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CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL


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CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

PREFÁCIO O Brasil conta com diversas características que o tornam atraente como um polo de investimentos e negócios, tais como crescimento econômico, disponibilidade de população economicamente ativa, amplo mercado interno, entre outras. Entretanto, observase que a conectividade da América Latina em geral, e do Brasil especificamente, seja intrarregionalmente ou com o restante do mundo, ainda tem bastante espaço para se desenvolver. O desafio que se impõe, portanto, é o de como tratar os viabilizadoreschave corretamente, de forma a suprir as lacunas de conectividade da região e torná-la mais atrativa para investimentos e negócios como um todo. Este documento é a quarta publicação da BRAiN (Brasil Investimentos e Negócios) e aprofunda o entendimento sobre “conectividade”, um dos pilares da atratividade de um polo, conforme apresentado no relatório “Atratividade do Brasil como polo internacional de investimentos e negócios”, lançado pela BRAiN em junho de 2011. Além de apresentar um diagnóstico da situação atual da conectividade do Brasil e da América Latina e compará-la com outras regiões do mundo, o presente relatório também identifica os viabilizadores capazes de catalisar o desenvolvimento da conectividade regional. Para preparar este material, a BRAiN realizou, com o apoio do The Boston Consulting Group, um trabalho envolvendo análises, entrevistas e workshops com especialistas e formadores de opinião dos setores público e privado. As conclusões deste estudo, incluindo as proposições feitas ao longo de todo o trabalho, irão estabelecer a agenda de diálogo que a BRAiN pretende estabelecer com as esferas pública e privada para que o Brasil continue desenvolvendo sua conectividade com a América Latina e com o restante do mundo, tornando-se ainda mais atrativo como polo internacional de investimentos e negócios.

Criada em 2010, a BRAiN tem como objetivo assegurar a materialização de uma visão multissetorial da América Latina como uma rede regional de negócios fortemente interconectada, dentro da qual o Brasil deve atuar como um dos polos proeminentes. A BRAiN almeja gerar consenso e ação nos diversos setores da economia ao redor dessa ideia e conta, para isso, com 13 associados atualmente: ANBIMA, BM&FBOVESPA, FEBRABAN, FecomercioSP, Banco Bradesco, Banco do Brasil, Banco Santander, Banco Votorantim, BTG Pactual, CETIP, Citibank, HSBC e Itaú Unibanco. Mais informações sobre a BRAiN e sua visão se encontram no site www.brainbrasil.org.


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ÍNDICE Sumário Executivo 1 Conectividade de um polo de negócios e seus benefícios

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Comércio de bens e serviços

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Fluxos de investimentos e capitais

48

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Expansão internacional de empresas

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5

Circulação de pessoas

74

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Cenário político internacional

86

Conclusão 94

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SUMário executivo Na elaboração do relatório “Atratividade do Brasil como polo internacional de investimentos e negócios”, lançado pela BRAiN em junho de 2011, foi realizado um extenso trabalho de pesquisa, análise de dados, entrevistas e workshops com especialistas e formadores de opinião dos setores público e privado, tendo por objetivo a definição e mensuração da atratividade do Brasil como polo de investimentos e negócios. O resultado deste esforço foi a definição dos sete pilares que constituem a visão BRAiN dos pré-requisitos fundamentais para a formação e a excelência de um polo atrativo de investimentos e negócios (veja Diagrama 1), e a análise das fortalezas e oportunidades para melhoria do Brasil em cada um deles. No presente documento, será dado um enfoque mais detalhado e propositivo para o pilar “Conectividade”. A escolha do pilar de conectividade como um dos principais focos da BRAiN parte de premissas muito importantes: o tema merece esforços extras por ser, por definição, essencial para a formação de um polo e pelo fato de Brasil e América Latina ainda estarem pouco desenvolvidos neste pilar quando comparados com outros países e regiões do mundo. Sem as devidas conexões ou fluxos estabelecidos, a pujança econômica do País e da região não será plenamente aproveitada e a América Latina pode seguir marginalizada das principais decisões de investimentos e efetivação de negócios que acontecem no mundo. Além de tornar um polo mais atrativo, um alto nível de conectividade costuma trazer outros benefícios que se estendem à sua região de abrangência. Tipicamente, esses benefícios se materializam por meio de economias de escala e de escopo, que diminuem os custos transacionais intrarregionais ou extrarregionais. Tais benefícios são perceptíveis em diversas esferas: acesso a capitais, investimentos e empresas, os quais repercutem no crescimento econômico (veja Diagrama 2). Exemplos destes benefícios são: • Acesso a capitais: Quase 50% de todos os fundos de asset management de Cingapura estão investidos em outros países da região Ásia-Pacífico, e 36% dos fundos de venture capital utilizados por empresas asiáticas têm origem em Cingapura; • Investimentos: Hong Kong já foi responsável por 55% de todos os investimentos estrangeiros na China;

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DIAGRAMA 1

DIAGRAMA 2

Sete grandes pilares fundamentam a formação e a excelência de um polo de investimentos e negócios

Benefícios de conectividade e de um polo

1. Acesso a capitais

Maturidade financeira dos polos facilita acesso a poupanças mundiais para empresas de toda a região

48% dos fundos de asset management de Cingapura vão para a região Ásia-Pacífico e só 30% ficam no país

2. Investimentos

Polo estimula o aumento do nível de investimentos externos nos países da região

Hong Kong é uma das fontes de capital mais importantes para a China

3. Empresas

Estabelecimento de centros de tomada de decisão e de P&D de multinacionais no polo traz inovação e talentos à região

Ciclo de atração e desenvolvimento de competências

7. IMAGEM DO PAÍS

6. CONECTIVIDADE

5. INFRAESTRUTURA FINANCEIRA

4. INFRAESTRUTURA FÍSICA

4. crescimento econômico

Por fim, polo estimula crescimento econômico adjacente

Customização de soluções

África do Sul é motor de crescimento para países da região: 1 p.p. a mais no PIB do país gera até 0,75 p.p. para os países circunvizinhos

3. TALENTOS E CAPITAL HUMANO

2. AMBIENTE INSTITUCIONAL

• Empresas: O estabelecimento de empresas multinacionais nos polos de investimentos e negócios gera ciclo virtuoso de inovação e desenvolvimento de competências e capacitação. Uma série de empresas multinacionais, como DuPont, L’Oréal, IBM, Cargill, Ericsson e GE, já vem estabelecendo centros de pesquisas globais ou regionais para a América Latina no Brasil;

1. AMBIENTE MACROECONÔMICO

• Crescimento econômico: Um estudo realizado pelo Banco Central do Chile1 aponta que um acordo de integração entre países pode aumentar em 0,055 ponto percentual (p.p.) o crescimento de um país para cada 1% de participação do país parceiro no PIB mundial. Ou seja, um acordo de integração com o Brasil, que tem 2,57% de participação no PIB global, implicaria 0,14 p.p. de aumento na taxa de crescimento de um país parceiro.

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Fonte: Banco Central de Chile, Working Papers (2004)

Devido à importância e aos benefícios de conectividade, este relatório detalhará a situação e os viabilizadores da conectividade do Brasil e da América Latina. Para tal, o conceito geral de conectividade será analisado a partir da ótica de cinco principais dimensões: comércio de bens e serviços, fluxos de investimentos e capitais, expansão internacional de empresas, circulação de pessoas e cenário político internacional (veja Diagrama 3).

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DIAGRAMA 3

A conectividade descrita em cinco dimensões

1) Comércio de bens e serviços: Esta é uma dimensão vital para os diversos setores da economia de um polo e de sua região, uma vez que abre mercados e viabiliza a formação de cadeias de suprimentos internacionais. Grandes polos como Londres, Hong Kong e Cingapura já eram centros de comércio muito antes de conquistarem papéis de destaque nos fluxos de investimentos e negócios que caracterizam a economia globalizada das últimas décadas. Nesta dimensão, o diagnóstico da situação da América Latina e do Brasil mostra que, apesar de um crescimento expressivo, ainda há bastante espaço para ampliação dos fluxos comerciais:

1. Comércio de bens e serviços Aumento do volume de importação e exportação

• O fluxo latino-americano de comércio internacional de bens ainda tem baixa representatividade em relação ao comércio global: em 2009, a América Latina foi responsável por 7% do PIB mundial, mas somente por 5% do comércio global de bens, enquanto Europa e Ásia responderam por 29% e 13% do PIB do planeta em 2009, e por aproximadamente 37% e 22% do comércio internacional de bens, respectivamente;

2. Fluxos de investimentos e capitais Crescimento do investimento em mercados atrativos

• Os volumes globais de exportação e importação de bens da América Latina evoluíram mais que a média mundial: enquanto houve crescimento global a taxas de 4,3% e 3,9%, respectivamente, entre 2005 e 2008, na América Latina as exportações de bens subiram 4,8% anualmente e as importações de bens 6,6% ao ano;

Facilitação de acordos, garantindo maiores ofertas de recursos para financiamento

3. Expansão internacional de empresas Produção aproxima-se de mercados consumidores e de matérias-primas

• O comércio de bens intrarregional é outra área com potencial de desenvolvimento na América Latina: em 2009, apenas 17% das exportações e 15% das importações latino-americanas foram intrarregionais, proporções que sobem para 42% e 48%, respectivamente, no caso da Ásia, e para 67% e 50% na Europa;

Expansão regional e global

4. Circulação de pessoas

• De forma similar ao comércio de bens, a América Latina tem participação muito baixa no comércio de serviços global, não chegando a representar nem 4% de todo o volume de serviços exportado e importado no mundo em 2009. No mesmo ano, a Ásia representou 14% e 15% das exportações e importações mundiais, respectivamente, enquanto a Europa respondeu por 45% e 41%;

Livre trânsito para viagens e turismo

Requisitos simplificados para contratações internacionais

5. Cenário político

• Consequentemente, a América Latina foi responsável por apenas 4% do comércio global de serviços, enquanto representa 7% do PIB global. Ou seja, a participação da América Latina no comércio global de serviços equivale a somente 49% de sua participação no PIB global. Na Ásia, essa proporção é de 110% e, na Europa, de 151%;

Melhoria da imagem do país no exterior

• Apesar da baixa representatividade, a América Latina viu a expansão do seu comércio internacional de serviços superar a média de crescimento global. Entre 2005 e 2009, a evolução foi de 8,7% nas exportações e de 10,1% nas importações e, no mundo, essas taxas foram 7,5% e 7,2%, respectivamente. Os principais viabilizadores da conectividade identificados nesta dimensão são: • Condições comerciais (como tarifas, limitações de quantidade etc.) mais restritivas do que a média global limitam o comércio de bens latino-americano. A maioria dos países da América Latina tem tarifas equivalentes de importação2 mais elevadas do que as de países da Ásia e da Europa: Brasil, México e Argentina apresentam tarifas equivalentes a importações de 20,3%, 18% e 9,3%, superiores à média mundial de 9,1%;

Desenvolvimento de infraestrutura e de acordos bilaterais e regionais

2 Reflete a tarifa uniforme da pauta de tarifas de um país mais medidas não tarifárias (cotas, controle de preços, restrições técnicas, subsídios etc.) que, caso não existissem, manteriam os níveis de importação doméstica constantes; ou seja, não afetariam a possibilidade de importação dos agentes internos

3 Reflete a tarifa uniforme que manteria os níveis de importação de parceiros comerciais junto ao país exportador constantes 4 Percepção geral sobre desempenho logístico do país baseada em aproximadamente mil entrevistas com especialistas internacionais; World Trade Indicators 2009/2010 – Banco Mundial

Vínculo institucional claro com outros países

• Da mesma maneira, as tarifas equivalentes3 impostas por outros países sobre as exportações latino-americanas também são mais altas, algumas vezes por questões de reciprocidade. Neste caso, Brasil e Argentina se destacam por sofrerem forte restrição de acesso a outros mercados com tarifas equivalentes 16,4% e 12,3%, enquanto a média mundial fica em 9,1%; • Em logística, outro viabilizador importante para o comércio de bens, a América Latina também precisa se desenvolver. No índice de desempenho logístico do Banco Mundial4 (nota 1 = melhor e nota 5 = pior), os países latino-americanos apresentam notas piores que os europeus e que a maioria dos asiáticos;

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• A América Latina é muito incipiente em todos os modais de conexão logística, seja marítimo, fluvial, rodoviário, ferroviário ou aéreo, em particular intrarregionalmente;

A escolha do pilar de conectividade como um dos principais focos da BRAiN parte de premissas muito importantes: o tema merece esforços extras por ser, por definição, essencial para a formação de um polo e pelo fato de Brasil e América Latina ainda estarem pouco desenvolvidos neste pilar quando comparados com outros países e regiões do mundo

• Os acordos de livre comércio de serviços (GATS) são um dos viabilizadores do comércio de serviços e a América Latina ainda faz pouco uso deste recurso para promover suas importações e exportações neste setor. Em média, os países da América Latina possuem 21 compromissos assinados, enquanto que os da Europa contam com 39 e os da Ásia, 32; • A estrutura de telecomunicações da América Latina, essencial para operações internacionais como call-centers, também é pouco integrada, considerada ruim por executivos consultados pelo IMD5, e com custos elevados quando comparados aos do restante do mundo. 2) Fluxos de investimentos e capitais: Por tratar de fluxos virtuais e fundamentais de qualquer economia moderna, esta dimensão é a que melhor define um polo como centro de uma rede intra e extrarregional. Nesta dimensão, o diagnóstico da situação da América Latina e do Brasil mostra que: • Ao longo dos últimos anos, a América Latina recebeu, em termos absolutos, um percentual pequeno do total de Investimento Estrangeiro Direto (IED) enviado no mundo, não tendo superado os 7% do total entre 2005 e 2009. Embora seja pequeno, este volume acompanhou muito de perto a participação da região no PIB global, que também oscilou em torno dos 7%. Em comparação, a União Europeia e a Ásia, responsáveis por 33% e 17%, respectivamente, de todo IED recebido no mundo em 2009, tiveram proporção entre participação no recebimento de IED e participação no PIB global de 110% e 130%, respectivamente; • A situação da América Latina é menos relevante na participação da região na originação de investimentos diretos. Em 2009, os países latino-americanos foram responsáveis por somente 1,3% de todo o IED enviado no mundo, ao passo que as participações da União Europeia e da Ásia foram de 35% e 13%, respectivamente;

• Outra alavanca que pode contribuir para intensificar o fluxo de investimentos na América Latina é a implantação de Sistemas de Pagamentos em Moedas Locais (SML). O Brasil implantou o sistema nas transações comerciais com a Argentina em 2008 e a adoção do mesmo mecanismo com o Uruguai está em fase de negociação.

• No estoque de investimentos de portfólio, os volumes recebidos e enviados pela América Latina são pouco relevantes, representando menos de 2% e 1% de todo o estoque de portfólio recebido e enviado no mundo entre 2005 e 2009. Analogamente, a União Europeia foi responsável por mais da metade de todo o estoque de portfólio recebido e enviado no mundo entre 2005 e 2009, e a Ásia por 4,4% e 3,2%.

3) Expansão internacional de empresas: O fluxo desta dimensão se dá tanto por meio da internacionalização das empresas nacionais quanto pela atração de operações e também de centros de decisão regionais, funcionais ou até mesmo globais de empresas oriundas de outros países. Tais movimentos não somente atraem investimentos, mas principalmente criam empregos de alto valor agregado em funções corporativas que fortalecem um ciclo virtuoso de atração de talentos. Nesta dimensão, o diagnóstico da situação da América Latina e do Brasil mostra que:

Os principais viabilizadores identificados nesta dimensão são: • A ratificação de acordos bilaterais de investimentos poderia intensificar os fluxos de capitais, pois os países latino-americanos têm participação menor em acordos deste tipo, se comparados aos europeus ou asiáticos. Em particular, a participação brasileira nestes acordos é reduzida, pois o País conta apenas com 14 acordos assinados e nenhum deles ratificado; • A regulamentação cambial, dada a sua relevância na intermediação óbvia entre os investimentos que entram e saem de um país. De forma geral, estabilidade e agilidade de regulação cambial podem, no longo prazo, contribuir para aumentar a atratividade da América Latina a investimentos estrangeiros;

• As empresas latino-americanas vêm ganhando participação cada vez maior no ranking das empresas de países em desenvolvimento com maior volume de ativos no exterior6: em 2003, tinham 14,1% do total de ativos no exterior, passando para 17,2% em 2008. Este ganho foi possível em virtude de as empresas terem saído de uma posição de US$ 35 bilhões para US$ 125 bilhões de ativos no exterior, um crescimento de 258,1% em cinco anos; 5 IMD World Competitiveness Yearbook - Nota dada por executivos à pergunta: Communications technology (voice and data) meets business requirements?

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Fonte: World Investment Report 2009, UNCTAD

• O fluxo de saída de IED para outras regiões do mundo a partir da América Latina, ainda que parta de um volume inicial baixo, cresceu 87% entre 1999 e 2009, taxa que ficou em 72% na Ásia e -52% na Europa;

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• Apesar do crescimento dos últimos anos, a relevância global das empresas latinoamericanas ainda é limitada. No ranking das 100 maiores empresas transnacionais dos países em desenvolvimento, aparecem apenas nove latino-americanas, sendo três delas brasileiras. Quando considerado o ranking das 100 maiores empresas transnacionais do mundo, apenas a Vale e a Cemex representam a América Latina, respectivamente na 55a e 79ª posições7; • Empresas europeias têm seis vezes mais operações internacionais do que as latinoamericanas8, e a distribuição das operações internacionais das empresas latino-americanas é predominantemente intrarregional – 50% das operações internacionais estão localizadas em outros países da própria América Latina, enquanto na Europa e Ásia esse valor é de 30% e 37%, respectivamente; • Ainda assim, mesmo regionalmente, a comparação com Europa e Ásia indica que há espaço para empresas latino-americanas se expandirem: a penetração média das empresas de um país nos demais países9 da região é de 11% na América Latina – comparado com 17% na Ásia e 30% na Europa; • Positivamente, pode-se destacar a atração de empresas estrangeiras para a região. A análise do universo das 360 maiores empresas de cada uma das regiões indica que a América Latina atrai tantas empresas quanto o fazem Ásia e Europa, entre 35% e 40% delas. Dentro da América Latina, se destacam Brasil, México, Argentina e Chile. Os principais viabilizadores identificados nesta dimensão são: • Alinhamento de normas contábeis na América Latina está se iniciando, através da adoção do IFRS. Especificamente no caso brasileiro, o novo padrão contábil regido pelas normas internacionais, já é obrigatoriamente exigido para organizações de grande porte, companhias abertas, seguradoras e instituições financeiras. O País também conta com um conjunto de normatização, mais simples, mas também seguindo o IFRS10, para a contabilidade de micros, pequenas e médias empresas, neste caso com adesão voluntária. Além disso, diversos países latino-americanos11 constituíram o GLENIF (Grupo Latino-Americano de Emissores de Normas de Informação Financeira) para representar a região junto ao International Accounting Standards Board (IASB); • Apesar da padronização de normas técnicas produzir benefícios para a atuação internacional de empresas, os esforços para alinhamento destas normas ainda se mostram limitados na América Latina. Menos de 50% dos países latino-americanos participam da International Organization for Standardization (ISO) como membros ativos12, enquanto na União Europeia e no Sudeste Asiático, 96% e 60% dos países são, respectivamente, membros ativos; • Adicionalmente à padronização de normas, a utilização de sistemas e cadastros comuns também pode tornar mais fácil a operação de empresas em múltiplos países de uma região. Um exemplo é a unificação dos sistemas de registro de patentes na América Latina, como o European Patent Office (EPO), existente na Europa desde 1977;

Fonte: World Investment Report 2011, UNCTAD

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Foram escolhidas as 30 maiores empresas dos seis maiores PIBs de cada região e apurado o numero de operações no exterior de cada uma destas empresas. A seleção foi feita a partir da lista das maiores empresas da Forbes (2010). No caso da inexistência de 30 empresas de um país nesta lista, o critério de maior receita foi utilizado 8

Dez maiores países de cada região em termos de PIB, ref.: 2010

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10 Padrões contábeis internacionais publicados pelo IASB (International Accounting Standards Board). Desde 2001, a instituição tem conduzido esforços para implantar esses padrões com o objetivo de melhorar a comparabilidade e a integração de dados contábeis de empresas de diferentes países 11 Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela 12 Representação através de organizações estabelecidas de cada país com direito completo a voto nos comitês técnicos – apenas um por país

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• Alinhamento da regulação financeira, que pode ser melhorada na América Latina por meio da adoção de acordos para eliminar a bitributação;

governo e pelas empresas de um país aos investidores estrangeiros. Nesta dimensão, o diagnóstico da situação da América Latina e do Brasil mostra que:

• Melhoria do acesso a fontes locais de crédito, que poderia ser iniciada por intermédio da integração regional dos mercados de dívida corporativa e do estabelecimento de mecanismos de reconhecimento internacional de garantias.

