Simplesmente JUDÔ #19

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EDITORIAL Entregamos a Simplesmente JUDÔ número 19. Mundial Veteranos e de Kata em Lisboa, Mundial Militar na França, Brasileiro Sub 21 em Pinda e Grand Slam de Baku no Arzerbaijão são os destaques desta edição. É muito judô acontecendo pelo mundo todo e tem mais vindo por aí na edição 20 que sairá em janeiro de 2022. Sexta edição em periodicidade

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mensal que lançamos e a capa desta edição é com o judoca gaúcho meda­ lhista olímpico Daniel Cargnin. Nossa missão na revista Simples­ mente JUDÔ sempre será trazer infor­ mações sobre a modalidade onde quer que esteja acontecendo e dentro de nossas possibilidades. Simples assim. Boa leitura.


Por Assessoria de Imprensa da CBJ Fotos: Marina Mayorova e Gabriela Sabau ­ FIJ

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Campeão Marcos Daud (M5 100kg)

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Campeão Irahy Tedesco (M9 81kg) imobiliza seu adversário no shiai jo em Lisboa

Mais uma vez o judô veterano bra­ sileiro mostrou sua força e fechou o Campeonato Mundial de Veteranos ­ Lisboa 2021 com uma ótima campa­ nha: 12 medalhas, sendo cinco de ou­ ro, três de prata e quatro de bronze. O resultado colocou o país em quarto lu­ gar no quadro geral, atrás apenas de Portugal (1º), Ucrânia e Cazaquistão. Foram quatro dias de combates, no período de 21 a 24 de outubro, na ca­ pital portuguesa. O evento realizado pela Federação Portuguesa de Judô e chancelado pela Federação Internacional de Judô con­ tou com a presença de 359 judocas de 42 países. O Brasil foi representado por 22 judocas, sendo 19 homens e 3 mulheres. A delegação brasileira con­ tou com Cristian Cezário ­ Chefe de delegação, Carlos Eurico da Luz Perei­ 07

ra ­ COVID Manager e Laedson Godoy ­ Árbitro. Todos os participantes foram hospeda­ dos no Lisbon Marriot Hotel, em forma­ to "bolha", para atender aos protocolos sanitários contra a Covid 19. "Excelente resultado com a con­ quista de doze medalhas e o quarto lu­ gar no quadro geral da competição. O Brasil mais uma vez mostrou que tem uma grande equipe na classe vetera­ nos ", disse o chefe da delegação bra­ sileira em Lisboa, Cristian Cezário. O Campeão M5 ­100kg, Marcos Daud, escreveu em seu perfil em uma rede social: "Sem palavras hoje conse­ gui mais um título de Campeão Mundi­ al Master de Judô. Não consigo expressar tamanho orgulho, satisfação, alegria, etc… Depois de tantas dificul­ dades para vir , lesão, 4 pcr para com­


Acima, Cristian Cezário ladeado pelas campeãs Katia Silva (F6 63kg), Rosangela Soares Ribeiro (F2 70kg) e Carla Prado (F4 +78kg). Ao lado, o baiano Flavio Pinheiro, bronze no M3 81kg

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petir… acabei ficando gripado na quar­ ta­feira, mas segui em frente. Na pri­ meira luta contra atleta da Turquia tive uma contratura na panturrilha, mesmo assim com ajuda da equipe do Brasil e Paolo, segui em frente . Ganhando de­ pois do atleta do Uzbequistão e na final ganhei do atleta da Espanha. Gratidão a Deus e todos que me ajudaram a chegar até aqui… meus alunos foram minha inspiração, amigos , família e Deus." Confira abaixo os resultados dos brasi­ leiros:

PRATA Danilo Gonçalves (M1 81kg) Denison Santos (M4 90kg) Marco Alencar (M8 81kg) BRONZE Hakson Andrade (M1 66kg) Kaike Albuquerque (M1 81kg) Flavio Pinheiro (M3 81kg) Alam Saraiva (M5 81kg) 5º LUGAR Paulo Ricardo de Oliveira (M1 73kg) Rodrigo Matos (M1 100kg) Nilton Pedro da Silva Júnior (M2 66kg) 7º LUGAR Elder Araújo (M1 90kg) Ricardo Gonçalves (M2 100kg) Marcelo Barbosa (M4 73kg)

OURO Irahy Tedesco (M9 81kg) Marcos Daud (M5 100kg) Katia Silva (F6 63kg) Rosangela Soares Ribeiro (F2 70kg) Carla Prado (F4 +78kg) 09


Com informações da FIJ e Assessoria de imprensa da CBJ Fotos: Gabriela Sabau

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O Campeonato Mundial de Kata 2021 foi realizado em Lisboa, Portugal, no Pavilhão 1 do Estádio Universitário de Lisboa, entre os dias 26 e 28 de ou­ tubro. Conforme descrito por Jigoro Kano, o fundador do judô, existem essencial­ mente duas formas de praticar o judô: randori por um lado com sua variante na competição e kata. Kata significa literalmente "forma". É praticado de acordo com um sistema pré­estabelecido de exercícios codifi­ cados, enquanto randori, que significa “prática livre”, é praticado livremente. O objetivo do kata é, portanto, aprender os fundamentos das técnicas. Durante o Campeonato Mundial de Kata, os atletas inscritos puderam rea­ lizar 5 katas (Nage­no­kata, Katame­ no­kata, Ju­no­kata, Kime­no­kata, Ko­ dokan­Goshin ­jutsu), dois dos quais (Nage­no­kata e katame­no­kata) tam­ bém estiveram acessíveis pela primeira vez a competidores juniores com me­ nos de 23 anos. O Sr. Franco Capelletti, Presidente da Comissão de Kata da IJF e décimo dan da IJF, destacou o alto nível da competição: “É um evento de judô mui­ to bonito aqui em Lisboa. O nível técni­ co de todos os participantes é ótimo. Temos mais de 100 pares participando, o que é um ótimo resultado para o nos­ 12

so evento. Estamos trabalhando muito juntos para tornar os eventos de kata mais emocionantes para o público e esperamos ver ainda mais participan­ tes no futuro ”. Mantendo a tradição do país na modalidade, duas duplas representa­ ram o Brasil na competição de Nage­ No­Kata: Carlos Alberto Pereira (tori) e Taluan Nogueira (uke) ao lado de Fabi­ ano Rodrigo de Barros (tori) e Yann Fi­ orda Prando (uke). As duplas foram apoiadas pelo coordenador nacional de Kata da CBJ, Rioiti Uchida, que acom­ panhou a equipe brasileira em Portu­ gal. Nesta edição do Mundial de Kata o Brasil não conquistou medalhas mas os atletas represetaram muito bem o País em terras Luzitanas. A CBJ vem apoiando e investindo no Kata brasileiro, promovendo o Cam­ peonato Brasileiro e outras ações co­ mo os Cursos online de Padronização, que já alcançaram milhares de judo­ cas. O kata é uma parte importante do judô e os campeões e organizadores provaram que organização e bom nível das apresentações de kata são as cha­ ves do sucesso. Devido à história e valor do kata ser uma parte intrínseca do judô e sua evolução é importante al­ cançar um grupo maior de competido­ res a cada ano.


