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Boletim Informativo

BOLETIM ESPECIAL XIX CGGO - 2016

A SOGIRGS realizou seu XIX Congresso de Obstetrícia e Ginecologia do RS, em Porto Alegre, entre os dias 18 e 20 de agosto. Cerca de 800 participantes estiveram debatendo temas atuais da área de ginecologia e obstetrícia, no Centro de Eventos do Plaza São Rafael. O evento reuniu mais de 120 trabalhos científicos apresentados por profissionais de todo o estado. “FATORES DIVERSOS INCIDEM SOBRE A CONDIÇÃO PROFISSIONAL.” Dr. Juvenal Barreto Borriello de Andrade, diretor da FEBRASGO alerta para a valorização do médico ginecologista e obstetra. PÁGINA 4

“UM NOVO OLHAR PARA A TERAPIA HORMONAL.” Convidada internacional do XIX Congresso Gaúcho de Ginecologia e Obstetrícia, a chilena Dra. Paulina Villaseca Delano, é professora adjunta de Endocrinologia Ginecológica, na Faculdade de Medicina da PUC, em Santiago do Chile. PÁGINA 5

“CÂNCER GINECOLÓGICO: IMPORTANTE PRESERVAR A FERTILIDADE DA MULHER.” Condição econômica desfavorável não pode ser determinante contra cirurgias pouco invasivas. Entrevistamos o Dr. Pareja para conhecer um pouco de sua atuação na Colômbia. PÁGINAS 6 e 7


EXPEDIENTE

EDITORIAL

PRESIDENTE Mirela Foresti Jiménez

DIRETORIA ADMINISTRATIVA Recentemente

a

SOGIRGS ções, proporcionaram debates e esclareci-

realizou a XIX edição do Congresso Gaúcho mentos importantes, e com todos os de Ginecologia e Obstetrícia, proporcionan- congressistas presentes. do aos colegas do Rio Grande do Sul uma Aos dois palestrantes internacionais, a oportunidade de aprimoramento científico- Dra. Paulina Villaseca, do Chile, e o Dr.

Mila Pontremoli Salcedo

DIRETORIA DE FINANÇAS Beatriz Vailati

DIRETORIA CIENTÍFICA Maria Celeste Osório Wender

-profissional e também de congraçamento René Pareja, da Colômbia, que aceitaram

DIRETORIA DE NORMAS

e de troca de experiências. Tivemos um nosso convite para vir a Porto Alegre

Fabíola Zoppas Fridman

ótimo público, quase 800 profissionais, dividir conosco suas experiências profis-

DIRETORIA DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL

que participaram ativamente das confe- sionais, fica o nosso agradecimento esperências, mesas-redondas e simpósios. cial. Também contamos com 121 trabalhos Temos certeza de que o sucesso do nosso científicos que foram aprovados e apresen- evento é resultado do trabalho de uma tados em formato de banners eletrônicos, equipe de profissionais sérios e comprodeixando claro que a nossa especialidade metidos com a SOGIRGS, e a eles deixainveste em qualificação e aprimoramento mos nosso reconhecimento, e um “muito científico.

obrigado!”.

Passados estes três dias de intensas Colegas

Ginecologistas

e

Obstetras,

atividades, queremos nos congratular com Residentes, e acadêmicos, estão todos a diretoria da SOGIRGS, com os colegas convidados para o XX Congresso da nossa que participaram da organização (Comis- sociedade, que se realizará de 31 de são Científica e Executiva), com os pales- agosto a 2 de setembro de 2017, aqui em trantes que através das suas apresenta- Porto Alegre. Um abraço!

Maria Celeste Osório Wender Diretora Científica da SOGIRGS

Gustavo Steibel

DIRETORIA DE DIVULGAÇÃO Thais Guimarães dos Santos

DIRETORIA DE ATIVIDADES REGIONAIS Ana Selma Picoloto

DIRETORIA DE ASSUNTOS EXTRAORDINÁRIOS Flávio da Costa Vieira

JORNALISTA RESPONSÁVEL Jorn. Claudia Stivelman REDAÇÃO E ENTREVISTAS Jorn. Marcos Silva Matte

