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Índice Editorial

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Para quando os ventos soprarem a favor

Fato concreto

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Secretaria de portos anuncia R$ 2 bi de investimentos em terminais privados

Artigo

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Situação e perspectivas das PPPs para 2016

Capa

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Projeto Sírius: o futuro, hoje

Mobilidade Urbana

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Indústria ferroviária mantém estabilidade

Máquinas e Equipamentos

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Entram em vigor novas regras para financiamento de ônibus e caminhões pelo Finame

Habitação Popular

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MCMV: terceira etapa revista e ampliada

Energia

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Bahia ganha maior usina de energia solar da América Latina

Expediente: Editor: Alexandre Machado Jornalista: Katia Siqueira Comercial: Carlos Giovannetti, Sueli Giovannetti, Luís C. Santos, José Roberto Santos, Suelen de Moura Cosentino Mídias Digitais: João Rafael Fioratti Projeto Gráfico e Editoração: Mônica Timoteo da Silva Endereço: Rua São Bento, 290 - 2ª sobreloja - Sala 4 Cep: 01010-000 - São Paulo - SP Telefone: (11) 3241-1114 Contato: redacao@brasilconstrucao.com.br A Revista Brasil Construção é uma publicação mensal de distribuição nacional, com circulação controlada, dirigida a todos os segmentos da indústria de construção imobiliária e industrial, ao setor público e privado de infraestrutura, à cadeia da construção envolvida em obras de transporte, energia, saneamento, habitação social, telecomunicações etc. O público leitor é formado por profissionais que atuam nos setores de construção, infraestrutura, concessões públicas e privadas, construtoras, empresas de projeto, consultoria, montagem eletromecânica, serviços especializados de engenharia, fabricantes e distribuidores de equipamentos e materiais, empreendedores privados, incorporadores, fundos de pensão, instituições financeiras, órgãos contratantes das administrações federal, estadual e municipal.

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Editorial

Na chegada do ano novo, uma pausa para voltar o olhar para os meses que passaram. O ano que terminou não foi fácil. Marcado por uma sucessão de fatos negativos, com queda de indicadores econômicos e sociais, aumento da inflação, crescimento do desemprego e outros problemas. Enfim, foram doze meses que transitaram por um cenário de persistente crise e – por que não reconhecer? – de crescente desesperança e medo do futuro. Sempre atento aos entraves que possam ameaçar a rede de proteção que há quase 52 anos vem tecendo ao redor do jovem brasileiro, o CIEE viu sua preocupação aumentar quando uma recente enquete, respondida por 7,5 mil jovens em outubro, revelou que 15% já sentiam o impacto da crise na vida escolar. A maior parte (11%) estava em débito com as instituições de ensino, 2% haviam trancado a matrícula e, o pior, 2% já haviam abandonado os estudos. Diante disso, o CIEE decidiu intensificar seus esforços visando à multiplicação da oferta de oportunidades de formação profissional para estagiários e aprendizes. O objetivo, que mobilizou seu quadro de 2,7 mil colaboradores, é o mais meritório possível: criar condições para que o estudante de hoje, que será o profissional de amanhã, esteja qualificado para assumir, com eficácia, seu lugar no mercado de trabalho quando amainarem os ventos da crise e o País embarcar numa inevitável fase de retomada do desenvolvimento. Que pode tardar, mas não deixará de chegar. A resposta à ação do CIEE demonstrou que centenas de empresas e órgãos públicos compartilham dessa visão. Pois, mesmo numa fase de economia em queda, os números são animadores: somente em 2015, mais 300 mil jovens de todo o País tiveram assegurada uma renda – na forma de bolsa-auxílio para os estagiários e de salário para os aprendizes – que lhe possibilitou manter seus estudos e, em muitos casos, até reforçar o orçamento familiar.

Para quando os ventos soprarem a favor Já para as empresas e órgãos públicos, as duas modalidades de formação profissional garantem a preparação adequada de futuros talentos, entre os quais, ao que tudo indica, mais de 60% continuarão a ser efetivados pós-período de capacitação. Finalmente, para o País, a importância do estágio e da aprendizagem é mais do que evidente, na medida em que a qualificação do capital humano constitui um dos mais sólidos pilares que darão sustentabilidade à futura retomada do crescimento. Consciente de que a tão desejada sustentabilidade, que se traduzirá em condições mais justas e dignas para todos os brasileiros, só será conquistada com uma estreita aliança entre a boa preparação profissional e a formação para a cidadania, o CIEE continuou envidando esforços não só para manter, mas também para intensificar suas ações filantrópicas de assistência social. Voltadas em especial para populações em situação de vulnerabilidade, os programas sociais incluem, entre outras, educação à distância (mais de 2,5 milhões de matrículas no País); cursos presenciais de orientação e informação profissional; alfabetização gratuita de adultos; orientação jurídica gratuita; capacitação de moradores de rua; inserção profissional de pessoas com deficiência; cursinhos pré-vestibular gratuitos. É o CIEE fazendo sua parte, cumprindo a missão legada pelos fundadores e alinhando-se às organizações e aos brasileiros que entrarão no próximo ano dispostos a colaborar para que se concretizem, o mais breve possível, as esperanças de dias melhores e mais justos.

Carlos Giovannetti, diretor editorial

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Fato Concreto

Secretaria de portos anuncia R$ 2 bi de investimentos em terminais privados

Único segmento de infraestrutura de transportes que conseguiu leiloar novas concessões no ano passado, o setor portuário começou 2016 com o anúncio de quase R$ 2 bilhões em investimentos em novos terminais privados (TUPs). A Secretaria Especial de Portos (SEP) vai assinar nesta quarta-feira, 6, o contrato para o primeiro deles, localizado em São Luís (MA), onde a WPR São Luís Gestão de Portos e Terminais – do grupo WTorre – irá investir R$ 780 milhões. Além do novo terminal maranhense, a Nutripetro irá fazer um investimento de R$ 279 milhões em uma área em Aracruz (ES),

para apoio offshore para movimentação de carga geral e granéis líquidos, com capacidade para até 1,2 milhão de metros cúbicos por ano. Já a Bahia Terminais fará um projeto ainda maior em Candeias (BA), orçado em R$ 850 milhões, para movimentar 3,615 milhões de toneladas por ano de carga geral. O ministro da SEP, Helder Barbalho, assinará às 15h o contrato de 25 anos para construção e exploração do TUP da WTorre em São Luís, que será o quarto terminal privado do Maranhão. Com prazo de implantação de três anos – prorrogável por mais três – a unidade funcionará em uma área de 2,190 milhões de metros quadra-

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dos. O terminal terá capacidade de movimentação de 24,8 milhões de toneladas por ano de granéis líquidos e sólidos, além de carga geral. A SEP prevê investimentos de R$ 1,782 bilhão no setor portuário nos próximos anos somente no Maranhão, que irão elevar a capacidade de escoamento do Estado em 32,5 milhões de toneladas por ano. Além dos TUPs, esse montante inclui sete áreas de arrendamentos portuários a serem licitadas, com projetos orçados em R$ 810,61 milhões, além de três prorrogações contratuais cujos processos já estão em andamento, com investimentos previstos de R$ 191,1 milhões.


BNDES aprova R$ 2,3 bi para investimentos de controlada da CCR na BR-163/MS O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de longo prazo de 2,319 bilhões de reais para investimentos de uma controlada da CCR na rodovia BR-163/MS, que atravessa o Mato Grosso do Sul até a divisa com o Paraná, região de grande produção agrícola. O financiamento foi concedido à concessionária MSVia, da CCR, para investimentos nos 845,4 qui-

lômetros da rodovia, incluindo a duplicação de 798,3 quilômetros. O projeto tem investimento total de 4,587 bilhões de reais, contando ainda com financiamento da Caixa Econômica Federal, e prevê a possibilidade de emissão de debêntures de infraestrutura pela MSVia. “Os primeiros desembolsos do financiamento de longo prazo estão previstos para o início do próximo ano e serão destinados à quitação do empréstimo-ponte concedido

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pelo BNDES à concessionária em meados de 2015, que foi destinado aos investimentos iniciais e à realização de 10 por cento das obrigações de duplicação”, disse o BNDES em comunicado. A rodovia foi concedida na primeira etapa do Programa de Investimentos em Logística (PIL), do governo federal, tendo sido assumida pela CCR MSVia em abril de 2014. As obras de duplicação iniciaram em julho de 2014.


Fato Concreto

Receber os atrasados já seria um “ novo PAC” afirma presidente da CBIC Para a indústria da construção civil, o governo não precisa de muito esforço para estimular o segmento como tentativa de reanimar a economia. A principal reivindicação do setor é o pagamento de quase R$ 7 bilhões em atraso das obras públicas, o que já seria suficiente para dar fôlego às construtoras. Como mostrou o jornal “O Estado de S. Paulo” nesta terça-feira (5), o governo estuda medidas para estimular o setor, que responde rápido aos incentivos, como forma de retomar o crescimento. A nova estratégia foi batizada no Planalto de “novo PAC”, o Programa de Aceleração do Crescimento lançado em 2007. “Colocar em dia os pagamentos dos atrasos já seria um novo PAC”, afirma o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, José Carlos Martins. “Seria o suficiente para recuperar as empresas que estão morrendo. O principal ponto é simplesmente cumprir um compromisso”, diz Martins. Segundo números do setor, o governo fechou 2015 com dívida de R$ 3 bilhões em contratos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), R$ 1,8 bilhão do Ministério das Cidades em obras de saneamento, R$ 1,5 bilhão do Ministério da Integração e R$ 400 milhões da Valec, estatal que cuida de ferrovias.

