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ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS 2012 /# 2


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ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS


PREFÁCIO A ascensão do Brasil como potência econômica global é hoje inegável. Nas últimas décadas, o País finalmente deixou para trás a velha promessa de “país do futuro”. Entretanto, para a plena concretização desse fato, é necessário ainda garantir o reconhecimento internacional da transformação do Brasil em um polo internacional de investimentos e negócios. Este documento é a segunda edição do relatório Atratividade do Brasil como polo de investimentos e negócios, publicado pela primeira vez em 2011. O presente relatório busca esclarecer o tema da atratividade de um polo de investimentos e negócios, identificando iniciativas que tornem o País ainda mais atrativo para empresários, investidores e todos os públicos envolvidos. Esta versão traz uma visão atualizada do desempenho do Brasil em comparação com alguns países selecionados em sete pilares considerados fundamentais para a atratividade de um polo de investimentos e negócios. Para preparar este material, a BRAiN realizou, com o apoio do The Boston Consulting Group, um trabalho de extensa pesquisa e análise. O resultado é este documento que detalha a atratividade do Brasil como um polo de investimentos e negócios na América Latina, define indicadores para o acompanhamento dinâmico da posição do País e identifica possíveis próximos passos e iniciativas para fomentar esse posicionamento.

Criada em 2010, a BRAiN tem como objetivo assegurar a materialização de uma visão multissetorial da América Latina como uma rede regional de negócios fortemente interconectada, dentro da qual o Brasil deve atuar como um dos polos proeminentes. Mais informações sobre a BRAiN e sua visão se encontram no site www.brainbrasil.org.


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ÍNDICE Sumário executivo

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Painel de indicadores da atratividade brasileira

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01 Ambiente macroeconômico

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02 Ambiente institucional

40

03 Talentos e capital humano

54

04 Infraestrutura física

70

05 Infraestrutura financeira

86

06 Conectividade 102 07 Imagem do país

124

Apêndice: detalhamento dos indicadores

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SUMário executivo A atratividade do Brasil para realização de investimentos e negócios é assunto recorrente e de grande relevância. A BRAiN – Brasil Investimentos & Negócios, dentro das suas atribuições para articular e catalisar a criação de um polo brasileiro de projeção internacional, realiza esta segunda edição do relatório Atratividade do Brasil como polo de investimentos e negócios, publicado originalmente em 2011. Este novo estudo, subsidiado por extensa pesquisa e análise de dados, reexamina os sete pilares que constituem a visão BRAiN dos pré-requisitos fundamentais para a formação e a excelência de um polo atrativo de investimentos e negócios: ambiente macroeconômico, ambiente institucional, talentos e capital humano, infraestrutura física, infraestrutura financeira, conectividade e imagem do país. O Brasil tem diversas características que o capacitam a ser um desses polos, como a força de sua economia e a sua relevância na América Latina, assim como infraestrutura financeira e estabilidade política e institucional. Para aumentar sua preponderância no contexto internacional, ainda há diversos desafios a serem trabalhados, como a qualidade do ensino, a racionalização do sistema tributário e o investimento na infraestrutura de transportes. Tais fatores representam, em última análise, um custo adicional para a realização de investimentos e negócios no País. No entanto, observando os avanços da última década, incluindo a resiliência às recentes crises, a perspectiva se torna positiva para o Brasil. A seguir, os principais pontos de cada um dos pilares avaliados: 1) Ambiente macroeconômico: o Brasil é atualmente uma economia forte, com relevância mundial – em 2011 tornou-se a sexta maior economia global em termos de PIB nominal. Além disso, mostra-se estável, com inflação abaixo de dois dígitos desde 2003, tendo média do IPCA1 de 5,8% no período entre 2002 e 2011, e menor volatilidade do câmbio ao longo dos cinco últimos anos. Também apresentou uma relativa resistência aos efeitos da crise econômica mundial, crescendo 4,4% por ano entre 2006 e 2010. No entanto, a redução do crescimento para 2,7% em 2011 é um sinal de que ainda há desafios para se manter o crescimento sustentado sem aumento de inflação, razão pela qual deve-se buscar um novo modelo de crescimento, que não seja tão dependente do consumo, como foi recentemente.

Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, utilizado oficialmente pelo governo brasileiro para medições de inflação desde 1999

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Para continuar essa trajetória positiva de crescimento, é fundamental que o País aumente sua capacidade de investimento. No período de 2002 a 2011, a taxa média de investimento sobre o PIB foi de 17,3%, abaixo de países como China e Índia (41,5% e 29,9%, respectivamente) e, em menor grau, de países latino-americanos como Chile e México, com 21,4% e 20,6%, respectivamente. O aumento da taxa de investimento é especialmente crítico, dada a baixa taxa média de poupança interna brasileira de 19% de 2008 a 2011. Isso faz com que a atração de investimento estrangeiro seja chave para o crescimento futuro. A manutenção da redução do déficit público nominal, que apresenta uma trajetória de queda – passou de 4,5% do PIB em 2002 para 2,6% em 2011 –, e da disciplina fiscal, bases para a contínua estabilidade econômica e a atração de capitais estrangeiros, torna-se fundamental para o aumento da taxa de investimento e, consequentemente, o crescimento nos próximos anos. 2) Ambiente institucional: o Brasil já conquistou marcos importantes em seu sistema político. Consolidou-se como uma democracia com eleições diretas, regulares e multipartidárias, além de não registrar qualquer sinal de conflito, tanto interno quanto externo.

World Competitiveness Yearbook 2012, pesquisa realizada anualmente em nível mundial com respondentes de alta e média gerência de 59 países

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Em relação aos aspectos institucionais ligados à economia, no entanto, apresenta importantes desafios, especialmente no tocante ao seu intrincado sistema tributário e à burocracia. Quanto ao sistema tributário, cabe mencionar a complexidade para as empresas no pagamento de tributos como o ICMS, ISS, PIS e COFINS. Além desse fator, a burocracia também representa um entrave claro às atividades empresariais, sendo o Brasil mais burocrático que países como China e México, e distante dos principais polos de investimentos e negócios – como Reino Unido e Estados Unidos –, de acordo com pesquisa do IMD2. Como ilustração, pode ser citado o processo de abertura de empresas, que em São Paulo, em média, leva longos 119 dias, com grande número de etapas e procedimentos descentralizados entre as esferas municipal, estadual e federal.

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Contudo, avanços existem e devem ser reforçados no futuro, como a iniciativa do governo de Minas Gerais de otimizar o processo de abertura de empresas, modelo que se mostrou bem sucedido. Pretende-se implantá-lo em mais oito estados em 2012. Além da racionalização da burocracia, houve um passo adicional no contexto institucional com a melhoria da transparência de dados governamentais conforme a Lei 12.527/11, que regulamentou a obrigatoriedade da divulgação de informações públicas, incluindo os rendimentos do funcionalismo público. 3) Talentos e capital humano: o Brasil possui uma base demográfica sólida e positiva, sendo a maior economia do mundo a apresentar crescimento da população economicamente ativa em um patamar suficiente para suprir o crescimento esperado na demanda por trabalhadores nos próximos anos. Para alavancar tal fator e aumentar a atratividade do Brasil, é preciso evoluir significativamente na formação de mão de obra qualificada. As taxas líquidas de matrícula do ensino primário (1ª a 5ª série) de 87% e do ensino secundário (6ª série até o fim do ensino médio) de 69% aproximam-se da média global. Contudo, não implicam em boa qualidade de ensino. Para ilustrar esse aspecto, o País registrou uma das piores notas no PISA3, avaliação internacional realizada em 2009, com pontuação média de 401, inferior à media de 497 pontos dos países da OCDE e 468 do total dos países avaliados. Para o ensino médio, os alunos também tiveram desempenho insatisfatório na Prova Brasil de 2011, apresentando resultado abaixo da faixa esperada e essencialmente inalterado em relação a 2009. Em relação ao ensino superior, a taxa líquida de matrícula encontra-se em 27%, inferior à média global de 40%, e possui a mesma deficiência em qualidade apresentada nos ensinos fundamental e médio. Em relação ao alinhamento do ensino superior com o mercado, pesquisa do IMD4 indica que o Brasil é o pior dentre os treze países objeto de comparação. Além disso, com base no Índice Geral de Cursos de 2010, publicado pelo Ministério da Educação com o objetivo de avaliar o ensino superior, apenas 9% dos cursos analisados possuem boa classificação5. Mas o governo brasileiro está trabalhando por mudanças, com esforços na concessão de bolsas e investimentos em ensino técnico, com programas como o PROUNI, responsável por 195 mil bolsas no ensino superior no primeiro semestre de 2012, e o PRONATEC, criado no final de 2011 para promover o ensino técnico. Além disso, iniciativas privadas também têm acontecido para a formação de pessoas com o conhecimento necessário às suas atividades. Contudo, é preciso um esforço contínuo, com efeitos de longo prazo, para tirar proveito dessa vantagem demográfica e preparar adequadamente a população brasileira às exigências do mercado de trabalho.

Programme for International Student Assessment: prova periodicamente aplicada pela OCDE a estudantes de 15 anos (equivalente à 9ª série) de 65 países. 4 World Competitiveness Yearbook 2012, pesquisa realizada anualmente em nível mundial com respondentes de alta e média gerência de 59 países 5 Escolas que apresentaram classificação entre 4 e 5, de uma escala que varia de 1 a 5, sendo quanto maior, melhor 3


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Na Área de transportes, existem gargalos evidentes de infraestrutura, fruto da redução de investimentos no setor desde a década de 1970, os quais correspondiam a 5,4% do PIB, volume que caiu para 2,1% na década de 2000

4) Infraestrutura física: em seus centros urbanos, o Brasil apresenta oferta satisfatória de serviços básicos, com 99% da população urbana com acesso a fontes de água e 85% a saneamento básico. Assim, o Brasil já se encontra em nível próximo ao de países desenvolvidos e tem desempenho superior aos demais BRICs. No entanto, em relação às demais dimensões, o Brasil ainda tem desempenho ruim. Na área de transportes, existem gargalos evidentes de infraestrutura, fruto da redução de investimentos no setor desde a década de 1970, os quais correspondiam a 5,4% do PIB, volume que caiu para 2,1% na década de 2000. Isso gera uma desvantagem sobre os países desenvolvidos que já possuem infraestrutura estabelecida, ou mesmo em relação a países emergentes como a China, com gasto aproximado de 11% do PIB em 2010, e a Índia, que investiu 5,1% entre 2004 e 2008 e estabeleceu plano de 7,6% para o período de 2008 a 2012. Trabalhar esse desafio faz parte da agenda atual do governo brasileiro, inclusive com maior abertura à participação da iniciativa privada. As concessões para a operação privada dos aeroportos de Cumbica (SP), Viracopos (SP) e Juscelino Kubitschek (DF), realizadas no primeiro semestre de 2012, ilustram essa maior abertura ao investimento privado em infraestrutura física. Adicionalmente, outras concessões e parcerias público-privadas (PPPs) estão programadas para os próximos anos. O Programa de Investimentos em Logística, anunciado em agosto de 2012, indica oportunidades claras para os setores rodoviário, ferroviário, portuário e aeroportuário. Além de atrair investimentos e gerar empregos, as obras em tais setores também trarão benefícios para aumentar a competitividade do País como polo de investimentos e negócios. 5) Infraestrutura financeira: o Brasil possui uma regulação financeira sólida e reconhecida internacionalmente, com regras prudenciais que oferecem, por exemplo, uma boa proteção contra esquemas fraudulentos no mercado de capitais, como o caso Madoff. De todos os pilares, este é provavelmente aquele onde o Brasil mais se destaca vis-à-vis outros polos de investimentos e negócios. Foi em grande parte devido à solidez da sua infraestrutura bancária que o Brasil resistiu tão bem à crise financeira de 2008.


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No âmbito do financiamento das empresas, cabe ressaltar que nos últimos anos houve um crescimento do crédito bancário concedido e diversificação de suas fontes, notadamente através do mercado de ações, mas ainda há oportunidade de maior diversificação dos instrumentos usados. Espera-se que com a queda em curso da taxa real de juros haja maior impulsão, por exemplo, do mercado de debêntures. Essa alternativa de financiamento ainda é pouco usada se comparada a outros países: em relação ao PIB, ela representa menos de 1%, enquanto que esse valor sobe para 36% para a Coreia do Sul. Além disso, o seu crescimento em termos reais no Brasil – de aproximadamente 4% ao ano de 2004 até 2011 – foi baixo em comparação, por exemplo, à expansão do crédito bancário de 15% ao ano durante o mesmo período. Com isso, o mercado, ao buscar replicar a iniciativa de sucesso de autorregulação do Novo Mercado6 à emissão privada de dívida, organizou e estabeleceu incentivos adicionais para adoção dessa forma de financiamento. 6) Conectividade: o Brasil possui grande representatividade na América Latina na captação de investimento estrangeiro direto (IED), com 41,1% do total destinado à região em 2011, o que o posiciona como principal alvo das grandes empresas norte-americanas, europeias e asiáticas. No entanto, ainda há espaço para crescimento, pois o Brasil atrai proporcionalmente menos investimentos diretos do que sua parcela no PIB da região. Ponderando a representatividade de seu IED pela do seu PIB na região7 chega-se a um fator de 0,95. Este mesmo indicador é de 3,13 para o Chile.

6 Segmento de listagem de ações na BM&FBOVESPA que estabelece padrões mais elevados de governança corporativa que aqueles estabelecidos em lei 7

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Média de 2009 a 2011

Importações de bens cresceram 16,7% e serviços 19,7% no mesmo período

Em relação ao fluxo de bens e de serviços, as exportações cresceram 12,4% e 12,5% ao ano entre 2007 e 20118, respectivamente, acima das taxas registradas pelo mundo e pela América Latina. Mas a representatividade do Brasil no comércio internacional é baixa, com participação próxima a 1% do total global. Para impulsionar tanto os fluxos de capitais como o de bens e serviços, o Brasil poderia promover maior integração através de acordos internacionais, de forma a flexibilizar a política protecionista ainda existente no País.

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Há uma oportunidade única para que o Brasil, nos próximos anos, consiga promover seus aspectos positivos no exterior, por conta da exposição que terá com a Copa do Mundo de Futebol e a Olimpíada

7) Imagem do país: o Brasil apresenta imagem positiva como um lugar para se fazer turismo, conforme The Anholt-GfK Roper Nation Brands Index, e cidades como São Paulo e Rio de Janeiro são reconhecidas como algumas das melhors opções para se fazer negócios na América Latina, de acordo com o ranking elaborado pela revista America Economia. Neste último ponto, o Brasil poderia se empenhar mais para a sua promoção em um contexto mais amplo. Esforços de divulgação ainda são limitados, podendo ser citadas iniciativas como o BEST BRASIL, que apresenta o mercado financeiro e de capitais nacional para investidores estrangeiros, e a APEX, que tem o objetivo de promover o comércio exterior do País. Há uma oportunidade única para que o Brasil, nos próximos anos, consiga promover seus aspectos positivos no exterior, por conta da exposição que terá com a Copa do Mundo de futebol e a Olimpíada, que atrairão público estimado de 600 mil pessoas em 2014 e 380 mil em 2016, respectivamente. Com a imagem bem divulgada nesses eventos esportivos, o atual fluxo de turistas, de 5,4 milhões em 2011, poderia alcançar um patamar mais elevado e o País poderia melhorar a sua imagem no exterior como alternativa de lazer e, mais importante, como destino para a realização de negócios. Na sequência, apresentamos painel de indicadores com a análise comparativa do Brasil em relação a 13 países nas 57 dimensões dos sete pilares de atratividade. Nos capítulos seguintes, aprofundamos a discussão sobre a situação do Brasil como polo de investimentos e negócios em cada uma destas dimensões e pilares.


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Painel de indicadores da atratividade brasileira

Para analisar a atratividade de um polo foram consideradas duas principais vertentes: as características intrínsecas do país e a sua conectividade. As características intrínsecas definem como atrativo o país por si só: uma economia forte, suas infraestruturas física, financeira, jurídica e regulatória e uma população capacitada. Já a conectividade do país, ou seja, seus fluxos, define a atratividade da rede à qual pertence, reflexo da qualidade e na quantidade das conexões intrarregionais e com outros polos relevantes do mundo. Juntas, essas vertentes compõem a atratividade do país como polo e permitem que a nação possa competir pela atração de recursos, para si e para sua região de influência, diante de outros polos mundiais. Tais características foram detalhadas em sete pilares e constituem a visão BRAiN dos pré-requisitos fundamentais para a formação e a excelência de um polo atrativo de investimentos e negócios: ambiente macroeconômico, ambiente institucional, talentos e capital humano, infraestrutura física, infraestrutura financeira, conectividade e imagem do País (veja Diagrama 1).


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DIAGRAMA 1

Sete pilares que fundamentam a formação e excelência de um polo de investimentos e negócios

ambiente macroeconômico

Um crescimento econômico contínuo e regular e uma baixa incerteza sobre os níveis de taxa de juros ou sobre a taxa de câmbio são exemplos das condições que alicerçam o desenvolvimento de investimentos e negócios em um país

AMBIENTE INSTITUCIONAL

A capacitação de um país como polo, principalmente em relação a outros centros, também reside em um estado de Direito sólido, na possibilidade dada aos agentes econômicos de cumprirem rapidamente suas obrigações e na transparência e eficiência dos processos administrativos

TALENTOS E CAPITAL HUMANO

Um conjunto de talentos suficiente tanto em termos quantitativos quanto qualitativos, um forte alinhamento entre as capacidades acadêmicas e as necessidades do mercado de trabalho e a possibilidade de se atrair especialistas de fora do país são alguns dos requisitos a serem cumpridos por um postulante a polo internacional

INFRAESTRUTURA física

Opções de transporte multimodais que permitam a entrada e a saída do polo, bem como a movimentação interna, e o acesso a uma rede de telecomunicações competitiva em desempenho e em custos são elementos evidentes entre os fatores de sucesso de um polo

INFRAESTRUTURA FINANCEIRA

A presença de intermediários financeiros capacitados, o acesso contínuo a diversas fontes de financiamento e a existência de instrumentos para a mitigação de riscos ajudam diretamente o desenvolvimento de um polo de investimentos e negócios

CONECTIVIDADE

Um elemento vital para nutrir continuamente os investimentos e negócios de um polo é o fluxo intenso de bens e serviços e de movimentação de capitais e pessoas

IMAGEM DO PAÍS

A percepção positiva externa sobre as condições gerais de um país representa um ativo importante para a consolidação de um polo, em particular para atrair talentos e empresas

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Com esse ponto de partida, para cada um dos sete pilares foi criado um painel para permitir a fácil comparação da situação brasileira com outros 13 países. Os painéis são compostos por 57 dimensões ao todo e representam os principais aspectos analisados neste relatório. O objetivo é acompanhar a evolução do Brasil ao longo dos anos, de forma a seguir mapeando os próximos passos necessários ao aumento da atratividade brasileira como polo de investimentos e negócios. Para a sua construção, foram consideradas a qualidade das fontes, a disponibilidade de dados para diferentes países e a possibilidade de monitoramento contínuo ao longo dos anos. A definição dos países para comparação baseou-se na busca por exemplos que operam como polos de investimentos e negócios: Estados Unidos, Reino Unido, Hong Kong e Cingapura; países desenvolvidos: França, Alemanha, Japão e Coreia do Sul; e países que compartilham com o Brasil o status de emergentes: Rússia, Índia, China, Chile e México. A distribuição dos países ao longo da régua de cada indicador e sua classificação como “excelente”, “bom”, “a desenvolver” e “crítico” obedecem a um de dois racionais: (1) quando existente, o consenso social, político ou econômico publicamente estabelecido e, em caso de não existência de consenso, (2) foi utilizada a média da população como divisora dos níveis “bom” e “a desenvolver” e a média somada ou subtraída de um desvio padrão como divisora das categorias “excelente” e “crítico”. O detalhamento sobre as fontes dos indicadores e os critérios para a distribuição dos países em cada indicador estão disponíveis no Apêndice deste relatório.

AMBIENTE MACROECONÔMICO crítico

1.

CRESCIMENTO ECONÔMICOP

2.

ESTABILIDADE MONETÁRIA

3.

SOLIDEZ FISCALP

a desenvolver

bom

deu GBR fra

USA

SGP

KOR RUS

JPN

excelente

BRA

CHL

CHN

MEX HKG

IND

BRA IND

RUS

MEX HKG KOR

USA FRA

JPN

P

CHN

CHL GBR SGP

DEU

BRA JPN

FRA

USA SGP

DEU

MEX HKG KOR

IND

CHN

RUS

GBR

CHL

BRA

4.

CHL

VULNERABILIDADE EXTERNA

MEX KOR

IND

RUS

HKG CHN

SGP

BRA

5.

VOLATILIDADE ECONÔMICA

6.

DESENVOLVIMENTO HUMANO

HKG

USA

GBR

SGP DEU JPN CHL

RUS

CHN KOR

MEX

IND

FRA

BRA IND

CHN

RUS MEX

CHL

SGP

FRA

HKG DEU KOR JPN USA

GBR

BRA

7.

DISTRIBUIÇÃO DE RENDA

CHL MEX

HKG

RUS SGP

PAÍSES EMERGENTES

PRINCIPAIS POLOS INTERNACIONAIS

P: Indicador baseado em dados projetados.

USA CHN

GBR IND

OUTROS PAÍSES DESENVOLVIDOS

KOR FRA

DEU

JPN


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

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AMBIENTE INSTITUCIONAL crítico

1.

a desenvolver IND

ESTABILIDADE POLÍTICA

bom

BRA

RUS CHN

USA

MEX

KOR

excelente

CHL

GBR

DEU HKG

FRA

JPN

SGP

BRA

2.

QUALIDADE REGULATÓRIA

3.

SEGURANÇA JURÍDICA

RUS

CHN

MEX

JPN

IND

FRA USA DEU GBR HKG

KOR

CHL

SGP

BRA RUS

MEX

CHN

IND

KOR

CHL JPN

FRA USA SGP HKG DEU GBR

BRA

4.

FLEXIBILIDADE DO MERCADO DE TRABALHO1

5.

FACILIDADE DE ABRIR NEGÓCIOS1

6.

FACILIDADE PARA EMPRESAS PAGAREM IMPOSTOS

FRA

DEU MEX

KOR

CHN

RUS

CHL

JPN

gbr

IND

HKG

BRA RUS

CHN

KOR

IND

CHL MEX

SGP JPN GBR

FRA USA

BRA RUS

MEX JPN CHN

PAÍSES EMERGENTES

CHL

PRINCIPAIS POLOS INTERNACIONAIS

1: Dados não atualizáveis em relação ao Relatório de Atratividade 2011.

USA SGP

IND KOR USA DEU

FRA

GBR

HKG SGP

OUTROS PAÍSES DESENVOLVIDOS


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ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

TALENTOS E CAPITAL HUMANO crítico

1.

CONTINGENTE DEMOGRÁFICO

2.

QUANTIDADE DE ENSINO PRIMÁRIO E SECUNDÁRIO

P

CHN

a desenvolver

KOR DEU

FRA

JPN

bom

USA GBR

excelente

BRA

IND

MEX

RUS

BRA IND

HKG

CHN CHL

MEX

SGP DEU FRA

USA

RUS

KOR GBR JPN

BRA

3.

MEX CHL

QUALIDADE DO ENSINO PRIMÁRIO E SECUNDÁRIO1

RUS

FRA

DEU CHN

JPN KOR HKG

USA GBR

SGP

BRA

4.

QUANTIDADE DE ENSINO SUPERIOR

5.

ALINHAMENTO DO ENSINO SUPERIOR COM O MERCADO

6.

INTERNACIONALIZAÇÃO DE ESTUDOS (IDIOMAS E VIVÊNCIA)

7.

DISPONIBILIDADE DE GESTORES E ENGENHEIROS DE QUALIDADE

8.

INTENSIDADADE DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO

9.

ATRATIVIDADE DO PAÍS PARA TALENTOS INTERNACIONAIS

IND

CHN

MEX

FRA HKG JPN SGP RUS

DEU

USA

KOR

GBR CHL

BRA JPN CHN KOR RUS

IND CHL FRA

USA HKG

GBR

DEU

SGP

MEX

BRA JPN

CHL CHN

USA

IND

FRA

KOR

GBR

DEU

SGP HKG

MEX RUS

BRA KOR CHN

DEU JPN

GBR

IND

RUS

CHL FRA

SGP

HKG

USA

BRA IND CHL

CHN

HKG

GBR

RUS

FRA

DEU

SGP

JPN

KOR

BRA JPN

MEX

FRA KOR

DEU HKG

RUS

CHN

IND

CHL GBR

USA SGP

BRA COMPLEXIDADE

10. DE IMIGRAÇÃO DE TALENTOS

KOR

JPN RUS CHN

SGP DEU

IND

FRA

GBR

MEX

CHL

USA

HKG

BRA

11. GESTÃO DA DIÁSPORA PAÍSES EMERGENTES

GBR

DEU

CHL RUS

SGP

HKG

IND

PRINCIPAIS POLOS INTERNACIONAIS

P: INDICADOR BASEADO EM DADOS PROJETADOS. 1: Dados não atualizáveis em relação ao Relatório de Atratividade 2011.

OUTROS PAÍSES DESENVOLVIDOS


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

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INFRAESTRUTURA FÍSICA crítico

1.

MOBILIDADE URBANA1

2.

QUALIDADE DE TRANSPORTE AÉREO

3.

QUALIDADE E CUSTO DE TELECOMUNICAÇÕES

BRA IND

a desenvolver

CHN

bom

FRA RUS

excelente

DEU

GBR

USA

MEX

BRA RUS

CHN

MEX

JPN

KOR

CHL

IND

USA

FRA

DEU

SGP

GBR

HKG

BRA MEX

CHN RUS

IND

JPN GBR

FRA CHL DEU USA

SGP KOR HKG

BRA

4.

DISPONIBILIDADE ENERGÉTICA

5.

OFERTA DE SERVIÇOS BÁSICOS À POPULAÇÃO URBANA1

IND

MEX CHL

GBR

CHN USA

KOR

JPN

DEU FRA SGP HKG

RUS

BRA IND

PAÍSES EMERGENTES

CHN RUS

PRINCIPAIS POLOS INTERNACIONAIS

1: Dados não atualizáveis em relação ao Relatório de Atratividade 2011.

MEX

OUTROS PAÍSES DESENVOLVIDOS

SGP GBR USA JPNFRADEU

CHL KOR


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ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

INFRAESTRUTURA FINANCEIRA crítico

1.

a desenvolver RUS

EFETIVIDADE DA REGULAÇÃO FINANCEIRA

CHN

bom GBR DEU FRA MEX

excelente

BRA

USA

IND

CHL SGP HKG

JPN KOR

UTILIZAÇÃO DE RECURSOS FINANCEIROS

BRA

2.

DEU CHN

BOLSA DE VALORES

IND JPN

MEX RUS

KOR

USA

CHL

GBR SGP

HKG

FRA

BRA

3.

DEBÊNTURES

SGP IND

MEX

HKG

CHN

FRA

CHL

JPN

USA

KOR

DEU

GBR

BRA

4.

KOR DEU

CRÉDITO PJ

SGP

FRA

USA

CHN

GBR IND

BRA

5.

PARTICIPAÇÃO DE JPN KOR RUS EMPRESAS REGIONAIS E INTERNACIONAIS NA BOLSA CHN

6.

DISPONIBILIDADE DE SERVIÇOS FINANCEIROS

7.

LIQUIDEZ DAS BOLSAS DE VALORES

USA

IND

FRA

CHL

MEX SGP GBR

HKG

BRA MEX

KOR

RUS

IND

FRA

JPN

CHN

CHL USA DEU

GBR

HKG SGP

BRA CHL

MEX

FRA

IND

JPN RUS GBR HKG USA KOR

SGP

CHN

DEU

BRA

8.

PROJEÇÃO COMO IFC

IND

RUS

MEX

CHN

KOR

FRA JPN DEU

HKG SGP

PAÍSES EMERGENTES

PRINCIPAIS POLOS INTERNACIONAIS

OUTROS PAÍSES DESENVOLVIDOS

GBR USA


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

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CONECTIVIDADE crítico

BRA

1.

ABERTURA INTERNACIONAL PARA BENS1

2.

COMÉRCIO DE BENS

3.

ABERTURA INTERNACIONAL PARA SERVIÇOS1

4.

COMÉRCIO DE SERVIÇOS

5.

FLUXO DE CAPITAIS

6.

ACORDOS DE ABERTURA PARA CAPITAIS1

7.

REGULAÇÃO PROMOTORA DE ABERTURA A CAPITAIS1

8.

EXPANSÃO DE MULTINACIONAIS DO PAÍS

9.

FACILIDADE DE ENTRADA DE MULTINACIONAIS ESTRANGEIRAS1

10.

RECEPÇÃO DE IMIGRANTES1

MEX

a desenvolver

IND

bom

RUS

KOR

excelente

JPN DEU CHN

SGP

CHL USA

HKG

GBR FRA

COMÉRCIO

BRA USA

JPN

IND

GBR RUS

CHN

MEX CHL

DEU KOR

SGP

HKG

FRA

BRA IND CHL

SGP

MEX CHN

KOR

FRA GBR

HKG

USA

DEU JPN

BRA MEX

JPN CHN

USA

CHL FRA

DEU

IND

HKG

GBR

KOR

SGP

RUS

BRA JPN IND DEU

USA

FRA

RUS GBR

CHL

SGP

HKG

KOR MEX CHN

CAPITAL

BRA JPN

SGP MEX

USA CHL KOR CHN FRA

HKG

RUS IND

DEU

GBR

BRA CHN RUS

KOR

JPN FRA MEX

USA

CHL

IND

GBR SGP

HKG

DEU

EMPRESAS

BRA RUS CHL SGP IND

MEX

CHN

HKG

DEU FRA GBR

JPN

USA

KOR

BRA CHN MEX RUS KOR

IND FRA USA

GBR

SGP JPN

CHL

PESSOAS

BRA CHN

IND MEX

KOR

JPN CHL

RUS GBR DEU

HKG

FRA USA

SGP

BRA

11.

CHL

MOBILIDADE DE PESSOAS

PAÍSES EMERGENTES

MEX

HKG SGP KOR JPN

PRINCIPAIS POLOS INTERNACIONAIS

1: Dados não atualizáveis em relação ao Relatório de Atratividade 2011.

IND

CHN

OUTROS PAÍSES DESENVOLVIDOS

RUS

USA DEU FRA GBR


24

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

IMAGEM DO PAÍS crítico

a desenvolver

bom

BRA

CHL CHN

IMAGEM NO ÂMBITO

1. DOS NEGÓCIOS

KOR

MEX IND

excelente

SGP

GBR USA

RUS

FRA JPN DEU

BRA

2.

INTERESSE ESTRANGEIRO EM NEGÓCIOS E INVESTIMENTOS NO PAÍS

3.

ATRATIVIDADE PARA EVENTOS INTERNACIONAIS

4.

SUSTENTABILIDADE

5.

QUALIDADE DE VIDA

6.

ABERTURA CULTURAL

7.

SEGURANÇA PESSOAL E PATRIMONIAL

8.

IMAGEM NO ÂMBITO DE LAZER E TURISMO

CHL

KOR MEX

DEU HKG

SGP

CHN

GBR

IND

RUS JPN FRA

USA

BRA RUS HKG CHL

SGP

IND

MEX JPN

DEU

FRA

KOR CHN

USA

GBR

BRA IND CHN RUS

MEX

CHL

SGP KOR

DEU GBR

JPN

FRA

USA

BRA CHN IND RUS

KOR HKG CHL

GBR

JPN USA SGP

MEX

DEU

FRA

BRA FRA

JPN RUS

KOR

DEU

CHN

GBR

IND

CHL

SGP

HKG

USA MEX

BRA RUS

MEX

KOR

IND

CHL FRA GBR

USA DEU

JPN

CHN

SGP

HKG

BRA CHL SGP

RUS CHN

MEX

KOR

JPN

DEU USA GBR FRA

IND

BRA

9. INTENSIDADE DE TURISMO

CHL

IND

JPN

SGP KOR

PAÍSES EMERGENTES

PRINCIPAIS POLOS INTERNACIONAIS

RUS HKG MEX DEU GBR OUTROS PAÍSES DESENVOLVIDOS

CHN USA

FRA


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

25


26

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

01

Ambiente Macroeconômico

Para avaliar a atratividade de um polo de investimentos e negócios, é imprescindível identificar o entorno macroeconômico do país. Aqueles que possuem uma economia com crescimento sustentado, estável e com condições adequadas de financiamento conseguem alavancar a força dos negócios locais e estabelecer um círculo virtuoso sobre a economia. Nesse capítulo, analisamos o desempenho do ambiente macroeconômico brasileiro em três aspectos – crescimento, previsibilidade e financiamento.

Principais aspectos do pilar ambiente macroeconômico Crescimento: o tamanho da economia e as condições para garantir seu crescimento de longo prazo são fundamentais para a expansão dos negócios e a melhoria de vida da população. Previsibilidade: é crítica para gerar confiança e assegurar a materialização de investimentos pelos agentes econômicos. Financiamento: a capacidade de financiamento tem grande relevância para a manutenção de um ambiente macroeconômico favorável.