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Por: IJF Fotos: CISM ­ Eddy 'Bink' Kellens

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O 40º Campeonato Mundial Militar de Judô do CISM foi realizado em Bré­ tigny­sur­Orge, na França, entre os di­ as 28 de outubro e 04 de novembro, com um resultado muito positivo para os atletas medalhistas, por um lado, e para os organizadores do evento, por outro. O Coronel Stefan Marginean, Che­ fe da Comissão Militar da IJF, repre­ sentando a Federação Internacional de Judô no local, tinha muito que se con­ tentar, "Em primeiro lugar, devo subli­ nhar a organização muito tranquila deste 40º Campeonato Mundial, que não recebeu apenas o apoio das auto­ ridades militares, é claro, mas também contaram com o forte apoio das autori­ dades civis francesas e do prefeito da cidade de Brétigny­sur­Orge, bem co­ mo da França Judo (Federação Fran­ cesa). Este é um grande indicador de sucesso.Hoje assistimos a uma com­ petição muito forte e de nível muito al­ to. Muitos dos atletas inscritos também 16

são regulares no World Judo Tour e não é surpreendente, portanto, que o nível deste campeonato seja tão bom.” Para Stefan Marginean, a explica­ ção é clara: "Por muitos anos, primeiro como Diretor de Esportes do CISM e depois como Chefe da Comissão Mili­ tar da IJF, insisti em convencer os Es­ tados membros do CISM da importância do judô. Este esporte é uma ferramenta ideal de preparação e treinamento das Forças Armadas, é também uma ferramenta de desenvol­ vimento e uma arena onde os atletas possam brilhar. Hoje o nível deste campeonato é forte porque consegui­ mos convidar os países membros a trazer seus atletas de mais alto nível para as forças armadas. A França é um bom exemplo, mas eu também po­ deria citar o Brasil e tantos outros paí­ ses onde atletas de ponta têm contratos no exército. Também os aju­ da a seguir sua carreira global de judô."


A sinergia entre organizadores lo­ cais, nacionais e internacionais e a presença de alguns grandes nomes do esporte, garantem o espetáculo. “Mais uma vez gostaria de sublinhar o grande profissionalismo dos organizadores aqui na França. O judô francês é reco­ nhecido mundialmente tanto por sua capacidade de organizar grandes eventos quanto por seus resultados. Aqui temos a combinação dos dois”, concluiu Stefan Marginean . Grandes nomes do esporte se en­ contraram com uma nova geração de competidores que com certeza irão bri­ lhar nos próximos anos no cenário in­ ternacional. O número de atletas do World Judo Tour foi mais uma vez im­ pressionante e confirmou a impressão do primeiro dia, de que o evento militar é uma competição de judô de alto ní­ vel. E os resultados foram os seguintes: 17

­48kg 1 BOUKLI Shirine (FRA) 2 DOLGOVA Irina (RUS) 3 FERREIRA DE LIMA Amanda (BRA) 3 PRIMAVERA Jaqueline (AUT) 5 MARAPPULIGE Chamila Dilani (SRI) 5 MUTHUBANDAGE Prarthana (SRI) ­52kg 1 KELDIYOROVA Diyora (UZB) 2 WEILL DIT MOREY Julie (FRA) 3 MOUNIER Cheyenne (FRA) 3 BORODINA Anna (UKR) 5 PIENKOWSKA Karolina (POL) 5 FONSEKA WARNAGE N. (SRI) ­57kg 1 LOPES SILVA Rafaela (BRA) 2 COUTO LIMA Jessica (BRA) 3 KONKINA Anastasiia (RUS) 3 KUCZERA Anna (POL) 5 MANDENG Veronique (FRA) 5 PODOLAK Arleta (POL)


­63kg 1 LESKI Andreja (SLO) 2 KRSSAKOVA Magdalena (AUT) 3 DAVYDOVA Daria (RUS) 3 TAIS W. CASTILHOS Alexia (BRA) 5 ANTIPINA Anastasiia (UKR) 5 BADUROVA Kamila (RUS) ­60kg 1 BARATOV Dilshodbek (UZB) 2 FLORIMONT Jolan (FRA) 3 LEUTGEB Daniel Autriche (AUT) 3 MORGOYEV Bekirbek (UKR) 5 MOAHAMMAD HOSEIN S. (IRI) 5 LUIZ N. MARTINS Bruno (BRA) ­66kg 1 DE SOUSA ELIMA William (BRA) 2 BALKAROV Alim (RUS) 3 NAGUCHEV Abrek (RUS) 3 SEDDOUKI Reda (FRA) 5 GHASSEM Nourizadeh (IRI) 5 POLIAK Matej (SVK) ­73kg 1 REITER Lukas (AUT) 2 AXUS Benjamin (FRA) 3 DIAS LIMA David (BRA)

3 NAGUCHEV Kazbek (RUS) 5 MROWCZYNSKI Wiktor (POL) 5 SZWARNOWIECKI Damian (POL) ­70kg 1 POLLERES Michaela (AUT) 2 WROBLEWSKA Eliza (POL) 3 PINOT Margaux (FRA) 3 FRONTEIRA SANTANA Ellen (BRA) 5 CHYSTIAKOVA Nataliia (UKR) 5 MATNIYAZOVA Gulnoza (UZB) ­78kg 1 TCHEUMEO Audrey (FRA) 2 BABINTSEVA Aleksandra (RUS) 3 FOME Marlene (AUT 3 LYTVYNENKO Yelyzaveta (UKR) 5 MELLAWA T. M. (SRI) 5 PACUT Beata Pologne (POL) + 78kg 1 TOLOFUA Julia (FRA) 2 RODRIGUES DE SOUZA Bia (BRA) 3 GASPARIANA Anzhela (RUS) 3 GUSHCHINA Anna (RUS) 5 WITHANA LIYANA Hiruni I. (SRI) 5 W K ARTHANAYAKA G. L. (SRI) 18


