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mud!

ano 1 | edição 2 | 2012

áfrica consumo haute couture esperança concerto

Inverno 2012

10,00

R$


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TransparĂŞncia 100 95 75

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Amando de Barros, 350 - Loja 1 Botucatu SP | Galeria Central Shopping 14. 3882 3810


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Av. Dom LĂşcio, 568 Lj 02 | lojamamp@hotmail.com


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Arranjos

realização LAS MALU ORNE SPECIAL E BOTUCATU ÃO OMUNICAÇ PEAGADE C ud! material m fotos LAS MALU ORNE fico projeto grá IRA E U JOEL NOG de moda produção ORNELAS MARIA PIA s assistente ELAS N LILIAN OR RBACK U MURILO M IQUELETTO M MARCELO res colaborado IZI N A ÉMERSON A LULY ZONT IVEIRA MARISA OL O S S A N TO S D R IC A R D O UILARDE PATRÍCIA G publisher LTRI SANDRO CO ercial dpto. com EDGAR PAIM capa modelo da BERTOLA ANNA PAULA LDO COUTO veste GERA

Rev ista

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vi st a © 20 12 | re


hey you egamos carona no vôo do poeta para compor esta edição: vão-se os sonhos nas asas da descrença, voltam os sonhos nas asas da esperança. A música, o olhar diferente do cotidiano e a fome de mudanças foram alguns dos temas indiscutíveis para reger esta edição. Trouxemos de tudo um pouco. Inspirados pela coragem contemporânea das vovós, embalados pela trilha sonora do apito do trem abafado pelo esquecimento, viajamos até a África para que possamos voltar até nós mesmos. Caminhamos pela estação do inverno aquecidos pela nostalgia de um passado abandonado, nos infiltramos na linha inexistente que separa o luxo e o lixo, reciclamos pessoas, celebramos as diferenças e cuspimos na desigualdade. Preferindo recomeçar a cada página, caminhamos por entre as partituras de uma canção, em um repertório que coube o mundo de sons que é a melodia, só não coube se acomodar, isso jamais. Desta forma ficou fácil se lançar no ritmo da moda, com a técnica perfeita de um maestro e os olhos atentos de uma criança. Assim como o sonho do homem acordado, a esperança não murcha, não cansa. Pode ser ouvida na coxia ou na primeira fila, pelo branco ou negro, pelo pobre ou rico, com a única certeza de que somos todos protagonistas deste concerto, e juntos ecoamos um único coro: o show tem que continuar.

equipe mud!


Partitura 12

we love rock'n roll

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estação esperança

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mama áfrica

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espera e confia

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diferente não desigual

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som na caixa maestro!

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sonata de inverno

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geraldo couto haute couture

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nem luxo nem lixo

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consumo, logo sou

70 vovó e vovó


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Rua Visconde do Rio Branco, 647, Botucatu Tel. 14. 3354 4010


12 pe莽as brigitte acess贸rios


we love rock'n roll S

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e tem um ritmo que nunca sai de moda é o rock... Ele pode vir bem punk, progressivo, alternativo, melódico, militante, libertino e libertário, emo, pauleira e até glam que não vai deixar de estar em voga. E esta tendência de carregar todas essas vertentes está sempre presente no dial de qualquer estação, seja do ano ou do rádio mesmo. Se tem uma coisa que também dita tendência quando o assunto é moda é o cinema. Quer um exemplo? Há dois verões, a ficção “Avatar” tingiu as passarelas de azul e “Os Smurfs” vieram dar um retoque na cena urbana na estação seguinte. O tom azulão também está no cartaz de “A Dama de Ferro” que rendeu meses atrás o Oscar de melhor atriz a Meryl Streep. A rainha, o rock e Londres estão em alta! Em ano de Olímpiadas na Inglaterra, o reino da moda está unido ao seu redor. Até Vivienne Eastwood, sem perder a majestade, deu um toque esportivo à sua coleção outono-inverno. Os brasões, o verde militar que surgiu na batalha de Waterloo, o xadrez pied de poule, pied de coq, ou o escocês lembram o príncipe de Gales. Os casacos que chegam ao ocidente lembram o guarda-roupa da princesa Kate, aquela que ficou noiva num vestido azul, com um anel também azul, mas cujo vestido de noiva de mangas de renda estão nas transparências rendadas de todas as cores que se pode ver nesta estação. Londres é chique como Paris, tem a alta qualidade de Milão, mas sabe ser irreverente como Nova York e por isso desponta como a nova capital do mundo fashion e não fugiria de lançar todas as suas tendências num ano tão emblemático. Londres sabe dosar a rigidez real com doses revolucionárias de liberdade. A Inglaterra é assim. O rock inglês domina o mundo: The Beatles, Rolling Stones, Eric Clapton, Duran Duran, Sex Pistols, U2, Phil Collins, The Who, Iron Maiden, The Police, Queen… Deus salve a rainha e abençoe o reino unido do rock que traz para esta estação o preto, em jeans e camiseta, em couro (falso ou não), resgata as boas e velhas jaquetas, permite usar ouro e prata, abusar das tachas, dos acessórios em heavy metal e estampas de cobra e caveira, provando que a moda é rock até o osso... Muito preto e pesado para você? Desça do salto, diminua o tom e coloque maxiestampas nos looks minimalistas, abuse do vinho e invista no calor das peças e das cores quentes que vão até o amarelo, a cor do submarino mais famoso e fashion do mundo. Ainda tem dúvida? Inspire-se no visual das bandas, inclusive as dos anos 80... Prefere a dica do cinema? Assista Runaways, que ratifica a estação (Joan Jet esteve até desfilando seus modelitos pelo interior de São Paulo, no SWU) ou opte por Jogos Vorazes, que quer desbancar o fenômeno da saga Crepúsculo. Não é suficiente? Aumente o som, abra seu guarda-roupa, monte seu look e saia para contar e cantar sua história. Quem sabe pode até virar tendência!