Crescimento O Brasil continua como destaque no contexto mundial, seguindo tendência que vem se consolidando nos últimos anos. Em 2011, o País passou o Reino Unido em termos de PIB nominal, tornando-se a sexta maior economia do mundo. Apesar de um crescimento de 2,7% em 2011, menor que a média de 4,4% ao ano registrada entre 2006 e 2010, a perspectiva positiva se mantém no futuro, com projeção de subida de mais uma posição no ranking de maiores economias até 2020 (veja Diagrama 2).


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

27

DIAGRAMA 2

Entorno macroeconômico sólido é chave para ambiente favorável aos negócios

1980

Brasil passa o Reino Unido em 2011, tornando-se a 6ª maior economia do mundo

Além disso, cresce a taxas satisfatórias, apesar da desaceleração recente

RANKING MUNDIAL DE PIB (US$)1

Crescimento de países selecionados 1996-2011

1990

2000

2010

2011

2020

2030 15

1.

Crescimento brasileiro é, além disso, estável. Coeficiente de variação (2006-2010) Brasil: 0,67 China: 0,19 USA: 3,73

2. 3. 4.

TACC por período %

11,20

10

9,76

5.

9,20 8,63

6. 7. 8.

5

4,45

4,30

9.

2,78

10. 2,02

1,74

11.

0,73

0

12.

2,74

2,39

BRA CHN USA BRA CHN USA BRA CHN USA BRA CHN USA 1996-2000

2001-2005

2006-2010

2010-2011

1. Ranking realizado com base no PIB Nominal dos países calculado em dólares com base na cotação de câmbio média do ano Nota: conforme dados mais recentes extraídos do EIU em maio de 2012. / Fonte: EIU CountryData; análise BCG

Índice com variação de 0 a 1, sendo a maior pontuação a pior, por indicar maior desigualdade

9

Fonte: De volta ao país do futuro: crise europeia, projeções e a nova classe média, 2012, Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas

10

Com esse aumento do PIB, também ocorreu uma melhor distribuição de renda, medida pelo Índice de Gini9. Em 2002, o índice para o Brasil era de 0,59 e, em 2012, é esperado que esse valor atinja 0,5210. Ainda assim, o País apresenta uma desigualdade social elevada em comparação com países mais desenvolvidos, como Alemanha e França, ou até com países emergentes, como Índia e China, que contam com pontuações bem mais baixas: 0,28; 0,33; 0,37 e 0,42, respectivamente.


28

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

A distribuição de renda também foi refletida no crescimento da classe média11, que representava 55% da população em 2011, em comparação com 38,6% registrados em 200212. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho13, contribuíram para essa melhoria do processo distributivo o comportamento favorável da economia, a geração de emprego formal14 e o aumento real do salário mínimo15. Apesar da melhora na distribuição de renda, o Brasil ainda tem amplo espaço para melhoria em relação ao Índice de Desenvolvimento Humano. Calculado com base em critérios como renda, educação e expectativa de vida, o índice varia de 0 a 1, sendo a maior pontuação, a melhor. O Brasil apresentou avanços, saindo de 0,665 em 2000 para 0,718 em 2011, mas atualmente ainda ocupa a 84ª posição entre 187 nações pesquisadas16.

11

Famílias que ganham entre R$1.200 e R$5.174 por mês, a preços de 2011

12 Fonte: A nova classe média: o lado brilhante da base da pirâmide, 2011, Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas 13 Fonte: Perfil do trabalho decente no Brasil: um olhar sobre as unidades da Federação, 2012

Entre 2003 e 2010, houve um aumento acumulado de 53,6% de trabalhadores em postos formais

14

Entre abril de 2003 e janeiro de 2010, o aumento real acumulado do salário mínimo foi de 53,7%

15

Em relação a dados de 2000, o Brasil se situava na 71ª posição do total de 153 países. Fonte: Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas – Relatório de Desenvolvimento Humano 16

17 O Brasil está no 15º lugar no ranking de produtividade da América Latina e na 75ª posição mundial. Fonte: The Conference Board

Nessa última década, portanto, foi perceptível um ciclo positivo de crescimento no Brasil. No entanto, o referido crescimento de 2,7% em 2011 indica que ainda existem desafios no caminho, especialmente no que se refere à capacidade de investimento, traduzida na formação bruta de capital fixo. Estima-se que seja necessária uma taxa de investimento sobre o PIB por volta de 22% para manter o crescimento sustentado de 4% ao ano. De 2002 a 2011, a taxa média ficou em 17,3% para o Brasil, enquanto China e Índia atingiram uma média de 41,5% e 29,9%, respectivamente. Mesmo em relação a outros países latino-americanos, o País apresenta posição desfavorável, visto que o Chile apresentou percentual de 21,4% e o México, 20,6%. Portanto, será fundamental que o País equacione a sua taxa de investimento a fim de garantir um crescimento mais elevado e sustentado no futuro. Além disso, um dos grandes desafios do Brasil nos próximos anos, em termos macroeconômicos, é resolver o paradigma do crescimento baseado no consumo. Apesar de ter ajudado o País durante a crise de 2008, a continuidade desse modelo pode gerar resultados indesejados. A taxa de desemprego, em níveis historicamente reduzidos menos de 6% -, emite um alerta para a continuação da política de expansão com base no consumo: a menor produtividade17 dos trabalhadores que vêm sendo contratados contrapõe-se aos altos salários que estão sendo pagos por uma economia aquecida. O resultado deste processo é um produto caro e pouco competitivo, mas que continua a ter mercado internamente por conta de proteções por tarifas de importação. A continuidade de um modelo de aquecimento de demanda requererá recursos mais caros e, no limite, pode gerar um aquecimento inflacionário. A solução para essa situação pode passar por três ações: a primeira é adequar a expansão de crédito e consumo, com políticas fiscais mais restritas que objetivem não acelerar demais a demanda e não pressionar um processo inflacionário; a segunda é melhorar a produtividade do trabalhador brasileiro, investindo em educação e facilitando a entrada de trabalhadores estrangeiros qualificados em setores onde há falta de mão de obra no Brasil, como se verá no capítulo Talentos e capital humano; e a terceira, trabalhada mais à frente, são as políticas voltadas a aumentar a poupança e o investimento no País.

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ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

a implantação formal de metas de inflação em 1999 foi um grande marco institucional e ainda se constitui como um pilar fundamental da política macroeconômica atual

Previsibilidade A inflação é um dos principais fatores que acabam influenciando a previsibilidade da economia. Após o Brasil apresentar uma hiperinflação na década de 1980, houve uma importante reforma na década de 1990 que conteve o processo inflacionário inercial. Além disso, a implantação formal de metas de inflação em 1999, que proporcionou maior previsibilidade e alinhou as expectativas dos agentes econômicos, foi um grande marco institucional e ainda se constitui como um pilar fundamental da política macroeconômica atual. Como resultado, de 2002 a 2011, a média do IPCA18 foi de 5,8%. Para 2012 a 2016, a projeção é de que o País tenha uma taxa de inflação anual média de 5,0% que, apesar de alta quando comparada com países desenvolvidos, o deixa melhor posicionado que Índia e Rússia, com previsão de 7,7% e 5,3%, respectivamente. Outro fator importante para a previsibilidade da economia é a taxa de câmbio, pois permite a redução de assimetrias de mercado e concede às empresas a estabilidade necessária para avaliar as trocas externas. Mesmo com o sistema de câmbio flutuante, a faixa de variabilidade do câmbio diminuiu nos últimos cinco anos, oscilando entre R$1,50 e R$2,40 o dólar, em comparação com o período do início da década de 2000, quando o câmbio chegou a registrar valores próximos a R$4,00 o dólar.

Condições de financiamento O estado das contas públicas de um país tem grande influência nas suas condições de financiamento. A dívida líquida do setor público, calculada sobre o percentual do PIB, apresenta um cenário positivo de queda, passando de 60,4% do PIB em 2002 para 36,4% em 2011. Em relação à dívida externa, é interessante notar que em 2006 o Brasil inverteu a situação de devedor para credor. Além disso, o déficit público vem diminuindo nos últimos anos, atingindo 2,6% do PIB em 2011 (veja Diagrama 3). Essa redução também ocorreu com a dívida pública bruta do País, passando do pico de 79,9% do PIB em 2002 para 66,2% em 2011. Na previsão para os próximos anos, o Brasil segue trajetória positiva, com expectativa de que em 2016 esse indicador fique em 58%19. Portanto, o País está correndo na direção oposta de países desenvolvidos que deverão continuar aumentado suas dívidas, como Reino Unido, França e Cingapura, que possuem previsão em torno de 90% do PIB, e Estados Unidos, que têm projeção de 113%.

18 Índice de Preços ao Consumidor Amplo, utilizado oficialmente pelo governo brasileiro para medições de inflação desde 1999

19 Fonte: Fundo Monetário Internacional (FMI)


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

31

DIAGRAMA 3

O financiamento do País evolui positivamente A dívida pública caiu de patamar nos últimos dez anos...

...assim como o déficit

Dívida líquida do setor público

Déficit público

% PIB1

60

% PIB

5,5

60,4

5,2

47,3

50

4,5 36,4

40

3,6 3,3

30 3,0

20

2,6

2,9

10

2,0

0 -10 2002

2003

2004

2005

2006

2007

26

20

16

7

-2

-16 -28 -21 -24 -36

Externa/total %

2008

Interna

2009

2010

Externa

2011

Total

0 2002

2003

2004

2005

2006

2007

1. Posição no final do ano. Corresponde ao saldo líquido do endividamento do setor público não financeiro e do Banco Central com o sistema financeiro (público e privado), o setor privado não financeiro e demais países. / Fonte: Banco Central do Brasil

2008

2009

2010

2011


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ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

Nesse sentido, um avanço institucional importante que contribuiu para esse cenário de queda foi a promulgação da Lei Complementar 101 em 2000, conhecida como Lei de Responsabilidade Fiscal, que racionalizou e estabeleceu limites aos gastos públicos (veja Quadro A). Outro fator crítico para as condições de financiamento de um país é a sua taxa de juros. O Brasil continuou a tendência de queda já observada desde 2006, que acelerou em 2012 quando o Banco Central reduziu a meta da taxa básica de juros para o menor nível da série histórica, iniciada em 1986. O Governo brasileiro tem como objetivo chegar em 2014 com taxas reais próximas a 2% ao ano, sendo que em 2006 os juros eram de 11,7% ao ano. Dessa maneira, estimula-se a atividade econômica e reduz-se o spread a ser pago pelo governo. A mudança legislativa na forma de remuneração da poupança – cuja remuneração fixa em 6,2% ao ano + TR (Taxa de Referência do Banco Central do Brasil) servia de barreira para a queda mais acentuada da taxa de juros – e a política de redução de juros adotada pelo governo abrem caminho para um financiamento mais barato, colocando o Brasil em linha com outros países como China e Rússia (veja Diagrama 4).

QUADRO A

A contribuição da Lei de Responsabilidade Fiscal para a saúde financeira brasileira

A Lei de Responsabilidade Fiscal, promulgada em 04 de maio de 2000, tem o objetivo de estabelecer limites aos gastos públicos de estados e municípios, de forma a atrelá-los à sua capacidade de arrecadação. Apoiada em quatro princípios (planejamento, transparência, controle e responsabilização), ela definiu parâmetros para a organização fiscal brasileira e foi concebida para dar maior transparência às finanças públicas e impedir que gestores públicos, ao fim do mandato, deixassem dívidas significativas para os sucessores. Com isso, o Brasil foi o primeiro país emergente a aprovar uma lei de responsabilidade fiscal e elevou significativamente o nível de maturidade do País sobre este assunto. Para continuar essa evolução, alguns passos adicionais são necessários, como a criação do Conselho de Gestão Fiscal e a imposição de limites à dívida pública federal. Além disso, a lei poderia ser aperfeiçoada no sentido de promover incentivos suficientes para que o equilíbrio fiscal de curto prazo exigido não comprometesse os investimentos necessários de longo prazo, como a aplicação de recursos em infraestrutura. Fonte: Lei de Responsabilidade Fiscal; Receita Federal; FGV Projetos


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DIAGRAMA 4

Taxa de juros apresenta tendência de queda ao longo dos anos Taxa de juros apresenta queda contínua ao longo dos anos

Brasil atinge o mesmo patamar que países como Rússia e China3

Taxa de juros1 (%)

Taxa de juros real (%)

15,3

Países emergentes Brasil

12,4 10,1

11,7

Países desenvolvidos

11,7

2,7

9,8

2,6

2,5

1,6 7,2

méxico

2,7

chile

3,7

rússia

4,8

china

0,7

5,5

brasil

6,1

EUA

8,0

reino unido

12,0

-1,9 -2,3 Taxa real

Taxa nominal

1. Taxa média do período e taxa real deflacionada pelo IPCA 2. Estimativa com base em IPCA de 5,2% e taxa de juros em 8% 3. Estimativas para 2012 conforme mediana dos dados coletados na Bloomberg em junho de 2012. / Fonte: Consultoria Tendências, Banco Central do Brasil, Bloomberg

Ao se verificar as formas de financiamento, o Brasil apresenta taxa de poupança doméstica baixa em comparação com outros países (veja Diagrama 5). Em relação à média de 2008 a 2010, esse indicador foi de 19%, enquanto que para China, Índia, Chile e México, os valores foram de 52%, 31%, 28% e 23%, respectivamente. Essa baixa taxa de poupança limita a capacidade do País de financiar o crescimento do investimento e leva à necessidade de atrair fontes externas. Nesse caso, a situação atual do Brasil para atrair recursos estrangeiros é mais favorável do que no passado: obteve a nota de “grau de investimento” por agências de classificação de risco em 2008 e o risco-país medido pelo EMBI+20 está por volta de 200 pontos desde 2011, em comparação com o registrado em 2002, quando atingiu mais de 2.000 pontos.

20

Emerging Markets Bond Index Plus

Em suma, as condições de financiamento no Brasil se encontram em percurso positivo nos últimos anos, tanto pelo bom desempenho das contas públicas quanto pela trajetória de queda na taxa de juros. No entanto, será necessário aumentar a taxa de poupança interna no País para assegurar condições positivas de financiamento futuro.

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DIAGRAMA 5

A taxa de poupança brasileira está entre as menores do mundo Taxa de poupança brasileira é baixa em comparação com países selecionados Poupança doméstica bruta / PIB (%)1 52%

51% Países emergentes Brasil Países desenvolvidos

30%

28% 23%

23%

21%

BRASIL

JAPÃO

alemanha

MÉXICO

CHILE

hong kong

COREIA DO SUL

RÚSSIA

ÍNDIA

CINGAPURA

19%

18%

1. Média 08-10. /Nota: 2010 é o último ano disponível para todos os países comparados. Em 2011, a poupança doméstica bruta/PIB (%) do Brasil também foi de 19%. / Fonte: Banco Mundial

Indicadores Para o pilar ambiente macroeconômico, as dimensões selecionadas para acompanhamento contínuo são: • Crescimento econômico: quanto maior o crescimento esperado para um país, maior sua atratividade para agentes estrangeiros. Dificilmente um polo consegue atrair investimentos e negócios sem uma projeção positiva quando comparado a seus concorrentes diretos pela atração de capital; • Estabilidade monetária: a estabilidade monetária ajuda a definir a previsibilidade econômica dos investimentos e negócios no polo considerado. Quando a projeção é de inflação alta, um país perde atratividade, pois os agentes externos ficam temerosos com a perspectiva de seus investimentos e negócios se deteriorarem junto com o valor da moeda local; • Solidez fiscal: quando um país possui política fiscal inadequada, sobem os custos de captação de investimentos da economia como um todo, elevando, obviamente, o custo operacional. Portanto, quanto maior a solidez fiscal, maior a atratividade do país;

13%

12%

eua

31%

REINO UNIDO

31%

FRANÇA

31%

CHINA

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• Vulnerabilidade externa: a disponibilidade de reservas para realizar os pagamentos externos de um país mede a dependência de recursos estrangeiros e oferece indícios da sua autonomia para garantir credibilidade financeira mundial; • Volatilidade econômica: as taxas de juros de curto prazo dos títulos emitidos por governos são um bom indicador da volatilidade econômica e da frequência de necessidade de ajustes. Economias com menor nível de volatilidade oferecem um horizonte de planejamento mais seguro para empresas e famílias, elevando o grau de investimento e de crescimento; • Desenvolvimento humano: quanto maior o nível de desenvolvimento humano, maior a atratividade do país como polo, já que maior desenvolvimento se traduz em maiores disponibilidade de talentos, mercado interno consumidor e qualidade de vida; • Distribuição de renda: a distribuição de renda em um país influencia aspectos-chave para a formação de um polo, como a disponibilidade de talentos, o tamanho e o perfil do mercado consumidor, o nível de inovação e de qualidade de vida. Quanto melhor a distribuição de renda, melhores esses aspectos para o polo de negócios. O resultado da classificação do Brasil nas dimensões do pilar ambiente macroeconômico diante dos outros países pode ser observado a seguir:

AMBIENTE MACROECONÔMICO crítico

1.

CRESCIMENTO ECONÔMICOP

2.

ESTABILIDADE MONETÁRIA

3.

SOLIDEZ FISCALP

a desenvolver

bom

deu GBR fra

USA

SGP

KOR RUS

JPN

excelente

BRA

CHL

CHN

MEX HKG

IND

BRA IND

RUS

MEX HKG KOR

USA FRA

JPN

P

CHN

CHL GBR SGP

DEU

BRA JPN

FRA

USA SGP

DEU

MEX HKG KOR

IND

CHN

RUS

GBR

CHL

BRA

4.

CHL

VULNERABILIDADE EXTERNA

MEX KOR

IND

RUS

HKG CHN

SGP

BRA

5.

VOLATILIDADE ECONÔMICA

6.

DESENVOLVIMENTO HUMANO

HKG

USA

GBR

SGP DEU JPN CHL

RUS

CHN KOR

MEX

IND

FRA

BRA IND

CHN

RUS MEX

CHL

SGP

FRA

HKG DEU KOR JPN USA

GBR

BRA

7.

DISTRIBUIÇÃO DE RENDA

CHL MEX

HKG

RUS SGP

PAÍSES EMERGENTES

PRINCIPAIS POLOS INTERNACIONAIS

P: Indicador baseado em dados projetados.

USA CHN

GBR IND

OUTROS PAÍSES DESENVOLVIDOS

KOR FRA

DEU

JPN


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ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

No indicador de solidez fiscal, em particular, o País vem melhorando, mas ainda precisa se desenvolver, principalmente por causa dos altos gastos públicos que deveriam ser revistos e balanceados

Em geral, o Brasil está bem posicionado neste pilar, especialmente na dimensão de crescimento econômico futuro. No indicador de solidez fiscal, em particular, o País vem melhorando, mas ainda precisa se desenvolver, principalmente por causa dos altos gastos públicos que deveriam ser revistos e balanceados. Sem nenhuma surpresa, nos indicadores de desenvolvimento humano e de distribuição de renda, o Brasil está em posição desvantajosa quando comparado aos demais, apesar dos avanços na última década.

Conclusão O Brasil apresenta clara projeção mundial, conjugando crescimento com distribuição de renda e estabilidade econômica. Além disso, em 2011 registrou o sexto maior PIB nominal do mundo e em 2012 a taxa de juros real chegou ao menor nível histórico já registrado, o que reduz percentualmente os juros da dívida pública e traz um incentivo à dinamização da economia. Ainda assim, revela-se importante garantir que a política macroeconômica atual continue sendo seguida na questão fiscal e no déficit público, e que seja reavaliado o modelo de crescimento baseado principalmente no consumo. Além disso, será necessário equacionar a taxa de investimento e poupança, de forma a garantir o crescimento sustentado da década anterior e continuar avançando na distribuição de renda.


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02

Ambiente Institucional A certeza de poder confiar na efetividade das normas de um país, traduzida na forma de estabilidade política e segurança jurídica, é condição fundamental para a realização de negócios e, por consequência, para a atratividade de um polo. Um ambiente institucional sólido, capaz de oferecer celeridade, eficiência e melhores controles públicos, atua também como um catalisador de investimentos e negócios, pois torna as negociações mais seguras e a operação das empresas mais ágil e menos onerosa. Este capítulo analisa a situação e os próximos desafios a serem enfrentados pelo Brasil em cada um dos seguintes aspectos: sistema político, estabilidade e clareza normativa, segurança jurídica e burocracia e operação de empresas e negócios.

Principais aspectos do pilar ambiente institucional Sistema político: é o alicerce a partir do qual todas as demais regras de funcionamento de um país são determinadas, de forma a garantir que seu arcabouço central não sofra mudanças bruscas. Estabilidade e clareza normativas: quanto mais consolidadas a previsibilidade e a clareza normativas, maior é a predisposição dos agentes para realizar investimentos e negócios. Segurança jurídica: ambientes de maior segurança diminuem os riscos associados com disputas judiciais e interpretação de contratos, podendo ser traduzidos em custos menores aos agentes econômicos. Burocracia e operação de empresas e negócios: o maior grau de eficiência pública e a limitação de entraves burocráticos funcionam como aceleradores econômicos, tornando operações de empresas mais eficientes, ágeis e menos custosas.


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Sistema político O Brasil vive um regime democrático estável e multipartidário, funcionando sem rupturas há mais de duas décadas. Além disso, suas eleições são diretas, regulares e conduzidas por meio de voto eletrônico, um processo moderno, rápido e seguro, que se tornou referência no mundo. Adicionalmente, o Brasil não registra qualquer sinal de conflitos atuais ou potenciais com seus vizinhos, assegurando um ambiente de tranquilidade externa e de colaboração política e econômica. A soma desses fatores resultaram numa estabilidade política brasileira equiparável à de países de longa tradição democrática, como Estados Unidos e Grã-Bretanha, conforme relatório publicado pelo Banco Mundial em 201021. O aperfeiçoamento do sistema pode e deve continuar progredindo. Como exemplo de um passo importante, em novembro de 2011 o Brasil instituiu a lei de acesso aos dados do governo22, alinhando-se a uma prática comum em países como Suécia, EUA e França e, na América Latina, como Colômbia, Peru, Chile e México23. Com essa lei, regulamentou-se a obrigatoriedade, em todas as esferas do poder público, de divulgação ativa de dados, como registros financeiros, informações de procedimentos licitatórios e sobre o acompanhamento das atividades dos órgãos. Além disso, qualquer interessado poderá pedir acesso a informações de interesse público, com prazos e penas estabelecidas em caso de descumprimento por parte destes. A medida, portanto, abre caminho para aumentar a transparência no setor público. 21 Indicador: estabilidade política e ausência de violência (política), de 0 a 100. Pontuações: Brasil: 51; Grã-Bretanha: 58; Estados Unidos: 56. Fonte: Worldwide Governance Indicators – Banco Mundial 2010

22

Lei 12.527/11

Fonte: Freedom of Information - UNESCO 23

24 Lei instituidora de cada uma das dez agências reguladoras existentes no País

Fonte: Acórdão 2.261/2011 do Tribunal de Contas da União, em resposta à requerimento do Senado brasileiro

25

Essa agenda positiva vem avançando também na separação entre questões de estado e interesses políticos dos governos. Exemplos de melhoria poderiam incluir tópicos como a autonomia financeira das agências reguladoras e a independência de mandatos do presidente do Banco Central do Brasil. No primeiro tópico, muito embora exista previsão legal sobre o assunto24, na prática o orçamento é estipulado pelo respectivo ministério. A criação de mecanismos formais de financiamento seria benéfica à atividade regulatória, pois geraria maior independência política às agências, bem como estabilidade e previsibilidade dos recursos disponíveis25. Quanto ao segundo, a formalização de mandatos fixos e não coincidentes com o do presidente da República, se implantada, como já ocorre nos Estados Unidos e Reino Unido, traria mais solidez à independência do Banco Central na condução da política monetária.

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ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

Estabilidade e clareza normativas O Brasil ainda se depara com desafios relevantes no aspecto estabilidade e clareza normativas. Como exemplo, desde a promulgação da Constituição Federal em 1988 até 2011 foram editadas aproximadamente 19 normas federais26 por dia, e em 2011 o ritmo continuou forte, pois o número total foi de 1.781 normas federais27. Isso obviamente dificulta o acompanhamento das regras em vigor e, consequentemente, aumenta o nível de insegurança jurídica e o custo de realizar investimentos e negócios no País. Outro empecilho ocorre quanto à clareza normativa. Há necessidade de melhoria na técnica redacional e também no controle da legalidade. Como exemplo, um estudo da FGV realizado em 200928 revela que 194 dos 218 artigos do Código Tributário Nacional – principal lei federal que rege o sistema tributário – são questionados no Superior Tribunal de Justiça. Além dessa instabilidade normativa mencionada, a frequente utilização de medidas provisórias pelo Poder Executivo como instrumento para legislar e o uso das decisões terminativas do Senado Federal, permitindo que algumas normas sejam aprovadas sem ir a plenário, trazem um elemento indesejado de incerteza legislativa.

Segurança jurídica Quanto maior a segurança jurídica, menores as incertezas oriundas de disputas judiciais e interpretação de contratos e, consequentemente, o risco para investimentos e negócios. É importante frisar que o Brasil estabelece como garantia fundamental29 a proteção ao direito adquirido, que permite ao titular de um direito usufruir dos seus efeitos ainda que a lei que concedeu tal direito não esteja mais em vigor. Outro princípio que está estabelecido no sistema jurídico brasileiro e que também influencia positivamente a segurança jurídica no País é a irretroatividade da lei, que estabelece que uma lei não tem poder sobre situações anteriores à sua promulgação, salvo se for em benefício da sociedade. A nova Lei de Falências promulgada em 200530 é um bom exemplo de como o estabelecimento de alterações legislativas pode melhorar a segurança jurídica e beneficiar o ambiente de investimentos e negócios. Com a modernização da lei e inserção do instituto da recuperação judicial em substituição à concordata, reduzindo incertezas sobre os ativos em risco de liquidação e o tratamento concedido a garantias, o número de falências total no País caiu significativamente. Em 2005, até o mês de junho, quando a lei ainda não estava em vigor, o Brasil teve 9,5 mil falências requeridas, e após a vigência da lei passou a ter uma média de 2,5 mil ao ano (veja Diagrama 6). Em 2011, a tendência de queda continuou, atingindo 1,7 mil falências no ano, menor valor registrado nos últimos 12 anos.

26 Número correspondente a emendas constitucionais, leis complementares e ordinárias, medidas provisórias, decretos e atos normativos, como, por exemplo, portarias, pareceres e instruções. Fonte: Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário

27 Valor diz respeito ao número de normas editadas entre out/10 e out/11. Fonte: Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário

28

Fonte: Valor Econômico

29 Garantias fundamentais descritas na Constituição brasileira são consideradas cláusulas pétreas, ou seja, não passíveis de alteração posterior

30

Lei nº 11.101


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DIAGRAMA 6

Em última instância, reformas institucionais impactam positivamente a população Nova Lei de Falências1 contribuiu para queda no fechamento de empresas no País Número de falências requeridas ao ano (milhares) 25

20 19,9

20,7 A partir da nova lei implantada em 2005, média anual de falências caiu para 2,5 mil

15 13,9

13,9 11,6

10

9,5

-5,4

5

0

média=2,5 mil (2006-2011)

4,2

2,5 2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2,7

2,2

2,4

1,9

1,7

2007

2008

2009

2010

2011

Mais empresas operando pode significar mais empregos e maior geração de valor para a sociedade 1. Lei no 11.101/05. / Fonte: Serasa; análise BCG

Mesmo com esse bom exemplo, ainda é necessário reduzir o longo tempo gasto na resolução de disputas e execução de sentenças judiciais. Para a realização de investimentos e negócios, não basta somente que a legislação tenha a segurança jurídica como princípio. É necessário também um Judiciário onde a defesa de direitos não seja morosa, pois penaliza quem teve seu direito violado. Em avaliação comparativa conduzida pelo Banco Mundial em 2012 sobre o tempo necessário para a resolução de uma disputa comercial, o País está entre os piores colocados: 731 dias, enquanto Cingapura, outro polo, resolve uma disputa equivalente em 150 dias (veja Diagrama 7). As principais causas decorrem do sistema adotado por cada país. No Brasil, estão relacionadas principalmente com as normas que regem os códigos de processos civil e penal, que permitem a utilização de um alto número de recursos, além do alto grau de detalhamento da Constituição, o que acarreta um excesso de hipóteses em que a apreciação legal deve ser feita pelo Supremo.

31

Lei nº 11.417

32

Lei nº 11.418

33

Lei nº 11.672

34

Lei nº 9.099 de 1995

35

Lei nº 9.307 de 1996

Houve reformas importantes nos últimos anos para tentar solucionar esse problema, tanto para reduzir o volume de processos, quanto na operação do Judiciário. Em relação à primeira iniciativa, observam-se a introdução das súmulas vinculantes31 e do princípio de repercussão geral32 em 2006, e a limitação dos recursos especiais repetitivos33 em 2008. Já na reforma do Judiciário, contribuíram a criação de Juizados Especiais34 e Câmaras de Arbitragem35. Outro passo significativo foi a implantação, a partir de 2011, do sistema de metas do Judiciário, que estabelece, entre outras, o objetivo de julgar processos em quantidade maior que a ingressada no ano, reduzindo, portanto, o estoque de processos existentes.

43


44

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

DIAGRAMA 7

Prazo elevado para resolução de sentenças adiciona incerteza sobre o funcionamento da Justiça Brasil tem um dos maiores prazos para resolução de conflitos dentre outros centros internacionais Número de dias para resolução de disputa comercial

1.420

Julgamento: 480 dias Execução de sentença: 210 dias Outros: 41 dias

731 570

280

300

331

HKG

USA

FRA

360

JPN

394

395

399

406

415

DEU

AUS

GBR

CHN

MEX

480

150

SGP

CHL

CAN

Nota: a disputa padrão considerada para o estudo diz respeito a uma transação entre duas empresas (comprador e vendedor), em que o comprador não paga pelos bens recebidos alegando que a qualidade destes não está nos padrões acordados. O vendedor entra com um processo judicial tentando obter o pagamento pelos bens vendidos. / Fonte: Doing Business - Banco Mundial – 2012

A execução de garantias é outro elemento relevante para a segurança jurídica. Regras que não impõem dificuldades ao credor para reaver o bem permitem empréstimos a taxas de juros mais baixas, em virtude do menor risco associado. Existem alguns entraves no Brasil à execução e estabelecimento de garantias, como a rigidez das garantias tradicionais, as dificuldades de constituição e novamente a questão da morosidade do Judiciário. No que tange ao primeiro ponto, nos procedimentos de recuperação judicial de empresas e falências, credores trabalhistas e fiscais possuem preferência em relação a credores com direitos reais de garantia, como hipoteca e penhor, reduzindo a efetividade desses instrumentos. Já em seu aspecto formal, o registro público dos contratos de garantia é oneroso e complicado. Como não há uma padronização dos documentos necessários para sua constituição, o procedimento fica sujeito às especificidades e exigências de cada cartório. De forma a eliminar os entraves existentes, melhorias na flexibilização do processo e na diversificação dos instrumentos disponíveis vêm sendo feitas. Como exemplo, cita-se o estabelecimento e expansão da propriedade fiduciária, caso em que os bens e direitos não compõem o ativo da empresa tomadora de crédito até que este seja totalmente pago. Dessa forma, a garantia dada não participa da recuperação judicial e, exceto se anteriormente estabelecido, não ocorre concurso entre outros tipos de credores. Na execução, também há outra vantagem: hoje ela pode ser feita sem a necessidade de tramitação prévia pelo procedimento ordinário, o que reduz etapas processuais e, consequentemente, o tempo para o credor reaver o bem.

BRA

IND


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36 Ranking calculado a partir de escore baseado em entrevistas com executivos, totalizando mais de 14 mil entrevistas. A pergunta realizada foi: “Como você classificaria a proteção aos direitos de propriedade, incluindo ativos financeiros, em seu país?” [1 = muito fraca; 7 = muito forte]. O Brasil apresentou pontuação de 4,7. Fonte: The Global Competitiveness Report 2012-2013, Fórum Econômico Mundial

37

Representação dos Estados Unidos para o Comércio (USTR) 38

Fonte: INPI

39 Fonte: World Competitiveness Yearbook 2012, pesquisa realizada anualmente em nível mundial com respondentes de alta e média gerência de 59 países

Outro fator representativo da segurança jurídica no País diz respeito à propriedade, incluindo os direitos de propriedade intelectual. De acordo com pesquisa realizada pelo Fórum Econômico Mundial em 2012, nesse quesito o Brasil é o 51º colocado entre 144 nações36. Causas para essa má colocação envolvem tanto o lento e oneroso processo de obtenção de patentes, quanto a prática frequente de compra de produtos contrafeitos (“piratas”). Mas algumas melhorias têm ocorrido: em 2011 o Brasil foi retirado da lista norte-americana de “mercados notórios de pirataria e contrabando”37 - sendo o único BRIC a estar fora dessa lista - e o prazo médio de concessão de patentes caiu para cinco anos, em comparação aos oito anos necessários em 201038.