• O histórico relativamente pacífico da América Latina é um dos fatores que contribui para a boa relação da região com os demais países do mundo. Em 2010, somente dois países latino-americanos apareceram com conflitos internos relevantes internacionalmente no relatório Conflict Baromenter 2010: a guerra dos cartéis de traficantes de drogas no México e a guerra civil com as FARCs na Colômbia;

4) Circulação de pessoas: Fluxos de negócios não dependem apenas de bens, serviços, capitais e empresas, mas também do fácil trânsito pelo polo de executivos e tomadores de decisão dos mais diversos setores, tanto para realizar seus negócios quanto para viabilizar a instalação de centros de decisão e sedes regionais de empresas. Nesta dimensão, o diagnóstico da situação da América Latina e do Brasil mostra que:

• Países latino-americanos começam a se destacar como influenciadores da ordem política mundial. Brasil e México já figuram entre os países mais influentes do mundo, em 21o e 22o, respectivamente, segundo o ranking de soft power16 de 2010, que avalia a habilidade dos Estados de influenciar ações de outros por persuasão ou atração, sem coerção.

• Apenas 3% dos imigrantes do mundo se destinam para a América Latina, enquanto 5% vão para a Ásia e 22% para a Europa. Considerando estes números proporcionalmente sobre a população de cada região, obtém-se um índice de 1,1% para América Latina e 9,4% para Europa13;

Os principais viabilizadores identificados nesta dimensão são: • Realização e recebimento de visitas oficiais internacionais, nos quais o Brasil tem começado a se destacar positivamente. Nos últimos cinco anos, o presidente brasileiro fez, em média, 35 visitas oficiais internacionais por ano, sendo que o número de visitas dobrou entre 2006 e 2010. Em comparação, a Coreia do Sul, que tem sistema de governo presidencial assim como o Brasil, teve em média 13 visitas internacionais feitas pelo seu presidente, com tendência de queda entre 2006 e 2010;

• Além de baixa, a imigração na América Latina é predominantemente intrarregional – 53% dos imigrantes residentes em países latino-americanos são oriundos de outros países da própria região; na Europa, apenas 27% da imigração é intrarregional. Os principais viabilizadores identificados nesta dimensão são: • Regulamentação migratória - a análise da dificuldade de obtenção de visto entre países de uma mesma região14 mostra que a liberdade de fluxo intrarregional de profissionais é maior na América Latina do que na Ásia – porém, é bem menos desenvolvida do que na Europa;

• Investimentos de cooperação internacional, em especial dentro da própria região, também contribuem para um cenário político positivo. O Brasil vem se destacando por sua crescente relevância na cooperação internacional, pois os investimentos do país no desenvolvimento internacional cresceram 23% ao ano entre 2005 e 2009, sendo que 76% deles se concentram na América Latina;

• Acordos de livre residência constituem importante ferramenta para simplificação de requisitos para o fluxo intrarregional de pessoas como, por exemplo, o acordo de livre residência do Mercosul que já conta com seis países, mas pode se expandir para outros; • O turismo é outro elemento capaz de estimular a circulação de pessoas como um todo, por meio da divulgação internacional da imagem da região. Entretanto, o número de turistas que visitam a América Latina é muito pequeno, principalmente em relação à Europa. Por exemplo, muito embora apresente uma ótima imagem turística e cultural, o Brasil é somente o 38o colocado entre os 60 países que mais atraem turistas no mundo; • A capacidade de movimento físico das pessoas é outro viabilizador importante desta dimensão. A América Latina ainda se mostra pouco integrada com o restante do mundo: tem uma média de seis voos internacionais diários para cada milhão de habitantes, sendo 46% intrarregionais. A mesma relação não chega a três voos na Ásia, e somente 9% intrarregionais mas, na Europa, é de 53 voos internacionais diários para cada milhão de habitantes, sendo 72% deles intrarregionais15. 5) Cenário político: A garantia de estabilidade política e ausência de violência cria ambiente atraente a investidores externos, pois representa a segurança oferecida pelo

• Os países latino-americanos, no geral, têm forte participação nas principais organizações multilaterais mundiais. O Conselho de Segurança da ONU, em particular, tem sido local de importante projeção latino-americana: quatro dos 13 países mais presentes no Conselho de Segurança da ONU, excluindo-se os membros permanentes, são latinoamericanos: Brasil, Argentina, Colômbia e Panamá. 13

A partir deste diagnóstico e do mapeamento dos viabilizadores dos fluxos de conectividade, a BRAiN pretende atuar para promover o desenvolvimento das dimensões mais incipientes. Com isto, pretende-se fortalecer a conectividade intrarregional da América Latina para que a região tenha grande força e representatividade globalmente, e a conectividade extrarregional da região e do Brasil para que ambos estejam bem conectados com o restante do mundo a fim de potencializar ganhos e alavancar a futura unicidade de sua rede.

Fonte: UNCTADStat

Considera relações diplomáticas, acordos bilaterais e multilaterais existentes, presença de embaixadas e demais exigências 14

15 Baseado no número de voos da semana de 6 a 12 de dezembro de 2010. Considera apenas partidas. Amostra da América Latina composta por voos a partir do Brasil, Chile e México. Amostra da Ásia composta por voos a partir da China e Cingapura. Amostra da Europa composta por voos a partir da Alemanha, França, Reino Unido e Rússia

16 Soft Power: conceito de Joseph Nye; Ranking calculado com base em quatro categorias: negócios / inovação, cultura, diplomacia governamental e educação. Fonte: The Persuaders: an international ranking of soft power do Institute for Government

A BRAiN convida todos os representantes e membros da sociedade que tenham interesse de participar de diálogos estratégicos, bem como de grupos de trabalho para aprimorar a conectividade do país com a América Latina e o mundo, e consequentemente a atratividade do Brasil como polo de investimentos e negócios, a entrarem em contato pelo e-mail contato@brainbrasil.org.

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Conectividade de um polo de negócios e seus benefícios O mundo tem se conectado cada vez mais, gerando como consequência uma globalização cada vez maior das economias mundiais, panorama sobre o qual concordam diversas figuras importantes do cenário político e de negócios do mundo todo (veja Diagrama 4). Esta intensidade de trocas entre países vem aumentando mais rápido do que o PIB e a população globais, tornando o Planeta cada vez mais interligado (veja Diagrama 5). Nessa crescente rede mundial, alguns polos se destacam pelo seu alto nível de conectividade. Nova Iorque e Londres, por exemplo, são polos financeiros internacionais e centros aéreos para o mundo. Hong Kong, por sua vez, se destaca por sediar matrizes de diversas multinacionais da região. Roterdã e Cingapura têm os portos mais movimentados da Europa e do mundo, respectivamente (veja Diagrama 6). Por definição, um polo está no centro de uma malha de conexões ou fluxos, e quanto mais conectado, mais atrativo, pois maior valor terá sua rede para os agentes com quem interage. Tipicamente, as conexões de um polo são de dois tipos: regionais (intrarregionais) e globais (extrarregionais), e ambas são fundamentais para o desenvolvimento de um polo de investimentos e de negócios. As conexões do primeiro tipo tornam mais coesa a região em que o polo está inserido, aumentando a atratividade regional para o restante do mundo. Já as do segundo tipo conectam a região, através de seu polo, aos demais polos do mundo e às suas respectivas regiões. Se estas últimas não se estabelecem produtivamente, a região como um todo pode acabar marginalizada dos principais fluxos econômicos mundiais. Hoje, a América Latina ainda se encontra pouco conectada, tanto dentro da própria região quanto com os demais países do mundo. Ainda não existe um polo estabelecido de fato na região, apesar de alguns países estarem se sobressaindo. Tal polo poderia trazer benefícios para toda a região, por exemplo, fazendo com que transações financeiras hoje centralizadas nos EUA e Europa passem a ser desenvolvidas dentro da própria região. Particularmente para o Brasil, sua economia pujante e com boas perspectivas de crescimento, sua forte representatividade na exportação de commodities, presença de empresas de relevância mundial e sua posição de destaque na comunidade internacional tornam o País um candidato natural a polo na região. Para tanto, um entorno regulatório e infraestruturas que simplifiquem as trocas entre o Brasil e os demais países latino-americanos e entre o Brasil e o mundo são condições fundamentais para que o País possa se caracterizar como polo.

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DIAGRAMA 4

Benefícios da Conectividade

O mundo está cada vez mais conectado

Além do efeito sobre a atratividade de um polo, um alto nível de conectividade costuma trazer outros benefícios, não só para o polo em si, como também para toda a sua região. Tipicamente, esses benefícios se materializam por intermédio de economias de escala e de escopo, que diminuem os custos transacionais para as contrapartes de um fluxo, seja ele intrarregional ou extrarregional. Tais benefícios são perceptíveis em diversas esferas: acesso a capitais, investimentos, empresas e crescimento econômico (veja Diagrama 2, na pág. 11).

“Globalização nos transformou em uma empresa que busca, em termos globais, não apenas onde vender ou comprar, mas onde encontrar capital intelectual - os melhores talentos do mundo e as melhores ideias.” “... É imprescindível [adotar] grandes acordos e compromissos [globais para regular o sistema financeiro devido a sua importante globalização].”

Jack Welch, ex-CEO da GE

A maior maturidade financeira de um polo facilita o acesso a poupanças mundiais para empresas de toda a região. Cingapura, por exemplo, obteve sucesso na criação de um centro financeiro para o sudeste asiático, no qual mercados de capitais eficientes e bem regulados coexistem com uma indústria de serviços financeiros robusta. Sua infraestrutura financeira eficiente com formadores de mercado, sistemas de compensação, procedimentos de liquidação e investidores qualificados determinou padrões elevados não só para sua região, mas para todo o mundo. A maturidade financeira de Cingapura tem atraído fundos de todas as partes, contribuindo para o desenvolvimento de longo prazo da região. Quase 50% de todos os fundos de asset management de Cingapura estão investidos em outros países da região Ásia-Pacífico. Além disso, 36% dos fundos de venture capital utilizados por empresas asiáticas têm origem em Cingapura.

José Luis Rodríguez Zapatero, ex-Primeiro Ministro da Espanha

“Este é um período muito instigante no mundo da informação [...]. Todo o ritmo dos negócios está se mexendo mais rápido. A globalização está forçando as empresas a fazer coisas de novas maneiras.”

“Desde 1960, o aumento do comércio foi tornado mais fácil por tratados internacionais para baixar barreiras alfandegárias e não alfandegárias na exportação de produtos manufaturados...” BBC News

DIAGRAMA 5

Intensidade das trocas cresce mais rápido do que o PIB e a população mundiais Número total de imigrantes no mundo2

Fluxo total de IED1 no mundo

Bill Gates, Microsoft

“Globalização não é algo que se possa segurar ou desligar... Ela é o equivalente econômico a uma força da natureza – como o vento ou a água.”

2,2

US$T

tacc

2,10

12,0% tacc PIB mundial

1,1

Bill Clinton, ex-presidente dos EUA

“É a globalização acontecendo. TI está trazendo ferramentas mágicas que tornam possível gerenciar tal complexidade. Essa tem sido uma revolução constante nos últimos 10 anos, forçando-nos a transformar radicalmente nossos processos para atender aos melhores interesses de nossos clientes.” Pierre Henri Gourgeon, Airfrance

7,6%

0,01 0

1970

1980

1990

2000

Milhões de pessoas

214

156

tacc pop. total

110

1,35%

0

2010

tacc 1,61%

1990

1995

2000

2005

2010

Valor total de mercadorias comercializadas no mundo3

“Nossos países [...] são melting pots crescentes de diferentes crenças, raças, culturas e etnias. Internet, comunicação em massa, viagens, migração: o mundo está se aproximando.” Tony Blair, ex-Primeiro Ministro do Reino Unido

Fonte: Pesquisa na mídia; análise BCG

220

18

US$T 16,1

tacc 9,9%

12

tacc pib mundial

6

7,6%

0,3 0

1970

1980

1990

2000

2010

1. Investimento direto externo 2. Estimativa do UN Department of Economic and Social Affairs – Population Division 3. Total de exportações. Fonte: UNCTADStat; UN Department of Economic and Social Affairs

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CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

DIAGRAMA 6

DIAGRAMA 7

Alguns polos se destacam pelo seu alto nível de conectividade, porém nenhum na América Latina

Empresas estão estabelecendo centros de pesquisa globais ou regionais para a América Latina no Brasil

LONDRES Polo financeiro internacional Centro aéreo para o mundo

NOVA YORK

Instalou em 2008 o Centro de Inovação e Tecnologia de Paulínia

ROTERDÃ Porto mais movimentado da Europa

SHANGAI Centro comercial de bens entre China e o mundo

Polo financeiro internacional

Chicago Maior mercado de futuros e derivativos Centro regional de transportes

Nenhum polo de destaque mundial na América Latina

HONG KONG

Centro aéreo para o mundo

cingapura

Sede de destaque para multinacionais da região

Inaugurou em 2008 um Centro de Pesquisas no Brasil – 4º laboratório da empresa fora da Europa

O novo centro tem o objetivo de desenvolver novas soluções, de forma mais rápida, para clientes da empresa Ariana Bottura, DuPont

É importante estar perto do consumidor para saber qual é a demanda Serge Restlé, L’Oréal

Porto mais movimentado do mundo em volume de mercadorias Centro financeiro regional

A proximidade a um polo de investimentos e negócios também estimula a entrada de investimentos externos na região como um todo. Estudo realizado pela Universidade de Hong Kong avaliou o papel de Hong Kong, como polo de investimentos, no desenvolvimento econômico da China. Estima-se que, em 1999, havia cerca de 180 mil projetos chineses financiados por investimentos oriundos de Hong Kong, o que correspondia a 55% do total de investimentos externos na região. Como consequência do aumento dos investimentos estrangeiros, as empresas de capital externo foram as grandes responsáveis pelo crescimento das exportações chinesas na década de 1990, tendo saído de 27% em 1992 para 50% das exportações chinesas em 2001, uma evolução média de 25,4% ao ano. Adicionalmente, o estabelecimento de empresas multinacionais nos polos de investimentos e negócios gera ciclo virtuoso de inovação e desenvolvimento de competências e capacitação. Tratando-se de ambientes de fomento aos negócios, os polos oferecem oportunidades de carreira interessantes não só para o desenvolvimento de talentos locais, mas também para a atração de força de trabalho internacional e qualificada. Uma série de empresas multinacionais, como é o caso de DuPont, L’Oréal, IBM, Cargill, Ericsson e GE, já vem estabelecendo centros de pesquisas globais ou regionais para a América Latina, sediando-os no Brasil, o que pode representar uma grande oportunidade para região de desenvolver e capacitar seus talentos locais e de atrair mão de obra estrangeira qualificada (veja Diagrama 7).

Pesquisa tem a ver com talento, e isso o Brasil tem Em 2010, abriu no Rio de Janeiro o “IBM Research – Brasil”, o primeiro da empresa na América do Sul

Daniel Dias, IBM

A fragmentação estava dificultando a capacidade de resposta, o que agora ficou mais rápido e eficiente Em 2011, inaugurou no Brasil seu 1º Centro de Tecnologia e Inovação em alimentos na América Latina

Em 2011, irá investir mais de R$ 40 milhões para trazer ao Brasil o seu Centro de Inovação para a América Latina

Investimento de US$ 550 milhões em um Centro de Pesquisas Global no Rio de Janeiro, o 5º da GE no mundo, a ser concluído em 2012

Marcelo Martins, Cargill

(...) seu Centro de Inovação para a América Latina que tem como foco as atividades de pesquisa, desenvolvimento e customização de novas soluções Press clipping sobre Ericsson

Temos como diretrizes implantar uma sede no local em que desenvolveremos novas tecnologias para atender necessidades regionais (Brasil e América Latina) Fernando Rodriguez, GE

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CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

O estabelecimento de empresas multinacionais nos polos de investimentos e negócios gera ciclo virtuoso de inovação e desenvolvimento de competências e capacitação. Tratandose de ambientes de fomento aos negócios, os polos oferecem oportunidades de carreira interessantes não só para o desenvolvimento de talentos locais, mas também para a atração de força de trabalho internacional e qualificada

Para facilitar o entendimento do relatório, a América Latina será comparada com duas outras regiões – Europa e Sudeste Asiático expandido – com o intuito de relativizar as análises apresentadas (veja Diagrama 8). A menos que seja explicitado o contrário, os locais considerados nas análises das regiões são: • América Latina: Argentina, Belize, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Malvinas, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela. • Europa: Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, República Tcheca, Dinamarca, Estônia, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Holanda, Polônia, Portugal, Romênia, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Suécia e Reino Unido. • Sudeste Asiático expandido: Camboja, Coreia do Norte, Coreia do Sul, China, Cingapura, Filipinas, Hong Kong, Indonésia, Laos, Macau, Malásia, Mianmar, Tailândia, Taiwan e Vietnã.

DIAGRAMA 8

América Latina será comparada com Europa e Ásia

Finalmente, como consequência de todos os demais benefícios anteriormente citados, a proximidade a polos de investimentos e negócios estimula o crescimento econômico de países. Um estudo realizado pelo Banco Central do Chile17 aponta que maior integração tem efeitos positivos sobre o nível de atividade de países: um acordo de integração pode aumentar em 0,055 pontos percentuais (p.p.) o crescimento de um país, para cada 1% de participação do país parceiro no PIB mundial. Ou seja, um acordo de integração com o Brasil, que tem 2,57% de participação no PIB global, implicaria 0,14 p.p. de aumento na taxa de crescimento de um país parceiro e correlacionado ao polo. Outro estudo18 explica, por exemplo, que a África do Sul é motor de crescimento para os demais países da sua região: cada 1 p.p. de expansão do PIB do país gera entre 0,50 e 0,75 p.p. de crescimento econômico nos países circunvizinhos. Estes estudos demonstram, portanto, que uma maior conectividade regional e global gera benefícios para as parte envolvidas. Dada a importância da conectividade para o estabelecimento de um polo, e dados os benefícios que um polo e a conectividade podem gerar para o país e sua região, o presente relatório pretende detalhar e analisar com profundidade estes temas. Ou seja, a conectividade do Brasil e da América Latina será avaliada por meio da análise de cinco dimensões: comércio de bens e serviços, fluxos de investimentos e capitais, expansão internacional de empresas, circulação de pessoas e cenário político internacional (veja Diagrama 3, na pág 13). Para cada uma das dimensões, será feito um diagnóstico da situação atual, serão listados os viabilizadores de conectividade e serão discutidas algumas oportunidades de ação para que Brasil e América Latina melhorem sua conectividade tanto regional quanto com o restante do mundo.