DIAGRAMAÇÃO Laura Palmini

FOTOS Marcos Matte e Fotos Rocha Boletim Informativo da Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Rio Grande do Sul – SOGIRGS Av. Ipiranga, 5311 sala 201 90610-000 - Porto Alegre /RS Telefone: (51) 3339.3609 E-mail: sogirgs@sogirgs.org.br Site: www.sogirgs.org.br

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XIX Congresso Gaúcho de Ginecologia e Obstetrícia XIX Congresso leva atualização para o associado da SOGIRGS O Congresso contou com a participação dos convidados internacionais René Pareja, da Colômbia, e Paulina Villaseca Delano, do Chile. Entre os palestrantes nacionais tivemos a Dra. Carmita Abddo, Psiquiatra e professora da USP; o Professor da

FOTO

USP, Dr. Geraldo Duarte; o Diretor da Defesa e Valorização Profissional da FEBRASGO, Dr. Juvenal Barreto Borriello de Andrade; a Professora da UNICAMP, Dra. Lucia Costa Paiva; o Médico da Santa Casa de São Paulo, Dr. Nucélio Lemos, e o Médico do Hospital do Câncer de Barretos e Professor da Faculdade de Ciências da Saúde de Barretos, Dr. Ricardo dos Reis. A oportunidade de buscar atualização em Ginecologia e

A presidente do Congresso e presidente da SOGIRGS,

Obstetrícia alcançou profissionais da especialidade com atuação

Dra. Mirela Foresti Jiménez, avaliou o encontro como um impor-

em todo o estado do Rio Grande do Sul. Mais de 120 pôsters

tante momento de congraçamento dos ginecologistas e obstetras e

eletrônicos foram aprovados para apresentação durante os três

uma oportunidade de aprimoramento profissional. “Tivemos uma

dias de evento.

programação científica da mais alta qualidade, com convidados internacionais – a Dra. Paulina Villaseca Delano e o Dr. René Pareja, e convidados nacionais que abordaram temas da atualidade para um público de quase 800 congressistas, além da apresentação de mais de uma centena de trabalhos científicos, na modalidade de pôsteres eletrônicos. Para a realização desta edição do Congresso, a SOGIRGS contou com o apoio da FEBRASGO (Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia), da ABRASSO (Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo), da SBRH (Sociedade Brasileira de Reprodução Humana) e da SOBRAC (Associação Brasileira de Climatério). No encerramento, a SOGIRGS fez o lançamento do XX CGGO, que ocorrerá de 31 de agosto a 2 de setembro de 2017, em Porto Alegre, no hotel Plaza São Rafael.

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ENTREVISTA

Fatores diversosincidem sobre a condição profissional. Diretor da FEBRASGO alerta para a valorização do médico ginecologista e obstetra. "Os desafios da Ginecologia e

to das epidemias, com o aumento da

nologia Ginecológica da PUC do Chile e

Obstetrícia hoje" foi o tema da conferên-

sífilis, e uma série de eventos que vêm

com várias publicações nas áreas de

cia de abertura do XIX Congresso

se perpetuando no setor."

Menopausa e Endocrinologia Ginecoló-

Gaúcho, com o Diretor de Defesa Profis-

Juvenal de Andrade salientou a atuação

gica, na sua conferência, vai abordar o

sional da FEBRASGO, Dr. Juvenal

da FEBRASGO pela valorização da

tema: "TH - estado da arte". Já o Dr.

Barreto Borriello de Andrade.

especialidade – "Estamos trabalhando

Rene Pareja, Ginecologista e Obstetra

Médico Ginecologista e Obste-

em muitas frentes. Nós temos assentos

especializado em Oncologia ginecológi-

tra em São Paulo/SP, Juvenal de Andra-

em várias entidades nacionais, como

ca, com atuação profissional em vários

de falou sobre as causas da atual

CFM, AMB e representações dos órgãos

centros de excelência como a Pontifícia

desconstrução da condição profissional

de saúde – um deles o Conitec, que

Universidad Bolivariana de Medellin, o

do médico, e como a FEBRASGO pode

determina políticas de saúde públicas –

Instituto Nacional de Cancerologia, em

contribuir para a mudança deste cená-

e, na Saúde Suplementar, temos assen-

Bogotá, e o CONEP - Central America

rio. "Nós estamos vivendo um momento

to na ANS. Estamos atuando em todas

Gynecologic Education Program, fará

na saúde pública e na saúde suplemen-

estas entidades reivindicando avanços

sua conferência sob o título "Evolução

tar em que o médico está numa situa-

e exercendo protagonismo da FEBRAS-

da cirurgia conservadora em câncer

ção muito desgastada. Está havendo

GO. Em relação à ANS, prosseguimos

cervical inicial".

uma tentativa de desconstrução do

com uma já antiga reivindicação da

médico como profissional ilibado e

especialidade

dos

estão o presidente da FEBRASGO, Dr.