Burocracia e operação de empresas e negócios É senso comum que o excesso de burocracia gera um grande custo para a realização de investimentos e negócios no País, embora não os impeça. O Brasil tem a pior classificação em indicador39 que mostra o nível de impacto da burocracia, atrás de outros polos de negócios pesquisados e de países emergentes como México, China e Chile (veja Diagrama 8).

DIAGRAMA 8

Alto custo da burocracia impacta negócios Brasil tem pior colocação em ranking que avalia impacto da burocracia nos negócios Nível de impacto da burocracia sobre os negócios / Nota 0-10 8,6 7,9 7,3

7,0 6,1

6,0

5,9

4,2 3,2

BRA

CHN

FRA

MEX

GBR

JPN

USA

CHL

HKG

2,9

SGP

Nota: pesquisa realizada anualmente em nível mundial com respondentes de alta e média gerência de 59 países Fonte: World Competitiveness Yearbook 2012 - IMD; análise BCG

45


46

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Uma consequência do excesso de burocracia em um país é a abertura de oportunidades para a corrupção: quanto mais onerosas, demoradas e complexas são as transações, maior é o espaço deixado para pagamento de favores visando a aceleração dos processos. A redução da corrupção, portanto, é outro benefício da redução do excesso de burocracia em um polo de investimentos e negócios. Um exemplo de processo longo e moroso é a abertura de empresas: muitas capitais brasileiras apresentam grande número de etapas e demanda-se tempo excessivo para tal objetivo. Em São Paulo, estima-se que o tempo médio gasto seja de 119 dias40. A descentralização de procedimentos é um dos problemas mais citados para justificar tal realidade e a observação do número de entidades envolvidas no processo confirma essa percepção (veja Diagrama 9). Além desse ponto, de acordo com o relatório Doing Business 201241 do Banco Mundial, a aprovação de um empreendimento imobiliário na cidade de São Paulo demora em média 469 dias, em comparação com os 221 dias gastos em média nos demais países da América Latina e Caribe. Atualmente existe uma proposta de lei de “balcão único” em curso que, se adotada, centralizaria a análise e instrução dos pedidos entre os diversos órgãos da Prefeitura de São Paulo, abrindo caminho para reduzir a burocracia. Apesar de tal entrave ser uma realidade para a maioria das cidades brasileiras, iniciativas mostram que existe espaço para melhorias e que o processo de abertura de empresas pode ser agilizado. O Minas Fácil, programa liderado pelo governo do estado de Minas Gerais em conjunto com a Junta Comercial, mostrou avanços significativos após esforços de otimização do processo de abertura de empresas, o

40 Utiliza como base a abertura de empresa com até 50 empregados e capital social de dez vezes o PNB per capita, constituída sob forma de sociedade limitada. Fonte: Relatório Doing Business 2012 do Banco Mundial

41 Utilizada a construção de um depósito como base para o estudo

DIAGRAMA 9

A abertura de empresas envolve muitas entidades Descentralização de procedimentos é um dos problemas mais citados como causa disso Entidades envolvidas na abertura de empresas

municipal

Para todos

Sec. Munic. da Fazenda Prefeitura

Dependendo da atividade

Sec. do Meio Ambiente Fisc. de Obras Bombeiros

estadual

federal

outros

Sec. Est. da Fazenda Junta Comercial

CEF Receita Federal Ministério do Trabalho e Emprego INSS

Sindicato patronal Sindicato dos funcionários

Sec. do Meio Ambiente

Banco Central 1 IBAMA 2 FUNAI 2 ANVISA

Sindicato patronal

1. Apenas para capital de origem estrangeira. 2. Apenas para empresas que tenham impacto ambiental. / Fonte: Doing Business 2012 – Banco Mundial; RFOR Advogados; análise BCG.


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47

qual atualmente leva oito dias42. Além disso, está em andamento o projeto Integrar, iniciativa que busca replicar o modelo de sucesso do Minas Fácil nos estados do Sergipe, Paraná, Rondônia, Roraima, Tocantins, Ceará, Pará e Paraíba, abrindo caminho para, no futuro, implantá-lo em todo o País.

42

Outro ponto bastante sensível para o País refere-se ao custo do cumprimento das obrigações tributárias. Em pesquisa que mostra o número de horas necessárias para o cálculo e pagamento de tributos equivalentes por empresas em todo o mundo, o Brasil, representado por São Paulo, aparece como o pior dentre os 183 países analisados, sendo que o número de horas necessárias corresponde a aproximadamente seis vezes o tempo exigido por Xangai, segundo pior colocado entre os polos considerados. Ainda de acordo com essa análise, o tributo que mais gera dificuldades para as empresas é o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) (veja Diagrama 10).

Fonte: Minas Fácil

DIAGRAMA 10

A dificuldade de pagamento de tributos gera custo adicional às empresas Número de horas para cálculo e pagamento de impostos é o mais alto do mundo Dificuldade de pagamento de tributos 3.000

Nº HORAS/ANO1

2.600 736 IRPJ

2.000 490 INSS,

FGTS, Sist. S

1.374 ICMS 1.000

12

DUBAI

63

80

HONG KONG

84

109

110

LONDRES

131

132

187

NOVA IORQUE

187

221

254

316

330

347

MUMBAI

1. Estudo realizado em parceria com a PwC e baseado em uma empresa fictícia padrão através de diversos países. / Fonte: Doing Business 2012 – Banco Mundial; análise BCG

398

xangai

SÃO PAULO


48

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Avaliando questões específicas de contratação, emprego e demissão, o Brasil está entre os países menos flexíveis nas questões relacionadas à contratação de pessoas

Os principais fatores que influenciam nesse posicionamento ruim são: o número excessivo de tributos, a alternância normativa e a complexidade no cumprimento de obrigações acessórias necessárias ao pagamento dos tributos. De acordo com o relatório Doing Business do Banco Mundial, o número de tributos a serem pagos por empresas no Brasil é de nove, enquanto que em outros polos de negócios, como Cingapura e Hong Kong, esse volume cai para cinco e três43, respectivamente. Além disso, a questão da alta quantidade de produção de normas também se aplica ao sistema tributário. Como já mencionado, isso torna difícil o acompanhamento das regras em vigor expedidas pelos entes da federação, com maior possibilidade de existirem áreas cinzentas que não só aumentam a burocracia, mas também contribuem com maior incerteza no pagamento de tributos. Por fim, para indústrias e prestadores de serviços não financeiros, o número de exigências para a apuração de tributos como o ICMS aporta maior complexidade. Para instituições financeiras, o principal entrave está na apuração de ISS, PIS e COFINS. Cabe ressaltar que no caso de investimentos feitos em fundos, debêntures ou renda fixa, a responsabilidade pelo recolhimento dos tributos é das instituições financeiras que administram os investimentos, recebendo o investidor o rendimento líquido. Por fim, outro ponto importante que influencia a realização de negócios é o nível de flexibilidade no mercado de trabalho. Avaliando questões específicas de contratação, emprego e demissão, o Brasil está entre os países menos flexíveis nas questões relacionadas à contratação de pessoas, ficando bastante atrás do Chile e dos Estados Unidos, por exemplo. Já nos processos de demissão, o Brasil não se posiciona mal vis-à-vis outros países (veja Diagrama 11). Para preservar a alocação eficiente de empresas e pessoas para a realização de negócios, é preciso atentar para que essa posição não seja ainda mais enfraquecida como, por exemplo, com uma eventual adoção da Convenção 158 da OIT44. Ainda que o Brasil enfrente uma situação desafiante em relação à burocracia, é importante reconhecer os esforços já realizados, como a criação da Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), que visa desenvolver competências em servidores e melhorar a qualidade da prestação de serviços públicos; o Programa Nacional de Apoio à Administração Fiscal para os Estados Brasileiros (PNAFE), que foca na melhoria das questões tributárias; e o Movimento Brasil Competitivo (MBC), entidade que, entre outras coisas, atua em programas de modernização da gestão pública. Além dessas iniciativas, destaca-se também a utilização cada vez mais intensa das tecnologias digitais para agilizar processos de interação entre as esferas pública e privada, exemplificada pela implantação do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED).

43 Base de dados do Doing Business completada em dezembro de 2010

44 A Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) torna o processo de desligamento de funcionários muito mais burocrático e rígido. Se adotadas, as exigências incluem: justificativa, por escrito, de motivos do desligamento a autoridades competentes; direito a contestação de demissão; inclusão de sindicatos em negociações individuais de demissão; e abertura de processo judicial em caso de discordâncias. Dos 183 países membros da OIT, apenas 35 ratificaram o acordo e, destes, apenas seis são desenvolvidos (Austrália, Finlândia, França, Luxemburgo, Portugal e Espanha). Fonte: OIT


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49

DIAGRAMA 11

O Brasil não está bem posicionado em relação à flexibilidade do mercado de trabalho

EMPREGO

CONTRATAÇÃO

Flexibilidade do mercado de trabalho (% de países em cada situação1)

Permissão de contratos temporários para atividades permanentes

não: 25%

Tempo máximo de duração de contratos temporários (meses)

até 24: 31%

Custo de hora extra para a empresa (% sobre custo padrão de hora)

100: 13%

Férias concedidas anualmente (dias)

até 60 6%

25 a 40: 19%

não: 88% sim: 38%

Existência de regras de reemprego

não: 63%

sim: 31%

Período de aviso prévio (meses)

não: 69%

2: 25%

Custo de demissão (semanas de trabalho)3

02: 13%

até 10: 25%

11 a 20: 44%

sim: 13%

Obrigação de retreinamento ou realocação antes de demissão

sem limite: 63%

50: 56%

21 a 30: 31%

Necessidade de aprovação de terceiros

DEMISSÃO

sim: 75%

20 ou +: 25%

1: 63%

8 a 11: 31%

0: 13%

1 a 6: 25%

0: 19%

-

+

nível de flexibilidade 1. Países incluídos na avaliação: BRA, MEX, CHL, USA, GBR, FRA, DEU, SGP, HKG, CHN, JPN, IND, RUS, KOR, AUS, CAN 2. Não estabelecido por lei 3. Medida baseada em funcionários que tenham ficado no emprego durante 5 anos nos diferentes países avaliados. / Fonte: Doing Business 2012 – Banco Mundial; análise BCG

Adicionalmente, modelos de outros países poderiam servir de inspiração e ser adaptados à realidade do Brasil, como o Better Regulation Executive, organização federal do Reino Unido que atua na melhoria da distribuição da informação entre órgãos públicos, na redução do número de registros necessários e no engajamento de servidores no entendimento de processos e serviços públicos para a disseminação de melhores práticas.


50

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

Indicadores Para o pilar ambiente institucional, as dimensões selecionadas para acompanhamento contínuo são: • Estabilidade política: a atratividade de um país normalmente é bastante impactada por sua situação política. Portanto, quanto mais estável, democrático e desprovido de violências políticas, mais atrativo será o país; • Qualidade regulatória: mede a clareza normativa do país, definindo o papel das agências reguladoras e o grau de delegação de poder, quando necessário; • Segurança jurídica: mede a certeza sobre o cumprimento de normas no país, ou seja, a efetividade destas. Há uma relação direta entre insegurança jurídica e custos de operação oriundos de disputas judiciais, interpretações dúbias de contratos e longa duração de litígios; • Flexibilidade do mercado de trabalho: quando esta dimensão está presente em um polo, tende a torná-lo mais dinâmico, pois os ajustes de oferta e demanda de mão de obra acontecem mais rapidamente. Para tal, considera-se importante que contratações e dispensas possam acontecer rapidamente e que não sejam tão onerosas ao empregador. Além disso, modelos flexíveis de contratação tornam um polo de negócios mais atrativo; • Facilidade de abrir negócios: ilustra parte da burocracia enfrentada para se fazer negócios em um país, considerando tanto a complexidade burocrática para se abrir um negócio, quanto o tempo para a abertura; • Facilidade para empresas pagarem tributos: calcula as horas necessárias para pagar tributos sobre valor adicionado, produção industrial e lucro, considerando uma mesma empresa-modelo padrão em diversos países. Claramente, quanto maior a facilidade de pagar os tributos, menos tempo é gasto, menos custos são incorridos pelas empresas e mais eficientes elas se tornam. O resultado da classificação do Brasil nas dimensões do pilar ambiente institucional diante dos outros países pode ser observado a seguir:


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

51

AMBIENTE INSTITUCIONAL crítico

1.

a desenvolver IND

ESTABILIDADE POLÍTICA

bom

BRA

RUS CHN

USA

MEX

KOR

excelente

CHL

GBR

DEU HKG

FRA

JPN

SGP

BRA

2.

QUALIDADE REGULATÓRIA

3.

SEGURANÇA JURÍDICA

RUS

CHN

MEX

JPN

IND

FRA USA DEU GBR HKG

KOR

SGP

CHL

BRA RUS

MEX

CHN

IND

KOR

CHL JPN

FRA USA SGP HKG DEU GBR

BRA

4.

FLEXIBILIDADE DO MERCADO DE TRABALHO1

5.

FACILIDADE DE ABRIR NEGÓCIOS1

6.

FACILIDADE PARA EMPRESAS PAGAREM IMPOSTOS

FRA

DEU MEX

KOR

CHN

RUS

CHL

JPN

gbr

IND

USA SGP HKG

BRA RUS

CHN

KOR

IND

CHL MEX

SGP JPN GBR

FRA USA

BRA RUS

MEX JPN CHN

PAÍSES EMERGENTES

CHL

PRINCIPAIS POLOS INTERNACIONAIS

IND KOR USA DEU

FRA

GBR

HKG SGP

OUTROS PAÍSES DESENVOLVIDOS

1: Dados não atualizáveis em relação ao Relatório de Atratividade 2011.

Apesar de o Brasil se situar em posição intermediária nas dimensões que refletem a maturidade institucional de uma nação – estabilidade política, qualidade regulatória e segurança jurídica – é o país dos BRICs que está mais avançado nesse quesito, e a priori possui as bases para oferecer um ambiente propício a investimentos e negócios. No entanto, observando as condições que impactam diretamente no desenvolvimento adequado da economia, o País deixa a desejar, como observado na baixa flexibilidade do mercado de trabalho e na dificuldade para se abrir empresas e pagar impostos.


52

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

é crítico tratar a questão da excessiva burocracia no Brasil, quesito no qual o País está mal posicionado vis-à-vis outros polos e que gera custos e desgastes adicionais para a realização de negócios

Conclusão O Brasil se consolidou como uma democracia forte e estável, podendo ainda caminhar no sentido de aperfeiçoar o sistema político e a eficiência dos trabalhos nas esferas dos três Poderes. Em particular, os problemas apontados sobre a instabilidade normativa e morosidade do Judiciário não são novos e, apesar dos esforços recentes para minimizá-los, é necessária uma evolução no processo legislativo. Finalmente, é crítico tratar a questão da excessiva burocracia no Brasil, quesito no qual o País está mal posicionado vis-à-vis outros polos e que gera custos e desgastes adicionais para a realização de negócios. Além da morosidade indesejada, a burocracia também abre espaço perigoso para a corrupção. Mudanças legislativas são importantes e essenciais, mas é preciso dinamizar e mudar a mentalidade do estado para seu papel de também prestador de serviços de qualidade. É preciso oferecer um atendimento a empresas e cidadãos voltado às necessidades destes, como ocorre com os clientes de uma iniciativa privada. Dessa forma, reduzindo as amarras existentes, há um grande potencial para imprimir outro ritmo na realização de negócios no País e projetar ainda mais o Brasil como um polo atrativo de investimentos e negócios.


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

53


54

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

03

talentos e capital humano A formação de um polo de investimentos e negócios depende obrigatoriamente de capital humano capaz de fornecer, em termos quantitativos e qualitativos, a mão de obra necessária para a condução e amplificação de suas atividades. O Brasil parte de uma posição demográfica sólida e positiva, mas, considerando outras características relacionadas à qualidade do ensino e circulação de talentos, sua situação é desfavorável em comparação com outros países. Em ranking do Global Talent Index45 projetado para 2015, o País é apenas o 38° colocado entre 60 países avaliados (veja Diagrama 12). Em virtude dessas lacunas, as empresas sediadas no Brasil têm a terceira maior dificuldade global de contratar pessoas46.

45 Engloba, além dessas características, indicadores de demografia e ambiente propício a talentos. Fonte: Heidrick & Struggles Global Talent Index, publicado em 2011 46 Estudo realizado com 39 países. Fonte: ManPower 2011 Talent Shortage Report

DIAGRAMA 12

Grupo de talentos brasileiros é 38º colocado entre 60 países Brasil está em 38º lugar de 60 países na projeção do Global Talent Index 2015:

1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15.

Estados Unidos Dinamarca Finlândia Suécia Noruega Cingapura Austrália Canadá Suíça Hong Kong Alemanha Israel Holanda Reino Unido Nova Zelândia

16. 17. 18. 19. 20. 21. 22. 23. 24. 25. 26. 27. 28. 29. 30.

França Irlanda Bélgica Taiwan Áustria Coreia do Sul Espanha Itália Japão Rep. Checa Chile Portugal Polônia Eslováquia Hungria

31. 32. 33. 34. 35. 36. 37. 38. 39. 40. 41. 42. 43. 44. 45.

Fonte: Global Talent Index Heidrick & Strugles, publicado em 2011

China Argentina Grécia Rússia Índia México Romênia

46. 47. 48. 49. 50. 51. 52. Brasil 53. Malásia 54. Arábia Saudita 55. Colômbia 56. Ucrânia 57. Turquia 58. 59. Filipinas 60. Tailândia

Formação e circulação de talentos são principais lacunas brasileiras: África do Sul Peru Egito Bulgária Equador Venezuela Cazaquistão Vietnã Paquistão Irã Indonésia Sri Lanka Algéria Nigéria Azerbaijão

Formação de talentos

Circulação de talentos

32º

Qualidade do ensino obrigatório

44º

Qualidade do ensino nas universidades e escolas de negócio

39º

Qualidade da força de trabalho

55º

Mobilidade e abertura no mercado de trabalho local

22º

Capacidade de atrair talentos de outros países


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

Nesta análise serão explorados os três elementos principais formadores de um conjunto de talentos: demografia, formação de pessoas e circulação.

Principais aspectos do pilar talentos e capital humano Demografia: a disponibilidade de População Economicamente Ativa (PEA) determina a matéria-prima para formar a força de trabalho de um país. Formação de pessoas: para um país que deseja se tornar um polo de investimentos e negócios, é necessária a disponibilidade de um conjunto de talentos qualificado e alinhado com as necessidades do mercado de trabalho. Circulação de talentos: países mais abertos à entrada de trabalhadores conseguem mais facilmente atender a flutuações de demanda por profissionais, alavancando a oferta de capital humano qualificado de outros países para setores não cobertos pela mão de obra local.

Fonte: Envelhecendo em um país mais velho, 2011 - Banco Mundial

47

48 Período de transição demográfica quando a razão de dependência, número de pessoas em idade dependente (menores de 15 anos e maiores de 60 anos) por pessoa no grupo de idade ativa (idade entre 15 e 59 anos), atinge níveis mínimos. Essa razão, que tem declinado desde 1965, atingirá seu valor mínimo em 2020 e então começará a subir 49 Oferta e demanda avaliadas na seção de demografia são puramente quantitativas, isto é, não consideram a qualificação das pessoas. Modelo não considera situação atual de desemprego 50

Fonte: Stimulating Economies through Fostering Talent Mobility, publicado em 2010

Demografia O Brasil possui grande vantagem estrutural em termos de demografia, pois passa por um período chamado bônus demográfico47, em que a força de trabalho é relativamente maior do que a população dependente48. Em virtude dessa maior oferta de trabalho, há uma janela de oportunidade propícia ao desenvolvimento da economia nacional. Além disso, o País é a maior economia do mundo a apresentar crescimento de População Economicamente Ativa (PEA) suficiente para suprir o crescimento esperado na demanda por pessoas para o trabalho49. Atualizado para o período de 2011 a 2023, um estudo originalmente divulgado pelo The Boston Consulting Group em conjunto com o Fórum Econômico Mundial50 mostra que todas as economias atualmente maiores do que a brasileira – Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e França – terão demanda por pessoas crescendo a taxas maiores do que a oferta (veja Diagrama 13).

55


56

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

DIAGRAMA 13

O Brasil é a maior economia do mundo que terá equilíbrio positivo entre oferta e demanda por trabalhadores Diferença entre crescimento da oferta e da demanda por trabalhadores1 – 2011-2023 RUS -0,9%

CAN -0,3%

DEU -1,3%

GBR -0,5% FRA -0,9% ESP -2,2%

USA -0,7%

ITA -1,6%

TUR -0,1%

MEX 1,3%

KOR -1,6% CHN -2,4%

EGY 1,6% IND 0,7%

BRA 2,2%

IDN 0,6%

AUS -0,4%

ZAF 1,1%

Diferença entre crescimento da oferta e da demanda por PEA

JPN -1,5%

Falta de mão de obra1

Falta ou excesso limitados1

Aumento de mão de obra1

1. Valores apresentados são resultados do cálculo: crescimento anual da demanda por trabalhadores menos crescimento anual da PEA. Refere-se à média dos cenários com crise e sem crise. Crescimentos anuais calculados entre 2011 e 2023. / Nota: dados apresentados com base em visão quantitativa, não refletem fatores qualitativos (ex.: qualificação). / Fonte: Baseado no Stimulating Economies through Fostering Talent Mobility, BCG & Fórum Econômico Mundial, publicado em 2010, com dados mais atualizados.

Com esse cenário mundial de déficit de trabalhadores, existe a expectativa para o futuro próximo de que as empresas reduzirão sua dependência de talentos locais e suas ações serão ainda mais voltadas a uma maior atração de trabalhadores globais, o que envolverá também a mudança de localidade para ganhar acesso a trabalhadores qualificados (veja Diagrama 14). É necessária, portanto, uma iniciativa capaz de assegurar um ambiente propício à permanência de talentos no Brasil, de forma a evitar o esvaziamento de sua economia em virtude de uma maior competição global.

Formação de pessoas A formação de pessoas no Brasil traz um desafio adicional às empresas na busca por talentos. Isso se traduz na necessidade de um dispêndio extra na capacitação de profissionais e está amplamente associado às questões de quantidade e qualidade do ensino. No Brasil, enquanto a quantidade de trabalhadores apresenta uma vantagem competitiva, a qualidade da formação representa um desafio a ser trabalhado.


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

DIAGRAMA 14

As estratégias das empresas serão moldadas pela busca por talentos ... aumentar recrutamento internacional...

Empresas devem reduzir recrutamento local... % de empresas que apontaram recrutamento local como chave 78

AMÉRICA DO NORTE1

AMÉRICA LATINA2

22

7 18 8

20

41 70

6

23

22

56 81

25

11

52

52 81

25

22

16 64

44 52

9

52 De acordo com o International Standard Classification of Education, refere-se à população de alunos de 6 a 10 anos matriculados entre a 1ª e 5ª séries do ensino fundamental

De acordo com o International Standard Classification of Education, refere-se à população de alunos de 11 a 17 anos matriculados entre a 6ª e 9ª séries do ensino fundamental e de todo o ensino médio 53

54

Fonte: UNESCO – Dados de 2009 55

56

Fonte: Censo 2010, IBGE

Fonte: Censo Escolar da Educação Básica 2011, INEP

19

57 82 59

3

33 60

1. Estados Unidos e Canadá. 2. Brasil, Argentina e Chile. 3. Alemanha, França, Rússia, Reino Unido, Itália, República Checa, Dinamarca, Espanha, Irlanda, Países Baixos, Suíça e Bélgica. 4. África do Sul. 5. China e Índia. 6. Cingapura, Japão e Coreia do Sul. 7. Austrália. / Fonte: BCG People Advantage Report, 2008 e 2010.

51 Taxa de matrícula calculada como número de alunos matriculados em idade escolar sobre o total da população da respectiva faixa etária

38

27

39

REGIÃO DO PACÍFICO7

32

60

52

ÁSIA EMERGENTE5

% de empresas que consideram mudar de localização para encontrar talentos

48 72

ÁFRICA4

ÁSIA DESENVOLVIDA6

% de empresas que apontaram recrutamento internacional como chave

62

EUROPA3

... e mudar de localização em busca de talentos

14

2007

2010 - 2015

Em 2009, o Brasil teve taxa de matrícula líquida51 no ensino primário52 de 87%, próxima à média global. No ensino secundário53, a taxa de matrícula líquida foi de 69%, perto também da média global, mas ainda distante da universalização. Já no ensino superior, a taxa de matrícula caiu para 27%, inferior à média mundial, de 40%54 (veja Diagrama 15). Esse retrato mostra que ainda é preciso evoluir significativamente em termos de quantidade dos ensinos secundário e superior, apesar dos avanços nas últimas décadas. A taxa de alfabetização no País passou de 30% em 1930 para 90% em 200955. Já o número de matrículas nos ensinos fundamental e médio subiu de 1 milhão para 39 milhões56.

57


58

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

DIAGRAMA 15

País tem ensino primário perto da média mundial, mas precisa evoluir, especialmente nos ensinos médio e superior

100

Ensino Primário

Ensino Secundário

Taxa de matrícula líquida1 entre pessoas em idade escolar (%) em 2009

Taxa de matrícula líquida entre pessoas em idade escolar (%) em 2009

100

98

94

87 80

60

top 10: 99 média global: 89

Ensino Superior Taxa de matrícula total2 entre pessoas em idade escolar (%) em 2009

1

100

99

top 10: 95

125

83 80

70

69

60

média global: 71%

100

75

40

40

50

20

20

25

JPN MEX

CHL

BRA

JPN

CHL MEX BRA

top 10: 77% 59 59

27

27

média global: 40

CHL JPN MEX BRA

1. Não inclui matriculados fora da idade escolar. 2. Considera pessoas fora da idade escolar. / Nota: média dos países considerados no estudo. Para o Brasil, foram utilizados os dados do IBGE e do MEC em substituição aos valores da UNESCO, que se encontram em processo de revisão. / Fonte: Microdados da PNAD 2009 – IBGE, MEC, Banco Mundial, UNESCO, análise BCG.

Quanto à qualidade da formação, o cenário é mais desfavorável. No PISA 200957, avaliação internacional do ensino fundamental, o País registra pontuação média de 401 pontos, sobre um total de 600 possíveis, nas provas de leitura, matemática e ciência, inferior à média de 497 pontos do total dos países da OCDE e 468 do total dos países avaliados. Além disso, na Prova Brasil/Saeb58, a média nacional dos alunos da rede pública de ensino está, no ensino fundamental, no limite inferior da faixa esperada, e, no ensino médio, abaixo da faixa (veja Diagrama 16). Outro indicador da qualidade do ensino, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), criado pelo INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) em 2007, é realizado a cada dois anos. O Ideb complementa o resultado da Prova Brasil/Saeb com o rendimento escolar (aprovação, reprovação e abandono) nos ensinos básico e médio, gerando resultados numa escala de 0 a 10, sendo 10 a melhor nota. Embora tenham sido atingidas as metas propostas para o ensino médio e superadas para o ensino básico, as notas no Ideb ainda estão baixas e desiguais. Em 2011, a nota dos estudantes dos primeiros anos do ensino fundamental – 4ª série (5º ano) – chegou a 5,0 pontos. A meta era de 4,6, mesmo índice atingido em 2009. Estudantes do final do ensino fundamental - 8ª série (9º ano) - tiveram 4,1 pontos em 2011. A meta era de 3,9, também uma marca estabelecida em 2009. Já os alunos do ensino médio tiveram desempenho mais modesto, de 3,7 pontos, embora atingindo a meta de mesmo valor. Observa-se ainda que no ensino médio a evolução do desempenho tem sido modesta, crescendo apenas 0,1 ponto percentual por biênio.

57 Fonte: Programme for International Student Assessment: prova aplicada trienalmente pela OCDE a estudantes de 15 anos de 65 países. Resultados do PISA 2012 não foram divulgados até o fechamento desta edição.

Média das notas de Matemática e Português nas provas aplicadas às escolas públicas no Brasil - Saeb (Sistema de Avaliação do Ensino Básico) até 2005 e na Prova Brasil de 2005 a 2011. Dados referentes aos anos de conclusão de cada ensino.

58


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

59

DIAGRAMA 16

A qualidade do ensino básico é crítica no Brasil Desempenho nacional é baixo no ensino fundamental e insuficiente no ensino médio Média nacional2 do ensino fundamental

340 320

médias esperadas: 201 a 325

300

ensino fundamental no limite inferior da faixa esperada

280 260

média1

255

240

247

235

220 0 1995

1997

1999

2001

2003

2005

2007

2009

2011

Média nacional2 do ensino médio

500

médias esperadas: 326 a 500

400

ensino médio abaixo da faixa esperada 286

300

271

264

média1

0 2003

2005

496

média da OCDE: 497

468

439

420

401

396

ARGENTINA

497

BRASIL

500

REINO UNIDO

510

ALEMANHA

519

AUSTRÁLIA

527

CANADÁ

529

JAPÃO

541

COREIA DO SUL

CINGAPURA

HONG KONG

CHINA4

543

2011

MÉXICO

Média PISA3 2009 546

2009

Apesar do baixo desempenho, Brasil teve a terceira maior melhoria entre os 65 países participantes

Brasil tem baixo desempenho no exame internacional PISA

577

2007

CHILE

2001

RÚSSIA

1999

EUA

1997

FRANÇA

1995

1. Média das notas de Matemática e Português 2.Saeb (Sistema de Avaliação do Ensino Básico) até 2005 e Prova Brasil de 2005 a 2011, aplicada a escolas públicas. Dados referentes aos anos de conclusão de cada ensino 3. Programme for International Student Assessment – OCDE aplicado a 65 países em 2009 – OCDE + convidados 4. Participantes de Xangai. / Fonte: MEC; OCDE; IMD; análise BCG


60

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

Outro ponto interessante a destacar é a diferença das notas entre escolas públicas e privadas, ainda que para as últimas o indicador seja amostral. Nos anos iniciais do ensino fundamental a média do setor privado foi 6,5 contra 4,7 das escolas públicas, enquanto que nos anos finais a diferença foi de 6,0 pontos para 3,9 e no ensino médio 5,7 contra 3,4, mostrando a necessidade de investimento ainda maior na educação pública. Considerando essas lacunas nos ensinos fundamental e médio, não são de causar surpresa seus reflexos no ensino superior. Um exemplo é o resultado do Índice Geral de Cursos, indicador de qualidade de instituições de educação superior do Ministério da Educação: 91%59 das escolas analisadas possuem classificação entre 1 e 3, numa escala que varia de 1 a 5, sendo que o maior número representa um resultado melhor. Não só a qualidade do ensino superior no geral deixa a desejar, mas também o alinhamento às necessidades do mercado, conforme capturado por pesquisa entre executivos conduzida pelo IMD60, onde o Brasil é o quinto pior entre os 59 países da amostra. Outro fator que contribui para esse descasamento são o baixo alinhamento do ensino de idiomas e o fluxo internacional de estudantes, inferiores às médias internacionais (veja Diagrama 17). A perspectiva para o futuro, no entanto, é mais favorável. Existem várias iniciativas públicas e privadas que buscam melhorar a qualidade da mão de obra do País. Um marco importante ocorreu em 2009, quando foi incluída na Constituição brasileira a obrigatoriedade do Estado de prover ensino gratuito à população de 4 a 17 anos61, com implantação progressiva, até 2016. No entanto, os detalhes da implantação através do Plano Nacional de Educação ainda estão em discussão no Poder Legislativo. Além disso, percebem-se esforços do governo brasileiro no sentido de ampliar a oferta de vagas nos ensinos técnico e superior, podendo ser citado o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), e programas de concessão de bolsas para alunos, como o Programa Nacional de Acesso à Escola Técnica (PRONATEC) e o Programa Universidade para Todos (PROUNI). O PRONATEC, instituído em 2011, concede bolsas e financiamento para educação técnica de alunos do ensino médio com menores condições financeiras, trabalhadores em situação de desemprego e beneficiários de programas de assistência social do governo. Já o PROUNI, voltado a alunos com renda per capita familiar inferior a três salários mínimos, fornece bolsas integrais e parciais em escolas particulares de ensino superior. Esse programa foi responsável por oferecer mais de 195 mil bolsas no primeiro semestre de 2012. Ainda outro aliado para o incremento de vagas do ensino superior é a concessão de crédito diretamente ao estudante, por exemplo via Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (FIES). Em relação a setores específicos, cita-se o PROMINP62, que atua na qualificação de pessoas para o mercado de óleo e gás. Tal programa já formou mais de 81,5 mil pessoas até 2011, e é estimada uma demanda por capacitação de mais de 200 mil trabalhadores até o ano de 2014.

59 Dados de 2010. Percentual calculado com base nas instituições que receberam pontuação. Fonte: Ministério da Educação

World Competitiveness Yearbook 2012, pesquisa realizada anualmente em nível mundial com respondentes de alta e média gerência de 59 países

60

61 Assegurado também a todos os que não tiveram acesso a ela na idade própria 62 Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural, criado pelo Decreto 4.925 de 2003


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

DIAGRAMA 17

A internacionalização da formação de talentos no Brasil é baixa e não atende às necessidades do mercado

Ensino de idiomas no Brasil não é considerado adequado ao mercado

Estudos no Brasil são pouco internacionalizados

Alinhamento do ensino de idiomas às necessidades do mercado - notas de 0 (mín.) a 10 (máx.)