América Latina1

Europa (EU27)2

Sudeste Asiático Expandido3

PIB4 total

US$4,7T

US$16,3T

US$9,4T

Locais

21

27

15

Idiomas

2 predominantes (espanhol e português)

Dezenas de idiomas 23 na União Europeia

Mais de uma dezena

Habitantes

548 milhões

499 milhões

3,4 bilhões

Km2

20 milhões

4,4 milhões

14 milhões

Fuso-horário

7 fusos-horários UTC-2 a UTC-8

3 fusos-horários UTC a UTC+2

4 fusos-horários UTC+5 a UTC+8

Maior complexidade Fonte: Banco Central de Chile, Working Papers (2004) 17

Fonte: IMF Working Paper – Arora e Vamvakidis (2005) Dados analisados de 1960 a 1999 18

1. Argentina, Belize, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Malvinas, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Perú, Suriname, Uruguai, Venezuela. 2. Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, República Checa, Dinamarca, Estónia, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Holanda, Polônia, Portugal, Romênia, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Suécia, Reino Unido. 3. Camboja, Coreia do Norte, Coreia do Sul, China, Cingapura, Filipinas, Hong Kong, Indonésia, Laos, Macau, Malásia, Mianmar, Tailândia, Taiwan, Vietnã. 4. PIB nominal 2010; (US$ em PPP) 2. Crescimento real ‘05-’10 (preços 2005). Fonte: EIU

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CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

02

Comércio de bens e serviços Comércio de bens

Um polo de negócios deve contar com um ambiente que viabilize e promova o comércio internacional de bens, vital para os diversos setores produtivos da economia na medida em que abre mercados e viabiliza a formação de cadeias de suprimentos internacionais. Grandes polos como Londres, Hong Kong e Cingapura já eram centros de comércio muito antes de conquistarem papéis de destaque nos fluxos de investimentos e negócios que caracterizam a economia globalizada das últimas décadas. Além do comércio de bens, é importante para um polo também a viabilização do comércio internacional de serviços, setor que só tem elevado sua importância relativa no mundo. Isto vale para os mais distintos campos de atividade: serviços profissionais altamente especializados como consultoria, publicidade, advocacia e auditoria; serviços técnicos de construção, engenharia, transporte e outsourcing, desde processos (BPO) até call-centers. Historicamente definido como um setor residual, apenas complementar aos setores industrial e agrícola, o setor de serviços é o ramo da economia que mais cresceu nas últimas décadas. Avanços nas tecnologias de informação e comunicação têm expandido o escopo das operações que podem ser comercializados além-fronteiras. Também é o setor que mais contribui para a criação de empregos na economia, sendo necessária uma mão de obra mais qualificada para o cumprimento das funções. Uma economia resiliente e diversificada depende de um setor de serviços internacionalizado, que apoie a projeção da região e gere benefícios para os diversos setores da economia e da sociedade como um todo.

O comércio internacional de bens está presente em grande parte da História da humanidade, mas a sua importância econômica, social e política se intensificou nos últimos séculos. Os avanços industrial e dos transportes, a globalização, o surgimento das corporações multinacionais e o outsourcing proveram grande impacto no incremento do comércio, que inclui todo e qualquer objeto que proporcione alguma utilidade para um consumidor e que seja suficientemente escasso para ter um valor econômico. Nessa categoria entram os bens primários, caracterizados por não terem sofrido nenhum tipo de transformação, como é o caso da madeira; os bens intermediários, que são matérias-primas para outras indústrias, como, por exemplo, o aço e o cimento; os bens de consumo, destinados para consumo final, como alimentos, vestuário e eletrodomésticos; e os bens de capital, os equipamentos e instalações necessários à produção de outros bens. Para constituir um polo, é importante que um país tenha participação relevante na comercialização internacional de bens, tanto como exportador, quanto como importador. Tal relevância, por sua vez, requer uma infraestrutura logística robusta e capaz de disponibilizar os bens nos mercados e pontos de destino com a máxima eficiência, rapidez e qualidade e o menor custo. A América Latina tem visto seu comércio extrarregional de bens aumentar mais que a média de crescimento global. Enquanto os volumes mundiais de exportação e importação de bens subiram a taxas anuais de 4,3% e 3,9%, respectivamente, entre 2005 e 2008, na América Latina as exportações de bens evoluíram a 4,8% ao ano e as importações de bens a 6,6% (veja Diagrama 9). Foi a segunda região que mais cresceu em termos de exportações, ficando abaixo apenas da Ásia, cujo volume de exportações aumentou a 7,3% anualmente durante o mesmo período. Já nas importações a América Latina liderou em crescimento, tendo superado até mesmo a Ásia, cujo volume de importações expandiu a 6,5% ao ano. Apesar do alto crescimento, o fluxo de comércio internacional de bens latino-americano ainda tem baixa representatividade em relação ao comércio global, especialmente quando comparado com o que seu PIB representa na economia mundial. Em 2009, a América Latina foi responsável por 7% do PIB global, mas por somente 5% do comércio global de bens (veja Diagrama 9). Tal proporção é muito baixa comparada com Europa e Ásia, que responderam por 29% e 13% do PIB global em 2009, respectivamente, e por aproximadamente 37% e 22% do comércio internacional de bens, respectivamente.

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DIAGRAMA 9

América Latina tem potencial para aumentar sua representatividade no comércio global de bens

Participação da América Latina no comércio de bens vem crescendo mais do que o comércio global... O comércio de bens intrarregional é outra área com potencial de desenvolvimento na América Latina, tanto em termos absolutos, quanto em representatividade do PIB. Em 2009, apenas 17% das exportações e 15% das importações latino-americanas foram intrarregionais, números que vão para 42% e 48%, respectivamente, no caso da Ásia, e para 67% e 50%, no caso da Europa (veja Diagrama 10). O comércio intrarregional de bens latino-americano também é muito baixo quando comparado ao PIB local, tendo representado em 2009 apenas 3% do PIB da região, ao passo que na Ásia essa proporção foi de 16% e na Europa foi de 19%.

Exportações globais US$ T

2009

12,4

2008

16,1

2007

14,0

2006

12,1

2005 TACC ‘05-’08

Já extrarregionalmente, a América Latina se destaca pelo comércio de bens: em 2009, 83% das exportações e 82% das importações latino-americanas foram com países de fora da região. Na Europa esses valores foram de 33% e 50%, para exportações e importações, respectivamente, e na Ásia foram de 58% e 52%. México e Brasil se sobressaem em relação a países europeus, tendo o comércio extrarregional representado 17% e 11% dos PIBs desses países em 2009, respectivamente (veja Diagrama 11). Na Ásia, o destaque fica por conta da China, cujo comércio extrarregional de bens equivaleu, em 2009, a mais da metade de seu PIB. Nos países europeus, o comércio extrarregional de bens não chegou a representar nem 5% do PIB dos países.

10,5 2,9%

7,3%

4,8%

3,8%

4,3%

Importações globais Volume importado - US$ T

2009

12,6

2008

16,5

2007

14,2

2006

12,4

2005 TACC ‘05-’08

DIAGRAMA 10

10,8 2,7%

6,5%

6,6%

3,5%

Exportações e importações intrarregionais da América Latina são menos representativas que na Europa e Ásia

3,9%

Exportações intrarregionais de bens são pouco representativas na América Latina...

... mas a relevância do comércio da região pode ser ainda maior Participação no PIB e no comércio internacional de bens

... assim como é a representatividade das importações intrarregionais na região

Representatividade das exportações intrarregionais

Representatividade das importações intrarregionais

Exportações intrarregionais da região / total de importações na região

Importações intrarregionais da região / total de importações na região

% 2009

77%

37

Exportação

23

5

68%

68%

35

73%

67%

48%

29

PIB

7

37

Importação % Comex/ % PIB1

13

71% Europa

20

77% Ásia

5

164%

América Latina

42%

51

2007

127% Outros

18%

17%

38

1. Média da relevância da % de exporações e das importações sobre a relevância do PIB Nota: Todos os valores nominais Fonte: Unctad Online handbook of statistics; análise BCG

América Latina1

17%

2008 Ásia2

46%

42%

41%

16%

16%

2009

2007

48%

15%

2008

2009

Europa

1. Não considera Belize, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Guiana, Honduras, Panamá, Suriname. 2. Não considera Camboja, Macau e Vietnã. Nota: Todos os valores nominais Fonte: Unctad Online handbook of statistics, Eurostat, International Trade Center, institutos de estatística nacionais; análise BCG

50%

31


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CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

DIAGRAMA 11

DIAGRAMA 12

México e Brasil superam países europeus em intensidade de comércio extrarregional

Restrições comerciais superiores à média global limitam a conectividade comercial latino-americana de bens

Penetração do comércio internacional de bens extrarregional na economia dos países % PIB do País

Tarifas equivalentes de importação são mais baixas na Ásia e na Europa

Tarifas impostas a exportações latino-americanas também são mais altas

Restrição à importação de bens (06-09)

Restrição de acesso a outros mercados (06-09)

30,5%

35

8,1% 6,1%

5

Média Mundial3: 8,5

Média Mundial3: 9,1

3,1%

3,1%

-1,7%

1,3%

1,2%

1,1%

-1,8%

-1,2%

-2,0%

-5

1,3%

1,0%

-1,0%

-0,5%

1,5%

-2,5%

1,0% -0,6%

-1,2%

EXPORTAÇÃO IMPORTAÇÃO

EUROPA

CHINA

Coreia DO SUL

CINGAPURA

INDONÉSIA

3,1%

ARGENTINA

REINO UNIDO

2,4%

CHILE

ITÁLIA

3,1%

BRASIL

FRANÇA

4,8%

-23,4%

16,9%

11,3%

2,3%

1,5%

53,9%

5,6%

2,7%

1,6%

-8,8%

AMÉRICA LATINA

BRASIL

20,3

MÉXICO

ÁSIA

Comércio extrarregional total do país sobre PIB do país

19,7

Coreia DO SUL

Viabilizadores do comércio de bens da América Latina Para intensificar sua conectividade, a América Latina pode atuar sobre alguns viabilizadores que permitam elevar sua participação no comércio global de bens, em paricular entre os países da própria região. Dois fatores principais limitam a conectividade da América Latina hoje em termos de participação no comércio global de bens: elevadas restrições tarifárias e não tarifárias a importações e exportações, e dificuldades institucionais e logísticas.

12,7 9,8 9,2 6,5

FRANÇA

6,4

FRANÇA

9,1

ALEMANHA

6,4

ALEMANHA

9,1

ITÁLIA

6,4

ITÁLIA

9,1

REINO UNIDO

6,4

REINO UNIDO

9,1

Tarifa equivalente a tarifas + restrições não-tarifárias às exportações2 MAIS RESTRITIVO

MAIS RESTRITIVO

MENOS RESTRITIVO

19

20 Reflete a tarifa uniforme que manteria os níveis de importação de parceiros comerciais junto ao país exportador constantes

5,1

INDONÉSIA

CINGAPURA

7,5

Tarifa equivalente a tarifas + restrições não-tarifárias às importações1

Reflete a tarifa uniforme da pauta de tarifas de um país mais medidas não tarifárias (cotas, controle de preços, restrições técnicas, subsídios etc.) que, caso não existissem, manteriam os níveis de importação doméstica constantes, ou seja, não afetariam a possibilidade de importação dos agentes internos

8,3

CHINA

9,8

INDONÉSIA

12,3

Coreia DO SUL

10,0

CHINA

Fonte: World Trade Indicators 2009/10 – Banco Mundial

Condições comerciais mais restritivas do que a média global limitam a conectividade latino-americana. A maioria dos países da América Latina tem tarifas equivalentes de importação19 mais elevadas que as de países da Ásia e Europa: Brasil, México e Argentina apresentam restrições a importações superiores à média mundial. Países europeus, como França, Alemanha, Itália e Reino Unido, por sua vez, estão abaixo da média mundial. Adicionalmente, as tarifas equivalentes20 impostas por outros países sobre as exportações latino-americanas também são mais altas. Aqui, novamente, Brasil e Argentina se destacam pela forte restrição de acesso enfrentada em outros mercados, enquanto que os mesmos países europeus encontram restrições equivalentes à média mundial. A mesma análise mostra Chile como o país mais aberto da América Latina, com baixas restrições a importações de outros países e acesso relativamente livre a outros mercados (veja Diagrama 12).

MÉXICO

5,0

CINGAPURA

16,4

CHILE

9,3

CHILE

ARGENTINA BRASIL

18,0

ARGENTINA

MÉXICO

ALEMANHA

-5,2%

-25

33

América Latina

Ásia

MENOS RESTRITIVO

Europa

1. Reflete a tarifa uniforme da pauta de tarifas de um país mais medidas não tarifárias (quotas, sistemas de controle de preços, restrições técnicas, subsídios, etc.) que, caso não existissem, manteriam os níveis de importação doméstica constantes, ou seja, não afetariam a possibilidade de importação dos agentes internos. 2. Reflete a tarifa uniforme que manteria os níveis de importação de parceiros comerciais junto ao país exportador constantes. Tarifa média é calculada ponderando-se pelo valor das importações de cada produto e a elasticidade da demanda de importação do parceiro, ou seja, sua sensibilidade à variações de preço. 3. Média ponderada pela participação de cada país no comércio mundial Nota: tanto os índices de importação quanto os de exportação incluem em seu cálculo tarifas de acordos preferenciais de comércio. Fonte: World Trade Indicators 2009/10 – Banco Mundial


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CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

A América Latina tem histórico de tentativas para estabelecer acordos de livre comércio, porém nenhuma delas foi bem-sucedida em comparação aos esforços da Europa, que já tem uma série de acordos estabelecidos, ou do Sudeste Asiático, onde o comércio livre de taxas se encontra em fase final de implantação (veja Diagrama 13). O UNASUL, união que contempla os dois principais acordos de livre comércio da América Latina – Mercosul e Comunidade Andina – está muito aquém do acordo estabelecido pelos países do Sudeste Asiático (ASEAN) e mais distante ainda da União Europeia. Em primeiro lugar, o UNASUL abrange apenas 57% dos países da América Latina, o que corresponde a 75% do PIB da região. O alcance geográfico do ASEAN, por sua vez, é de 67% dos países, o equivalente a 82% do PIB do Sudeste Asiático. A União Europeia é o acordo mais abrangente, correspondendo a 100% dos países e do PIB da região.

DIAGRAMA 13

Acordos de livre comércio não desenvolvidos também previnem que a América Latina realize seu potencial de integração AMÉRICA LATINA

SUDESTE ASIÁTICO

EUROPA

13

2

16

UNASUL: Originado da união MERCOSUL-CAN

Área de Livre Comércio ASEAN-China

Espaço Econômico Europeu: UE+3 países (NOR, ISL e LIE3)

Alcance geográfico

12 membros 57% dos países da AL

11 membros 67% do SE Asiático

30 membros 100% da Comunidade Européia

Alcance econômico (PIB do bloco)

$3,5T 75% do PIB da AL

$7,7T 82% do PIB do SE Asiático

$16,3T 100% do PIB da Comunidade Européia

Comércio livre de taxas a ser implementado

Comércio livre de taxas em fase final de implementação2

Comércio livre de taxas implementado

Nenhum acordo do bloco como um todo com outros países

4 acordos do bloco como um todo com outros países

19 acordos da UE com outros países

Número de acordos 1

Principal Acordo

Nome

Status

Integração com outras regiões

Diversas iniciativas de integração, mas principal acordo ainda incipiente

Esforços concentrados de integração já em fase final de implementação

diversos acordos negociados; eu mais abrangente e consolidado

1. Número de acordos multilaterais internos de livre comércio 2. Entre a ASEAN as tarifas já foram eliminadas em 99% dos produtos. No ASEAN-China a eliminação das tarifas em 90% dos produtos em 7 países já foi implementada. Os outros 4 devem implementá-la até 2015 3. Noruega, Islândia e Liechtenstein. Fontes: Sites oficiais da European Union External Action (http://eeas.europa.eu/) , UNASUL (http://www.pptunasur.com/) e ASEAN (http://www.aseansec.org/), worldtradelaw.net, FMI (www.FMI.org)

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CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

Os acordos de integração também se diferenciam pelo grau de maturidade, sendo o UNASUL o mais incipiente e a União Europeia o mais consolidado, com a eliminação de barreiras alfandegárias estabelecida desde 1992 e uma série de acordos com outras regiões. O ASEAN tem sido bem-sucedido na frente econômica através da Área de Comércio Livre da ASEAN (AFTA, sigla em inglês), com a eliminação de tarifas para os seis países mais antigos da ASEAN tendo ocorrido no início de 2010, e acordos de livre comércio com países de fora da região, como China, Austrália e Nova Zelândia.

DIAGRAMA 14

Viabilizadores institucionais e logísticos são grandes obstáculos ao comércio regional na América Latina Países na América Latina apresentam maior dificuldade para a realização de negócios...

Viabilizadores institucionais e logísticos também são grandes obstáculos ao comércio internacional da América Latina, até mesmo intrarregional. Países latino-americanos apresentam maior dificuldade para a realização de negócios, segundo o ranking Doing Business21 realizado pelo Banco Mundial, sendo o Brasil o pior destes países comparados na análise. A percepção sobre o desempenho logístico da região também é bastante negativa22, ficando à frente apenas da Indonésia, que foi o país mais mal avaliado na comparação (veja Diagrama 14). A América Latina apresenta baixo desempenho logístico em quase todas as dimensões, com destaque negativo para a ineficiência dos processos alfandegários, a baixa qualidade de infraestrutura e transporte e a dificuldade de obtenção de tarifas de frete competitivas. Já a dimensão menos crítica no desempenho logístico da América Latina é a pontualidade (veja Diagrama 15).

... e desempenho logístico dos países latino-americanos é também inferior Índice de performance logística2

Dificuldade de realização de negócios1 BRASIL

129

ARGENTINA

118

MÉXICO

51

CHILE

122

CHINA

1,8

INDONÉSIA

2,2 1,5 1,4 0,9 1,4

FRANÇA

31

1,2

REINO UNIDO

25

REINO UNIDO 5

1,1

ALEMANHA

Posição no ranking Doing Business

MENOS RESTRITIVO Índice representa facilidade de se fazer negócios em um país com base em sete indicadores como abertura de empresa, respeito a contratos e fechamento de empresa – ranking de 183 países

1,9

ITÁLIA

78

ALEMANHA

ARGENTINA

CINGAPURA

ITÁLIA FRANÇA

1,9

COREIA DO SUL

19

CINGAPURA 1

Paralelamente aos portos, a falta de conexões por outros modais também limita o comércio intrarregional latino-americano. A densidade ferroviária da América Latina equivale a menos da metade da verificada na Europa: 205 km/milhão de habitantes e 426 km/milhão de habitantes, respectivamente. Além da pequena quantidade, a qualidade das conexões por terra na América Latina também é baixa. Falta de investimentos, diferenças entre bitolas, elos faltantes e problemas de gestão são apenas alguns dos fatores que limitam a participação do transporte ferroviário no transporte de bens da região. A situação não é muito melhor no transporte rodoviário, onde se concentra a maior parte dos investimentos dos governos. O transporte rodoviário conta com problemas como manutenção deficiente, grandes congestionamentos, falta de segurança e uso para tráfego urbano, os quais limitam a integração da América Latina.

CHILE

CHINA

89

COREIA DO SUL

2,0

BRASIL

49

INDONÉSIA

A América Latina também está pouco integrada ao fluxo marítimo de mercadorias mundial: enquanto 65% do transbordo global está concentrado nos 25 principais portos do mundo, apenas 9% está em portos da Costa Leste da América do Sul (veja Diagrama 16). Além disso, os fluxos marítimos de cargas latino-americanos são hoje descentralizados. A consolidação desses fluxos em alguns portos da região poderia trazer claras vantagens econômicas como aumento da capacidade de recepção de navios, tanto em número quanto em tamanho; ganhos de escala sobre os investimentos realizados; e consolidação de uma rede de infraestrutura regional estruturada e planejada. Exemplos como Roterdã, na Europa, e Shangai, na China, mostram como portos de grande dimensão podem contribuir para a conectividade global de uma região.