Esse valor de R$ 6,7 bilhões considera apenas as obras que foram efetivamente executadas e faturadas. Martins participa do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, colegiado formado por representantes da iniciativa privada no qual a presidente Dilma Rousseff aposta para tentar buscar soluções para reverter a crise econômica em 2016. Para ele, a equipe econômica poderia aproveitar o momento de “despedalar” – pagamento dos R$ 55,8 bilhões em dívidas com os bancos públicos e com o FGTS – para zerar o passivo com as empreiteiras. Condições Martins entregou à equipe econômica uma lista com as condições necessárias para que sejam retomados os investimentos. A primeira é o pagamento do que está atrasado. Outros itens da pauta são redução da burocracia, com a melhoria dos marcos regulatórios, e ampliação do mercado para que mais empresas possam atuar. As investigações da Lava Jato comprometeram o desempenho das maiores empreiteiras do país. O setor enxerga no programa de concessões e em parcerias público-privadas possibilidades para que se deslanchem os investimentos já neste ano.

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Estados Dilma também quer negociar com os governos estaduais e de capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte um acordo para levantar recursos e reativar a economia. A ideia é que o saldo que Estados e municípios obterão com a mudança do indexador das dívidas com a União seja destinado a investimentos em setores como o da construção. “Seria uma espécie de uma mão lava a outra e todos e se ajudam”, comentou um assessor do Planalto. Outro auxiliar da presidente lembrou que Dilma, apesar de saber das dificuldades políticas do momento, vai insistir com representantes dos Estados e municípios sobre a necessidade de eles ajudarem a aprovar a CPMF. O argumento é único e real: a queda de arrecadação está atingindo a todos e a CPMF é a saída mais viável, já que todos precisam de investimentos, inclusive prefeitos que vão disputar a reeleição. As medidas ainda estão em discussão. Mas Dilma já avisou que


Case é eleita a melhor marca de máquinas de 2015

quer dar mais um passo firme em direção à conclusão das obras de transposição do Rio São Francisco. Este é um projeto considerado prioritário para este ano. A presidente está preocupada com a demora nas obras em diversos trechos, promoveu duas reuniões ontem e pediu estudos para apressá-las. Em ano eleitoral, uma das ideias da presidente é fazer várias inaugurações em diferentes trechos das obras de transposição. Na avaliação do Planalto, esse tipo de investimento local ajuda diretamente na economia das pequenas cidades nordestinas e o desenvolvimento da região e da sua população. Outros dois caminhos que poderão ser seguidos para ajudar no crescimento são a rediscussão de política industrial e usar as exportações para fazer o PIB crescer. Todas as medidas visam estimular o desenvolvimento, sem deixar de lado a preocupação fiscal.

A Case Construction Equipment é a vencedora do Prêmio AutoData 2015, um dos mais disputados da indústria automotiva no país. A marca foi escolhida a melhor empresa na categoria “Montadora de Máquinas Agrícolas e de Construção”, concorrendo com outras fabricantes. Roque Reis, vice-presidente da CASE para a América Latina, recebeu o prêmio ontem, 25 de novembro, em evento promovido pela editora em São Paulo, diante de uma plateia com centenas de executivos e empresários do segmento automotivo nacional. “Esse prêmio é um reconhecimento pela história que a CASE construiu no Brasil, onde está presente há mais de 90 anos, e onde começou a produzir há meio século. Somos uma marca consolidada, que conhece bem o Brasil e está preparada para atender a todos os segmentos que utilizam as máquinas de construção”, afirmou Reis. O portfólio de produtos da CASE cresceu mais de 170% nos últimos nove anos e é composto hoje por 33 modelos em oito linhas. A penetração da marca no agronegócio também tem aumentado anualmente e hoje representa 10% das vendas totais. As máquinas de construção têm papel importante no setor, sendo indispensáveis para a manutenção das unidades, abertura de estradas para escoamento da produção e também nos sistemas produtivos.

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Roque Reis, vice-presidente da Case

O Prêmio AutoData, realizado há 16 anos pela AutoData Editora, elege e reconhece publicamente empresas, produtos e personalidades que se destacam no setor automotivo brasileiro, segundo a avaliação de especialistas e executivos que atuam no segmento. A cada ano, os casos de sucesso são monitorados, avaliados e selecionados pelos jornalistas que compõem o corpo editorial. A escolha dos vencedores é feita por meio do voto direto dos assinantes da revista, da Agência AutoData de Notícias e participantes do Congresso AutoData Perspectivas, realizado anualmente em outubro. Em 2015, 51 marcas e empresas concorreram em 21 categorias.


Fato Concreto

Novas concessões rodoviárias de SP preveem investimentos de R$ 10,5 bi e tarifa variável de pedágio A nova etapa do Programa de Concessões Rodoviárias de São Paulo, anunciada pelo Governador Geraldo Alckmin em novembro de 2015, será responsável por investimentos de R$ 10,5 bilhões em 2,217 mil quilômetros de pistas que cortam transversalmente o Estado. Estão previstas obras de duplicação de 335 quilômetros de pistas, onde serão aplicados R$ 3,5 bilhões. O foco desses investimentos é a expansão de trechos já saturados da malha a ser concedida. As obras que ampliam a capacidade de tráfego também aumentam a segurança viária, influenciando diretamente na economia do Estado e do País. Do total a ser investido, 60% se concentram nos 10 primeiros anos de concessão, que será de 30 anos. Os novos contratos também possibilitarão a reprogramação do Plano de Investimentos em revisões ordinárias previstas para ocorrerem a cada quatro anos, possibilitando, assim, a incorporação de novas intervenções de acordo com as demandas verificadas na malha rodoviária e pela sociedade. Essa flexibilidade tem o objetivo de atender as demandas a serem criadas pelas mudanças provocadas pelo crescimento e desenvolvimento dos municípios, como instalação de novas indústrias, ampliações de bairros, etc. A Artesp – Agência de Transporte do Estado de São Paulo – apresenta a representantes do mercado financeiro detalhes da modelagem jurídica e econômica-financeira do processo de concessão. Haverá também 30 quilômetros de nova pavimentação e 19 quilômetros de novas pistas que constituirão a interligação entre a SP-324 e a Rodovia D. Pedro I, na região de Campinas. Em janeiro terá início a realização de audiências públicas para detalhar os investimentos na nova malha,

informações sobre pedágios e ouvir as demandas das regiões que serão beneficiadas com as concessões. Conforme já havia sido anunciado pelo Governador Geraldo Alckmin, as novas concessões estão divididas em quatro lotes, que representam um acréscimo de aproximadamente 25% na malha concedida do Estado de São Paulo, que está atualmente em 6,4 mil quilômetros. Dos R$ 10,5 bilhões a serem investidos, metade corresponde à restauração da malha existente – 2,217 mil quilômetros – a serem concedidos. Concorrência internacional O Projeto de Concessão prevê a realização de uma concorrência internacional, com os concorrentes participando de maneira isolada ou em consórcio. Serão vencedores de cada lote os concorrentes que apresentarem a maior outorga com valor fixo de tarifa média. Foi estabelecido como taxa interna de retorno dos contratos o índice de 9,83%. Os concorrentes terão de comprovar a sua saúde financeira; a qualificação técnica na operação de rodovias; apresentar empréstimo ponte durante a licitação ou comprovação da capacidade de arcar, com recursos próprios, com os investimentos exigidos; entre outras exigências.

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Desempenho Os contratos de concessão estabelecerão parâmetros para o reajuste da tarifa, com menor percentual em caso de desempenho aquém do previsto. De início, as tarifas de pedágios, considerando o valor quilométrico, serão cerca de 27% inferior às praticadas nas concessões da 1ª Etapa do Programa (rodovias Anchieta/Imigrantes; Anhanguera/Bandeirantes; Castello Branco/Raposo, entre outras). O reajuste ocorrerá com base no IPC-A descontando-se uma parcela relativa à eficiência do serviço prestado, com redução do reajuste pelo não atendimento de indicadores de desempenho. Tarifas de pedágio Haverá flexibilidade para se propor uma estrutura tarifária que aumente a eficiência do sistema rodoviário, mantendo-se o valor médio da tarifa definida no contrato, mas que poderá proporcionar ao usuário vários descontos levando-se em conta o dia da semana, horário do dia, forma de pagamento do pedágio (manual ou eletrônico). Assim será criada uma banda de variação de valores tarifários a serem praticados. A publicação do edital – com as exigências financeiras, técnicas, obrigações da concessão e demais detalhes do processo como as obras a serem executadas e a definição da estrutura operacional – ocorrerá em abril.


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Fato Concreto

PPP em municípios alavancará aporte em infraestrutura para 1,85% do PIB

Os investimentos em infraestrutura no Brasil devem crescer 0,10% em participação no Produto Interno Bruto (PIB) do País em 2016, passando de 1,75% do PIB neste ano, para 1,85%, impulsionados por políticas públicas. A estimativa é da consultoria econômica Pezco Microanalysis. Além de grandes projetos federais de concessões em infraestrutura (como de aeroportos e rodovias), as parcerias público-privadas (PPPs) nos municípios terão papel fundamental na alavancagem dos aportes, principalmente nos setores de iluminação pública e resíduos sólidos. Frederico Turolla, sócio diretor da Pezco, avalia que a resolução normativa 414/2010 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) despertou o interesse de empresas nos projetos de PPPs em iluminação pública nas cidades do País. A resolução estabeleceu a transferência de todos os ativos de energia da União para a responsabili-

Haver & Boecker e Hazemag Minerals: juntas para venda e assistência técnica de equipamentos de britagem A Haver & Boecker, conhecida mundialmente em soluções de processamento mineral, tais como fabricação de peneiras vibratórias, sistema de lavagem em alta pressão, discos pelotizadores, soluções de ensacamento e despacho e fabricação e fornecimento de telas, para peneiramento, filtragem, medição e arquitetura, entre outros serviços, anuncia uma cooperação com a Hazemag Minerals, especializada em tecnologia e design de britador de impacto. As empresas fecharam um acordo de colaboração estratégica

para o mercado da América Latina. O acordo consiste em oferecer para a área de processamento mineral não só a venda dos equipamentos para britagem, moagem, secagem e transporte, mas também um programa de pós-venda, no qual, o cliente terá serviços de assistência técnica, peças de reposição, reforma e modernização de máquinas feitos pela Haver & Boecker. E esses serviços valem não somente para os novos compradores, mas para os clientes que já possuem máquinas da Hazemag Minerals. “Temos a certe-

