Page 1

ENTREVISTA| 11

PERNAMBUCO| 08 e 09

Balanço Rafaella Gomes

Conflitos no campo aumentaram em 2019

Divulgação

Canibal Vocalista da banda Devotos fala sobre sua carreira de 30 anos na música

PE UMA VISÂO POPULAR DO BRASIL E DO MUNDO Pernambuco

Recife, 10 a 16 de janeiro de 2020

ano 3

e d iç ã o 115

distribuição gratuita

Rodrigo Pires - divulgação

Pré-Carnaval

Prévias já animam finais de semana nas ruas de Olinda e Recife

OPINIÃO | 05 Editorial

2020: a luta contra o fascismo deve ser uma tarefa de milhões

GERAL | 04 Direitos de Fato

40% dos casos de transfeminicídios no mundo acontecem no Brasi

CIDADES | 10 Literatura

Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias projeta novas ações em 2020


Brasil de Fato PE

Recife, 10 a 16 de janeiro de 2020

2 | OPINIÃO

EDITORIAL

2020: a luta contra o fascismo deve ser uma tarefa de milhões sul21_gs

POLÍTICA.

A principal tarefa contra o bolsonarismo é a luta organizada

Que surjam novas revoluções pernambucanas

É

certo que 2019 foi um ano de ofensiva contra o povo brasileiro. Mas, tão certo quanto isso, é que também aprendemos com esse processo. Se há repressão, também há resistência. Vimos surgir iniciativas como as frentes parlamentares em defesa da Amazônia, da Convivência com o Semiárido, da Liberdade Religiosa e do Rio São Francisco. Vimos uma fagulha de esperança com a liberdade de Lula, em contraponto ao show de horrores político e judiciário que arquitetou sua prisão. Tivemos ondas de manifestações em defesa da educação que conseguiram estancar o saque no financiamento da educação pública protagonizado pelo ministro Abraham Weintraub. 2020 começa em todo país com a organização

É importante se apegar às revoltas populares de uma das datas principais do calendário feminista, que é o 8 de Março. É certo que as mulheres romperão cercas e ocuparão as ruas em defesa dos seus direitos, há tanto ameaçados por um governo machista e conservador. Neste ano, Pernambuco sedia o Encontro Nacional dos

Movimentos Feministas, para discutir e fazer um feminismo em movimento, cada vez mais voltado às necessidades e realidades das mulheres brasileiras. No âmbito da luta institucional, é hora de lutar e derrotar o bolsonarismo nas eleições municipais de 2020, impedindo a capilarização deste governo nefasto na administração dos municípios. As organizações sindicais já se planejam para iniciar as lutas em defesa do emprego, dos direitos e da democracia, que mesmo golpeada, tenta se reerguer. Numa outra mão, é possível perceber o fortalecimento da luta política nas periferias, a partir da

organização de associações, movimentos, cursinhos populares e os cineclubes, aliando a necessidade da luta por direitos com lazer, cultura e educação. Se 2019 foi um ano de crimes ambientais, nunca se falou tanto na necessidade de repensar o consumo individual e ainda mais, entender que o capitalismo de sustentável e “eco-friendly” não tem nada. Entendemos a teia de mentiras que vem elegendo governos autoritários com notícias falsas e agora pensamos duas vezes antes de compartilhar aquele link suspeito nas redes sociais. No Brasil onde ocorre uma morte de LGBT a cada 23 horas, foi aprovada a criminalização da LGBTfobia. O desafio é fortalecer e organizar a resistência, até porque, a luta contra a ameaça do fascismo nessa nova roupagem

deve ser uma tarefa de milhões. É hora de arregaçar as mangas e partir para o convencimento, deixando para trás as coisas pequenas na luta em defesa do povo brasileiro. Numa época de obscurantismo, é importante se apegar às revoltas populares que abalaram os centros de poder. Que surjam novas revoluções pernambucanas, dos alfaiates, malês, cabanos e que façamos novas Palmares, centros de luta organizada contra esse poder racista, machista e capitalista. Que exemplo vamos deixar para as próximas gerações? Abaixar a cabeça para a derrota ou nos organizar para uma resposta? Que seja um 2020 de lutas, resistência e fé não só no que podemos fazer, mas no que virá, já que citando Thiago de Mello, “os que virão, serão povo, e saber serão, lutando”.

Expediente Brasil de Fato PE O Brasil de Fato circula nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul, Paraíba e Bahia com edições regulares. Em Pernambuco está nas ruas todas às sextas-feiras com uma visão popular de Pernambuco, do Brasil e do Mundo. Página: brasildefatope.com.br | Email: pautape@brasildefato.com.br | Para anunciar: brasildefatopernambuco@brasildefato.com.br | Telefone: 81. 96060173

Edição: Monyse Ravena | Redação: Vinícius Sobreira, Marcos Barbosa, Vanessa Gonzaga, Rani de Mendonça e Fátima Pereira. Articulista: Aristóteles Cardona | Colaboração: André Barreto, Bianca Almeida, PH Reinaux, Catarina de Angola | Administração: Iyalê Tahyrine Diagramação: Diva Braga | Revisão: Júlia Garcia | Tiragem: 20 mil exemplares Conselho Editorial: Alexandre Henrique Pires, Bruno Ribeiro, Carlos Veras, Doriel Barros, Eduardo Mara, Geraldo Soares, Henrique Gomes, Itamar Lages, Jaime Amorim, José Carlos de Oliveira, Fernando Melo, Fernando Lima, Laila Costa, Luiz Filho, Luiz Lourenzon, Marcelo Barros, Margareth Albuquerque (in memorian), Marluce Melo, Paulette Cavalcanti, Paulo de Souza Bezerra, Paulo Mansan, Pedro Lapa, Roberto Efrem Filho, Rogério Almeida, Rosa Sampaio, Sérgio Goaiana, Suzineide Rodrigues, Valmir Assis.


Brasil de Fato PE

GERAL l 3

Recife, 10 a 16 de janeiro de 2020

FRASE da semana O momento não é adequado para o Brasil se meter em uma briga externa. O Brasil não tem contencioso com o mundo, sempre manteve uma política diplomática harmoniosa. Devemos ser um construtor de paz

Nota

SERVIÇ0S Atividades gratuitas

Wikimedia Commons

Mateus Pereira

Luiz Inácio, ex presidente, sobre os conflitos em torno do Irã e os Estados Unidos.

