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Edição 7 - Julho/2013

UL TRA maratonista Montamos um questionário para você saber se existe um dentro de você

Dividir para conquistar José Carlos Seixas fala sobre resilência e recrudescimento

MITOKONDRIA Veja na seção Meu Time como surgiu uma das mais tradicionais equipes de corrida do Rio


SUMÁRIO

E

EXPEDIENTE

Amigo leitor, Depois de uma breve parada, chegamos à sétima edição da Revista Boratreinar. Uma edição com muito conteúdo que dá início a uma nova fase da revista: agora ela estará disponível apenas na internet, atingindo um número ainda maior de leitores. Assumimos o nosso compromisso com o meio ambiente e vamos continuar levando até você, corredor, um pouco do nosso universo. Um pouco do que vivemos no nosso corrido dia-a-dia. Nesta edição trazemos uma entrevista com o treinador Antonio Carlos Ferreira, fundador e diretor da Mitokondria Clube de Corrida, uma das assessorias mais tradicionais do Rio de Janeiro. Tuninho, como é carinhosamente chamado pelos mais chegados conta como surgiu a equipe e como é sua filosofia de trabalho, que preza a qualidade e não a quantidade. A edição mostra ainda como o corredor pode evitar as infecções respiratórias e proteger a visão durante treinos e provas. A médica do esporte Flávia Pinho Teixeira e a oftalmologista Mariam Rachid dão importantes dicas sobre os dois temas. Veja também, na coluna de José Carlos Seixas, da Proximus Tecnologia, como você pode fazer bom uso da resiliência e do recrudescimento, características que certamente vão acompanhar o editor da Boratreinar, Paulo Prudente, na sua jornada de três meses rumo à Ultramaratona 24h dos Fuzileiros Navais. Aproveite. Boa leitura e bons treinos!

A Dra. Flávia Pinho Teixeira fala sobre as infecções respiratórias. O que você pode fazer para evitá-las durante o inverno, quando os treinos são feitos com temperaturas baixas

Saiba por que a cidade de Niterói é um dos melhores lugares para treinos em trilhas do Rio de Janeiro. O Parque da Cidade é muito usado por atletas locais, como os da equipe Lilia Godoi

Expediente Jornalista Responsável Paulo Henrique Prudente - Mtb. 20.644-RJ

Colaboraram nesta edição Conteúdo - Alan Marques, Cristiano de Souza Laurino, Flávia Pinho Teixeira, José Carlos Seixas, Lilian Cristiane Moreira e Mariam Rachid.

Contatos ppjornalista@gmail.com

Apoio

Já pensou em treinar para seu um ultramaratonista? Faça o teste e saiba de existe um ultradentro de você. Quem sabe você não começa a encarae estes loucos desafios


DIVIDIR para conquistar


José Carlos Seixas é administrador e fundador e presidente da Proximus Tecnologia Ltda

O título desse artigo é uma das mais antigas mensagens que se conhece, baseada nas técnicas de combate ancestrais empregadas pelo homem há centenas, talvez milhares de anos. O que se interpreta dela é a necessidade de “dividir” o inimigo para finalmente conquistá-lo. Esse mesmo tipo de comportamento é também observado no mundo animal. Existem animais muito conhecidos, como os chipanzés e os golfinhos, que empregam técnicas semelhantes para conseguir com que suas presas adotem certos comportamentos (se “dividam”) e finalmente sejam apanhados e devorados. Parece cruel, mas é uma forma legítima de sobrevivência. Se os chipanzés não empregassem tais técnicas, seriam extintos como espécie, porque não seriam capazes de se alimentar de proteínas, encontradas na carne de outros animais, inclusive alguns do seu próprio gênero. Os golfinhos também têm o mesmo comportamento. E se examinarmos outros submundos de nossa natureza, como por exemplo os insetos, veremos as formigas fazerem a mesma coisa, e também as vespas, as aranhas, etc. No caso das aranhas, com a sua teia e paciência, “dividem” a resistência de suas presas para que possam ser tranquilamente devoradas. Mas que lições podemos tirar desses fenômenos para nosso cotidiano? Será que estamos empenhados em uma guerra permanente, que precisamos vencer a cada dia? A resposta é SIM. Somos atacados diariamente por uma quantidade enorme de informações e estímulos, todos, ou quase todos, pretendendo que façamos ou deixemos de fazer alguma coisa. O equilíbrio social em qualquer meio, seja dentre os humanos, seja dentre os animais, exige que um grupo (os predadores) se organizem contra sua caça (as presas), para se manterem vivos e preservarem suas próprias espécies. Em nosso caso, seres humanos com um grau de exigência maior que o das demais espécies, é preciso que saibamos “dividir para conquistar”. Em nosso caso, devemos dividir nossos problemas e dificuldades para conquistar suas soluções. Maus hábitos de vida, tais como a alimentação inadequada, o sedentarismo, o tabagismo, o alcoolismo, a adição às drogas de qualquer tipo e muitos outros, devem ser “divididos” para que possam ser “conquistados” . Veja-se aqui a “conquista” como a vitória sobre aquilo que nos oprime. Mas como “dividir” um problema qualquer? Por exemplo, como dividir o problema do “sedentarismo” em nossas vidas? O primeiro passo para executar qualquer divisão será planejar tal ação. Precisamos determinar previamente nosso comportamento, qual será nossa reação em caso de reação contrária do “inimigo” (o famoso “Plano B”), como arregimentar nossos recursos e aplicá-los corretamente e no tempo certo. Enfim, precisamos PENSAR a solução e executá-la. Sabemos que transformar um comportamento não é coisa fácil, mas também não é impossível. As tentações para que desistamos são inúmeras, e muitas vezes irresistíveis. Entretanto, devemos persistir. Além da tenacidade, da determinação e da força de vontade aplicada na solução, existe um componente adicional, que também observo na natureza, e que pode ser muito útil: a RESILIÊNCIA. Segundo o Houaiss, "resiliência é a propriedade que alguns corpos apresentam de retornar á forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica, ou a capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças". Novamente a natureza traz exemplos úteis. As espécies mais resilientes foram as que conseguiram sobreviver às mudanças climáticas em nosso planeta. Dentre nós, homens e mulheres, os mais resilientes são os mais bem sucedidos, porque poderão suportar com maior facilidade os problemas, decepções e desafios da vida diária. Não nos tornamos sedentários ao nascer. Pelo contrário, enquanto somos crianças, exceto por algum problema de saúde, somos incrivelmente ativos. Perdemos essa atividade (e certamente uma parte de nossa saúde) quando deixamos de ser ativos, e nos tornamos doentios, adquirindo hábitos que nos conservam nessa situação. Portanto, posso concluir que devo cultivar minha resiliência (que alguns podem chamar de teimosia, ou de persistência, conforme o lado pelo qual se olhe a coisa), e mantê-la como um escudo intransponível, capaz de me levar a vencer todos os desafios que a vida oferecer. Você também pode fazer isso. E, quando a resistência contrária se tornar absurda e os desafios aumentarem ainda mais, quando parecer que será impossível transpor o obstáculo, simplesmente RECRUDESÇA. O último esforço feito quando se pensa que o jogo está perdido, poderá reverter o resultado a seu favor. Pense nisso.


Maratona de Berlim “Corri a Maratona de Berlim em 2012. Uma ótima prova. Circuito plano e rápido, cidade espetacular e calendário favorável credenciam essa prova como umas das melhores do mundo. Chegamos com três dias de antecedência, já no fim da tarde. Por alguns Euros a mais, “up-grade” de hotel para o RitzCarlton. Decisão mais do que acertada. A possibilidade de ir e, principalmente voltar andando da prova para o hotel, sem a necessidade de pegar o metrô, não teve preço. O hotel fica na PotsdamerPlatz, a cerca de um quilômetro do Portão de Brandenburg, local de largada e chegada da prova. Para aqueles que querem gastar menos há outras opções de hotel na mesma região. Como tínhamos poucos dias e não conhecíamos a cidade, compramos ainda no Brasil, um “city-tour” logo para a manhã seguinte. Mais uma boa dica. Em uma manhã passamos pelos principais pontos turísticos e finalizamos nosso passeio no aeroporto de Tempelhof, local de retirada do kit para a prova. Fora de operação, o lugar era perfeito para receber os cerca de 40 mil corredores e seus acompanhantes de quase 100 países. Quantas histórias devem ter se passado ali em pousos e decolagens durante e após a guerra. Mas dessa vez o aeroporto abrigava em seus três hangares centenas de “stands” que ofereciam tudo o que um corredor pode precisar e das mais variadas marcas. Kit retirado, fila na Adidas pra comprar o agasalho oficial da prova e algumas comprinhas depois, estávamos de volta ao hotel. A véspera da prova foi dia de turismo. O turismo em Berlim baseia-se principalmente na segunda grande guerra e no muro. Memorial do Holocausto, Topografia do Terror, Checkpoint Charlie, partes do muro e o estacionamento onde no passado funcionou o Bunker do Hitler são alguns dos pontos turísticos obrigatórios.No entanto, não cometam o mesmo erro. Um dia inteiro, em pé, na véspera da prova, assistindo as inúmeras histórias da segunda guerra, vai cobrar seu preço. À noite, jantamos o tradicional prato de massa no restaurante Essenza, em frente ao hotel. Voltamos cedo para o quarto. Faz frio em Berlim nessa época e afinal, precisava de uma noite de sono, que infelizmente não foi das melhores, já que, compromissos profissionais no Brasil me prenderam ao telefone até tarde da noite.