MÉXICO

MAIS RESTRITIVO

0,9

Rating de infraestrutura - min:0 máx:5

MAIS RESTRITIVO

MENOS RESTRITIVO

21

Algumas iniciativas bastante positivas para tratar os gargalos de infraestrutura no Brasil têm sido tomadas, porém resultados mais efetivos demandam a conclusão de grandes obras. Por exemplo, os portos de Santos e São Sebastião passam por reformas e no Maranhão está sendo construído um dos maiores terminais do mundo para exportação de granéis. Também estão sendo planejados ou construídos importantes projetos ferroviários, como o ferroanel de São Paulo, a Ferrovia Leste-Oeste, a Nova Transnordestina e a Ferrovia Norte-Sul.

22 Percepção geral sobre desempenho logístico do país baseada em aproximadamente mil entrevistas com especialistas internacionais

América Latina

Ásia

Europa

1. Índice que representa facilidade de se fazer negócios em um país com base em 7 indicadores, 3 deles integrantes da base World Trade International (abertura de negócio, respeito a contratos e fechamento de negócio) – ranking de 183 países; 2. Reflete percepção geral sobre performance logística do país com base em ~1.000 entrevistas com especialistas internacionais Fonte: World Trade Indicators 2009/10 – Banco Mundial

37


38

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

39

Viabilizadores institucionais e logísticos também são grandes obstáculos ao comércio internacional da América Latina, até mesmo intrarregional. Países latino-americanos apresentam maior dificuldade para a realização de negócios, segundo o ranking “Doing Business” realizado pelo Banco Mundial, sendo o Brasil o pior destes países comparados na análise

DIAGRAMA 15

Países latino-americanos apresentam mais baixo desempenho logístico em quase todas as dimensões Alfândega1 Rating de alfândega

Infraestrutura2

Frete Internacional3

min:0 / máx:5

Rating de infraestrutura

Rating de frete

min:0 / máx:5

min:0 / máx:5

Média Global: 2,4

brasil

2,6

CHILE

MÉXICO

2,5

ARGENTINA MÉXICO

ARGENTINA

2,4

CHILE INDONÉSIA CHINA COREIA DO SUL CINGAPURA

CHINA

1,8

CINGAPURA

1,0

ITÁLIA

1,6

ITÁLIA

FRANÇA

1,4

REINO UNIDO FRANÇA

REINO UNIDO ALEMANHA

América Latina

1,3

Ásia

Europa

Rating de pontualidade

min:0 / máx:5

Média Global: 2,3

ARGENTINA

2,1

CHILE

2,2

ARGENTINA

2,0

MÉXICO

2,1

BRASIL

MÉXICO

2,0

CHILE

1,0 1,4

2,1

ARGENTINA

2,2

CHINA COREIA DO SUL

BRASIL

1,9

INDONÉSIA

CINGAPURA

1,7 1,5

INDONÉSIA

2,5

CHINA

1,5

COREIA DO SUL

1,4

1,3

1,3

1,7

CHILE

1,2

1,7

ARGENTINA

1,2

INDONÉSIA

BRASIL 2,2

CHINA

1,5

COREIA DO SUL

1,2

1,2

ITÁLIA

1,8

ITÁLIA

1,1

FRANÇA

1,7

FRANÇA

1,1

FRANÇA

1,0

ALEMANHA

1,3

REINO UNIDO

1,1

REINO UNIDO 0,9

REINO UNIDO

1,3

ALEMANHA 0,9

MÉXICO

1,6

CINGAPURA 0,9

CINGAPURA 0,9

1,1

BRASIL

1,7

1,0

ALEMANHA 0,8

min:0/máx:5 Média Global: 1,6

Média Global: 2,1

1,9

ITÁLIA

1,3

ALEMANHA 0,7

1,0

Rating de rastreamento e controle

min:0 / máx:5

2,1

2,5

0,8

Rating de competência logística CHILE

1,9

COREIA DO SUL

1,7

Média Global: 2,2

2,3

INDONÉSIA

2,6

Pontualidade6

MÉXICO

2,3

BRASIL

2,1

Média Global: 2,4

Rastreamento e Controle5

Competência Logística4

0,9

INDONÉSIA

1,5

CHINA COREIA DO SUL

1,1 1,0

CINGAPURA

0,8

ITÁLIA

0,9

FRANÇA

0,6

REINO UNIDO

0,6

ALEMANHA 0,5

1. Alfândega: eficiência do processo de desembaraço; 2. Infraestrutura: qualidade da infraestrutura relacionada a comércio e transporte; 3. Tarifas de frete internacional: facilidade de obtenção tarifas competitiva; 4. Competência logística: qualidade dos serviços de logística; 5. Rastreamento e controle: capacidade de rastreamento e recuperação de carregamentos; 6. Pontualidade: frequência com que carga chega ao consignante dentro do prazo estabelecido. Fonte: Logistics Performance Index (LPI) 2010 do Banco Mundial


40

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

DIAGRAMA 16 Baixa densidade do fluxo de transporte marítimo traz desafio à integração comercial da América Latina Representação ilustrativa do fluxo de transbordo mundial

Roterdã Antuérpia

Hamburgo

Barcelona

Manzanillo

Freeport Kingstom

Algeciras

Gioia Tauro Piraseus Malta

Damieta

Jidá

Busan Shangai

Dubai/Khor Fakkan Salalah

Hong Kong Port Klang

Kaohsiung

Cingapura Tanjung Pelepas

65% do transbordo mundial está nos 25 principais portos do mundo; 9% esta em portos da Costa Leste da América do Sul Nota: Largura das setas é representação ilustrativa do volume transportado Fonte: Drewty Shipping Consultants

41


42

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

DIAGRAMA 17

Comércio de serviços

Comércio latino-americano de serviços vem crescendo, mas sua participação equivale a apenas 49% da participação no PIB mundial

Segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), o setor de serviços é o de mais rápido crescimento da economia mundial e responde por dois terços do PIB mundial, um terço do emprego global e quase 20% de todo comércio global23. Os serviços são um importante motor de crescimento, especialmente nos países em desenvolvimento, em muitos dos quais já fazem grandes contribuições para o PIB. Os países estão cada vez mais conscientes de que setores eficientes de serviços, sustentados por bons sistemas regulatórios nacionais, são partes integrantes do crescimento econômico.

Participação da América Latina no comércio de serviços vem crescendo mais do que média global... Exportações globais 4

Volume Exportado - US$T

...mas a relevância dos serviços da região pode ser ainda maior

Importações globais TACC ‘05-’08

3,9

4

Volume Importado - US$T

TACC ‘05-’08

Participação no PIB e no comércio internacional de serviços % comex / % PIB1

100

3,7 3,5

A América Latina tem participação muito baixa no comércio global de serviços, não chegando a representar 4% de todo o volume de serviços exportado e importado no mundo em 2009. No mesmo ano, a Ásia representou 14% e 15% das exportações e importações mundiais, respectivamente, e Europa respondeu por 45% e 41%. A análise que mostra qual seria a participação da América Latina no comércio global de serviços, proporcional à sua participação no PIB, também indica o grande potencial da região em aumentar sua representatividade no comércio global de serviços: em 2009, a América Latina foi responsável por 7% do PIB mundial, mas somente por 4% do comércio global de serviços. Ou seja, a participação latino-americana no comércio global de serviços equivale a somente 49% de sua participação no PIB mundial. Na Ásia essa proporção é de 110% e na Europa é de 151% (veja Diagrama 17). Portanto, baseado nestas proporções, é possível admitir que haja um espaço significativo para o aumento do comércio de serviços na América Latina.

3,4

7,5%

7,2% 3,3

3,2

80

2,9

3

3

7,3%

2,6

2,7

2

10,1%

2

9,9%

9,1%

40%

76%

4%

49%

15%

110%

41%

151%

51%

7,6%

2,5

60

8,7%

38%

3% 14% 7%

40

13% 1

1

45% 20

29%

Apesar da baixa representatividade absoluta, a América Latina viu o crescimento de seu comércio internacional de serviços superar a média de crescimento global. Entre 2005 e 2009, o crescimento foi de 8,7% nas exportações e de 10,1% nas importações de serviços. No mundo, essas taxas foram de 7,5% e de 7,2% nas exportações e importações de serviços, respectivamente (veja Diagrama 17). Apenas a Ásia superou a evolução das exportações latino-americanas, despontando com uma alta de 9,9% ao ano no período entre 2005 e 2009. No mesmo período, a América Latina liderou, no entanto, o crescimento das exportações, deixando a Ásia em segundo lugar, com uma evolução de 9,1%, seguida pela Europa, que viu suas importações expandirem 5,9%.

6,8%

2005 2006 Europa 23

OMC, The General Agreement on Trade in Services (GATS): objectives, coverage and disciplines. www.wto.org, acessado em 09/2011

2007 Ásia

2008

2009

América Latina

5,9%

2005 2006

2007

2008

2009

EXPORTAÇÕES

PIB

IMPORTAÇÕES

Outros

1. Média dos índices de relevância de exportações e importações: % de exportações/ % do PIB da região e % das importações / % do PIB da região, respectivamente. Tudo em relação ao total do mundo. Nota: Todos os valores nominais. Fonte: UNCTADStat; análise BCG

43


CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

45

DIAGRAMA 18

GATS em vigência na América Latina, Europa e Ásia América Latina Número de compromissos GATS1 assinados por localidade

Viabilizadores do comércio de serviços da América Latina

30 MAIS aberto

Para melhorar sua conectividade através do comércio internacional de serviços, a América Latina pode atuar sobre duas alavancas principais: ratificação e abrangência de acordos de comércio de serviços (GATS24), e melhoria da infraestrutura de telecomunicações da região.

22

19

213

17 14

12

11

9

81

83

87

115

mais fechado

PARAGUAI

70

BOLíVIA

argentina

67

CHILE

venezuela

58

URUGUAi

55

PERU

53

COLÔMBIA

49

BRASIL

37

equador

RANKING

14

5

méxico

O GATS, criado pela OMC, é o primeiro acordo multilateral sobre serviços e funciona como um molde para que os países se comprometam na medida de seus interesses, regulando os tipos de medidas que a OMC deve aplicar referentes à não discriminação, transparência e regulamentação doméstica do comércio internacional de serviços. O GATS abrange todos os tipos de serviços, com exceção dos governamentais, e estabelece os requisitos referentes ao comércio de serviços no que diz respeito à prestação de serviços transfronteiriços, ao consumo de serviços no exterior e à presença comercial de pessoas de um Estado-membro para prestação de um serviço no território de outro membro. O GATS estabelece algumas obrigações gerais, que se referem à regulamentação doméstica, reconhecimento de diplomas, monopólios, medidas de salvaguarda, pagamentos e subsídios, e também medidas específicas, como acesso aos mercados, estipulando medidas que um membro não pode aplicar para restringir o mercado, como limitação do número de fornecedores permitidos, do valor das transações ou da quantidade de serviços prestados. Cada membro define os setores de serviços e os critérios detalhados dos compromissos e obrigações para estabelecer os parâmetros da liberalização dentro de seu território.

IMD World Competitiveness Yearbook - Nota dada por executivos à pergunta: Communications technology (voice and data) meets business requirements? Tarifa DDI por operadora de telefonia brasileira, ref. 2011 27

Construção e Engenharia

Recreação e Cultura

Distribuição

Telecom

Serviços Ambientais

Educação

Transporte

Saúde

75%

83%

80%

0%

40%

60%

0%

80%

44%

50%

equador

67%

50%

67%

20%

60%

20%

20%

100%

0%

33%

25%

67%

75%

83%

100%

40%

0%

40%

0%

0%

22%

0%

argentina

0%

0%

0%

0%

100%

100%

50%

80%

0%

60%

40%

BRASIL

67%

25%

33%

80%

0%

60%

20%

0%

0%

44%

0%

COLÔMBIA

67%

50%

67%

80%

0%

0%

20%

25%

0%

0%

0%

PERU

67%

50%

50%

0%

40%

40%

20%

0%

0%

22%

0%

URUGUAi

67%

75%

67%

0%

20%

0%

20%

0%

0%

11%

0%

100%

75%

50%

0%

0%

0%

20%

0%

0%

11%

0%

BOLíVIA

67%

50%

0%

0%

60%

0%

20%

0%

0%

0%

25%

PARAGUAI

67%

75%

0%

0%

0%

0%

0%

0%

0%

0%

0%

25 Média ponderada pelo PIB de cada país 26

100%

venezuela

CHILE 24 General Agreement on Trade in Services

Business services

méxico

Viagem e Turismo

% de compromissos assinados por setor2

A América Latina tem oportunidade para aumentar sua conectividade por meio de GATS. Cada país latino-americano tem, em média25, 21 GATS assinados, enquanto na Ásia a média é de 32 compromissos por país e, na Europa, 39. A abrangência setorial dos compromissos também é bastante superior na Europa e na Ásia. A América Latina tem, em média, apenas 37% dos compromissos assinados por setor, com grandes lacunas em segmentos como educação, saúde, transporte e cultura. Europa e Ásia têm, em média, 71% e 58%, respectivamente, dos compromissos assinados por setor (veja Diagrama 18). A estrutura de telecomunicações da América Latina, essencial para operações internacionais como call-centers, também é pouco integrada, limitando sua conectividade regional e global. Embora a penetração da internet nos países latino-americanos seja superior à média global, a infraestrutura de comunicações para negócios é, em geral, considerada ruim por executivos consultados pelo IMD26. Diversas rotas de dados intrarregionais precisam passar por muitos países, frequentemente de fora da própria região, diminuindo a velocidade de serviços online, piorando a qualidade de ligações, aumentando os riscos de interrupções e os custos dos serviços. Como consequência, os preços dos serviços de comunicações são muito elevados até mesmo nos serviços entre países da própria região. Uma ligação do Brasil para a Colômbia, por exemplo, pode ser mais cara do que do Brasil para a China27. Isso dificulta o crescimento de operações de grande potencial como call-centers e serviços de empresas que centralizam e terceirizam pesquisas de dados, como faz a Evalueserve no Chile.

21

Serviço Financeiro

44

Média da Região3

37%

=0

> 0 e ≤ 50%

> 50%

1. Da página da OMC: “The General Agreement on Trade in Services (GATS) is the first and only set of multilateral rules governing international trade in services. It was developed in response to the huge growth of the services economy over the past 30 years and the greater potential for trading services brought about by the communications revolution.” 2. Cada setor possui de 3 a 9 sub-setores demandando compromissos específicos (ex. serviços financeiros tem 3 sub-segmentos – Seguros, Banking e outros serviços financeiros). 3. Média ponderada pelos PIBs dos países. Fonte: WTO trade in services database


46

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

47

DIAGRAMA 18

GATS em vigência na América Latina, Europa e Ásia

50

393

35

32

32

32

31

30

MAIS aberto

29

36

23

34 30

28 21

33

38

39

48

56

102

áustria

lituânia

eslovênia

Rep. Tcheca

hungria

eslováquia

bulgária

suécia

finlândia

polônia

romênia

chipre

malta

mais fechado

1

19

27

35

42

51

54 cingapura

32

malásia

30

tailândia

29

coreia do sul

25

Camboja

13

china

11

Serviço Financeiro

Viagem e Turismo

Business services

Construção e Engenharia

Recreação e Cultura

Distribuição

Telecom

Serviços Ambientais

Educação

Transporte

Saúde

% de compromissos assinados por setor2

malta

67% 67% 67% 67% 67% 67% 67% 67% 100% 67% 67% 67% 67% 67% 67%

75% 75% 75% 50% 50% 75% 50% 75% 50% 75% 75% 50% 75% 0% 50%

83% 100% 100% 83% 83% 83% 83% 83% 67% 100% 100% 50% 50% 50% 0%

100% 100% 100% 100% 100% 100% 0% 100% 80% 100% 60% 100% 80% 0% 0%

100% 60% 80% 60% 20% 0% 40% 0% 20% 60% 40% 0% 0% 0% 0%

80% 80% 80% 80% 80% 60% 60% 60% 80% 60% 80% 40% 60% 0% 0%

40% 20% 40% 40% 40% 40% 20% 40% 20% 20% 20% 40% 20% 20% 0%

50% 100% 100% 100% 100% 75% 50% 75% 100% 100% 50% 25% 25% 0% 0%

100% 80% 60% 80% 60% 100% 80% 100% 60% 0% 0% 80% 0% 0% 0%

56% 78% 44% 78% 56% 44% 78% 44% 44% 33% 67% 11% 22% 0% 11%

100% 50% 75% 50% 50% 0% 100% 0% 25% 0% 0% 25% 0% 0% 0%

Média da Região3

71%

Rep. Tcheca hungria eslováquia bulgária suécia finlândia polônia romênia chipre

> 0 e ≤ 50%

65

5

5

112

114

mais fechado

Construção e Engenharia

Recreação e Cultura

Distribuição

Telecom

Serviços Ambientais

Educação

Transporte

Saúde

% de compromissos assinados por setor2

vietnã

100%

100%

83%

100%

100%

80%

60%

100%

80%

100%

100%

china

67%

50%

83%

100%

0%

80%

60%

100%

100%

67%

0%

67%

75%

67%

100%

20%

100%

40%

100%

60%

44%

25%

100%

75%

83%

100%

0%

80%

40%

75%

0%

56%

0%

tailândia

67%

75%

67%

60%

20%

20%

40%

100%

60%

56%

0%

malásia

67%

50%

83%

100%

40%

0%

40%

0%

0%

22%

25%

cingapura

67%

75%

67%

100%

20%

0%

60%

0%

0%

22%

0%

hong kong

67%

50%

83%

40%

20%

20%

60%

0%

0%

22%

0%

indonésia

67%

75%

67%

80%

0%

0%

20%

0%

0%

11%

0%

macau

67%

50%

17%

0%

0%

0%

0%

0%

0%

0%

0%

0%

50%

0%

0%

0%

0%

0%

0%

0%

33%

0%

camboja coreia do sul

mIanmar Média da Região3

=0

57

Business services

eslovênia

15

Viagem e Turismo

áustria lituânia

18

Serviço Financeiro

estônia comun. europeia

20

Vietnã

9

RANKING

6

5 113

comun. europeia

6

estônia

RANKING

19

MAIS aberto

213

mIanmar

40

macau

40

indonésia

41

Ásia Número de compromissos GATS1 assinados por localidade

hong kong

42

Europa Número de compromissos GATS1 assinados por localidade

> 50%

1. Da página da OMC: “The General Agreement on Trade in Services (GATS) is the first and only set of multilateral rules governing international trade in services. It was developed in response to the huge growth of the services economy over the past 30 years and the greater potential for trading services brought about by the communications revolution.” 2. Cada setor possui de 3 a 9 sub-setores demandando compromissos específicos (ex. serviços financeiros tem 3 sub-segmentos – Seguros, Banking e outros serviços financeiros). 3. Média ponderada pelos PIBs dos países. Fonte: WTO trade in services database

58%

=0

> 0 e ≤ 50%

> 50%

1. Da página da OMC: “The General Agreement on Trade in Services (GATS) is the first and only set of multilateral rules governing international trade in services. It was developed in response to the huge growth of the services economy over the past 30 years and the greater potential for trading services brought about by the communications revolution.” 2. Cada setor possui de 3 a 9 sub-setores demandando compromissos específicos (ex. serviços financeiros tem 3 sub-segmentos – Seguros, Banking e outros serviços financeiros). 3. Média ponderada pelos PIBs dos países. Fonte: WTO trade in services database


48

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

03

Fluxos de investimentos e capitais

Estimular e canalizar fluxos internacionais de investimentos e capitais é parte vital do que caracteriza um polo. Simplificar o fluxo de capitais do exterior para o país e para a região traz grandes benefícios para a economia ao ampliar a disponibilidade de financiamento para todos os setores – seja pelos mercados de capitais, seja pelo sistema bancário. Paralelamente, facilitar a realização de investimentos no exterior aumenta as opções para os poupadores domésticos. Em resumo, um ambiente regulatório e institucional que facilite a entrada e saída de recursos permite ao país atuar como verdadeiro polo, atraindo investimentos de todo o mundo, viabilizando o direcionamento de parte desses recursos para outros países da região e facilitando os investimentos locais e regionais no exterior. Um ambiente que facilite os fluxos de capitais também simplifica e estimula o investimento direto. Este acaba beneficiando a internacionalização das empresas ao mesmo tempo em que favorece a atração de investimentos de multinacionais para o país e para a região, gerando empregos e fortalecendo a economia. Ao longo dos últimos anos, a América Latina recebeu, em termos absolutos, um percentual pequeno do total de Investimento Estrangeiro Direto (IED) enviado no mundo, não tendo superado os 7% do total entre 2005 e 2009. Embora seja pequeno, este volume acompanhou muito proximamente a participação da região no PIB global, que também oscilou em torno dos 7% (veja Diagrama 19). Em 2009, a relação entre a participação da América Latina no recebimento de IED e sua participação no PIB global foi de 100%. No entanto, exemplos de outras regiões como União Europeia e Sudeste Asiático mostram que, quando estimulado, seja por características econômicas intrínsecas ou pelo ambiente regulatório, o volume de investimentos recebidos pode ser maior do que proporcional ao PIB. Na União Europeia, região responsável por 33% de todo IED recebido no mundo em 2009, a proporção entre participação no recebimento de IED e participação no PIB global foi de 110%. Na Ásia, por sua vez, responsável por 17% do IED recebido no mundo em 2009, essa proporção chegou a 130%.

