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NORDESTE |8

Mulheres

Silvério Pessoa Cantor pernambucano mistura de ritmos da cultura popular em sua obra

Divulgação

Agricultoras constroem referência em agroecologia no Semiárido

ENTREVISTA | 11

Pernambuco

Recife, 13 a 19 de julho de 2018

ano 2

edição 66

distribuição gratuita

Trabalhadores marcham em defesa da democracia e por Lula Livre

OPINIÃO | 05

Aristóteles Cardona PE tem alto índice de jovens vítimas de violência

CULTURA |1 3

Fenearte

Feira traz legado da cultura de Pernambuco

Arquivo MST

VARIENDADES|14

Ciência

Vitamina C previne gripes e resfriados?


2 | OPINIÃO

Brasil de Fato PE

Recife, 13 a 19 de julho de 2018

EDITORIAL

As pontes da liberdade LUTA. A liberdade de Lula nascerá da construção de força e identidade entre a classe trabalhadora em cada canto onde os efeitos do golpe se fazem sentir

O

ano era 1972, em plena ditadura e no auge da repressão e tortura praticadas pelo regime. Em homenagem à resistência e a todos aqueles que enfrentavam as prisões da ditadura, o cantor Paulo César Pinheiro compunha os seguintes versos: “Você vem me agarra, alguém vem me solta / Você vai na marra, ela um dia volta / E se a força é tua ela um dia é nossa / Olha o muro, olha a ponte, olhe o dia de ontem chegando / Que medo você tem de nós, olha aí”. Naqueles anos, sob impacto do AI5, as organizações que ousaram levantar-se contra o regime eram encarceradas e torturadas, intelectuais eram exilados, artistas eram censurados. A letra de Paulo César, contudo, passou desapercebida pela censura. Meses depois o grupo MPB4 incluía a música no LP “Cicatrizes”.

Não se pode aprisionar nossos sonhos Boa lembrança nos tempos de hoje. Vivemos um novo golpe que agora veio com um roteiro pré-estabelecido pelos interesses das grandes corporações internacionais: em primeiro lugar, interromper o curso dos governos cuja meta era o desenvolvimento econômico com distribuição de renda, passo dado com a deposição da presidenta Dilma; o segundo objetivo era o desmonte dos direitos e do patrimônio estatal, objetivo que anda a pas-

sos largos nos últimos dois anos e cujas medidas já se fazem sentir fortemente no nível de vida das massas trabalhadoras. Mais político que econômico, o terceiro objetivo é o ponto fraco dos inimigos do povo, pois trata-se novamente do impraticável alvo de calar nossos sonhos. Por isso a maior liderança popular e único candidato com mais de 30% em todas as pesquisas é mantido encarcerado. Acreditavam que mantendo Lula preso conseguiriam arrefecer o descontentamento com a barbárie e varrer a esquerda do cenário político-eleitoral. No último domingo o autoritarismo de toga foi pego de surpresa por um desembargador convencido a cumprir a constituição federal e conceder o habeas corpus à Lula! É evidente que a burocracia sub-

Expediente Brasil de Fato PE O jornal Brasil de Fato circula em todo o país, com edições regionais em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Pernambuco. O Brasil de Fato PE circula quinzenalmente às sextas feiras. Queremos contribuir no debate de ideias e na análise dos fatos do ponto de vista da necessidade de mudanças sociais.

REDE SOCIAL: facebook.com/brasildefatopernambuco Correio: pautape@brasildefato.com.br

Edição: Monyse Ravenna (DRT/CE 1032) | Redação: Catarina de Angola, Daniel Lamir, Rani de Mendonça, Vanessa Gonzaga e Vinícius Sobreira. | Revisão ortográfica: Júlia Garcia Colaboração: André Barreto, Filipe Spencer, Francisco Marcelo, Halina Cavalcanti, Stella Nascimento, Roberto Efrem Filho, Bianca Almeida. Distribuição e Administração:Iyalê Tahyrine| Diagramação: Diva Braga Conselho editorial: Conselho editorial: Alexandre Henrique Bezerra Pires, Ana Gusmão, André Barreto, Aristóteles Cardona Jr., Bruno Ribeiro, Carlos Veras, Catarina de Angola, Doriel Saturnino de Barros, Eduardo Mara, Geraldo Soares, Henrique Gomes, Itamar Lages, Jaime Amorim, José Carlos de Oliveira, José Fernando de Melo, Fernando Lima, Laila Costa, Lívia Milena, Luiz Antonio da Silva Filho, Luiz Antonio Lourenzon, Marcela Vieira Freire, Marcelo Barros, Margareth Albuquerque (in memorian), Marluce Melo, Paulette Cavalcante, Paulo de Souza Bezerra, Paulo Mansan, Pedro Rafael Lapa, Roberto Efrem Filho, Rogério Almeida, Rosa Sampaio, Sérgio Goiana, Suzineide Rodrigues, Valmir Assis. Tiragem: 20 mil Exemplares

missa bem representada por Sérgio Moro mobilizou-se como um partido altamente centralizado para impedir que isso acontecesse. A liberdade de Lula virá de algo ainda mais imprevisível do que a letra do poeta. Nascerá da construção de força e identidade entre a classe trabalhadora em cada canto onde os efeitos do golpe se fazem sentir. Trata-se de uma construção mais lenta e paciente e, por isso mesmo, mais afinada ao exemplo do próprio Lula. Essa é a ousadia do MST e da Frente Brasil Popular em marchar novamente pelo território nacional, conversando com a população, ouvindo os problemas do povo, organizando gente para encontrar soluções e, a partir disso, transformar a aprovação de Lula em um forte movimento de mudanças do país. Em Pernambuco a mar-

Essa é a ousadia do MST e da Frente Brasil Popular em marchar cha sai da cidade de Caruaru no próximo dia 16 e percorrerá outras cinco cidades até a chegada na capital do Recife no dia 20 de julho. Os inimigos do povo ainda não entenderam o recado de Lula: não se pode aprisionar nossos sonhos. Em cada lutador do povo nossos sonhos podem dizer, como o próprio Lula: olha eu aí de novo! CHARGE


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FRASE da semana

GERAL l 3

mandou

BEM

Divulgação

Agência Brasil

Lula não é um preso. Lula, hoje, é um sequestrado Eugênio Aragão, jurista e ex-ministro da Justiça.

Para qual seleção vai a sua torcida nessa final?

Mais educação Até o dia 24 deste mês esA tão abertas as matrículas para a modalidade de Educação

de Jovens e Adultos (EJA). São 40 mil vagas em 391 escolas em todo o estado de Pernambuco. Qualquer pessoa acima de 18 anos e que não tenha concluído o ensino médio pode se matricular. Para isso, é necessário se dirigir até a escola onde deseja estudar com a documentação necessária. As aulas já iniciam no dia 25 de julho e podem ser à noite ou em outros turnos, caso haja demanda e estrutura disponível.

mandou

MAL

Reprodução

stá difícil torcer para alguma seE leção nessa Copa do Mundo que virou Eurocopa na reta final. Não po-

dendo ignorar os posicionamentos individuais de jogadores e preparadores físicos em alguns jogos (enaltecendo o fascismo ucraniano e fazendo referências neonazistas), não dá pra torcer pela Croácia. Ainda mais num momento em que o fantasma da intolerância e da xenofobia paira sobre todos nós. Por outro lado, a jovem seleção francesa, é o retrato da colonização europeia na África. Vencer essa copa pode não exatamente mudar a vida dos imigrantes na França, mas pode levantar essa bandeira (ou não). Então, vai França! Fascistas, não passarão! Miléia Almeida, professora.

Superlotação carcerária m visita a duas unidades E da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase)

em Caruaru e Recife, Luis Pederneira Reyna, da Organização Mundial de Prevenção e Combate à Tortura (OMCT), vinculada à ONU, apontou a superlotação nas casas e a falta de atividades socioeducativas. No Recife, a casa construída para abrigar 20 pessoas hoje abriga 39. O relatório feito com base nas visitas deve ser entregue à Polícia Militar e ao governo do estado, para discutir formas de diminuir o problema e apurar denúncias de maus tratos.


