Page 1

Guia bรกsico de didรกticos

INFOGRAFIA M

A

R

I

O

โ€ข

K

A

N

N

O


Guia bรกsico de didรกticos

INFOGRAFIA M

A

R

I

O

โ€ข

K

A

N

N

O


O Guia básico de didáticos é um projeto formulado por Alessandra Corá e Daniella Barroso para registrar boas práticas de editoriais de didáticos, assim como refletir sobre suas implicações na produção de livros e materiais escolares. Este é o segundo livro do projeto, sendo o primeiro dedicado à edição de texto. Conheça e acompanhe o projeto em facebook.com/formacaodidaticos. Edição de texto: Daniella Barroso Preparação: Luciana Baraldi Leitura crítica: Alessandra Corá Edição de arte, projeto gráfico, diagramação e capa: Aline Martins (Sem Serifa) Ilustrações e mapa: Alessandro Passos da Costa

www.borealedicoes.com.br

São Paulo • 1ª edição • 2018 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Laura Emilia da Silva Siqueira CRB 8-8127) Kanno, Mario. Infografia: guia básico de didáticos / Mario Kanno. 1 a ed. — São Paulo: Boreal Edições: 2018. 112 p. ; il. ; 16 x 17 cm.

ISBN 978-85-68256-15-2

1.  Livros didáticos: recursos visuais  2.  Livros didáticos: infográficos.  I.  Kanno, Mario. CDU  37.02

CDD  370 Índices para catálogo sistemático: 1.  Livros didáticos : recursos visuais 2.  Livros didáticos : infográficos 370


Agradecimentos

A todos profissionais com quem tive o prazer de trabalhar, desde o início de minha carreira na Folha de S.Paulo em 1988. Foi com essas pessoas sensacionais que fui descobrindo e aprendendo na prática a maior parte dos conhecimentos que estão reunidos neste livro. A todos os professores e teóricos que fizeram parte da minha formação. À minha família pelo apoio e paciência nessa jornada de trabalhos em fins de semana e madrugadas. E, em especial às editoras deste livro, Alessandra Corá e Daniella Barroso, que fizeram realidade meu sonho de contribuir com o crescimento da infografia e a formação de novos profissionais.

3


Sumário

Origens da infografia Até o século 16 Primeiros mapas e diagramas

10

Século 17 Medições e teorias

14

Século 18 Novas fórmulas gráficas

16

De 1800 a 1849 O início da infografia moderna

18

1850-1900 Era de Ouro das Estatísticas

20

1900-1974 Poucas inovações, muitas novidades

24

Desde 1975 O computador como nova fronteira

4

28


1. Por que fazer uma infografia As narrativas precisam prender a atenção do leitor 34 Por que insistir em uma leitura mais visual

37

A imprensa ajudou a separar a imagem do texto

38

Narrativa visual e infografia

39

Os profissionais envolvidos na produção do material precisam colaborar entre si

40

Divisão de responsabilidades

42

Planejamento

44

Pense a página como um todo

45

2. Quando fazer uma infografia A narrativa pede que o leitor imagine figuras

48

Nas escolas há demanda por abordagens multilinguísticas

52

5


3. Elementos da narrativa infográfica O que mostrar na infografia Quando o infográfico é indispensável

58 61

Repertório de recursos visuais da infografia

62

Os gráficos

68

Desafios da visualização de dados estatísticos

69

Tipos de gráfico e indicação de uso

70

Exemplos de uso de gráficos

Os mapas

78

80

O texto da infografia

81

Quando o infográfico é só texto

84

Da ideia à publicação

85

Como produzir bons infográficos

88

Faça seu infográfico brilhar

90

Vamos elaborar uma infografia? Como fazer um infográfico

94

Como pensar visualmente?

96

Como escrever para infografia?

98

Exercícios

6

100


OR IGENS DA INFOGR A FI A


INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

Apesar de o primeiro infográfico ter sido publicado na Milestones in the History of Thematic Cartography, Statistical Graphics, and Data Visualization

grande imprensa em 1806, no jornal London Times, a

An illustrated chronology of innovations by Michael Friendly and Daniel J. Denis

cor na mídia impressa, em meados dos anos 1980. O

O sensacional trabalho de Friendly e Denis está acessível via internet e deve ser consulta obrigatória para quem lida com representações visuais. Disponível em: <www. datavis.ca/milestones> (em inglês). Acesso em: 31 ago. 2018

infografia em jornais e revistas era usada de forma muito restrita e pouco difundida e só começou a ganhar fôlego e certa independência com a disseminação da trabalho com a visualização de dados, no entanto, já existia fora das grandes mídias de consumo e remonta a tempos muito mais distantes, sendo anterior à escrita como forma de registro e comunicação – destacam-se os estudos dos professores norte-americanos Michael Friendly e Daniel J. Denis, que sistematizaram experiências gráficas na cartografia temática e com dados estatísticos. A comunicação visual precede a escrita e pode ter influência direta na maneira como reagimos a sinais visuais como gestos, cores e símbolos. São exemplos

8


consciente, em franca correlação com as experiências sensoriais dos primeiros seres humanos. Há mais de 30 mil anos o ser humano já fazia registros em cavernas; ainda que não se possa saber quais eram as intenções, se pretendiam contar uma história, algumas pinturas sobreviveram ao tempo e hoje revelam esses esforços de comunicação. Os petróglifos, símbolos esculpidos em rocha, são reconhecidos como evidência de uma forma de linguagem gráfica em sociedades primitivas. Uma dessas gravuras em rocha, encontrada perto de Kirkuk, no atual território do Iraque, é aceita como a representação de um mapa de uma cidade da antiga Babilônia. É um dos primeiros registros conhecidos no qual o ser humano não apenas grafa um símbolo, mas transforma dados geográficos em informação visual, sinalizando casas e ruas. A seguir, traçamos uma breve cronologia da visualização de dados com base na divisão histórica feita por Michael Friendly e Daniel J. Denis.

9

ORIGENS DA INFOGRAFIA

o verde das matas e o vermelho do fogo, que estariam impregnados em nosso in-


Até o século 16

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

Primeiros mapas e diagramas

As origens da visualização residem nos mapas. Não é difícil imaginar o quanto era importante para os povos primitivos saber a localização geográfica de rios, montanhas, plantações e aldeias (amigas e inimigas): conhecer esse tipo de informação era essencial para a sobrevivência dos povos, tanto para o comércio como para as conquistas. Outros tipos de representação gráfica podem ter sido abandonados ou substituídos após o advento da escrita, mas a cartografia acompanhou todos os desenvolvimentos tecnológicos da humanidade. Mais de oito mil anos depois do primeiro mapa conhecido, ainda ficamos maravilhados com a navegação por satélite nos carros ou por podermos localizar nossa residência em imagens do Google Earth. As sociedades antigas sabiam que o registro do mundo conhecido em mapas não era apenas um símbolo de conhecimento, mas também de poder, pois possibilitava

10


garantir fronteiras e propriedades, delimitar inimigos e encontrar os melhores caminhos para os atacar ou para se proteger. Com o passar do tempo, a precisão cartográfica foi sendo apurada e as trocas comerciais revelaram novas terras, ampliando o mundo conhecido até chegar aos mapas que usamos atualmente. Foi o matemático e geógrafo Gerardus Mercator (1512-1594) quem revolucionou a cartografia ao desenvolver o mapa-múndi em projeção cilíndrica – assim foi possível representar os dados da esfera terrestre em um mapa plano com maior precisão. Seu trabalho é um marco na representação geográfica da Terra. A produresguarda os ângulos e cria distorções visuais (a Groenlândia parece maior que a América do Sul, por exemplo). No início do Renascimento aparecem as primeiras abstrações gráficas envolvendo variáveis: associados à astronomia, os gráficos de linhas descreviam as trajetórias dos planetas e estrelas; já os gráficos de barras foram criações do bispo e matemático francês Nicole d’Oresme (c. 1323-1382) para demonstrar diferenças de valores. Na área conceitual e de ideias, vale destacar o maravilhoso trabalho do catalão Raimundo Lúlio (c. 1232-c. 1315), que fez uso consistente de esquemas e metáforas visuais para explicar conceitos cristãos, como a Árvore da Ciência e a Ars Magna, diagrama combinatório que influenciou, mais tarde, a criação dos computadores. O personagem mais eminente na visualização de dados moderna foi sem dúvida o toscano Leonardo da Vinci (1452-1519). Todo seu trabalho era transposto em ilustrações detalhadas que retratavam a anatomia, as máquinas e os movimentos, criando uma linguagem que associava texto e imagem não muito diferente da encontrada atualmente em infografia de jornais e revistas.

11

ORIGENS DA INFOGRAFIA

ção de seus mapas era voltada principalmente para navegadores, razão pela qual


Primórdios da visualização de dados

O mundo segundo Anaximandro de Mileto (c. 610 a.C.-546 a.C.). O mapa-múndi representava a Terra no formato de uma pizza, com oceanos em suas bordas, mas mostrando apenas as partes então conhecidas da Europa, África e Ásia.

c. 30000 a.C.

c. 1296

Pinturas em cavernas.

“Árvore da Ciência”, de Raimundo Lúlio.

Reprodução

Simon chara/Wikimedia Commons

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

c. 550 a.C.

12


Aperfeiçoamento dos mapas e primeiros gráficos

Reprodução

Reprodução

c. 1500

Leonardo da Vinci transpôs seu conhecimento em ilustrações detalhadas para retratar estudos sobre anatomia, máquinas e movimentos.

1595 Rumold Mercator (1545-1599), filho de Gerardus, publicou este mapa-múndi em 1595, um ano após a morte do pai, continuando, assim, seu trabalho.

13

ORIGENS DA INFOGRAFIA

Luc Viatour/Wikimedia Commons

Gráficos de barras em página de publicação do bispo francês Nicole d’Oresme; o objetivo era demonstrar visualmente grandezas numéricas.

Reprodução

c. 1350


Século 17

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

Medições e teorias

Podemos entender os avanços da visualização de dados se captarmos os momentos históricos da sociedade: a expansão marítima europeia, a aceleração do tempo das viagens e do comércio levaram a representação visual para os campos da medição física (tempo/distância), da astronomia, da navegação e da expansão territorial. O crescimento das cidades e da acumulação de riquezas, por exemplo, favoreceu o aparecimento de estimativa e de estatística; a cartografia ganhou novas projeções para atender a objetivos distintos dos que guiaram Mercator e os gráficos se disseminaram e se tornaram mais precisos.

14


Novas formas de representação 1669

ORIGENS DA INFOGRAFIA

1782 Primeiro mapa topográfico, elaborado por Marcellin du Carla-Bonifas.

Reprodução

Reprodução

Gráfico de função mostra como encontrar os anos de vida restantes de acordo com a idade atual, de Christiaan Huygens (1629-1695).

15


Século 18

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

Novas fórmulas gráficas

Nesse século, os mapas deixaram de ser segredo de poucos e começaram a receber outras camadas de informação além das geográficas: áreas do conhecimento como economia, demografia, geologia e saúde passaram a se utilizar de mapas para transmitir informações. Cresceu o volume de dados e novas formas de visualização foram introduzidas; além disso, novidades tecnológicas impulsionaram a imprensa e a litografia. O nome mais importante para a infografia atual nesse período foi William Playfair (1759-1823). O engenheiro e economista escocês defendia a ideia de que gráficos comunicavam melhor que as tabelas de dados – até então a apresentação de números da economia utilizava quase exclusivamente tabelas. Ele publicou, em 1786, The Commercial and Political Atlas, que continha 43 gráficos de linha e um de barra. Seus trabalhos se notabilizaram pela clareza visual e elegância na disposição dos dados. Também é de sua autoria o primeiro gráfico setorial, popularmente conhecido como gráfico de pizza.

16


O pioneirismo de William Playfair 1786

17

ORIGENS DA INFOGRAFIA

Reprodução

Gráfico de barras e de linhas com dados econômicos, de William Playfair.


