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ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

DIAGRAMA 22

Outro aspecto em que o Brasil também deixa a desejar é no alinhamento do ensino superior às necessidades do mercado, sendo o quinto pior entre 58 países, de acordo com uma pesquisa entre executivos conduzida pelo IMD57. Uma ilustração deste desalinhamento é a taxa de aprovação no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB): abaixo de 25% no Rio de Janeiro e em São Paulo, em comparação a 76% e 46% nos Estados Unidos e na França, respectivamente, em exames com o mesmo objetivo58.

A internacionalização da formação de talentos no Brasil é baixa e não atende às necessidades do mercado

Uma terceira lacuna brasileira em formação de talentos refere-se à internacionalização. O País tem alinhamento do ensino de idiomas e fluxo internacional de estudantes bastante inferiores às médias internacionais (veja Diagrama 22). Existem iniciativas já em andamento que mostram um possível caminho para a melhoria do ensino básico no Brasil, e estas devem ser ampliadas para o tratamento completo da situação. Iniciativas públicas, como a obrigatoriedade do ensino médio a partir de 2016 (veja Quadro C), o Fundeb, que garante fundos mínimos para a educação básica, e a Prova Brasil, que permite o acompanhamento nacional do ensino público, se bem estruturadas, geridas e dimensionadas, podem imprimir melhorias significativas na situação do Brasil.

Estudos no Brasil são pouco internacionalizados

Alinhamento do ensino de línguas às necessidades do mercado - notas de 0 (mín.) a 10 (máx.)

Fluxo internacional de estudantes Entradas e saídas por mil habitantes

MÉXICO

3,1

BRASIL

0,1

JAPÃO

3,1

ÍNDIA

0,1

BRASIL

3,1

MÉXICO

0,2

CHILE

Ao mesmo tempo, as iniciativas não governamentais, como o Movimento Todos Pela Educação, os Institutos Ayrton Senna e Unibanco, a Fundação Bradesco e o projeto Amigos da Escola, assim como muitas outras organizações não governamentais (ONGs) e institutos com o mesmo objetivo, contribuem para a melhoria do ensino no País. Além disso, a entrada do Brasil na fase de dividendo demográfico fez com que a população em idade escolar deixasse de crescer, reduzindo a pressão por investimentos em quantidade de ensino e permitindo maior foco em qualidade. O País conta com o momento e as ferramentas para melhorar a formação básica de pessoas – é necessário agir com o empenho e a estratégia corretos.

RÚSSIA

0,7

RÚSSIA

3,7

CHILE

0,8

USA

CHINA

4,6

COREIA DO SUL

5,0 5,2

3,4

FRANÇA

ÍNDIA

7,0

HONG KONG

4,0 4,8 5,8 6,0

REINO UNIDO

7,2 8,1 Média do grupo: 4,8

Saída

Fonte: IMD WCY Executive Survey; análise BCG.

3,0

CANADÁ

6,9

CINGAPURA

Entrada

2,2

3,3

CINGAPURA

5,5

1,4

ALEMANHA

ALEMANHA

CANADÁ

Dados dos Estados Unidos, referentes a Nova Iorque, e da França, a Paris.

JAPÃO 4,5

AUSTRÁLIA

58

3,8

USA

HONG KONG

57 Fonte: International Institute for Management Development (IMD) Executive Opinion Survey.

0,4

3,7

COREIA DO SUL

Com relação à internacionalização da formação de pessoas, novamente o Brasil encontra exemplos a serem seguidos. No ensino de idiomas, o governo do Rio de Janeiro aumentou o número de anos de aprendizado obrigatório do inglês e do espanhol, já se preparando para os eventos esportivos de 2014 e 2016. Também com foco nestes eventos, o Sindicato dos Autônomos de São Paulo ensina línguas para seus associados (como taxistas).

CHINA

3,2

REINO UNIDO

FRANÇA

Também existem iniciativas públicas e privadas para a melhoria do ensino superior e profissionalizante. Em São Paulo, o Centro Paula Souza, do governo estadual, conta com mais de 199 mil alunos em ensino técnico, constituindo uma referência para alinhamento entre formação e necessidades do mercado. O governo federal também atua para ampliar a oferta de vagas em escolas públicas nos ensinos técnico e superior por meio da abertura de novas escolas e também concedendo bolsas para alunos em escolas particulares por intermédio dos programas PRONATEC, no ensino técnico, e PROUNI, no ensino superior (veja Quadro C). Na iniciativa privada, por exemplo, as empresas Totvs, brasileira, e Infosys, indiana, também mostram esforços de aproximação com a academia por meio da contribuição com aulas e estrutura de formação superior – as empresas enxergam a oportunidade de formar pessoas com o conhecimento necessário às suas atividades. Iniciativas como essas devem ser ampliadas para acelerar a formação de pessoas qualificadas necessárias ao polo de negócios brasileiro.

Na internacionalização de estudos, grande parte das universidades e faculdades do País, públicas e privadas, se empenha na realização de parcerias internacionais para a realização de intercâmbios, e o Erasmus, associação internacional de estudantes na Europa, é exemplo de iniciativa que pode promover maior integração internacional de estudantes

Ensino de línguas no Brasil é pouco alinhado às necessidades do mercado

AUSTRÁLIA

6,9 Média do grupo: 2,7

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Atratividade do Brasil como polo internacional de investimentos e negócios  
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Neste relatório a BRAiN identifica os 7 pilares que caracterizam a atratividade de um polo internacional de investimentos e negócios e compa...

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