ético. Nestas últimas décadas, com as

valores pagos pelos procedimentos

Cesar Fernandes, que falou sobre os

más políticas públicas, com a má

existentes na CBHPM e constantes do

"Desafios da Ginecologia e Obstetrícia

gestão do Ministério da Saúde e com as

rol de procedimentos.” – explica.

hoje" - na conferência de abertura do

para

a

revisão

Entre os convidados nacionais

dificuldades de relacionamento dos

Os convidados internacionais

Congresso. Também estiveram presen-

médicos com a saúde suplementar

do evento são a Dra. Paulina Villaseca

tes o Dr. Ricardo Reis, de Barretos, o

através da ANS e das operadoras de

Délano, do Chile, e o Dr. Rene Pareja,

Dr. Geraldo Duarte, de Ribeirão Preto, a

saúde, houve uma piora na qualidade

da Colômbia.

Dra. Carmita Abdo e o Dr. Nucelio

do atendimento médico à população, e isso tem sido avaliado com o surgimen-

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Dr. Juvenal de Andrade: “Atuando em várias frentes pela valorização profissional”.

A

Dra.

Paulina

Villaseca

Délano, Professora adjunta de Endocri-

Lemos, ambos de São Paulo.


ENTREVISTA

Um novo olhar para a Terapia Hormonal Convidada chilena, Dra. Paulina Villaseca, em conferência sobre Atualização em TH.

Convidada internacional do IX Congresso Gaúcho de Ginecologia e Obstetrícia, a chilena Dra. Paulina Villaseca Delano é professora adjunta de Endocrinologia Ginecológica na Faculdade de Medicina da PUC, em Santiago do Chile.

Em suas participações, a Dra. Paulina abordou dois temas muito atuais: a Síndrome de Ovários Policísticos (SOP) e a Terapia Hormonal. Conversamos com a médica e professora sobre seu trabalho em torno destas duas questões. Dra. Paulina, que temas têm chamado a sua atenção na pesquisa sobre a Síndrome de Ovários Policísticos (SOP)?

Por fim, tem sido identificada

síndrome do climatério, a atrofia urogeni-

uma associação entre SOP e esteatose

tal e para prevenção da osteoporose e

hepática, como parte da síndrome meta-

fraturas. É fundamental acompanhar a

Os temas que atualmente têm

bólica. Isto é crucial porque a esteatose

manifestação dos sintomas, fazer balan-

hepática pode evoluir para uma cirrose

ços anuais para ver se eles estão melho-

hepática não alcoólica, acarretando as

rando, e na melhora ir reduzindo as

consequências graves desta patologia.

doses de forma gradual e lenta até o

me chamado a atenção na pesquisa da SOP referem-se à evolução desta síndrome ao longo da vida e suas consequên-

desaparecimento total dos sintomas.

cias tardias na meia-idade. Neste sentido, é surpreendente ver que ao longo dos anos, no final dos

Existe uma forma de prevenção da SOP? Apesar

de

existir

um

forte

30 anos e na década de 40 anos das

componente genético para a expressão da

pacientes, os ciclos menstruais estão

SOP, a maioria das complicações não

normalizando, aparecendo ciclos ovulatórios e melhorando a fertilidade potencial. Estas mulheres, inclusive, estão apresentando gravidezes espontâneas inesperadas,

tendo

sido

mulheres

inférteis até aquele momento da vida.

reprodutivas da SOP está relacionada com a resistência à insulina e síndrome metabólica; assim, é muito importante o tares saudáveis.

foi possível estabelecer relação de SOP com risco cardiovascular na idade mais

Há alguns anos se indicava a TH

avançada. É interessante estudar os

para toda a mulher ao entrar na meno-

mecanismos pelos quais isto ocorre.

pausa. Hoje a indicação é para tratar a

que se dissipa após a menopausa – não

aparecimento de fatores de risco, as doses devem ser diminuídas, ou mesmo vir a suspender a TH conforme a avaliação. Pacientes com histórico de câncer de mama ou de endométrio não devem fazer uso da TH. Quanto tempo deve durar a terapia hormonal?