­81kg 1 CESAR SCHIMIDT Guilherme (BRA) 2 MANUKIAN Hievorh (UKR) 3 METIFIOT Hugo (FRA) 3 WITTWER Lukas (SUI) 5 LAPPINAGOV Aslan (RUS) 5 PIERRE Baptiste (FRA) ­90kg 1 BOBONOV Davlat (UZB) 2 GODOY DE MACEDO Rafael (BRA) 3 GAUTSCHI Simon (SUI) 3 IGOLNIKOV Mikhail (RUS) 5 JOUBERT Antony (FRA) 5 RANDL Milão (SVK) ­100kg 1 TUROBOEV Muzaffarbek (UZB) 2 EICH Daniel (SUI) 3 ILIASOV Niiaz (RUS) 3 KUCZERA Piotr (POL) 5 MORENO REY Sergio (ESP) 5 YERSHOV Oleksu (UKR) + 100kg 1 TASOEV Inal (RUS) 2 MOURA P SILVA David (BRA) 3 BAKHTIYOROV S. (UZB) 19

3 PUUMALAINEN Martti (FIN) 5 FIZEL Marius (SVK) 5 OLTIBOEV Bekmurod (UZB) Depois de conquistar 11 medalhas nas disputas individuais, o judô brasileiro voltou ao tatame no último dia para a competição por equipes e conquistou mais duas medalhas de bronze. A equipe feminina estreou com derrota para a Polônia, mas recuperou­ se na disputa pelo bronze e levou a melhor sobre o time do Sri Lanka. Já o time masculino, perdeu para o Uzbequistão, na estreia, e venceu a Tunísia, na repescagem, antes de bater a Espanha, na disputa pelo bronze. Ao contrário do judô olímpico civil, o militar ainda separa por gênero nas competições por equipes. Nos eventos realizados pela IJF ­ Mundial, Continental e Jogos Olímpicos ­ as equipes são mistas, com homens e mulheres.


Por: Assessoria de Imprensa da CBJ Fotos: Lara Monsores

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O Campeonato Brasileiro de Judô Sub­21 2021 foi dividido em duas eta­ pas. A etapa Sub­21 Feminina, acon­ teceu em 20 de outubro, quarta­feira, 20, na Arena CBJ, em Pindamonhan­ gaba, São Paulo, com a participação de 113 judocas de 24 estados brasilei­ ros. A competição consagrou as melho­ res judocas do Brasil na classe júnior e classificou todas as medalhistas para a Seletiva Nacional ­ Projeto Paris 2024, que acontecerá em dezembro. Em formato bolha, sem a presença de público, houve transmissão ao vivo e todas as lutas puderam ser acompa­ nhadas online pela torcida de todos os estados. Na contagem geral de pontos, o Rio de Janeiro sagrou­se campeão na competição, seguido por São Paulo, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Minas Gerais. As lutas das sete categorias acon­ teceram todas no mesmo dia. No pe­ ríodo da manhã, lutaram as judocas dos pesos Ligeiro (48kg), Meio­Leve 22

(52kg) e Leve (57kg), tendo como cam­ peãs Aléxia Nascimento (MS/48kg), Thayná Lemos (RJ/52kg) e Bianca Reis (DF/57kg). A tarde, foi a vez das judocas mais pesadas, das categorias Meio­Médio (63kg), Médio (70kg), Meio­Pesado (78kg) e Pesado (+78kg). Maria Eduar­ da Diniz (RJ/63kg), Luana Carvalho (RJ/70kg), Beatriz Freitas (SP/78kg) e Ana Júlia Damasco (MG/+78kg) foram as campeãs. Além das medalhas, das supera­ ções e das conquistas individuais de cada participante que esperou mais de um ano e meio para voltar ao tatame, o grande vitorioso do dia foi o judô brasi­ leiro. “Esse retorno era muito esperado e o protocolo, os cuidados que tivemos aqui, nos deu muita segurança para poder fazer essa volta ao judô competi­ tivo. Não poderia ter sido de maneira melhor”, avaliou o Sensei Milton Pablo da Silva, técnico responsável pela se­ leção de Goiás. “A saudade de subir no dojô era


enorme. Hoje, estar aqui, para mim, é um sonho realizado. Estar aqui é rece­ ber uma dose de esperança de volta”, concluiu a jovem Ana Silva, atleta da Bahia. O Campeonato Brasileiro Sub­21 masculino de judô que aconteceu em 10 de novembro, quarta­feira, também na Arena CBJ, em Pindamonhangaba, São Paulo. A competição reuniu mais de 100 judocas da nova geração e mostrou que a base do judô nacional segue revelando muitos talentos. Dos 25 estados que participaram do evento, 16 tiveram atletas no pódio. O Rio de Janeiro ficou em primeiro lugar geral, com Minas Gerais em segundo, Distrito Federal em terceiro, Pernambuco em quarto e Rio Grande do Sul em quinto lugar. RESULTADOS:

Ligeiro 60kg O carioca Ryan Conceição (RJ) foi um dos destaques do Brasileiro Sub­ 21, vencendo cinco lutas por ippon e pegando vários adversários num ajus­ 23

tado juji­gatame (chave­de­braço), que lhe garantiu, inclusive, a medalha de ouro na final contra Felipe Silva, do Rio Grande do Sul. Os bronzes da categoria ficaram com Roger Pereira (DF), que venceu Roger Miranda (MT), e com Gabriel Ar­ ruda (SP), que venceu Cláudio Júnior (PB). Ouro ­ Ryan Conceição (RJ) Prata ­ Felipe Silva (RS) Bronze ­ Gabriel Arruda (SP) Bronze ­ Roger Pereira (DF) Meio­Leve 66kg No meio­leve, o melhor desempe­ nho foi do pernambucano Gabriel Na­ gai (PE), que demonstrou muita versatilidade técnica para vencer seus cinco combates nesta quarta e sagrar­ se campeão brasileiro júnior 2021. Na final, ele derrotou Paulo Rodrigues, do Rio Grande do Sul, nas punições. João Santos (MG) venceu Manoel Filho (PI) para ficar com um bronze, enquanto Talles Leandro (RJ) venceu João Jardim (DF) para levar o segundo


bronze. Ouro ­ Gabriel Nagai (PE) Prata ­ Paulo Rodrigues (RS) Bronze ­ João Santos (MG) Bronze ­ Talles Leandro (RJ) Leve 73kg Depois de lutar no Grand Slam de Baku, no Azerbaijão, no final de sema­ na, Gabriel Falcão (RJ) desembarcou direto em São Paulo para buscar sua medalha de ouro no Brasileiro Sub­21. Foram quatro lutas até a final, onde ba­ teu Ryan Santos (DF) com um waza­ari no golden score. Os bronzes da categoria ficaram com Igor E Silva (RS) e Filipe Filho (AM), que venceram João Pinheiro (MG) e Gabryel Romero (MS), respec­ tivamente. Ouro ­ Gabriel Falcão (RJ) Prata ­ Ryan Santos (DF) Bronze ­ Igor E Silva (RS) Bronze ­ Filipe Filho (AM) 24

Meio­Médio 81kg A final do meio­médio foi uma das mais emocionantes do dia. Eudes Neto (RN) conseguiu um waza­ari de vanta­ gem sobre Kauan dos Santos (RJ). Mas, o carioca reagiu, buscou o empa­ te e, na transição ao chão, imobilizou o adversário para conquistar o título bra­ sileiro. Marcos Santos (SP) venceu Lucia­ no Silva Jr (PI) na disputa de bronze, assim como Gabriel Duarte (SC) bateu Eduardo Lima (MT) no outro bronze. Ouro ­ Kauan Santos (RJ) Prata ­ Eudes Neto (RN) Bronze ­ Marcos Santos (SP) Bronze ­ Gabriel Suarte (SC) Médio 90kg Arthur Garcia (DF) e Victor Hugo Nascimento (SP) fizeram uma luta acir­ rada definida nas punições (3­2) com o atleta do Distrito Federal levando a me­ lhor e o título inédito do Brasileiro Júni­ or.