Qual praia pernambucana você mais gosta? Por quê?

stão abertas as inscrições E para as atividades que são oferecidas pelo Compaz Gover-

nador Miguel Arraes, que localizado na Avenida Caxangá. No total, são duas mil vagas ofertadas, que contemplam modalidades esportivas educacionais e culturais. Os cadastros devem ser feitos na biblioteca do local e na Unidade de Tecnologia (UTEC). Basta levar certidão de nascimento ou RG, CPF e comprovante de residência de morador do Recife - já que as atividades são exclusivas para recifenses.

SESC

Tamandaré/Ilha de Itamaracá”, @edvaldoaojunior, leitor.

Nova identidade novo modelo nacional da O carteira de identidade deve ser implantado em todo o Bra-

Praia do Paiva. Pela tranquilidade e beleza” @martajeruzaleal, leitora.

sil até março de 2020. Aqui em Pernambuco, a solicitação pode ser feita agendando atendimento no site do Instituto de Identificação Tavares Buril (IITB). É preciso levar a Certidão de Nascimento, se solteiro, ou Certidão de Casamento. Em caso de primeira via, não é necessário o pagamento. Já para a segunda e demais vias, é preciso emitir um boleto e pagar uma taxa.


Recife, 10 a 16 de janeiro de 2020

4 ||Mundo GERAL

NA

LUTA

Brasil de Fato PE

Direitos de Fato

Mutirão com a Boca no Trombone Divulg~ção

T

oda terça a Praça do Pereirinha no bairro de Água Fria, Zona Norte do Recife, é movimentada pelo Recital Boca No Trombone. E o coletivo que organiza essas intervenções vai fazer o “Mutirão com a Boca no Trombone”, trazendo uma edição histórica do recital para prestar homenagem a um dos fundadores do trombone que faleceu ano passado, o Gênio MC. O mutirão vai acontecer nos dias 11 e 12 desse mês, com oficina de graffiti infantil, rodas de diálogos, oficina de empregabilidade, mutirão jurídico com o GAJOP, oficina de arte e de escrita criativa, além de apresentações culturais. Todas as atividades acontecem dentro do Campo do Barreirão, no Alto do Pereirinha.

#MovimentaLAB começou Movimenta

Foi realizado nesta quarta-feira (8) o primeiro encontro do laboratório para projetos audiovisuais que vai se realizar aos sábados, durante todo o mês de janeiro, através de diálogos e orientações sobre aspectos artísticos, conceituais e técnicos para submissão ao edital do Funcultura Audiovisual. O projeto é uma iniciativa do Movimenta Cineclubes e Organização Popular, que tem incentivado cineclubes em Pernambuco. No primeiro dia, os participantes conheceram os espaços do quilombo com uma visita guiada por Guitinho da Xambá, percorrendo o terreiro, o Memorial de Mãe Biu e as instalações do centro cultural.

40% dos casos de transfeminicídios no mundo acontecem no Brasil m levantamento da Associação Nacional de Travestis e TranU sexuais (Antra) apontou que o Brasil é o país que mais mata por transfobia no mundo. Dos casos de transfeminicídios regis-

trados em 74 países, cerca de 40% ocorreram no Brasil. Além do elevado número de mortes, o assassinato de transexuais chama atenção ainda em razão da brutalidade de suas circunstâncias. Foi assim que o caso de Quelly Silva, mulher transexual que residia em Campinas (SP), chamou atenção da mídia. O assassino confesso, chamando-a de demônio, arrancou seu coração. Nos registros de ocorrência dos crimes, os nomes que as vítimas rejeitaram a vida toda estampam cruelmente a negação de suas identidades trans seja pela Polícia, seja pela mídia. São casos de ódio expresso em métodos ritualísticos e que o Estado – e a sociedade – insistem em categorizar como simples homicídios, agarrados a uma interpretação transfóbica e binária sobre o que é ser mulher a fim de permitir e compactuar com a sistemática eliminação da população trans no Brasil, motivada pela repulsa e pelo ódio. Lutar pelo reconhecimento do transfeminicídio para casos de assassinatos das mulheres e homens trans é avançar na pauta contra a transfobia. *Clarissa Nunes é advogada criminalista e integrante da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD)

Para entrar em contato e tirar dúvidas mande um email para contato.pe@brasildefato.com.br ou um whattsapp para 8199060173

ESPAÇo SINDICAL

Denúncia contra o SERPRO no MPT SERPO

diretoria do Sindicato dos TraA balhadores em Processamento de Dados, Informática e Tecnolo-

gia da Informação do Estado de Pernambuco, através de sua assessoria jurídica, apresentou denúncia junto ao Ministério Público do Trabalho, contra o SERPRO Isso porque vários funcionários foram surpreendidos por e-mail ou contato telefônico de que deveriam permanecer nas suas residências, sem comparecer aos seus postos de trabalho. Outros foram orientados a se apresentar em um local de trabalho diferente do habitual e ao chegar, foram informados de que deveriam retornar e permanecer em casa. Parte desses funcionários inclusive se encontra de férias e já foram orientados a não retornar ao trabalho após o término.

Nova diretoria Sindpetro PE/PB empossada Diretoria sindpetro PE

nova diretoria do SindiA cato dos Trabalhadores na Indústria do Petróleo de Per-

nambuco e Paraíba (Sindipetro PE/PB), tomou posse na sexta-feira (3), no Armazém do Campo, centro do Recife. O coordenador geral dever continuar sob os trabalhos de Rogério Almeida. Além dele, 25 integrantes da diretoria, devem comandar o Sindicato nos próximos quatro anos. A solenidade foi representativa, contou com a presença da Central Única dos Trabalhadores, de vários outros sindicatos, além de representantes de movimentos populares e parlamentares.