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4 ||Mundo GERAL

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Congresso do Povo Pernambucano Congresso do Povo com atividades do Sertão à Região Metropolitana do Recife Congresso do Povo em Pernambuco continua em inO tensa agenda de atividades. Com o objetivo de envolver cada vez mais a população no processo de discussão

sobre os rumos políticos do país, com participação ativa. Nesta sexta-feira (13), em Ouricuri, no Sertão do Araripe, acontece a Plenária Regional da Frente Brasil Popular, que tem a construção do Congresso do Povo e a luta por Lula Livre em sua pauta de discussão. A atividade acontecerá na sede do Sindicato de Trabalhadores/as Rurais do município, a partir das 8h. No sábado (14) é a vez do Agreste, em Arcoverde acontecerá a reunião do comitê, a partir das 10h, na Casa da Resistência, no Centro da cidade.

ESPAÇO SINDICAL Nova vitória da Federação Única dos Petroleiros m mais um episódio das lutas em defesa das riqueE zas do Brasil, petroleiros/as percorreram os gabinetes dos senadores desde a semana passada, alertando os parlamentares sobre os prejuízos que o Projeto de Lei de entrega do Pré-Sal causará ao País e à Petrobras. Com isso, conseguiram arrancar o compromisso do presidente da casa, o senador Eunício de Oliveira (MDB/CE), de não colocar o projeto em pauta antes do recesso parlamentar. O projeto previa que 70% do que a Petrobras exploraria no Pré-Sal seriam repassados a preços baxíssimos às concorrentes internacionais. A entrega do Pré-Sal havia sido aprovada na Câmara dos Deputados às pressas na quarta-feira dia 04. Os petroleiros consideram a batalha ganha, mas a luta continua.

Sindicalistas do Nordeste se reúnem no Recife Aproximadamente 400 sindicalistas cutistas de seis A estados do Nordeste participaram esta semana (10), no auditório do Sindsprev, de uma reunião interestadual

para traçar e se preparar para os desafios do próximo período. Foi discutida a Plataforma da CUT para as eleições deste ano, que é um instrumento com propostas da classe trabalhadora para a consolidação de parcerias no movimento sindical e social, o enraizamento das propostas e a intervenção efetiva nos rumos do país. O documento será entregue aos candidatos a cargos eletivos das eleições desse ano. Os representantes das CUTs do Nordeste e da direção da CUT nacional manifestaram-se ainda contra a prisão do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.

LINDA - Domingo (15) inicia O uma série de atividades no bairro de Peixinhos, em Olinda. Nesse dia

acontece a 3ª Oficina de Pesquisa Social para Avaliação dos Serviços de Atenção Básica, a partir das 9h. Na segunda (16), a atividade, que também debaterá o Congresso do Povo com o Grupo de Pressão Arterial, será às 14h. E na terça-feira (17), a partir das 14h, será a reunião do Comitê da Frente Brasil Popular de Peixinhos. Todas essas atividades de Olinda acontecem na sede do Grupo de Saúde Condor e Cabo Gato, localizada na Rua do Condor, 925, Peixinhos.

Direitos de Fato Direito ao adicional noturno na jornada de trabalho 12h por 36h esta semana, trazemos para debate o direito dos trabalhadoN res que laboram na jornada 12x36 (que são 12 horas de serviço por 36 horas de descanso – como é o caso dos profissionais da

saúde, vigilantes, dentre outros) a receber o adicional noturno sobre as horas de trabalho prestadas após as 5h da manhã. Situação semelhante foi recentemente analisada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), em relação a um grupo de vigilantes, representados por seu sindicato. Neste foi concedido o direito ao pagamento de adicional noturno, pois, embora a jornada não fosse apenas cumprida integralmente no período noturno, mas se prorrogava pela manhã. O TST considerou que a extensão do adicional era possível por se tratar de regime 12x36, que abrangia todo o turno da noite (esses vigilantes trabalhavam das 19h às 7h). O direito ao adicional sobre as horas de trabalho prestadas após as 5h se encontra fundamento na Súmula nº 60 do TST, que prevê que, se a jornada de trabalho for cumprida integralmente no período noturno e houver prorrogação, é devido o adicional noturno quanto às horas prorrogadas. Assim, com a decisão do TST acima referida, ficou garantida a aplicação desta súmula também aos trabalhadores que laboram no regime de jornada 12x36. Por fim, cabe lembrar que é previsto no Artigo nº 73 da CLT que esse adicional noturno é de 20% sobre o salário-hora, podendo ser previsto porcentagem maior em acordo ou convenção coletiva. * André Barreto é advogado trabalhista e membro da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD).

Para entrar em contato e tirar dúvidas mande um email para contato.pe@brasildefato.com.br ou um whattsapp para 8199060173


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Artigo

Artigo Pernambuco tem alto índice de jovens vítimas de violência

N

juventude, estando o estado de Pernambuco entre os cinco estados com maior taxa de mortalidade nesta faixa etária. São mais de 200 mortes para cada 100 mil jovens em um período de um ano. Assusta também o número de homicídios de mulheres, ficando o estado como o sétimo maior do Brasil. Os números não nos ajudam a identificar especificamente as mores por feminicídios, mas não é difícil imaginar que muitas delas já deviam sofrer com violências outras antes do desfecho de morte, como aponta o próprio relatório. O fato é que a sensação de insegurança é algo absolutamente presente no cotidiano da população pernambucana como um todo. Fechamos o ano de 2017 com 5.427 homicídios, o que nos leva a uma média de quase 15 mortes todos os dias naquele ano. Afora outras situações como altos índices de crimes violentos e estupros, por exemplo. Dada a realidade, muito dificilmente o tema da Segurança Pública deixará de ser pauta de destaque durante as próximas eleições. De antemão, precisamos cobrar muita responsabilidade com um tema tão complexo e tão cheio de variáveis. Se por um lado o governador Paulo Câmara tem se mostrado incapaz de lidar com nosso atual quadro, tampouco su oposição de direita, representada pela candidatura de Armando Monteiro, parece capaz de apresentar qualquer resposta efetiva ao povo pernambucano.

A sensação de insegurança da população brasileira fala por si dade do Estado de Pernambuco. E eles impressionam, dado todo o alarde feito em torno do Pacto pela Vida, programa criado ainda na gestão do ex-governador Eduardo Campos. Com destaque, o Atlas aponta para uma “consolidação da exaustão do programa Pacto pela Vida”, atentando para o fato de que houve uma redução nas taxas de homicídio em Pernambuco entre 2007 e 2013, mas com rápido crescimento posterior destas mortes, com 39,3% de aumento apenas nos últimos três anos. E dentro deste rápido crescimento de números relacionados à violência e letalidade, algo chama muito a atenção em um recorte que já fiz na última coluna: a mortalidade da

OMS retira as identidades trans e travesti do capítulo de transtornos mentais Sidney Vinícius Mamede* Ruz*

Aristóteles Cardona*

a coluna desta semana eu sigo comentando algumas questões relacionadas à segurança pública, aproveitando o recém-lançado Atlas da Violência de 2018. Porém, queria tratar um pouco mais dos números que retratam a reali-

OPINIÃO I 5

* é Médico de Família no Sertão pernambucano, professor da Univasf e militante da Frente Brasil Popular de Pernambuco.

m decisão histórica, após E 28 anos, a OMS retira da lista de transtornos mentais da Classificação Internacional de Doenças (CID), as identidades Trans e Travesti, e passa para “Condições relacionadas à saúde sexual”, na denominação de Incongruência de Gênero, que agora tem um capítulo específico. A alteração foi confirmada no dia 18 de junho e tem sido bastante comentada pela importância do passo. Contudo, é preciso avançar mais nos diálogos sobre despatologização e transgêneridade, fazendo uma leitura de entendimento sobre como os corpos trans são vulnerabilizados e violentados diariamente, principalmente na conjuntura pós golpe. Segundo a OMS, trata-se de “uma incongruência acentuada e persistente entre o sexo experimentado pelo indivíduo e o sexo atribuído”, e precisa continuar no CID para que hajam possibilidades de buscar os serviços de saúde para as readequações que o/a usuário/a achar necessárias. O argumento da organização baseia-se no fato de que alguns países se recusam a reembolsar o tratamento se o diagnóstico não estiver na lista, seja na esfera pública ou privada. No Brasil, desde novembro de 2013, foi instituída a portaria Nº 2.803 que redefine o processo transexualizador no Sistema Único de Saúde (SUS) e regulamenta de que maneira acontecem os processos. Mas os hospitais habilitados para o processo estão localizados nas capitais, o que

se torna um empecilho para a população trans dos interiores. Para o movimento LGBT, apesar da mudança tratar-se de um eufemismo, já que “Incongruência” reafirma de maneira indireta o corpo Cis enquanto padrão, é um avanço significante e deve sim ser comemorado por ter acontecido em um ano de conquistas importantes para a população Trans. Já existem alguns reconhecimentos formais, como o decreto instituído no governo da presidenta Dilma Rousseff, que dispõe sobre o uso do nome social no âmbito da administração pública federal direta, autárquica e funda-

