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HISTÓRIA DO BRASIL

Aluno:

Assis Muxfeldt Paim Benet

Turma:

901 – Noite

Professor:

Cláudio


“ Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até ao esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente 5 mil soldados. ( ... ) Caiu o arraial a 5. No dia 6 acabaram de o destruir desmanchando-lhe as casas, 5.200, cuidadosamente contadas. ”

O texto acima, extraído de “ OS SERTÕES ” obra máxima de Euclides da Cunha, esteve na 4° e derradeira campanha, como correspondente de guerra pelo jornal “O ESTADO DE SÃO PAULO” relata neste trecho, a agonia final no dia 05 de outubro de 1897, o dia em que um povoado de sertanejos maltrapilhos combateu até o últimos de seus homens o Exército Brasileiro da recém-formada república. O que foi Canudos? Por que o arraial despertou tamanha fúria do Governo Federal ? Por que tamanha barbárie de brasileiros contra brasileiros ? Guerras civis são sempre lembradas com pesar, mas história é história. Mesmo seus momentos menos honrosos precisam ser lembrados. É o que acontece nos Estados Unidos, onde os campos de batalha da Guerra de Secessão (1861-1865) são preservados de forma quase sagrada. O contraste com o que acontece no Brasil é gritante. O campo de batalha da maior tragédia civil brasileira não só foi abandonado por muito tempo, como também foi literalmente alagado. Mas o drama de Canudos e do beato que criou a povoação, conhecido como Antônio Conselheiro, foi grande demais para poder ser varrido do mapa. Ainda há muito ali que lembra o grande embate do final do século 19, mesmo que o arraial que deu origem ao conflito esteja repousando submerso as águas de um açude. Só em 1997, quando eram comemorados os cem anos da destruição do arraial no sertão da Bahia, que o local no qual morreram milhares de brasileiros foi dignificado com a criação de um parque estadual. O Parque Estadual de Canudos, distante 480 quilômetros por estrada de Salvador, foi criado “para tornar inesquecíveis os mártires liderados por Antônio Conselheiro”, como consta da placa descerrada no local. Para entender o que aconteceu na pequena Canudos, localizada no interior do sertão nordestino brasileiro, ao norte do estado da Bahia, requer uma viagem no tempo para muito antes de 1896, ano em que teve início o conflito no qual, quase um ano depois, em outubro de 1897, mais de 25 mil


humildes sertanejos haviam sido exterminados. A história do massacre de Canudos começa com a história de vida de Antônio Conselheiro, ao redor de quem o pequeno arraial surgiu e cresceu. Antônio Vicente Mendes Maciel, o Antônio Conselheiro, nasceu no interior do Ceará, na pequena Quixeramobim, em 1830. Nos primeiros anos de sua vida, os pais do pequeno Antônio queriam que ele fosse padre quando crescesse, pois essa era a forma mais fácil de ascensão social naquele Nordeste miserável do século 19, porém, os rumos começaram a mudar quando, aos 6 anos, Antônio perdeu a mãe. Seu pai casou-se novamente menos de dois anos depois, e o menino, então com quase 8 anos, passou a ser espancado e maltratado pela madrasta. Antônio era uma criança acanhada, mesmo assim aprendeu latim, francês, geografia e aritmética. Mais tarde, definiria sua infância como um "período de dor". Aos 25 anos, em 1855, perde o pai e passa a administrar uma pequena venda da família. Pára de estudar e esquece em definitivo as aspirações de tornar-se padre. Antônio assumiu os negócios e as dívidas da família, além da responsabilidade sobre quatro irmãs solteiras. A falência foi inevitável e, durante anos, ele tentou de tudo para ganhar a vida. Foi professor de Português, Aritmética e Geometria, trabalhou em lojas, tentou abrir seu próprio


Ilustração de Antônio Conselheiro e seus seguidores.

