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Folha da Nova Lima/MG, abril de 2010 D Ano 2 D No 09

MÚSICA PARA AS MONTANHAS 03 de maio no Palácio das Artes Os artistas mineiros Flávio Venturini, Túlio Mourão, Flávio Henrique, Maria Bragança, Kadu Viana, Mariana Nunes, Titane, Djalma Correa, Lucas Avelar, a fotógrafa Ilana Lansky e o artista plástico Mário Vale encabeçam importante movimento para salvar a Serra da Calçada. No dia 3 de maio, segunda-feira, no Grande Teatro do Palácio das Artes, a partir das 20h30, estes artistas se reunirão num grande evento que irá fortalecer o movimento em favor da proteção da Serra da Calçada: o “Música para as Montanhas”. Na abertura do show haverá uma participação especial do percussionista Djalma Corrêa e do grupo Sorriso Negro, formado por percussionistas, cantores e bailarinos quilombolas do Quilombo Sapé, do entorno da Serra da Calçada. A apresentação será o resultado de uma oficina realizada entre o artista e o grupo. Também no palco, o último instrumento elaborado pelo músico e compositor Marco António Guimarães.

Integrantes do projeto “Música para as Montanhas”; Foto: Ilana Lansky

MÚSICA PARA AS MONTANHAS Local: Palácio das Artes Data: 3 de maio, segunda-feira, horário: 20h30 Venda de ingressos: bilheterias do teatro, na loja Elvira Matilde (Savassi), na secretaria do Condomínio Retiro das Pedras Preço: R$40,00 (inteira) e R$20,00 (meia), conforme a lei

"Sossega minha saudade... Não me faça outra vez o impróprio convite Não quero mais ver-te meu triste horizonte e destroçado amor ... Carlos Drummond de Andrade

Coordenação Geral: ARCA AMASERRA, www.arcaamaserra.org.br/amaserra@gmail.com Produção : Artbuing Concepção e curadoria : Maria Bragança Design de luz e Direção de Palco: Guilherme Marques Apoio de produção: Vera Lúcia, Marcela Fernandes Reciclar-T3: ONG Internacional - Gestão e Planejamento de Design sustentável Assessoria de imprensa: Christina Lima - (31) 3274 8907 Apoio: Fundação Clovis Salgado; Governo de Minas; Prefeitura de Brumadinho; Casa do Jardim; Bouquet Garni; Elvira Matilde

"Triste Horizonte", poema de Carlos Drummond de Andrade, provocou grande impacto na década de 70, emocionou e sensibilizou a população para a degradação ambiental que estava acontecendo nas serras que circundam Belo Horizonte. Este único poema fez mais pela expansão da consciência ecológica do que muitos estudos técnicos e científicos aprofundados, porém dotados de menor poder de comunicação. As artes - música, dança, teatro e poesia - por terem uma linguagem direta e de fácil assimilação, sempre foram utilizadas para a educação e conscientização ambiental. Na cultura, são inúmeros os exemplos nos quais o artista coloca sua voz, criatividade e poder de comunicação a serviço do meio ambiente, da paz, de causas sociais generosas e voltadas para o bem estar social. Surgiu então a idéia de realizar, no Palácio das Artes, este encontro com os artistas, para um show que será um pedido de socorro para a Serra da Calçada. “Música para as Montanhas” é um projeto que deseja sensibilizar o governo e mobilizar as pessoas para a importância da transformação da Serra da Calçada em uma unidade de conservação, além de divulgar a relevância histórica e natural da área. O projeto, que pretende realizar duas edições por ano, reúne artistas de grande expressividade, em prol da proteção de áreas relevantes para a saúde ambiental do planeta.