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por Luly Zonta, jornalista

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ÓTICA ROBERTO LOJA I - Rua Amando de Barros, 817 - 3882 4244 LOJA II - Av. Dom Lúcio, 269 Centro - 3814 ,1943 LOJA III - Pç Cav. Virgílio Lunardi, 166 - 3814 4687


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Visconde do Rio Branco, 813 Centro - Botucatu - SP (14) 38140369 facebook: Pulo Allto


estação

esperança A

por Émerson Rogério Anizi

realidade humana é marcada por encontros entre pessoas, encontros com lugares que nos levam a encontrar lembranças e fazem brotar dentro de nós sentimentos que provocam saudades. Certamente estes encontros da vida são reflexos de nossas escolhas. Buscar no passado lembranças que podem nos impulsionar a viver um presente melhor, nos dá a garantia de criarmos a esperança de que o amanhã será diferente, pois quem possui sonhos e o desejo de conquistá-los se lança diariamente em aventuras concretas de uma sociedade baseada na solidariedade e igualdade. Interessante olharmos, por exemplo, locais que evocam a saudade da história de nossas famílias, de quem viveu e cresceu ouvindo histórias. Ao mesmo tempo evocam uma visão de presente que nos lançam aos pensamentos e desafios para uma reconstrução, não simplesmente cultural, mas humana e sentimental. As estações de trens de nossa região são um exemplo de locais que serviram de pontos de partida e de chegada, sonhos de famílias inteiras que partiram na esperança de conquistar um espaço ao sol, famílias que esperavam o trem chegar para reencontrar filhos que partiam para estudar no desejo de proporcionar um dia melhor para os seus, filhos que retornavam com a esperança de encontrar seus familiares sentindo água na boca pela comida de casa, do cheiro caseiro da vida do interior e ao mesmo tempo homens e mulheres que desbravaram as capitais com medo e plenos de confiança em uma vida melhor. Cada estação de trem da nossa FEPASA traz em suas construções lembranças que fizeram parte de nossas famílias, carregam o apito de trem chegando com o tão sonhado progresso, traz sentimentos passados que ainda são presentes nos pensamentos humanos. Estações que mesmo no abandono e vitimizadas pelo tempo e descuido ainda hoje nos trazem nostalgia, lugares que na atualidade representam o descaso para alguns olhares tornam-se palco de um passado glorioso. Certamente, com olhares atentos, transformamse em protagonistas de recordações históricas que desafiam ainda hoje o retorno aos espaços de convivência, cultura e lazer. Onde famílias possam se reencontrar, ou seja, as nossas estações podem voltar a oferecer aos corações humanos a esperança de acreditar que podemos ainda hoje buscar nossos sonhos, partilhar nossas esperanças, nos lançando a cada dia nesta aventura de um mundo cada vez melhor, onde as pessoas não precisam ter medo de se encontrarem, não precisam fugir umas das outras, nem mesmo sentir a pressa do tempo e o vazio do árido cotidiano. Provavelmente algumas delas hoje se 16


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ontem Antiga estação ferroviária de Botucatu, construída em 1934 (com linha desde 1889), hoje o local é abandonado às ruínas. Um cenário triste daquilo que um dia foi o sonho de encontros e partidas.

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tornaram lugares sombrios e tristes, ondem seres humanos ao invés de esperarem a vida, esperam a morte, vivendo em um submundo onde não temos coragem de olhar. Local que no passado pais esperavam filhos se tornaram locais onde pais procuram seus queridos que se perdem nas drogas; local que era ponto de partida para uma vida melhor acabou se tornando um ponto final. Somente um olhar sensível pode realmente transformar os locais que contam histórias, nossos encontros ainda continuam sendo determinantes na nossa vida e ainda hoje a diferença está na maneira que cada um se lança para encontrar o próximo, o tipo de olhar e sentimento que determina nossas escolhas. Nada como a esperança e a determinação para fazer a diferença ainda hoje na vida cotidiana do ser humano, resgatando sentido na sombra de uma lembrança que não dorme na estação.

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H O M E M AV. DOM LÚCIO, 411 3814 0247

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mama รกfrica

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África é um continente magnífico com riquezas ocultas aos olhos de boa parte da humanidade. Além de seus patrimônios naturais, possui também riquezas culturais, artísticas e tecnológicas, e não só histórias de escravidão e de guerra. Por causa do período da escravidão, nossos ancestrais (brasileiros afro-descendentes) não puderam nos repassar estas riquezas, nem tão pouco nos transmitir seus conhecimentos e valores sem interferências de outras culturas. A proposta do projeto Botu África é buscar na origem, ou seja, no continente africano, estes valores, e a partir daí começar a contar uma nova história. O Botu África nasceu em 2010, pelas mãos de Silvia Sasaoka, que atendeu a um pedido da Assessoria para Igualdade Racial da Prefeitura Municipal de Botucatu. O objetivo desde o início foi formar grupos de trabalho através de uma série de oficinas orientadas pela artista plástica Mônica Nador, que propôs a criação de iconografias afro-brasileiras a partir da técnica de estêncil e pintura em tecido. Ao final das oficinas, os tecidos estampados são transformados em produtos, sob a direção artística do designer Renato Imbroisi. A artista Mônica Nador e o designer Renato Imbroisi, possuem mais de 30 anos de experiência em suas respectivas áreas de atuação, e usam essa experiência para associar a arte à produção de design e artesanato, valorizando a forte presença da herança africana na cultura brasileira. O nome Botu África propõe como referência estética o local (Botucatu) não apenas como um nicho longínquo onde ocorre uma produção, mas um núcleo de criação de produtos em correspondência a um mercado de consumo de bens com valor agregado.