A alteração foi confirmada no dia 18 de junho e tem sido bastante comentada pela importância do passo cional e a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de autorizar a mudança de prenome no registro civil. No entanto, é preciso que sejam pensadas ações afirmativas, tendo em vista a cidadania precária da população Trans e Travesti no Brasil. Homem Trans, Militante do Levante Popular da Juventude e Coletivo Lutas e Cores. Conselheiro Estadual LGBT.


6 | MUNDO

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No Brasil pós golpe, trabalhadores autônomos ganham 33% menos

PRECARIEDADE. Boletim do Dieese realça informações da Pnad; mulheres negras têm o menor rendimento absoluto Agência Brasil

Segundo dados da última Pnad, do IBGE, trabalhadores autônomos têm menor rendimento e menor proteção social

Cristiane Sampaio, Brasília (DF)

s brasileiros que se O tornaram trabalhadores autônomos – ou

seja, sem vínculos empregatícios – nos dois últimos anos tiveram rendimento médio cerca de 33% menor do que aqueles que estavam há mais tempo nesse tipo de ocupação. O dado é destaque de um boletim divulgado pelo Departamento Intersindical de Pesquisas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no dia 04.

O material tem como base dados da última Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (Pnad), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) em maio deste ano.Em 2017, cerca de 23 milhões de pessoas atuavam como autônomas, e, desse total, 5 milhões (23%) haviam aderido a esse tipo de trabalho há menos de dois anos, segundo informações da Pnad. A coordenadora de pesquisas do Dieese,

Patrícia Pelatieri, aponta que a renda menor desses trabalhadores está diretamente relacionada ao contexto de crise econômica, alto índice de desemprego e maior precarização do mercado. “Esse dado nos diz que, na verdade, nós não somos um país de empreendedores. Esse é um recurso pra [o trabalhador], num momento de crise, continuar tendo renda. O trabalho por conta própria nesses dois últimos anos é uma alternativa à falta do assalariamento”, analisa.

Desigualdades Outro dado relevante do boletim diz respeito às diferenças de renda por cor/raça e gênero entre os trabalhadores que se tornaram autônomos mais recentemente e os mais antigos. No intervalo entre o final de 2015 e o final de 2017, os autônomos recentes apresentaram rendimento menor em relação aos anteriores

As mulheres negras que estão entre os autônomos recentes têm o menor rendimento médio de todos os grupos em todas as categorias analisadas pelo IBGE, que são “homem negro”, “homem não negro”, “mulher negra” e “mulher não negra”. Entre essas categorias, as diferenças de renda entre os recentes e os antigos foram, respectivamente, de 21,9%; 31,2%; 16,3%; e 41,2% para menos. Considerando números absolutos, as mulheres negras que estão entre os autônomos recentes têm o menor rendimento médio de todos os grupos, de R$ 809. “Vemos, então, que aumentaram ainda mais as diferenças que sempre existiram no mercado de trabalho. Essa é a perversidade do nosso mercado”, critica Patrícia Pelatieri.

Proteção social

O terceiro destaque do boletim do Dieese aponta que os trabalhadores autônomos surgidos no contexto de crise se depararam com trabalhos com menor proteção social. O boletim ressalta que 77% deles não tinham CNPJ nem contribuíam para a Previdência Social no período analisado; menos de 9% possuíam CNPJ e faziam contribuição previdenciária; e cerca de 20% contribuíam para a Previdência, ainda que sem CNPJ. Patrícia Pelatieri destaca que os dados revelam uma mudança de rumo no caminho que o país vinha trilhando nos últimos dez anos, quando houve políticas específicas para inclusão previdenciária.

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MUNDOL | 7

Crise no Haiti expõe fracasso da “ajuda humanitária” dos EUA ao país caribenho

MOBILIZAÇÃO. Protestos contra o governo haitiano continuam, apesar da suspensão do aumento no preço dos combustíveis exigida pelo FMI Tereza Sobreira

Da Redação

entenas de pessoas C protestam no Haiti desde a sexta-feira (6)

contra o aumento nos preços da gasolina, do petróleo e do querosene. O aumento se deve a uma medida acordada em fevereiro entre o governo do país e o Fundo Monetário Internacional (FMI). A medida de “ajuste” exigida pelo FMI envolvia o aumento da gasolina em 38%, do diesel em 47% e da querosene em 51% - este último utilizado pela maioria dos haitianos para iluminação, pois não há eletricidade na maioria das casas. Esta decisão está relacionada a um acordo de “ajuda humanitária” entre o governo do Haiti e o FMI realizado sem o consentimento da população, como parte de um programa de ajustes cujo propósito era colocar um fim no subsídio aos produtos derivados do petróleo com o pretexto de reduzir o déficit no orçamento do governo e “estabilizar” a economia.

Os haitianos rechaçam as exigências do FMI para um acordo de “ajuda humanitária” que exige o fim dos subsídios aos derivados de petróleo

A maioria dos haitianos ainda vive na pobreza extrema Os protestos contra a medida foram imediatos porque o acesso ao combustível só é possível graças aos subsídios oferecidos pelo gover-

no. A maioria dos haitianos ainda vive na pobreza extrema, em um país com alto índice de desemprego e alta inflação.

Origem da dívida A

dívida do Haiti com o FMI começou após o terremoto de 2010, que causou a morte de mais de 200 mil pessoas e perdas materiais enormes, quando a organização financeira realizou um “empréstimo” de 114 milhões de dólares ao país caribenho, que deveria começar a ser devolvido após cinco anos e meio. A calamidade que atravessou o país também abriu a oportunidade para a “ajuda humanitária” da ONU, que passou a controlar o Haiti a partir da MINUSTAH, com a presença de 7 mil soldados e policiais. A intervenção estrangeira acabou se tornando uma fraude econômica porque enquanto o país seguia sofrendo as consequências do terremoto, os milhões de dólares de “ajuda humanitária” do FMI nunca chegaram à população. Quase 90% do financia-

mento foi parar na mão de organizações estrangeiras, entre elas, a Fundação Clinton. A dívida externa do Haiti está estimada em 890 milhões de dólares e entre os maiores credores estão, além do FMI, o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Na avaliação dos movimentos populares, é preciso manter a pressão para exigir a saída do presidente de Moïse e do primeiro-ministro haitiano, Jack Guy Lafontant. Além da pressão dos manifestantes, o governo enfrenta também uma cisão interna na base do governo, e alguns setores da burguesia comercial que dependem da importação de produtos da República Dominicana também exigem a saída do presidente por ter aumentado as taxas alfandegarias.