comércio em pequenas localidades do interior do Ceará e chegou mesmo a atuar como requerente, uma espécie de advogado sem diploma, na cidade de Ipu. Na época, já era casado com sua prima Brasilina Laurentina de Lima, com quem aparentemente teve dois filhos. Na cidade cearense de Tamboril, a mulher acabou fugindo com um soldado chamado João de Melo. Desnorteado, sem família ou profissão, Antônio Maciel passou a vagar pelos sertões acompanhando missionários, dedicando-se em definitivo a vida de andarilho, pregador e peregrino. Em meados da década de 1870, seu prestígio já estava consolidado. Um grupo de fiéis que o acompanhava sempre, ajudando-o na reconstrução de igrejas e muros de cemitérios. Os padres toleravam sua atuação, alguns deixavam até mesmo que ele pregasse dentro das igrejas. Mas a medida que a fama do beato aumentava, a hierarquia eclesiástica no Nordeste começou a preocupar-se. Não demorou muito para que se multiplicassem perseguições. O beato foi preso em 1876 e, para ser solto, teve de prometer que abandonaria suas pregações. Promessa não cumprida. No ano seguinte, o Conselheiro e seus adeptos estavam de volta aos sertões da Bahia.


Vale lembrar que no final do século XIX até meados de 1915 no século XX, o Nordeste brasileiro foi assolado por grandes secas, dizimando plantações e pecuária. Não havia trabalho, foi uma época de grandes migrações tanto para a Amazônia ( onde o ciclo da borracha estava no auge ) ou para as fazendas de café do sul. Os que resistiam bravamente enfrentavam a miséria, as epidemias e a fome. O avento da República forneceu novos elementos de instabilidade à crise no sertão. A substituição do velho e patriarcal imperador pela concepção de um presidente temporário, mandando com data marcada, aumentou o sentimento de insegurança da população. Diante desse quadro de flagelo e instabilidade política e social os homens simples do sertão estavam desnorteados. Os valores tradicionais já não serviam, e os novos valores ainda não se haviam estabelecido. Assim, para muitos, a religião se apresentou como o único refúgio. O discurso de Antônio Conselheiro, embora católico, pregava que a Igreja estava sempre do lado dos fortes e ricos, deixando os humildes abandonados. As pregações também criticavam o acúmulo de terras improdutivas no interior do Nordeste. Criticava a instituição do casamento civil, liberdade de culto e a secularização dos cemitérios eram inaceitáveis para ele. Em suas pregações passou a denunciar a República como “o Anticristo às portas do fim do mundo“ Em 1893, Conselheiro desafiou ostensivamente a República. Na praça central do município de Bom Conselho queimou as tábuas onde estavam afixados os editais que anunciavam os novos impostos a serem cobrados pelo Governo. Foi nessa época que, tendo sua prisão de decretada e vendo-se obrigado a fugir das Volantes ( Força Policial do sertão ). Achou que chegara a hora de criar sua própria comunidade. O lugar escolhido foi a antiga fazenda de Canudos, que se encontrava abandonada, o nome “Canudos” vêm em alusão a abundância de bambus em forma de canudos que cresciam naquela região à beira do rio Vaza-Barris. Foi rebatizada pelo beato de Arraial de Belo Monte. Sob sua autoridade, os fiéis logo se organizaram. Todos os bens pessoais deveriam ser entregues à comunidade; cada família receberia um lote de terra para cultivar, e a produção obtida da terra seria dividida entre todos. Nasce assim, a experiência única de uma comunidade igualitária que tanto prosperou de forma independente no Brasil. Canudos surgiu 5 anos após a libertação dos escravos e 4 anos após o fim do Império e a proclamação da República, num Brasil que ainda estava preso ao modelo de economia rural dos tempos da colonização, mas buscava integrar-se na nova ordem econômica mundial da industrialização capitalista.