De 1800 a 1849

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

O início da infografia moderna

Na primeira metade do século 19, uma enxurrada de dados propiciou um campo fértil para o desenvolvimento das formas de visualização: gráficos e mapas evoluíram para os formatos que usamos até hoje. Foram experimentadas formas ousadas e alternativas para os diferentes tipos de gráficos, criando novas figuras abstratas de representação. Na cartografia, o uso de cores associadas a intervalos de dados resultou em complexos mapas estatísticos de dispersão e concentração, semelhantes aos publicados atualmente. Além de consolidar definitivamente as bases da moderna infografia, nesse período, um grande número de publicações científicas começou a utilizar gráficos e diagramas para descrever fenômenos naturais. Em seus estudos sobre o eletromagnetismo, por exemplo, o inglês Michael Faraday (1791-1867) usou um diagrama simples, composto de linhas e setas, para descrever a trajetória de campos magnéticos, um modelo de simplicidade e eficiência na concepção de informação visual.

18


Introdução dos gráficos modernos 1819

1820 Desenho de Michael Faraday sobre um gerador elétrico – publicações científicas começaram a contar com gráficos e diagramas.

19

ORIGENS DA INFOGRAFIA

Reprodução

O mapa da distribuição do analfabetismo na França, de Baron Pierre Charles François Dupin (1784-1873), é provavelmente o primeiro mapa estatístico.


1850-1900

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

Era de Ouro das Estatísticas

Informações numéricas ganharam importância no controle e no planejamento social, político e econômico na segunda metade do século 19. Houve, nessa época, grande avanço na visualização de dados com o uso dos recursos conquistados nos períodos anteriores, o que possibilitou a compreensão e a análise de um volume estatístico crescente. Para a infografia moderna há pelo menos três casos particulares que merecem atenção especial: os trabalhos do médico inglês John Snow (1813-1858) com a cartografia em um surto de cólera, da enfermeira inglesa Florence Nightingale (1820-1910) e do engenheiro francês Charles Minard (1781-1870).

20


Reprodução

A infografia como arma de convencimento

ORIGENS DA INFOGRAFIA

1855

A cidade de Londres vivia uma epidemia de cólera, que acreditavam ser transmitida pelo ar. O médico John Snow mapeou o local de residência das vítimas do cólera e pode observar que havia uma concentração de casos em uma área com a mesma fonte de abastecimento público de água; a bomba-d’água foi fechada, o que resultou na eliminação da epidemia.

A enfermeira inglesa Florence Nightingale identificou que, entre os militares mortos na Guerra da Crimeia, as mortes resultantes de doenças eram muito mais numerosas que aquelas causadas por ferimento em combate. Ela organizou os dados em um gráfico de forma a destacar essa informação, iniciando, assim, uma campanha de melhoria das condições sanitárias no Exército.

Reprodução

1857

21


INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

Diagrama geográfico e visual

22


O engenheiro francês Charles Minard foi um dos pioneiros no uso de gráficos aplicados à engenharia e estatística; em seu trabalho mais notável, ele ilustrou a desastrosa campanha de Napoleão contra a Rússia em 1812. Essa representação é apontada pelo estatístico e especialista em infografia Edward Tufte como o melhor gráfico estatístico já feito: são ao menos seis variáveis que formam uma única imagem – a primeira diz respeito à largura do trajeto, que é proporcional ao número de soldados sobreviventes na campanha de guerra; a segunda e a terceira correspondem às linhas de latitude e longitude; a quarta variável é a direção de ida e volta, sinalizada por cores; a quinta, a localização do Exército em datas específicas, e a sexta, a temperatura no trajeto.

23

ORIGENS DA INFOGRAFIA

Reprodução

1869


1900-1974

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

Poucas inovações, muitas novidades

Na primeira metade do século 20 ocorreu uma popularização da linguagem visual na imprensa, no governo, no comércio e nas ciências – foi o começo da comunicação e do consumo de massas. Além disso, a visualização gráfica começou a destacar-se como possibilidade para explicar novas descobertas e teorias em diversos campos do conhecimento. Apesar da produção enorme, no entanto, foram poucas as inovações gráficas, ainda que algumas personalidades desse período tenham dado contribuições fundamentais para a infografia e o design. O sociólogo e economista austríaco Otto Neurath (1882-1945) foi um visionário da linguagem gráfica: organizou o Museu Social de Gráficos Estatísticos, em Viena, e, em conjunto com sua esposa Marie (1898-1986) e o ilustrador Gerd Arntz (1990-1988), introduziu o Isotype (International System of Typographic Picture Education),

24


uma forma de comunicação baseada em ícones de fácil interpretação usada para sinalização e representação de quantidades. O impacto visual de seus “isotipos” e a eficiência com a qual eles conseguem transmitir informação impulsionaram seu uso em larga escala, como na sinalização urbana – os pictogramas usados atualmente em placas de trânsito, aeroportos, hospitais etc. Em 1933, o designer gráfico inglês Harry Beck (1902-1974) deu um importante passo na difusão da cartografia ao criar um mapa para o sistema metroviário de Londres. Nesse período, a expansão do metrô de Londres em direção aos bairros mais distande acordo com sua posição geográfica, as estações mais próximas se confundiam no espaço reduzido do mapa. Harry Beck criou um mapa esquemático, semelhante a um circuito elétrico, que, ignorando as distâncias geográficas, possibilitava mostrar em um diagrama como uma estação se ligava a outra para levar os usuários aos destinos desejados. Composto de linhas coloridas, símbolos e tipografia de fácil leitura, o mapa se tornou reconhecido mundialmente por sua simplicidade e clareza: para o usuário do metrô, a informação mais relevante era como as linhas se conectavam, não a distância geográfica entre as estações. O pós-guerra traz uma nova gama de dados. Os anos 1960 trazem uma nova maneira de ver o mundo e as informações. A análise gráfica e sua teoria voltaram a ser valorizadas e novos caminhos começaram a ser traçados. Estudos de semiologia e percepção deram bases técnicas para conhecimentos intuitivos. No fim desse período surge o computador pessoal.

25

ORIGENS DA INFOGRAFIA

tes tornava difícil a tarefa de produzir um mapa que orientasse os usuários: dispostas


1920 Diagrama com setas para demonstrar como os itens se relacionam, de Sewall Wright (1889-1988).

Reprodução

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

Genetics Society of America

Síntese e simplicidade

1924 “Isotipos” de Otto Neurath.

26


Reprodução

Mapa do metrô de Londres elaborado por Harry Beck.

27

ORIGENS DA INFOGRAFIA

1933


Desde 1975

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

O computador como nova fronteira

A invenção do computador pessoal e o desenvolvimento de sistemas de informática não apenas agilizaram a produção como criaram novas experiências de visualização de dados. Softwares e sistemas de computação específicos para design, estatística, manipulação 3D e animação quebraram definitivamente as fronteiras da tradicional comunicação gráfica em duas dimensões. As bases de dados ganharam proporções colossais com o avanço da internet; além disso, os consumidores de informação são levados a aprender novos códigos visuais intuitivos e dinâmicos nas diversas mídias, assim como em video games, DVDs, computadores e celulares. A combinação de computador e internet – que não apenas distribui, mas também coleta uma imensidão de dados – causou uma explosão de informações e inverteu a lógica na qual vivíamos, em que o conteúdo era mais importante que a forma e o leitor era bastante passivo.

28


Para ganhar relevância, é necessário fazer melhor, fazer diferente e usar os recursos verbais, visuais e interativos mais adequados para cada situação. A infografia, como uma combinação de textos verbais e não verbais com o intuito de informar, está presente em todos esses meios de comunicação.

USA Today O designer estadunidense George Rorick bancou a aposta de produzir um mapa da previsão do tempo com faixas de cor e ícones para comunicar as previsões no jornal USA Today, que, O jornal trazia ainda um pequena novidade que impulsionou a infografia: os “USA Today Snapshots”, pequenos infográficos coloridos apresentados nas capas de cada caderno. O sucesso do USA Today e de suas páginas coloridas fez todos os outros jornais do mundo adotarem, aos poucos, o uso de cor e também de gráficos. Na época, era tecnologicamente mais difícil, caro e demorado ter fotos coloridas. Já os gráficos (mesmo antes do computador) eram um meio barato, rápido e eficiente de mostrar informação e levar cor, de forma a seduzir leitores e anunciantes.

Undestanding USA Richard Saul Wurman e Edward Tufte estudaram e inovaram as teorias de visualização de dados: o primeiro cunhou o termo “arquitetura da informação”, em 1976, para descrever o que considera crescimento desordenado e caótico da comunicação; o segundo, mais ligado à estatística do que à estática, foi o criador do termo chartjunk (infolixo), se referindo às informações inúteis, excessivas ou mal arrumadas que acabam não estabelecendo comunicação. Alguns dos melhores infografistas dos EUA foram reunidos por Richard Saul Wurman no livro Understanding USA, de 1999, um compêndio visual de dados socioeconômicos do país distribuído via web.

29

ORIGENS DA INFOGRAFIA

desde seu lançamento em 1982, tinha como um dos seus diferenciais o uso intenso da cor.


A infografia invade a imprensa

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

Reprodução

1982 No Brasil, a Folha de S.Paulo adotou a ideia dos snapshots de George Rorick sob o nome de “Indifolha”.

Reprodução

Frame da animação “Así se produce un terremoto”, publicada no site do jornal El País, em 2003.

1999 Alberto Cairo, jornalista espanhol, reuniu o rigor jornalístico e a qualidade da informação sobre a estética gratuita para iniciar uma campanha quase missionária de difusão dos conceitos do jornalismo visual e da infografia pelo mundo. Em 1999, com a explosão da internet e de novas tecnologias que possibilitam que a visualização seja interativa e/ou animada, os jornais espanhóis El País e El Mundo tornaram-se referências internacionais nesse segmento.

30


1999 Na imagem, página produzida por Nigel Holmes, designer inglês que assumiu em 1977 um posto na revista Time, em Nova York, produzindo o que ele designou como explanation graphics. De estilo gráfico simples e elegante, seu trabalho visual mostrou que os gráficos são importantes aliados na transmissão da informação. Gráfico incluído no livro Understanding USA.

31

ORIGENS DA INFOGRAFIA

Reprodução

A chegada da web


U N I DA DE 1

POR QUE FAZER UM A INFOGR A FI A


INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

As narrativas precisam prender a atenção do leitor

A prática de combinar estrategicamente textos verbais e imagens pode melhorar enormemente a eficiência da comunicação. Os textos verbais podem ser escritos ou falados; já a informação gráfica – formada majoritariamente de textos não verbais – é expressa por meio de ilustrações, pictogramas, cores, fios, formas, tipografia, fotografias, filmes, animações etc. Nesse contexto, o infográfico (termo originado da expressão information graphics) é uma ferramenta bastante eficiente para comunicar combinando imagens e palavras. O que diferencia um texto informativo construído dentro dessa estratégia de aproximação de palavra e imagem de um texto infográfico é que neste o verbal não comanda a narrativa; assim, a forma convencional de se construir o texto, com colunas de texto, por exemplo, como ocorre na imprensa, é substituída pelo uso de cotas, legendas e blocos de texto

34


de fatos, fenômenos e/ou relações por meio de figuras geométricas, como pontos, linhas, áreas etc.). Por contar com todos os recursos disponíveis na comunicação gráfica e, em geral, ter regras mais flexíveis quanto à diagramação; ao uso de cores, fios e formas; e ao tamanho/uso da tipografia, o infográfico apresenta vantagens em relação às narrativas comandadas pelo texto verbal e pode valorizar a explicação de temas e assuntos diversos, oferecendo ao leitor uma forma alternativa de leitura. Frequentemente se afirma que o infográfico ilustra e dá mais clareza a assuntos “difíceis”, ou, ainda, que ele possibilita aos leitores entender coisas “complexas”, como estruturas, relações geográficas, processos ou ações de causa e efeito. São verdadeiras essas afirmações, mas o papel da infografia não é apenas este. O que acontece, de fato, é que alguns assuntos não podem ser explicados com clareza pelo uso exclusivo de texto verbal, por isso, eles acabam parecendo “complexos” e “difíceis”. Em outras palavras, há muitos casos nos quais o texto verbal não é o mais adequado para transmitir a informação. Tomemos como exemplo o mapa, a figura mais antiga da infografia: Qual seria a lógica de tentar descrever a forma e a

35

UNIDA DE 1  •  P OR QUE FA Z ER UM A INFO GR A F I A

em tópicos, assim como pelo uso intensivo de diagramas (representação gráfica


­l ocalização de elementos de uma região em forma de texto corrido? Não faria sentido, pois se sabe que o mapa cumpre melhor essa função. O infográfico não tem esse poder milagroso a ele atribuído de “fazer coisas complexas ficarem simples”; ele é apenas a melhor maneira de representar alguns tipos de informação. Assim como o texto verbal é o meio mais eficaz para descrever certos tipos de informação; em outros casos, a foto é mais eficiente.