*Com informações da Telesur e da Alba Movimentos

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nenhum direito a menos


8 | NORDESTE

Brasil de Fato PE

Rec

Mulheres têm sido referência na pro

REFERÊNCIA. Rompendo os padrões e a violência, as mulheres têm conquis Vanessa Gonzaga, de Petrolina (PE)

Q

uando se fala em trabalho no campo, certamente se pensa no trabalho pesado dos trabalhadores para a aragem da terra, plantio, irrigação, colheita e todas as outras etapas até que o alimento chegue à mesa. O que muitas vezes não se imagina é o protagonismo das mulheres que trabalham no campo. Muitas mulheres trabalham na terra, plantando e criando animais, e no Semiárido há muitas experiências de mulheres que produzem agroecologicamente e são referência em suas comunidades. Uma delas é Pedrina Barbosa, que vive desde 2006 na comunidade de Sussuarana, no município de Juazeirinho, a 84 km de Campina Grande (PB). Quando chegou nas terras para produzir, a primeira dificuldade foi a falta de estrutura. Só havia um lago, que enchia no período de chuva e desaparecia durante a seca, o que era insuficiente. Pedrina fez até os próprios tijolos da casa onde vive com o companheiro João Barbosa e o filho Salvador Barbosa. Através de políticas sociais para a convivência com o Semiárido, como o Programa Um Milhão de Cisternas e o Programa Uma Terra e Duas Águas, a família hoje tem uma grande quantidade de água armazenada para a produção e consumo através de cisternas e barreiros, um tipo de contenção para água da chuva. Mesmo com a abundância de água para produzir nos 2,5 hectares, João

Barbosa trabalha como assalariado em fazendas da região. É ela quem cuida de toda a produção de feijão, milho, palma, abóbora, hortaliças e da criação de galinhas e ovelhas junto com o filho Salvador. A sabedoria de Pedrina a faz multiplicar a produção. A partir do Fundo Rotativo Solidário, uma espécie de poupança comunitária para adquirir máquinas, sementes e animais para os produtores, a agricultora recebeu 200 raquetes de palma, uma planta que serve de alimento para animais,

No Semiá muitas exp de mu que pro

Agricultoras intercambiam experiências no Semiárido

A relação entre as mulheres, o Semiárido e a Agroecologia tem rendido bons frutos

Agricultoras de Honduras, Guatemala e Nicarágua visitaram o Brasil

que em pouco tempo ela multiplicou para cerca de duas mil palmas. Mesmo com os seis anos de seca no semiárido, a produção é grande. Este ano a produção de feijão

foi tão grande que a sala de armazenamento ficou pequena e a casa da agricultora virou armazém. Além do feijão, a produção de milho impressiona. Para garantir mais lu-

cro, Pedrina também beneficia o milho crioulo e livre de agrotóxicos fazendo farinha de cuscuz, que é vendida na feira agroecológica da cidade. A relação entre as mulheres, o semiárido e a agroecologia tem rendido bons frutos. No Polo da Borborema, também no interior da Paraíba, a iniciativa das mulheres tem sido essencial para convencer suas famílias da importância da produção livre de transgênicos e agrotóxicos, não apenas para o consumo próprio, mas para a comercialização, garantindo a saúde e segurança de quem planta e também de quem consome. Além disso, as mulheres organizam há seis anos, no dia 8 de março, a Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia, que reúne cerca de cinco mil mulheres para se manifestar pelo fim da violência contra a mulher no campo e na cidade e pela igualdade de gênero na produção agroecológica, já que as mulheres partem do princípio de que a Agroecologia é um modo não ape-

Joelma Pereira produz de form agroecoló

Rosaura Días Felipe é agricultora da Guat


NORDESTE l 9

cife, 13 a 19 de julho de 2018

odução agroecológica no Semiárido

istado visibilidade na produção de alimentos.

árido há periências ulheres oduzem

ógica em Cumaru, Pernambuco.

temala

nas de produzir sem veneno ou sementes modificadas, mas de produzir sem reproduzir as desigualdades sociais que o agronegócio impõe no seu modo de funcionamento. Não é apenas no semiárido brasileiro que as mulheres têm dado seu exemplo de resistência ao machismo e ao agronegócio. A cidade de Chiquimula fica na Guatemala, numa região chamada de Corredor Seco, que se assemelha ao semiárido e está presente também em Honduras, El Salvador e Nicarágua. É lá que vive Ro s a u ra Días Felipe, que é agricultora e membra da Asociación de Mujeres Progresistas (AMOPROCAJ). Lá, com o Fondo de Contigência, um mecanismo parecido com o Fundo Rotativo Solidário em conjunto com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), as 164 mulheres associadas produzem hortaliças, revitalizam áreas com a produção a partir da agrofloresta e criam peixes. Rosaura foi uma das fundadoras da associação, que iniciou em 1999 com apenas 15 mulheres. “Decidi sair de casa aos 21 anos. Tinha três filhos e estava grávida de oito meses, mas não aguentava mais violência. Ao sair, vi que o mais difícil era conseguir dinheiro para viver. Passamos muita dificuldade, cheguei a pesar 40

quilos apenas, mas persisti e hoje meus filhos são independentes também”. Com o exemplo de Rousaura e outras mulheres que romperam o ciclo de violência e hoje chefiam suas famílias, a AMOPROCAJ tem sido uma ferramenta de organização das mulheres para superar a opressão e terem como se sustentar financeiramente. Também no Agreste pernambucano, a participação feminina na produção tem rendido boas experiências, como a de Joelma Pereira. Quando começaram a plantar, Joelma e seu companheiro Roberto Pereira, que são de Pedra Branca, em Cumaru, continuaram o que já faziam nas terras cedidas pelo pai dela, que era a plantação do milho e feijão, sem muitas perspectivas de crescimento e de diversificar a produção. Com a construção de duas cisternas, a vida mudou radicalmente. Aos poucos ela foi comprando mais hectares e produzindo uma maior diversidade de alimentos para o consumo humano e também para a venda in natura, além da beneficiada. Hoje a produção é tão grande que é preciso fazer mutirões de colheita ou contratar outras pessoas para ajudar nos cuidados. Numa área de cerca de sete hectares, ela planta palma, pinha, acerola, graviola, milho, sorgo e cria galinhas, gado, ovelhas, porcos e tem um apiário, mas, quer produzir ainda mais. Quando perguntada sobre a contribuição do marido, ela brinca “ a contribuição dele é na casa, co-

A produção de Joelma é escoada para municípios da região através da Associagro

zinhando, ajudando no beneficiamento e na feira. Da casa para fora cuido eu, ele não entende muito de agricultura não, aí a gente dividiu o trabalho assim”. A produção é escoada para municípios da região através da Associação de Agricultores e Agricultoras Agroecológicos do Município de Cumaru, a Associagro. Joelma também beneficia parte da produção fabricando licores, ricota, geléias, própolis, e fubá. A agricultora sonha com produzir ainda mais, garantindo a alimentação da família, o que é sua prioridade, e também continuar beneficiando e vendendo seus produtos mantendo o princípio agroecológico. Ela tem influenciado até o próprio pai, que com o êxito da filha vem iniciando a produção sem agrotóxicos e com sementes crioulas e aprendendo novas formas de viver na terra.“Ele achou no começo que não ia dar certo,

mas agora está vendo que é possível e que não precisa destruir a terra para que ela dê alimento”, diz. É rompendo com as imposições do papel da mulher no campo, dando autonomia financeira e garantindo a sua organização que as mulheres agricultoras têm enfrentado o agronegócio, dando exemplo de resistência não apenas na produção de alimentos saudáveis, mas também resistindo contra a violência e o machismo no meio rural, como ressalta Rosaura, que viajou mais de cinco mil quilômetros para notar as semelhanças entre a resistência feminina no Brasil e na Guatemala. “Isso significa que nós podemos e que precisamos ser respeitadas e que também temos o nosso lugar e que ele vem sendo conquistado com a luta”, afirma. *A repórter viajou a convite da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA). Fotos: Vanessa Gonzaga


CIDADES I 10

Brasil de Fato PE

Recife, 13 a 19 de julho de 2018

Trabalhadores sem terra marcham de Caruaru até Recife por Lula Livre

ATO. Além da Marcha, movimentos anunciaram na segunda-feira (09) grande ato dos trabalhadores e trabalhadoras para o dia 10 de agosto, nomeado “Dia do Basta”.