Gravura ilustrando o arraial de Belo Monte ( Canudos ) A fama do arraial de Belo Monte espalhou-se como rastilho de pólvora, os deserdados da sorte, miseráveis, desesperançados ali procuravam refúgio, aspirando a encontrar o paraíso terreno. Só não eram recebidos os simpatizantes da República, os ladrões e as prostitutas. O arraial chegou a ter uma população de 15.000 a 25.000 habitantes, só perdendo na Bahia para Salvador, que em 1897 contava 180.000 habitantes, e transformou-se num fenômeno único no sertão, acostumado às grandes peregrinações religiosas: pela primeira vez, os fiéis iam, mas não voltavam. Belo Monte só possuía uma rua, que começava na igreja onde Antônio Conselheiro pregava. Os casebres se amontoavam desordenadamente sobre as colinas próximas, fato usado por muitos para classificar a incapacidade e a ignorância dos sertanejos. Porém, na obra 'A Guerra Social de Canudos', o autor Edmundo Moniz afirma que a aparente disposição desordenada das casas tratava-se de uma estratégia de defesa, já que Antônio Conselheiro sabia que mais cedo ou mais tarde a República atacaria Canudos, e as casas desordenadas seriam trincheiras umas para as outras. A aparente anarquia de Belo Monte na realidade seguia uma rígida hierarquia de autoridade e de uma divisão formal de trabalho, logo abaixo de Conselheiro havia um coletivo de 12 chefes, os “12 apóstolos”, que cuidavam dos aspectos administrativos do arraial. João Abade era o “comandante de rua” ou “comandante do povo”; ex-cangaceiro, experiente nos segredos da caatinga, cuidava da defesa do arraial e providenciava as escoltas para os grupos que saíam para conseguir provisões. Antônio Vilanova cuidava do registro de nascimentos, casamentos e mortes. Seu irmão Honório administrava as finanças da comunidade; como o Conselheiro proibira a circulação do dinheiro republicano, as trocas de mercadorias ( escambo ) eram comuns, e Honório era encarregado de regulamentar essas transações. Antônio Beatinho fiscalizava o cumprimento dos deveres religiosos.


Abaixo dos 12 apóstolos estava a Santa Companhia, composta de 800 fiéis. Formavam uma espécie de guarda pessoal de Conselheiro, além de encarregar-se dos contatos com as populações próximas para abastecer Canudos de produtos que não podiam ser obtidos no local. O arraial de Belo Monte crescia harmoniosamente. O povo plantava as roças, fazia artesanato, construía casas e levantava a igreja de pedra que Conselheiro dedicara ao Bom Jesus. À noite, a cidade parava para rezar e ouvir as pregações do beato. Era uma comunidade ideal, verdadeira utopia em pleno sertão baiano, à parte e à revelia do Brasil oligárquico e republicano. Isto a condenou à destruição. Canudos ( Belo Monte ) incomodava à Igreja Católica, que via seus fiéis debandarem para a comunidade de Antônio Conselheiro, e incomodava também os grandes fazendeiros latifundiários do sertão nordestino, que viam sua mão de obra explorada seguindo para o lugar onde não havia a opressão de um sistema que não diferia em nada dos moldes escravistas, extintos só no papel alguns anos antes, não tardou a renderam a ele a acusação de ser um perigoso agitador monarquista e anti-republicano. Diante dessa realidade de resistência, faltava apenas um simples estopim para a classe dominante católica e burguesa da República massacrar Canudos. Se Canudos não fosse destruída, surgiriam outras comunidades religiosas como ela no sertão. O conflito começou por um motivo banal e injusto. Antônio Conselheiro e os habitantes de Canudos estavam construindo uma nova igreja na localidade, e precisavam de madeira para edificar a base do telhado. Compraram a madeira em Juazeiro e pagaram adiantado, com os recursos gerados pelo comércio de sua produção excedente. Um juiz de Juazeiro expediu uma ordem para que a madeira não fosse entregue aos seguidores de Antônio Conselheiro. Logicamente, os homens de Canudos partiriam para Juazeiro a fim pegarem a madeira que lhes era de direito. Uma força policial local com pouco mais de 100 homens foi enviada para Canudos a fim de reprimir os "desordeiros", chefiada pelo tenente Manoel da Silva Pires Ferreira, em 7 de novembro de 1896 foi a chamada primeira expedição da Guerra de Canudos, que teve um fim vexaminoso, pois foi aniquilada rapidamente no pequeno povoado de Uauá, localizado no meio do caminho de 100 quilômetros entre Juazeiro e Canudos. As tropas pararam para descansar e não perceberam que, à noite, a população fugiu da cidade. Pouco depois, foram atacados pelos canudenses e debandaram, deixando para trás armamentos e munição. A polícia local baiana enviou então um relatório pedindo reforço ao Governo Federal, no qual afirmava que um elemento perigoso pregava doutrinas subversivas contra o Estado republicano, convencendo as pessoas de que era o próprio "Espírito Santo". Havia muito que Antônio Conselheiro previra uma guerra que precederia o fim do mundo, com profundas transformações, resumidas na frase do beato: “O sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão. No final dos tempos, o Rei Dom Sebastião sairá das águas para anunciar um novo tempo de paz e justiça”.