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

Ao pensar em como contar uma história, deve-se ter em mente o fato de a infografia reunir recursos que possibilitam representar visualmente informações que a foto e o texto verbal não representam com a mesma eficiência. Além disso, a infografia é bastante didática; uma das razões para isso é o uso de uma linguagem verbal direta, fragmentada em tópicos, possibilitando leitura mais rápida e compreensão mais imediata aos leitores, os quais podem, ainda, “navegar” pelo infográfico com maior facilidade, indo e voltando nos tópicos em uma leitura não linear, bastante distinta daquela possível em uma página organizada, por exemplo, em colunas de texto verbal. Ao acrescentar informação visual e, assim, colocar-se para o leitor como uma alternativa à narrativa convencional, em especial nos diversos textos que compõem o gênero informativo, a infografia colabora para uma leitura “mais visual” da informação.

36


Por que insistir em uma leitura mais visual Os leitores demandam cada vez mais informações “visuais”, não apenas por influência da TV, das revistas ou da internet: o ser humano é visual. É parte de nossa “natureza” Ainda bebês, nós aprendemos visualmente; o passo seguinte é falar e, muito depois, ler e escrever palavras. Ao escutar a palavra “cadeira”, provavelmente não são as letras e sílabas que compõem o vocábulo que surgem em nossa mente; o mais provável é que se forme a imagem de um objeto que associamos à cadeira. Embora boa parte do conhecimento humano que chegou até nós seja formada de registros verbais, uma grande porção da memória e a maneira como compreendemos o mundo são visuais. A representação de imagens em rocha (petróglifos) são alguns dos primeiros registros feitos pelo ser humano. Essa forma de representação evoluiu até chegar a uma linguagem composta de pictogramas, como os concebidos por meio da escrita cuneiforme da Suméria e dos hieróglifos egípcios, que abriram caminho para a escrita atual, em um processo que durou milhares de anos. Mesmo após a invenção da escrita, outras formas de representação acompanhavam-na, como as ilustrações das antigas bíblias – a riqueza das imagens atendia, nesse caso, a uma demanda dos fiéis, já que grande parte da população era analfabeta nos primeiros séculos de circulação dos escritos cristãos. No Renascimento, os registros técnicos de Leonardo da Vinci são exemplo de integração da imagem com a palavra – trata-se de verdadeiras obras de arte da visualização de dados.

37

UNIDA DE 1  •  P OR QUE FA Z ER UM A INFO GR A F I A

assimilar primeiramente as imagens.


A imprensa ajudou a separar a imagem do texto A introdução da imprensa e de seu processo industrial de tipos móveis, inicialmente limitado, influenciou a separação da comunicação verbal (palavra) e da não verbal (imagem). As máquinas privilegiavam a reprodução do texto verbal e a iconografia, pouco a pouco, tornava-se restrita.

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

Foi com um maquinário ainda rudimentar que surgiram os primeiros jornais; uma das razões que explicam o uso intensivo e quase exclusivo da escrita como registro da informação, ocupando as páginas de colunas de texto. (Outra razão é a crença de que quanto mais texto verbal, mais informação.) A introdução dos computadores pessoais nas redações, ocorrida nos anos 1980, assim como os avanços nas técnicas e nos equipamentos de edição, diagramação e impressão, abriram espaço para a valorização da linguagem iconográfica como forma legítima e eficaz de registrar a informação. Além disso, as publicações impressas, em concorrência com a circulação de informação no rádio, na televisão e, principalmente, na internet, têm se preocupado com a qualidade do que é publicado, o que se pode alcançar por meio de um trabalho cuidadoso com a palavra e a imagem.

38


Narrativa visual e infografia Em uma publicação, o texto verbal não é o elemento mais importante, tampouco a foto ou os gráficos. O mais importante é o leitor: se a história não prende a atenção do leitor, ou ele não entende, trata-se de perda de tempo, ao menos para o leitor.

O uso de textos não verbais, como quadrinhos e ilustrações, favorece o desenvolvimento de habilidades de leitura. A infografia propicia, ainda, o contato com múltiplas linguagens e valoriza as representações cartográficas, contribuindo, portanto, para o letramento linguístico e cartográfico. Infográficos servem para transmitir informações de maneira visual; são, assim, úteis para dar mais dinamismo à leitura, oferecendo possibilidades de práticas pedagógicas diversificadas, em que os alunos devam buscar os dados e “destrinchar” a narrativa em debates e discussões de grupo. Trata-se, portanto, de um recurso ­p edagógico valioso. Há também a questão estética: as infografias trazem beleza às páginas das publicações.

39

UNIDA DE 1  •  P OR QUE FA Z ER UM A INFO GR A F I A

Nos livros didáticos, um setor essencial do gênero informativo, visto que subsidia a formação leitora, prender a atenção do aluno é uma tarefa ainda mais significativa.


INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

Os profissionais envolvidos na produção do material precisam colaborar entre si A indústria da informação está sendo cruel com seus profissionais de texto: ao mesmo tempo que são empurrados para se tornarem especialistas em determinados assuntos, também precisam fazer suas cabeças trabalharem como uma minieditoria, pensando e produzindo o material como um todo. A edição do texto ganhou novas tarefas: hoje, ao receber uma demanda, o editor precisa pensar também no desenho da página, nas figuras e no infográfico. Em situações-limite, é ele próprio quem pesquisa fotos e edita os infográficos. Há, ainda, demandas dos sites, aplicativos, assim como da área comercial. É muita coisa para qualquer pessoa, mas o editor de texto não precisa nem deve resolver tudo sozinho. Os materiais e, principalmente, os leitores vão ganhar muito se os profissionais do texto aprenderem a trabalhar em conjunto com editores de arte, infografistas,

40


ilustradores, diagramadores e fotógrafos. São raros os profissionais que conseguem elaborar sozinhos um tratamento visual para seu texto; mesmo quando se trata de algo simples, o trabalho pode ser mais bem finalizado quando se recorre à ajuda de outras pessoas para encontrar a melhor maneira de contar visualmente suas históencontrar soluções adequadas e originais. Em vez de trabalhar sozinho, o editor deve envolver outros profissionais na construção da narrativa. Na produção de uma infografia, isso pode ser realizado por meio de uma comunicação mais detalhada da pauta. Um tema como hidroelétricas, por exemplo, apresenta inúmeras abordagens possíveis; se os profissionais responsáveis pelo conteúdo visual não souberem com clareza o objetivo da abordagem proposta, é provável que o resultado final seja um texto verbal contando uma história, um gráfico ou mapa contando outra e, ainda, uma fotografia indicando uma terceira história. A falta de tempo não deve ser o argumento para falhas na comunicação interna entre o editorial e os diversos setores envolvidos na produção de livros, pois o principal entrave é a falta de cultura visual dos responsáveis pela construção das narrativas, que só conseguem pensá-las na forma de texto verbal. As imagens (fotos, mapas, infográficos e ilustrações) precisam ser pensadas como um texto da narrativa. Mesmo o texto verbal pode contar com novas soluções de encadeamento das ideias, como o uso de um bom sistema de subtítulos, linguagem mais direta, e boa diagramação, com formatos que ajudem o leitor a encontrar o que procura de maneira prática. Diferentemente do habitual, a falta de tempo e a organização do trabalho em equipes menores devem ser vistas positivamente, como vetores para investir no planejamento detalhado do infográfico: qual sua abordagem e forma, seu tamanho, estilo e objetivo didático. Quanto mais tempo for investido em planejamento mais eficiente será a participação da equipe, com menos tempo desperdiçado em infinitas “refações“.

41

UNIDA DE 1  •  P OR QUE FA Z ER UM A INFO GR A F I A

rias. A sinergia resultante da soma de esforços ajuda a sair dos lugares comuns e a


Divisão de responsabilidades Responsabilizar apenas os profissionais de texto pela falta de cultura visual significa ignorar boa parte do problema. Diagramadores, ilustradores, infografistas e fotógrafos, muitas vezes, preferem privilegiar uma imagem sem informação relevante apenas por seu valor estético – esses profissionais também podem contribuir para um bom

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

resultado se valorizarem mais o conteúdo que a estética, assim, terão maior respeito profissional dentro dos editoriais. A edição de arte e a diagramação são comumente chamadas de editoria de arte ou, ainda, departamento de arte, mas não se deve deixar seduzir pela denominação: não é “arte” o que fazem; são áreas responsáveis pela edição visual dos conteúdos. Portanto, cabe a esses profissionais decidir, com os editores de texto, as melhores alternativas gráficas e iconográficas para cada história a ser contada. E orientá-los, pois culpar os profissionais de texto por não pensarem visualmente não contribui para um melhor material. O novo desafio das editorias de arte é assumir uma postura ativa: estar por dentro dos objetivos das obras; desenhar com responsabilidade didática; utilizar imagens claras e bem articuladas com o texto; interferir no conteúdo de modo a colaborar com sua construção. Assumir, enfim, que não são artistas, mas editores.

42


Como o processo de trabalho afeta o resultado

AUTOR

TEXTO VERBAL E NÃO VERBAL SÃO CONCEBIDOS CONJUNTAMENTE

DIAGRAMAÇÃO

EDIÇÃO DE TEXTO

PEDIDOS DE FIGURAS

EDIÇÃO DE TEXTO

EDIÇÃO DE ARTE

PEDIDOS DE FIGURAS EDIÇÃO DE ARTE DIAGRAMAÇÃO

Estrutura “clássica” do livro didático

Soluções artesanais para desafios da narrativa

43

UNIDA DE 1  •  P OR QUE FA Z ER UM A INFO GR A F I A

O TEXTO VERBAL COMANDA A PRODUÇÃO


Planejamento Que tipo de infográfico devemos usar? Qual vai comunicar melhor o que estamos querendo mostrar? Essas perguntas povoam a mente de todos os que participam da criação de um infográfico. (Ou deveriam povoar, pois a escolha correta da forma e do conteúdo definem

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

o sucesso do infográfico em seu objetivo de comunicar visualmente.) Nos livros didáticos, é comum que a equipe de arte e design receba os pedidos de infografia com as demais figuras – há até mesmo casos em que isso ocorre posteriormente. É essencial que editores de arte e de texto planejem com antecedência o material infográfico – seu conteúdo, seu estilo, o espaço que vai ocupar, quem vai produzir etc. A comunicação entre os profissionais de texto e imagem tem de ser intensa e imediata, por isso o planejamento é imprescindível – muito antes de a pauta estar pronta, a equipe de arte deve conhecer características gerais das infografias que serão produzidas.

44


Pense a página como um todo O editor de texto não termina seu trabalho quando ele libera a pauta, da mesma forma que a missão do infografista não está completa no print isolado do infográfico: todos devem considerar o peso e a função que sua informação vai ter no produto final: a páEm uma edição pensada como “linha de produção”, a página é responsabilidade da edição de texto e o diagramador realiza uma tarefa técnica, fazendo apenas o que o original de texto traz como instrução. A produção de páginas infográficas demanda o envolvimento de toda a equipe, que deve conhecer os objetivos do material e participar na elaboração da página. O leitor não lê as informações isoladamente, ele vê a página como um todo; por isso, é necessário que a equipe chegue a um consenso sobre o tipo de informação mais relevante e como ela vai estar graficamente disposta na página. Todos precisam ter postura ativa e disposição para organizar as informações e contar a história da melhor maneira possível.

45

UNIDA DE 1  •  P OR QUE FA Z ER UM A INFO GR A F I A

gina do livro. E todos podem e devem interferir em sua criação.