Brasil de Fato PE

Recife, 10 a 16 de janeiro de 2020

Artigo

OPINIÃO I 5

Novo velho ano novo Elandia Duarte*

ovo ano come“N çou, mas tudo continua tristemen-

te igual”. Ouvi isso ontem dito por uma senhora na rua quando voltava para casa, e pensei como para mim foi e é significativo o rito de passagem de ano, que afinal, nada mais é que a ritualização do decorrer dos dias. Um respiro, uma subida a superfície para tomar fôlego e voltar a nadar o tempo presente. E se, “tudo continua tristemente igual”, também

Conduz para a luz a recordação que o tempo histórico não é estático dialética e contraditoriamente já se mostra também tudo diferente. Porque esse respiro necessário do cotidiano caótico

Artigo

e sufocante ajuda a rever planos, traçar novas rotas, reavaliar projetos, refazer caminhos. Possibilita reorganizar prioridades, buscar trazer à tona sonhos submersos e escondidos pelos dias acinzentados pelo capitalismo. De alguma forma, esse hiato nos dias, ajuda a continuar viva em nós a busca por outra forma de sociabilidade, a não sucumbirmos a dor do mundo capitalista que nos adoece e nos mata cada dia de maneira mais cruel e brutal, banalizando nossas vidas. Pode servir para lembrar, mesmo quando já se

rouba da memória, o caráter sempre presente da possibilidade humana de fazer sua própria história enquanto coletividade, de se recriar através da transformação da natureza para melhoria de suas condições de subsistência. Assim como, pode marcar e evidenciar a verdade quase esquecida de que não somos o capital e por isso podemos e vamos sobreviver para além dele. Conduz para a luz a recordação que o tempo histórico não é estático, passa, ainda que lentamente, passa. E que, se estamos cada vez mais em tem-

pos envoltos em barbárie, também dialeticamente, estamos vizinhos da potência de uma efetivação da revolução da classe trabalhadora. Então, sim, os dias continuam tristemente iguais, mas a passagem do ano, nos deu a concretização de uma pausa, respiro, tomamos fôlego para os próximos gritos de longe tão necessários e indispensáveis, para continuarmos a nadar rumo a uma sociedade justa, efetivamente humana e emancipada. *Professora em Brejo Santo (CE)

A ação que matou o general Soleimani foi um ato terrorista e isto precisa ficar evidente Aristóteles Cardona Júnior*

magine você, leitor, I o seguinte cenário: dia 3 de janeiro, o prin-

cipal general do exército dos Estados Unidos acaba de desembarcar numa manhã de sol no aeroporto da capital de algum país aliado. Toma o seu café-da-manhã ainda no aeroporto, pois em poucos minutos precisa participar de algumas reuniões com organizações e movimentos. Porém, no trajeto entre o aeroporto e o seu local de reunião, bombas do Irã, comandadas por drones, destroem todo o comboio matando a todos, incluso o general. Esta cena narrada acima é quase verídica. Na

E é em meio a esta aquecida conjuntura internacional que começamos o ano de 2020 realidade, invertem-se apenas os atores. Os ataques partiram dos Estados Unidos e o general morto chamava-se Qasem Soleimani, chefe da Guarda Revolucionária do Irã. Por ter sido uma ação estadunidense poucos são os meios de

comunicação que chamam o ato pelo nome correto: terrorismo. A ação que matou o general Soleimani foi um ato terrorista e isto precisa ficar evidente. E é em meio a esta aquecida conjuntura internacional que começamos o ano de 2020. Nunca é fácil para nós, brasileiros e brasileiras, compreendermos o que se passa no Oriente Médio. Isso acontece porque aprendemos muito pouco sobre culturas tão ricas e importantes como às daquela região, quase sempre nos exposta com visões preconceituosas ou bastantes limitadas. Antes de tudo, é preciso compreender que em 1979, no Irã, houve

uma revolução que derrubou a ditadura do Xá Mohammad Reza Shah, ligado aos Estados Unidos. Desde então, o Irã tem mantido uma postura no mínimo independente com relação ao país presidido por Trump. O assassinato tem sido justificado como uma ação “defensiva”, classificando o general iraniano como terrorista. Os EUA vem acusando também o Irã de financiar organizações terroristas, esquecendo de mencionar que possui a Arábia Saudita como uma de suas principais aliadas no Oriente Médio, país este que possui uma das mais sanguinárias e cruéis ditaduras daquela região.

OS EUA e aliados, como Jair Bolsonaro, seguirão afirmando que a luta contra o Irã é uma luta contra o terrorismo e pela democracia. Mentira! Não passa de ataque a um país que possui os seus problemas, mas que age de forma soberana e não baixa a cabeça diante dos desmandos da potência imperialista, como faz Bolsonaro diante de Trump. A agressividade norte-americana é um retrocesso para o mundo e se posicionar contra é papel de todas as organizações democráticas. *Aristóteles Cardona Júnior é Médico de Família no Sertão pernambucano, Professor da Univasf e militante da Frente Brasil Popular de Pernambuco.


Brasil de Fato PE

8 | PERNAMBUCO

Recife, 10 a 16 de janeiro de 2020

PERNAMBUCO l 9

Em PE, os conflitos no campo aumentaram em 2019; confira o balanço RETROCESSO. Para CPT, o maior elemento propulsor de muitos dos conflitos no território pernambucano ano passado foi o setor sucroalcooleiro

Rafaella Gomes

Rani de Mendonça

Reforma AgráA ria, historicamente, sempre andou a passos

Acampamento Margarida Alves

Normandia

Acampamento Beleza MST PE

lentos no Brasil. Mas, em 2019 ela não andou. Segundo o “Balanço da Reforma Agrária 2019”, feito pela Comissão Pastoral da Terra Nordeste (CPT), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), órgão responsável pelas ações que deveriam garantir a distribuição justa das terras no Brasil, não assentou nenhuma família e não desapropriou nenhuma propriedade para fins de Reforma Agrária, entre outros retrocessos. Como exemplo, a paralisação de programas como o Programa de Compra Antecipada de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Educação em Áreas de Reforma Agrária (Pronera). O primeiro, administrado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) chegou a aplicar mais de R$ 1 bilhão por ano, (em 2019, foram aplicados apenas R$ 92 milhões) e representava um estimulo à produção de alimentos saudáveis e uma garantia aos camponeses que poderiam vender ao governo, recebendo à vista. O segundo, estimulava as universidades públicas a construírem cursos especiais na forma de alternância, realizando vestibular específico. Em Pernambuco, os conflitos no campo se proliferam. Em meio a dezenas de despejos ou a possibilidade iminente disso, os camponeses atra-

CASOS EMBLEMÁTICOS EM PERNAMBUCO

vessaram 2019 sem motivos para comemorar. Para CPT, o maior elemento propulsor de muitos dos conflitos no território pernambucano ano passado foi o setor sucroalcooleiro, sobretudo da zona da mata. “Impressionante como, mesmo desativadas, em falência ou com dívidas multimilionárias, estas Usinas são capazes de gerar muitos conflitos e de atuar de modo violento contra famílias camponesas”, afirma. O Movimento dos Traba-

