essa guerra, que acaba por servir de cortina de fumaça. Ao privilegiarem a intensa ocupação policial dos territórios, ao invés de garantir direitos sociais, são os governos os principais responsáveis por essas mortes - seja pela ausência de serviços básicos ou empurrando, silenciosamente, os jovens para o tráfico. É um ciclo interminável. Diante desse quadro, uma nova política de drogas se coloca como cada vez mais necessária. Uma política de drogas mais humana e que garanta, acima de tudo, a vida. Renato Cinco (PSOL) é vereador do Rio de Janeiro


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Variedades l 13

AMIGA DA SAÚDE

BOMBOU NA INTERNET

Existe alguma forma de prevenir o Herpes Zóster Zoster?? Veriza Gomes, 39 anos, fotógrafa. Divulgação

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uerida Veriza, Herpes Zóster é uma infecção viral que causa vesículas (pequenas bolhas) na pele, acompanhadas de muita dor no local. Muitos a chamam de cobreiro, acreditando ser resultado da passagem de algum bicho sobre a pele. Mas, na verdade, essa doença é provocada pelo mesmo vírus da catapora, que fica “escondido” em alguns gânglios próximos da medula espinhal e do cérebro. Ele pode ficar assim por muitos anos, sem provocar nenhum sintoma. Acredita-se que em si-

tuações nas quais a imunidade (defesa natural do corpo) fica baixa, o vírus consegue sair, percorre a rede nervosa provocando novas lesões, que chamamos de Herpes Zóster.

Receita

Divulgação

Dúvidas? amigadasaude@brasildefato.com.br

O problema é que, diferente da catapora que a pessoa tem uma única vez, o Herpes Zóster pode reaparecer mais vezes. Do que se sabe, a única forma que pode ser eficaz para evitar esse transtorno é manter o sistema de defesa forte. Para isso, é bom ter hábitos saudáveis de vida, evitar o estresse (ou, quando isso não for possível, descarregá-lo em alguma atividade relaxante como a dança ou outros exercícios físicos), se prevenir das doenças sexualmente transmissíveis, entre outras medidas.

Sofia Barbosa | Coren MG 159621-Enf

Broa de fubá Ingredientes

Modo de prepar

• 500g de farinha de trigo • 500g de fubá • 60g de fermento biológico • 150g de margarina • 150g de açúcar • 2 ovos • 1 pitada de sal • 1 pitada de vanilina ou baunilha • ½ litro de água mais ou menos

Prepare a massa com 50 gramas de farinha de trigo, o fermento e um pouquinho de água. Deixe-a descansar por uns 15 minutos. Depois disso, adicione o restante dos ingredientes e faça uma massa bem macia. Aguarde o crescimento dessa massa durante uns 20 minutos. Em seguida, corte a massa em 5 pedaços iguais, modele-os, coloque em assadeiras untadas, pincele com gemas e jogue um pouco de fubá por cima. Espere o crescimento, até quase atingir o seu dobro, e leve para assar em forno preaquecido. Temperatura do forno: 180°C.

Tempo de preparo 30 minutos


14 | Variedades

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HORÓSCOPO Áries (21/3 a 20/4) Para os nativos de Áries, o mês de abril vai ser de reflexão. Vai ser preciso se isolar para organizar ideias.

Touro (21/4 a 20/5) Vai conseguir com mais facilidade expressar tudo aquilo que pretende e gerir sua vida a partir de agora.

Gêmeos (21/5 a 20/6) Estará mais sensível às necessidades de quem o rodeia, fazendo com que tenha maior paciência.

Câncer (21/6 a 22/7) Vai ser marcado pela agitação, pois vai querer fazer tudo aquilo que tem em mente.

Leão (23/7 a 22/8) A nível profissional, algumas mudanças trarão agora a estabilidade de que tanto precisa neste momento.

Virgem (23/8 a 22/9) Vai sentir uma enorme vontade de inovar e vai querer mudar alguns hábitos do seu dia a dia repentinamente.

Libra (23/9 a 22/10)

Vai poder contar com o apoio das pessoas que o rodeiam. Algumas ajudas inesperadas podem aparecer.

Escorpião (23/10 a 21/11) A sua energia irá contagiar quem está à sua volta. Vai querer divertir-se mais do que costuma.

Sagitário (22/11 a 21/12) O mês de abril será crucial porque vai sentir necessidade para resolver algumas situações do passado.

Capricórnio (22/12 a 20/1) A palavra-chave será a racionalidade. Todavia, é importante que tenha em conta a forma como se diz as coisas.

Aquário (21/1 a 19/2) A nível profissional, vai querer centrar-se naquilo que realmente interessa. Vai conseguir se organizar.