U N I DA DE 2

QUA NDO FAZER UM A INFOGR A FI A


INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

A narrativa pede que o leitor imagine figuras

Algumas histórias podem ser mais bem contadas de maneira visual que com um texto verbal. Veja o exemplo a seguir. Ocupando uma enorme área de 7 800 000 km2 (o que significa que é pouco menor que o nosso país) e estendendo-se por 60° de longitude e 20° de latitude, os Estados Unidos acham-se colocados em excelente posição geográfica, banhados pelas águas do Pacífico e do Atlântico, a meio caminho entre a Europa e o Extremo Oriente. AZEVEDO, Aroldo de. Geografia regional. 4. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1950.

Os mesmos conteúdos poderiam ser comunicados com o auxílio de recursos visuais, como no exemplo ao lado.

48


60° O

UNIDA DE 2  •  QUA ND O FA Z ER UM A INFO GR A F I A

120° O

Círculo Polar Ártico

ÁSIA

EUROPA Estados Unidos

Trópico de Câncer

ÁFRICA 0°

Equador

OCEANIA

Círculo Polar Antártico

ANTÁRTIDA

Meridiano de Greenwich

Trópico de Capricórnio

Os Estados Unidos apresentam vasto território e grande extensão longitudinal, em uma posição geográfica bastante estratégica com extenso litoral atlântico e pacífico.

49


O texto verbal, no caso apresentado, é um coadjuvante da representação cartográfica, a qual mostra as informações anteriormente organizadas em uma descrição difícil de ser imaginada por quem não tem familiaridade com a posição dos Estados Unidos em um mapa-múndi. Os infográficos reúnem conteúdos visuais com o objetivo de sintetizar informações de maneira visual, ajudando o leitor a entender ou a descobrir um novo assunto.

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

Faça uma pausa e pense um pouco nos materiais cuja produção está sob sua responsabilidade: Eles são mais verbais ou visuais? Comunicam bem as informações? As informações poderiam ser apresentadas de outras formas?

50


2

1

 omo você contaria rapidamente C sua história para um colega ou um editor? Ficaria mais fácil se você tivesse um gráfico, um esquema ou mapa para ajudar a explicar?

UNIDA DE 2  •  QUA ND O FA Z ER UM A INFO GR A F I A

Para saber se sua história precisa de um infográfico, considere estes pontos:

 a sua história há palavras como N pesquisa, aumento/queda, lugar, porcentagem, sequência, pontoschave, personagens e esquema? Elas podem indicar que o texto precisa de um infográfico.

3

 ocê tem de explicar o V funcionamento de um prédio, problemas de saúde ou questões científicas na sua história? Imagens que são impossíveis de fotografar são perfeitas para desenvolver boas infografias.

51


INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

Nas escolas há demanda por abordagens multilinguísticas Os livros didáticos contam atualmente com uma grande proporção de texto visual; no passado, dificuldades técnicas de impressão e de composição de imagens limitavam o uso de recursos visuais. Apesar das mudanças, os editoriais de didáticos ainda estão organizados prioritariamente para o trabalho com o texto verbal desvinculado das imagens, que são escolhidas, muitas vezes, por seu valor estético – são as imagens “decorativas”. Os resultados de diversas pesquisas de medição do que os leitores “veem” quando olham uma página de jornal revelam aspectos essenciais da leitura nos dias de hoje.

52


INSTITUTO POYNTER

O QUE O LEITOR VÊ? UNIDA DE 2  •  QUA ND O FA Z ER UM A INFO GR A F I A

Elementos nos quais o leitor foca o olhar

80% infográficos

75% fotografias

56% títulos

52% anúncios

31% notas

29% legendas Esse estudo do Instituto Poynter mostra que apenas 25% dos leitores “vê” o texto, enquanto 80% “vê” os infográficos. Disso depreendemos que o poder de atração da infografia pode ser usado corretamente para que a comunicação seja mais eficiente.

25% texto

Apenas um em cada quatro leitores foca o olhar no texto tradicional.

53


As figuras na página ao lado reforçam o poder da iconografia. Também resulta de uma pesquisa do tipo eye-tracking, feita com jornais escandinavos a pedido da Society for News Design Scandinavia (SND/S). As linhas indicam por onde passou o olhar do leitor enquanto olhava as matérias; os círculos representam onde seu olhar se fixou; o tamanho dos círculos é proporcional ao tempo que o olhar se fixou na imagem. Em uma edição infográfica, não se trata de eliminar a informação em forma de

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

texto verbal, mas de buscar tratamentos gráficos variados, combinando informação visual: os leitores contam, assim, com mais entradas de leitura e formas alternativas de representação para que a mensagem seja transmitida. É importante que o autor compreenda que o livro didático não se restringe ao seu valioso texto assinado, ele inclui a foto, o infográfico, a diagramação e outras formas não verbais: o autor é a pessoa mais indicada para escolher os melhores recursos para transmitir sua mensagem. A edição infográfica não pretende acabar com todo o texto verbal e transformar tudo em gráficos e fotos; deve-se considerar que, em certas situações da edição, é preciso fazer escolhas e substituir os tradicionais blocos de texto por outras formas de registro da informação.

54


Como o leitor lê Exemplos de caminho do olhar do leitor em pesquisa eye-tracking Texto e imagens separados

Resultado: Texto tradicional é ignorado. Título e infografia monopolizam o olhar

Texto e imagens integrados Esse é o exemplo mais interessante e revelador para o jornalismo visual, quando as imagens e o texto atuam em conjunto. Note como o olhar do leitor “passeia” pela informação indo e voltando, fixando o olhar ora no texto, ora nas imagens.

Resultado: Infografia integrada ao texto aumenta a leitura

HOLSANOVA, Jana; HOLMBERG, Nils; HOLMQVIST, Kenneth. Tracing Integration of Text and Pictures in Newspaper Reading. Lund University Cognitive Science. p. 12. Disponível em: <www.lucs.lu.se/LUCS/125/LUCS125.pdf>. Acesso em: 31 ago. 2018.

55

UNIDA DE 2  •  QUA ND O FA Z ER UM A INFO GR A F I A

Quando texto e imagem estão separados, o olhar do leitor “pula” o texto e vai direto para as imagens.


U N I DA DE 3

ELEMENTOS DA NARRATIVA INFOGRÁFICA


INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

O que mostrar na infografia

Um dos entraves na organização da infografia em didáticos é a seleção de elementos para compor a página infografada. O autor e o editor, ao tentarem mostrar tudo, podem levar o leitor a não entender nada! Como, então, selecionar as informações para o infográfico e de qual maneira elas devem ser apresentadas? Em outros termos: que história vamos contar e como vamos mostrá-la? O jeito mais fácil de responder a essa pergunta e de perder o medo de fazer infográfico é classificá-lo apenas como mais um tipo de texto, ainda que distinto, já que combina, obrigatoriamente, texto verbal e texto não verbal. Ele é, no entanto, similar a outras narrativas, pois conta uma história e responde às perguntas fundamentais (quem/o quê, quando, como, onde, por quê e quanto), assim como mostra do que se fala por meio de recursos de visualização (gráficos, mapas, linhas do tempo, diagramas, ilustrações).

58


a história que se pretende contar. Um exemplo: se o que se pretende é mostrar onde ficam os estados mais afetados pela dengue, deve-se usar um mapa; nos casos em que a intenção é contar como a dengue é transmitida, pode-se usar um passo a passo ou um fluxograma. A infografia permite combinar vários recursos visuais para contar a história de forma interessante e informativa. Assim, podemos ter, por exemplo, um mapa como suporte para gráficos, setas e ícones que mostrem, ao mesmo tempo, aspectos distintos da narrativa – onde, quanto, como e quem.

59

U N I D A D E 3   •   O S E L E M E N T O S D A N A R R AT I VA I N F O G R Á F I C A

Estabelecida essa relação, fica mais fácil entender e de criar infográficos. O primeiro passo, portanto, é identificar o recurso de visualização mais adequado para mostrar


O que contar

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

Quem/o quê

Fichas

Listas

Tabelas

Quando

Linha do tempo

Cronologia

Como

Passo a passo

Fluxograma

Onde

Mapa

Organograma

Por quê

Diagramas

Esquemas

Quanto

60

O que mostrar

Gráficos


Quando o infográfico é indispensável texto ou até mesmo por uma foto. Há, no entanto, assuntos difíceis de serem descritos apenas com texto verbal ou impossíveis de serem fotografados e que merecem ser apresentados ao leitor na forma de infográficos, por exemplo: • O mundo microscópio, o fundo do mar, o universo etc. • A aparência externa e o funcionamento interno de um prédio, um avião ou um animal – pode-se fotografar a fachada de um museu, mas isso não permite vê-lo por dentro nem localizar os andares e as obras que estão dentro dele. • Problemas de saúde, mostrando os órgãos afetados pelas doenças em questão. • Procedimentos científicos e tecnológicos ou que exijam abstração e representação gráfica. • Desastres, fenômenos naturais e suas causas – é impossível, por exemplo, fotografar um terremoto; apenas seus danos podem ser vistos. • Civilizações e edificações antigas e o mundo anterior ao registro escrito. • Obras, monumentos e intervenções urbanas que ainda estão por acontecer. Nessas situações, a infografia é imbatível para transmitir didaticamente aos alunos as informações sobre o assunto em questão.

61

U N I D A D E 3   •   O S E L E M E N T O S D A N A R R AT I VA I N F O G R Á F I C A

Em algumas situações o infográfico pode ser suprimido e substituído por um boxe de


Repertório de recursos visuais da infografia Para chegar à melhor relação entre conteúdo e forma nos infográficos (o que contar e o que mostrar), é importante que infografistas e editores conheçam os modelos mais comuns de infografia. Esse repertório de soluções visuais e editoriais possibilita o planejamento do infográfico e, consequentemente, que sua produção seja mais ágil,

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

assim como facilita a comunicação entre editorial e equipe de arte. A seguir, são apresentados alguns desses recursos visuais. Arte-foto:  infografistas adoram ilustrar e se esquecem de que a foto pode dar um toque a mais de realidade na informação. Boas fotos podem ser usadas como base sobre a qual o infografista interfere, criando destaques ilustrativos ou de texto. Explicar, por exemplo, como ficaria a cidade sem as placas de publicidade pode ser feito com base em uma foto de uma rua com placas; em um editor de imagens pode-se retirar as placas e chegar a bons resultados. Corte esquemático:  apresenta ao leitor como as coisas são por dentro e por fora ao mesmo tempo. Pode ter como base uma foto ou uma ilustração na qual é representada uma visão “raio x” do objeto – com esse recurso, o leitor pode ver, ao mesmo tempo, por exemplo, o prédio que foi roubado e por onde circularam os assaltantes; o corpo humano e os órgãos internos; descobrir do que e como são feitas algumas máquinas, construções etc. Cronologia:  muitos infografistas detestam esse tipo de recurso textual; uma das razões é o fato de os editores de texto aproveitarem para dar uma “aula de histó-

62


ria” sobre o tema abordado, o que acaba criando textos “infinitos”, por vezes maiores que o espaço previsto para toda a infografia – editores de arte e infografistas alguns casos, a cronologia pode ser valorizada pelo infografista, por meio da criação de recursos interessantes como as timelines: linhas do tempo nas quais as datas são dispostas na vertical ou horizontal, evidenciando a distância temporal dos acontecimentos. Em cronologias longas, com muitas datas, costuma ser eficiente dividi-las em fases, com uso de intertítulos, assim como usar imagens relativas aos principais momentos. Dicas:  esse formato destaca do texto as informações práticas, em forma de tópicos curtos e diretos, prestando um serviço ao leitor. Uma página na qual o tema abordado seja o colesterol, por exemplo, pode abrigar um infográfico com dicas de alimentação. Score:  se um número é o principal destaque, pode-se usar um infográfico para dar uma dimensão do valor e contextualizar a informação. O gasto de 10 bilhões de reais em um avião presidencial é mais fácil de ser compreendido quando comparado a outros investimentos do governo ou, ainda, ao número de passagens que poderiam ser pagas com o valor. Fac-símile:  há situações em que reproduzir documentos pode suscitar questões interessantes, relacionadas à grafia das palavras ou ao suporte, por exemplo – é o caso também de exsicatas e diários de cientistas, como os de Darwin, muito frequentes em livros didáticos. A infografia acrescenta à reprodução o destaque necessário para contextualizar e ressaltar os trechos mais importantes.