Luiz Rego (PR) bateu Rodrigo Pe­ reira (PE) e Cristi Miranda (MT) venceu Lucas Para (RS) nas disputas por bronze para se garantirem no pódio. Ouro ­ Arthur Garcia (DF) Prata ­ Victor Hugo Nascimento (SP) Bronze ­ Luiz Rego (PR) Bronze ­ Cristi Miranda (MT) Meio­Pesado 100kg A final do meio­pesado foi protago­ nizada por Kayo Santos (MG) e Gabriel Arévalo (SP), dois atletas que integra­ ram a equipe de apoio da seleção bra­ sileira em Tóquio 2020. Em luta parelha, Kayo levou a melhor na estra­ tégia e forçou três punições a Gabriel para conquistar a medalha de ouro. Nos bronzes, Felipe Silva (RS) venceu Cayo Souza (SE) por ippon, e Daniel Nazaré (RJ) derrotou Rubens Sousa Júnior (DF) para ficar com a medalha. Ouro ­ Kayo Santos (MG) Prata ­ Gabriel Arévalo (SP) 25

Bronze ­ Felipe Silva (RS) Bronze ­ Daniel Nazaré (RJ) Pesado +100kg A última luta do dia foi um embate de dois gigantes com muita emoção. Marcelo Valadão (DF) abriu um waza­ ari de vantagem e Guilherme Cabral (MG) reagiu em lance revisado pelo ví­ deo. Em posição dividida, a arbitragem não marcou nada e mandou o combate seguir. Motivado pela torcida, Cabral foi para cima e conseguiu projetar e imobilizar Valadão até o ippon numa vi­ rada espetacular. Yuri Santos (RJ) também levantou a torcida carioca ao vencer sua disputa por bronze contra Vinicius Abreu (SE). A outra medalha de bronze foi para Breno Duarte (MS), que superou Ga­ briel Santos (GO). Ouro ­ Guilherme Cabral (MG) Prata ­ Marcelo Valadão (DF) Bronze ­ Yuri Santos (RJ) Bronze ­ Breno Duarte (MS)


Por: IJF Fotos: Emanuele Di Feliciantonio e Jensen Lars Moeller

O terceiro evento do World Judo Tour desde os Jogos Olímpicos de ve­ rão, aconteceu entre os dias 05 e 07 de novembro no Hyatt Regency em Central Baku, Azerbaijão. No Grand Slam de Baku, vimos uma mistura de rostos desconhecidos, lembretes pós­olímpicos e uma nova assertividade das mulheres da nação anfitriã. O Sr. Mohamed Meridja, Dire­ tor de Educação e Treinamento da IJF e também atleta olímpico, observou a competição e fez um balanço inicial do 26 34

evento. “Vejo muitos novos atletas nesta competição. Nas categorias de ­60kg e ­66kg nós vimos eles virem e realmen­ te queremos vencer. Talvez metade dos atletas de hoje não tenha participa­ do do tour antes e, portanto, não esta­ mos vendo o mesmo nível de alguns eventos anteriores, mas isso é normal com o novo ciclo e novos atletas. Há muita motivação visível e essa é uma ótima plataforma a partir da qual eles podem crescer.


Alguns que vieram para cá com as medalhas olímpicas já no bolso estão perdendo, mas por trás das perdas é claro que estão trabalhando muito para o futuro e não para o momento. É ape­ nas preparação, usando sua experiên­ cia para tomar as vitórias e as derrotas como educação para seus treinamen­ tos futuros. A exceção ao sentimento predomi­ nante nas categorias femininas foi cer­ tamente a seleção da nação anfitriã. As mulheres do Azerbaijão trouxeram seu 35 27

melhor jogo desde o primeiro minuto e lutaram sem reservas. Eles estão dei­ xando o mundo saber que seu futuro está em andamento; eles estão vindo e deram uma grande exibição de suas capacidades e intenções hoje. Eles combinaram com seus colegas mascu­ linos e isso é maravilhoso de ver em um palco de Grand Slam. Nas próximas páginas confira o de­ sempenho e resultados de todas as ca­ tegorias de peso.


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RESULTADOS FINAIS: 1º TATSUKAWA Rina (JPN), 2º TANZER Katharina (AUT), 3º RISHONY Shira (ISR), 3º PICHKALEVA Daria (RUS), 5º HAMIDOVA Shafag (AZE), 5º GANBAATAR Narantsetseg (MGL), 7º GILIAZOVA Sabina (RUS), 7º GURBANLI Aisha (AZE)

­48 kg por Batalha de Favoritos Há anos alertamos os céticos de que o judô é uma arte, não uma ciência e que tudo é possível, por mais impos­ sível que pareça. Em Baku, houve uma briga de favoritos que confirma que ninguém é intocável, ninguém vence por nome e currículo. Veja Shira Rishony, por exemplo; o israelense era o favorito em Baku, número 12 do mundo e com vasta experiência. Em sua primeira luta, ela perdeu para a russa Daria Pichkaleva, número 90; obrigado por vir e até breve. Pichkale­ va foi, por sua vez, derrotado pela aus­ tríaca Katharina Tanzer, número 59 do ranking mundial, que logo depois per­ deu na final porque, ciência ou não, quando há japoneses no horizonte, as coisas ficam muito mais difíceis. Tanzer se levantou porque não há nada melhor do que derrotar a escola japonesa para saber que você está in­ 30

do na direção certa. No entanto, Rina Tatsukawa era muito superior. A japo­ nesa está em 119º lugar no ranking mundial, anos­luz atrás de Tanzer, mas ela é japonesa e isso diz tudo. Em menos de um minuto, Tatsu­ kawa despachou o protegido da nova técnica austríaca Yvonne Boenisch com um sumi­gaeshi super suave. Com a medalha de ouro já pendu­ rada no pescoço, Tatsukawa expres­ sou sua "felicidade pelo título, que não teria sido possível sem a ajuda dos meus treinadores." A novata Rafaela Batista, 18 anos, ficou perto de uma primeira vitória no circuito sênior e saiu com um aprendi­ zado desta etapa. Ela conseguiu um waza­ari sobre Shafag Hamidova, do Azerbaijão, e em um descuido, acabou levando o empate a seis segundos do fim da luta. No Golden score, Hamido­ va conseguiu outro waza­ari e venceu.