O Balanço da CPT chama atenção também para a assinatura da MP 91

lhadores Rurais Sem Terra (MST), também avalia o cenário como bastante desolador. O Movimento viveu em 2019 dias de muita resistência para não perder o que já havia sido, conquistado, como é o caso emblemático do Assentamento Normandia, no agreste pernambucano. Mas, os riscos de despejos não pararam por ai, como também não foram evitados alguns despejos de territórios e famílias que já tinham tempo e construção física da vida em acampamentos. 2020, na avaliação do MST e da CPT, promete um ano desafiador como o que passou e que será necessário disposição, articulações e mobilizações sociais. O Balanço da CPT chama atenção também para a assinatura da MP 910 normatizando a legalização de terras públicas griladas na Amazônia Legal por latifundiários, bastando auto declaração de que já estão ocupando. A CPT

declara que “A meta anunciada pelo Governo é regularizar um total de 600 mil títulos até o ano de 2022. Está em curso, portanto, uma verdadeira legalização da grilagem de terra na Amazônia Legal ou uma disfarçada e imoral anistia à apropriação ilegal de terras públicas”. Além dessas deliberações, outras tantas atingiram os povos do campo, como a liberação de 502 novos rótulos de agrotóxicos, muitos deles proibidos de serem vendidos nos países de origem e a autorização do porte de armas, de qualquer calibre, em toda extensão das fazendas. E a consequência não pode ser pior, o aumento da violência dos latifundiários no campo, em especial na fronteira agrícola, para disputa de terras. A CPT) registrou aumento dos conflitos durante 2019 e a ocorrência de 29 assassinatos de lideranças, incluindo indígenas e quilombolas.

Matheus Alves etembro marcou com o emblemático caso do S Centro de Formação Paulo Freire, no Assentamento Normandia, em Caruaru. O juiz federal Tia-

go Antunes de Aguiar, da 24ª Vara Federal, em Caruaru, determinou a reintegração de posse de área de 15 hectares dentro do Assentamento Normandia, que fica na zona rural da cidade. A área em litígio está há 20 anos sob gestão de uma Associação de assentados e sedia um dos mais reconhecidos centros de formação e capacitação de camponeses do estado. Quem pede reintegração de posse é o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que não aceita a relação de confiança entre assentados e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Depois de muita mobilização de diversas organizações e partidos, além de um acampamento permanente no local, a justiça aceitou uma nova negociação, que está em curso até o momento.

Acampamento

os camponeses atravessaram 2019 sem motivos para comemorar

ambém em meados de setembro, foi a vez de ser T concretizado a reintegração de posse do Acamo final do mês de outubro cerca de 80 famílias pamento Margarida Alves, que ficava na zona ruN que viviam no acampamento Beleza, no muniral de Moreno, na Região Metropolitana do Recife. cípio de Aliança, foram despejadas pela tropa de choA ação foi expedida pela 1ª Vara Cível de Moreno. O terreno estava ocupado há mais de 16 anos, o antigo Engenho Xixaim abrigava 55 famílias do MST, que viviam e produziam alimentos na área de cerca de 120 hectares. Na ocasião, foram destruídas escola, biblioteca, plantações e casas.

Gameleira m novembro, os mais de 800 moradores E do Assentamento São Gregório, o Alegre I e II, que fica em Gameleira, município da Mata Sul de Pernambuco, foram surpreendidos com uma liminar de ação de reintegração de posse. A ação foi pedida pela Usina Estreliana, antiga dona da terra e deferida pela 26ª Vara da Justiça Federal de Palmares. A área de mais de mil hectares é ocupada por mais de 100 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), desde 1995.

que, oficial de justiça e corpo de bombeiros. Segundo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a ação teve caráter truculento e destruiu todo o plantio dos trabalhadores e das trabalhadoras, além das casas das famílias. PH Reinaux


10 I CIDADES

Brasil de Fato PE

Recife, 10 a 16 de janeiro de 2020

Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias projeta expansão e novas ações em 2020 Divulgação

LEITURA. Expansão de políticas de incentivo em todo o país é um contraponto aos retrocessos e episódios de censura à leitura

criada a Frente Parlamentar Mista em Defesa do Livro, da Leitura e da Escrita, de iniciativa da deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e do senador Jean Paul Prates (PT-RN), que hoje conta com mais de 200 deputados e senadores. Em 2020, a rede pretende lançar seu primeiro curso na Plataforma de Ensino a Distância (EAD), na área do livro e da leitura. Outras ações previstas são campanhas de mobilização por políticas públicas voltadas ao livro, à leitura, educação e cultura, além da criação de conteúdos informativos sobre às políticas públicas e os direi-

Da Redação

Rede Nacional de A Bibliotecas Comunitárias (RNBC) encer-

rou 2019 com o crescimento de suas atividades. Desde 2015, a rede atua na formação de leitores, na democratização do acesso à leitura e à cultura literária, com foco nas políticas públicas do livro e da leitura que contemplem as bibliotecas comunitárias. Com mais de 113 bibliotecas em 22 munícipios nas regiões Norte, Nordeste, Sul e Sudeste, a rede atende um público médio de 23 mil pessoas, sendo que mais da metade é de crianças e jovens com até 18 anos. Um dos aspectos fundamentais para a expansão foi a participação em eventos literários pelo Brasil e outros países, como analisa Cleide Moura integrante do Conselho Gestor da RNBC “Em âmbito internacional, participamos da Feira do Livro de Havana, em Cuba, com integrantes da

Participação na Feira do Livro de Havana, em Cuba Divulgação

Rede Releitura em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco e a rede Beabah do Rio Grande do Sul, estivemos no evento Bibliotecas de Fronteira, que reuniu representantes do Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina, em Colon, Entre-Rios, Argentina. Foram eventos importantes para rompermos fronteiras e pontuar a luta de resistência da atuação das bibliotecas comunitárias do Brasil”. Outra avanço alcançado foi no campo do registro e divulgação das experiências das biblio-

tecas comunitárias com o lançamento de três publicações: O Brasil que Lê, sobre a pesquisa inédita do universo das bibliotecas comunitárias e os dois cadernos da Coleção Entre-Redes: “Percursos Formativos: Saberes das Bibliotecas Comunitárias”, sistematizando as práticas de Comunicação e Articulação. Apesar dos avanços internos , a rede também foi surpreendida com o simultâneo retrocesso nas políticas públicas do livro e da leitura este ano, com o

Participamos da Feira do Livro de Havana, em Cuba

Foi criada a Frente Parlamentar Mista em Defesa do Livro, da Leitura e da Escrita fim do Conselho Consultivo do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), além das ações de alerta ao crescimento das ações de censura em 2019, como o ocorrido na Bienal do Livro, no Rio de Janeiro, com episódios de perseguições a escritores e autores, e censura às temáticas voltadas às minorias sociais, como a sexualidade, gênero e religiões afro-brasileiras. Por outro lado, foi

tos humanos. Já para a expansão da sua presença no país, a rede prevê a criação de um rede de bibliotecas em Brasília, o que permitirá colocar a região Centro-Oeste, no mapa de atuação. Uma das perspectivas é chegar ao Sul da Bahia. “Resistiremos com livros nas mãos, formando novos leitores e com mais Bibliotecas Comunitárias espalhadas pelo país.” afirmou Cleide.