Fluxo internacional de estudantes Entradas e saídas por mil habitantes

BRASIL

3,7

BRASIL

0,2

JAPÃO

3,9

ÍNDIA1

0,2

rússia

3,9

MÉXICO1

0,2

CHINA

0,4

REINO UNIDO

4,4

china

4,4

méxico

4,6

coreia do sul

4,6

CHILE

1,2

RÚSSIA

1,3

JAPÃO

1,4

EUA índia chile frança eua hong kong alemanha CANADÁ CINGAPURA

Entrada2

2,3

Saída2

5,6

ALEMANHA

3,5

COREIA DO SUL

3,6

1. Dados de entrada de estudantes não disponíveis para Índia, México e Cingapura. 2. Dados de 2009 Nota: pesquisa realizada anualmente em nível mundial com respondentes de alta e média gerência de 59 países Fonte: World Competitiveness Yearbook - IMD; análise BCG

5,6

5,8

6,3

7,1

CINGAPURA1

3,9

CANADÁ

4,1

FRANÇA 7,6

HONG KONG

7,8

REINO UNIDO 8,4

Média do grupo: 5,6

4,8 6,1 6,3

AUSTRÁLIA

12,1 Média do grupo: 3,2

61


62

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

No âmbito estadual, pode ser destacado o lançamento em 2011 de uma rede de ensino em São Paulo capaz de conjugar o ensino médio com estudos técnicos, tendo como meta beneficiar 450 mil estudantes até 201463, através da parceria com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo e o Centro Paula Souza. Este último, focado no ensino superior e profissionalizante, conta com mais de 226 mil alunos em ensino técnico, constituindo uma referência para o alinhamento entre a formação de talentos e as necessidades do mercado. Já em relação à iniciativa privada, destacam-se as ações de várias organizações não governamentais com o intuito de promover a melhoria da formação no Brasil, como o Movimento Todos Pela Educação, os Institutos Ayrton Senna e Unibanco, a Fundação Bradesco, o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) e o projeto Amigos da Escola. No ensino superior, programas de concessão de bolsas64 de instituições sem fins lucrativos, como a Fundação Estudar e o Instituto Ling, contribuem para acelerar a formação de pessoas qualificadas, necessárias ao polo brasileiro de investimentos e negócios. Por fim, algumas empresas, tais como Totvs e Infosys, fazem uma ponte com a academia para formar pessoas com o conhecimento necessário às suas atividades. Para inserir a população em um contexto globalizado, as universidades brasileiras vêm realizando parcerias internacionais para a realização de intercâmbios. O Erasmus, programa da União Europeia, é exemplo de iniciativa que pode promover maior integração internacional de estudantes na América Latina, especialmente no Brasil.

Circulação de talentos O País está hoje mais atrativo a talentos internacionais, algo altamente positivo para qualquer polo de investimentos e negócios e particularmente proveitoso no momento atual, em que enfrenta dificuldades imediatas na qualificação de seus trabalhadores. Esse aumento de atratividade foi capturado na pesquisa do IMD65, no qual o Brasil passou da 27ª posição em 2010 para a 12ª em 2012 em relação aos países selecionados (veja Diagrama 18). A materialização desse crescimento é verificada também na concessão de vistos permanentes e por tempo determinado de trabalho, com crescimento de 15% entre 2008 e 2011 (veja Diagrama 18). Os trabalhadores que estão ingressando no País possuem alta escolaridade e são provenientes principalmente de países da Europa, Estados Unidos e Japão. Esse movimento pode ser atribuído pela perspectiva positiva do Brasil e pelo cenário de crise internacional, impulsionando empresas a investirem no País e deslocando talentos para aproveitar as oportunidades existentes.

63 Fonte: Secretaria da Educação do estado de São Paulo 64 O programa sugere que os bolsistas doem o valor recebido, de forma a garantir a sustentabilidade da iniciativa 65 World Competitiveness Yearbook 2012, pesquisa realizada anualmente em nível mundial com respondentes de alta e média gerência de 59 países


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

63


64

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

DIAGRAMA 18

Aumento da atratividade para talentos internacionais e no número de vistos reflete melhor posicionamento do Brasil na circulação de talentos Número de vistos de trabalho de médio e longo prazo cresceu 15% a.a. entre 2008 e 2011

Pesquisa aponta aumento na atratividade do Brasil a talentos internacionais em 2011 e 20121

N° de vistos de trabalho emitidos2 (mil)

12º

+15%

brasil

18º

18,0 26º

26º

27º

15,4 2,4 2,0 11,0

23,6

TACC ‘08-’11

2,7

3,7% 32,0%

4,6

2,2

13,7

3,5

16,3

14,0%

2,2 2,5

12,3

9,0

2008

2009

2010

2011

2012

N° total de vistos (mil)

2008

2009

2010

2011

44,0

42,9

56,0

70,5

Permanente

Temporário com contrato de trabalho no Brasil de 2 anos

Assistência técnica ou transferência de tecnologia

1. Posição do Brasil em relação aos países avaliados referente à pergunta realizada: “Pessoas altamente especializadas são atraídas pelo ambiente de negócios no seu país” em escala de 1 a 6 transformada em escala de 0 a 10 para propósitos de ranking dos países. Foram selecionados 57 países em 2008 e 2009, 58 em 2010 e 59 em 2011 e 2012 2. Não foram considerados vistos temporários para o trabalho a bordo de embarcação e outras autorizações, tais como para treinamento profissional e realização de eventos. Números de vistos também não abrangem aqueles concedidos pelo Conselho Nacional de Imigração, como amparo humanitário e união estável entre brasileiros e estrangeiros. / Fonte: World Competitiveness Yearbook - IMD; Ministério do Trabalho e Emprego

No entanto, há de se ressaltar que o governo brasileiro ainda não possui uma iniciativa de atração desses talentos e o processo de obtenção de vistos é complexo, longo e oneroso, com barreiras burocráticas à entrada de pessoas. Como consequência, muitas empresas instaladas no Brasil são obrigadas a manter vagas abertas por um tempo elevado, por não conseguirem encontrar pessoas qualificadas internamente nem trazer facilmente trabalhadores estrangeiros. Isso se deve ao fato de que a legislação atual traduz a percepção de que a entrada de profissionais estrangeiros retira vagas que podem ser preenchidas por brasileiros. Mas ao se analisar essa questão por outra perspectiva, conclui-se que a abertura a profissionais estrangeiros poderia contribuir com a difusão de conhecimento, melhorar a produtividade do País e reduzir um eventual processo inflacionário por conta da escassez de trabalhadores, formando um movimento positivo denominado brain gain.


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

No lado inverso, a gestão do brain drain, que é a saída de talentos de um país, também não é acompanhada de perto pelo governo brasileiro. Não existe uma rede organizada de manutenção de contato com os mais de três milhões de expatriados brasileiros, diferente do que ocorre na Índia e Chile, por exemplo. Tal rede, se bem administrada, poderia induzir o retorno de talentos ao País, trazendo recursos financeiros e capital intelectual. Como exemplo de ação estratégica de sucesso para atração de talentos, pode ser citado o programa da Austrália, que divulga constantemente uma lista contendo os profissionais que estão em falta no País, facilitando a entrada desses talentos. O Canadá e o Reino Unido seguem caminho semelhante, adotando um sistema de pontuação para concessão de vistos de trabalho que alia as necessidades do País à especialização dos imigrantes. Diante dos desafios enfrentados hoje por profissionais estrangeiros interessados em trabalhar no Brasil, está em curso um projeto de fast track, coordenado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, para facilitar e acelerar a concessão de visto a trabalhadores qualificados. Para que o Brasil se beneficie da crescente movimentação de talentos internacionais, um caminho possível é o mapeamento das deficiências de curto prazo, a simplificação do processo de imigração para os tipos de profissionais em falta e a estruturação de iniciativas de atração destes de forma proativa.

Indicadores Para o pilar talentos e capital humano, as dimensões selecionadas para acompanhamento contínuo são: • Contingente demográfico: mede a projeção de disponibilidade da População Economicamente Ativa (PEA) em comparação com a projeção de demanda de trabalhadores em cada país. Esse indicador aponta se há matéria-prima humana para constituição de um conjunto de talentos – quanto maior o excesso de crescimento da PEA comparado à demanda de profissionais, melhor para o polo; • Quantidade do ensino primário e secundário: mensura o primeiro nível de qualificação dos talentos de um país, isto é, verifica se todos recebem educação básica; • Qualidade do ensino primário e secundário: apenas obter educação não é suficiente, caso não se tenha qualidade. Portanto, esse indicador procura apontar o nível de qualidade do ensino básico oferecido; • Quantidade de ensino superior: reflete o nível seguinte da qualificação dos talentos do país por meio da taxa de matrículas no ensino superior; • Alinhamento do ensino superior ao mercado: indica se o conteúdo do ensino superior, tanto técnico quanto universitário, está sintonizado às demandas profissionais do mercado. Quanto maior o alinhamento, melhor a atratividade do país;

65


66

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

• Internacionalização de estudos (idiomas e vivência): esse indicador mede as duas vertentes do caráter internacional da educação – o intercâmbio educacional entre países e o alinhamento do ensino de idiomas às necessidades do mercado de trabalho. Quanto mais internacionalizada a formação das pessoas, melhor preparado estará o conjunto de talentos do país para atender as necessidades de um polo internacional; • Disponibilidade de gestores e engenheiros de qualidade: avalia se há um bom número de gestores e engenheiros de qualidade, profissionais demandados por empresas que pensam em se instalar no país; • Intensidade de pesquisa e desenvolvimento: aponta o quanto de pesquisa e desenvolvimento é feito no país, o que está associado à geração de capital intelectual. Esse indicador é medido pelo número de pessoas desempenhando trabalho de pesquisa e desenvolvimento sobre a população total; • Atratividade do país para talentos internacionais: mostra a percepção dos empresários de cada país, através de pesquisa, sobre o quão atrativo o próprio país é para profissionais internacionais; • Complexidade de imigração de talentos: afere a simplicidade ou a dificuldade para a entrada de profissionais estrangeiros no país, os quais trazem conhecimento e vivência externos e suprem lacunas temporárias de capacitações específicas no conjunto nacional de talentos; • Gestão da diáspora: indica se há mecanismos em prática para gerir os cidadãos do país que se encontram em outros lugares do mundo. A gestão da diáspora de um polo é chave, pois os expatriados constituem potenciais talentos que podem retornar à nação ou promover o país de origem nos mercados em que se encontram. O resultado da classificação do Brasil no pilar talentos e capital humano diante dos outros países pode ser observado a seguir:

é urgente o País trabalhar a qualificação da sua mão de obra, principalmente no que tange à qualidade do ensino e o seu alinhamento com as demandas do mercado


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

67

TALENTOS E CAPITAL HUMANO crítico

1.

CONTINGENTE DEMOGRÁFICO

2.

QUANTIDADE DE ENSINO PRIMÁRIO E SECUNDÁRIO

P

CHN

a desenvolver

KOR DEU

FRA

JPN

bom

USA GBR

excelente

BRA

IND

MEX

RUS

BRA IND

HKG

CHN CHL

MEX

SGP DEU FRA

USA

RUS

KOR GBR JPN

BRA

3.

MEX CHL

QUALIDADE DO ENSINO PRIMÁRIO E SECUNDÁRIO1

RUS

FRA

DEU CHN

JPN KOR HKG

USA GBR

SGP

BRA

4.

QUANTIDADE DE ENSINO SUPERIOR

5.

ALINHAMENTO DO ENSINO SUPERIOR COM O MERCADO

6.

INTERNACIONALIZAÇÃO DE ESTUDOS (IDIOMAS E VIVÊNCIA)

7.

DISPONIBILIDADE DE GESTORES E ENGENHEIROS DE QUALIDADE

8.

INTENSIDADADE DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO

9.

ATRATIVIDADE DO PAÍS PARA TALENTOS INTERNACIONAIS

IND

CHN

MEX

FRA HKG JPN SGP RUS

DEU

USA

KOR

GBR CHL

BRA JPN CHN KOR RUS

IND CHL FRA

USA HKG

GBR

DEU

SGP

MEX

BRA JPN

CHL CHN

USA

IND

FRA

KOR

GBR

DEU

SGP HKG

MEX RUS

BRA KOR CHN

DEU JPN

GBR

IND

RUS

CHL FRA

SGP

HKG

USA

BRA IND CHL

CHN

HKG

GBR

RUS

FRA

DEU

SGP

JPN

KOR

BRA JPN

MEX

FRA KOR

DEU HKG

RUS

CHN

IND

CHL

USA

GBR

SGP

BRA COMPLEXIDADE

10. DE IMIGRAÇÃO DE TALENTOS

KOR

JPN RUS CHN

SGP DEU

IND

FRA

GBR

MEX

CHL

USA

HKG

BRA

11. GESTÃO DA DIÁSPORA PAÍSES EMERGENTES

GBR

DEU

CHL RUS

SGP

HKG

IND

PRINCIPAIS POLOS INTERNACIONAIS

OUTROS PAÍSES DESENVOLVIDOS

P: INDICADOR BASEADO EM DADOS PROJETADOS. 1: Dados não atualizáveis em relação ao Relatório de Atratividade 2011.

Como se vê, o Brasil se destaca principalmente pelo seu contingente demográfico e também pela sua crescente atratividade a talentos internacionais, dadas as condições favoráveis do País em um contexto econômico mundial ainda incerto. No entanto, em relação às demais dimensões, o Brasil tem um posicionamento entre crítico e a desenvolver, ressaltando a distância do País vis-à-vis outros polos de investimentos e negócios. Esse posicionamento ruim nas demais dimensões ressalta a necessidade urgente de o País trabalhar a qualificação da sua mão de obra, principalmente no que tange à qualidade do ensino e o seu alinhamento com as demandas do mercado e de um polo de investimentos e negócios.


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ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

a demora em aprovar o Plano Nacional de Educação (apresentado em 2010) e as metas de indicadores de qualidade ainda tímidas podem prejudicar a evolução almejada e manter o Brasil em um nível inferior ao que é necessário para garantir o seu crescimento

Conclusão A demografia do Brasil se apresenta como um dos potenciais elementos-chave para a consolidação do País como um polo de investimentos e negócios. Para capturar esse benefício, no entanto, é necessário um planejamento estratégico de longo prazo com implantação praticamente imediata e com iniciativas voltadas à qualificação profissional, principalmente pela disponibilização de ensino de qualidade à população. Nota-se uma disposição em tratar esse item, mas a demora em aprovar o Plano Nacional de Educação (apresentado em 2010) e as metas de indicadores de qualidade ainda tímidas podem prejudicar a evolução almejada e manter o Brasil em um nível inferior ao que é necessário para garantir o seu crescimento. No que diz respeito à circulação de talentos, percebe-se uma maior atenção dos estrangeiros ao País. Isso pode representar uma oportunidade para desenvolver as lacunas de demanda imediata por profissionais, ajudar a capacitar a mão de obra local e frear o aumento desproporcional de salários que resulta da escassez de mão de obra qualificada. A análise de como aproveitar esse tipo de mão de obra está na pauta do governo brasileiro, mas é necessário realizar as reformas requeridas de modo a facilitar a atração de imigrantes e não desperdiçar essa janela que se abre ao Brasil.


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

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04

infraestrutura física

A existência de uma infraestrutura física capaz de capturar os pontos positivos de um país e não imputar custos adicionais na realização de investimentos e negócios é fundamental para a construção e dinamização de um polo. Além de uma análise geral sobre o nível de investimento em infraestrutura física no Brasil, este pilar também é segmentado nos seguintes aspectos: mobilidade urbana, conectividade logística, telecomunicações e serviços básicos.

Principais aspectos do pilar infraestrutura física Mobilidade urbana: é necessário que um polo de investimentos e negócios seja capaz de promover o deslocamento fácil de pessoas nas principais cidades, reduzindo tempo e custos. Conectividade logística: quanto maior o número de conexões, mais dinâmica é a economia e mais facilmente ela pode proporcionar o escoamento de produtos e o fluxo de pessoas. Telecomunicações: uma boa rede de telecomunicações também é condição necessária para aumentar a atratividade de um país. Sem uma estrutura capaz de dar vazão a um fluxo cada vez maior de informações de forma rápida e com custo competitivo, torna-se virtualmente impossível construir uma base econômica sólida fundada em serviços e, portanto, um polo de investimentos e negócios. Serviços básicos: divididos entre disponibilidade de energia, água e saneamento, constituem os padrões mínimos necessários ao estabelecimento de pessoas e empresas em um país.


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No caso do Brasil, a necessidade de investimentos é comparativamente maior por estar atrasado em relação aos demais polos e países desenvolvidos, e pelo fato de que tais investimentos podem contribuir significativamente com a expansão do Produto Interno Bruto (veja Diagrama 19).

DIAGRAMA 19

Investimentos em infraestrutura aumentam o potencial de crescimento da economia brasileira Infraestrutura tem impacto perceptível no crescimento da economia brasileira Cenários de crescimento da economia brasileira entre 2011 e 20201 variam de acordo com diferentes níveis de investimento em infraestrutura no País

7

CRESCIMENTO DA ECONOMIA BRASILEIRA ENTRE 2011 E 2020 - % a.a.

6

cenário otimista do estudo1

5

cenário base do estudo1

4

cenário com nível atual de investimentos

3 2 1

0

1

2

3

4

5

6

1. Cenários de acordo com previsões do Banco Morgan Stanley. / Fonte: Morgan Stanley’s Paving the Way; pesquisa na mídia.

INVESTIMENTO EM INFRAESTRUTURA % do PIB BRASILEIRO

7

71


72

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O investimento em infraestrutura em relação ao PIB foi reduzido gradativamente desde a década de 1970, saindo de 5,4% para um patamar próximo a 2% do PIB na década de 2000. Tal nível de investimento é suficiente apenas para realizar a manutenção da estrutura atual (veja Diagrama 20). Em termos comparativos, a China investiu aproximadamente 11%66 em 2010, e a Índia, que entre 2004 a 2008 investiu em média 5,1%, estabeleceu meta de 7,6% para o período de 2008 a 201267. Esse baixo nível de investimento ao longo das últimas décadas teve reflexos claros na infraestrutura atual do País, que se mantém deficiente. Em rankings internacionais que

66 Fonte: Braking China Without Breaking the World - Black Rock, CEIC, China National Statistics Bureau 67 Em 2009, o investimento estimado foi de 7,2%. Fonte: India’s Secretariat for the Committee on Infrastructure

DIAGRAMA 20

O Brasil manteve baixos níveis de investimentos em infraestrutura nas últimas décadas Investimentos em infraestrutura no Brasil não cresceram com a economia... Investimentos em infraestrutura no Brasil % do PIB

...e hoje representam apenas o necessário para assegurar manutenção Investimentos em infraestrutura no Brasil % do PIB

Investimentos estimados pelo BNDES para o período de 2011 a 2014 de R$ 378 bi mantêm nível atual, de manutenção

5,4

6-8

3,6

1970s

1980s

2,3

2,1

1990s

2000s

2,0

nível mínimo de manutenção

2,01

2011-2014

nível de crescimento2

1. Considera projeção do EIU para PIB nominal do período 2. Estimativa do Banco Mundial para o Brasil atingir o nível da Coreia do Sul, benchmark em infraestrutura. / Nota: investimentos entre 2011 e 2014 não consideram o Programa de Investimentos em Logística, divulgado em agosto de 2012 / Fonte: Morgan Stanley’s Paving the Way, EIU; BNDES; análise BCG


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73

O investimento em infraestrutura em relação ao PIB reduziu gradativamente desde a década de 1970, saindo de 5,4% para um patamar próximo a 2% do PIB na década de 2000. Tal nível de investimento é suficiente apenas para realizar a manutenção da estrutura atual

avaliam a infraestrutura dos países, como o elaborado pela The Economist Intelligence Unit, o Brasil aparece apenas como 25º colocado entre 60 países (veja Diagrama 21). Em virtude desse panorama desfavorável, o assunto tem ganhado importância na pauta do País. Um exemplo é o PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento 2), anunciado para o período de 2011 a 2014, que prevê aportes públicos e privados de R$ 955 bilhões, dos quais 34% foram executados até junho de 2012, de acordo com o 4º balanço do programa. Dentre os investimentos contemplados no programa, destacam-se melhorias nos setores de energia, transportes e serviços básicos.

DIAGRAMA 21

Infraestrutura física brasileira classificada na 25ª colocação entre 60 países1 Ranking de infraestrutura EIU: 0 (mín.) a 10 (máx.) - 2011

9,7

9,6

9,4

9,4

9,3

9,2

9,0

9,0

9,0

8,5

8,5 7,8

Média do grupo: 8,1

10º

10º

14º

19º

22º

24º

25º

25º

26º

frança

cingapura

alemanha

austrália

canadá

japão

reino unido

hong kong

coreia do sul

chile

rússia

ARGENTINA

méxico

BRASIL

COLÔMBIA

5,9

eua

6,0

6,0

finlândia

6,2

6,6

dinamarca

7,0

1. Países com a mesma nota posicionam-se igualmente no rank. Nigéria, último país da lista, situa-se na 38ª colocação / Fonte: EIU


74

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

No entanto, a escassez de recursos, aliada a questões de austeridade fiscal, é um dos fatores que limitam o investimento público em infraestrutura. Diante disso, tendo em vista a manutenção dessa política macroeconômica prudente, atrair investimentos privados é fundamental para trabalhar essa deficiência estrutural. No início de 2012, houve a concessão dos aeroportos de Cumbica (São Paulo), Viracopos (Campinas) e Juscelino Kubitscheck (Brasília), com ágio médio de 348%, além do aeroporto de São Gonçalo do Amarante (Rio Grande no Norte), arrematado em 2011 por R$ 170 milhões, valor 229% superior ao preço mínimo (veja Quadro B). Além dessa iniciativa, em agosto de 2012 o governo brasileiro lançou o Programa de Investimentos em Logística, fundado principalmente na atração da iniciativa privada para os setores rodoviário e ferroviário68.

QUADRO B

A concessão de aeroportos ocorrida em 2012 busca atrair a iniciativa privada para reduzir gargalos de infraestrutura

No início de 2012, foi concedida à iniciativa privada a operação de três dos principais aeroportos do País: Cumbica (São Paulo), Viracopos (Campinas) e Juscelino Kubitschek (Brasília), que movimentam juntos mais de 50 milhões de passageiros por ano. Em relação ao valor pago, houve um ágio médio de 348% sobre os preços mínimos, por meio do que o governo pôde arrecadar aproximadamente R$ 24 bilhões. A criação da Secretaria de Aviação Civil em 2011, órgão que concentra os poderes de formulação de políticas do setor de aviação civil, entre outras, foi uma importante medida adotada para permitir a realização da concessão do setor aeroportuário. Essas medidas sinalizam o compromisso do governo brasileiro de trabalhar sobre os gargalos de infraestrutura, bem como o interesse da iniciativa privada em investimentos nesse setor. Há a previsão de que outros aeroportos, como o do Galeão (Rio de Janeiro) e o de Confins (Belo Horizonte), passem pelo mesmo processo, adotando o modelo de concessão ou parceria público-privada. Nota: foi realizada a concessão do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante (RN) em 2011. Fonte: Planalto, Infraero, ANAC, pesquisa na mídia, análise BCG

68 Planos para os setores portuário e aeroportuário não foram divulgados até o fechamento desta edição.


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Esse programa prevê a concessão de 7,5 mil km de rodovias, tendo como parâmetro a seleção do concessionário baseada na menor tarifa de pedágio. Para ferrovias, é projetada a construção de 10 mil km por meio de parceria público-privada (PPP), surgindo também como boa alternativa para o setor (veja Quadro C). São estimados investimentos da ordem de R$ 23,5 bilhões para rodovias e R$ 56,0 bilhões para ferrovias nos próximos cinco anos. Os editais de licitação destes modais estão programados para serem publicados entre o final de 2012 e o início de 2013, com assinatura do contrato para meados de 2013.

QUADRO C

As concessões e as parcerias público-privadas como meios de viabilização de investimentos na infraestrutura brasileira

As parcerias público-privadas (PPPs) desenvolveram-se após as crises do petróleo dos anos 70, como uma resposta à redução da capacidade de financiamento estatal de grandes obras. Nas PPPs, um contrato de concessão temporária dá ao ente privado o encargo de projetar, construir e elaborar um empreendimento de interesse público, além da responsabilidade de operar o investimento. Do outro lado, o Estado fica responsável por compartilhar os riscos e garantir um retorno previamente estabelecido. Entre 1985 e 2011 foram financiados por essa modalidade 1.969 projetos no mundo, equivalentes a US$ 774 bilhões. Desse montante, US$ 88,5 bilhões correspondem a 289 projetos executados na América Latina. Em virtude da falta de recursos do governo, as PPPs, juntamente com as concessões, são uma alternativa viável para trabalhar as lacunas de infraestrutura do Brasil. Como exemplos de sucesso de concessões e de PPPs podem ser citadas as rodovias em Portugal, as estradas interurbanas no Chile e os investimentos em água e saneamento na França. No Brasil, podem ser mencionadas as concessões rodoviárias do estado de São Paulo, terminais portuários e distribuidoras e geradoras de energia elétrica. Além disso, as PPPs possuem flexibilidade para abrir à iniciativa privada o investimento em setores ainda pouco explorados, como saúde, educação e segurança pública. Como exemplo, Minas Gerais está construindo o primeiro complexo penitenciário nesses moldes, com cerca de 3.000 vagas, previsto para ser inaugurado em 2012. Fonte: 2011 International Survey of Public-Private Partnerships – Public Works Financing; BNDES; pesquisa na mídia; análise BCG

75


76

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

Com base nas principais necessidades de um polo de investimentos e negócios, a infraestrutura pode ser dividida em quatro categorias principais: mobilidade urbana, conectividade logística, telecomunicações e serviços básicos, discutidos a seguir, de acordo com a matriz apresentada no Diagrama 22.

DIAGRAMA 22

Elementos de infraestrutura física serão abordados de acordo com sua importância para o polo e seu grau de desenvolvimento Análises concentradas nas categorias de maior importância e menor desenvolvimento Importância para um polo de negócios

CRÍTICO

2. CONECTIVIDADE LOGÍSTICA

ALTA

DEFICIENTE

1. MOBILIDADE URBANA

3. TELECOMUNICAÇÕES

4. SERVIÇOS BÁSICOS (ENERGIA, ÁGUA E SANEAMENTO)

BAIXA ACEITÁVEL

Grau de desenvolvimento brasileiro (foco em SP e RJ)

DEFICIENTE Fonte: análise BCG.


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Mobilidade urbana São Paulo e Rio de Janeiro, as duas principais cidades brasileiras de negócios e que juntas representam 30% da população do Brasil e 44% do PIB69, possuem deficiências significativas em mobilidade urbana. Em relação ao congestionamento, São Paulo é a sexta pior cidade do mundo em matéria de tráfego urbano, de acordo com o IBM Traffic Congestion Index de 201070, registrando, em 2008, média de 114 km de congestionamento71. Rio de Janeiro está somente um pouco melhor, com 95 km72 de lentidão em horários de pico.

69

Fonte: IBGE

Índice composto por variáveis como: tempo gasto no trajeto ao trabalho, percepção de piora do trânsito, stress causado ao condutor e impacto negativo no trabalho

70

Valor calculado como média entre congestionamentos dos picos da manhã e da tarde. Fonte: Observatório Nossa São Paulo 71

Fonte: Plano Diretor de Transportes Urbanos da Região Metropolitana do Rio de Janeiro 72

73 Principais aeroportos são: Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão – Antônio Carlos Jobim (GIG), Aeroporto Santos Dumont (SDU), Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos – Governador André Franco Montoro (GRU), Aeroporto de Congonhas/São Paulo (CGH), Aeroporto Internacional de Viracopos/Campinas (VCP) 74

75

Dados de 4 a 10 de junho de 2012. Fonte: OAG database

Exceção feita ao Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão

Esse problema é ainda mais crítico por conta da baixa disponibilidade de metrô: as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro têm menos da metade da disponibilidade de metrô per capita do que Cidade do México, Londres, Pequim e Xangai, que possuem densidades populacionais semelhantes. Para trabalhar essa deficiência, esforços estão sendo realizados em ambas as cidades: São Paulo possui estimativa de aumentar a extensão de metrô dos atuais 74 km para 104 km em 2014 e 200 km em 2018, enquanto que Rio de Janeiro, com 42 km, tem intenção de aumentar sua malha para 55 km até 2015.

Conectividade logística As análises de conectividade logística serão realizadas a seguir, por simplificação, em relação ao eixo Rio-São Paulo, em cinco tipos principais de vias: aeroviária, rodoviária, portuária, ferroviária e hidroviária: • As cidades de São Paulo e Rio de Janeiro são ligadas diariamente por cerca de 115 voos diários73, quantidade superior aos aproximadamente 70 voos diários entre Nova Iorque e Washington74. Em termos internacionais, 1.300 voos semanais conectam São Paulo ao mundo, volume próximo ao de cidades como Chicago, Pequim e Cidade do México. Contudo, os aeroportos dessas cidades brasileiras operam com sobrecarga, e, apesar das concessões ocorridas recentemente, as obras planejadas de aumento de capacidade podem não ser suficientes para aliviar a situação dos aeroportos no curto prazo75 (veja Diagrama 23);

77


78

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

DIAGRAMA 23

Os aeroportos de São Paulo e Rio de Janeiro operam com sobrecarga e as ampliações previstas podem não ser suficientes

Principais aeroportos atualmente já operam acima da capacidade...

...e melhorias planejadas podem não ser suficientes

Capacidade utilizada em nº de passageiros anuais - % capacidade teórica

Capacidade de passageiros em 2014 / milhões

CUMBICA (SP)

146%

CONGONHAS (SP) S. DUMONT (RJ) GALEÃO (RJ)

140% 100%

83%

Três dos quatro principais aeroportos em São Paulo e no Rio já operam com sobrecarga

CUMBICA (SP)2

21

GALEÃO (RJ) 2

18

CONGONHAS (SP)3

12

S. DUMONT (RJ)3

9

40

14 35

15

18 8

26

22 3 15

8 9

Planos não consideram buffer para horários de pico1

1. 20 a 40% de capacidade ociosa recomendada para comportar demanda em horas de pico. 2. Com base na projeção do IPEA 3. Demanda total para o Brasil calculada em 191 milhões de passageiros anuais – quebra de demanda por aeroporto feita de acordo com a quebra atual – análise é não definitiva, feita somente para simular um cenário. / Fonte: IATA; Infraero; Tribunal de Contas da União, IPEA, análise BCG

Capacidade adicional em 2014 Capacidade atual Demanda estimada em 2014/Milhões

• Apesar das conexões rodoviárias do estado de São Paulo e do Rio de Janeiro sofrerem de alguns problemas de manutenção, assim como no restante do Brasil, elas são abundantes e de qualidade relativamente boa. De acordo com pesquisa da Confederação Nacional de Transportes publicada em 2011 sobre rodovias, 78,7% e 65,9% das extensões rodoviárias paulistas e fluminenses, respectivamente, são classificadas como boas ou ótimas; • São Paulo e Rio de Janeiro se conectam com outras regiões do mundo por meio de nove portos marítimos, sendo responsáveis, em 2011, pela movimentação de 46% de todos os contêineres no Brasil76. Esses portos, no entanto, assim como no restante do País, possuem gargalos de custos e eficiência. Para tentar solucionar essa fraqueza, o governo brasileiro vem buscando estabelecer iniciativas para melhoria e expansão. Além disso, o setor privado tem projetos de construção de portos, como os Portos Sudeste e Açu no estado do Rio de Janeiro, estimados em R$ 5 bilhões77 e capitaneados pelo conglomerado EBX. Fora do eixo Rio-São Paulo, a Vale anunciou o início de estudos para a construção do Porto do Espadarte no Pará, para escoamento de sua extração de minério de ferro;

76 Calculada em relação ao peso total. Fonte: Agência Nacional de Transportes Aquaviários 77 Fonte: Portal de relação com investidores MMX e LLX


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• O Brasil é um país limitado em sua conexão ferroviária, com extensão e cobertura reduzidas em comparação à sua extensão territorial, com alta concentração na região sudeste. Um grave problema que afeta a malha ferroviária brasileira é a diversidade de bitolas, o que dificulta a continuidade do transporte e requer estações de transbordo. Visando a melhor utilização da malha, em 2011 houve mudanças no marco regulatório ferroviário e, entre outras medidas, estabeleceu-se o direito de passagem e compartilhamento de infraestrutura existente entre concessionárias, mediante compensação78, o que pode gerar também desdobramentos na competitividade do setor. Além disso, o Programa de Investimentos em Logística mencionado anteriormente prevê um modelo de parceria público-privada para as novas linhas que combina a contratação pelo governo brasileiro da construção e manutenção das ferrovias e a gestão dessas linhas a cargo da Valec, estatal que oferecerá o direito de passagem às empresas interessadas. Por fim, a receita gerada será utilizada para complementar a remuneração do construtor da ferrovia; • O fluxo por hidrovias no Brasil, apesar de pujante (25 milhões de toneladas transportadas em 2011), atualmente se resume ao transporte de commodities e outros itens primários79. Seria importante estimular esse modal, de forma que nele mais tipos de mercadorias seriam transportados e, assim, outros meios de distribuição aliviados. Focando especificamente em São Paulo e Rio de Janeiro, a conexão logística, em termos gerais, é deficiente, com gargalos bastante relevantes. As iniciativas apontadas seguem no caminho de oferecer soluções a esses problemas, mas, como se tratam de projetos de longo prazo, é necessário o contínuo acompanhamento das obras, de forma a assegurar a execução sem atrasos e conforme as especificações traçadas.