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za que ao oferecer ao mercado o mais alto padrão em soluções técnicas para o processamento mineral, aliadas a um extenso e consolidado programa de serviços, estamos atendendo os crescentes requisitos e necessidades vindos do mercado, reafirmando assim nossa tradição de qualidade e visão de longo prazo de ambas as companhias”, afirma Paula Wright, Gerente de Marketing da Haver & Boecker. Ou seja, baseadas nas necessidades de seus clientes, as empresas decidiram se unir para oferecer uma


dade dos municípios, até dezembro de 2014. Segundo Turolla, até o momento, já existem quatro PPPs de iluminação pública contratadas, uma delas no município de Caraguatatuba, cidade litorânea do Estado de São Paulo. O Consórcio Caraguá Luz é formado pelas empresas Fortnort Desenvolvimento Ambiental e Urbano Ltda. e Urbeluz Energética S.A, e foi celebrado em julho deste ano, com a prefeitura local. O prazo do contrato da concessão administrativa é de 13 anos e o seu valor é de aproximadamente R$ 198 milhões. A concessão inclui elaboração de projeto, implantação, operação e manutenção das instalações de iluminação pública da cidade, bem como responsabilidade do consumo de energia. Resíduos sólidos Já os Planos Intermunicipais de Resíduos Sólidos também estão gerando oportunidades para que as empresas

apresentem de gestão no lixo nas cidades. O município de Cabreúva, em São Paulo, por exemplo, conduz uma licitação de PPP de resíduos sólidos que atraiu cinco empresas interessadas. A modalidade da concessão é administrativa e o prazo é de 30 anos, com valor estimado é de quase R$ 324 milhões. Segundo a Lei 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, as capitais e os municípios de regiões metropolitanas terão prazo até 31 de julho de 2018 para acabar com os lixões. Já as cidades localizadas em fronteiras e os que têm mais de 100 mil habitantes terão até o final de julho de 2019. Os municípios que possuem entre 50 mil e 100 mil habitantes, por sua vez, têm até 31 de julho de 2020. “Tanto as oportunidades de PPPs em iluminação pública, como também em resíduos sólidos estão ligadas a fatores pontuais [de políticas públicas] e não ao momento da economia do País.

solução completa na área de britagem para os consumidores. “Os 40 anos de experiência e a confiança dos clientes no trabalho da Haver e em sua qualidade, permitem dar suporte aos clientes Hazemag Minerals”, revela Paula Wright. “A Haver & Boecker tem todo um histórico de tradição. Essa colaboração estratégica para oferecer manutenção e assistência técnica vai ao encontro do que pensa a Hazemag Minerals, fazer o atendimento de maneira exemplar”, finaliza a gerente.

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Apesar disso, as PPPs, ao lado das concessões devem gerar volumes significativos, trazendo alívios para a economia”, diz Turolla, ressaltando que aportes em saneamento básico, após crescerem com força nos últimos anos, irão desacelerar em 2016. Para Bruno Pereira, sócio da Radar PPP, as parcerias entre os governos e as empresas podem ser uma “ponte” entre o momento fiscal desafiador em 2016 e 2017 e o momento da retomada do crescimento, estimado para 2017 e 2018. “O clima de desconfiança é nacional, mas acredito que entes subnacionais podem contornar o clima de desconfiança e atrair investidores para suas licitações em 2016, afirma. No último dia 19, o governo do Estado de São Paulo anunciou pacote de concessões em transportes, com aportes estimados de até R$ 13,8 bilhões.


Fato Concreto

Kaizen Digital para melhorias nos processos de gestão e produção Por se tratar de uma ferramenta de fácil acesso, ela deverá impactar positivamente toda a cadeia produtiva da empresa originando uma redação de cerca de 8.000 folhas de papéis por ano. Melhor do que acreditar em soluções externas, a FPT Industrial resolveu investir e apoiar as ideias de seus funcionários. Como resultado, há cerca de um ano dois colaboradores da planta de Sete Lagoas (MG) desenvolveram uma ferramenta para gestão, a Kaizen Digital que foi adotado na unidade em novembro de 2015 e deve reduzir em cerca de 8.000 folhas de papeis para confecção de formulários, além de oferecer mais velocidade na validação dos projetos na planta industrial. A ação autônoma dos funcionários, Eduardo Carvalho e Guilherme Rezende, montadores que atuam na linha de produção dos motores NEF da unidade mineira para a concepção do projeto partiu de um processo de melhorias já existente, o chamado Kaizen, mas que na opinião dos colaboradores poderia ser lapidado. Bastou essa identificação para que o processo se transformasse em uma oportunidade de progresso. Foi criado então o aplicativo Kaizen Digital, que apresenta facilidade na utiliza-

ção a começar pelo login de acesso, que se dá por meio da inserção dos quatro últimos dígitos da matrícula do funcionário. Em seguida, os passos consistem em criar a proposta de Kaizen, adicionar uma imagem sobre o assunto e sugerir uma solução. Feito isso, já está pronto para ser enviado por e-mail ao responsável pela respectiva área. Carvalho garante, “que o aplicativo é de fácil controle. Todo o processo, desde a construção da ideia, inclusão de imagens, a função salvar e enviar são intuitivos. Provavelmente todos irão adaptar-se rapidamente. Pelo fato dos arquivos serem todos digitais, a FPT terá como retorno economia de tempo, papel e espaço, tanto para os funcionários como para gestores de área”, finaliza o montador. Para o presidente da FPT Industrial na América Latina, Marco Aurélio Rangel, “é importante apoiar nossos colaboradores em iniciativas inovadoras e que agregarão valores aos processos de uma forma geral à empresa. A FPT parabeniza os desenvolvedores Eduardo e Guilherme pelo feito e, principalmente, pela atitude inspiradora”.

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Rezende confirma o apoio que ambos têm recebido por parte da companhia e acrescenta, “a empresa acredita neste projeto e nos apoia desde o início. Esperamos expandir para todas as plantas da companhia e dar continuidade com futuras atualizações com o objetivo de melhorar constantemente as ferramentas de gestão de melhorias”. Os criadores do Kaizen Digital esperam que, por se tratar de uma ferramenta de fácil acesso, ela deverá impactar positivamente toda a cadeia produtiva da empresa. O aplicativo poderá ser utilizado pelos funcionários da FPT que possuam um dispositivo móvel como smartphone ou tablet. Para Glauber Henrique, coordenador de WCM da FPT Sete Lagoas, “o lema adotado pela fábrica é justamente investir em ideias inovadoras, e este é apenas um dos exemplos de como resolver problemas antigos com ideias novas”, conclui.


Artigo

Situação e perspectivas das PPPs para 2016 por Bruno Ramos Pereira Desafios macroeconômicos, instabilidade política, crise fiscal, investigações da lava jato e pessimismo entre agentes econômicos não foram suficientes para reduzir a dinâmica do mercado de parcerias público-privadas em 2015. No ano passado, foi alcançada a marca de mais de 80 contratos de concessão administrativa e patrocinada já assinados desde a publicação da lei federal de PPPs e o número seguirá crescendo em 2016, principalmente em função da movimentação dos projetos municipais. Do total de 138 Procedimentos de Manifestação de Interesse (PMIs) publicados em 2015, 106 são municipais (sendo 2 de consórcios intermunicipais) e 32 estaduais. Dos 106 PMIs municipais, os setores mais relevantes são iluminação pública (com 31 projetos); saneamento básico (17 projetos) e resíduos sólidos (16 projetos). Dessa amostra dos setores mais relevantes, 13 projetos já alcançaram no mínimo a fase de consulta pública, o que sinaliza a existência de um conjunto de projetos municipais que inicia 2016 com um nível de maturidade rumo à fase de licitação.

31 PMIs de iluminação pública

17 PMIs de Saneamento Básico

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Bruno Ramos Pereira - Sócio da empresa Radar PPP e coordenador do portal PPP Brasil

Não haveria tal evolução sem a participação da iniciativa privada, investidores, construtores, fornecedores de equipamentos e consultores. Logo, a despeito do pessimismo que caracteriza os agentes econômicos, há aqueles que seguem investindo no desenvolvimento das PPPs. Além da maturidade da carteira de projetos municipais, 2016 deve ser caracterizado pelo aumento do número de projetos estaduais, principalmente em Estados que iniciam sua trajetória com PPPs, como Piauí, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Mas, por outro lado, em 2016 não haverá apenas boas notícias. Diversas empresas investigadas na operação lava jato tiveram intensa atuação com PPPs no passado. Não seria totalmente surpreendente que as investigações alcançassem alguns contratos de PPP. Nesse sentido, já surgiram algumas notícias sobre investigações sobre as PPPs das arenas da Copa do Mundo de 2014 e, eventualmente, observaremos os desdobramentos nos próximos meses. Uma boa notícia de 2015, ainda em tempo de ser comemorada, foi a decisão do poder judiciário que contribuiu para o respeito ao contrato de PPP de esgotamento sanitário de Rio das Ostras (RJ). Tratase de um caso de desacordo entre chefe do poder executivo Municipal e concessionária, em que o

judiciário atuou em defesa do respeito ao contrato de PPP. Ainda sobre os 86 contratos de PPPs já assinados no Brasil, ao mesmo tempo em que poderemos alcançar a marca de 100 contratos durante 2016, o ano que se inicia pode ser decisivo para a intensificação do esforço de análise crítica dos contratos assinados. De um lado, foi possível perceber em 2015 um esforço do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE/SP) para analisar a situação dos contratos de PPP sob sua jurisdição. O TCE/SP emitiu dezenas de solicitações de informações para gestores de contratos de PPP e seguirá desempenhando sua função de acompanhamento dos contratos. Adicionalmente, outros contratos encontram-se em situação sensível: a “novela” da intervenção no contrato de PPP de Pernambuco do Centro de Ressocialização de Itaquitinga segue sem desfecho oficial e a PPP da arena estadual da Copa, em Recife, deve ter seu processo de renegociação concluído (com apoio externo da FGV Projetos); o Prefeito de Paulínia decretou a intervenção na PPP do Polo Cinematográfico e Cultural da cidade; em Minas Gerais há dois contratos sendo revisados (PPP de Presídios e PPP para tratamento de resíduos sólidos na Região Metropolitana de Belo Horizonte); o imbróglio do centro administrativo do Distrito Federal segue sem solução no horizonte; o Hospital do Subúrbio da Bahia deve concluir sua revisão ordinária; a renegociação da PPP do Faça Fácil do Espírito Santo deve ser concluída. Os desafios observados em alguns contratos de PPPs assinados anos atrás servem para fortalecer a experiência do País com o tema. De nada adiantará termos tantos projetos iniciados em municípios no anos de 2016 que, sem dúvida, é um fato positivo, se não dispusermos de condições para incorporar lições aprendidas de contratos antigos nos novos projetos. Em resumo, o ano de 2016 deve ser bastante ativo, quer seja no que diz respeito aos novos projetos, quer seja no que diz respeito aos resultados obtidos com as PPPs já celebradas. Há uma grande oportunidade para que novas empresas desenvolvam projetos de PPPs e concessões no Brasil, principalmente diante do cenário fiscal dos próximos 2 anos.