63

U N I D A D E 3   •   O S E L E M E N T O S D A N A R R AT I VA I N F O G R Á F I C A

propõem frequentemente que as cronologias tenham formatos predefinidos. Em


Ficha de texto:  ao apresentar um “personagem” (seja um esportista, um político, um livro ou um evento), a ficha ou “raio x” é uma alternativa imediata. Pode parecer pouco, mas esse é um recurso essencial de comunicação: uma ficha bem-feita apenas com texto verbal já é muito útil para dar movimento à diagramação e facilitar a leitura; também pode ser ilustrada.

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

Fluxograma/passo a passo:  são indicados para situações em que se deseja elucidar um processo ou procedimento e o texto verbal (em arte-texto, como um boxe “para entender”) se mostra insuficiente ou muito pobre visualmente. Os fluxogramas permitem que os blocos de texto com a descrição de cada passo do processo sejam dispostos de maneira orgânica, de preferência com uso de setas e cores, resultando em uma forma gráfica mais interessante que o texto diagramado de forma convencional. O fluxograma deve criar uma figura única que permita a imediata compreensão de todo o processo, destacando o título e os intertítulos de cada item. Quando se trata de uma descrição mais linear do processo, cada etapa pode ser ilustrada de forma a completar e esclarecer o texto verbal, criando um infográfico do tipo “passo a passo”, no qual cada quadro funciona como um fotograma de um filme, permitindo ao leitor visualizar o processo. Frases:  ainda que os projetos gráficos tenham formatos específicos para frases, em determinadas situações, elas podem ganhar maior relevo se editadas como infografia, aliadas a fotos ou ilustrações. Glossário:  pode ser usado como ferramenta didática para traduzir termos “difíceis”, porém imprescindíveis para entender o texto. Também pode levar ao leitor vocábulos diferentes e interessantes que ajudam a desvendar o universo de grupos sociais que criam gírias e jargões para se comunicar, por exemplo.

64


Lista/ranking:  nos casos em que os “personagens” são muitos ou, ainda, quando o texto tem por objetivo oferecer um serviço, como indicações de visitas a museus e tor direto ao que lhe interessa. Lembre-se de atribuir uma hierarquia à lista usando a ordem cronológica, geográfica ou alfabética. Caso haja um valor numérico no ranking (nº de votos, milhões de dólares), ele pode ser expresso usando gráficos de barras. Organograma:  dispor blocos de informação de maneira não linear, unindo-os com fios e setas, é também uma estratégia para representar as relações de hierarquia e de relacionamento entre os personagens citados no texto, resultando em um organograma. Eles são importantes para o leitor entender a participação de cada personagem, identificar quem estava ligado a quem e avaliar as responsabilidades ou méritos de cada um. Página infográfica:  trata-se do infográfico como elemento dominante na página – na maioria das vezes, é composto de uma grande imagem central como porta de entrada para o leitor, pouco texto verbal e outros pequenos infográficos de apoio, como fichas, mapas, listas, cronologias etc. É muito importante que a imagem central seja informativa e não decorativa. A produção de uma página infográfica merece um planejamento rigoroso, testes de leitura para se certificar de que a grande quantidade de informação está clara, e dedicação exaustiva de infografistas e editores; o resultado compensa. Para entender o contexto:  por vezes o autor percebe que perde mais tempo tentando explicar o contexto em que algo ocorreu que explicando o fenômeno; em lugar de se criar um boxe ou uma seção que fragmenta a narrativa, é possível compor um

65

U N I D A D E 3   •   O S E L E M E N T O S D A N A R R AT I VA I N F O G R Á F I C A

instituições educativas, uma lista pode organizar a leitura em tópicos, levando o lei-


infográfico na forma de “para entender o contexto” para ajudar o leitor a desvendar ou relembrar do que trata o trecho do livro. Esse tipo de infográfico pode ser feito simplesmente com tópicos numerados em sequência, ou, ainda, evoluir para uma infografia mais sofisticada como um diagrama ilustrado com fotos dos personagens. As cronologias, os glossários, as perguntas e respostas e os testes também podem ser usados como variação dessa categoria para interagir com o leitor de forma di-

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

ferente. Os boxes do tipo “para entender” são o paraíso do “cascatográfico”: são assuntos importantes que a edição quer destacar e o infográfico acaba cumprindo a função de criar uma imagem para ilustrar a página – isso, no entanto, não tira o mérito da categoria; deixá-lo como texto em bloco, perdido no meio de outros assuntos, desviaria o interesse do leitor. Perguntas e respostas:  pode mudar a narrativa convencional, permitindo ao leitor navegar pelo texto por meio de questões que se aproximam das dúvidas dos alunos. Pode ser usado como variação dos tipos “para entender o caso” e “dicas”. Próximos passos:  se um assunto está se desenrolando no momento, como as rodadas de negociação da OMC ou os acordos sobre clima nas conferências da ONU, uma possibilidade é apresentar aos alunos quais devem ser os próximos acontecimentos, analisando os contextos relacionados a cada cenário. Sobe-desce:  similar a uma lista, conta com um acréscimo, um valor – ganhou, perdeu, na mesma – para cada “personagem” descrito. É uma estratégia para destacar as consequências que um fato causa na trajetória desses personagens. Setinhas para cima ou para baixo, cores vermelho ou verde e outras formas de sinalização visual podem ser utilizadas para enfatizar a informação.

66


Tabela/quadro:  podem ser compostos apenas com texto (quadro) ou com texto e números (tabela). O resultado visual é, em geral, pobre, por isso é melhor evitá-los vel. Ao organizar o texto em linhas e colunas, as tabelas facilitam a compreensão de um grande número de dados com pouca perda de informação – o leitor pode checar cada célula de dados e compará-la imediatamente com outra qualquer. Como formam blocos visuais em formato retangular, muito pouco pode ser feito para torná-las mais fluidas. Três soluções são indicadas: a ) Destacar visualmente (bold/cor) os dados mais importantes. Usar pequenos textos fora da tabela para contextualizar os números e fios para ligar esses textos aos dados em destaque. b ) Combinar a tabela com gráficos de barras ou linhas, destacando uma ou mais colunas para evidenciar as diferenças de valor nos números. c ) Transformar em pictogramas os dados que se repetem nas colunas. Por exemplo: uma coluna apenas com as palavras “sim” e “não” pode contar com círculos verdes e vermelhos para substituir o texto e uma legenda pode indicar o significado dos símbolos. Isso torna a leitura mais visual e imediata. Teste/jogo:  os testes podem ser usados como alternativa didática para apresentar um assunto, pois interagem com os conhecimentos prévios do leitor. Outra possibilidade para fugir do texto convencional é imitar a forma visual de jogos, usando essa linguagem lúdica para chamar atenção e transmitir as informações.

67

U N I D A D E 3   •   O S E L E M E N T O S D A N A R R AT I VA I N F O G R Á F I C A

como destaque de uma página; se podem ser bonitos, sua eficiência é incontestá-


Storyboard:  essa ferramenta da infografia possibilita contar de forma subjetiva o que aconteceu usando a linguagem dos quadrinhos. Sua grande vantagem reside em ilustrar fatos que não foram fotografados, mas que os leitores têm curiosidade de ver. A principal desvantagem é justamente a forma subjetiva como as imagens costumas ser desenhadas – é difícil ilustrar uma situação desprovido de preconceitos e isso pode criar falsas informações visuais. Não é raro que ilustradores desenhem

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

os bandidos como negros, os ricos como gordos: isso exige grande atenção, sendo indicado o uso de desenhos mais neutros ou apenas silhuetas.

Os gráficos Relatórios do IBGE, da ONU, da Fundação Seade, do FMI e de diversas outras instituições fornecem uma imensidão de dados estatísticos, que, geralmente, estão organizados em tabelas. No entanto, sua melhor apresentação visual é na forma de gráficos, o que esbarra na dificuldade em traduzir visualmente os números, pois isso pode demandar algum nível de manipulação dos dados. Com a invenção das planilhas eletrônicas e o uso do recurso “copiar-colar”, enviar no briefing todos os números disponíveis para que a equipe de arte resolva o problema ficou tecnologicamente ainda mais fácil que interpretá-los; por isso, é comum ver infográficos com dados suficientes para desanimar qualquer leitor. O ponto central para o qual editores de texto e de arte devem estar atentos é o mesmo apontado para a infografia como um todo: o que se quer mostrar? É fundamental interpretar os números e usar apenas as séries que interessam para o assunto em questão.

68


Desafios da visualização de dados estatísticos a comprovar quase qualquer tese – os estatísticos costumam dizer que “números bem torturados confessam qualquer coisa”. As campanhas partidárias sustentam essa tese: o mesmo relatório pode apontar aumento da criminalidade entre 2002 e 2004 e queda da criminalidade entre 2003 e 2004 – não se trata de manipular os dados, apenas de interpretar os indicadores do jeito mais conveniente ao discurso desejado. Por isso, devemos ter muito cuidado com relatórios “prontos”, em especial os boletins elaborados por assessorias de imprensa das instituições responsáveis pela elaboração e/ou difusão das pesquisas; deve-se evitar esse tipo de material editado e procurar ter acesso ao relatório completo. Também é prudente verificar quem pagou a pesquisa e quem a produziu, assim como a metodologia envolvida. Resolvida a fonte dos dados, deve-se encontrar os meios de representá-los visualmente; a má notícia é que não há regras claras sobre qual gráfico deve ser usado para cada situação: uma mesma série de dados pode ser representada de várias maneiras diferentes. O infografista e o editor podem, ainda, criar novas maneiras de representação além das conhecidas. O desafio seguinte é ir além da representação correta dos dados, pois o leitor precisa ler e entender o que está representado, aquilo que o gráfico pretende mostrar – essa é uma das razões para o uso frequente dos tipos mais comuns de gráfico: linha, barra e setorial (pizza). Novidades e inovações são bem-vindas em seções especiais, em que há disponibilidade para testar novas fórmulas e ajudar os alunos a lerem as representações criadas – depois de utilizadas algumas vezes essas novas soluções em uma coleção, elas podem ser incorporadas às páginas comuns do livro.

69

U N I D A D E 3   •   O S E L E M E N T O S D A N A R R AT I VA I N F O G R Á F I C A

A dificuldade com números começa no fato de ser possível combiná-los de forma


Tipos de gráfico e indicação de uso Gráfico de linha:  palavras como “evolução”, “alta”, “baixa”, “queda”, “aceleração”, “desaceleração”, “despenca” e “dispara” indicam a existência de variáveis ao longo de um período de tempo; o gráfico de linha é a melhor maneira de representar essas variações de tendência. Por convenção, os dados relativos ao tempo ficam sinalizados no eixo horizontal e a variação do índice é indicada na escala vertical – é possível usar visual“ fique clara para o leitor. SALDO DE APROVAÇÃO DE OBAMA

INTENÇÃO DE VOTO PARA PRESIDENTE CANDIDATO A

58

CANDIDATO B

CANDIDATO C

CANDIDATO D

60 50

58

40 30

O gráfico de linha pode ser feito com uma ou mais linhas variando em um mesmo período – quando é usada mais de uma linha, é preciso estar seguro de que a legenda está bem clara. Além disso, pelo menos o número final da linha do gráfico deve ser informado, para facilitar a compreensão da escala.

70

11/2011

07/2011

09/2011

05/2011

01/2011

03/2011

11/2010

07/2010

Agosto

Derrota na eleição do Congresso

-20

09/2010

Maio

4

05/2010

5

03/2010

Fevereiro 2018

13

11/2009

93

-10 01/2010

Novembro 2017

12

Saída do Iraque

Crise econômica

07/2009

11 9 3

0

16 11

Morte de Bin Laden

10

09/2009

22

20

05/2009

38

01/2009

30

03/2009

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

variável do tempo no eixo vertical desde que se tome cuidado para que a “inovação

Índice de aprovação

Pontos marcantes da evolução como picos ou quedas bruscas também podem ser destacados com pequenas legendas. Isso facilita a compreensão das variações: uma evolução do valor do dólar, por exemplo, pode indicar crises econômicas, cortes de juros ou mudanças de governo.