Finalmente o dia da prova. A largada acontece às 9h. Levantei às 6h30 e Cecília já estava de pé, quase pronta. Tomamos café da manhã no hotel. A temperatura estava em torno de 9 graus. Optei por uma camisa de mangas compridas e nenhum agasalho. Mais uma decisão acertada. Marcamos na porta do hotel às 8h com alguns brasileiros. Em poucos minutos estávamos ao lado do portão de Brandenburgo com mais alguns cariocas tirando as últimas fotos antes da largada. A largada acontece logo depois do portão, na rua 17 de junho, que corta todo o Tiergarten, principal parque urbano de Berlim. Os atletas são posicionados de acordo com tempo previsto para completar a prova, informação que você fornece no momento da inscrição. Tudo muito bem organizado, afinal estão ali posicionados cerca de 40 mil corredores. É um momento muito interessante esse que antecede a largada. Milhares de atletas de diversas nacionalidades. Alguns atletas da Islândia vestiam camisetas e pareciam não sentir frio algum. Outros, não tão acostumados ao frio, vestiam casacos que iam sendo jogados fora ao longo do trajeto. Eu estava posicionado logo atrás dos corredores que carregavam os balões do “pace” de 4 horas. Mais preparado que na época da inscrição, estava programando uma prova em 3h37min. Meu “Garmin Virtual Partner” correria a 5min10s/Km, afinal minha última meia-maratona em 1h39min e os longos com “pace”de 5min/Km me faziam acreditar que poderia completar a prova nesse tempo. Centenas de balões azuis anunciaram a largada. Acho que uns 16 minutos depois passei por baixo do pórtico e finalmente comecei a prova. Em pouco tempo passei os balões de 4h. Os primeiros quatro quilômetros não foram bons. Um bloco compacto de corredores com ritmo um pouco


posto de hidratação que vem logo depois do Km 35. Passaram as dinamarquesas. Vou acompanhá-las. Em vão. Com um ritmo de quase 6 min/Km passo em frente ao meu hotel no quilômetro 38. Falta pouco. Nenhum rosto conhecido. Mais uma banda das muitas que tocam ao longo do trajeto toca uma música animada. Uma reta, uma curva pra esquerda, outra reta, uma curva pra direita, mais uma pra esquerda e finalmente vejo ao fundo o portão de Brandenburgo. Reta final. Olho para o lado e vejo o cara vestido de abelha. Não vou sair na foto da chegada do lado dele. Se é que isso é possível, aperto o ritmo. Passo pelo portão. Os últimos metros são indescritíveis. As arquibancadas batem palmas como se você estivesse brigando por um lugar no pódio. Faço o tradicional aviãozinho e cruzo a linha de chegada. Missão cumprida. 3h49min. Acho que todos correm por essa sensação da chegada.

mais lento que o meu dificultavam minha corrida. Procure largar no grupo com o mesmo ritmo que o seu. No início, somos um bloco compacto, e não é fácil correr mais rápido que os demais. Pouco a pouco a corrida vai melhorando. Imprimi meu ritmo e segui em frente. São muitos postos de hidratação. Alguns só com água e outros com isotônico, chá quente e frutas. Perto da metade da prova encontrei os corredores que carregavam os balões azuis com a inscrição: 3h45min. Foi difícil passar por eles, pois um grupo muito grande de corredores seguia nesse ritmo. Finalmente passei. Corria solto e confortável. Passei agora por um grupo de corredoras dinamarquesas. Aliás, são muitos corredores da Dinamarca, todos de camisas vermelhas e muita torcida.Completei os 21Kms muito bem. Meu Garmin indicava um ritmo médio de 5min06s/Km. Passei um cara vestido de abelha. Tem louco pra tudo. Chegaram os 30k. Os maratonistas têm razão: começa aí a parte mais difícil da prova. Com as coxas queimando e os joelhos doendo na parte externa por conta dessas pisadas muito supinadas, pela primeira vez andei em um posto de hidratação. Isotônico Power-gel pra dentro e vamos em frente. A moral já não é mais a mesma. No quilômetro 32 decidi tomar o Red Bull que carregava no cinto de hidratação. Afinal, asas era tudo que eu precisava. A moral melhora mas o ritmo não. Perto do 35 sou ultrapassado pelos dois corredores que sobraram carregando os balões azuis de 3h45minh. Um grita pro outro: “Hey John, how are you?” O outro responde com sinal de mais ou menos com as mãos. Não sou só eu que estou sofrendo, mas minhas 3h37min já eram. Andei então novamente no

Falta a Cecília. Quantos minutos atrás? Correndo? Recebo a medalha, pego o tal plástico azul da Adidas que serve como cobertor, um mísero copo d’água e sigo pro “Family Reunion”. Compro de um ambulante (aqui também tem isso) a CocaCola mais barata de toda a Europa por 1 Euro e vou até a letra “Y” onde alguns brasileiros combinaram de se encontrar após a prova. Nenhum rosto conhecido. Decido então ir andando até o hotel, cujo quilometro 38 fica bem em frente. De cara encontro o João. “Vi sua mulher. Tirei até uma foto. Olha aqui.” Vejo na foto a Cecília correndo e olhando pra trás, sorrindo pra fotografia. Nessa hora tive a certeza que também chegaria ao fim. Volto pro local de chegada. Já corri 42Km. O que são mais alguns poucos quilômetros andando. Mais 15 minutos pra atravessar a rua da prova, passo embaixo do portão e vou ao “Family Reunion”. Dessa vez esse pedaço do parque está lotado de gente. Nenhum rosto conhecido na letra “Y”. Tento a letra “M”. Nada feito. Mensagem de texto, telefone, nada responde. Até que entra uma mensagem: “Completei. Tá aonde?” Tiramos uma merecida tarde de descanso. À noite, o jantar é bem animado. Em todos os restaurantes os maratonistas exibem suas merecidas medalhas. Não deixe de levar a sua também. O turismo no dia seguinte é sofrido. Subir e descer escadas não é a atividade mais fácil após 42 Km. No entanto a visita ao Bundestag, o parlamento alemão, é imperdível. As visitas devem ser agendadas com antecedência e têm hora marcada. Outra boa opção é a ilha dos museus e o famoso museu Pergamon onde está o fabuloso Altar de Pérgamo. Decididamente esse não é o melhor dia para andar pela cidade e nos limitamos a isso. Nos preparamos para a volta no vôo diurno do dia seguinte. Missão Berlim cumprida. Até a próxima!” Marcus Vinícius Dantas, 45 anos é médico-cirurgião

Este ano a Maratona de Berlim será em 29 de setembro


medicina do esporte

Flávia Pinho Teixeira tem formação em Nutrologia Esportiva, Medicina do Exercício e do Esporte e é Mestre em Fisiologia do Exercício Contatos: flaviapteixeira@gmail.com

Alimentação

INFECÇÕES

RESPIRATÓRIAS SAIBA COMO EVITAR

Muitos atletas buscaram o esporte para tratar ou evitar doenças e se tornaram adictos a eles! Não seria diferente com os corredores, entretanto devemos estar atentos também às temidas infecções respiratórias que aparecem pós esforços de treinos intensos e provas duras e que podem nos deixar de molho, fora de treinos ou provas importantes! Há varias estratégias do coletivo popular como o uso de vitaminas e chás. Mas pergunto: quais estratégias realmente funcionam? Ha muitos estudos científicos sobre imunidade do atleta e uma conclusão e consenso: a prática regular de exercícios físicos, ou seja, um treinamento adequado e capaz de aumentar o poder antioxidante natural do nosso organismo! Mas, além disso, há estratégias que podemos utilizar para evitar que o poder oxidativo gerado pelo esforço do exercício seja maior do que a nossa capacidade antioxidante! Portanto, treinem com orientação especializada, descansem, alimentem-se bem e procurem um Médico do Esporte ou Nutrólogo para orientações preventivas e individualizadas, principalmente se as infecções forem recorrentes! Bons treinos!