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Capa

Projeto Sírius: o futuro, hoje Prédio que abrigará o novo laboratório de luz síncrotron comprova a maturidade da engenharia brasileira

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O Brasil está prestes a assumir lugar de destaque na comunidade científica mundial, figurando entre os países que dispõem de tecnologia de ponta para pesquisas em diversas áreas, como física, química, biologia, geologia, nanotecnologia, engenharia de materiais e até paleontologia. Isso graças à implementação do Pro-

jeto Sirius, com a construção, em Campinas (SP), do novo Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS). Orçado em carca de R$ 1,7 bilhão, o laboratório, cuja inauguração é prevista já para 2018, será um dos primeiros para a geração de luz síncrotron do mundo, de quarta geração. A luz síncrotron é um tipo de radiação eletromag-

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nética de amplo espectro, que abrange desde o infravermelho até os raios X. Ela é emitida através da aceleração de elétrons em velocidade próxima à da luz, quando a sua trajetória é desviada por um campo magnético. Antônio José Roque da Silva, diretor do LNLS, explica que um acelerador síncrotron


Capa funciona como um grande microscópio. A radiação eletromagnética (luz) gerada pelos elétrons se estende por uma ampla faixa do espectro eletromagnético, do infravermelho aos raios-x. Essa radiação, chamada de luz síncrotron, é usada para investigar a estrutura de diversos tipos de materiais, identificar quais são os átomos e moléculas que os compõem, como eles se orientam no espaço, como se comportam sob condições extremas de temperatura e pressão, e muitas outras aplicações. Uma das características da radiação sincrotron é que ela tem altíssimo brilho, permitindo estudar diversos sistemas, orgânicos e inorgânicos, na escala atômica e nanométrica. Com isso seu impacto é enorme, sendo utilizada – tanto pela academia quanto pela indústria – em praticamente todas as áreas do conhecimento, como fármacos, agricultura, medicina, biotecnologia, nanotecnologia, materiais avançados, energia, semicondutores, materiais magnéticos, etc. “Podemos dizer que essas fontes avançadas de luz estão dentre os instrumentos científicos mais transformadores e com impacto mais amplo de aplicações desde a invenção do laser e do computador”, compara Antônio José Roque da Silva. A radiação sincrotron é produzida quando elétrons são acelerados dentro de um anel de 518 metros de comprimento (165 metros de diâmetro) a uma velocidade muito próxima da velocidade da luz, que é de

aproximadamente 300 mil km/s. Durante sua trajetória, os elétrons são desviados por campos eletromagnéticos que os levam fazer curvas ou oscilarem rapidamente. Esses movimentos produzem a radiação sincrotron. O anel de armazenamento, onde os elétrons transitam não é totalmente circular, mas formado de trechos retos e curvos

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intercalados. No Sirius serão 20 trechos retos e 20 trechos curvos. A princípio, cada trecho reto ou curvo pode conter uma linha de luz, como são chamadas as estações experimentais. Cada estação experimental é como um laboratório completo. Isso faz com que muito mais experimentos possam ser feitos em muito menos tempo. Espera-se que, no


Vista aérea do canteiro de obras

início da operação do Sirius, 13 linhas de luz estejam disponíveis a cientistas de todo Brasil e do exterior. Inicialmente, o orçamento do projeto havia sido estimado em R$ 1,3 bilhão, englobando Obras Civis, Fonte de Luz Síncrotron (Aceleradores), Linhas de Luz e Estações Experimentais, bem como Recursos Hu-

manos, Gestão e Infraestrutura. Mas, como cerca de 35% do projeto é dolarizado, a alta do dólar fez com que esta estimativa de custo se elevasse. Somente as obras civis – que incluem o prédio principal, portaria, subestação de energia elétrica, dentre outros itens - foram orçadas em R$ 670 milhões em 2014. O acelerador de elétrons será

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montado, em sua maior parte, com tecnologia brasileira e instalado próximo ao atual acelerador brasileiro, o UVX, que entrou em operação em 1997 e atende a cerca de 1,4 mil pesquisadores por ano, com quase 3 mil trabalhos científicos. Ambos operados pelo LNLS. A atual fonte de luz síncrotron brasileira UVX é considerada uma fonte de 2ª geração. As melhores máquinas disponíveis no mundo são máquinas da chamada 3ª geração. No momento, apenas três países estão construindo máquinas consideradas de 4ª geração. Além do Sirius, a Suécia está construindo o MAX IV, que deve ser inaugurado no ano que vem, e o síncrotron ESRF, na França, está em processo de upgrade para o ESRF 2, que deverá ficar pronto em 2020. Outros síncrotrons ao redor do mundo estão ainda no processo de planejamento de melhorias e atualizações. “Há muitas características que definem uma fonte de luz síncrotron e a geração a que ela pertence. No entanto, de forma geral, quanto menor for uma quantidade chamada emitância (a grosso modo, o quão bem focalizado é a luz produzida pelo acelerador) melhor é a fonte de luz síncrotron. O Sirius estará entre as fontes de luz síncrotron de menor emitância, e, portanto, maior brilho, do mundo na classe de energia em que trabalhará de 3 giga-elétron-volts. É, portanto, um desenvolvimento pioneiro, no estado da arte”, comemora o diretor do LNLS. Ele salienta que 100% do


Capa

Construção das estruturas do acesso principal

projeto, com várias características inovadoras, é nacional, totalmente desenvolvido no LNLS. “Assim como na construção da atual fonte de luz síncrotron brasileira UVX, a maior parte da tecnologia envolvida na fabricação do acelerador está sendo desenvolvida nacionalmente, seja pela equipe interna do LNLS, seja por empresas nacionais parceiras como a WEG, de Santa Catarina, responsável pela fabricação de mais de 1000 eletroímãs que serão utilizados nos aceleradores do Sirius. Algumas outras empresas já envolvidas com o projeto são a Engecer, de São Carlos, a Termomecânica, de São Bernardo do Campo, a EXA-M, da Bahia e a FCA Brasil de Campinas.”

O desafio das obras civis Para abrigar equipamento com tão elevado padrão de tecnologia, será construído um prédio extremamente sofisticado, com padrões de estabilidade mecânica e térmica sem precedentes na história da engenharia brasileira. Oscar Vigna, coordenador das Obras Civis do projeto Sírius, explica que no processo de produção da energia sincrotron, qualquer vibração, por menor que seja, gera interferências indesejáveis. “Essa é certamente a maior preocupação desde a fase de projeto. O fato de nunca ter se construído uma fonte de luz com a baixa emitância, como a que está sendo construída, nos deixa bastante

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apreensivos quanto aos resultados da nova edificação no quesito vibrações”. Como forma de mitigar este problema algumas soluções foram adotas em projeto. Para o engenheiro, os aspectos mais importantes da edificação para o bom desempenho da fonte de luz são a estabilidade do piso onde serão instalados os aceleradores e as linhas de luz contra recalques diferenciais e deformações; a capacidade de isolar as vibrações mecânicas proveniente do ambiente externo e de mitigar a propagação das geradas no próprio ambiente da fonte e a alta estabilidade térmica na região da fonte de luz. Também são fundamentais a proteção radiológica adequada


para garantir a segurança dos usuários, e o sistema de aterramento elétrico, que além de promover a segurança de pessoas e equipamentos, permita uma performance adequada de toda a instrumentação eletrônica em um ambiente em que convivem fontes de alta potência com detectores eletrônicos extremamente sensíveis.

Piso crítico O projeto da edificação prevê algumas soluções técnicas que trazem para a construção alguns desafios, sendo o principal deles a construção do que passou a ser chamado de piso crítico. Esta é a região onde será instalada a fonte de luz sincrotron. Trata-se de dois grandes pisos

de concreto armado de formato circular, concêntricos, com circunferências médias de 520m e 590m. O interno tem espessura de 90cm e será, ao fim de sua construção, uma peça única sem juntas de dilatação. Sobre ele, será construída também em concreto a blindagem dos aceleradores que é um túnel com paredes de espessura entre 80cm e 1,5m e teto com 1m. Assim como o piso, esta blindagem será concretada in loco sem juntas de dilatação. Estes pisos serão apoiados em uma camada de solo modificado com cimento de aproximadamente 3,5m de espessura. O objetivo é ter esta região isolada do restante do prédio. As especificações de projeto para este piso no quesito defor-

mação são as seguintes: a cada 10m de distância entre dois pontos poderá haver deformação relativa máxima de 0,25mm (ou 250 micrometros) no intervalo de um ano; simultaneamente, ao redor de toda a circunferência da região dos aceleradores, a máxima deformação poderá ser de 2cm no mesmo intervalo de tempo. O será uma peça única. O planejamento para a sua execução está sendo rediscutido neste momento. A princípio, a estrutura será concretada em fatias deixando-se entre elas, faixas que funcionarão como juntas de construção. Uma vez alcançada a retração adequada, as fatias serão unidas com a concretagem destas faixas.