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Seu objetivo é o desenvolvimento de projetos que associam a produção de design e a difusão de

conhecimento à produção comunitária e artesanal, com foco na inovação de processos e produtos, para atender demandas de jovens e adultos que buscam novas alternativas de renda, mas encontram dificuldades em criar, desenvolver e comercializar produtos de artesanato com conhecimento prévio sobre mercado. Um dos métodos utilizados, o estêncil é uma técnica simples que utiliza-se de máscaras e moldes para sua aplicação em superfícies planas como paredes, tecidos e outros. E por ser uma espécie de matriz, esta técnica permite a multiplicação de imagens artesanalmente. A partir de seus desenhos e cores extraem-se imagens de sua cultura ancestral e local afro-brasileira. A criação de um repertório iconográfico de um grupo de indivíduos e sua aplicação em tecidos é uma prática coletiva e abre espaço para manifestação artística destas pessoas. A oficina tem como eixo central o desenvolvimento de tecidos para peças de vestuário que valorizam a identidade cultural dos participantes envolvidos com a temática afro-brasileira e contribuem para o fortalecimento do artesanato de Botucatu. Podem participar cidadãos botucatuenses, jovens acima de 16 anos e adultos moradores do município, além de participantes selecionados pela habilidade e comprometimento com o projeto. Os resultados são a formação de grupos de trabalho para geração de renda no futuro; criação de iconografias afrobrasileiras: marca social do evento Botu África; exposição e desfile de vestuários e adornos sob a direção de arte de Renato Imbroisi; e mostra dos trabalhos realizados em oficinas coordenadas por Mônica Nador sob a curadoria de Renato Imbroisi. Dessa forma surgirão produtores e multiplicadores das técnicas aprendidas durante as oficinas tais como o Projeto Evoluir/24 de Maio e o Pérola Negra/Parque Marajoara, para uma produção coletiva de produtos Botu África, com a esperança de difundir cada vez mais a cultura africana, resgatando e revelando as riquezas ocultas da África.

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R. Major Matheus, 600 | 3815 3102


espera e conf ia

FAZENDO ESPERANÇA reciclando corpo, mente e espírito

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história da Fazenda Esperança começou quando o jovem Nelson Giovaneli se aproximou de um grupo de jovens que consumiam e vendiam drogas perto de sua casa, em 1983, na esquina da rua Tupinambás com a Guaicurus, no bairro do Pedregulho, na cidade de Guaratinguetá, interior de São Paulo. Nelson conquistou a confiança daqueles dependentes químicos. Um deles, Antonio Eleutério, foi o primeiro a ser contagiado e pediu ajuda para se libertar das drogas. Esse grupo sugeriu a Nelson alugar uma casa para viverem juntos, sendo que o aluguel e as despesas seriam pagos com seus trabalhos. A primeira atividade desenvolvida foi a limpeza de jardins, enquanto Nelson continuava em seu emprego de office boy na cooperativa de laticínios de Guaratinguetá. Tudo o que ganhavam usavam em comum para se sustentar. Hoje a realidade da Fazenda da Esperança se espalhou por 83 unidades em todo o mundo. Ela se envolve não apenas com o interno de suas casas, mas também com a realidade que o cerca, provocando também uma mudança social. O principal objetivo é o ser humano. Criando raízes no tripé Espiritualidade, Convivência e Trabalho, o recuperante vai se colocando na disponibilidade de fazer nascer um novo homem, uma nova mulher. Dentro da Fazenda os recuperantes vivem do seu próprio trabalho como fonte de auto-estima e autossustento. Nos 12 meses de recuperação, só a partir do terceiro mês o recuperante recebe visita dos familiares. Quando o recuperante ingressa na Fazenda, geralmente é pedida uma colaboração inicial para

ajudar nas despesas dos primeiros meses de recuperação, nos quais a produtividade do interno, pela falta de experiência, ainda não o mantém, colaboração que é somada com parcerias nacionais e internacionais de instituições que acreditam e participam diretamente da manutenção dessas estruturas. Fundamental é o desejo próprio do recuperante de buscar esta nova vida, pois a experiência é pautada pela liberdade, ou seja, nada o obriga a permanecer, simplesmente o seu próprio desejo. A organização das casas baseia-se na família, a fim de provocar mudanças de valores morais e princípios. A presença da família é fundamental nesse processo de recuperação, pois ela participa de todo o processo, como deveria fazer em qualquer outra decisão de vida de seu ente querido. Os pais e irmãos são acompanhados e frequentam reuniões separadas do interno antes do primeiro encontro no terceiro mês da recuperação, além de ajudar a vender os produtos confeccionados pelos jovens recuperantes. Dessa forma, contribuem diretamente no retorno a vida de seu familiar, ou seja, acabam por participar direta e indiretamente da construção de uma nova vida. Em nossa região, há esforços para que a Fazenda também seja uma realidade concreta. Já foi disponibilizado um pedaço de terra que precisa ser avaliado pela equipe da Fazenda, afim de saber se essa oferta é adequada para a demanda do Projeto Fazenda Esperança como, por exemplo, o espaço para produtividade de auto-sustento, convivência dos internos, área de convivência da comunidade local e familiares em dia de visita e parceria com a rede social.