Uma alimentação balanceada e rica em frutas e vegetais garante a oferta de vitaminas e minerais importantes para nossas defesas. Mas fundamental também é a ingestão adequada de carboidratos. A privação dos carboidratos e dietas de muito baixas calorias são os principais fatores intervenientes na queda de imunidade relacionada aos exercícios físicos e a consequente ocorrência de infecções respiratórias.

Descanso A privação de sono ou o excesso de treinamento são fatores estressores ao nosso organismo e fazem com que a nossa imunidade fique fragilidade em decorrência do aumento dos hormônios do estresse. Portanto respeite seus limites e descanse! O descanso muscular adequado faz parte de um bom treinamento e evita infecções!

Suplementos O consumo in natura de vitaminas e minerais é fundamental como já expus. Porém, a suplementação com polivitamínicos ou superdoses de vitaminas isoladamente não estão diretamente relacionados à prevenção destas infecções. Muito pelo contrário. Há relatos de casos em que atletas que consumiam cronicamente altas doses de vitaminas, ao suspsuspendê-las apresentavam com mais frequencia tais infecções, como se o organismo se acostumasse com a suplementação de altas doses.

Tipos de estímulos Sabemos também que exercícios aeróbicos intensos (acima de 80% do VO2 max) ou muito longos (acima de duas horas) ou exercícios de fortalecimento muscular excêntricos são os mais relacionados a esta queda da imunidade e infecções. O que não significa que tenhamos que evitar tais estímulos, apenas estar mais atentos a alimentação e descanso adequados nestes casos.


nutrição

Muffinde WHEY PROTEIN com castanhas e amêndoas Já pensou em inserir os suplementos alimentares em receitas deliciosas que você usar no seu dia-a-dia?Que tal um muffin de whey protein com castanhas e amêndoas? A sugestão é de Marcelo Larciprete, profissional de Educação Física e Mestre em Ciências. Mas antes colocar a mão na massa vale ouvir algumas dicas de Larciprette e da médica do esporte e nutróloga Flávia Pinho Teixeira. “É importante o consumo dos alimentos na quantidade correta. Se o atleta não possui conhecimento suficiente para adequar o conteúdo destas receitas à sua dieta, deve consultar um nutricionista. Somente este profissional poderá organizar os alimentos de forma precisa e individualizada, baseado em sua rotina e seus objetivos” afirma o profissional. A médica Flávia Pinho Teixeira diz que o muffin de whey protein não deve ser consumido por pessoas que tenham alergia a algum componente da receita, como proteína do leite ou clara de ovo. “Pessoas com disfunção renal ou hepática tambem não devem consumir por conta da grande quantidade de proteínas”, acrescenta a médica.

INGREDIENTES 3 colheres de sopa de farinha de aveia 2 colheres de sopa de castanhas (Brasil e caju) e amêndoas masseradas 1 colher de sopa de fermento em pó 2 claras de ovo 1 scoop de whey protein (sugere-se de chocolate) 1 banana amassada 1 colher de sopa de adoçante sucralose 1 colherde sopa de canela em pó 1 colher de sopa de óleo de coco

Ainda segundo a médica a receita é indicada para pessoas ativas, praticantes de exercícios físicos.

MODO DE PREPARO

“Estas pessoas, e também as que estão submetidas a programas de emagrecimento, tem um aumento da necessidade de ingestão de proteínas. O mesmo acontece com os vegetarianos, já que o whey protein é excelente fonte de proteína de alto valor biológico”, completa Flávia, lembrando que o consumo não deve passar de um muffin por lanche.

Misture tudo em uma tijela média. Coloque os muffins em formas de silicone e leve ao forno pré aquecido a 180 graus por 20 minutos.

Marcelo Larciprete ressalta que não se deve subestimar a ciência nutricional e o que nos leva ao corpo desejado, além de uma rotina regular de exercícios, é consumir em horários específicos do seu dia, a dosagem correta dos nutrientes.

DICA

“Esta receita permite muitas variações. Você pode adicionar uma colher de cacau em pó à massa, mais Whey protein se desejar uma receita mais proteica, e uva passas se sua dieta permitir mais carbos. Converse com seu nutricionista para adequar aos seus objetivos e bom apetite!”, completa Larciprete. Veja mais receitas e outras informações em www.marcelolarciprete.com

Quando for misturar os ingredientes, adicione o fermento por último e misture devagar. Se quiser a massa um pouco mais molhada, adicione 1/2 maça ralada.


Mitokondria Clube de Corrida

Antônio Carlos Ferreira e Mitokondria são nomes que se confundem quando o assunto é treinamento de corrida de rua no Rio de Janeiro. Profissional de Educação Física há 27 anos, Tuninho, com é carinhosamente chamado por atletas e amigos, teve como primeiro treinador o respeitado professor Cesar Couto e hoje transita com naturalidade entre atletas amadores e treinadores de elite, com a experiência e o conhecimento de quem esteve entre os corredores que participaram da primeira maratona do Rio, em 1980. O treinador contou à Boratreinar com foi atraído às corridas de rua e como nasceu a Mitokondria. Como e quando surgiu a Mitokondria? Formei-me na UFRJ em dezembro de 1985 e em janeiro de 1986 comecei a treinar pessoas, basicamente para as corridas de rua. Depois de vários altos e baixos, criei a equipe Mitokondria em 2001 para uma prova de revezamento e continuamos a nos reunir esporadicamente, já que nessa época o mundo das corridas estava em baixa, com poucas provas. Ate 2007, praticamente treinava somente algumas pessoas por email, corredores de Porto Alegre, Blumenau, Maceió, Cuiabá, Londres, Lisboa e Melbourne, quando decidi ter um ponto fixo na rua e escolhi, pela facilidade de acesso, ficar na Lagoa, onde estamos até hoje. Algum motivo especial para as cores preto e amarelo? Quis colocar uma cor vibrante e escolhi o laranja. Só que, para dar um toque de bom gosto, decidi colocar uma faixa lateral amarela, também uma cor vibrante e que nos remete às vitórias, como a camisa amarela

do Tour de France. Como as empresas que apoiaram inicialmente o projeto tinham detalhes em vermelho, decidi trocar o laranja pelo amarelo, para que as marcas dos patrocinadores aparecessem mais. Ano passado, colocamos alguns detalhes em preto e estamos nisso até hoje. Não tenho plano de mudar, já que tornou-se parte de nossa identidade. Qual sua estratégia de trabalho? Você preza a qualidade e não a quantidade. Há assessorias que tem 200, 300 atletas... Temos uma visão holística do treinamento. Cada pessoa é um individuo com características próprias e como tal deve ser tratado. Mais do que metodologia de treino, temos filosofia de vida. As pessoas são muito diferentes. Há corredores que não cumprem a planilha, outros mandam torpedo me cobrando se eu atrasar meia hora. Um não gosta de competir e outro não gosta de treino longe de casa. Além disso, há as questões físicas. Um sente um pouco o pé, o outro sente o joelho quando treina muito e por ai vai. Um planejamento bem feito administra a quantidade e a qualidade (intensidade) dos treinos. Existe uma semelhança muito grande com um tratamento médico ou homeopático. Se você prescreve para um corredor fazer nessa semana 40km e na semana que vem 50km e ele fez 30km esta semana, vai ficar difícil ele fazer os 50km. Seria bom então, baixar esses 50 previstos inicialmente, para 40 ou 42 km. Dentro deste contexto, trabalhar com um grupo grande fica difícil. Prefiro trabalhar com um grupo pequeno e fazer todas essas correções semanalmente. Temos hoje cerca de 20 corredores, mas, com os amigos, namoradas e maridos, em dia de prova chegamos a ter entre 40 e 50 pessoas.