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

49


50

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

DIAGRAMA 19

DIAGRAMA 20

América Latina atrai IED proporcionalmente ao seu PIB, enquanto Europa e Ásia atraem mais

Principais destinos latino-americanos de IED têm baixa participação no IED total mundial, mas significativa em proporção ao PIB

América Latina recebe cinco vezes menos IED1 do que Europa em termos absolutos

América Latina recebe cinco vezes menos IED1 do que Europa em termos absolutos

Participação no recebimento de IED Mundial

Participação no recebimento de IED mundial ponderada pela participação no PIB mundial

8

IED recebido / total mundo (%)1

6,21

Índice (% IED recebido / % PIB mundial)

% recebido de IED do total mundial 100

Economias latinas ficam abaixo das europeias em participação mundial e China se destaca Recebimento de IED em relação ao total mundial – maiores PIBs de cada região

6,05

6

Outros 2,5

4,48

26,0 80

42,2

40,3

7,1 60

15,9

4,8 12,9

49,6

5,1 10,7

40

50,9 20

40,2

43,9

2,74

1,7 1,5

2,17

Sudeste 1,3 Asiático2 União 1,1 Europeia

1,6

6,5

América Latina3

17,1

1,3 Sudeste 1,0 Asiático2

6,9 13,1

4

2,0

44,0 30,3

32,5

1,26 0,43 0

% IED = % PIB

MEX

arg

1,28

0,86

chl

chn

AMÉRICA LATINA

0,37

0,43

kor

idn

2006

2007

2008

2009

1. Investimento Direto Externo 2. Camboja, Coreia do Norte, Coreia do Sul, China, Cingapura, Filipinas, Hong Kong, Indonésia, Laos, Macau, Malásia, Mianmar, Tailândia, Taiwan, Vietnã 3. Não inclui Porto Rico. Fonte: UNCTADStat

deu

fra

gbr

ita

UNIÃO EUROPEIA

Índice (% IED recebido/ % PIB mundial)1

0,0

2005

sgp

SUDESTE ASIÁTICO

Latinos recebem próximo à sua participação no PIB mundial de maneira uniforme, e Chile é destaque Recebimento de IED ponderado pelo PIB – maiores de cada região

0,5

5 0

bra

1,0 América Latina3

União Europeia

1,87

2

2005

2006

2007

2008

2009

Europa e Sudeste Asiático recebem proporcionalmente mais IED que o tamanho de suas economias

4,24 4 3,03

3

2 1,33 1

0,84

0,73

0,95

0,84

0,82

0,25 0

bra

MEX

arg

chl

AMÉRICA LATINA

chn

kor

0,50

idn

SUDESTE ASIÁTICO

0,50

0,46

sgp

deu

% IED = % PIB

fra

gbr

ita

UNIÃO EUROPEIA

1. Média dos últimos três anos disponíveis (2007-2009). Fonte: UNCTADStat

Embora tenham sido os principais destinos latino-americanos de IED, Brasil, México, Argentina e Chile ainda ficam abaixo das economias europeias, sendo o Brasil o destaque da região com 2,2% de participação no total médio de IED recebido no mundo entre 2007 e 2009. Já a China foi o grande destaque da análise, com 6,2% de participação, seguida pelo Reino Unido, que obteve 6,1%, no mesmo período. Apesar do baixo fluxo de IED destinado a Chile e Cingapura, esses países se destacaram na análise de recebimento de IED ponderado pela participação do país no PIB global. A participação do Chile no recebimento de IED foi o triplo da sua porcentagem no PIB global. Em Cingapura, essa participação foi quatro vezes maior que a presença do país na formação do PIB global (veja Diagrama 20).

A situação da América Latina é menos desenvolvida ao se analisar a participação da região na saída de investimentos diretos do mundo. Aqui, chama a atenção não apenas a baixa participação em termos absolutos, mas também em relação à participação no PIB (veja Diagrama 21). Em 2009, a América Latina foi responsável por somente 1,3% de todo o IED enviado no mundo, ao passo que as participações da União Europeia e da Ásia foram de 35% e 13%, respectivamente. A fatia da América Latina no envio de IED global também é muito pequena se comparada à sua participação no PIB global, representando apenas 20% da sua participação no PIB. A mesma proporção é bem mais elevada na Europa e na Ásia, alcançando 120% e 90% de suas participações no PIB global, respectivamente.

51


52

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

DIAGRAMA 21

DIAGRAMA 22

América Latina tem baixa participação no envio de IED tanto em termos absolutos quanto relativos América Latina com participação pouco relevante no envio de IED

Em termos relativos participação da América Latina também é baixa

Participação no envio de IED Mundial

Participação no envio de IED mundial ponderada pela participação no PIB mundial

IED enviado / total mundial (%)

Participação dos países latino-americanos e asiáticos é baixa no envio de IED, inclusive em relação ao PIB Países europeus significativamente superiores aos da América Latina e Sudeste da Ásia no envio de IED Envio de IED em relação ao total mundial – maiores PIBs de cada região 10

Outros

2,2 7,6

60

39,8

3,1 7,9

35,1

1,0 7,1

43,0

2,3

6,61

1,9 7,6

2,0

50,9

1,3 12,5

68,6 49,3

56,8

4

América Latina3 Sudeste Asiático2

47,6

1,2

0,8

2007

2008

2009

2

0

0,15

0,37

bra

MEX

0,07

arg

0,88

0,42

chl

0,00

chn

AMÉRICA LATINA

kor

idn

sgp

deu

SUDESTE ASIÁTICO

fra

gbr

ita

UNIÃO EUROPEIA

0,5 0,4

0,0

2006

União Europeia

0,9 % IED = % PIB Sudeste Asiático2

1,0

0,2 0

3,42

3,35 2,68

1,5

União Europeia 35,3

2005

8,02

6

40

20

9,65

8

2,5

21,6 80

IED enviado / total mundo (%)1

Índice (% IED enviado / % PIB mundial)

100

53

2005

2006

2007

2008

Europa com envio mais do que proporcional ao PIB; Chile e Cingapura se destacam

América Latina3

Envio de IED ponderado pelo PIB – maiores de cada região

2009 2,5

1. Camboja, Coreia do Norte, Coreia do Sul, China, Cingapura, Filipinas, Hong Kong, Indonésia, Laos, Macau, Malásia, Mianmar, Tailândia, Taiwan, Vietnã 2. Não inclui Porto Rico Fonte: UNCTADStat

Índice (% do IED recebido / % do PIB mundial)1

2,06

2,0

1,70 1,47

1,5

1,46 % IED = % PIB

1,11 1,0

0,91

A participação dos países latino-americanos no total de envio de IED global tem sido pouco relevante, sendo o Chile o maior destaque com apenas 0,42% de participação. Aqui, os grandes destaques ficaram por conta dos países europeus: juntos, França, Alemanha, Reino Unido e Itália somaram quase 30% do total médio de IED enviado no mundo entre 2007 e 2009. China e Cingapura foram os destaques da Ásia, com 2,7% e 3,4% de participação média no envio global de IED entre 2007 e 2009, respectivamente. A análise da participação no IED enviado no mundo ponderada pela representação no PIB global novamente aponta o Chile como referência da América Latina, sendo sua participação no envio de IED uma vez e meia maior que sua participação no PIB global. Cingapura foi o destaque na Ásia, com situação muito semelhante à do Chile. França e Reino Unido despontam no índice, com participação no envio de IED global cerca de duas vezes maior do que suas participações no PIB global (veja Diagrama 22).

0,56

0,5 0,23 0,06 0,0

bra

MEX

0,36

0,30

0,13

arg

chl

AMÉRICA LATINA 1. Média dos últimos três anos disponíveis (2007-2009) Fonte: UNCTADStat

chn

kor

idn

SUDESTE ASIÁTICO

sgp

deu

fra

gbr

UNIÃO EUROPEIA

ita


54

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

O cenário é ainda pior para a América Latina em investimentos de portfólio. Os volumes de estoque de investimento de portfólio recebidos e enviados pela região são pouco relevantes, especialmente se comparados à Europa, representando menos de 2% e 1% de todo o estoque de portfólio recebido e enviado no mundo entre 2005 e 2009, respectivamente (veja Diagrama 23). A União Europeia, por sua vez, foi responsável por mais da metade de todo o estoque de portfólio recebido e enviado no mundo entre 2005 e 2009. A participação média da Ásia, nesta mesma frente, entre 2005 e 2009, foi de 4,4% e 3,2%, respectivamente – valores superiores à participação da América Latina, porém tímidos em comparação à Europa.

A situação não é diferente na análise da participação da América Latina nos estoques de portfólio mundiais ponderada pela sua participação no PIB global. Índices da União Europeia mostram que há muito potencial de crescimento do portfólio externo na América Latina. Em 2009, a participação da União Europeia, tanto no recebimento de portfólio quanto no envio, foi 180% maior do que sua contribuição na formação do PIB global. Na América Latina e na Ásia, essa razão foi de 30% para o recebimento de portfólio. A participação da América Latina foi ainda menor no envio de portfólio, tendo representado apenas 10% da sua participação no PIB global. Na Ásia, a proporção de envio também foi de 30% a sua participação no PIB global (veja Diagrama 24).

DIAGRAMA 23

DIAGRAMA 24

Participação dos países latino-americanos e asiáticos é baixa no envio de IED, inclusive em relação ao PIB

100

América Latina e Sudeste Asiático têm participações pequenas também no estoque de investimentos de portfólio enviados

Participação no estoque recebido de portfólio mundial

Participação no estoque enviado de portfólio mundial

43,3

42,1

42,1

42,6

1,7 4,4

1,8 5,2

1,3 3,6

1,9 4,6

Outros

América Latina

44,4

44,9

45,1

45,6

60

Sudeste 40 Asiático1

0,3 2,7

0,4 2,9

0,4 3,5

0,4 3,1

0,5 3,6

União Europeia

20

51,8

50,9

52,5

51,7

Índice (% estoque de portfólio / % PIB mundial) 2,5

51,1

52,3

51,2

51,3

América Latina Sudeste Asiático1

2,0

União Europeia 1,5

1,0

1,0

Sudeste 0,3 Asiático América 0,3 Latina

0,5 0,4

0,3 0,0

2005 2005

2006

2007

2008

2009

2005

2006

2007

1. Camboja, Coreia do Norte, Coreia do Sul, China, Cingapura, Filipinas, Hong Kong, Indonésia, Laos, Macau, Malásia, Mianmar, Tailândia, Taiwan, Vietnã Nota: Estoque de investimentos de portfólio, não fluxos. Fonte: CPIS (Coordinated Portfolio Investment Survey) - FMI

2008

2009

1,8 1,7

1,5

50,3

0

1,8 1,7

União Europeia 20

51,0

Participação no estoque de portfólio enviado mundial ponderada pela participação no PIB mundial

2,5

2,0

45,9

Participação ponderada pelo PIB também é baixa no envio de investimentos de portfólio

Índice (% estoque de portfólio / % PIB mundial)

100

80

41,8

60

1,7 4,0

América Latina com baixa participação no estoque de investimentos de portfólio recebidos, mesmo ponderada pelo PIB Participação no estoque de portf��lio recebido mundial ponderada pela participação no PIB mundial

% de portfólio do total mundial

Outros

80

40

Participação baixa no estoque de investimentos de portfólios enviados e recebidos em relação à participação no PIB mundial

América Latina e Sudeste Asiático têm participações pequenas em investimentos de portfólio recebidos

% de portfólio do total mundial

55

Sudeste 0,3 Asiático América 0,1 Latina

0,5

0,3 0,1 0,0

2006

2007

2008

2009

América Latina e Sudeste Asiático tem proporcionalmente muito pouco portfólio externo em suas economias

2005

União Europeia

2006

2007

2008

2009

América Latina tem participação mínima proporcionalmente ao PIB da região

1. Camboja, Coreia do Norte, Coreia do Sul, China, Cingapura, Filipinas, Hong Kong, Indonésia, Laos, Macau, Malásia, Mianmar, Tailândia, Taiwan, Vietnã Nota: Estoque de investimentos de portfólio, não fluxos. Fonte: UNCTADStat; CPIS (Coordinated Portfolio Investment Survey) - FMI


56

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57

Mesmo analisando os países individualmente, economias latino-americanas e asiáticas ficam abaixo das europeias em participação mundial no recebimento e envio de investimentos de portfólio: juntos, França, Alemanha, Reino Unido e Itália somaram, na média, cerca de 30% tanto do estoque de portfólio recebido no mundo entre 2007 e 2009, quanto do enviado. No mesmo período, nenhum país latino-americano ou asiático superou 1% de participação no estoque recebido ou enviado. Apesar da baixa representatividade absoluta, Cingapura ocupa posição de destaque na visão ponderada pelo PIB, sendo a sua participação média no estoque de portfólio recebido no mundo proporcional ao seu peso relativo no PIB global entre 2007 e 2009. Mais relevante ainda foi sua participação no envio de portfólio, que foi o triplo da sua participação no PIB global (veja Diagramas 25 e 26).

DIAGRAMA 25

DIAGRAMA 26

Estoque de investimentos de portfólio recebidos pelos principais países das regiões

Economias latinas e asiáticas ficam abaixo das europeias em participação mundial

Em relação ao PIB, Cingapura e Inglaterra são destaque em suas regiões

Estoque de portfólio enviado em relação ao total mundial - maiores PIBs de cada região

Estoque de portfólio recebido ponderado pelo PIB - maiores PIBs de cada região

Estoque de portfólio recebido / total mundo (%)1

Índice (% estoque de portfólio recebido / % PIB mundial)1

1,5

1,19

1,39

1,41

6

4

1

0,92

Ásia

Europa

América Latina

0,19

0,11

0,01

Ásia

Europa

1. Média dos últimos três anos disponíveis (2007-2009). Posição no final de cada ano. Nota: Estoque de investimentos de portfólio, não fluxos Fonte: UNCTADStat; CPIS (Coordinated Portfolio Investment Survey) - FMI

ITÁLIA

0

GRÃ BRETANHA

ITÁLIA

GRÃ BRETANHA

FRANÇA

ALEMANHA

CINGAPURA

INDONÉSIA

Coreia do sul

CHINA

CHILE

ARGENTINA

MÉXICO

BRASIL

ITÁLIA

FRANÇA

GRÃ BRETANHA

ALEMANHA

INDONÉSIA

CINGAPURA

Coreia do sul

CHINA

CHILE

MÉXICO

ARGENTINA

BRASIL

América Latina

1. Média dos últimos três anos disponíveis (2007-2009). Posição no final de cada ano. Nota: Estoque de investimentos de portfólio, não fluxos Fonte: UNCTADStat; CPIS (Coordinated Portfolio Investment Survey) - FMI

0,02 0,02

0,01

FRANÇA

0

0

0,22

0,05 0,04 0,06 0,22

ALEMANHA

0,18

0,14

INDONÉSIA

0,20

ITÁLIA

0

0,12

FRANÇA

0,24

0,36

GRÃ BRETANHA

0,16

ALEMANHA

0,06 0,06

0,82

0,75

2

CINGAPURA

0,40

1,15 1

0,49

INDONÉSIA

0,92

0,5 0,38

1,00 0,80

3,10

Coreia do sul

2

1,68

CHILE

4

1,89

2

1,10

4,17

MÉXICO

6

3

6,82

3,07

CINGAPURA

6,65

8

Cingapura com posição de destaque na visão ponderada pelo PIB

8,27

Coreia do sul

2

7,88

ARGENTINA

8

2,09

Cingapura com posição de destaque na visão ponderada pelo PIB

CHILE

8,27

4

BRASIL

9,11

Índice (% estoque de portfólio recebido / % PIB mundial)1

10

2,5

ARGENTINA

Estoque de portfólio recebido / total mundo (%)1 10

Estoque de portfólio enviado ponderado pelo PIB - maiores PIBs de cada região

BRASIL

Estoque de portfólio recebido em relação ao total mundial - maiores PIBs de cada região

Em relação ao PIB, Cingapura é o grande destaque, e Chile é o melhor posicionado na AL

MÉXICO

Economias latinas e asiáticas ficam abaixo das europeias em participação mundial

Estoque de investimentos de portfólio recebidos pelos principais países das regiões


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CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

Na visão intrarregional, embora o volume de portfólio recebido pela América Latina seja pouco representativo, a participação do estoque enviado pela região supera sua participação no PIB global. Em 2009, apenas 2% de todo o estoque de portfólio recebido pela América Latina foi intrarregional, o que representa apenas cerca de um terço de sua participação no PIB global. Na Ásia, a participação de portfólio intrarregional foi de 20% e na Europa foi de 61%, o que representou 150% e 210% de suas participações no PIB global, respectivamente (veja Diagrama 27).

região, o que foi equivalente a 57% do PIB extrarregional (global menos Europa). Finalmente, na Ásia, o estoque de portfólio extrarregional representou cerca de 80% de todo estoque recebido pela região, o que foi equivalente a 93% do PIB extrarregional (global, menos Ásia). Quando considerado o estoque de portfólio enviado, a situação é bastante semelhante. Em resumo, embora o investimento intrarregional seja pequeno comparado ao total do investimento externo direto recebido pela América Latina, vale ressaltar que a maior parte do investimento que os países da América Latina fazem no exterior fica na própria região, favorecendo a integração regional.