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RESULTADOS FINAIS: 1º PAPINASHVILI Jaba (GEO), 2º OGUZOV Albert (RUS), 3º ALIYEV Rovshan (AZE), 3º KONDO Hayato (JPN), 5º ENKHTAIVAN Sumiyabazar (MGL), 5º YUSIFOV Ahmad (AZE), 7º AGHAYEV Balabay (AZE), 7º FOCA Nicolae (MDA)

­60kg Semear é real Já no masculino, a categoria mais leve foi a única que realmente respei­ tou as duas primeiras sementes. No to­ po, o russo Albert Oguzov chegou à final com autoridade, derrotando o Azeri Rovshan Aliyev e o japonês Kon­ do Hayato nas semifinais. Oguzov que­ ria que todos soubessem que hoje ele era o chefe. Abaixo, Jaba Papinashvili fez o mesmo. Uma luta entre um russo e um georgiano é sempre especial, pe­ lo estilo e pela história. São confrontos com histórias elegantes. Oguzov é um veterano do circuito que ainda tem qualidade suficiente para manter um nível aceitável e de vez em quando bri­ 34

lhar, como em Baku. Papinashvili é a nova geração que acaba de desembar­ car no planeta do World Judo Tour. Papinashvili abriu fogo com um so­ de­tsuri­komi­goshi sinônimo de waza­ ari. A reação de Oguzov foi imediata, com um juji­gatame que deveria ter si­ do a técnica da vitória, mas o georgia­ no soube escapar e forçar o imediato. A dois segundos do fim, o russo tentou um o­uchi­gari, mas no final o chefe foi Papinashvili. As primeiras palavras do chefe fo­ ram: “Trabalhei muito para chegar aqui. Minha pontaria era apenas ouro e foi isso que consegui. Posso dizer que es­ tou satisfeito agora. ”


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RESULTADOS FINAIS: 1º PUPP Reka (HUN), 2º GILES Chelsie (GBR), 3º BISHRELT Khorloodoi (MGL), 3º POLIKARPOVA Anastasia (RUS), 5º WURFEL Annika (GER), 5º KRASNIQI Distria (KOS), 7º NUGAEVA Liliia (RUS), 7º RYHEUL Âmbar (BEL)

­52 kg O que é preciso para ficar sa­ tisfeito Falamos sobre Distria Krasniqi, campeã olímpica de –48kg em Tóquio, que decidiu voltar à categoria que mais gosta, aquela que mais lhe convém, segundo ela. Também dissemos que o Kosovar teria que monitorar de perto o britânico Chelsie Giles e o Húngaro Reka Pupp porque tudo é possível, mas especular sobre os resultados não é proibido. Foi Pupp quem forçou Kras­ niqi a fazer um teste de realidade. A húngara venceu por ippon com autori­ dade, o que significa que Krasniqi ain­ da precisa de tempo para ser tão competitiva quanto no peso anterior. Também é normal, pois é o primeiro torneio dela desde Tóquio e ela tem muito a refinar; não é nada sério. Pupp continuou seu caminho para a final. Gi­ 38

les também. O britânico está tendo um ano sensacional com o ouro no Grand Slam de Tel Aviv, prata no Grand Slam de Tbilisi e bronze nas Olimpíadas. Em Baku, ela queria estender sua seqüên­ cia de vitórias ao vencer Pupp em uma final entre os dois melhores lutadores da categoria, mas desejar e fazer não é a mesma coisa. Eles alcançaram a pontuação de ouro e parecia que Giles era ligeira­ mente superior. Mas parecia que sim, já que Pupp venceu com uchi­mata nas pontas das mangas, marcando o pri­ meiro título de Grand Slam do Húnga­ ro. O Brasil também teve Yasmim Li­ ma no tatame Azeri e ela não conse­ guiu exibir seu melhor judô, levando um ippon logo nos primeiros segundos de luta.


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RESULTADOS FINAIS: 1º SAFAROV Orkhan (AZE), 2º VIERU Denis (MDA), 3º TANAKA Ryoma (JPN), 3º HONCHARKO Yevhen (UKR), 5º AIDA Yuji (JPN), 5º SHAMILOV Yakub (RUS), 7º NINIASHVILI Bagrati (GEO),7º TAKABATAKE Eric (BRA)

­66kg Teoria Dominó A segunda categoria masculina do dia foi uma versão do jogo de lula. Atenção a todos: o georgiano e número dois do mundo, Vazha Margvelashvili caiu em sua primeira disputa pelas mãos da japonesa Aida Yuji, que desa­ pareceu pouco depois por causa do ucraniano Yevhen Honcharko, que foi eliminado pelo azeri Orkhan Safarov, que em sua vez foi enfrentada na final pelo mais inteligente do bairro, o mol­ davo Denis Vieru. Vieru é um verdadei­ ro mago do judô. Seu principal problema é a inconsistência. Capaz do melhor e do pior, em Baku entregou boa parte de um magnífico repertório até o último concurso. Safarov produ­ ziu um impressionante osoto­gake e venceu em casa sua quarta medalha 42

de ouro em um grand slam. “Estou muito feliz por ganhar uma medalha em casa; isso torna este ouro mais especial. Dedico esta medalha aos heróis do nosso país. Hoje é a nossa vitória. ” A competição de ­66kg foi delicio­ samente caótica porque o que parecia lógico nunca era. Estreando em nova categoria de peso, o ex­ligeiro Eric Takabatake conquistou um sétimo lugar no meio­ leve (66kg) na disputa do Grand Slam de Baku, no Azerbaijão, nesta sexta­ feira, 05, primeiro dia de competição. Eric venceu um mongol e um russo, nas preliminares, caindo para Orkhan Safarov, do Azerbaijão, e para Yuji Aida, do Japão, na sequência. Foi o melhor desempenho do Brasil no dia.