Você tem histórias para contar. Isso é um diferencial? Podemos dizer que você é a melhor estratégia de marketing da Mitokondria? Comecei a correr em 1978, mas considero como início o dia 15 de novembro de 1980, na primeira maratona Atlantica Boavista-Jornal do Brasil. O público era bem diferente. Ao contrário de hoje, a maioria corria para marcar tempo, independente do seu nível de condicionamento. Se estou aqui hoje, depois desse tempo todo é por apenas um motivo: o gosto pelo esporte. Realmente tenho muitas histórias para contar, não porque alguém me disse, mas, porque vivenciei tudo isso. Há seis meses conversava com o Dr. Henrique Vianna (treinador da Pé de Vento), meu amigo de longa data e dei detalhes de corridas aqui no Rio com atletas dele que nem ele sabia... Quando encontro com o Lauter Nogueira, outro amigo antigo, é difícil alguém nos separar, pois conversamos sobre detalhes que somente quem esté por dentro do esporte sabe. Daqui a 15, 20 ou 25 anos, ainda haverá a Mitokondria por aqui, talvez de cor diferente ou com outro nome agregado, mas, ainda assim estaremos por aqui. Não é o lucro que nos move, embora saiba que tenho de pagar a gasolina e o aluguel, mas, acho que é uma troca muito justa. Fornecemos, sem alegorias, adereços ou serpentinas, tudo o que você necessita para melhorar na corrida de rua. Como é feito o planejamento para a participação da equipe nas provas? O planejamento é feito individualmente, mas acontece de ter indivíduos de características parecidas. Se você vai treinar de 10 a 14 km e um outro atleta vai fazer de 8 a 12 km, é bem provável que possam correr

juntos, claro, se o ritmo também for adequado. Dentro desse planejamento, procuro equalizar suas outras atividades além da corrida, como musculação ou natação. Além disso, existe toda uma progressão de quantidade e qualidade dos treinos. Hoje, os monitores oferecem várias funções que ajudam treinador e atleta a terem um controle fisiológico maior do que está sendo feito. Participamos de uma ou duas provas por mês, que são escolhidas de comum acordo, o que não impede o treinamento para uma prova que não esteja dentro de nosso calendário. Fazemos essa restrição para diminuir a probabilidade de contusão e não alterar em demasia o planejamento para a prova alvo, a que aluno escolhe e são somente duas ou três por ano. O que representa a corrida para você? Corro porque gosto, não há muito mistério ou filosofia nisso. Gosto do desafio de tentar bater o amigo cronômetro, mas nunca fui muito paranóico. Não vivo para correr, corro para viver. Como diria o meu primeiro treinador, o Professor Cesar Couto, a vida não se resume à corrida. Mas, entendo, compreendo e aceito que as outras pessoas tenham outras motivações. A corrida é parte integrante da minha vida há muito tempo, mas, inspirado por Florbela Espanca, a corrida não é a razão do meu viver, ela é a minha vida.


Bora, Prudente!

“A maratona do Rio mal acabou e você já está arrumando ideia”. Acho que essa foi a primeira frase que ouvi quando disse que havia surgido a oportunidade de fazer a Ultramaratona 24h dos Fuzileiros Navais, dias 5 e 6 de outubro, no CEFAN. Não sou daqueles de fugir de desafios, mas também tenho consciência dos meus limites. O que também não quer dizer que os limites não devam ser desafiados. Acho que essa história toda começou na Golden Four, dia 7 de abril. Vinha de um período de treinos irregulares e as 2h49min em que completei a prova fizeram com que eu me sentisse quase que um caminhante. Resolvi entrar linha, treinar com um pouco mais de seriedade e encarar a Corrida Ponte visando a baixar o tempo. Fui além do que esperava e baixei o tempo em 20min. Segui treinando e em maio baixei mais dois minutos na Meia de Juiz de Fora. Mas a Maratona já era algo fora de cogitação. A ideia era seguir baixando o tempo na meia, para pensar em fazer sub 2h em 2014. Fiz a inscrição na Meia da Caixa, mas eis que ao receber o email de confirmação percebi que estava inscrito na Maratona. E como os limites estão aí para serem desafiados. Lá fui eu... Completei, mas estou longe de ser um maratonista como o amigo da foto, Benedicto Rosa, que completiu sua 40a maratona. E é ao lado dessa fera que estarei dando voltas e mais voltas (espero dar pelo menos 200) na pista do CEFAN, em outubro. Antes disso, pretendo ler o livro do querido Marcio Villar, “Desafiando Limites”. Afinal, inspiração e exemplos de vida nunca são de mais.” Paulo Prudente, 45 anos, editor da Boratreinar

Desafiando limites ‘Desafiando limites’O livro de Márcio Villar do Amaral conta em detalhes como Márcio saiu dos 98Kg e se tornou o primeiro atleta do mundo a completar todas as provas da Copa do Mundo de Ambientes Extremos. O prefácio é do nosso campeão mundial de Deca IronMan, Sergio Cordeiro. Esse livro vale como um exemplo de motivação e superação de limites, para provar que qualquer pessoa pode conseguir o que deseja quando se dedica ao máximo e faz aquilo que mais ama. A compra do livro pode ser feita diretamente com o atleta pelo email: ultramarciovillar@gmail.com


ULTRA

EXISTE UM DENTRO DE VOCÊ? O que você sente ao ver a foto desta longa estrada no meio do deserto? Se você pensa em como seria correr neste lugar e o que sentiria ao enfrentar o desafio de percorrer dezenas, talvez centenas de quilômetros com uma mochila de hidratação nas costas é bem provável que você tenha um ultramaratonista adormecido dentro de você. Os mais conservadores diriam “cuidado, isso é coisa de maluco”. Já os ultras diriam, “parabéns, é a loucura mais gostosa do mundo”. Com a ajuda de alguns ultramaratonistas e do treinador Alan Marques, da Speed Corrida, montamos um questionário para você saber se há ou não um ultra dentro de você. “É bom deixar claro que há uma seleção natural entre corredores e ultramaratonistas. Querer ser um ultra simplesmente pelo fato de admirar estes corredores não basta. É preciso ter vocação. Mesmo assim vale deixar claro que para se tornar um ultramaratonista é preciso consultar um médico, um nutricionista e procurar um treinador”, afirma Alan, que treina 20 ultramaratonistas e teve quatro deles na Comrades este ano. Mas há uma pergunta que não está no questionário por que a resposta poderia ser um tanto subjetiva. “Você se acha louco?” A resposta certamente seria que isso depende do ponto de vista. Certo? Talvez. Mas seria mesmo a loucura o ponto de partida para alguém virar um ultramaratonista? A militar Amanda Cavalheiro usa o Big Bang para explicar sua paixão pelas ultras.


1 - Você prefere treinos longos a treinos de velocidade? ( )Sempre ( ) Às vezes ( ) Nunca

Pontuação

2 - Sente-se bem rodando mais de duas horas? ( )Sempre ( ) Às vezes ( ) Nunca

2 - Sempre – 5 Às Vezes – 3 Nunca – 1

3 - Se interessa por conhecer estratégias de prova? ( )Sempre ( ) Às vezes ( ) Nunca

4 - Sempre – 4 Às Vezes – 3 Nunca – 2

4 - Costuma de ler sobre alimentação e suplementação? ( )Sempre ( ) Às vezes ( ) Nunca

6 - Sempre - 5 Às Vezes – 2 Nunca – 1

5 - Treina em terrenos variados? ( )Sempre ( ) Às vezes ( ) Nunca

8 - Sempre – 1 Às Vezes – 2 Nunca – 5

6 - Sente-se confortável correndo no sol, na chuva, no calor ou no frio? ( )Sempre ( ) Às vezes ( ) Nunca

10 - Sempre – 5 Às Vezes – 3 Nunca – 1

7 - Tem medo de sentir dor? ( )Sempre ( ) Às vezes ( ) Nunca 8 - Se irrita ao ser chamado de louco ou irresponsável? ( )Sempre ( ) Às vezes ( ) Nunca 9 – Desiste na primeira dificuldade que aparece? ( )Sempre ( ) Às vezes ( ) Nunca 10 - Já se imaginou correndo por 6, 7, 8 horas? ( )Sempre ( ) Às vezes ( ) Nunca 11 - Costuma usar todo o seu tempo livre para treinar? ( )Sempre ( ) Às vezes ( ) Nunca 12 - Encara os treinos com alegria e prazer? ( )Sempre ( ) Às vezes ( ) Nunca

1 - Sempre – 5 Às Vezes – 3 Nunca – 2

3 - Sempre – 4 Às Vezes -3 Nunca – 2

5 - Sempre - 5 Às Vezes – 3 Nunca – 1

7 - Sempre – 1 Às Vezes – 2 Nunca – 5

9 - Sempre - 1 Às Vezes – 2 Nunca – 5

11 - Sempre - 4 Às Vezes – 3 Nunca – 1 12 - Sempre – 5 Às Vezes – 2 Nunca – 1

Resultado Até 18 pontos –Definitivamente não há um ultra dentro de você. Você pode até gostar de correr, mas não está disposto a enfrentar maiores desafios. Mas continue correndo! De 19 até 37 pontos - Há um ultra adormecido dentro de você. Experimente sair um pouco mais da sua zona de conforto e veja como se sente. Mais de 38 pontos - Você tem o espírito de um ultramaratonista. O que está esperando para procurar um treinador e planejar sua primeira ultramaratona!