Gráfico de barras:  termos como “líder”, “o maior”, “o menor”, “quem mais ganhou” e “quem mais cresceu” indicam comparação de valores; os gráficos de barras são uma e sua escala deve começar no zero. Barras horizontais podem ser usadas para valorizar colunas de tabelas, e destacar a informação numérica mais importante. PARTICIPAÇÃO NO PIB BRASILEIRO POR REGIÃO (2012) Sul Centro-Oeste Nordeste Norte Sudeste 0

5

10

15

Participação em %

Evite “cortar” a escala para valorizar visualmente as diferenças pois esse tipo de destaque visual pode ser interpretado como distorção ou manipulação dos dados.

Gráfico setorial (pizza):  as palavras “divisão”, “distribuição”, “participação”, “maioria”, “minoria”, “fatia” e “controle” são algumas pistas para o uso de um gráfico de pizza, que apresenta uma ótima solução visual para representar a divisão de um todo (100%). Esse tipo de gráfico apresenta pelo menos duas deficiências na visualização: as “fatias” com valores próximos não deixam a diferença visível; e quando há um excesso de “pedaços” na pizza ela pode se tornar confusa. É adequado mostrar até 5 divisões; para isso, pode ser necessário juntar as menores “fatias” em uma única categoria denominada “outros” e, se possível, anexar uma tabela mostrando as porcentagens exatas. Raramente as pizzas são úteis para mostrar evoluções; para isso, é mais adequado utilizar gráficos de linha ou barras.

71

U N I D A D E 3   •   O S E L E M E N T O S D A N A R R AT I VA I N F O G R Á F I C A

ótima solução para esses casos. O gráfico pode ser vertical, horizontal e até inclinado;


Alguns erros em gráficos que devemos evitar 1 Título não combina com o gráfico

Índice K2N em alta

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

Se o título fala em alta é de se esperar que a linha do gráfico esteja em ascensão ao longo do tempo.

Índice K2N 25 20 15 10 5 0

J

F

M

A

M

J

S

O

N

D

2 Barras cortadas ou quebradas

Empresa “E” lidera vendas

Ninguém altera o valor de um número por ele ser muito grande; cortar a barra significa alterar a informação.

EMPRESA “E” LIDERA VENDAS

EMPRESA “E” LIDERA VENDAS

32 32 10

Diferença real

8

8 C

72

D

E

C

10

D

E


Fontes suspeitas ou não confiáveis

Empresa “E” lidera vendas

Cuidado com gráficos e dados publicados por instituições envolvidas no assunto da publicação; pode haver má-fé na divulgação dos dados.

10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0

8 6

5

Empresa A

Empresa B

Empresa E

Coincidência?

*Fonte: Clientes da Empresa E

4 Margem de erro ignorada

Candidato “X” lidera (%)

Pesquisas de opinião contêm sempre uma margem de erro. Fique atento: isso pode invalidar tendências de alta ou queda.

Candidato A

Candidato B

Candidato C

Candidato D

25

23 21

20 15

13

10 5 0

3 J

F

M

A

M

Empate!

*Margem de erro de 10 pontos percentuais

73

U N I D A D E 3   •   O S E L E M E N T O S D A N A R R AT I VA I N F O G R Á F I C A

3


5 Pizza com excesso de divisões

Quem controla a empresa

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

Muitas “fatias” deixam o gráfico confuso e impossibilitam informar as diferenças.

2% 2% 2% 2% 2%

2%

2% 2%

Agrupe as fatias pequenas e crie uma fatia “outros” para facilitar a visualização

25%

3% 3%

15%

3% 4% 13%

4% 5%

5%

6 Pizza não completa 100%

Quem controla a empresa

Esse tipo de gráfico representa um todo; não pode, portanto, ser usado se as “fatias” não somam 100%.

5%

2% 25%

13%

15%

74

Faltam 40% para completar o total (100%)


Legendas confusas Nome do gráfico

As cores possibilitam ao leitor diferenciar os itens do gráfico; cores similares causam confusão.

Ibovespa

Índice K2N 25 20

A legenda é a chave para o leitor compreender o gráfico, por isso ela deve estar em local bem visível.

Confuso, não?

15 10 5 0

J

F

M

A

M

J

S

O

N

D

8 Números não são comparáveis

Empresa “E” lidera vendas

Gráficos comparam a mesma unidade de valor; não se pode comparar dados em porcentagem e moeda ou unidades de medida, como quilômetros.

10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0

8 5

Exportação (US$)

6

Importação (US$)

US$ e % não são comparáveis entre si

Variação (%)

75

U N I D A D E 3   •   O S E L E M E N T O S D A N A R R AT I VA I N F O G R Á F I C A

7


9 ”Dramatização” da curva

Índice K2N despenca

Evite formatos muito verticais ou muito horizontais para fazer as curvas serem mais acentuadas.

Índice K2N estável

25

Os mesmos dados causam resultado visual diferente

20

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

15

10 20

5

10 0

0 Jan

Dez

Dez

Jan

10 Índice K2N estável

Gráficos em perspectiva ou inclinados Gráficos funcionam por seu alinhamento e contraste de tamanho; uma mudança nisso implica distorcer a informação.

Está caindo ou subindo?

25 20 15 10 5 0

76

J

F

M

A

M

J

S

O

N

D


Intervalos cronológicos irregulares

Índice K2N desde 1980

A ausência de escala na distância entre os períodos de tempo indica erroneamente a velocidade da tendência.

25 20 15 10

Intervalo de 10 anos

5 0

Intervalo anual 1980 1990 2000 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009

12 Proporção incorreta

Compare os tratores

Quando se dobra o tamanho de uma área e/ ou um pictograma, o valor numérico deverá ser quádruplo.

200

100

País A

Parece maior do que o dobro, e é mesmo

País B

77

U N I D A D E 3   •   O S E L E M E N T O S D A N A R R AT I VA I N F O G R Á F I C A

11


Exemplos de uso de gráficos 1 Mostrar que a empresa “X” tem mais dinheiro que a empresa “Y”.

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

Interessa a evolução? Não. Neste caso, use apenas os últimos valores atualizados: gráfico de barras.

94

46

Empresa X

Empresa Y

2 Mostrar que a empresa “X” ultrapassou o faturamento da empresa “Y”.

94

Empresa X

Esse é um exemplo de evolução adequado a um gráfico de linhas. Como foi a evolução no período? Em que data houve alguma mudança relevante na arrecadação? Essas questões ajudam a construí-lo.

46

Empresa Y

78


3

46

94

Qual a “fatia” de cada uma? Quais são as outras empresas? Se há dados para completar o total, pode-se usar gráfico setorial.

23%

Empresa X

Empresa Y

47%

Não se deve levar o leitor a perder tempo lendo vários gráficos para chegar exatamente ao que se quer mostrar; se houver a necessidade de publicar vários gráficos, um deles deve ser maior que os demais, para funcionar como porta de entrada para a leitura. É muito importante contextualizar os valores usados nos gráficos. Quanto maior o número, mais abstrata é a sua compreensão: falar em 800 trilhões de dólares, 200 anos-luz ou 500 hectares pouco comunica, pois estão ausentes do cotidiano das pessoas. Aproveite-se desse “desconhecimento” para apresentar aos alunos comparativos visuais que o levem a pensar e a entender a grandeza que está sendo expressa. Quantos PIBs do Brasil equivalem a 800 trilhões de dólares? Quanto tempo leva para viajar de carro uma distância correspondente a 200 anos-luz? Quantos campos de futebol correspondem a 500 hectares? Entender a dimensão do valor facilita a compreensão do assunto abordado.

79

U N I D A D E 3   •   O S E L E M E N T O S D A N A R R AT I VA I N F O G R Á F I C A

Empresas “X” e “Y” detêm 70% do mercado.


Os mapas Mapas são elementos de forte impacto visual e de grande importância para a leitura de informações geográficas. Sua função básica é responder “onde”. Um bom mapa, no entanto, pode ter várias camadas de leitura e ser acompanhado de outros tipos

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

de infografia para responder “quem”, “quando” e “por quê”. Mapas de localização:  situam geograficamente um fenômeno ou um local. Devem ser usados sempre que o local for desconhecido do público escolar; catástrofes, acidentes, guerras ou locais turísticos também podem ser representados em mapa para agilizar a leitura. Por convenção, os mapas são orientados com o norte em sua parte superior; ainda assim, por razões pedagógicas, é necessário um sinal gráfico apontando a direção norte; deve-se, ainda, indicar a escala gráfica, em quilômetros ou metros. A localização de referências conhecidas pode ajudar o leitor no reconhecimento da área mapeada: um mapa de conflito estudantil em Paris, por exemplo, pode ter a torre Eiffel localizada com referencial. Além disso, dados geográficos citados na infografia ou que sejam relevantes (cidades, rios, montanhas, relevo) devem ser representados. Mapas de movimentação:  ao cruzar informação sobre deslocamento ou fluxo geográfico, esses mapas acrescentam uma camada de leitura – é bem-vindo o uso de setas para representar os valores proporcionais e de pictogramas para indicar o tipo de movimentação.

80


Mapas estilizados:  as convenções cartográficas podem ser dispensadas quando detalhes geográficos não são relevantes; o mapa é, assim, um suporte para organizar a

Mapas de dados ou estatísticos:  quando o propósito é evidenciar diferenças regionais ou que estão relacionadas à sua posição geográfica, um mapa com as regiões divididas em escala de cor ou com os números localizados geograficamente traduz os dados de forma visual e permite que o leitor veja rapidamente a distribuição dos valores e possa comparar as diferenças regionais. Mapas não geográficos:  localizar a fratura de um osso no corpo de jogador de futebol, por exemplo, pode contar com a silhueta do corpo humano ou apenas do esqueleto.

O texto da infografia Há diferenças de redação do texto convencional do livro didático e aquele usado na infografia: embora se trate do mesmo gênero textual, o informativo, o texto verbal da infografia deve ser telegráfico – curto, direto e objetivo; valer-se de “dois pontos” e “hifens”; ele deve ser pensado para interagir com as imagens.

81

U N I D A D E 3   •   O S E L E M E N T O S D A N A R R AT I VA I N F O G R Á F I C A

informação, oferecendo ao leitor uma visão geral de onde ela está distribuída.


Exemplo de texto convencional organizado em um parágrafo O artista plástico Fulano de Tal, que completa 54 anos no próximo mês, nasceu na pequena cidade de Miracema do Norte, no estado de Minas Gerais. Mudou-se para São Paulo em 1980 para estudar arquitetura na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, onde se graduou como um dos melho-

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

res alunos em 1985. Foi no ano de sua formatura que concluiu a obra O Martelo, premiada pelo Secretaria de Cultura… (e por aí vai…)

Exemplo de texto para infografia

Nome: Fulano de Tal Idade: 54 anos (18 ago. 1962) Nascimento: Miracema do Norte (MG) Formação: FAU-USP

P rincipais obras: O Martelo* (1985), O Prego (1987) e o A Tábua Furada (1988) *Premiada pela Secretaria de Cultura

Com uso de uma simples ficha pode-se destacar informações do parágrafo que apresentam dados do personagem abordado, aliviando o texto e criando uma nova entrada de leitura para a página, o que agiliza e confere mais ritmo à diagramação.

82


Dicas de texto para infografia

É melhor ir direto ao assunto que fazer o leitor quebrar a cabeça. Bons títulos podem brincar com palavras, mas sem perder a clareza.

TEXTOS

Os textos devem ser curtos e objetivos.

Vários blocos de texto devem, preferencialmente, ter o mesmo tamanho; isso contribui bastante com o trabalho da edição de arte.