Já sob a perspectiva extrarregional, o estoque de portfólio recebido pela América Latina supera o que seria a sua participação proporcional no total de portfólio recebido no mundo, dada sua relevância no PIB global (veja Diagrama 28). Além de representar mais de 98% de todo portfólio recebido pela América Latina, a participação do estoque de portfólio extrarregional foi equivalente a 105% do PIB extrarregional (global menos América Latina). Na Europa, o estoque de portfólio extrarregional representou cerca de 40% de todo estoque recebido pela

DIAGRAMA 28

Extrarregionalmente, América Latina tem estoque de investimentos de portfólio recebido maior que o fair share de seu PIB Estoque recebido

DIAGRAMA 27

100

Portfólio recebido é pouco representativo no share do total e ponderado pelo PIB da região

No entanto, latinos enviam para própria região share de investimentos maior que o do PIB

Representatividade do estoque de portfólio regional sobre o total recebido

Representatividade do estoque de portfólio regional sobre o total enviado pela região

Estoque portfólio vindo da região / total de estoque de portfólio da região 80

61%

59%

4%

2%

0

2007

20%

2008

28%

25% 11%

7%

0

2009

Índice (% estoque de portfólio intrarregional / % PIB mundial)

0

2007

25% 8%

2008

0

2009

Índice (% estoque de portfólio intrarregional / % PIB mundial)

2005

2006

2007

0

2007

2008 América Latina

Ásia

Europa

2009

2007

2008

90,7

93,5

92,7

89,1

92,4

2009

0

2005

105%

2006

2007

2008

2009

Relação com PIB extrarregional1

98%

100

50

41,0

40,4

40,5

39,1

39,2

2005

2006

2007

2008

2009

2009

Nota: Todos os valores nominais. Estoque de investimentos de portfólio, não fluxos Fonte: UNCTADStat; CPIS (Coordinated Portfolio Investment Survey) - FMI

41,1 0

2005

57%

41,0

40,9

37,7

37,6

2006

2007

2008

2009

Relação com PIB extrarregional1

57%

100

86,3

84,7

81,5

78,5

80,4

50

80,1

77,1

72,4

74,8

75,0

2005

2006

2007

2008

2009

50

ÁSIA

União Europeia Sudeste Asiático América Latina

1

América Latina 0

2008

100

União Europeia 2 Sudeste Asiático

1

100

50

50

3

2

98,1

50

Relação com PIB extrarregional1

3

96,3

Estoque extrarregional – % sobre total

62%

62%

59%

60

20

2%

98,2

100

40

22%

18%

20

61%

98,5

Relação com PIB extrarregional1

EUROPA

100

80

40

98,5

Estoque de portfólio para a região / total de estoque de portfólio vindo da região

100

60

AMÉRICA LATINA

Análise intrarregional do estoque de investimentos de portfólio enviados e recebidos

Estoque enviado

Estoque extrarregional – % sobre total

0

2005

2006

2007

Relação com PIB extrarregional1

2008

2009

93%

1. Índice: percentual do estoque extraregional / % do PIB extrarregional. Média dos 5 anos (05-09). Nota: Estoque de investimentos de portfólio, não fluxos Fonte: CPIS (Coordinated Portfolio Investment Survey) - FMI

0

Relação com PIB extrarregional1

86%

59


60

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

DIAGRAMA 29

Países latino-americanos com poucos acordos bilaterais de investimentos em vigência, e o Brasil nenhum ratificado

Viabilizadores de investimentos e capitais na América Latina Algumas ferramentas poderiam promover maior integração regional e expandir a proeminência brasileira e latino-americana nos fluxos de capitais do mundo. A primeira delas é a assinatura e ratificação de tratados internacionais de investimentos, com o objetivo de atrair mais investimentos estrangeiros para a região, levando em conta a relevância desses recursos para o desenvolvimento econômico nacional. Uma legislação cambial robusta é outro fator importante para assegurar conforto jurídico ao investidor estrangeiro. Por fim, a implantação de sistemas de pagamento em moeda local pode reduzir os custos e tornar transações financeiras mais ágeis. Uma das alavancas que poderia promover maior integração regional e intensificar os fluxos de investimentos e capital na América Latina é a ratificação de acordos bilaterais de investimentos. Países latino-americanos têm menor participação em acordos desta natureza, especialmente se comparados aos países europeus (veja Diagrama 29). A participação brasileira nestes acordos é particularmente baixa – o Brasil possui acordos assinados somente com 14 países, sendo que nenhum deles foi ratificado. O Chile, por sua vez, conta com 51 acordos assinados (mais de três vezes o total brasileiro), sendo 38 deles ratificados, incluindo contrapartes como Estados Unidos, Canadá, México e Índia. Países europeus e asiáticos têm maior participação em acordos bilaterais de investimentos. A Alemanha, que foi o país precursor desse tipo de acordo, se destaca entre todas as outras nações analisadas, com 122 acordos bilaterais ratificados. Reino Unido e França vêm logo atrás, com 89 e 83 acordos ratificados, respectivamente. China e Coreia do Sul são os destaques da Ásia, com 68 e 54 acordos ratificados, respectivamente. Tais acordos bilaterais promovem a facilidade e a segurança de investimentos entre os signatários. Acordos deste tipo, em geral, envolvem o tratamento igualitário entre investidores domésticos e estrangeiros, a proteção e indenização em casos de decreto de desapropriação ou de quebra de contrato, a livre transferência dos rendimentos ao país de origem e a resolução de divergências em tribunal internacional. A participação do Brasil em acordos como esse poderia facilitar a entrada e saída de investimentos estrangeiros diretos e de portfólio, contribuindo para o crescimento da região por meio da alocação eficiente de capital entre aqueles que dele necessitam e os que desejam aplicá-lo. Em âmbito regional, a situação é semelhante. Não obstante a assinatura em 1993 do Protocolo de Colônia sobre a promoção e proteção de investimentos no Mercosul e, no ano seguinte, do Protocolo de Buenos Aires sobre a promoção e proteção de investimentos provenientes de Estados que não compõem o Mercosul, os dois instrumentos nunca foram ratificados. Já a Europa e a Ásia possuem acordos multilaterais de investimentos estabelecidos. A União Europeia lançou em 1988 uma diretiva de livre circulação de capitais na região, a qual foi implementada por todos os países participantes em 1990. O ASEAN assinou em 2009 um acordo multilateral abrangente de investimentos, o ASEAN Comprehensive Investments Agreement (ACIA), cujos pilares são a liberalização, a proteção, a facilitação e a promoção de investimentos entre os países participantes.

Acordos Bilaterais de Investimentos Número de acordos bilaterais vigentes

34

argentina 23

chile

américa latina

11 45

• O Protocolo de Colônia, de 1994, estabeleceu tratamento nacional e igualitário entre investidores dos membros do Mercosul • Exceções concedidas em diversos setores • Regras de tributação não uniformes

15 38

17 4 21

méxico

Brasil tem 14 BITs assinados, mas nenhum ratificado

BRASIL 0

101

alemanha reino unido

71 65

frança 50

itália 42

china 35

coreia do sul indonésia

18

cingapura

12 5 17 0

europa

21 122

• A União Europeia lançou em 1988 uma diretiva de livre circulação de capitais na região, a qual foi implementada por todos os países participantes em 1990

18 89 18 83

19 69

ásia

26 68

• ASEAN assinou em 2009 acordo multilateral abrangente de investimentos, o ACIA1 • 5 pilares: liberalização, proteção, facilitação e promoção de investimentos entre países

19 54

12 30

50

Extrarregionais Am. Latina Intrarregionais Am. Latina

100

Extrarregionais Europa Intrarregionais Europa

150

Extrarregionais Ásia Intrarregionais Ásia

1.ASEAN Comprehensive Investments Agreement. Fonte: International Center for the Settlement of Investments Disputes (ICSID) ; Sistema de Informação de Comércio Exterior (SICE); ACIA Factsheet de 26/02/2009; Portal da União Europeia

61


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“As facilidades e o menor custo deverão tornar atrativo o novo sistema [de pagamento em moeda local entre Brasil e Argentina]... Esta iniciativa é um primeiro e importante passo para a maior integração das nossas economias” Henrique Meirelles, então presidente do BACEN (out/08)

No contexto de investimentos estrangeiros, a regulamentação cambial é outro ponto que merece atenção dada a sua relevância na intermediação óbvia entre os investimentos que entram e saem do país. De forma geral, estabilidade e agilidade de regulação cambial podem, no longo prazo, contribuir para aumentar a atratividade da América Latina a investimentos estrangeiros. A regulação cambial brasileira, apesar de ser pouco previsível, tem a importante característica de proteger a liquidez do investimento. Além disso, apesar da implantação frequente de novos mecanismos de controle, tais alterações não impactam os investimentos de forma retroativa. A despeito de tais vantagens, é importante que se prossiga com os esforços de simplificação da legislação cambial no Brasil, pois esta é antiquada, tendo sido baseada na lei 4.595 de 1964, quando os fluxos de capitais e a fluidez eram bem menores. Além disso, o arcabouço regulatório atual é complexo e foi sendo atualizado através de uma série de adendos, o que dificulta o entendimento das operações cambiais e cria considerável insegurança jurídica para o investidor. Existe convergência sobre a necessidade de se reformular a legislação cambial brasileira, o que pode ocorrer através de duas formas: uma reformulação geral da base institucional da legislação cambial, de forma a torná-la mais clara e menos vulnerável; ou por meio de melhorias específicas relacionadas aos pontos de maior fragilidade, reduzindo a dubiedade legal e garantindo respeito ao cumprimento de contratos, dessa forma oferecendo maior conforto jurídico às operações cambiais. Outra alavanca capaz de contribuir para a intensificação do fluxo de investimentos na América Latina é a implantação de Sistemas de Pagamentos em Moedas Locais (SML). O SML é um sistema de pagamentos destinado a operações comerciais que permite a realização de pagamentos e recebimentos entre dois países em suas respectivas moedas. Os SMLs reduzem os custos de transação, financeiros e administrativos de operações cambiais, além de tornarem o processo mais ágil, não havendo a necessidade de se realizar as operações de câmbio real-dólar e dólar-moeda local, ou vice-versa. O Brasil adotou o sistema nas transações comerciais com a Argentina em 2008 e a implantação com o Uruguai está em fase de negociação. Outros países e regiões já vêm estudando a possibilidade de utilizar suas próprias moedas locais para realização de pagamentos, com o intuito de reduzir a dependência do dólar. Na segunda cúpula do BRIC, em abril de 2010, os líderes das quatro economias BRIC concordaram em estudar formas de fazer uso de suas moedas no comércio bilateral. Países do ASEAN, China, Coreia do Sul e Japão também estão estudando o assunto de utilizar suas moedas locais para os pagamentos.

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DIAGRAMA 30

Forte Crescimento de IED na América Latina Expansão de IED de latinos foi a maior na última década, mas volume total é baixo

04

Saída de IED 1990-2010 1.500

Expansão internacional de empresas

US$B

1.000

∆% 1990-2000

∆% 2000-2010

Ásia1

234%

170%

União Europeia

447%

-50%

América Latina

375%

532%

500

Outra característica de um polo de investimentos e negócios é o fluxo internacional de empresas que integram uma rede mundial de negócios. Tal fluxo se dá tanto através da internacionalização das companhias nacionais quanto pela atração de operações e também de centros de decisão regionais, funcionais ou até mesmo globais de organizações oriundas de outros países. Tais movimentos não somente atraem investimentos, mas principalmente criam empregos de alto valor agregado em funções corporativas que fortalecem um ciclo virtuoso de atração de talentos e melhoria do capital humano local.

0

90

94

96

98

00

02

04

062

08 09 10

DIAGRAMA 31

Baixa representatividade das multilatinas no mundo América Latina tem poucas empresas entre as maiores transnacionais do mundo

As empresas latino-americanas mostraram uma tendência significativa de aumento de internacionalização ao longo dos últimos anos. No ranking das empresas de países em desenvolvimento com maior volume de ativos no exterior28, as latino-americanas vêm ganhando participação cada vez maior: em 2003, tinham 14,1% do total de ativos no exterior, passando para 17,2% em 2008. Este ganho foi possível em virtude de as empresas terem saído de uma posição de US$ 35 bilhões para US$ 125 bilhões de ativos no exterior, um crescimento de 258,1% em cinco anos. Destaca-se também a expansão do fluxo de saída de IED para outras regiões do mundo a partir da América Latina, na última década. Embora parta de um volume absoluto baixo, a expansão de IED dos países latinos foi de 532% entre 2000 e 2010, taxa de crescimento que ficou em 170% na Ásia e -50% na Europa (veja Diagrama 30). Mesmo tendo sido força crescente nos últimos anos, a relevância global das empresas latino-americanas ainda é limitada. No ranking das 100 maiores empresas transnacionais dos países em desenvolvimento, aparecem apenas nove latino-americanas, sendo três delas brasileiras. Quando considerado o ranking das 100 maiores empresas transnacionais do mundo, a Vale e a Cemex são as únicas empresas latino-americanas que aparecem, figurando na 55ª e 79ª colocações, respectivamente29 (veja Diagrama 31).

92

1. Ásia inclui apenas: Camboja, Coreia do Norte, Coreia do Sul, China, Cingapura, Filipinas, Hong Kong, Indonésia, Laos, Macau, Malásia, Mianmar, Tailândia, Taiwan, Vietnã. 2. Aquisição da Inco pela Vale por US$ 18 B Nota: Dados de IED da Indonésia entre 1990 e 2002 incluem Timor Leste Fonte: World Investment Report - UNCTAD; UNCTADStat

Total de ativos no exterior das empresas presentes no ranking1 das 100 maiores transnacionais 6.000

US$B

4.605 4.000

2.000

0

28 Fonte: World Investment Report 2011, UNCTAD 29 Fonte: World Investment Report 2011, UNCTAD

Número de empresas Valor médio por empresa (US$B)

VALE: 55a posição CEMEX: 79a posição

86

234

América Latina

Ásia

União Europeia

2

5

61

42,8

46,7

75,5

1. Ranking por ativos no exterior - valores de 2010 Fonte: World Investment Report - UNCTAD; UNCTADStat

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A baixa representatividade da região na internacionalização das empresas latino-americanas, em comparação às corporações europeias e asiáticas, só reforça sua realidade de expansão incipiente. Empresas europeias têm seis vezes mais operações internacionais do que as latino-americanas30 (veja Diagrama 32). Além disso, a distribuição das operações internacionais das empresas latino-americanas é predominantemente intrarregional – 50% das operações internacionais estão localizadas em outros países da própria América Latina, enquanto na Europa e Ásia esse valor é de 30% e 37%, respectivamente.

67

No entanto, mesmo regionalmente, a comparação com Europa e Ásia indica que ainda há espaço para empresas latino-americanas se expandirem: a penetração média das empresas de um país nos demais31 da região é de 11% na América Latina – comparado com 17% na Ásia e 30% na Europa (veja Diagrama 33).

Foram escolhidas as 30 maiores empresas dos 6 maiores PIBs de cada região e apurado o numero de operações no exterior de cada uma destas empresas. Maiores empresas foram selecionadas da lista das maiores empresas da Forbes (2010). No caso da inexistência de 30 empresas de um país nesta lista, o critério de maior receita foi utilizado 30

Se no aspecto de internacionalização de empresas a América Latina não é destaque, o mesmo não ocorre em relação à atração de empresas estrangeiras para a região. A análise do universo das 360 maiores empresas de cada uma das regiões indica que a América Latina atrai tantas empresas quanto o fazem Ásia e Europa, entre 35% e 40% delas. Dentro da América Latina, se destacam Brasil, México, Argentina e Chile (veja Diagrama 34).

31 Dez maiores países de cada região em termos de PIB 2010

DIAGRAMA 32

Representatividade da América Latina na internacionalização das multinacionais reforça realidade de expansão incipiente Tanto europeias quanto asiáticas têm alto número de operações internacionais e participação regional em torno de um terço

No de operações de empresas1 fora do país de origem

4.719

Nº de operações de empresas1 fora do país de origem

1.139

América Latina tem expansão 6 vezes menor e participação regional mais alta

Nº de operações de empresas1 fora do país de origem

DIAGRAMA 33

781

Comparativamente, há espaço para expansão de empresas latino-americanas Penetração de empresas nacionais nos 10 maiores1 países de cada região

6x Distribuição das operações fora do país de origem por região (%) 100

Distribuição das operações fora do país de origem por região (%)

50,9 27

34

43

6 5 50

Latinas estão em apenas aproximadamente 17,5% dos países da região

Distribuição das operações fora do país de origem por região (%)

14

17

24

80

% médio por país de presença das empresas nos maiores países da região2

Na União Europeia, percentual é de quase o triplo, 43,9% % médio por país de presença das empresas nos maiores países da região2

61,5

60

54,8 49,3

37

30

Média 43,9%

41,1

40

50

% médio por país de presença das empresas nos maiores países da região2

70

50

12

E no Sudeste Asiático aproximadamente 50% maior, em 24,4%

42,2 36,3

32,6 30

24,4 20,0

20

19,8

18,4

16,7

24,1

Média 17,5%

0

europa

Ásia América Latina

Ásia

Europa

América Latina Outros

Intrarregional

1. Foram escolhidos as 30 maiores empresas de cada um dos 6 maiores PIBs de cada região e apurado o numero de operações no exterior de cada uma destas empresas. Maiores empresas foram selecionadas da lista das maiores empresas da Forbes (2010). No caso da inexistência de 30 empresas de um país nesta lista, o critério de maior receita foi utilizado. Nota: Maiores PIBs de cada região (dentre os determinados para o estudo): América Latina: Brasil, Argentina, Chile, México, Peru e Colômbia; Europa: Alemanha, Grã-Bretanha, França, Espanha, Itália e Holanda; Ásia: China, Coreia do Sul, Indonésia, Cingapura, Taiwan e Hong Kong. Fonte: Forbes, One Source, Sites e relatórios das empresas; análise BCG

10 0

Média 24,4%

22,2 15,9

14,8

14,8

chn

idn

twn

5,9 MEX

bra

chl

col

arg

per

fra

deu

nld

gbr

esp

ita

sgp

kor

hkg

1. Maiores em termos de PIB 2010 2. Percentuais excluem um país do denominador e um do numerador para evitar contagem do próprio país na expansão regional. Nota: Foram escolhidos as 30 maiores empresas de cada um dos 6 maiores PIBs de cada região e apurado o numero de operações no exterior de cada uma destas empresas. Maiores empresas foram selecionadas da Forbes (2010). No caso da inexistência de 30 empresas de um país nesta lista, o critério de maior receita foi utilizado. Fonte: Forbes, One Source, sites e relatórios das empresas; EIU; análise BCG


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DIAGRAMA 34

Atração de empresas estrangeiras para a América Latina é compatível com a de outras regiões Portfólio recebido é pouco representativo no share do total e ponderado pelo PIB da região...

Presença2 nos países da América Latina das 360 maiores empresas1 da Ásia e Europa

Presença de empresas estrangeiras na região % de empresas presentes em cada região do total pesquisado nas outras duas1

85

50

40,3 40

... sendo destaques o Brasil, o México, a Argentina e o Chile

Média 37,9%

38,6 34,7

30

25

36 61 27

52

Viabilizadores da expansão internacional de empresas na América Latina As maiores dificuldades enfrentadas por empresas para estabelecer operações em múltiplos países latino-americanos estão relacionadas à falta de padronização de normas, em particular normas contábeis e técnicas, à inexistência de um sistema único de registros e patentes, e ao desalinhamento de regulação financeira entre os países da região. Um maior alinhamento de padrões contábeis, financeiros, tributários e de normas técnicas poderia tornar a operação intrarregional mais eficiente.

117

45

20

76

32

No que diz respeito ao alinhamento de normas contábeis, como exemplo positivo de primeiro passo, a América Latina começou a organizar esforços orientados à harmonização de regras contábeis por meio da adoção do International Financial Reporting Standards (IFRS)32, padrão contábil que tende a ser globalmente aceito. Colômbia e Chile aderiram ao padrão em 2009, enquanto que Brasil e Argentina passaram a operar através dele a partir de 2011. No caso brasileiro, companhias de capital aberto, instituições financeiras e seguradoras tiveram de reportar suas demonstrações financeiras consolidadas referentes ao ano de 2010 já seguindo o novo padrão contábil. Tiveram, ainda, de convergir as demonstrações consolidadas referentes a 2009 para o novo modelo, para efeito de comparação. Além disso, movimentos na região vêm sendo realizados com o objetivo de trocar experiências e organizar as demandas da região para o International Accounting Standards Board (IASB), como é o caso da criação do GLENIF (Grupo Latino-Americano de Emissores de Normas de Informação Financeira), que deve garantir maior força e representatividade da região naquele órgão. O GLENIF reúne diversos países da região33, tendo sido constituído em junho de 2011.