ultramaratona

Assim como no BIG BANG... “Cosmólogos usam o termo "Big Bang" para se referir à ideia de que o universo estava originalmente muito quente e denso em algum tempo finito no passado e, desde então tem se resfriado pela expansão ao estado diluído atual e continua em expansão atualmente. Assim surgiu a ultramaratona em mim: estava muito quente e densa em algum tempo finito no passado e me resfrio pela expansão do meu espírito em ultraaventuras”. É assim que a militarAmanda Cavalheiro explica como a ultramaratona entrou em sua vida. Pode parecer meio louco, e é. Mas quando se tenta traçar uma relação entre loucura e ultramaratonas, Amanda, de 31 anos, tem um discurso afiado e que derruba qualquer tese que tenta mostrar que os ultramaratonistas são loucos de verdade. “Sim, sou louca.. Mas a loucura é uma questão de referencial. Exitem pessoas que gostam de virar a noite em boates bebendo e fumando, se drogando. Para mim são loucas. Eu prefiro acordar de madrugada para fazer um treino longo, uma trilha, uma viagem. Existem pessoas que são velocistas e se preocupam com recordes, prefiro usar a resistência do meu corpo para tirar qualquer tipo de preocupação da cabeça, conhecer novos lugares e novas pessoas”, explica Amanda. Segundo Amanda, a ultramaratona surgiu em sua vida naturalmente, quase Roger Cardoso

Amanda Cavalheiro

que como uma evolução dos treinos e das distâncias percorridas. A possibilidadede de correr em trilhas, terrenos variados e quase sem preocupação com pace também tiveram peso na escolha. “Virar ultramaratonista foi algo totalmente natural. Conforme iniciei a corrida, meu corpo rapidamente se mostrou resistente e apto às longas distâncias. Optei por isso em vez de optar pelo sofrimento da velocidade em curtas distâncias. Além disso nas ultras trails runs, estou em contato direto com a natureza. Saio do barulho e do concreto da selva de pedra. O terreno é variado dentro de uma mesma prova e isso faz com que uma prova nunca seja igual à outra. Além disso, o mais importante é a despreocupação com pace, pois uma prova de 21 km pode ser muito mais difícil e levar muito mais tempo que uma prova de 42 km, não se pode ter o fator tempo como referencial para todas as provas, cada prova tem sua característica peculiar”, revela Amanda. A militar aponta três características que indicam a existência de um ultra dentro de um corredor: despreocupação com tempo, resistência e um psicológico diferenciado. “Um ultramaratonista, por si só, necessita ter resistência física para aguentar um longo período de atividade física, o que o leva a não ter preocupação com o tempo que irá terminar aquela prova, mas sim, como vai terminála. Ele necessita entender bem o funcionamento do seu corpo, as exigências que o corpo faz em cada momento da prova, em cada momento do treino. Para isso é preciso ter um estado psicológico diferenciado, capaz de entender a linguagem corporal, as emoções produzidas pelo corpo, tanto no momento de exaustão como na descarga de adrenalina. É essencial conhecer os limites do corpo e ter uma mente focada, sabendo lidar com dor, sofrimento, conforto, desconforto, felicidade, raiva, alegria, tristeza... Tudo isso num curto espaço de tempo, numa mesma prova”. E foi exatamente ao perceber que o limite do seu corpo ia além dos 42k de uma maratona que o advogado Ilson Soares Júnior decidiu se desafiar.


"Talvez a essência da Ultramaratona seja sua suprema falta de utilidade. Não faz sentido num mundo de naves espaciais e supercomputadores, correr vastas distâncias a pé. Não há dinheiro e nem fama envolvidos na maioria das provas, frequentemente nem mesmo há a aprovação dos familiares e entes queridos. Mas como afirmam poetas, apóstolos e filósofos desde os mais remotos tempos, existe muito mais na vida que a simples lógica e o bom senso. Os Ultramaratonistas percebem isso instintivamente. E eles sabem algo mais que está perdido no sedentarismo. Eles entendem talvez mais que ninguém, que a porta para o espírito se abrirá com o esforço físico. Ao correr tão longas e extenuantes distâncias eles respondem uma chamada do mais profundo de seu ser, uma chamada que responde quem realmente eles são". Daivid Blaikie, ultramaratonista canadense

“Percebi que havia um ultra dentro de mim após completar algumas maratonas e sentir vontrade de continuar correndo, de me desafiar num distância ainda maior. Queria saber como era ir além dos 42k. Tinha vontade de treinar mais força, resistência e a mente do que velocidade”, explica Ilson, que acaba de fazer o Back to Back da Comrades (quando o corredor faz os 89k da prova numa direção e no ano seguinte volta para fazer na direção contrária). Ilson fez sua primeira ultra em 2012 e desde então acrescetou ao currículo uma travessia Bertioga x Maresias (75k), uma dobra da maratona de Curitiba e uma ‘Ultra Solidária’ de 126k. Diferentemente da maioria dos ultras, Ilson prefere o asfalto às trilhas, o que já rendeu-lhe algumas brincadeiras por parte dos amigos. Mas o ultra já pensa em render-se às ultratrailruns. “Uma amiga sempre brinca dizendo que eu não gosto de sujar o tênis e as roupas, por isso minhas provas são sempre realizadas no asfalto. Apesar da brincadeira, em parte ela está certa, pois tenho preferência pelas grandes distâncias realizadas em terrenos asfaltados. Não tem grande segredo essa preferência, apenas acredito que minha corrida flui melhor e posso me concentrar mais em mim mesmo e no meu corpo, não precisando dividir a atenção com pedras, barrancos, morros, matos e buracos. Ocorre que, pelo pequeno número de ultracorridas existentes no Brasil, percebo que em breve precisarei iniciar os treinos para as provas em terrenos trail, o que me fará usar equipamentos que ainda não me sinto confortável, aliás, outro ponto que me distancia desse tipo de terreno.”

O cirurgião-dentista Roger Cardoso costuma fazer duas perguntas àqueles que pensam em encarar treinos para uma ultramaratona. “O que o corredor pensa enquanto está correndo? Certamente quem tem perfgil de ultra vai responder que a melhor é não pensar muito. Seimplesmente admirar o que está à sua volta. Mas como é difícil não pensar em nada, um ultra certamente certamente dirá que pensa em cumprir seu objetivo, por mais longe que ele esteja”, afirma Roger. Corredor há apenas quatro anos, o engenheiro de software Valdir Torres se encantou pelas ultramaratonas durante a leitura de “50 maratonas em 50 dias”, de Dean Karnazes. O encanto aumentou ao descobrir provas como a Comrades e a Badwater. “Fiz minha primeira maratona em 2010 em 4h40min e percebi que sentia prazer em correr por muito tempo mesmo com uma bruta dor na panturrilha esquerda após o km35. Depois de uma séria contusão no fêmur e uma cirurgia traumática na face decidi diminuir minha participação em provas e intensificar os treinamentos. Em 2012, decidi fazer os 52k do Desafrio Urubici. Me inscrevi em dupla, mas estudando a prova percebi que tinha condições de fazer todo o pecurso. Decidi acompanhar minha parceira de prova no segundo trecho. Como as imprevisibilidades aparecem, ela ficou muito doente na semana da prova. O momento foi difícil, pois psicologicamente foi ruim saber que eu iria sozinho e eu estava como muito frio, mas consegui completar a prova”, conta o corredor, que este ano fez os 87 k da Comrades, na África do Sul.


ultramaratona

“Se eu me considero um louco? Prefiro responder que a lucidez me leva às raias da loucura! É assim mesmo que me considero, uma pessoa tão lúcida ao ponto de desafiar a mim mesmo, o meu limite. Uma pessoa tão lúcida ao ponto de me questionar onde posso ou conseguirei chegar. Busco, através da ultramaratona, me manter em equilíbrio mental e físico, já que essa modalidade da corrida me proporciona experiências e ensinamentos que exporto para outros campos da minha vida, e isso, de fato, me enriquece como ser humano”. Ilson Soares Júnior, ultramaratonista