Capa Para o piso crítico, a forma construtiva será a seguinte: com o prédio coberto, que propiciará as melhores condições de controle de qualidade, a região sob os pisos será escavada até a profundidade de quatro metros. Em seguida, na região sob a blindagem, serão implantadas 1300 estacas tipo CFA (hélice continua monitorada) com 11m de profundidade e diâmetro de 40cm. Em seus topos serão construídos capitéis sobre os quais serão aplicadas duas camadas com 30cm de espessura cada de seixo cimento confinadas em geogrelhas. A partir daí o solo retirado será misturado com cimento e aplicado em camadas compactadas até alcançar 2m de espessura. Sobre esse solo modificado está prevista uma camada de BGTC (15cm) e sobre ele o piso com 90 cm de espessura de concreto armado. Para permitir um bom controle tecnológico, está prevista a implantação de uma usina de concreto na obra. Dentro do planejamento, está sendo discutida a possibilidade de construir alguns protótipos nos quais poderão ser testados tanto os traços como as formas de aplicação, cura e controles dimensionais.

O prédio pode ser descrito de forma resumida como dois anéis com três pavimentos cada separados pela área do piso especial. No pavimento térreo do anel interno se localizarão as salas de máquinas, parte do sistema de HVAC e algumas fontes de corrente para os maiores eletroímãs dos aceleradores. Nos pavimentos 1 e 2, chamados de galerias de instalações, as utilidades circularão o prédio. Já no anel externo serão instalados, no pavimento térreo, os laboratórios de apoio às linhas de luz. No primeiro pavimento, será ocupado basicamente por escritórios de pesquisadores e funcionários. O terceiro pavimento são áreas técnicas. Os anéis com seus três pavimentos Construção da laje dos escritórios

Vibração zero Toda estrutura do prédio que envolve o piso crítico está sendo construída em concreto armado moldado in loco, cuja fundação com mais de 900 estacas tipo hélice contínua, é totalmente independente da fundação do piso crítico.

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formam individualmente uma estrutura circular rigidamente ligada a fundação já descrita. O único grande elemento ligado à estrutura de forma não rígida, é a cobertura. Ela será em estrutura metálica e telha zipada cônica, apoiada sobre aparelhos de apoio fretados que evitarão a propagação de vibrações para a estrutura de concreto. Toda a circulação de água gelada e de processo será feita com velocidades abaixo de 1m/s. Além disso, outras medidas complementares foram adotadas, tais como sistema sifônico de água pluvial; suspensão e apoio de equipamentos e instalações em aparelhos antivibratórios. A própria escolha de bombas ver-


ticais, também contribui para reduzir a geração e propagação de vibrações para a estrutura. Os aceleradores onde se fornece energia e se armazenam os elétrons definem a geometria do prédio, que tem um formato predominantemente circular com um pátio interno. Seu diâmetro externo está na casa dos 230m, e a área total construída é de aproximadamente 68.000m². A edificação prevê como um anexo ao anel interno a área de engenharia. Nela serão instaladas as áreas de utilidades como subestação de média tensão, duas casas de bombas, além de área para amplificadores do RF dos aceleradores além de um acelerador linear de elétrons. As utilidades serão distribuídas em

dois grandes anéis, uma galeria de instalações e o outro no teto dos corredores do anel externo da edificação. No pátio interno haverá uma edificação independente para abrigar os geradores de emergência de energia elétrica e uma sala para os compressores da planta de liquefação de hélio.

Tratamento de solo No tocante ao tratamento do solo e fundações, também foram feitas especificações sofisticadas. Para evitar a deformação relativa, o projeto definiu três várias frentes de ação. Para se obter uma fundação eficaz contra recalques de solo, foi adotado o uso de perto de 1300 estacas, para suportação do solo modificado sob o piso na região da blindagem. Toda a área não impermeabilizada em torno prédio terá sistema de drenagem, para garantir o mínimo de variação na umidade do solo. O terreno foi regularizado através de corte e aterro com grau de compactação acima de 98%. Para a edificação, em toda a fundação foram utilizadas estacas tipo hélice contínua monitorada (mais de 900 estacas) com diâmetros entre 40 e 80cm e profundidade média de 18m. Vale lembrar que a camada de rocha no terreno está abaixo dos 30m de profundidade.

Proteção radiológica O sincrotron não utiliza materiais radioativos para produzir radiação eletromagnética (luz). Sendo assim, não há perigo de

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contaminação por materiais radioativos. A proteção radiológica é necessária apenas durante a operação da máquina. Para isso, toda estrutura de aceleradores será construída sobre um piso monolítico de concreto com 90 centímetros de espessura, com paredes e coberturas espessas, também em concreto com espessura varável entre 80 centímetros e 1,5 metros. Esta estrutura faz com que a exposição à radiação durante a operação da fonte de luz síncrotron esteja dentro dos níveis de dose para áreas classificadas como livres de radiação como determinado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear, garantindo a segurança de todas as pessoas que terão acesso às dependências do Sirius. O sistema de cobertura do prédio principal, será com telhas zipadas em alumínio com sistema termo acústico. A especificação de transmitância térmica é de 0,19W/m².K. A região do piso especial, se lembramos, está isolada por dois anéis que funcionam como uma camada isolante visto que ambos são com ar condicionado. A cobertura dos demais volumes utiliza o mesmo sistema de telha, porém com um nível de isolamento térmico menor. Transmitância de 0,75W/m².K.

Status das obras A obra, a cargo da Racional Engenharia, se iniciou em dezembro de 2014, já com o terreno terraplenado. A construtora já tem experiência com construções de missão crítica, entre


Capa elas data-centers. Em complemento, assim como na fase de projetos, os projetistas participaram de diversos workshops com apresentações de outros síncrotrons e também de visita a outros síncrotrons pelo mundo. A Racional têm participado de workshops e também estão sendo programadas visitas à outras instalações. Atualmente, a fundação das edificações está completa e avançam os trabalhos com a superestrutura. Simultaneamente a estrutura metálica e cobertura estão em fabricação. Pelo cronograma as obras serão entregues em 2018 e as primeiras linhas de luz serão

disponibilizadas para usuários em 2019. Dos equipamentos integrantes do escopo da edificação do Sirius, apenas uma ponte rolante está em processo de fabricação. Os testes com instalações estão previstos para o final de 2017 começo de 2018. Cerca de 350 operários atuam diretamente na obra, nesse momento. A construtora tem procurado atrair empresas de ponta para fornecimento de material, mão de obra e serviço. As peculiaridades do projeto, mesmo na fase de estruturas vem impondo a necessidade de um acompanhamento e supervisão mais intensos, além da necessi-

dade de orientação desta mão de obra. Suas subcontratadas para as instalações são a Temon, responsável pelas instalações de elétrica, hidráulica e incêndio, a Heating Cooling para HVAC e Fluidos Mecânicos e a Johnson Controls para as instalações de detecção, automação e TI. Entre os principais fornecedores de materiais e insumos para o projeto figuram a ConcreBase, responsável pelo suprimento do concreto; a Gerdau, fornecedora de aço; a Açotec e a Medabil, provedoras das estrutura metálicas e a Roofway, que vai instalar a cobertura (sistema Kalzip).

Construção dos pilares do prédio principal

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Curiosidades do projeto: • O nome Sírius foi escolhido por um comitê julgador interno, em referência a uma estrela de grande brilho localizada na constelação de Canis Major. Sírius é a estrela mais brilhante no céu noturno. Assim, como a estrela, a fonte de luz síncrotron é a mais brilhante em construção. • Luz síncrotron é um tipo de radiação eletromagnética que permite a observação da estrutura interna dos materiais. Ela é emitida por elétrons em velocidade próxima a da luz quando a sua trajetória é desviada por um campo magnético. • A luz é gerada pela aceleração de elétrons, que viajam dentro de um anel de 518 metros de comprimento (165 metros de diâmetro) a uma velocidade muito próxima (99,999999%) da velocidade da luz, que é de aproximadamente 300 mil km/s. • A diferença do Grande Colisor de Hádrons (LHC) na Europa e de outros colisores de partículas é que os elétrons, neste caso, não

se chocam uns contra os outros em nenhum momento; viajam todos na mesma direção. • A energia operacional do Sirius será de 3 bilhões de elétrons-volts (GeV), comparada ao bem mais modesto 1,37 bilhão de elétronsvolts do UVX. Isso, associado a uma série de outras especificações técnicas da máquina (como a configuração de magnetos ao redor do anel), permitirá produzir feixes de fótons (luz) muito mais brilhantes do que os atuais. Uma vantagem crucial é que será possível produzir um tipo de raio X mais energético, conhecido como “duro”, capaz de penetrar materiais mais espessos – algo que a máquina atual tem dificuldade de fazer. • O limite de energia dos fótons nas linhas de luz do Sirius será de 250 mil elétrons-volts (KeV), comparado a 30 mil elétrons-volts no UVX, que é um limite inferior de energia dos raios X duros. • Outro grande diferencial da máquina será a sua baixa emitância, uma característica relacionada ao

tamanho da fonte e ao diâmetro do facho de luz gerado por ela, que será de 0,28 nanômetroradiano (nm.rad), comparado a 100 nanômetros-radianos do UVX. É a menor emitância de qualquer fonte de luz síncrotron em operação ou sendo projetada no mundo. • Na Saúde, pesquisas feitas com luz síncrotron serão fundamentais para a identificação de proteínas e unidades intracelulares complexas, etapa importante para o desenvolvimento de novos medicamentos. • Na Agricultura, a luz síncrotron poderá ser usada para análise de solo, para o desenvolvimento de fertilizantes mais eficientes e baratos e ao mesmo tempo menos agressivo ao meio ambiente. • Na Energia, a luz sincrotron permitirá desenvolvimento de novas tecnologias de exploração de petróleo e gás natural. Nessa área destaca o uso para realizar medições em diferentes condições de temperatura e pressão.