Peixes (20/2 a 20/3) Terá necessidade de mostrar aquilo que realmente é e não esconderá a vontade de fazer coisas que deseja.

FASES DA LUA Nova 7/4

Crescente 14/4

Cheia 22/4

Minguante 30/4


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Sai a lista do vôlei feminino para os Jogos Pré-convocação de José Roberto Guimarães conta com Fabíola, que dará à luz em maio Alexandre Loureiro/Inovafoto

BINÓCULO

Lista completa O treinador José Roberto Guimarães pré-convocou a seleção com as levantadoras Dani Lins (Osasco), Fabíola (sem clube), Roberta (Rio de Janeiro) e Naiane (Minas); as centrais Fabiana (SESI-SP), Thaisa (Osasco), Juciely (Rio de Janeiro), Carol (Rio de Janeiro) e Adenízia (Osasco). Também estão na lista as opostas Sheila (VakifbankTUR), Tandara (Minas) e Monique (Rio de Janeiro); as ponteiras Natália (Rio de Janeiro), Fernanda Garay (Dínamo Moscou-RUS), Jaqueline (SESI-SP), Gabi (Rio de Janeiro) e Mari Paraíba (Volero Zurich-SUI); e as líberos Camila Brait (Osasco) e Léia (Minas). Divulgação

José Roberto Guimarães, durante anúncio da pré-convocação

E

m um hotel no Rio de Janeiro, o treinador da seleção brasileira de vôlei feminino, José Roberto Guimarães, divulgou a pré-lista de convocadas para os Jogos Olímpicos do Rio 2016, com 19 nomes. Para José Roberto, em coletiva após o anúncio, a lista que efetivamente vai aos Jogos está 90% fechada, restando observar algumas situações. Uma delas é o caso da

levantadora Fabíola, que está grávida e cujo nascimento do bebê está previsto para maio. O treinador disse que “precisa ser parto normal, e tudo tem de caminhar da melhor forma possível” para que haja tempo para recuperação da atleta até os Jogos. Das 19 jogadoras préconvocadas, apenas 12 irão aos Jogos e a lista final será divulgada após a fase final do Grand Prix, em Bangcoc (TAI). (BP)

Polícia do Rio desarticula quadrilha de cambistas Investigação identificou dez suspeitos e apreendeu mais de 700 ingressos A Polícia Civil do Rio de Janeiro apreendeu na última segunda-feira (4) um lote de 714 ingressos para os Jogos Olímpicos do Rio 2016, na sede do Comitê Organizador do evento. Estes ingressos vieram da gráfica, nos Estados Unidos, endereçados a membros de

uma quadrilha de cambistas e seriam enviados a suas casas junto com os demais ingressos em maio. Foram identificados pelo menos 10 suspeitos através da operação. Os ingressos eram anunciados em redes sociais, por preços muito superiores ao valor

de venda. Os anúncios chamaram a atenção da polícia, que passou a monitorar a situação. A ordem de impressão do lote comprado pelos cambistas foi suspensa e os ingressos não serão entregues. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados. (BP)

Esportes l 15

TOQUES CURTOS | Bruno Porpetta

Descaramentos

Nathalia Manzaro

Alexandre de Moraes, secretário de segurança pública de São Paulo

Como já discutimos anteriormente, dez entre dez brasileiros querem Dunga fora da seleção. Se nos fatos da conjuntura nacional recente percebemos o poder da opinião pública e da mobilização de determinados setores da sociedade, por que a CBF se faz de surda? Na verdade, é preciso observar a questão por outro viés. A CBF é incapaz de mudar qualquer coisa. Quem poderá demitir Dunga? O Coronel Nunes, que não passa de um fantoche? O Walter Feldman, que não tem poder para isso? O Del Nero, que é praticamente um foragido? Aí, o que a CBF faz? Põe o fantoche para dar uma declaração forte, daquelas que dão capa de jornal, e nomeia o cara que carrega o piano da seleção olímpica para auxiliar de Dunga durante os Jogos. E por último, e mais absurdo, diz descaradamente que intervirá nas convocações. E o Dunga, apegado que só ao cargo, se sujeita a isso sem grandes questionamentos. Outro fato que merece destaque é a “solução” do governo de SP para o conflito entre torcidas organizadas de Palmeiras e Corin-

thians, que resultou na morte de um senhor de 60 anos, ainda não identificado. A primeira coisa que a Secretaria de Segurança Pública deveria anunciar é que, enfim, identificou a vítima. Afinal de contas, existem possíveis parentes aflitos em busca de notícias de alguém que sequer se sabe se está vivo ou morto. Mas não. O secretário vem

O secretário vem a público dizer que acabou o futebol, acabaram os clássicos, acabou a festa a público dizer que acabou o futebol, acabaram os clássicos, acabou a festa. Torcida única não deu certo em lugar nenhum do mundo, pois se é para quebrar o pau, pouco importa se eles vão ou não ao jogo. Aliás, a morte do sujeito se deu a 33km do estádio onde ocorreu a partida. Proibir faixas e bandeiras é a criminalização da festa. A Secretaria ligou o “dane-se” para tudo. Anuncia qualquer coisa para dizer que algo foi feito, ao mesmo tempo em que não resolve nada.