Ilson Soares Júnior

O aspecto psicológico - para o bem ou para mal - sempre é levado em conta quando se fala de ultramaratonas e ultramaratonistas. Lidar com problemas e imprevistos - nem tão imprevistos assim - de uma prova longa requer força mental. Este é o lado bom já que se o corredor está preparado para adversidades de uma prova dura, certamente estará preparado para adversidades que surgem em seu dia-a-dia. “O psicológico é de longe o mais difícil obstáculo a ser enfrentado, por que a sua mente pode dominar a dor e o cansaço e te levar muito além do seu limite físico. Mas mesmo uma pessoa bem preparada se não estiver com o psicológico bem para fazer uma prova longa vai desistir muito antes de atingir o seu limite físico”, explica Roger Cardoso. Mas o psicológico também precisa estar em dia para lidar com as cobranças e a descofiança de quem acha loucura encarar treinos e provas de ultramaratona. Certamente haverá quem acha irresponsabilidade ou mesmo loucura subtrair tempo do convívio com a família, com os amigos, dos estudos e do trabalho para dedicar-se horas de corrida. “Confesso que para muitos sou considerado inteiramente louco por dividir minha ‘vida normal’ com os longos treinos e corridas, principalmente para aqueles que, quando me conhecem, acabam também sendo apresentados a esse meu estilo de vida diferente da maioria. Para os familiares mais próximos como mãe, pai e irmã, sou herói em

alguns momentos e sem juízo em outros, mas sempre ficam na dúvida o motivo por eu não ter escolhido a dama ou o xadrez. Para os amigos, principalmente os sedentários, sou considerado quase um maluco, mas como não deixo de estar com meus amigos na maior parte das festividades, acabo não sendo o pior dos ETs.”, completa Ilson. Com a autoridade de quem acaba de vencer os 80k do XTerra Ilhabela, Chico Santos, de 34 anos, rejeita o rótulo de louco e garante que as ultras lhe dão equilíbrio e prazer. “Hoje sou um individuo com autoconhecimento e equilibrio mental. Melhorei muito isso com o prática do esporte. E o desafio de ir continuamente longe é muito prazeroso pra mim. Na verdade, o mundo em que vivemos hoje é que é louco. O homem, há muitos anos fazia tudo a pé e com a modernidade perdemos esses costumes. Hoje vemos que somos capazes. São muitas as pessoas buscando esses desafios”, afirma o corredor, bicampeão da Maratona Cross Country de Búzios, que tem raízes nas fazendas do Ceará. “Prefiro trail e escolho as provas com o mínimo de asfalto. Hoje, 90% dos meus treinos são em trilhas. Nasci no Ceará, numa região de fazendas e sempre tive contato com a natureza. Isso certamente me dá uma boa base. Desde criança gosto do desafio de subida e descida, com pedras, raízes, buracos, troncos... Correr e vencer esses obstáculos sem tropeçar ou cair é minha endorfina”, completa Chico.


Chico Santos


serviço

‘tênis delivery’ Trabalho, família, treinos... Cada vez mais os compromissos do dia-a-dia tornam o nosso tempo, cada minutinho dele, extremamente precioso. Tentamos fugir de engarrafamentos, vias públicas com obras e coisas do tipo. Com isso, as compras pela internet não param de crescer. Mas para os corredores, quando o assunto é tênis, comprar pela internet já é coisa do passado. Há algumas semanas a loja Mundo Corrida oferece o serviço de delivery com a ajuda do Facebook. Na rede social o cliente pode ver todos os modelos disponíveis e através de mensagem escolher o de sua preferência, bem como agendar data e horário de entrega. Se preferir pode ligar para a loja e buscar outras informações. “Essa ideia surgiu exatamente num momento difícil. Com as obras da Avenida Ataulfo de Paiva todo comércio do Leblon se viu em dificuldades. Tivemos uma queda de 30% nas vendas. Então pensei que se o cliente não consegue chegar até aqui, nós vamos até ele”, explica Rodrigo Sena, gerente comercial da loja. O cliente recebe a visita do vendedor - que pode até levar mais de um modelo para escolha - e após receber o produto faz o pagamento, em dinheiro ou cartão. “A primeira reação é de surpresa. Muitas vezes escutamos do cliente ‘é isso mesmo? Posso escolher o dia da entrega? Só pago quando receber? O vendedor vem até aqui?’, conta Rodrigo, revelando que o primeiro a usar o serviço já era cliente da loja. “Ele trabalha num shopping e ia comprar numa loja do próprio shopping pra poupar tempo, quando ficou sabendo do serviço”, completa Rodrigo. Na maioria das vezes o atendimento é feito na residência ou no local de trabalho do cliente, mas há entregas em academias e até mesmo em locais como um quiosque na praia. “Um corredor de São Paulo veio participar de uma prova no Rio e navegando pelo celular visitou nossa página e ficou sabendo do serviço. Encontrou um modelo que procurava há algum tempo e em 10 minutos estava com o tênis em mãos”, garante Rodrigo. A triatleta Angela de Chermont (foto acima) experimentou o serviço e ficou supresa com o atendimento e com a disponibilidade do modelo que tanto queria. “Vi na Loja Virtual da Mundo Corrida no Facebook um álbum com fotos, descrição e preços dos modelos. Logo vi o Gel-Hyperspeed 5 da ASICS. Muito bom para treinos de velocidade e provas rápidas. Tenho um da linha anterior e gostei de saber da sua disponibilidade em estoque, pois é difícil encontrá-lo no Brasil”, conta Angela, que comprou o tênis alguns dias depois e se surpreendeu mais uma vez com a velocidade na entrega.

O gerente comercial Rodrigo Sena e a motocicleta usada nas entregas

“Vi que o modelo com cor e tamanho de minha preferência estava disponível. Que ótimo! Fechei a compra e para minha surpresa em 30 minutos recebi o tênis em casa. Trouxeram até um outro par um número maior, dando-me a opção de experimentar qual dos dois tamanhos ficaria melhor no meu pé”, conta Angela.


aprovei o tênis, ainda paguei com o cartão de crédito”, conta Anna, que ficou sabendo do serviço por um amigo do grupo Corredores Cariocas, também do Facebook. A corredora acredita que se a qualidade do serviço for mantida, muitos atletas vão recorrer a ele para realizar suas compras. “Se eles mantiverem a qualidade no atendimento será um sucesso. Não precisaremos enfrentar estacionamento de shopping, engarrafamento, ou até mesmo desviar nossa rotina apenas para comprar um tênis. A grande vantagem também é poder experimentar em casa”, diz Anna, lembrando que para um corredor não é tarefa difícil escolher um tênis numa loja virtual, já que, normalmente, eles são fiéis a marca e modelo. Rodrigo Sena acredita que este serviço será uma tendência em breve e festeja o fato de a Mundo Corrida ter largado na frente. “Cada vez mais as pessoas tem menos tempo. É uma dificuldade o deslocamento de um bairro para outro, o transporte público é ruim e achar uma vaga de estacionamento é quase impossível. Fazer o fluxo inverso, com muito mais conforto e segurança do que a tradicional compra na internet oferecia, certamente será um sucesso”, conta Rodrigo, que vê com otimismo o mercado de material esportivo e acredita em crescimento. “Estamos em franca ascensão. Respiramos esporte com a realização da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos no Brasil. Teremos o grande momento deste segmento nos próximos anos”, completa o gerente. Anna Katharina Mendonça Mas segundo Angela não foi apenas a comodidade que a fez utilizar o serviço. A triatleta conta que as informações obtidas na Loja Virtual e o atendimento pelo telefone também a influenciaram. “A foto nítida com as descrições precisas e com o preço definido me atraíram para a compra. Postar um álbum com os modelos femininos exclusivos, separados por marca, foi uma boa ideia. A credibilidade da marca também conta. É bom saber que existe a loja física do fornecedor e que tendo qualquer problema teria como resolver”. A ultramaratonista Anna Katharina Mendonça, bicampeã da K21 Arraial do Cabo, também usou o serviço. Todas as etapas, como escolha de modelo e compra foram feitas através da Loja Virtual Mundo Corrida. “No dia seguinte eles me entregaram. Pude experimentar e, depois que

O Gel-Hyperspeed 5 da ASICS, modelo escolhido por Angela de Chermont


saúde

Veja seu esporte com bons olhos Mariam Rachid é diretora da Clinica de Olhos Rio e Fellow em Oftalomologia pela Harvard Medical School