Capa

Integração entre físicos e engenheiros foi fundamental para o sucesso do projeto. Este será o segundo acelerador síncrotron do Brasil. O primeiro, também no LNLS em Campinas, está em funcionamento desde 1997 e é, até o momento, o único da América Latina. O novo será 5 vezes maior, com 520 metros de perímetro, e será uma fonte de luz síncrotron de quarta geração, com maior brilho do mundo em sua classe de energia, onde será possível chegar ao nanofoco, permitindo “enxergar” dentro da matéria. A Hill International foi a responsável pelo projeto executivo do prédio e suas instalações onde será instalado o acelerador e seu envolvimento parcial se estenderá para todo o período de construção. O projeto do Sirius foi bastante desafiador. Para se ter uma ideia da complexidade, o projeto de engenharia de detalhamento foi elaborado, obviamente considerando as normas Brasileiras aplicáveis, mas por diversas vezes lançando mão de artifícios necessários a adequar uma instalação geralmente dimensionada com precisão de centímetros para atender tolerâncias dimensionais da ordem de Microns, ou seja, dez mil vezes menor que o cen-

tímetro. Tais artifícios resultaram em maior robustez da estrutura e principalmente do piso que a princípio seguiram premissas estabelecidas em estudos para atenuação de vibrações, estas extremamente danosas à estabilidade do feixe de luz. Além disso, foi preciso muito estudo e testes em protótipos, de forma a buscar as melhores soluções para os desafios propostos. Os físicos que estabeleceram as premissas do projeto foram bastante criteriosos quanto aos procedimentos de aprovação das soluções. Foi preciso rever nossos padrões de engenharia, resultado da proximidade entre físicos e engenheiros e arquitetos. Além do aspecto dimensional do projeto, a forma e sequência de execução também foram levadas em conta, sempre tendo como objetivo alcançar as rigorosas tolerâncias requeridas no projeto. Como exemplo temos as especificações do concreto a ser utilizado na blindagem e no piso do anel, com restrições efetivas quanto ao seu módulo de elasticidade e resistência. Como exemplo também temos a execução das fundações, melhoria do subsolo através de

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geogrelhas, solo cimento e concretagem do piso e da blindagem do anel após a conclusão de todo o prédio, estando este coberto e com o fechamento lateral concluído de forma a se ter controle das condições ambientais necessárias a mitigar as deformações dos elementos de concreto. Foram necessários 18 meses para a conclusão do projeto, em um trabalho que envolveu a atuação de profissionais distintos como arquitetos, engenheiros e técnicos, os quais desenvolveram as áreas de arquitetura, vibrações, fundações, estruturas, pisos especiais e instalações (hidráulica, elétrica, automação e ar condicionado). Pela complexidade, foram gastos cinco vezes mais horas do que um projeto padrão que incluirão pesquisas, ensaios e viagens para conhecer aceleradores em Hamburgo, na Alemanha, Oxford, no Reino Unido, e Lund, na Suécia. Pensado inteiramente para que a estrutura predial não interfira nas pesquisas, o projeto do Sirius foi realizado inteiramente por profissionais brasileiros. O maior desafio foi traduzir para a engenharia todo o anseio dos físicos. Fazer um sonho se tornar concreto.

Alguns dos pontos mais peculiares do projeto são: • Isolamento vibracional entre a estrutura da edificação e o piso do hall de experimentos e blindagem dos aceleradores; • Características de blindagem dos aceleradores (acessos de teto


com elementos de concreto pré-moldado sobrepostos); • Chicanas de acesso das utilidades dentro da blindagem dos aceleradores; • Estabilidade do sistema de ar condicionado dentro da blindagem dos aceleradores e do ambiente de pesquisas do hall de experimentos; • Características de estanqueidade e isolamento térmico da cobertura e fechamentos; • Pontes rolantes para ambientes com desenvolvimento circular; • Atenuação de fontes de vibração; • Troca de solos e execução de fundações do hall de experimentos em ambiente controlado já com cobertura e fechamento lateral; • Homogeneidade dos elementos básicos de construção, principalmente o concreto; • Estudos vibracionais através de protótipos; • Sistemas de aterramento; • Utilização de sistemas especiais para as juntas de piso de concreto. Os desenhos foram elaborados e desenvolvidos em ACAD em 2D em todas as modalidades sendo que para algumas instalações e estudos vibracionais o desenvolvimento em 3D se fez necessário. Para as instalações de ar condicionado e fluidos o REVIT foi utilizado e para a modelagem vibracional softwares específicos como o CSi Bridge foram fundamentais para análise do comportamento estrutural do piso e das passarelas sobre o anel. Para o gerenciamento efetivo de todos os projetistas nas suas respectivas modalidades a Hill

International utilizou suas ferramentas de gestão que já fazem parte de seu portfólio abrangendo todos os aspectos do PMI, principalmente quanto ao planejamento (MS Project) e ao controle de toda a documentação gerada no processo (Extranet); atas, relatórios, cronogramas, desenhos, fotos, memoriais descritivos e memoriais de cálculo. Para cada modalidade, consultores utilizaram softwares específicos inerentes ao desenvolvimento de suas competências. No desenvolvimento do projeto havia congestionamento de instalações, alguns setores como shafts e especialmente dutos de climatização e tubulações de fluidos. Para o LNLS foram disponibilizados modelos básicos fundamentais do prédio para que através do BIM

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fosse feita a interação do edifício e suas instalações prediais como a criogenia, dispositivos e componentes eletrônicos da fonte do feixe de luz, cujo projeto estava a cargo do próprio LNLS. Portanto a efetiva analise de detecção de conflitos físicos entre as instalações prediais e os dispositivos do feixe de luz dentro do túnel estão sendo feitos com o BIM pelo LNLS, como também em protótipo 1:1 do setor mais congestionado do túnel construído também pelo LNLS. A Hill utiliza de sua estrutura responsável em assegurar a qualidade de seus produtos, lançando mão do que tem de mais avançado em gestão de projetos no Brasil e em boa parte do mundo onde atua.


Mobilidade Urbana

Indústria ferroviária mantém estabilidade Brasil Construção

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Apesar do cenário econômico por que passa o País, o desempenho da indústria ferroviária em 2015 pode ser considerado satisfatório. Entretanto, no segundo semestre houve uma queda nos volumes de fabricação, sinalizando certas dificuldades para 2016.


De acordo com o diretor do Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre), Vicente Abate, as vendas em unidades de vagões de carga no exercício de 2015 teve um aumento de 18% em relação à previsão para o ano, com a entrega de 4.708 unidades, mesmo volume entregue em 2014. No caso das locomotivas, o volume a ser entregue no ano deverá chegar a 110 unidades, representando um aumento da ordem de 22% sobre a previsão inicial, superando também às 80 locomotivas entregues no ano anterior.

Mercado de carros de passageiros cai 20%

Vicente Abate

O segmento de passageiros não acompanhou o setor de cargas e termina o ano com uma redução de 20% em relação ao previsto pelas empresas da área, com um volume total de 337 unidades (carros de passageiros de metrô e trem, monotrilhos e Veículos Leves sobre Trilhos - VLTs). Segundo o vice-presidente do Simefre, Luiz Fernando Ferrari, o setor de veículos de passageiros está sendo afetado pela situação econômica do País, com reflexos já em 2015 pelo atraso em novas encomendas que, pela natureza e tipo de ciclo industrial, trará impactos na produção a partir de 2017. O ritmo de produção está sendo adequado ao novo volume esperado de encomendas.

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Exportações fecham ano com resultado positivo De acordo com os executivos do Simefre, as exportações durante o ano de 2015 aumentaram no setor de veículos de passageiros, graças às encomendas para a África do Sul e Argentina, com uma entrega de 84 carros no ano contra 60 unidades em 2014. Houve um acréscimo também em vagões, com exportação de 75 unidades contra 10 em 2014. No caso das locomotivas, o volume foi de apenas seis unidades no ano passado, volume pouco acima do exportado no exercício anterior. Para os fabricantes de rodas e grampos de fixação as vendas externas apresentaram bons resultados, que tendem a evoluir em 2016 em função do câmbio favorável.

Faturamento deve atingir R$ 5,6 bilhões Os executivos do Simefre, dizem que a indústria ferroviária nacional está plenamente capacitada para atender aos volumes previstos pelo mercado, Segundo eles, a capacidade instalada do setor industrial será ampliada com a implantação de novas unidades industriais em Taubaté/SP, pela Alstom, e em Araraquara/SP, pela Hyundai Rotem, Randon e Ibayo CLK. Quanto ao faturamento do setor, a expectativa é de fechar o ano de 2015 com um faturamento similar ao de 2014, de R$ 5,6 bilhões. Num cenário em que alguns incentivos foram revistos pelo


Mobilidade Urbana Governo, como a desoneração da folha de pagamentos e o aumento das taxas de juros para o Processo de Substituição de Importação (PSI), o setor conseguiu a prorrogação do Regime Tributário para incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária (Reporto) e obteve o Programa BNDES Finame-Moderniza BK, que visa a modernização de máquinas e equipamentos instalados no País.

Perspectivas “As indefinições ainda existentes na execução do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e Programa de Investimento em Logística (PIL), aliadas ao momento da economia brasileira, não nos permitem antever o bom desempenho que tivemos nos dois últimos anos, podendo haver uma ligeira diminuição nos volumes de veículos no próximo triênio, afetando

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inclusive a sua cadeia produtiva e a de materiais para via permanente”, ressalta Ferrari. Abate, que também é presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer) estima que para 2016, a indústria deverá produzir e entregar 4.000 vagões de carga, dos quais 50 deverão ser exportados, 100 locomotivas, sendo 10 para atender o mercado externo e 473 carros de passageiros e VLTs, ficando 72 carros para exportação.