10

69 0

ásia

américa latina

europa

1. Foram analisadas a presença das 360 maiores empresas da Ásia e da Europa na América Latina, as 360 da América Latina e Europa na Ásia e as 360 maiores da América Latina e Ásia na Europa. 2. Não foram apresentados os dados de países com menos de 25 empresas. Nota: Foram escolhidas as 30 maiores empresas de cada um dos 6 maiores PIBs de cada região e apurado o numero de operações no exterior de cada uma destas empresas. Maiores empresas foram selecionadas da Forbes (2010). No caso da inexistência de 30 empresas de um país nesta lista, o critério de maior receita foi utilizado. Regiões incluem os seguintes países: América Latina: Continental, excluindo-se o Caribe; Europa: Todos os países da UE (27); Sudeste Asiático: Camboja, Coreia do Norte, Coreia do Norte, China, Cingapura, Filipinas, Hong Kong, Indonésia, Laos, Macau, Malásia, Mianmar, Tailândia, Taiwan, Vietnã. Fontes: Forbes, One Source, sites e relatórios das empresas; análise BCG

As empresas latino-americanas mostraram uma tendência significativa de aumento de internacionalização ao longo dos últimos anos. No ranking das empresas de países em desenvolvimento com maior volume de ativos no exterior, as latino-americanas vêm ganhando participação cada vez maior: em 2003, tinham 14,1% do total de ativos no exterior, passando para 17,2% em 2008

32 Padrões contábeis internacionais publicados pelo IASB (International Accounting Standards Board). Desde 2001, a instituição tem conduzido esforços para implantar esses padrões com o objetivo de melhorar a comparabilidade e a integração de dados contábeis de empresas de diferentes países 33 Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela

Além das questões de regulação contábil, a padronização de normas técnicas também pode trazer benefícios para a atuação internacional de empresas. O alinhamento de normas técnicas entre países de uma região reduz os custos de transação e de adequação, facilita a comercialização de produtos e serviços, incentiva o desenvolvimento tecnológico e melhora a qualidade e a uniformização de processos. Eleva, ainda, a capacidade comparativa das empresas em relação aos benchmarks globais, facilitando, assim, a compreensão das informações pelos agentes financiadores, locais e internacionais, o que tende a tornar as operações de concessão de crédito mais seguras e, portanto, com melhores taxas.

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DIAGRAMA 35

Entretanto, os esforços para alinhar normas técnicas ainda se mostram limitados na América Latina, tanto fora quanto dentro da própria região. Países latino-americanos têm baixa participação em órgãos de padronização internacional como a International Organization for Standardization (ISO). Menos de 50% dos países da América Latina participam da ISO como membros ativos34. Na União Europeia e no Sudeste Asiático, 96% e 60% dos países são membros ativos, respectivamente. Além disso, os órgãos regionais de padronização na América Latina são fragmentados e menos abrangentes. A região possui dois órgãos principais de normatização, ambos com número baixo de normas harmonizadas e tímida adesão de países: a Comissão Panamericana de Normas Técnicas, que abrange 81% dos países, mas possui apenas 101 normas harmonizadas; e a Associação Mercosul de Normatização, que tem a participação de 19% dos países da região e 493 normas harmonizadas. O órgão da União Europeia é exemplar, não somente por ser único, detendo 100% de adesão dos países, mas também por ser mais eficiente na padronização de normas – apenas em 2009, 1.303 normas foram harmonizadas pelo órgão (veja Diagrama 35).

Esforços ainda são pouco expressivos na América Latina para alinhamento internacional e regional de normas técnicas ... e efetividade de órgãos regionais é mais baixa do que na Europa

Participação dos países de cada região na ISO1

Presença de empresas estrangeiras na região

% de adesão na ISO por modalidade

4

7 13

80

Não membro 19 10

20 60

Signatários5

EUROPA

100

Adicionalmente à padronização de normas, a utilização de sistemas e cadastros comuns também pode tornar mais fácil a operação de empresas em múltiplos países de uma região. Um exemplo é a unificação dos sistemas de registro de patentes. A Europa já conta com sistema unificado de registros de patentes, o European Patent Office (EPO), criado em 1977. A iniciativa conta com 38 países membros e funciona como um sistema jurídico comum para a concessão de patentes, garantindo unicidade do processo de pedido, concessão e registro de patentes em todos os países. Após a concessão de uma patente, cada país é responsável pelos procedimentos posteriores, de acordo com sua própria legislação sobre propriedade intelectual. O ASEAN35 também lançou seu primeiro programa de cooperação em junho de 2009, o ASEAN Patent Examination Cooperation (ASPEC), que inclui todos os países do grupo. O programa foca na concessão de patentes de forma mais rápida e eficiente, através do compartilhamento de dados de patentes já existentes e de resultados de análises de patentes entre os órgãos responsáveis em cada país. A América Latina ainda não tem organização regional ou programa estabelecido, porém, iniciativas nesta direção já vêm ocorrendo, como é o exemplo do projeto com a EPO, cujo objetivo é promover a transferência de know-how para apoiar um sistema regional de propriedade intelectual na América Latina. Outra iniciativa em andamento na América Latina é o PROSUR, que envolve nove países sul-americanos, e cujo objetivo é compatibilizar e integrar os sistemas de registros entre os países participantes por meio do apoio do World Intellectual Property Organization (WIPO). Um primeiro projeto-piloto foi aprovado em janeiro de 2011 e funcionará da seguinte forma: serão selecionados 300 pedidos de patentes, nos campos de biotecnologia e mecânica, que tenham sido apresentados em dois ou mais países, para o exame cooperativo. Examinadores dos países envolvidos trocarão informações de busca e exame relevantes para a decisão final, que continuará sendo tomada, soberanamente, por cada país. As ações de exame colaborativo de patentes vão ser iniciadas em agosto de 2011 e devem acelerar os exames em toda a região. No futuro, a meta é expandir a cooperação para outras áreas.

Países latinos têm baixa participação em organizações internacionais como a ISO...

European Committee for Standardization 27 membros (100% do total) Apenas em 2009, 1.303 normas harmonizadas

Participantes4

299 Comitês Técnicos

Membros

Pacific Area Standards Congress 23 membros (100% do total)

24 96

3

40

60 48 ÁSIA

20

união europeia

417

sudeste asiático

311

ASEAN Consultative Committee on Standards and Quality 10 membros (67% do total) Normas harmonizadas para 20 categorias de produtos e 81 padrões de Saúde e Segurança

0

américa latina

124

9 Comitês Técnicos Comissão Panamericana de Normas Técnicas 17 membros (81% do total6)

~3,5 x

101 normas próprias publicadas Número médio de participações em comitês técnico2

AMÉRICA LATINA

70

9 Comitês Técnicos Associação Mercosul de Normatização Mercosul (19% do total6) 493 normas harmonizadas

Representação através de organizações estabelecidas de cada país com direito completo a voto nos comitês técnicos – apenas um por país 34

Bloco formado por Cingapura, Camboja, Indonésia, Malásia, Filipinas, Laos, Tailândia e Vietnã 35

34 Comitês Setoriais 1. International Organization for Standardization 2. Média entre o número de comitês técnicos dos quais cada país de cada região participa. Inclui apenas os países participantes da ISO como membros. 3. Organizações estabelecidas de cada país com direito completos a voto nos comitês técnicos – apenas um por país, assim como nos demais; 4. Não tem participação ativa no desenvolvimentos de políticas e padrões técnicos; 5. Forma de participação para países pequenos, sem atividades de padronização bem desenvolvidas. 6. Não inclui Caribe Fonte: ISO; CEN; COPANT; AMN; CNI; análise BCG

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A América Latina já tem uma série de acordos para eliminar a bitributação, mas deve prosseguir com tais esforços para, progressivamente, desonerar as empresas. O Brasil, por exemplo, tem acordos desse tipo com 29 países

Finalmente, o alinhamento da regulação financeira favorece condições de financiamento para atração e expansão de empresas. Na América Latina, as condições de tributação e de financiamento podem ser aperfeiçoadas através de acordos para eliminar a bitributação e da melhoria do acesso a fontes de crédito locais. A bitributação internacional tem uma série de desvantagens, pois onera excessivamente atividades desenvolvidas em âmbito internacional, dificulta movimentos de capitais e de pessoas, prejudica transferências de tecnologia e intercâmbio de bens e de serviços e estimula a sonegação fiscal. A América Latina já tem uma série de acordos para eliminar a bitributação, mas deve prosseguir com tais esforços para, progressivamente, desonerar as empresas. O Brasil, por exemplo, tem acordos desse tipo com 29 países36. Os países latino-americanos podem também melhorar o acesso a fontes locais de crédito. Um primeiro passo seria a integração regional de seus mercados de dívida corporativa, o que implica em uma série de mudanças para simplificar o processo de emissão, ampliar a base de emissores e investidores da região, melhorar a liquidez dos mercados secundários, introduzir instrumentos de gestão de riscos e estabelecer curva de benchmark yield confiável e eficiente. A região precisa também estabelecer mecanismos de reconhecimento internacional de garantias.

36 África do Sul, Argentina, Áustria, Bélgica, Canadá, Chile, China, Coreia do Sul, Dinamarca, Equador, Espanha, Filipinas, Finlândia, França, Hungria, Índia, Israel, Itália, Japão, Luxemburgo, México, Noruega, Países Baixos, Peru, Portugal, República Eslovaca, República Tcheca, Suécia, Ucrânia

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05

DIAGRAMA 36

Circulação de pessoas

Fluxos de negócios não dependem apenas de bens, serviços, capitais e empresas. É vital que os executivos e os tomadores de decisão dos mais diversos setores possam entrar e sair com facilidade do polo, tanto para realizar negócios quanto para viabilizar a instalação de centros de decisão e sedes regionais de empresas. Além disto, a facilitação do fluxo de pessoas e da contratação internacional pode contribuir para equalizar a demanda de profissionais qualificados com a oferta do mercado, ajudando a prevenir pressões inflacionárias de caráter salarial, por exemplo. A representatividade dos imigrantes residentes na América Latina é pequena e tem se mantido constante nos últimos anos, mesmo diante do aumento nos imigrantes totais no mundo. Imigrantes representam somente 1% da população residente na América Latina, ao passo que na Europa chegam a 9,4% da população (veja Diagrama 36). O Brasil, em particular, destaca-se pela baixa conectividade por meio da recepção de imigrantes – estes representam apenas 0,4% da população residente do País, e o número vêm caindo 0,7% ao ano nos últimos dez anos. Centros de negócios já estabelecidos como Cingapura e Hong Kong se destacam pelo forte recebimento de imigrantes, que já representam cerca de 40% das populações residentes desses locais (veja Diagrama 37). Além de baixa, a imigração na América Latina é predominantemente intrarregional – 53% dos imigrantes residentes em países latino-americanos são oriundos de outras nações da própria região; na Europa, apenas 27% da imigração é intrarregional. A mesma visão quebrada por países mostra Argentina e Chile com forte predominância de imigrantes oriundos de outros países da própria América Latina – 66% e 71%, respectivamente; ao passo que no Brasil e no México a maioria dos imigrantes vem de outras regiões, sendo a proporção de imigrantes intrarregionais de 21% e 16%, respectivamente – menor que em países europeus como Espanha, Itália, Reino Unido e Alemanha (veja Diagrama 38). Ainda assim, existe oportunidade também para aumentar o interesse dos expatriados latino-americanos sobre os países da própria região – exemplo brasileiro mostra que a diáspora do País está mais concentrada em países de fora da região, especificamente na América do Norte e Europa (veja Diagrama 39).

75

Número de imigrantes residentes na América Latina tem se mantido constante e com baixa representatividade

250

América Latina não está entre principais destinos de imigrantes ...

... e os mesmos são ainda porcentagem baixa da população latino-americana

Distribuição de imigrantes no mundo por local de residência

Representatividade de imigrantes sobre populações por local de residência

Imigrantes por região de residência (milhões)

TACC ‘90-’10

Imigrantes residentes / total da população1 10

9,4%

1,6% 213,9

8,5%

195,2

200

8

7,2%

178,5 166,0

6,6%

155,5 150

6

70%

5,7%

1,3%

71% 73% 100

75%

50

4% 4%

0

74%

4

3% 5%

3% 4%

17%

19%

20%

1990

1995

2000

Ásia

América Latina

3% 5%

3% 5%

0% 2,7%

2

1,5% 1,1%

21%

22%

2005

2010

Europa

2,9% 0,4%

Outros

1. Soma dos imigrantes de cada país dividido pela população total da região Fonte: Organização das Nações Unidas; análise BCG

0

1990

0,4%

1995

1,1% 0,5%

2000

1,1% 0,5%

2005

1,1% 0,5%

2010


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CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

DIAGRAMA 37

77

DIAGRAMA 38

Países latino-americanos, em particular o Brasil, se destacam por baixa conectividade em imigração

Imigrantes na América Latina são principalmente oriundos de países da própria região - Brasil e México são exceção Grau de conectividade global por meio de recepção de imigrantes internacionais

Grau de conectividade global por meio de recepção de imigrantes internacionais 20%

Distribuição de imigrantes residentes em cada região por origem

Distribuição de imigrantes residentes em cada região entre origem intra e extrarregional

Crescimento de imigrantes residentes - 1990-2010 - % a.a.

ESPANHA 71%

CHILE

10%

EQUADOR

CINGAPURA

IRLANDA

América Latina1

MACAU

LUXEMBURGO 0%

ARGENTINA

BRASIL

-10%

53%

66%

ARGENTINA

47%

BRASIL

21%

MÉXICO

COSTA RICA

Intra

20%

30%

40%

2M

50%

Extra

60%

Europa

2

% de imigrantes residentes sobre a população total

BRASIL

• 0,4% de sua população residente representada por imigrantes • Número de imigrantes decrescente em -0,7% a.a. • Total de 0,7M imigrantes residentes em 2010 Nº de imigrantes residentes em 2010

79%

Europa

América Latina

Ásia

27%

Intra

Extra

40,5%

59,5%

ITÁLIA

29,5%

70,5%

REINO UNIDO

28,6%

71,4%

73%

ALEMANHA Intra

84%

16%

ESPANHA 10%

34%

HONG KONG

ALEMANHA

-20% 0%

29%

Extra

22,0%

78,0%

Intra

Extra

Outros

Coreia DO SUL

79,9%

20,1%

Fonte: Organização das Nações Unidas; análise BCG

Ásia3

CHINA

N/D

CINGAPURA

N/D

INDONÉSIA

N/D

N/D

Intra

Extra

Intra

Extra

1. Dados de 2005. Valor considera Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. 2. Dados de 2008. Valor considera Áustria, Bélgica, República Tcheca, Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Grécia, Hungria, Itália, Países Baixos, Polônia, Portugal, Espanha, Suécia e Reino Unido. Número total de imigrantes em 2008 estimado a partir de dados de 2005 e TACC ‘05-’10. Fonte: Unctad Online handbook of statistics, Eurostat, International Trade Center, institutos de estatística nacionais; OCDE; análise BCG


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CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

DIAGRAMA 39

Viabilizadores do fluxo de pessoas na América Latina

Exemplo brasileiro mostra que diáspora latino-americana tem maior presença extra do que intrarregional Distribuição da diáspora brasileira (milhares de pessoas) - 2009

Ásia 290

Europa

1.325 América do Norte

32

816 América Central

Oriente Médio

5 37 América do Sul 514

África Oceania 23

Iniciativas são necessárias não só para simplificar o processo de entrada, mas também para repensar o modelo que a América Latina quer seguir em relação aos imigrantes. Em um mundo globalizado e cada vez mais conectado, a possibilidade de recrutamento livre é um importante diferencial competitivo. Isso traz benefícios não apenas para os que vêm e para as empresas contratantes, mas para a região como um todo, ao torná-la mais integrada com o que acontece no mundo e contribuindo para o desenvolvimento educacional e cultural dos seus residentes. Além disso, a abertura contribui para o balanceamento entre a oferta e a demanda de mão de obra, potencialmente contendo movimentos inflacionários decorrentes de pressões salariais. Para que a circulação de pessoas ocorra, é necessário, primeiro, que o país tenha as condições de trânsito adequadas para com outros polos do mundo – não apenas globais, mas também regionais e locais. Neste sentido, é vital que as exigências regulatórias para entrada e saída de profissionais sejam modernas, evitando excessos que, ao mesmo tempo em que dificultam o ingresso de executivos e a realização de eventos e negócios no país, pouco impacto têm para fortalecer a segurança interna. A facilitação do fluxo de turistas é outro elemento importante para atração de pessoas, dado que funciona como mecanismo de divulgação da região internacionalmente. Além disto, é pré-requisito fundamental uma alta conectividade aérea, com infraestrutura aeroportuária adequada e voos frequentes, por ser hoje a principal via de locomoção entre países no mundo globalizado. A análise da dificuldade de obtenção de visto entre países de uma mesma região, que leva em conta relações diplomáticas, acordos bilaterais e multilaterais existentes, presença de embaixadas e demais exigências, mostra que a liberdade de fluxo intrarregional de profissionais é maior na América Latina do que na Ásia – porém é bem menos desenvolvida do que na Europa (veja Diagrama 40).

Fonte: Ministério das Relações Exteriores do Brasil; análise BCG

Além de baixa, a imigração na América Latina é predominantemente intrarregional: 53% dos imigrantes residentes em países latino-americanos são oriundos de outras nações da própria região; na Europa, apenas 27% da imigração é intrarregional

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CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

DIAGRAMA 40

Um dos caminhos para essa simplificação é ampliar o espaço regional aberto para fluxo de pessoas criado pelo acordo de livre residência do Mercosul (veja Diagrama 41). Adicionalmente, cadastros regionais de pessoas e o reconhecimento integrado de profissões poderiam ser estudados para seletivamente facilitar a entrada de imigrantes com capacitações estratégicas ao desenvolvimento da região. Canadá, Dinamarca, Cingapura, União Europeia e Reino Unido têm sistemas de concessão de vistos simplificada para a entrada de profissionais capacitados. Por exemplo, em Cingapura, um processo especial de obtenção de visto pode levar apenas 24 horas. Enquanto isso, o prazo médio de obtenção de visto de trabalho no Brasil é de dois meses.

Liberdade de fluxo intrarregional de profissionais na América Latina é maior que na Ásia, mas menor que na Europa Facilidade para estrangeiros de cada região obterem visto para trabalharem no país Europa: Fluxo de profissionais homogeneamente facilitado Fran��a Alemanha

Itália

Holanda

Espanha

Reino Unido

ORIGEM

França Alemanha Itália

DIAGRAMA 41

Holanda

DESTINO

Acordo de livre residência pode melhorar conectividade se for reforçado e envolver mais países

Espanha Reino Unido

América Latina: Fluxo é facilitado entre países da região Brasil

Argentina

Chile

México

Colômbia

Peru

ORIGEM

Brasil Argentina Chile

Mais difícil que a maioria dos outros países

Cidadãos de países membros possuem entrada livre no Brasil

Igual a maioria dos outros países

Uma vez no país, cidadãos podem entrar com uma solicitação simplificada para obter autorização de residência por 2 anos

Mais fácil que a maioria dos outros países

México

DESTINO

Cidadãos de países membros passam por processo simplificado para conseguir residência no Brasil

mais restritivo

Colômbia Sem exigências

Peru

Após 2 anos, cidadãos podem receber automaticamente residência permanente

Menos restritivo

Ásia: Dificuldade de obtenção de visto similar à imposta a não asiáticos China

Japão

Coreia do Sul

Indonésia Taiwan

Tailândia

ORIGEM

China Japão Coreia do Sul

Países do Mercosul Outros países no acordo Países fora do acordo

Milhões de habitantes

Programa argentino é ainda mais amplo

244

Após 1 ano, cidadãos estrangeiros podem receber documentos nacionais, dando acesso a todos os serviços públicos do país.