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RESULTADOS FINAIS: 1º TAMAOKI Momo (JPN), 2º MUNKHTSEDEV Ichinkhorloo (AZE), 3º STARKE Pauline (GER), 3º LIBEER Mina (BEL), 5º LKHAGVATOGOO Enkhriilen (MGL), 5º HOLGUIN Mariah (EUA), 7º PEREIRA Jessica (BRA), 7º FRITZE Caroline (GER)

­57 kg de prata era o limite O Azerbaijão investiu tempo e di­ nheiro durante anos para construir uma equipe feminina tão boa quanto a mas­ culina, o que não é uma tarefa fácil. Em Baku, sua equipe feminina corres­ pondeu às expectativas. Shafag Hami­ dova chegou à semifinal e lutou pelo bronze com –48kg. Com –57kg Ichinkhorloo Munkhtsedev qualificou­se para a final. Ela tem 23 anos, é jovem e tem muito espaço para progredir. Em Baku o limite era a prata por­ que na final o azerbaijani teve que en­ frentar Tamaoki Momo, e essas são palavras difíceis. O judoca japonês é o quinto colocado no ranking, vice­cam­ peão mundial e tem vinte medalhas no circuito internacional. Ela é outro nível, o teste perfeito para Munkhtsedev; um 46

teste que durou dois minutos e dez se­ gundos. Tamaoki venceu com osae­ko­ mi. Nesta final não houve surpresa de qualquer espécie. Jéssica Pereira também ficou em sétimo lugar, mas não teve vitórias. Ela estreou já nas quartas­de­final, onde caiu para a americana Mariah Holguin e, na repescagem, não passou por Lkhagvatogoo Enkhriilen, da Mongólia. Rafaela Silva, que encarou uma maratona de competições nas últimas semanas, travou uma batalha de oito minutos logo na primeira luta contra a anfitriã Ichinkhorloo Munkhtsedev, que conseguiu um waza­ari no tempo extra para superar a campeã olímpica. No decorrer da competição, Munkhtsedev avançou até a final, mostrando ser uma forte concorrente no 57kg.


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RESULTADOS FINAIS: 1º MAKHMADBEKOV Makhmadbek (RUS), 2º OYOSHI Ken (JPN), 3º HEYDAROV Hidayat (AZE), 3º TSEND­OCHIR Tsogtbaatar (MGL), 5º VENNEKOLD Lukas (GER), 5º KHAZHALIEV Ayub (RUS), 7º TURDUBAEV Ertur (KGZ), 7º SARAKHONOV Muhammadrahim (TJK)

­73kg Sem Segredos A coisa de Rustam Orujov e Hi­ dayat Heydarov foi como o desastre do sétimo regimento de cavalaria. Ambos perderam o couro cabeludo nas mãos dos novos donos do lugar, o japonês Ken Oyoshi e o russo Makhmadbekov. Oyoshi acaba de chegar ao circuito, quase ninguém o conhece, mas ele veio para Baku como se fosse Billy the Kid. O russo é ainda mais jovem, mas já ganhou um Grand Slam e compete como um veterano com a energia de um jovem. Os dois venceram todas as suas lutas e mediram forças na grande final. Oyoshi experimentou um uchi­mata que poderia ter sido magnífico. Makh­ madbekov respondeu com um excelen­ 50

te trabalho em ne­waza, mas as duas tentativas foram inúteis. Era preciso ir mais longe porque já estavam no pla­ car de ouro e ambos jogando na defe­ sa, tanto que no final os japoneses perderam por hansokumake e Makh­ madbekov embolsou o segundo ouro em um grand slam e disse: “Não há se­ gredo para vencer . Eu apenas traba­ lho duro. Como a rivalidade é muito grande na Rússia, não pude ir a Tó­ quio. Agora, a única opção que tenho é ganhar e obter o ouro em Paris 2024. Ouro em Kazan e aqui está uma boa evidência de que estou no caminho certo.


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RESULTADOS FINAIS: 1º RENSHALL Lucy (GBR), 2º BOLD Gankhaich (MGL), 3º BARRIOS Anriquelis (VEN), 3º HORIKAWA Megumi (JPN), 5º HAECKER Katharina (AUS), 5º MORAES Gabriella (BRA), 7º SCHMIDT Agatha (GER), 7º ZACHOVA Renata (CZE)

­63 kg um novo xerife Para Anriquelis Barrios, primeiro cabeça­de­chave, a medalha durou três minutos. Sheriff Wanted, as placas lidas e Gankhaich Bold apareceu. Ela veio da Mongólia, desmontou de seu cavalo e desafiou todas as pistoleiras do local para um duelo. Então nasceu a lenda de Bold, a mais rápida do lu­ gar. Na final, Bold enfrentou Lucy Renshall, que viera de uma incursão à prata em Paris; duelo na sombra pelo ouro de Baku. Bold tem 26 anos e não tem medalha no Circuito Mundial de Judô. Lucy tem 25 anos e 8 medalhas. Parecia uma oposição desigual. Ambos eram radicais, brincando com os quadris, então parecia que um 54

deles iria crescer! O mongol estava de­ morando vários segundos para se con­ centrar novamente no final de cada troca. No placar de ouro Renshall rei­ vindicou o distintivo como um novo xe­ rife desta forma: o mongol atacou com uchi­mata, mas deixou muita distância, espaço para Renshall aplicar sua tran­ sição costumeira e ela fez isso perfei­ tamente, vencendo o concurso por osae­komi. “Eu me sinto muito forte em ne­wa­ za. A luta foi bem longa e foi um ótimo momento de pegar. Ela estava cansa­ da e eu poderia segurá­la para aquele osae­komi. Eu me sinto ótimo." Nós entendemos porque, ela é a nova xeri­ fe.


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RESULTADOS FINAIS: 1º ALBAYRAK Vedat (TUR), 2º DRUZETA Dominik (CRO), 3º GAUTHIER DRAPEAU François (CAN), 3º HAJIYEV Eljan (AZE), 5º GOTONOAGA Dorin (MDA), 5º JAFAROV Hasil (AZE), 7º TOMOKIYO Hikaru (JPN), 7º UNGVARI Attila (HUN)

­81 kg Albayrak vence a corrida do ouro A Croácia decidiu se mudar para o Azerbaijão. Além de Cvjetko, Dominik Druzeta também se esgueirou para uma final, como se os croatas famintos pelo título viajassem juntos como uma gangue de bandidos. Porém, para ser o novo xerife, Druzeta teve que desar­ mar Vedat Albayrak, uma espécie de John Wayne em Baku, imperturbável e perfeito em cada um de seus duelos, todos de alto nível, contra o uzbeque Tursunov, Azeri Hajiyev e o canadense Gauthier­Drapeau. Agora sabemos que o mais rápido do Velho Oeste é o turco. Em quinze segundos, Albayrak fez utsuri­goshi sem tirar a perna do oponente do cami­ 58

nho. Seu nome é Vedat, mas em Baku ele era o Patt Garrett do judô. Por fim, não é que gostemos de nos repetir quando falamos do quadro de medalhas, mas quando 17 dos 29 países presentes em Baku obtêm uma medalha nos primeiros dois dias, isso significa que as coisas estão sendo bem feitas não em alguns países mas em muitos, em cada vez mais, e isso também é notícia de última hora, por­ que significa que mais xerifes estão galopando para a cidade.