Editorial Obstáculos são contornáveis pelos que pensam diferente. O principal obstáculo para a mudança é aquele que impede o indivíduo de agir de maneira diferente. Na ARCA AMASERRA buscamos conciliar as diferentes visões do homem através da criatividade das ações, para reencontrar a harmonia entre o modo de vida e o ecossistema. Nesta edição estamos em festa, comemorando o lançamento do Livro "Serra da Calçada, Património Histórico Cultural de Minas Gerais". Os esforços continuam para a aprovação do projeto de lei que transformará a Serra da Calçada em uma Unidade de Conservação. Neste sentido convidamos a todos para o show "Música para as Montanhas". A flor "Canela de Ema", símbolo da ARCA AMASERRA está na coluna Fauna e Flora. Os eventos são muitos com a semana da água, anunciamos o Lançamento da Rede Sócio Ambiental da Serra da Moeda e contamos sobre a 1ª feira em apoio a Serra da Calçada/Moeda realizada pelo Condomínio Retiro das Pedras. Boa leitura!

SUSTENTABILIDADE Uma das inovações no evento “Música para as Montanhas“ é no cuidado que haverá com a sustentabilidade. Aguida Zanol, da empresa T3 trabalhará medindo impactos, reciclando produtos, minimizando e neutralizando os efeitos causados pelas atividades desenvolvidas antes, durante e depois do evento.

Simone Bottrel Presidente da ARCA AMASERRA 1


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O que fizemos em março/ abril Reuniões Movimento Gandarela (6) Grupo Amigos da Serra da Moeda - Faculdade de Arquitetura (3) Conselho Administrativo da AGB peixe Vivo (2) Comitê de Bacia Hidrográfica Rio das Velhas (3) Conselho da APA Sul (1) Câmaras Técnicas CHB Velhas (3) Subcomitê de Bacia Hidrográfica Macacos Alto Velhas Projetos em fase de execução Projeto Rede Sócio Ambiental da Serra da Moeda: 5 oficinas e 5 encontros municipais (Proponente: Instituto Prócittà - Apoio: ARCA AMASERRA) Projeto Museu da Água (ARCA AMASERRA, CETEC, SEMAD, COPASA, PUC) Projeto Regularização Fundiária e caracterização do meio antrópico da Serra da Moeda (desenvolvimento: SEMAD,- apoio: ARCA AMASERRA) Projeto Musica Para as Montanhas - 1ª edição: 03 de maio no Palácio das Artes (Realização ARCA AMASERRA) Eventos Bate Papo no Sisema Posse do Conselho do Parque da Serra do Rola Moça Se Esta Rua Fosse Minha - Vale do Sol Seminário Internacional Drenagem Encontro do Fórum Mineiro de Comitês de Bacia Hidrográfica MG Lançamento do Livro Serra da Calçada no PESRM Feira de Artes do Retiro das Pedras Informações complementares sobre as atividades contate: amaserra@gmail.com

Um livro e a Serra dos sonhos

Temos o prazer de lançar o livro "Serra da Calçada - Patrimônio Natural e Cultural de Minas Gerais", de realização da ARCA AMASERRA. O livro contém fotos e ilustrações que traçam o caminho das antigas minerações em meio à exuberante paisagem. De forma didática vai contando a história, a biologia e a geografia desta serra única. Voltado para pessoas que tenham interesse em descobrir os segredos da região, a obra ajuda a ampliar o conhecimento de jovens e adultos, buscando cativá-los por meio de atividades de educação ambiental, para que se tornem cidadãos conscientes da importância de preservar este patrimônio. Adquirir o livro ou adotá-lo em escolas (ensino médio), é uma forma de apoiar a proteção da Serra. Entre em contato com a ARCA AMASERRA e peça seu exemplar pelo tel.: (31) 8835-3845.

Feira de Artes do Retiro das Pedras apoia a preservação da Serra da Calçada Num momento decisivo para a preservação da Serra da Calçada ocorreu no dia 21 de março (domingo), uma edição extra da Feira de artes do Retiro das Pedras. O objetivo foi a arrecadação de fundos para apoiar a defesa ambiental dessa região. A ARCA AMASERRA agradece ao Condomínio.