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ão me diga que não há mais nenhuma esperança

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separados nós caímos, juntos nós resistimos


foto: jacinto

“Eu sempre me questionava o porquê eu merecia tudo aquilo que estava acontecendo comigo. Não tinha mais prazer em consumir drogas, mas não conseguia largar o vício sozinho, não acreditava mais em mim mesmo. A resposta de Deus foi me escolher para ser pai. Com o nascimento de minha filha prematuramente, com menos de 1kg, vi que minha responsabilidade seria muito grande. Eu precisava buscar uma esperança para chegar na luz que ainda brilhava no fim do túnel, ou seja, minha vontade de viver e ser pai. Resolvi me internar para largar o vício, mas só aqui na Fazenda pude perceber que as drogas eram somente consequências da vida desregrada que eu levava, vazios que não eu conseguia preencher em nenhum dos caminhos que eu estava escolhendo. Hoje busco um novo estilo de vida, busco preencher meu vazio com Jesus concretamente em cada ação que realizo. Tenho minha filha como presente divino e sou testemunho vivo de que milagres ainda continuam acontecendo, pois sou um milagre de Deus! Agradeço muito a meus familiares que, mesmo em todos os momentos difíceis, me acolheram com um amor que eu jamais imaginava que existisse, e me incentivaram a estar aqui hoje em meu nono mês de tratamento. O fruto de tudo isso é poder mudar e recomeçar e, ao sair daqui, formar minha família, me casar e ser feliz!” Jacinto, durante sua passagem pela Fazenda

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iferente não desigual

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m cada época da história da humanidade encontramos diferentes atributos capazes de identificar e valorizar o modelo de homem. Tal fato deve ser analisado no contexto político, filosófico, científico, econômico e social, uma vez que o conjunto de normas e valores vigentes em cada período histórico determinam os comportamentos sociais que, por sua vez, estabelecem os modelos tomados como “normais” e, por conseguinte, os desviantes sociais. Desde a Grécia Antiga, a deficiência tem estado nos bastidores da história da humanidade. Ser uma pessoa com deficiência representava para os gregos o castigo dos deuses que os julgavam seres imperfeitos, incompletos e incapazes. Predestinados ao sacrifício, pela eliminação ou exposição física, as pessoas com deficiência não eram possuidoras de atributos valorizados (beleza física, coragem, perfeição, etc.), e tão pouco, poderiam participar da vida social enquanto cidadãos gregos. Surge nesta fase histórica o paradigma da exclusão, que embasado pelos modelos econômicos, sociais e culturais impuseram às pessoas com deficiência uma inadaptação geradora de ignorância, preconceitos e tabus que, ao longo dos séculos alimentaram os mitos populares da periculosidade das pessoas com deficiência mental e do seu caráter demoníaco, determinando atitudes de rejeição, medo e vergonha. Já na Idade Média, as pessoas com deficiência viveram anos de confinamento em mosteiros, sofrendo a ambiguidade da relação caridade e castigo sob o jugo do poder da Igreja. Agora, possuidoras de almas, estas pessoas não podiam mais ser simplesmente eliminadas como no período grego. “Le Enfant du bom Dieu”, assim eram denominadas as pessoas com deficiência, uma vez que todo ser humano sendo filho de Deus e, portanto,

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feito a imagem e semelhança do Pai, eram dotados de alma. A condenação e eliminação das pessoas com deficiência acontecia em função dos comportamentos indolentes ou do desrespeito aos regulamentos eclesiásticos, julgados pela Inquisição. Efetivamente a deficiência não passava despercebida nestes tempos e a deformidade do corpo era vista em termos sinonímicos à deformidade da alma. Prova disso é que encontramos nos registros históricos a figura do famoso bobo da corte ou bufão, que supostamente classificado como deficiente intelectual, representava a pessoa mais feia ou fisicamente estranha da região. Quanto mais corporeamente diferente, mais expressava a vida fora dos eixos e despertava o encantamento. Devido a sua deformidade, primeiro física, e apenas supostamente intelectual, o chamado bobo passava a viver na corte para divertir os reis e a todos que frequentassem este espaço, logo, eram alvos constantes de ofensas, chacotas e de toda sorte de desprezos por serem vistos como a encarnação daquilo que há de mais ridículo, estúpido e maléfico no ethos humano. Com a Revolução Científica, já na Idade Moderna, surge um novo alento às pessoas com deficiência, tirando-as dos mosteiros e do amparo da Igreja, e confinando-as em asilos e hospícios. Tornaram-se objetos de estudos científicos, agora identificados como doentes, loucos, idiotas, débeis,

entre outros. Respaldados pelo poder da medicina, a deficiência passa a ser vista como uma enfermidade na qual o cérebro é a sua sede. Ao romper com o modo de pensar tipicamente feudal, o médico torna-se um novo árbitro do destino do deficiente. Ele julga, salva ou condena, valendose de um corpo de conhecimentos que transforma a explicação da deficiência como problema anátomofisiológico, portanto, não mais ligado ao campo teológico e moral. A segregação das pessoas com deficiência passa a ser justificada em função do mito da contaminação e ao mesmo tempo da necessidade de cura, para haver depois a integração desta pessoa no convívio social, permitido anteriormente somente entre os seus pares. No início do século XX, a revolução do processo educacional na Europa e nos Estados Unidos, rompe algumas barreiras da segregação exigindo do poder público a abertura de classes especiais em escolas públicas, e não mais a sustentação das escolas residenciais, destinadas única e exclusivamente para as pessoas com deficiência. Tal movimento emerge no Brasil em meados da década de 40 com resultados diferenciados, uma vez que o Estado não assume o dever de educar a todos e delega à sociedade civil o papel de compor as escolas e instituições de atendimento à pessoa com deficiência. A partir deste contexto, originamse nos anos 50 os movimentos formados por pais de