Brasil de Fato PE

ENTREVISTA l 11

Recife, 10 a 16 de janeiro de 2020

Há 30 anos a banda Devotos canta a realidade do bairro Alto Zé do Pinho, no Recife Michele Souza

MÚSICA. A Devotos tem uma carreira de 30 anos Daniel Lamir e Fátima Pereira

anibal é vocalista e C baixista da Devotos. A banda de punk rock har-

dcore que surgiu na década de 1980, possui sete discos de estúdio e sempre manteve a identidade de afirmação do bairro do Alto José do Pinho, da Cidade do Recife. Recentemente recebeu homenagem em sessão solene na Assembleia Legislativa de Pernambuco, ocorrida no mês de Agosto de 2019. Brasil de Fato (BdF): Como ocorreu o processo de surgimento/ criação da Devotos? Canibal: O começo da Devotos foi muito difícil. Nunca quis ter banda. Sempre participei do movimento Punk aqui do Recife. Eu gostava de fazer fanzine, gostava de participar das passeatas punks, gostava de reivindicar e organizava os eventos, a minha parada era essa. Mas um amigo me incentivava quase todo dia “forma tua banda”, e eu nunca quis ter banda. Mas teve o terceiro encontro antinuclear e a gente organizava pra tocar, e ele disse, “tu vai formar tua banda, o nome da banda é Devotos do Ódio e vocês vão tocar”. E a gente meio que formou a banda, mas foi louco porque a gente não tinha nem instrumento, e eu nunca tinha tocado um instrumento na minha vida. A primeira coisa que eu pensei foi “a gente não vai tocar cover”, já que a gente não sabe to-

Gostava de reivindicar e organizava os eventos, a minha parada era essa

qui de Recife, e ficaram comigo um tempo pra banda não ficar parada. Depois eu chamei Celo novamente, e encontrei Neilton e convidei ele pra tocar comigo. Celo eu conheço desde os 14 anos e Neilton desde os 05 anos, então a afinidade foi bem maior.

BdF: Mesmo após a fama, a identidade musical e política permaneceram. O que foi determinante pra que a banda mantivesse o car a gente faz as nossas mesmo perfil ao lonpróprias músicas porque go desses mais de 30 ninguém vai dizer que tá anos? errado. Tínhamos outro vocalista, ele passou qua- Canibal: A Devotos surse seis meses ensaian- giu para mudar um quado com a gente, na sema- dro social dentro da cona do show ele disse que munidade, que é o Alto não ia cantar, como eu fa- José do Pinho, a ideia era zia as músicas eu pensei essa. Por isso que a gen“não vai dar tempo de ar- te não pensava em fama, rumar outro vocalista, eu pensava no que estava vou cantar” e estou até acontecendo ali no Alto hoje. Passamos nove anos José do Pinho. Todo aquenessa história de ir tocar e le inconformismo como o voltar sem ganhar nada. saneamento, inseguranSão 30 anos eu, Celo e o ça, criminalidade, a míNeilton juntos. A banda já dia sensacionalista semteve outra formação, que pre colocava a comunicomeçou com Celo tam- dade nas páginas polibém, mas ele saiu da ban- ciais e a gente via que o da e entraram outros dois Alto não era tão perigomúsicos que eram mem- so assim, eles tinham era bros do SS-20, a primeira um meio de ganhar muibanda de punk rock da- ta grana com isso, com a miséria. Acho que você

A Devotos surgiu para mudar um quadro social dentro da comunidade, que é o Alto José do Pinho tem que reivindicar as melhorias sociais da forma que você se sente melhor e não apenas se engajar numa coisa que você não se identifica e a gente se identificava com a música. A baixa autoestima era muito forte na comunidade, a comunidade não se pertencia, não se via dentro dela mesma e a gente começou a tratar disso nas nossas músicas. No começo era uma coisa de raiva, de ódio, era mais falar mal do que se tinha. Depois de um tempo, ouvindo outras pessoas, um amigo nosso chamado Carlos Freitas disse “o som de vocês é massa, tua letra é muito boa, mas se liga que vocês são do subúrbio e vocês tem que dar esperança pra aquela galera”, então a gente começou a falar daquele mal-estar que se tinha dentro da comunidade perante o governo de uma forma diferente, escrever coisas diferentes e até hoje é assim. Os problemas ainda existem, mas a autoestima da comunidade mudou, O Alto José do Pinho hoje é visto pela cultura que se tem, pelos vários projetos sociais que se tem e não pela criminalidade, como era naquela época.

BdF: Recentemente o Devotos tocou num lugar um pouco inusitado, numa sessão solene, como foi esse momento? Canibal: Por tudo aquilo que a gente conquistou no Alto José do Pinho de conseguir tirar das páginas policiais e colocar nas páginas culturais, fazer com que a sociedade subisse o Alto pra ver os caboclinhos, pra ver o Maracatu Estrela Brilhante, pra ver o afoxé e toda a efervescência cultural, o deputado Isaltino Nascimento (PSB) resolveu fazer uma homenagem ao Devotos e teve a ideia de a gente tocar na Câmara para além da homenagem e foi aberto ao público. Foi surreal e muito gratificante, por que tem um separatismo muito grande, mas ali também é um lugar para a gente ocupar. BdF: Na comunicação, na forma de expressão musical, qual o equilíbrio entre anunciar e denunciar? Canibal: Na mídia é praticamente impossível isso. Ter o discernimento do que é verdade ou mentira é necessário. O que eu vejo e que eu aprovo é você mostrar as duas verdades que acontecem, dentro da periferia, por exemplo, mostrar as coisas boas e ruins que estão acontecendo. Essa mídia que tem hoje é muito fake, se ganhou uma eleição mentido, isso é muito perigoso.as com deficiência não conseguem andar na cidade porque ela não é acessível? eles continuam na margem. Como Jesus fez com os marginais do seu tempo um gesto de acolhida e inclusão, ele também nos traria essa mensagem.


