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ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

Em resumo, assim como em todos os outros aspectos macroeconômicos, o Brasil apresenta avanços significativos na gestão das contas do setor público. Ainda assim, revela-se importante garantir que a direção positiva continue sendo seguida e que não haja retrocessos, principalmente na questão fiscal e no déficit público, que podem ter efeitos significativos sobre o custo de captação de investimentos geral da economia, se mal gerenciados.

A melhoria das finanças públicas permitiu que o Brasil atingisse melhores níveis de classificação de risco. Depois de atingir mais de 2.000 pontos no EMBI+ em meados de 2002, o Brasil teve quedas consistentes na sua classificação de risco, atingindo a nota “grau de investimento” (investment grade), em maio de 2008. É importante notar que, mesmo tendo passado por esses níveis de pontuação em 2002, o Brasil, ao longo de mais de dez anos, não atingiu níveis tão altos de risco quanto Argentina e Rússia. As crises enfrentadas por estes países levaram suas classificações a patamares de 6.000 pontos, cerca de três vezes o máximo atingido pelo Brasil na última década. O bom posicionamento do Brasil nesse indicador melhora a percepção externa sobre o País como um todo e torna mais fácil a obtenção de recursos estrangeiros no caso da falta de fontes de financiamento adequadas internamente.

Indicadores Para o caso específico do pilar de ambiente macroeconômico, as dimensões selecionadas para acompanhamento contínuo foram:

Este ponto é especialmente relevante no caso do Brasil, dada a sua taxa de poupança interna: o nível brasileiro é um dos menores do mundo, em parte por causa do déficit público nominal gerado pelas contas públicas. Os 19% da poupança doméstica bruta sobre o PIB ficam muito aquém da taxa de outros países em desenvolvimento, como China (51%), Índia (31%), Rússia (31%), Chile (30%) e México (23%) (veja Diagrama 6). Esta característica é importante, pois países com baixo nível de poupança têm mais dificuldade de financiar seu crescimento com recursos próprios.

• Crescimento econômico: Quanto maior o crescimento esperado para um país, maior sua atratividade para agentes estrangeiros. Dificilmente um polo consegue atrair investimentos e negócios sem uma projeção positiva quando comparado a seus concorrentes diretos pela atração de capital; • Estabilidade monetária: A estabilidade monetária ajuda a definir a previsibilidade econômica dos investimentos e negócios no polo considerado. Quando a projeção é de inflação alta, um país perde atratividade, pois os agentes externos ficam temerosos com a perspectiva de seus investimentos e negócios se deteriorarem junto com o valor da moeda local;

DIAGRAMA 6

A taxa de poupança brasileira está entre as menores do mundo

• Solidez fiscal: Quando um país possui política fiscal inadequada, sobem os custos de captação de investimentos da economia como um todo, elevando, obviamente, o custo operacional. Portanto, quanto maior a solidez fiscal, maior a atratividade do país;

Poupança doméstica bruta / PIB (%)1 51% Países em desenvolvimento

48%

Brasil Países desenvolvidos

31%

31%

30%

30%

24%

23%

23% 19%

19%

1. Média 2007-2009. Últimos anos disponíveis. / Fonte: World Bank.

REINO UNIDO

BRASIL

FRANÇA

JAPÃO

MÉXICO

ALEMANHA

CHILE

COREIA DO SUL

HONG KONG

ÍNDIA

RÚSSIA

CINGAPURA

13%

13%

USA

31%

CHINA

32

• Vulnerabilidade externa: A disponibilidade de reservas para realizar os pagamentos externos de um país mede a dependência a recursos estrangeiros e oferece indícios da sua autonomia para garantir credibilidade financeira mundial; • Volatilidade econômica: As taxas de juros de curto prazo dos títulos emitidos por governos são um bom indicador da volatilidade econômica e da frequência de necessidade de ajustes. Economias com menor nível de volatilidade oferecem um horizonte de planejamento mais seguro para empresas e famílias, elevando o nível de investimento e de crescimento; • Desenvolvimento humano: Quanto maior o nível de desenvolvimento humano, maior a atratividade do país como polo, já que maior desenvolvimento se traduz em maiores disponibilidade de talentos, mercado interno consumidor e qualidade de vida; • Distribuição de renda: A distribuição de renda em um país influencia aspectos-chave para a formação de um polo, como a disponibilidade de talentos, o tamanho e o perfil do mercado consumidor, o nível de inovação e qualidade de vida. Quanto melhor a distribuição de renda, melhores esses aspectos para o polo de negócios.

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Atratividade do Brasil como polo internacional de investimentos e negócios  
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Neste relatório a BRAiN identifica os 7 pilares que caracterizam a atratividade de um polo internacional de investimentos e negócios e compa...

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