“Todos sabem que na prática de esportes ao ar livre os cuidados com a saúde devem ser redobrados. Não só em a relação à pele (exposição solar), hidratação e vestimentas leves, mas também com os olhos. Sabemos que o olho é um das áreas mais sensíveis do corpo humano, mas muitos se esquecem de protegê-lo. Já pensou um corredor usuário de lentes de contato que durante a corrida começa a sentir as lentes embaçarem? E se entra um cisco no olho? E se o vento provocar ressecamento, deixando a visão turva? Isso certamente atrapalharia sua prova. A visão pode influenciar diretamente na corrida não deixando que o atleta tenha sua melhor performance. A visão é para ajudar, e não atrapalhar. Pensando bem, a visão faz o atleta prever o próximo passo, o próximo obstáculo, o próximo risco. Quando o tema é esporte outdoor, os efeitos dos raios solares é o que primeiro vem à mente. Todos sabemos que são extremamente agressivos à pele e de efeito cumulativo. Todos se lembram de usar

o filtro solar, mas esquecem que os raios solares são inimigos dos olhos. Também têm efeito adverso cumulativo nos olhos e são responsáveis por acelerar ou provocar várias patologias. Atletas como corredores e ciclistas devem ter em mente que os horários de maior incidência da luz solar para os olhos são no início da manhã e no final da tarde. Além disso, o nascer e o pôr do sol provocam o efeito lusco-fusco, atrapalhando tanto a visão do atleta, como dos pedestres ou motoristas. Ou seja, nestes horários assim como à noite (quando a visão é prejudicada), o atleta deve tomar cuidado tanto para ver bem (uso de boné ou viseiras e óculos com lentes escuras para o dia e lentes claras ou amareladas para mais tarde, diminuindo o ofuscamento), quanto para ser bem visto, notado (utilizando roupas e ou acessórios refletoras). Abaixo você tem algumas dicas de como cuidar bem dois seus olhos. E jamaisolhe diretamente para o sol, com ou sem óculos escuros! A cegueira macular por visualização direta do sol é irreversível. Observe que negativos de fotos, radiografias, óculos

Protetor solar

Bonés, chapéus ou viseiras

Apesar do protetor solar ser irritante para os olhos, mesmo quando cai em pequenas quantidades, o atleta não pode abrir mão de utilizá-lo. Escolha um protetor solar com alto fator de proteção. Ao aplicar, retire o excesso, que na maioria das vezes se localiza nas sobrancelhas e cílios (podendo com o suor, escorrer para os olhos) e deixe secar bem.

São boas barreiras mecânicas tanto para diminuir a entrada dos raios solares na pele e nos olhos quanto proporcionar maior conforto visual. Ainda ajudam a evitar acidentes com folhas, galhos, insetos.Dê preferência aos tecidos com filtros solares. Para diminuir a chance do suor cair nos olhos, alguns atletas utilizam as fitas de testa.


Fique por dentro SUOR, areia, insetos, vegetação, poeira, protetor solar, vento, e raios solares diminuem a performance do atleta em atividades ao ar livre. escuros (mesmo com o filtro adequado) não protegem seu olho deste problema. Apesar de a grande maioria dos atletas saberem da importância do uso de óculos escuros no dia-a-dia e principalmente durante a atividade esportiva, ainda há muitas dúvidas sobre como escolher o óculo ideal e especialmente as lentes ideais. Na verdade, a melhor cor é a que lhe proporciona maior conforto visual e menor dificuldade de enxergar. Logicamente, durante o dia uma lente mais escura (marrom) diminui o incômodo pela claridade excessiva. Ao final da tarde, quando o sol está se pondo, as lentes amareladas ajudam a ter melhor contraste visual. E à noite ainda fica a opção de lentes transparentes também. A proteção aos raios solares não está relacionada com a cor das lentes, e sim com o filtro que contém. Durante horário em que o sol ainda é visto, lembre-se de só utilizar óculos (escuros ou claros) com lentes com filtro solar (ideal seria filtro de 99 -100%). As lentes transparentes também devem ter filtro solar.

A PENETRAÇÃO dos raios solares nos olhos é maior no início da manhã e ao pôr do sol. A INCIDÊNCIA dos raios solares é maior em atividades aquáticas, na areia e na neve poistais superfícies refletem a luz do sol. NUNCA utilize óculos escuros sem filtro solar adequado, pois o escuro reduzirá a miose pupilar (provocada pela claridade), fazendo com que a pupila se dilate um pouco mais e aumente a penetração ocular dos raios solares. HOJE em dia, a maioria das lentes de contato vem com filtro solar, mas ainda não na porcentagem ideal. Mais um motivo para se utilizar óculos esportivos sobre as lentes de contato EXIJA o comprovante das lentes com relação à proteção solar. Ideals seria escolher seus óculos em óticas especializadas, pois apresentam treinamento especisalizado e maior gama de opções de armações e lentes próprias. USE E ABUSE de viseira, bonés, chapéus, ( de preferência com tecido com filtro) e filtro solar de alta proteção.

Colírios lubrificantes

Óculos esportivos

Atividades ao ar livre podem facilitar a irritação ocular, principalmente em dias de muito calor com exposição excessiva do sol ou dias de frios extremos e ressecar os olhos diminuindo a acuidade visual.Instilar algumas gotas de colírio antes e depois da prática esportiva ajuda a manter o olho mais lubrificado, imprescindível em usuários de lentes de contato.

Melhor proteção nas atividades externas. Os de marcas confiáveis são ajustados ao rosto de acordo com cada esporte. Para ciclista, corredor ou jogador de esporte de praia, o ideal seriam óculos bem ajustados ao rosto para evitar que caia suor, areia, corpos estanhos, insetos, durante o exercício, além de apresentarem curvatura adequada e boa visibilidade lateral. Para os que necessitam de óculos de correção, algumas lentes ainda podem ser feitas com a prescrição do grau.


medicina do esporte

canelites na corrida

Cristiano de Souza Laurino é médico ortopedista, diretor da Sociedade Brasileira de Traumatologia do Esporte e da Confederação Brasileira de Atletismo

As dores nas pernas são queixas muito frequentes nos corredores e as “canelites” representam 6% a 16% de todas as lesões nos corredores. A “canelite”, considerada uma lesão por sobrecarga no esporte, é o nome popular da síndrome do estresse tibial medial (SETM), primeiramente descrita como uma dor induzida pelo exercício e localizada especificamente na margem posterior e interna (medial) da tíbia. Outras denominações são encontradas na literatura, tais como: a “dor na perna induzida pelo exercício” e a “tibialgia”. Embora vários estudos tenham procurado estabelecer as causas exatas para o surgimento da dor na “canelite”, esta questão permanence ainda não resolvida. Até recentemente, a teoria mais aceita é a inflamação do tecido que recobre o osso da tíbia (periósteo), gerada pela tração dos músculos sóleo e flexor longo dos dedos, além do tecido que recobre os músculos, a fáscia profunda. Mais recentemente, estudos apresentam a teoria de que a “canelite” não corresponde a uma inflamação, mas sim a uma resposta de formação e absorção de osso, secundária à tração que os músculos exercem sobre a tíbia. A sensação de “dor óssea”, gerada durante a corrida e aterrissagem dos saltos, tem uma evolução progressiva. No início, a dor apresenta baixa intensidade, mas pode evoluir para grande intensidade, impossibilitando o atleta de continuar o treinamento. A dor tem uma extensão de 4 a 6 cm, localizada principalmente na margem posterior e interna (medial) da tíbia. Os sintomas podem durar dias a meses e provocar mudanças no rendimento do atleta. Os movimentos do pé e tornozelo geralmente não desencadeiam dor, porém os movimentos de alongamento do músculo sóleo e os saltos com uma perna podem ser sintomáticos. Os fatores predisponentes ao aparecimento das canelites são ainda amplamente discutidos, tais como: a pronação excessiva, as atividades de impacto repetitivo, o aumento súbito na freqüência, intensidade e duração da atividade esportiva, o treinamento em superfícies rígidas, algumas técnicas de treinamento, calçados inadequados, os desequilíbrios musculares, as deficiências de flexibilidade, os índices de massa corporal elevados, as lesões pregressas e as anormalidades biomecânicas. A ressonância magnética é o melhor método de imagem para o diagnóstico específico de cada estágio, fornecendo dados mais confiáveis à respeito da duração e da extensão da lesão. O entendimento da evolução desta lesão é de grande importância para o acompanhamento clínico e o tratamento do atleta. As formas de tratamento são inicialmente conservadoras, através da utilização de medicamentos (sob prescrição), as compressas com gelo (crioterapia), os exercícios de alongamento, as modificações no treinamento e as correções biomecânicas, dentre outros métodos. O tratamento cirúrgico fica reservado aos casos mais duradouros e sem melhora com os métodos conservadores. Cuide das suas pernas e bons treinos !