16 | Esportes

Rio de Janeiro, 7 a 10 de abril de 2016

Flu avança tranquilo na Copa do Brasil Nelson Perez/Fluminense

Tricolor faz 3 a 0 contra Tombense, em Muriaé (MG), e elimina o jogo de volta Bruno Porpetta do Rio de Janeiro (RJ) O Fluminense foi a Muriaé (MG) enfrentar a Tombense, clube onde foi revelado o meia Cícero, pela primeira fase da Copa do Brasil. A escalação com força máxima indicava o que queria Levir Culpi: vencer por dois ou mais gols de diferença e evitar o jogo de volta. No primeiro tempo o Fluminense, muito superior tecnicamente, soube se impor. Trocou passes e criou chances, não deixando a Tombense sair do campo de defesa. Cícero foi o grande nome do time na etapa inicial. Poderia já ter aberto aos 23 minutos do primeiro tempo, após linda jogada de Cícero, que deu um lençol e tocou para Wellington Silva. O lateral do Flu cruzou na medida para a cabeçada de Gustavo Scarpa. A bola morreu no fundo das redes, mas o atacante estava impedido no lance. Não demorou muito para

Evento Facebook

Torcedores dizem não ao golpe no próximo sábado (9)

Torcedores fazem ato no Maraca pela democracia

Cícero foi um dos grandes destaques na vitória tranquila do Flu

mexer realmente no placar. Aos 28 minutos, Cícero dá belo passe de calcanhar para Gerson, que domina na entrada da área e bate rasteiro no canto do goleiro Darley. Dez minutos depois, foi Jonathan quem deu belo cruzamento na cabeça do baixinho Marcos Júnior. Livre, o atacante não teve trabalho para ampliar o placar. Após o intervalo, a Tombense voltou disposta a diminuir o marcador, pelo me-

nos, e forçar o jogo de volta. O Flu voltou mais lento, tentando não se desgastar e controlar o resultado. Mesmo com alguns sustos, o tricolor conseguiu controlar o jogo, sem que Diego Cavalieri tivesse muito trabalho. Deu tempo ainda para que Gustavo Scarpa desse excelente passe para Marcos Júnior, que bateu para o gol sem chances para Darley, dando números finais à partida, aos 30 minutos da etapa final.

Em meio ao calor dos debates sobre a tentativa de golpe parlamentar contra a presidenta Dilma Rousseff, mais um segmento da sociedade decidiu ir às ruas reivindicar o respeito à democracia no Brasil. Torcedores de vários clubes cariocas, e até de outros estados, estão organizando um ato em defesa da democracia em frente ao Maracanã, no próximo sábado (9), a partir das 10h da manhã. O ponto de encontro é a famosa estátua do Bellini. A organização do ato, que não conta com nenhuma das grandes torcidas organizadas dos clubes, pede

que os torcedores compareçam com a camisa de seus clubes. Também convoca os participantes a levarem cartazes com inscrições em defesa da democracia, além de reivindicações ligadas à cultura das arquibancadas. Dentre elas, está o apoio ao direito de se manifestar politicamente nos estádios de futebol, como fez a torcida Gaviões da Fiel, do Corinthians, que questionou o desvio de recursos destinados à merenda escolar no estado de São Paulo. A torcida foi duramente reprimida pela polícia, diversas vezes, por abrir faixas nas arquibancadas do Itaquerão. (BP)

David Luiz atrapalha também PSG em empate O Paris Saint-Germain (FRA) recebeu o Manchester City (ING), em Paris, no estádio Parc des Princes, pela partida de ida das quartas-de-final da UEFA Champions League, e ficou só no empate por 2 a 2. O destaque negativo da

partida é bastante conhecido pela torcida brasileira: o zagueiro David Luiz, que bateu um recorde com o cartão amarelo mais rápido da história da competição, aos 12 segundos de jogo, ao agarrar o atacante argentino Aguero. Ele também falhou no gol de Kevin De Bruyne, que abriu o

Getty Images

Ibra reclama com a defesa, em noite infeliz de David Luiz

placar para os Citizens. David Luiz está suspenso e não joga a partida de volta, em Manchester. Os demais gols foram de Ibrahimovic e Rabiot, para o PSG, e do brasileiro Fernandinho, para o City, que pode empatar por até um gol em casa para avançar. (BP)

Brasil de Fato RJ - 168  
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