27 304

Indonésia

DESTINO

País tem desde 2006, realizado o programa “Pátria Grande” para legalização de imigrantes, que já legalizou mais de 1 milhão de pessoas

Taiwan Tailândia

Nota: Critério para distribuição de notas em ordem de relevância: (1) Relações diplomáticas (e.g. conflitos políticos que podem prejudicar o processo de imigração); (2) Acordos bilaterais e multilaterais; (3) Presença de embaixadas dos países analisados nos países de origem; (4) Documentações e requisitos adicionais e outras limitações. Fonte: Ministério da Justiça, Ministérios das Relações Externas ou Assuntos Internacionais e embaixadas dos países selecionados; Portal Polícia Federal; Frontera Sur; Cancileria; VisaHQ; Francie Diplomatie; UK Border Agency; HiKorea.com.

Algumas províncias permitem que cidadãos assim “naturalizados” votem em eleições locais

Fonte: Migration policy institute; imprensa.

81


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CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

O turismo é outro elemento que pode estimular a circulação de pessoas como um todo, por intermédio da divulgação internacional da imagem da região. Isto é, a imagem divulgada nos países de origem pelos turistas que visitam o Brasil ajuda a constituir a percepção e o potencial interesse de futuros imigrantes. Entretanto, o número de turistas que visitam a América Latina é muito baixo, principalmente em relação à Europa. Por exemplo, muito embora apresente uma boa imagem turística e cultural, o Brasil é somente o 38o colocado entre os 60 países que mais atraem turistas no mundo – e o número vem caindo nos últimos anos (veja Diagrama 42).

DIAGRAMA 42

Imagem turística e cultural do Brasil é particularmente positiva, mas não se traduz em elevada entrada de turistas Imagem brasileira é positiva em aspectos culturais e turísticos... Turismo1

Cultura2

ITÁLIA

FRANÇA

MELHOR

BRASIL

PIOR

10º

50º

IRÃ

13º

50º

MELHOR

BRASIL

PIOR

... mas atrai pequena parte do volume global de turistas somente

Ranking Destino

1º 2º 4º 6º 7º 10º 11º 14º 15º 28º 29º 30º 35º 38º

FRANÇA EUA CHINA REINO UNIDO HONG KONG ALEMANHA RÚSSIA MÉXICO CANADÁ CINGAPURA JAPÃO COREIA DO SUL ÍNDIA BRASIL

% de turistas do mundo

11% 8% 7% 4% 4% 3% 3% 3% 2% 1% 1% 1% 1% 1%

IRÃ

1. Perguntas: Interesse em visitar o pais, É rico em beleza natural e monumentos históricos e cidades emocionantes 2. Tem sucesso em esportes e tem herança cultural, Tem cultura contemporânea. Nota: pesquisa realizada entre 50 países Fonte: The Anholt-GfK Roper Nation Brands IndexSM 2008 50 country report, EIU; análise BCG

Brasil é o 38º colocado entre 60 países

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DIAGRAMA 43

Integração aérea da América Latina é similar à de países do sudeste asiático, porém significamente inferior à da Europa

46% dos voos internacionais saindo da América Latina tem como destino a própria região

37 Baseado no número de voos da semana de 6 a 12 de Dezembro, 2010. Considera apenas partidas. Amostra da América Latina composta por voos a partir do Brasil, Chile e México. Amostra da Ásia composta por voos a partir da China e Cingapura. Amostra da Europa composta por voos a partir da Alemanha, França, Reino Unido e Rússia

Nº de voos internacionais / dia do principal centro do país1 (2010)

654 194

848

Amostra América Latina2 877 1.026

1.903

5,9

Voos por milhão de habitantes-dia

38

IMD World Competitiveness Yearbook

Em paralelo às questões regulatórias, a mobilidade entre países depende também da infraestrutura física disponível. A capacidade de movimento das pessoas mostra-se essencial para a consolidação de um polo de negócios. A América Latina ainda se mostra pouco integrada com o restante do mundo: embora a integração aérea da região seja superior à da Ásia, ainda está muito aquém da Europa. A América Latina tem uma média de seis voos internacionais diários para cada milhão de habitantes, com distribuição equilibrada entre voos intrarregionais e extrarregionais. A mesma relação não chega a três voos na Ásia, mas na Europa é de 53 voos internacionais diários para cada milhão de habitantes, sendo 72% deles intrarregionais37 (veja Diagrama 43). Já em termos de qualidade do transporte aéreo, países latino-americanos se destacam negativamente: dos países analisados, Argentina, Brasil, Colômbia e México foram os mais mal avaliados em pesquisa com executivos realizada pelo IMD38 (veja Diagrama 44).

46% dos voos internacionais

244 358

são intrarregionais

652

DIAGRAMA 44

Qualidade do transporte aéreo na América Latina varia muito de país a país; Brasil é um dos destaques negativos

78 325

403

Índice de qualidade do transporte aéreo (0-10, pior)

Na Ásia, o nível de integração aérea é menor Nº de voos internacionais / dia do principal centro do país (2010) 3

Amostra Sudeste Asiático3

2607

919

3.526

China

Cingapura

2,6

3.194 332

Voos por milhão de habitantes-dia

Ásia

2,0

ALEMANHA

América Latina

1,2

CHINA

2,9

9% dos voos internacionais são intrarregionais

Europa

2,6

REINO UNIDO

2374 233 820 99

ESPANHA

TAILÂNDIA

2,6

Coreia DO SUL

1,3

ARGENTINA

Já na Europa, integração aérea é elevada Nº de voos internacionais / dia do principal centro do país4 (2010)

5,7

BRASIL

5,3

Amostra Europa4 MÉXICO 1.131 2.799 1.864 5.615

7.479

1.576 3.548

601 1.371

5.124

1.972

3.930

5.172 13.333

18.505

53,4 Voos por milhão de habitantes-dia

4,3

COLÔMBIA

3,3

CHILE

1,4

72% Reino Unido Nº total de voos internacionais

Rússia Nº de voos para fora da região

França Nº de voos para própria região

Alemanha

PIOR

dos voos internacionais são intrarregionais MELHOR

1. Baseado no número de voos da semana de 6 a 12 de Dezembro, 2010. Considera apenas partidas. 2. Amostra composta por vôos a partir do Brasil, Chile e México. 3. Amostra composta por voos a partir da China, e Cingapura. 4. Amostra composta por voos a partir da Alemanha, França, Reino Unido e Rússia. Fonte: OAG database; análise BCG; WTO ASAP

Fonte: IMD World Competitiveness Yearbook

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CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

DIAGRAMA 45

Somente dois países latino-americanos apresentam conflitos internos relevantes para a comunidade internacional Mapa de conflitos altamente violentos em 2010

06

Cenário Político Internacional

México: conflitos com cartéis de drogas1

Colômbia: guerra civil com FARCs

Estabilidade política e segurança são também características desejáveis a um polo de investimentos e negócios. A garantia de estabilidade política cria ambiente atraente a investidores externos, pois representa a segurança oferecida pelo governo e pelas empresas de um país aos investidores estrangeiros que aplicam seu dinheiro em títulos da dívida do governo ou de empresas daquele país.

Crise com severidade

O histórico relativamente pacífico da América Latina é um dos fatores que contribui para a boa relação da região com o restante do mundo. Em 2010, somente dois países latino-americanos apareceram com conflitos internos relevantes internacionalmente, com utilização de violência massiva, no relatório Conflict Baromenter 2010: a guerra dos cartéis de traficantes de drogas no México e a guerra civil com as FARCs na Colômbia (veja Diagrama 45). Embora tais conflitos não pareçam assustar os investidores, a violência impede que as economias destes países estejam ainda melhores, dados os investimentos adicionais em medidas de segurança para as empresas.

DIAGRAMA 46

Dois países latino-americanos aparecem entre os 26 principais países de influência percebida no mundo

Ranking de soft power1 internacional - habilidade de um estado de influenciar ações de outros por persuasão ou atração, sem coerção

Países latino-americanos começam a se destacar também como influenciadores da ordem política mundial. Brasil e México já figuram entre as nações mais influentes do mundo, em 21o e 22o, respectivamente, segundo o ranking de soft power39 de 2010, que avalia a habilidade dos Estados de influenciar ações de outros por persuasão ou atração, sem coerção. Embora potências históricas e tradicionais como França, Reino Unido e Estados Unidos ainda sejam as referências de influência percebida no mundo, países com desenvolvimento recente, como Cingapura, e em desenvolvimento, como os BRICs, já figuram no ranking (veja Diagrama 46). Viabilizadores do cenário político na América Latina Para intensificar sua conectividade com o mundo, é importante que a América Latina mantenha seus esforços para aumentar influência na comunidade internacional. Agenda de visitas internacionais e atividades de cooperação internacional podem contribuir para expandir positivamente a visibilidade e a relevância política de um país.

Guerra

1. O conflito dos cartéis de drogas no México escalou para o status de guerra em 2010, tendo registrado agravamento dos níveis de violência e mais de 10.000 mortes no ano Fonte: Relatório “Conflict Barometer 2010” da Universidade de Heidelberg

39 Soft Power: conceito de Joseph Nye; Ranking calculado com base em quatro categorias: negócios / inovação, cultura, diplomacia governamental e educação. Fonte: “The Persuaders: an international ranking of soft power” do Institute for Government

1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13.

França Reino Unido EUA Alemanha Suíça Suécia Dinamarca Austrália Finlândia Países Baixos Espanha Canadá Cingapura

14. 15. 16. 17. 18. 19. 20. 21. 22. 23. 24. 25. 26.

Noruega Japão Itália China Israel Coreia do Sul África do Sul Brasil México Índia Emirados Árabes Turquia Rússia

Potências históricas e tradicionais lideram o ranking de influência percebida...

Europa Ásia América Latina Outras

... mas países com desenvolvimento recente, como Cingapura, e em desenvolvimento, como os BRICs, já figuram no ranking 1. Soft Power: conceito de Joseph Nye ; Ranking calculado com base em quatro categorias: negócios, inovação, cultura, diplomacia governamental e educação. / Fonte: Relatório “The Persuaders: an international ranking of soft power” do Institute for Government

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CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

DIAGRAMA 47

Conectividade política se dá também por meio de visitas internacionais oficiais Presidente brasileiro fez visitas oficiais a todas as regiões nos últimos 5 anos

Visitas do presidente da Coreia do Sul são bem menos frequentes

Nº de visitas internacionais do presidente brasileiro

Nº de visitas internacionais do presidente sul-coreano

60

60 Outras Ásia

O Brasil é um exemplo positivo em ambas as dimensões. Nos últimos cinco anos, o presidente brasileiro fez, em média, 35 visitas oficiais internacionais por ano, sendo que o número de visitas dobrou entre 2006 e 2010. Em comparação, a Coreia do Sul, que tem sistema de governo presidencial, assim como o Brasil, teve em média 13 visitas internacionais feitas pelo seu presidente, com tendência de queda entre 2006 e 2010. Além disso, ao passo que o número de visitas do presidente brasileiro vem aumentando nos últimos anos, o número de visitas da Coreia do Sul é cada vez menor, tendo caído de 20 em 2006 para apenas 6 em 2010 (veja Diagrama 47). A relevância econômica dos países visitados pelo Brasil também é evolutiva, apesar de leve declínio em 2010: os países visitados pelo Brasil em 2006 foram responsáveis por 32% do PIB global. Esse número subiu para 59% em 2009, sofrendo um declínio em 2010 para 35%. Encontros latino-americanos e multilaterais são os mais representativos na agenda oficial brasileira, o que mostra que há espaço para aumentar o relacionamento com países de fora da região. Os países visitados pela Coreia do Sul representaram 40% do PIB global em 2006, caindo para 29% em 2010. Em relação ao número de visitas recebidas, no entanto, o exemplo brasileiro mostra que ainda há espaço para aumentar sua relevância e atratividade a líderes internacionais. Enquanto o governo coreano recebeu, em média, 55 visitas anuais de líderes estrangeiros nos últimos cinco anos, o Brasil recebeu 35 visitas anuais, em média. Apesar de menor, o número de visitas presidenciais recebidas pelo Brasil vem crescendo cerca de 5% ao ano, tendo saído de 30 visitas, em 2006, para 37 visitas, em 2010. A Coreia do Sul, por sua vez, tem visto o número de seus visitantes cair drasticamente, saindo de 80, em 2006, para 13, em 2010. O Brasil também vem melhorando em termos da relevância econômica dos países que o visitam. Em 2006, os representantes oficiais a chegar ao Brasil foram responsáveis por apenas 14% do PIB global. Esse número subiu para 23% em 2010. Na Coreia do Sul, a relevância dos países visitados também vem caindo, assim como o número de visitas. Enquanto em 2006 os países que visitaram a Coreia do Sul representaram uma participação de 59% do PIB global, em 2010 esse número foi de 43%, desempenho, entretanto, ainda bastante superior comparativamente ao Brasil. Além disso, cerca de metade das visitas recebidas pelo Brasil, em média, foi de líderes de países da própria América Latina. Na Coreia do Sul, apenas 17% das visitas recebidas nos últimos cinco anos foi de líderes do próprio sudeste asiático (veja Diagrama 48).

48

40

38

Europa

40

América do Norte

40

América Latina

34

Média 35 Multilaterais

20

20

17

20

18 11

11

Média 13

6

2006 2007

2008

2009

2010

29%

32%

35%

21%

32%

América Latina / Total (%)

32%

46%

55%

59%

35%

% do PIB global visitado

2006 2007

2008

2009

2010

30%

17%

36%

27%

0%

40%

34%

36%

47%

29%

Fonte: Ministério das Relações Exteriores do Brasil; Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul; análise BCG

ásia / Total (%) % do PIB global visitado

89


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CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

DIAGRAMA 48

Exemplo da Coreia do Sul mostra que o Brasil ainda pode receber mais visitas internacionais de economias relevantes

Brasil também foi visitado por líderes estrangeiros de todas as regiões

Coreia do Sul recebeu número bem maior de visitas no mesmo período

O Brasil também vem melhorando em termos da relevância econômica dos países que o visitam. Em 2006, os representantes oficiais a chegar ao Brasil foram responsáveis por apenas 14% do PIB global. Esse número subiu para 23% em 2010

Nº de visitas de líderes estrangeiros recebidas pela Coreia do Sul

Nº de visitas de líderes estrangeiros recebidas pelo Brasil 80

80

80

73

60

60

59 Média 55

50

42

42

40

40

37 Média 35

30 24 Outros

20

20

América do Norte

13

Ásia Europa América Latina

2006

2007

2008

2009

2010

60%

42%

55%

48%

45%

14%

37%

26%

16%

23%

2006

2007

2008

2009

2010

América Latina / Total (%)

15%

19%

20%

18%

8%

% do PIB global recebido

59%

50%

72%

56%

43%

Fonte: Ministério das Relações Exteriores do Brasil; Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul; análise BCG

Ásia / Total (%)

% do PIB global recebido

O Brasil também vem se destacando por sua crescente relevância na cooperação internacional, especialmente dentro de sua própria região. Os investimentos do País no desenvolvimento internacional cresceram 23% ao ano entre 2005 e 2009. Embora o foco principal dos investimentos tenha sido em contribuir com organizações internacionais, os investimentos em assistência humanitária ganharam relevância no último ano da análise. Em termos de distribuição geográfica, 76% dos investimentos brasileiros se concentram na América Latina, sendo Cuba, Haiti e Honduras os principais destinos, recebendo juntos mais da metade dos investimentos totais (veja Diagrama 49). O Brasil também se sobressai no cenário internacional ao se tornar o primeiro país da América Latina a assinar o Tratado de Cooperação de Amizade da ASEAN. Além dos países membros, também assinaram o Tratado China, Índia, EUA e a União Europeia. Este passo abre as portas para uma maior cooperação entre o Brasil e as nações da ASEAN, que incluem alguns dos principais polos de negócios da Ásia, cobrindo uma população de mais de 600 milhões de habitantes. Além dos investimentos em cooperação, países latino-americanos, no geral, têm forte participação nas principais organizações multilaterais. O Conselho de Segurança da ONU, em particular, tem sido local de importante projeção latino-americana: quatro dos 13 países mais presentes no Conselho de Segurança da ONU, excluindo-se os membros permanentes, são latino-americanos, sendo o Brasil o mais presente do mundo, junto com Japão. Em particular, o Brasil vem se projetando também ao tentar se tornar membro permanente no Conselho de Segurança da ONU (veja Diagrama 50).

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CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

CONECTIVIDADE PARA UM POLO DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS NO BRASIL

DIAGRAMA 49

Brasil passa a ter papel relevante como investidor em cooperação, especialmente dentro de sua região Investimentos brasileiros no desenvolvimento internacional foram crescentes

Esforços brasileiros foram em grande parte intrarregionais

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DIAGRAMA 50

Brasil se projeta também ao tentar se tornar membro permanente do Conselho de Segurança da ONU Países latino-americanos participam em todas as principais organizações multilaterais

Conselho de Segurança da ONU tem sido local de importante projeção latino-americana

Todos os países latino-americanos são parte das principais organizações multilaterais globais

Nº de eleições às vagas não permanentes no Conselho de Segurança da ONU1

Distribuição de investimentos brasileiros por região

Distribuição dos investimentos brasileiros por fim

Distribuição regional (% de US$) US$ milhões em valores correntes 400

+23%

362 337

BRASIL

10

JAPÃO

10

16%

207%

292

300

7%

TACC ‘05-’08

-1%

277

8

ARGENTINA 44%

Investimentos 2005 - 2009

76%

COLÔMBIA

7

ÍNDIA

7

América Latina

200

158

Ásia Outros

canadá

6

ITÁLIA

6

PAQUISTÃO

6

19%

100

Maiores destinos (% do total)

2005 2006

2007

2008

Assistência humanitária Bolsas de estudos para estrangeiros

2009

CUBA

22%

HAITI PALESTINA

19% 13%

Cooperação técnica Contribuição para organizações internacionais

HONDURAS

10%

BÉLGICA

5

ALEMANHA

5

HOLANDA

5

PANAMÁ

5

POLÔNIA

5

Fonte: Relatório “Cooperação Brasileira Para o Desenvolvimento Internacional: 2005-2009” do Ipea com a Agência Brasileira de Cooperação Europa

América Latina

Outros

4 dos 13 países mais presentes no Conselho de Segurança da ONU, excluindo-se os membros permanentes, são latino-americanos, sendo o Brasil o país mais presente do mundo, junto com o Japão 1. Desde que a organização foi instituída em 1945 Fonte: ONU; pesquisa na mídia; análise BCG


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Conclusão

Conforme discutido no início deste relatório, a conectividade intra e extrarregional é característica essencial para a formação de um polo de investimentos e negócios. Em nível regional, as conexões servem para fortalecer a unicidade da rede de uma região, aumentando o valor desta rede para todos seus membros. Já em nível global, tais conexões se fazem necessárias para aumentar a relevância global da região. Portanto, uma conectividade bem desenvolvida do Brasil, com os demais países da América Latina e também com o restante do mundo fortalecerá as condições para tornar-se um dos polos internacionais da região e contribuirá com a economia dos países envolvidos. Existe um grande potencial, mas também muito trabalho a ser feito. As análises apresentadas neste relatório fornecem um ferramental para decomposição do tema visando definir especificamente onde Brasil e América Latina precisam priorizar. Também é possível verificar exemplos mundiais que podem indicar direções a serem seguidas e etapas a serem vencidas nas cinco dimensões da conectividade consideradas. A BRAiN já possui Grupos de Trabalho em andamento e, em breve, terá outros para fomentar o desenvolvimento da conectividade. Possíveis temas a serem abordados incluem: ratificação de GATSs e BITs, redução da bitributação de investimentos, padronização de normas para empresas e facilitação de imigração de talentos qualificados, entre outros. Você que percebe a importância do desenvolvimento da conectividade do Brasil e da América Latina para o estabelecimento de um polo internacional de investimentos e negócios na região está convidado a participar das iniciativas da BRAiN. Visite o website da BRAiN para acompanhar e contribuir com este processo: www.brainbrasil.org.

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Conectividade para um Polo de Investimentos e Negócios no Brasil