Assim, guiados pela fé, usando táticas de guerrilha ( conforme as figuras a seguir ), armas antiquadas ou mesmo improvisadas, os homens de Conselheiro impuseram várias derrotas ao Exército Brasileiro de 1897, que estava longe de ser a “Máquina Mortífera” de guerra em que se transformara na Guerra do Paraguai (1864-1870). O calcanhar de Aquiles era a logística. Não se sabia mais como aprovisionar uma força em campanha com comida e munição. E isso, na caatinga, significava a morte, por sede ou por bala de jagunço, além é claro, de subestimar a força, a coragem e astúcia dos guerreiros de Conselheiro.


Em dezembro, organizou-se uma segunda expedição, dessa vez comandada por um major, Febrônio de Brito, à frente de 543 praças, 14 oficiais e 3 médicos e munida com três canhões Krupp e três metralhadoras. Seu destino não foi diferente. Em três escaramuças, Febrônio foi batido pelas táticas guerrilheiras dos jagunços e obrigado a se retirar, humilhado, em 20 de janeiro.

A essa altura, Canudos era um problema nacional, entra em cena o coronel Moreira César, que vem da capital da república ( Rio de Janeiro ) para aplacar o levante. Considerado herdeiro de Floriano Peixoto e até provável candidato à Presidência, Moreira foi à Bahia levando o cacife da fama de violência e degolas na repressão à Revolução Federalista gaúcha (1893-1895). Com 1 300 homens e quatro canhões Krupp, em fevereiro de 1897 ele iniciou o ataque a partir de Queimadas, ao sul de Canudos. Moreira estava tão seguro da vitória, que desprezou os preceitos básicos do manual de guerra escrito por ele e adotado nos cursos de formação militar. Num erro fatal e infantil, Moreira determinou que a artilharia se estabelecesse no morro acima de Canudos e mandou os soldados invadirem a cidade: entocaiados no arraial, os conselheiristas receberam o exército à bala, sob o olhar impotente dos canhoneiros, que não podiam disparar para não matar os companheiros. Moreira César pagou com a vida seus absurdos descuidos.


A repercussão da nova derrota abalou o Rio de Janeiro e São Paulo. Pela primeira vez, a porção civilizada do país acompanhou pela imprensa o dia-a-dia de uma campanha, transmitido pelo telégrafo. Durante semanas, os despachos dos correspondentes de pelo menos doze jornais fascinavam e alarmavam o público com relatos sangrentos da ação de uma gente descrita como fanáticos primitivos, mestiços miseráveis e supersticiosos empenhados em puxar o Brasil de volta para o passado e o Império, a Guerra de Canudos representava a mais duradoura resistência monarquista à recém-nascida República brasileira. Em meio a distúrbios de rua selvagens, lideranças monarquistas foram perseguidas: no Rio, o coronel Gentil de Castro é assassinado e jornais como O Comércio de São Paulo e o carioca Gazeta da Tarde, monarquistas, são invadidos.