Telecomunicações

78

Fonte: Resoluções 3.694, 3.695 e 3.696 de 2011 da ANTT 79 Estatísticas da Navegação Interior 2011, Agência Nacional de Transportes Aquaviários 80

81

Fonte: Atlas Brasileiro de Telecomunicações 2012

Do total de 5.565 municípios 82

Fonte: Teleco

O território dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro é 100% coberto por serviços de telefonia fixa e telefonia móvel80. Além disso, ressalvadas pequenas lacunas em regiões mais afastadas do perímetro urbano, ambos os estados oferecem boa cobertura de internet de banda larga à sua população. Cabe citar, também, avanços na cobertura da rede 3G, com 2.625 municípios atendidos81 e 83,2% da população coberta82 em 2011. A cobertura de telecomunicações, portanto, é um ponto importante a se destacar. Mas as deficiências em ambos os estados estão relacionadas principalmente à qualidade dos sinais móveis oferecidos e aos preços cobrados, elevados em comparação com os demais países (veja Diagrama 24).

79


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

DIAGRAMA 24

O Brasil apresenta boa base de telecomunicações com oportunidades claras para melhorar Velocidade de conexão realizada é inferior à vendida pelas operadoras

Custo de telefonia móvel no País é superior à média global

Velocidade de dados experimentada - Kbps

Custo de uma ligação de 3 minutos local em horário de pico, US$ 2010

0,1

0,3

china

0,3

CHILE

0,4

coreia do sul

857

371

0,5 0,8 0,9

REINO UNIDO

0,9

argentina

1,0

CANADÁ

873

551

0,3

eua

873

661

Cingapura

austrália1

767

1T11

méxico

769

4T10

0,2

1,0

JAPÃO

2

3T10

alemanha

0,1

2T10

rússia

4T11

ÍNDIA

3T11

0,0

2T11

1.024 Velocidade vendida pelas operadoras

HONG KONG

1T10

80

1,3

BRASIL

1,9

frança

2,3 Média: 0,7

1. Dados de 2008 2. Valor coletado com base na fonte local e convertido pela média do câmbio do ano. Considera a média do custo de ligação de três minutos local de quatro operadoras: NTT, KDDI, SoftBank Mobile e iMobile. / Fonte: Teleco; Akamai; ITU; Ministério da Comunicação do Japão, EIU, análise BCG

Já em nível nacional, o governo brasileiro tem intensificado o controle do setor. Em 2012, por exemplo, adotou medidas mais severas em relação à qualidade dos serviços prestados pelas operadoras de telefonia móvel. Em junho de 2012, ocorreu o leilão das faixas de frequência da rede 4G, arrematadas pelas quatro principais operadoras do País por aproximadamente R$ 2,5 bilhões, e com expectativa de que a rede se torne operacional em 2013. Apesar do leilão da rede 4G não alterar o ambiente competitivo do setor, ele permitirá a oferta de serviços mais avançados à população.


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

81


82

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

Serviços básicos Entre 2000 e 2002, houve racionamento de eletricidade e “apagões” no Brasil, provocados pela conjugação de diversos fatores como a falta de planejamento e de investimentos no setor elétrico, além de um período de secas agudas, crítico para a matriz energética brasileira, concentrada em hidrelétricas. A partir desse ponto, iniciaram-se maiores esforços no planejamento desse setor, com reformas em sua regulamentação, além da introdução de leilões e construções de novos projetos de geração de energia hidrelétrica e termelétrica83. Em relação à oferta de serviços básicos, como o acesso a água e saneamento, ela é satisfatória nas áreas urbanas brasileiras. O País tem nível próximo ao de nações desenvolvidas na cobertura quantitativa de acesso à água, e nível próximo ao dos demais países emergentes e superior aos demais BRICs quanto à cobertura de saneamento básico, como mostram os dados de 2010 divulgados pelo Banco Mundial (veja Diagrama 25).

DIAGRAMA 25

83 De acordo com o planejamento do governo divulgado através do Plano Decenal de Energia da Empresa de Pesquisa Energética, até o período de 2020 haverá uma oferta de energia elétrica de 6% a 10% superior à demanda

O acesso a água e saneamento no Brasil tem nível semelhante a benchmarks Acesso a fontes de água

Acesso a saneamento

ÍNDIA

97

MÉXICO

97

ARGENTINA

98

CHINA

98

74

RÚSSIA

99

74

BRASIL

99

58 87 91

85

CHILE

100

98

ALEMANHA

100

100

AUSTRÁLIA

100

100

CANADÁ

100

100

CINGAPURA

100

100

COREIA DO SUL

100

100

EUA

100

100

FRANÇA

100

100

JAPÃO

100

100

REINO UNIDO

100

100

% da população urbana

Fonte: Banco Mundial; análise BCG


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

83

Indicadores Para o pilar infraestrutura física, as dimensões selecionadas para acompanhamento contínuo são: • Mobilidade urbana: mede a disponibilidade de opções de transporte nas metrópoles de um país por meio da oferta de metrô combinada com a criticidade do trânsito; • Qualidade de transporte aéreo: mensura a qualidade do transporte aéreo em um país de acordo com a opinião de executivos; • Qualidade e custo de telecomunicações: telecomunicações são chave para a formação de um polo de negócios, especialmente no setor de serviços. O indicador identifica o nível evolutivo das telecomunicações no país por meio da conjugação de qualidade e custos; • Disponibilidade energética: a disponibilidade presente e futura, medida pela opinião de executivos de executivos em cada país; • Oferta de serviços básicos à população urbana: a oferta de serviços básicos em um polo define parte da qualidade de vida e também é indicador do nível de desenvolvimento do país e de seu mercado consumidor. O resultado da classificação do Brasil no pilar de infraestrutura física diante dos outros países pode ser observado a seguir:

INFRAESTRUTURA FÍSICA crítico

1.

MOBILIDADE URBANA1

2.

QUALIDADE DE TRANSPORTE AÉREO

3.

QUALIDADE E CUSTO DE TELECOMUNICAÇÕES

4.

DISPONIBILIDADE ENERGÉTICA

5.

OFERTA DE SERVIÇOS BÁSICOS À POPULAÇÃO URBANA1

BRA IND

a desenvolver

CHN

bom

FRA RUS

excelente

DEU

GBR

USA

MEX

BRA RUS

CHN

MEX

JPN

KOR

CHL

IND

USA

FRA

DEU

SGP

GBR

HKG

BRA MEX

CHN RUS

IND

JPN GBR

FRA CHL DEU USA

SGP KOR HKG

BRA IND

MEX CHL

GBR

CHN USA

KOR

JPN

DEU FRA SGP HKG

RUS

BRA IND

PAÍSES EMERGENTES

CHN RUS

PRINCIPAIS POLOS INTERNACIONAIS

MEX

SGP GBR USA JPNFRADEU

CHL KOR

OUTROS PAÍSES DESENVOLVIDOS

1: Dados não atualizáveis em relação ao Relatório de Atratividade 2011.

Neste pilar, o Brasil está atrás dos principais países objetos da comparação. O País encontra-se bem posicionado somente na oferta de serviços básicos à população urbana, superando a maioria dos países emergentes, mas ainda distante das nações desenvolvidas.


84

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

O Brasil encontra-se bem posicionado na oferta de serviços básicos à população urbana, superando a maioria dos países emergentes

No entanto, em relação aos demais indicadores, o desempenho do Brasil é “crítico” ou “a desenvolver”. A mobilidade urbana é vista como deficiente, e em dimensões onde há a captura de percepções – como qualidade de transporte aéreo, qualidade e custo de telecomunicações e disponibilidade energética – o País não constrói uma imagem atrativa, tanto em termos absolutos quanto em termos relativos.

Conclusão Fruto de décadas de baixos investimentos, o Brasil tem atualmente grandes gargalos de infraestrutura física, em todas as áreas importantes para um polo de negócios. Não oferece transportes urbanos adequados em suas duas principais cidades - São Paulo e Rio de Janeiro -, possui malha ferroviária com extensão proporcionalmente pequena, seus portos ainda são ineficientes, seu fluxo hidroviário é limitado e a infraestrutura aeroportuária nessas duas cidades já opera acima da capacidade nominal. Esse cenário poderia ser mais grave se não fossem as perspectivas futuras de melhoria. Com essas deficiências cada vez mais latentes, principalmente em relação à infraestrutura de transportes, percebe-se hoje um maior comprometimento do governo brasileiro em tratar esses gargalos evidentes. A recente concessão de três aeroportos relevantes e o Programa de Investimentos em Logística anunciado em agosto de 2012 são a comprovação de que o governo tem interesse em atrair o setor privado e considera-o uma alternativa eficaz para o tratamento desses gargalos. Com isso, surgem oportunidades claras de investimentos nos próximos anos, o que é atrativo por si só. Por fim, esses investimentos também deverão contribuir positivamente para o posicionamento do Brasil como polo de investimentos e negócios.


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infraestrutura financeira Uma infraestrutura financeira forte e robusta, capaz de oferecer segurança e condições propícias de financiamento, é condição imprescindível para a formação de um polo internacional de investimentos e negócios. O Brasil parte de uma posição sólida neste pilar: a regulação do sistema financeiro brasileiro é reconhecida internacionalmente em rankings de competitividade, como os elaborados pelo Fórum Econômico Mundial e pelo IMD. Sua posição de destaque também pode ser atribuída à regulação e supervisão de segmentos específicos como o de derivativos, referência para outros países, em virtude da centralização da negociação e registro (veja Quadro D). Adicionalmente, os bancos brasileiros têm se destacado internacionalmente cada vez mais pela sua solidez. Por exemplo, ranking84 publicado pela Bloomberg em 2012 coloca dois bancos sediados no País dentre os 20 mais sólidos do mundo. Aliado a isso, o sistema financeiro do Brasil apresenta rentabilidade positiva, mesmo no contexto de crise recente (veja Diagrama 26).

Principais aspectos do pilar infraestrutura financeira Benefícios diretos da infraestrutura financeira: • Financiamento da economia: um país capaz de oferecer as ferramentas adequadas à satisfação das necessidades de crédito das empresas torna-o mais atrativo para a realização de investimentos e negócios internamente e propicia a expansão internacional de suas multinacionais. • Alocação eficiente de riscos: quanto maior a disponibilidade de instrumentos de gestão de risco, maior a redução de incertezas, oferecendo mais previsibilidade aos custos operacionais das empresas. Benefícios indiretos da infraestrutura financeira: a indústria financeira contribui indiretamente também através da geração de tributos e empregos, além de estimular o setor de serviços profissionais especializados como auditoria, advocacia, tecnologia da informação e consultoria.

84 Fonte: World’s Strongest Banks


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QUADRO D

O Brasil como referência em solidez de organização e regulação do mercado financeiro

É comum ouvir que o Brasil passou relativamente ileso pela crise financeira de 2008. Esse fato pode ser atribuído não só à solidez macroeconômica do País, mas também à organização e regulação do seu mercado financeiro. Suas regras, que tentam ponderar a dicotomia entre segurança e flexibilidade necessárias para o desenvolvimento do mercado, encontraram um ponto de relativo equilíbrio. Alguns exemplos de regulação de referência do Brasil são: • Os fundos de investimento são acompanhados mais de perto pelo órgão regulador. Por exemplo, eles são obrigados a demonstrar as posições existentes em suas carteiras no prazo máximo de três meses. Isso faz com que esquemas fraudulentos, como o caso Madoff, sejam mais difíceis de ocorrer no País; • Operações de derivativos são registradas em um ambiente comum, a Central de Exposição de Derivativos (CED). Assim, mediante a autorização das empresas, é possível ter acesso à posição detida nessas operações, o que oferece, portanto, maior transparência ao mercado, e, com isso, evitam-se eventuais superexposições. Os Estados Unidos e o Reino Unido vêm desenvolvendo sistemas inspirados nesse modelo; • As operações em bolsa no Brasil possuem contraparte centralizada, garantindo a liquidação da transação e, consequentemente, a segurança necessária aos envolvidos; • O risco de insolvência dos intermediários não compromete a transferência de recursos para a realização de operações no Brasil. Como ela é feita em moeda de reserva bancária, no Banco Central do Brasil ( settlement in central bank line ), os valores envolvidos, incluindo garantias, não entram em eventual massa falida de tais intermediários; • O País já exige de seus bancos o nível mínimo do Índice de Basileia de 11%, superior aos 8% exigidos internacionalmente. Em abril de 2012, a média desse índice para o Brasil encontrava-se em 16%, apresentando bom posicionamento. Além disso, o Banco Central fez uma avaliação positiva da capacidade das instituições financeiras brasileiras de implantar as regras do Acordo de Basileia III a partir de 2013, que define critérios mais rígidos para a composição dos requerimentos de capital e aumenta o nível do índice para 13%.

Com a constatação de que o Brasil parte de patamar elevado, passamos a uma análise mais detalhada das fortalezas já existentes e das oportunidades de melhorias para benefícios diretos e indiretos da infraestrutura financeira para o País como polo de investimentos e negócios.


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DIAGRAMA 26

O Brasil já conta com um sistema financeiro forte e bem posicionado em relação às economias desenvolvidas

Bancos com retorno positivo ao acionista em relação às economias desenvolvidas1 TSR2 2007-2011 a.a. (%)

indonésia

20,2

colômbia

14,1

chile

10,3

méxico

Mercado de ações com maior retorno desde 2004 entre as principais economias

10,2

índia

6,2

brasil

6,2

Variação no valor do mercado de ações3 índice 2004=100

400 -0,3

-4,5

CINGAPURA china

-5,5

hong kong

-5,9

rússia

-13,8

-16,3

300

BRASIL

200

CHINA MÉXICO ÍNDIA RÚSSIA

100

EUA JAPÃO

eua reino unido alemanha

-19,4

frança

-21,3

2004

2005

2006

2007

2008

2009

2010

2011

JAPÃO

-23,5

Países emergentes

Países desenvolvidos

1. Entre principais sistemas bancários do mundo avaliados na pesquisa Creating Value in Banking do BCG. 2. TSR: Total Shareholder Return é composto por ganhos de capital e dividendos. 3. Em US$. / Nota: todos TSRs calculados em moeda local. / Fonte: Relatório BCG Creating Value in Banking de 2012; EIU; BIS; World Bank; Standard & Poor’s; World Federation of Exchanges, análise BCG


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Benefícios diretos da infraestrutura financeira para um polo Os benefícios diretos da infraestrutura financeira foram divididos em dois blocos principais: o financiamento da economia e a alocação eficiente de riscos.

Financiamento da economia Avaliando algumas modalidades de financiamento usadas por empresas, observa-se grande evolução nos últimos anos (veja Diagrama 27). O crédito bancário, considerando-se recursos livres e linhas direcionadas do BNDES, cresceu 15% ao ano em termos reais desde 2004, mais do que dobrando no período. Além disso, a capitalização das empresas na BM&FBOVESPA aumentou 43% entre 2004 e 2007, tendo se mantido praticamente estável desde 2008. A exceção é o mercado de títulos da dívida privada (como debêntures) no Brasil, que ainda é uma via de financiamento pouco utilizada. Seu estoque de aproximadamente R$4 bilhões representa um valor muito baixo se comparado ao crédito PJ, além de ter crescido somente cerca de 4% ao ano em termos reais.

DIAGRAMA 27

O financiamento para as empresas expandiu-se significativamente no Brasil nos últimos anos Crédito PJ vem crescendo significativamente no Brasil

Valor da Bolsa cresceu até 2007 e com leve queda desde então

Debêntures também crescendo, porém com ritmo mais lento

Estoque de crédito PJ no Brasil (R$B reais1)

Valor de mercado das empresas listadas na BM&FBOVESPA1 (R$B reais2)

Estoque de debêntures no Brasil (R$B reais1)

-3%

1.073

+15%

898

789

414 38%

476 37%

62% 63%

543

635 30%

37%

961 39%

+43% 2.488

39%

1.512

32%

35%

65%

63% 68% 70%

61%

61%

2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Crédito livre

846

2.335 2.398 2.225

1.362

+4% 16 15

17 18

19

20 19

20

1.073

2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011

2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011

Crédito direcionado (BNDES)

1. Considera último dia útil do ano. 2. Valores base dez/2011, ajustados pelo IGPM. / Fonte: Banco Central do Brasil; BIS; Bancos centrais e outras instituições dos países individuais; Bloomberg


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No entanto, com a queda de juros ao longo dos anos, que atingiu o menor nível em 2012, existe maior espaço para o crescimento de tais modalidades, tanto por conta do menor spread implícito quanto pela busca dos investidores por alternativas mais rentáveis do que os títulos públicos. Em termos comparativos com outros países, analisando a participação desses instrumentos de financiamento vis-à-vis o PIB do País, percebe-se que ainda há espaço para crescimento. O Brasil está distante da maioria dos países comparados, como Estados Unidos, China e França, tanto em crédito PJ quanto em debêntures. A única posição em que o País se situa em linha com alguns dos países analisados refere-se ao valor das empresas listadas em bolsa (veja Diagrama 28). Como a agenda atual do governo brasileiro contempla a necessidade de maiores investimentos, principalmente em infraestrutura física, é necessário continuar a ampliação e o aprimoramento das medidas para a evolução das alternativas de financiamento. Em especial, o governo vem tomando iniciativas para estimular projetos de infraestrutura (veja capítulo sobre infraestrutura física) e de pesquisa e desenvolvimento, principalmente por intermédio de medidas de desoneração da carga tributária.

DIAGRAMA 28

As diversas modalidades de financiamento para empresas no Brasil ainda ficam abaixo de benchmarks globais Estoque de crédito PJ/ PIB em 2010 CHINA1

94%

USA FRANÇA

Valor das empresas listadas3/ PIB em 2011

76% 40%

REINO UNIDO

125%

EUA

99%

COREIA do sul

87%

Estoque de debêntures/ PIB em 2011 COREIA DO SUL

36,5%

EUA

21,6%

FRANÇA

9,9%

ALEMANHA

9,6% 9,4%

índia

32%

ÍNDIA

ALEMANHA

32%

FRANÇA

51%

CHINA

30%

BRASIL

48%

ÍNDIA

1,1%

29%

CHINA

37%

REINO UNIDO

0,8%

ALEMANHA

35%

BRASIL

0,4%

REINO UNIDO corEia do sul BRASIL 15%

24%2

54%

1. Dados de 2011. 2. Recursos livre e direcionado/BNDES representam 15% e 9%, respectivamente. 3. Considera último dia útil do ano. / Nota: revisão de dados em relação ao relatório anterior. / Fonte: Banco Central do Brasil; BIS; Banco Mundial; Bancos centrais e outras instituições dos países individuais; Bloomberg; EIU

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• Crédito bancário: apesar de amplo crescimento nos últimos anos, duas principais barreiras para a expansão ainda maior do crédito bancário são: prazos relativamente curtos e fatores estruturais que elevam os spreads do mercado (veja Diagrama 29). Uma ação importante que poderia contribuir é o cadastro de crédito positivo, o qual ainda se encontra em fase inicial e de regulamentação, mas deve auxiliar na mensuração da inadimplência e diminuir o spread cobrado de bons pagadores. Além da regulamentação adicional necessária, também é importante que haja uma maior divulgação do cadastro de crédito positivo, uma vez que um consumidor só pode ser adicionado à lista após sua autorização explícita. • Debêntures: o mercado de debêntures no Brasil ainda é pouco desenvolvido, conforme visto no Diagrama 28. Esse cenário pode ser explicado principalmente pela competição com títulos públicos em passado recente, vistos como instrumentos que ofereciam juros altos, menor risco e maior liquidez.

DIAGRAMA 29

Prazos e fatores estruturais dos spreads limitam crédito Composição do crédito PJ por duração1,2 1%

>2 anos

19%

Outras 1-2 anos

57%

Capital de giro (~16 meses)

23%

2011

Composição do spread no Brasil3

< 1 ano

33%

Resíduo líquido (lucro)

26%

Impostos e compulsório

29%

Inadimplência

13%

Custos Administrativos

2010

1. Dez/2011. Apenas operações crédito com recursos livres referenciais para taxa de juros – não inclui BNDES, leasing etc. 2. <1 ano: conta garantida, vendor, desconto de duplicatas, ACC; 1-2 anos: repasses externos, financiamento de importações, aquisição de bens (e giro) e outras; >2 anos: financiamento imobiliário 3. Conforme Relatório de Economia Bancária e Crédito do Banco Central do Brasil (2010). Utiliza metodologia de cálculo adotada em 2008. Estudo não separa PF e PJ. / Fonte: Banco Central do Brasil


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Espera-se que com as taxas de juros em queda as debêntures se tornem mais atrativas, mas ainda assim é necessário um programa organizado envolvendo reguladores e iniciativa privada para assegurar um processo de emissão mais simples e eficiente, com maior liquidez no mercado secundário e maior base de investidores e emissores. Medidas importantes introduzidas pelo governo brasileiro caminham nesse sentido, como a redução da tributação, além de mudanças institucionais, como a possibilidade de correção monetária dos títulos com prazo inferior a um ano, modernizando uma disposição imposta pelo Plano Real (veja Quadro E).

QUADRO E

O caso do incentivo à liquidez do mercado secundário de títulos de dívida privada no Brasil

Em junho de 2011, foi publicada a Lei nº 12.431, resultado da conversão da Medida Provisória nº 517 de 2010, com o objetivo de estimular o financiamento de longo prazo. Isso marca um importante passo no sentido de desenvolver os títulos de dívida privada no Brasil e aumentar a liquidez de seu mercado secundário. As principais mudanças regulatórias foram: • Redução a zero da alíquota do Imposto de Renda sobre os rendimentos de investidores estrangeiros que aplicarem em papéis privados no Brasil; • Isenção do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 30 dias sobre operações com títulos de dívida privada1; • Possibilidade de recompra de debêntures pelo emissor por valor superior ao de face, em caso de valorização; • Admissão de correção monetária em periodicidade igual à estipulada para o pagamento periódico de juros, ainda que inferior a um ano; • Alteração na Lei das S.A. para permitir a emissão de títulos com valor superior ao capital social do emissor. Com isso, sociedades de propósito específico (SPEs) não precisam estar capitalizadas para a emissão de debêntures; • Possibilidade de emissões concomitantes de debêntures por um mesmo emissor, de forma a oferecer maiores oportunidades aos emissores para aproveitarem condições de mercado mais favoráveis. As mudanças realizadas por esta Lei retiraram grande parte dos obstáculos regulatórios à liquidez. Adicionalmente, em 2012, mais de 40 representantes dos setores comercial, industrial e financeiro se reuniram com o Ministro da Fazenda e o presidente do BNDES e apresentaram em conjunto uma proposta para eliminar empecilhos ainda existentes e, assim, aprimorar ainda mais o arcabouço necessário para desenvolver essa forma de financiamento. 1

Isenção do IOF instituída por meio do Decreto 7.632 de 2011

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Além disso, cabe ressaltar os esforços privados na criação de regras de autorregulação do mercado de renda fixa em 2011, semelhante ao modelo de sucesso do Novo Mercado85 para a emissão de ações, com regras mais elevadas de transparência e governança para a atração de investidores, como: possuir número mínimo de 10 investidores com participação individual máxima de 20% da oferta, obter avaliação de risco de crédito com atualização anual e adotar mecanismo que garanta, nos primeiros 12 meses de emissão do instrumento, divulgação periódica de relatório emitido por analistas de investimento sobre o ativo avaliado. Ações: como mencionado acima, o valor do mercado acionário brasileiro corresponde a aproximadamente 48% do PIB do País e já se encontra em um patamar próximo ao da França e superior ao da Alemanha. Ainda assim, existem oportunidades para aumentar essa forma de financiamento. Como exemplo, a participação de pequenas empresas em bolsa no Brasil ainda é inferior à registrada no Reino Unido, um dos principais polos de investimentos e negócios do mundo (veja Diagrama 30). A iniciativa “Bovespa Mais” de incentivar a listagem de empresas de menor porte deveria ser seguida por um movimento ainda mais amplo de simplificação e desoneração da abertura e da negociação de papéis nesse segmento. Por fim, avaliando o acesso do Brasil a capitais estrangeiros no mercado de ações, as grandes empresas brasileiras já contam com um elevado nível de acesso aos mercados internacionais. Contudo, como isso ocorre principalmente por meio da emissão de ADRs86, esse canal não contribui para o aumento da liquidez do mercado brasileiro. Como resultado, as companhias que estão listadas apenas localmente não se beneficiam da liquidez dessas ADRs.

85 Segmento de listagem de ações na BM&FBOVESPA que estabelece padrões mais elevados de governança corporativa daqueles estabelecidos em lei 86

American Depositary Receipts

DIAGRAMA 30

Poucas pequenas empresas estão em bolsa no Brasil % das empresas listadas por faixa de market cap1

% do número de empresas

BM&FBOVESPA buscando atrair empresas de menor porte com iniciativas como o “Bovespa Mais”

76

46

41 17 <500M

500M-5B

7

13 faixas de market cap (US$)

>5B

Londres

São Paulo

1. Dados de junho de 2012. / Fonte: Bloomberg; análise BCG


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Essa negociação de ações fora do mercado de origem das empresas verificada em todos os principais mercados da América Latina (veja Diagrama 31), o que sugere que medidas de pooling da liquidez dos mercados latinos, como a aliança entre as bolsas do Peru, do Chile e da Colômbia, podem ajudar a atrair para mercados da região parte da liquidez de suas empresas que hoje fica em Nova Iorque e em outros polos internacionais.

DIAGRAMA 31

Empresas latinas “exportam” a liquidez de seus mercados % do volume negociado de ações no mercado de origem vs. mercados externos por país de origem da empresa (2011)1 Argentina

95%

peru

90%

Colômbia

67%

brasil

58%

México

55%

Rússia

52%

Hong Kong

28%

Reino Unido

27%

Chile

21%

Cingapura

19%

China

17%

França

16%

Índia

13%

Japão

2%

EUA

0% internacional

nacional

1. Volume em US$ negociado no mercado de domicilio da ultimate parent company da empresa negociada vs. em outros mercados / Nota: considera ações, direitos, depositary receipts e units. Dados de junho de 2011. / Fonte: Bloomberg, análise BCG

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Do lado inverso, cabe ressaltar que em 2010 houve a abertura de espaço na BM&FBOVESPA para a negociação de BDRs87 não patrocinados, ou seja, sem a participação da emissora na colocação de suas ações, de algumas das principais blue chips do mundo, como Apple, Avon, Google, Nike e Walmart. Atualmente, existem 70 empresas nessa modalidade, mas esse mercado ainda é pouco desenvolvido, em virtude do baixo volume negociado. No entanto, isso já representa um passo adicional na internacionalização do mercado brasileiro e conexão com os mercados globais.

Alavancas de alocação eficiente de riscos A alocação eficiente dos riscos necessita de um sistema financeiro forte, de forma a oferecer instrumentos capazes de mitigar os mais diversos riscos operacionais, como derivativos ou seguros. Em relação a derivativos, em algumas modalidades o Brasil já se equipara a padrões globais no volume de papéis negociados, enquanto que em commodities e índices sua penetração ainda é baixa (veja Diagrama 32). Se bem gerido, o fortalecimento do mercado de derivativos pode trazer benefícios reais à economia, com a disponibilização de ferramentas mais eficientes de gestão de risco e, consequentemente, redução do custo de financiamento da produção.

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Brazilian Depositary Receipts

DIAGRAMA 32

Mercado brasileiro tem espaço em derivativos de commodities e de índices No de contratos de derivativos negociados por tipo Mundo versus Brasil (2011) 25,0 B 13%

1,5 B 8%

0%

11% 32% 14%

22%

56%

câmbio

commodities

41%

juros ações

4%

GLOBAL

BRASIL

índices Nota: índices incluem ETFs. / Fonte: Fórum Econômico Mundial; Análise BCG


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Quanto ao mercado de seguros brasileiro, ele ainda é subpenetrado se comparado com o padrão global. Há espaço para dobrar de tamanho, levando-se em consideração a participação dos prêmios no PIB nacional (veja Diagrama 33). Em especial, já houve uma grande mudança no mercado de resseguros após a quebra do monopólio do IRB-Brasil (Instituto de Resseguros do Brasil) em 2008. Atualmente, o País conta com mais de 100 resseguradoras registradas e, de acordo com a Federação Nacional das Empresas de Resseguros, existe a previsão de que o mercado, de aproximadamente R$ 5,7 bilhões em 2011, cresça a taxa superior a 15% nos próximos cinco anos.

DIAGRAMA 33

Seguros têm amplo potencial de crescimento no Brasil PIB versus tamanho do mercado de seguros por país Log Prêmios (US$ B 2010)

10.000

1.000

Potencial

100

BRASIL PIB: US$ 2,1T1 Prêmio: US$ 64T1

10

1 Log PIB (US$ B 2010)

10

100

1.000

10.000

100.000

1. Valores absolutos. / Fonte: SwissRe; Análise BCG

Benefícios indiretos da infraestrutura financeira Nos polos de investimentos e negócios, a indústria financeira constitui um pilar importante da economia, através da sua contribuição ao PIB, arrecadação de impostos e geração de empregos. Em relação ao último tópico, o setor financeiro tem o potencial de aumentar sua participação na geração de empregos no Brasil, atualmente no patamar de aproximadamente 2% e abaixo dos benchmarks de outros polos (veja Diagrama 34).

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ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

DIAGRAMA 34

O setor financeiro tem um papel importante na geração de empregos, crescimento econômico e arrecadação de impostos Empregos em serviços financeiros1 (% total)

PIB de serviços financeiros3 (% total)

Impostos de serviços financeiros4 (% total)

30

30

30

25

25

25

20

20

15

15

20

8% de empregos, mas 32% da folha de pagamento de Nova Iorque

15

26%

13% 10

12%

10 8%

8%

LON

NYC

12% 10

11% 9%

~7%

9%

8%

BRASIL

5

5,5%

5.9%

6,2%

4,0%

5

~6% BRASIL

5

~2%2 BRASIL

0

Reino Cingapura EUA Unido

Suiça

0

Reino Cingapura Unido

EUA

Suiça

0

Reino Cingapura EUA Unido

Suiça

1. Dados de 2009 para Londres, 2010 para Reino Unido, Nova Iorque e Brasil e 2011 para Cingapura, Suíça e Estados Unidos. Dados dos Estados Unidos referem-se a empregos exceto rurais. Dados de 2009 para Londres 2. Calculado sobre número total de empregos formais no Brasil (~44 milhões em 2010) 3. Dados de 2010 para Estados Unidos, Brasil e Reino Unido, e 2011 para Suíça e Cingapura 4. Dados de 2007 para Cingapura, 2008 para Estados Unidos, 2010 para Brasil e 2011 para Reino Unido / Fonte: US Bureau of Labor; New York State Department of Labor; Federal Department of Finance (Suiça); Ministry of Manpower (Cingapura); City of London; Imprensa; Ministério do Trabalho e Emprego, IBGE, análise BCG

O fortalecimento da infraestrutura financeira também estimula outros setores da economia, direta ou indiretamente ligados ao sistema financeiro, como serviços de auditoria, consultoria, jurídicos, de tecnologia da informação e até serviços hoteleiros e transportes aéreos. Além disso, na geração de empregos, o tipo de profissional que o sistema financeiro ajuda a formar é, em geral, altamente qualificado e especializado. Isso acaba contribuindo para oferecer um conjunto de talentos mais desenvolvido à economia.


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Indicadores Para o pilar infraestrutura financeira, as dimensões selecionadas para acompanhamento contínuo são: • Efetividade da regulação financeira: opinião de executivos sobre a suficiência da efetividade da regulação do sistema financeiro de cada país, necessária à formação de um polo por garantir o equilíbrio entre segurança e flexibilidade de operações; • Utilização de recursos financeiros: subdividido em três pilares: bolsa de valores, debêntures e crédito PJ. Analisando a combinação dos três, pode-se avaliar o grau de maturidade de utilização dos diferentes recursos financeiros para negócios. Entretanto, cada país pode preferir mix diferente; por isso, a análise de cada subdimensão isoladamente é menos relevante; • Participação de empresas regionais e internacionais na bolsa: mede a internacionalização das bolsas de valores de cada país. A maior internacionalização indica maior atratividade para negócios estrangeiros e maior representatividade internacional em negócios; • Disponibilidade de serviços financeiros: mensura a disponibilidade de serviços financeiros em cada país de acordo com a opinião de executivos. A disponibilidade de serviços financeiros é importante por prover as necessidades de financiamento e alocação de recursos e riscos dentro de um polo; • Liquidez das bolsas de valores: quanto maior a liquidez das bolsas, mais dinâmico é o mercado financeiro de um país e maiores são as possibilidades de se financiar e de iniciar e se desfazer de investimentos na bolsa; • Projeção como IFC88: identifica o reconhecimento do sistema financeiro de cada país como centro financeiro internacional. Quanto melhor esse indicador, mais preparada a infraestrutura financeira do país está para suportar um polo de investimentos e negócios. 88

International Financial Center – Centro Financeiro Internacional

O resultado da classificação do Brasil no pilar de infraestrutura financeira frente aos outros países pode ser observado a seguir:

99


100

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

INFRAESTRUTURA FINANCEIRA crítico

1.

a desenvolver RUS

EFETIVIDADE DA REGULAÇÃO FINANCEIRA

CHN

bom GBR DEU FRA MEX

excelente

BRA

USA

IND

CHL SGP HKG

JPN KOR

UTILIZAÇÃO DE RECURSOS FINANCEIROS

BRA

2.