12 |CULTURA

Recife, 10 a 16 de janeiro de 2020

Brasil de Fato PE

Qual é o Bairro?

Foto legenda

Reprodução

O Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) lançará dia no 25 de janeiro um projeto que tem a meta de de plantar no Brasil 100 milhões de árvores em 10 anos.

Foto: Jorge Araújo

Agenda Cultural

Divulgação

Traga a vasilha

N

esta sexta (10), acontece mais uma edição do Traga a Vasilha, uma reunião de batuqueiros de nações de maracatu e grupos percussivos da região metropolitana do Recife, onde qualquer pessoa pode participar. Essa edição acontece a partir das 23h na Mariz e Barros, em frente ao Armazém 14, no Bairro do Recife. O evento é gratuito.

Divulgação

O Futuro é Coletivo o domingo (12), a coN munidade de Palha de Arroz recebe a ação colabora-

tiva O Futuro é Coletivo, com uma dia de coleta de doações, sorteios, brincadeiras, oficinas e feira cultural. Se apresentam também Flaira Ferro, O Arrete e DJ Random. O evento é gratuito, vai das 9h ás 17h e acontece na Rua Profº José dos Anjos, nº 4100, ao lado da Ecoestação do Arruda.

Reprodução

Encontro de Batuques esse domingo, o ConN gobloco e o Batadoni se reúnem no Encontro

de Batuques, em comemoração aos 15 anos dos dois grupos de maracatu. A partir das 16h os grupos começam a se apresentar no Casarão do Nação Pernambuco, que fica na Av. Liberdade, s/n, Carmo, Olinda. O evento é gratuito.

Arruda

o início do século XX, o atual bairN ro do Arruda, na zona norte do Recife, era conhecido como Estrada Nova e,

até a chegada das primeiras locomotivas, conhecidas como maxabombas, era um lugar sem muita estrutura. Foi por causa das maxambombas que o imigrante português Manuel Inácio de Arruda, o “seu Arruda”, instalou um quitanda na Estrada Nova, logo transformada em mercearia, para atender aos então moradores do bairro. Tornou-se tão conhecido que o nome do antigo bairro mudou para o sobrenome do negociante português: Arruda. A partir aí, mais comerciantes foram surgindo e uma feira livre semanal surgiu ao lado de onde hoje fica o estádio do Santa Cruz Futebol Clube, que é uma das principais atrações turísticas do bairro. O local também já foi palco de muitas manifestações culturais, como o Teatro do Melado, que apresentava dramas, fandangos, pastoris e muitos circos a céu aberto. O bairro também ficou muito conhecido pela preferência de seu povo pelas festas em homenagem ao orixá Xangô, dada a quantidade de terreiros de religiões de matriz africana no bairro. Da década de 1920 até a de 1960 o bairro teve uma grande concentração de casas, estabelecimentos comerciais e inúmeras modificações, mas a sua infra-estrutura urbana apresentava problemas comuns à maioria dos bairros recifenses no que diz respeito à necessidade de ruas asfaltadas e de saneamento, problemas constantes e estruturais por toda a cidade. Hoje, vivem cerca de 14.530 habitantes no bairro, sendo 58,28% autodeclarada negra e as famílias com renda média mensal de R$ 2.234,83.


Brasil de Fato PE

Variedades l 13

CULTURA | 13

Recife, 10 a 16 de janeiro de 2020

Arquimedes Santos / PMO

Quase Carnaval:

Confira a agenda de prévias de janeiro em Recife e Olinda FESTA. Prévias já animam finais de semana Vanessa Gonzaga

pós as festas de fim A de ano, o próximo feriado é o Carnaval. Nes-

te ano, a data cai no fim de fevereiro, mas diversas troças, clubes e blocos já vem organizando prévias para esquentar os motores para uma das festas mais populares do estado. O Brasil de Fato Pernambuco fez uma agenda com as prévias de vários blocos de Recife e Olinda que acontecem neste mês com opções para todos os bolsos. Confira:

11 DE JANEIRO (SÁBADO)

Se Eu Flopar Me Beija Horário: 14h Local: Recanto do Ingá (Av. Manoel Borba, 745, Carmo – Olinda) Preço: R$5 com a camisa e R$ 10 sem, vendas no local do evento

Bodega de Véio Horário: 15h Local: Bodega de Véio (Av. Rio Branco, 162 - Recife) Preço: As camisas custam estarão á venda por R$ 40. R$ 50, à venda na Bodega de Véio Sombatuki - Ensaio de rua Horário: 14h30 Local: Praça da Maxambomba (Av. Sigismundo Gonçalves, Varadouro, Olinda.) Entrada Gratuita

12 DE JANEIRO (DOMINGO)

17 DE JANEIRO (SEXTA) Baile Amantes de Glória Horário: 13h Local: Clube Atlântico de Olinda (Av. Sigismundo Gonçalves,1002, Carmo, Olinda) Preço: R$60,00 (ingresso social) + 1kg de alimento não perecível. À venda pela internet

TCM Menino da Tarde Horário: 17h 18 DE JANEIRO Local: Bar do Peneira (Rua (SÁBADO) Prudente de Morais,167, Carmo, Olinda) Aniversário de 58 anos Entrada Gratuita do Bloco Ceroula Horário: 16h E Eu? Local: Praça do Fortim, Horário:15h Local: Rua da Feira, s/n, Olinda Preço: R$ 50 (lote promobairro da Várzea cional), à venda pela interPreço: Gratuito net Patusco Baile Vermelho e Verde Horário: 16h Local: Rua Santa Tereza, - Trinca de Às Horário: 20h 143, Santa Tereza, Olinda Local: Manny Deck ( Rua Preço: Gratuito do Sol,468 - Carmo) Pitombeira dos Quatro Preço: R$40,00 à venda pela internet Cantos Horário: 13h Local: Rua 27 de Janeiro, Bailão Brilhoso - Bloco Bumba Meu Bowie 128 - Carmo, Olinda Preço: Gratuito. As camisas Horário: 22h