Ilustração do potente canhão Withworth que os seguidores de Antônio Conselheiro apelidaram de “ A Matadeira ”

A 4ª expedição do Exército virou uma questão de honra para o Governo Federal, que não aceitava a seqüência de derrotas sofridas para alguns jagunços do sertão. Sob o comando do general Artur Oscar de Andrade Guimarães, começa então a quarta e última expedição contra Canudos. Dessa vez, com toda precaução. O próprio ministro da Guerra, marechal Carlos Machado Bittencourt teve participação crucial na campanha, este acabaria morto num atentado contra o presidente Prudente de Morais durante as comemorações da vitória no Rio, em novembro de 1897. Em julho, mais de 10.000 homens de dez Estados, três generais e dezenas de oficiais envolveram lentamente Canudos Só 2 meses depois, em setembro, o Exército conseguiu dominar a última saída de Canudos, cercando totalmente o lugar.


Canudos não podia mais receber alimentos, água e reforços formados por sertanejos que chegavam de todo o Nordeste para lutar e defender o arraial do "homem santo" Antônio Conselheiro. Era outubro de 1897 e o Exército Brasileiro bombardeava furiosamente as ruínas de Canudos, pelo Morro da Favela ( nome de uma planta abundante no local ). Serviu como excelente local para o Exército assentar os canhões que mais que qualquer outra arma destruíram o arraial. Dali veio a palavra que designa hoje esses bairros com habitações precárias. Mais tarde, desmobilizados, os soldados que lutaram em Canudos foram parar no Morro da Providência, no Rio, aguardando o pagamento do soldo. Passaram a chamá-lo de “favela”, pois lá também encontraram a mesma planta comum em Canudos. O nome pegou.


-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Os combatentes resistiam sem oferecer rendição. Mesmo os que se rendiam, eram degolados ou fuzilados. Nem mulheres, crianças e idosos foram poupados.

Antônio Conselheiro já estava morto e enterrado desde 22 de setembro, vitimado após ter sido ferido pelos estilhaços de uma granada, e acometido por forte diarréia


. Na tarde de 5 de outubro de 1897, a última trincheira de Canudos ainda resistia. Eram apenas 4 defensores vivos: um negro, um caboclo, um velho e um jovem de 16 anos. O velho era o comandante daquela última resistência e, tendo acabado seus cartuchos de munição, saiu da trincheira trajando a veste azul da Companhia do Bom Jesus, com uma machadinha nas mãos, em direção aos soldados do Exército. Os combates terminaram, mas continuava o massacre.

----------------------------------------------------------------------------------------------------------------Ruínas da igreja nova de Canudos...


... e as ruínas da igreja velha de Santo Antônio

O Ministro da Guerra deu a ordem para que todos os prisioneiros fossem degolados e as casas que restaram de pé fossem explodidas e incendiadas, para que não sobrasse nenhuma lembrança da comunidade religiosa de Canudos.

Casas de Canudos em chamas ao fundo. Nada sobraria do antigo povoado


O cadáver de Antônio Conselheiro foi retirado da sepultura, sua cabeça foi cortada e enviada para estudos na Faculdade de Medicina de Salvador, pois a ciência da época, baseada nas teorias do determinismo europeu, acreditava que a "loucura", a "demência" e o "fanatismo" podiam ser explicados na mistura de raças e nas características faciais do considerado " Monstro dos Sertões ". Logo após o fim do massacre, Canudos foi reconstruída e repovoada. A nova população teve que abandonar definitivamente o lugar em 1970, pois a ditadura militar brasileira resolveu represar o rio Vaza-Barris, a fim de originar o lago de um açude na região. Canudos, que havia acabado anteriormente em sangue, acabava outra vez submersa.