Escolha qual forma ou imagem o leitor verá primeiro e tenha certeza de que o título é coerente. Se a sua arte vai mostrar um trem, você ajuda os leitores se as palavras “trem” ou “ferrovia” estiverem no título. Ao apresentar um grande número de informações, use um título que ajude o leitor a entender do que se trata. Assim, ele não tem de checar um monte de números para saber o que eles querem mostrar.

Agrupe as informações similares sob um mesmo subtítulo: isso ajuda o leitor a ir direto no que lhe interessa.

Evite palavras longas, como “respectivamente” ou “principalmente”; em blocos de texto com pouca extensão, elas podem ocupar a linha toda.

83

U N I D A D E 3   •   O S E L E M E N T O S D A N A R R AT I VA I N F O G R Á F I C A

TÍTULOS

Use palavras que ajudem a focar a parte gráfica.


Quando o infográfico é só texto É provável que infografistas que já atuam profissionalmente questionem a inclusão de um espaço para infográficos que são pensados e produzidos com “puro” texto verbal. Por que perder tempo com eles? Desprezados pelos infografistas e, por vezes, sem formato definido na diagramação, esses infográficos podem ser muito

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

úteis para destacar informações na edição, assim como para dar maior movimento na diagramação, pois os formatos e as cores das páginas infografadas são diferentes das demais páginas do livro. Há outro aspecto muitas vezes desconsiderado por alguns infografistas mais puristas, os quais acreditam que esse tipo de infográfico deve ser tratado como texto convencional: editores de texto raramente pensam visualmente e, em geral, se comunicam melhor com as “letrinhas” – em alguns casos, sabem exatamente quais são as informações que pretendem destacar, só não sabem como; escondem, assim, possíveis mapas, gráficos, fluxogramas etc. em seus textos. Existem, ainda, editores de texto que não conseguem explicar o assunto principal da página a ser infografada ou qual informação pode (ou deve) receber um tratamento visual mais sofisticado para valorizar a seção; há casos em que um experiente infografista pode não conseguir extrair o potencial da pauta mesmo após horas de conversa; só se consegue compreender o que se pretende lendo o texto. Assim, cabe ao infografista ler com atenção o conteúdo, procurando encontrar soluções visuais adequadas e criativas que possam transformá-las em um verdadeiro infográfico. Ao conseguir uma solução visualmente interessante, é provável que o editorial concorde em refazer todo o texto e até buscar novos dados, pois pode ficar agradecido pela pauta ter sido salva.

84


U N I D A D E 3   •   O S E L E M E N T O S D A N A R R AT I VA I N F O G R Á F I C A

Da ideia à publicação

A criação do infográfico pode ser feita individualmente ou em grupo; sua execução, no entanto, quase sempre envolve vários profissionais como editor de texto e de arte, infografista, diagramador, iconógrafo e ilustrador cartográfico. Como o sucesso do infográfico depende da integração do texto com a imagem, o ideal é que membros do editorial e da equipe de arte participem de sua criação e seu planejamento desde o início. Essa integração agiliza o processo e possibilita que cada profissional identifique possíveis problemas futuros e colabore com os seus conhecimentos específicos para um resultado mais eficiente. Editores de texto podem e devem dar ideias ou fazer críticas às imagens, assim como os profissionais da infografia podem e devem dar ideias ou fazer críticas aos textos – dessa troca sairão os melhores infográficos; muitas vezes, com ideias de imagem criada pelo editor de texto e texto verbal concebido pelo infografista.

85


INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

Briefing

Planejamento

Pesquisa

A ideia gráfica

A primeira coisa a fazer é estabelecer um objetivo didático: definir o que o infográfico vai contar e o que se quer que os alunos aprendam. Uma boa solução é começar pelo título; não precisa ser o título que vai ser publicado, mas aquele que deixa claro o que se quer mostrar. “Como ocorre um terremoto”, por exemplo, gera um resultado bem diferente de “Regiões sujeitas à terremoto” – isso ajuda compor uma narrativa com foco no assunto a ser abordado.

O planejamento detalhado possibilita que todos visualizem o projeto, antecipem erros, e que a página seja pensada como um todo. Estabelecendo etapas e criando um cronograma, o trabalho em equipe fica mais fácil – um ilustrador, por exemplo, poderá fazer seu trabalho mesmo antes de os textos verbais estarem prontos.

Pesquisar dados e obter informações não é tarefa exclusiva do editor de texto. O editor de arte e o infografista devem compartilhar essa tarefa, pesquisando conteúdo e soluções gráficas inovadoras. Em alguns casos, o infografista pode e deve ser capaz de conseguir toda a informação necessária para compor a infografia.

Ao interpretar e organizar as informações para contar uma história, ao utilizar um mapa, uma linha do tempo, um gráfico ou um diagrama, se está criando um infográfico. Para ser finalizado e publicado, pode levar horas, dias ou meses, mas o rascunho bem realizado, aquele que cria uma imagem informativa e textos conectados a essa imagem, já é um infográfico.

Consiga a maior quantidade de informações possível. Talvez você não use tudo, mas deve tê-las à disposição. Não se esqueça de anotar as fontes e tenha certeza de que são confiáveis. Cuidado especial com a internet por duas razões: qualidade da informação e possíveis direitos autorais.

Acredite: grandes corporações decidem o destino da companhia fazendo infográficos em rascunhos formados de rabiscos de setas e bolas, usando apenas caneta preta. Ou seja, ter uma boa ideia é mais importante que contratar um superilustrador para salvar uma ideia ruim.

O briefing deve indicar também o espaço a ser ocupado pela infografia (página simples, dupla) e o tempo previsto para seu uso em sala de aula (uma aula, duas, em casa etc.).

86

Qual é, então, a melhor maneira de pôr uma ideia no papel? Pondo a ideia no papel! Evite o computador nesse momento. Anote e


Faça rascunhos de todas as suas ideias rabiscando, desenhando e inserindo títulos e subtítulos. Discuta suas ideias. Duas indagações podem ser interessantes: A ideia faz o conteúdo da história mais relevante ou atraente? Há informação suficiente para sustentar essa ideia? Privilegie a informação visual e evite imagens apenas decorativas. Pergunte-se: a imagem escolhida acrescenta, reforça e/ou facilita a visualização do assunto principal? A ideia faz o conteúdo da história mais relevante ou atraente? A sequência de leitura desejada está clara e fácil de ser seguida ou é difícil saber por onde começar a ler o infográfico? Uma dica para quem é do mundo dos textos: quando estiver pensando na figura da imagem, lembre-se de que as figuras de linguagem (metáforas, hipérboles, pleonasmo etc.) podem gerar imagens didáticas. Exemplo: O naufrágio da economia.

O conteúdo Simplifique e mantenha o foco. Elimine dados em excesso que possam criar ruído na comunicação. Volte ao briefing original e faça perguntas que podem ajudar a elaborar o eixo da narrativa: Qual o objetivo dessa infografia? Está claro o que o leitor precisa saber? Se alguma coisa não está visualmente clara ou se a ordem de leitura está difícil, o editor de texto deve dizer ao infografista. Da mesma maneira, se o texto não estiver claro ou estiver longo demais, o infografista deve indicar cortes.

O infográfico na página Pensar no conteúdo visual da página como um todo é a prioridade. Um infográfico bem desenhado não faz uma página melhor; no entanto, o inverso é verdadeiro: uma página mal resolvida pode estragar um bom infográfico. Infografia acompanhada de fotos requer um desenho de página que estabeleça uma hierarquia visual. Foto, texto verbal e infografia não devem competir, devem se completar para contar a história.

Edição e revisão Gaste tempo com os títulos e subtítulos; eles devem conduzir a leitura de forma clara e objetiva. Corrigir texto em um infográfico é mais demorado e pode alterar a ideia gráfica, por isso pode ser conveniente liberar sua prova de forma isolada e incorporá-lo às provas do livro após uma revisão. Informação visual (ilustrações, proporções) deve ser checada com o mesmo rigor que o texto verbal. À medida que o plano do infográfico se completa, identifique trechos do texto verbal que podem ser suprimidos por já estarem visualmente claros. Se o infográfico tem um mapa, por exemplo, o texto não precisa repetir todas as informações geográficas.

87

U N I D A D E 3   •   O S E L E M E N T O S D A N A R R AT I VA I N F O G R Á F I C A

rascunhe cada ideia em folhas de papel – elas podem ajudar a construir a narrativa visual.


Como produzir bons infográficos A informação principal deve estar disponível em único olhar

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

Coloque-se na posição do leitor Imagine como o leitor pensaria: “Qual é a novidade?”, “Do que esse infográfico está falando?”, “Por que eu devo ler isso?”, “Por onde eu vou começar a ler esse gráfico?

Torne visível a informação principal Seja um mapa, um gráfico, um esquema ou uma combinação de todos esses elementos, alguma forma deve sobressair e ser dominante.

88

Crie dimensões múltiplas Um bom infográfico cruza informações para obter uma nova leitura. Assim, gráficos devem contextualizar os acontecimentos e criar camadas de leitura.

Organize/agrupe Use intertítulos e, se necessário, divida o assunto na página. Textos soltos, sem intertítulos e sem ordem não permitem uma visão geral do infográfico. Estabeleça o contexto É fundamental a leitura do todo e dos detalhes mais significativos. Se o acidente aconteceu por causa do declive da pista, ele deve aparecer na ilustração.

Crie portas alternativas de entrada de leitura Sempre que possível, procure detalhes e/ ou comparações que podem esclarecer o conteúdo e servir como porta de entrada para o infográfico: O trem de pouso do avião não funcionou? Como deveria funcionar?


Mostre causa e efeito É mais fácil entender um esquema sabendo qual a causa e a consequência. Conte as histórias por inteiro, mesmo que apenas parte dela esteja representada. Converse e teste Nem sempre a leitura que você faz é a mesma dos outros leitores. Montada a estrutura do infográfico, pergunte a outras pessoas se elas entendem, se está claro.

U N I D A D E 3   •   O S E L E M E N T O S D A N A R R AT I VA I N F O G R Á F I C A

Integre a página Os elementos de texto, infografia, fotos e ilustrações devem ser diagramados de maneira a criar uma figura única.

Adicione redundância Redundância causa ruído em texto verbal, mas em uma infografia facilita a compreensão visual. Em um infográfico sobre um acidente de avião, espera-se ver um avião, não uma bolinha vermelha.

Compare e contraste Muitas medidas, como hectares, Fahrenheit, Richter etc., são difíceis de entender, pois não fazem parte de nosso cotidiano. Transporte essas escalas para coisas que o leitor reconheça.

Simplifique Use apenas as informações que realmente interessam: a imagem mais forte, os números mais relevantes, textos curtos e didáticos. Representações simples e diretas são mais fáceis de interpretar. Nós nos distraímos facilmente em formas estranhas de representação. Prefira formas simples, como fios e setas, e use as cores de forma a conduzir o leitor pelo infográfico.

Elaborado com base em RAJAMANICKAM, Venkatesh. Infographics Seminar Handout. Ahmedabad/ Bombaim: National Institute of Design/Industrial Design Centre, out. 2005. p. 10-11. Disponível em: <www.schrockguide.net/uploads/3/9/2/2/392267/infographic_handout.pdf>. Acesso em: 31 ago. 2018.

89


Faça seu infográfico brilhar Já se sabe exatamente o que se quer mostrar, foi escolhida a opção correta dentro do repertório apresentado anteriormente (ou melhor ainda: foi criada uma nova solução), mas visualmente o infográfico está muito sem graça, sem apelo visual. O que fazer? O aspecto visual não deve ser razão de muita preocupação, pois o leitor certaINFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

mente vai se beneficiar de uma informação clara e bem contextualizada. Na boa infografia é mais importante que os textos e imagens estejam dispostos de forma organizada, coesa e agradável de ler. Cair na tentação de usar recursos meramente ilustrativos para tentar chamar atenção do leitor (ou do editor…) pode acabar criando um “ruído visual” que, por sua vez, pode distrair ou afastar o leitor das informações que realmente interessam. Isso não significa, no entanto, que bons infográficos devem ser frios e sem graça. Investir na qualidade visual com capricho e dedicação é muito importante e agrega valor ao texto informativo. Uma possibilidade é criar uma hierarquia visual dando mais espaço à informação principal e deixando o resto em segundo plano; se o principal for um mapa, por exemplo, deixe-o maior que os demais elementos, como gráficos e tabelas. A seguir são indicadas algumas opções que podem valorizar um infográfico e fazer dele uma imagem original. 1. Grafismo minimalista:  explore a beleza visual de figuras simples usando o contraste de cores e formas. Mantenha a ênfase na informação com o uso de pictogramas e formas simplificadas de gráficos, mapas e outros diagramas.