Local: Sinspire (Rua da Guia,237, Bairro do Recife) Preço: R$30,00 à venda pela internet e R$40,00 no dia da festa. Hoje a Mangueira Entra Horário: 17h Local: Clube Atlântico de Olinda (Av. Sigismundo Gonçalves,1002, Carmo, Olinda) Preço: R$ 90, à venda pela internet

24 DE JANEIRO (SEXTA) Segura a Seringa Horário: A definir Local: Classic Hall - Av. Gov. Agamenon Magalhães, Olinda Preço: A definir, mas os ingressos serão vendidos pela internet. Mulher na Vara Horário: 21h Local: Clube Atlântico

de Olinda (Av. Sigismundo Gonçalves,1002, Carmo, Olinda) Preço: R$60,00 (ingresso social) e R$90,00 a inteira

25 DE JANEIRO (SÁBADO) Baile da Macuca Horário: 19h Local: Catamaran Tours - Cais das Cinco Pontas, S/N, Recife Preço: R$ 100, à venda pela internet

31 DE JANEIRO (SEXTA) Bloco da Gia Horário: 15h Local: a definir Preço: R$50,00 V Luiz Fabiano/PMO

Ensaios de Carnaval Horário: 19h Local: Sede do Galo da Madrugada (Rua da Concórdia, 984, bairro de São José) Preço: R$ 50, R$ 25 (meia) e R$ 250 (mesa para quatro pessoas), à venda na Sede do Galo da Madrugada

As Filhas de Betha Horário: 16h Local: Casa de Bamba (Rua Quarenta e Oito, 489, Espinheiro, Recife) Preço: R$ 20, à venda pela internet


14 | VARIEDADES

Brasil de Fato PE

Recife, 10 a 16 de janeiro de 2020

HORÓSCOPO 10 a 16 de janeiro de 2020 ️ÁRIES - 21/03 a 19/04 Não se sinta sozinho(a) e procure manter um bom espírito. Mesmo que a conjuntura esteja estranha ainda há esperança TOURO-20/04 a 20/05 Faça primeiro o que é prioritário. Se tiver em dúvida, olha a sua volta. A realidade deve ser seu primeiro filtro. GÊMEOS - 21/05 a 21/06 O momento é de profundidade. Procure descobrir o que você realmente deseja e haja de acordo com isto. CÂNCER -22/06 a 22/07 Seu poder de realização está grande. Mesmo pequenas ações podem somar para o objetivo final. Saia da inércia e use o drama. LEÃO - 23/07 a 22/08 Para que o espetáculo aconteça organize, primeiro, os bastidores. Para não se irritar, coloque-se no lugar do outro. VIRGEM - 23/08 a 22/09 Às vezes, a resposta que queremos está nos lugares mais inusitados. Não seja sectário e cultive a paciência. LIBRA -23/09 a 22/10 Nosso poder de criação pode transformar qualquer situação. A amorosidade é uma necessidade, nos ajude nisso. ESCORPIÃO - 23/10 a 21/11 Guarde todas as pedras que encontrar no caminho, se não for construir um castelo, pelo menos você terá munição. SAGITÁRIO - 22/11 a 21/12 Cuide bem do seu espírito e também de sua mente. Uma questão importante é ter cuidado com o abismo entre o falar e o agir. CAPRICÓRNIO - 22/12 a 19/01 Aproveite o momento que o Universo constrói pra você. Não fique na nostalgia. Projete-se para o futuro que começa agora. AQUÁRIO - 20/01 a 18/02 Cuidado com o espontaneísmo, o utilize com responsabilidade. Busque a verdade em qualquer ação ajude quando necessário. PEIXES - 19/02 a 20/03 O mundo muda quando entendemos nossa missão. E para isso é necessário saber exatamente como agir. Olhe pra dentro e pra fora.

Amiga da Saúde Por que a mulher demora muito pra atingir o orgasmo na relação sexual? Antônio Augusto, 54 anos, motorista.

em todas as mulheres demoram para a atingir o orgasmo. N Na verdade, a mulher pode ter orgasmo rapidamente, se tiver estimulação correta. O que ocorre é que muitas pessoas es-

peram que o orgasmo feminino virá somente com a penetração vaginal. E esse é o problema, pois 85% das mulheres precisam de estimulação direta do clitóris para chegar ao orgasmo. Essa estimulação pode ser feita manualmente junto com a penetração ou de qualquer outra forma, como o sexo oral, com uso do vibrador, etc. Importante lubrificar bem o clitóris antes de tocá-lo, pois ele é muito sensível e se estiver seco pode incomodar e até machucar.

Mande sua dúvida: amigadasaude@brasildefato.com.br

Nossa cozinha

Doce de Jaca em calda INGREDIENTES: 1 jaca pequena 4 xícaras de chá de açúcar 2 limões 2 doses de cachaça Cravo a gosto

MODO DE PREPARO Abrir a jaca ao meio, separar os gomos e retirar as sementes. Colocar o açúcar em uma panela, levar ao fogo, sem parar de mexer, por 15 minutos, ou até dourar o açúcar. Despeje a cachaça sobre o açúcar, mexa até o açúcar dissolver e formar uma espuma grossa, acrescente a jaca, os cravos e a raspa de um limão. Misture bem e acrescente 5 xícaras de chá de água e deixe cozinhar por 20 min Desligar o fogo e acrescentar a raspa de 1 limão. Esperar esfriar e colocar em uma compoteira. Queijo e creme de leite são bons acompanhamentos!


Brasil de Fato PE

ESPORTES |15

Recife, 10 a 16 de janeiro de 2020

Copinha: confira o desempenho dos times pernambucanos Cristiano Fukuyama

FUTEBOL. Campeonato é a maior competição de times masculinos no sub-20 do Brasil

Divulgação

Neste ano, dos 127 times que estão na disputa, cinco são pernambucanos

Vanessa Gonzaga

S

empre no início do ano, um do campeonatos que movimenta o futebol brasileiro e projeta jogadores dos times de base é a Copa São Paulo de Futebol, a Copinha. Realizada desde 1969, o torneio que recebia apenas times paulistas cresceu e atualmente recebe times de todo o Brasil e também de outros países, como já aconteceu times argentinos, uruguaios, japoneses e chi-

neses. Neste ano, dos 127 times que estão na disputa, cinco são pernambucanos: Sport, Santa Cruz, Náutico e os estreantes Retrô e Petrolina. Entre os veteranos, o Santa foi o que mais esteve na Copinha, em 24 edições, seguido do Sport, com 18, e por último o Náutico, com 14 participações. Dos três, o que fez a me-