Canudos sob a água, com parte da ruína da igreja emersa. 000Em 1996, uma forte estiagem na região fez o açude secar por completo em vários pontos, deixando Canudos novamente amostra. Nessa ocasião, as ruínas da cidade puderam ser estudadas por arqueólogos, sendo possível um melhor entendimento de como era a vida nos tempos de Antônio Conselheiro, assim como os costumes a as atividades religiosas na época.


Em 1996, quando a seca rigorosa possibilitou estudos arqueológicos. Depois, a chuva inundou novamente o lugar.

Resultado: O conflito de Canudos mobilizou aproximadamente doze mil soldados oriundos de dezessete estados brasileiros, distribuídos em quatro expedições militares. Em 1897, na quarta incursão, os militares incendiaram o arraial, mataram grande parte da população e degolaram centenas de prisioneiros. Estima-se que morreram ao todo por volta de 25 mil pessoas, culminando com a destruição total da povoação.

Na cultura popular: Logo após o final da guerra, foram publicadas uma série de obras escritas por testemunhas oculares - militares, jornalistas e médicos. Entre outros: •

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Canudos, história em versos, 1898, do poeta Manuel Pedro das Dores Bombinho, que participou como militar da Quarta Expedição contra o arraial. Descrição de uma Viagem a Canudos,1899, de Alvim Martins Horcades, estudante de medicina a serviço do Exército, que descreve suas experiências no campo de batalha e denuncia a degola em massa dos presos - velhos, mulheres e crianças. O Rei dos Jagunços, 1899, de Manoel Benício, correspondente de guerra do Jornal do Commercio - um livro de semi-ficção sobre os acontecimentos de Canudos e costumes sertanejos. Os Sertões, 1902, de Euclides da Cunha, que passou três semanas no local do conflito como correspondente do jornal O Estado de São Paulo um livro no qual procurou vingar os mortos no massacre: "Aquela campanha lembra um refluxo para o passado. E foi, na significação integral da palavra, um crime. Denunciemo-lo".

Os Sertões de Euclides da Cunha acabou por tornar-se um dos mais importantes marcos da literatura brasileira, e como tal inspirou uma série de obras baseadas no conflito de Canudos, escritas no mundo todo. Os mais conhecidos são A Brazilian Mystic ( Um Místico Brasileiro ), 1919, do britânico R. B. Cunninghame Graham; Le Mage du Sertão (O Mago do Sertão), 1952, do sociólogo belga Lucien Marchal; Veredicto em Canudos, 1970, do húngaro Sándor Márai; A Primeira Veste, 1975, do escritor geórgio Guram Dochanashvili; e A Guerra do Fim do Mundo, 1980, do escritor peruano Mário Vargas Llosa


Além disso, a guerra inspirou muitos filmes também, entre eles destaca-se o longa-metragem “Guerra de Canudos”, de Sérgio Rezende, lançado no centenário do conflito ( 1997 ). Com José Wilker ( como Antônio Conselheiro ), Cláudia Abreu, Paulo Betti e Marieta Severo.

Bibliografia:

“ Os Sertões ” – Euclides da Cunha 'A Guerra Social de Canudos' - Edmundo Moniz Enciclopédia CONHECER BRASIL, volume 02 – Editora Abril Revista Aventuras na História, edição 69 abril 2009 – Editora Abril Sites: Jornal O Rebate http://orebate-cassioribeiro.blogspot.com/2008/01/antnio-conselheiro-e-o-massacre-de.html


Aventuras na História http://historia.abril.com.br/guerra/aventura-canudos-435607.shtml

Superinteressante http://super.abril.com.br/superarquivo/1993/conteudo_113840.shtml

Wikipédia – Guerra de Caundos http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_de_Canudos


Guerra de Canudos