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Flora e Fauna

desidratarem, voltando ao estado hidratado com as chuvas condições típicas destes ambientes. Inclusive, estão entre as famílias mais abundantes do Espinhaço, possuindo alto grau de endemismo, principalmente em Minas Gerais. O nome popular se deve ao caule fino e ereto, envolto por bainhas foliares lembrando a canela de uma ema. As folhas são dispostas em tufos, semelhante às penas da ave. As flores são muito vistosas e, aos poucos, estas plantas veem sendo usadas como ornamentais, apesar de possuírem crescimento lento e de serem difíceis de cultivar. Cascas e raízes de algumas espécies são usadas como medicinais, e várias flores são comestíveis. Estudos antigos já apontam para o emprego medicinal destas plantas. Alguns exemplos são o uso de suas resinas em feridas cutâneas e descobertas de agentes anticancerígenos. Uma relação interessante ocorre entre as abelhas da espécie Xylocopa truxali e a Vellozia compacta - ambas encontradas na Serra da Calçada. A Vellozia compacta forma arbustos que podem atingir até 2m de altura e, basicamente, só é encontrada sobre afloramentos rochosos com altitudes superiores a 1.000m. A Xylocopa truxali é uma abelha solitária, ou seja, não vive em sociedade ou em colônias com operárias e rainhas. Neste caso, cada fêmea constrói e cuida de seu próprio ninho, morrendo antes mesmo da cria nascer. Os ninhos são construídos em galerias escavadas nos ramos da planta. Essa espécie de abelha está ameaçada de extinção, tanto pela perda de habitat, quanto pela ação de queimadas antrópicas. Uma resina inflamável presente no caule das velózias faz com que estas sejam rapidamente danificadas pelo fogo. A melhor forma de preservar essas espécies e evitar que elas entrem em extinção é conservando o seu habitat. Mais um motivo para termos cuidado especial com a Serra da Calçada, que abriga tanta vida!

Canela-de-ema e abelha solitária

Foto: Júlia Baumfeld

Pode-se dizer que a Canela-de-ema é um símbolo da Serra da Calçada e dos campos rupestres do Brasil. Quem nunca ouviu falar dela ou, ao andar por essa região, nunca parou para observar essas peculiares plantas tão presentes por aqui? São inúmeras as espécies as quais denominamos canela-de-ema ou velózias. Elas pertencem à família botânica VELLOZIACEAE, que ocorre na América do Sul e África, incluindo aproximadamente 250 espécies. No Brasil, são encontradas no bioma Cerrado, mas se concentram e têm como centro de diversidade os campos rupestres, sendo que a maioria das espécies é encontrada nas formações quartzíticas da cadeia do Espinhaço. Isso se deve ao fato de serem extremamente tolerantes à dessecação, aos solos pobres e às irregularidades do clima - no período seco elas tendem a se

Sílvia Oliveira presentes Movimentos Como: Serra da Piedade, Gandarela, Marinhos, Conceição do Mato Dentro. Vários grupos folclóricos apresentaram um protesto contra a destruição de um dos maiores patrimónios de Minas Gerais. Desde abril de 2008 o evento vem acontecendo com o objetivo de proteger a região. Esperamos que no próximo evento "Abrace a Serra" mais de 10.000 pessoas possam comemorar a conquista da preservação das áreas relevantes da Serra da Moeda. Parabéns a todos pelo belo evento.

Abraço à Serra da Moeda

Agradecimento aos que estiveram na votação Foto: Sílvia Oliveira

A ARCA AMASERRA agradece a todos que estiveram presentes na votação do projeto Serra da Calçada, ocorrido dia 25 de março na ALMG. A participação da sociedade faz muita diferença nestas votações.

No dia 21 de abril a Serra da Moeda foi "abraçada" pela comunidade. O ato simbólico conta com o lema "Ninguém nivelará as montanhas de Minas" (Tancredo Neves). O III Abraço à Serra da Moeda superou as expectativas, com a presença de sete mil pessoas aproximadamente. A ARCA AMASERRA participou unindo forças. Também estavam 3


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Gentes da Serra Ilana Lansky estudou fotografia em Israel. Sempre fez trabalhos ligados à área ambiental e já fotografou em vários biomas brasileiros: na Amazônia, em aldeias indígenas, e em diversas localidades de Minas Gerais. Ao longo do tempo ela pôde acompanhar as mudanças e o crescimento que vem ocorrendo na região da Serra da Calçada, onde reside, e ajudou a noticiar para a comunidade do condomínio sobre os riscos iminentes. O evento "Música para as Montanhas" conta com a participação da fotógrafa. Em suas vivências com os índios aprendeu muito sobre a importância de se preservar o meio ambiente, e conta como eles falam que “mexer na natureza é mexer no ser humano”. Afinal, o homem é parte da natureza. Contato: ilanalansky@hotmail.com