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RESULTADOS FINAIS: 1º TERADA Utana (JPN), 2º CVJETKO Lara (CRO), 3º BUTKEREIT Miriam (GER), 3º PETERSEN POLLARD Kelly (GBR), 5º SILVA Millena (BRA), 5º HOELTERHOFF Julie (GER), 7º HASANLI Gunel (AZE), 7º TSERENDULAM Enkhchimeg (MGL)

­70kg Mrs 100% A categoria –70kg foi uma convo­ cação SOS para os jovens, como se não houvesse lugar para maiores de 23 anos. Se se tratava de verificar o estado de saúde das pedreiras, agora sabemos que há um futuro por en­ quanto. A japonesa Utana Terada não havia vencido nada no WJT porque nunca havia participado de nenhum torneio desse nível. A croata Lara Cv­ jetko compareceu a alguns eventos sem grandes resultados. Ela ainda é uma junior e lá ela se tornou conheci­ da, especialmente com uma prata no Campeonato Mundial de Olbia. Para este, é melhor não se atrasar, porque em menos de um minuto Tera­ da produziu um tai­otoshi esquerdo 62

com os dois punhos em uma manga. Primeiro grand slam e primeira meda­ lha de ouro, quatro competições e qua­ tro vitórias por ippon; ela é até agora a senhora 100%.


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RESULTADOS FINAIS: 1º MASHIYAMA Kosuke (JPN), 2º MEHDIYEV Mammadali (AZE), 3º GVINIASHVILI Beka (GEO), 3º MAISURADZE Luka (GEO), 5º TAJIMA Goki (JPN), 5º SHEROV Erlan (KGZ), 7º TALIBOV Vugar (AZE), 7º ISMAYILOV Rufat (AZE)

­90 kg A Velha Guarda Escreva os nomes: Mammadali Mehdiyev, Nemanja Majdov, Beka Gvi­ niashvili, Altanbagana Gantulga. A ca­ tegoria de ­90kg era como se tivéssemos encontrado a legião do Im­ pério Romano que desapareceu no Oriente Médio. Todos veteranos, cen­ turiões endurecidos em mil batalhas. Não entendem de sorte, têm muita ex­ periência para isso e lutam com o de­ sejo dos recém­chegados porque todos buscam a glória que perderam; todos menos um. Mehdiyev, por orgulho pa­ triótico, enquanto luta em casa e por­ que quando está bem é temível; ele agüentou até o fim. Ele vem de uma vi­ tória em Zagreb e continua entre os 66

dez primeiros. Na final enfrentou o ja­ ponês Kosuke Mashiyama, de 22 anos e que não quer respeitar a hierarquia. Em outras palavras, a força cres­ cente de Mehdiyev contra o talento téc­ nico incessante dos japoneses contribuíram para uma final atraente. Com estilos tão opostos, pareciam dois esportes diferentes, mas com as mes­ mas regras. Mashiyama acabou ven­ cendo por três shido, mas isso não era indicativo do ritmo, ferocidade e poder técnico explosivo em exibição.


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RESULTADOS FINAIS: 1º MALZAHN Luise (GER), 2º LANIR Inbar (ISR), 3º PRODAN Karla (CRO), 3º LEON Karen (VEN), 5º ZENKER Teresa (GER), 5º DUDENAITE Migle (LTU), 7º BATBAYAR Erdenet­Od (MGL), 7º LIALINA Tatiana (RUS)

­78 kg Elegância e Classe Mulheres com esse peso geral­ mente são muito altas, com pernas lon­ gas e ombros fortes. Eles são fortes e elegantes; eles têm aula. Em Baku, a primeira e a terceira sementes se des­ tacaram: a alemã Luise Malzahn e a is­ raelense Inbar Lanir, números 5 e 15 do ranking mundial. Os dois conquista­ ram o bronze em Paris, o que significa que em Baku pode haver equilíbrio de forças. Malzahn venceu uma competição agressiva com experiência e determi­ nação. Uma pegada limpa trouxe o ou­ ro de volta para a Alemanha com osoto­gari, que Lanir tentou contra­ata­ car, mas não foi bom o suficiente. 70

"Estou sempre satisfeito com o ou­ ro. Já faz um tempo que não ganhei. Na verdade, a última vez que estive aqui em Baku em 2019, acho que Baku é um bom lugar para mim. Estou feliz por ter feito um bom trabalho e tudo o que fiz queria tornou­se realidade hoje ", disse Malzahn.


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RESULTADOS FINAIS: 1º BILALOV Niiaz (RUS), 2º ELNAHAS Shady (CAN), 3º SANEBLIDZE Onise (GEO), 3º IIDA Kentaro (JPN), 5º KARIMLI Adil (AZE), 5º HUMBERTO Andre (BRA), 7º KUMRIC Zlatko (CRO), 7º JAPARIDZE Mikheil (GEO)

­100 kg Garotos de Capuz Três azeris, dois canadenses, dois brasileiros, 2 mongóis e 2 georgianos: parecia uma luta de gangues pela con­ quista de um bairro. Shady Elnahas, do distrito canadense, começou a odiar o número 5. Ele foi o quinto no campeo­ nato mundial e nas Olimpíadas. Baku serviu para quebrar essa barreira e chegar à final que lhe correspondia por status. Ele é o número quatro do mun­ do e mediu forças com o russo Niaaz Bilalov, velha raposa do Tour Mundial de Judô, em forma no final do ano. Foi uma luta de kumi­kata em que o russo estava constantemente agarra­ do, tornando difícil para o canadense acertar seus punhos favoritos. Dois guerreiros canhotos sempre produzirão 74

algumas soluções interessantes. Um minuto e meio para o placar de ouro Bilalov tirou uma técnica de sua mochi­ la que não tínhamos visto durante o resto da luta. Um grande osoto­gari era a passagem segura do russo para o to­ po do bairro. “Tive um dia muito intenso e más notícias porque hoje perdi um dente”, declarou Bilalov. ­100kg é um bairro muito difícil.