Malu Aquino

Agência JCMazella

Helena Dias Na tarde da última N segunda-feira (9), a Praça da Independên-

cia, no bairro de Santo Antônio foi palco para o lançamento de um calendário de luta para os meses de julho e agosto. A Marcha Lula Livre, organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e apoiada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), pela Frente Brasil Popular (FBP) e pelo Partido dos Trabalhadores (PT), fará uma trajetória do município de Caruaru, Agreste pernambucano, até à capital, com início nesta segunda-feira (16). Durante o percurso, vários municípios sediarão atos em defesa da democracia e da liberdade de Lula, conforme explica o dirigente do MST no Estado, Jaime Amorim. “Vamos fazer um grande arrastão em Pernambuco. Sairemos de Caruaru e chegaremos a Bezerros dia 16. Depois estaremos em Gravatá, Pombos, Vitória de Santo Antão, Bonança, Moreno e, por fim, no Recife, no dia 20. Arrastaremos para a Praça da Democracia (Praça do Derby), onde estamos convocando para o grande ato Lula Livre!”. Além da Marcha, os movimentos anunciaram grande ato dos trabalhadores e trabalhadoras para o dia 10 de agosto, nomeado “Dia do Basta”. Segundo o

A Praça da Independência, no bairro de Santo Antônio, foi palco para o lançamento de um calendário de luta

Durante o percurso, vários municípios sediarão atos em defesa da democracia e da liberdade de Lula presidente da CUT-PE, Paulo Rocha, haverá uma forte paralisação. “Não dá para a gente engolir as reformas trabalhista e da previdência, a Emenda Constitucional 95 que retira mais

de um bilhão da educação e, só em Recife, fechou 47 programas de saúde da família”, contou. Ainda, o presidente estadual do PT, Bruno

Ribeiro, anunciou o lançamento da candidatura de Lula à presidência da República para o dia 18 deste mês e reafirmou a importância das mobilizações lançadas ontem. “Lula é um persegui-

do político, perseguido pelo Judiciário. Não vamos continuar nas ruas pelo direito de Lula ser presidente, esse direito é nosso”, explanou para os presentes no lançamento.

Habeas Corpus A menos de noventa dias para as eleições deste ano e após o cerco à liA berdade de Lula protagonizado pelo Judiciário no último domingo (8), a agenda de luta se intensifica não só no calendário, mas no sentimento da-

queles que clamam por “Lula Livre”. Eu já vinha de todo jeito, mas depois de domingo deu um gás a mais para vir lutar, porque apesar de ter essa idade eu não posso compactuar com um País injusto que eu vou legar para os meus netos e bisnetos”, afirma a aposentada Auristela Castelo Branco, de 67 anos. Para a integrante do Levante Popular da Juventude, Isa Gabriela, não é diferente. “Ter a possibilidade dele (Lula) ser solto, eu acho que muda, né? Dá um fio de esperança por mais que a gente saiba que esse judiciário não quer atender ao nosso anseio, ao que esperávamos que acontecesse no domingo”. A integrante da coordenação estadual da FBP, Alessandra Maria, acredita que a Marcha Lula Livre e o Dia do Basta são culminâncias e expressam uma luta unitária e a retomada de fôlego para os próximos três meses. “Esses últimos períodos foram voltados para o olhar interno das organizações, aconteceram congressos e seminários, além das propostas de lutas coletivas que nos ajudaram e visualizar o todo. Existe o capital que é a nossa bandeira maior de enfrentamento”.


Brasil de Fato PE

ENTREVISTA l 11

Recife, 13 a 19 de julho de 2018

“O grande desafio é a cultura popular ser reconhecida nas políticas públicas” Iyalê Tahyrine

MÚSICA. Inspirado por artistas nordestinos, Silvério Pessoa faz uma mistura de ritmos da cultura popular

Chico Science tinha uma sacada legal, desencaretou a cena musical

Rani de Mendonça ilvério Pessoa é de S Carpina, na zona da mata norte de Pernam-

buco. Influenciado musicalmente pela própria mãe e avó, o artista participou do movimento mangue beat com a banda Cascabulho e hoje transita entre diversos ritmos da cultura popular. Em entrevista ao Brasil de Fato Pernambuco, Silvério falou dos desafios da valorização da cultura no estado. Brasil de Fato - Como você chegou à música? Quem é Silvério Pessoa musicalmente falando? Silvério Pessoa - Minha carreira é fruto de uma trajetória natural. Minha mãe foi professora de acordeom, minha avó foi cantora de rádio aqui, na Rádio Clube de Pernambuco, no programa de Tavares Maciel, ela meio que fazia uma suplência de cantora de rádio, quando as cantoras faltavam, não podiam ir. Eu sou oriundo da mata norte aqui de Pernambuco, de Carpina, ouvia a programação da Rádio Planalto o tempo todo, no rádio de pilha, no sítio da minha avó, minha outra avó, por parte de pai,

Eu poderia dizer que minha carreira é sólida dentro da estética que eu acredito vovó Alaíde. Então, todo esse ambiente sonoro era muito corriqueiro, muito natural na família da gente, no sítio, onde a gente viveu muitos anos a colheita da mandioca pra fazer farinha, para fazer beiju. Minha trajetória foi muito dentro desse ambiente natural, não foi planejado. De repente eu percebi que eu poderia criar uma música, compor, pegar o violão e cantar, inventar músicas e foi uma coisa muito natural, muito espontânea. Na realidade, pegando uma nave assim no tempo, minha carreira, eu poderia dizer que é uma carreira sólida dentro da estética que eu acredito, da música regional, sendo universal mesmo, dialogando com outros ritmos. A música do povo da gente que dialoga com o rock, eletrônica, hip hop, funk, com tudo. Eu não acredito numa cultura popular fechada, acho funda-

mental o diálogo e acho que o movimento mangue beat foi fundamental pra isso, Chico Science tinha uma sacada muito legal, desencaretou mesmo a cena musical daqui. BdF - Dentro do mangue beat você fez uma participação muito ativa com o Cascabulho. Quais os desafios da cultura popular nesse cenário político, que é diferente da década de 90, mas é também um contexto de crise? Silvério - A cultura popular deixou de fazer parte dos terreiros, dos quintais, das feiras, e ela se transformou em espetáculo público. Isso foi na dança, na música, na culinária, até pouco tempo não existia restaurante de comida regional. Você ia pra feira comer sarapatel, carne de bode. Hoje o restaurante mais

filha adolescente. A tecnologia está aí envolvendo tudo, então é um grande desafio essa hereditariedade. BdF - Quais as suas referências musicais nesse meio da cultura popular? Silvério - Eu não sei como eu continuo sobrevivendo de música e morando em Pernambuco, em Recife, eu não sei. É um grande desafio e um malabarismo que eu faço. Na verdade eu faço parte de uma geração que não foi engessada por gravadoras. Eu faço parte de uma geração que utiliza muito as redes sociais, utiliza muito a internet e adotou uma filosofia punk mesmo, “faça você mesmo”, corra atrás. E o perfil do artista mudou muito. Eu tenho grandes referências de ídolos que tinham uma carreira toda gestada e veiculada pela gravadora. Hoje não. Hoje nós temos um mercado amplo na produção de estúdios, de mixagem, masterização, facilmente hoje você grava sua música e veicula e eu tento transcender as festas sazonais. Eu não trabalho só no período de São João ou Carnaval, mas eu exercito minha cidadania de me apresentar no carnaval porque eu tenho um projeto sobre música carnavalesca. E no São João eu tenho uma obra toda calcada na regionalidade, eu interpreto Jacinto Silva, tenho um disco cantando Jackson do Pandeiro, que foi um sonho realizado, o primeiro disco do Cascabulho foi em homenagem à Jackson.

sofisticado tem um prato regional. Esse fenômeno é resultante da globalização, naturalmente, a economia mexeu muito com as matrizes da cultura popular. Acho que o grande desafio é a cultura popular ser reconhecida nas políticas públicas. Eu acho as políticas culturais muito tímidas, muito incipientes em relação ao que se produz nesse âmbito, nesse campo da cultura popular. Ninguém vai encontrar um arquiteto, um médico, um engenheiro fazendo cultura popular naturalmente, geralmente são pessoas pobres, que vêm de uma classe pobre. O mestre de maracatu, o mestre de cavalo marinho, a rainha do maracatu são advindas de uma classe economicamente sacrificada. Pedreiros, cortadores de cana que fazem o brinquedo, a brincadeira do cavalo marinho, o maracatu do baque solto, essas coisas que a gente costuma ver nas festas sazonais. Então pra mim, o grande desafio é a cultura manter a sua hereditariedade. Hoje a gente tem trabalhos, pesquisas, artigos, falando da grande dificuldade de um mestre ou rainha de maracatu, de uma cirandeira, de um mestre de cavalo marinho passar sua *Transcrição Vanessa tradição pra um filho ou Gonzaga


CULTURA | 12

Recife, 13 a 19 de julho de 2018

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Qual é o Bairro?