Outro assunto de sua conferência é a Terapia Hormonal (TH). Como é vista hoje a terapia hormonal para mulheres que entram na menopausa?

cia de fatores de risco cardiovascular,

ais devem ser realizadas, e se constatar o

estilo de vida, exercícios e hábitos alimen-

Também chama a atenção que, apesar de que na SOP exista uma alta prevalên-

Avaliações cardiovasculares anu

Quanto à duração da TH, não existem razões definitivas para estabelecer um limite de uso. A decisão de continuar ou não com a terapia dependerá dos objetivos específicos do tratamento e de uma estimativa objetiva dos benefícios e riscos para a paciente.

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ENTREVISTA

Condição econômica desfavorável não pode ser determinante contra cirurgias pouco invasivas.

utilização da laparoscopia na ginecologia oncológica foi o tema da palestra do Dr. René Pareja, oncologista ginecológico do Instituto de Cancerologia Las Américas, de Medellín, na Colômbia, e ginecologista e obstetra da Universidad Pontificia Bolivariana, em Medellín, e da Universidad Javeriana e Instituto Nacional de Cancerologia, em Bogotá. Nós conversamos com o Dr. Pareja para conhecer um pouco de sua atuação na Colômbia. Dr. René Pareja, qual a sua principal linha de atuação? Nosso ponto forte é a preservação da fertilidade em câncer de colo uterino. Muitas pacientes que têm câncer de colo em estado inicial podem ser tratadas com cirurgias que, além de proporcionar o tratamento do ponto de vista oncológico, podem preservar sua fertilidade. Ouvimos falar da necessidade de adaptação do seu trabalho às carências da realidade econômica da Colômbia. Pode nos contar um pouco sobre isso? A laparoscopia, realmente, é uma cirurgia que foi desenvolvida para os países que tenham recursos, que

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podem utilizar e descartar os instrumentos. Por exemplo, uma pistola para selar vasos pode custar até 1.500 dólares. Elas são abertas para a cirurgia, utilizadas 2 ou 3 vezes, e logo são destruídas, seguindo as normas norte-americanas. Isto logicamente aumenta em muito os custos da cirurgia. Nós, infelizmente, não podemos nos dar a estes luxos. Temos que reesterilizar estes produtos, temos que nos adaptar. Outro exemplo: existem umas bolsas para extrair os materiais, que custam 30 a 40 dólares cada. Nós as substituímos por uma luva fechada com um nó na ponta, e assim fazemos a extração. Nós tivemos que desenvolver os nossos próprios processos, pois temos que resolver a situação das nossas pacientes. Nossa capacida-

de técnica, profissional e intelectual são as mesmas que têm os norte-americanos ou europeus, nossa única diferença é que temos menos recursos. Então temos que dos adaptar para oferecer às nossas pacientes o que é oferecido no mundo desenvolvido. E quanto à segurança cirúrgica com o uso destes materiais, quais são os resultados? Comparando-se com os outros desempenhos relatados na literatura, não existe nenhuma diferença. De fato, em alguns parâmetros nossos índices são até melhores, por que temos um volume maior de pacientes, então a exposição a estes procedimentos é


maior. Isso faz com que nossas pacientes possam desfrutar todas as vantagens que têm a cirurgia minimamente invasiva, também na América Latina. O que o senhor pode comentar sobre a laparoscopia na ginecologia oncológica, que é o tema de sua conferência no IX Congresso? A literatura diz que o padrão para manejo das pacientes com câncer do endométrio deve ser a cirurgia laparoscópica. Normalmente estas pacientes são mais pesadas, têm obesidade, e esta obesidade pode ser mórbida. É mais fácil operar estas pacientes por laparoscopia, pois terão menos problemas com feridas cirúrgicas e menos infecções. Obviamente é mais difícil fazer por laparoscopia, porque requer treinamento específico, requer uma curva de aprendizagem; no entanto, quando você completa esta curva, pode oferecer todo o benefício da laparoscopia às pacientes com câncer de endométrio. Em câncer de colo de útero é o mesmo, você pode fazer a cirurgia preservadora da fertilidade por laparoscopia e a cirurgia clássica para câncer de