DEU CHN

BOLSA DE VALORES

IND JPN

MEX RUS

KOR

USA

CHL

GBR SGP

HKG

FRA

BRA

3.

DEBÊNTURES

SGP IND

MEX

HKG

CHN

FRA

CHL

JPN

USA

KOR

DEU

GBR

BRA

4.

KOR DEU

CRÉDITO PJ

SGP

FRA

USA

CHN

GBR IND

BRA

5.

PARTICIPAÇÃO DE JPN KOR RUS EMPRESAS REGIONAIS E INTERNACIONAIS NA BOLSA CHN

6.

DISPONIBILIDADE DE SERVIÇOS FINANCEIROS

7.

LIQUIDEZ DAS BOLSAS DE VALORES

USA

IND

FRA

CHL

MEX SGP GBR

HKG

BRA MEX

KOR

RUS

IND

FRA

JPN

CHL USA

CHN

DEU

GBR

HKG SGP

BRA CHL

MEX

FRA

IND

JPN RUS GBR HKG USA KOR

SGP

CHN

DEU

BRA

8.

PROJEÇÃO COMO IFC

IND

RUS

MEX

CHN

KOR

FRA JPN DEU

HKG SGP

PAÍSES EMERGENTES

PRINCIPAIS POLOS INTERNACIONAIS

OUTROS PAÍSES DESENVOLVIDOS

A efetividade da regulação financeira é um dos principais pontos fortes do Brasil, colocando o País em destaque entre os países analisados. Além disso, a liquidez de sua bolsa é boa e também há uma percepção positiva sobre a disponibilidade de serviços financeiros. Entretanto, tais dimensões não são suficientes para alçar o País a uma posição de destaque como centro financeiro internacional. Além disso, ainda há amplo espaço para melhoria na internacionalização de sua bolsa e na utilização dos recursos financeiros, traduzidas na forma de penetração de capitalização do mercado, debêntures e crédito PJ em relação ao PIB.

GBR USA


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

Conclusão A credibilidade do ambiente financeiro é um fator essencial para a estabilidade econômica do País. Neste pilar, o Brasil possui pontos de destaque para a formação de um polo de investimentos e negócios, principalmente sua regulação prudente e instituições financeiras sólidas e rentáveis. A supervisão das operações realizadas dá-se de forma adequada, balanceando a flexibilidade exigida pelo mercado com a segurança necessária para a perenidade do sistema. Além disso, os principais bancos brasileiros são saudáveis e contam com retorno positivo ao acionista. Isso é importante considerando o contexto de crise, em que a maioria de seus pares internacionais registrou quedas significativas. Tais características puderam contribuir para que os efeitos da crise econômica, iniciada em 2008, fossem sentidos de maneira mais branda no País. Com essa base forte, esforços podem ser voltados para trabalhar a questão do adequado financiamento das empresas. Atualmente, com o cenário de juros em queda, o governo brasileiro, por meio das recentes mudanças legislativas, sinaliza interesse em aumentar a disponibilidade de instrumentos capazes de atender as necessidades do mercado. Essa agenda pode continuar com iniciativas que busquem alongar o prazo do crédito bancário, expandir e estimular o mercado de dívida privada e oferecer maior acesso à bolsa a empresas locais e internacionais. O Brasil está bem posicionado e no caminho correto para aumentar a sua atratividade neste pilar.

o Brasil possui pontos de destaque para a formação de um polo de investimentos e negócios, principalmente sua regulação prudente e instituições financeiras sólidas e rentáveis

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102

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

06

conectividade A participação em uma malha densa de conexões intermodais reflete a importância de um país como polo de investimentos e negócios. As ligações que compõem esta malha podem ser tanto intrarregionais quanto globais. A primeira estabelece parceiros próximos de um polo, enquanto que a segunda define sua posição de abertura ao mundo. Em relação à América Latina, mesmo com o Mercosul e outras iniciativas de integração em vigor, a região atualmente possui poucas ligações entre os países. A partir da existência de um polo de investimentos e negócios consolidado para a região, seriam geradas economias de escala e de escopo de maneira mais evidente aos países que comporiam a rede interligada, na qual o Brasil, por seu tamanho e dimensões, é um candidato natural a assumir papel de destaque. É necessário, portanto, dar novo ímpeto ao movimento de integração do Brasil com os demais países da América Latina e do mundo. Iniciativas amplas, mas pouco efetivas, como a UNASUL89, não são suficientes para consolidar uma projeção regional e global. Um trabalho mais focado em questões que realmente podem gerar impacto econômico relevante é o caminho mais adequado para o Brasil aumentar sua conectividade.

Principais aspectos do pilar conectividade Comércio de bens e serviços: um polo deve contar com um ambiente que viabilize e promova o comércio internacional de bens e de serviços, imprescindíveis para o sucesso das empresas de um país. Fluxos de investimentos e capitais: estimular e canalizar fluxos internacionais de capitais é parte vital do que caracteriza um polo. Um ambiente favorável produz benefícios que afetam o país e a região como um todo. Operação internacional de empresas: para que determinado país seja realmente uma parte integrada da rede de negócios mundial, é importante que sedie empresas multinacionais e possa contribuir com a internacionalização de empresas locais. Movimentação de pessoas: é vital que os executivos e os tomadores de decisão dos mais diversos setores possam entrar e sair com facilidade do polo. Isso inclui não só aspectos regulatórios, mas também a infraestrutura aeroportuária, principal via de locomoção de pessoas entre países.

89

União de Nações Sul-Americanas


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Em quatro aspectos chave – comércio de bens e serviços, fluxos de investimentos e capitais, operação internacional de empresas e movimentação de pessoas – o Brasil se encontra na metade inferior de rankings capazes de traduzir tais percepções (veja Diagrama 35). Neste capítulo, o objetivo é analisar a situação do País nesses quatro aspectos.

DIAGRAMA 35

O Brasil ainda é considerado fraco nas dimensões de conectividade

Bens e serviços

Investimentos e capitais

Operação internacional de empresas

Pessoas

Liberdade de comércio internacional

Restrições aos fluxos de capitais

Prevalência de propriedade estrangeira

Mobilidade e abertura relativa do mercado de trabalho

(Nota 1 a 10)

(Nota 1 a 7)

1

1 2

SGP HKG

9 14

CHL GBR

20

DEU

30

CHN

40 41

KOR FRA

48

USA

54

MEX

76

IND

1

HKG

6 10

SGP GBR

15 20

DEU CHL

42 46 51

MEX FRA JPN

69 73 75

USA BRA IND

94 105

BRA

111 114

RUS JPN

141

(Nota 1 a 7)

2

KOR

119

RUS

123

CHN

3

3 4 5

SGP GBR HKG

14 18

CHL FRA

24

MEX

44

USA

51

DEU

82 84

BRA IND

90 91

JPN KOR

99

CHN

133

RUS

139 144

(Ranking entre 30 países avaliados)4

2 3 8 9 10 11 16 19 21 23

GBR DEU FRA IND USA CHN MEX

27

JPN

KOR RUS BRA

30

1. Baseado em pesos para diferentes componentes: tarifas, quotas, eficiência aduaneira, restrições administrativas escondidas e controles de taxa de câmbio e capitais. Fonte: Fraser Institute – Economic Freedom of the World. 2. Baseados em pesquisas com executivos. 1 = muito restritivo, 7 = não restritivo de nenhuma forma. Fonte: Global Competitiveness Report. 3. Baseados em pesquisas com executivos. 1 = muito rara, 7 = altamente prevalecente. Fonte: Global Competitiveness Report 2012-2013 do Fórum Econômico Mundial; 4. Ranking baseado em composição de diversas métricas: número de estudantes do país estudando no estrangeiro, % de estudantes estrangeiros no país, conhecimento de idiomas, recrutamento de estrangeiros, abertura do comércio internacional. / Fonte: Heidrick and Struggles – Mapping Global Talent – Estudo focado em países com maior população, não inclui Chile, Cingapura e Hong Kong.

103


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

Comércio de bens e serviços O comércio internacional de bens e serviços do Brasil e da América Latina cresce mais do que a média global. Entre 2007 e 2011, o crescimento anual médio da América Latina em dólares de bens foi de 9,2% para exportações e 9,8% de importações, em comparação com os valores globais de 6,8% e 6,4%, respectivamente. Em relação às exportações de serviços, o crescimento anual da América Latina foi de 7,0% e, do mundo, 5,0%. Quanto às importações, a América Latina e o mundo cresceram 11,7% e 5,2%, respectivamente. Para o Brasil, esse valor foi ainda maior, representando crescimento duas vezes superior ao registrado em termos mundiais, tanto de bens quanto de serviços (veja Diagrama 36).

DIAGRAMA 36

A América Latina e o Brasil se destacam pelo crescimento do comércio internacional

FLUXO DE EXPORTAÇÕES

BENS Crescimento anual médio em US$ entre 2007 e 2011 % a.a.

6,8%

9,2%

12,4%

MUNDO

AMÉRICA LATINA

BRASIL

FLUXO DE IMPORTAÇÕES

104

SERVIÇOS Crescimento anual médio em US$ entre 2007 e 2011 % a.a.

5,0%

7,0%

MUNDO

AMÉRICA LATINA

9,8%

MUNDO

AMÉRICA LATINA

5,2% BRASIL

Nota: todos os valores nominais. América Latina inclui o Brasil. / Fonte: UnctadStat; análise BCG

BRASIL

19,7%

16,7% 6,4%

12,5%

MUNDO

11,7% AMÉRICA LATINA

BRASIL


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

Mesmo com esse alto crescimento, ainda existe espaço para que o fluxo de bens e serviços aumente para a região e para o País, quando se analisa a representatividade do comércio internacional em relação à participação do PIB. Em 2011, enquanto Ásia e Europa tiveram essa participação superior ao PIB, a América Latina respondeu por aproximadamente 6% do comércio internacional de bens e 4% do de serviços, mas foi responsável por 8% do PIB global. O mesmo ocorre para o Brasil, que representa por volta de 3% do PIB global, mas apenas 1% das exportações e importações de bens e serviços (veja Diagrama 37).

DIAGRAMA 37

A América Latina e o Brasil têm espaço para aumentar sua representatividade no comércio internacional

BENS

SERVIÇOS

Participação no PIB e no comércio internacional de bens % COMEX/ % PIB1

% 2011

37%

51%

6% 24%

8%

Participação no PIB e no comércio internacional de serviços

38%

OUTROS

73%

38%

6%

AMÉRICA LATINA

74%

3%

23%

ÁSIA

149%

51%

17% 8%

16%

BRASIL

% COMEX/ % PIB1

% 2011

40%

OUTROS

76%

5%

AMÉRICA LATINA

47%

18%

ÁSIA

110%

EUROPA

158%

16%

EUROPA

33%

25%

34%

EXPORTAÇÕES

PIB

IMPORTAÇÕES

1%

3%

1%

132%

42%

25%

38%

EXPORTAÇÕES

PIB

IMPORTAÇÕES

1%

3%

2%

39%

1. Média da relevância (participação) da % de exportações e de importações sobre a relevância (participação) do PIB Nota: todos os valores são nominais / Fonte: UnctadStat; análise BCG

41%

105


106

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

O comércio intrarregional da América Latina também pode ser desenvolvido. Como exemplo, em 2010 o comércio de bens entre países da Ásia foi de 51% para exportações e 45% para importações, valores que para Europa representam 65% e 62%, respectivamente. Na América Latina, apenas 18% das exportações e importações foram intrarregionais no mesmo ano. Para aproveitar esse potencial, a América Latina poderia trabalhar a questão de barreiras alfandegárias, visto que seus países possuem restrições significativas quanto à importação e exportação de bens (veja Diagrama 38) e de serviços. Esse último ponto pode ser representado pelo baixo número de setores de serviços do GATS90 abertos ao comércio e concorrência internacionais (veja Diagrama 39).

The General Agreement on Trade in Services

90

DIAGRAMA 38

A América Latina apresenta maiores barreiras alfandegárias a importações e exportações de bens que Europa e Ásia Tarifas equivalentes de importação são mais altas na América Latina

Tarifas impostas a exportações latinoamericanas também são mais altas

Restrição à importação de bens1

Restrição de acesso a outros mercados2

Tarifa equivalente a tarifas + restrições não tarifárias às importações

Tarifa equivalente a tarifas + restrições não tarifárias às exportações

MÉXICO

27,4% 22,1%

BRASIL ARGENTINA CHILE

COREIA DO SUL CHINA INDONÉSIA

16,4% 12,3%

BRASIL CHILE

15,7%

MÉXICO

9,4%

CINGAPURA

ARGENTINA

19,7%

8,3% 5,1%

INDONÉSIA

12,7%

COREIA DO SUL

10,0%

9,8%

CHINA

9,8%

CINGAPURA

7,6%

Europa

6,5%

10,1%

FRANÇA

9,1%

ALEMANHA

10,1%

ALEMANHA

9,1%

ITÁLIA

10,1%

ITÁLIA

9,1%

REINO UNIDO

10,1%

REINO UNIDO

9,1%

MAIS RESTRITIVOS

Ásia

9,2%

FRANÇA

Média mundial: 14,1%

América Latina

Média mundial: 12,2%

MAIS RESTRITIVOS

1. Reflete a tarifa uniforme que manteria os níveis de importação doméstica constantes. 2. Reflete a tarifa uniforme que manteria os níveis de importação de parceiros comerciais junto ao país exportador constantes. / Fonte: World Trade Indicators 2009/2010 – Banco Mundial


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107

DIAGRAMA 39

Os países latino-americanos podem aumentar sua participação em acordos de comércio internacional de serviços Número de compromissos do GATS1 assinados por país 50

21

19

17

14

14

12

11

9

83

85

89

CHILE

22

URUGUAI

30

72

117 PARAGUAI

69

BOLÍVIA

60

PERU

EQUADOR

57

COLÔMBIA

MÉXICO

55

BRASIL

51

ARGENTINA

39

VENEZUELA

01 VIETNÃ

5

RANKING

Construção e engenharia

Recreação e cultura

Distribuição

Telecom

Serviços ambientais

Educação

Transporte

Saúde

EQUADOR

Business services

MÉXICO

Viagem e turismo

VIETNÃ

Serviços financeiros

% de compromissos assinados por setor2

100% 100%

100% 75%

83% 83%

100% 80%

100% 0%

80% 40%

60% 60%

100% 0%

80% 80%

100% 44%

100% 50%

67%

50%

67%

20%

60%

20%

20%

100%

0%

33%

25%

100%

40%

0%

40%

0%

0%

22%

0%

VENEZUELA

67%

75%

83%

ARGENTINA

100%

100%

50%

80%

0%

60%

40%

0%

0%

0%

0%

BRASIL

67%

25%

33%

80%

0%

60%

20%

0%

0%

44%

0%

COLÔMBIA

67%

50%

67%

80%

0%

0%

20%

25%

0%

0%

0%

PERU

67%

50%

50%

0%

40%

40%

20%

0%

0%

22%

0%

URUGUAI

67%

75%

67%

0%

20%

0%

20%

0%

0%

11%

0%

100%

75%

50%

0%

0%

0%

20%

0%

0%

11%

0%

BOLÍVIA

67%

50%

0%

0%

60%

0%

20%

0%

0%

0%

25%

PARAGUAI

67%

75%

0%

0%

0%

0%

0%

0%

0%

0%

0%

CHILE

1. Da página da OMC: O GATS é o primeiro e único conjunto de regras multilaterais regendo o comércio internacional de serviços. Foi desenvolvido como resposta ao enorme crescimento da economia de serviços nos últimos trinta anos e o maior potencial para o comércio de serviços trazido pela revolução das comunicações. 2. Cada setor possui de 3 a 9 subsetores demandando compromissos específicos (ex. serviços financeiros tem 3 subsegmentos – seguros, banking e outros serviços financeiros). / Fonte: WTO trade in services database


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Para seguir com essa agenda, as dificuldades a serem equacionadas pelos países são várias, como a existência de políticas protecionistas e subsídios existentes, a burocracia e as demandas setoriais da produção interna. Nesse contexto não houve mudanças significativas recentemente. No ranking de 183 economias do relatório Doing Business 2012, do Banco Mundial, o Brasil encontra-se muito mal posicionado no quesito comércio internacional, na 121ª posição. De acordo com os dados do relatório, para se exportar um contêiner padrão do Brasil, são necessários 7 documentos, 13 dias e US$ 2.215. E para se importar o mesmo contêiner para o País, são necessários 8 documentos, 17 dias e US$ 2.275. Em contraste, outros países da região conduziram esforços para fortalecer sua conexão global, como o acordo de livre comércio assinado entre Colômbia e Estados Unidos em 2012. Além disso, em termos mais amplos, continua em pauta a discussão sobre uma maior integração do Mercosul com a China e União Europeia. Para impulsionar seu crescimento econômico, o Brasil precisa colocar mais ênfase em competitividade e em uma diplomacia comercial de abertura de mercados - o que um dia foi a aspiração do Mercosul. Vinte e um anos após sua criação, o bloco tem dificuldades em adotar estratégias que aumentem o livre comércio entre seus membros e apresentem uma alternativa aos avanços dos Estados Unidos, que possuem tratados bilaterais com os países do arco do Pacífico, como Chile, Colômbia e Peru. Além do desafio de barreiras alfandegárias e burocracia, o comércio de bens sofre com a insuficiência da infraestrutura de logística. O nível de conexões por terra com países vizinhos é baixo: as ferrovias apresentam padrões de bitolas diferentes e manutenção precária, e as estradas enfrentam problemas de interrupções e baixa qualidade. Esse cenário também ocorre com a infraestrutura portuária, com pesquisa avaliando o Brasil com nota 2,6 em uma escala de 1 a 791. Os principais polos internacionais como Hong Kong, Cingapura, Estados Unidos e Reino Unido estão todos com pontuações iguais ou superiores a 5,6, mostrando a necessidade clara de melhoria nesse quesito. Algumas iniciativas positivas para tratar os gargalos de infraestrutura no Brasil têm sido tomadas, porém resultados mais efetivos demandam a conclusão de grandes obras. Por exemplo, os portos de Santos e São Sebastião passam por reformas e no Maranhão está sendo construído um dos maiores terminais do mundo para exportação de granéis. Também estão sendo planejados ou construídos importantes projetos ferroviários, como o ferroanel de São Paulo, a ferrovia Leste-Oeste, a Nova Transnordestina e a Ferrovia Norte-Sul (veja capítulo de Infraestrutura física para maiores detalhes sobre planos para a infraestrutura brasileira).

91 Fonte: The Global Competitiveness Report 2012-2013, Fórum Econômico Mundial


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ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

Fluxos de investimentos e capitais O investimento estrangeiro direto (IED) para a América Latina apresentou tendência de crescimento entre 2007 e 2011, recebendo volume próximo à participação da região no total do PIB global. A Ásia, nesse aspecto, é um exemplo de que, quando estimulados – seja por características econômicas intrínsecas ou pelo ambiente regulatório –, tais investimentos podem atingir patamar maior do que a participação do PIB. Por exemplo, entre 2007 e 2011, a proporção do IED recebido na região asiática em relação ao recebido mundialmente representou 26% a mais que a proporção do seu PIB em relação ao PIB mundial, enquanto que para a América Latina este valor foi de 7% a mais. Por outro lado, os países da América Latina ainda enviam pouco investimento estrangeiro direto para fora de suas fronteiras (veja Diagrama 40).

DIAGRAMA 40

A América Latina atrai IED proporcionalmente ao seu PIB, mas envia uma proporção muito menor Participação da AL no recebimento de IED1 vem crescendo, mas ainda é menor do que outras regiões

América Latina com participação irrisória no envio de IED, inclusive em relação ao PIB

Participação no recebimento de IED Mundial

Participação no envio de IED Mundial

% recebido de IED do total mundial

% enviado de IED do total mundial

39,2

49,5

46,6

44,4

5,6 11,9

43,2

7,1

6,4

9,0

41,0

9,8

13,1

17,2

22,3

21,6

30,3

29,8

24,3

27,6

OUTROS2

36,1

AMÉRICA LATINA3

1,2 7,9

41,0

1,9 8,4

SUDESTE ASIÁTICO4

50,4

1,1

46,7

3,3

50,8

1,9

15,0

16,7

14,2

54,8

48,6

33,5

33,3

33,2

2007

2008

2009

2010

2011

UNIÃO EUROPEIA

2007

2008

2009

2010

2011

ÍNDICE % IED recebido/ 1,07 AMÉRICA LATINA % PIB mundial (média 2007-2011) 1,26 SUDESTE ASIÁTICO

1,11 UNIÃO EUROPEIA

ÍNDICE

% IED recebido/ 0,26 AMÉRICA LATINA % PIB mundial (média 2007-2011) 0,91 SUDESTE ASIÁTICO

1,46 UNIÃO EUROPEIA

1. Investimento Estrangeiro Direto. 2. Inclui Estados Unidos, Canadá, Austrália, Rússia, paraísos fiscais, entre outros. 3. Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Malvinas, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai, Venezuela, Belize, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua e Panamá. 4. Países selecionados: Cambodia, Coreia do Norte, Coreia do Sul, China, Cingapura, Filipinas, Hong Kong, Indonésia, Laos, Macau, Malásia, Myanmar, Tailândia, Taiwan, Vietnã. / Nota: conforme dados mais recentes extraídos do UNCTAD em agosto de 2012. / Fonte: UNCTADStat; análise BCG.

O Brasil é o líder de investimento estrangeiro direto para a América Latina, representando 41% de todo o recurso recebido entre 2009 e 2011. Ao ponderar o volume desses fluxos com o PIB, o panorama é outro. Nesse caso, o Chile emerge como destaque da região, apresentando um bom indicador de sua atratividade regional (veja Diagrama 41).


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

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DIAGRAMA 41

O Brasil recebe fluxo intenso de investimentos diretos, mas a participação da América Latina no total é limitada Brasil lidera atrações de IED líquido entre latino-americanos, mas perdeu participação no envio, em virtude de repatriação de capital IED líquido para América Latina por destino - % do total1 BRASIL

PERU

6,7

BRASIL

5,3

OUTROS

19,5

ARGENTINA 3,4

7,9

PERU

30,7

COLÔMBIA

13,3

COLÔMBIA

32,1

CHILE

16,4

CHILE

ARGENTINA

MÉXICO

41,1

MÉXICO

IED líquido da América Latina por origem - % do total1

0,9 0,5

OUTROS

9,3

12,9

Envio de IED líquido ponderado pela participação no PIB da região3

Entrada de IED líquido ponderado pela participação no PIB da região2

7,25 3,13

0,95 CHILE

0,76

BRASIL MÉXICO

CHILE

1,48

0,01

MÉXICO

BRASIL

América Latina representa menos de 10% tanto da entrada quanto da saída de IED bruto do Brasil Investimento estrangeiro bruto no Brasil por origem (2011)4

Investimento estrangeiro bruto a partir do Brasil por destino (2011)4

39.082 56%

EUROPA AMÉRICA DO NORTE

AMÉRICA DO NORTE

10.698 15%

AMÉRICA 1.961 3% LATINA

AMÉRICA LATINA

OUTROS

13.365 19% 5.000

10.000

12.332 53%

EUROPA

15.000

US$ milhões

40.000

3.581 15% 2.306 10%

OUTROS 855 4%

US$ milhões

5.000

10.000

1. Média 2009 – 2011 2. Índice (% de IED recebido do total que veio para a região. % do PIB do país em relação ao total da região, com base na média de 2009 a 2011) 3. Índice (% do IED enviado pelo país em relação ao total que sai da região. % do PIB do país em relação ao total de região com base na média de 2009 a 2011) 4. Paraísos fiscais não estão explicitamente incluídos, mas representam 6% e 19% da entrada e da saída de IED do Brasil respectivamente. / Nota: Valor líquido considera o fluxo positivo ou negativo de IED. Para envio de IED, valores positivos representam o montante enviado por empresas ao exterior. Já o montante negativo, significa que houve retorno de recursos dessas empresas ao país de origem. / Fonte: IMF; UNCTAD World Investment Report; UnctadStat; Banco Central do Brasil, análise BCG

15.000


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No caso do investimento estrangeiro direto que sai do País, é interessante notar que a baixa participação do Brasil na América Latina se traduz pelo saldo negativo apresentado nessa conta nos anos de 2009 e 2011, já que houve a repatriação de capitais enviados ao exterior por empresas brasileiras92. Isso não significa que a expansão internacional de empresas brasileiras foi descartada, mas é um indicativo da preferência de investir recursos no País em detrimento de países com cenário econômico ainda incerto. Por fim, em relação à conectividade intrarregional de investimento estrangeiro direto no Brasil, ela ainda é baixa, pois o principal foco são os países da Europa e América do Norte, tanto no recebimento quanto na saída de tais investimentos (veja Diagrama 41). A ratificação de acordos bilaterais de investimentos que possam promover a facilidade e a segurança de investimentos entre os signatários poderia ser utilizada como ferramenta para expandir a proeminência brasileira. O estabelecimento de regras sobre a proteção e a indenização em caso de desapropriações, a livre transferência dos rendimentos do investimento ao país de origem e a determinação de resolução de divergências em tribunais internacionais poderiam ser viabilizadores do fluxo de investimentos diretos e também investimentos em portfólio93. Em termos comparativos, o número de acordos do Brasil com 14 países, firmados principalmente no âmbito do Mercosul, é baixo se comparado com os 51 acordos assinados do Chile, que incluem contrapartes como Estados Unidos, Canadá, México e Índia. Uma alavanca capaz de contribuir para a intensificação do fluxo de capitais na América Latina é a implantação de Sistemas de Pagamentos em Moedas Locais (SML). Trata-se de um sistema de pagamentos destinado a operações comerciais que permite a realização de pagamentos e recebimentos entre dois países em suas respectivas moedas. O SML reduz os custos de transação, financeiros e administrativos de operações cambiais, além de tornar o processo mais ágil, não havendo a necessidade de se realizarem as operações de câmbio real-dólar e dólar-moeda local, ou vice-versa. No contexto do Mercosul, o primeiro SML entrou em vigor em 2008 entre Brasil e Argentina. Atualmente, está em negociação a implantação do sistema com o Uruguai, pendente apenas de aprovação pelo Congresso Nacional brasileiro. Outros países e regiões já vêm estudando a possibilidade de utilizar suas próprias moedas locais para realização de pagamentos, com o intuito de reduzir a dependência do dólar. Na segunda cúpula dos BRICs, em abril de 2010, os líderes das quatro economias concordaram em estudar formas de fazer uso de suas moedas no comércio bilateral. Outros fatores que facilitariam o aumento dos fluxos de capitais são as políticas de câmbio e sua regulamentação. Regras modernas e simples reduzem as amarras para a dinamização de operações cambiais. O Brasil avançou nesse sentido ao estabelecer em 2005 o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI) e demais novas normas que revisaram exigências obsoletas e diminuíram a multiplicidade de documentos aplicáveis para se efetuar uma transação de câmbio. Já no contexto da política macroeconômica, a utilização do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) como instrumento de política cambial para conter a apreciação da moeda ainda apresenta inseguranças aos agentes do mercado, uma vez que o aumento da alíquota do imposto tem efeito imediato após decreto presidencial. Para ilustrar tal ponto, dentre as diversas operações sujeitas ao referido tributo, a alíquota do IOF sobre liquidações de operações de câmbio contratadas por investidor estrangeiro para ingresso de recursos para aplicação no mercado financeiro e de capitais subiu gradativamente de 0% para 6%, desde o final de 2009.

92 Inclui também pessoas naturais e órgãos governamentais brasileiros 93 Foram considerados investimentos em portfólio aqueles que, ao contrário dos diretos, não estão relacionados a um interesse duradouro no ativo ou a um controle gerencial efetivo sobre o negócio. Eles incluem tanto a compra de títulos de dívida públicos e de empresas quanto ações. Neste último caso, caracterizam-se como portfólio participações de até 10% do capital total das empresas investidas


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

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ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

Operação internacional de empresas As operações internacionais de empresas latino-americanas cresceram constantemente nos últimos anos. Em 2004, o nível de investimento estrangeiro direto saltou para US$ 17 bilhões, mais que o triplo em relação aos anos de 2002 e 2003, que tiveram um valor próximo a US$ 6 bilhões. Nos anos seguintes, houve uma mudança de patamar e subsequente tendência de subida. Além disso, nove empresas latino-americanas – três delas brasileiras – estavam presentes no ranking 2010 das 100 empresas de países emergentes com maior volume de ativos no exterior94. As empresas latino-americanas atingiram US$ 173 bilhões de ativos no exterior em 2010, versus uma posição de US$ 35 bilhões em 2003 – um crescimento aproximado de 400% em sete anos. A participação dos ativos das multilatinas95 nesse ranking aumentou de 14,1% para 16,2%. Nos últimos dois anos, mais uma empresa latino-americana ingressou no ranking das 100 maiores empresas com ativos no exterior: em 2011, a Vale atingiu o 61º lugar, superando a Cemex, a única outra multilatina, em 86º lugar (veja Diagrama 42). Conforme o ranking da Fundação Dom Cabral (FDC) divulgado em junho de 2012, que lista as empresas mais multinacionais do País, a JBS é a companhia que pelo segundo ano consecutivo ocupa a primeira posição, com 53,8% de internacionalização96. Em segundo lugar ficou a Gerdau, com 51,6%, e, em terceiro, a Stefanini, com 46,4% (segunda colocada em 2011). Nas empresas com faturamento de até R$ 1 bilhão por ano, as mais internacionalizadas são Metalfrio (45,2%), Ibope (43,8%) e Sabó (36,3%). A Vale é a empresa presente em maior número de países (38). A gigante da mineração é seguida pela Stefanini (26 países) e pela Odebrecht (25 países). No caso das franquias, a Via Uno obteve um índice de internacionalização de 18,3%, a Fabrica di Chocolate 12,1% e a Showcolate 10,9%. O estudo, que considera valores de 2011, aponta ainda que as empresas vêm aumentando gradualmente o índice de internacionalização a uma taxa de 1% ao ano. Ao todo, 47 multinacionais participaram da pesquisa. Das empresas consultadas, 60,9% pretendem expandir nos mercados que já atuam e 27,7% planejam entrar em novos mercados. Segundo a maioria das empresas avaliadas, os benefícios da internacionalização superam os riscos. Para 87,3% das multinacionais, a internacionalização contribui para melhorar a imagem do Brasil no exterior. Para 61,9% delas, outro benefício é a incorporação de novas tecnologias e processos ao parque industrial brasileiro. De acordo com a pesquisa, as empresas brasileiras estão mais presentes na América Latina (77,8%) e na América do Norte (57,1%). Segundo o Núcleo de Negócios Internacionais da FDC, 63,3% tiveram a primeira subsidiária internacional instalada em países dessa região.

94 Fonte: World Investment Report - UNCTAD 95 Empresas multinacionais com sede na América Latina 96 O índice de internacionalização é uma média entre ativos no exterior sobre ativos totais da empresa, faturamento no exterior sobre o faturamento total da empresa e número de funcionários no exterior sobre total de funcionários da empresa


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DIAGRAMA 42

As multilatinas são uma força crescente, porém ainda pouco relevante em escala global Multinacionais latinas são uma força crescente... Saída de IED da América Latina 1990-2011 US$ bilhões

% saída/entrada

50

100 44

42 40

80 34

30

60

20

17

20

18

16

40

11 10

0

8 1

1

2

3

90

91

92

93

3

4

3

94

95

96

8

7

8 4

5

6

02

03

20

0 % saída/entrada IED

97

98

99

00

01

04

05

06

07

08

09

10

11

fluxo de saída

...mas ainda têm participação limitada no mundo todo Empresas latinas no ranking das 100 maiores1 multinacionais de países emergentes PAÍS

EMPRESA

Ativos externos (US$ B - 2010)

HONG KONG HUTCHINSON 75,4 CHINA CITIC GROUP 53,3 BRASIL VALE 49,2 MÉXICO CEMEX 36,4 MÉXICO AMÉRICA MÓVIL 22,3 BRASIL PETROBRAS 16,2 BRASIL GERDAU 14,8 VENEZUELA PDVSA 11,8 MÉXICO FEMSA 10,0 ARGENTINA TERNIUM 7,5 MÉXICO Grupo Bimbo 5,1

Rank 100 maiores em desenv. (2010) 1 2 3 4 10 19 22 27 37

Rank 100 maiores do mundo (2011)

Únicas latinas entre 100 maiores multinacionais do mundo em 2011

49 63

Não entram no ranking das 100 maiores do mundo 1. Ranking por ativos no exterior. Não inclui empresas do setor financeiro. / Nota: saída de IED corresponde ao total do fluxo de investimentos ao exterior de cada um dos países selecionados. Entrada de IED representa o fluxo de investimento de não residentes em cada um dos países selecionados. America Latina representado por Brasil, Chile, Colômbia, México e Venezuela. / Fonte: World Investment Report - UNCTAD; EIU, análise BCG


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Quando o assunto é atração de multinacionais, o Brasil se destaca de maneira mais evidente. É a nação com maior presença de empresas estrangeiras entre as latino-americanas, considerando-se as 30 maiores empresas por receita da América do Norte, Ásia e Europa. Além disso, em cada uma dessas três regiões, o Brasil desponta como líder na atração de multinacionais, o que sugere uma alta atenção das empresas na busca por investimentos e negócios no País (veja Diagrama 43).