Fotolegenda

Marcha por Lula Livre integra calendário de lutas em defesa da democracia

Nathália D´Emery/SOS Corpo

Passarinho

bairro de Passarinho está localizaO do na Zona Norte do Recife e nos limites com os municípios de Olinda e

Agenda Cultural CINE

Lançamento Quem mora lá

O

O filme “Quem mora lá” traz à tona a luta pelo direito à moradia nas cidades brasileiras no contexto em que muitas famílias vem sendo despejadas, vítimas da especulação imobiliária e do descaso do Estado. A estreia acontece no dia 16 de julho, no Cinema São Luiz, no Recife, às 19h30. A entrada custa R$ 5,00. Haverá um debate com os diretores, após a exibição do filme. O Cinema São Luiz fica localizado na Rua da Aurora, 175, Boa Vista - Recife.

FORMAÇÃO

Acolhimento do Movimento Negro Evangélico

CURSO

Descolonizar a política

SOS Corpo promove O Movimento Negro O Evangélico em Recife Omais um minicurso de promove mais um Acolhi- formação feminista, volmento neste sábado, dia 14 de Julho, às 16h. Dessa vez no oitavo andar do Edifício Pernambuco, em Recife, o encontro será aberto para mulheres e homens com a temática sobre a Solidão da Mulher Negra e uma prévia do fórum popular de segurança pública. A entrada é gratuita. O Edifício Pernambuco fica localizado na Avenida Dantas Barreto, Santo Antônio - Recife.

tado para difundir as teorias do feminismo anti-sistêmico, que enfrenta as estruturas de poder. O evento é o Caleidóspio e é realizado em parceria com a Rede de Mulheres Negras de Pernambuco. A atividade acontece na próxima quinta-feira (19), às 19h, na sede do Movimento dos Trabalhadores Cristãos (MTC), que fica na Rua Gervásio Pires, 404, Boa Vista - Recife.

Paulista. Localidade com muitas histórias de vida e de luta que compõe a sua trajetória. E mais um lugar do Recife em que a força das mulheres é componente essencial para a construção da história que guarda. O bairro surgiu no final dos anos 1980, quando cerca de 500 famílias que moravam no bairro do Morro da Conceição, também na Zona Norte da cidade, e em comunidades vizinhas, como o Alto Santa Terezinha e o Córrego São Domingos Sávio, conquistaram lotes na região por meio de uma ação do estado de Pernambuco. A iniciativa foi realizada para que um lugar mais seguro de moradia fosse oferecido às famílias que moravam em situação de risco ou estavam desabrigadas, e motivada por uma longa batalha conduzida pelo Conselho de Moradores do Morro da Conceição. Neste período, a comunidade estava vivendo tempos de agitações políticas, sobretudo nas reivindicações pelo direito à moradia. Até o ano de 2015, algumas famílias ainda não tinham a posse da própria residência reconhecida pelo poder público. Essas tensões urbanas proporcionaram a união dos moradores e a luta pela qualidade de vida na comunidade. O resultado foi a organização do movimento Ocupe Passarinho, que passou a mobilizar o bairro, com um protagonismo feminino e apoio de diversas organizações sociais.


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Variedades l 13

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CULTURA | 13

Fenearte traz legado dos mestres do artesanato e da cultura pernambucana

DIVERSIDADE. Feira de artesãos e artesãs de Pernambuco e outros estados se despede nesse domingo (15) Vinícius Sobreira

conhecido como patrimônio vivo da cultura pernambucana e trabalha com mamulengos desde os 10 anos de idade. “Minha mãe fazia bolos para vender nas festas de mamulengos e cavalo marinho, sempre comigo. Foi quando me apaixonei pelos mamulengos e comecei a

Mestre José Lopes da Silva, aos 68 anos, é reconhecido como patrimônio vivo da cultura pernambucana

Adélia Tavares (verde) conta que a técnica do artesanato com fibra de cana existe há gerações./

Vinícius Sobreira

nho de mar e vi peças esculpidas em madeira, à venda na beira da pista. Coloquei na cabeça que poderia fazer melhor que aquelas”, lembra . Ele nunca havia trabalhado com madeira. De volta para casa, começou a esculpir num tronco de coqueiro. Após uma semana, tinha feito uma coruja. “Mas muita gente falava que coruja dava azar e minha mãe botou fogo nela. Fiquei muito triste”, lembra. Mas voltou a esculpir – desta vez um papagaio. E já se passaram 18 anos. Seu estande chama atenção pelo vaqueiro de mais de 2 metros de altura, esculpido num tronco de jaqueira. “Passei dois anos só estudando o tronco, depois foram 8 meses de trabalho”, conta. Mas ele também vende peças menores, como araras e galos de campina, a partir de R$12. Também estão na feira o Artesanato Cana Brava, grupo de 10 mulheres de famílias de pescadores de Ponta de Pedras, em Goiana, e que

já tradicional feiA ra de artesanato de Pernambuco, a Fenearte,

se encerra neste domingo (15). Em sua 19ª edição o evento celebra o legado do Mestre Salustiano para a cultura popular do estado. A feira teve início no dia 4 de julho e reúne centenas de artesãos e feirantes, vindos do sertão e do litoral, com muitos povos indígenas e stands internacionais, trazendo grande variedade de produtos, da tapeçaria à gastronomia, do barro ao couro. A família Salustiano, herdeira do Mestre homenageado, também tem seu espaço para mostrar e vender sua arte. Imaculada Salustiano, filha do Mestre, se disse feliz pela lembrança na feira internacional. “Para nós é muito importante saber que Salú permanece vivo não só nos corações dos filhos, mas nos admiradores de seu trabalho e do seu legado para a cultura popular de Pernambuco”, afirma. E no estande está disponível

Feira traz legado da cultura de Pernambuco para venda uma coletânea com os quatro discos do Mestre: do “Sonho da Rabeca” (1998) ao “Rabeca Encantada (2006). Os quatro discos são vendidos conjuntamente por R$50. Mas seu legado vai para além da música. Nascido em Aliança, Manoel Salustiano aprendeu com o pai não só a tocar, mas a produzir rabecas e sempre gostou de brincar nos folguedos populares, em especial o Cavalo Marinho. Mas a Fenearte tem também outros mestres, como o Mestre Nido. Cortador de cana em Sirinhaém, no litoral sul, Nido descobriu seu talento para esculpir madeira “por acaso”, quando tinha apenas 21 anos. “Fui tomar um ba-

trabalham com a fibra da cana brava, plantada na própria região. Adélia Tavares, uma das integrantes do grupo, conta que a técnica existe há gerações, mas só em 2001 se organizaram, com ajuda do Sebrae, para produção de cestas. “Fomos qualificadas no trabalho da cestaria cana brava e surgiu esse mercado”, conta Tavares, orgulhosa. Entre seus produtos, os mais caros são as luminárias, que chegam a R$250. Mas cestos de torradas custam R$10. Com o crescimento da produção, viram a necessidade de trabalhar com forros para alguns produtos. “E para além dos forros, surgiram ideias como jogo americano, mochila de costas. E tivemos capacitação em serigrafia para produzirmos. Hoje tudo isso é feito na nossa comunidade”. Estojos estão a partir dos R$8. E para quem busca brinquedos para os pequenos, importante passar no estande do Mestre Zé Lopes. Aos 68 anos, José Lopes da Silva é re-

Feira também traz arte de outros estados e países fazer”, lembra Zé Lopes. Hoje produz com esposa e filhos. Ele se diz um privilegiado. “Tive a sorte de nascer no celeiro do mamulengo, com vários mestres que chegavam de Vitória de Santo Antão para brincar na cidade”. Ele, como bom pai, gosta de todos os que nasceram pelas suas mãos. “Simão, Quitéria, Carolina, Clotilde, Lampião e Maria Bonita e todos os outros, gosto de todos”. Os personagens estão à venda a partir de R$15 e alguns podem chegar aos R$200. Além dos estandes locais, a Fenearte tem ainda corredores com arte oriunda de outros estados e até de outros países, além da diversidade do artesanato e da arte indígena de Pernambuco.