PAPO ESPORTIVO|

lhor campanha até hoje foi o Sport, que em 2016 conseguiu chegar até as quartas de final, mas foi eliminado pelo Corinthians. Ainda na fase de grupos, o campeonato está morno. O Náutico lidera o grupo 20, com quatro pontos, assim como o Sport, que também lidera o grupo 28, o que garante a ida para a segunda fase, onde dis-

putarão com o Criciúma e o Audax, respectivamente. O Santa cruz, que goleou o Guarulhos por 4x0 garantiu o passaporte para a segunda fase ainda na segunda feira. Agora, a disputa segue com o Flamengo de São Paulo. Para os iniciantes, a situação não é tão boa. O Petrolina disputou sua última partida nessa quarta (8) contra o

União Rondonópolis. As duas equipes já não tinham chance de classificação para a etapa seguinte. No grupo, se classificaram o Palmeiras e Ferroviária. O Retrô, com a derrota para o Francana, viu a classificação um pouco mais distante. O que pode mudar a situação é uma combinação de resultados, já que o Corinthians precisa vencer o Francana e o Retrô vencer por um placar elástico o Fluminense.

Crise financeira: Vasco entre a cruz e a espada Reprodução / Twitter

Luiz Ferreira, do RJ

torcedor do Vasco O encerrou o ano de 2019 com uma peque-

na ponta de esperança. O time conseguiu se recuperar no Brasileirão e chegou até a sonhar com uma vaga na Libertadores, mas perdeu fôlego na reta final e acabou mesmo se classificando para a Copa Sul-Americana. Ótimo desempenho para quem era apontado como candidato ao rebaixamento não tem muito tempo. O grande problema, no entanto, está fora dos gramados. A situação financeira do clube beira o desespero. Jogadores importantes na tempo-

Presidente Alexandre Campello e Luciano Hang se encontraram mais de uma vez para acertar o patrocínio da Havan para o Vasco

rada passada já afirmaram que só permanecem no Vasco se os salários atrasados forem pagos. Essa situação financeira caótica levou a diretoria do Vasco a buscar patrocinadores para injetar dinheiro no clu-

be. E no final de dezembro de 2019, o presidente Alexandre Campello anunciou que estava em negociações com Luciano Hang, dono da Havan, para uma possível parceria. O valor do acordo ainda não foi revelado e a ideia é que a

cadeia de loja de departamentos exponha sua marca nas mangas da camisa de jogo, numa placa de publicidade em São Januário e em outra no Centro de Treinamento. A grande questão aqui é o posicionamento político de Luciano Hang, defensor assumido do presidente Jair Bolsonaro e propagador da ideia de que questões importantes como racismo, machismo, homofobia e desigualdade social não passam de “mimimi”, postura completamente contrária ao que o Club de Regatas Vasco da Gama defendeu (e defende) ao longo de 122 anos de história.

Vale lembrar que o Gigante da Colina foi um dos pioneiros na luta contra a discriminação racial no esporte. O episódio conhecido como “Resposta Histórica” (no qual o clube peitou a organização do Campeonato Carioca nos anos 1920 por conta da escalação de jogadores negros pelo time de São Januário) é exaltado pela sua torcida como um verdadeiro título, um marco importantíssimo na trajetória da instituição. É claro que o futebol também é regido por relações econômicas. Mas até que ponto vale abrir mão dos seus princípios por causa de dinheiro?


16 | ESPECIAL

Brasil de Fato PE

Recife, 10 a 16 de janeiro de 2020

GOL DE PLACA

NA GERAL Clive Brunskill

Solidariedade

Anderson Stevens/Sport

Reforços

AFP

Copa Bienal

a próxima quarta (15), presidente da Fifa, N tenistas como Roger om o desafio de comO Gianni Infantino, vem Federer, Rafael Nadal e Se- Cpetir na Série A do cogitando fazer a Copa do rena Williams vão se unir Brasileirão neste ano, o para uma série de jogos em Melbourne, na Austrália, para arrecadar fundos que ajudem no combate aos incêndios na Austrália, que acontecem desde setembro de 2019. As partidas serão disputadas na Rod Laver Arena, principal palco do Aberto da Austrália, que nessa época do ano concentra uma grande quantidade de campeonatos da modalidade.

Sport vem contratando reforços. A última confirmação é o volante Rithely, que retorna ao clube depois de ter passado pelo Internacional. Outros nomes confirmados na última semana foram Danilo Barcelos, lateral esquerdo que vem do Vasco; e os atacantes Leandro Barcia, vindo do Goiás e Marquinhos, que saiu do Corinthians.

Mundo feminina a cada dois anos. A ideia foi dada pelo presidente da Federação Francesa de Futebol e é vista com bons olhos por Infantino. De acordo com o dirigente, seria uma forma de impulsionar o futebol feminino ainda mais. Enquanto a frequência não muda, o que se sabe é que a próxima Copa contará com 32 seleções, oito a mais do que a última edição.

LEIA e SIGA

Desabafo

a última semana, N a jornalista Jessica Senra viralizou nas redes

Luiz Alberto

após se pronunciar sobre a contratação do goleiro Bruno, condenado por feminícidio contra a mãe do seu filho, Elisa Samudio, pelo Fluminense de Feira de Santana. Para Jessica, “Contratar para um time de futebol um assassino é um desrespeito contra nós mulheres”. A jornalista explicou que acredita na ressocialização de ex-presidiários, mas condenou a postura do Fluminense, que elevou o goleiro categoria de ídolo,

GOL

CONTRA Calote

Fernando Soutello

Vasco está impedido de O inscrever jogadores pelos próximos seis meses. Isto

porque o Cruz-Maltino não cumpriu o acordo de pagar uma dívida de aproximadamente R$ 1 milhão com o atacante Jorge Henrique, que esteve no time até 2016 e atualmente joga pelo Náutico. A data limite para o pagamento era em dezembro, quando o time programou o pagamento, mas não confirmou. Enquanto o Vasco não tiver solucionado a pendência, terá bloqueado o acesso ao sistema de registro de atletas

Profile for Brasil de Fato Pernambuco

BdF PE - Ed. 115  

Confira a edição 115 do Brasil de Fato Pernambuco

BdF PE - Ed. 115  

Confira a edição 115 do Brasil de Fato Pernambuco

Advertisement