DIAGRAMA 43

O Brasil lidera dentro da América Latina a atração de empresas da Europa e da Ásia Brasil é o país com maior presença de empresas estrangeiras...

... e lidera também atração de empresas por região externa

Presença nos países da América Latina das 30 maiores empresas da Ásia, Europa e América do Norte1

Presença das 10 maiores empresas de cada região em países da América Latina1

19

EUROPA

Brasil

13 15

11

8

México

8 4

Brasil

ÁSIA

24 3

9

Argentina

Chile

8

8

Argentina

22 14

7

México

6

Chile

Am. do Norte

116

5

Brasil

7

Argentina

7

México Chile

6 4

1. Dez maiores empresas por receita de cada uma das regiões separadamente. / Nota: a presença de empresas diz respeito tanto a plantas industriais, escritórios etc. Foram aqui incluídas todas as formas de atuação. / Fonte: Forbes 2012; websites das empresas; análise BCG


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Para promover ainda mais a interconexão entre os países latinos, a convergência de padrões contábeis, financeiros, tributários e de normas técnicas é uma iniciativa importante para reduzir custos de adaptação na realização de investimentos e negócios e alavancar as potencialidades existentes na região. Essa harmonização já está em curso em relação às regras de contabilidade, com a utilização do International Financial Reporting Standards (IFRS)97, padrão seguido por países como Colômbia e Chile, que nele operam desde 2009, além de Brasil, Peru e Argentina, que adotaram o padrão em 2011. Outra medida que, se adotada, pode trazer benefícios à região é a utilização de sistemas e cadastros comuns compartilhados entre países. Nesse caso, outros exemplos passíveis de unificação são o registro de empresas, pessoas, pagamentos, marcas e patentes, históricos de crédito, informações aduaneiras e de comércio internacional.

Movimentação de pessoas No quesito movimentação de pessoas, o Brasil tem conseguido atrair um número crescente de trabalhadores estrangeiros, conforme ilustrado pelo número de vistos de trabalho solicitados. No entanto, é importante ressaltar que o País ainda enfrenta deficiências, especialmente em relação à dificuldade de obter vistos e também à relativa baixa capacidade de operar voos internacionais. O número de vistos de trabalho concedidos a estrangeiros no País tem aumentado nos últimos anos, saindo de 40 mil em 2008 para 70 mil em 2011. Contudo, quanto à participação da América Latina na entrada de trabalhadores no Brasil, essa tem se mantido estável, com percentual próximo a 8% do total de vistos de trabalho emitidos pelo País. Esse descolamento não ocorreu no turismo, onde o fluxo de turistas é estável desde 2005. No entanto, há um crescimento do número de latino-americanos em termos absolutos e no porcentual de turistas que o Brasil recebe (veja Diagrama 44).

97 Padrões contábeis internacionais publicados pelo IASB (International Accounting Standards Board). Desde 2001, a instituição tem realizado esforços para implantar esses padrões com o objetivo de tornar mais fáceis a comparação e a integração de dados contábeis de empresas de países diferentes

Pessoa que nasceu fora do Brasil, ou nasceu no Brasil mas foi registrada em representação estrangeira e não se naturalizou brasileira 98

É interessante notar que, de acordo com o Censo 2010 do IBGE, o nível de integração de estrangeiros98 ao Brasil é de apenas 0,2% do total da população, número muito pequeno se considerarmos o histórico brasileiro de recepção de imigrantes do final do século XIX e início do século XX. Tendo em mente a colaboração que estes imigrantes proporcionaram ao Brasil, recentemente foi instituído na Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República um grupo de trabalho para a realização de estudos sobre a intensidade potencial do fluxo imigratório, sua importância para o desenvolvimento do País e formas de estimulá-lo. Entre os temas a serem discutidos, estão a avaliação dos impactos que uma política de imigração para trabalhadores qualificados e não qualificados pode ter sobre o desenvolvimento nacional e fatores que podem limitar ou promover esses fluxos imigratórios. Um dos fatores que contribuem para o pequeno número de imigrantes na população brasileira é o processo de autorização de entrada de estrangeiros no País, que é complexo e demorado por conta da legislação ainda demasiadamente protetora da mão de obra nacional.

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DIAGRAMA 44

Brasil tem atraído número crescente de trabalhadores estrangeiros, o que não tem acontecido com turistas Participação da América Latina na entrada de trabalhadores no Brasil diminuindo Vistos de trabalho emitidos por ano no Brasil por país de origem do trabalhador

100

% de vistos de trabalho de cada região

13

13

11

10

OUTROS

80

15

15

15

16

AMÉRICA DO NORTE

60

29

28

29

30

ÁSIA

40 36

Total de vistos (mil)

Entradas de turistas1 no Brasil por país de origem

100

% de turistas de cada região

12

14

14

16

14

13

14 OUTROS2

80

16

16

15

14

14

14

12

60

33

34

32

29

28

26

25 EUROPA

38

37

38

41

44

47

49

AMÉRICA DO NORTE

40 36

37

36

EUROPA

20 0

Participação da América Latina no turismo do Brasil maior e crescendo

20 8

8

8

7

2008

2009

2010

2011

44,0

42,9

56,0

70,5

AMÉRICA LATINA ~ 60% dos turistas vindos da América Latina são argentinos, com ~ 50% realizando turismo local no sul do País

0

AMÉRICA LATINA

2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 5,4

5,0

5,0

5,1

4,8

5,2

5,4

Total de turistas (milhões)

1. Número de turistas inclui turismo de lazer e de negócios 2. Inclui países asiáticos. / Nota: dados disponíveis de 2008 a 2011 consideram países diferentes em relação ao Relatório de Atratividade 2011. / Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego; Ministério do Turismo, análise BCG

Para se estabelecer no Brasil, com exceção de cidadãos procedentes de países do Mercosul, o estrangeiro enfrenta um processo que exige o patrocínio do empregador, comprovação de experiência profissional, educação média e superior completas, e um tempo de processamento de aproximadamente dois meses. Para o pedido de renovação, esse tempo pode ser de até dois anos. Com vistas a sanar esse empecilho, poderia ser avaliada a ampliação do espaço criado pelo Acordo de Livre Residência do Mercosul, a exemplo do que foi anunciado em agosto de 2012 com relação à Colômbia, além da criação de cadastros regionais de pessoas. Por fim, sob a ótica da infraestrutura necessária para ligar as pessoas ao País, o Brasil está relativamente bem conectado em comparação com as demais nações latino-americanas, oferecendo 31 destinos internacionais, sendo metade deles para a própria América Latina. No entanto, a disponibilidade de assentos em relação à população é baixa, o que significa que, apesar das ligações existentes, o País poderia aumentar a capacidade existente (veja Diagrama 45).


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DIAGRAMA 45

Brasil lidera em destinos de voos internacionais, mas tem baixo número de assentos em relação à sua população Brasil tem o maior número de destinos de voos internacionais na América Latina...

... porém a disponibilidade de assentos per capita é ainda baixa

Número de destinos de voos internacionais por país de origem (2012)

Assentos em voos internacionais / dia / milhões de habitantes do país1 (2012)

BRASIL

52%

Panamá

87%

México

44%

37%

Venezuela

70%

22%

9%

23

Argentina

61%

26% 13%

23

Colômbia

75%

15%10%

20

Peru

75%

15%10%

20

26%

PANAMÁ

6% 6% 31

CHILE

12% 12% 7%

11% 21%

66%

Chile

31

23%

4.855 643

ARGENTINA

27

471

EQUADOR

406

PERU

414 374

MÉXICO COLÔMBIA

309

VENEZUELA

311

19

BRASIL 167 0

10

20

América Latina

Ásia

Europa

Outros

30

40

0

500

1.000

4.000

Nota: baseado no número de voos da semana de 4 a 10 de junho de 2012. Considera apenas partidas (~metade do número de voos totais). / Fonte: OAG database; análise BCG

Indicadores Para o pilar conectividade, as dimensões selecionadas para acompanhamento contínuo são: • Abertura internacional para bens: as restrições do país às importações de bens e a resistência de outros países às exportações de um dado país são evidências de sua disposição para a conectividade comercial; • Comércio de bens: o comércio de bens é uma das atividades mais importantes de um polo de negócios e, por isso, é elemento a ser desenvolvido; • Abertura internacional para serviços: a participação do país em acordos de comércio internacional de serviços é evidência de sua disposição para a conectividade comercial de serviços;

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ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

• Comércio de serviços: o comércio de serviços ganha importância adicional em se tratando da formação de um polo de negócios baseado em serviços; • Fluxo de capitais: a entrada e saída de capitais do país é um dos indicadores-chave de um polo de investimentos e negócios, permitindo o financiamento de emissores nacionais e maiores opções de investimento no restante do mundo; • Acordos de abertura para capitais: a participação em acordos bilaterais de investimento mostra a disposição em facilitar a saída e a entrada de capitais; • Regulação promotora de abertura a capitais: ajuda a medir o quanto a regulação de um país é, por si só, facilitadora da entrada de capitais, através da opinião de especialistas; • Expansão de multinacionais do país: a projeção das empresas do país e o quanto estas são capazes de competir na arena global é um meio importante de conectividade do polo, alavancando outros fluxos como os de pessoas e comércio; • Facilidade de entrada de multinacionais estrangeiras: a preparação da regulação de um país para receber empresas estrangeiras é fator determinante na decisão de entrada destas e alavanca a economia e a conectividade do país; • Recepção de imigrantes: a participação de imigrantes na população de determinado país é evidência de sua conectividade com o mundo em termos de pessoas; • Mobilidade de pessoas: a mobilidade internacional de pessoas, aqui medida pelo número de destinos aéreos disponíveis a partir do país, é relevante por permitir a entrada e a saída do polo. O resultado da classificação do Brasil no pilar conectividade diante de outros países pode ser observado na página ao lado. Nota-se que o Brasil se encontra em posicionamento “crítico” ou “a desenvolver” em todas as dimensões avaliadas e ainda distante dos demais polos analisados. No entanto, vale destacar o indicador de expansão de multinacionais, calculado com base no ranking das 100 empresas com ativos no exterior, e no qual o Brasil saiu da posição crítica graças à inclusão da Vale na lista. Em relação às dimensões comércio de bens e serviços e fluxo de capitais, elas são ponderadas pela participação dos países no PIB global, razão pela qual Hong Kong e Cingapura, por serem menores, ocupam as primeiras colocações nesses quesitos. Mesmo assim, as economias que possuem maior PIB do que o Brasil, em geral, mantêm posição mais avançada do que o País, sugerindo que ainda existe espaço para crescimento. Nesse sentido, os acordos internacionais, viabilizadores das referidas dimensões, poderiam ser desenvolvidos de forma a alavancar tais fluxos.


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CONECTIVIDADE crítico

BRA

1.

ABERTURA INTERNACIONAL PARA BENS1

2.

COMÉRCIO DE BENS

3.

ABERTURA INTERNACIONAL PARA SERVIÇOS1

4.

COMÉRCIO DE SERVIÇOS

5.

FLUXO DE CAPITAIS

6.

ACORDOS DE ABERTURA PARA CAPITAIS1

7.

REGULAÇÃO PROMOTORA DE ABERTURA A CAPITAIS1

8.

EXPANSÃO DE MULTINACIONAIS DO PAÍS

9.

FACILIDADE DE ENTRADA DE MULTINACIONAIS ESTRANGEIRAS1

10.

RECEPÇÃO DE IMIGRANTES1

MEX

a desenvolver

IND

bom

RUS

KOR

excelente

JPN DEU CHN

SGP

CHL USA

HKG

GBR FRA

COMÉRCIO

BRA USA

IND

JPN

GBR RUS

CHN

MEX CHL

DEU KOR

SGP

HKG

FRA

BRA IND CHL

SGP

MEX CHN

KOR

FRA GBR

HKG

USA

DEU JPN

BRA MEX

JPN CHN

USA

CHL FRA

DEU

IND

HKG

GBR

KOR

SGP

RUS

BRA JPN IND DEU

USA

FRA

RUS GBR

CHL

SGP

HKG

KOR MEX CHN

CAPITAL

BRA JPN

SGP MEX

USA CHL KOR CHN FRA

HKG

RUS IND

DEU

GBR

BRA CHN RUS

KOR

JPN FRA MEX

USA

CHL

IND

GBR SGP

HKG

DEU

EMPRESAS

BRA RUS CHL SGP IND

MEX

CHN

HKG

DEU FRA GBR

JPN

USA

KOR

BRA CHN MEX RUS KOR

IND FRA USA

GBR

SGP JPN

CHL

PESSOAS

BRA CHN

IND MEX

KOR

JPN CHL

RUS GBR DEU

HKG

FRA USA

SGP

BRA

11.

CHL

MOBILIDADE DE PESSOAS

PAÍSES EMERGENTES

MEX

HKG SGP KOR JPN

PRINCIPAIS POLOS INTERNACIONAIS

1: Dados não atualizáveis em relação ao Relatório de Atratividade 2011.

IND

CHN

OUTROS PAÍSES DESENVOLVIDOS

RUS

USA DEU FRA GBR


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ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

ao se permitir o fácil trânsito de tomadores de decisão e de profissionais qualificados, cria-se um ambiente propício para centros decisórios de empresas e sedes regionais se estabelecerem no Brasil

Conclusão O tamanho do Brasil e a sua preponderância na região fazem com que ele seja um importante centro de conexão com o mundo e um destino natural de fluxos internacionais de bens, serviços, capitais e pessoas. Essa posição de destaque poderia ser consolidada de forma a materializar o potencial do País e, consequentemente, irradiar para a região os benefícios de ser um polo de investimentos e negócios. Para isso, o Brasil poderia promover uma agenda internacional voltada à construção de parcerias e estabelecimento de acordos com o restante do mundo, conjugada com iniciativas de padronização de seu arcabouço regulatório e normas técnicas. No contexto das empresas, as multilatinas continuam internacionalizando suas atividades, mas, salvo exceções pontuais, ainda estão longe de ser destaques globais. Por fim, em relação à mobilidade de pessoas, é imprescindível uma legislação moderna capaz de permitir um maior fluxo de estrangeiros. Dessa forma, ao se permitir o fácil trânsito de tomadores de decisão e de profissionais qualificados, cria-se um ambiente propício para centros decisórios de empresas e sedes regionais se estabelecerem no Brasil. Haveria, consequentemente, mais uma alavanca para contribuir com a dinamização das virtudes do País.


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

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ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

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imagem do país

A imagem do país reflete a percepção que o mundo tem sobre um dado polo e, portanto, reproduz, de certa maneira, os demais pilares da atratividade. Essa percepção pode ser gerada por vivência de estrangeiros no país, informações veiculadas na mídia ou relatórios, de modo que é necessária uma realidade condizente e bem divulgada para que a imagem ocorra sem artificialismos e possa ressaltar qualidades e relativizar deficiências, aumentando a atratividade do polo. Na presente seção, a análise será dividida em três aspectos essenciais da imagem de um polo: lugar para se fazer negócios, morar e fazer turismo.

Principais aspectos do pilar imagem do país Lugar para se fazer negócios: os diversos agentes de negócios, sejam empresas, pessoas ou investidores, podem ter maior inclinação a um determinado país que possui uma reputação positiva em relação à condução de negócios. Lugar para se morar: a imagem de um país como bom lugar para se morar, fruto da oferta de boas condições de vida a seus habitantes, é fundamental para atrair talentos e, portanto, para a formação de um polo de investimentos e negócios. Lugar para se fazer turismo: o turismo contribui tanto pela atração de receitas diretas quanto pela divulgação de um país a seus visitantes internacionais e propagação posterior por estes em seus países de origem.


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Lugar para se fazer negócios

99 Avaliação de 50 países feita pelo Anholt-GfK Roper Nation Brands Report de 2010

A fim de se consolidar como polo de investimentos e negócios, é crítico que o Brasil busque uma imagem estabelecida e positiva como lugar para se fazer negócios. Como forma de mensuração, essa imagem pode ser capturada através de índices que analisam a percepção relativa de um país ou cidade, ou através de indicadores mais tangíveis, como a capacidade de um polo de atrair eventos, como congressos de negócios. O Nation Brands Index 201099, que mede a imagem dos países em uma série de dimensões, mostra, por exemplo, que a imagem do Brasil em relação à geração de ideias e produtos e também sobre o ambiente institucional ainda não coloca o País em posição favorável, com pontuação inferior à média global dos países pesquisados (veja Diagrama 46).

DIAGRAMA 46

Imagem de negócios do Brasil tem indicadores abaixo da média global Produtos Nacionais1 JAPÃO MELHOR

77

Ambiente Institucional2 Canadá 66

MELHOR

52 MÉDIA 53 MÉDIA

BRASIL 51

BRASIL 52

PIOR

37

Angola

34

PIOR

IRÃ

1. O país contribui com inovações na ciência e tecnologia; o conhecimento de onde o produto é produzido aumenta a predisposição à compra; possui ambiente criativo com ideias de negócios avançadas. 2. Tem governo honesto que respeita os direitos, o país age com responsabilidade na proteção da segurança; há a preocupação com a pobreza e o meio ambiente. / Nota: Pesquisa realizada entre 50 países. / Fonte:The Anholt-GfK Roper Nation Brands IndexSM 2010 50 Country Report

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ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

Apesar desse retrato, cidades brasileiras como São Paulo e Rio de Janeiro já ocupam a segunda e a quinta posições, respectivamente, em ranking100 de lugar para se fazer negócios na América Latina, com Miami em primeiro lugar101 (veja Diagrama 47). Isso posiciona bem o País para atuar como polo regional. Adicionalmente, em 2011 o Brasil foi o país que mais recebeu congressos e convenções internacionais da América Latina e o sétimo em todo o mundo102. Desde 2003, o número desses eventos tem crescido a uma taxa média de 11% ao ano no País (veja Diagrama 47). Outro indicador de que a imagem do Brasil como lugar para se fazer negócios está melhorando são os resultados de pesquisa realizada com gestores de ativos financeiros103, apontando São Paulo como o terceiro centro financeiro com melhores perspectivas para o futuro, sendo superado apenas por Hong Kong e Cingapura.

100 Fonte: Ranking de lugares para se fazer negócios da revista América Economia publicado em 2010 e baseado em aspectos macroeconômicos, sociais, de serviços, infraestrutura, talentos e marca. Além disso, São Paulo foi considerada a melhor cidade para a atração de investimentos pelo Ranking de Ciudades Latinoamericanas para La Atracción de Inversiones, publicado pela Universidade de Rosário – Colômbia 101 Incluída na pesquisa por causa da ligação cultural latina 102 Eventos itinerantes, com periodicidade fixa e com mais de 50 participantes. Fonte: International Congress and Convention Association 103 International Financial Centres 2012, The Banker

DIAGRAMA 47

O País começa a se destacar como lugar para se fazer negócios País atrai número crescente de congressos e convenções

Cidades brasileiras apresentam destaque regional

1

Nº de eventos internacionais no Brasil Brasil é o 7º país que mais recebe eventos no mundo

RANK

+11%

297 256

231 174

304 275

224

187

133

1ª 2ª 3ª 4ª 5ª 6ª 7ª 8ª 9ª

CIDADE

PAÍS

Miami São Paulo Santiago Cidade do México Rio de Janeiro Buenos Aires Cidade do Panamá Bogotá Brasília

EUA Brasil Chile México Brasil Argentina Panamá Colômbia Brasil

Ranking de 45 cidades latino-americanas sobre melhor lugar para se fazer negócios em 2011, com base em aspectos macroeconômicos, sociais, de serviços, infraestrutura, talentos e marca

2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 1. Eventos itinerantes, com periodicidade fixa e com mais de 50 participantes. / Nota: informação revisada considerando dados mais recentes disponíveis. / Fonte: Revista América Economia; Statistics Report 2010 e 2011 - International Congress and Convention Association


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

O tema da sustentabilidade, assunto cada vez mais recorrente nas empresas, contribui para a formação de uma boa imagem do Brasil como polo de investimentos e negócios

Ainda sobre a crescente importância de São Paulo como centro de investimentos e negócios, em pesquisa realizada junto aos consultores do Citi Private Bank e especialistas em propriedades de luxo da Knight Frank ao redor do mundo104, São Paulo será a 8ª cidade mais importante no mundo em 2022 para pessoas de altíssima renda, superando Genebra, Roma, Moscou, Dubai, Mumbai, Frankfurt, Madri e Vancouver. Além de São Paulo, a cidade do Rio de Janeiro também foi indicada entre as 20 cidades que mais crescerão em importância no mundo. O tema da sustentabilidade, assunto cada vez mais recorrente nas empresas, contribui para a formação de uma boa imagem do Brasil como polo de investimentos e negócios. O país teve o sexto maior número de empresas a apresentarem relatórios anuais de sustentabilidade de acordo com as diretrizes do Global Reporting Initiative (GRI)105 em 2011 (veja Diagrama 48). Esse aspecto positivo poderia também ser traduzido em rankings globais de sustentabilidade: o Brasil tem somente três empresas entre as 100 mais sustentáveis do mundo, de acordo com um estudo publicado em 2012 pela empresa Corporate Knights (veja Diagrama 48). No entanto, vale destacar que as três empresas incluídas no ranking melhoraram seu posicionamento em face de 2010, com destaque especial para a Natura, que subiu para a segunda posição no ranking de 2012. Ainda sobre sua proeminência em sustentabilidade, o Brasil sediou em 2012 o evento Rio+20, conferência da Organização das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável, consolidando seu papel no debate mundial sobre o assunto.

104

The Wealth Report 2012

Modelo mais usado pelas empresas no mundo, de acordo com pesquisas da KPMG e da Ernst & Young 105

Em virtude de seu panorama econômico e maior exposição global, o Brasil tem a oportunidade de aproveitar o momento atual e promover sua imagem relacionada a investimentos e negócios. Esforços como o BEST (Brazil: Excellence in Securities Transactions), que apresenta o mercado financeiro e de capitais nacional para investidores estrangeiros, e a APEX (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), que promove o comércio exterior e possui também iniciativas para atrair empresas ao País, são importantes, mas ainda possuem alcance limitado. É necessária uma maior quantidade de medidas voltadas a divulgar as fortalezas que o Brasil possui e mitigar impressões equivocadas que existam sobre fazer negócios no País.

127


128

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

DIAGRAMA 48

A preocupação das empresas brasileiras com sustentabilidade é alta, mas ainda não reconhecida Brasil é sexto país com o maior número de relatórios publicados...

...mas tem somente 3 empresas entre as 100 mais sustentáveis do mundo

Número de empresas que publicaram relatórios de sustentabilidade1 - 2011

Número de empresas no ranking das 100 mais sustentáveis2

352

EUA 197

Japão 172

Espanha

162

China

139

SUÉCIA

123

Brasil Alemanha

115

Austrália

110

15

REINO UNIDO 12

Japão EUA

8

França

8

Canadá

6

Austrália

6

Suíça

5

ALEMANHA

5

CorEia do Sul

98

Suécia

4

Holanda

98

Dinamarca

4

Holanda

4 4

África do Sul

88

Canadá

83

Espanha

Reino Unido

81

Brasil

SuíÇa Itália

74 59

Rússia

55

Argentina

53

Áustria

52

3

Finlândia

2

Cingapura

2

Coreia do Sul

2

2. Natura 61. Bradesco 81. Petrobrás

Índia 1 Outros

1. Considera apenas empresas que publicaram seus relatórios de acordo com as diretirzes do GRI (Global Reporting Initiative), as quais são as mais utilizadas de acordo com pesquisas da KPMG e da Ernst & Young em 2011. 2. The World's Most Sustainable Companies 2012 do Corporate Knights. / Fonte: GRI; Corporate Knights; análise BCG

9


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

Lugar para se morar O Brasil ainda não é bem visto como um bom lugar para se morar, apesar de ser reconhecido mundialmente pela sua abertura cultural e hospitalidade e a cidade do Rio de Janeiro ter sido eleita a cidade mais feliz do mundo em 2009 pela revista Forbes106. Em ranking da The Economist Intelligence Unit divulgado em 2012 sobre esse tópico, cidades como São Paulo e Rio de Janeiro figuram somente em 42º e 43º lugar, respectivamente, entre 70 cidades no mundo (veja Diagrama 49). Essa lacuna pode estar fundamentada em fatores reais, como trânsito e relativa falta de segurança, mas em parte é resultado da tímida divulgação dos pontos positivos e de apresentação de eventuais melhorias ocorridas em pontos deficientes. Obviamente que investir na melhoria real de seus pontos negativos traz impactos relevantes em relação à percepção do Brasil no exterior, mas a divulgação dos seus avanços poderia ocorrer de forma estruturada, o que não acontece atualmente. Hoje, a formação da imagem brasileira como lugar para se morar ocorre de forma difusa através de notícias, rankings internacionais e a própria movimentação de pessoas para dentro e fora do País, sem uma estratégia que ressalte as vantagens deste, destaque os seus avanços ou relativize as suas deficiências. Fonte: Ranking The World’s Happiest Cities da revista Forbes, publicado em setembro de 2009

106

107 Em 2011, foram registrados 1.019 homicídios dolosos, com índice de 9,0 por 100 mil habitantes. Para o ano de 2012, o valor estimado seria de aproximadamente 10,7, projetando o crescimento do número de homicídios do primeiro semestre e crescimento anual médio da população paulista entre 2009 e 2011. Fonte: Secretaria da Segurança Pública de São Paulo 108

Fonte: FBI (Federal Bureau of Investigation)

A pacificação das principais favelas do Rio de Janeiro em 2011, que teve ampla repercussão na mídia internacional, é um fato que poderia ser mencionado como exemplo de divulgação positiva. Além disso, poderia ser ressaltado o fato de que a cidade de São Paulo teve em 2010 uma taxa de homicídios inferior à de alguns centros metropolitanos dos Estados Unidos: foram 10,6107 homicídios por 100 mil habitantes, ante 21,9 em Washington e 15,2 em Chicago108. O Brasil poderia divulgar mais seus avanços de forma coordenada - por meio da imprensa, de formadores de opinião em visita ao País ou de campanhas internacionais - e, com isso, reduzir eventuais resistências que possam existir pela falta de informação da situação atual.

DIAGRAMA 49

O Brasil não tem boa imagem como lugar para se morar

RANKING1

1ª 2ª 3ª 26ª 27ª 36ª 42ª 43ª 48ª 50ª 55ª

CIDADE Toronto Sydney Osaka Buenos Aires Santiago Lima São Paulo Rio de Janeiro Cidade do México Bogotá Caracas

PAÍS Canadá Austrália Japão Argentina Chile Peru Brasil Brasil México Colômbia Venezuela

1. Ranking de 70 cidades sobre melhor lugar para se morar organizado pelo EIU em 2012, com base em estabilidade, serviços de saúde, cultura e ambiente, educação e infraestrutura / Fonte: EIU

129


130

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

Lugar para se fazer turismo A cultura do povo aliada a atrativos naturais fazem com que o Brasil tenha uma imagem positiva para o turismo, sendo destaque internacional (veja Diagrama 50). Interessante notar, entretanto, que essa imagem favorável não é concretizada no número de turistas ingressantes. O Brasil é somente o 39º colocado entre os 60 países que mais atraem viajantes no mundo (veja Diagrama 50), recebendo menos de 1% dos turistas mundiais. E, pior, o País não acompanhou o crescimento do turismo internacional, mantendo seu número de ingressantes estável nos últimos anos e com queda no turismo de negócios (veja Diagrama 51).

DIAGRAMA 50

Apesar de ter boa imagem, o Brasil atrai menos de 1% dos turistas no mundo Imagem brasileira é positiva em aspectos turísticos e culturais...

Turismo1 ITÁLIA MELHOR

75

BRASIL 67

MÉDIA

Cultura2

Ranking País

EUA 70

MELHOR

63 BRASIL Brasil é o 10º colocado entre 50 países

62 56

MÉDIA

Brasil é o 13º colocado entre 50 países

PIOR

45

IRÃ

... mas atrai somente pequena parte do volume global de turistas3

43

PIOR

1º 2º 4º 6º 7º 9º 11º 12º 15º 24º 27º 31º 37º 39º

França EUA China Reino Unido Hong Kong Alemanha Rússia México Canadá Cingapura Coreia do Sul Japão Índia BRASIL

% de turistas do mundo

10,4% 7,8% 7,3% 4,0% 3,8% 3,4% 3,1% 3,1% 2,3% 1,2% 1,1% 1,0% 0,7% 0,7%

IRÃ

1. Perguntas: interesse em visitar o pais, é rico em beleza natural e monumentos históricos e cidades excitantes. 2. Tem sucesso em esportes e tem herança cultural, tem cultura contemporânea. Nota: pesquisa realizada entre 50 países. 3. Refere-se a todos os tipos de visitantes temporários, incluindo lazer e negócios – não considera visitantes por atividades remuneradas no país de destino. Considera a média de 2009 a 2011. / Fonte: The Anholt-GfK Roper Nation Brands IndexSM 2010 50 Country Report; EIU

Brasil é o 39º colocado entre 60 países


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

131

DIAGRAMA 51

O turismo no Brasil não acompanhou o crescimento mundial de turistas

Número de turistas internacionais se manteve constante

Turistas internacionais por destino - milhões

Turistas internacionais no Brasil - milhões

TACC 05-11

785,8 756,5

O turismo de negócios decresceu no Brasil desde 2005

MUNDO

2,7%

5,4 5,0

747,4

2,4

(44%)

703,4

1,6

(29%)

5,4

2005

5,1

2,2

(44%)

2,2

(44%)

2,2

(43%)

5,2 4,8 2,2

(46%)

2,4

(46%)

LAZER

-0,2%

715,2

668,5 34,8

5,0

762,2

TACC 05-11

34,7

36,5

38,2

36,6

40,9

5,0

5,0

5,1

4,8

5,2

2006

2007

2008

2009

2010

42,0

5,4

AMÉRICA 3,2% LATINA BRASIL

2011

0,2%

1,4

1,4

(28%)

1,4

1,4

(27%)

1,4

1,4

(27%)

1,5

1,1

(23%)

1,5

1,2

NEGÓCIOS -5,2%

1,6

OUTRAS

(23%)

(27%)

(28%)

(28%)

(30%)

(32%)

(31%)

2005

2006

2007

2008

2009

2010

+2,0%

Nota: conforme dados mais recentes extraídos do EIU. / Fonte: Ministério do Turismo do Brasil; EIU; análise BCG

O Brasil tem uma oportunidade ainda maior de aumentar seu turismo internacional, visto que já apresenta uma imagem favorável no cenário externo. Por exemplo, o País se destaca internacionalmente no ecoturismo – rankings feitos pela Forbes109 e pela National Geographic110 indicam, por exemplo, o Pantanal brasileiro como um dos lugares que se devem conhecer nessa categoria de turismo. Além disso, o Brasil poderia utilizar a percepção de turistas que reconhecem potencialidades brasileiras como alavanca para a formação da imagem de lugar para se fazer negócios e morar, condizente com um polo de investimentos e negócios.

109

The World’ Best Green Vacations 110

Best Green Adventures 111

Fonte: Embratur

Iniciativas conduzidas pelo Ministério do Turismo e pelo Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) já são frequentes, sendo necessário garantir a continuidade dos esforços existentes. A Copa do Mundo de Futebol de 2014 e a Olimpíada de 2016, eventos com estimativa de atrair, respectivamente, 600 mil e 380 mil visitantes estrangeiros111, serão oportunidades ímpares para a consolidação de uma imagem positiva em um maior número de turistas no longo prazo.