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pessoas com deficiência com vistas à garantia dos direitos de seus filhos. No Brasil surge a Pestalozzi e as APAEs, com a finalidade de promover a reabilitação e a educação especial, ocasionando na década de 60 uma grande propagação das instituições especializadas. A partir da Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), seguindo o modelo da normatização, surge o processo de integração das pessoas com deficiência com vistas à sua desisntitucionalização. Essa integração inicialmente significou capacitar, habilitar ou reabilitar a pessoa com deficiência para torná-la capaz de participar de forma natural da sociedade, especialmente da escola, o que fez com que as instituições passassem a oferecer serviços que possibilitassem aos deficientes maior acesso e condições de vivenciar seu cotidiano através das atividades oferecidas. A história da deficiência tecida nos bastidores da vida social emerge na segunda metade do século XX, juntamente com outras questões sociais de opressão e exclusão, provocando pressão política e medidas necessárias à ruptura de padrões até então sustentados no contexto político e econômico. A diferença, até então vista como ameaça ao equilíbrio social, passa a ser instrumento de reflexão e incorporação no processo democrático. A ruptura de mitos e preconceitos

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construídos durante séculos de história da humanidade, não os diluem ou fazem desaparecer apenas por medidas legais. É necessária implantação de políticas públicas voltadas para o social, em que todos os atores estejam embuídos do desejo de exorcizar a cultura do preconceito e da exclusão e que seja capaz, também, de manejar essa mentalidade de forma a trabalhar no exercício da democracia. A partir da década de 90, a ideia de que a limitação não está nas pessoas com deficiência e sim na sociedade, assume a pauta de todas as discussões relacionadas às pessoas deficientes. E, portanto, a sociedade começa a se mobilizar para diminuir as barreiras físicas e de atitude em relação ao deficiente. Há o surgimento da Educação Inclusiva, que pretende a construção de uma Escola de Qualidade para Todos, respeitando a diversidade humana. Existe uma luta intensa por equiparação de oportunidades, onde o deficiente passa a ter voz, ser visto e ouvido como Sujeito de Direitos. O CIEEJA orgulha-se muito de ter surgido nesta fase, e tem lutado arduamente pela colocação de pessoas deficientes no mercado de trabalho. Lembrando sempre, que ser diferente é uma condição humana, e, portanto, não pode ser tratada como sinônimo de desigualdade.


assim

cieeja

Na busca de ações concretas para implementar Políticas Públicas que favoreçam a democracia enquanto princípio político, o que impõe ações de enfrentamento ao mosaico social, compreendendo o indivíduo enquanto um ser histórico, afetivo e cultural independentemente da condição social, étinica, religiosa, física e mental, surge em 2009 em Botucatu o CIEEJA – Centro de Integração de Educação Especial de Jovens e Adultos, dando início ao processo de inclusão laboral das pessoas com deficiência. O serviço oferece hoje apoio pedagógico ao ensino regular inclusive para alunos do ensino médio, além do serviço de alfabetização funcional, no caso de deficiências mais severas. Todas estas ações objetivam o enfrentamento, na prática, do exercício das relações interpessoais, do ato de ensinar e das ações que alterem esteriótipos, valores e mentalidades excludentes. Atualmente, oferece ao munícipe com deficiência modalidades diferenciadas de atendimento, que perpassam os caminhos da profissionalização por meio das oficinas de vivência para o

trabalho, o aumento do nível da escolaridade e a sustentação do processo inclusivo do deficiente no mercado de trabalho. Este serviço está balizado por um princípio políticopedagógico que o peculiariza quando rompe com as amarras dos preconceitos sociais que associam à pessoa com deficiência atributos depreciativos — como inacabada, imperfeita, incapaz, dentre outros — e favorece a construção de uma percepção diferente sobre a mesma, valorizando e ressaltando seu potencial, sem contudo negar sua deficiência. O CIEEJA entende que a apropriação do saber, escolar ou profissional, permite compreender melhor o mundo sob seus diversos aspectos e favorece o despertar da curiosidade intelectual, estimula o sentido crítico e permite compreender o real mediante a aquisição de autonomia na capacidade de discernir. No mundo contemporâneo, a maior violência que podemos cometer contra a dignidade humana é, sem dúvida, a inércia diante da condição de milhares de brasileiros que não desenvolveram a capacidade de ler, escrever, de acessar o conhecimento de forma que possam ter uma participação autêntica na sociedade. E é dentro desta afirmação que o CIEEJA se constitui como um centro de práticas inclusivas, entendendo que incluir, seja na escola, no trabalho ou na sociedade, constitui devolver àqueles imobilizados pela armadura social, a identidade e dignidade do viver, sentir, agir e desejar.