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RESULTADOS FINAIS: 1º LUCHT Renee (GER), 2º AMARSAIKHAN Adiyasuren (MGL), 3º MARANIC Ivana (CRO), 3º HERSHKO Raz (ISR), 5º FACCHOLLI Sibilla (BRA), 5º SZIGETVARI Mercedesz (HUN), 7º JABLONSKYTE Sandra (LTU)

+ 78kg Luchtansa Raz Hershko havia entrado em uma nova dimensão. O jovem israelense levou a melhor na categoria peso pesado. Suas vitórias em Antalya e Paris a catapultaram para a parte nobre do ranking e ela era uma clara favorita em Baku. No entanto, a alemã Renee Lucht soube forçar a sorte e derrotou Hershko no período de ouro da semifinal por osae­komi. Lucht ratificou o grande dia da delegação alemã, lutando pelo ouro contra o mongol Adiyasuren Amarsaikhan. Para o judoca alemão foi a oportunidade de voar muito alto porque é lá que se encontra o ouro. Lucht ratificou o grande dia da delegação alemã, lutando pelo ouro contra o mongol Adiyasuren 78

Amarsaikhan. Para o judoca alemão foi a oportunidade de voar muito alto porque é lá que se encontra o ouro. Era tudo uma questão de poder, mas finalmente Lucht usou um judô técnico fantástico para lançar para o ippon com um enorme makikomi. Ela voltou para casa com sua primeira medalha de ouro do Grand Slam como cartão de embarque. Para Lucht, "Foi uma boa competição. Lutei muito até o último segundo e estou muito feliz que minha primeira medalha de Grand Slam seja ouro."


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RESULTADOS FINAIS: 1º SAITO Tatsuru (JPN), 2º RAKHIMOV Temur (TJK), 3º ODKHUU Tsetsentsengel (MGL), 3º KOKAURI Ushangi (AZE), 5º PALMINI Tiago (BRA), 5º HEINLE Sven (GER), 7º ALLERSTORFER Daniel (AUT), 7º ERDOGAN Cemal (TUR)

+ 100 kg O tamanho importa Na sexta­feira, Keiji Suzuki nos contou sobre Tatsuru Saito e estáva­ mos muito interessados em vê­lo em detalhes. Ele nos disse que é bom. Na verdade, Keiji poderia ter acrescentado que é muito bom, apontando para um prodígio: 19 anos, 1,93cm e 168 quilos. Bem, o menino se move com uma agi­ lidade surpreendente. Em Baku, ele eli­ minou os dois representantes do Azerbaijão desde o início e um deles, Ushangi Kokauri, foi vice­campeão mundial há quatro anos. Na semifinal, ele se livrou do mongol Tsetsentsengel Odkhuu sem perturbar seu judogi. A fi­ nal contra Temur Rakhimov, camisa 11 do mundo, permaneceu. Desta vez, após observar Saito, a juventude era uma clara favorita contra o ranking. Saito não quer ficar parado, pro­ 82

vando que o judô pesado pode ser tão dinâmico quanto qualquer outro peso. Seu primeiro placar veio em um minu­ to, enquanto ele lutava contra um aper­ to estranho de Rakhimov. Um sasae­tusuri­komi­ashi reminiscente de Muneta veio em seguida, mas sem pontuação. Faltando 50 segundos para o fim do relógio, Saito de 19 anos ter­ minou o trabalho e, afinal, executou o sasae. O Japão terminou em primeiro lu­ gar no quadro de medalhas com cinco medalhas de ouro e vários rostos no­ vos que certamente veremos no topo do pódio. A Rússia terminou em se­ gundo e graças a um esplêndido dia fi­ nal, a Alemanha subiu para o terceiro lugar. Vejo vocês em breve em Abu Dhabi.


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O homenageado desta edição da revista Simplesmente JUDÔ é Daniel Borges Cargnin, gaúcho de Porto Ale­ gre, nascido em 20 de dezembro de 1997. Cargnin é atleta da equipe Sogi­ pa, da Marinha do Brasil (CDM) e titu­ lar da seleção brasileira de judô (CBJ). Dentre suas conquistas que listaremos neste texto, destaque para a medalha de bronze conquistada nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Iniciou no judô aos seis anos, em uma academia de Canoas, região me­ tropolitana de Porto Alegre. Aos treze anos, começou a se destacar e rece­ beu um convite do técnico Antônio Car­ los Pereira, o Kiko, para integrar a equipe da Sogipa. Desde 2015, Daniel participava de competições tanto pela equipe júnior quanto pela sênior do Brasil. Mas foi em 2017, após conquistar o Mundial Júnior de Zagreb e ser campeão da Seletiva Olímpica, que Cargnin se con­

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solidou na seleção principal. E tudo is­ so com apenas 20 anos. No Brasil, é o principal nome do peso meio­leve (­66kg): bicampeão pan­americano (2019 e 2020) e vice­ campeão dos Jogos Pan­Americanos de Lima 2019. Essas conquistas o cre­ denciaram como titular absoluto da ca­ tegoria na seleção brasileira. Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 Em 16 de junho de 2021, Daniel foi convocado pela Confederação Brasilei­ ra de Judô (CBJ) para a sua primeira Olimpíada: os Jogos Olímpicos de Tó­ quio 2020, no Japão. O gaúcho lutou no dia 25 de julho, segundo dia da competição em Tóquio, e conquistou a medalha de bronze. Daniel iniciou a competição ven­ cendo o egípcio Mohamed Abdelmaw­ goud, por ippon, no golden score. Após, nas oitavas de finais, passou pe­ lo moldávio Denis Vieru com um wazari


também no golden score. Nas quartas, derrotou o italiano Manuel Lombardo, vice­campeão mundial e líder do ran­ king, com um wazari. Na semifinal, per­ deu por ippon para o japonês Hifumi Abe, bicampeão mundial e que con­ quistou o título olímpico. E, na decisão do bronze, venceu o israelense Baruch Shmailov com um wazari. O pódio, na ocasião, foi o primeiro da modalidade para o Brasil na Olimpíada de Tóquio 2020. Marinha do Brasil Assim como diversos atletas brasi­ leiros, Daniel é terceiro sargento da Marinha do Brasil, integrante da Co­ missão de Desportos da Marinha (CDM) e do Centro de Educação Física Almirante Nunes (Cefan), desde 2017. Principais Conquistas 2021: Bronze nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, no Japão 2020: Ouro no Campeonato Pan­Ame­

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ricano de Guadalajara, no México; Bronze no Grand Prix de Tel Aviv, em Israel 2019: Ouro no Campeonato Pan­Ame­ ricano de Lima, no Peru; Ouro no Grand Slam de Brasília, no Brasil; Pra­ ta nos Jogos Pan­Americanos de Lima, no Peru 2018: Prata no Grand Prix de Tbilisi, na Geórgia; Prata no Campeonato Pan­Americano de San José, na Costa Rica; Bronze no Troféu Brasil; Ouro por equipes no Mundial Militar do Rio de Janeiro 2017: Ouro no Mundial Júnior de Za­ greb, na Croácia; Prata no Campeona­ to Pan­Americano do Panamá, no Panamá; Bronze no Troféu Brasil; Ouro na Seletiva Olímpica Brasileira 2016: Ouro no Aberto de Tallin, na Estônia 2015: Bronze no Mundial Júnior de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes; Bronze no Troféu Brasil