Máquinas e Equipamentos

Entram em vigor novas regras para financiamento de ônibus e caminhões pelo Finame Mudança de condições ocorre com o fim do PSI. Governo também ampliou prazo para refinanciamento pelo Procaminhoneiro

Já estão em vigor as novas condições de financiamento para aquisição de bens de capital, ônibus e caminhões por meio do Finame, programa do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para financiamento de máquinas e equipamentos. As regras foram anunciadas simultaneamente ao fim do PSI (Programa de Sustentação de Investimentos), que vigorou até dezembro de 2015. Para a aquisição de ônibus e caminhões, por grandes empresas, o apoio do Banco permanecerá em 70% do valor do bem,

mas a participação da TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) na composição do custo será maior, de 70%. Os 30% restantes serão financiados com taxas de mercado. Até então, o financiamento era realizado com 50% em TJLP e os outros 50% com taxas de mercado. Entre as novidades está a ampliação da participação do Banco no apoio às micros, pequenas e médias empresas e à aquisição de bens de capital eficientes. O BNDES financiará até 80% do valor do bem, em TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo). Antes, o

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limite de participação era de 70%. O custo será composto pelo spread básico de 1,5% ao ano, unificado para todos os segmentos e todas as modalidades, acrescido da taxa de intermediação financeira de 0,1%, além da taxa de risco de crédito cobrada pelo agente financeiro para as operações do Finame.


Já para as grandes empresas, a participação do BNDES no financiamento para a aquisição de bens de capital aumentará de 50% para 70% do valor do bem e também a um custo de TJLP. Além do spread básico, a taxa de intermediação financeira para esse segmento será de 0,5% ao ano.

Refinanciamento do Procaminhoneiro pode ser solicitado até junho Transportadores interessados em renegociar as dívidas de financiamentos obtidos pelo Procaminhoneiro, programa do BNDES para financiamento a

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caminhoneiros, têm até 30 de junho para formalizar a operação. O prazo final era 31 de dezembro. Mas uma medida provisória publicada no Diário Oficial da União dessa data ampliou o limite para a renegociação. Fontes: BNDES/Ministério dos Transportes e Agência CNT de Notícias


Máquinas e Equipamentos

Vendas de caminhões e ônibus desabam em 2015 Em 2015 foram comercializados 47,7% menos caminhões que em 2014, segundo levantamento da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). No ano passado, foram licenciadas 71,7 mil novas unidades, contra 137,1 mil do ano anterior. Somente em dezembro, a queda foi de 59%: foram 5,6 mil unidades vendidas contra 13,7 mil de dezembro de 2014. A produção de caminhões também retraiu de um ano para o outro, com 74,1 mil unidades em 2015 e 140 mil em 2014, baixa de 47,1%. As vendas encerraram novembro com diminuição de 18,1% ao se comparar as 4,7 mil unidades no mês com as 5,8 mil licenciadas em outubro. No comparativo contra novembro de 2014, a retração foi de 61%, com 12,1 mil unidades naquele período. Nos onze meses do ano a queda foi de 46,5%, quando comparados os 66 mil produtos licenciados este ano com os 123,4 mil no ano passado. O resultado da produção naquele mês, com 5,3 mil unidades, ficou 21,4% abaixo das 6,8 mil unidades de outubro e 54,6% menor ao se defrontar com as 11,8 mil de novembro de 2014. O segmento de ônibus re-

gistrou queda de 38,9% nas vendas, em 2015. Foram licenciados 16,8 mil veículos, no período, ante 27,5 mil de 2014. A produção de chassis baixou de 32,9 mil para 21,5 mil, o que significa queda 34,7% entre 2014 e 2015. Já as exportações apresentaram resultados mais animadores. No caso dos caminhões, houve alta de 18%, com 20,9 mil unidades comercializadas para outros países em 2015, frente a 17,7 mil de 2014. Também foram vendidos 10,9% mais ônibus para o exterior. Ao todo, 7,3 mil coletivos foram exportados em 2015. Em 2014, haviam sido 6,6 mil. Contabilizando os negócios fechados em todos os segmentos, a indústria automotiva encerrou 2015 com retração de 26,6%.

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Foram 2,5 milhões de unidades licenciadas. Em 2014, haviam sido 3,5 milhões. Já as exportações aumentaram, no total, 24,8%, com 417 mil veículos novos vendidos para outros países. O resultado foi motivado principalmente pela valorização do dólar e por acordos comerciais firmados em 2015 com Argentina, Colômbia, México e Uruguai. Para 2016, a Anfavea prevê estabilidade para a produção de veículos novos em relação a 2015, com alta nas exportações e queda nas vendas internas. Conforme a Anfavea, os licenciamentos de autoveículos neste ano devem cair 7,5% quando comparados com 2015. Já para as vendas ao exterior, é estimado crescimento de 8,1%.


Máquinas e Equipamentos

Mercado de equipamentos para construção teve perda em 2015 A categoria que sofreu a maior queda de vendas no exercício de 2015 em comparação a 2014 é a de motoniveladoras, cerca de 86,6%, seguida da linha amarela que teve uma retração de 50,2%, as escavadeiras hidráulicas ficaram 39,6% abaixo do volume comercializado e as miniescavadeiras caíram 23,7%. As informações sobre o comportamento do mercado de equipamentos para construção e perspectivas futuras são da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração – Sobratema, que apontou perdas significativas na comercialização de máquinas para esse setor no ano passado. Estudos realizados pela entidade, com a coordenação do consultor Brian Nicholson e divulgados em 11 de novembro de 2015, durante evento estratégico Tendências

no Mercado da Construção, revelam uma queda de 57,8% em relação a 2014. A desaceleração da economia brasileira - que teve início em 2014 com crescimento do Produto Interno Bruto-PIB próximo de zero, evoluindo na recessão em 2015 finalizando o ano com PIB negativo, segundo análise semanal do boletim Focus, do Banco Central, e que afeta diretamente os investimentos públicos em infraestrutura - é o principal fator para o resultado negativo no

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mercado de equipamentos para construção. “Começamos o ano com expectativa de um PIB positivo da ordem de 2% porque havia uma esperança de reaquecimento pós eleições, mas o que se viu foi uma queda muito brusca do mercado”, diz Nicholson. De acordo com a diretoria da Sobratema, a atual desaceleração da economia, com previsão de PIB negativo da ordem de 2%, aliada a crise política, são os principais fatores da queda


das vendas do setor de construção. As previsões para curto prazo não prevê nada positivo, pelo contrário, estima-se uma queda de 2% em 2016 sobre o resultado de 2015, que já foi um ano extremamente negativo para as empresas da área. Para o vice-presidente da Sobratema, Eurimilson Daniel quando for equacionado o problema da falta de credibilidade do governo federal, haverá uma natural retomada nos investimentos na área de infraestrutura. “Nosso setor é o primeiro a ser afetado quando há cortes de investimentos governamentais, mas também um dos primeiros a retomar o crescimento no momento em que os governos voltam a investir”, diz ele.

Números por segmento A categoria que sofrerá a maior queda será a de motonivela-

doras com retração de 86,6%, seguida dos equipamentos da linha amarela (equipamentos de movimentação de terra) registrará uma diminuição da ordem de 50,2% em suas vendas em 2015 ante 2014. Os equipamentos com menor retração neste ano foram as escavadeiras hidráulicas com perda de 39,6% e a que menos sofreu foi o grupo de miniescavadeiras, cuja perda foi de 23,7%. O Estudo Sobratema contempla ainda os demais equipamentos para o setor, incluindo gruas, guindastes, compressores portáteis, plataformas aéreas, manipuladores telescópicos e tratores de pneus. A queda na comercialização dessas máquinas será maior do que a da linha amarela e do percentual geral, com 61,1% em comparação com 2014. As plataformas aéreas, por sua vez, sofrerão uma redução bem mais expressiva nas

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vendas, algo em torno de 75,5%. No caso dos manipuladores telescópicos (telehandlers) a queda será bem menor com perdas de apenas 2,9%. Outra categoria que ajudou para o resultado do setor foi a área de caminhões rodoviários utilizados nesse segmento, cuja estimativa é de retração de 64,4% neste ano.

Expectativa para 2016 Os estudos feitos pela Sobratema para o próximo ano, também não são animadores uma vez que apontam para vendas 2,1% menores do que as registradas em 2015. A linha amarela deverá apresentar uma diminuição na comercialização de 3,7% e a categoria demais equipamentos, cai cerca de 1,7% ante o resultado deste ano. Apesar da retração dos índices gerais, algumas famílias de equipamentos poderão alcançar


Máquinas e Equipamentos resultados positivos, como os tratores de esteira, os compressores portáteis e os guindastes, que deverão obter crescimento de 13,3%, 13,6% e 11,1% respectivamente. A análise feita pelo Estudo Sobratema com usuários e fabricantes de máquinas mostra que há uma perspectiva de retomada a partir de 2017, com uma recuperação mais robusta até 2020, inclusive, podendo alcançar os patamares de vendas de equipamentos obtidos em 2010, quando o segmento cresceu cerca de 70%.

Para isso, seriam necessários que alguns fatores se concretizassem ao longo dos próximos anos, como a eficácia do plano de ajuste econômico e das novas concessões, a resolução da crise política e os investimentos para a renovação das frotas dos usuários. Uma pesquisa feita com 24 empresas do setor para conhecer a expectativa do empresariado em uma retomada do mercado mostrou uma desconfiança muito grande. Questionados sobre o impacto das novas concessões no setor em 2016, cerca 68%

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das respostas acreditam que repercutirá um pouco, 18% crêem que será bem positivo e 14% não vêem nenhum reflexo no comportamento do mercado.

Pessimismo Sobre as expectativas referentes a 2016 para a economia brasileira: 4% se mostraram otimistas; 13% ficaram neutras; 48% pessimistas e 35% muito pessimistas. Considerando a própria empresa: 4% se mostraram otimistas; 30% neutras; 43% pessimistas e 22% muito pessimistas.