90


2. Use imagens em formas de 3 dimensões:  foto e blocos de texto são retangulares; a maioria dos infográficos também. Diferencie a ilustração infográfica com

3. Fatie a figura e mostre seu interior:  corte esquemático, estruturas transparentes e vistas “explodidas” unem, em uma única imagem, a aparência externa e interna, dando origem a uma figura inusitada que instiga a curiosidade. 4. Use metáforas visuais:  combine o título com uma imagem metafórica. Use essa imagem como âncora visual do infográfico ou mesmo da página. Cuidado para não deixar a brincadeira comprometer a informação. 5. Coloque os passos em um única cena:  em vez de mostrar cada fato separadamente, junte todos em uma única ilustração, como se tudo estivesse acontecendo ao mesmo tempo. Escolha um ângulo que permita uma leitura da esquerda para direita. 6. Explore as comparações de contexto:  às vezes a graça da informação só é revelada se houver uma comparação adequada. Mostre isso usando imagens proporcionais. Nos casos em que é possível representar os objetos em tamanho real, isso pode ser uma opção. 7. Ponha um ilustrador para trabalhar:  escolha um artista com traço adequado ao público e à mensagem e deixe que ele acrescente sua visão. Para dar tudo certo, defina os textos e diagrame toda a infografia. Depois disso, chame o ilustrador.

91

U N I D A D E 3   •   O S E L E M E N T O S D A N A R R AT I VA I N F O G R Á F I C A

uma vista em três dimensões, dando profundidade à imagem informativa.


8. Tire o infográfico do retângulo:  as páginas têm colunas verticais e alinhamentos horizontais que deixam tudo retangular; quebre essa monotonia com infográficos que “passeiam” pelas colunas, deixando a página mais interessante. 9. Crie movimento com linhas e setas:  além de orientar a leitura, o uso de setas pode criar a sensação de movimento nos elementos do infográfico. Se houver

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

valores agregados, faça a largura das setas proporcional a esses valores. 10. Use fotografias em lugar de ilustração:  use as fotografias como base e, com uso de programas de edição de imagem, torne evidente a situação que pretende retratar. A fotografia tem maior conexão com a realidade, facilitando, portanto, a compreensão do assunto abordado. 1 1. Tenha mais ousadia nos gráficos:  saia do modelo visual convencional de gráfico que se encontra com grande frequência nos livros didáticos. Experimente novas formas de mostrar os números e/ou use imagens que acrescentem informação.

92


VAMOS ELABORAR UMA INFOGRAFIA?


INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

Como fazer um infográfico

1 Comece pelo título Crie um título que descreva o que o infográfico vai mostrar. “O mapa da dengue”, por exemplo, gera um resultado diferente de “Como evitar a dengue”. Faça um título que ajude você e o infografista a saberem qual é o objetivo da infografia.

94

2 Mostre visualmente a informação Infografia é texto + imagem, por isso não pense só no texto verbal. Rabisque sua ideia ou escolha uma das formas indicadas a seguir.


3

4

5

Qual recurso usar

Como melhorar o infográfico

• • Números • • Alta/queda • • Participação • • Comparações

Gráficos

• • Escolha um gráfico principal. Faça os outros menores de forma a criar uma narrativa. •• Explique os números, mostre por que eles são importantes: • • Exemplo: 14 trilhões de dólares corresponde a 7 vezes o PIB do Brasil.

• • Onde fica • • Trajeto/como foi • • Dados geográficos • • Cartogramas

Mapas

• • Esquema • • Organograma • • Passo a passo • • Como funciona

Diagramas

• • Raio X/dicas/lista • • Entenda o caso • • Como era/ficou • • Cronograma/tabelas

Artes-texto

Evolução

ração

Distribuição

Compa

• • Marque referências que ajudem o leitor a se localizar (monumentos, rios). • • Use o mapa como base para distribuir as informações em pauta. • • Trace rotas para orientar a leitura.

Onde Dados

Esquem

a

Fluxo

Ilustrações

Fotos tas

Vinhe

• • Faça um rascunho antes de começar a escrever. Os textos vão acompanhar o diagrama, não o contrário. • • Veja se o diagrama pode ser disposto em mapa ou incluir valores ($, %, tempo). • • Use intertítulos para separar os blocos. • • Use fotos ou ilustrações para ajudar a sinalizar os pontos principais. • • Considere a possibilidade de organizar como um diagrama – essa é uma solução visual muito melhor.

95

VA M O S E L A B O R A R U M A I N F O G R A F I A?

O que você quer mostrar


INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

Como pensar visualmente?

1 Experimente pensar no leitor como um amigo Conte suas histórias mostrando imagens que prendam a atenção e facilitem a compreensão. A infografia, o vídeo e a fotografia são ferramentas eficientes que todo editor deve saber usar.

96


Observe como os editores costumam contar sobre… 2  Para o leitor: só texto

 Para os amigos: texto + imagem … um lugar

Editor

Com isso, o salário-base dos bombeiros passará de R$ 1.151 para R$ 1.215, segundo dados oficiais do governo – os bombeiros dizem que o salário-base da categoria é de R$ 950. O aumento ainda é muito aquém dos R$ 2.000 de piso reivindicados pelos bombeiros antes da prisão de 439 invasores do quartel no sábado. Desde então, os bombeiros transformaram a libertação dos seus colegas na principal reivindicação, e parte de seus líderes diz que só negociará a questão salarial após a soltura.

… um valor

 1

Google Maps/Reprodução

Festa!!!!

1

Jornalista Editor Respondeu Respondeu

Salário de 950??? Isso sim é covardia!! Eles precisam de um salário decente A favor

97

VA M O S E L A B O R A R U M A I N F O G R A F I A?

O Sonique (centro de São Paulo) recebe a festa temática Dark Room nesta terça-feira (24), véspera de feriado na cidade. Inspirado em boates londrinas que promovem festas semelhantes, o evento vai ter esse clima ora com ambiente com meia luz, ora luz negra e, em vários momentos, escuridão total – propício para a paquera. As pessoas que forem vestidas com peças pretas ganham uma dose do drinque Black Power. O set-list dos DJs Ulisses Campbell, Biondo e Fábio Abrahão passa pelo pop e house.


INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

Como escrever para infografia?

1

Lembre-se: em geral, duas linhas no Word equivalem a oito linhas no infográfico.

98

Título e linha fina devem descrever o que o leitor vai visualizar

Faça o texto em função da imagem que pretende representar

• • O texto em tópico deve ser curto e objetivo. • • Se precisar de muito texto, talvez seja melhor desenvolver o assunto com essa abordagem no miolo do livro e escolher outro enfoque para o infográfico.

• • Evite palavras longas; no infográfico elas podem ocupar uma linha inteira. • • Use exemplos e comparativos para dar contexto. Subtítulos e intertítulos • • Use esses recursos para separar, destacar ou organizar as informações.


Alguns exemplos de texto para infografia 2

Arte-texto

Para driblar o calor Roupas Use roupas leves. O ideal é usar uma camiseta de algodão. Alimentação Prefira alimentação mais leve à noite. Tomar ao menos 1,5 litro de água por dia.

Agrupe os itens com intertítulos

Mapa

LOCAL DO ACIDENTE Avião caiu às 18h SÃO PAULO RIO DE JANEIRO MINAS GERAIS Campinas Belo Horizonte Itajubá (Avião Cessna 206 saiu de Campinas às 17h30 e caiu em Itajubá)

Indique o quer mostrar

4

Diagrama

COMO FUNCIONA A incineração do lixo como fonte de energia 1. Coleta – Caminhões recolhem o lixo nas ruas e levam para usinas. 2. Queima – Na usina, os resíduos são submetidos a altas temperaturas (PDF anexo).

5

Gráfico

FRUTAS EM ALTA R$ por kg 2009 2010 2011 Banana 2,20 3,15 5,50 Destaque 2011: Maior alta da desde nov. 2002

3. E nergia – A energia é transformada em vapor e movimenta turbinas.

Inclua referências visuais

Valorize o dado mais importante

99

VA M O S E L A B O R A R U M A I N F O G R A F I A?

DICAS

3


Exercícios

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

À mão livre Mapas Onde fica o prédio em que está agora? Faça um mapa.

1. Outra pessoa poderia chegar até esse local se orientando apenas pelo seu mapa? 2. Há referências de locais que ilustrem e facilitem a localização? 3. É possível para alguém de fora da cidade ter uma noção das distâncias? O mapa tem uma escala gráfica? 4. Onde fica o norte? Por que o mapa foi desenhado nessa orientação e não de “ponta-cabeça”?

No computador Produza esse mapa no computador, com um corte que mostre o prédio por dentro. 100


Ciências

Imagine que sua vida é um rio. Como você

Imagine que houve um terremoto na Tur-

ilustraria seus pais, seus amigos, os pro-

quia com 10 mil mortos. O que você colo-

blemas, os sucessos, o futuro?

caria no infográfico?

1. Foram usadas outras metáforas,

1. Mapa de localização com escala do

como lagos, cachoeiras, nascentes, corredeiras? 2. Como você colocaria esse infográfico em uma página? 3. Usaria um acabamento mais realista

local? 2. Locais mais atingidos? 3. Explicação da escala Richter? 4. Explicação de placas tectônicas? 5. Como acontece um terremoto?

ou mais figurativo? Qual traço o ilus-

6. Tipos de terremoto?

trador deveria ter para ser chamado

7. Ranking dos maiores terremotos em

a trabalhar nessa ilustração?

escala Richter e número de mortos?

Que metáfora visual você usaria para ilus-

Pesquise na internet as informações ne-

trar o atual governo? Faça o infográfico.

cessárias e monte o infográfico. 101

VA M O S E L A B O R A R U M A I N F O G R A F I A?

Ilustração


102

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO


VA M O S E L A B O R A R U M A I N F O G R A F I A?

103


Para entender os números Distribua fichas como esta para pessoas que participaram de um mesmo curso: Nome:

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

Sexo: Idade: Região onde mora: Expectativa em relação ao curso (bom, regular, ruim ou não sabe) Antes de começar: No dia do curso: Quando terminou: Depois de preenchidas as fichas: 1. Colocando as fichas lado a lado, tem-se uma tabela. Use-a para obter os totais. 2. Somando os totais de homens (X%) e mulheres (X%), é possível montar um gráfico de barras ou setorial. 3. Criando faixas de idade (abaixo de 20 anos, entre 21 e 30 anos e acima de 30 anos), pode-se criar um gráfico de barras ou setorial. 4. Com os dados da região onde moram, pode-se localizar o grupo na cidade. 5. Os dados de expectativa podem ser usados para montar um gráfico de linhas. 104


Considere depois de confeccionados os gráficos: 1. É melhor usar gráfico de barras ou setorial para mostrar sexo e idade? 2. E se o nome das pessoas for importante também, o que fazer? 3. É melhor usar porcentagens ou números absolutos?

VA M O S E L A B O R A R U M A I N F O G R A F I A?

105


106

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO


VA M O S E L A B O R A R U M A I N F O G R A F I A?

107


108

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO


VA M O S E L A B O R A R U M A I N F O G R A F I A?

109


110

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO


VA M O S E L A B O R A R U M A I N F O G R A F I A?

111


112

INFOGRAFIA • MÁRIO K ANNO

Profile for Boreal Edições

Infografia - Guia básico de didáticos  

Os livros didáticos têm buscado há alguns anos apresentar um maior equilíbrio entre textos verbais e conteúdos visuais. Em lugar de imaginar...

Infografia - Guia básico de didáticos  

Os livros didáticos têm buscado há alguns anos apresentar um maior equilíbrio entre textos verbais e conteúdos visuais. Em lugar de imaginar...

Advertisement