René Pareja: “É preciso atuar com criatividade quando os recursos são escassos”.

certas áreas da cavidade abdominal, fazer uma contagem e, de acordo com esta contagem, decidir se é melhor pedir um bisturi e completar a cirurgia para deixar a paciente sem a doença, ou se a contagem lhe diz que não será possível fazer isso, então podemos colher biopsias, enviar a paciente à quimioterapia, e depois de três ciclos operar a paciente. Este é o maior impacto promovido pela técnica laparoscópica no manejo das pacientes com câncer de Como é a recuperação da paciente submetida à cirurgia por ovário, no mundo. laparoscopia? colo de útero em estado inicial. Inclusive aqui no Brasil existem muitos grupos que estão trabalhando por este sistema, aqui em Porto Alegre, em Curitiba, em Salvador, em Barretos, e em São Paulo existem grupos muito fortes trabalhando em histerectomia radical por laparoscopia e aproximações minimamente invasivas em procedimentos oncológicos.

A recuperação da paciente é muito melhor, o retorno às atividades diárias, o retorno à terapia oncológica que vinha recebendo e a dor pós-operatória são diferenciais deste procedimento. No que a Laparoscopia pode contribuir com o tratamento do câncer de ovário? Em câncer de ovário, a cirurgia por laparoscopia tem seu papel tanto no estado inicial quanto no estado avançado. No estado inicial você pode reclassificar as pacientes através do uso da laparoscopia, sem nenhuma diferença no resultado oncológico. Mas no estado avançado é que está a grande mudança promovida pela laparoscopia. Numa paciente que tenha um câncer de ovário em estado avançado - o que, infelizmente, são quase 80% dos casos - através da laparoscopia, podemos avaliar

Dr. Pareja, gostaria de deixar mais alguma mensagem aos colegas do Rio Grande do Sul? Quero felicitar aos profissionais não só aqui do Rio Grande do Sul, mas também de muitas partes do Brasil pelo excelente trabalho que estão realizando. Trabalhar em países pobres não pode ser uma limitação para fazermos cirurgias minimamente invasivas. Devemos oferecer a cirurgia minimamente invasiva às nossas pacientes, porque vão se recuperar melhor, mais rápido, com menos dor e as estaremos expondo a menos riscos do ponto de vista oncológico. Porém, é preciso trabalhar em equipe, isso não é possível fazer sozinho. É preciso um hospital que apoie o médico, é preciso seguros que enviem as pacientes para que o profissional tenha um volume constante de trabalho, e assim melhorar seu tempo de cirurgia e seus resultados.

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ENTREVISTA

Ricardo dos Reis fala sobre câncer ginecológico e elogia evento da SOGIRGS O médico formado pela UFRGS, Ricardo dos Reis, participou como conferencista no XIX Congresso da SOGIRGS abordando o tema “Neoplasia de ovário: porque não existe rastreamento”. Com 18 anos de experiência trabalhando no Hospital das Clínicas de Porto Alegre, em 2013 ele foi contratado pelo Hospital de Câncer de Barretos – hospital referência em tratamento de câncer no Brasil. Conversamos com o Dr. Ricardo, que nos concedeu a seguinte entrevista: Ricardo Reis: “É preciso melhorar a realidade nos serviços pelo SUS”

Dr. Ricardo, como é trabalhar no centro do país, num hospital que é referência no tratamento de câncer? O Hospital de Câncer de Barretos atende pelo SUS, realizando mais de 4 mil atendimentos por dia. O que nós vemos é que o modelo de atendimento do SUS é, na teoria muito bom, é elogiável. O problema é que ele não funciona adequadamente. Na nossa área este é um grande problema, pois existem poucos serviços que atendem SUS. Isto faz com que 60 a 70% dos nossos pacientes sejam de fora de São Paulo, de estados como Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, e das regiões Norte e Nordeste, áreas muito precárias em serviços de oncologia. Notadamente existe uma defasagem no número de serviços que atendem pelo SUS em oncologia ginecológica.