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Maestro! som na caixa

da redação | fotos malu ornelas

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Orquestra Sinfônica Municipal de Botucatu (OSMB) foi formalizada legalmente pela Lei 2.664, de 26 de agosto de 1987 e desde então realiza um trabalho de manutenção e difusão da música sinfônica, caracterizada pelas montagens e apresentações de repertórios de diversos períodos e compositores, relata Osni Ribeiro, Secretário Municipal de Cultura em Botucatu.

de formação musical propício ao crescimento profissional, aprimoramento técnico e amadurecimento artístico. Atualmente a orquestra é composta por 52 membros, entre músicos titulares e estagiários. A seleção para fazer parte do quadro de músicos, quando da disponibilidade de vagas, é feita por meio de testes de aptidão técnica e artística do instrumento em questão.

Segundo ele, a orquestra proporciona, ao público com o qual interage, o acesso à diversidade da produção inerente ao conceito musical a que se dedica, e aos profissionais que integram seu quadro, um ambiente

Osni constata que diversidade musical do país, que garante a valorização da produção musical à margem da grande mídia, só acontece por interferência direta do estado, por meio de ações do Ministério,

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Secretarias de Estado e Secretarias Municipais de Cultura, fortalecidas pelas leis de incentivo e programas culturais desenvolvidos por outras instituições afins. A dificuldade da manutenção de projetos de música sinfônica é muito parecida, por exemplo, com a dificuldade de garantir a expressão das culturas populares e a produção artística sem comprometimento com a cultura de massa. “Vejo a cultura musical brasileira rica, diversa, qualificada e expressiva. O que poderia ser diferente, e literalmente fazer a diferença, seria um engajamento verdadeiro dos meios de comunicação na promoção da diversidade musical. Infelizmente os compromissos e interesses comerciais da grande mídia criam padrões estéticos que não expressam com fidelidade o cenário da produção musical brasileira, seja na área de composição ou interpretação”, revela Osni Ribeiro. Ele também nos conta que a população de nossa cidade sempre demonstrou carinho para com a orquestra, seus músicos e suas atividades. “O que buscamos, a cada dia, é valorizar e prestigiar esse público, retribuindo esse acolhimento com o crescimento técnico e artístico, com a qualificação do grupo, com a escolha cuidadosa dos repertórios e com a produção criteriosa de concertos e atividades”, finaliza Osni. Cristina Andreatti, administradora da Orquestra, enfatiza a paixão dos componentes da orquestra pela música, o que torna cada apresentação mágica. “Quando preparamos uma nova obra e começamos a desvendar a história por trás dos sons apresentados nas partituras, é muito emocionante. Em cada estreia, brota a ansiedade com a recepção do público, com as impressões e como cada um foi tocado pelos sons apresentados no concerto. O carinho e a crítica recebidos sempre nos ajudam a buscar o melhor a cada dia”, diz Cristina. E momentos memoráveis não faltam nesses 25 anos de história da Orquestra Municipal. Cristina relembra de grandes apresentações tais como o concerto na Sala São Paulo em 1999. Mais recentemente, destaca os concertos realizados nas cidades de Bauru, Jaú, Agudos, Conchas, Paranapanema, Piracicaba, Ilha Solteira e a inauguração da Sala Palma de Ouro, em Salto. Os concertos do Natal Reluz e eventos oficiais também trazem um público representativo e cativante. Outro momento igualmente emocionante foi o concerto em comemoração aos cinco anos da regência do Maestro Marcos Virmond frente à OSMB, ocasião na qual recebeu homenagem da Câmara de Vereadores.

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Outro projeto mantido pela equipe é o Sinfonicomunidade que leva a orquestra para os bairros, salões comunitários e escolas, aproximando o grupo sinfônico da população de diferentes regiões da cidade. Para receber o projeto, basta solicitar junto a Secretaria Municipal de Cultura um concerto desse porte e, havendo condições físicas no local pretendido para receber o grupo, basta agendar a data e apreciar o espetáculo. “Música de alta qualidade disponível a todos”, finaliza Cristina Andreatti.

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uma orquestra do povo Para que a estrutura de uma cidade esteja completa ela necessita serviços como saneamento, supermercados, templos, polícia, escolas, clubes, postos de saúde e.... uma orquestra sinfônica. De fato, uma cidade necessita oferecer a seus cidadãos música de boa qualidade. Botucatu tem este privilégio. Seus gestores entenderam, e continuam a entender, que uma orquestra faz parte da construção de uma sociedade. Uma orquestra oferece oportunidade única de prazer estético e educação para a vida reunida em um grupo pulsante de indivíduos que exercem sua profissão para servir à comunidade. Trata-se de reconhecer um valor inestimável para o crescimento e o sentido de completude de uma comunidade. Certamente, a orquestra não basta por si. Ela necessita interagir com a sociedade que a apoia e lhe dá vida. Necessita ser inclusiva, não exclusiva. Neste sentido, a Orquestra Sinfônica Municipal de Botucatu reconhece este seu papel, na gratuidade de suas apresentações, garantindo o acesso econômico, indo ao encontro da comunidade em concertos nos bairros e escolas, favorecendo o acesso geográfico e promovendo um programa musical que varia desde a música mais acessível até aquela para o gosto mais apurado, garantindo o acesso cultural. Desta forma, a orquestra é parte viva da comunidade, não um ente encastelado dento de sua casa. Com esta visão, ela cumpre o seu papel de elemento construtivo da sociedade e responde positivamente ao investimento que a comunidade faz para mante-la. Ademais, Botucatu pode se engalanar de sua orquestra, pois se olharmos o panorama regional, veremos que Botucatu se diferencia positivamente por ser a única cidade da região que mantém uma orquestra sinfônica estruturada servindo aos interesses culturais de seus cidadãos. Com isto ela pode dizer que é uma cidade que oferece boas condições para que seus cidadãos tenham uma melhor qualidade de vida. Mesmo que manter um posto de saúde possa ser mais premente que uma orquestra sinfônica, convém lembrar que os dois são essenciais para a saúde de uma população. Maestro Marcos da Cunha Lopes Virmond

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Inverno sonata de

As nuances terrosas dão o ritmo da estação.