Natureza exuberante Em Niterói, nem só de praias vivem os adeptos das corridas e das caminhadas

Atletas da Assessoria Esportiva Lilia Godoi treinam no Parque da Cidade. Na foto menor, frutas que encontram pelo caminho. Na página ao lado, na foto menor, Equipe Upsports Club durante treinamento na Vila Progresso. na foto maior atletas da Symbol TriTraining numa trilha do Parque da Cidade

Niterói é logo ali e não é raro ver assessorias esportivas do Rio levarem seus atletas para treinões na orla da cidade. Mas nem só de corridas e caminhadas na orla vivem os ‘atletas’ de Niterói. Ninguém melhor que eles para sugerirem outros lugares para estes treinões, sempre com boa variedade de pisos e altimetria. Não há como duvidar de que as praias são os lugares mais procurados para aqueles que buscam se exercitar ao ar livre. O percurso plano, a temperatura muitas vezes amena e o belo cenário são um convite para quem quer boa qualidade de vida. Mas a natureza exuberante, com morros e montanhas, garante ótimos treinos de corrida e caminhada em Niterói. Treinos para todos os perfis de ‘atletas’, do iniciante ao avançado. Do caminhante ao ultramaratonista. Um bom exemplo é a trilha da Vila Progresso, em Pendotiba, a menos de meia hora do centro de Niterói. Na Região Oceânica ficam as trilhas da Andorinha, em Itaipu; do Vai e Vem, no Engenho do Mato; do Jacaré; e do Desmanche, em Várzea das Moças. No entanto, não é aconselhável aventurar-se sozinho por estas trilhas e mesmo estradas. O ideal é fazer parte de uma assessoria esportiva, que pode também fazer um planejamento para melhoria da performance e adoção de hábitos saudáveis. Lilia Godoi é treinadora da assessoria esportiva que leva seu nome. Pósgraduada em Treinamento Desportivo, Lilia tem atualmente cerca de 30 corredores em sua equipe e só vê vantagens em levá-los para treinos em

lugares como o Parque da Cidade, que começa com uma subida íngreme de asfalto e logo oferece muitas subidas e descidas. “As trilhas ficam bem variadas, alternando subidas, descidas e terreno plano. É um excelente lugar para treinos objetivando provas longas com percursos que incluem subidas. Ali os treinos proporcionam muitos benefícios, como aumento da resistência cardiovascular, fortalecimento da musculatura da perna e das articulações, melhoria nos reflexos. Tudo isso sem contar a natureza exuberante. É sempre muito agradável correr junto à natureza. A vista é sempre maravilhosa e o ar puro um presente para os pulmões”, afirma Lilia. Fábio Celso, treinador e sócio da Symbol TriTraining Sports Outdoor, faz coro com Lilia e acrescenta outra vantagem dos treinos no Parque da Cidade: a facilidade de acesso e a infraestrutura do lugar. “Lá em cima, perto da rampa de vôo livre, há uma lanchonete com venda de sanduíches, sucos e água, além de bebedouro e banheiro. Mas o que atrai são sete trilhas diferentes. Uma delas desce até o Cafubá, passando pela Lagoa de Piratininga, a outra costeia a serra do Morro da Viração até a trilha próxima à pedreira de Charitas, onde vislumbra-se a praia e a lagoa de Piratininga, as praias de Camboninhas, Charitas e São Francisco, além de boa parte de Niterói e do Rio de Janeiro. São possibilidades de treino em mata fechada, estrada de chão, asfalto e muitas subidas e descidas”, explica Fábio.


treinador da Performance Assessoria Esportiva, leva com frequência seus atletas para corridas e caminhadas neste cenário de tirar o fôlego. “O percurso tem surpresas e paisagens inigualáveis, como cenários rústicos e animais silvestres cruzando o caminho. A estrada de chão batido é uma característica do percurso, a ladeira é alta e curta no inicio, cerca de 600m de subida. Já a decida é longa, com cerca de 2k de pura aventura em uma trilha linda na mata, dentro da Serra da Tiririca. De Itaocaia a Itaipuaçu, já em Maricá, é estrada de terra batida. Aí o terreno plano é um convite para aqueles que esbanjam preparo”, explica Leonardo. Fugir da rotina de treinos no asfalto, preparar-se para provas específicas ou simplesmente relaxar em meio à natureza. Estes são os principais motivos que levam esportistas a trocar os centros urbanos pela mata. Mas é preciso cuidado. “Não se deve fazer trilhas sozinho, por mais que se conheça o percurso. Estar acompanhado é uma questão de segurança. Acidentes acontecem e não se pode brincar com isso “, alerta Rossy, da Upsports Club. Rossy Borges, da Equipe Upsports Club, sugere a Vila Progresso, em Pendotiba. Segundo ele, o percurso de terra batida é ideal para treinos cross country. “São subidas e descidas num percurso bem acidentado, mas que alterna trechos fáceis e difíceis. São treinos importantes para provas cross country que temos em nosso calendário”, diz Rossy. Outro lugar que atrai corredores e caminhantes é a chamada Estrada do Vai e Vem, que liga o Engenho do Mato a Itaipuaçu. Leonardo Lemos,

O alerta vale para qualquer um, do iniciante ao avançado. Mesmo o Parque da Cidade, mais próximo ao centro de Niterói, pode oferecer riscos. “O parque tem trilhas bem tranquilas, como a Rampa Velha e a Estrada do Ceará. Mesmo assim, ter cuidado é essencial”, completa Rossy, lembrando que embora não seja obrigatório, procurar uma assessoria esportiva e seus profissionais de Educação Física pode evitar alguns problemas causados pela atividade física não orientada.


HISTÓRIA,

SUORES E EMOÇÕES

crônica

Lílian Cristiane Moreira tem doutorado em Estudos Literários, é professora e autora do blog "De suor e poesia" - desuorepoesia.blogspot.com

E geralmente começamos de uma maneira descompromissada, como um lazer, uma recomendação médica, um não ao sedentarismo... E no início pode ser um pouco incômodo: ficamos muito cansados, bastante ofegantes, com um pouco de dor no corpo... Se insistimos e continuamos tentando, aos poucos passamos a sentir um bem-estar “estranho”, meio inexplicável: como pode algo que nos deixa tão desgastados provocar uma sensação tão gostosa? E continuamos... Vencemos as primeiras dificuldades, começamos a convidar alguns amigos para ir junto, conseguimos ampliar um pouco o tempo na prática do exercício, olhamos um tênis mais indicado para a atividade, compramos um top aqui, um short ali, meias adequadas e: opa! Inscrevemos-nos em uma prova! Pronto, se ainda não estávamos – ou não nos julgávamos – fisgados pela corrida, agora não tem mais jeito. Quando se sente a adrenalina de um ambiente de corrida e, principalmente, quando se participa de uma, dificilmente a pessoa consegue parar... Não é necessário ir para competir, podemos deixar isso para os profissionais e ir apenas (como se fosse pouco) pelo prazer de participar... É como se ali as pessoas esquecessem seus problemas e deixassem fluir o que há de mais vivo nelas, uma mistura de felicidade e adrenalina, no pré-prova, e de endorfina e satisfação, no pós-prova. Avistar, a alguns metros, uma linha de chegada e dela ir se aproximando até atravessá-la tem um significado muito específico para cada um de nós, mas, acredito, tem o gosto da satisfação para todos. E o que dizer da primeira medalha? Ah, é realmente valorosa! E continuamos atentos às novidades: novas corridas, outros tênis, novas distâncias, mais velocidade. Que tal uma ladeirinha pelo trajeto? E o que dizer dos treinos de tiro? De uma corrida noturna? E correr na areia? Já ouviu falar de uma espécie de sapatilha que mais parece uma luva para os pés, superconfortável para correr na areia? Chega um amigo mais atento à tecnologia e nos mostra um frequencímetro aqui, um GPS ali, um software de corrida acolá... E vamos nos atualizando no que há de mais moderno no universo da corrida... De repente, percebemos que precisamos de um porta-medalhas e que se corrermos com um cinto de hidratação podemos nos desgastar menos... Os mais aventureiros, que gostam de longas distâncias, já vão logo de mochilinha de hidratação nas costas... E descobrimos os carboidratos em gel, as balinhas que repõem os sais minerais, os hidrotônicos e isotônicos... E os aminoácidos, que nos ajudam a evitar a perda de massa magra, é claro... E o universo da corrida começa a se mostrar muito mais “recheado” do que podíamos imaginar quando dávamos nossos primeiros e dificultosos trotes por aí. Todos esses aparatos surgem na intenção de nos auxiliar, de evitar que nosso corpo sofra muito desgaste, de nos manter saudáveis para uma prática de corrida consciente. Meus armários estão cheios deles, meu guarda-roupa também. Mas sabem de uma coisa? Tem dias em que o bom mesmo é deixar quase tudo isso de lado e sair correndo simplesmente... Guiados pelo prazer, sem destino nem distância programada; descalços pela areia, ao sabor do vento; com a frequência cardíaca monitorada pela emoção que é ativada por um amanhecer ensolarado, por um pôr do sol multicolorido, pela claridade de uma noite enluarada... Dias em que deixamos adormecer - nem que seja por alguns momentos - o atleta latente que existe em nós, tão homo sapiens, em busca de aperfeiçoamentos, e despertamos o homo sentimentalis, que se emociona e, sobretudo, valoriza as simplicidades da vida...


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