132

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

Indicadores Para o pilar imagem do país, as dimensões selecionadas para acompanhamento contínuo são: • Imagem no âmbito de negócios: a imagem positiva de um polo no âmbito dos negócios é essencial para a atração de investidores e de empresas em busca de oportunidades; • Interesse estrangeiro em investimentos e negócios do país: o interesse estrangeiro no país, aqui medido pelo volume de buscas realizadas sobre seu nome combinado a palavras relacionadas a negócios, mede a projeção internacionalmente e, portanto, indica o potencial de atração de negócios estrangeiros; • Atratividade para eventos internacionais: a realização de eventos internacionais em um polo mostra a projeção no interesse de investidores e de empresários estrangeiros, o que contribui para a formação do polo; • Sustentabilidade: a atitude de um país com relação aos recursos naturais define a sustentabilidade e contribui com a imagem para negócios, além de influir também na imagem de lugar para se fazer turismo e morar; • Qualidade de vida: a qualidade de vida em um país define sua imagem como local para se morar e, assim, define sua atratividade para talentos internacionais e para empresas que estejam decidindo onde se instalar no mundo; • Abertura cultural: a abertura cultural de um país contribui para que ele receba bem os estrangeiros que o visitem a negócios ou a turismo e também garante melhor aceitação dos cidadãos que viajam ao exterior, sendo fundamental para a consolidação de um polo com ambições internacionais; • Segurança pessoal e patrimonial: junto com a qualidade de vida, a segurança é definidora da atratividade de um polo para se morar e também para turistas; • Imagem no âmbito de lazer e turismo: o lazer e o turismo contribuem diretamente com um polo ao gerar negócios e, indiretamente, ao ajudar na formação da imagem no exterior; • Intensidade de turismo: a intensidade do turismo, assim como a imagem do país nesse âmbito, mede o interesse internacional geral sobre a nação e contribui com a divulgação da imagem internacional do polo. O resultado da classificação do Brasil no pilar imagem diante dos outros países pode ser observado a seguir:


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

133


134

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

IMAGEM DO PAÍS crítico

a desenvolver

bom

BRA

CHL CHN

IMAGEM NO ÂMBITO

1. DOS NEGÓCIOS

KOR

MEX IND

excelente

SGP

GBR USA

RUS

FRA JPN DEU

BRA

2.

INTERESSE ESTRANGEIRO EM NEGÓCIOS E INVESTIMENTOS DO PAÍS

3.

ATRATIVIDADE PARA EVENTOS INTERNACIONAIS

CHL

KOR MEX

DEU HKG

SGP

CHN

GBR

IND

RUS JPN FRA

USA

BRA RUS HKG CHL

SGP

IND

MEX JPN

DEU

FRA

KOR CHN

USA

GBR

BRA IND CHN RUS

4. SUSTENTABILIDADE

MEX

CHL

SGP KOR

DEU GBR

JPN

FRA

USA

BRA CHN IND

5. QUALIDADE DE VIDA

RUS

KOR HKG CHL

GBR

JPN USA SGP

MEX

DEU

FRA

BRA

6.

ABERTURA CULTURAL

7.

SEGURANÇA PESSOAL E PATRIMONIAL

8.

IMAGEM NO ÂMBITO DE LAZER E TURISMO

FRA

JPN RUS

KOR

DEU

CHN

GBR

IND

CHL

SGP

HKG

USA MEX

BRA RUS

MEX

KOR

IND

CHL FRA GBR

USA DEU

JPN

CHN

SGP

HKG

BRA CHL SGP

RUS CHN

MEX

KOR

JPN

DEU USA GBR FRA

IND

BRA

9. INTENSIDADE DE TURISMO

CHL

IND

JPN

SGP

RUS HKG MEX DEU GBR

KOR PAÍSES EMERGENTES

PRINCIPAIS POLOS INTERNACIONAIS

OUTROS PAÍSES DESENVOLVIDOS

Nas dimensões relacionadas à imagem como lugar para se fazer negócios, o Brasil tem destaque na atratividade de eventos internacionais e no tema da sustentabilidade. No entanto, nas dimensões mais fundamentais, como interesse estrangeiro em investimentos e negócios do país e imagem no âmbito de negócios, o País ainda está classificado como “crítico” ou “a desenvolver”. Já nas dimensões ligadas à imagem como lugar para se morar, a posição do Brasil é especialmente desfavorável, pois os atributos de qualidade de vida e segurança pessoal e patrimonial estão classificados como críticos, apesar do seu ótimo posicionamento na dimensão abertura cultural, onde o País é o melhor posicionado entre os países analisados. Finalmente, nas dimensões ligadas à imagem enquanto lugar para se fazer turismo, o Brasil está bem posicionado, mas ainda não conseguiu traduzir essa percepção positiva em uma maior intensidade de turismo.

CHN USA

FRA


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

135


136

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

Eventos de grande repercussão internacional, como o Rio+20 realizado em 2012 com foco no tema do desenvolvimento sustentável, podem ajudar a consolidar a imagem do País

Conclusão Para avançar neste pilar, o Brasil deve continuar promovendo esforços principalmente em relação à sua imagem para negócios. Além disso, percepções que afetam diretamente o cotidiano das pessoas, como qualidade de vida e segurança pessoal e patrimonial, se bem trabalhadas, podem contribuir duplamente para a melhoria da imagem brasileira. Em primeiro lugar, despertaria um maior interesse no País como lugar propício para morar, além de impactar na intensidade de seu turismo internacional. Com isso, influenciaria a posição do País nessa questão, que ainda possui aspectos não condizentes com sua realidade, em especial se comparada com a de outros países. Eventos de grande repercussão internacional, como o Rio+20 realizado em 2012 com foco no tema do desenvolvimento sustentável, podem ajudar a consolidar a imagem do País. Nos próximos anos, a Copa do Mundo de futebol de 2014 e a Olimpíada de 2016 são eventos adicionais que podem catalisar as iniciativas de divulgação do Brasil ao exterior e, consequentemente, contribuir com a melhoria de sua percepção. No entanto, é crítico que as muitas ações de melhoria previstas, em especial aquelas relacionadas à infraestrutura física, sejam concretizadas antes dos eventos – caso contrário, a imagem do Brasil poderá ser grandemente prejudicada. Por fim, a melhoria da imagem do Brasil em qualquer uma das dimensões analisadas será altamente beneficiada por esforços coordenados e direcionados, como campanhas de mídia ou iniciativas como BEST e APEX, que ainda possuem abrangência limitada.


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

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138

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

CONCLUSÃO Um polo internacional de investimentos e negócios é fator de desenvolvimento para um país e para sua região. A América Latina, como outras regiões do mundo, precisa ter uma rede forte de polos, alguns de projeção global, dentre os quais o Brasil é um dos candidatos. Como visto, este relatório reexamina os sete pilares da atratividade de um polo - ambiente macroeconômico, ambiente institucional, talentos e capital humano, infraestrutura física, infraestrutura financeira, conectividade e imagem do país -, apresentando o desempenho comparativo do Brasil em relação a 13 países em 57 dimensões envolvendo esses pilares. Atualmente, o País encontra-se distante dos principais polos do mundo, mas tem diversas características que o tornam apto a essa função, como a força de sua economia, sua infraestrutura financeira e estabilidade política e institucional. O Brasil destaca-se pelo seu porte: já é a sexta maior economia do mundo, tendo ultrapassado o Reino Unido em 2011, e conta também com um bônus demográfico que o torna o único dentre as maiores economias do mundo a ter crescimento populacional suficiente para suprir a necessidade futura de trabalhadores. Além disso, atrai mais de 40% de todo o investimento estrangeiro direto destinado à América Latina e as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro já são percebidas como bons lugares para se fazer negócios na região. A taxa de juros real está em contínuo declínio, e em 2012 chegou ao menor nível da série histórica iniciada em 1986, com juros reais inferiores a 3% ao ano, versus 12% ao ano em 2006. Essa queda traz o Brasil para patamares próximos aos de outros países emergentes como China e Rússia, além de abrir caminho para financiamentos mais baratos. Adicionalmente, juros mais baixos estimulam o uso de outros instrumentos financeiros, tais como debêntures, ainda pouco desenvolvidos no País. Com esse contexto positivo, o Brasil está mais atrativo a talentos internacionais, conforme ilustrado pela pesquisa global com executivos realizada pelo IMD e pelo número crescente de vistos de trabalho concedidos a estrangeiros. Tal fato pode ser atribuído à perspectiva brasileira positiva em um cenário de crise, impulsionando empresas a investirem no País e deslocando talentos para aproveitar as oportunidades existentes.


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

Ainda há muito a ser feito e é necessário dar continuidade às ações positivas que estão em curso. Porém, observando o contexto global e os avanços ocorridos na última década, a perspectiva para o Brasil nos próximos anos é bastante positiva, não só pelo seu potencial, mas também pelos avanços que vêm sendo realizados. Entretanto, para o futuro existem desafios claros que requerem medidas de longo prazo, as quais devem ser iniciadas o quanto antes. Se trabalhados, tais desafios poderão contribuir para aumentar a atratividade do Brasil, melhorando, por exemplo, a infraestrutura de transportes ainda precária em comparação com países desenvolvidos, simplificando o sistema tributário complexo e aprimorando a qualificação de trabalhadores. Percebe-se o comprometimento do Governo brasileiro em reduzir os problemas de infraestrutura física, inclusive com a participação de investimentos privados, como na concessão de três grandes aeroportos em 2012 e a prevista no Programa de Investimentos em Logística, anunciado pelo governo em meados de 2012. Também foi realizado neste ano o leilão das faixas de frequência 4G da telefonia móvel, o que permitirá a oferta de serviços mais avançados de dados móveis à população em tempo para a Copa do Mundo de Futebol de 2014, ainda que sem alteração no ambiente competitivo das prestadoras de serviços. Visando aproveitar o cenário internacional, a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República está estudando maneiras de incentivar a entrada de estrangeiros qualificados no País, o que também ajudaria a melhorar a capacitação dos talentos locais. A BRAiN está atenta a essas questões e continuamente identificará as oportunidades de melhoria e, como vem fazendo, trabalhará para melhorar a atratividade do Brasil. Você que percebe a importância do desenvolvimento de um polo internacional de investimentos e negócios no Brasil e na América Latina está convidado a participar. Visite nosso site para acompanhar e contribuir com esse processo: www.brainbrasil.org.

139


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ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

APÊNDICE: DETALHAMENTO DOS INDICADORES112

112 Critério de classificação baseado na média e desvio padrão, exceto onde especificamente mencionado


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

AMBIENTE MACROECONÔMICO DIMENSÃO

RACIONAL DE ESCOLHA

critério DE CLASSIFICAÇÃO

The Economist Intelligence Unit

Cobertura de 150 países. Projeções para 5 anos para todo o universo coberto

Distribuição analítica: Crítico: ≤ -1 A desenv.: -1 a 1,5 Bom: 1,5 a 4 Excelente: ≥ 4

Projeção da inflação média ao ano nos próximos 5 anos

The Economist Intelligence Unit

Cobertura de 150 países. Projeções para 5 anos para todo o universo coberto

Distribuição analítica: Crítico: ≥ 20 A desenv.: 8 a 20 Bom: 4 a 8 Excelente: ≤ 4

Projeção da Dívida Bruta do Setor Público (% do PIB)

World Economic Outlook Database, FMI

Avaliação consistente desde 1984 com cobertura mundial

Crítico: ≥ 83 A desenv.: 83 a 49 Bom: 49 a 15 Excelente: ≤ 15

Reservas internacionais / Dívida externa total (%)1

The Economist Intelligence Unit

Cobertura de 150 países

Crítico: ≤ 23 A desenv.: 23 a 99 Bom: 99 a 175 Excelente: ≥ 175

Coeficiente de variação da taxa de juros de curto prazo de títulos do governo2

The Economist Intelligence Unit

Cobertura de 150 países

Crítico: ≥ 0,8 A desenv.: 0,8 a 0,5 Bom: 0,5 a 0,2 Excelente: ≤ 0,2

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)3

Human Development Reports, UNDP

Dados disponíveis desde 1970 para mais de 160 países

Crítico: ≤ 0,77 A desenv.: 0,77 a 0,82 Bom: 0,82 a 0,86 Excelente: ≥ 0,86

Índice GINI

World Competitiveness Yearbook, IMD4

Publicado consistentemente desde 1989 e hoje cobrindo 59 países

Crítico: ≥ 50 A desenv.: 50 a 42 Bom: 42 a 33 Excelente: ≤ 335

INDICADOR

FONTE

CRESCIMENTO ECONÔMICOP

Projeção de crescimento médio do PIB ao ano nos próximos 5 anos

ESTABILIDADE MONETÁRIAP

1

2 SOLIDEZ FISCALP

3 VULNERABILIDADE EXTERNA

4 VOLATILIDADE ECONÔMICA

5 DESENVOLVIMENTO HUMANO

6 DISTRIBUIÇÃO DE RENDA

7

P: Indicador baseado em dados projetados. 1. Últimos 3 anos. 2. Últimos 5 anos. 3. Calculado com base em saúde, educação e economia. 4. Fonte substituída em relação ao Relatório de 2011 por dados do IMD. 5. Valores máximo e mínimo da distribuição de acordo com o universo de países disponível. Demais valores distribuídos linearmente.

141


142

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

AMBIENTE INSTITUCIONAL DIMENSÃO ESTABILIDADE POLÍTICA

INDICADOR

FONTE

RACIONAL DE ESCOLHA

Critério DE CLASSIFICAÇÃO

Estabilidade e ausência de violência política (pontuação)

World Governance Indicators, Banco Mundial

Cobre 230 economias consistentemente desde 1996

Distribuição analítica: Crítico: ≤ – 1 A desenv.: – 1 a 0 Bom: 0 a 1 Excelente: ≥ 1

Qualidade regulatória (pontuação)

World Governance Indicators, Banco Mundial

Cobre 230 economias consistentemente desde 1996

Distribuição analítica: Crítico: ≤ – 1 A desenv.: – 1 a 0 Bom: 0 a 1 Excelente: ≥ 1

Rule of Law (pontuação)

World Governance Indicators, Banco Mundial

Cobre 230 economias consistentemente desde 1996

Distribuição analítica: Crítico: ≤ – 1 A desenv.: – 1 a 0 Bom: 0 a 1 Excelente: ≥ 1

Labor Market Flexibility (pontuação)

World Competitiveness Yearbook, IMD

Publicado consistentemente desde 1989 e hoje cobrindo 59 países

Crítico: ≥ 46 A desenv.: 46 a 28 Bom: 28 a 11 Excelente: ≤ 11

Facilidade de abertura de empresas estrangeiras (pontuação)

Investing Accross Borders, Banco Mundial

Iniciativa cobrindo 87 economias e focada especificamente em IED (Investimento Estrangeiro Direto)

Crítico: ≤ 50 A desenv.: 50 a 64 Bom: 64 a 79 Excelente: ≥ 79

Horas necessárias para pagar tributos

Doing Business, Banco Mundial

Estudo detalhado, envolvendo 183 países desde 2002

Crítico: ≥ 524 A desenv.: 524 a 277 Bom: 277 a 29 Excelente: ≤ 29

1 QUALIDADE REGULATÓRIA

2 SEGURANÇA JURÍDICA

3 FLEXIBILIDADE DO MERCADO DE TRABALHO

4 FACILIDADE DE ABRIR NEGÓCIOS

5 Facilidade para empresas pagarem tributos

6


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

TALENTOS E CAPITAL HUMANO INDICADOR

FONTE

RACIONAL DE ESCOLHA

Critério DE CLASSIFICAÇÃO

Diferença entre o CAGR da PEA e o CAGR da demanda por trabalhadores

ONU, OIT, The Economist Intelligence Unit, OCDE, Euromonitor

Reflete a suficiência demográfica relativa ao desenvolvimento econômico

Distribuição analítica: Crítico: ≤ -1 A desenv.: -1 a 0 Bom: 0 a 1 Excelente: ≥ 1

QUANTIDADE DE ENSINO PRIMÁRIO E SECUNDÁRIO

Média entre taxas de matrícula líquidas nos ensinos primário e secundário

UNESCO, IBGE, MEC e Global Competitiveness Report do Fórum Econômico Mundial

Mede a % da população em idade escolar que está na escola1

Crítico: ≤ 75 A desenv.: 75 a 82 Bom: 82 a 90 Excelente: ≥ 90

QUALIDADE DO ENSINO PRIMÁRIO E SECUNDÁRIO

Média das notas em leitura, ciências e matemática da prova internacional PISA

OCDE

Prova unifica a visão de aprendizado no mundo, sendo aplicada a cada triênio a crianças de 15 anos em 65 países

Crítico: ≤ 440 A desenv.: 440 a 468 Bom: 468 a 495 Excelente: ≥ 495

QUANTIDADE DO ENSINO SUPERIOR

Taxa de matrícula bruta no ensino superior

UNESCO, IBGE e Global Competitiveness Report do Fórum Econômico Mundial

Mostra a % de pessoas em idade de escola terciária matriculadas11

Crítico: ≤ 27 A desenv.: 27 a 40 Bom: 40 a 54 Excelente: ≥ 54

ALINHAMENTO DO ENSINO SUPERIOR COM O MERCADO

Nota dada por empresários ao alinhamento do ensino universitário com suas necessidades no mundo

World Competitiveness Yearbook, IMD

Relatório divulgado anualmente com base em fontes de dados primárias e uma pesquisa global de opinião de executivos, com ~4.500 respostas

Crítico: ≤ 4,9 A desenv.: 4,9 a 5,6 Bom: 5,6 a 6,4 Excelente: ≥ 6,4

Média entre o fluxo de estudantes World Competitiveness que entram e saem de cada país Yearbook, IMD para estudar e a nota dada por empresários ao alinhamento do ensino de idiomas com as necessidades do mercado

Relatório divulgado anualmente com base em fontes de dados primárias e uma pesquisa global de opinião de executivos, com ~4.500 respostas

Crítico: ≤ 3,4 A desenv.: 3,4 a 4,2 Bom: 4,2 a 5 Excelente: ≥ 4,8

Avaliação de disponibilidade de gestores seniores e de engenheiros de qualidade

World Competitiveness Yearbook, IMD

Relatório divulgado anualmente com base em fontes de dados primárias e uma pesquisa global de opinião de executivos, com ~4.500 respostas

Crítico: ≤ 5,6 A desenv.: 5,6 a 6,1 Bom: 6,1 a 6,6 Excelente: ≥ 6,6

Número de FTEs (full –time equivalent) de pesquisa e desenvolvimento por 1.000 habitantes

World Competitiveness Yearbook, IMD

Relatório divulgado anualmente com base em fontes de dados primárias e uma pesquisa global de opinião de executivos, com ~4.500 respostas

Crítico: ≤ 3,5 A desenv.: 3,5 a 4,9 Bom: 4,9 a 6,2 Excelente: ≥ 6,2

ATRATIVIDADE DO PAÍS PARA TALENTOS INTERNACIONAIS

Nota dada por empresários à atratividade do país para talentos internacionais

World Competitiveness Yearbook, IMD

Relatório divulgado anualmente com base em fontes de dados primárias e uma pesquisa global de opinião de executivos, com ~4.500 respostas

Crítico: ≤ 4,4 A desenv.: 4,4 a 5,3 Bom: 5,3 a 6,2 Excelente: ≥ 6,2

COMPLEXIDADE DE IMIGRAÇÃO DE TALENTOS

Nota dada por empresários à complexidade para a entrada de talentos no país

World Competitiveness Yearbook, IMD

Relatório divulgado anualmente com base em fontes de dados primárias e uma pesquisa global de opinião de executivos, com ~4.500 respostas

Crítico: ≤ 5,6 A desenv.: 5,6 a 6,1 Bom: 6,1 a 6,5 Excelente: ≥ 6,5

Existência de órgãos e programas de gestão da diáspora de cada país

Análise qualitativa BCG com base em websites de países

Não existe dado secundário produzido para essa avaliação – BRAiN poderá continuar a análise dos diversos países nos anos que seguem

Países que têm gestão da diáspora são positivos, os que não têm são negativos

DIMENSÃO CONTINGENTE DEMOGRÁFICOP

1

2

3

4

5 INTERNACIONALIZAÇÃO DE ESTUDOS (IDIOMAS E VIVÊNCIA)

6 DISPONIBILIDADE DE GESTORES E ENGENHEIROS DE QUALIDADE

7 INTENSIDADE DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO

8

9

10 GESTÃO DE DIÁSPORA

11

P: indicador baseado em dados projetados 1. Dados do Brasil em revisão pela UNESCO. Valores com base nas informações do IBGE e MEC

143


144

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

INFRAESTRUTURA FÍSICA DIMENSÃO

RACIONAL DE ESCOLHA

Critério DE CLASSIFICAÇÃO

Commuter Pain Index da IBM e fontes nacionais sobre extensão do metrô e população

Indicadores refletem as opções de mobilidade urbana nos centros econômicos de cada país

Crítico: < 1,5 A desenv.: 1,5 a 4,1 Bom: 4,1 a 6,7 Excelente: > 6,7

Opinião de executivos sobre o transporte aéreo em cada país

Executive Opinion Survey do Global Competitiveness Report do Fórum Econômico Mundial

Pesquisa anual com mais de 15.000 executivos em 139 países

Crítico: < 3,5 A desenv.: 3,5 a 4,6 Bom: 4,6 a 5,7 Excelente: > 5,7

Opinião de executivos sobre a infraestrutura de telecomunicações em cada país

World Competitiveness Yearbook, IMD

Relatório divulgado anualmente com base em fontes de dados primárias e uma pesquisa global de opinião de executivos, com ~4.500 respostas

Crítico: < 6,6 A desenv.: 6,6 a 7,7 Bom: 7,7 a 8,8 Excelente: > 8,8

Opinião de executivos sobre as situações atual e futura da energia em cada país

World Competitiveness Yearbook, IMD

Relatório divulgado anualmente com base em fontes de dados primárias e uma pesquisa global de opinião de executivos, com ~4.500 respostas

Crítico: < 4,4 A desenv.: 4,4 a 6,1 Bom: 6,1 a 7,7 Excelente: > 7,7

Média da % de população urbana com acesso a água e saneamento

Banco Mundial

Indicador mostra o atendimento de serviços básicos à população de centros urbanos

Crítico: < 80 A desenv.: 80 a 87 Bom: 87 a 95 Excelente: > 95

INDICADOR

FONTE

Escore formado por índice de trânsito (Commuter Pain Index) e disponibilidade de metrô nas principais cidades de cada país

QUALIDADE DO TRANSPORTE AÉREO

QUALIDADE E CUSTO DE TELECOMUNICAÇÕES

MOBILIDADE URBANA

1

2

3 DISPONIBILIDADE ENERGÉTICA

4 OFERTA DE SERVIÇOS BÁSICOS À POPULAÇÃO URBANA

5


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

INFRAESTRUTURA FINANCEIRA RACIONAL DE ESCOLHA

Critério DE CLASSIFICAÇÃO

World Competitiveness Yearbook, IMD

Relatório divulgado anualmente com base em fontes de dados primárias e uma pesquisa global de opinião de executivos, com ~4.500 respostas

Distribuição analítica: Crítico: < 4,0 A desenv.: 4,0 a 5,0 Bom: 5,0 a 6,5 Excelente: > 6,5

Market cap das empresas listadas / PIB

Bloomberg e The Economist Intelligence Unit1

Dados divulgados anualmente com base em fontes de dados primários

Distribuição analítica: Crítico: < 60% A desenv.: 60% a 90% Bom: 90% a 120% Excelente: > 120%

DEBÊNTURES

Estoque de títulos de dívida privada corporativa / PIB

Bank for International Settlements (BIS) e The Economist Intelligence Unit

Dados divulgados anualmente com base em fontes de dados primários

Crítico: <4,3% A desenv.: 4,3% a 8,6% Bom: 8,6% a 12,9% Excelente: > 12,9%

CRÉDITO PJ

Estoque de crédito PJ / PIB

Bancos centrais de cada país

Dados divulgados anualmente na maior parte dos países. Dados primários

Crítico: < 35% A desenv.: 35% a 47% Bom: 47% a 59% Excelente: > 59%

PARTICIPAÇÃO DE EMPRESAS INTERNACIONAIS NA BOLSA

% do volume negociado nas bolsas locais de papéis de empresas com sede em outros países

Análise de dados Bloomberg

Dados primários divulgados em tempo real

Distribuição analítica: Crítico: < 5% A desenv.: 5% a 10% Bom: 10% a 25% Excelente: > 25%

DISPONIBILIDADE DE SERVIÇOS FINANCEIROS

Opinião de executivos sobre a disponibilidade de serviços financeiros no país

Executive Opinion Survey do Global Competitiveness Report, Fórum Econômico Mundial

Indicador qualitativo (pesquisa) amplo da disponibilidade de serviços financeiros no país

Crítico: < 3,9 A desenv.: 3,9 a 4,8 Bom: 4,8 a 5,7 Excelente: 5,7

Volume total negociado no ano / Market cap total médio das empresas listadas durante o ano

Dados do Banco Mundial Fonte primária: Standard & Poors

Indicador disponível para 119 países, desde 1990, mostrando a pujança dos mercados de ações

Crítico: < 14% A desenv.:14% a 40% Bom: 40% a 66% Excelente: > 66%

Posição relativa em dois dos principais rankings de IFCs (International Financial Centers)

Global Financial Centers Index do Z/Yen Group e The Banker International Financial Centers

Termômetros de visão externa do status do Brasil como polo de finanças internacional divulgados consistentemente

Crítico: último quartil A desenv.: 3o quartil Bom: 2o quartil Excelente: 1o quartil

DIMENSÃO EFETIVIDADE DA REGULAÇÃO FINANCEIRA

INDICADOR

FONTE

Opinião de executivos sobre se a regulação do Mercado Financeiro é suficiente

DISPONIBILIDADE DE RECURSOS FINANCEIROS

1

5

BOLSA DE VALORES

2

3

4

6

7

LIQUIDEZ DAS BOLSAS DE VALORES

PROJEÇÃO COMO IFC

8

1.Fonte substituída por dados do Bloomberg e The Economist Intelligence Unit

145


146

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

CONECTIVIDADE RACIONAL DE ESCOLHA

critério DE CLASSIFICAÇÃO

World Trade Indicators, Banco Mundial

Indicadores publicados em fontes públicas anualmente – calculados por fonte reconhecida

Crítico: > 12,5 A desenv.: 12,5 a 11,0 Bom: 11,0 a 9,4 Excelente: < 9,4

Representatividade do país no comércio internacional de bens / representatividade do país no PIB global

UNCTADStat

Indicadores publicados em fontes públicas anualmente

Distribuição analítica: Crítico: < 0,5 A desenv.: 0,5 a 1,0 Bom: 1,0 a 1,5 Excelente: > 1,5

Participação em acordos de comércio internacional de serviços em diferentes subsetores – GATS

World Trade Indicators, Banco Mundial

Indicadores publicados em fontes públicas anualmente – calculados por fonte reconhecida

Crítico: < 27 A desenv.: 27 a 35 Bom: 35 a 43 Excelente: > 43

Representatividade do país no comércio internacional de serviços / representatividade do país no PIB global

UNCTADStat

Indicadores publicados em fontes públicas anualmente

Distribuição analítica: Crítico: < 0,5 A desenv.: 0,5 a 1,0 Bom: 1,0 a 1,5 Excelente: > 1,5

Representatividade do país no fluxo internacional de capitais / representatividade do país no PIB global

UNCTADStat

Dados disponíveis ano a ano desde 1970 para 207 países

Distribuição analítica: Crítico: < 0,5 A desenv.: 0,5 a 1,0 Bom: 1,0 a 1,5 Excelente: > 1,5

Número de acordos bilaterais estabelecidos pelo país

International Centre for Settlement of Investment Disputes (ICSID), Banco Mundial

Envolve 177 países, baseada em informações oficiais passadas diretamente pelos governos nacionais

Crítico: < 0 A desenv.: 0 a 21 Bom: 21 a 48 Excelente: > 48

Opinião de executivos sobre a disponibilidade de serviços financeiros no país

Executive Opinion Survey do Global Competitiveness Report, Fórum Econômico Mundial

Estudo publicado anualmente há mais de 30 anos e com metodologia atual desde 2005 para 125 países

Crítico: < 3,8 A desenv.: 3,8 a 4,6 Bom: 4,6 a 5,3 Excelente: > 5,3

Países presentes no ranking das 100 maiores empresas por ativos no exterior, ordenados pela soma do total de ativos no exterior destas empresas

World Investment Report – Unctad

Ranking produzido desde 1991 com cobertura global

Crítico: Não estar no ranking A desenv.: Estar no ranking, mas abaixo dos 10 primeiros Bom: Entre os 10 e 6 primeiros colocados. Excelente: Entre os 5 primeiros colocados

Índice calculado com base nas exigências regulatórias

Investing Across Borders, Banco Mundial

Fonte aberta cobrindo 87 países

Crítico: < 50,2 A desenv.: 50,2 a 64,5 Bom: 64,5 a 78,8 Excelente: > 78,8

recepção de imigrantes

Representatividade de imigrantes sobre a população de cada país

ONU

Indicadores publicados em fontes públicas anualmente

Crítico: < 1,5% A desenv.: 1,5% a 3,1% Bom: 3,1% a 9,2% Excelente: > 9,2%

MOBILIDADE DE PESSOAS

Número de destinos internacionais / semana do país (maio 2012)

Análise de dados OAG Database

Indicador simples de nível de conectividade aérea do país

Distribuição analítica: Crítico: < 10 A desenv.: 10 a 40 Bom: 40 a 70

DIMENSÃO ABERTURA INTERNACIONAL PARA BENS

1 comércio de bens

2

3

ABERTURA INTERNACIONAL PARA SERVIÇOS

comércio de serviçOs

4 FLUXO DE CAPITAIS

5

6

7

ACORDOS DE ABERTURA PARA CAPITAIS

regulação promotora de abertura a capitais

expansão de multinacionais do país

8

9

FACILIDADE DE ENTRADA DE MULTINACIONAIS ESTRANGEIRAS

10

11

INDICADOR

FONTE

Média entre tarifas de restrição a importações e ao acesso a outros mercados em cada país, calculadas considerando barreiras tarifárias e não tarifárias do país no mundo


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

IMAGEM DO PAÍS RACIONAL DE ESCOLHA

Critério de Classificação

The Ankholt-GfK Roper Nation Brands Index

Índice é o mais reconhecido internacionalmente com relação a marcas nacionais

Crítico: < 48 A desenv.: 48 a 42 Bom: 52 a 56 Excelente: > 56

Número de buscas na internet do nome do país combinado aos termos investment e business em todos os países e em inglês

Google

Dado representa projeção do país na opinião pública e é disponível todo o tempo

Crítico: < 115 A desenv.: 115 a 312 Bom: 312 a 509 Excelente: > 509

% dos eventos internacionais do mundo realizados em cada país

International Congress and Convention Association

Realização de feiras reflete o interesse de negócios pelo país e é divulgada anualmente

Crítico: < 31 A desenv.: 31 a 97 Bom: 97 a 163 Excelente: > 163

Environmental Performace Index 2010

Yale Center for Environmental Law and Policy (YCELP) e Center for International Earth Science Information Network (CIESIN)

Indicador reflete a sustentabilidade ecológica de cada país de acordo com o impacto de todas as suas ações sobre o ambiente

Crítico: < 48 A desenv.: 48 a 53 Bom: 53 a 58 Excelente: > 58

QUALIDADE DE VIDA

Opinião de executivos sobre a qualidade de vida em cada país

World Competitiveness Yearbook, IMD

Relatório divulgado anualmente com base em fontes de dados primárias e uma pesquisa global de opinião de executivos, com aproximadamente 4.500 respostas

Crítico: < 5,5 A desenv.: 5,5 a 6,5 Bom: 6,5 a 7,6 Excelente: > 7,6

ABERTURA CULTURAL

Opinião de executivos sobre a abertura cultural de cada país a ideias estrangeiras

World Competitiveness Yearbook, IMD

Relatório divulgado anualmente com base em fontes de dados primárias e uma pesquisa global de opinião de executivos, com aproximadamente 4.500 respostas

Crítico: < 6,3 A desenv.: 6,3 a 6,9 Bom: 6,9 a 7,4 Excelente: > 7,4

SEGURANÇA PESSOAL E PATRIMONIAL

Opinião de executivos sobre a segurança pessoal e patrimonial em cada país

World Competitiveness Yearbook, IMD

Relatório divulgado anualmente com base em fontes de dados primárias e uma pesquisa global de opinião de executivos, com aproximadamente 4.500 respostas

Crítico: < 5,6 A desenv.: 5,6 a 6,7 Bom: 6,7 a 7,7 Excelente: > 7,7

IMAGEM NO ÂMBITO DE LAZER E TURISMO

Média dos escores de imagem nacional relacionados a negócios (turismo, cultura e hospitalidade)

The Ankholt-GfK Roper Nation Brands Index

Índice é o mais reconhecido internacionalmente com relação a marcas nacionais

Crítico: < 56 A desenv.: 56 a 59 Bom: 59 a 62 Excelente: > 62

% dos turistas no mundo que vão para cada país

The Economist Intelligence Unit

Dado representa o interesse de turistas por cada país e é disponível anualmente

Crítico: < 0,7 A desenv.: 0,7 a 1,8 Bom: 1,8 a 2,8 Excelente: > 2,8

DIMENSÃO

INDICADOR

FONTE

Média dos escores de imagem nacional relacionados a negócios (produtos nacionais, ambiente macro e investimento e imigração)

INTERESSE ESTRANGEIRO EM NEGÓCIOS E INVESTIMENTOS DO PAÍS

ATRATIVIDADE PARA EVENTOS INTERNACIONAIS

IMAGEM NO ÂMBITO DOS NEGÓCIOS

1

2

3 SUSTENTABILIDADE

4

5

6

7

8 INTENSIDADE DE TURISMO

9

147


148

ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS


ATRATIVIDADE DO BRASIL COMO POLO INTERNACIONAL DE INVESTIMENTOS E NEGÓCIOS

149


www. b ra i nb ra si l. o rg

Atratividade do Brasil como polo internacional de investimentos e negócios - 2ª edição  

Nesta segunda edição do Relatório de Atratividade, as 57 dimensões da atratividade e a comparação do Brasil com outros 13 países foram atual...

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