O talento de Lucas Avelar (à esquerda) vem sendo reconhecido em várias frentes. Ano passado, depois de ficar entre 20 artistas pré-escolhidos do projeto Conexão Minas, ele foi um dos selecionados na primeira edição do Projeto Música Minas, na categoria de Revelação. Túlio Mourão (à direita) é dono de uma curiosa e rica trajetória na musica brasileira. Já esteve no palco ou nos discos de vasta constelação de nossa MPB, como Chico Buarque, Milton, Caetano, Fagner, Raul Seixas, Ney Matogrosso, Maria Bethânia, Belchior, Paulo Moura, Zezé Motta, entre muitos outros. A ARCA AMASERRA agradece pelo engajamento de ambos no projeto “Música para as Montanhas”.

Rede Socioambiental da Serra da Moeda

d'água, avaliação da qualidade das águas a partir da biodiversidade aquática, do estado de conservação e influência sobre a ictiofauna (peixes), a herpetofauna (anfíbios e répteis), a vegetação e a fauna, além de contribuir para a construção da Rede Socioambiental da Serra da Moeda. Durante o mês de fevereiro foram realizadas cinco oficinas de planejamento participativo, dando início á construção da Rede Socioambiental da Serra da Moeda. Em março foram realizados cinco encontros municipais, um em cada município abrangente. Diversos atores sociais comparecem a cada evento representantes do governo municipal, representantes das escolas, das associações, órgãos públicos e cidadãos que estão sempre ligados e sensibilizados com a importante questão da qualidade dos recursos hídricos, formando assim a Rede Socioambiental da Serra da Moeda.

Foto: Ilana Lansky

Em 7 de Janeiro de 2010 o Instituto de Estudos PRÓCIDADANIA - PRÓ-CITTÀ, com recursos do FHIDRO (Fundo de Recuperação, Proteção e Desenvolvimento Sustentável das Bacias Hidrográficas do Estado de Minas Gerais), e com as parcerias da ARCA AMASERRA (Associação para a Recuperação e Conservação Ambiental em Defesa da Serra da Calçada), a ASTURIES (Associação para o Desenvolvimento do Turismo Ecológico Encosta da Serra), a AMA MOEDA (Associação do Meio Ambiente de Moeda) e a APHAA-BV (Associação do Património Histórico Artístico e Ambiental de Belo Vale), deu início ao projeto "Avaliação de Impactos Antrópicos sobre os Recursos Hídricos da Serra da Moeda: contribuindo para a gestão ambiental e educação socioambiental no vetor Sul da RMBH", que abrange os municípios de Nova Lima, Brumadinho, Moeda , Itabirito e Belo Vale. O objetivo do projeto é contribuir para a melhoria da gestão das águas da região da Serra da Moeda, através do mapeamento do uso do solo atual, identificação das áreas degradadas, análise das tendências de uso e ocupação do solo, identificação e mapeando das nascentes e cursos

Nosso blog: http://redesocioambientalserradamoeda.blogspot.com/ e-mail: projetoserradamoeda@gmail.com Jêanine Barallion Equipe do Projeto Serra da Moeda

EXPEDIENTE: Diretoria Executiva: Simone A. Borja Bottrel, Jeanine Barillon, Evelyn Zajdenwerg, Angeles Balbuena Conselho Editorial: Lívia Romanelli d’Assumpção, Pablo Burkowski Meyer, Silvia Helena Ferreira de Oliveira Jornalista Responsável: Luciana Tanure Blanton NR: 9035/MG/ Diagramação: Míriam Gomes Tel: (0XX31) 9208-6539 Contato: amaserra@gmail.com Tel: 55 (0XX31) 3542-6029 ou 8835-3845. Impressão: Gráfica Formato, site: www.arcaamaserra.org.br, Tiragem: 3 mil

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