14 | VARIEDADES

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Horóscopo

CIÊNCIA É COISA BOA Vitamina C previne gripes e resfriados?

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Recife, 13 a 19 de julho de 2018

C

Saiba se a sustância é mesmo capaz de fortalecer o sistema imune e evitar doenças

uidado com sua ansiedade por mudanças de uma hora pra outra! Pra lhe ajudar, abuse de uma boa conversa e faça o exercício de ver sua vida também a partir de outros olhares em que você conÁries : fia. eixe de lado seus ímpetos competitivos e arengueiros, e perceba que está perdendo momentos importantes com pessoas queridas. Cuide da casa e do coração e se proteja fortalecendo também Touro: sua fé. or mais contraditório que possa parecer, seu desejo de ganhar o mundo ou tirar ele do lugar vai estar associado a uma necessidade de segurança. Se Gêmeos: dedique a um processo de autoconhecimento.

D

P

V

Câncer:

Renan Santos

reprodução

T

odo mundo já escutou que suco de laranja ajuda a prevenir a gripe. Farmácias oferecem diversos produtos contendo altas doses de vitamina C para fortalecer o sistema imune e evitar resfriados. Mas, será que isso é verdade? Realmente fazemos certo ao consumir esses suplementos? As vitaminas são substâncias orgânicas que participam de etapas importantes do metabolismo, mas que o organismo não é capaz de produzir. Assim, é preciso obtê-las por meio da alimentação. Necessitamos de uma pequena quantidade de vitaminas, alguns miligramas por dia já bastam. A vitamina C (ou Ácido Ascórbico), entre outras funções, participa da formação de uma importante proteína, o colágeno, responsável pela estrutura e rigidez de diversas partes do corpo. A boa notícia é que comendo um pouquinho de vitamina C por dia já estamos seguros. Segundo o Ministério da Saúde, um adulto saudável precisa em média de 45 mg por dia. Essa quantidade é facilmente obtida em uma dieta saudável. Isso porque a vitamina C está presente em diversas frutas e legumes. Assim, se você come por dia alguma porção de frutas como goiaba, acerola ou mamão, ou de legumes como o pimentão, a couve e o brócolis, já ingere o suficiente de vitamina C. A não ser que seu médico oriente o uso de suplementos vitamínicos, eles são dispensáveis. Em 1970, o bioquímico vencedor do Nobel Linus Pauling publicou o livro “A vitamina C e o resfriado comum”. Nele, apresentou um estudo científico que mostrava que o uso dessa vitamina reduzia os casos de gripe e resfriado. De lá pra cá, essa orientação se popularizou e passou a fazer parte de nosso senso comum. Porém, nos últimos anos, diversos outros estudos tentaram confirmar isso. Constatou-se apenas um pequeno efeito em pessoas expostas ao esforço físico extremo. Ou seja, se você não é um maratonista ou um soldado em guerra, não há qualquer evidência científica que indique que ingerir vitamina C o ajudará a evitar essas doenças. Um abraço e até a próxima!

*Renan Santos é professor de biologia da rede estadual de Minas Gerais.

Leão:

ocê está amor da cabeça aos pés! Não se esqueça de guardar grandes porções de tanto encanto para investir em si mesma! Cuidado apenas para não exigir tanto e amor virar ciúmes e insegurança. pesar de toda a agitação que está sua vida, o convite para rever seus caminhos vai ser necessário porque algumas coisas precisarão ficar para trás. Para o amor seguir pleno, é tempo de deixar as mágoas no lugar delas: no passado.

A

O Virgem:

s frutos do esforço profissional devem ser ampliados pra sua vida social e pessoal, e a tendência é receber cada vez mais convites! Tenha cuidado ao lidar com as diferenças e apenas invista no que fizer sentido pra seus sonhos. ovidades na vida profissional devem estar associadas a outras mudanças em sua vida, inclusive nas relações. Vai ser preciso cada vez mais maturidade e segurança para jogar o corpo no mundo.

N

Libra:

C

omunicação deve ser uma questão importante nesses próximos dias. Deixe claro o que você quer dizer e evite desgastes com brigas pequenas! Escorpião: Permita-se amar e ser amado.

S

erão ótimos dias de pensar um pouco melhor no lugar do amor da sua vida. Mas não só para pensar, mas para aproveitar, aprofundar seus desejos e, Sagitário: quem sabe, viver novas experiências? essoas devem se aproximar atraídas por esse seu momento de amadurecimento pessoal! Nem todas as pessoas valem a sua paixão, e cabe a você fazer a seleção. Se valorize e vá com leveza. Capricórnio:

P

O

Aquário:

trabalho não para de aumentar e, apesar da importância de continuar a se dedicar é preciso que você se cuide. Organize sua rotina, observe melhor sua alimentação e procure se reencontrar na sua fé. s sonhos nunca serão tão bons quanto a sua realidade, e essa é a hora de se dedicar para operar mudanças e fazer as coisas acontecerem! Aproveite a companhia das pessoas que estão nos seus projetos de vida.

O Peixes:


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ESPORTES | 15

Não é só um jogo: oito fatos da Copa que reforçam a ligação entre futebol e política MUNDIAL.Estatísticas reveladoras, contradições, fascismo e antifascismo: acontecimentos para repensar o esporte e a sociedade Daniel Giovanaz

e Poliana Dallabrida, de Kazan (Rússia) lém dos resultaA dos surpreendentes e das jogadas que cha-

maram a atenção nos gramados da Copa do Mundo 2018, o Mundial também ajudou a comprovar a relação indissociável entre futebol e política. Confira na lista abaixo:

Sem chuteiras Em maio deste ano, quando os Estados Unidos se retiraram do acordo de controle de atividades nucleares feito com Teerã, sanções econômicas voltaram a incidir sobre empresas estadunidenses que atuam ou fazem negócios com o Irã. A menos de um mês antes do início da Copa, os jogadores da Seleção Iraniana se viram sem chuteiras. “As sanções significam que, como uma empresa norte-americana, a Nike não pode fornecer chuteiras aos jogadores da seleção iraniana neste momento”, afirmou o fornecedor em comunicado oficial.

O choro de Son A derrota da Coreia do Sul por 2 a 1 para o México foi marcada pelo choro do jogador Son Heung-Min, de 26 anos. Se não conseguir comprovar um grande feito esportivo pela seleção nacional, ele terá que cumprir 21 meses de serviço militar. O pranto

FIFA

revelou ao mundo a face autoritária e impiedosa de um país que é vendido como território da liberdade e da democracia, em oposição à vizinha do norte.

Cinco dos onze titulares da Seleção Francesa têm raízes na África Só um técnico negro Das 32 seleções que disputaram a Copa do Mundo, apenas uma era comandada por um técnico negro. Aliou Cissé, treinador de Senegal. Coincidência ou não, Cissé tem a menor remuneração entre todos os técnicos do Mundial. O treinador senegalês recebe cerca de R$ 850 mil por ano — 16 vezes menos que Tite, da Seleção Brasileira.

Mulheres no estádio Pela primeira vez desde a Revolução Iraniana, em 1979, mulheres e homens puderam assistir a uma partida de futebol num estádio juntos. A presença de mulheres como espectadoras em competições masculinas é proibida. Com uma mobilização pela internet, as mulheres conseguiram pressionar as autoridades de Teerã e tiveram seu aces-

Lukaku balançou as redes Gesto do suíço Xhaqiri ao comemorar gol contra a Sérvia foi entendido como provocação política / Reprodução - Fifa vezes na Copa, e é a esperança de gols da Bélgica contra o Brasil

so permitido ao estádio Azadi, onde um telão havia sido montado.

Refeição inconveniente Principal jogador da Seleção do Egito, Mohamed Salah, precisou atuar também fora de campo. Na fase de grupos da Copa, Salah era tietado por convidados da Confederação Egípcia de Futebol e foi coagido a participar de jantares com políticos ligados ao país de origem. Salah não escondeu a insatisfação por ter sua imagem utilizada para fins políticos e de aproximação diplomática.

A provocação da águia Um gesto que chegou a ser interpretado como uma “pomba da paz”, rendeu multas e exigiu explicações de jogadores da seleção da Suíça.