A moda, como a música, provoca os sentidos, sugere transformação. O inverno reinventa o lugar comum, com suas misturas e criatividade, tudo ao mesmo tempo, agora.

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Anna Paula veste vestido Visto Guilherme com óculos Óticas Carol

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Laís veste mantô Di Carnietto e óculos Ótica Roberto Tainá veste mantô Sabrina Tauffic e óculos Ótica Roberto

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Maria Júlia veste jaqueta Transparência, camisa Visto, calça MAMP e óculos Ótica Carol

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Anna Paula veste vestido Daniela Fogaรงa, pulseira e bolsa Gold Silver

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Ramon veste Brech贸 Mam茫e Coruja

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Ivan veste calรงa e blusa Yes Homem

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Clarissa veste vestido Brech贸 Mam茫e Coruja

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Rafaela veste vestido Brech贸 Mam茫e Coruja

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Tainá veste camisa Daniela Fogaça, calça Transparência, sapatos Pulo Allto e jóias Gold Silver

Alessandre usa jaqueta Uzze e óculos Ótica Santa Luzia Leon usa jaqueta Di Carnietto e óculos Óticas Carol

Laís usa colete Fina Filó, blusa Daniela Fogaça, shorts Transparência, bota Pulo Allto e óculos Ótica Santa Luzia

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LaĂ­s veste vestido Uzze e sapatos Pulo Allto

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Maria Júlia veste vestido Transparência e óculos Ótica Roberto

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Anna Paula veste blusa Cores da Moda, calça Sabrina Tauffic e óculos Ótica Santa Luzia

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Anna Paula veste camisa Mamp

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Da esquerda para a direita: Ana Paula veste blusa Mamp e saia Fina Filó Tainá veste jaqueta Transparência, Blusa Cores da Moda e saia Fina Filó Guilherme veste Blazer Yes Homem, camisa Uzze e calça Mamp Laís veste blusa VISTO e saia Mamp Maria Júlia veste blusa Di Carnietto, saia Transparência e bolsa Mamp

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fotos MALU ORNELAS maquiagem MARIA PIA assistentes LILIAN ORNELAS MURILO MURBACK MARCELO MIQUELETTO edição JOEL NOGUEIRA agradecimento ORQUESTRA SINFÔNICA MUNICIPAL DE BOTUCATU

Maria Júlia veste jaqueta Sabrina Tauffic, calça Cores da Moda e acessórios Gold Silver

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mud! 100 95 75

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rua jo達o passos, 444 centro | f. 3815.9003 | www.sabrinataufic.com


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eletti informรกtica

R. Amando de Barros, 1262 | Centro | 18602-150 | Botucatu - SP | 14. 3815 2078


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Dr. Costa Leite, 1454 - Centro (14) 3354 1203 | 33541890


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Geraldo Couto

haute couture

O estilista Geraldo Couto é autodidata, especializado em alta-costura e moda festa. A marca Geraldo Couto existe há 15 anos no segmento de moda noiva e vestidos de festa, sendo considerado por muitos um dos principais estilistas de São Paulo. Atendendo clientes como nas antigas maisons, suas roupas são produzidas sob medida, com acabamento perfeito. O estilista desfila anualmente na semana de moda da Casa de Criadores, atraindo sempre críticas positivas ao seu trabalho. Defini-se como alguém à moda antiga, por achar a altacostura mais encantadora e mais sofisticada. Embora produzir outro tipo de moda também não seja fácil, para ele a alta-costura é mais desafiadora. “Alta-costura é criação, desenvolvimento e “olhômetro”. Tudo exige técnica, mas a alta-costura é mesmo apaixonante”, revela Couto. Geraldo tem uma visão diferenciada da realidade em que vivemos e não gosta de criticar a moda criada pelas pessoas no seu dia a dia. Geraldo enfatiza que, antes de criticarmos alguém, temos que conhecer os conceitos de vida de cada um. O estilista não pode simplesmente julgar, mas sim tentar ajudar, dando dicas sempre que possível. Para ele, o importante da moda é estar confortável e sempre buscar sua personalidade.

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nem luxo nem lixo

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O

lixo é para onde as pessoas jogam o que não querem mais, é para onde vai o resto do nosso sonho do consumo. Os catadores de lixo não vivem apenas à margem da sociedade, mas fazem parte de um papel importante e fundamental na nossa sociedade através da reciclagem. Mais do que retratar a situação em que vivem essas pessoas, deixamos os estúdios de lado e fomos conhecer de perto como é a vida dos catadores; aos poucos conhecemos alguns deles que nos contaram sobre seus sonhos e esperanças. Transformar o lixo — a matéria prima e de sobrevivência daqueles trabalhadores — em sustento para si e suas famílias. E assim é feito. Os depoimentos emocionados de todos os retratados revelam como a reciclagem modificou suas vidas e resgatou a autoestima.