Máquinas e Equipamentos

Brasil não recuperará economia sem o ajuste fiscal Para o ex-ministro da Fazenda, o economista Maílson da Nóbrega, os desafios enfrentados pela economia nacional devem continuar neste ano e a situação pode ficar pior, caso o governo federal não consiga aprovar as medidas de ajuste fiscal. “Isso provocaria novos rebaixamentos da classificação de risco do país e novas quedas de confiança e de investimento, reduzindo ainda mais a atividade econômica”, explica. Segundo ele, em 2015 o país teve uma recessão, com queda de cerca de 3% do PIB. Para 2016, o percentual de retração deve ser menor, de aproximadamente 1%. “Neste momento, não há como sair da recessão. Ela foi determinada por eventos anteriores, particularmente pelos erros de política econômica e do intervencionismo do primeiro mandato do governo da presidente Dilma Rousseff”, avalia.

Nóbrega analisa que o governo tentou com a orientação trazida pelo ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy, criar condições para voltar a crescer em 2016. E, acertou em algumas medidas, como por exemplo, o abandono da Nova Matriz Macroeconômica do primeiro mandato, a correção de preços administrados nas áreas de combustíveis e energia, o estancamento das transferências do Tesouro ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a revisão das desonerações tributárias e as primeiras medidas estruturais, que incluem a revisão das pensões por morte e das regras do seguro-desemprego. “Seja como for, o Brasil não recuperará sua economia sem o ajuste fiscal e sem atacar problemas estruturais, que são essenciais para restaurar níveis de produtividade que elevem o potencial de crescimento”, conclui.

Maílson da Nóbrega

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World of Concrete terá pavilhão na Construction 2016 A Sobratema fechou parceria com a maior feira do concreto das Américas, o World of Concrete, que participará com pavilhão inédito, na Construction Expo 2016, que será realizado de 15 a 17 de junho, em São Paulo (SP). Segundo o presidente da Sobratema, Afonso Mamede a principal novidade está no modelo comercial adotado World of Concrete – Pavi-


Sobratema participará da Construction Expo 2016

lion, que terá estandes racionalizados, e uma estratégia de realização trienal do evento. Um dos pontos altos do evento será a realização de um ciclo de palestras, com apresentação de cases e tecnologias aplicadas em importantes obras de infraestrutura e do setor imobiliário dos Estados Unidos, além de promover uma nova ponte de intercâmbio entre os profissionais brasileiros e estrangeiros da área de concreto.

Destaque Pós-Venda 2015

Durante o evento, o Núcleo Jovem da Sobratema premiou as três melhores empresas em serviços de pós-venda, nas categorias de equipamentos para terraplenagem, perfuração e concreto. A pesquisa ouviu 191 marcas e as mais votadas para receberem o prêmio “Destaque Pós-Venda 2015” foram: Caterpillar, Sandvik e Schwing-Stetter, respectivamente. Os requisitos listados para a escolha das marcas envolveram: atendimento (incluindo orçamento, prazo de entrega e garantia), qualidade (serviços e peças

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de reposição) e documentação de apoio (manuais, catálogos e boletins técnicos). Além do troféu pela premiação, as três empresas receberam um Selo que poderá ser adotado em seus materiais de divulgação. Na categoria equipamentos para terraplenagem a escolhida foi a Caterpillar; a Sandvik ganhou como a marca mais votada no segmento de equipamentos de perfuração e a Schwing-Stetter, na categoria de equipamentos para concreto.


Habitação Popular

MCMV: terceira etapa revista e ampliada O governo federal acaba de das o “start” oficial na terceira fase do Programa Minha Casa Minha Vida, com algumas mudanças importantes, tais como a alteração dos valores de compra do imóvel, bem como renda e subsídio. O valor do imóvel, que antes estava limitado a R$ 190 mil, agora passa a ser de R$ 225 mil, no Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo. A renda que também estava limitada a até R$ 5 mil, poderá chegar a R$ 6.500; e, o valor máximo de subsídio que era de R$ 25 mil, poderá chegar até R$ 27.500. Outra mudança importante será a redução do subsídio em 40% para financiamentos com apenas um participante. Com essas mudanças, o mercado imobiliário e a cadeia da construção esperam ganha novo fôlego, já que, segundo estudo da Fundação Getulio Vargas e do Sinduscon-SP, 2015 deve ter terminado com um recuo de 8% no PIB da construção, sendo que a previsão de queda era de 5%. Cabe lembrar que a construção civil responde por 6,5% do PIB brasileiro. As mudanças são para as faixas 2 e 3. A faixa 1 deverá ficar estacionada esse ano. A terceira etapa do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) tem como meta a contratação de 3 milhões de unidades habitacionais até 2018, conforme promessa de campanha da presidente Dilma Rousseff, em um ano marcado por uma crise política e econômica. Nesse momento, o MCMV tem 1,5 milhão de unidades em construção

em todo o país, contratadas nas fases 1 e 2. Elas se somarão a outras 2,6 milhões de unidades entregues, que beneficiarão, no total, cerca de 16 milhões de brasileiros. Para 2016, o previsto é que o programa contrate em torno de 500 mil unidades, sendo 35 mil para movimentos urbanos, 35 mil unidades para habitação rural, cerca de 50 mil de intervenções públicas, 200 mil imóveis para as faixas 1,5 e 2 e cerca de 150 mil para a faixa 3. Com isso, por volta de 2020, entre unidades contratadas e entregues, será atingido o patamar de 7 milhões de unidades. De acordo com o Ministério da Cidades, o principal avanço nessa etapa será a nova faixa de renda do programa, chamada de faixa 1,5, que dará mais subsídios para as famílias com renda de até R$ 2.350, que estavam fora da faixa 1 e quase insuficiente para o financiamento da faixa 2. Haverá subsídio de até R$ 45 mil e juros de apenas 5%. Além disso, estão previstas novas especificações, adequadas à Norma de Desempenho da ABNT, que proporcionarão maior conforto térmico e acústico, com uso de esquadrias com sombreamento, maior espessura das paredes, lajes e

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acréscimo de 2 m2 nas unidades habitacionais da faixa 1. Todos os valores também foram atualizados e, segundo o Ministério das Cidades, houve retornos positivos na apresentação das propostas, tanto dos movimentos sociais quanto dos setores da construção civil. A nova etapa do programa pretende aumentar sua abrangência para habitações em zonas rurais e municípios com população de até 50 mil habitantes. Em aproximadamente 2.900 municípios com este perfil, já foram contratadas mais de 160 mil unidades. A proposta é aperfeiçoar o programa nesses municípios, melhorando o modelo de Oferta Pública, operado pelos bancos menores, locais, e buscar trabalhar com financiamentos pela Caixa e pelo Banco do Brasil. Já o Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR) contratou até 2015 mais de 173 mil moradias em áreas rurais. Para a nova fase do PMCMV haverá algumas mudanças. A chamada faixa 1,5 também será para o Rural, com subsídio de até R$ 15 mil. Ainda está em estudo o limite da renda. Além disso, serão fixados novos valores de subvenção e limites de renda. Em 2016 serão contratadas 35 mil unidades para habitação rural.


Energia

Bahia ganha maior usina de energia solar da América Latina Usina de Energia fotovoltaica de 254 MWp, será uma das maiores do mundo e entrará em funcionamento na metade de 2017. A Enerray do Brasil, empresa que pertence à Seci Energia do Grupo Industrial Maccaferri, através da Enerray Usinas Fotovoltaicas, foi a escolhida pela Enel Green Power para a construção da maior usina solar da América Latina, na cidade de Tabocas do Brejo Velho (BA). O projeto Ituverava, cujas obras começaram em dezembro de 2015, terá capacidade de 254 MW, com produção anual de energia estimada em 500 GWh. A previsão é que o parque solar entrará em funcionamento em meados de 2017. Esta é uma das maiores usinas de energia solar da Enel Green Power, que ajudará a suprir à demanda constante de energia elétrica no país – que de acordo com estimativas vai aumentar a uma taxa média de 4% ao ano até 2020. “Acreditamos que o Brasil, país em que o nosso grupo tem atividades industriais há mais de 50 anos, representa uma grande oportunidade por ser um mercado com perspectivas de crescimento muito significativas a médio e longo prazo. A Enerray está se expandindo e se fortalecendo no país como referência no setor das energias renováveis. Iniciar nossos negócios com a

construção da maior usina fotovoltaica no país é uma conquista que nos enche de orgulho e demonstra a importância que o Brasil terá para nós”- disse Michael Scandellari CEO Enerray.

Energia Solar no Brasil O aumento no consumo de energia que o Brasil está enfrentando nos últimos anos, não está sendo acompanhado pelo crescimento na geração de energia de fontes tradicionalmente presentes no país, entre as quais a hidrelétrica, e, portanto, exige uma diversificação na matriz energética. A solução para esse problema é representada pelas usinas fotovoltaicas, que entre todas as fontes de energias renováveis são as que apresentam o menor impacto ao ambiente. Além disso, a geração distribuída apresenta grandes vantagens econômicas. Os leilões realizados no Brasil pela Aneel estão tendo um importante sucesso.

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A Enerray do Brasil está participando ativamente nos leilões. O Grupo Industrial Maccaferri está presente no Brasil há 40 anos. Sua sub-holding, a SECI Energia, dirigida por Gaetano Maccaferri, foi fundada em 2006, onde concentrou investimentos em empresas que operam no setor de energia. Através de suas subsidiárias - Powercrop no setor da biomassa, Enerray em energia fotovoltaica, biogás através da Sebigas, no campo de recuperação de energia, bem como outros ativos em energia hidrelétrica e eólica – a SECI Energia realiza a diversificação tecnológica e a distribuição nos mercados internacionais. Implementa as tecnologias de fontes renováveis, desde a concepção à construção até a operação e manutenção. A SECI Energia encerrou 2014 com um faturamento de 61 milhões de Euros e 2015, com um valor de produção estimado em mais de €163.000.000.


Revista Brasil Construção Ed 10  
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