Xherdan Shaqiri tem 26 anos e é nascido no Kosovo, província da antiga Iugoslávia. O também meio-campista Granit Xhaka tem 25 anos e nasceu na Suíça, mas seus pais nasceram no Kosovo. O gesto feito depois dos gols era uma representação da bandeira da Albânia, visto como ato político. O Comitê Disciplinar da Fifa multou os jogadores em 10 mil francos suíços cada.

Fascismo e antifascismo na Suécia Em jogo com a Suécia, Toni Kroos cobrou e fez o gol que deu a vitória ao time alemão. No entanto, horas depois daquele jogo, torcedores suecos dirigiram insultos racistas e islamofóbicos contra Durmaz, expondo o lado fascista da extrema-direita da Suécia. A Federação Sueca de Futebol prestou queixa poli-

cial sobre o ocorrido, e os jogadores gritaram contra o fascismo e o racismo em um vídeo publicado na internet.

Heranças do colonialismo Cinco dos onze titulares da Seleção Francesa, finalista desta Copa, têm raízes na África Subsaariana. O zagueiro Umtiti é natural de Camarões. Os pais do volante Pogba nasceram em Guiné; os de Kanté, em Mali. O atacante Mbappé é filho de mãe camaronesa e pai argelino. Na delegação da Bélgica quatro jogadores vêm de famílias oriundas da República Democrática do Congo. Entre eles Lukaku, maior goleador da história da Seleção Belga. A Copa 2018 deixou claro que quem carrega o piano, nas principais seleções europeias, são imigrantes e filhos de imigrantes africanos.


16 | ESPORTES

NA GERAL FyllipeCabral

Reprodução

Contador de assédios

Começa a Copa PE de Basquete

Arte FPFS

Decisão da Copa PE de Futsal

FIFA convocou uma este fim de semasta sexta-feira (13) é A entrevista para deba- Nna será realizada a Edia de finalíssima na ter casos de discrimina- 2ª rodada da Copa PE de Copa Pernambuco de ção de gênero durante a Copa do Mundo. A ONG Fare Network, contratada para fazer o levantamento, afirmou que durante os 30 dias de Copa foram documentados 45 casos de assédio a mulheres, sendo 30 vítimas torcedoras e 15 jornalistas. A ONG reconheceu que esse número é abaixo do real, que boa parte dos casos não foram denunciados ou flagrados. A existência de tal preocupação mostra um avanço da FIFA no sentido de garantir que o futebol esteja aberto para as mulheres torcedoras, trabalhadoras e jogadoras.

Basquete. Nesse ano o torneio conta com oito equipes na disputa pelo troféu. Os duelos desta semana serão abertos na quadra do antigo Colégio Nóbrega, bairro da Boa Vista, primeiro com Sport x Aurora, às 19h30, seguido por Unicap x Santa Emília, às 21h. Na manhã do sábado (14) é a vez de Viva x NBA, às 9h, e Caramujos x Fitcamp, às 10h30, ambos no Sport Club do Recife, bairro da Ilha do Retiro. A entrada é gratuita e os jogos são transmitidos pela página no Facebook da Federação Pernambucana de Basketball.

Filipe Spenser

Reprodução\Internet

J

português Cristiano RonalO do, atual melhor do mundo, confirmou sua transferência

jogar na italiana Juventus. O investimento da Juve junto ao Real Madrid foi de 100 milhões de euros (o equivalente a R$ 448 milhões) para ter o craque, que terá um salário de 30 milhões de euros por ano (R$134,4 milhões por ano ou R$11,2 milhões por mês). Uma reação imediata partiu dos trabalhadores da Fiat, grande patrocinadora e co-proprietária da Juventus. Os operários dizem que “é inaceitável que façamos sacrifícios econômicos com nossas famílias, enquanto eles gastam milhões num jogador”. A paralisação segue deste domingo (15) até a terça-feira (17).

GOL

CONTRA

Violência entre torcidas Reprodução\Internet

o último domingo (8), anN tes de Santa Cruz e Remo entrarem em campo pela Série

C, cenas de violência foram registradas no trajeto para o Arruda. Dezenas de tricolores atacaram supostos torcedores do Remo. Três jovens estão hospitalizados: um de 20, um de 23 e outro de 29 anos – todos residentes da Região Metropolitana e nenhum deles torcedor do Santa Cruz. Especula-se que sejam membros da Torcida Jovem do Sport, “aliada” da Remoçada e “rivais” da Inferno Coral. Autoridades seguem achando que o caminho é manter proibidas as instituições, em vez de punir os indivíduos criminosos.

AO QUE INTERESSA

Stella Nascimento ssnascimento_24@hotmail.com

filipespenser@gmail.com

Náutico chegou chegando. Agora, após o trunfo diante do Confiança, são cinco vitórias seguidas, líder do returno, a dois pontos do líder do campeonato e cinco pontos de vantagem em relação ao 5º colocado. Que fase! Para coroar o bom momento, estima-se, de acordo com as pontuações dos anos anteriores, que o Náutico esteja a duas vitórias de garantir a classificação. Ganhar dois dos próximos cinco jogos parece algo muito provável, principalmente quando se verifica que o Náutico irá enfrentar, exatamente, os últimos cinco colocados. No entanto, a essa altura, o sonho deve ser mais alto. Afinal, o G4 não garante o acesso, mas apenas a disputa das quartas de final. Assim, é fundamental que o objetivo, hoje, seja garantir as duas primeiras colocações, a fim de ter a vantagem de decidir, em casa, o acesso de divisão.

Futsal adulto: a Associação Esportiva de Caruaru (ASEC) e o Tamandaré Futsal decidem, a partir das 21h, quem leva a taça mais importante do calendário estadual em 2018. No jogo de ida, na quarta-feira (11), as equipes fizeram um grande jogo, que acabou com o placar de 4x4, em Caruaru. Agora o duelo é no litoral sul, no Ginásio Dois Amigos, em Tamandaré. Rivais, as equipes também fizeram a final de 2017, com a ASEC sagrando-se campeã. Participaram do torneio Escata, João Alfredo, Vicência, Sport Recife e Santa Cruz.

DE PLACA GOL Greve contra CR7

AFUNILANDO A COMPETIÇÃO

CHEGOU

O

Brasil de Fato PE

Recife, 13 a 19 de julho de 2018

á entramos na reta final da Série C do Brasileirão. Na fase classificatória chegou o momento em que vencer é primordial para manter a posição. E o Santa Cruz precisa entender isso para ontem. Apesar da vitória em casa contra o Remo, foi a equipe paraense quem ditou o ritmo de jogo. E contra o Globo a situação precisa ser diferente, afinal de contas a equipe do Rio Grande do Norte é adversária direta na briga por esta vaga. De cinco jogos, o Tricolor precisa de sete pontos para se garantir, ou seja, se vencer todos os três jogos dentro de casa já garante, com folga, a classificação. Sonhar em conquistar o primeiro lugar é quase que utopia, mas futebol é jogado, então vamos passo a passo. É momento de conquista no principal objetivo do ano – e o torcedor comparecer para apoiar o grupo! Avante, Santa!

Fernando Vasconcelos

C

hega de lamber as feridas da Seleção. A Copa do Mundo é boa, mas ser Sport é melhor. E já na quarta-feira (18) temos jogo do Brasileirão. Para quem não lembra, essa será a 13ª rodada. Estamos em 7º lugar, com os mesmos 19 pontos do Palmeiras (6º). O desafio de quarta é em Fortaleza, contra o lanterna Ceará, que ainda não venceu. Durante a pausa para a Copa tivemos poucas mudanças no nosso elenco: Fabrício foi emprestado ao Guarani, enquanto Felipe Rodrigues e Henríquez rescindiram contrato. A única chegada foi do lateral esquerdo Jean, que disputou a Série D pelo Tubarão-SC. Para a partida estão suspensos Ronaldo Alves e Deivid. Já Durval ainda se recupera de lesão, abrindo espaço para Léo Ortiz. Mas a principal novidade é Michel Bastos, que deve ser finalmente titular, jogando de ponta.

BdF PE - Ed. 66  

Confira a edição 66 do Brasil de Fato Pernambuco.

BdF PE - Ed. 66  

Confira a edição 66 do Brasil de Fato Pernambuco.

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