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O câncer é uma doença que requer abordagem imediata, pois o tempo é decisivo no sucesso do tratamento. Como administrar esta situação? Nós temos um problema no quesito, pois nós trabalhamos num sistema de "open access", mas a nossa prioridade é manter a fila em 60 dias para o prazo máximo até a cirurgia. É difícil, pois os pacientes chegam de regiões muito deficientes, sem exames realizados e sem diagnósticos adequados. Nós precisamos fazer uma verificação geral do estado da paciente e prepará-la para o procedimento. Mesmo assim realizamos, somando-se todos os departamentos, cerca de 700 cirurgias de câncer por mês.

muito baixa. Se tivéssemos uma cobertura do Teste de Papanicolau realmente efetiva, e a cobertura vacinal do HPV bem estendida, com uma boa campanha educacional, talvez pudéssemos melhorar em muito esta realidade. Uma campanha de educação em saúde também ajudaria muito, pois chegamos a receber pacientes que nos procuram após mais de um ano do aparecimento dos sintomas, o que é muito triste.

Como melhorar esta situação? No câncer de colo uterino, que é prevenível, infelizmente a cobertura é

mundo em que a aceitação da vacina é ampla, como a Austrália, por exemplo. Acho que estes tabus precisam ser

Em relação à questão da vacinação do HPV, que trouxe certa resistência por parte da população, o que o senhor tem a dizer sobre isso? Eu vejo que existem muitos tabus em relação ao assunto, e que precisam ser desmistificados. Hoje existem países no


TRABALHOS CIENTÍFICOS PREMIADOS Entre os 121 trabalhos selecionados para o XIX Congresso Gaúcho de Ginecologia e Obstetrícia, dois receberam premiação para apresentação oral durante o evento. Na área de Ginecologia foi premiado o trabalho intitulado "Comparação entre usuárias de implante contraceptivo de etonogestrel e dispositivo intrauterino de cobre TCU 380ª: há piora da acne?", de autoria de José Mauro Madi, Rosa Maria Garcia, Deise Dal Bosco, Andreia Batistella, Flavine Tonietto e Natália Gazola Viana, da Universidade de Caxias do Sul. Na área de Obstetrícia, o prêmio foi para o vencidos, eu vacinei a minha filha, e acho que é necessário também uma campanha mais intensa de esclarecimento junto à mídia em relação à segurança e efetividade desta vacina. Sobre o seu tema no congresso, o rastreamento do câncer de ovário, o que há de novo? O rastreamento é a prevenção secundária. Infelizmente não se achou até hoje um meio de rastreamento de baixo custo, que seja eficaz e que diminua a mortalidade por câncer de ovário. Os testes que mais se aproximam têm um alto custo, ou demoram um tempo exagerado para apresentar resultados. Hoje nós estamos caminhando para a prevenção primária, que não é o diagnóstico precoce (da prevenção), mas sim é EVITAR o câncer. Nós já temos condições de detectar através de pesquisa genética nas pacientes, um grupo de aproximadamente 25% que têm a Síndrome do Câncer Hereditário. Este câncer foi herdado, através de mutações em determinados genes que propiciam a esta paciente um risco elevado de vir a ter câncer de ovário. Então, se imaginarmos que poderíamos evitar uma doença que hoje mata de 75 a 80% das pacientes, através de um trabalho de prevenção, com a retirada dos ovários e das trompas, seria um grande passo no enfrentamento desta doença. O nosso entrave, no entanto, é o custo do exame genético.

"Impacto da obesidade nas condições maternas e fetais em uma população de gestantes no sul do Brasil", de autoria de Maiara Conzatti, Carolina Oderich, Jaqueline Lubianca e Maria Celeste Wender, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre/UFRGS.

Público lotou o auditório.

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MOMENTOS

XIX Congresso Gaúcho de Ginecologia e Obstetrícia

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EVENTOS FUTUROS

Curso Osteoporose Pós-Menopáusica – O que o Ginecologista precisa saber Convidada: Carolina Moreira (PR)

06/10/2016

Quinta

26/11/2016

Sábado

Reunião de Posse da Diretoria SOGIRGS 2017/2019

Auditório

26/11/2016

Sábado

Curso SOGIRGS

Auditório

27 a 29/10/16

Qui/Sex/Sáb

XVIII Congresso Sul-Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia

Foz do Iguaçu

PROGRAME-SE: para o

57º Congresso Brasileiro de Ginecologia e Obstetrícia, em Belém/PA.

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Boletim Informativo nº 52  

Ano 2016 | Nº 52

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