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“Faz 30 anos que vivo da reciclagem e criei meus filhos com o dinheiro que recebi através dela. Nós recolhemos de tudo: ferro velho, papelão e plástico. Minha esposa, Eva, sempre me ajudou e hoje é uma trabalhadora registrada. Para mim, a reciclagem sempre foi boa e é única forma que eu descobri para trabalhar. Hoje em dia não permitem mais que eu trabalhe no Centro da cidade por causa dos meus cavalos. Mesmo recebendo pouco pelo quilograma de papelão (R$ 0,10 por Kg), consigo pagar minhas contas, meu aluguel e criar meus filhos. Tenho a esperança de conseguir realizar o sonho de comprar um terreno para minha família”, conclui Hélio.

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consumo, logo sou

F

alar da sociedade de consumo tornou-se uma premissa muito importante nos bons meios de comunicação na atualidade. São muitas as questões que devem ser postas na mesa sobre esse consumismo desenfreado: por quanto tempo a natureza suportará fornecer a matéria prima para toda essa produção de bens? Onde descartar essa enorme carga de lixo produzida pelo excesso de consumo? Reduzir o uso, reutilizar e reciclar as embalagens são a solução? Como dar conta desse arsenal de desejos estimulados, ao qual nos parece que nunca conseguiremos satisfazer? O consumo contribui para melhorar a nossa qualidade de vida? Muitas outras questões poderiam ser listadas, mas gostaria de focar a nossa reflexão nessa última questão: a qualidade de vida, e nos remeter a algo que considero filosoficamente crucial: as mulheres e homens que vivem em nossa sociedade estão verdadeiramente felizes? Mas, por que pensar filosoficamente sobre a felicidade como referência em nossa qualidade de vida? A felicidade é um tema onde todos os corações pulsam mais forte, pois ela está voltada a auto-realização do indivíduo. Um exemplo de reflexão muito interessante e que vai de encontro ao que estamos discutindo é a do filósofo grego Epicuro. Ele disse que procuramos a felicidade nos

lugares errados, e como não sabemos bem o que nos faz felizes, geralmente nos sentimos atraidos pelos bens materiais e de consumo! A sua idéia de felicidade era muito interessante: dizia que não devemos nos sentir culpados por desejar uma vida prazerosa e divertida. Na verdade, alcançar a felicidade é mais fácil do que pensamos: basta convivermos mais intensamente com amigos, inclusive em nossas refeições; buscarmos a liberdade pela autosuficiência financeira, nos libertando dos grilhões do cotidiano e da política; e termos uma vida bem analisada, reservando tempo para a reflexão, para fazer a análise do que nos preocupa, com tempo e local adequado, afastado das distrações do mundo comercial. Epicuro também dizia que as piores e as mais difíceis coisas de lidar são as dores que perturbam a alma, e elas estão frequentemente associadas às frustrações. Em geral, são oriundas de um desejo não satisfeito. E, desejos não satisfeitos em nossa sociedade são o que tem de sobra... Enfim, tire mais tempo para estar com os amigos, procure a sua auto-suficiência e arrume tempo para meditar, nem que sejam quinze minutinhos diários. Talvez não seja fácil conseguir a felicidade como Epicuro propôs, mas ele insistia que os obstáculos não são financeiros; portanto, não devemos confundir qualidade de vida com aquilo que podemos comprar. por Ricardo Rodrigues dos Santos Filósofo e Professor

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sm

Agoemra

Botucatu!

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Exclusividade

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Rua Papoula, 230 - Vila dos Médicos - Botucatu Antigo prédio da Somar - fone: 3814.8044


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Luca e Guilhermina 1978. Esse era o ano, tempos de ditadura e liberação sexual, tudo acontecendo ao mesmo tempo. Voltando das férias de julho, eu e meus irmãos encontramos algo novo em casa: meu pai estava saindo de casa e minha mãe estava recebendo a nova companheira, com quem iria viver maritalmente. Minha mãe, muito apaixonada, viveu intensamente o seu romance. Eu era a mais velha dos três irmãos, mas ainda havia coisas incompreensíveis para uma menina de doze anos, tudo era muito novo para nós. Mas, um dia essa mulher foi embora, separaram-se como num casamento que não deu certo. Em 1992 reconhecemos mamãe apaixonada novamente, dessa vez, por uma pessoa totalmente diferente da primeira, e logo nos perguntamos como era possível gostar tanto da outra companheira de nossa mãe? Logo nos primeiros contatos com Luca Maria, nós percebemos que se tratava de uma nova situação. E ela, com a sua personalidade forte e marcante, cativou a todos. Há mais de vinte anos vivendo conosco, Luca Maria é membro de nossa família. Ela se preocupa com todos como se fosse um pai, uma mãe, uma tia... Enfim, o mais importante: nós a amamos. Hoje, encontramos em Luca Maria segurança na convivência familiar e reconhecemos o amor, não apenas como gênero, mas com a união de duas pessoas que se amam e se respeitam de verdade.

Marisa Oliveira, filha de Guilhermina

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Major Matheus, 529 Vila dos Lavradores 3813 7091


dizem que homossexuais não herdarão o reino de deus. se isso fosse verdade eu encontraria os homofóbicos no inferno. Léo Áquilla 74


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AMANDO DE BARROS 3815 2080 DOM LÚCIO 3882 0086


Revista MUD! Edição 02/2012